Revista BrOffice nº 9

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Revista BrOffice nº 9

  1. 1. http://www.flickr.com/photos/lfca stro/457549283/sizes/l/ Dica http://www.flickr.com/photos/edg ley_cesar/149982771/sizes/o/ tecnológicas potencialidades conhece as inteligente Gestor http://www.flickr.com/photos/carl Artigo osoliveirareis/3049822701/sizes /l/ 1 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista http://www.flickr.com/photos/bru Revista nogirin/28718399/sizes/o/ Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista http://www.flickr.com/photos/zan ini/3413855677/sizes/l/ Tutorial brasileiros nos municípios http://www.flickr.com/photos/vde Local pizzol/3124334862/sizes/l/ http://www.flickr.com/photos/lica ssuncao/1053512058/sizes/l/ Giro pelo Brasil Como nós ... mostra realidade http://www.flickr.com/photos/sol don/3969222492/sizes/l/ http://www.flickr.com/photos/gjofi li/1580455588/sizes/o/ Novembro 2009 Diagramado no BrOffice.org Draw Ano 2 | N° 9 | novembro 2009 http://www.flickr.com/photos/keithlam/217043463/sizes/l/
  2. 2. BrOffice.org Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma licença 2.5 Brasil Licença Você pode: copiar, distribuir, exibir e executar a obra criar obras derivadas Sob as seguintes condições: Atribuição. Você deve dar crédito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante. Uso Não-Comercial. Você não pode utilizar esta obra com finalidades comerciais. Compartilhamento pela mesma Licença. Se você alterar, transformar, ou criar outra obra com base nesta, você somente poderá distribuir a obra resultante sob uma licença idêntica a esta. ● Para cada novo uso ou distribuição, você deve deixar claro para outros os termos da licença desta obra. ●Qualquer uma destas condições podem ser renunciadas, desde que você obtenha permissão do autor. ● Nada nesta licença prejudica nem restringe os direitos morais do autor. Termo de exoneração de responsabilidade Qualquer direito de uso legítimo (ou "fair use") concedido por lei, ou qualquer outro direito protegido pela legislação local, não são em hipótese alguma afetados pelo disposto acima. Este é um sumário para leigos da Licença Jurídica (na íntegra). Condição de Atribuição DE: “By” A reprodução do material contido nesta revista é permitido desde que se incluam os créditos aos autores e a frase: “Reproduzido da Revista BrOffice.org – www.broffice.org/revista” em local visível. O BrOffice.org declara não ter interesse de propriedade nas imagens. Os direitos sobre as mesmas pertencem a seus respectivos autores/proprietários. Portanto, esta licença não se aplica a nenhuma imagem exibida na revista, e para utilização delas obtenha autorização junto ao autor respectivo.
  3. 3. BrOffice.org Carta do Leitor Dê o seu recado 5 Índice Como nós... Fazemos o corretor CoGroo 6 Artigo O Software Livre e a Inteligência 8 do Gestor Público Reportagem BrOffice.org sai na frente no 11 processo de inclusão digital BrOffice.org se prepara para o IV EnBro 23 Entrevista BrOffice.org e o planejamento 21 Dica Auto preenchimento de dados no Calc 26 Barra de ferramentas para Broo 30 Tutorial Criando extensões basic 38 Resumo do mês Resumo 43
  4. 4. EDITORIAL Colaboradores desta edição Redação: Fernando H. Leme Nova fase da Revista BrOffice.org Luiz Oliveira marcada pela mobilização de toda a Rochele Prass William Colen comunidade. Dicas e tutorial: Herbert de Carvalho Desafio é a palavra que marcou o início da edição nº 9 da Noelson A. Duarte Rubens Queiroz Revista BrOffice.org há apenas três semanas. Um tema Diagramação: instigante, o BrOffice.org nos municípios, precisava mais Eliane Domingos do que o ideal de fazer. Precisava de pessoas que Vera Cavalcante quisessem encarar o desafio e colocar a “Revista na rua”, Revisão: com uma edição que não poderia ser simplesmente para Carlos Antonio da Silva Eduardo Mundim constar. Queríamos uma edição marcada pela Fatima Conti excelência, que agregasse discussões pertinentes sobre Francival Lima o tema a que se propõe e conteúdo verdadeiramente útil. Jerusa Manfredini Netto Mazuco Luiz Fernando Carvalho Além, é claro, de mostrar aos leitores como o Paulo de Souza Lima BrOffice.org se estrutura para disponibilizar aos seus Pedro Ciríaco usuários um software de qualidade. Regina Souza Moraes Vera Cavalcante Nas páginas que seguem, além das dicas e tutorial, o Zamil Cavalcanti leitor poderá experimentar um momento de reflexão com Edição: o excelente artigo de Fernando H. Leme mostrando as Luiz Oliveira Rochele Prass vantagens da migração para software livre e BrOffice.org comunicacao@broffice.org em órgãos públicos. Na reportagem principal, Rochele Jornalista responsável: Prass nos traz informações precisas e atuais dos Luiz Oliveira – Mtb.31064 municípios brasileiros que passaram por migração luizheli@openoffice.org recente para software livre e BrOffice.org, além de Coordenador Geral BrOffice.org: análises, gráficos e entrevista que não deixam dúvidas Claudio Ferreira Filho filhocf@openoffice.org sobre a importância e aceitação da suite BrOffice.org nas Agradecimentos especiais: instituições brasileiras que em muitos casos passam 4CMBR primeiro pelo BrOffice.org antes de fazer uma migração Ministério do Planejamento total. Gnutech Gustavo Luiz Morais Estamos entregando uma nova revista. O leitor vai notar Escreva para a Revista BrOffice.org: as mudanças no visual, no nome, no cuidado pela revista@broffice.org excelência, mas uma coisa não mudou: para que essa Edições anteriores: revista fosse possível, várias pessoas da comunidade se www.broffice.org/revista mobilizaram; uniram-se para assumir o compromisso de O conteúdo assinado e as imagens que o integram são de inteira responsabilidade de seus respectivos fazer uma revista a altura da instituição BrOffice.org. A autores, não representando necessariamente a essas pessoas um agradecimento especial. opinião da revista BrOffice.org e de seus responsáveis. Todos os direitos sobre as imagens são reservados a seus respectivos proprietários. Boa leitura e não se esqueça de nos enviar comentários O que é o BrOffice.org e sugestões: revista@broffice.org. É o produto, ferramenta de escritório multiplataforma, livre, em bom português, desenvolvido sob os termos Luiz Oliveira da licença LGPL, composto por editor de texto, plani- luizheli@openoffice.org lha de cálculo, apresentação, matemático e banco de dados, mantido pela comunidade e ONG, que trabalha para a difusão do SL/CA no País. Desenvolvimento Esta revista foi elaborada no BrOffice.org, editor de texto, planilha eletrônica, apresentação e, agora, dia- gramação.
  5. 5. CARTA DO LEITOR http://www.flickr.com/photos/mbgrigby/2992682938/sizes/s/ Esta é a sua seção! Na “Carta do Leitor”, você pode tirar dúvidas sobre o BrOffice.org, seja produto, comunidade ou desenvolvimento, enviar críticas ou sugestões que possam enriquecer ainda mais a nossa revista. Envie um email para revista@broffice.org participe. Olá, Sou jornalista e responsável pela revista COM- A todos da equipe, parabéns! MAND.COM, uma publicação lançada bimestral- É a primeira vez que leio a revista e adorei a edi- mente em bancas de jornais e livrarias há mais de ção 08, mais especificamente o artigo sobre o 4 anos pela editora Escala. Tive o prazer de co- formato ODF. A carta de Ana Paula Vasconcelos, nhecer o trabalho que vocês fazem com a revista que cita a dificuldade na migração para o BrOO na digital BrOffice.org. Há dois anos, aproximada- empresa, me chamou atenção porque também mente, venho fechando parcerias com profissio- lido com problema semelhante. nais que realizam projetos similares, a fim de dis- Creio que esses processos de migração devem tribuir GRATUITAMENTE, suas revistas digitais ser apoiados com informativos bem objetivos so- através do CD-ROM brinde da minha publicação. bre Software Livre e o formato ODF, enfocando Acredito que este tipo de parceria fornece mais sua utilidade e não o custo. conteúdo para os meus leitores e, por outro lado, amplia a audiência dos leitores de sua publicação Denis Dobbin online. Gostaria de saber se posso incluir as duas edições de sua revista digital na próxima COM- Estou muito grato pela revista Broffice.org. É mui- MAND.COM. to instrutiva e valoriza o Broffice.org. Estou a es- Alessandro Treguer pera de novas edições. Luciano Souza Olá Alessandro, A equipe BrOffice.org entrará em contato com Luciano, você para saber mais sobre esta parceria e Muitos colaboradores estão se envolvendo desde já agradecemos o interesse. para que tenhamos uma produção constante da nossa revista. Esperamos continuar ofere- cendo o melhor que a comunidade BrOffi- ce.org tem a oferecer a todos, além do nosso produto, a suíte para escritórios livre mais usada do mundo. Lembrando que a comunida- de tem vários projetos que podem receber con- tribuições variadas. Visite o nosso portal e saiba muito mais sobre os projetos da comu- nidade: http://www.broffice.org 5 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  6. 6. COMO NÓS... Por William Colen O Corretor Gramatical CoGrOO é composto de centenas de re- gras de erros, possui um dicio- nário com centenas de milha- res de palavras e é capaz de classificar o texto morfossintati- camente. Como foi a criação ...fazemos o dessa poderosa extensão do BrOffice.org? Tudo começa com uma neces- sidade. Em 2003, o idealizador corretor do CoGrOO, Carlos Menezes, já notava que diversas institui- ções públicas migravam para a suíte de escritórios BrOffi- gramatical ce.org. No entanto, profissio- nais da área já enumeravam algumas funcionalidades que o BrOffice.org não tinha, e uma CoGrOO bastante importante era a au- sência de um corretor gramati- cal. Foi então que Carlos Menezes, pesquisador de linguística computacional, se uniu a ou- tros pesquisadores e inscreve- ram a ideia do CoGrOO no Edi- tal de Software Livre promovido pela FINEP, fundação federal que apoia projetos estratégicos este foi um dos quase 50 proje- tos aprovados que recebeu re- cursos financeiros por um ano. 6 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  7. 7. COMO NÓS... Um laboratório da Escola Poli- mais limpa, inclusive com direi- Centro de Competência em técnica da USP foi equipado to ao sublinhado ondulado azul Software Livre do IME/USP. para sediar o projeto. Colabora- quando um erro fosse detecta- Dentre as atividades em anda- ram com o trabalho quase 20 do. Em 2007, a segunda gran- mento, estão a conversão do profissionais e alunos de inicia- de versão do corretor gramati- modelo de desenvolvimento do ção científica. cal foi lançada, desta vez, pro- CoGrOO para que efetivamen- Apesar do financiamento ter gramada em Java. Agora ele te siga a definição de Bazar durado apenas um ano, foi o era um pouco mais facilmente segundo Eric Raymond, em suficiente para o lançamento instalado, já que não dependia que todos pudessem colaborar do CoGrOO 1.0 em maio de mais do ambiente Perl, e ainda com o projeto. 2006. o instalador foi reduzido de O CoGrOO ainda está sendo aproximadamente 25 MB para revisado para a novo acordo Os maiores desafios dessa apenas 5 MB. fase foram: o desenvolvimento ortográfico e sofrendo uma da tecnologia de análise de tex- Infelizmente, em meados 2007 nova revisão de arquitetura, de to; a criação das regras de er- o projeto ficou perigosamente forma que seus módulos sejam ros, concebidas pela professo- sem colaboradores. Apenas bem delimitados, permitindo ra Sueli Uliano; e a primeira Carlos Menezes e William Co- sua portabilidade, e ainda su- versão da integração do corre- len ainda ajudavam usuários porte a outros idiomas. tor gramatical com o BrOffice do projeto no fórum, e investi- O que esperar do futuro do pro- .org, que foi a primeira com o gavam e corrigiam problemas. jeto? Isto vai depender da co- código aberto do mundo. munidade. Entre as possibili- Em agosto de 2008, com a no- dades, estão análise semântica Com o financiamento chegan- tícia do próximo lançamento do do ao fim, o projeto corria o ris- para detecção de erros do tipo: BrOffice.org 3.0 com a API para “Joana chegou. Sairei com ele”. co de ser abandonado. No en- corretores gramaticais, o de- tanto, alguns dos colaborado- Nesse caso, O CoGrOO indica senvolvedor William Colen ini- o erro de concordância nomi- res continuaram trabalhando ciou uma corrida para reorgani- voluntariamente. nal. Outras possibilidades seri- zar o código para o lançamento am permitir personalizações Ainda em 2006, Bruno Sant'a- em novembro. Foi um grande das regras e dos dicionários nna conseguiu apoio do Google sucesso, já que pela primeira mais facilmente, e ainda a cria- Summer of Code para, numa par- vez a instalação era bastante ção de um eficiente sistema de ceria entre o CoGrOO e o pro- simples, e a usabilidade muito relatórios de erros. jeto internacional OpenOffi- melhorada com a nova API. ce.org, desenvolver um protóti- po da API para verificação Finalmente em 2009 o projeto gramatical dentro do próprio já fazia bastante sucesso, man- núcleo OpenOffice.org. O proje- tendo em média quatro mil to foi bem sucedido, e graças a downloads por mês. No entan- ele, a partir do BrOffice.org 3.0, to, o projeto continuava carente a integração entre o CoGrOO e de colaboradores. Foi então o BrOffice.org passou a ser que o trabalho foi adotado pelo 7 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  8. 8. ARTIGO Por Fernando H. Leme Há poucos anos, essa conver- sa faria pouco sentido. Num mundo plenamente físico, de papéis datilografados e pro- cessos acumulados em arqui- vos reais e empoeirados não há discussão sobre a natureza da gestão da informação. Este mundo, em vias de extinção, O Software Livre e abriu caminho a outro em que há arquivos digitais lá e cá, em que os tribunais se encarregam a Inteligência do de disponibilizar seu material pela internet e em que os me- canismos de gestão ou simples Gestor Público administração cotidiana produ- zem-se e encontram-se todos alicerçados em uma estrutura de informática e computação. Neste mundo não havia alter- nativas ao usuário comum. Sempre houve necessidade de recorrer aos sistemas operaci- onais “fechados”. Diz-se “fe- chada” toda propriedade inte- lectual, cujo código-fonte é ina- cessível e cuja cópia, distribui- ção ou simples uso são defe- sos ao que não adquire a li- Professor de música, escritor e cença para tanto. estudante de Direito. Arquivo pessoal Particularmente influenciado por questões relativas ao software e cultura livres, economia e filosofia do direito. Escreve regularmente para o blog fernandohleme.wordpress.com 8 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  9. 9. ARTIGO A Microsoft, empresa de Bill Gates, lucrou cifras que fazem inveja ao simples exportador de http://www.flickr.com/photos/ryyo/41609610/sizes/o/ comoditties minerais (que por sua vez já aufere ganhos con- sideráveis) por que fez uso de sua posição de único sistema amplamente difundido tornan- do-se um quase monopólio para pc's de uso doméstico e empresarial. Sua grande vantagem consistia no fato de que seu grande competidor, o Macintosh da Apple, de Steve Jobs, se base- ava num modelo ainda mais “fechado”. A empresa de Jobs A opção por Software Livre é o caminho que garante melhor produzia a parte física e a parte utilização dos recursos públicos. lógica de seus equipamentos, que a condenou por abuso de Dada a impossibilidade da se- criando produtos tecnicamente posição dominante no mercado gunda hipótese quando se trata competentes, porém economi- a pagar uma multa de R$ 1,3 da coisa pública (Lei no. camente proibitivos ao grande bi. Tal entendimento é o de 10.695/03), o gestor de boa-fé público. que, de acordo com a lei anti- se via obrigado a gastar parte Valendo-se da ampla populari- truste, a Microsoft deveria per- importante de seus recursos na zação do chamado computador mitir que outros desenvolvedo- aquisição de tais licenças. Aí pessoal (sistema que por sinal res tivessem acesso a determi- entra o software livre. Software opera por meio de padrões nadas partes de seu código Livre é aquele que pode ser ob- abertos - os “standards” - atra- para que fosse possível cons- tido, copiado, alterado e distri- vés do qual inúmeras empre- truir software que operasse tão buído sem custos. Pede-se aos sas podem produzir material bem no Windows quanto ope- desenvolvedores, no entanto, para construir computadores ram o Microsoft Office e o Win- que retribuam à comunidade usando as mesmas configura- dows Media Player, por exem- seu esforço no desenvolvimen- ções - chave de interoperabili- plo. to disponibilizando, mais uma dade, criando competitividade Esse cenário sempre pareceu vez as alterações feitas de e reduzindo os custos ao con- monstruoso ao observador modo a contribuir com a evolu- sumidor final) a Microsoft ter- atento. Qualquer usuário em ção do sistema como um todo. minou por dominar o mercado qualquer computador se vê Software Livre não é, portanto, e impor, estratégias comerci- preso a ferros em uma estrutu- simplesmente gratuito . Softwa- ais, que recentemente têm sido ra na qual ele só entrará atra- re Livre é aquele que devolve duramente atacadas. Como é vés de um custo financeiro ao usuário o poder de decisão o caso da União Européia considerável ou pela pirataria. sobre seu equipamento e for- 9 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  10. 10. ARTIGO mato. http://softwarelivre.gov.br Não se sabe de uma determinada administração, setor ou (e provavelmente o cálculo surpreenderá a to- Estado, transformando-os todos em reféns de dos) o quanto o setor público desperdiçou sua lógica empresarial-mercantilista. Uma com o chamado software “proprietário”. En- simples alteração no formato padrão em que quanto não houvessem alternativas, tal des- se devem salvar os documentos de determi- perdício seria escusável. Hoje, Sistemas ope- nado órgão público traria imediatamente de racionais baseados em Linux têm sido o obje- volta a segurança que se espera dos seus do- tivo de todo gestor inteligente. Engana-se, cumentos. quem pensa que se trata de alguma novidade. Muitos têm iniciado sua caminhada nesta di- Servidores de internet rodam Linux há muito reção. O Banco do Brasil economizou R$ 20 tempo. Quem usa email usa software livre milhões nos terminais da instituição com o uso sem saber. Servidores de sistemas bancários de Software Livre. O Metrô de São Paulo eco- também usam Linux e a lista pode ir longe. nomizou outros US$ 900 mil com a mesma Mas por quê? medida. A economia é um fator importante. Cada ór- O Estado do Paraná, além de uma política gão público que economiza dinheiro de in- clara de adoção de Software Livre, estabele- formática e investe em treinamento, capaci- ceu como formato preferencial o ODF (Open tação, segurança e celeridade merece respei- Document Format, ou formato de documento to e admiração. Mas neste caso nem tudo é aberto, a opção ao .doc). Pelo mesmo cami- diretamente aferível em moeda. As diferentes nho seguem países como o Equador e a Ho- distribuições Linux, dadas algumas caracterís- landa, que adotaram o SL como Política de ticas de sua estrutura lógica, são reconheci- Estado. das por profissionais da área como sendo Qualquer gestor sério da coisa pública deitará mais estáveis, seguras, isso considerando seu os olhos sobre a questão e iniciará sua pró- uso normal. Soma-se a isso o fato de que pria caminhada em direção a uma gestão computadores que usam Linux são imunes a inteligente no que se refere à qualidade, cus- vírus. Só neste aspecto, portanto, há uma se- tos e segurança de sua tecnologia da infor- gunda economia, computadores que estra- mação. gam menos passam menos tempo em assis- tência técnica. Computadores sem vírus são o sonho de quem trabalha com arquivos impor- tantes ou sobre os quais opera segredo de justiça. Por último existe a segurança dos formatos. Todo arquivo salvo, por exemplo, no Microsoft Word, é salvo no formato padrão do programa (a saber, o “.doc”), que é um formato fecha- do, sobre o qual não existe documentação e http://www.broffice.org/investimos que pertence a uma única empresa, cujos fins podem ou não coincidir com os interesses 10 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  11. 11. http://www.flickr.com/photos/mappix/218637089/sizes/o/ REPORTAGEM Por Rochele Prass A necessidade da inclusão digital para o desenvolvimento social, educação e conhecimento no Brasil é indiscutível. Mas ainda é uma realidade um tanto quanto distante para milhares de brasi- leiros. Segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil divulgada em maio de 2009, de um universo de 20.020 domicílios entrevistados, somente 28% dos lares localizados em centros urbanos possuem computador para o uso da família. Na área rural, o número chega a apenas 8%. O custo elevado para a compra de equipamentos de informática é o principal motivo, conforme 75% dos entrevistados. A falta de habilidade representa 29%. Somente 18% dos domicílios de área urbana possuem internet. Na zona rural, o índice é de 4%. Dentre os motivos apontados, o custo representa 54% e a falta de rede é a dificuldade para 17%. E é diante desse quadro que a necessidade mostrando que se trata de uma solução apro- de os municípios brasileiros estarem atentos priada para a disponibilização de recursos de ao processo de inclusão digital toma sentido informática. e reforça a importância do desenvolvimento “O BrOffice.org cumpre o papel de mostrar de softwares livres, como o pacote de escritó- aos usuários que computador é uma ferra- rio BrOffice.org. Conforme explica o coorde- menta de trabalho, ou seja, aprender a usar nador do Programa de Apoio Tecnológico aos um editor de texto ou uma planilha eletrônica Municípios Brasileiros, o 4CMBr, Luis Felipe sem ficar preso a um único software de de- Costa, existem várias iniciativas para promo- terminada empresa”, argumenta. Segundo ver a inclusão digital. O 4CMBr, subordinado ele, quem é incluído digitalmente com o uso ao Ministério do Planejamento, por exemplo, de ferramentas livres tem a possibilidade de tem mais de 1.500 representantes de municí- manipular qualquer outra. Além de destacar pios que atuam na divulgação do BrOffice.org, que a migração para o software livre 11 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  12. 12. REPORTAGEM promove difusão do conhecimento, Luis Felipe progrediu consideravelmente nos últimos salienta que o BrOffice.org é uma alternativa anos, desde a época do COMSOLI - Consór- importante para promover o aprendizado cio de Municípios em Soluções Livres até o usando a língua nativa dos usuários. surgimento do 4CMBr. “Uma prova deste Para o professor do Departamento de Infor- crescimento foi o Encontro Nacional de Tecno- mática e Estatística da Universidade Federal logia da Informação, promovido pelo Ministé- de Santa Catarina José Eduardo De Lucca, o rio do Planejamento em Brasília”, afirma. O BrOffice.org é o ponto de partida para todo evento reuniu cerca de 1.500 pessoas, entre processo de informatização. “A evolução cons- Prefeitos, secretários e técnicos de TI. O co- tante do BrOffice.org é fundamental para a ordenador destaca que as salas de palestras aceitação de praticamente todo software livre sobre BrOffice.org e ODF tiveram lotação má- posteriormente”, explica. xima. Evidentemente, existem barreiras quando se Há, ainda. o aspecto econômico, uma vez trata da migração de modelos proprietários que, por ter código aberto, software livre não para abertos. “Resistências existem, mas não tem custos com licenças. “Trata-se de investir é diferente da resistência natural de qualquer em inteligência nacional, economizar verbas mudança de mentalidade. Ela vem principal- públicas sem o pagamento de royalties para mente dos usuários que durante anos apren- empresas estrangeiras. A adoção de tecnolo- deram a usar somente uma tecnologia”, escla- gias abertas gera renda para a população lo- rece. cal, o que reforça os aspectos positivos na adoção do BrOffice.org nas ações de inclusão O ponto de vista é compartilhado pelo profes- digital”, afirma. Conforme o coordenador do sor De Lucca, que considera as resistências 4CMBr, provavelmente os projetos de inclusão inerentes a qualquer processo de mudança digital ficariam inviáveis se os gestores públi- organizacional, assunto que é objeto de estu- cos tivessem de investir em softwares proprie- do de áreas como administração e psiclogia. tários. “Tem a ver, em alguns casos, com a zona de conforto em que os usuários se encontram”, diz. O professor lembra que muitas organiza- conhecer é o ções ainda acreditam que, ao substituir uma ferramenta com a qual os usuários estão primeiro passo acostumados, haverá perda de produtividade. Conforme o coordenador do Programa de Apoio Tecnológico aos Municípios Brasileiros, o investimento em treinamento é fundamental Mostrar resultados e funcionalidades que um para o sucesso da migração, e funciona as- software pode gerar para a comunidade é o sim para qualquer novidade. Ele cita que a primeiro passo dado pelo Ministério do Plane- mudança de consciência se dá a partir da ela- jamento para conscientizar os gestores muni- boração de um Plano Diretor de TI, o chama- cipais. Conforme Luis Felipe, o trabalho do do PDTI, a demonstração de documentações 4CMbr é justamente o de oferecer consultori- tratando do uso de software Livre, tais como o as. O coordenador afirma que o processo Protocolo Brasília, o GUIALIVRE e a arquite- 12 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  13. 13. REPORTAGEM tura de padrões de interoperabilidade e-PING, mum na realidade de diversos municípios. A desenvolvidos pelo Governo Federal. Os ca- consequência é um planejamento baseado no sos de sucesso acabam se tornando a argu- comodismo. Fica prejudicada também a trans- mentação que mais vale para os gestores, ferência de tecnologia e conhecimento, tor- explica Luis Felipe. nando a administração cada vez mais refém de serviços paliativos. O planejamento E há também a falta de recursos – humanos Quaisquer ações, das mais simples às mais e financeiros. “Muitas vezes, a prefeitura não complexas, necessitam de uma estratégia possui um corpo de funcionários qualificados para que os resultados apareçam. E não é di- para elaborar um projeto. Diante disso, encon- ferente quando se trata de tecnologia. Mas tra dificuldades em obter verba. E, sem pro- nem sempre isso é fácil para quem está ocu- jetos e recursos financeiros, o trabalho se tor- pado com assuntos como saúde, educação e na mais difícil ainda”, diz Luis Felipe. A saída segurança, conforme explica Luis Felipe. “Ge- que aponta é investir nos funcionários públi- ralmente os gestores não têm muito tempo cos em todos os setores. para "planejar" ações de melhorias tecnológi- Para De Lucca, a melhor solução é o inter- cas e não percebem que o investimento em câmbio de experiências: “Informar-se como tecnologia pode ajudar a resolver os proble- gestores públicos de outros municípios enfren- mas de todos os setores. Sem planejar, gasta- taram problemas semelhantes é, na minha se muito mais e o resultado é bem menor”, opinião, a melhor solução”. Ele ressalta que, explica. no debate entre pares, normalmente não há interesses escondidos. “Ao conhecer casos de Conforme o professor De Lucca, para os ad- sucesso (e de insucesso, por que não?) de ministradores públicos, as possibilidades de outras cidades, o gestor pode ter mais confi- experimentação são bastante restritas. “O ança em suas decisões”, completa. principal problema que o gestor municipal en- frenta é o de não poder errar. Ele tem uma margem de erro muito pequena, pelos orça- DOMICÍLIOS COM COMPUTADOR mentos apertados e pelas perspectivas de re- 100% 80% solver rapidamente os problemas”, afirma. 60% Uma política de TI bem planejada pode dar 40% mais tranquilidade aos gestores que precisam 20% tomar decisões. Isso inicia pela elaboração do 0% Área urbana Área rural Total PDTI, que reúne todos os dados estratégicos Sim Não do órgão. A partir dessa análise, as chances de sucesso se tornam maiores. Conforme Luis Felipe, a etapa seguinte, a busca de financia- Longe das Capitais mentos, chega naturalmente. O principal erro O afastamento dos grandes centros urbanos no processo, afirma o coordenador do 4CMBr, ou a falta de uma articulação local para a é a falta de uma busca precisa e clara sobre ampliação de horizontes pode até ser as soluções existentes para questões em co- considerado um problema tradicional para o 13 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  14. 14. REPORTAGEM processo de busca de soluções tecnológicas, ras liberdade em relação a produtos e forne- como explica o professor De Lucca. Mas ele cedores, pois os softwares livres adotam pa- pondera: “Com a integração que a internet drões abertos e dão ao usuário a possibilida- proporciona, cada vez mais os municípios es- de de escolha do prestador de serviço, a tão se conversando, debatendo e conhecendo qualquer momento. opções livres. Na opinião de Luis Felipe, ainda falta às em- E esse é o caminho que De Lucca sugere presas prestarem atenção aos novos nichos para os pequenos municípios, onde, muitas de mercado e ao tão falado espírito inovador vezes, não há público e comunidades atuan- no mundo dos negócios. “Os prestadores de tes para realização de encontros e grupos de serviço devem observar os novos caminhos estudo. “O compartilhamento de conhecimen- que a tecnologia traz em diversos setores da to, o debate em busca de soluções conjuntas sociedade”, diz. Ele cita que a remuneração extrapola os limites das instituições municipais pelo trabalho, pelo serviço prestado em co- e os limites municipais. Por isso, listas de dis- nhecimento livre, e não monopolizado, deveria cussão, redes sociais e grupos de interesse, ser uma das maiores apostas das empresas. como o 4CMBr, são pontos de apoio funda- Em sua opinião, a divulgação de informações mental”, explica. e novas redes de colaboração e capacitação Acostumado à realidade das pequenas cida- de profissionais é a saída para proporcionar o des, o coordenador do 4CMBr lembra de um desenvolvimento sustentável das tecnologias importante detalhe: “Os municípios são os lo- abertas: “A união e a força deste ecossistema cais onde o cidadão acessa as políticas públi- é que possibilita a implementação cada vez cas que interferem diretamente na sua vida”. maior de programas de código aberto nas pe- E esse é o papel que o Portal do Software quenas cidades espalhadas pelo Brasil”. Público Brasileiro busca cumprir, na tentativa de viabilizar um modelo econômico capaz de DOMICÍLIOS COM INTERNET incentivar o desenvolvimento. “O 4CMBr vem 120% 100% incentivando os municípios a se organizarem 80% em torno de uma grande comunidade”. A ideia 60% é envolver toda o município, inclusive o setor 40% 20% privado. “Buscamos apresentar formas de 0% contratações capazes de melhorar a gestão, Área urbana Área rural Total dando oportunidade para os novos talentos Sim Não locais”, explica. Além dessas dificuldades, a carência de mão Inclusão digital: de obra qualificada é outro obstáculo que De Lucca cita. “O comprometimento de uma pre- Inclusão de pessoas feitura, por exemplo, com determinada solu- A despeito de todas as ações empreendidas ção informática é uma decisão muito sensível rumo à democratização da tecnologia, é e, se a escolha for incorreta, o custo pode ser consenso que o trabalho está apenas no muito alto”. As soluções livres dão às prefeitu- início. O Ministério das Comunicações, por 14 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  15. 15. REPORTAGEM exemplo, já investiu R$ 134 milhões para dis- se fala em software livre? Para o professor De ponibilizar a 5.354 municípios pelo menos um Lucca, não resta dúvida de que o professor é kit telecentro, composto de 10 computadores, a variável fundamental nessa equação. Con- câmera de monitoramento, impressora, apare- tudo, ele lembra que, na realidade educacio- lho de projeção, além de mesas e cadeiras. nal brasileira, a postura dos ensinadores nem sempre é a ideal. “Acaba variando entre a ne- A montagem do telecentro se dá por meio de gação da utilidade da tecnologia, pelo medo parcerias com as prefeituras, cuja contraparti- do desconhecido, principalmente quando con- da é disponibilizar o espaço e arcar com des- frontado com estudantes que já dominam a pesas de água, luz e outros. O acesso à inter- tecnologia com maior maestria do que eles”, net também é cedido pelo Ministério gratuita- analisa De Lucca. mente. As máquinas rodam software livre, op- ção que se dá em razão de segurança e de- Para ele, a inclusão digital dos professores e sempenho, além de tornar o projeto viável de suas disciplinas demanda planejamento e economicamente. apoio pelos órgãos competentes. Isso inclui considerar a sobrecarga de responsabilidades Mas esse investimento não é suficiente se os que têm, sobretudo no setor público. “Sem gestores e a sociedade não se preocuparem apoio dos órgãos e entidades que pensam es- com algo mais simples, porém não menos de- tratégias para a educação, os professores têm safiador. “O que chamamos hoje de inclusão sérias dificuldades em conhecer e colocar em digital ainda é, infelizmente, só um processo prática ferramentas de software que poderiam de "digitalização". Colocam-se computadores, ser muito úteis, desde softwares específicos infra-estrutura de rede e internet, mas não se educacionais até suítes de produtividade preparam os usuários nem o cidadão. No fi- como o BrOffice.org”, afirma. nal, o investimento não dá o resultado espe- rado, porque ficou limitado ao básico, sem Para De Lucca, O BrOffice.org pode ser uma considerar o mais importante: as pessoas”, forma de introduzir o conhecimento sobre opina o professor De Lucca. software livre nas instituições de ensino. Ele defende que o processo pode muito bem ini- Educação e tecnologia ciar pelo uso do aplicativo para a elaboração de textos, planilhas e apresentações. Além disso, há uma série de componentes, como os dicionários temáticos, o Vero (primeiro corretor lançado adaptado à reforma ortográfica da Arquivo pessoal língua portuguesa) e o corretor gramatical. “Também para auxiliar nas atividades didáti- cas, em projetos que demandem criatividade, organização de ideias, pesquisa etc”, finaliza Cada vez mais, os recursos tecnológicos De Lucca. estão a serviço da Educação. Entretanto, qual tem sido a atitude de educadores frente ao ensino de tecnologia, sobretudo quando 15 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  16. 16. REPORTAGEM Os municípios contam http://www.flickr.com/photos/stephenm/148400367/sizes/o/ as suas histórias A revista fez um roteiro pelo Brasil, através das redes de relacionamento, para mostrar ao leitor ações que os municípios vêm empreendendo para incentivar o uso do BrOffice.org e do software livre. São histórias de qualifi- cação de usuários, de inclusão digital, mas são histórias, sobretudo, de inves- timento em pessoas. Licínio de Almeida, Cordeiros, Piripa e Mor- alunos.” Houve um único caso de uma tugaba – Sertão Baiano professora que resistiu, mas não por achar ruim, e sim por comodismo, já que havia A triste realidade dos municípios do Sertão aprendido informática usando softwares Baiano começou a ser mudada a partir do proprietários. empenho do coordenador e idealizador do Os objetivos do coordenador, de promover Projeto Aula Modelo, Rômulo Vinfield Gomes educação juntamente com inclusão digital, Ribeiro. O caçula do projeto é o município são atingidos através de atividades dirigidas Licínio de Almeida, que é atendido há um para crianças a partir dos 4 anos, seguindo mês. O professor, hoje mestrando em por todas as faixas etárias. “No intuito de Ciências Educacionais, passou pela mesma angariar elementos que viessem a dar corpo falta de perspectiva que boa parte da ao meu projeto, tive acesso aos softwares comunidade enfrenta durante o período do linux Educacional, BrOffice.org, Gcompris e Ensino Básico. Entretanto, mesmo tendo Ekaaty Educacional, que juntos proporcionam começado a graduação em Ciências da uma harmoniosa integração do aluno e Computação sem esperança de conclusão, professor”, explica ao enfatizar a importância encontrou uma forma de mudar o cenário: de educação e informática serem requisitos “Com o passar dos meses, inciaram-se várias fundamentais para o desenvolvimento alternativas e sonhos. Vendo o que a humano. informática me proporcionou depois que a Para desenvolver as atividades, são 63 conheci, isso se refletiu em propostas para computadores, sendo 21 em uma casa da erradicação do analfabetismo digital nessas comunidade. Todos os alunos da rede pública localidades, que é quase 99.9%”, conta. dos municípios são beneficiados. O E foi justamente por isso que Rômulo não orçamento, de R$ 262 mil para dois anos, enfrentou resistência alguma: “Quando não se inclui salário dos professores e técnicos, com tem contato com Software Proprietário no deslocamento, alimentação e hospedagem início do aprendizado, tudo é aceitável para os além da montagem dos laboratórios. 16 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  17. 17. REPORTAGEM O projeto, realizado em parceria entre entre já têm turmas novas com os pais de alunos da prefeituras, Proinfo, Secretaria de Ciência e escola e de outras instituições de ensino do Tecnologia e o Instituto Anísio Teixeira, só se bairro. tornou viável a partir do uso de software livre. Para superar as resistências, o caminho que Hoje, a reflexão da comunidade sobre tecno- eles seguiram foi o de incentivar a experimen- logia só poderia ser uma, conforme explica tação ."Os professores conseguiram identificar Rômulo: “Todos percebem que através da in- a lógica do uso que já vinham fazendo, sem formática mais uma barreira da desigualdade uma grande curva de aprendizado para pas- foi quebrada." sar a usar o BrOffice.org", explicam. Outra ex- periência que trazem é a migração para o BrOffice.org nos computadores que os profes- sores usam para as suas rotinas de trabalho. A receptividade tem sido boa, garantem. "Os professores querem "fazer seu trabalho" inde- pendente do software que está sendo usado. Crédito: divulgação Entretanto, dificuldades de compatibilidade têm impedido uma adoção 100%", ressalvam. A estrutura da escola conta com 20 computadores para o uso dos alunos, todos com BrOffice.org. Mais três máquinas são exclusivas para os professores. Ao todo, mais Porto Nacional - Tocantins de 120 pessoas são atendidas. A expansão do atendimento para toda a comunidade deve Os professores do Curso de Ensino Médio In- aumentar o número de beneficiados em seis tegrado - técnico em Informática, Givaldo Fer- vezes em 2010. Para desenvolver o projeto, reira Corcinio Junior e Brunno Franklin de os professores usaram a estrutura de Lima Alves, precisavam atingir o objetivo de hardware já existente. Sem software livre, formar mão-de-obra para um setor em expan- garantem, seria inviável. são e extremamente carente: o suporte ao usuário e manutenção de micros. O curso, Duque de Caxias – Rio de Janeiro que é público, e tem quatro anos de duração, Em Duque de Caxias, município localizado na conta com aproximadamente 100 alunos nas Baixada Fluminense, Região Metropolitana do turmas de 2º e 3º anos. Rio de Janeiro, a inclusão digital é sinônimo Os professores perceberam que era necessá- de capacitação profissional para a geração de rio compartilhar com colegas conhecimentos emprego e renda. Usando exclusivamente sobre software livre e formaram uma turma pi- software livre, mais de 50 mil alunos já loto com professores que se dispuseram a receberam treinamentos de informática básica conhecer o BrOffice.org. "A repercursão posi- e avançada. O projeto, desenvolvido pela tiva nos incentivou a transpor as barreiras da Fundação de Apoio à Escola Técnica, Ciência, escola", dizem Givaldo e Brunno. Agora, eles Tecnologia, Esporte e Lazer, Cultura e Políti- 17 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  18. 18. REPORTAGEM cas Sociais (Fundec), mantido pela prefeitura ções, com 10 máquinas. Todos usam software desde 2005, estrutura cursos de 56 horas aula livre. A Coordenadora Geral dos Telecentros, nos Centros Avançados de Ensino Renata Fernandes Dias Coelho, conta que o Profissionalizante. Os professores são uso de programas de código aberto teve profissionais da área de Tecnologia da resistências iniciais, em função de os usuários Informação contratados pela Instituição ou terem sido acostumados com plataformas através de convênios firmados entre fechadas. Mas, no decorrer do uso, a instituições públicas de ensino. adaptação deslanchou e hoje os aplicativos OpenOffice.org e BrOffice.org fazem parte do Silva Jardim – Rio de Janeiro cotidiano dos usuários. A prefeitura investiu na locação de salas, climatização, arca com a A Prefeitura de Silva Jardim desde 2002 utiliza remuneração de cinco funcionários, taxas de somente suítes de aplicativos para escritório luz, água e telefone, além dos suprimentos. livres. O processo teve início quando eram no Além disso, o poder público investe nos máximo 50 máquinas em toda a Prefeitura, funcionários, custeando viagens para cursos e conforme conta o professor de Inclusão Digi- seminários. Conforme Renata, os projetos só tal, Marcelo Massao. A primeira experiência foi são possíveis pelo uso de software livre. com a versão 1.0 do OpenOffice.org, usada por bastante tempo. Em 2003, chegaram as primeiras instalações do BrOffice.org. A princi- pal motivação para a migração estava relacio- nada ao custo de implantação ou atualização de uma solução proprietária. No início, houve Crédito: divulgação resistência de usuários, que foram se acostu- mando aos poucos - a produtividade e o custo zero compensavam. Hoje, completamente aceito, o BrOffice.org está em 250 máquinas da prefeitura e a comunidade passou a co- nhecer outro benefício da migração: o formato aberto de documentos. Natal – Rio Grande do Norte Felixlândia – Minas Gerais A professora de Ciências da Computação da Em Felixlândia, município de 14 mil habitan- Universidade do Estado do Rio Grande do tes, cerca de 600 pessoas por mês são bene- Norte, Gláucia Melissa Medeiros Campos, ficiadas com cursos de profissionalização e de conta que o Projeto Qualificação Tecnológica locais de acesso a equipamentos de informá- para Professores e Estudantes de Escola Pú- tica desenvolvidos pela prefeitura. Dois tele- blica do RN surgiu a partir da necessidade de centros montados pela Secretaria Estadual qualificar usuários de Tecnologias da Informa- de Ciência e Tecnologia disponibilizam 10 ção no estado. “Infelizmente, muitas pessoas máquinas e um terceiro local foi montado com ainda se restringem a utilizar computadores o Kit Telecentro do Ministério das Comunica- para salas de bate-papos, mensagens curtas 18 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  19. 19. REPORTAGEM e Orkut acreditando, assim, fazerem parte de ce.org e outros softwares de código aberto, um mundo digital. É preciso ensiná-las a utili- mas elas foram vencidas pela disposição dos zar os computadores em benefício próprio”, integrantes do projeto a ultrapassar barreiras. explica. A partir disso, conta, o caminho foi a dedica- A partir disso, foram criados mecanismos para ção e o diálogo com os usuários. “Nos senti- atender a alunos e professores da rede esta- mos motivados principalmente com o relato de dual de ensino. Com a ideia de software livre alguns diretores que comentavam sobre resis- desde o início, por uma questão econômica e tência tanto dos professores como dos alunos educacional, o projeto estava restrito ao labo- em aprender outros softwares”, resume. ratório da Universidade. Mas, com a chegada Em vigor desde maio de 2009, mais de 160 já de mais equipamentos às escolas, a demanda receberam treinamentos, por meio do trabalho aumentou, ampliando os níveis de atuação: de alunos bolsistas da UERN. O projeto Quali- “Primeiramente, os professores são incluídos ficação Tecnológica para Professores e Estu- digitalmente para posteriormente serem multi- dantes de Escola Pública do RN, que está plicadores destes novos conhecimentos”, diz presente em quatro escolas, deve iniciar uma Gláucia. nova etapa em breve, já que estão sendo es- A professora universitária conta que houve re- tabelecidas parcerias com prefeituras do inte- sistências no que se refere ao uso do BrOffi rior do estado. USUÁRIOS QUE ACESSARAM INTERNET Nunca acessou Há mais de 12 meses Crédito: divulgação Nos últimos 12 meses Há menos de 3 meses 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% MOTIVOS PELOS QUAIS NÃO TEM INTERNET EM CASA Custo/benefício não vale a pena Falta de disponibilidade de rede Não há necessidade / interesse Tem acesso a outro lugar Custo elevado / Não tem como pagar 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 19 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  20. 20. REPORTAGEM Matões do Norte - Maranhão Crédito: divulgação Na zona rural e urbana do município que tem menos de 10 mil habitantes, as inscrições es- tão abertas no projeto “Educação para Todos”, criado pela prefeitura. O objetivo é treinar usuários de todas as faixas etárias para o uso de Tecnologias da Informação, usando BrOffi- ce.org e outros programas abertos. O técnico em Processamento de Dados Raimundo Fra- zão conta que, inicialmente, serão 320 alunos beneficiados. A estrutura disponível é de qua- tro laboratórios de Informática com 32 compu- Crédito: divulgação tadores e internet banda larga, instalados na zona urbana e rural. “O uso de software livre facilita muito o processo, porque não precisa- mos fazer investimento com compra e licença e aquisição de software para setores da ad- ministração, sobrando dinheiro para investi- mento de equipamentos e capacitação”, expli- ca Raimundo. MOTIVOS PELOS QUAIS NÃO TEM COMPUTADOR EM CASA 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Não há necessidade ou interesse Custo elevado Falta de habilidade / Não sabe usar Área urbana Área rural Total USUÁRIOS QUE USARAM COMPUTADOR Nunca usou Há mais de 12 meses Nos últimos 12 meses Há menos de 3 meses 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Pesquisa completa disponível em: http://www.cetic.br/publicacoes 20 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  21. 21. ENTREVISTA Por Rochele Prass http://www.flickr.com/photos/kengo/17201022/sizes/l/ e o planejamento O coordenador do Programa de Apoio Tecnológico aos Municípios Brasileiros, o 4CMBr, Luis Felipe Costa, 30 anos, é formado em Análise de Sistemas. Arquivo pessoal Ele explica que a sua rotina profissional no 4CMBR (Comunidade, Conhecimento, Colaboração e Compartilhamento dos Municípios Brasileiros), é centrada no apoio à implantação de Software Livre. Como foi o seu primeiro contato com o importância desse aplicativo para os procedi- BrOffice.org? mentos internos das prefeituras. O EDIDOC é Luis Felipe: Foi no início do projeto, em 2005. muito conveniente para os setores administra- Meu contato foi se estreitando a medida em tivos, que necessitam gerar documentos pa- que participava de eventos de SL, e na medi- dronizados e numerados sequencialmente. da em que fui desenvolvendo trabalhos de Ele facilita muito a organização, além de ser consultoria para os municípios. poderoso na recuperação das informações. Qual o recurso do BrOffice.org que mais Para você, software livre é apenas uma impressiona ou que você considera impor- necessidade profissional? tante apresentar durante as consultorias? Luis Felipe: Não. Acredito muito que o SL é o Luis Felipe: Uma das coisas que me chamou melhor caminho para as soluções a atenção foi o desenvolvimento do EDIDOC, tecnológicas, dentro de uma visão em que software que gera documentação automática compartilhar conhecimento é o primeiro passo no BrOffice.org. Eu costumo ressaltar muito a para o desenvolvimento econômico e social 21 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  22. 22. ENTREVISTA do Brasil. Por isso, também sou militante de utilizados por outras prefeituras. Os Governos software livre há alguns anos e membro do Municipais, Estaduais ou Federais não podem Software Livre Rio de Janeiro, o grupo de destinar recursos várias vezes para comprar pessoas que apoiam o software Livre no esta- uma mesma solução, que pode muito bem ser do. adaptada para sua realidade local, porque o Qual é o custo da falta de planejamento código está lá disponível e o conhecimento é para os municípios? livre. Luis Felipe: Sem um órgão, uma Secretaria E qual é a melhor estratégia? de Informática, um gestor de TI e mesmo uma Luis Felipe: É estar em comunicação com os equipe para esclarecer estes benefícios do outros municípios, participar de eventos e uso das TIC's nos municípios a Prefeitura congressos. Fazer "parte" desta rede acaba por gastar mais e ter menos resultados. municipal para entender os problemas e Como fazer para iniciar um planejamento soluções encontradas pelos seus "vizinhos" e sem precisar “reinventar a roda”? desta forma estar sempre de "olho vivo" nas oportunidades que o Governo Federal vem Luis Felipe: É preciso aproveitar o trabalho proporcionando. A formação de consórcios de desenvolvimento colaborativo que municipais também pode ser uma boa saída, municípios, como Fortaleza e outros mais reduzindo custos que podem ser estão adotando. Investem verbas públicas no compartilhados. desenvolvimento de softwares que podem ser Acesse o site do 4CMBr para participar da rede de relacionamentos dos municípios: http://www.softwarepublico.gov.br/4cmbr Publicidade 22 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  23. 23. REPORTAGEM Por Rochele Prass uma finalidade determinada, mas acabam se engajando e passam a integrar as listas de discussões e se tornam colaboradores em tempo integral. BrOffice.org se prepara para receber mais de 3 mil participantes no IV O objetivo da organização ao convocar voluntários, além de Encontro Nacional expandir as discussões sobre o O mais importante evento da conferência. O modelo, bem BrOffice.org, é aproveitar co- comunidade BrOffice.org já sucedido, se repete novamente nhecimentos e experiências in- começou para mais de 40 pes- no IV Encontro Nacional BrOffi- dividuais. Conforme Vera Ca- soas que estão envolvidas dire- ce.org (EnBro) que, em 2010, valcante, líder do Grupo de tamente nos preparativos do IV acontece nos dias 15 e 16 de Usuários BrOffice.org São Pau- Encontro Nacional BrOffice.org. abril, em pontos de transmis- lo (GuBro-SP), os eventos são O evento se realiza nos dias 15 são localizados nos estados sempre um ótimo momento de e 16 de abril, mas para colocar brasileiros. difundir informações sobre o toda essa estrutura a funcionar, BrOffice.org, reunindo usuários Carlos Braguini, um dos orga- a equipe está trabalhando para engajados no aprimoramento nizadores do evento, conta que que todos os detalhes, como a do aplicativo, o que contribui a ideia surgiu da necessidade programação, a divulgação e o para que a suíte de escritório de agregar. “Tínhamos a opção estabelecimento de parcerias, aberta e gratuita seja uma op- de fazer igual a todos, ou seja, façam do Encontro um momen- ção confiável e segura para reunir uma quantidade de pes- to de grande produtividade e empresas e usuários domésti- soas em algum local e fazer um de aperfeiçoamento da suíte de cos. "Este é apenas um exem- encontro presencial. Mas, atra- escritório aberta que já con- plo de como as comunidades vés de videoconferência, tí- quistou mais de 12,5 milhões de software livre conseguem se nhamos a possibilidade de de usuários no Brasil. articular para oferecer soluções reunir os principais desenvol- tecnológicas seguras", afirma Reunir mais de 3 mil pessoas vedores da comunidade inter- Vera. para dois dias de discussões e nacional, explica. Nesta edição troca de informações sem que do Encontro, terá ao menos um isso represente custos e tempo palestrante internacional que elevados para os participantes. virá para o Brasil exclusivamen- Esse era um dos desafios do te para participar do evento. BrOffice.org, que há quatro anos integra estudantes, gesto- Mobilização res, desenvolvedores e público Para fazer funcionar tamanha http://www.broffice.org/anuncie_no_brofficeorg interessados em tecnologias estrutura, é necessário um livres de todo o País. O cami- “Seu produto aos olhos grande envolvimento, aí é que nho encontrado está na própria de quem realmente entra o papel dos voluntários. tecnologia: encontro por video- entende” São pessoas que chegam para 23 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  24. 24. REPORTAGEM Tenho a intenção de colaborar para melhorar a disseminação de software livre como o BrOffice.org - Luis Paulo Guimarães, 33 anos, desenvolvedor. Santa Isabel / SP. Pretendo colaborar com tudo que for necessário - Vanessa Laux, 28 anos, web design. Porto Alegre / RS. Quero colaborar na divulgação do evento e, possivelmente, organizando uma caravana em minha cidade para iO IV EnBro - Marcelo Massao, 34 anos, instrutor de Inclusão Digital. Silva Jardim / RJ. Meu objetivo é mostrar para as pessoas que há vários caminhos, existem softwares livres e que não é necessário pagar por um programa de computador e ele não ser realmente seu - Victor Augusto Zago Menegusso, 19 anos, estudante de Ciência da Computação. Curitiba / PR. Junte-se a nós As convocações seguem a pleno vapor. Ao juntar-se à equipe, você pode contribuir com suas ex- periências e exercitar suas competências, num espaço de ampla visibilidade nacional. Para se candidatar, mande um e-mail para os endereços abaixo, dizendo como você gostaria de colaborar para o IV Encontro Nacional BrOffice.org: luizheli@openoffice.org / carlosbraguini@openoffice.org / filhocf@openoffice.org Na rede Outra aposta que o IV EnBro está fazendo para se comunicar com integrantes da equipe de orga- nização e, sobretudo, com o público em geral, é nas redes de relacionamento. O Twitter, que vem se tornando uma das ferramentas de comunicação mais populares no Brasil, já conta com um pro- file do IV EnBro. De acordo com o líder nacional do grupo de usuários BrOffice.org, e um dos organizadores do Encontro, Luiz Oliveira, os resultados gerados a partir da divulgação por meio do twitter são imen- suráveis. “Postamos a informação lá e elas, rapidamente, repercutem entre centenas de pessoas, já que grande parte dos nossos seguidores replicam a mensagem no seu próprio profile, levando a informação para os seus contatos”, diz. Seja um seguidor: http:// .com/IVEnBro 24 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  25. 25. 4 e 5 de dezembro de 2009 No mundo do software livre os interesses são Inscreva-se, inúmeros e a melhor escolha é entrelaçá-los, particularizando a pertinência e importância dos participe! temas. Qualquer pessoa pode entrar de peito aberto no futuro sendo necessário apenas ouvir, apreender e assimilar o que realmente interessa. www.conisli.org.br O conhecimento é o grande capital humano. 4 e 5 de dezembro de 2009 MIS – Museu da Imagem e do Som Av. Europa, 158-Jardim Europa, São Paulo,SP John Maddog Hall, Sergio Amadeu Veja mais algumas atrações Presença das comunidades: BROffice.org, Firefox, Perl, Ruby, PHP, Java, Python Aplicação da prova de Certificação LPI pelo Maddog Festival de Cultura Digital – Apresentações musicais, Flamenco, Mágico e muitas outras atrações Encontro das Empresas no “Open Business” 25 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009 Fórum de Software Livre do Serpro - Regional São Paulo
  26. 26. DICA Por Rubens Queiroz Auto preenchimento de dados no Calc A ferramenta de planilha eletrônica da suíte BrOffice.org oferece alguns recursos que, embora simples, facilitam bastante a vida dos usuários. Este artigo irá demonstrar algumas dessas faci- lidades. O Calc possui um recurso muito interessante de auto preenchimento de células que funciona para diversos tipos de dados. Por exemplo, se quisermos completar doze células com os me- ses do ano, basta escrevermos “Janeiro” na primeira célula, selecionarmos em seguida a célula preenchida e arrastarmos para baixo ou para o lado, que as células serão preenchidas com os meses subsequentes. Não precisamos parar em doze meses, podemos auto preencher quantas células desejarmos. O sistema automaticamente reinicia tudo após chegar no mês de “Dezem- bro”. Figura 1 No canto inferior esquerdo da célula contendo a palavra “Janeiro”, vemos uma pequena alça. Quando arrastamos esta alça para a direita (ou para baixo, se assim desejarmos), o Calc exibe automaticamente o valor do auto preenchimento para a última célula selecionada. As células se- lecionadas assumem um contorno vermelho. No nosso exemplo da figura 1, o último valor a ser selecionado é “Julho”. Ao soltarmos o mouse, as células assumem automaticamente uma sequência do valor iniciado em “Janeiro”. Figura 2 26 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  27. 27. DICA Os valores de auto preenchimento não se restringem apenas a meses do ano. Podemos fazer o mesmo com números, datas, dias da semana, moeda. Figura 3 A forma de auto preenchimento aceita também abreviações: Figura 4 Na situação reversa, em que não desejamos que o Calc automaticamente preencha os campos com uma sequência, mas sim copiar um mesmo valor para múltiplas células, basta selecionar a célula desejada e pressionando simultaneamente a tecla <CTRL>, arrastamos o mouse até a úl- tima célula que desejamos preencher. O valor da primeira célula será então automaticamente copiado para todas as células. Outra forma de fazer isto é selecionar o valor desejado, copiar o valor da célula para a área de transferência (CTRL-C), selecionar todas as células para as quais desejamos copiar os valores, e colar o valor (CTRL-V). É só escolher a forma que mais lhe agrada. Mas ainda não acabou. Podemos fazer o auto preenchimento com mais de uma coluna. Na figu- ra 5, desejo criar uma sequência com os valores da coluna A1 (valor 1) e da coluna A2 (valor 100). Basta selecionar as duas células e arrastar o mouse para a direita, até o ponto desejado. Figura 5 27 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009
  28. 28. DICA Podemos ver o número 8, ao final do campo delimitado. Este é o valor que será assumido pela primeira célula selecionada. Ao liberar o botão do mouse, temos o resultado: IMAGEM Figura 6 Utilizamos neste exemplo apenas duas células, mas podemos utilizar muitas mais. Em todos os exemplos apresentados até o momento, utilizamos os recursos de auto preenchi- mento já definidos. Entretanto, podemos fazer as nossas próprias especificações. Para isto, no menu “Editar”, selecione a opção “Preencher” e em seguida “Séries...”. Figura 7 28 | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Novembro 2009

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