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A cortiça
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  • 1. I S V O U G A Autor: Sérgio Paulo Lopes da Rocha
  • 2. Ciências dos Materiais “ A Cortiça” Í NDICE1. Origem da Cortiça (Sobreiro) ........................................................................................................ 32. Tipos e Classes de Cortiça............................................................................................................ 43. Estrutura celular da cortiça ............................................................................................................ 64. Composição quimica. .................................................................................................................... 7 4.1 Ceroides................................................................................................................................ 7 4.2 Taninos ................................................................................................................................. 7 4.3 Suberina................................................................................................................................ 7 4.4 Polisacáridos......................................................................................................................... 8 4.5 Lenhina ................................................................................................................................. 8 4.6 Cinzas e Outros .................................................................................................................... 85. Propriedades Mecâncias e Físicas................................................................................................ 9 5.1 Compressão.......................................................................................................................... 9 5.2 Resistência ao Desgaste .................................................................................................... 11 5.3 Atrito.................................................................................................................................... 11 5.4 Tracção e Fractura.............................................................................................................. 12 5.5 Dissipação de Energia de Vibrações .................................................................................. 13 5.6 Elasticidade......................................................................................................................... 13 5.7 Impermeabilidade................................................................................................................ 14 5.8 Condutibilidade Térmica ..................................................................................................... 146. Defeitos da Cortiça ...................................................................................................................... 15 6.1 Porosidade Excessiva......................................................................................................... 15 6.2 Densidade ........................................................................................................................... 157. Aplicações da Cortiça .................................................................................................................. 168. Bibliografia ................................................................................................................................... 19Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 2 de 19
  • 3. Ciências dos Materiais “ A Cortiça”1. ORIGEM DA CORTIÇA (SOBREIRO) O sobreiro (Quercus Suber) é uma árvore, que existe há mais de 60 milhões de anos e quedata desde a constituição da grande Bacia do Mediterrâneo, tornando-se uma das querníceas maisjovens. Por este motivo, e devido a factores climáticos o Sobreiro abunda essencialmente nos paísesda Bacia mediterrânea, instalando-se no Norte de África, no sul de França, Itália, Espanha, e,sobretudo em Portugal, que se tornou sua pátria adoptiva. O Sobreiro é uma das árvores florestais mais abundantes no nosso país colocando-se em áreaocupada (cerca de 20%) a seguir ao Pinheiro. Este produz tecido suberoso até aos 150 a 200 anos,permitindo normalmente 15 a 18 descortiçamentos e cuja sua idade média em exploração dura 85anos, é constituído por três zonas distintas. Essas zonas são visíveis quando o tronco do sobreiro écortado transversalmente, como é possível verificar através da figura: Sendo assim , tem-se: - uma zona interior, que se designa por Lenho; - uma zona mais escura e delgada que cerca o Lenho e a que se dá nome de Entrecasco; - finalmente, a Cortiça revestindo exteriormente o Entrecasco.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 3 de 19
  • 4. Ciências dos Materiais “ A Cortiça”2. TIPOS E CLASSES DE CORTIÇA Normalmente, considera-se dois tipos de Cortiça: a Cortiça Virgem e a Cortiça de Reprodução.Por sua vez, distinguem-se duas classes de Cortiça de Reprodução: a Cortiça Secundeira e a CortiçaAmadia. A Cortiça Virgem (1) é obtida no primeiro descortiçamento de sobreiros com 25 anos de idade eno descortiçamento de sobreiros em produção de Cortiça Amadia como resultado de podas (CortiçaVirgem de falca) e do seu crescimento em altura e em diâmetro, que tem como consequência oaumento da zona descortiçavel (Cortiça Virgem de aumentos). A Cortiça Virgem apresenta umaestrutura bastante irregular, uma vez que os anéis de crescimento não são concêntricos e os canaislenticulares não se encontram alinhados segundo a direcção radial. Além disso, a superfície externa(Costa ou Raspa) é muito rugosa e apresenta fissuras profundas. Por estes motivos, a CortiçaVirgem, é usualmente utilizada na produção de aglomerados e decorativos. A Cortiça Secundeira (2) é a primeira cortiça de reprodução, ou seja, é a cortiça extraída noveanos após o primeiro descortiçamento. Esta cortiça apresenta uma estrutura não tão irregular como acortiça virgem, sendo já, alguma mas pouca, utilizada para o fabrico de rolhas com pequenosdiâmetros, continuando a ser a sua principal aplicação o fabrico de aglomerados. A Cortiça Amadia (3) é extraída nos descortiçamentos posteriores (de nove em nove anos) eapresenta um,a estrutura de tal modo regular que é usada no fabrico de rolhas. Estes tipos de cortiças apresentam valores distintos de densidade, sendo a cortiça virgem cruacerca de 15 a 20% mais densa que todas as outras.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 4 de 19
  • 5. Ciências dos Materiais “ A Cortiça” Contudo, como já foi referido, nem todo o tipo de cortiça vai para a indústria aglomeradora. Acortiça mais utilizada na granulação e posteriormente na aglomeração é a “broca”, que não é mais doque sobras da indústria da rolha, alguma virgem e o “refugo”, cortiça que não serve para qualqueroutro tipo de aplicação.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 5 de 19
  • 6. Ciências dos Materiais “ A Cortiça”3. ESTRUTURA CELULAR DA CORTIÇA A cortiça deve ser considerada como um “material compósito”, com afinidade, devido áestrutura molecular dos seus constituintes, com os polímeros. No entanto e por força da sua estruturacelular, a cortiça é mais convenientemente colocada na categoria de materiais celulares, não nosentido biológico, mas sim no facto destes materiais serem caracterizados por uma estrutura porosa,formada por células justa-postas. A cortiça é um material de origem biológica (tecido vegetal) variável sob os pontos de vistaanatómico, físico-mecânico e químico. Este material é formado por microcélulas mortas,apresentando normalemente uma forma poliédrica de catorze lados, dispostas de forma compacta,estando os espaços intercelulares totalmente preenchidos com uma mistura gasosa quase idêntica ádo ar. A célula de cortiça apresenta uma quantidade mínima de material sólido e uma quantidademáxima de matéria gasosa, essencialmente formada por ar atmosférico isento de dióxido de Corbono.Os diâmetros destas células oscilam entre os 10 e os 50 mícron, predominando as que possuemdiâmetros entre 30 a 40 mícron. A altura das células e a espessura das membranas celulares variaconsoante as estações do ano, apresentando valores entre 10 a 70 mícron, e de 1 a 2,5 mícronrespectivamente. Esta desigualdade, tanto na espessura da membrana como na altura e diâmetro dacélula, interfere em algumas propriedades mecânicas e físicas da cortiça, nomeadamente na suacompressibilidade e elasticidade. As camadas intracelulares da cortiça são constituídas por cinco partes: - celulose (duas partes), as quais revestem as câmaras celulares cheias de ar; - suberina (uma parte), matéria dura e impermeável à água; - ceras (uma parte), matéria dura e impermeável à água; - lenhosa (uma parte), permite manter a estrutura e rigidez necessárias. São as camadas de suberina e ceras que conferem à cortiça a elasticidade característica destematerial.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 6 de 19
  • 7. Ciências dos Materiais “ A Cortiça”4. COMPOSIÇÃO QUIMICA. A cortiça pode ser quimicamente dividida em seis grupos: Ceroides, Taninos, Suberina, Polisacáridos, Lenhina e Cinzas e outros.4.1 C EROIDES Os ceroides são um grupo de compostos de baixa polaridade responsáveis pelaimpermeabilidade da cortiça. Representam cerca de 5% da cortiça. Deste grupo de compostos fazemparte compostos parafínicos com átomos de carbono de 20 a 34 alcanoídes com C20 e C26 ecompostos triterpénicos, sendo os mais usuais a cerina e a friedelina.4.2 T ANINOS Os taninos representam cerca de 6% da cortiça. São compostos polifenólicos que podem serextraídos com solventes polares. Os taninos obtidos classificam-se em dois grupos: - Hidrolizáveis, são formados por ésteres de glucose do ácido gálico e do ácidohexahidroxidifénico. - Condensáveis, são formados por poli condensação de percursores do tipo flavonóide.4.3 S UBERINA A Suberina é o componente da cortiça que aparece em maior percentagem, isto é, a suberina éo grupo maioritário da cortiça, representando cerca de 45%. Esta substância é constituída por uma mistura de ácidos gordos de peso molecular elevado,obtidos por saponificação e posterior extracção com solventes polares. A suberina pode ser considerada, praticamente, infusível e insolúvel nos dissolventes usuais:água, éter, clorofórmio, ácido sulfúrico concentrado, ácido clorídrico e amoníaco.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 7 de 19
  • 8. Ciências dos Materiais “ A Cortiça” Os principais constituintes da suberina são: - Constituintes neutro; - Constituintes ácidos; - Constituintes não identificados (devido á complexidade da sua estrutura). A presença da suberina, torna as células impermeáveis aos líquidos e a gases. A grandeflexibilidade das suas menbranas, imprimem ao tecido suberoso outras propriedades tais como acompressibilidade e a elasticidade. É ainda, importante referir que, a diferente formação da cortiça (virgem e de reproduçãoamadia) influencia claramente a sua composição química, sendo esta influencia observada noconteúdo da suberina. Uma vez que, a cortiça original do Quercus Suber (cortiça virgem) contém,aproximadamente, mais 10% de suberina que a cortiça formada após a extracção original e daprimeira cortiça regenerada (cortiça de reprodução amadia).4.4 P OLISACÁRIDOS A fracção de polisacáridos constitui cerca de 12% da cortiça, sendo formada, essencialmentepor celulose (polímero linear de D-glucose em β).4.5 L ENHINA A lenhina é um resíduo obtido após as operações necessárias á separação das outrasfracções, que fazem parte da cortiça, e representa cerca de 27% da mesma. A lenhina é um poliéster complexo de massa molecular elevada. As unidades monoméricas sãoconstituídas pelos álcoois coniferílico, p-hidroxicinâmico e sinapílico. Pelo facto das ligações entre os monómeros serem de diferentes tipos (éter, acetal, glucoídica,etc.), este composto dificilmente é hidrolisável e a sua estrutura é ainda deficientemente conhecida.4.6 C INZAS E O UTROS Nas cinzas da cortiça identificou-se os seguintes metais: cálcio, potássio, manganês, ferro,alumínio, magnésio, sódio, bário, estrôncio, cobre, lítio, crómio e titânio, sendo o cálcio e o potássioos elementos que se encontram em maior quantidade. Existem ainda, outros constituintes diversos formados essencialmente por água, glicerina,minirais, etc.. Em suma, a cortiça é saponificada pelos álcalis fortes, e desagregada pelo ácidp azótico epelos oxidantes halogéneos. Devido á sua composição química este material apresenta umaresistência ao ataque biológico e a degradação originada por agentes químicos, sendo por esta razãousualmente utilizada como vedante de produtos alimentares (vinho).Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 8 de 19
  • 9. Ciências dos Materiais “ A Cortiça”5. PROPRIEDADES MECÂNCIAS E FÍSICAS. Algumas das propriedades físicas e mecânicas da cortiça encontram-se descritas na seguintetabela: A cortiça devido á sua estrutura é um material anisótropo, ou seja, as suas propriedades variamcom a direcção em que lhe é aplicada um estímulo mas, a direcção radial é, aproximadamente, umadirecção de simetria, quer á escala do milímetro quer á escala das dimensões celulares, o quesignifica que todas as direcções não-radiais são equivalentes. Isto é, o mesmo quer dizer, que acortiça é globalmente anisótropa mas é transversalmente isótropa. No entanto, as propriedades mecânicas e físicas da cortiça, são as principais responsáveispelos bons resultados e pelas características finais das aplicações da mesma.5.1 C OMPRESSÃO Uma vez que, num grande número de aplicações e processos de fabrico a cortiça é submetidaa esforços de compressão, torna-se necessário conhecer o seu comportamento mecânico quando lheé aplicada uma força desde tipo. O comportamento mecânico da cortiça, quando submetida a um esforço de compressão, éexpresso através das “curvas de compressão”.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 9 de 19
  • 10. Ciências dos Materiais “ A Cortiça” A figura acima ilustra a compressão uniaxial da cortiça: (a) Definição da tensão, σ, e da extensão, ε. (b) Curvas σ-ε em compressão radial (R) e não-radial (NR). A figura acima ilustra a compressão uniaxial da cortiça: (a) forma idealizada das curvas de compressão, com 3 regiões bem defenidas. (b) efeito da velocidade de deformação ε = dε/dt, na curva de compressão radial. Quando um sólido é comprimido numa direcção há, em geral, aumento das dimensõestransversais.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 10 de 19
  • 11. Ciências dos Materiais “ A Cortiça” A figura acima ilustra o efeito de Poisson na cortiça. A compressão numa direcção provocaalteração nas dimensões transversais. As curvas mostram essa alteração (εT) em função do grau decompressão (εL). Por exemplo: R/NR significa que a compressão é na direcção radial (R) e adimensão transversal é medida numa direcção não-radial (NR). O Coeficiente de Poisson é então expresso por : v = -εT/εL .5.2 R ESISTÊNCIA AO D ESGASTE O Desgaste, na cortiça, origina um pó muito fino em que as partículas mais pequenas contémapenas algumas dezenas de células. Estas partículas tais como em todos os sólidos que sofremdesgaste, são resultantes de fracturas junto á superfície, sendo a cortiça um dos materiais maisresistentes. De facto, a resistência da cortiça, ao desgaste por atrito é notável, assim como o seuelevado coeficiente de fricção. Estas duas qualidades da cortiça devem-se á natureza alveolar dasuperfície suberosa e á sua elevada capacidade de dissipar energia. O desgaste da cortiça é importante aquando da sua aplicação em pavimento e também nocontexto das operações de corte. Uma vez que, o corte origina um pó que é considerado desperdícioque é utilizado como combustível nas caldeiras.5.3 A TRITO Esta propriedade mecânica é bastante importante tendo em conta as aplicações da cortiça. Numa situação em que existe atrito de rolamento, isto é, numa situação em um objectocilíndrico de um dado material rola sobre uma superfície de cortiça, ou vice-versa, há uma elevadadissipação de energia que é traduzida por uma elevada força de atrito a cortiça é comprimida pelocilindro, á frente deste, e depois é descarragado quando o cilindro passa.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 11 de 19
  • 12. Ciências dos Materiais “ A Cortiça” Numa situação de deslizamento, atrito de escorregamento, a causa do elevado atrito da cortiçaé diferente. Porque, embora haja uma contribuição devido á dissipação de energia de deformaçãoprovocada pelas asperidades das superfícies em contacto, o factor mais importante é a elevadaadesão entre a superfície e as paredes celulares da cortiça. Este facto, constata-se quando seprocede á lubrificação da superfície (por ex. com água), uma vez que é observada uma reduçãoapreciável do atrito de escorregamento e uma reduzida ou até nenhuma diminuição no atrito derolamento.5.4 T RACÇÃO E F RACTURA O comportamento da cortiça em tracção é muito diferente do seu comportamento emcompressão. As curvas de tracção (tensão-extensão) não mostram 3 regiões características das curvas dascurvas de compressão. Em tracção não há encurvadura das paredes celulares mas há igualmenteflexão das paredes inclinadas em relação á direcção de tracção. As paredes celulares são esticadasna direcção de tracção e as ondulações atenuam-se. Isto, faz com que os Módulos de Young emtracção sejam superiores aos que se medem em compressão. Se a força de tracção aplicada é segundo uma direcção não-radial (NR) a sua curva tensão-deformação é contínua não sendo possível identificar desta forma regiões distintas. Ocorrendofractura quando se atinge uma tensão suficientemente elevada.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 12 de 19
  • 13. Ciências dos Materiais “ A Cortiça” A tensão de fractura depende das dimensões transversais dos canais lenticulares que existemno provete, já que estes actuam como concentradores de tensão. Em princípio, a fractura iniciar-se-á junto ao canal de maior diâmetro transversal em relação ádirecção de tracção. A superfície de fractura é uma superfície irregular, revelando uma propagaçãonão plana da fenda, mas é em média perpendicular ao eixo de tracção. Se a direcção da força detracção aplicada for radial (R), a curva tensão-extensão é inicialmente contínua mas a partir de cercade 1% de extensão apresenta-se serrilhada sobretudo para altas tensões. A fractura em tracção radialocorre por quebra das paredes laterais das células.5.5 D ISSIPAÇÃO DE E NERGIA DE V IBRAÇÕES A capacidade de dissipação de energia de vibrações é medida em ensaios em que se submetea cortiça alternadamente á compressão e descarga. Os resultados obtidos nestes ensaios sãoexpressos curvas de Histerese. Quando a cortiça é submetida a ciclos de compressão-descarga, a curva σ-ε na descarga nãocoincide com a curva de carga. A área delimitada pelas duas curvas mede a energia dissipada numciclo. Da análise da figura anterior é fácil constatar que em cada ciclo, a tensão de compressãoatinge um mesmo valor máximo e que a curva tensão-extensão correspondente é constituída porsucessivos ciclos que, a partir de certa altura, mantém a sua forma. Conclui-se então que, o bom isolamento sonoro que a cortiça fornece, é devido, entre outrosfactores, a esta capacidade de dissipação de energia de vibrações, ou seja, a não propagação daamplitude de uma onda sonora da cortiça.5.6 E LASTICIDADE A grande flexibilidade das menbranas celulares confere á cortiça compressibilidade eelastiçade, ou seja, o poder de readquirir a forma primitiva depois de ter sofrido uma pressão. Esta aoser submetida a uma elevada pressão, a mistura de gases contidos nas células é comprimida e oInstituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 13 de 19
  • 14. Ciências dos Materiais “ A Cortiça”volume destas reduz-se consideravelmente. Liberta de pressão, a cortiça recupera imediatamente ovolume inicial sem conservar sinais de ter sofrido uma deformação sensível.5.7 I MPERMEABILIDADE A presença da suberina confere ao tecido suberoso impermeabilidade, tanto aos gases comoaos líquidos, permitindo que a cortiça não apodreça, e seja considerada o melhor vedante que existe. A existência de taninos e a escassez de elementos albuminóides (substâncias solúveis emágua) contribuem para a eficácia desta propriedade, podendo desta forma o tecido suberoso serconsiderado imputrescível e inalterável sob acção da humidade.5.8 C ONDUTIBILIDADE T ÉRMICA A cortiça tem como característica uma má condutibilidade do ponto de vista, quer térmico, queracústico e vibratório (como foi referido anteriormente). Ela é devida ao facto de o elemento gasoso seencontrar encerrado em minúsculos compartimentos estanques, por sua vez isolados uns dos outrospor um material de baixo peso específico não higroscópico. Daí que a cortiça, entre todas assubstâncias naturais figure entre as que se apresentam dotadas de mais elevado poder isolante.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 14 de 19
  • 15. Ciências dos Materiais “ A Cortiça”6. DEFEITOS DA CORTIÇA6.1 P OROSIDADE E XCESSIVA Atendendo a que, uma das grandes particularidades da cortiça é a sua permeabilidade ao ar,sendo esta, ao contrário do que se poderia esperar, não dependente da estrutura alveolar das célulasmas sim dos poros existentes no tecido suberoso (denominados por lentículas). São lentículas asresponsáveis pela porosidade, e esta depende, não do número de poros ou lentículas existentes nasuperfície da prancha, mas sim da área ocupada pelos canais lenticulares nos cortes da cortiçaexecutados tangencialmente.6.2 D ENSIDADE Dá-se o nome de densidade à relação entre a massa de um corpo e o volume que ele ocupa. Ado tecido suberoso é normalmente muito baixa, a ela se devendo a bem patente flutuabilidade eleveza da cortiça. A densidade anormal provém, quer da largura dos raios liberinos que formam paredes muitoespessas, originando a cortiça preguenta, quer da presença de de esclerênquima e de tecidosliberinos e felodérmicos no tecido suberoso ao qual se dá o nome de cortiça madeirenta. A excessiva densidade provoca dureza o que excluí a cortiça de aplicações onde a elasticidadeseja o principal requisito.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 15 de 19
  • 16. Ciências dos Materiais “ A Cortiça”7. APLICAÇÕES DA CORTIÇA Embora a imagem da cortiça esteja intimamente ligada às rolhas, as utilizações desta matériaprima natural não se esgotam por aqui. Pelo contrário, as características únicas da cortiça potenciamvários usos alternativos. A cortiça é um material que tem acompanhado a Humanidade desde tempos imemoriais, tendojá assumido, ao longo desta história comum, as mais diversificadas utilizações. As primeirasreferências às suas aplicações remontam a mais de 3000 anos a.C., em regiões como a China e oEgipto, nomeadamente como vedante ou aparelhagem flutuante, seguindo-se aplicações em calçado,isolamento de habitações (por exemplo, no Convento dos Capuchos em Sintra), sendo aindareferenciadas aplicações em utensílios domésticos e mesmo com fins terapêuticos. Depois do inícioda utilização das rolhas na vedação do vinho engarrafado, com o surgimento do champanhe, e doaparecimento dos primeiros aglomerados simples ou compostos, foram também surgindo diversasaplicações, como em coletes salva-vidas, em isolamentos na indústria da guerra, em filtros decigarros, como fonte de determinados compostos químicos, em aeronáutica espacial, na indústria dostransportes, no desporto, na construção civil e numa infinidade de outras utilizações. De uma maneira geral, qualquer pessoa, mesmo sem dominar o que se passa no sectorcorticeiro, identifica, à partida, duas aplicações da cortiça: as rolhas e os aglomerados pararevestimentos. Algumas pessoas com maior conhecimento poderão indicar aplicações maispormenorizadas, como as rolhas de cortiça natural, as de cortiça aglomerada e as rolhas parachampanhe, os revestimentos de piso e de parede, os solados de calçado, as juntas para motores eos isolamentos térmicos em derivados de cortiça.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 16 de 19
  • 17. Ciências dos Materiais “ A Cortiça” A estes usos, os mais conhecedores adicionarão ainda as rolhas mais recentes do tipo “1+1”,os isolamentos acústicos e vibráticos, as aplicações nos volantes de badmington ou em bolas(críquete, hóquei…), as juntas de dilatação e os “underlays”. Os peritos e especialistas poderão ainda referenciar as aplicações em isolamentos em mísseis,foguetões e submarinos, a obtenção de produtos químicos para fins farmacêuticos, peças deinstrumentos de sopro, marroquinaria e muitas outras. Verifica-se assim, desde já, que existe um grande número de usos alternativos da cortiça, maseste número não pára de crescer, muito devido ao esforço em I&D (projectos de Investigação eDesenvolvimento) efectuado pelos vários intervenientes, empresas, instituições de investigação euniversidades. Assim, é possível fazer uma pequena resenha de alguns dos novos usos alternativospara a cortiça, desenvolvidos nos últimos anos, a nível mundial e internacional. Deste modo, como usos alternativos de cortiça, já desenvolvidos ou em desenvolvimento, amaior parte patenteados, mas sem estarem disponíveis no mercado, temos:Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 17 de 19
  • 18. Ciências dos Materiais “ A Cortiça” Painéis rígidos peças rígidas para divisórias amovíveis, painéis de portas e mobiliário, comcaracterísticas diferenciadas em relação aos materiais tradicionais, quer técnicas quer estéticas.Estes aglomerados rígidos de cortiça podem ter várias origens, como sejam a densificaçãoirreversível do aglomerado expandido de cortiça ou aglomerados compostos com termoplásticos.Estes produtos permitem uma trabalhabilidade similar à da madeira e podem, inclusive, ser usadoscomo bases de pisos flutuantes. Uso de granulados e/ou desperdícios da trituração da cortiça para limpeza de peças e/ouestátuas e/ou fachadas expostas à poluição ambiental. Este sistema tem sido aplicado à limpeza dosisoladores eléctricos dos postes de alta tensão e permite a substituição de materiais importados e oregular fornecimento em função das necessidades. As partículas de cortiça são projectadas contra asuperfície a limpar, mas a sua constituição não degrada o material que se limpa, sendo, por isso,particularmente indicadas para a limpeza de superfícies sensíveis. Um dos resíduos do fabrico do aglomerado expandido são os condensados do seu vapor decozimento. Estes podem ter uma utilização em bruto para a preparação de soluções, em solventespara aplicação em madeira, permitindo conferir uma maior estabilidade dimensional, uma maiorresistência ao ataque dos fungos e mesmo colorações interessantes para determinadas aplicações(mobiliário). Este resíduo pode também ser uma matéria-prima muito importante para a obtenção deprodutos para química fina e farmacêutica. Após purificação e separação química são obtidoscompostos com aplicações diversas, entre as quais um adjuvante de vacinas. Houve, inclusive,estudos em tratamentos anti-cancerígenos e como anti-fágicos para insectos. Com base no pó de cortiça podem ser obtidos uma série de compostos químicos, por extracçãodirecta ou indirecta após reacção química. Por exemplo, podem ser obtidos hidroxiácidos cominteresse para fins medicamentosos. Embora a cortiça já seja usada na indústria automóvel em juntas (cabeça do motor, caixa develocidades etc.) e em pisos de transportes públicos, foram estudadas aplicações de produtos decortiça no interior do habitáculo, por exemplo, em apliques, nos punhos do travão de mão e daalavanca de velocidades, no revestimento do volante e tablier, etc.. O poder de auto-adesividade do pó de cortiça, devido à existência das resinas naturais daprópria cortiça, permite o fabrico de aglomerados de cortiça por prensagem a quente, a frio ou porextrusão, permitindo a obtenção de painéis (com eventual incorporação de outras partículas), depastilhas de alta densidade e de briquetes para fins diversos. Para além destes usos alternativos, estão ainda previstos ou referenciados o estudo do fabricode perfis de compósitos cortiça/plástico, contraplacados com lamelas de derivados de cortiça, discosde embraiagem com incorporação de cortiça, usos em pout-pourris, enchimentos, etc., ou seja, umapanóplia de aplicações em que a cortiça ou é o componente principal ou participa para conferirespeciais características aos produtos que integra.Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 18 de 19
  • 19. Ciências dos Materiais “ A Cortiça”8. BIBLIOGRAFIA Manuel Alves de Oliveira, Leonel de Oliveira, “A Cortiça, ed. Grupo Amorim, 1991 www.apcor.pt www.naturlink.ptInstituto Superior de Entre o Douro e Vouga Página 19 de 19