Plantas medicinais

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Plantas medicinais

  1. 1. MEDICAMENTOS A PARTIR DE PLANTAS MEDICINAIS NO BRASIL Equipe Principal: Sérgio H. Ferreira (Supervisor) Lauro E. S. Barata (Coordenador) Sérgio L. M. Salles Fº Sérgio R. R. de Queiroz Auxiliares: Rosana Corazza (auxiliar de pesquisa) Reus Coutinho Farias (consultor) Projeto financiado pela Academia Brasileira de Ciências e Ministério da Ciência e Tecnolgia-MCT (1997) Livro Publicado pela Academia Brasileira de Ciências 1998OBS: A edição deste livro está esgotada. Uma nova edição está sendo preparada. Cópias cujacomercialização é proibida, podem ser feitas á partir deste arquivo. É vedado o uso do todo ou departe desta obra, sem a expressa licença do seu Coordenador (lbarata@iqm.unicamp.br). Pede-secitar a fonte. 2
  2. 2. MEDICAMENTOS A PARTIR DE PLANTAS MEDICINAIS NO BRASIL SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO 12. A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA E DE FITOTERÁPICOS 4 2.1 As mudanças recentes na indústria farmacêutica mundial 4 2.2 A indústria de fitoterápicos: quadro internacional 6 2.3 A produção brasileira de medicamentos a partir de plantas medicinais 123. A PESQUISA DE MEDICAMENTOS A PARTIR DE PLANTAS 22 3.1 O processo de desenvolvimento de novos medicamentos 22 3.2 A pesquisa científica em plantas medicinais no Brasil 28 3.3 Avaliação dos estudos experimentais com plantas medicinais 324. A AÇÃO GOVERNAMENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO DE FITOFÁRMACOS 515. ESTRATÉGIAS PARA DESENVOLVER A PRODUÇÃO DE MEDICAMENTOS A PARTIR DE PLANTAS MEDICINAIS 65 5.1 Quem são os atores e como eles interagem 65 5.2 Vantagens e obstáculos para o desenvolvimento da área de produtos naturais 67 5.3 Proposta para uma estratégia para desenvolver a produção de medicamentos a partir de plantas medicinais 70
  3. 3. MEDICAMENTOS A PARTIR DE PLANTAS MEDICINAIS NO BRASIL1. INTRODUÇÃO A nossa proposta inicial era de realizar uma análise ampla dos problemas associados aodesenvolvimento de medicamentos no Brasil com o intuito de promover o incentivo desta área.Esta proposta se impunha pelo fato do Brasil, apesar da enorme diferença de poder aquisitivo desuas camadas sociais, encontrar-se, já há alguns anos, entre os dez maiores consumidores demedicamentos do mundo.Neste estudo, todavia, restringimos nosso enfoque para o desenvolvimento de medicamentos apartir de plantas medicinais. Em parte, porque em análise anteriormente realizada sobre acompetitividade da indústria de fármacos brasileira (Coutinho e Ferraz, 1994), ficou demonstradoque o Brasil teria enormes dificuldades de atuar na área de medicamentos sintéticos. Além disso, arecente implantação da lei de patentes enfraqueceu substancialmente as perspectivas da indústriaquímica brasileira.Grande parte dos medicamentos que estão no mercado originam-se de produtos naturais, emespecial, de plantas. Entre as vinte drogas mais vendidas nos EUA em 1988, apenas sete nãoderivavam diretamente de produtos naturais. Ainda assim, estes participaram em algum momentoda história farmacológica dessas drogas. Naturalmente, o Brasil, com a sua enorme biodiversidade,pode contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos produzidos a partir de plantas. Ogrande problema consiste em saber que parcela desse esforço de desenvolvimento caberá aoscientistas e às empresas brasileiras.A nação já fez um considerável investimento na formação de investigadores e montagem delaboratórios. Houve um estímulo continuado no estudo de propriedades farmacológicas, na suamaioria, tentando comprovar a validade do uso popular de plantas medicinais. A idéia que presidiaestes estudos era de utilizar os produtos naturais como substituição barata à terapia convencional.Embora várias plantas estejam sendo utilizadas com fins terapêuticos (e mesmo comercializadas) agrande maioria não possui dados científicos que comprovem a sua eficácia e seu espectrotoxicológico no homem, assim como garantia de qualidade do produto ou de sua produção. Apesarde três ou quatro décadas de estudos, pode-se dizer que até esta data não houve um processocoordenado de todos os atores do processo (indústria, farmacólogos, fitoquímicos, químicos desíntese, toxicólogos, investigadores clínicos, etc) visando o desenvolvimento de drogas a partir deplantas. Permanece a questão: até quando um país com a rica biodiversidade como a do Brasilcontinuará deixando de explorar este potencial para descoberta de novos medicamentos? 2
  4. 4. Estas considerações fizeram com que enfocássemos neste trabalho os aspectos da P&D, produção eações governamentais relacionadas ao desenvolvimento de medicamentos a partir de plantasmedicinais. Espera-se que este estudo possa fornecer a pesquisadores, empresas e policy-makers,entre outros, dados para tomar decisões de investimento em termos de prazos, recursos, projetos eesforços nessa área.Neste relatório foi levantado um conjunto amplo de dados quantitativos através de pesquisabibliográfica e consulta a bases de dados informatizadas. Essas informações foram organizadas emum banco de dados bibliográficos, com acesso por assunto ou por autor, cuja estrutura é apresentadano Anexo 1.Também fez parte da metodologia utilizada no trabalho a aplicação de questionários (vide Anexo 2)dirigidos a empresas, cientistas e órgãos do governo. O objetivo básico destes questionários eraobter dados qualitativos a respeito do quadro nacional na produção, na pesquisa e no apoio dogoverno a atividades na área de plantas medicinais. Esse mesmo objetivo foi também buscadoatravés de entrevistas com empresários, cientistas e agentes governamentais, visando reforçaralguns pontos deste relatório que poderiam vir a ser polemizados.Uma grande dificuldade que pode ser percebida durante a pesquisa foi a falta de dados estatísticosda área de negócios, bem como problemas para extrair informações de fontes oficiais. As empresas,além de não disporem dos dados, têm uma grande dificuldade de produzi-los quando instadas afazê-lo.Com relação à estrutura do trabalho, no capítulo 2 discute-se a indústria de fitoterápicos dentro deseu contexto, a indústria farmacêutica. Primeiramente, são apresentadas algumas das principaistransformações mundiais por que vem passando esta última. Em seguida, analisa-se o quadrointernacional da indústria de fitoterápicos. Por fim, a análise se volta para o caso brasileiro.O capítulo 3, também dividido em três seções, analisa a pesquisa de medicamentos a partir deplantas. Na primeira seção, destaca-se o processo de desenvolvimento de novos medicamentos, demodo geral. A segunda trata da pesquisa científica em plantas medicinais no Brasil. Finalmente, éfeita uma avaliação de estudos experimentais com plantas medicinais produzidos nas universidadesbrasileiras.O capítulo 4 discute as principais ações governamentais para o desenvolvimento de fitofármacos.O capítulo final pretende esboçar uma estratégia para desenvolver a produção de medicamentos apartir de plantas medicinais no Brasil. 3
  5. 5. Definições utilizadas neste trabalho:Plantas medicinaisSão plantas que têm atividade biológica, possuindo um ou mais princípios ativos, úteis à saúdehumana. Muitas delas são hoje usadas em cosméticos e neste caso se denominam cosmecêuticos (doinglês, cosmetics + pharmaceuticals).Fitoterápicos ou FitomedicamentosA expressão fitoterapia é atribuída a medicamentos originados exclusivamente de material botânicointegral ou seus extratos usados com o propósito de tratamento médico1.Fitoterápicos são classificados como medicamentos e como suplemento alimentar. Podem ser:1) Plantas Medicinais - no Brasil são consideradas como produtos não-éticos e tratados em muitos casos como suplemento alimentar. Podem ser adquiridas em Farmácias de Manipulação, Supermercados ou Feiras Livres; são regulamentadas pelo DINAL (Ministério da Saúde); o controle de qualidade é precário ou não existente; não há necessidade de registro no MS ou qualquer outro órgão controlador para o comércio e venda de plantas medicinais, a granel ou embalados como chás em saquinhos. Esta situação deve mudar em janeiro de 2000 com a entrada em vigor da Portaria nº 6, de 31 de janeiro de 1995, da Secretaria de Vigilância Sanitária do MS.2) Extratos de Plantas - são muitas vezes produzidos por empresas não cadastradas. Produtos técnicos produzidos por empresas respeitadas (ex. Sanofi, Sanrisil) são adquiridas por outras empresas que frequentemente adulteram o produto final ao consumidor.FitofármacoÉ a substância medicamentosa isolada de extratos de plantas, como a rutina e a pilocarpina, algunsdos raros fitofármacos produzidos no Brasil.1 Diferentes outras expressões aparecem em jornais e revistas estrangeiros para designar os medicamentos originados deplantas medicinais: herbal drugs, medicinals & botanicals, etc. 4
  6. 6. 2. INDÚSTRIA FARMACÊUTICA E DE FITOTERÁPICOS2.1 As mudanças recentes na indústria farmacêutica mundialA indústria farmacêutica caracteriza-se pela alta tecnologia e rápido crescimento. Nos anos recentesela tem sofrido intensa pressão por parte dos governos dos países industrializados, preocupados comos custos de seus sistemas de saúde. Em particular, os EUA, cujos gastos com atendimento à saúdechegaram a 14% do PNB em 1994 - 40% a mais que Canadá, Japão ou UE -, vêm forçando umaredução dos preços dos medicamentos. Estes não são, certamente, os únicos responsáveis peloselevados gastos em saúde, mas podem dar sua contribuição para reduzir os custos na área.Desse modo, as margens de lucro da indústria farmacêutica - usualmente bastante elevadas - vêmsendo comprimidas. A isto soma-se ainda o aumento dos custos de inovação. O custo médio daP&D de um novo medicamento passou de US$ 1,5-2,0 milhões no período 1956-62 para US$ 20-22milhões entre 1966 e 1972 (dólar de 1973), segundo Rigoni (1985). Em 1985 o autor estimava essecusto em torno de US$ 100 milhões, valor que no início da década de 90 teria mais do quedobrado2. As despesas em P&D como percentagem do faturamento passaram de algo como 10%nos anos 60 e 70 para um valor acima de 15% nos anos 80. Como se pode ver no Quadro 2.1, amédia do gasto em P&D nos principais países atingia quase 16% em 1991, com númerossignificativamente maiores em alguns casos (Reino Unido, Suíça e Suécia).Quadro 2.1 - Gasto em P&D farmacêutica no mundo em 1991 País Gasto em P&D % das vendas (1) (US$ milhões)EUA 9.056 18,39Japão 4.665 12,11Alemanha 3.126 16,13Reino Unido 2.845 28,17França 2.529 14,82Suíça 1.644 28,77Itália 1.545 10,36Suécia 617 23,23Países baixos 285 8,60Bélgica 272 8,32Dinamarca 262 15,52Espanha 167 2,80Total 27.013 15,72(1) vendas domésticas mais exportaçãoFonte: Scrip’s Yearbook, 1993.2 Segundo outras fontes, o valor poderia chegar a US$ 300 milhões por medicamento. 5
  7. 7. O Quadro 2.2 mostra o gasto em P&D por empresa, confirmando os dados apresentados acima.Quadro 2.2 - As 11 maiores companhias farmacêuticas em gasto em P&D, em 1991-92(1) Companhia País Vendas Farmacêuticas Gasto em P&D P&D como (US$ milhões) (US$ milhões) % de vendasMerck (2) EUA 7225,1 1100,0 15,2Glaxo Reino Unido 7247,0 1052,7 14,5Roche Suíça 4119,9 953,3 23,1Bristol-Myers Squibb EUA 5908,0 845,0 14,3Hoechst (3) Alemanha 6263,9 785,8 12,5Bay er (4) Alemanha 5306,4 688,8 13,0Ciba-Geigy (5) Suíça 4052,3 677,8 16,7Sandoz Suíça 4440,7 675,0 15,2Smithkline Beecham EUA /Reino Unido 4370,1 654,6 15,0Johnson & Johnson EUA 3795,0 569,0 15,0Boehringer Ingelheim Alemanha 2534,5 462,8 18,3(1) Números para ano terminado em dez/91, exceto Glaxo (jun/92) e Johnson&Johnson (jan/92)(2) estimativa(3) inclui cosméticos(4) inclui diagnósticos(5) somente produtos éticosFonte: Scrip’s Yearbook, 1993.O efeito combinado dos gastos crescentes com P&D e aperto nas margens de lucro vêmestimulando uma onda de fusões e incorporações na indústria farmacêutica, iniciada na década de80 e que prossegue até hoje. O Quadro 2.3 mostra as 15 maiores empresas do setor em 1991.Aparecem nesta lista a terceira (Bristol-Myers Squibb), sétima (SmithKline Beecham) e décima-segunda (Rhône-Poulenc Rorer) como resultado de fusões. Desde então a Glaxo comprou aWelcome, a Ciba-Geigy (quinta da lista) fundiu-se com a Sandoz (sexta) e a Roche comprou aSintex, para ficar nos maiores negócios apenas. (1)Quadro 2.3 - As 15 maiores companhias farmacêuticas em vendas no mundo, 1991-92 Companhia Vendas Farmacêuticas (US$ milhões) % do total de vendas1 Glaxo (UK) 7.247 100,02 Merck (US) 7.225 84,03 Bristol-Myers Squibb (US) 5.908 52,94 Hoechst (Ger) 5.429 19,15 Ciba-Geigy (Sw) 4.612 31,46 Sandoz (Sw) 4.441 47,47 SmithKline Beecham (UK/US) 4.370 52,78 Bayer (Ger) 4.309 16,99 Roche (Sw) 4.120 51,610 Eli Lilly (US) 4.031 70,411 American Home (US) 4.018 56,812 Rhône-Poulenc Rorer (Fra/US) 3.824 100,013 Johnson & Johnson (US) 3.795 30,514 Pfizer (US) 3.771 54,315 Abbott (US) 3.512 51,1 (1) Números para ano terminado em dez/91, exceto Glaxo (jun/92) e Johnson&Johnson (jan/92)Fonte: Scrip’s Yearbook, 1993. 6
  8. 8. Pode-se afirmar, portanto, que a indústria farmacêutica internacional passa por transformaçõesimportantes. As fusões e incorporações estão criando empresas gigantescas, com enormecapacidade de investimento em P&D, tornando ainda mais difícil a participação nesse mercado depaíses como o Brasil. Conforme apontado em Queiroz (1993), a competitividade da indústriaquímico-farmacêutica brasileira é praticamente nula no caso dos produtos patenteados. O aumentode escala da P&D deixa ainda mais remota a possibilidade de reverter esse quadro em um horizontede tempo previsível.Além disto, as empresas buscam também novas oportunidades de diversificação e, como veremosadiante, o segmento de fitoterápicos tem se mostrado atraente.2.2 A indústria de fitoterápicos: quadro internacionalMercado mundial de fitoterápicos: dimensõesAs estimativas de mercado para produtos farmacêuticos derivados de plantas variamconsideravelmente em função das distintas definições adotadas em cada análise. Tomando-se, porexemplo, o trabalho de Jörg Grünwald (1995), baseado em dados do IMS e do Herbal MedicalDatabase, o mercado mundial de fitoterápicos (herbal remedies) está avaliado em US$ 12,4 bilhões,divididos segundo o Quadro 2.4. Isto representaria aproximadamente 5% do mercado mundial deprodutos farmacêuticos.Quadro 2.4 - Mercado mundial de fitoterápicosRegião US$ milhõesUnião européia 6.000Resto da Europa 500Ásia 2.300Japão 2.100EUA 1.500Total 12.400Fonte: IMS 1994 e The Herbal Medical Database 1993,apud Jörg Grünwald (1995)Segundo outras estimativas, este mercado poderia ser bem maior. O Departamento de Comércioamericano apresenta, apenas para os EUA, os seguintes dados de vendas de medicinals/botanicals: 7
  9. 9. Quadro 2.5 - Mercado americano de produtos farmacêuticos e de fitoterápicosItem 1987 1988 1989 1990 1991 1992(2) 1993(3)Vendas (1) 35.283 39.532 43.796 47.832 51.880 55.607 58.428Medicinals & botanicals 4.224 4.948 5.393 5.789 6.647 6.898 7.116(1) Valor de produtos classificados na indústria farmacêutica produzidos por todas as indústrias.(2) Estimativa, exceto exportações e importações.(3) EstimativaFonte: Bureau of the Census - U.S. Department of CommerceEstes dados indicam val res quase cinco vezes maiores para o mercado dos EUA em relação aos odados do Quadro 2.4. Pode estar havendo diferenças nas definições empregadas pelo Departamentode Comércio dos EUA (medicinals/botanicals) e por Jörg Grünwald (herbal remedies). Mas adiscrepância entre os dados também pode decorrer do fato de que este último autor utiliza dados devenda no varejo (Retail Sales Price - RSP), que deixam de incluir vendas efetivadas através deoutros canais ou vendas dirigidas a outros segmentos da indústria , inclusive exportações. De todomodo, não se pode ignorar as dificuldades na delimitação do mercado de fitoterápicos.As diferenças entre países são também pronunciadas. A Alemanha é, de longe, o maior mercadomundial de herbal drugs, com vendas de US$ 3 bilhões, isto é, metade do mercado da UEapresentado no Quadro 2.4, e um consumo anual por habitante de US$ 39. A França, com US$ 1,6bilhões e 26,5% do mercado da UE, vem em segundo.Em termos do peso desse segmento no conjunto da indústria farmacêutica as variações também sãograndes. Na Alemanha, os fitoterápicos representavam aproximadamente 25% do mercadofarmacêutico total em 1990. Naquele país, 27% dos medicamentos que não exigiam receita médica(OTC) em 1993 eram produtos de plantas, cabendo aí a divisão entre os que eram receitados ereembolsados pelo sistema de seguridade de saúde (12%) e desse modo modo poderiam serclassificados como “semi-éticos”, e os que eram OTC “puros” (15%).Crescimento do mercado de fitoterápicosIn 1993, as vendas de medicinals/botanicals nos EUA aumentaram mais de 7%, atingindo US$ 7bilhões (aumento de 1,8% em dólares constantes). Como aponta o Departamento de Comércio dosEUA (1994), “o mercado americano de herbal products é relativamente novo, tendo iniciado seucrescimento nos anos 60. Desde essa época, a indústria deixou uma posição marginal para seintegrar ao mainstream do mercado biomédico. Com o crescente interesse do consumidor emprodutos naturais, as companhias estão ampliando a adição de ingredientes botânicos em seusprodutos...à medida que a indústria (farmacêutica) continua a procurar meios de conter preços, aparticipação de mercado dos medicamentos de plantas deverá crescer”. 8
  10. 10. Esta é também a posição de Jörg Grünwald acerca do potencial dos fitoterápicos. Na Europa omercado destes produtos está crescendo a uma taxa mais elevada do que a do mercado farmacêuticocomo um todo, como mostra o Quadro 2.6.Quadro 2.6 - Crescimento do mercado de fitoterápicos em países selecionados em 1993País %Espanha 35Alemanha 15Itália 11Reino Unido 10Fonte: Nicolas Hall Company (1994)O Quadro 2.7 mostra que esse crescimento, além de expressivo, é bastante generalizado:Quadro 2.7 - Taxas de crescimento anual por região (%)Região Crescimento Crescimento Projeção 1985-1991 1991-1992 1993-1998EUA 10 12 12União Européia 10 5 8Resto da Europa 12 8 12Japão 18 15 15Sudeste da Ásia 15 12 12India e Paquistão 12 15 15Fonte: The Herbal Medical Database 1993, apud Jörg Grünwald (1995)Um fator importante para e xplicar esse dinamismo é o aparecimento da “onda verde”. Desde o finaldos anos 60, com o movimento hippie, grupos diferenciados da sociedade começaram a buscarmodos de vida mais em harmonia com a natureza e processos e produtos mais naturais. Nos anos80, o mercado de consumo na Europa e EUA absorve esta tendência que leva a sociedade a exigiralimentos sem contaminação de pesticidas e outras substâncias tóxicas. Este movimento dasociedade conhecido como “onda verde” (green wave) está ampliando significativamente ointeresse em produtos terapêuticos derivados de plantas como uma alternativa “natural” aosmedicamentos sintéticos com sua costumeira lista de efeitos colaterais. Os consumidores típicosdessa medicina complementar, a maior parte deles com níveis educacionais e de renda acima damédia (Jörg Grünwald, 1995), crêem que ela pode aumentar a resistência a doenças. Esta “onda”tem levado empresas de distribuição de plantas medicinais na Europa a buscar em toda parte“produtos novos” para atender o mercado em expansão, inclusive para aplicação em cosméticos. 9
  11. 11. Características do mercadoA Europa é bastante representativa do mercado global de fitoterápicos, respondendo poraproximadamente metade das vendas registradas no mundo3. Naquela região, os medicamentosoriginados de plantas distribuem-se pelas principais categorias terapêuticas conforme o Gráfico 2.1.Gráfico 2.1 - Categorias terapêuticas de fitomedicamentos na Europa Tônicos Outros 14% 12% Hipnótico/sedativo 9% Uso tópico Cardiovascular 7% 28% Respiratório 15% Digestivo 15%Fonte: Jörg Grünwald (1995)O mercado é, portanto, razoavelmente bem distribuído entre as classes terapêuticas, analogamenteao mercado farmacêutico em geral (o que não significa que as distribuições entre ambos sejam asmesmas). A predominância dos produtos com efeito cardiovascular também é coerente com oquadro nosológico do mundo desenvolvido, onde as doenças crônico-degenerativas ganhamimportância com o progressivo envelhecimento da população.Um fato muito importante com relação ao mercado de fitoterápicos é a entrada de novosparticipantes, notadamente grandes empresas farmacêuticas. Isto está associado ao ponto levantadoacima acerca da aproximação ao mainstream. Na Europa o recurso à medicina complementar estáem franco progresso, sendo que os fitomedicamentos bem documentados cientificamente são cadavez mais aceitos e apreciados por pacientes e médicos. Na Alemanha, em particular, mais de 80%dos médicos utilizam regularmente medicamentos a base de plantas. O Tebonin (extrato de Ginkgobiloba), da Dr. Schwabe’s, principal produtora alemã de fitoterápicos, é o produto farmacêuticomais vendido naquele país.3 Vale observar que boa parte do comércio de fitoterápicos nos países periféricos não é formalizado. Considerandoainda que esses países devem consumir proporcionalmente mais fitoterápicos que os países desenvolvidos, pode-seconcluir que o valor das vendas registradas no mundo está subestimado. 10
  12. 12. Nos EUA, apesar de o próprio Departamento de Comércio ter observado que desde os anos 60 aindústria de herbal products vem deixando sua posição marginal, a situação ainda difere bastante. Amedicina complementar e a medicina convencional continuam pertencendo a mundos distintos.Mas, como aponta Jörg Grünwald (1995), essa situação deve mudar rapidamente à medida que asautoridades de saúde daquele país vão se apercebendo da crescente demanda da população poralternativas seguras de tratamento médico. As diferenças que ainda permanecem podem serilustradas pela Figura 2.1.Figura 2.1 - Medicinas convencional e complementar nos EUA e Europa EUA Medicina convencional Fito Medicina medicamentos complementar Europa Medicina convencional Fito Medicina medicamentos complementarFonte: Jörg Grünwald (1995)Como sugere o esquema acima para o caso europeu, “fitomedicamentos podem ser vistos comofechando a brecha entre a medicina complementar de base tradicional e a medicina convencionalaltamente científica” (Jörg Grünwald, 1995). Como mostra a Figura 2.1 esta ligação é melhorestabelecida no sistema de saúde europeu. Na Alemanha, por exemplo, 80% dos médicosprescrevem regularmente preparações fitoterápicas. Na Europa a fitoterapia vem crescendosignificativamente, como mostrado no Quadro 2.7, revelando uma aceitação cada vez maior não sódos pacientes mas também dos médicos. Já nos EUA a situação da medicina convencional e dafitoterápica é de flagrante separação, sendo esta última compreendida como uma medicina à parte, 11
  13. 13. apenas complementar. Esta situação de confronto tem raízes históricas e na desinformação por partedos médicos americanos.Mudanças na estrutura da indústria de fitoterápicosA aproximação entre as duas práticas médicas acima mencionada é uma das razões principais para omovimento que se observa desde a década passada das grandes multinacionais farmacêuticasadquirindo empresas produtoras de fitoterápicos. O Quadro 2.8 mostra as recentes incorporaçõesdestas últimas por companhias do setor farmacêutico.Quadro 2.8 - Aquisições recentes de empresas de fitoterápicos por multinacionais farmacêuticasMultinacional farmacêutica Empresa produtora de fitoterápicosAmerican Home Products Dr. Much (Alemanha)Boehringer Ingelheim Pharmaton (Suíça) Quest (Canadá)Boots Kanoldt (Alemanha)Bausch and Lomb Dr. Mann (Alemanha)Ciba-Geigy Valverde (Suíça)Degussa Asta Medica (Alemanha)Ferrosan Healthcrafts (Reino Unido) Nature’s Best (Reino Unido)Fujisawa Klinge Pharma (Alemanha)Hoechst Iberica S.A. Laboratórios Veterin S. A.Johnson & Johnson/Merck Woelm Pharma (Alemanha)Merck & Co. Britcair Ltd. (Reino Unido)Pfizer Mack (Alemanha)Rhône-Poulenc Rorer Nattermann (Alemanha)Sandoz Dietisa S. A. (Espanha)Sanofi Plantorgan (Alemanha)Searle Heumann (Alemanha)SmithKline Beecham Fink (Alemanha)Solvay Kali Chemie (C)Fontes: Jörg Grünwald (1995) e McAlpine, Thorpe & Warrier (1992)Um grande número de multinacionais farmacêuticas já vendia medicamentos de plantas, como sepode ver no Quadro 2.9:Quadro 2.9 - Vendas de fitoterápicos de empresas farmacêuticas selecionadas Empresa farmacêutica Vendas de fitoterápicos em 1990 (US$ milhões)Rhône-Poulenc Rorer 52Johnson & Johnson 25-30Fujisawa 22Fisons 22Sanofi/Sterling 21Sandoz 9Fonte: Scrip, nº 1756, set/92 12
  14. 14. A novidade está no maior envolvimento dessas empresas com a indústria de fitomedicamentos,expandindo a atuação nessa direção e/ou adquirindo empresas já existentes.Não menos importante é o efeito dessa entrada das multinacionais farmacêuticas em termos derevolucionar as técnicas de marketing e distribuição do setor de medicamentos de plantas. Muitasempresas desse segmento adquiriram sofisticada capacitação tecnológica mas não dispõem decapital para comercializar seus produtos em nível mundial. Surge então uma oportunidadevislumbrada pelas companhias farmacêuticas que compram essas empresas, rebatizam seusprodutos e fazem seu marketing e comercialização através da enorme rede de que já dispõem.O resultado esperado é, portanto, uma maior profissionalização da área de produtos naturais,reforçada pela abordagem crescentemente científica que vem recebendo. Diversos desses produtoscomeçam a ser licenciados para venda no mercado ético, que exige prescrição médica, a partir deestudos científicos. Por exemplo, o “Efamol” (óleo de Evening Primrose), para tratamento deeczema, a partir de pesquisas da equipe de Sir James Black (Prêmio Nobel por suas pesquisas combeta-bloqueadores na ICI). É também o caso do “Kwai Garlic”, para manutenção da circulação dasartérias coronárias, cuja validade foi sustentada por mais de vinte testes clínicos na Europa.Em suma, a indústria internacional de fitoterápicos está passando por um processo de transformaçãoimportante. Além da expansão do mercado de seus produtos, está havendo uma aproximação daspráticas das empresas farmacêuticas tanto no que diz respeito a atividades técnicas e científicascomo nas de produção e marketing. Aliás, em diversos casos essa aproximação tem sido causadasimplesmente pela absorção de empresas tradicionais de fitoterápicos por grandes multinacionais dosetor farmacêutico.A principal lição que parece ficar desse processo é a de que a fase do “amadorismo” na área dosprodutos naturais está sendo deixada para trás rapidamente. É bastante provável que as empresasque não promoverem mudanças no sentido apontado enfrentem dificuldades de sobreviver no futuroou, na melhor das hipóteses, deixem de usufruir do dinamismo que deverá continuar caracterizandoo mercado de fitomedicamentos pelos próximos anos.2.3 A produção brasileira de medicamentos a partir de plantas medicinaisCabe agora mostrar o quadro nacional na área de fitoterápicos e fitofármacos. Inicialmente, vamosapresentar alguns dados básicos a respeito de faturamento, comércio exterior, principais produtos eprodutores. Ao final, buscaremos avaliar como esse quadro pode ser impactado pelas mudançasinternacionais discutidas acima. 13
  15. 15. Em 1994 as vendas de medicamentos em farmácia somaram US$ 3.831 milhões, dos quais US$ 212milhões, em torno de 5,5% daquele valor, correspondiam a produtos contendo exclusivamenteprincípios ativos de origem vegetal (ver Anexo 3). Tomando como base esse percentual econsiderando um mercado global de produtos farmacêuticos de US$ 6.410 milhões naquele ano4,chega-se a US$ 355 milhões como estimativa do mercado de medicamentos produzidos a partir deplantas no Brasil. Se incluirmos ainda os medicamentos com princípios ativos de origem vegetalassociados a princípios ativos de outra natureza podemos concluir que o mercado é ainda maior doque esta estimativa 5.Como mostra o Quadro 2.10, os 25 principais medicamentos contendo apenas princípios ativos deorigem vegetal venderam em farmácias US$ 145 milhões (representando 68% do total de vendasdesse tipo de produto).4 A diferença de US$ 2.579 milhões entre o mercado global de US$ 6.410 e os US$ 3.831 milhões vendidos emfarmácia corresponde a consumo em hospitais e postos de saúde, distribuição governamental, etc.5 As vendas de medicamentos associados somadas às vendas dos não-associados chega a 15,6% do total, o querepresentaria vendas globais de US$ 999 milhões. Mas esse número significaria uma estimativa exagerada do mercadode produtos obtidos a partir de plantas já que nos medicamentos associados estes podem ter uma participação marginal. 14
  16. 16. Quadro 2.10 - Medicamentos com princípios ativos de origem vegetal vendidos em farmácias PRODUTO LABORATORIO US$ mil (*)VICK VAPORUB LEP.M BIOLAB/SEARLE 14.742HYDERGINE SANDOZ 14.374FLORATIL MERCK S.A. 11.560DIGOXINA WELLCOME ZENECA 10.459TEBONIN BYK QUIMICA E FARM 8.399VENOCUR TRIPLEX KNOLL 8.391TAMARINE BARRENNE 7.379TANAKAN KNOLL 6.136TRANSPULMIN ASTA MEDICA 5.766VALDA CANONNE 5.687EPAREMA BYK QUIMICA E FARM 5.662NATURETTI MERRELL/LEPETIT 5.050PASSIFLORINE MILLET-ROUX 5.043GIAMEBIL HEBRON 3.823METAMUCIL BIOLAB/SEARLE 3.544NICOTINELL TTS BIOGALENICA 3.424TANAKAN F KNOLL 3.334CHOPHYTOL MILLET-ROUX 3.314BUSCOPAN BOEHRINGER ANGELI 3.195LEGALON BYK QUIMICA E FARM 3.110POLYTAR STIEFEL 2.753PASALIX MARJAN 2.421AGIOLAX BYK QUIMICA E FARM 2.409PROSTEM PLUS BALDACCI 2.396HYDROCARE ALLERGAN-LOK 2.336 Total 144.707(*) Vendas em farmácia de medicamento contendo um ou mais princípiosativos de origem vegetal exclusivamenteFonte: IMS, 1994.Com respeito ao comércio exterior, como se pode observar no Quadro 2.11, as exportaçõesbrasileiras de produtos naturais em 1995 e 1996 foram de US$ 47,8 milhões e US$ 53,9 milhões,respectivamente.Essas vendas ao exterior estão fortemente concentradas em apenas dois fitofármacos - pilocarpina erutina -, que respondiam por 57% do total em 1995 e 48% em 1996 (vide Anexo 4). Seconsiderarmos que o Grupo Merck é o grande exportador de rutina e pilocarpina, podemos inferirque a concentração também é alta em termos do número de exportadores (um único grupo industrialresponde por grande parcela do total exportado de produtos naturais). 15
  17. 17. Quadro 2.11 - Exportações de produtos de origem vegetal aplicados a medicamentos CAPÍTULO NBM 1995 1996 US$FOB US$FOBCAP. 12 – SEMENTES E FRUTOS OLEAGINOSOS; GRÃOS SEMENTES E 5.757.699 5.855.260FRUTOS DIVERSOS; PLANTAS INDUSTRIAIS OU MEDICINAIS; PALHAS EFORRAGENSCAP. 13 - GOMAS RESINAS E OUTROS SUCOS E EXTRATOS VEGETAIS 3.647.512 7.490.165CAP. 29 - PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS 30.789.912 34.082.718CAP. 30 - PRODUTOS FARMACÊUTICOS 7.205.023 6.331.910CAP. 35 - M ATÉRIAS ALBUMINÓIDES, PRODUTOS À BASE DE AMIDOS 433.963 104.395OU DE FÉCULAS MODIFICADAS; COLAS; ENZIMASTotal 47.834.109 53.864.448Fonte: SecexComo mostra o Quadro 2.12, as importações brasileiras de produtos naturais foram de US$ 193,3milhões em 1995 e US$ 178,0 milhões em jan-out/1996.Essas importações estão melhor distribuídas por diversos produtos. O único item que ultrapassa10% do total nos dois anos é o Acetato de ciproterona (vide Anexo 4).Quadro 2.12 - Import ações de produtos de origem vegetal aplicados a medicamentos CAPÍTULO NBM 1995 1996 (Jan-Out) US$FOB US$FOBCAP. 12 - SEMENTES E FRUTOS OLEAGINOSOS; GRÃOS SEMENTES E 4.401.979 3.827.216FRUTOS DIVERSOS; PLANTAS INDUSTRIAIS OU MEDICINAIS; PALHAS EFORRAGENSCAP. 13 - GOMAS RESINAS E OUTROS SUCOS E EXTRATOS VEGETAIS 19.461.961 18.122.378CAP. 29 - PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS 160.700.015 147.398.934CAP. 30 - PRODUTOS FARMACÊUTICOS 7.671.632 8.434.958CAP. 35 - MATÉRIAS ALBUMINÓIDES, PRODUTOS À BASE DE AMIDOS OU 1.040.674 242.935DE FÉCULAS MODIFICADAS; COLAS; ENZIMASTotal 193.276.261 178.026.421Fonte: SecexChama a atenção a disparidade entre os níveis de exportação e importação registrados nos Quadros2.11 e 2.12. O Quadro 2.13, com o balanço comercial, mostra o déficit existente em quatro doscinco capítulos da NBM selecionados, com destaque para o capítulo 29 (Produtos QuímicosOrgânicos). 16
  18. 18. Quadro 2.13 - Balanço do comércio exterior para as categorias de produtos de origem vegetal aplicados a medicamentos CAPÍTULO NBM 1995 1996 (estimativa) US$FOB US$FOBCAP. 12 - SEMENTES E FRUTOS OLEAGINOSOS; GRÃOS SEMENTES E 1.355.720 1.262.601FRUTOS DIVERSOS; PLANTAS INDUSTRIAIS OU MEDICINAIS; PALHAS EFORRAGENSCAP. 13 - GOMAS RESINAS E OUTROS SUCOS E EXTRATOS VEGETAIS (15.814.449) (14.256.689)CAP. 29 - PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS (129.910.103) (142.796.003)CAP. 30 - PRODUTOS FARMACÊUTICOS (466.609) (3.790.040)CAP. 35 - MATÉRIAS ALBUMINÓIDES, PRODUTOS À BASE DE AMIDOS (606.711) (187.127)OU DE FÉCULAS MODIFICADAS; COLAS; ENZIMASTotal (145.442.152) (159.767.257)Fonte: SecexO Quadro 2.14 mostra as 25 maiores empresas por faturamento em medic amentos contendoexclusivamente princípios ativos de origem vegetal.Quadro 2.14 - 25 maiores empresas por vendas em farmácia de medicamentos contendo exclusivamente princípios ativos de origem vegetal Empresa Vendas Totais Vendas de m.o.v. (*) % das Vendas US$ mil US$ mil TotaisBYK QUIMICA E FARM 102.076 21.132 21BIOLAB/SEARLE 87.123 19.570 22KNOLL 80.673 17.861 22SANDOZ 99.358 14.671 15MERCK S.A. 72.999 12.770 17WELLCOME ZENECA 82.475 11.137 13MILLET-ROUX 16.018 9.386 59BARRENNE 8.371 8.371 100STIEFEL 33.544 6.574 20ASTA MEDICA 75.986 6.043 8CANONNE 5.687 5.687 100MERRELL/LEPETIT 132.672 5.050 4FRUMTOST 35.549 4.011 11HEBRON 10.209 3.968 39INFABRA 4.822 3.733 77VIRTUS 21.083 3.536 17BIOGALENICA 220.445 3.424 2BALDACCI 16.355 3.353 20CATARINENSE 10.854 3.339 31BOEHRINGER ANGELI 132.284 3.195 2MARJAN 19.155 3.017 16ALLERGAN-LOK 16.425 2.695 16BRISTOL MEYERS SQUIBB 252.847 2.530 1LUITPOLD 9.778 2.386 24FONTOVIT 3.287 2.229 68 Total Geral 1.550.075 179.668(*) Medicamento contendo um ou mais princípios ativos de origem vegetal exclusivamenteFonte: IMS, 1994. 17
  19. 19. A partir do Quadro 2.14, podemos montar os Quadros 2.15 e 2.16. No Quadro 2.15 estão 11empresas que figuram entre as 25 maiores empresas farmacêuticas por faturamento total (Quadro2.17), indicando que as grandes empresas têm forte presença no mercado de medicamentos obtidosa partir de plantas, com vendas variando entre 2,5 e 21 US$ milhões. Pode-se notar também que aparticipação desses medicamentos no total de vendas é pequena (máximo de 22%; 9% em média).O Quadro 2.16 é composto pelos 7 laboratórios cujas vendas de m.o.v. representam mais de 30%das vendas totais, isto é, por aqueles que estão mais fortemente direcionados parafitomedicamentos. Como se pode notar, são empresas farmacêuticas de menor porte, nenhuma das 7aparecendo na lista das 25 maiores.Quadro 2.15 - Empresas do Quadro 2.14 com vendas em farmácia superiores a US$ 70 milhões Empresa Vendas Totais Vendas de m.o.v. (*) % das Vendas US$ mil US$ mil TotaisBRISTOL MEYERS SQUIBB 252.847 2.530 1BIOGALENICA 220.445 3.424 2MERRELL/LEPETIT 132.672 5.050 4BOEHRINGER ANGELI 132.284 3.195 2BYK QUIMICA E FARM 102.076 21.132 21SANDOZ 99.358 14.671 15BIOLAB/SEARLE 87.123 19.570 22WELLCOME ZENECA 82.475 11.137 13KNOLL 80.673 17.861 22ASTA MEDICA 75.986 6.043 8MERCK S.A. 72.999 12.770 17(*) Medicamento contendo um ou mais princípios ativos de origem vegetal exclusivamenteFonte: IMS, 1994.Quadro 2.16 - Empresas do Quadro 2.14 com participação de m.o.v. nas vendas em farmácia superior a 30% Empresa Vendas Totais Vendas de m.o.v. (*) % das Vendas US$ mil US$ mil TotaisBARRENNE 8.371 8.371 100CANONNE 5.687 5.687 100INFABRA 4.822 3.733 77FONTOVIT 3.287 2.229 68MILLET-ROUX 16.018 9.386 59HEBRON 10.209 3.968 39CATARINENSE 10.854 3.339 31(*) Medicamento contendo um ou mais princípios ativos de origem vegetal exclusivamenteFonte: IMS 18
  20. 20. Quadro 2.17 - 25 maiores empresas farmacêuticas em vendas em farmácia EMPRESA US$ milBRISTOL MEYERS SQUIBB 252.847ACHE 237.700BIOGALENICA 220.445ROCHE 198.229WYETH 153.832MERRELL/LEPETIT 132.672BOEHRINGER ANGELI 132.284PRODOME 128.261LILLY 113.575SCHERING PLOUGH 105.493SANOFI WINTHROP 102.669BYK QUIMICA E FARM 102.076RHODIA 101.174SANDOZ 99.358HOECHST 94.648MERCK SHARP DOHME 88.483BIOLAB/SEARLE 87.123WELLCOME ZENECA 82.475KNOLL 80.673ASTA MEDICA 75.986MERCK S.A. 72.999CILAG FARM.LTDA 72.709ORGANON 67.697ABBOTT 65.777FARMASA 57.414 Total 2.926.599Fonte: IMSOs Quadros acima sugerem a existência de pelo menos dois grupos distintos de empresas entre asmaiores fabricantes de medicamentos de origem vegetal no Brasil. De um lado, grandes empresasfarmacêuticas, cujo peso nesse mercado específico na verdade reflete seu porte e atuação noconjunto da indústria farmacêutica. A maior parte de suas vendas (na média, mais de 90%)concentra-se em produtos sintéticos e a pequena parcela dos medicamentos de origem vegetal écomposta principalmente de produtos cujos princípios ativos são obtidos por extração(fitofármacos). De outro lado, estão os laboratórios menores, com produção direcionada maisfortemente para medicamentos de origem vegetal, entre os quais, possivelmente, seja maior aparticipação de fitoterápicos em relação a fitofármacos.As do segundo grupo são, de modo geral, pequenas e médias empresas familiares. Dentre estas,apenas algumas poucas se destacam pelo profissionalismo e seriedade com que atuam na área deprodutos naturais. Por exemplo, uma das empresas entrevistadas possui uma área de P&Destruturada, com 8 farmacêuticos, 2 químicos, 1 engenheiro químico e 3 técnicos, em grande 19
  21. 21. medida voltada para pesquisa em produtos naturais 6. Seu faturamento está na casa dos US$ 17milhões (1994), dos quais aproximadamente 65% correspondem a produtos naturais puros ouassociados (percentagem que vem crescendo continuamente desde 1990, quando atingia 45%). Essaempresa mantém acordos de cooperação com universidades, basicamente voltados para a realizaçãode pesquisas pré-clínicas e clínicas com o objetivo de comprovar a eficácia terapêutica dos produtose garantir sua qualidade e segurança desde o cultivo da planta até a extração dos princípios ativos.De todo modo, o exemplo acima deve ser encarado antes como a exceção do que a regra entre asempresas desse primeiro grupo.As do primeiro grupo não se distinguem de outras empresas farmacêuticas que trabalhamunicamente com produtos sintéticos. Costumam especializar-se em determinadas classesterapêuticas que, em certos casos, pode implicar um maior número de produtos de origem natural,sem restringir necessariamente o uso de moléculas obtidas por outros meios - síntese química oubiotecnologia. As principais empresas desse tipo são multinacionais que preferem privilegiar ummodelo que, sem descartar os fitofármacos, tem apreço relativamente pequeno pelos fitoterápicos.A principal restrição decorre da dificuldade de lidar com produtos que contenham uma grandequantidade de componentes, alguns dos quais, além de inefetivos, podem ser perigosos. Habituadasa um ambiente onde são severamente fiscalizadas pelas autoridades sanitárias, muitas empresasinternacionais preferem a segurança de trabalhar com substâncias isoladas, descartando osfitoterápicos.O exemplo da Merck é ilustrativo. A empresa, uma das mais importantes em produtos naturais dopaís, possui plantações próprias de jaborandi e de fava d’anta para extração da pilocarpina e rutina,que comercializa como substâncias puras, principalmente no mercado externo7. Entretanto, osprodutos naturais representam pouco mais de 20% das vendas da empresa, os sintéticos somandoquase 80%, segundo dados da empresa8.Esse ponto deve ser destacado na análise das dificuldades para desenvolver a produção demedicamentos a partir de produtos naturais. As firmas, de modo geral, encaram esse segmento6 As atividades incluem otimização dos processos de extração, processos de separação, isolamento, identificação edoseamento dos princípios ativos das plantas e do produto acabado, busca de comprovação científica das atividadesterapêuticas e segurança do produto, entre outras.7 Vale registrar a balança comercial positiva da Merck, atestada no Quadro 4, fato pouco usual na indústria farmacêuticabrasileira.8 O dado do Quadro 2.15, limitado a vendas em farmácia, é de 17% para vendas de produtos de origem vegetal. 20
  22. 22. como marginal e concentram-se fundamentalmente na produção de sintéticos. Uma grande empresafarmacêutica nacional, apesar de revelar um grande interesse na área de produtos naturais,acompanhando os desenvolvimentos internacionais, realiza menos de 3% de suas vendas com essesprodutos.Por outro lado, os laboratórios que concentram suas vendas (acima de 30%) em produtos naturaissão, quase sempre, pequenos e com baixa capacidade de investir no desenvolvimento da área. Nãopor acaso, a Portaria 123 de 1º de outubro de 1994 do Ministério da Saúde, regulamentando acomercialização de fitoterápicos, encontra forte resistência entre as e mpresas - com exceção de umaúnica, já mencionada acima como caso raro de empresa que investe em P&D e mantém acordos decooperação com universidades.O principal argumento utilizado pelas empresas questionando a Portaria é a dificuldade inerente aoprocesso de caracterização química e farmacológica dos princípios ativos contidos nos materiaisvegetais, o que exige tempo e recursos apreciáveis. Na verdade, essa reclamação atesta aincapacidade técnica e econômica dessas empresas para se enquadrar em um ambiente de maioresníveis de exigência, exagerados para os atuais padrões brasileiros, mas adequados ao quadrointernacional.Em síntese, vários problemas dificultam a atuação das empresas farmacêuticas brasileiras na área deprodutos naturais:1) O elevado grau de internacionalização da indústria farmacêutica (algo como 70% das vendaspertencem a empresas estrangeiras) define uma orientação dada pelas matrizes dessas grandesmultinacionais. Como vimos acima, de modo geral, essa orientação privilegia as substânciasisoladas e obtidas por síntese. Embora, como apontado na seção anterior, essas grandes firmasrevelem um interesse crescente pelos produtos naturais, os efeitos das mudanças em curso (como asaquisições do Quadro 2.8) ainda levarão algum tempo para repercutir no Brasil.2) São diminutos os investimentos em P&D. Isto também decorre, em parte, da orientação dadapelas grandes firmas internacionais. Estas tendem a concentrar suas atividades de P&D nasmatrizes, diversificando no máximo para um segundo centro (em geral na Europa, quando se tratade firmas americanas, e nos EUA, quando são firmas européias). As firmas nacionais, quetenderiam a fazer pesquisa no país, simplesmente não têm porte suficiente para realizar osinvestimentos necessários (porte esse que, como apontado no capítulo 2, é cada vez maisexpressivo). Tudo isto acaba favorecendo a aquisição de pacotes tecnológicos prontos. 21
  23. 23. 3) Os baixos investimentos em P&D limitam drasticamente a interação universidade-empresa. Nãoexistem mecanismos de comunicação eficientes entre essas instituições, a exemplo do que ocorrenos países desenvolvidos. Tecnologias simples, muitas vezes disponíveis na universidade, acabamnão se tornando acessíveis a empresas que teriam a possibilidade de explorá-las.4) É baixa a qualificação dos recursos humanos. A oferta de pessoal técnico de bom nível é muitorestrita e a disponibilidade de recursos das empresas para treinamento é limitada.5) Existem dificuldades no suprimento, armazenamento, padronização e cumprimento de prazos deentrega de matérias-primas. Os produtores de plantas medicinais não estão organizados e nãomantêm um controle botânico de qualidade adequado. Além disto, o extrativismo destrutivocompromete o abastecimento futuro e leva a adulterações frequentes.Concluindo, a indústria nacional necessita realizar um grande esforço para atingir os padrões dequalidade que estão sendo exigidos mundialmente e até mesmo no país, a partir de medidas como aPortaria 123. Em um primeiro momento as empresas podem considerar impossível o atendimentode todas as exigências da Portaria, mas o fato é que se não caminharem rapidamente na direção porela sinalizada estarão na contra-mão das tendências internacionais.A partir daí, pode-se imaginar alguns desdobramentos possíveis. Caso os investimentos dasempresas em pesquisa, melhor controle de qualidade, etc, não venham a ocorrer, a defasagem emrelação às empresas de fitoterápicos de outros países irá se ampliar. Como estas empresas estão seinternacionalizando, eventualmente associadas ou incorporadas a multinacionais do setorfarmacêutico, é razoável supor que o futuro da produção brasileira de fitomedicamentos dependerádiretamente das estratégias das grandes empresas. A exemplo do que já ocorreu no segmento demedicamentos sintéticos, tenderá a haver uma internacionalização da produção, com a atuação dasempresas nacionais restrita a nichos de mercado e com participação marginal. 22
  24. 24. 3. A PESQUISA DE MEDICAMENTOS A PARTIR DE PLANTAS3.1 O processo de desenvolvimento de novos medicamentosPlantas medicinais para pesquisa de novas drogasO rápido desenvolvimento da biotecnologia e da biologia molecular a partir da década de 70 pareciatornar obsoleto o método tradicional de pesquisa de novos medicamentos através do screening deextratos de plantas. A compreensão dos mecanismos causadores das enfermidades em nívelmolecular e a capacidade de desenhar proteínas, com auxílio de novas ferramentas computacionaisque também se desenvolviam rapidamente, abria a perspectiva de sintetizar novas drogas com muitomaior eficácia, partindo apenas do saber científico acumulado. Por conta disto, diversas empresasfarmacêuticas redirecionaram seus esforços de pesquisa, assignando um papel secundário aoscreening.Essa percepção do screening como método ultrapassado, ou em vias de obsolescência, vêm serevelando precipitada nos anos recentes. Observa-se uma retomada por parte das empresas daspesquisas que partem de plantas medicinais, até mesmo em função das novas técnicas disponíveis.Novos ensaios biológicos, ditos robotizados, (High trougthput screening) permitem escrutinardezenas de milhares de compostos por ano com esforço muito menor do que o despendido nostestes tradicionais.Esse movimento de “volta às raízes” (Scientific American, jan/1993) também decorre dacomprensão de que a biotecnologia ainda não está em condições de competir com a natureza naformulação de moléculas com atividade terapêutica: “Nós ainda não atingimos o avanço científico que permita desenhar drogas rotineiramente a partir de princípios básicos, sem quaisquer pistas” (Lynn Caporale, diretor de avaliação científica da Merck, citado em Science, vol. 256, 22/5/1992).As empresas internacionais não esperam “descobrir” novos compostos de uso terapêutico a partir deplantas medicinais, ainda que isto tenha uma pequena chance de ocorrer. Elas procuram, naverdade, modelos na natureza (templates) que lhes permitam utilizar como ponto de partida para odesenho de drogas. Trata-se, portanto, de uma combinação de técnicas novas com o screening, enão a sua substituição.A SmithKline Beecham acaba de lançar no mercado um medicamento derivado de planta, otopotecam, para tratamento de câncer no ovário (FSP, jun/96). Essa droga é um análogo do 23
  25. 25. camptotecin, um composto extraído de árvores na China e na India (Camptotheca acuminata),descoberto nos anos 60 pelo Instituto Nacional do Câncer e considerado muito tóxico para tratarpacientes de câncer. A SmithKline e a Rhône-Poulenc criaram a partir da C. acuminata produtossimilares, solúveis em água, e menos tóxicos.A Glaxo também está estudando análogos do camptotecin e está pesquisando novas plantasmedicinais como parte de um consórcio de pesquisa com a Universidade de Illinois, Chicago, umdos mais importantes centros acadêmicos na área.O enfoque dessas grandes empresas farmacêuticas está na identificação de princípios ativos, e nãona utilização direta de plantas medicinais. Estas podem eventualmente ser a matéria-prima paraextração das substâncias puras (fitofármacos), embora as empresas naturalmente busquemdesenvolver métodos de síntese. Mas o que deve ser sublinhado aqui é a importância renovada dasplantas medicinais na descoberta desses novos princípios ativos, seja por utilização direta, hemi-síntese ou síntese.Das 250.000 espécies de plantas no mundo, menos de 10% foram exaustivamente investigadas comvistas ao descobrimento de propriedades terapêuticas (Scientific American, jan/93 - segundo outrasestimativas, o número de plantas investigadas é muito menor, inferior a 0,5%). A pesquisa desseenorme acervo, longe de ser relegada a segundo plano, ganha impulso com as novas técnicasbiotecnológicas.Em um trabalho que busca estimar o valor de fármacos ainda não descobertos nas florestastropicais, onde se encontram metade das plantas do mundo, Mendelsohn e Balick (1995) calculamem 375 o número potencial de drogas existentes naquelas florestas. Desse total, 47 já teriam sidodescobertas, como a vincristina, vinblastina, curare, quinino, codeína e pilocarpina.Esta seguramente é uma das razões para que 125 das maiores empresas farmacêuticas mundiais, quenão tinham qualquer projeto com plantas medicinais há cerca de 15 anos, estejam agoraempenhadas em pesquisas nessa área.O desenvolvimento de novos medicamentos e as competências requeridasA Figura 3.1 mostra esquematicamente como são pesquisados, desenvolvidos, testados, produzidose formulados medicamentos, incluindo o estudo de marketing. O esquema pode ser aplicado aoestudo integral de plantas medicinais visando novos medic amentos.Os conjuntos A e B existem eventualmente nas universidades, o conjunto C na indústria química e oconjunto D na indústria farmacêutica. Em nenhuma empresa, instituto de pesquisa ou universidade 24
  26. 26. estão presentes todos os quatro conjuntos, o que sublinha a necessidade de articulação e integraçãoentre esses distintos elementos.Existem inúmeras dificuldades no percurso que vai da idéia de um medicamento até o mercado:tempo longo, custo alto, necessidade de domínio de tecnologias avançadas e de equipes bemtreinadas e multidisciplinares. Isto faz com que apenas empresas grandes, competentes e comgrande disponibilidade de recursos para investimento desenvolvam medicamentos. 25
  27. 27. Figura 3.1 - a produção de novos medicamentos: da idéia ao mercado Idéia A ê Pesquisa em laboratório î ê Screening B P&D ê ê C Ensaios pré-clínicos Produção piloto ê Ensaios clínicos ê í Produção industrial ê Formulação D ê marketing MercadoTomemos como exemplo as metodologias de P&D de medicamentos (que podem ser aplicáveis àP&D de qualquer outro produto derivado do metabolismo secundário de plantas, sejam inseticidas,cosméticos, corantes, etc.). Desde a idéia inicial até o produto ser colocado no mercado, consome-se entre 7 a 20 anos. A média dos últimos anos (McChesney, 1993) atingiu 12,6 anos nos EUA esegundo outras fontes o valor pode chegar a US$ 600 milhões/medicamento, aí incluídos os custoscom marketing, e demorados estudos biológicos, conforme já apontado na seção 2.1. Esses 26
  28. 28. números indicam que essa atividade é restrita a poucas e grandes empresas multinacionaisfarmacêuticas.Vários pesquisadores afirmam que quando um medicamento é originado de plantas medicinais ocusto pode ser bem menor. McChesney (1993) mostra que um produto desenvolvido na Universityof Mississipi, Research Institute of Pharmaceutical Sciences custou US$ 35 milhões.Os 4 conjuntos A, B, C e D (Figura 3.1) raramente são executados pelo mesmo organismo mesmona área empresarial. Na China há informações de que isto é algumas vezes realizado com base emdecisões políticas de governo.No Brasil a P&D e produção piloto (conjunto C) raramente são realizadas, exceções feitas aalgumas cópias de medicamentos sintéticos comerciais, desenvolvidas no passado pela Codetec ealgumas poucas empresas brasileiras.A multidisciplinaridade e a interinstitucionalidade são fatores exigidos se se pretende desenvolvermedicamentos à base de plantas, principalmente fitofármacos.Existe uma razoável capacitação técnica, mas a interação entre os atores principais é muitodeficiente.Joint-venture para a descoberta de fitofármacosNos anos 90 as companhias farmacêuticas se lançaram fortemente nas cooperações para adescoberta de novos produtos farmacêuticos (Drug Discovery Alliance).Empresas médias fizeram aquisições, fusões, mas sobretudo joint-ventures e acordos de cooperaçãopara conseguir seus objetivos e metas.Metodologia para a descoberta de fitofármacosVários métodos são usados por empresas internacionais farmacêuticas para a pesquisa demedicamentos de plantas medicinais: • Etnofarmacologia • Triagem e Erro • Estudos Micromoleculares • Busca em Banco de Dados 27
  29. 29. A etnofarmacologia é uma ciência ainda mal desenvolvida e mal compreendida no Brasil, onde hápoucos profissionais que se definem como etnofarmacólogos e a disciplina praticamente não existenos cursos de pós-graduação. Além isso é pouco acreditada por amplos setores da ciência oficial.No entanto a etnofarmacologia é um elemento metodológico hoje fundamental para empresas dosEUA e Europa buscar medicamentos de plantas nos trópicos.A empresa inglesa Hutton Molecular Development e a Shaman Pharmaceuticals dos EUA, adotam aetnofarmacologia para a sua estratégia de pesquisar medicamentos. O NIH nos anos 90 publicouum edital internacional o seu interesse de pesquisar plantas medicinais das áreas tropicais paraAIDS e Câncer .O mais interessante é que o edital exigia a pesquisa de informações diretamentecom curandeiros e outros profissionais não reconhecidos pela ciência ortodoxa.Com relação aos estudos micromoleculares, são quase sempre estudos de fitoquímica clássica:extração, isolamento, purificação e identificação de substâncias naturais de plantas. São tambémchamados, “estudos de substâncias do metabolismo secundário”, como os alcalóides, glicosídeos,esteróides, terpenos, flavonóides, e outras moléculas de baixo peso molecular (< 1000), e quefrequentemente são os princípios ativos das plantas medicinais.Os estudos micromoleculares aliados a botânica algumas vezes são advogados (Gottlieb, 1993)como uma metodologia alternativa para a busca de fitofármacos. No entanto, não foi demonstrado,até agora, que esta metodologia possa substituir os meios ortodoxos como a etnofarmacologia eetnobiologia aliada à busca on-line em banco de dados.Banco de dados bem organizados e acessíveis como o NAPRALERT da Univ. de Illinois (Prof. N.Farnsworth), tem sido usados por importantes empresas estrangeiras na área de Produtos Naturais,para a descoberta (drug discovery) de novos medicamentos (Seidl, 1993)Triagem e erro e estudos micromoleculares têm sido usados em pequena escala por empresasfarmacêuticas usando medicamentos naturais.No Simpósio Brasileiro de Plantas Medicinais, sediado em Florianópolis, em setembro de 1996, oDr. Michael Tempesta, da empresa Farmacêutica LAREX (EUA), informou que sua empresa estáfazendo um amplo estudo fitoquímico de plantas farmacologicamente ativas. Larex desenvolveuum processo quimio-mecânico que permite o isolamento e a separação em larga escala (tons deplantas/hora) de 200 até 500.000 diferentes moleculas de baixo peso molecular(<1000amu). Decada planta é possivel retirar 100 diferentes moleculas que serão oferecidas a empresasfarmacêuticas para o desenvolvimento de ensaios biológicos. Este é um exemplo de empresa que 28
  30. 30. poderia proliferar no Brasil, já que, como veremos, não falta ao país competência científica, masobjetivos e metas.3.2 A pesquisa científica em plantas me dicinais no BrasilInfraestruturaO Brasil possui a maior base universitária e técnica das Américas, excluindo os EUA. Nossoscientistas publicam nas melhores revistas internacionais. O sistema de pós-graduação tem bomnível, com 36.000 bolsas de estudos no país e 4.000 no exterior (Barreto de Castro, 1993).Há uma inegável capacitação científica, nas áreas de química de produtos naturais (pelo menor 900profissionais) e farmacologia (pelo menos 1500 outros), que permite o desenvolvimento defitofármacos. As outras áreas afins como medicina, botânica, farmácia e engenharias, estãoigualmente bem qualificadas e em número adequado.São aproximadamente 70 os grupos lidando com a pesquisa de produtos naturais no Brasil,especializados em química e farmacologia. Alguns destes grupos estudam especificamente plantasmedicinais.RecursosEmbora regrados, nos últimos anos os recursos para a pesquisa de plantas medicinais existem, comose pode observar pelo que foi dispendido pela CEME-MS desde a sua criação.Em 1995 o MCT teve um orçamento de US$ 1 bilhão, sendo US$ 550 milhões atribuídos ao CNPq.Outros recursos para a pesquisa científica foram fornecidos pelas FAP’s, FINEP, CAPES, FIPEC,PADCT, e outros internacionais. No capítulo 4 estão indicados os valores destinados à área deprodutos naturais e afins. Infelizmente, não foi possível destacar desse total quanto foi alocado paraa pesquisa de plantas medicinais.O parque de equipamentos analíticos nas universidades brasileiras é, em alguns casos, equivalenteaos das melhores universidades estrangeiras.Apesar dessa razoável base científica, a distância necessária para realizar P&D de compostos bio-ativos é ainda muito grande. Conforme apontado acima, os custos de desenvolvimento são muitoaltos, o tempo é longo e são exigidas equipes multidisciplinares e competentes para a tarefaespecífica. Devido à complexidade e custo para colocar um novo medicamento no mercado, quasesempre são as multinacionais as que conseguem desenvolver novos produtos farmacêuticos. O fator 29
  31. 31. limitante, e isto transparece das entrevistas feitas, não são os recursos alocados mas outros fatorescomo a vontade política de fazer medicamentos e a cooperação entre grupos multidisciplinares.Base técnico-científica brasileiraA universidade brasileira é o centro de pesquisas e eventualmente do desenvolvimento demedicamentos de plantas medicinais. As empresas brasileiras, como vimos na seção 2.3, nãoapresenta capacidade de pesquisa na medida das necessidades do setor.Sem dúvida, a massa crítica capaz de desenvolver pesquisas em plantas úteis/medicinais está nasuniversidades (Redwood, 1995). As universidades e institutos de pesquisa brasileiros, apesar dasdificuldades, têm contribuído fortemente para a descoberta de novas moléculas que poderão vir aser aproveitadas para a pesquisa fitofarmacêutica de plantas medicinais.Os modernos métodos de prospecção disponíveis hoje para a identificação de micromoléculas(Gottlieb, 1993) assim como outras metodologias químicas permitiram um avanço considerável nosúltimos anos, levando à descoberta de protótipos (synthons e templates), moléculas modelo para aprodução de fitofarmacêuticos.Muitas patentes que deram origem a medicamentos hoje comercializados por empresasmultinacionais tiveram origem em universidades brasileiras, através de pesquisas financiadas pelogoverno brasileiro (Gottlieb, 1980; Pharma 1994; Napralert, 1995).Inclusive, muitas plantas que não são consideradas medicinais podem vir a ser a base de novasmoléculas biologicamente ativas, se exploradas dentro de um programa adequado voltado para aP&D e produção de novos fármacos (Barata, 1976 e 1994). Para um programa deste tipo énecessário um trabalho multidisciplinar, envolvendo botânicos, biólogos, farmacológos, médicos,agrônomos, economistas, químicos e engenheiros químicos, mas ainda isto não é suficiente. Énecessário uma metodologia adequada e objetivos e metas bem definidas.Não existem no Brasil institutos de pesquisa como a Caltech e o MIT (EUA), ou de apoio como oBTG (Inglaterra), dirigidos à pesquisa aplicada/tecnológica, e a universidade brasileira, cujacompetência para produzir recursos humanos é inegável, não revela o mesmo dinamismo napesquisa aplicada. Entretanto, ela poderia ser mobilizada nesta direção, como indicam os cerca de70 grupos de pesquisa em química e farmacologia de produtos naturais no Brasil que poderiamparticipar do esforço da produção de medicamentos no país (Quadro 3.1). 30
  32. 32. Quadro 3.1 - Grupos de pesquisa em química de produtos naturais, botânica e farmacologia.Amapá IRDA - ex-Icomi, atual Grupo CAEMI Museu Costa Lima SEPLAN Gov. EstadoPará UFPa - Depto. Química POEMA - Eng. Química MPEG - Museu Paraense Emílio Goeldi Instituto Evando Chagas Embrapa - PAAmazonas INPA (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazonia) UFAm Embrapa - AMCeará UFCe - Inst. Química Instituto de Biologia PADETEC Embrapa - CEParaíba UFPb: IQ e LTF (Laboratório Tecnologia Farmacêutica) UFPb – FCM (Faculdade de Ciências Médicas)Pernambuco UFPe: IQ e Instituto de Antibióticos Embrapa – PEAlagoas UFAL - Grupo de BiotecnologiaBahia UFBa-IQ EMBRAPA-BAMinas Gerais UFMG: IQ e Fac. Farmácia Univer.Fed. Viçosa FIOCRUZ Inst. Reneé Rachou Embrapa-M GBrasília UNB-IQ CENARGEM EMBRAPARio de Janeiro UFRJ: NPPN; Instituto Carlos Chagas e Instituto Biofísica FIOCRUZ-RJ UFF-IQ UFRRJ-Rural UERJ EMBRAPA-RJSão Paulo USP- SP: IQ; IB; Fac. Farmácia; RP- USP-RP: Fac. Farmácia e FCM USP – S. Carlos UNESP: Botucatu e Araraquara UNESP- ESALQ-Piracicaba UNICAMP: IQ; IB; FCM; HC;CPQBA e FEA - Lab. Óleos e Gorduras IAC-(Instituto Agronômico de Campinas) Grupos de Fitoquímica e Plantas Medicinais EPM (atual UFSP) EMBRAPA- Jaguariuna ITAL Instituto Butantã Instituto Adolpho Lutz Instituto Florestal Instituto Biológico UF São Carlos - IQ Univ. MetodistaPiracicaba-UNIMEPParaná UFPr: IQ e Fac. de Farmácia UE MaringáSanta Catarina UFSC - Depto. de Química e FarmacologiaRio Grande do Sul UFRGS: IQ e IB Sta MariaMato Grosso UFMT - Inst. Biologia 31
  33. 33. Goiás UFGoPerfil dos grupos de pesquisaNa área química, Seidl (1991) aponta que 27,6% dos orientadores de projetos atuam em químicaorgânica, e destes 31,2% estão em produtos naturais e 35,8% em sínteses orgânicas. A absolutamaioria (99,9%) seriam doutores em tempo integral na academia.São aproximadamente 45 os grupos de Fitoquímica no Brasil. (Quadro 3.1). Estão distribuídos peloNorte, Nordeste (15 grupos) Sudeste (25) e alguns poucos no Sul (5). Estão localizados sobretudonas universidades e apenas 10 em instituições governamentais e outras. Estão sediados sobretudonos institutos de química mas também em faculdades de farmácia, e mais raramente nos institutosde biologia. Na sua imensa maioria fazem parte do sistema de pós-graduação e como consequênciageram teses de mestrado e doutorado, além de publicações.A imensa maioria dos grupos é coordenada por pesquisadores seniors com titulação mínima dedoutor em ciência, muitos com pós-doutorado no exterior.São fitoquímicos com pós-graduação no país sendo formados em diferentes cursos de graduação,sobretudo química mas também farmácia e biologia além de outras.Das equipes fazem parte um vasto número de bolsistas de iniciação científica9, mestrandos,doutorandos e técnicos. Mas são raros os contratados como free-lancer para projetos específicos. Asbolsas de especialização são muito difíceis de obter e em S. Paulo o Programa RHAE-CNPq é sub-utilizado.As condições de trabalho variam enormemente, de laboratórios de excelente qualidade estrutural aoutros com condições até precárias. No entanto, a qualidade acadêmica do trabalho é boa, mesmo ados grupos abrigados em laboratórios que deixam a desejar.Os grupos de pesquisa de produtos naturais quase sempre fazem parte dos departamentos dequímica orgânica, distribuídos por 15 universidades e outras instituições governamentais. De fato,um terço dos orientadores na área de química orgânica pertence a grupos de produtos naturais(SEIDL, 1991)10.9 Em 1995, havia em todo o país aproximadamente 15.000 bolsistas de I.C. do CNPq e menos que 1000 da FAPESP.10 SEIDL, P.R. - Potencial da Pesquisa Química nas Universidades Brasileiras, Estudos e documentos no 17, CNPq(1991) 32
  34. 34. Há registro de apenas alguns poucos grupos de pesquisa e desenvolvimento de produtos naturaisligado a empresas ( ex.: CAEMI, ex-ICOMI, Brasmazon ,Estado do Amapá e Centroflora -SP). Écerto que outras empresas eventualmente fazem convênios ou contratos com universidades paraestudos específicos, mas estes dados não puderam ser levantados. Há ainda um c ompetente exemplona Universidade do Ceará (UFCe), coordenado p/ Prof. Afranio Aragão Craveiro, que instalouvárias empresas de Produtos Naturais numa incubadora dentro da Universidade. São empresas quejá tem produtos no mercado como a empresa Selachii. Muitos dos empresários são originados daárea de pesquisa da própria Universidade.Em Belém-PA, na UFPa, o Programa de Incubação de Empresas de Base Tecnológica, coordenadopelo Prof. Gonzalo Enriquez, é um caso interessante a citar por estar desenvolvendo a cooperaçãoUniversidade-Empresa na Amazônia. No entanto, este projeto, mesmo já tendo 5 empresasinstaladas no local, ainda está longe de ter o sucesso de sua correspondente na UFCe.Quadro 3.2 - Relações já existentes entre empresas -universidades na área de produtos naturaisempresa universidadeThe Body Shop UFPa, Dpto. QuímicaIRDA, CAEMI FEA-UNICAMP e Nucleo de Produtos Naturais da FIOCRUZ-RioLaboratório Catarinense UFSC, Dpto. Química e Farmacologia e UnicampRhodia CPQBA e IQ UNICAMP e UFPbAché UNICAMP – CPQBADiversas Empresas Incubadora de Empresas-UFPaDiversas empresas PADETEC, UFCePHYTOpharmaceuticals (EUA) ESALQ - Lab. Biotecnologia da ESALQ,Piracicaba3.3 Avaliação dos estudos experimentais com plantas medicinaisO item 3.2 mostrou que a pesquisa com produtos naturais no Brasil está praticamente vinculada àsinstituições universitárias, onde são desenvolvidas as pesquisas com plantas medicinais. Taisinstituições apresentam recursos técnicos e pessoal capacitado, além de razoável apoio financeiro.Baseado nesses fatos, nosso objetivo principal neste item 3.3, foi apontar, através de análise daspublicações em eventos nacionais, as linhas de pesquisa preponderantes, as instituições epesquisadores envolvidos, bem como a divulgação dos resultados em revistas internacionaisindexadas. 33
  35. 35. MetodologiaRealizou-se uma análise quantitativa dos trabalhos de pesquisa experimental com plantas medic-inais no Brasil, assim como as instituições que desenvolveram esses trabalhos e as áreas quedespertaram maior interesse nesse tipo de pesquisa. Para isso montou-se um banco de dados dostrabalhos publicados no Brasil que foram desenvolvidos em universidades, por pesquisadoresseniores, estudantes de graduação e pós-graduação.Como em qualquer área de pesquisa, esses trabalhos na sua maioria são divulgados em congressos esimpósios regionais e nacionais, sob forma de pôsters e/ou comunicações orais. Por isso, osnúmeros obtidos e os resultados apresentados em seguida são baseados em trabalhos coletados delivros de resumos de eventos de divulgação científica ocorridos a nível nacional, no período de1986 até 1995.Alguns resumos não foram computados devido a dificuldade de obtenção de alguns livros ou poralguns eventos não ocorrerem anualmente.Foram escolhidos todos os resumos nos quais constatou-se a presença de trabalhos experimentaiscom substâncias extraídas de plantas e que apresentaram uma possibilidade de aplicação futura nasdiversas áreas ligadas a saúde. Não foram datados resumos referentes à pesquisa em nutrição, ouaspectos de aproveitamento dessas plantas como alimento. A atenção voltou-se para os resumos dostrabalhos de pesquisa básica ou clínica que tiveram importância em farmacologia, toxicologia eterapêutica.Realizou-se o levantamento através da leitura e seleção de resumos publicados em 7 eventosnacionais importantes que apresentaram de trabalhos com plantas medicinais, dentre esses eventoscita-se:Congresso Nacional de Botânica - BOT.Reunião Anual da FESBE (Federação de Sociedades de Biologia Experimental) - FESBE.Congresso Nacional de Genética - GEN.Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química - QUI.Reunião Anual Sobre Evolução, Sistemática e Ecologia Micromoleculares - RESEM.Congressos da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência - SBPC.Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil - SPM. 34
  36. 36. Os quadros a seguir mostram a quantidade de resumos analisados, assim como os respectivos anos em que os trabalhos dos diversos grupos de pesquisa em plantas medicinais foram divulgados nos eventos científicos. Quadro 3.3 - Número total de resumos referentes a plantas medicinais classificados por congressos/simpósios e ano de publicação Classificação dos Resumos Nºde publicações Anos de Publicação BOT 47 1988,1989,1991,1994,1995 FESBE 655 1986,1987,1988,1989,1990,1991,1992,1993,1994, 1995 GEN 45 1990, 1993,1994, 1995 QUI 150 (1) 1992,1993,1994,1995 RESEM 85 1987,1988,1989,1994,1995 SBPC 475 1986,1987,1989,1990,1991,1992,1993,1994 SPM 506 (2) 1986,1988,1990,1994 OBS.: (1) Os resumos do congresso de química eram apresentados até o ano de 1991 junto com os da SBPC. (2) O congresso da SPM é bianual. Quadro 3.4 - Número de resumos referentes a plantas medicinais, em eventos nacionais por ano de publicação.NOME DOS ANO DE PUBLICAÇÃO NÚMERO DERESUMOS RESU MOS 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995BOT -- -- 05 07 -- 09 -- -- 16 10 047FESBE 32 39 54 57 64 86 78 79 37 129 655GEN -- -- -- -- 10 -- -- 23 12 -- 45QUI -- -- -- -- -- -- 31 23 35 60 150RESEM -- 19 30 17 -- -- -- -- 03 04 85SBPC 158 112 -- 173 07 02 02 11 10 -- 475SPM 81 -- 115 -- 114 -- -- -- 196 -- 506TOTAL 271 170 204 254 195 97 11 136 309 203 1 950RESUMOS 35
  37. 37. Os resumos analisados foram divididos em 4 grandes categorias destacando-se fitoquimica,toxicologia e farmacologia e ação em sistemas1. FITOQUÍMICA A.Substâncias Químicas Isoladas B. Screening Químico C. Ambos2. TOXICOLOGIA A. Geral B. Mutagênese C. Ambas3. FARMACOLOGIA A. InflamaçãoI. Antiinflamatórios/Antipiréticos.II. Antiinflamatórios/AnalgésicosIII. Antiinflamatórios/CutâneosIV. CicatrizantesV. Outros (Agentes Flogísticos) B- Anticancerígenos C- Antiparasitários/antibacterianos/antifúngicos. D- Antialérgicos4- ACÃO EM SISTEMAS A- Sistema CardiovascularI. Pressão Arterial, Freqüência CardíacaII. Coagulação/AteroescleroseIII. Infarto/PerfusãoIV. Outros B- Trato Gastro-Intestinal (TGI) 36
  38. 38. I Gastro-ProtetoresII. AntidiarréicosIV. Outros C- Sistema Nervoso Central (S.N.C.)I. AnticonvulsivantesII. AnalgésicosIII. NeuroprotetoresIV. PsicoestimulantesV. AntidepressivosVI. Outros D- Sistema Renal e UrogenitalI. Musculatura Lisa UrogenitaII. Filtração/Excreção/etc.III. Outros E- HepáticoI. Secreção/MetabolismoII. Outros F- Sistema RespiratórioI. Antiasmático/BroncodilatadorII. Outros G- Sistema ImunológicoI. Imunologia CelularII. Imunologia HumoralIII. Outros H- ReprodutorI. Fertilizantes 37
  39. 39. II. AnticoncepcionaisIII. Outros I- EndócrinoI. Eixo Hipotálamo-HipófiseII. GlândulasIII. OutrosResultadosSeguindo a ordem de classificação apresentada acima, os gráficos a seguir indicam o número deresumos distribuídos nas categorias que mais se destacaram - número de resumos superior a 20 - oque corresponde aproximadamente a 1% do total de resumos (1950). A percentagem quecorresponde ao número de resumos em relação ao total levantado apresenta-se entre parênteses.Também é mostrado número de resumos e o percentual das respectivas subdivisões dentro dascategorias analisadas. Os números indicativos das categorias de Antiparasitários / antibacterinos /antifúngicos e Antialérgicos, foram irrelevantes.Cada resumo classificado pode aparecer em mais de uma categoria, por exemplo: um resumo detrabalho publicado por um grupo de pesquisa que realizou a análise fitoquímica de uma planta, podesomar-se aos resultados de outros grupos que pesquisaram os efeitos toxicológicos das substânciasativas dessa planta, assim como as ações antiinflamatórias das substâncias isoladas. FITOQUÍMICA 1103 resumos (56,56%) "Screening" Ambos (93) químico (303) 8,43% 27,47% Substância química isolada (707) 64,10% 38
  40. 40. TOXICOLOGIA 187 resumos (9,59%) Mutagênese (57) Ambos (10) 30,48% 5,35% Geral (120) 64,17% INFLAMAÇÃO 235 resumos (12,05%) Antiinflamatório Antiinflamatório Agentes flogísticos antipirético (22) cutâneo (13) 6% (45) 10% Cicatrizantes (07) 20% 3,17% Antiinflamatório analgésico (134) 61%ANTICANCERÍGENOS 40 resumos (2,05%) ambos 49% in vivo 28% in vitro 23% 39
  41. 41. CARDIOVASCULAR 120 resumos (6,15%) Coagulação Infarto/Perfusão P. Arterial/F. Aterosclerose (16) (06) 12,50% Cardíaca (67) 33,33% 14,58% Outros (19) 39,58%TRATO GASTRO-INTESTINAL 136 resumos (6,97%) Antidiarréicos (22) 17% Outros (44) 35% Gastro-Protetores (60) 48% 40
  42. 42. SNC 112 resumos (5,74%) Psicoestimulan- Neuroprotetores tes (13) 12% (06) 5% Outros (05) 4%Anticonvulsivan- Antidepressivos tes (32) 28% (01) 0,88% Analgésicos (56) 49,56% RENAL/UROGENITAL 64 resumos (3,28%) Musculatura lisa urogenital (25) Outros (07) 40,98% 11,48% Filtração/ Excreção (29) 47,54% SISTEMA RESPIRATÓRIO 40 resumos (2,05%) Antiasmático (19) 44% Outros (24) 55,81% 41

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