Psi mediunidade

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  • 1. Psicologiae Mediunidade
  • 2. 1ª Edição Do 1º ao 5º milheiroCriação da capa: Objectiva Comunicação e Marketing Direção de Arte: Rafael Oliveira Foto da capa: Michel Ray Modelo de capa: Paulo Fagundes Revisão: Hugo Pinto Homem e Sílzen Furtado Copyright 2002 by Fundação Lar Harmonia Rua da Fazenda, 560 – Piatã 41650-020 atendimento@larharmonia.org.br www.larharmonia.org.br fone-fax: (071) 286-7796 Impresso no Brasil ISBN: 85-86492-11-6 Todo o produto deste livro é destinado à manutenção das obras da Fundação Lar Harmonia
  • 3. Adenáuer Novaes Psicologia e mediunidade FUNDAÇÃO LAR HARMONIA CNPJ/MF 00.405.171/0001-09 Rua da Fazenda, 560 – Piatã41650-020 – Salvador – Bahia – Brasil 2002
  • 4. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)Novaes, Adenáuer Marcos Ferraz de Psicologia e mediunidade. – Salvador: Funda-ção Lar Harmonia, 10/2002.173p. 1. Mediunidade. I. Novaes, Adenáuer MarcosFerraz de, 1955. - II. Título. CDD – 154.63 Índice para catálogo sistemático: 1. Mediunidade: Psicologia 154.63
  • 5. A mediunidade, antes de ser uma faculdade espírita, é umfenômeno do inconsciente perispiritual, cuja estruturação se deunos primórdios da evolução anímica, quando da passagem doanimal ao humano. “O Espiritismo anda no ar; difunde-se pela força mes-ma das coisas, porque torna felizes os que o professam.” AllanKardec. “O perispírito representa importantíssimo papel no or-ganismo e numa multidão de afecções, que se ligam à fisiolo-gia, assim como à psicologia.” Allan Kardec. Aos médiuns incompreendidos e incompreensíveis a si próprios.
  • 6. ÍndicePsicologia e mediunidade 9A subjetividade do mediúnico 13Definição de mediunidade 18Mediunidade e alegria 20Verifique se é hora de cuidar de sua mediunidade 22Pequenos exercícios práticos 25Aos psiquiatras 30Aos que lidam com desobsessão 35Aos psicólogos, terapeutas e curadores da alma 37Pequenas dificuldades e simples soluções 42Sinais e sintomas característicos da mediunidade 48Mediunidade e sintonia 52Fenômenos psíquicos resultantes 55Invasões psíquicas 58O eu cindido no fenômeno mediúnico 61Os complexos autônomos e a mediunidade 65Cuidados com o desenvolvimento 68Mediunidade e sonhos 72Alterações somáticas 75Mediunidade e gravidez 78Obsessão e transtornos psíquicos 80Características da obsessão nos médiuns ostensivos 84
  • 7. Desobsessão e psicoterapia 87Infância e mediunidade 91Adolescência e mediunidade 94Mediunidade institucional e caritativa 97Teste sua sensibilidade mediúnica 99Reuniões de desenvolvimento mediúnico 116Reuniões mediúnicas de desobsessão 119Como lidar com os espíritos 122Os maus espíritos ou obsessores 125Medo de espíritos desencarnados 128Inconsciente, intuição, pressentimento e mediunidade 131Diferenças entre anímico e mediúnico no psiquismo 134O proveito da mediunidade 138Mediunidade e sexo 141A mediunidade no feminino 144A mediunidade no masculino 146Mediunidade no solteiro e no casado 149Mediunidade e homossexualidade 152Mediunidade e conhecimento intelectual 156Mediunidade nos animais 159Mediunidade, mediunismo, magia e bruxaria 161Mediunidade e fluidoterapia 164Uso da mediunidade nas diversas situações da Vida 167Novas perspectivas 172
  • 8. Psicologia e mediunidade Este livro foi escrito no solo de seis países quando em via-gem proferindo palestras e, noutra oportunidade, em férias comfamiliares. Escrevi no Brasil, em Portugal, na Espanha, na França,na Suíça e nos Estados Unidos. Nessas viagens, as idéias iam evinham como se fossem folhas ao vento que tocavam suavementea terra para reiniciarem um novo ciclo. Em cada cidade por ondepassei, escrevi um pouco sem a preocupação de formar capítu-los. Ora iniciava um capítulo, ora complementava outro. Às ve-zes, as idéias desapareciam de minha mente para reapareceremdias depois sem que tivesse a preocupação e o controle sobreelas. Assim se sucede sempre que escrevo. Sinto como se asidéias estivessem disponíveis à espera de minha boa vontade emcaptá-las. Creio que os espíritos desencarnados que porventurame inspiraram, tiveram que ter a paciência de me acompanhar ede esperar minhas ocupações e meu lazer para se incumbirem desuas tarefas junto a mim. Devem ter tido muito trabalho, mas as-sim é com a vida, pois em tudo deve existir paciência de parte aparte. Este não é um manual sobre mediunidade, pois que AllanKardec já o escreveu com o nome de O Livro dos Médiuns, oqual aconselho o leitor estudar para melhor compreensão do tema. Este livro contém apenas algumas idéias e suposições, sen-
  • 9. 10 adenáuer novaesdo um simples ensaio sobre a fronteira entre o que é psicológicoe o que é mediúnico. Não tive a pretensão de me aprofundar nostemas naturalmente relacionados com a prática mediúnica, nemtampouco trazer verdades novas. Caso alguma afirmação aquicontradiga o que se encontra na obra de Allan Kardec, deve oleitor ficar com ele e suas judiciosas observações, entendendoque meu equívoco se deve à dificuldade em me fazer entender. Este trabalho, como disse, também não é um estudoaprofundado da mediunidade nem pretende substituir os com-pêndios existentes sobre o assunto. Trata-se de escritos a partirde algumas leituras do autor e de suas observações clínicas. Gostaria que o leitor tomasse para si o que aqui escrevo afim de que possa entrar em contato com sua própria mediunidade,colocando-a a serviço de seu crescimento pessoal. Quando as-sim fizer estará dando um importante passo em sua evolução epara sua felicidade. Não há quem, em tendo contato com relatos sobre fenô-menos mediúnicos, não tenha se perguntado se é ou não médiumou capaz de realizar aqueles fenômenos. Da mesma maneira, aque-les que, constatando sua mediunidade, não tenham se perguntadose o que a produz vem ou não de si mesmo, e não de algumespírito desencarnado. Para ambas as perguntas, a resposta é amesma: sim e não. Ninguém é capaz sozinho de realizar um fenô-meno mediúnico sem o concurso de algum espírito como tambémtoda produção mediúnica contém elementos de quem se colocacomo intermediário. O fenômeno mediúnico é espiritual e psicológico ao mes-mo tempo, pois ele se processa por via do inconsciente humano,o qual se localiza no perispírito. O conhecimento da psiquê hu-mana é fundamental para a compreensão de como se processauma comunicação mediúnica. Quanto mais se estudar o psiquismohumano mais próximo se chegará do espiritual. A Psicologia, quando despreza as possibilidades de influ-ências espirituais na vida do ser humano, deixa de compreendê-
  • 10. psicologia e mediunidade 11lo adequadamente e assim não consegue criar uma psicoterapiaeficaz. Porém, está próximo o dia em que a ciência psicológicautilizar-se-á dos postulados espíritas em suas teses. Não há saídaà Psicologia senão admitir o Espírito . Se tal não ocorrer, terá de 1mudar de nome para Comportamentologia. Da mesma, o Espi-ritismo terá de se aprofundar cada vez mais no estudo da psiquêdo ser humano encarnado, a fim de fazê-lo melhor entender ofenômeno mediúnico. Um dos objetivos neste trabalho é estreitar a relação entreo Espiritismo e a Psicologia trazendo questões fronteiriças parasubsidiar um estudo mais detalhado ao leitor mais exigente. É umpequeno ensaio, como disse antes, sobre a interface entre o psi-cológico e o espiritual, no qual busco analisar as possíveis interfe-rências entre o psiquismo de um desencarnado e de um encarna-do. Busco provocar idéias que falem sobre as implicações namente encarnada e na vida dos médiuns, da atuação da faculdademediúnica que todo ser humano possui. O litígio existente entre Psicologia e Espiritismo é aparente.São conhecimentos para a evolução humana que não estão emconfronto nem se contrariam. A Psicologia ainda incorporará emseu campo aquilo que o Espiritismo vem afirmando ou então teráque surgir um novo saber humano que unirá o psíquico ao espiri-tual. O Espiritismo, por sua vez, quando se propõe a educar o serhumano quanto à imortalidade da alma, não necessita do que hojea Psicologia alcançou, mas se acaso quiser, e creio que sim, tam-bém contribuir para o processo de auto-transformação do indiví-duo, terá que adotar algumas propostas da maioria das escolaspsicológicas. Peço ao leitor que faça o teste proposto no corpo destelivro a fim de melhor se familiarizar com seu conteúdo e tambémperceber como se encontra sua sensibilidade mediúnica. É um1 Chamo de Espírito a essência espiritual, princípio inteligente, independente doperispírito e do corpo físico. Chamo de espírito a personalidade, constituída deEspírito e perispírito, encarnada ou desencarnada.
  • 11. 12 adenáuer novaessimples teste que não tem a pretensão de ser infalível, mas quecertamente o levará a cuidar melhor de sua mediunidade. Apóster respondido às questões, caso você tenha dúvidas, aplique-asem outra pessoa e compare os resultados. Você constatará que amediunidade é universal e que todos nós deveríamos prestar maisatenção a ela. Independente do resultado a que o teste chegue,procure esclarecimentos sobre mediunidade em O Livro dosMédiuns. Um outro objetivo deste modesto trabalho é a tentativa depopularização da mediunidade como faculdade natural no serhumano, bem como mostrar os inconvenientes que decorrem desua não percepção. Desculpe-me o leitor se vier a parecer que quero por de-mais psicologizar a mediunidade ou torná-la produto exclusivodo inconsciente. Quero apenas torná-la acessível ao humano paraque ele cada vez mais se espiritualize. Salvador Outubro de 2002
  • 12. A subjetividade do mediúnico O mediúnico é subjetivo por natureza, pois ocorre peloinconsciente humano. Não pertence à consciência muito emboradeva tornar-se consciente para o crescimento humano. Sua obje-tividade deverá ser colocada a serviço do ser humano em suabusca pela felicidade. Por mais que sejamos preconceituosos com a mediunidade,considerando-a produto religioso ou fruto de crendice popular,ela interfere intensamente no estado psíquico e emocional do serhumano. Não é ela uma faculdade extra-humana nem tampoucoadquirida exclusivamente no exercício de práticas transcendentese místicas, pois sua aquisição é fruto do desenvolvimento da cons-ciência nos milênios de evolução da espécie. Ela se estruturou noser humano a partir de seu contato com a morte como fenômenonão controlável e catalisador de acesso ao inconsciente, tantopara aquele que desencarna como também para os seus, que fi-caram. A mediunidade é uma aquisição evolutiva do espírito emface de seu refinamento, possibilitando-o perceber uma dimen-são energética acima da vibração típica do corpo físico. Ela permite uma comunicação entre seres através doperispírito em freqüências que superam aquela que ocorre comos sentidos físicos e por meio dos centros cerebrais. Sua percep-ção pelo ser humano foi possível graças à evolução de seu apare-
  • 13. 14 adenáuer novaeslho cerebral, pois quando este se mostrou maduro e com o córtexdesenvolvido, a faculdade tornou-se perceptível. Seu alcance é maior do que aquele que usualmente se ob-serva na prática da desobsessão. Como se trata de algo adquiri-do pela evolução do espírito em benefício de seu próprio pro-gresso e felicidade, sua utilidade transcende o auxílio espiritual adesencarnados. Como tudo o que é adquirido pelo espírito em evolução,sua estruturação se localiza no perispírito, instrumento com o qualo Espírito se comunica com o mundo. As faculdades humanasforam adquiridas e desenvolvidas no contato do Espírito com amatéria, cujo produto resultante, de um lado, foi a constituição doperispírito, e, do outro, a absorção pelo primeiro do conheci-mento das leis de Deus. Os estudos de Allan Kardec, principalmente aqueles cons-tantes em O Livro dos Médiuns, proporcionaram um olhar maisobjetivo e crítico sobre a mediunidade, tornando-a perceptívelaos meios intelectuais. Isso, por si só, não a tornou popular ouesgotou seu estudo e sua compreensão. Estudos maisaprofundados, bem como sua constante utilização, a tornarão umimportante meio de comunicação do ser humano. A mediunidade é faculdade humana e deve ser utilizada paraa felicidade do ser encarnado ou do desencarnado. Seu não usopromove atrofia e limitações evolutivas. Quando digo uso, nãome refiro àquele decorrente da prática espírita, de utilidade ób-via, mas à ampla aplicação na Vida em geral, principalmente nasricas relações humanas. Sua não utilização pode ser comparada à atrofia decorren-te do não uso das asas, que fez surgir espécies de aves de vôobaixo e limitado, como os pavões, incomparavelmente belos, mascujos apêndices lhes servem mais como enfeites. As práticas místicas e ritualísticas de povos primitivos, nasquais o fenômeno mediúnico era referenciado, revelam a forçapsíquica da mediunidade que atravessa os séculos com a mesma
  • 14. psicologia e mediunidade 15atratividade. Os metapsiquistas e parapsicólogos do passado seocuparam, e se ocupam, em demonstrar a veracidade do fenô-meno mediúnico enquanto que os espíritas de hoje lhe mostram oalcance, a serviço do bem estar dos médiuns e na prática da ca-ridade aos desencarnados. Ir além disso, que é necessário, é dis-seminar o uso da mediunidade na vida prática do ser humano semtorná-la instrumento de degradação dos valores morais já con-quistados. O ser humano jamais poderá viver sem esta excelente fa-culdade, inerente à sua atual condição: estar conectado à matériapelo perispírito. Sua utilização representa um degrau acima naevolução espiritual e é fundamental para o desenvolvimento psi-cológico do indivíduo. Sem seu uso não se avançará muito naevolução; por outro lado, o uso que fará dessa faculdade permi-tirá que avance na escala evolutiva, desatrelando-se de forma trans-cendente da matéria bruta, da mesma forma que outrora o réptilalçou vôo na condição de ave portadora de asas para gozar desua natural liberdade. As polaridades da evolução (material e intelectual) são ex-tremos que revelam, entre si, um espectro muito largo de possibi-lidades evolutivas. Entre elas (as polaridades) existem processosa se desenvolverem para que se alcancem níveis evolutivos supe-riores. Um deles é o desenvolvimento e uso da mediunidade. O exercício da mediunidade não é um ato que pertence aoespírito desencarnado. A mediunidade pertence ao médium que,embora não seja autor do fenômeno que porventura se produza,pode, às vezes, sob certas condições, provocá-lo. A educaçãoda faculdade é responsabilidade do médium que deve colocá-la aserviço de situações que transcendem a da ajuda a desencarnadosnecessitados de esclarecimentos. A mediunidade é mais do queuma faculdade para a desobsessão de espíritos. É uma janela doEspírito para as dimensões existenciais do universo. A consciência, por parte do médium, de que é portador dafaculdade mediúnica contribui para seu desenvolvimento em face
  • 15. 16 adenáuer novaesda permanente ligação que ela favorece com o espiritual. É essaconsciência que o fará educá-la a serviço de sua realização pes-soal. Por enquanto usamos a mediunidade como instrumento paraobtenção de algum favor proveniente das forças espirituais. Ain-da a usamos numa relação de troca. Queremos com ela obteralguma vantagem sobre algo com o qual não sabemos lidar obje-tivamente. Muitas vezes estabelecemos uma relação com os espíritoscomo o fazemos com Deus. Atribuímos a eles um certo poderdivinatório de tudo fazer em nosso favor. Nem sempre o conse-guem. Bom quando o fazem. Porém, independente do resultadodo pedido, isso demonstra que os colocamos num certo lugar dedetentores do poder e a nós de eternos pedintes. Eles são pesso-as. Nada mais do que isso. A cultura mítica de reverenciar osespíritos favorece uma relação subserviente e desigual, depreci-ando a mediunidade. Se de um lado malbaratamos a mediunidade, estimulandoseu uso exclusivamente na esfera institucional, do outro, em facede ser a mente humana por demais complexa, a psicologia vemnegando com veemência a possibilidade das comunicaçõesmediúnicas. Porém, quanto mais o conhecimento avança, mais sedesprende o véu da ignorância quanto aos intrincados processospsíquicos. É no estudo do inconsciente e das capacidadesintelectivas humanas que se descobrirá a existência do perispírito,sede dos processos psicológicos e mediúnicos do ser humano.Isolar o mediúnico do anímico-psicológico, por enquanto, é comoquerer separar a água do vinho. Eles estão intimamente ligadosnuma feliz interdependência. A mediunidade é uma faculdade tão subjetiva que não nosdamos conta da gama de fenômenos que só ocorrem por contade sua existência. Por exemplo, as ligações amorosas entre osespíritos encarnados e desencarnados, também ocorrem pelasvias da mediunidade sem que, na maioria dos casos, eles se dêem
  • 16. psicologia e mediunidade 17conta. Da mesma forma, as transmissões de saber e de sentimen-tos ocorrem pela faculdade mediúnica que as criaturas possuem. Será sempre um desafio ao ser humano transcender suamaterialidade. Por muito tempo buscará em seu corpo e de acor-do com paradigmas enraizados nas estruturas cerebrais explica-ções para o psiquismo humano. A linha divisória entre o que ématerial e o que é espiritual inexiste. Mesmo aqueles que se en-contram desligados do corpo físico têm dificuldade em estabele-cer a diferença entre uma dimensão e outra.
  • 17. Definição de Mediunidade Não é fácil encontrar-se uma definição precisa de mediunidade.Suas correlações e enraizamentos com a estrutura cerebral, com operispírito e com a própria natureza íntima do Espírito é muito intensae por demais complexa. Prefiro aqui defini-la de várias formas a fimde melhor expor seu conceito e com o intuito de ampliar sua compre-ensão. O leitor verá que as definições serão incompletas e que me-lhor seria reuni-las numa só. Não o faço por conta da natureza trípliceda mediunidade. Tal qual a luz, que pode ser definida como onda ecomo partícula, a mediunidade pode ser definida como faculdadeorgânica, psicológica e espiritual simultaneamente. É uma faculdade do Espírito que o permite comunicar-se comoutros que estejam em freqüência vibratória diferente. Por extensão,permite que o Espírito que esteja encarnado se comunique com ou-tros sem o uso dos sentidos físicos sensoriais, numa alta freqüência,acima da que o cérebro capta ou emite da realidade. Ela só é expli-cável graças à existência do perispírito, que possui propriedades quecapacitam o cérebro a conectar-se numa faixa freqüencial acima deseu nível. Pode-se admitir que haja um sistema mediúnico composto dasestruturas cerebrais e dos elementos perispirituais, os quais possibili-tam que uma conexão interdimensional se estabeleça. É uma faculda-de que contém um componente na estrutura cerebral e outro naperispiritual.
  • 18. psicologia e mediunidade 19 O uso que o indivíduo faz dessa faculdade estimula seudesenvolvimento e aperfeiçoamento das conexõesinterdimensionais em diferentes níveis evolutivos. As percepçõesficam cada vez mais nítidas, isto é, as conexões se tornam maiscompletas. A mediunidade tende a se acentuar quando há uma certadisposição do indivíduo em que o fenômeno ocorra. Parece queo fato de se sentir capaz de produzi-lo, influencia na ocorrênciado fenômeno, aumentando a parte anímica que ele sempre apre-senta. A vontade e o desejo das mentes envolvidas favorecem aexistência do fenômeno, mesmo quando ocorre à revelia de umadelas. É uma faculdade que predispõe o indivíduo ao contato comoutras pessoas que se encontrem em dimensões que ultrapassamo sistema tridimensional humano típico. O contato constante do ser humano, desde os primórdiosde sua evolução, com espíritos desencarnados promoveu altera-ções no campo cerebral permitindo o surgimento de circuitosneuronais capazes de captar pensamentos emitidos por campostetradimensionais. Trata-se da formação de conexões de neurôniosem rede, ainda não identificada, que possibilita tal tipo de comu-nicação. Isso é genético na espécie humana. A mediunidade permite a existência do fenômeno da co-municação entre espíritos em níveis dimensionais diferentes. Dá-se uma conexão entre as mentes de duas pessoas. Essa conexãose dá por justaposição, não existindo contato físico, pois ocorreuma espécie de indução, à semelhança do que se dá com osurgimento da energia elétrica. A mediunidade é uma faculdade humana e está relacionadaa uma certa disposição cerebral específica, provavelmente torna-da possível após a formação da camada cortical cerebral no hu-mano. É uma aquisição decorrente da evolução anímica e estáumbilicalmente relacionada ao perispírito.
  • 19. Mediunidade e alegria Sinto falta da alegria e da espontaneidade no trato das pes-soas com a mediunidade. Mediunidade diz respeito a espíritos eestes se relacionam com a morte, o que induz ao medo e à triste-za. Essa cadeia de palavras e sentimentos dificulta a relação damediunidade com a alegria. É claro que estamos lidando com umassunto muito sério, porém falamos de algo que deve trazer felici-dade e paz a quem dele se utiliza. Não precisamos ser carrancu-dos ou atormentados ao estudar ou exercitar a mediunidade. Elaé faculdade do Espírito e para o Espírito e visa, sobretudo, suafelicidade. O contato com os espíritos, por mais desequilibrados quesejam ou mesmo doentes, deve ser num clima cordial, afetivo eespontâneo, pois tanto a doença quanto o desequilíbrio arrefe-cem-se em contato com a alegria. Um médico ou quem visite aum doente internado deve estabelecer uma conexão emocionalque eleve seu estado de humor e de confiança. Do contrário,contribuirá para reduzir suas defesas imunológicas em face doambiente pesaroso ou grave que se estabelecerá. No trabalho de desobsessão, isto é, de contato com espí-ritos desencarnados em condição agressiva ou hostil, indepen-dente da atitude segura e do estado de oração, não se deve es-quecer da alegria íntima, a qual passará para as pessoas e para oambiente onde se encontram. Quando falo de alegria não me re-
  • 20. psicologia e mediunidade 21firo a gargalhadas ou ao desrespeito às pessoas doentes, mastranqüilidade e confiança para lidar com as experiências da vida.Tampouco a alegria se trata de brincadeira ou de futilidade, masde um estado íntimo de equilíbrio e satisfação pessoal. O estado de alegria íntima não prejudica a ocorrência dofenômeno mediúnico, tampouco influirá na qualidade das comu-nicações. A alegria no ser humano será sempre um catalisadordos estados de paz e equilíbrio que atrai os Bons Espíritos. A vida nos convida à alegria a fim de superarmos vivênciasaversivas que se encontram no inconsciente, estruturadas nas di-versas experiências reencarnatórias. A mediunidade está atrela-da, provavelmente, a experiências que contêm medo, tensão,morte, poder, dentre outras. Para modificarmos tais emoções pre-cisamos viver experiências de alegria com a mediunidade. Os desconfortos provocados pela faculdade mediúnica sãodecorrentes da percepção exclusiva que se faz de alguns de seusefeitos. Na maioria das vezes a mediunidade provoca sensaçõesdesconhecidas e desagradáveis no ser humano e isso o leva arenegá-la em face dos desequilíbrios decorrentes. Geralmente o desabrochar da mediunidade ostensiva se fazacompanhar de perturbações e sofrimentos para o indivíduo. Nemsempre é fácil atravessar esse período de dores e incertezas comalegria. Muitos distúrbios emocionais aparecem por conta das difi-culdades em se lidar com a própria sanidade na fase em que amediunidade desabrocha com muita intensidade. O preconceitocontra o exercício da faculdade mediúnica também vem dessesinconvenientes. A melhor maneira de atravessar essa fase é encararum estudo sério a seu respeito junto a pessoas mais experientes. O desabrochar da mediunidade ostensiva provoca essesinconvenientes porque o ser humano ainda vive uma espécie deinfância em sua evolução, sendo a faculdade uma recente aquisi-ção. Quando mais maduro verá o grande valor que ela tem comoimpulsionadora de seu desenvolvimento psíquico. Verá que seuuso trará mais ganhos que perdas.
  • 21. Verifique se é hora de cuidar de sua mediunidade Leia atentamente as perguntas abaixo e responda sim ounão. Elas podem apresentar indícios de incômodos com suamediunidade. Não são patologias, mas sinais indicadores de quevocê deve se preocupar com sua mediunidade. 1. Alguma vez já lhe chegou às mãos um livro espírita paraque lesse? Em caso negativo, procure conhecer sua mediunidade,ao menos teoricamente, lendo O Livro dos Médiuns assim comooutras obras de Allan Kardec; 2. Suas conversas com os amigos sempre acabam por gi-rar em torno do espiritual? Caso você tenha preconceito em rela-ção a esse assunto verifique sua proximidade com o místico e otranscendente ou quão distanciado se encontra. Estar lendo estelivro, por exemplo, é um dos indícios; 3. Tem lhe ocorrido sonhar com pessoas que já faleceramou ter sonhos premonitórios? Verifique a quantidade e freqüênciacom que se lembra de seus sonhos, sobretudo aqueles nos quaisaparecem pessoas que já morreram e passe a anotá-los; 4. Ultimamente você tem recorrido à religião ou a práticasmísticas para solução de seus conflitos? Quando o fizer aproveitetambém para refletir sobre seus processos internos não resolvidos;
  • 22. psicologia e mediunidade 23 5. Você tem presenciado fenômenos espíritas ou ouvidorelatos sobre eles que lhe despertaram a curiosidade? Caso ne-gativo, passe a verificar a ocorrência de fenômenos em sua vida,para os quais você não encontre uma solução lógica e racional; 6. Já lhe ocorreram fenômenos de sincronicidade , os quais 2lhe têm causado surpresa? Em caso negativo, passe a observar afreqüência com que eles podem estar ocorrendo em sua vida erelacione-os com seu mundo interior; 7. As pessoas a sua volta costumam convidar-lhe a quebusque sua espiritualidade? Caso não tenha acontecido, aproveiteagora para atender ao apelo e entrar em contato com o sagradoem você. Não espere mais tempo, pois a vida nos convida demuitas maneiras quando estamos preparados; 8. Tem surgido, internamente em você, o desejo forte de seligar a uma religião ou ao desenvolvimento de sua mediunidade?Não espere que o desejo surja; dedique-se desde já a seudesenvolvimento espiritual, a fim de não desencarnar sem iniciaro encontro com o divino; 9. Têm ocorrido alterações freqüentes na qualidade de seusono? Verifique se você tem tido muita insônia ou pesadelos, poisesses são fortes indícios de influências espirituais. Em caso positivo,busque ajuda espiritual e psicológica. Em caso negativo, nadaque se preocupar; 10. Você tem tido sensações de desmaio, falta de ar, medosem causa aparente, taquicardia e sensação de presenças a suavolta? Caso esses sintomas ocorram simultaneamente, procurelogo lidar com sua mediunidade, pois ela está relacionada a essasocorrências. Caso você tenha dito sim a pelo menos um terço dasafirmações acima, é sinal de que sua mediunidade está precisando2 Principio da conexão acausal. Quando dois fenômenos, sendo um deles interno e ooutro externo, se correlacionam sem que haja uma lógica explicação para tal, diz-seque se trata da sincronicidade. Por exemplo: pensar numa pessoa e em seguidaobservar alguns números do telefone dela na placa de um carro que vê passar na rua.
  • 23. 24 adenáuer novaesde que você a ela se dedique com seriedade. Vá em frente. Nãoperca mais tempo. Tenha certeza de que será muito importantepara sua vida e para seu futuro espiritual. Dedicar-se à mediunidade é estudá-la e exercitá-la visandosua própria felicidade, bem como fazer de seu uso um dos vetoresda realização pessoal. Exercer a mediunidade apenas para ajudaro próximo pode ser equívoco, pois faltará o ajudar-se a si mesmocolocando-a a serviço do processo de desenvolvimento espiritual.Algumas pessoas passam a encarnação dedicando-se ao exercícioda mediunidade a serviço do próximo, e chegando a certa idadeperguntam-se para quê e qual o seu significado na própriarealização pessoal. O exercício da mediunidade não está dissociado doprocesso de realização pessoal, pois a vida exige que cada um,além de ajudar o próximo, observe a si mesmo e cuide de seumundo íntimo.
  • 24. Pequenos exercícios práticos Exercitar a mediunidade é uma atividade que requer estu-do em face da complexidade do assunto e dos inconvenientesque podem ocorrer. Ocupar-se com o fenômeno espiritual não écomo lidar com o material, visto que o primeiro, ao contrário dosegundo, ultrapassa os limites da mente consciente, penetrando oinconsciente de quem o exercita. Os exercícios aqui descritos nãovisam preparar a pessoa para o trabalho mediúnico nos moldescomuns de um Centro Espírita, mas apenas contribuir para aflexibilização psíquica de quem pretende lidar com os espíritos. Aespera em oração numa reunião mediúnica, visando uma comuni-cação espiritual, não se constitui, propriamente, num exercíciopara o desenvolvimento da mediunidade, mas tão somente umestado pré-disponível à ocorrência de um contato mediúnico. Damesma forma, a confiança, a segurança, a paciência, a tranqüili-dade e a paz interior são condições desejáveis à mente de quempretenda uma comunicação de ordem elevada. É sempre acon-selhável que o exercício da mediunidade se faça acompanhar nãosó dessas condições psicológicas como também de estudo ade-quado das questões pertinentes ao assunto. Além dessa espera,do estudo e das condições íntimas apontadas, é necessário quese exercite a faculdade de forma direta e consciente. Por essemotivo, elaborei alguns exercícios preparatórios ao desenvolvi-mento da faculdade mediúnica em si, os quais não excluem o es-
  • 25. 26 adenáuer novaestudo, a oração, bem como outros requisitos recomendados porAllan Kardec para o trato com os espíritos. Os exercícios que relacionei não são suficientes a quemqueira trabalhar mediunicamente, pois são apenas preparaçãopsicológica para o inicio do desenvolvimento da faculdade. Àquelesque alcançarem êxitos nesses exercícios, aconselho a que procu-rem uma instituição espírita, se dediquem ao estudo e recebamorientação de pessoas mais experientes com a mediunidade. Evite fazer estes exercícios indiscriminadamente. Escolhaum deles por um período de tempo, só iniciando outro tipo apósavaliar resultados anteriores. 1. Coloque-se disponível à captação de idéias novas, emmesmo dia e horário na semana, por uma hora. Escolha um localsilencioso de sua casa no qual nada o incomode. Sentado à mesa,coloque algumas folhas de papel ofício e caneta à sua frente e,por aquele período de tempo, aguarde o impulso natural de es-crever alguma idéia que não lhe seja habitual. Antes do início doexercício, faça uma oração, a fim de atrair os Bons Espíritos.Faça o exercício no mínimo durante dois meses e no máximo porquatro meses. Mostre a eventual produção a alguém que sejaexperiente com mediunidade. As eventuais manifestações quepossam lhe deixar com receios ou ocorrências desagradáveis, queporventura aconteçam, devem ser levadas à mesma pessoa ex-periente, antes de se dar continuidade ao exercício. 2. Peça a um amigo que separe três objetos quaisquer semque você saiba quais e coloque-os dentro de uma caixa de sapa-to, fechando-a e embrulhando-a com papel de presente. Em pre-sença dele, e num local em que não haja interferência de tercei-ros, tente, apenas colocando uma de suas mãos em cima da cai-xa, perceber e descrever quais objetos se encontram em seu inte-rior. Seu amigo anotará suas observações. Você deverá estar sen-tado, a caixa à sua frente em cima de uma mesa. Antes de colocar
  • 26. psicologia e mediunidade 27a mão sobre a caixa você deverá fazer uma oração, a fim de atrairos Bons Espíritos. Peça a seu amigo que repita a experiência pordez vezes, com diferentes objetos e apresente os resultados noúltimo dia. Leve os resultados a uma pessoa experiente emmediunidade. 3. Escolha um mesmo dia e horário da semana, durantepelo menos dois meses e no máximo por quatro meses, por umahora, sozinho no quarto onde você dorme. Sente-se em sua cama,após uma oração a fim de atrair os Bons Espíritos, feche os olhose passe a observar as possíveis imagens que lhe ocorram na men-te. Observe também se você ouve vozes dentro de você. Colo-que um pequeno despertador ao seu lado. Previna-se para nãoser incomodado naquela uma hora. Após meia hora abra os olhose, munindo-se papel e caneta, anote suas observações e visões,caso ocorram. Reinicie o exercício para completar-se a outra meiahora. Leve os resultados a uma pessoa experiente em mediunidade. 4. Semelhante ao 2, peça a um amigo que lhe leve um ob-jeto de uso pessoal que pertence a alguém que você não conhe-ce. Não há importância se a pessoa é falecida ou não. De possedo objeto, tocando-o diretamente por alguns minutos, concen-trado nele e após orar aos Bons Espíritos, você tentará captar asvibrações que nele estão impregnadas. Tente repetidas vezes du-rante uma hora por dia. Durante uma semana repita a experiênciacom o mesmo objeto. Faça o exercício por dez semanas, comdez diferentes objetos, de dez diferentes pessoas. Antes de cadaexercício, peça ao seu amigo para anotar suas impressões sobreeles verbalizadas. Tente também captar as histórias associadasaos objetos. Procure concentrar-se o suficiente a fim de captardados realmente identificadores das personalidades às quais per-tencem. Ao final das dez semanas, peça ao seu amigo os dadosde seus respectivos donos e apresente-os, com as observaçõesanotadas, a alguém experiente em mediunidade.
  • 27. 28 adenáuer novaes 5. Escolha um mesmo dia e horário da semana durante nomínimo dois meses e no máximo por quatro meses; por uma hora,deite-se confortavelmente num local onde você não possa serperturbado. Escolha um horário em que não esteja com sono.Após uma oração pelos Bons Espíritos, feche os olhos e imagine-se na casa de um amigo, na qual você nunca esteve, nem saiba adescrição minuciosa de seu interior. Tente sentir-se deslocandopelo interior da casa. Faça também algumas tentativas de desdo-brar-se para locais conhecidos. Com ou sem sucesso nestas ten-tativas, faça o exercício para locais desconhecidos, os quais vocêtenha meios posteriores de checar. 6. Faça este exercício uma vez por semana, num mesmodia e sempre ao deitar-se. Pense numa ou mais pessoas que vocêsaiba já ter desencarnado. Pessoas que você conheceu de perto.Faça uma oração por elas, desejando-lhes, onde estiverem, paze harmonia. Peça aos Bons Espíritos que, se possível, coloquemvocê em contato com aquelas pessoas e que você se lembre doencontro ao acordar. Faça este exercício por, no mínimo, doismeses e, no máximo quatro meses. Verifique o resultado, obser-vando se houve aumento do número de vezes em que você selembrou de seus sonhos e se aqueles desencarnados neles apare-ceram, por até dois meses depois. 7. Escolha um local silencioso e agradável. Sente-se oudeite-se fechando os olhos. Faça uma oração aos Bons Espíritos.Procure centrar seu pensamento em algum assunto de seu inte-resse que não esteja relacionado a um conflito específico. Apósescolher o tema, medite em torno dele, questionando-se sobre oconceito que tem a seu respeito. Em seguida visualize um objetoque a ele esteja relacionado em seus mínimos detalhes. Ao formaro objeto em sua mente pinte-o com a cor azul. Faça-o tornar-seazul bem claro e em seguida faça-o diminuir ao tamanho da palmade sua mão. Visualize então a figura de um ser espiritual à suafrente. Dê-lhe então o objeto de presente.
  • 28. psicologia e mediunidade 29 8. Faça este exercício por dois meses seguidos e sempreao dormir. Após deitar para dormir procure relaxar o máximopossível, ficando imóvel na cama em posição de decúbito dorsal(com o ventre para cima). Procure não se mexer em hipótesenenhuma. Não há problema se você pegar no sono. Caso issoaconteça, tente no dia seguinte. Deitado sem se mexer e de olhosfechados imagine que seu corpo está subindo, isto é, que ele estálevitando. Não faça qualquer esforço físico para isso. Apenasimagine que seu corpo sobe. Sinta-o leve e planando acima dacama. Caso você não durma durante o exercício, faça-o por pelomenos dez minutos e no máximo por vinte minutos. Após essetempo, relaxe e durma normalmente.
  • 29. Aos psiquiatras Pretensão de minha parte querer algo ensinar aos médicospsiquiatras, no que diz respeito a assuntos de sua área profissio-nal. Um psicólogo é apenas um profissional que “enxerga” o sercomportamental, buscando entender-lhe as razões e motivaçõesa fim de mostrá-las visando sua adequação psíquica. Porém, umpsicólogo que acrescenta uma percepção espiritual, talvez tenhaalgo a dizer, sem arrogância e destituído de qualquer intenção dedesmerecer ou diminuir a psiquiatria. A abordagem da psiquiatriaainda gira em torno do sintoma e da química que supostamente oprovoca. Quando não aliada a uma psicoterapia, a ação dospsicofármacos por ela utilizados será apenas paliativa e, às vezes,protelatória de uma efetiva cura. Da mesma forma, em certoscasos, sem os psicofármacos será impossível ao doente suportara pressão do inconsciente sobre sua consciência. Imprescindíveis os recursos dos psicofármacos, principal-mente nas tendências auto-destrutivas. Sem eles, em certos ca-sos, não é possível ao indivíduo portador de graves transtornospsíquicos, conter ou reduzir os efeitos da pressão que sofre naconsciência. Medicações administradas em doses adequadas atin-gem o sistema nervoso central inibindo a captação pelo córtexcerebral dos impulsos oriundos do inconsciente perispiritual. O córtex cerebral é extensão da consciência na qual o egose fixa para lidar com a realidade. Sua inibição permite ao ego
  • 30. psicologia e mediunidade 31proteger-se da força exercida pelas imagens emocionais oriundasdo inconsciente. Quando o psiquiatra prescreve uma medicação,sabe que estará atingindo apenas parte da consciência, inibindoparcialmente a ação do inconsciente. Não estará reduzindo a to-talidade dos sintomas nem sequer atingindo a causa, em face dese encontrar ela, na maioria dos casos, no inconsciente. Penetrarneste requer mais do que uma substância química. É necessárioentendê-lo em sua linguagem simbólica e carregada de proces-sos. Os sintomas são representações de processos psíquicos nãoresolvidos, os quais são por eles aliviados. Será sempre necessá-ria uma psicoterapia a fim de se alcançar a raiz do problema. A compreensão da mediunidade é uma das ferramentas parase entender melhor a mente humana e suas relações com o espi-ritual. A mediunidade possibilita que a ligação virtual entre a cons-ciência e o inconsciente seja mais intensa, em face da excitaçãocerebral (cortical e subcortical) que ela provoca. Certas substâncias químicas inibem parcialmente aquela li-gação, reduzindo o nível de exposição da consciência e, em par-ticular, do ego, às influências psíquicas. Por outro lado, outrassubstâncias ampliam de tal forma a ligação da consciência com oinconsciente excitando a camada cortical, provocando descon-trole insuportável ao indivíduo. Em alguns casos, a retirada ou mudança abrupta de medi-cação pode provocar alterações significativas no comportamentodo indivíduo. De um lado, por conta da interação já havida entreas substâncias medicamentosas e os neurotransmissores e, poroutro lado, por causa da alteração do campo de ligação entre aconsciência e o inconsciente que a mudança provocaria. A mu-dança ou retirada brusca de certas medicações, em alguns indiví-duos em surto psicótico, sob intenso processo de obsessão, ecom tendências auto-destrutivas, pode provocar a desestruturaçãodo ego e conseqüente suicídio. A obsessão, por via da mediunidade, é componente sem-pre presente na psicose, pois esta se caracteriza pela abertura
  • 31. 32 adenáuer novaesinadequada entre o inconsciente e a consciência sem o devidocontrole do ego. Tal abertura amplia a sensibilidade do indivíduoàs percepções espirituais. A psiquiatria não reconhece, ou pelo menos não aplica, astécnicas psicoterápicas na descoberta das causas e no tratamen-to das afecções mentais. Menos ainda fazem os psiquiatras quenão utilizam a desobsessão, pois não reconhecem a possibilidadeda existência dos espíritos e da mediunidade como componentessempre presentes na psicopatologia. Os processos mentais, excluídos aqueles provocados porproblemas neurológicos, merecem tratamento psicológico, psi-quiátrico e espiritual. Às vezes requer apenas um deles e, em al-guns casos, dois ou os três combinados. Saber reconhecer quan-do um problema deve ser tratado como psiquiátrico, psicológicoou espiritual é fundamental para a eficácia de sua cura. Em alguns casos, nos quais a psicose está presente, a com-plexa operação de internação da pessoa poderia ser evitada se otratamento espiritual fosse utilizado, o qual contribui para o seuequilíbrio psíquico e espiritual. Em tais casos, a família exerceriaimportante papel no tratamento quando assumisse a responsabi-lidade sobre seu doente e o considerasse também como um sin-toma da morbidez do grupo. Em meus pacientes que se encontram sob tratamento psi-quiátrico, nos quais noto existir uma contribuição das influênciasespirituais aversivas, quando não se torna possível recomendar-lhes o recurso espírita, costumo fazer orações por eles. Algumasvezes, quando o psiquiatra é receptivo ao espiritual, entro emcontato com ele, informando-lhe quanto à problemática da ob-sessão. Em alguns casos, quando há receptividade de algum mem-bro da família, alerto para que o grupo busque o recurso no Espi-ritismo. Um outro aspecto importante a se colocar é sobre a conta-minação a que está sujeito o profissional que lida com apsicopatologia. O profissional médico ou psicólogo que lida com
  • 32. psicologia e mediunidade 33a psicopatologia (principalmente psicoses e a esquizofrenia) nãopercebe o campo mediúnico a que está exposto. Por estar nacondição de quem quer ajudar, mesmo que o faça profissional-mente, sofre as influências agressoras, de “quem” (espíritosdesencarnados) deseja prejudicar seus pacientes. Seria prudenteque eles buscassem algum tipo de prevenção, no mínimo procu-rar conhecer a mediunidade, seus inconvenientes e perigos. Apossibilidade de “contaminação psíquica” é muito maior do quese possa imaginar. Por comparação, pode-se lembrar da conta-minação às infecções a que os médicos estavam sujeitos nas ci-rurgias quando não usavam luvas. A psiquiatria e a psicologia devem se unir para o tratamen-to dos transtornos psíquicos. É imprescindível que um psiquiatraconheça os fundamentos da psicologia para melhor avaliar seupaciente, tanto quanto é importante ao psicoterapeuta o entendi-mento sobre a ação dos psicofármacos e o funcionamento dosneurotransmissores para uma melhor compreensão dos sintomase do comportamento dos seus. Provavelmente, num futuro próxi-mo, deva surgir uma ciência que combine estes dois grandes cam-pos do saber. Porém, ambas juntas ou isoladas serão sempresuperficiais se não se debruçarem sobre a faculdade mediúnicado ser humano. Por mais que estude o cérebro, a neurologia e aneuropsiquiatria não encontrarão a raiz da mediunidade tateandoestruturas cerebrais que apenas lhe dão suporte no físico. A ação dos espíritos desencarnados no tratamento das pes-soas portadoras de transtornos psíquicos, bem como o que se pro-cessa no mundo íntimo de alguém quando procura uma instituiçãoreligiosa, espírita ou não, são o lado oculto do tratamento espiritu-al, porém, exercem importância capital nas curas dos transtornosmentais. Tenho observado que os pacientes psicóticos que iniciamum tratamento espiritual simultaneamente ao tratamento psicológi-co se libertam mais cedo da dependência química de psicofármacos,bem como diminuem o tempo em permanecem doentes. A recomendação para que o psiquiatra conheça a
  • 33. 34 adenáuer novaesmediunidade é para melhor entender e orientar seu paciente, comotambém para si próprio, pois sua vulnerabilidade e exposição àsinfluências espirituais nocivas são muito sutis e imperceptíveis. Poreste motivo, a ignorância quanto à mediunidade é um duplo mal.Com o tempo de exercício profissional as defesas naturais que opsiquiatra utiliza vão se desestabilizando, o que o torna cada vezmais vulnerável aos ataques psíquicos. É fundamental que a psiquiatria se dedique ao estudo damente humana, não apenas como se fosse uma bio-máquina, mas,como uma estrutura psíquica que se liga a outras por via damediunidade.
  • 34. Aos que lidam com desobsessão A profilaxia às afecções psíquicas se inicia com a buscapela harmonia do próprio indivíduo, nos esforços que fez em semelhorar como pessoa. Além disso, ao que se conhece com onome de reforma íntima, deve-se acrescentar o desenvolvimentoequilibrado da mediunidade. O trabalho de esclarecimento às entidades desencarnadas,bem como os esforços para que os complexos processos queprovocam tragédias e sofrimentos que duram séculos se resol-vam, são atividades ligadas à desobsessão, que trazem importan-te contribuição ao equilíbrio e à harmonia do planeta. É um traba-lho quase anônimo e silencioso que as instituições espíritas exe-cutam através de seus trabalhadores. Uma sessão de desobsessãopode, quando bem conduzida e com propósitos típicos, equivalera algumas sessões de psicoterapia. Conversar com os espíritosdesencarnados através de médiuns experientes é uma arte querequer, além de habilidades específicas, muita paciência, humil-dade e amor. Lidar com o psíquico do outro exige que o próprioesteja em harmonia. O trabalho de autotransformação é funda-mental, a fim de se evitar a contaminação psíquica. Tenho vistoalguns operários da desobsessão com graves transtornos psíqui-cos, e outros, após certo tempo, não realizados na vida pessoal.
  • 35. 36 adenáuer novaesÉ preciso se estar atento não só ao doente desencarnado comotambém ao suposto sadio encarnado que o atende, pois nem sem-pre o ´médico se cura a si mesmo´. As recomendações para queutilize a oração, para que vigie, para que se melhore, são úteis,porém necessitam de detalhamento maior. A oração étranqüilizadora e induz a um estado de paz e equilíbrio íntimo.Porém, ela não resolve por si só os problemas pessoais. A vigi-lância é oportuna, pois induz a um estado de alerta quanto àspossibilidades de equívoco, mas sozinha não soluciona os confli-tos íntimos da personalidade. A reforma íntima requer o contatodireto com o próprio processo de vida e encarar os problemasde frente sem fugir da responsabilidade pessoal. O Centro Espírita que possui reunião de desobsessão deve-ria criar um grupo terapêutico específico para aqueles que nela tra-balham. O grupo seria coordenado por pessoas habilitadas a lidarcom os processos psíquicos humanos e que saibam acolher devida-mente aqueles que desempenham tão delicada função. Por outrolado, o trabalhador da desobsessão, quando não sentir satisfeita suanecessidade íntima de auto-transformar-se e estiver com problemaspsicológicos, pode e deve buscar ajuda individual especializada. Nemsempre o curador consegue curar a si mesmo. É comum o trabalha-dor da desobsessão achar que seus problemas psicológicos se de-vem à obsessão, descuidando-se de seu mundo íntimo. Trabalhar com a desobsessão assemelha-se a lidar com fogo,que exige habilidade e cuidados pessoais a fim de evitar-se quei-maduras. Não é atividade para amadores nem se admite ingenui-dade. Lida-se com o psíquico e o espiritual simultaneamente. O trabalhador da desobsessão deve buscar estudar e co-nhecer os mecanismos inconscientes e o funcionamento da psiquêhumana. Ela funciona no desencarnado à semelhança do encar-nado. Quanto mais conheça uma, mais se familiarizará com a ou-tra. Deve dedicar-se ao estudo das técnicas psicoterápicas paramelhor exercer sua atividade, bem como para se prevenir quantoàs contaminações psíquicas.
  • 36. Aos psicólogos, terapeutas e curadores da alma Quem lida com a psiquê humana sabe que está diante dealgo por demais complexo para achar que tem o domínio do quenela ocorre. Sempre se lida com hipóteses que, mesmo queconsideradas valiosas e pareçam tudo explicar sobre ofuncionamento da mente humana, são sempre incompletas eparciais. Psicólogos e terapeutas sabem que lidam com a matériaprima de Deus sendo, portanto, bastante complexa e fascinantepara caber numa só teoria. Sabem que devem aproveitar todasas teorias psicológicas quando estão lidando com os conflitospsíquicos humanos. Além delas estão descobrindo que é precisolidar com o fenômeno espiritual e com a mediunidade. Aquelesque consideram suficiente uma teoria psicológica como pano defundo de sua percepção dos processos de seus pacientes estãopor demais atrasados em relação àqueles que utilizam um poucode cada escola psicológica. Mesmo estes últimos, continuamatrasados por desprezarem a mediunidade de seus pacientes. A psiquê humana é um vasto campo a ser explorado, sobreo qual muito se escreveu e ainda se escreverá (como agora ofaço). Os limites a ela impostos, como se seus intrincadosmecanismos estivessem contidos na estrutura cerebral, contribuempara a permanente ignorância que ainda temos sobre os conflitos
  • 37. 38 adenáuer novaeshumanos. O cientificismo empirista, não permitindo aos teóricos dapsicologia a possibilidade de admitir que algo escapasse aos seusdomínios, levou a que grandes pensadores não ousassem além doslimites de sua época. Embora incapaz de tudo explicar, poder-se-ia admitir, a partirdos conhecimentos da física quântica, que a estrutura cerebral gerasseum campo tetra-dimensional no qual os fenômenos psíquicospudessem ocorrer. Nesse campo virtual encontraríamos a mente eseus processos. Nem esta hipótese é considerada, que dirá a daexistência do perispírito como sede da psiquê humana. Ainda estamoslonge de uma psicologia do Espírito que possa englobar a gamaimensa dos processos envolvendo a mediunidade. O terapeuta, que se encontra atuando no século vinte e um,não pode mais ser conivente com a ignorância do saber científico arespeito da mente humana, devendo ir em busca de conhecimentossobre a mediunidade. Quando o fizer saberá que, independentementeda crença, fé ou teoria psicológica que adote, ou que seu pacientepossua, os fenômenos mediúnicos interferem sobremaneira no sentir,pensar e agir do ser humano. Pelo desconhecimento da mediunidade,muitos tratamentos dos transtornos mentais e das inadequações noagir do ser humano se tornam prolongados ou não são eficazes. Perdem muito os profissionais, e conseqüentemente seuspacientes, que não têm um conhecimento teórico e prático adequadosobre as influências da mediunidade no sentir, pensar e agir do serhumano. Não se trata de transformá-los em espíritas, muito menosem lhes impor uma crença que modifique ou perturbe seu olharcientífico. A compreensão de que os processos psíquicos se estruturamem uma ou mais existências do Espírito, e sob os mais diversospapéis, permite não só uma maior percepção sobre a personalidadede quem se atende como também contribui para a redução do tempode cura. Tal compreensão independe da crença religiosa do paciente,bem como de que a ele seja verbalizado qualquer postuladodoutrinário.
  • 38. psicologia e mediunidade 39 Trata-se da aquisição de uma ferramenta imprescindível queotimizará a percepção do que se passa na psiquê humana. Porcomparação, é como se um astrônomo deixasse de usar umbinóculo para observar os fenômenos do universo e o fizesse comum poderoso telescópio eletrônico. É por falta daquele conhecimento que as anamneses sãoparciais e os diagnósticos e prognósticos incompletos. Sem ele apsicoterapia se limita ao aqui e agora, sem levar o indivíduo aoencontro com o si mesmo a que se referia C. G. Jung. As terapiasbreves, bem como aquelas que situam as causas dos conflitoshumanos no corpo físico, vêem apenas ´a ponta do iceberg´.Desprezar a mediunidade e as experiências acumuladas nas vidassucessivas é enxergar o indivíduo com um só olho e com miopia. Por enquanto, é o Centro Espírita, cujos fundamentosteóricos se baseiem nas obras de Allan Kardec e que possuapessoas que conheçam a psiquê humana, que se encontra maisapto a acolher os portadores de transtornos mentais, dos quais amediunidade seja um dos veículos. O Espiritismo encarado apenas como uma religião, ousimples crença, concorre para o preconceito e a negação deimportantes teses a respeito da psiquê humana. A possibilidadede aceitar a existência de uma sensibilidade supra-sensorial noindivíduo, a qual pode contribuir para desestabilizá-lopsiquicamente, levaria o profissional à compreensão mais precisadas afecções mentais. O indivíduo é muito mais do que aquilo que os cinco sentidoscomportam, pois o pensar é um ato não sensorial. O que ele pensae sente contém elementos influenciados não só pelas experiênciasacumuladas ao longo de muitos séculos em diversas vidas, bemcomo pelas interferências espirituais favorecidas pela mediunidade. Em meus atendimentos no consultório tento enxergar meupaciente com todas as lentes disponíveis a fim de captar o máximopossível sobre ele mesmo. Faço observações e questionamentosque nem sempre são por ele entendidos, mas que me trazem
  • 39. 40 adenáuer novaesimportantes subsídios para auxiliá-lo no que busca. Aconselho aoprofissional ou ao entrevistador num Centro Espírita, quando noatendimento terapêutico a alguém, que se lembre das seguintesobservações: 1. Questione a pessoa sobre suas crenças a fim de terconhecimento sobre seu campo consciencial e sua relação com osagrado; 2. Aprofunde-se na percepção do que ela diz quanto aoque fira ou ultrapasse o senso comum e que possa ser atribuído auma causa não convencional; 3. Não se esqueça de que sua (do profissional) crença,componente possível da transferência, fundamentará a expressãode seu cliente. Por este motivo, questione-lhe sobre temas queultrapassem a sua e a crença dele; 4. Lembre-se de que os sintomas resultantes das influênciasprovocadas pela sensibilidade mediúnica não são diferentesdaqueles apresentados pelos processos psicológicos naturais. Adistinção é difícil e exige, além de conhecimentos de ambos oscampos de saber, tempo de observação; 5. Não se deixe enganar pela afirmação pura e simples deseu paciente, que acredita tratar-se de um processo exclusivamentepsicológico ou, ao contrário, exclusivamente espiritual. Ambos oscampos, via de regra, se interpenetram; 6. Mesmo tendo conhecimento e percepção de que se tratade sintomas resultantes da faculdade mediúnica não educada, evitecolocar a seu paciente, pois ele poderá não lhe entender, por nãoser detentor dessas noções. Ainda que as tenha, evite da mesmaforma, a fim de não transformar uma sessão de análise ou deterapia numa consulta espiritual; 7. Não levante hipóteses precipitadas sobre as causas dossintomas que um paciente apresente. Espere sempre se acercarde maiores informações sobre todos os aspectos que envolvem avida, crenças e valores da pessoa;
  • 40. psicologia e mediunidade 41 8. Procure, quando possível, acercar-se de informações sobrea vida familiar e hábitos de seu paciente junto a pessoas que comele convivem. Nem sempre ele informa ou acha relevantes certasalterações de comportamento; 9. Questione-lhe sobre seus inimigos, suas decepções, seusamores, suas relações profissionais, seu lazer, com quem vive, quemedicamentos utiliza, quem o indicou, como são suas relaçõesfamiliares e, sobretudo, sobre sua queixa principal; 10. Analise seu pensar (curso, forma e conteúdo) e suasemoções (alterações do humor); 11. Procure observar seu comportamento na entrevista(agitação, tiques, expressão facial, estereotipias, hipo ouhiperatividade); 12. Procure saber sobre sua conduta, no que diz respeito aojuízo da realidade e falhas de caráter; 13. Informe-se sobre sua vida intelectual e sobre suaslimitações de compreensão no campo da inteligência; 14. Observe sua linguagem (gírias, erros, qualidade econteúdo); 15. Procure perceber sobre sua memória, no que diz respeitoà fixação, retenção e evocação; 16. Na entrevista observe a respeito de sua consciência,principalmente a atenção, a orientação, a vontade, a vivência dotempo e do espaço (unidade e identidade do eu); 17. Verifique como está a afetividade dele (euforias, elação,exaltação, êxtase, ansiedade, depressão, apatia, inapropriação,ambivalência, medos, fobias, pânico); Essas são algumas das observações que podem ser feitassobre uma pessoa, as quais nem sempre são conseguidas apenasna primeira entrevista ou sem ajuda da família. Outras observaçõessurgem a partir do relato do paciente sobre seus sintomas, quepodem revelar aspectos importantes a respeito da natureza espiritualde seu problema.
  • 41. Pequenas dificuldades e simples soluções Reuni aqui neste capítulo alguns questionamentos que fize-ram parte de minha iniciação quando dos primeiros contatos como Espiritismo e a mediunidade. As respostas aqui assinaladas fo-ram aquelas que me aliviaram a consciência e me tranqüilizaramquanto ao exercício da mediunidade. São simples questionamentose respectivas respostas que podem ser úteis àqueles que se en-contram iniciando o contato com a mediunidade. 1. Aos que sentem influências psíquicas espirituais e nãosabem o que fazer e como vencer a dificuldade. Em todos os casos de suspeita de influência espiritual asrecomendações básicas são: procurar uma pessoa conhecedorado assunto, ou um Centro Espírita, para esclarecer-se; utilizar-seda oração nos momentos de aflição; ler sobre o assunto e nãoconsiderar que é loucura ou simples imaginação. Para vencer adificuldade é preciso ter paciência e tranqüilidade evitando que omedo tome conta da consciência. 2. O que fazer com a mediunidade quando não se querexercê-la institucionalmente. É um equívoco pensar que a mediunidade só pode ser
  • 42. psicologia e mediunidade 43exercida na tarefa de esclarecimento a entidades desencarnadase num Centro Espírita. Quando a mediunidade for um incômodoe não se queira exercitá-la da forma convencional, deve-se bus-car outras formas de uso que aliviem a tensão provocada peloinconsciente aberto devido à sua manifestação. Antes de encon-trar aquelas formas é necessário e imprescindível que se a conhe-ça. Estudá-la em primeiro lugar. Aconselho a que se inicie pelaleitura de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. Após isso,algumas possibilidades são indicadas abaixo. a) Dedicar-se a uma atividade, profissional ou não, na qualo aconselhamento a terceiros faça parte; b) Dedicar-se a uma atividade de cura, a exemplo do pas-se, do Reiki, massagem terapêutica, etc.; c) Participar de grupos de ajuda mútua, a exemplo dasOrganizações Não Governamentais (ONGs) que visem a solida-riedade e a paz social; d) Praticar a meditação, levando a sério suas próprias in-tuições; e) Fazer retiros espirituais, visando entrar em contato comsua natureza essencial; f) Participar de trabalhos terapêuticos em grupo a fim deconectar-se ao sentido principal de sua vida. Independente dessas formas, que são uns poucos exem-plos dentre muitos, a pessoa poderá, se o quiser, preparar-se emalgum Centro Espírita para dar passes, estudar a mediunidade oumesmo, aos poucos, desenvolvê-la em grupos adequados. 3. Como lidar com o desejo de comunicar-se apenas comBons Espíritos e com o chamado “Anjo de Guarda”. Caso você se enquadre nesta categoria, isto é, seja um dosque só querem se comunicar com espíritos bons, não se esqueçade que existem todos os tipos de pessoas desencarnadas. Mes-mo só querendo se comunicar com os bons, você está cercado
  • 43. 44 adenáuer novaesde outros que não o são e que podem também querer estabelecercontato com você. Querer se comunicar apenas com os bonspode significar que você ainda se relaciona com o espiritual paraobter vantagens. Não se esqueça de que ´seu´ “Anjo de Guarda”é uma das representações do que de bom existe em você, o qualdeve ser buscado. 4. Como lidar com a vontade de ter uma mediunidade pre-cisa e a inveja de quem a tem. A mediunidade é aquisição do Espírito e, de acordo com aintensidade, significa dedicação ao longo de várias encarnações.É preciso se dedicar a ela com afinco. Possuir uma mediunidadeprecisa confere ao médium responsabilidade para colocá-la aserviço da própria evolução e da comprovação da imortalidadeda alma. Por outro lado, ter uma mediunidade tão ampla, colocao médium em contato muito intenso com o espiritual, o que exigematuridade a fim de lidar com as invasões psíquicas decorrentes.Portanto, para realizar aqueles desejos é preciso estudo, dedica-ção, seriedade, humildade e paciência. 5. Como compreender a si mesmo estando em sintonia comos espíritos e com a vida material simultaneamente. É preciso que o médium se perceba como espírito imortal e,como tal, deve realizar-se, independente do trabalho que executacom sua mediunidade em favor do Espiritismo. O trabalho espíritanão é o meio de realização pessoal, mas uma das dimensões davida do médium, que deve conter outras dimensões de realização.O médium deve levar uma vida normal como qualquer outro serhumano sem precisar se considerar um missionário da humanidade.O exercício da mediunidade não deve ser mais importante do queas demais atividades da pessoa em sociedade. O médium deveestabelecer uma relação com os espíritos, de tal forma, que hajamútuo interesse pelo autodesenvolvimento pessoal.
  • 44. psicologia e mediunidade 45 6. Como enfrentar uma crise existencial na qual o exercícioda mediunidade se encontra em cheque. As crises existenciais são momentos importantes para oEspírito, nas quais ele tem a oportunidade de tomar decisões fun-damentais para sua evolução. Todo ser humano enfrenta crises navida, principalmente após a meia idade. Não deve o médium pen-sar que seria diferente para com ele. Suas crises são como as detodo ser humano. O exercício da mediunidade sendo colocadoem cheque significa pouca consistência em sua inserção nos seuspropósitos pessoais e espirituais na vida. É necessário que o mé-dium entenda o significado do exercício da mediunidade na suarealização pessoal. Seria importante que ele entendesse que suavida espiritual engloba sua vida material, sendo esta última seugrande e atual campo de realização. 7. Como trabalhar mediunicamente estando com desejode fazer sexo. A atividade sexual do ser humano é ocorrência comum aosespíritos, não sendo algo que lhes seja desconhecido. O estadoemocional do médium é o que é relevante no momento do exercí-cio institucional da faculdade. Deve o médium, de acordo comsuas possibilidades e condições de vida, realizar seu desejo, ava-liando as influências que acarretarão em sua mente emocional deforma a que não o atrapalhe no exercício da mediunidade. É me-lhor que a atividade sexual seja realizada e adequadamente satis-feita a fim de que não se apresente como obstáculo ao exercíciopretendido, quer seja pela fixação mental do ato durante o servi-ço mediúnico ou pela repressão indevida. 8. Como ser médium e resolver o medo dos espíritos. O medo no contato com os espíritos é natural e decorre doinstinto de autopreservação. O médium deve ter consciência desua imortalidade e de que os espíritos desencarnados não podemfazer o que querem. Tampouco costumam pôr em risco a vida de
  • 45. 46 adenáuer novaesseus médiuns. A melhor maneira de reduzir o medo é enfrentan-do-o com determinação e confiança em Deus. Entendendo queos espíritos são pessoas tão comuns como o próprio médium,talvez ele diminua seu medo na medida que for se conscientizandoda falibilidade e fragilidade deles. É importante que o médium nãoatribua tanto poder aos espíritos desencarnados. 9. Como lidar com o deslumbramento decorrente do con-tato com os espíritos. É comum ao médium iniciante, ao receber boas e elogiosascomunicações dos espíritos, deslumbrar-se e achar que é um pri-vilegiado. Não sabe ele que esse fato pode ser o começo de umagrande e solitária responsabilidade. É importante que o médiumse conscientize de que é um intermediário dos espíritos e que aqualidade do que recebe, embora tenha sua contribuição, deveráser submetida ao juízo crítico de pessoas mais experientes, parasua própria segurança. Para lidar melhor com o deslumbramento,deve o médium sempre submeter a outrem as comunicações querecebe. 10. Como lidar com aquelas pessoas interessadas em ob-ter mensagens de desencarnados, que não sabem que istoindepende do médium. É muito importante para o médium que ele seja transparenteno exercício de sua mediunidade. Deve sempre que necessárioesclarecer às pessoas sobre como funcionam as comunicações dosespíritos. Dizer-lhes que não se tem o domínio sobre a vida dosespíritos e que, mesmo que queiram se comunicar, nem sempre oconseguem. A quem lhe pede, recomendar paciência e explicar aimportância da oração em favor da pessoa desencarnada, dando aentender que o ciclo dela na Terra já se findou. Fundamental é ter-se a humildade de admitir a incapacidade de obter o que se pededevido ao livre arbítrio dos espíritos e, quando for o caso, a de-pender das restrições do tipo de mediunidade que se possui.
  • 46. psicologia e mediunidade 47 11. Como lidar com a obsessão mesmo sendo um médiumexperiente. Todo médium, por mais experiente que o seja, está sujeitoà obsessão por conta das influências espirituais a que está expos-to. É aconselhável a todo médium, de tempos em tempos, trocarexperiências com outros, mesmo que exerça sua faculdade hámuito tempo. O exercício prolongado da mediunidade, como ode qualquer atividade humana, leva a um padrão típico (rígido) defazê-lo. É possível que esse padrão, se não percebido, leve aatitudes que podem se tornar extemporâneas e inconvenientespor causa da evolução da sociedade. Aqueles comportamentossão válidos num cenário cultural de uma época e podem ser des-necessários num novo contexto social. Tudo se transforma na na-tureza e com o exercício da mediunidade não pode ser diferente.Submeter-se a um processo de análise psicoterapêutica faz bema qualquer pessoa, mas se o médium experiente não o fizer, po-derá valer-se de freqüentes diálogos com pessoas tão experien-tes quanto ele. É só ter um pouco mais de humildade. 12. Como lidar com espíritos que desejam comunicar-se ecuja produção seja intelectualmente inferior. Quando o médium verificar, após submeter sua produçãoa pessoas mais experientes, que se trata de algo de qualidadeinferior, deve dialogar com os espíritos que com ele se comuni-cam orientando-lhes para que amadureçam mais as idéias quepretendem passar a fim de que se tornem mais adequadas aomeio que pretendem atingir. Deve sempre ser transparente comeles e estar preparado para não postergar a decisão de pararcom o exercício, se for o caso.
  • 47. Sinais e sintomas característicos da mediunidade Muito embora Allan Kardec tenha dito que “Nenhum in-dício há pelo qual se reconheça a existência da faculdademediúnica.” , podemos estabelecer pelo menos alguns sinais 3identificadores da ocorrência de alterações no indivíduo que pos-sam ser atribuídas a algum tipo de interferência mediúnica. A afir-mação de Allan Kardec talvez diga respeito ao reconhecimento apriori, em face da inexistência de sinais externos nos médiuns oumesmo por conta da exigência da presença dos espíritos para suaocorrência. Por enquanto a mediunidade não foi detectada organica-mente, mas apenas pelos efeitos que produz. Nenhum médium,por mais experiente que seja, garante que pode controlar a de-monstração da sua faculdade. A mediunidade é uma faculdadepsíquica e, como todo fenômeno subjetivo, não se submete, doponto de vista experimental, à observação e repetição. Há, porém, alguns indícios que podem nos levar futura-mente à sua detecção e comprovação. Eles são subjetivos e facil-mente podem ter explicações psicológicas inconscientes ou mes-mo parapsicológicas anímicas. No seu conjunto, numa mesma3 O Livro dos Médiuns, Cap. II p. 78, FEB.
  • 48. psicologia e mediunidade 49pessoa, podem apontar para a existência da faculdade denomi-nada de mediunidade. São eles: 1. Idéias e sentimentos inusitados na forma de pressenti-mentos que acabam por se concretizar. Ocorre também como seo indivíduo já soubesse antecipadamente o que irá ocorrer, per-mitindo-lhe agir de acordo com uma certeza interna; 2. Forte dose de intuição quanto às pequenas ocorrênciasdo cotidiano. Geralmente coloca o indivíduo num estado deconsciência de quem tem o domínio dos eventos do dia, sem lhegerar qualquer ansiedade; 3. Arrependimentos tardios após atitudes inadequadas quepoderiam ter sido evitadas. São situações freqüentes de ausênciade vontade própria, nas quais parece haver uma outra personali-dade no controle, trazendo desconforto momentâneo; 4. Alterações constantes na forma, no conteúdo e no cursodos pensamentos promovendo desvio na elaboração das idéias.Apresentam-se como falhas ou ausências no pensar, provocandosérias alterações na vida profissional, afetiva e familiar da pessoa; 5. Alterações orgânicas e da senso-percepção não atribu-íveis a fatores funcionais nem a interferências psicossomáticas.Tais alterações podem ir do desconforto orgânico a alteraçõessignificativas nos cinco sentidos físicos, os quais podem se tornarhipo ou hiper-sensíveis; 6. Ocorrências repetitivas de sonhos premonitórios ou desonhos freqüentes com pessoas que já morreram. Freqüentessonhos nos quais eventos futuros são vistos pelo sonhador, en-volvendo terceiros ou a si mesmo, como também sonhos compessoas, parentes ou não, já desencarnados e que parecem que-rer transmitir alguma mensagem;
  • 49. 50 adenáuer novaes 7. Sensações constantes de presenças à sua volta, ou deterceiros, de seres invisíveis. Ocorre como se algo envolvesse apessoa e lhe transmitisse a sensação de alguma companhia nãovisível. Às vezes, a pessoa sente uma alteração em seu estado deconsciência; 8. Ruídos e pancadas à sua volta não atribuíveis a fatoresfísicos conhecidos. São ruídos que parecem vir de dentro de pa-redes ou de objetos maciços como pancadas fortes e rápidas; 9. Audição de vozes aparentemente oriundas do interior dacabeça. Sons de palavras ou de músicas que soam no interior dacabeça e que não se originam de lugar externo; 10. Superexcitação motora seguida de forte desejo de es-crever. Às vezes, inicia-se com um forte desejo de escrever oucom uma persistente idéia inusitada sobre algum tema. Muitasvezes, tal desejo é acompanhado de tremores num dos braços, oqual apresenta movimentos repetitivos sem controle conscienteda pessoa; 11. Sensação descontrolada de que poderá ser tomadopor algo, seguido de forte desejo de falar. Apresenta-se, muitasvezes, como um desconforto toráxico e uma necessidade de gri-tar ou chorar. Pode, também, surgir como se alguma parte docorpo fosse acometida de uma intensa dor aguda; 12. Facilidade na obtenção de cura de doenças alheias,pelo simples desejo de obtê-la ou pela proximidade ao doente. Apessoa, pelo desejo consciente ou não, percebe a cura ou melho-ra de doenças em terceiros pelo contato físico ou por sua simplespresença; 13. Produção de conhecimentos não atribuíveis ao saber
  • 50. psicologia e mediunidade 51do indivíduo e à sua revelia. Quando, após a simples atividade deescrever ou de falar em público, a pessoa observa ou alguém lhediz que o que produziu é de excelente conteúdo e de qualidadesuperior aos conhecimentos intelectuais que possui. 14. Obtenção de índices acima dos níveis aceitáveis nascartas Zenner . Quando feito o teste Zenner, o percentual de acer- 4tos na retro-cognição e na pré-cognição apresenta níveis acimada média; 15.Achados psicométricos em experiências típicas. Quan- 5do o índice de acertos nos detalhes de objetos no testepsicométrico é superior ao normal; 16. Constantes experiências emocionais de “déjà vü”.Quando a pessoa tem freqüentes experiências emocionais de terestado em determinados lugares antes, sem conscientemente tê-los conhecido.4 Teste que utiliza um baralho de 25 cartas com cinco naipes (linhas onduladas,círculo, quadrado, estrela e cruz) para identificar as faculdades paranormais de retro-cognição, pré-cognição, dentre outras.5 Vem de Psicometria, faculdade que permite ao indivíduo entrar em contato com ahistória pregressa do objeto que toca, captando-lhe as vibrações dos eventos queocorreram em seu entorno, nele impregnadas.
  • 51. Mediunidade e sintonia Sintonizar com os espíritos é colocar-se predisponível aocontato psíquico com eles de forma consciente ou inconsciente,não só pelo pensar como também pelo sentir. Naturalmente jáestamos sintonizados com eles por conta do nosso padrão psí-quico de pensar e sentir. Nossos atos não só resultam desses doispadrões como também das influências do meio no qual são exe-cutados, incluindo aí as interferências psíquicas de encarnados ede desencarnados. Pensamentos e sentimentos são a base de nossas ações. Opensar humano consciente é monofocal, não sendo possível suafixação em mais de uma idéia simultaneamente, muito embora sepossa reter distintas captações num mesmo instante. Quando qui-sermos sintonizar com os espíritos devemos desfocar o pensa-mento de uma idéia fixa para que possamos captar outra idéiaque porventura esteja disponível à consciência. O foco do pensa-mento não direcionado favorece a captação de idéias provenien-tes de mentes desencarnadas que se coloquem numa freqüênciasimilar à nossa. Sintonizar com um pensamento ou idéia alheia é uma ativi-dade que exige disponibilidade para desligar-se do próprio pen-sar até o início da recepção da onda mental externa. O foco dopensamento é conseguido quando o ego, centro da consciência,assenhora-se de uma idéia específica, associando outras disponí-
  • 52. psicologia e mediunidade 53veis em seu campo. O ego voltado exclusivamente para uma idéia,combinado com a pregnância de uma emoção específica configu-ra uma freqüência psíquica. A freqüência psíquica é, então, a uniãode uma idéia com um sentimento específico. A pregnância é apropriedade que envolve um objeto em uma qualidade que nãolhe pertence, mas que a ele se agrega de forma imperceptível. Quando desejamos nos comunicar com os espíritosdesencarnados estaremos numa determinada freqüência psíquicapara tal. Se quisermos mudá-la teremos de alterar a emoção ou opensamento. O estado de oração é uma forma de mudança deambos. A sintonia não se dá apenas por um momento e em esta-do de oração, mas principalmente pelo modo de ser do indiví-duo, pela sua natureza íntima, pelos sentimentos e idéias de que éportador. A sintonia momentânea que se pretende fazer com umdesencarnado infeliz, inseguro, doente ou algo parecido, duranteuma reunião mediúnica, não se faz emitindo maus pensamentosou sentimentos negativos, mas por uma predisposição psíquicavoluntária. Sintonizar é estar na mesma freqüência psíquica deoutrem, podendo captar e emitir pensamentos simultaneamente. Ter bons pensamentos não é só simplesmente construir boasidéias no momento em que se queira conectar com os espíritosdesencarnados voltados para o Bem, mas também estabelecerum estilo de vida pessoal que favoreça naturalmente seusurgimento. Bons pensamentos contribuem para a sintonia comBons Espíritos. Bons sentimentos fortalecem a ligação do indiví-duo com aqueles espíritos, na medida que foram construídos combase na bondade e no amor. A amorosidade da pessoa é uma dasformas mais seguras de construir sentimentos superiores. Muito embora não se deva cultivá-los, o fato de ter mauspensamentos, assim como ter raiva, não impede o contato comos Bons Espíritos, visto que se trata de possibilidades humanasnaturais. Adotar ou livrar-se rapidamente dos maus pensamentose da raiva, pode ser um equívoco, pois devemos, antes, questio-
  • 53. 54 adenáuer novaesnar-nos sobre sua causa e procedência, para depois ocupar-nosem redirecionar a energia psíquica que eles mobilizam. Pessoas desencarnadas ou não, de distintas índoles e ní-veis evolutivos diferentes, boas ou más, podem sintonizar-se, cons-ciente ou inconscientemente, quando se encontram numa mesmafreqüência vibratória.
  • 54. Fenômenos psíquicos resultantes A grande maioria dos sintomas presentes nas psicoses enoutros transtornos psíquicos, os quais alteram significativamenteo curso e o conteúdo do pensamento, é acentuada pela existênciada faculdade mediúnica, ainda embrionária no ser humano e, por-tanto, sem a devida educação. A penetração de pensamentos de um desencarnado namente de um encarnado pode provocar uma série de transtornosnaquele que recebe a interferência. Quando há uma forte ligaçãoentre ambos, estruturada em experiências por eles vividas anteri-ormente, o transtorno é mais sério e tende a alterar significativa-mente o curso das idéias do encarnado. Quando o desencarnadoteve alguma relação com vidas passadas do encarnado, sua pre-sença no campo psíquico deste promove sensações e emoçõesque se assemelham às que tiveram no passado. O desencarnadotende a sensibilizar conteúdos psíquicos arquivados no inconsci-ente evocando-os à consciência ou alterando seu campo. Aquelapresença provocará várias alterações no estado psíquico e emo-cional do encarnado de forma inconsciente. Quanto mais consci-ente o médium seja de sua faculdade e quanto mais ele se conhe-ça interiormente, menos perturbação ela lhe trará. Essa espécie de invasão psíquica, quando ocorre, parece
  • 55. 56 adenáuer novaesuma falha no curso do pensamento sobre o qual se perde o con-trole, passando-se a ter outra ordem de idéias, que, se não forpercebida, determina a vivência num plano fantasioso. É exata-mente essa mistura de pensamentos que provoca perturbaçõespsíquicas e desarrumação no psiquismo do encarnado, podendoevoluir para uma psicopatologia. A faculdade mediúnica, inerente ao ser humano, permiteuma alteração na fronteira entre o inconsciente e a consciência.Favorece a permeabilidade de conteúdos até então inconscientesem direção à consciência, sem o controle do ego. Essa invasãopsíquica facilita associações automáticas de conteúdos aversivosexistentes tanto na consciência quanto no próprio inconsciente.Esses conteúdos aversivos se relacionam aos aspectos admitidoscomo sobrenaturais ou ligados à morte. Resultam em associa-ções que interferem no estado psíquico geral promovendo trans-tornos que, muitas vezes, se assemelham aos das psicoses. Qual-quer ser humano está sujeito a essas invasões, porém nem emtodos, que felizmente representam a grande maioria, este fato evoluipara uma patologia psíquica. A mediunidade flexibiliza a penetração do ego no inconsci-ente favorecendo um grau maior de autodescobrimento dos con-teúdos simbólicos lá existentes. Com ela, o indivíduo se mostramais conhecedor de si mesmo e daquilo que normalmente é ocul-to. Ela o coloca num estado alterado de consciência que lhe per-mite estar mais disponível às captações dos eventos emitidos porencarnados, tanto quanto por desencarnados. Esse contato constante com os conteúdos simbólicos in-conscientes, bem como com as emissões mentais de encarnadose de desencarnados, poderá levar o indivíduo ao desequilíbriopsíquico ou ao brilhantismo intelectual, a depender de seu nívelde maturidade espiritual. A forma como o indivíduo utiliza suamediunidade concorrerá para a ocorrência de perturbações psí-quicas. Na maioria dos casos, a mediunidade faz com que o indiví-
  • 56. psicologia e mediunidade 57duo se sinta fora do mundo real e deslocado de sua época. Mui-tas vezes, percebe as coisas sob uma ótica diferente do sensocomum, o que o faz sentir-se estranho e esquisito.
  • 57. Invasões psíquicas As invasões psíquicas a que o ser humano está sujeito nãodecorrem da mediunidade, mas são por ela facilitadas. São ocor-rências comuns no psiquismo humano sem serem patologias. Sãoidéias e emoções que se conectam abruptamente ao ego, o qualfica por elas afetado. As invasões são irrupções inconscientes que assomam àconsciência por força de fortes e densos complexos estruturadosem vidas passadas, que podem promover graves transtornos psí-quicos. Os complexos podem ser acionados por conta de meca-nismos automáticos, os quais decorrem de eventos externos quea eles se conectam, ou por força de influências espirituais. São afecções do psiquismo cuja erradicação é de difícilalcance em face das íntimas conexões internas. O ego conectadoa um forte complexo, terá dificuldade dele desligar-se sem ajudaexterna. Da mesma forma, a ligação entre um desencarnado e umencarnado, por causa de um forte sentimento entre eles, dificil-mente é desfeita sem que um deles se modifique. Todo ser humano possui guardadas no inconsciente, expe-riências de vidas passadas que, pela intensidade da energia emo-cional gerada quando foram vividas, ficam emitindo freqüênciascaracterísticas, que permitem atrair (ou são percebidas) outrasmentes que se encontram no mesmo padrão. São exatamente essasexperiências e suas emoções típicas que revestem nosso modo
  • 58. psicologia e mediunidade 59de pensar, sentir e agir. Elas facultam as invasões psíquicas sem aintervenção da vida consciente. As irrupções psíquicas, quando mais intensas e desequilibra-das, provocam as psicoses e outros transtornos graves da perso-nalidade. Quanto maior a intensidade emocional e quanto mais cons-ciente ela tenha sido vivida no passado, mais abrupta poderá ser airrupção no presente. Por ser uma extensão da consciência, as alterações químicasprovocadas no córtex cerebral interferem nas irrupções psíquicas.Medicações que inibem o sistema nervoso central diminuem o campoda consciência acessível ao ego, reduzindo as irrupções da consci-ência, porém limitam a vida e as possibilidades de crescimento doindivíduo. Muito embora não seja ela que as provoque, as irrupçõesabruptas do inconsciente serão favorecidas pela mediunidade, cujaexistência amplia o campo de acesso da consciência ao inconscien-te. Para se reduzir os efeitos dessas naturais irrupções deve-sebuscar trazer equilibradamente os conteúdos inconscientes à cons-ciência. Expressar o inconsciente é fundamental ao desenvolvimen-to psíquico do ser humano. A expressão adequada do inconsciente, buscando entendero mito pessoal que vivencia, os processos repetitivos, os padrõesde comportamento pessoal, os símbolos e rituais adotados na vida,contribuem para a redução das irrupções abruptas do inconsciente.A compreensão destes processos e a busca de seu significado trans-cendente levarão à manifestação do inconsciente sob o controle doego. Quanto mais o indivíduo entender os símbolos que permeiamsua vida, melhor ele a conduzirá, com ou sem as invasões psíquicas. Tais invasões podem ocorrer durante o sono por via do alí-vio psíquico promovido pelos sonhos. Uma das formas de se evitara possibilidade dos sonhos serem veículos de processos que de-sencadeiem esse tipo de invasão psíquica é o hábito salutar de in-terpretar os símbolos contidos neles.
  • 59. 60 adenáuer novaes A prevenção das irrupções psíquicas se promove no pen-sar, no agir e no sentir em equilíbrio e harmonia, por parte doindivíduo, no processo de buscar uma boa relação com os con-teúdos do inconsciente. Entender a subjetividade do mundo, bemcomo saber interpretar adequadamente os símbolos da vida, éfundamental para uma equilibrada assimilação dos conteúdos doinconsciente.
  • 60. O eu cindido no fenômeno mediúnico Todo indivíduo que exerce a mediunidade ostensivamentee por muito tempo flexibiliza naturalmente a relação entre a cons-ciência e o inconsciente de tal forma que as portas deste últimoficam por demais abertas. É natural que corra o risco de assimilaros símbolos existentes no inconsciente, vivenciando-os novamente.O ego não só fica exposto às influências dos complexos comotambém à maior possibilidade de identificar-se com personas 6vividas em outras encarnações. A identificação do ego com umapersona do passado reencarnatório pode ocorrer sempre queuma experiência emocionalmente forte tenha sido vivida pelo es-pírito sem que ele tenha conseguido dela desligar-se. A mediunidade exercida com equilíbrio exige um ego ma-duro e estruturado a fim de que essa possibilidade seja reduzida.6 O termo persona deriva das máscaras que os atores gregos usavam para os diversospapéis ou personalidades que interpretavam. É o aspecto ideal do eu que se apresentaao mundo e que se forma pela necessidade de adaptação e convivência pessoal. É oque se pensa que é. Muitas vezes a persona é influenciada pela psiquê coletivaconfundindo nossas ações como se fossem individuais. Ela representa um pactoentre o indivíduo e a sociedade, sendo um conjunto de personalidades ou umamultiplicidade de pessoas numa só. A identificação do ego com a persona, quandoocorre, provoca o afastamento de nossa identidade pessoal, isto é, corremos o riscode não sabermos quem realmente somos. (Conceito extraído do livro ´Sonhos:mensagens da alma´, do autor)
  • 61. 62 adenáuer novaesQuando ela ocorre dá-se uma espécie de cisão no ego que ficadividido entre a realidade atual e os conteúdos inconscientes. Umego maduro e estruturado é aquele que, dentre outras qualida-des, guarda uma estreita relação com o Self, é auto-determinado,sabe evitar identificar-se com a psiquê coletiva, bem como sepa-ra sua vida privada de sua tarefa mediúnica. O médium cujo egoé maduro não se auto-intitula missionário nem aceita tal condição.Não vive exclusivamente este papel, por conta da necessidadede viver a vida na matéria, imerso nas ocupações normais da so-ciedade encarnada. A cisão do eu, típica na esquizofrenia, pode ocorrer nofenômeno mediúnico em face da profunda conexão entre mentesque se alinham numa mesma freqüência, quando uma delas su-cumbe à outra. Na esquizofrenia a cisão não tem o devido con-trole nem é consciente ao indivíduo, que, impossibilitado de qual-quer coisa fazer, se vê em realidades distintas e conflituosas. Nummomento se vê envolvido por uma experiência vivida no passadoreencarnatório, noutro se vê em contato com entidadesdesencarnadas e noutro ainda se percebe vivendo na realidadeatual. Muitas vezes as três experiências emocionais se juntam pro-movendo um grande transtorno psíquico. No fenômeno mediúniconão é muito diferente, porém o eu que se cinde não perde o do-mínio sobre aquele que deseja se comunicar, nem tampouco so-bre suas próprias experiências pregressas. Mesmo nos momentos de lucidez e de efetivo contato coma personalidade atual, consciente da realidade, o portador daesquizofrenia sabe que sua mente vive em constante instabilidade,na qual a cisão pode ser inevitável. No transtorno psíquico, a cisão do eu caracteriza-se pelaperda do controle sobre a consciência, onde o ego não consegueo domínio de seus conteúdos, isto é, torna-se incapaz de manter-se como ordenador daquele campo. No fenômeno mediúnico,muito embora possa haver perda do controle sobre a consciên-cia, o próprio médium, temporariamente desconectado de parte
  • 62. psicologia e mediunidade 63dela (córtex), mantém o controle sobre o que ocorre. A consci-ência é mantida, porém a energia psíquica não está totalmentevoltada para seus conteúdos, o que caracteriza um estado altera-do dela. Essa cisão decorre de um poderoso mecanismo dedesconexão do ego, que perde sua autonomia pelo predomínioque permite a outro ego expressar-se. Quando o ego se identifica com uma ou mais personas(ego-identidade) , ou quando se conecta com um intenso com- 7plexo emocional inconsciente, pode também, caso não haja con-trole do médium, haver uma cisão. A cisão do ego-identidade presente decorre de uma fragi-lidade por conta da não aceitação de si mesmo e de uma identifi-cação externa não consciente. A identificação do ego atual comuma persona passada também decorre da intensidade como elafoi vivida, da importância que atribui a ela e das influências espiri-tuais que ele atrai. O fortalecimento do ego-identidade é fundamental para queaquela identificação não se dê ou para que tenha pouca influên-cia. Esse fortalecimento, que será importante para evitar a cisãodo eu (ego), é favorecido pelos estímulos maternos e paternos naidade infantil (primeira infância) até a adolescência. Estimular éidentificar reais qualidades na criança e verbalizar a ela sua im-portância e uso adequado de suas habilidades. No início da puberdade (geralmente a partir dos 9 anos) areencarnação do espírito ainda está por se completar e o ego-identidade que ele está formando ainda se encontra tímido e nãoconstituído integralmente. É nessa fase que o indivíduo se tornasuscetível aos estímulos oriundos de figuras referenciais (pai, mãe,irmãos mais velhos, amigos etc.), como também propenso à assi-milação dos componentes característicos de personas de vidaspassadas.7 O ego é uma função da consciência que tem a propriedade de associar conteúdos,dando-lhes energia psíquica. É também um complexo. Quando o Espírito o tomacomo representação de sua identidade, torna-se ego-identidade.
  • 63. 64 adenáuer novaes A mediunidade explícita nesta fase tende a contribuir paraa cisão do eu, se não devidamente educada. A criança que a apre-sente deve ser devidamente orientada, sem repressões dogmáticas,nem estímulo ao uso irresponsável. Nas esquizofrenias e em certas psicoses nas quais o eu seencontra cindido, a mediunidade também é componente que contri-bui para que tal cisão ocorra. Nelas a educação mediúnica deveser feita a partir da provocação de um temporário bloqueio.
  • 64. Os complexos autônomos e a mediunidade Complexos são núcleos de pensamentos, idéias e emoções,geradas a partir das várias experiências do Espírito, que se estruturamna psiquê pelas associações inconscientes. Todos temos comple-xos e, a cada momento estamos gerando outros. Alguns, por forçada energia psíquica que adicionamos às experiências, se tornam su-ficientemente autônomos e com isso influenciam o ego de tal formaque passam a dirigi-lo. Outros, apenas influenciam o ego sem contu-do o dominarem. O conceito de complexo não é aqui aplicado nosentido restrito patológico, mas sim em sua amplitude como núcleoagregado de pensamentos, idéias e emoções, resultante de experi-ências, sem necessariamente provocarem transtornos psíquicos. Aconsciência não possui domínio sobre as associações, pois elas sãoautomáticas e vão se realizando a cada nova experiência do Espíri-to. Experiências de encarnações distintas podem ser instantanea-mente conectadas no inconsciente quando geram idênticas emoções. Os complexos, como todo o inconsciente, se encontra noperispírito. Eles não são os chakras, pois estes são manifestaçõesenergéticas do perispírito, perceptíveis fisicamente e que se encon-tram na superfície do corpo espiritual, tal como a pele no corpofísico. Com isso quero dizer que o perispírito é psíquico e energéticosimultaneamente.
  • 65. 66 adenáuer novaes O inconsciente, o qual, como disse, se encontra noperispírito, como boa parte da psiquê ou mente, contém umavasta rede especialmente constituída, cujos nós se interligam pelasemelhança vibracional de emoções. Essa rede foi constituída noperispírito pelas experiências do Espírito a cada encarnação. Elavem sendo arquetipicamente elaborada ao longo da evolução es-piritual. As tendências comportamentais coletivas proporcionamexperiências que promovem a internalização de conteúdos emo-cionais, os quais vão se constituindo na parte pessoal do incons-ciente. O livre arbítrio em contato com as tendências arquetípicasvai estruturar os aspectos singulares da personalidade no indiví-duo. As experiências de uma pessoa são preenchidas de moti-vações conscientes, motivações inconscientes, idéias lógicas,emoções conscientes, emoções inconscientes, sensações corpo-rais, estímulos externos não percebidos, atitudes ativas, atitudesinativas e o resultante racional e emocional de cada vivência. Es-ses componentes, interagindo instantaneamente, geram um con-junto, de um lado coeso e de outro conectado em suas partes, aoutras emoções de antigas experiências que se assemelham. Aconexão de partes dessas experiências com a energia psíquicavinculada num tônus emocional a um ou mais arquétipos, caracte-riza um complexo. As experiências, nas quais ocorreram um contato com osagrado, o transcendente, o místico, a morte ou a divindade, aose associarem no inconsciente, formam complexos que seconectam a funções específicas do perispírito responsáveis pelamediunidade. São aquelas experiências que contribuem para asalterações nas capacidades mediúnicas do indivíduo. Algumasexperiências as desenvolvem e ampliam-nas, outras as bloqueiamou atrofiam-nas. Quanto mais consideramos o mediúnico como algo sobre-natural, ou mesmo como um contato com o sagrado, mais estare-mos contribuindo para a consolidação dos complexos que con-
  • 66. psicologia e mediunidade 67tém experiências aversivas a ele ligadas. É necessário que consi-deremos a mediunidade como um fenômeno natural e funcionalpara a vida do espírito encarnado ou desencarnado. Quanto maisassim procedermos, mais reduziremos as influências dos comple-xos estruturados ligados ao mediúnico. A mediunidade, por favorecer uma maior conexão da cons-ciência com o inconsciente, permite que o médium fique mais vul-nerável às influências dos complexos. A consciência da existên-cia dos próprios complexos bem como sua dissolução efetiva éfundamental para que o médium reduza a possibilidade de sertomado por qualquer deles. Os complexos de culpa e de podersão facilmente assimilados pelos médiuns em face de seu nível deevolução e das experiências pregressas que o levaram ao exercí-cio institucional da mediunidade. O complexo de culpa se deve àrepressão religiosa e cultural da sociedade na qual o médium vive.Tal culpa provoca-lhe a necessidade de um alívio por via da ativi-dade consolatória missionária. Essa atitude pode conectá-lo tam-bém ao complexo de poder que lhe poderá estimular a vaidade. O contato com o sagrado e o transcendente, tanto quantocom o mediúnico, contribui para o desenvolvimento e a amplia-ção das faculdades mediúnicas, à proporção que o fizermos ple-namente conscientes do aprendizado que estaremos realizando.Para reduzir as influências dos complexos estruturados em vidaspassadas, adquiridos no contato com o sagrado, devemos consi-derar que nada está fora do divino e que nós também o somos.
  • 67. Cuidados com o desenvolvimento Allan Kardec afirma que O Livro dos Médiuns contém“Ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gê-neros de manifestações, os meios de comunicação com omundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as difi-culdades e os tropeços que se podem encontrar na prática doEspiritismo.” Podemos perceber que, antes de publicar o livro,ele tinha a preocupação com o desenvolvimento da mediunidade,pois sabia que seria algo relevante na prática do Espiritismo. Étambém importante acrescentar que ele considerava o desenvol-vimento factível quando havia rudimentos da faculdade, isto é,quando o indivíduo observasse sinais de sua existência mais os-tensiva. Para ele o exercício sério levaria ao desenvolvimento dasfaculdades mediúnicas, principalmente da psicografia. Desenvolver alguma coisa é fazê-la crescer na forma, naquantidade e no conteúdo, através da própria natureza ou porestímulos que acelerem o processo. Com respeito à mediunidade,os meios se dão através do exercício contínuo e sistemático. Épreciso, como bem colocou Allan Kardec, que haja rudimentosda faculdade para que ela se desenvolva. É no exercício de suasmodalidades que o indivíduo descobrirá qual dos tipos demediunidade possui. O exercício deve ser seguido de estudo sé-
  • 68. psicologia e mediunidade 69rio e de persistência. Há casos em que ele aconselha que se façao exercício por meses seguidos, pois conhecia médiuns que sóconseguiram resultados após seis meses. Antes de iniciar o desenvolvimento da própria mediunidade,deve a pessoa questionar-se qual o objetivo em fazê-lo, tendoem vista a necessidade de inserir seu possível sucesso no sentidoque pretende dar à própria vida. Mesmo que se queira o bem dahumanidade ou fazer caridade aos espíritos desencarnados como esclarecimento, ou ainda buscar a própria redenção, deve-seter uma visão de longo prazo na atual encarnação. O exercício damediunidade chamada de socorrista requer abnegação e certossacrifícios. É importante que o candidato a tal posto meça antessuas possibilidades para não se culpar adiante quando descobrirque não era aquilo que queria para si. O desenvolvimento da mediunidade se constitui no exercí-cio de um determinado tipo de uso e pela conexão a espíritos quese interessam pela comunicação que se pretende estabelecer. Éimportante que não se vá a uma reunião para desenvolver amediunidade sem descobrir antes qual tipo possui mais proemi-nente. Seria conveniente não só estudar antes o espiritismo, juntoa pessoas mais experientes, como também fazer alguns testes dedetecção. Recomendo que a pessoa faça alguns dos exercícios cons-tantes do capítulo “Pequenos exercícios práticos”, bem comoteste sua sensibilidade mediúnica. Os espíritos que se colocam junto aos candidatos a mé-dium ostensivo geralmente visam o bem de seus pupilos assimcomo o progresso da humanidade. Eles, também, visam o pró-prio crescimento espiritual, pois estão em vias de reencarnar epretendem continuar no contato com a mediunidade. É importan-te que o encarnado procure estabelecer uma relação empáticacom o desencarnado, na qual haja confiança e amizade. Comosempre, deve ser uma relação na qual ambos se considerem nomesmo nível de evolução.
  • 69. 70 adenáuer novaes O desenvolvimento da mediunidade é favorecido pela cons-tante conexão que o indivíduo deve fazer com sua intuição e tam-bém cultivando sempre a certeza de estar em companhia dos es-píritos. A intuição é um instrumento poderoso na vida do ser hu-mano, pois é com ela que os espíritos contam para passar suasidéias aos encarnados, quando estes não apresentam mediunidadeostensiva. A mediunidade não deve ser desenvolvida por conta sim-plesmente de uma obsessão. Muito embora possa ocorrer o de-senvolvimento depois de tratada a obsessão, esta deve ser tidacomo uma expressão do inconsciente aflorado por influência deuma ou mais entidades espirituais. O desenvolvimento e a educa-ção da mediunidade deve ocorrer sempre que o indivíduo o de-sejar, por tê-la naturalmente, ou quando haja sinais evidentes desua manifestação explícita. Embora a mediunidade possa ser de-senvolvida em qualquer lugar, inclusive em casa, porém é conve-niente, por razões de segurança pessoal, que ocorra num CentroEspírita cuja orientação doutrinária se baseie nas obras de AllanKardec. Um dos fatores que contribui em muito para o desenvolvi-mento da mediunidade é a consciência da existência em si pró-prio, pois isso propicia a disposição psíquica à ocorrência dosfenômenos. Tal disposição pode, num primeiro momento, susci-tar a imaginação, porém, após certo tempo de exercício, a pró-pria pessoa poderá discernir sobre o que ocorrer. Tendo dificul-dade em fazê-lo, é conveniente que submeta suas sensações eimpressões a pessoas mais experientes. São fatores que facilitam o desenvolvimento harmônico dafaculdade mediúnica: a) Disciplina em fazer certos exercícios ligados ao desen-volvimento. Fazer os mesmos exercícios todos os dias, no mes-mo horário e, preferencialmente, no mesmo local; b) Foco de atenção ao curso do próprio pensamento. Bus-car um local onde possa haver recolhimento e sem incômodos
  • 70. psicologia e mediunidade 71externos. Manter o pensamento voltado aos próprios objetivos; c) Atenção voltada para suas próprias sensações, emo-ções e idéias. Procurar integrar mente e corpo como um únicosistema; d) A oração emocionalmente sentida. Buscar manter-se emoração rogando a Deus e aos Bons Espíritos a oportunidade demanter uma conexão mediúnica; e) O contato mais freqüente e consciente com espíritos.Procurar participar de grupos que se dedicam ao estudo da men-te, da mediunidade ou de questões ligadas aos espíritosdesencarnados; f) Contactar com outros médiuns. O contato freqüente compessoas que já tenham a faculdade mediúnica desenvolvida e sobcontrole poderá também ser um facilitador para quem se coloquea seu lado. Mesmo que se queira obter o desenvolvimento damediunidade é possível que ela não desabroche na intensidadeque se deseja. Há fatores psicológicos inconscientes e espirituaisque podem interferir. Os fatores psicológicos inconscientes po-dem promover um bloqueio que impeça o desabrochar da facul-dade. O bloqueio pode ser uma proteção do próprio indivíduo àinvasão de conteúdos inconscientes que poderiam lhe trazerdesequilíbrios. Esse mesmo bloqueio pode se dar por medo ouinsegurança, os quais podem ser eliminados com paciência, per-sistência e estudo. Os fatores espirituais podem estar relaciona-dos ao processo evolutivo do indivíduo, cujo conhecimento eavaliação dizem respeito a espíritos que lhe supervisionam aencarnação.
  • 71. Mediunidade e sonhos Os sonhos são produções espontâneas do inconsciente,sem a participação direta do ego. Eles brotam das conexões psí-quicas que formam os nós das redes dos complexos. São ex-pressões do Espírito que aliviam as tensões geradas pelo conjun-to das emoções das experiências reencarnatórias. Não são qui-meras nem fantasias, mas legítimas imagens carregadas de signifi-cado aparentemente incompreensível. São resultantes simbólicos das intensas emanações dasexperiências vividas pelo espírito, que ficam gravadas noperispírito. Essas experiências podem ser ocorrências no momentodo sono, da vida atual, de vidas passadas, assim como prognós-ticos quanto ao futuro. Os sonhos que retratam vivências do espírito durante o sonodo corpo físico, contêm menos símbolos e são mais nítidos e lógi-cos do que aqueles que trazem informações sobre vidas passa-das. Porém, qualquer que seja o conteúdo dos sonhos, ele sem-pre terá símbolos a serem decodificados. A existência da faculdade mediúnica desenvolvida favore-ce a produção de sonhos com fraco conteúdo simbólico, pois oinconsciente dos médiuns ostensivos é mais aberto à consciência.Tal abertura favorece o alívio natural das tensões inconscientes,conforme o médium for lidando harmonicamente com os fenôme-nos resultantes de sua relação com o espiritual.
  • 72. psicologia e mediunidade 73 Embora os sonhos retratem aspectos da vida do sonhador,contendo realidades que lhe pertencem, alguns médiuns têm a faci-lidade de sonhar com informações sobre a vida de outras pessoas.Isso é raro e denota a existência de uma faculdade psíquica espe-cial. Há pessoas que sonham com eventos que freqüentementeterminam por acontecer. São os chamados sonhos premonitórios.Esse tipo de mediunidade não só decorre do contato do médiumcom espíritos que lhe proporcionaram conhecimentos além do sensocomum, como também por conta da flexibilidade maior do médiumem vasculhar seu inconsciente, obtendo mais amplas informaçõespara antever o futuro. Não são previsões absolutas, mas possibili-dades de ocorrência, com altos níveis de probabilidade. Apremonição é sempre uma possibilidade e não uma ocorrência fu-tura absoluta. Os sonhos dos médiuns podem estar misturados com idéias,emoções e informações de espíritos desencarnados que com elesmantêm contato próximo. Espíritos que porventura se encontremno campo psíquico do médium, poderão, por pregnância, alterar oconteúdo de seus sonhos. Os símbolos neles presentes podem es-tar misturados aos próprios do inconsciente do médium. Os tiposde símbolos servem como elementos de identificação de sonhosque são vivências espirituais, dos sonhos comuns e oriundos dapsiquê do próprio indivíduo. É sempre oportuno que os médiunsostensivos levem seus sonhos para interpretação a pessoas quetenham conhecimento psicológico e espírita, e que poderão melhorauxiliá-los na compreensão dos símbolos neles presentes. As pessoas que sonham freqüentemente com outras que jáfaleceram, parentes ou não, possuem um tipo de mediunidade aque chamo mediunidade onírica, pois ocorre durante o sono e sóé percebida após o acordar. Seu desenvolvimento está associadoà identificação dos personagens desencarnados presentes nos so-nhos, bem como à interpretação adequada das mensagens nelesexistentes.
  • 73. 74 adenáuer novaes O médium onírico (não confundir com o médiumsonambúlico) deve sempre buscar interpretar seus sonhos, sepossível conjuntamente com os parentes dos desencarnados queneles surgem.
  • 74. Alterações somáticas O contato com espíritos desencarnados provoca uma liga-ção muito próxima e, às vezes, demorada, entre perispíritos, po-dendo promover a transferência de sintomas físicos de um paraoutro. Uma pessoa encarnada poderá ter sensações que perten-cem a um desencarnado, caso este mantenha um contato íntimo eprolongado com aquela. A troca de fluidos favorecerá a transfe-rência de sintomas. Da mesma forma ocorre no exercício prolon-gado da mediunidade, em face do contato constante comdesencarnados, principalmente nas atividades de desobsessão. Com o uso da mediunidade se flexibiliza o contato do mé-dium com seu inconsciente, o que favorece a absorção pelo cor-po físico de sensações e emoções nele guardadas na forma decomplexos densamente carregados. As alterações físicas que ocorrem pelo uso da mediunidadedependerão de fatores diversos, dentre os quais: 1. Densos complexos existentes no inconsciente. Quantomais intensos sejam, maior probabilidade de serem somatizados,se não devidamente conscientizados e trabalhados pelo médium; 2. Tipo de indivíduo desencarnado e suas intenções. Quantomais doentias sejam as entidades espirituais, maior sua influêncianociva sobre o médium e maior a chance por parte deste de ab-sorver as emissões fluídicas negativas, tornando-se propenso adoenças;
  • 75. 76 adenáuer novaes 3. Grau de sensibilidade do médium. Quanto mais sensívelmediunicamente, mais chance terá o médium de absorver fluidosespirituais; 4. Processos cármicos expiatórios do médium. Quando omédium possui carmas ligados a doenças, mais facilmente elas seinstalarão; 5. Descuido do médium e envolvimento em situações derisco moral. Quando o médium se descuida de sua saúde, nãotendo os cuidados necessários com ela e quando adota práticasatentatórias à moral e aos bons costumes. Em geral, a presença de espíritos desencarnados no cam-po psíquico de um médium promove a assimilação de perispíritoa perispírito de freqüências típicas aversivas de ambos. O perispíritode um pode evocar (emular) freqüências aversivas no outro. Nãosó o desencarnado transmite fluidos ao encarnado como o con-trário. Essa transmissão de fluidos de um ao outro, convencional-mente chamada de obsessão, é inerente à convivência entre espí-ritos encarnados e desencarnados. Não há como impedi-la deocorrer. Pode-se evitar seus males, mas não se pode evitar quehaja absorção. Um desencarnado, quando permanece por muitotempo ao lado de um encarnado (boa parte da encarnação), ten-derá a assimilar suas características físicas (face, fala, jeito deandar, envelhecimento, etc.). Isso também ocorre no sentido in-verso. Uma pessoa pode ter uma doença cujo processo se inicieou se acelere por um desencarnado em seu campo psíquico. Apredisposição existe, independente do comportamento da pes-soa, pois é inerente à convivência. Funciona como um perfumeque se cheira pelo simples fato de ter-se um órgão capaz de lheperceber a emanação. Isso serve para boas ou más vibrações,isto é, para as freqüências psíquicas agradáveis e desagradáveis. A mediunidade facilita a conexão do perispírito de
  • 76. psicologia e mediunidade 77desencarnados com o de um encarnado, que transmitirá suas cap-tações vibracionais ao corpo físico. Este sofrerá as conseqüênci-as de tal proximidade. As alterações se tornam menos pernicio-sas quanto maiores forem os contatos do médium com os BonsEspíritos. Isso se dá gradativamente enquanto se eleve moral-mente. Há alterações somáticas não decorrentes das influênciasespirituais, mas provocadas pela assimilação pelo corpo físico,de doenças que se localizam no perispírito do próprio indivíduo,por conta de suas atitudes no passado. São seus próprios pro-cessos cármicos em curso. Há doenças provocadas pelo mau funcionamento orgâni-co, há aquelas psicossomáticas e outras provocadas pordesencarnados. As psicossomáticas são conseqüência do nossomodo de sentir, pensar e agir na vida e que, por ativar complexosinconscientes, promovem alterações no corpo físico. A mediunidade não provoca doenças, nem tampouco seunão uso será a causa delas. Ela é apenas uma porta semi-abertaao espiritual que deve ser educadamente fechada e aberta nosmomentos adequados.
  • 77. Mediunidade e gravidez Qual será a influência do exercício da mediunidade durantea gravidez? Há porventura alguma contra-indicação? Por enquantonão há estudos mais profundos sobre a influência da mediunidadena gravidez e vice-versa. Há referências de aumento de sensibili-dade da médium durante a gravidez. Por tornar a mulher mais sensível emocionalmente é claroque ampliará suas capacidades intuitivas e emocionais, favore-cendo o exercício da mediunidade nesse campo. Não afetaráoutros tipos de faculdades mediúnicas, as quais independem di-retamente do estado emocional do médium. A gravidez é um fenômeno natural na vida de uma mulher eseu organismo se prepara adequadamente para que ela ocorra.As condições especiais de uma gestação alteram o estado desensibilidade do organismo e, por algum motivo especial, o esta-do psíquico geral da mulher. Quando houver o desabrochar damediunidade durante a gravidez, deve a mulher avaliar seu estadopsíquico geral a fim de não se confundir e não prejudicar suarelação com o bebê. O exercício da mediunidade ostensiva podecontribuir para que o espírito reencarnante venha a se perturbar,principalmente se seu estado for frágil e inspire cuidados. A gravidez não é apenas uma predisposição e interaçãoorgânica, mas uma interação perispiritual. Além da ligação orgâ-nica entre mãe e filho há uma ligação de natureza energética entre
  • 78. psicologia e mediunidade 79um perispírito e outro, que promoverá alterações significativas nomodo de pensar e sentir de ambos. O fato de se tornar mãe, asalterações nas respostas culturais do meio a ela, que adota umtrato especial, além dos complexos ativados pela conexão entremãe e filho, são circunstâncias que promovem alterações no campopsíquico da mulher. Durante a gestação não se tem idéia precisa do estado doreencarnante, como também se ele se encontra dentro ou fora docorpo em formação, muito embora sempre permaneça ligadofluidicamente a ele. Creio que quanto mais próximo ao corpo físi-co da mãe, mais sofrerá as influências que ela suportará no exer-cício da mediunidade ostensiva. A depender do estado do reencarnante, poderá a mãe cap-tar seus pensamentos e transmiti-los mediunicamente. Tal ocor-rência não é de todo impossível, pois há espíritos que permane-cem por muito tempo lúcidos durante a gestação. Mesmo emestado de hibernação, ele estará em íntima ligação mental com amãe, partilhando pensamentos e emoções, o que favorecerá umapossível comunicação mediúnica. A justaposição dos dois perispíritos ou a simples ligaçãoentre eles ativará centros de forças na mãe, os quais a capacita-rão a uma maior sensibilidade mediúnica. Àquelas que exercem amediunidade com mais segurança, a gravidez tenderá a aperfei-çoar sua faculdade durante aquele período. Nem sempre a ges-tante se sente segura para o exercício da mediunidade ostensiva,por conta de sua maior sensibilidade e do foco maior de atençãoao seu filho e ao seu estado. Quando estiver se sentindo menossegura é mais adequado suspender temporariamente os exercíci-os de atividades mediúnicas mais ostensivas, principalmente o tratocom espíritos mais agressivos e doentes. Após o nascimento dobebê, pode-se retornar às atividades mediúnicas normais. Outrasformas de exercício mediúnico, inclusive o passe, não interferemna gravidez nem sofrem sua interferência.
  • 79. Obsessão e transtornos psíquicos Não é simples diferenciar no ser humano aquilo que é psi-cológico do que é psicopatológico. A linha divisória inexiste e osfenômenos que afetam uma pessoa podem não afetar outra. Tudose passa no mundo íntimo de cada um, e a forma como se lidainternamente com os eventos externos, será fator de desequilíbrioou não. Se já é difícil diferenciar o psicológico do psicopatológico,muito mais o é estabelecer a influência da mediunidade em ambosos casos. A rigor, a mediunidade está presente tanto nos fenôme-nos psicológicos comuns, como também, e principalmente, noscomplexos processos psicopatológicos. Psicológico,psicopatológico e mediúnico são campos que se interpenetram eque merecem estudos interdisciplinares sem preconceitos, tantopelos espíritas quanto pelos psiquiatras e psicólogos. Há muitoque se aprender se houver disposição isenta de rejeições de par-te a parte. Como bem denominou Allan Kardec a obsessão é o “do-mínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pes-soas. Nunca é praticada senão pelos Espíritos inferiores, queprocuram dominar.” 88 O Livro dos Médiuns, Cap. XXIII, p.297, 52ª Edição, 1985, FEB.
  • 80. psicologia e mediunidade 81 Qualquer ser humano está suscetível à obsessão, pois asinfluências espirituais na vida cotidiana são comuns e ocorrem atodo o momento. Algumas pessoas são mais frágeis e imaturaspsiquicamente e, portanto, mais suscetíveis àquele domínio, ten-do dificuldades em evitar que se tornem alvos fáceis da obsessão.Os meios de fazê-lo estão à disposição de qualquer um, desdeque eduque seu sentir, seu pensar e seu agir. Difícil distinguir ou separar um transtorno psíquico da ob-sessão, tendo em vista, não só pelas semelhanças das causas queos provocam, como também pelas características comuns dossintomas que apresentam. Pode-se afirmar, sem receio de errar,que eles ocorrem simultaneamente nos portadores de um e deoutro. A interseção entre as afecções psíquicas e a obsessão émaior do que se supõe e é um equívoco tratar-se de uma despre-zando-se a outra. As obsessões, como os transtornos psíquicos, são classifi-cadas de acordo com a intensidade e tipo de sintomas que apre-sentam. Quanto mais constrangimentos apresentem à liberdadede escolha e limitação da vontade do indivíduo que delas ou delessão vítimas, mais difícil sua cura. As causas se localizam nas atitu-des atuais e pregressas da pessoa, principalmente quando elasferiram o direito de alguém ou agrediram as leis de Deus. Osespíritos que provocam as obsessões assim procedem, na maio-ria dos casos, por vingança pelo que sofreram em outras existên-cias, por estarem sofrendo e quererem que outros sofram e porcovardia. Pelos efeitos que produzem pode-se identificar se umapessoa está sob obsessão. São sinais característicos da obsessão: 1. Falhas freqüentes no curso, conteúdo ou forma do pen-samento, com conseqüentes perturbações no contato com a rea-lidade; 2. Alterações freqüentes de comportamento à revelia dapessoa, gerando constrangimentos e dificuldades em viver a nor-malidade cotidiana;
  • 81. 82 adenáuer novaes 3. Perturbações psicóticas (alucinações, delíriospersecutórios, audição de vozes, etc.), que provoquem dificulda-des de conciliação com a normalidade do ego; 4. Alterações constantes da senso-percepção, promoven-do constantes distorções na qualidade e quantidade do que é cap-tado pelos cinco sentidos; 5. Sintomas característicos da Síndrome de Pânico(taquicardia, sensação de asfixia, medo sem causa aparente, suorfrio nas extremidades, medo de sair sozinho, etc.), provocandoalterações na vida diária; 6. Sensações típicas da mediunidade não educada (videcapítulo ´Sinais e sintomas característicos da mediunidade´), per-turbando a vida e as relações da pessoa; 7. Alterações constantes na quantidade e qualidade do sono,provocando insônias ou o dormir em quantidade além do habitu-al; 8. Recorrências em distúrbios descritos pela Psiquiatriacomo Transtornos Mentais, exceto aqueles cujas causas se de-vem a problemas neurológicos e aos congênitos. A gradação proposta por Allan Kardec é uma síntese queresume os efeitos típicos das obsessões provocadas pelos espíri-tos desencarnados. Ele classifica as obsessões em três tipos: ob-sessão simples, fascinação e subjugação. A característica princi-pal da obsessão simples é a tenacidade na agressão espiritual aalguém, perpetrada por um ou mais espíritos. Na fascinação é ailusão do pensamento, falta de autocrítica, provocando situaçõesridículas e constrangedoras ao indivíduo, bem como o afastamentode quem possa esclarecê-lo. Já na subjugação ocorre a paralisiada vontade, imposição de atitudes constrangedoras, provocan-do, na maioria dos casos, o surto psicótico ou a loucura. A classificação proposta pela Psiquiatria em relação aosTranstornos Psíquicos é bem abrangente em face de fazê-la ex-clusivamente pelos sintomas, sem que se refira àquelas provocadas
  • 82. psicologia e mediunidade 83pela obsessão espiritual. Em alguns transtornos relacionados pode-se observar que se trata de obsessão espiritual. A Psiquiatria teriamuito a aprender com o Espiritismo, porém este terá que desdo-brar em muito seus princípios para poder efetivamente ajudar àque-les que se encontram obsedados. Acreditar que a Psicologia e a Psiquiatria são capazes, comos conhecimentos até então por elas resumidos, de resolver ostranstornos psíquicos sem atentar para a obsessão, está na mes-ma medida equivocada de achar que se pode tratar a obsessãosem resolver os conflitos psicológicos do indivíduo. Não basta encaminhar o obsidiado ao tratamento de pas-ses e assistir a reuniões espíritas públicas, enquanto se intercedeem seu favor nas reuniões mediúnicas de desobsessão. Acresce aessas práticas as recomendações de realizar o Evangelho no Lar,além de que o doente faça a chamada reforma íntima. Por si só,isso tudo pode ser insuficiente, e na maioria dos casos o é, se nãohouver um outro trabalho psicológico de análise dos processospsíquicos que predispõe o indivíduo à obsessão, tais como: suasculpas, seus medos, seus complexos inconscientes etc. Os tratamentos psicológicos e psiquiátricos, para os gra-ves transtornos psíquicos, nos quais a obsessão está presente,são frágeis. Um complementa o outro. O estudo da faculdademediúnica e seus efeitos sobre o psiquismo humano serão de gran-de valia à Psicologia Clínica e à Psiquiatria, que virão a ser, comopensava Allan Kardec, as verdadeiras ciências da Alma.
  • 83. Características da obsessão nos médiuns ostensivos As pessoas que logo cedo apresentam sinais ostensivos demediunidade estão sujeitas, com mais intensidade a sofrerem gra-ves obsessões. Mesmo aqueles que já se consideram médiunsprontos podem também sofrer algum tipo de influência espiritualcom características de obsessão. A seguir, apresento alguns sintomas que denotam obsessãono médium, os quais extraí das observações de Allan Kardec emO Livro dos Médiuns. O conjunto destas características numa sópessoa não só se trata de obsessão, como também de grave trans-torno psíquico que impede o crescimento espiritual do portadorda mediunidade ostensiva. 1. A atividade mediúnica mostra-se dominada por um úni-co espírito desencarnado, ou seja, o médium só se predispõe aser intermediário de um determinado espírito; 2. Ausência de senso crítico do médium quanto à qualida-de de suas comunicações. A característica principal é o médiumafastar-se de pessoas ou grupos que possam analisar o produtode sua faculdade. São refratários às considerações de terceiros ese valem de elogios de amigos que se colocam a seu lado; 3. Crença na infalibilidade dos espíritos. Assim ocorre quan-do o médium, por não se sentir suficientemente seguro de si e não
  • 84. psicologia e mediunidade 85estar confiante em seu próprio bom senso, acredita que os espíri-tos que dele se acercam são sábios. Muitas vezes o médium acre-dita que dessa forma está sendo humilde. Às vezes é uma humil-dade subserviente. Ele se esquece de que os espíritos são pesso-as como ele mesmo; 4. Crença em elogios de espíritos. Todo ser humano temnecessidade de ser elogiado. Isto não decorre apenas do desejodo ego, mas também por causa de complexos psíquicos incons-cientes de inferioridade que são ativados. Há espíritos que, parapredominarem sobre certos médiuns, se utilizam maliciosamentedessa forma de obsessão; 5. Afastamento de pessoas que emitem opiniõesaproveitáveis. Isso ocorre quando o médium deseja ser exclusivoem seu grupo, para obter notoriedade no presente ou no futuro.Torna-se presunçoso quando assim age; 6. Considerar toda crítica como negativa. Todo ser huma-no tem dificuldade em aceitar críticas ao que faz. O estar certo éuma exigência sócio-cultural que impede, à primeira vista, de seaceitar a crítica, por mais construtiva que seja. O orgulho tambémcontribui fortemente a isso, pois em geral não se quer para si acrítica e a inferioridade social; 7. Uso constante e inoportuno da mediunidade. Esta é aocorrência mais comum entre os médiuns, pois ele passa a sedestacar exatamente por ser portador da mediunidade ostensiva.Na maioria das vezes, ele próprio, por insegurança, sente um for-te desejo de testar sua mediunidade. Quer ter certeza de querealmente são os espíritos que realizam seus “prodígios” e, àsvezes, se exibe; 8. Constrangimento ao médium. Algumas vezes, quandoexiste obsessão por fascinação, observa-se pessoas em atitudesconstrangedoras, nas quais o senso crítico pessoal desaparece.Por exemplo: pessoas que dão escândalos públicos reclamandopequenos direitos, cuja obtenção poderia ocorrer de outra formamuito mais tranqüila, e que se arrependem após o ocorrido;
  • 85. 86 adenáuer novaes 9. Desordens persistentes em torno do médium. É comumaos médiuns que não se resolvem como pessoa e não adotam ahumildade como norma interna, que ocorram certos inconvenien-tes em sua vida pessoal. Pequenos contratempos, dificuldadesfinanceiras, dificuldades profissionais, dentre outras. Certos espí-ritos aproveitam a ignorância do médium e a sua pouca habilida-de em lidar com sua própria personalidade, provocando aquelestranstornos. Se você se enquadra na categoria de médium ostensivoque trabalha com mediunidade há muito tempo, verifique se algu-mas dessas características estão presentes na sua prática. Casovocê se reconheça em pelo menos uma, busque sinceramente umamigo com o qual você possa conversar a respeito. Talvez elepossa ajudá-lo.
  • 86. Desobsessão e psicoterapia A desobsessão deve fazer-se acompanhar de algum tipo deterapia complementar visando a compreensão do indivíduo quantoao porquê e ao para quê ela se instalou. Não basta curar-se, mas,principalmente, é preciso descobrir como ela se instalou e a serviçode quê veio. Certamente a Vida quer, ou quis, ensinar algo ao ob-sedado que não foi aprendido por meios menos sofríveis. Muito importante é que as pessoas que passam ou passarampor uma obsessão busquem ajuda psicoterápica a fim de comple-mentar o processo de aprendizado quanto à descoberta de si mes-mos. Idêntica providência deve ser tomada por aqueles que, em-bora não estejam obsedados, lidam com a desobsessão. Todos osque com essa ocorrência se relacionam devem fazer algum tipo deanálise pessoal. Preferencialmente esse processo de análise pessoal deve serfeito por profissionais conhecedores da mediunidade e da obses-são, a fim de melhor auxiliar e compreender o analisando. A psicoterapia, como complemento à desobsessão, decorredo fato de que a obsessão é um fenômeno cujos componentes bási-cos se encontram no inconsciente do encarnado. As experiênciasemocionais que atingiram alguém ou que denunciaram algum desco-nhecimento das leis de Deus, se encontram no perispírito à espera desolução, para a educação do espírito. Enquanto elas não forem com-preendidas e trabalhadas, o indivíduo estará predisposto à obsessão.
  • 87. 88 adenáuer novaes Os processos da obsessão e da desobsessão envolvem aexistência de tais experiências, as quais emitem vibrações especí-ficas, atraindo espíritos a elas vinculados e que estejam na mesmafaixa vibratória, promovendo as influências espirituais. As vibra-ções são emitidas pelos núcleos dos complexos instalados noinconsciente. A psicoterapia será útil para a dissolução de taiscomplexos. O esclarecimento que se dá nas reuniões mediúnicas aosdesencarnados e as orientações aos encarnados obsidiados, nemsempre são suficientes para a necessária solução dos conflitosdos indivíduos envolvidos. Ambos deverão, de um lado e do ou-tro, merecer continuidade do tratamento, a fim de melhor enten-derem as causas em si mesmos. Os desencarnados continuarão areceber ajuda por parte dos espíritos benfeitores. O encarnadonecessitará de auxílio semelhante. Os recursos utilizados para tratamento das obsessões nãosão suficientes para a completa solução dos problemas que elasacarretam. Uma psicoterapia se faz necessária baseada na condi-ção de espírito eterno, o qual contém em si, no inconscienteperispiritual, uma série de complexos, culpas, medos, frustraçõesetc., não resolvidos. Não se trata de uma psicoterapia exclusiva-mente baseada no carma ou na idéia restrita de débito ou resga-te. O Espiritismo é muito mais rico do que o reducionismo quenormalmente se faz dele, quando passa a idéia equivocada deque estamos aqui apenas por conta da chamada “lei de causa eefeito”. Uma obsessão não se instala por uma ação do passado,mas por um conjunto de atitudes, idéias e emoções que envolvema vida de alguém. Há que se entender que estamos lidando compersonalidades e não com máquinas. A chamada “lei de causa eefeito” não se aplica ao psiquismo humano de forma linear, comona Física Clássica, pois entre a causa e o efeito há leis misericor-diosas que atuam em favor do aprendizado de quem se equivo-cou.
  • 88. psicologia e mediunidade 89 A confluência entre uma psicoterapia baseada numa psi-cologia espiritual e o tratamento desobsessivo está por vir, namedida que a psicologia clínica e o Espiritismo prático avancem.Uma psicologia espiritual terá que ser profunda a fim de penetrarno inconsciente e na essência do ser imortal. Certamente não de-verá ser superficial nem tratar de questões exclusivamente mate-riais. Terá que se acercar de instrumentos capazes de investigaras estruturas emocionais no perispírito, trazendo as experiênciasali contidas à luz do ego. A psicoterapia espiritual levará o indivíduo ao encontro desua natureza atual, isto é, até onde ele chegou com suasencarnações, a fim de que possa olhar para frente e encontrar umsentido para sua existência como espírito imortal. Nessapsicoterapia, analista e analisando, ambos, estarão juntos, face aface, para que possam crescer no processo. Ela deverá trazer àtona para consciência do ego, os mecanismos de defesa, os quaisnaturalmente ocorrem e que, embora auxiliem nas relações com ooutro, camuflam a verdadeira personalidade. Deverá ser capazde proporcionar a descoberta dos potenciais do Espírito, bemcomo levá-lo à efetiva transformação e iluminação interiores. O Espiritismo prático inserirá, em acréscimo ao tratamentoda desobsessão, atendimentos psicoterápicos individuais e emgrupo, para que o indivíduo encontre um momento para cuidar desi mesmo e assumir seu próprio destino. Os diálogos entreencarnado (chamado de “doutrinador” ou “esclarecedor”) edesencarnado (chamado de “obsessor” ou “perseguidor”) alémde ocorrerem de coração a coração, devem conter questõesprofundas dos processos psíquicos do último. O primeiro deveráser preparado também em técnicas psicoterápicas adequadas paraque se abram as “feridas” do segundo, com o cuidado e ahabilidade necessários sempre que se lida com o psiquismohumano. A introdução dessas técnicas não excluirá, de formaalguma, a boa vontade, o bom senso, o estudo doutrinário,tampouco o amor no trato com os desencarnados.
  • 89. 90 adenáuer novaes Em paralelo às reuniões mediúnicas de desobsessão, deve-se estruturar um trabalho de atendimento psicoterápico, tendopor base uma psicologia espiritual profunda, a fim de auxiliar oindivíduo que busca o Centro Espírita a encontrar-se consigomesmo.
  • 90. Infância e mediunidade Tudo leva a crer que a mediunidade na criança é algo rudi-mentar. As percepções não são tão estruturadas como no adulto,visto que em seu psiquismo ainda não se completou o desenvolvi-mento adequado do ego para sustentar as invasões psíquicaspossíveis. Os fenômenos mais comuns estão na área da vidência adesencarnados familiares da atual ou de outras vidas, cujas pre-senças no campo mediúnico da criança, por conta em geral daboa relação que tiveram, evocam-lhe recordações agradáveis,transmitindo-lhe bons fluidos, bem como lhe infundem confiançae tranqüilidade para enfrentar os desafios futuros. Pode-se imaginar que a imaturidade física e psicológica nacriança é um obstáculo ao desenvolvimento equilibrado damediunidade, bem como ao seu uso. O desenvolvimento da mediunidade na infância é um riscoque se corre em face dos desequilíbrios psíquicos que podemadvir para a criança. Nem sempre o espírito encarnado que seencontra na infância estaria apto a lidar com a confusão mentalque isso acarreta. Os pais devem conversar e educar seus filhossem lhes impor comportamentos formais e padronizados típicosdos adultos. As obsessões em crianças não são comuns, não só pelasua conduta inocente, pela proteção de que gozam, como tam-
  • 91. 92 adenáuer novaesbém pela pouca influência dos complexos inconscientes. Quan-do crianças estiverem sob influência espiritual obsessiva devemos pais procurar tratamento espiritual e psicológico. Este último,nos casos em que o comportamento da criança e sua compreen-são de mundo estejam visivelmente comprometidos. Talvez pelo fato de estar camuflado num corpo muito in-fantil, o encarnado saia temporariamente (até a puberdade) dofoco de desencarnados inimigos. Escondem-se até que a reen-carnação se complete no início da adolescência. Quando os pais notarem que seus filhos possam estar so-frendo algum tipo de obsessão (sono freqüentemente agitado,comportamento inabitual, doenças sem diagnóstico específico,medos sem causa aparente, agressividade não típica, hiperatividadefora do comum, sentimento de perseguição por vultos estranhos,etc.) devem levá-los a tratamento médico-psicológico e a trata-mento espiritual à base de passes. Crianças que apresentam transtornos psíquicos com influ-ência espiritual obsessiva devem ser conduzidas a tratamento psi-cológico ou psiquiátrico, conforme seja o caso, e a tratamentoespiritual, sem ser conduzida à reunião mediúnica ou ao desen-volvimento de sua faculdade. O que os pais devem fazer quando seus filhos apresenta-rem sinais precoces de mediunidade? Devem conversar, sem alar-des, com eles a fim de se interarem sobre o que sentem ou vêem.Conseqüentemente devem esclarecer-lhes sobre o assunto e, paratanto, devem, eles próprios, conhecer do que irão falar, ou pro-curar pessoas experientes em auxílio. Não são incomuns as refe-rências a fenômenos mediúnicos com crianças, os quais, muitasvezes, perturbam mais aos pais do que a elas próprias. As per-cepções mediúnicas por parte de certas crianças, principalmenteo contato mente a mente, são comuns e costumam assustar maisaos adultos, que ouvem-nas contar, do que a elas próprias. Nada há que comprove ser a mediunidade uma faculdadeexclusiva do adulto ou que esteja relacionada à maturidade do
  • 92. psicologia e mediunidade 93corpo físico. Qualquer criança tem o potencial da faculdademediúnica, podendo ser despertada a qualquer tempo. Não de-vem os pais estimular a mediunidade em seus filhos, tendo emvista a possibilidade de lhes dificultar a estruturação do ego. Apouca quantidade de crianças que se conhece exercitando amediunidade explícita se deve à não maturação do ego, aindanão consolidado para o exercício de uma faculdade, cuja possi-bilidade de cindir, por esse motivo, é grande. Não é adequado oexercício da mediunidade, a qual se pressupõe seja um contatocom o mundo adulto de lá e de cá, em crianças antes da adoles-cência. A educação espirítica de crianças deve prioritariamentecomeçar em casa e ser complementada em instituições pedagogi-camente preparadas para tal, com conteúdos adequados ao egoem fase de consolidação. Essa educação não deve conter exercí-cios mediúnicos nem contatos explícitos com desencarnados emcondições de sofrimento ou com intenções agressivas. A presença de crianças em reuniões mediúnicas dedesobsessão é uma ocorrência que deve ser evitada, em face dodesequilíbrio que pode ser gerado. Caso apresente mediunidadeostensiva, deverá ser orientada por educador espírita experienteno trato com a mediunidade. Seria de bom alvitre que o passedado às crianças seja em reunião distinta dos adultos. O trata-mento espiritual às obsessões em crianças deve se limitar ao pas-se individual. Em alguns casos deve ser administrado apenas emcasa. Crianças desencarnadas podem dar comunicaçõesmediúnicas através de médiuns adultos apresentando linguageminfantil. Isso é factível, pois alguns deles não assumem a idadeadulta logo após a desencarnação. Aos poucos o espíritocomunicante, ao ser esclarecido de sua condição e auxiliado porbenfeitores espirituais, vai retomando sua condição de espíritolúcido, consciente de sua adultez.
  • 93. Adolescência e mediunidade A adolescência é a fase das grandes transformações daencarnação. Nela ocorre a finalização do processamento da re-encarnação, a consolidação do ego e necessidade de separaçãodos padrões paterno-materno, a maturação dos órgãos sexuais,identificação com um grupo social, dentre outros processos quecolocarão o espírito encarnado em condições de iniciar seus de-safios. Na adolescência, que geralmente vai dos 12 aos 18 anos,quando os hormônios estão em ebulição no corpo físico e as trans-formações na consciência são bem marcantes, é que a mediunidadeparece dar seus primeiros sinais. Alguns adolescentes demons-tram, às vezes, mais maturidade do que os adultos na busca ecompreensão das questões espirituais e da religião. Devem ospais não só respeitar, como estimulá-los ao estudo das questõesespirituais, a fim de auxiliá-los na compreensão da vida e da pró-pria mediunidade, quando apareçam suas primeiras manifesta-ções. Da mesma maneira que se lida com a mediunidade nas cri-anças, deve-se fazê-lo com os adolescentes. Conversar a respeito,mas não estimular o exercício, devido à prioridade em cuidar dasquestões ligadas ao desenvolvimento intelectual típico da idade. Quando a mediunidade explícita aparece nessa fase, cos-tuma trazer transtornos ao psiquismo do adolescente. Sua mente
  • 94. psicologia e mediunidade 95está ainda confusa com a vida quase adulta, com as responsabili-dades perante o mundo e com as descobertas típicas. É prudentebuscar ajuda especializada numa instituição espírita para que amediunidade explícita não promova o aparecimento de um trans-torno psíquico. Quando o adolescente é muito impressionável ou emocio-nalmente frágil, a “presença” de outro pensamento em sua mente,poderá fazê-lo acreditar, pela falta de experiências adultas, quese trata de fantasias ou imaginações criativas. Como se encontraem fase de fortalecimento da identidade pessoal, dificilmente se-parará o que é de sua própria personalidade daquilo queporventura pertença a uma entidade desencarnada que esteja emseu campo mediúnico. Porém, quando o adolescente, pela sua expressão verbal,pela naturalidade e segurança com que lida com o fenômenomediúnico, demonstrar compreensão e maturidade para exercersua mediunidade, não há risco em que participe das mesmas reu-niões dos adultos. Mesmo assim sendo, é prudente que seja sem-pre assistido por pessoas mais experientes. O desenvolvimento da mediunidade na adolescência, so-bretudo ao final dela, não deve ocorrer em prejuízo das ativida-des educacionais do jovem. Deve-se estimulá-lo à responsabili-dade para com a escola formal em paralelo aos seus estudos es-píritas. Importante também é sua formação profissional e, na ida-de adequada, conseguir um trabalho digno, para que não se des-cuide de sua independência financeira futura. Igualmente para quenão deixe de exercer sua cidadania e respectivas obrigações so-ciais. O Espiritismo prega que o bom espírita seja bom cidadão,bom pai ou mãe, bom filho-filha, bom empregado ou bom patrão,bom administrador de seus recursos materiais etc. O estudo mediúnico para o adolescente ou para um grupode jovens, numa instituição espírita, deve ser sempre orientadopor pessoas mais experientes no trato com a mediunidade, a fimde se evitarem problemas ligados a obsessão ou mesmo para que
  • 95. 96 adenáuer novaesse evite a excessiva focalização do fenômeno, em detrimento doestudo filosófico. Por outro lado, os pais que porventura sejam espíritas nãodevem impor ao adolescente que vá ao Centro ou mesmo quedesenvolva sua mediunidade, pois tal atitude poderá ser prejudi-cial à relação com ele e contribuir para que considere a instituiçãoum local de correção. O Espiritismo deve ser oferecido comouma opção à busca de espiritualidade. O melhor instrumento, oqual servirá de estímulo ao adolescente para dedicar-se aos estu-dos espíritas, será sempre o comportamento e o exemplo dospais.
  • 96. Mediunidade institucional e caritativa A mediunidade institucional é aquela praticada no ambientede uma instituição espírita, na qual se busca, pela disciplina e peloestudo, sua educação. O exercício da mediunidade num CentroEspírita significa, além de contributo para o desenvolvimento pes-soal, uma das formas mais nobres de se praticar a caridade. Adoação desinteressada em favor de outrem, utilizando-se dos re-cursos mediúnicos que se possui, proporciona o surgimento dosentimento de utilidade perante a Vida. A mediunidade, entre aqueles que praticam o Espiritismo,é tratada como algo especial e seu exercício considerado comoredenção para seu portador. Porém nem sempre é tratada comouma faculdade inerente ao humano e que pode ser utilizada dediversas maneiras na vida do indivíduo. Ela é tratada como uminstrumento sagrado à semelhança de um objeto intocável e ex-tremamente distanciado de algo natural. Por conta de um viésreligioso e moralista, as recomendações para seu exercício sãomais voltadas para os riscos e perigos do que para o equilíbrio ea felicidade de seu portador. Ela ainda não é explorada comoinstrumento natural para ser utilizado na vida cotidiana. A mediunidade é uma faculdade adquirida pelo espírito emdado momento de sua evolução e seu desenvolvimento significamelhores possibilidades de crescimento espiritual. Esse desen-
  • 97. 98 adenáuer novaesvolvimento não se restringe à prática numa instituição, qualquerque seja. Sua utilização deve se ampliar às dimensões da vidahumana, isto é, levá-la à dimensão social, familiar, profissional,educacional, intelectual, dentre outras. A mediunidade utilizada com fins financeiros ou com o in-tuito de prejudicar pessoas em práticas religiosas ou não, nãosofre alteração quanto à sua existência no indivíduo. Tais práti-cas, porém, interferem na evolução espiritual de quem assim agee geram vínculos de qualidade inferior. O uso da mediunidade,qualquer que seja a finalidade, embora contribua para seu desen-volvimento, poderá trazer conseqüências negativas à vida futurado médium, a depender de seus objetivos. Quando seu exercíciose dá numa instituição espírita, que se pauta pelas obras de AllanKardec, há uma garantia de que ela será para o bem do médiume sem prejuízo de sua evolução. O desenvolvimento da mediunidade numa instituição, bemcomo seu exercício regular, oferece algumas garantias ao médium,se seguir os preceitos recomendados por Allan Kardec, em OLivro dos Médiuns. O médium não deve limitar seu uso à institui-ção, mas levá-lo às dimensões de sua vida, cuidando para nãofazer dele instrumento de exercício profissional. A mediunidade fora de uma instituição é útil na vida diáriana medida que o médium buscar, pela sua intuição, estar em con-tato com os Bons Espíritos, procurando soluções criativas aosseus afazeres. Quando se considera o contato com o espiritualpela intuição como algo permanente, as possibilidades de capta-ção de idéias criativas aumentam consideravelmente. Nas diver-sas atividades cotidianas, pode-se utilizar a ligação consciente comespíritos desencarnados, para o aprimoramento da própria ma-neira de ser, principalmente com aqueles que tenham inteligência,bondade e espiritualidade maior que a do encarnado. A mediunidade numa instituição obedece a limites necessáriosà compreensão e autocrítica dos médiuns. Não é fácil conduzir-se com ela fora de seus muros, pois as possibilidades dedesequilibrar-se por falta de orientação específica são maiores.
  • 98. Teste sua sensibilidade mediúnica Os resultados de um teste, qualquer que seja seu tipo, sãosempre probabilidades e refletem aspectos pontuais. Não sãoverdades absolutas nem mostram a totalidade do que se pretendeobter. Na sua elaboração, os testes procuram evitar um viés a fimde alcançar a maior isenção possível, muito embora tragam, em-butidos, pressupostos que os direcionam. O teste que você vaifazer agora busca, de forma bem simples, captar seu contato como espiritual mediúnico a fim de identificar em que grau de intensi-dade isso existe em você. Procure ser bem franco nas respostas,aplicando o número correspondente à freqüência relativa queocorre em sua vida. Este teste é um pequeno exercício, fruto de observaçõespessoais, não sendo resultante de experimentos científicos ou deelaborações profundas. Não deve ser aplicado a crianças ou apessoas em surto psicótico, bem como àqueles que são muitosugestionáveis. Ele não detecta sua mediunidade, mas apenas lhedá alguns indicativos de como ela se encontra e o que você devefazer para tomar consciência de seu uso. Não pretendo que este teste seja preciso, mas apenas quese torne uma escala na qual o indivíduo se perceba e lhe permitainiciar um processo de busca de sua própria mediunidade.
  • 99. 100 adenáuer novaes Teste de sensibilidade mediúnica Data ___/___/___ Nome______________________________________ Idade________ Profissão_________________ Sexo_________ Nível de escolaridade____________ Instruções para o teste 1. Preencha o cabeçalho acima antes de fazer o teste; 2. No espaço ao lado esquerdo no início de cada perguntacoloque o número correspondente ao grau de intensidade comque você viveu a experiência questionada; 3. Procure responder fazendo uma reflexão bem profundasobre a ocorrência de cada evento questionado ao longo de todasua vida; 4. Não deixe nenhuma pergunta em branco; 5. Após responder a todas as perguntas passe os númerospara a página seguinte colocando sua soma no lugar solicitado; 6. Leia sobre cada mediunidade e seu grau de intensidadeem você, de acordo com as letras das colunas e as letras dassomas anotadas. 7. Utilize o tempo que for necessário para responder; Quan-do não tiver certeza, utilize a resposta mais satisfatória. Geral-mente a primeira reação é a mais indicada. Marque de acordo com o grau de intensidade da escala aseguir. Nunca se aplica a mim 0 Quase nunca se aplica a mim 1 Raramente se aplica a mim 2 Às vezes se aplica a mim 3 Geralmente se aplica a mim 4 Quase sempre se aplica a mim 5
  • 100. psicologia e mediunidade 101 Questionário___01. Você já falou para alguém sob estado de forte excitação, esquecendo-se em seguida das idéias apresentadas?___02. Alguém já se curou de uma doença após ter tido algum tipo de contato com você?___03. Já produziu algum quadro de desenho ou pintura mediúnica?___04. Você já sentiu (impressão, sensação, pressentimento) a presença de espíritos desencarnados, isto é, de pessoas já falecidas?___05. Já teve forte necessidade de escrever e cedeu ao impulso de forma rápida e surpreendente?___06. Você freqüenta algum centro espírita sem que lá trabalhe como médium ostensivo?___07. Você já viu vultos passarem próximos a você, estando a sós?___08. Produziu alguma obra (falada, escrita ou artística) com qualidade muito superior à sua habilidade normal em fazê-lo e em tempo muito curto?___09. Já ouviu ruído dentro de objetos ou paredes, sem causa aparente, atribuível a espíritos desencarnados?___10. Você já entrou em estado alterado de consciência, sem uso de substâncias químicas?___11. Você já teve síndrome de pânico ou sensação de asfixia, taquicardia, queimor ou suor frio sem causa orgânica?___12. Você já teve sonhos premonitórios que se confirmaram posteriormente?___13. Você aplica Passes, Reiki, Johrei ou assemelhados?___14. Quando quis dormir já teve dificuldades em mover o cor- po (acordar)?___15. Você já desenhou ou pintou alguma imagem sem ter qual- quer aptidão para tal e em tempo muito curto?___16. Já lhe ocorreu pensar em alguém a quem não vê a algum
  • 101. 102 adenáuer novaes tempo e encontrá-lo no mesmo dia?___17. Já psicografou alguma mensagem mediúnica?___18. Participa de reuniões mediúnicas, apenas como assisten- te?___19. Já viu nitidamente algum espírito desencarnado?___20. Já teve alguma experiência de desdobramento ou proje- ção de corpo astral?___21. Próximo a você já ocorreu algum fenômeno mediúnico de efeito físico, tal como objetos aparecerem e desaparece- rem inopinadamente?___22. Já se sentiu, em alguma atitude sua, sendo guiado por uma inteligência desencarnada?___23. Já ouviu vozes dentro de você mesmo?___24. Costuma sonhar com pessoas que já morreram?___25. Você trabalha profissionalmente como fisioterapeuta, terapeuta ou psicoterapeuta?___26. Já teve a forte sensação, chegando a um lugar, de ali ter estado antes (déjà vü)?___27. Você já fez algum trabalho de escultura conscientemente atribuído a algum espírito desencarnado?___28. Na infância, ocorreram fenômenos com você que obriga- ram seus pais a recorrerem a práticas mediúnicas em seu favor?___29. Já lhe ocorreu uma forte excitação na mão com tremor e simultânea vontade de escrever?___30. Já lhe ocorreram seguidas noites de insônia sem causa orgânica?___31. Você, pouco antes de adormecer, já viu parentes faleci- dos ou pessoas desconhecidas à semelhança de espíritos desencarnados?___32. Já tomou alguma vez, por mais de um mês, medicação psiquiátrica (ansiolítico, anti-psicótico, anti-depressivo, etc.)?___33. Já ocorreu à sua volta, sozinho ou acompanhado de al-
  • 102. psicologia e mediunidade 103 guém, a movimentação de algum objeto, contrariando seu estado natural e sem a ação física conhecida?___34. Alguma vez esteve em surto psicótico diagnosticado por um psiquiatra?___35. Já, pela voz, reproduziu o sentimento ou pensamento, pertencente a um espírito desencarnado?___36. Utilizou-se de artefatos ou algum método para predizer o futuro das pessoas (cartas de tarô, búzios, runas, pedras, leitura de mãos, ou outros)?___37. Você intencionalmente já conseguiu que algum doente se curasse após seu pedido ou desejo?___38. Já foi diagnosticado alguma vez que você estava sob ob- sessão espiritual?___39. Ao pegar em lápis coloridos ou pincéis você já sentiu algum tremor nas mãos e desejo simultâneo de usá-los?___40. Faz parte de cultos da Igreja Carismática?___41. Já lhe ocorreu, após escrever algo, constatar que o con- teúdo, pela qualidade superior, não poderia ter sido por você produzido?___42. Já tomou algum curso de Passes, Reiki, Johrei ou de qual- quer técnica de cura com imposição de mãos?___43. Você já ´viu‘ em sua mente imagens desconhecidas, as quais depois constatou tratar-se de projeções de espíritos desencarnados?___44. Já fez uso de substância alucinógena (maconha, cocaína, LSD, álcool, chá entorpecente, etc.) por tempo prolongado, tendo visões transcendentais?___45. Junto a você já se materializou algum espírito por sua doação de fluidos?___46. Desenvolve atividades profissionais em ambientes onde se realizam trabalhos mediúnicos ou voltados para a cura psíquica?___47. Já lhe ocorreu falar coisas estranhas aos seus pensamen-
  • 103. 104 adenáuer novaes tos sem ter consciência no que diz?___48. Já lhe ocorreu ter pesadelos por seguidas noites?___49. Você já receitou para algum doente algum remédio com- pletamente desconhecido seu, sem ser médico?___50. Faz parte de cultos da Umbanda ou do Candomblé?___51. Você tem ouvido músicas ou tons dentro de você mesmo sem ter qualquer aptidão musical?___52. Já teve pressentimentos a respeito de ocorrências cotidi- anas com você ou com outros, as quais vieram a se confir- mar?___53. Você já teclou num computador algum texto que, pela qualidade e velocidade com que fez, percebeu que estava dominado ou inspirado por alguma força superior?___54. Submeteu-se a alguma cirurgia mediúnica ou cura espiri- tual?___55. Já lhe ocorreram, em sua mente, imagens de eventos acon- tecendo em locais distantes, conhecidos ou desconhecidos, e que depois você constatou sua veracidade?___56. Submeteu-se a intervenção cirúrgica com anestesia geral e permaneceu em coma inesperado por algum tempo?___57. Já houve algum fenômeno de transporte espiritual junto a você?___58. Você pratica atividades ligadas a meditação ou ao desen- volvimento das faculdades psíquicas?___59. Já lhe aconteceu alterar repentinamente seu estado de humor sem qualquer causa conhecida e à sua revelia?___60. Faz parte de cultos da Igreja Messiânica?___61. Você já realizou alguma cirurgia mediúnica como médium?___62. Auxilia diretamente pessoas que possuem mediunidade explícita no seu exercício?___63. Você tem se sentido atraído pelas obras dos pintores clás- sicos do passado?___64. Já lhe ocorreu ter problemas de afetos inapropriados por
  • 104. psicologia e mediunidade 105 algum tempo?___65. Você tem o hábito de escrever sem necessidade, às ve- zes, em locais inadequados e em qualquer pedaço de papel?___66. Utilizou-se de recursos mediúnicos de terceiros (carto- mantes, tarólogas, ciganas, astrólogos, etc.) para solução de seus problemas?___67. Logo ao acordar você já viu imagens fugazes de pessoas próximas a cama?___68. Já fez teste de cartas Zenner alguma vez?___69. Próximo a você ou com objetos seus já ocorreu alguma combustão espontânea?___70. Ocupa alguma função na instituição de cuja religião é adep- to?___71. Já lhe ocorreu sentir vontade muito forte de chorar sem causa aparente, que só foi aliviada após seu desabafo?___72. Você tem, ao menos semanalmente, hábitos ou rituais re- ligiosos?___73. Você aplica massagens terapêuticas (massoterapia)?___74. Já ocorreu algum fenômeno de sincronicidade (um tipo de conexão acausal) em sua vida?___75. Mesmo sem aptidão para desenho ou pintura, você já teve desejo de passar para o papel imagens especiais que lhe vêm à mente?___76. Já lhe ocorreu ter delírios persecutórios (mania de perse- guição) prolongados?___77. Você tem facilidade em produzir textos escritos a lápis, caneta, ou no computador sem ter tido preparo técnico para tal?___78. Você já entrou involuntariamente em transe alguma vez?___79. Quando você esteve próximo a imagens sacras ou em ambientes religiosos já teve a sensação de ter visto vultos próximos a elas?___80. Já esteve sob hipnose?
  • 105. 106 adenáuer novaes___81. Já ocorreu algum fenômeno de transcomunicação em aparelhos eletrônicos manuseados por você?___82. Você já teve alguma regressão de memória a vidas pas- sadas, espontânea ou provocada?___83. Já lhe ocorreu, em dado momento, realizar alguma fala incoerente e inapropriada ao ambiente, sem seu controle?___84. Você utiliza mais freqüentemente, para tomar decisões, a intuição em lugar da razão?___85. Você tem o hábito de fazer visitas a pessoas doentes em casa ou hospitais?___86. Você tem recebido muitos convites para ir a algum Cen- tro Espírita ou tem recebido livros espíritas de presente?___87. Você tem o hábito de fazer desenhos, quando tem papel e lápis à mão, enquanto pensa ou está à espera de algo?___88. Você costuma ter inspirações para escrever poemas, crô- nicas ou contos de ficção?___89. Você, ao fechar os olhos ou em meditação, já viu imagens inabituais que se movem independentes de sua vontade?___90. Sob sua influência e vontade já ocorreram entortamento de colheres ou interrupção dos movimentos de um relógio?___91. Já lhe ocorreu, por algum tempo, ter idéias fixas prolon- gadas ou fixações persistentes?___92. Nas vezes em que você se feriu houve rápida cicatriza- ção?___93. Você tem o hábito de passar muito tempo fazendo dese- nhos à mão ou no computador, sem ser sua ocupação pro- fissional?___94. Quando estuda(va) você costuma(va) escrever para en- tender melhor?___95. Em sua infância ocorreu conversar com pessoas, crian- ças ou não, que só você via?___96. Em sua presença, saído de você, já houve odores de éter, de perfume ou de assemelhados?___97. Já lhe ocorreu ter fuga de idéias por tempo prolongado?
  • 106. psicologia e mediunidade 107___98. Você sente, ou já sentiu, ao se concentrar, impondo as mãos sobre alguém ou sobre algum objeto, como se saísse uma espécie de energia de suas extremidades?___99. Você, quando viaja de férias, dá prioridade a ir a museus ver pinturas e esculturas de artistas famosos do passado?___100. Você consegue se expressar melhor escrevendo do que falando?___101. Já lhe ocorreu conseguir prever o futuro de alguém ou mesmo saber de coisas que vão acontecer em estado com- pletamente consciente, tendo uma espécie de segunda vista?___102. Geralmente aparelhos elétricos e eletrônicos de seu uso costumam quebrar ou dar defeitos com muita facilidade sem causa conhecida? Agora transporte os valores correspondentes às freqüên-cias por você anotadas, para o quadro adiante, no qual constamos números das questões, e, em seguida, efetue as respectivassomas na linha final.
  • 107. 108 adenáuer novaes A K N P T Z01___ 02___ 03___ 05___ 07___ 09___04___ 06___ 08___ 10___ 12___ 14___11___ 13___ 15___ 17___ 19___ 21___16___ 18___ 20___ 22___ 24___ 26___23___ 25___ 27___ 29___ 31___ 33___28___ 30___ 32___ 34___ 3 6 ___ 38___35___ 37___ 3 9 ___ 41___ 43___ 45___40___ 42___ 44___ 46___ 4 8 ___ 50___47___ 49___ 51___ 53___ 55___ 5 7 ___52___ 54___ 56___ 58___ 60___ 62___59___ 61___ 63___ 65___ 67___ 6 9 ___64___ 66___ 68___ 70___ 72___ 7 4 ___71___ 73___ 75___ 7 7 ___ 79___ 81___76___ 78___ 80___ 8 2 ___ 84___ 86___83___ 85___ 87___ 88___ 8 9 ___ 90___91___ 92___ 93___ 9 4 ___ 95___ 96___97___ 98___ 99___ 100___ 101___ 102___S=___ S=___ S=___ S=___ S=___ S=___
  • 108. psicologia e mediunidade 109 Significado das letras das colunas A. Médium falante ou psicofônico O médium psicofônico é aquele pelo qual os espíritos secomunicam utilizando a sua voz. Os espíritos atuam sobre os cen-tros cerebrais responsáveis pela fala. “O médium falante geral-mente se exprime sem ter consciência do que diz e muitasvezes diz coisas completamente estranhas às suas idéias ha-bituais, aos seus conhecimentos e, até, fora do alcance de suainteligência. Embora se ache perfeitamente acordado e emestado normal, raramente guarda lembrança do que diz.” “Nemsempre, porém, é tão completa a passividade do médium fa-lante. Alguns há que têm a intuição do que dizem, no momen-to mesmo em que pronunciam as palavras.” K. Médium curador Médiuns de cura são aqueles que “têm o poder de curarou de aliviar o doente, pela só imposição das mãos, ou pelaprece.” A cura pode se dar pelo simples olhar ou por qualquerpequeno gesto. O médium possui um tipo de fluido que permite acura ou alívio de certas doenças. Às vezes, o processo de curaocorre inconsciente ao médium, dele só tendo conhecimento al-gum tempo depois. N. Médium pintor O médium pintor ou desenhista é aquele que produz obrasde arte inéditas sob a influência de um ou mais espíritos. Em al-guns casos, a produção mediúnica possui traços dos estilos dospintores quando se encontravam encarnados. Geralmente o mé-dium não tem aptidão para desenho ou pintura e desconhece oestilo dos autores desencarnados. Os quadros ou desenhos são
  • 109. 110 adenáuer novaesproduzidos em tempo muito inferior ao que normalmente se exigepara um profissional. Os desenhos e quadros obtidos são de boaqualidade e não se confundem com garranchos, às vezes, produ-zidos por certos médiuns inexperientes, ou com um grau demediunidade ainda a desenvolver. P. Médium psicógrafo O médium escrevente ou psicógrafo é aquele que possui afaculdade de produzir escritos cujo conteúdo venha dos espíritosdesencarnados. Os espíritos atuam nos centros cerebrais motor,para os médiuns mecânicos e semi-mecânicos, e cognitivo, paraos médiuns inspirados ou intuitivos. A faculdade é mais precisaquando o conteúdo é de total desconhecimento do médium,trazendo dados, cuja comprovação só se dá após exaustivaspesquisas. Nelas, geralmente, os dados são do conhecimentorestrito a uma pessoa ou a um número muito reduzido delas. T. Médium vidente O médium vidente é aquele que, em estado normal, vê osespíritos desencarnados. A visão nem sempre é nítida, e, na mai-oria dos casos, os espíritos não se mostram de corpo inteiro. Omédium vidente também, às vezes, vê paisagens espirituais. É umafaculdade intermitente, isto é, passageira e raramente é perma-nente. O médium não vê com os olhos do corpo físico, mas como perispírito. A visão pode se dar com os olhos abertos ou fecha-dos. Z. Médium de Efeitos Físicos Os médiuns de efeitos físicos são aqueles que, pela quali-dade do fluido que possuem, geram, por esse motivo, com o con-curso dos espíritos, fenômenos de efeitos materiais, tais como:
  • 110. psicologia e mediunidade 111levitação de objetos, ruídos na matéria sem causa aparente, trans-porte e materialização de objetos, materialização de espíritosdesencarnados, modelagem em cera provocada pelos espíritos,dentre outros. A maioria dos fenômenos ocorre à revelia do mé-dium e, às vezes, longe de onde se encontra. Transporte as somas para o quadro seguinte hachurandoaté onde seu valor alcance. Z (Efe itos Inte ns idade Soma A (Ps icofonia) K (Cura) N (Pintura) P (Ps icografia) T (Vidê ncia) Fís icos ) Até 85 O Até 68 E Até 51 D Até 34 M Até 17 G Verifique que letra à direita da nova tabela acimacorresponde a soma de cada tipo de mediunidade e leia o textoadiante que a ela diz respeito.
  • 111. 112 adenáuer novaes G – Gérmen ou Rudimentos da mediunidade Quer dizer que sua mediunidade ainda não se desenvolveuo suficiente para lhe colocar em contato maior com os fenômenosespirituais. Talvez você tenha se distanciado demais de sua natu-reza espiritual, ligando-se demasiadamente ao mundo material. Éhora, talvez, de fazer um caminho de retorno à sua verdadeiraessência. Procure envolver-se com as questões do espírito. Nãose esqueça de que você também é um deles, temporariamenterevestido de um corpo de carne. Mesmo que o resultado tenhasido esse, isso não significa que não possa, a qualquer momentofazer sua mediunidade desabrochar. Ela está latente à espera deseu interesse e de que você preencha sua vida de eventos próxi-mos a ela. Lembre-se de que ela existe em você e deve ser colo-cada a serviço de sua felicidade. Os vários tipos de mediunidadepodem ser desenvolvidos. Escolha um de cada vez para iniciarsua jornada. Não se esqueça dos riscos e cuide de estudar aque-le que pretende utilizar. M – Mediunidade natural Você pertence à categoria daquelas pessoas que possuema faculdade mediúnica de forma natural, sem lhe atribuir um valorespecífico. Você tem lidado com ela mais por influência do meiodo que por iniciativa pessoal. Talvez por medo ou por preconcei-to, ela não seja suficientemente atrativa. É hora de sair da inérciae iniciar seu próprio movimento em busca de sua espiritualidade.Não se esqueça de que a vida não espera por você. A mediunidadeestá presente em sua vida e você tem pouco se utilizado delaconscientemente. Esperar mais pode ser inadequado, pois issosignifica que você está desperdiçando talentos que podem vir aser úteis em sua vida. Tenha a preocupação de conhecê-la paraevitar que se fascine pelo que ela lhe pode proporcionar. Estude-
  • 112. psicologia e mediunidade 113a gradativamente a fim de fazer com que ela lhe traga paz e felici-dade. Mesmo com esse resultado, você pode, a qualquer mo-mento, utilizar sua mediunidade de forma ostensiva. Para isso épreciso desenvolvê-la e educá-la a serviço de sua evolução espi-ritual. D – Mediunidade em desenvolvimento Sua mediunidade está pronta para que a ela se dediquecom determinação e seriedade. Os sinais têm sido muito clarosconvidando a que você não espere mais tempo. Parece haver umcomprometimento e um chamado a que você se ligue ao espiritu-al. Sua faculdade já foi exercitada, mas não houve investimentosuficiente de sua parte para que ela se tornasse madura. Procurepessoas sérias para dar continuidade a estudos que lhe capacita-rão ao pleno exercício de sua mediunidade. Neste estágio amediunidade é uma ferramenta importante para evolução do mé-dium por conta do maior contato com espíritos interessados noseu progresso. Aproveite que você conta com essa proximidadee reafirme seus propósitos de se tornar um excelente intermediá-rio dos espíritos desencarnados. Lembre-se de que é preciso dis-ciplina, dedicação, humildade, além de estudos específicos. Osespíritos estão confiantes de que você, dessa vez, não esperarámais e estarão atentos ao seu empenho. E – Mediunidade necessitando ser educada Você já possui conhecimentos suficientes para utilizar suamediunidade a serviço do propósito de crescimento pessoal. Aconsciência que possui a respeito das coisas do espírito lhe colo-cam a frente de sua época. Sua mediunidade está quase à flor dapele, precisando apenas de mais empenho de sua parte para queela se torne plena. Talvez esteja utilizando sua mediunidade de
  • 113. 114 adenáuer novaesforma inadequada e isso pode lhe trazer desagradáveis conseqü-ências. Procure melhorar-se como pessoa e se dedique à suamediunidade com seriedade e a serviço do amor. Estabeleça umprograma de estudo e trabalho para que isso ocorra e coloque aeducação mediúnica como fator relevante em sua vida. Lembre-se de que os espíritos estão lhe assistindo e contam com sua hu-mildade para continuar trabalhando seriamente com você. Cuidepara que a mediunidade não seja um estorvo em sua vida e lidecom ela como um precioso diamante que reluz à menor claridade.Coloque luz em sua mediunidade e realize-a com firmes propósi-tos de ser feliz. O – Mediunidade ostensiva ou explícita Sua mediunidade está no nível ótimo. Você já veio com elaou está pronto para exercitá-la. Certamente, em vidas passadasela foi por você usada. É hora de dar continuidade, colocando-anum propósito superior. Continue sua busca espiritual utilizando amediunidade de forma nobre e equilibrada sem resvalar por ca-minhos obtusos e geradores de compromissos cármicos aversivos.A mediunidade é um dom conquistado pelas experiências do Es-pírito em contato com outros e com o sagrado. Vá em frente emseu propósito de crescimento espiritual. Ela é um instrumento quevocê adquiriu por várias encarnações. Por esse motivo, procurevalorizá-la. Procure fazer com que ela seja cada vez mais equili-brada e transparente. Faça com que sua relação com os espíritosseja cada vez mais madura e igual. Lembre-se de que os espíritosnem sempre estarão à sua disposição, por isso estabeleça umprograma consciente e responsável com eles. Na categoria G enquadro todas as pessoas, pois não háquem não tenha “em si o gérmen das qualidades necessáriaspara se tornar médium”, como bem disse Allan Kardec. Incluonela os médiuns sensitivos, impressionáveis, de pressentimentos,
  • 114. psicologia e mediunidade 115inspirados e intuitivos. São pessoas que sentem de forma bem sutila presença dos espíritos desencarnados sem ter nítida consciênciae precisão disso. Geralmente confundem-se e acreditam que oque vêem, ouvem, sentem ou percebem vem delas próprias. Para desenvolver as qualidades necessárias a cada tipo demediunidade leia o capítulo “Cuidados com o desenvolvimento”.
  • 115. Reuniões de desenvolvimento mediúnico Nas reuniões mediúnicas para o desenvolvimento damediunidade deve-se ter cuidado com a indução exclusiva a umúnico tipo, devendo se testar diversas modalidades, principalmenteas de psicografia, vidência, psicofonia, materialização e cura. Éfundamental, naquelas reuniões, que também haja estudos sobrea mediunidade e sobre cada manifestação de seus tipos. São distintas as reuniões de atendimento a espíritosdesencarnados, necessitados de esclarecimento ou de cura, da-quelas destinadas ao desenvolvimento da mediunidade nos en-carnados. Nas primeiras devem participar principalmente médiunsjá experientes. Nas do segundo tipo não é recomendável quehaja atendimento a espíritos perturbados ou doentes. Antes de se iniciar o desenvolvimento da mediunidade emreuniões com essa finalidade, deve-se preparar as pessoas psi-cologicamente para isso. Essa preparação inclui: conhecimentossobre mediunidade, esclarecimentos sobre como funciona e quala finalidade da reunião, entrevista terapêutica para se avaliar ograu dos conflitos do candidato, conhecimento dos principais si-nais e sintomas dos tipos de mediunidade, estudo dos princípiosespíritas, dentre outros. A pessoa candidata a participar da reu-nião deve ter tido estudo prévio sobre mediunidade, preferencial-
  • 116. psicologia e mediunidade 117mente na instituição onde a reunião se realiza. Tal estudo, feito nacasa espírita onde se realiza a reunião, num de seus grupos, servetambém para a necessária ambientação da pessoa com a equipeencarnada e desencarnada. Nesse período no qual ela está vin-culada à instituição, será orientada quanto à finalidade e ao funci-onamento da reunião mediúnica. O dirigente da reunião deveráconhecer a pessoa, através de entrevista prévia, na qual avaliarásuas condições psicológicas para participar dos trabalhosmediúnicos. Antes de se inserir alguém numa reunião de desobsessão,para nela atuar como médium, deve-se preparar a pessoa emreuniões de desenvolvimento para lhe dar suficiente segurançaquanto a sua faculdade, bem como a maturidade psicológica paranão confundir seus processos e conflitos com os dosdesencarnados. As pessoas que atuam em reuniões mediúnicas numa insti-tuição espírita devem se ocupar de outras atividades na Casa, afim de se envolver com outras pessoas e grupos de trabalho, es-treitando a ligação com os espíritos desencarnados que ali atuam. As reuniões de desenvolvimento da mediunidade devemser dirigidas por pessoas que, naquele momento, não atuem comomédiuns e que tenham suficiente conhecimento do fenômenomediúnico. É importante que as reuniões tenham algum tempodestinado à leitura, muito embora deva ser exigido dos candida-tos estudo prévio. Deve-se passar tarefas aos candidatos ao exer-cício a fim de lhes infundir o hábito pelo estudo. É importante que os candidatos à mediunidade mais osten-siva tenham um acompanhamento psicológico na instituição paraque possam discernir entre seus próprios processos e aquelesque porventura possam surgir em face das influências espirituaispertinentes. Decorre deste pré-requisito, a necessidade do Cen-tro Espírita oferecer atividades (grupos de autocrescimento,evangelhoterapia, grupos de auto-ajuda, etc.) com abordagenspsicoterapêuticas, exclusivamente para seus trabalhadores, nas
  • 117. 118 adenáuer novaesquais possam se auxiliar mutuamente, entrando em contato comseus próprios conflitos, sob a condução de pessoas habilitadaspara tal. As instituições espíritas devem, antes de iniciar uma reu-nião de desobsessão, formar seus médiuns a partir de reuniões dedesenvolvimento da mediunidade. Para aqueles que pretendem desenvolver sua mediunidadesem ligar-se a uma instituição espírita, devem atentar para as re-comendações a seguir, além daquelas relacionadas no capítulo“Cuidados com o desenvolvimento”. 1. Estude atentamente O Livro dos Médiuns, de AllanKardec, tirando suas dúvidas com alguém que conheça o Espiri-tismo; 2. Discuta sua intenção com pessoas mais experientes, co-mentando com elas os resultados a que tem chegado em cadamomento que exercite sua faculdade; 3. Encare com seriedade sua intenção em face das com-plexas implicações psicológicas decorrentes.
  • 118. Reuniões mediúnicas de desobsessão Diz-se que as reuniões mediúnicas de desobsessão se equi-param às sessões de terapia, porém, só podem ser assim consi-deradas num sentido não convencional e não técnico. Elas se tor-nam terapêuticas num certo sentido, por permitirem reflexões pro-fundas naqueles (alguns) que delas participam, em face do im-pacto provocado pelas experiências que ali ocorrem. Elas evo-cam sentimentos e pensamentos que necessitam de reflexão eanálise mais específicas. Não são sessões de terapia ou mesmode psicoterapia por não haver a preocupação dirigida, ao menospor parte dos encarnados, quanto aos processos psicológicosdos participantes. Na visão do leigo podem ser consideradas ses-sões de terapia, mas na visão técnica profissional não o são. Sãoincompletas e parciais sob o ponto de vista psicoterápico. Mes-mo considerando que haja uma preocupação quanto aos proces-sos psíquicos dos desencarnados, não há nessas reuniões umacompanhamento da evolução psicológica dos mesmos. É preciso definir ou conceituar o que é terapia, como tam-bém, o significado de psicoterapia. Terapia significa cura, isto é, oato de realizar um procedimento visando a cura, seja do corpofísico ou de algum processo perispiritual. A psicoterapia pressu-põe a mesma intenção de cura, utilizando-se de algum procedi-
  • 119. 120 adenáuer novaesmento visando os processos psicológicos. Como se percebe,poderíamos classificar a reunião mediúnica como terapia em facedo objetivo, porém, não devemos fazê-lo por conta de se dife-renciar profundamente quanto ao método e ao objeto tratado daprática profissional, a qual justifica o uso do termo. É mais ade-quado dizer que as reuniões mediúnicas são de cura e esclareci-mento. A escuta do médium, e do desencarnado com ele sintoni-zado, seria como uma psicoterapia se eles ou um deles estivesserefletindo e analisando seu próprio conflito com base no que ouve.Porém, isto no máximo poderia ser uma sessão de psicoterapia enão a psicoterapia, a qual pressupõe continuidade e interaçãopara crescimento de quem pontua (o terapeuta) e de quem fala (opaciente). Uma psicoterapia, ou uma terapia, não é uma aula,nem tampouco são sessões de conversão ou conversação religi-osa. É comum observar-se em reuniões mediúnicas a preocu-pação em converter o desencarnado à crença no cristianismo,sem a preocupação em saber de suas convicções religiosas. Nemsempre os conflitos psíquicos do desencarnado se localizam naesfera religiosa. Nestes casos, é a própria necessidade dodoutrinador (esclarecedor) que é transferida para sua fala, reve-lando colocar a alternativa religiosa como única via possível parao desencarnado. Para maior eficácia no auxílio aos desencarnados nas ses-sões mediúnicas de desobsessão é aconselhável ouvir mais doque falar. Quando for necessária a fala do encarnado para odesencarnado, deve haver mais questionamentos que respostasou lições. Os questionamentos objetivam levar o desencarnadonão só a reflexões como também a fazê-lo encontrar as própriasrespostas. Os médiuns e os assistentes encarnados das reuniõesmediúnicas de desobsessão, ouvindo os diálogos entreesclarecedor e desencarnado, deverão naturalmente refletir so-
  • 120. psicologia e mediunidade 121bre o processo (conflito) em questão. Os questionamentos, queserão endereçados ao espírito comunicante, irão também atingiro próprio médium e, certamente, lhe serão muito úteis em suavida. As pessoas encarregadas de esclarecer os desencarnados,ocupando o lugar de terapeutas na desobsessão, devem se pre-parar para seu trabalho de três formas distintas. A primeira, bus-cando resolver seus conflitos íntimos através da autotransformaçãocom base nos princípios espíritas. A segunda, através do estudosistemático, não só das obras espíritas, como também de livrosafins, que concorram para o conhecimento da natureza humana,sobretudo a respeito de psicologia do comportamento, mitologi-as, artes e filosofia. Em terceiro, aprender algumas técnicas deentrevistas diretivas e não diretivas, para que a conversa se torneprodutiva no processo de cura do desencarnado. Lógico que es-sas formas não dispensam a necessidade fundamental de que apessoa seja amorosa e fraterna em sua relação com odesencarnado, de modo semelhante ao trato que destina aos ou-tros na sua vida. Portanto, não basta ter lido Allan Kardec e terconhecimento do Evangelho. Isso ajuda, e talvez seja fundamen-tal, mas não suficiente. Seria de bom alvitre que os trabalhadores das reuniõesmediúnicas de desobsessão fizessem encontros mensais para con-versação sobre assuntos pertinentes ao trabalho que desenvol-vem e encontros bimestrais para participar de trabalhosterapêuticos conduzidos por profissionais, na casa Espírita. Aqueles que porventura nunca tenham participado de umareunião mediúnica devem, antes de atender à curiosidade em fazê-lo ou mesmo supor que vão ver espíritos e só vendo acreditam,que procurem munir-se de estudos a respeito, a fim de evitar in-terferências inadequadas, assombros por conta da ignorância, bemcomo prejudicar o trabalho dos espíritos.
  • 121. Como lidar com os espíritos. Os espíritos são pessoas e como tais devem ser tratados.Nem subserviência e adorações doentias, nem tampouco medocomo se fossem criaturas sobrenaturais divinizadas. Devemossempre nos lembrar de que, quando estão encarnados, têm omesmo grau de dificuldade em viver, como a maioria de nós enem sempre retornam ligados à religião. Assim como tratamosas pessoas devemos fazê-lo com os espíritos desencarnados, afim de que a relação com eles seja de igualdade.Costumeiramente se trata os espíritos com certa artificialidade,como se após a morte mudassem de hierarquia ou gozassem dealguma regalia ou privilégio. Nenhuma reverência a mais que não seja merecida aqualquer pessoa com quem nos relacionamos. Devemos tratá-los com o mesmo respeito e consideração com que tratamosas pessoas, com a mesma naturalidade com que o fazemos navida social comum. Assim postulamos a fim de tentar nivelar arelação entre espíritos encarnados e desencarnados, o quepoderia vir a contribuir para diminuir o grau de fascinação emistificação que pode existir nesse trato. Para que essa relação seja mais natural é necessário quetornemos o contato com os desencarnados algo comum e que amediunidade passe a ser encarada como uma faculdade de usocorrente entre nós encarnados. A sociedade de encarnados seinterpenetra com a dos desencarnados de forma visceral, portan-
  • 122. psicologia e mediunidade 123to agimos, pensamos, sentimos e nos relacionamos de forma se-melhante. A ausência de conversas naturais e informais com os espí-ritos desencarnados, sobretudo nas reuniões públicas espíritas,para análise e discussão de temas relevantes, contribuiu para aexistência de médiuns que se tornaram verdadeiros oráculos aosquais se recorre para todo tipo de orientação. Eles, os médiuns,em pequeno número, passaram assim a ser a via exclusiva poronde transitam as orientações oriundas de Espíritos Superiores.Isso, muito embora tenha seu valor, por conta de ter gerado umacerta unidade inicial no Movimento Espírita, enviesou o contatocom os espíritos desencarnados. Associamos naturalmente os espíritos à religiosidade e tra-tamos com eles como se divindades fossem, à moda medieval.Isso ocorre com a grande maioria dos médiuns e com a quasetotalidade dos espíritos. Não falamos com eles como o fazemoscom as pessoas encarnadas. Agimos artificialmente e noscondicionamos psiquicamente a aceitar o que venha das pessoasdesencarnadas como verdades incontestes. A religiosidade com que se tratam os espíritos decorre domodo primitivo como sempre se lidou com aquilo que era consi-derado sobrenatural. O Espiritismo deve mudar essa idéia, mos-trando que todos os fenômenos mediúnicos são naturais e que seassentam em leis perfeitamente compreensíveis e normais. Poresse motivo devemos tratar os espíritos como pessoas, semartificialismos nem tratamentos destinados a divindades, os quaissão comuns nas religiões politeístas. Não lhes temer nem lhes atribuir qualquer poder de res-ponsabilidade pela Justiça Divina é fundamental para uma relaçãopsicologicamente sadia. Quando se imagina que são os espíritosos “cobradores” pelo “mal” que fazemos, tendemos a lhes temera presença e a considerá-los semidivindades. Não se sabe com quem se lida, visto que as palavras nãosão suficientes para mostrar uma personalidade. A barreira exis-
  • 123. 124 adenáuer novaestente entre a dimensão espiritual e a material impede-nos de teruma melhor percepção sobre a personalidade dos espíritos comquem lidamos. A melhor indicação ainda é o conteúdo moral doque dizem, além do que provocam nos médiuns através de quemse comunicam. Os espíritos devem também se preocupar com odestino de “seus” médiuns, enquanto pessoas, pois contribuempara a formação da maturidade deles. Alguns espíritos, sob a jus-ta alegação de que a responsabilidade é do médium, não conse-guem levar “seus” médiuns ao equilíbrio pessoal e a se tornarembons cidadãos. A oração que normalmente se faz para o contato mediúnico,principalmente nas instituições, não deve ser considerada comoimprescindível ou como exigência deles, mas como um recurso aauxiliar na concentração do médium e a melhorar suas condiçõesvibratórias. Esse bom hábito leva a relação para o campo religio-so. Porém, após, deve-se levar a relação para o campo da natu-ralidade.
  • 124. Os maus espíritos ou obsessores Não existem maus espíritos, mas pessoas em desequilíbrioou de personalidade difícil, pois não há uma categoria de espíritosnaquela condição. Aqueles que agem em desacordo com as nor-mas sociais e morais não fazem parte de uma categoria, como sepertencessem a uma raça diferente. São pessoas que, naquelemomento, estão em atitude inadequada e, muitas vezes, com com-portamentos radicais. Embora algumas pessoas desencarnadasprejudiquem encarnados pela obsessão, elas também podem terboas atitudes em outras situações de sua realidade, isto é, nãosão permanentemente obsessores. Há, porém, casos patológicos ou psicopatológicos de pes-soas desencarnadas, que por estarem doentes psiquicamente, fi-xam-se persistentemente em alguém, sem conseguir dele se des-ligar, exigindo trabalho técnico específico para sua solução. Sãodoentes ligados a doentes; são pessoas comuns. O encarnadoque se encontra nesse tipo de ligação apresenta graves transtor-nos psicológicos e, às vezes, psiquiátricos e neurológicos. A grande maioria dos desencarnados chamados deobsessores, necessita de escuta adequada. Precisam ser ouvi-dos, compreendidos, aceitos, esclarecidos e que lhes sejam da-das esperança e amorosidade. Não querem ser recriminados nem
  • 125. 126 adenáuer novaesque lhes julguemos as ações como se fôssemos sempre certos emtudo que fazemos. São pessoas querendo ser tratadas como tais. A psicoterapia a eles apropriada, deve ser aquela que lhespermita falar, ser entendidos e refletir. Qualquer tentativa de con-versão evangélica não só pode ser inócua, como pode lhes cau-sar tédio. Quando alguém está em conflito e isso lhe atinge o equi-líbrio psicológico, necessita ter contato com a raiz de seu conflitoe não de uma conversão religiosa, a qual só é oportuna em mo-mentos específicos da vida da pessoa. É preciso ter senso de oportunidade para sugerir uma idéiareligiosa, evangélica ou não, durante a crise de alguém. Geral-mente o chamado “obsessor” não se encontra em condições psi-cológicas de aceitar uma investida para sua conversão ou paraanálises evangélicas por quem ele não sente empatia e no mo-mento em que o que ele busca é o alívio para seu conflito. Não quero com isso abolir ou sugerir que se exclua a falaevangélica na desobsessão, mas apenas alertar que se deve inse-ri-la apenas nos momentos oportunos. O conteúdo evangélico éde extremo valor e as lições do Cristo contêm poderososdirecionadores para mudanças de atitudes. Não devem ser bana-lizados quando o que se pretende é fazer alguém refletir sobre aprópria vida e seus conflitos. É preciso que encontremos a palavra e o momento ade-quados para pontuar uma conversa com o desencarnado que sevincula ao encarnado por ações agressivas. Há perguntas que podem ser feitas numa conversa comespíritos desencarnados que facilitam a abordagem de questõesmais íntimas, ligadas aos conflitos que porventura se queira aju-dar a resolver. São perguntas simples e diretas que a seguir rela-ciono, as quais podem ser úteis numa conversação. Como está você? Qual seu nome? Onde estão seus famili-ares? Com quem e onde você vive atualmente? Você poderia mefalar um pouco de você? Há quanto tempo você desencarnou?Por que motivo você age assim? O que o fez ficar dessa forma?
  • 126. psicologia e mediunidade 127Qual o motivo de você estar assim? Quando isso aconteceu? Quaissão suas intenções? Você considera sua atitude atual adequada àsua felicidade? Suas razões são compreensíveis, mas você nãopercebe que suas atitudes lhe levarão ao oposto do que preten-de? Quem você ama? Você é amado por alguém? O que vocêfazia quando estava encarnado? A depender das respostas pode-se dirigir a conversa paraqualquer rumo. É imprescindível que o desencarnado fale muitode si e que novos questionamentos o levem à reflexão sobre suasatitudes, desejos, intenções e sentimentos. Deve-se evitar proporatitudes específicas, mas levá-lo a apresentar alternativas para simesmo. A escolha do que deve fazer, em sua própria vida, deveráser decidida pelo desencarnado. É sempre inadequado dirigir avida do outro, pois a respeito dela nunca temos o conhecimentosuficiente e não sabemos portanto o que é melhor.
  • 127. Medo de espíritos desencarnados A eliminação do medo e a modificação do estado psíquicoque se forma no contato com os espíritos pela associação com osobrenatural são desafios psicológicos de quem lida com amediunidade. Não é muito fácil modificar-se uma tendênciaarquetípica devido a seu enraizamento no psiquismo ao longo dosséculos de evolução. É preciso descondicionar-se das reaçõesde pavor associando à mediunidade um sentimento que contenhaalegria e satisfação pessoal. O medo existente é natural e, portanto, automático. Suaeliminação se dá com um certo tempo de exercício mediúnico.Fundamental é que seja enfrentado, buscando entender que lidarcom espíritos é contactar com pessoas, as quais não poderão nosfazer nenhum mal além daqueles que já existem em nós mesmos. O estado psíquico que nos coloca diante do sentimento demedo é favorecido por um ou mais complexos psíquicos adquiri-dos em vidas passadas que necessitam ser dissolvidos. Dissolveraqueles complexos não é tarefa fácil para um ego frágil. É preci-so, dentre outras condições psíquicas, ter segurança eautoconfiança suficientes para não ser tomado pelos complexos. O não querer morrer sempre pertenceu à consciência doser humano e tudo ele fez e faz para evitar o contato com idéias,
  • 128. psicologia e mediunidade 129emoções e eventos que porventura o aproximem daquele inevitá-vel fenômeno. Por outro lado, a mediunidade se enraíza no in-consciente humano e suas manifestações se apresentam à consci-ência arrastando consigo as experiências aversivas que se encon-tram associadas ao tema. Tais experiências se conectam a com-plexos que promovem a emoção do medo. Inevitável então queele apareça quando a consciência se depara com o fenômenomediúnico. A ignorância nos fez conectar ou associar o contato com oespiritual, pela mediunidade, com situações aversivas e que noscausaram pavor no passado atual ou em vidas anteriores.Condicionamo-nos a essa associação e, por conta disso, não li-damos com o espiritual como algo natural. Geralmente, quandoconseguimos essa naturalidade, utilizamo-nos de um mecanismode defesa chamado de transferência, que nos leva a tratar dotema com reverência sagrada. Isto é, passamos do medo àsacralização. Ambos são formas externas e extremas de contato.Em ambas, o medo está presente de modo latente. O outro, comquem lidamos, não é percebido como tal, mas da forma como amim é possível aceitá-lo, em face de minha insegurança e igno-rância. Agindo assim, nos sentimos seguros, porém não maduros. Disseminar princípios requer vivenciá-los. Quando quiser-mos que os princípios espíritas se tornem crença comum, seránecessário fazer deles vivências espontâneas e naturais. Amediunidade é um fenômeno humano e deve dessacralizar-se paraalcançar o nível social que pretendemos. A sociedade estabelece regras de convivência que paulati-namente se modificam visando a harmonia. Por enquanto, as re-gras de convivência com os espíritos têm sido assim, masgradativamente deverá se modificar, para se tornar algo natural eespontâneo. Quando o medo for substituído pelo sentimento defraternidade, será possível uma relação espontânea. O sentimento de fraternidade, que vai substituindo o medo,surge quando nos sentimos iguais, sem distinções nem hierarqui-
  • 129. 130 adenáuer novaesas. Para isso é preciso não atribuir aos espíritos qualquer poderque não se possa ter, como também não permitir que a culpa e afalsa humildade se apresentem na relação com eles. Costumamosnos sentir inferiores a eles por conta das culpas que carregamos epor achar que eles não as possuem. Achamos que são eles nos-sos juízes. Surge, no momento do contato, a idéia de um juízofinal bíblico. Associamos os espíritos à morte e esta ao julgamen-to final. É um condicionamento que precisamos extinguir. Nadesencarnação não haverá julgamento final, nem tampouco esta-remos diante de algum tribunal. A vida continua. O julgamentoque existe é aquele que naturalmente fazemos a todo o momentoe continuaremos a fazer após a morte. Não é somente diante delaque se faz uma avaliação da própria vida. Essa avaliação deve serfeita a todo o momento e sempre. Não devemos temê-la, poissomos nossos próprios juízes, cujas leis a serem obedecidas seencontram em nossa própria consciência. É preciso não outorgaraos espíritos desencarnados, de qualquer hierarquia, o poder denos julgar ou de decidir sobre nossa existência. O medo pode ser descondicionado à medida que nos sen-timos mais maduros e responsáveis pelo nosso próprio destino. Énecessária a consciência da autodeterminação. Autodetermina-ção é a base para um ego estruturado. Uma pessoaautodeterminada assume as conseqüências de seus atos e ageadequadamente para atingir seus objetivos, sem agredir a nin-guém nem a si próprio, construindo sua felicidade.
  • 130. Inconsciente, intuição, pressentimento e mediunidade O que atua no ser humano quando ele pensa? É o incons-ciente que se apresenta à consciência? Uma idéia nova é umaintuição que procede como resposta a um estímulo ambiental? Éum pressentimento de que algo vai acontecer? É a conscientizaçãoda dinâmica do inconsciente ou fruto de um estímulo telepático?Será que a mediunidade está presente nos fenômenos psíquicos?Como? Difícil responder a essas questões. Suponho que amediunidade é uma faculdade presente em todos os fenômenospsíquicos. Não possível pensar sem captar freqüências espirituaispor intermédio dela. A comunicação mediúnica é um fenômeno psicológico quepermite vir à consciência o que se inicia em outra dimensão e naesfera extra-cerebral ou perispiritual. Ela favorece no encarnadoa emanação de conteúdos do inconsciente que, pela sua quanti-dade, intensidade e qualidade nas informações, pode configuraruma idéia de futuro na forma de pressentimento como uma pro-babilidade. Da mesma forma, o ego pode, pela mediunidade ounão, ter acesso àqueles conteúdos, quando estimulado pelo meioou pelo próprio inconsciente, pressentindo o futuro, também como
  • 131. 132 adenáuer novaesprobabilidade. A isso se chama intuição. O meio que estimula oego pode ser material ou espiritual. A intuição, portanto, é possí-vel graças às manifestações do inconsciente e à mediunidade. Atribuir ao inconsciente a autonomia de provocar tais even-tos advém da intensidade com que as experiências do espírito, aligravadas nas várias encarnações, promovem a sua expressão navida consciente. Não se pode dizer se a ação procede do espíritoou se do meio. Tudo ocorre de uma forma simultânea como naunião de opostos que se buscam intensamente. As ocorrências do inconsciente são manifestações cons-tantes e inseparáveis da vida humana, conseqüentemente não háconsciência sem as interferências que vêm dele. A consciência éinicialmente estruturada a partir das interferências do inconscientee continua a absorver seus conteúdos no decorrer da vida, o quecaracteriza o processo de amadurecimento do indivíduo. A cons-ciência, além dessa interferência, absorve o que lhe vem das ex-periências do ego em contato com a realidade externa. As intenções, os desejos e impulsos, por outro lado, pare-cem exigir uma certa predisposição ou pressão. Parece que elasocorrem mediante algum estímulo próprio do Espírito, da realida-de espiritual (de algum desencarnado) ou oriundo de algum even-to externo (estímulo do ambiente material). Na intuição algo deveestar incomodando a consciência para que ocorra, como se hou-vesse uma descompensação psíquica para sua manifestação. Opressentimento é mais do que uma simples intuição pela necessá-ria conexão inconsciente com uma provável situação futura. Opressentimento preenche, aos “olhos” daquele que o sente, umadescontinuidade entre o passado e o futuro, apresentando-lhe umapossibilidade de entendimento como um senso coletivo. O evento mediúnico, quando se processa pela afetação dopsiquismo do indivíduo, pode se apresentar também como umamanifestação do inconsciente, como uma intuição e como um pres-sentimento. Não há como distinguir, num evento mediúnico, se aparticipação é estritamente do psiquismo do indivíduo ou se háinterferência de um espírito comunicante.
  • 132. psicologia e mediunidade 133 Quando o evento mediúnico surge no formato de uma men-sagem psicofônica ou psicográfica, também é difícil distinguí-lode um evento estritamente da autoria do médium, tendo em vistaa possibilidade de seu conteúdo ter vindo do inconsciente do mes-mo. Quando o conteúdo contém dados desconhecidos da vidaatual ou de vidas passadas do médium, aí sim, teremos aconstatação da interferência extra-médium. É o caso das mensa-gens mediúnicas contendo informações precisas de nomes, da-tas, dados biográficos e outros detalhes que vêm a ser confirma-dos após pesquisas. As mensagens de conteúdo moral elevadopodem vir do inconsciente do médium, mesmo que estimuladopor espíritos. Uma mensagem de conteúdo moral, por mais ele-vada que seja e por menos culto que seja o médium, pode seroriunda de seu inconsciente que pode conter informações adqui-ridas em suas experiências em vidas passadas, podendo aflorar aqualquer momento. Ser analfabeto não implica ter perdido osconhecimentos adquiridos em vidas passadas, pois eles podemficar latentes, manifestando-se a partir de estímulos específicos.
  • 133. Diferenças entre anímico e mediúnico no psiquismo O que se chama de animismo é a produção, pelo médium,de fenômenos de efeitos físicos ou de efeitos intelectuais sem aintervenção de espíritos desencarnados. Conseqüentemente, sóé mediúnico o fenômeno que tenha a participação de um ou maisdesencarnados. Há porém fenômenos que podem ser enquadra-dos como anímicos muito embora possam ter a interferência deespíritos desencarnados, como por exemplo, a visão de paisa-gens espirituais e a clarividência. Nessa mesma categoria pode-mos inserir as premonições oriundas de sonhos nos quaisdesencarnados passam informações sobre o futuro para o sonha-dor. Há também fenômenos que sugerem a intervenção de es-píritos, mas que parecem ter causas desconhecidas, a exemplodos classificados por C. G. Jung (1856-1961) comoSincronicidade. Cito como exemplos, o fato de um relógio pararno exato momento em que ocorre a morte de seu dono ou noaparecimento de um inseto raro num ambiente muito distante deseu habitat natural quando seu nome científico é citado. Há fenômenos que ocorrem com o ser humano, do pontode vista psíquico, que não podem simplesmente receber a deno-minação de anímico ou mediúnico. Pode-se dizer que essas duas
  • 134. psicologia e mediunidade 135classificações são polaridades de um espectro muito grande, oqual contém fenômenos de natureza ainda desconhecida e que océrebro humano não é capaz de registrar. O fenômeno anímico está sempre presente no mediúnico,pois que todos os fenômenos que se passam na via do psiquismohumano, contêm elementos e símbolos presentes na psiquê dequem deles participa. A consciência dos processos anímicos como algo naturalna mediunidade pode colaborar para a individuação do mé- 9dium, pois, simultaneamente à sua contribuição como intermediá-rio, perceberá aquilo que lhe é próprio, adquirido em sua evolu-ção espiritual. Ela passa a se conscientizar de suas qualidades e,talvez, de seu nível de evolução espiritual. É preciso que retiremos do exercício mediúnico o medo oureceio do animismo, pois este estará sempre presente. A palavraanimismo tornou-se um símbolo que transfere uma certa insegu-rança e até medo aos médiuns inexperientes. Não se deve temero que é natural. Deve o candidato a médium ou mesmo o experi-ente, conscientizar-se de si mesmo e despreocupar-se de sua in-terferência pessoal. Deve, porém ter senso crítico sobre o queproduz através da mediunidade, além de submeter sua produçãoao crivo de terceiros. Os conteúdos repetitivos de alguns médiuns, trazendo men-sagens mediúnicas que se assemelham, nem sempre se tratam deanimismo, pois, muitas vezes, procedem do mesmo espírito, oqual não consegue, com aquele intermediário, mudar seu própriopadrão de pensamento e sentimento. É importante distinguir a fraude do animismo. Na fraude háuma falha de caráter do médium ou do espírito comunicante. Oobjetivo da fraude é enganar. O fenômeno anímico é inconscien-te, isto é, não depende da vontade do médium. É produzido à suarevelia. Ele pode reduzir sua influência, mas nunca evitar total-9 Processo de crescimento pessoal descrito por Jung, que inclui a maturação do ego,a integração da sombra, a dissolução dos complexos, o reconhecimento das personas,o encontro com a ânima/ânimus e a realização do Self.
  • 135. 136 adenáuer novaesmente. Ele consegue reduzir a influência do animismo em suascomunicações na medida que identifica seus padrões psíquicos,evitando que eles se apresentem. Os sinais identificadores do animismo só são observáveisno exercício freqüente da mediunidade e após um conhecimentoespecífico da personalidade do médium. À primeira vista não háquem distinga o anímico do mediúnico, pois uma única comunica-ção não é suficiente para detectar se isso faz parte do “modusoperandi” daquele médium. São alguns sinais característicos das comunicações nas quaisprevalece o animismo: 1. Padrão repetitivo do conteúdo das comunicações inte-lectuais; 2. Construção repetitiva das idéias transmitidas nas comu-nicações intelectuais; 3. Semelhança típica entre a personalidade do médium e oconteúdo de suas comunicações, quando se trata de histórias compersonagens; 4. O conteúdo das mensagens apresenta repetitivamentesoluções diretas para os conflitos íntimos do médium; 5. Citação constante do nome do médium nas mensagenspor ele transmitidas; 6. Perspectiva não espiritual na forma de apresentar asmensagens; 7. Trejeitos e tiques que não pertencem aos espíritosdesencarnados; 8. Exigências exclusivas e esquisitas para que o fenômenomediúnico ocorra; Muitas vezes, a simples presença de um espíritodesencarnado, pressentida pelo médium, provoca-lhe a vontadede emitir uma comunicação, mesmo que ele não tenha essa inten-ção, nem nada tenha a dizer. A sintonia psíquica também pode se
  • 136. psicologia e mediunidade 137dar à distância, desde que ambos estejam na mesma freqüênciavibratória. O animismo antes de ser um problema é uma condiçãonatural existente em todas as comunicações, as quais invariavel-mente se servem dos conteúdos da consciência e do inconscientedos médiuns. Para se lhe reduzir os efeitos, que porventura sejam preju-diciais nas comunicações, é importante que os médiuns busquemuma maior sintonia com os espíritos com quem trabalham ou de-sejem se comunicar, além de desenvolver um maior senso críticoem relação ao conteúdo de suas comunicações.
  • 137. O proveito da mediunidade A faculdade mediúnica pertence ao indivíduo e é seupatrimônio conquistado ao longo de sua evolução espiritual. Suautilização está sempre atrelada aos espíritos, não sendo, em prin-cípio, um ato isolado. É, portanto, um ato executado em conjuntoe que implicará responsabilidades e aprendizado para aqueles queparticipam de sua ocorrência. O que ocorrer (vitórias e derrotas)será dividido entre seus executores. Do que se faça dela, corresponderá a qualidade dos espí-ritos que atuam com o médium. Algumas vezes, mesmo que omédium utilize inadequadamente sua faculdade, contará com BonsEspíritos, os quais tentam conduzi-lo a outras atitudes e objetivosmais nobres. Nesses casos, há intercessão em favor do médiumpor seu merecimento. A inibição da faculdade pode ser provocada por espíritosque sabem intervir no funcionamento do perispírito a ponto domédium não conseguir utilizá-la. Isso é feito para seu bem, evitan-do que seu uso inadequado gere maiores comprometimentos parao médium e a terceiros. Algumas substâncias químicas quandoadministradas no corpo físico também têm semelhante efeito. A faculdade mediúnica também pode ser tornada mais ex-plícita ou aflorada por conta de intervenções perispirituais pro-movidas por espíritos conhecedores de sua fisiologia. Há tam-bém substâncias químicas, sobretudo alucinógenos, que podem
  • 138. psicologia e mediunidade 139provocar semelhante efeito, da mesma forma que podem abrir as“portas” do inconsciente à consciência, provocando uma série dedistúrbios psíquicos. O uso da mediunidade poderá contribuir para sua inibiçãoou para seu desenvolvimento, dependendo da forma e do objeti-vo com que se faz, como também dos cuidados que se tenha como próprio corpo físico. O proveito que se pode e se deve retirar da mediunidade éde que seu exercício deverá estar de acordo com o sentido que omédium atribui à própria vida, servindo como reforçador parasua evolução espiritual. O uso da mediunidade profissionalmente, isto é, para sub-sistência pessoal, deixará o médium em situação delicada quandoos espíritos não comparecerem ao ato ou quando, por outromotivo, ela for inibida. Esse tipo de proveito o afastará do exercí-cio de sua cidadania pelo fato de não exercer uma profissão le-galmente reconhecida. Tal prática o impede também de manterrelacionamentos profissionais com terceiros, a submeter-se a umahierarquia funcional e a inserir-se na dinâmica da economia dasociedade. São os seguintes os requisitos para o médium retirar pro-veito de sua faculdade: 1. A atividade a ser executada não deverá fazê-lo depen-der dos espíritos; 2. O exercício deverá contribuir para sua individuação eevolução espiritual; 3. Seu uso não deverá excluí-lo da sociedade nem isentá-lo de suas obrigações como cidadão; 4. O que faça de sua faculdade não deverá levá-lo a terqualquer transtorno psíquico; 5. Sua ligação com os espíritos, no exercício mediúnico,deve contribuir também para a evolução deles próprios; 6. A atividade que executar deverá auxiliar sem viciar aspessoas que se beneficiam de sua faculdade;
  • 139. 140 adenáuer novaes 7. O produto das comunicações mediúnicas não deve ser,de forma alguma, remunerado ou trocado por benefício financei-ro ao médium, ou a terceiros; 8. O uso da mediunidade deve concorrer para a felicidadedo médium. O uso da mediunidade de forma não gratuita não interfereno seu desenvolvimento, mas está ligada à qualidade dos espíri-tos que pelo médium se comunicam. O grande proveito que se pode tirar da mediunidade é opróprio contato com o espiritual, o qual aproxima o médium desua natureza essencial. Deve ele, sempre que possível, utilizar suamediunidade no cotidiano para sua felicidade, atendendo aos re-quisitos acima listados.
  • 140. Mediunidade e sexo A palavra sexo tem muitos significados. Dentre eles desta-co os seguintes: energia psíquica, ato de intimidade, cópula, gê-nero, genitália, impulso/desejo e amor. Procurarei especificar quan-do estiver utilizando-o num ou noutro sentido a fim de facilitar acompreensão. A faculdade mediúnica não está relacionada ao sexo noque diz respeito à relação sexual. A vida sexual (relações íntimas)de alguém não interfere no desenvolvimento da mediunidade dapessoa. É comum o médium sentir-se culpado quando tem rela-ções sexuais acreditando que aqueles atos o afastam dos BonsEspíritos. Não se deve esquecer que eles também são humanos ecomo tais o faziam naturalmente quando encarnados. A culpa,muitas vezes, advém da forte introjeção repressiva que a cultura,a educação repressora e a religião castradora impõem. A recomendação que se faz em relação à prática sexualantes ou no mesmo dia das reuniões de contato com os espíritos,se deve ao fato de se prevenir o médium quanto à fixação emoci-onal que comumente é associada ao ato. Isso vale para qualqueroutra atividade do ser humano em que se tenha forte vinculaçãoemocional capaz de afetar o psiquismo, interferindo na atividademediúnica. As fantasias imaginativas, típicas nas relações sexuais,podem gerar fixações mentais, que são prejudiciais ao exercícioda mediunidade, como de qualquer atividade em que se exija
  • 141. 142 adenáuer novaesconcentração e disponibilidade psíquica. As imagens mentais ge-radas durante um ato sexual devem ser esquecidas quando doexercício de outras atividades, inclusive e principalmente damediunidade. O celibato ou a baixa atividade sexual não interfere no de-senvolvimento da mediunidade, tampouco a prática do sexo impe-dirá que os espíritos se aproximem desta ou daquela pessoa. Paraeles, em geral, a atividade sexual é um ato humano natural e quedeve ser exercido com educação e harmonia. A instituição do celi-bato no âmbito religioso católico é atribuída às responsabilidadesque o exercício sacerdotal exige em que o comando e a manuten-ção de uma família são vistos como concorrentes, além das ques-tões ligadas a herança de bens materiais. Acresce-se a isso, as prá-ticas sexuais inadequadas, típicas do período pré-Idade Média,comuns em ambientes de iniciação religiosa, cujos abusos desper-taram a necessidade do controle, resultando assim no estabeleci-mento das proibições de atividades sexuais. Porém, vivemos emuma outra época, na qual a sexualidade é vivida de forma menosconflituosa e com mais naturalidade. A sexualidade do ser humanotem hoje mais liberdade de expressão, o que contribui para o alíviodas repressões estabelecidas no passado. Os tabus estão caindo eo mistério antes existente está sendo paulatinamente desvendado. A atividade sexual sadia do ser humano contribui para oequilíbrio de sua vida psíquica e deve lhe trazer harmonia e satisfa-ção emocional. Sua influência sobre a mediunidade é a mesma deoutras que lhe exigem energia emocional. A atividade sexual consigo mesmo, com um parceiro de ou-tro sexo (gênero) ou com alguém do mesmo sexo não é relevantepara o exercício da mediunidade quando não há culpa, medo, im-posição, desarmonia, prejuízo a outrem nem fixação ou viciaçãomental. A sexualidade deve ser exercida considerando-se que seestá de posse de uma modalidade de energia psíquica cujo usodeve ocorrer visando a felicidade e o amor.
  • 142. psicologia e mediunidade 143 A energia psíquica utilizada na modalidade sexual é umapoderosa alavanca para o crescimento do ser humano, a qualdeve ser utilizada visando a felicidade. Sua força propulsora éuma das responsáveis pela criatividade humana e pelo desenvol-vimento social. Por conta de sua força, o ser humano necessitaaprender a educá-la a fim de não resvalar para o desequilíbrio.Ela é como a correnteza, que pode assorear as margens do riocomo pode gerar energia elétrica quando passa por uma turbina.
  • 143. A mediunidade no feminino A mediunidade é uma faculdade que permite a conexãopsíquica num nível acima das comunicações conscientes. Ela nãoé feminina nem masculina, mas uma polaridade psíquica que per-mite a conexão com uma outra. Pela condição do psiquismo feminino , o qual favorece a 10manifestação da qualidade conectiva pertencente ao Espírito, amulher é mais sensível a todo ato que inclua afetividade. O contatocom os espíritos é um ato de conexão que impele uma pessoa aoutra e isso se assemelha àquela qualidade do psiquismo feminino. As predisposições psíquicas do feminino contribuem paraque o produto da mediunidade na mulher se torne algo mais es-pecífico, isto é, mais definido. Ao contrário do masculino, o femi-nino busca a conexão com a unidade, o que conduz sua faculda-de para um contato com espíritos desencarnados dentro de cer-tos limites. Por ser mais seletiva e exigente, tenderá a estabelecermais limites e critérios na qualidade e quantidade dos espíritoscom os quais estabelece a comunicação mediúnica. As preocupações cotidianas do feminino, no que diz respei-to ao aspecto materno (nutridor), mesmo que seja apenas comouma possibilidade, sugerem conteúdos nas comunicações mediúnicasde acordo com essa função psíquica ou em oposição a ela.10 Algumas características do psiquismo feminino são: pluralidade, tendência a voltar-se para dentro de si mesmo, conectividade, tendência nutridora, maior permissividade/condescendência, flexibilidade, julgamento emocional, etc.
  • 144. psicologia e mediunidade 145 Afirmar que a mediunidade é uma faculdade típica das pes-soas com traços femininos, mais sensíveis do ponto de vista afetivo,talvez seja um equívoco e se esteja atribuindo a um específicocaráter de certos médiuns à causa de sua sensibilidade mediúnica. Ser feminino ou masculino, tanto quanto o psiquismo deambos os gêneros, não favorece o desenvolvimento damediunidade. Essas duas polaridades psíquicas contribuem oudirecionam alguns formatos do produto da mediunidade. Os es-píritos desencarnados podem ter preferências em se comunicaratravés de homens ou de mulheres, porém, isso é uma escolhaestritamente pessoal. As comunicações mediúnicas que saem por médiuns cujopsiquismo seja nitidamente feminino, tendem a apresentar, na cons-trução das idéias, aspectos que envolvem sua necessidade de co-nexão com o masculino. Quando os homens se apresentam com caracteres femini-nos em seu comportamento ou em sua forma de falar, isso não éprovocado pela mediunidade nem a favorece. Tais caracteres sãoaspectos próprios da personalidade do médium. Idem em rela-ção às mulheres que apresentam caracteres masculinos. Os espíritos que animam os corpos masculinos e femininossão os mesmos, pois o Espírito em si não tem sexo. Não há Espí-rito masculino ou feminino, porém há espíritos desencarnados mas-culinos ou femininos. A desencarnação não promove a remoçãodo perispírito, no qual se localiza a psiquê masculina ou feminina.Portanto o espírito, após sua desencarnação, pode vir a ter umpsiquismo masculino ou feminino, a depender das circunstâncias. Ainda há um número reduzido de mulheres médiuns nacategoria de positivos , talvez em decorrência da maior flexibi- 11lidade do psiquismo feminino. Essa não é uma característica dapersonalidade, mas do psiquismo. Os mesmos homens que sãomédiuns psicógrafos e que trazem mensagens precisas, quandoreencarnarem como mulheres, terão dificuldade em repetir o feito.11 Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, Cap. XVI, item 193.3.
  • 145. A mediunidade no masculino Ter um psiquismo masculino não é atributo exclusivamen- 12te do homem, tampouco ter um psiquismo feminino o é da mulher.A mente humana tem polaridades psíquicas que definem atitudesem relação à vida. A polaridade psíquica de alguém pode estarem desacordo com sua anatomia sexual. A polaridade psíquicasexual nem sempre acompanha os aspectos genéticos oumorfológicos no ser humano, encarnado ou desencarnado. Ogênero do corpo e a educação social contribuem para a manifes-tação do psiquismo masculino ou feminino, muito embora, às ve-zes, independente destas duas condições, possa prevalecer umpsiquismo contrário. Isso pode ocorrer em função da forte pola-ridade psíquica do espírito, consolidada há algumas encarnações. As buscas por vencer o mundo externo e sua natural ten-dência pela conquista contribuem para que as mensagens que flu-em através do psiquismo masculino contenham vetores que apon-tam para aquela direção. Da mesma forma, o desejo de conectar-se e a natural tendência agregadora do psiquismo feminino, tam-bém contribuem para um viés típico nas mensagens. Masculino e feminino são polaridades psíquicas acentua-das pelos caracteres genéticos e anatômicos do ser humano. A12 Algumas características do psiquismo masculino são: singularidade, tendência avoltar-se para fora de si mesmo, expansivo, provedor, separativo, tendência afechar processos, etc.
  • 146. psicologia e mediunidade 147rigor não há um ser humano integralmente masculino ou feminino,pois a psiquê apresenta geralmente uma predominância de umaspecto sobre o outro, embora conserve ambos. O diferencialentre uma polaridade e outra definirá um padrão psíquico que oindivíduo tende a acentuar. O psiquismo, seja masculino ou femi-nino, está estruturado no perispírito onde se encontram as expe-riências do indivíduo nas sucessivas reencarnações. Suas experi-ências num e noutro tipo de sexo e com a sexualidade em geral,contribuíram para acentuar esta ou aquela polaridade. A conheci-da e falada sensibilidade feminina não torna a mulher mais mé-dium que o homem, por menos sensível que ele seja. Aquela sen-sibilidade é uma qualidade emocional, mas não mediúnica. A mes-ma qualidade um homem pode ter e não apresentar sinais explíci-tos de mediunidade. Não se deve confundir sensibilidade afetivacom sensibilidade mediúnica. A primeira pertence ao campo emo-cional da psiquê e a segunda ao campo espiritual. São capacida-des distintas. De acordo com certos registros históricos, o homem temapresentado mais dotes mediúnicos, sem os limites que a mulhernaturalmente impõe. Há mais homens médiuns positivos quemulheres, pelo menos que se tornam mais famosos. Talvez eles setornem mais famosos por conta da facilidade do masculino emlidar com o mundo externo. Tais dotes se apresentam pela varie-dade de fenômenos e pela quantidade de médiuns homens que seconhece. Isso se deve exatamente às exigências típicas que a so-ciedade faz ao homem. Independente disso, pode-se reparar quea quantidade de mulheres presentes em sessões espíritas é maiordo que a de homens. Isso se deve ao fato de que a mulher seocupa mais do contato com o subjetivo (afetivo ou espiritual) etem o olhar naturalmente voltado para o cuidado com oautoconhecimento. A polaridade psíquica masculina se presta maisà mediunidade positiva. As características do psiquismo masculino favorecem omodo prático de lidar com o meio externo e dificulta a relação
  • 147. 148 adenáuer novaescom o mundo subjetivo. As características do psiquismo femininodeterminam maior habilidade relacional e afetiva, em detrimentodos aspectos objetivos da vida. São polaridades complementa-res que devem ser desenvolvidas ao longo das várias encarnações,resultando na construção de um psiquismo equilibrado. A sensibilidade mediúnica no homem se sobressai mais porconta do psiquismo masculino se sentir mais atraído, por conta dafalta, pelas expressões afetivas que geralmente surgem nas men-sagens de desencarnados.
  • 148. A mediunidade no solteiro e no casado A vida cotidiana interfere significativamente na vida psíqui-ca. Tudo o que fazemos e como fazemos segue um ritmo ditadopelo psíquico, porém os condicionamentos que a cultura, a edu-cação e o meio impõem, lhe alteram seu funcionamento. Muitasvezes, os espíritos desencarnados que trabalham com certos mé-diuns alteram a vida particular deles para que se moldem ao quedesejam. Noutros, eles, os espíritos, se adaptam ao “modusvivendi” de seus médiuns. Num e noutro caso há perdas e gan-hos para ambos os lados. A opção de casar, isto é, de viver em companhia de al-guém, numa relação marital, impõe obrigações que, se não res-peitadas, podem interferir psiquicamente no exercício e no de-senvolvimento da mediunidade. Quando um dos parceiros optapelo exercício da mediunidade numa instituição espírita, deve, antesde iniciar a prática, conversar com o outro de forma conciliatória,visando a inserção adequada daquela nova atividade, sem preju-ízos às obrigações familiares ou maritais. O exercício damediunidade deve ser feito de tal forma que não venha a ser umelemento favorecedor à separação do casal ou trazer dissaboresà convivência. O psiquismo da pessoa que vive maritalmente contém, na
  • 149. 150 adenáuer novaesconsciência, elementos que se prestam a determinadas projeçõesde que os desencarnados se utilizam para transmitir suas idéias,em formatos diferentes daqueles cujos médiuns são solteiros. Ossolteiros, isto é, aqueles que não vivem maritalmente com alguém,(nem vivem relações não convencionais) não possuem em seupsiquismo os elementos (símbolos) semelhantes aos casados. Nãovivem, os solteiros, situações típicas da vida marital, principal-mente na esfera relacional, a qual impõe doações e renúncias emfavor do outro. Mesmo que o solteiro more com alguém (mãe ououtro parente) a relação será diferente da marital. O produto damediunidade intelectual, no que diz respeito aos símbolos queformatam o conteúdo das mensagens será, portanto, diferente paracada caso. Em alguns casos, o exercício da mediunidade pública colo-ca o indivíduo em certo grau de projeção que pode levá-lo adeixar a vida marital e, às vezes, familiar, para se dedicar ao ser-viço com mais tempo e sem as obrigações materiais que tinha.Alguns seguem a vida sem uma vida marital, outros, buscam umarelação não convencional. Essa mudança nem sempre favorece oprocesso de individuação (crescimento e desenvolvimento dapersonalidade) do médium, muito embora, em certos casos, podeser um ganho para a divulgação do Espiritismo. Devem, os mé-diuns, nesse caso, avaliar se abdicam ou não de sua realizaçãopessoal em favor do coletivo, ou buscam uma forma conciliatóriade viver. A alternativa que direcione exclusivamente para uma dasopções traz sempre algum prejuízo. Alguns médiuns, quando casados, por conta de conflitosna esfera familiar, tendem a transferir suas soluções para o con-teúdo das comunicações, dificultando assim a transparência nasmensagens de que são veículos. Alguns candidatos ao exercício mediúnico, quando maisjovens, ficam indecisos entre uma relação amorosa e o exercíciode sua mediunidade, às vezes, acreditando que uma coisa atrapa-lha a outra. Não se trata de uma escolha entre opostos, mas de
  • 150. psicologia e mediunidade 151aprender a dedicar atenção a coisas distintas. O exercício damediunidade não deve ser empecilho a uma vida amorosa saudá-vel. Mesmo para aqueles que já reencarnam com a mediunidadeostensiva, não será prejuízo ter uma vida amorosa e familiar har-mônica. Não é necessário abdicar de uma família para aquelesque querem tê-la. Não se deve colocar a mediunidade públicaem oposição à constituição de uma família. É preciso aprender a conciliar interesse público com inte-resse privado. Saber viver equilibradamente as duas dimensõesda vida é uma demonstração de maturidade psicológica e evolu-ção espiritual. Os símbolos presentes na vida de uma pessoa solteira, istoé, que não conviva com um parceiro, diferem daqueles dos casa-dos, por conta de se aproximarem mais do inconsciente. Opsiquismo do solteiro tende a desenvolver símbolos relativos àautonomia na própria vida. A experiência de ser o único respon-sável pelas escolhas que faz na vida desenvolve neles um sensode independência, liberdade e a necessidade de serem muito maisatentos à sua rotina, já que não possuem a quem atribuir a culpapelo que fazem ou deixam de fazer. Por conta de sua condição,aprendem a autogerir a própria vida, pois não contam no dia-a-dia com alguém com quem dividir responsabilidades. Criam dis-ciplina própria, independente das cobranças externas, mas afina-da com sua consciência de propósito de vida. Abrem espaçospara cuidar das várias dimensões da própria vida com vista àindividuação. Os desafios que vencem promovem a existência desímbolos no psiquismo que se prestam a outras qualidades decomunicações mediúnicas, tão válidas quanto as dos casados.
  • 151. Mediunidade e homossexualidade Homossexualidade é a designação que se dá àquelas pes-soas que praticam sexo com gênero semelhante. Essa práticaocorre por uma série de motivos que variam de pessoa a pessoaque assim procede. Os motivos podem ter causas naindiferenciação psíquica sexual, no desequilíbrio do chakragenésico, na imitação comportamental, na curiosidade sexual, napreferência inata ou outros de natureza não definida. Não há umacausa precisa, nem decorre, como muitos pensam, do espírito tertido a encarnação anterior num corpo do sexo oposto. Outros,absurdamente, pensam que se trata de expiação. A homossexualidade não é doença, tampouco significa, apriori, a existência de um conflito psíquico. Quando ela se apre-senta como um conflito deve a pessoa buscar ajuda profissionalpara compreender-se e resolver seu problema. A necessidade de entender-se como homem ou como mu-lher impõe às pessoas que se coloquem como homossexuais,quando não se enquadram, pela preferência sexual que adotam,como típicos de seu gênero. Com isso, perdem a oportunidadede entender que sua natureza sexual não precisa dos estereótiposconvencionais. Cada ser humano tem seu sexo psíquico (defini-ção sexual) específico. Não precisa se enquadrar neste ou na-
  • 152. psicologia e mediunidade 153quele tipo, nem num terceiro ou quarto. Definir-se como homemou como mulher é uma necessidade psíquica para a maioria daspessoas, por necessidade cultural (meio social), importante paraque o Espírito aprenda a educar sua energia sexual. O espírito, psiquicamente falando, não é homem, mulherou homossexual. Embora tenha as polaridades psíquicas (mascu-lina e feminina), pode expressar-se dentro do espectro entre umae outra. Isso significa dizer que a expressão do espírito, encarna-do ou desencarnado, pode se situar dentro da faixa que vai domasculino ao feminino. O ser humano não é homem nem mulher.Ele se apresenta com uma das denominações por conta da corre-lação que naturalmente faz entre a predominância de seu psiquismoe sua anatomia genital. Ser homossexual não quer dizer, em se tratando do ho-mem, ter uma ´alma feminina´, isto é, ser sensível emocional-mente, pois esta característica pode estar presente em pessoassensíveis, de ambos os sexos, independentemente de suas práti-cas sexuais. Geralmente, para não assinalar a preferência sexualdiferenciada de alguém que é homossexual, especificamente dosexo masculino, afirma-se que a pessoa tem a ´alma feminina´.É importante que aprendamos a respeitar a preferência sexualdas pessoas e que enxerguemos sua individualidade independen-te da opção que faça, qualquer que seja. Da mesma forma, serhomossexual, em se tratando da mulher, não quer dizer ser másculaou rude, pois tais condições podem estar presentes em qualquerpessoa. A mediunidade não provoca a homossexualidade nem estacontribui para sua existência. Mesmo que se observe a presençade homossexuais vinculados à prática da mediunidade formal (noEspiritismo, na Umbanda, no Candomblé e demais seitas ou reli-giões mediúnicas), isso não é suficiente para se estabelecer qual-quer relação de causalidade. A mediunidade está presente nosheterossexuais e nos homossexuais, isto é, em todos os seres hu-manos, independentemente de sua opção sexual. O uso da ener-
  • 153. 154 adenáuer novaesgia psíquica no campo sexual não está associado ao desenvolvi-mento da mediunidade, tampouco acelera ou retarda sua expres-são. A homossexualidade que se observa em certos médiunsostensivos, quando é vivida com culpa, interfere nas comunica-ções mediúnicas por conta da intensidade do complexo psíquicogerado. As comunicações intelectuais tendem a ter um formatosalvacionista e consolatório muito mais intenso e pesado. Os mé-diuns ostensivos que são homossexuais e que carregam uma cul-pa muito grande, por conta de suas práticas sexuais, condenadassocialmente, sofrem pela própria discriminação que fazem consi-go mesmos. Sua culpa interfere nos processos mediúnicos e noconteúdo das comunicações espirituais que porventura emitam. A vivência da homossexualidade sem culpa requer a com-preensão da própria personalidade, a fim de não fazê-la sucumbiràs exigências coletivas, encarando o desafio de realizar seu senti-do interno de viver. Para isso é preciso libertar-se dos preconcei-tos que impedem a felicidade no amor, isto é, amar outra pessoacomo forma de alcançar o sentido supremo de viver, que é serfeliz sem infelicitar a outrem. A experiência de ser homossexualdeve ser validada quando proporciona o crescimento da pessoaatravés do amor. Este sim, deve estar presente qualquer que sejaa preferência sexual do indivíduo. Geralmente, quando lidamoscom a homossexualidade, em nós ou em alguém, colocamos emnosso julgamento a pobreza moral ao emitir juízos de valor. Odesequilíbrio porventura existente numa relação homossexual nãoestá por conta da semelhança do gênero, mas no psiquismo dosindivíduos, que pode conter complexos desestruturantes. Nadahá no Espiritismo que estimule a prática homossexual, tampoucoque a reprima, pois se trata apenas de uma expressão do Espíritoem busca de si mesmo. Já vivemos a experiência homossexualem algum período de nossa evolução, por conta da indiferenciaçãosexual característica dos primórdios da humanidade. A transferência que normalmente os médiuns fazem para
  • 154. psicologia e mediunidade 155com os espíritos que se comunicam através deles, considerando-os gurus e salvadores, quando não os consideram santos, impedeque eles próprios percebam sua verdadeira natureza. Tal meca-nismo projetivo pode confundir a própria sexualidade do médium,que se esquece de conservar sua identidade sexual, já que a mai-oria dos espíritos desencarnados evita falar com naturalidade so-bre sexo. Sexo e mediunidade são temas distintos. O desejo sexualmobiliza a energia psíquica e a mediunidade é um sistema de co-municação espiritual pela via do inconsciente.
  • 155. Mediunidade e conhecimento intelectual O conhecimento intelectual, à exceção daquele que se temsobre a mediunidade, não interfere em seu desenvolvimento. Eleé importante em função do produto que sai através do médium.Quanto mais culto o médium, melhor instrumento se torna dosespíritos que por ele se comunicam. O conhecimento intelectualque se tem não interfere na existência da mediunidade enquantofaculdade humana. Ser culto ou ser analfabeto não aumenta ascapacidades mediúnicas da pessoa. O exercício da mediunidadealiado ao conhecimento certamente trará uma faculdade maismadura e mais ostensiva. Quando me refiro ao conhecimento intelectual não é só oque diz respeito a temas espíritas, mas de cultura em geral. Quan-do a pessoa se limita apenas àqueles temas, normalmente se pe-trifica num saber, não o contextualizando. O Espiritismo, comoqualquer saber, deve ser comparado e criticado de forma a acom-panhar o desenvolvimento intelectual do ser humano. Para queisso ocorra é preciso estudar e ler sobre tudo. O conhecimentointelectual não deve se limitar ao nível de informação de quemapenas lê jornais ou assiste televisão, mas buscar aprofundar-senos temas que discute, inclusive, quando possível, indo a suasfontes primeiras e mais atuais.
  • 156. psicologia e mediunidade 157 Pensar que o intelecto ampliado atrapalha o desenvolvi-mento e exercício da mediunidade reflete exatamente o estágioembrionário de seu desenvolvimento. É um preconceito, pois,quanto maiores os conhecimentos na consciência, maiores serãoas possibilidades de representações nas comunicaçõesmediúnicas. Apoiar-se na ignorância para valorizar a produção intelec-tual de uma comunicação mediúnica é como querer justificar oefeito pela falta. A boa produção intelectual numa mensagem deveser comparada ao que de melhor existe sobre seu conteúdo. Uma boa leitura, inclusive sobre temas correlatos com amediunidade, favorece seu desenvolvimento, bem como o conta-to com a literatura específica sobre fenômenos mediúnicos. O trabalho mediúnico não deve afastar o médium de seucrescimento intelectual. Ele não deve esquecer de continuar seusestudos acadêmicos, não colocando a falta de tempo como des-culpa. O praticante do Espiritismo não deve se alienar do mundo,pois é nele que o conhecimento espírita deve ser vivenciado. Apessoa que se dedica à mediunidade numa instituição espírita, oumesmo privadamente, deve ir à busca de sua formação intelectu-al, inclusive, quando possível, freqüentando uma faculdade e al-cançando os maiores degraus universitários se assim o desejar. O exercício da mediunidade não pactua com a desculpa dafalta de tempo ou de recursos para freqüentar uma escola ou uni-versidade. Quanto mais culto e sábio o médium, melhor será suaprodução mediúnica. Sem desprezar aqueles que não alcançamum curso superior universitário, ou mesmo que não conseguem,por motivos diversos, freqüentar uma escola, dignifica amediunidade pública quando a pessoa que a exerce possui osmais altos conhecimentos que a vida material oferece. Ao dizerisso, não quero que o leitor pense que relaciono a mediunidadecom o título universitário, mas apenas que essa conquista é umademonstração de que o médium não é um desconhecedor da ci-ência do mundo material. Embora haja exemplos de pessoas in-
  • 157. 158 adenáuer novaescultas e excelentes médiuns, inclusive com produção mediúnicade alto valor intelectual, isso não deve ser modelo para a vidapessoal de ninguém.
  • 158. Mediunidade nos animais As percepções aparentemente extra-sensoriais verificáveisem certos animais não se tratam de mediunidade ou de seus rudi-mentos. São capacidades relativas aos órgãos dos sentidos físi-cos que lhes permitem sentir e perceber além do humano, porémsem que essa qualidade deva ser considerada mediunidade. Estaé exclusiva do humano por conceito e por uma questão de aqui-sição evolutiva. No animal não há mediunidade, mas uma super-excitaçãoda senso-percepção por conta de órgãos mais sensíveis que nohumano. Não podem servir de intermediários dos espíritosdesencarnados. Quando ocorre a algum deles ´perceber´ pre-senças espirituais e se alterar por isso, deve-se à absorção defluidos materializados emitidos pelas entidades. A sensibilidadeque promove certas manifestações em alguns animais como setratasse de uma percepção mediúnica, a exemplo do ´incômodo´de alguma ´presença´ espiritual, não se caracteriza comomediunidade, mas como uma captação de emissões fluídicas [ma-teriais] de espíritos, as quais os órgãos sensoriais humanos nãoalcançam. Não haveria objetivo para a mediunidade nos animais. Denada lhes serviria, pois a comunicação mediúnica visa o aprimo-ramento psicológico e a maturidade espiritual do indivíduo. Noanimal, o princípio espiritual está em vias de individualização, por-
  • 159. 160 adenáuer novaestanto seu psiquismo ainda é mais coletivo do que individual. Nãohá maturação psicológica para uma comunicação no nível espiri-tual. O princípio espiritual que se encontra na condição animalnão possui, na sua psiquê, um ego suficientemente formado. Suaconsciência é muito limitada e predomina o inconsciente coletivo.Nos animais de convivência doméstica, que trocam afetividade eestabelecem uma comunicação com o humano, se inicia a forma-ção de estruturas psíquicas que darão origem a uma futura cons-ciência com um ego mais coeso, que o capacitará a futurasencarnações na condição de sub-humanos. Por mais que acreditemos que os animais possuem algumtipo de mediunidade, é preciso entender que eles não têm orga-nismo perispiritual nem físico capazes de estabelecer uma comu-nicação no nível espiritual. Em seus perispíritos não existem es-truturas energéticas que permitam a comunicação mediúnica. Nos animais não existem elementos na consciência capa-zes de servir como símbolos para as expressões de conteúdointelectual dos espíritos desencarnados.
  • 160. Mediunidade, mediunismo, magia e bruxaria O uso da mediunidade pelo ser humano é muito antigo,sendo seu registro constante nas mais diversas religiões e cultu-ras. A prática mediúnica sempre esteve relacionada com algo ex-tra ou supra-humano, conferindo a seus praticantes certos temore poder. Sua ligação com a morte e os mistérios é inerente ao seuconceito de servir de elo entre espíritos de diferentes freqüênciasespirituais. O contato com o espiritual é antiqüíssimo no ser humano,sendo difícil se precisar quando e como começou, mas certamen-te não o foi da forma nem com os mesmos objetivos com que ofazemos hoje. Mesmo assim, ainda há, por ignorância, quem ofaça de forma primitiva e sem avaliar adequadamente as conse-qüências. Há pessoas não maduras que se ligam ao espiritual comose o fizessem a um mundo mágico e disponível para lhes atenderem todas as suas necessidades e possuidor de um poder absolu-to. Outros o fazem considerando que se comunicam com divin-dades cujo poder excede a qualquer humano, dando-lhes atribu-tos que variam do animal ao divino. É preciso considerar, além das influências espirituais perti-nentes a cada forma de contato, o grau de estruturação dopsiquismo do médium que assim procede. Nele há uma predis-
  • 161. 162 adenáuer novaesposição psicológica que favorece o contato com o espiritual. Suaconsciência dessa flexibilidade maior é fundamental para seu equi-líbrio psíquico e para uma melhor relação com seu inconsciente. Uma pessoa que está sempre recorrendo ao espiritualmediúnico para solução de seus conflitos predispõe sua psiquê àinterpretação dos eventos externos a si como oriundos de ummundo mágico e sobrenatural que decide unilateralmente comoos fatos ocorrem. Nessas pessoas a psiquê inconsciente tende apredominar sobre a consciência, contribuindo para um maiordistanciamento da realidade e desconhecimento de si mesmo. Há problemas psíquicos que se estruturam a partir de influ-ências espirituais que são mobilizadas por terceiros, mas que seinstalam por conta de processos inconscientes, do próprio mé-dium, construídos em vidas passadas. Os chamados feitiços po-dem atingir as pessoas para as quais forem feitos, exclusivamentese nelas existirem carmas negativos relativos à intenção de quemos colocou. Não é preciso temer os feitiços ou qualquer açãoespiritual desse nível contra si mesmo, pois tudo que nos ocorretem objetivos superiores e educativos. A manipulação do espiri-tual mediúnico visando atingir outrem sempre foi utilizada pelo serhumano em face de sua ignorância. O Espiritismo vem exatamen-te mostrar o alcance disso e as conseqüências dessa prática pri-mitiva e inadequada do ponto de vista da evolução espiritual. O mediunismo é a prática da mediunidade sem qualquerética e junto a espíritos que nem sempre a possuem. Mesmo quehaja uma relação do médium com algum tipo de seita ou iniciaçãoreligiosa, o mediunismo se permite o exercício indiscriminado dafaculdade, sem que haja preocupação moral ou disciplina. As pessoas que recorrem a certos médiuns para realizarem´trabalhos mediúnicos´ visando benefícios materiais, em geral, li-gam-se aos espíritos que os executam, estabelecendo uma rela-ção indesejável. Muitas vezes essas pessoas se tornam alvo deobsessões por parte desses mesmos espíritos aos quais recorre-ram.
  • 162. psicologia e mediunidade 163 Médiuns explícitos (espíritas, umbandistas, carismáticos ede outras denominações religiosas) devem ser analisados de ma-neira psicologicamente diversa das demais pessoas em face depossuírem uma psiquê estruturada com uma maior abertura aoinconsciente. Nelas o inconsciente está mais acessível ao ego, àsemelhança do que ocorre nas psicoses. Os conteúdos inconsci-entes dos médiuns explícitos estão mais próximos da consciência,por conta da maior flexibilidade que têm em acessá-los.
  • 163. Mediunidade e fluidoterapia De há muito tempo o ser humano utiliza as mãos para pas-sar algum tipo de energia ao outro. Seja com contato direto ounão, as mãos foram e são instrumentos importantes para a curade muitos males. Elas funcionam como extensão da psiquê noque diz respeito a serem veículo de transmissão de algo que nelase encontra. Assim os magnetizadores, antes do Espiritismo, agi-am considerando que se poderia influenciar, com as mãos, obje-tos ou mesmo pessoas. O uso do passe no Espiritismo é umaespécie de continuação do trabalho dos magnetizadores antigos. O uso do passe tem sido cada vez mais intenso na vida doser humano. A ele recorre-se com a finalidade de se obter o alívioe a cura de diversos males que afligem o ser humano. Sua eficá-cia, mesmo sem o devido controle científico, vem sendo observa-da por aqueles que o praticam como também pelos que se sub-metem a sua ação. Muitas são as formas de se dar passes. Os gestos que sefazem com as mãos são maneiras de se focar a emissão de flui-dos. Muito embora se possa adotar uma maneira típica de aplicarpasses, não há um padrão técnico oficial que deva ser seguido.Mais relevante do que os gestos são: a qualidade do fluido que seemite, a intenção de fazê-lo, o merecimento de quem recebe e aelevação do(s) espírito(s) desencarnado(s) envolvido(s) no pro-cesso.
  • 164. psicologia e mediunidade 165 O passe transmite uma combinação de energias origináriasdo perispírito do encarnado, na sua camada mais superficial, aqual se conecta ao corpo físico, com energias de espíritosdesencarnados, ou oriundas de outras fontes da natureza. A forma de aplicá-lo não é tão importante quanto o desejode mobilizar energias em favor de alguém. É esse desejo, associ-ado à bondade do doador que movimentam as energias naturaisdo meio espiritual, na direção do receptor. A qualidade da emis-são, sua intensidade, a pré-disposição do receptor, a complexi-dade de seu problema, a evolução dos espíritos que participamdo ato e o merecimento deles, são determinantes para a eficáciada transmissão de energias fluídicas. Fundamental é que a ação nasça da amorosidade de quemdoa, pois, junto ao merecimento do receptor, ela atrai os BonsEspíritos. Aquela amorosidade qualifica o fluido que sai do médiumcomo capaz de atingir efetivamente o coração de quem o recebe,beneficiando a ambos pela gratificação gerada neste contato. A ação do passe, por conta da sutilidade das energias en-volvidas, poderá se dar à distância, quando o emissor concentrasua intenção na imagem da pessoa a quem deseja beneficiar.Quanto mais afinidade e ligação existir entre ambas, mais eficien-te é a transmissão. A mente de quem dá o passe se configura como um in-consciente que se abre para conexões com espíritos que nela en-contram emoções amorosas, oriundas de experiências positivasdo passado. Há pessoas que aprendem a dar passes e o fazem duranteum bom período de suas vidas e não se apercebem ou não têmconsciência de que suas energias fluídicas estão carregadas pelasemoções que jazem em seu inconsciente, alterando a qualidadedo que emitem. Seria de bom alvitre que o candidato ao trabalhode doação através de passes num Centro, se conscientizasse danecessidade de integrar a idéia de que é um doador de sutis ener-gias carregadas de amorosidade e de capacidade curativa.
  • 165. 166 adenáuer novaes As impregnações constantes no corpo físico do doador in-terferem na qualidade do fluido doado, porém não tanto quantoas emoções conscientes e inconscientes que lhe constituem a per-sonalidade. Doar fluidos através do passe, seja dado com as mãos ounão, é atividade psíquica que mobiliza o consciente e o inconsci-ente daquele que o pratica. Não é um ato mecânico ou que nãotenha conseqüências psíquicas aos envolvidos na atividade.
  • 166. Uso da mediunidade nas diversas situações da Vida No trabalho Use sua mediunidade para sintonizar com as forças superi-ores da vida a fim de que Espíritos operosos possam lhe inspirare a criatividade faça parte de suas atividades. Considere que vocênão está sozinho no exercício de suas atividades profissionais,pois os espíritos costumam acompanhar a sociedade dos encar-nados da qual fizeram e, indiretamente, fazem parte. Mesmo àdistância eles transmitem suas idéias para que elas possam contri-buir com nosso progresso e para o desenvolvimento da socieda-de. A mediunidade é uma faculdade natural e deve ser utilizadapara o equilíbrio psíquico do ser humano. Ela é um instrumentocomo outro qualquer e seu uso deve ser responsável. O não usoatrasa a evolução do ser humano, pois desequilibra sua estruturapsíquica e prejudica suas percepções a respeito da vida espiritualem sua volta. Evite as manifestações ostensivas de desencarnados queestejam em seu campo mediúnico em locais de trabalho, pois issopode provocar constrangimentos desnecessários e preconceitostípicos de quem não entende as questões que dizem respeito aoespiritual. Tais manifestações não só são inadequadas ao local
  • 167. 168 adenáuer novaescomo podem concorrer para demissões pertinentes. O local de tra-balho é ambiente sagrado no qual se ganha o pão e se consolidamos valores do espírito. Não deve prestar-se ao socorro adesencarnados ou a manifestações da mediunidade ostensiva. Amediunidade ali exercida é aquela que atinge as vias da intuiçãosegura e da criatividade operosa. Aquele que se encontrar em condições de atender alguémque lhe pede ajuda espiritual emergencial no ambiente de trabalho,deve fazê-lo em horários adequados e em ambiente privado, evi-tando que isso venha a se tornar rotina. No lar O lar é o ambiente onde mais se encontram espíritosdesencarnados vinculados à matéria. Volta e meia eles retornamao ambiente onde se encontram seus afetos e desafetos. Ali seenvolvem com a vida de um e de outro buscando seus interesses eatendendo a outros que lhes são solicitados. Impossível separarencarnados e desencarnados. Através da mediunidade sadia pode-se e deve-se buscar, porconta da inspiração, o contato amistoso com aqueles espíritos queconosco convivem na intimidade do lar. As manifestações espontâ-neas (pela vidência, psicofonia, psicografia, etc.) são bem vindas.O exercício da mediunidade no lar, no intuito de educar ou chamara atenção dos encarnados, merece reflexão por parte de quem opermite. A responsabilidade pela condução do lar e as soluções dosconflitos que ali surgem pertencem àqueles que receberam a tare-fa de assumi-los. Nada deve substituir o diálogo franco e diretocom aqueles que fazem parte do convívio diário. Os espíritos nãodevem ser tomados à conta de substitutos das obrigações dos res-ponsáveis pela educação no lar. No lar, não são os espíritos, pormelhores e mais elevados que sejam, que devem decidir a pertinênciaou o momento de se comunicarem mediunicamente, mas o respon-sável pelo lar, pois sempre deve caber a ele o domínio do que aliocorre.
  • 168. psicologia e mediunidade 169 A eventualidade de uma comunicação mediúnica no lar deveser sempre tomada à conta de excepcionalidade, pois o lar nãodeve se transformar num Centro Espírita no qual se abre a parti-cipação pública. Os espíritos podem ser convidados a dar orien-tações no lar, mas sempre como colaboradores. Nas grandes decisões da vida Nos momentos decisivos da vida costumamos, por impul-so, atender aos instintos, os quais muitas vezes nos levam a atitu-des das quais nos arrependemos adiante. Tais atitudes, tomadasao calor das emoções, podem nos trazer atrasos evolutivos edistanciamento dos objetivos da nossa reencarnação. É no mo-mento de grandes decisões que temos que fazer escolhas signifi-cativas que nortearão o futuro. A mediunidade será fundamentalnesses momentos a fim de facilitar a intuição e a conexão com asforças superiores da vida. A oração emocionalmente sentida, ali-ada à mediunidade madura nos auxiliarão na tomada de decisõesem benefício de um futuro sem carmas negativos. Fundamentalnão se deixar levar pelo impulso emotivo, associado à raiva, nasdecisões, pois, nesses momentos, por conta da faculdademediúnica, a psiquê se torna mais sensível às influências espiritu-ais negativas. É importante que essa sensibilidade seja promovidapor um estado emocional de harmonia, o que atrairá as boas in-fluências espirituais. Nas férias Durante o período no qual se esteja de férias, com a famíliaou só, deve-se evitar o exercício da mediunidade (institucional,caritativa, etc), a fim de se poder doar à família ou ao lazer otempo necessário ao refazimento das próprias energias. A psiquêhumana necessita desse tempo e espaço também para conexõesque evoquem situações de contentamento e prazer. Tais situa-
  • 169. 170 adenáuer novaesções se encontram arquivadas no inconsciente e ocorreram nainfância, em outros períodos de lazer, bem como em vidas passa-das. A vida não é só feita de sofrimento, lamentações, dor, estu-do e compromissos profissionais. A Terra não é uma colônia deférias, mas também não é uma prisão. É um espaço no qual sevive um estágio de boas experiências para o espírito, revestidasde conhecimentos e emoções. Alguns espíritos acompanham seus amigos e parentes quan-do estes se encontram em férias, não só para lhes desfrutar osmomentos de alegria e satisfação, como também com o intuito deprotegê-los para que efetivamente se distraiam. Perante os incrédulos Diante de pessoas que não acreditam ou não compreen-dem a realidade espiritual é conveniente não colocar a própriamediunidade como instrumento de persuasão. O desejo de fazê-lo poderá interferir na produção do autêntico fenômeno, dandolugar às interferências das predisposições inconscientes. Tais pre-disposições favorecem o animismo, o qual acabará por provocarefeito contrário ao que se pretende. Acreditando ou não, o incrédulo possui a mediunidade eisso, com o tempo e boas leituras, o fará entrar em contato com oespiritual, malgrado sua vontade. Caso queira ajudá-lo, chamesua atenção para o que se processa com ele nos domínios de suamente, no que diz respeito à intuição. Nem sempre o uso da lógi-ca ou a apresentação de exemplos com terceiros são suficientes.Utilize esses argumentos quando houver interesse do indivíduoem conhecer efetivamente sobre mediunidade. A psiquê de quem se coloca na posição contumaz de in-credulidade bloqueia-se para a flexibilidade de compreender aprópria vida e para o aprimoramento espiritual. O desenvolvi-mento da mediunidade então sofre idêntico bloqueio.
  • 170. psicologia e mediunidade 171 Quando a incredulidade bater em sua consciência, evo-cando respectivas experiências do passado que lhe afastaram docontato salutar com o espiritual, lembre-se de sua íntima ligaçãocom Deus, pois isso lhe levará ao encontro com o Self. Somosespíritos imortais e esse fato não se assenta sobre a crença do serhumano, mas sim sobre as leis da Natureza.
  • 171. Novas perspectivas A mediunidade é uma faculdade cujo aparecimento noperispírito denuncia o estágio de evolução do ser humano. Temfinalidades importantes para o desenvolvimento da personalida-de, proporcionando novas possibilidades de percepção das leisda natureza, bem como uma melhor integração dos conteúdos eexperiências adquiridas durante a evolução. Vivemos ainda tateando suas imensas possibilidades deaplicação, pois, só à medida que evoluímos do ponto de vistaético, melhor utilizando a mediunidade, ampliamos sua utilidade.O processo de autotransformação do ser humano o levará a uti-lização cotidiana da mediunidade promovendo sua manifestaçãode forma a se transformar numa função específica do corpo físicocom um órgão perfeitamente delimitado. O ser humano do futuro, tendo integrado a mediunidade deforma natural e equilibrada, comunicar-se-á com os espíritos damesma forma que o fazemos com alguém diante de nós, sem amenor dificuldade. O chamado ser humano psi não será uma an-tena paranormal, mas um ser integrado ao universo material eespiritual à sua volta e com ele se comunicando intensamente. É essa relação natural e espontânea com a mediunidadeque favorecerá o desenvolvimento gradativo do ser humano, per-mitindo-lhe com esse paradigma, um salto de qualidade na evolu-ção. Tal mudança, de forma gradual e constante, será favorecida
  • 172. psicologia e mediunidade 173com o auxílio de espíritos mais adiantados, os quais poderão semanifestar de uma maneira mais explícita e sem as interferênciastípicas. O desenvolvimento do ser humano, por conta dessa rela-ção com a mediunidade, se fará em todas as dimensões da vida.Desde suas opções de lazer até as mais complexas ocupaçõesem que se envolve. Não haverá limites ao aprendizado do espíri-to por conta do desenvolvimento gradual e constante da faculda-de mediúnica. A mediunidade chegará na educação, isto é, na escola,gradativamente e à proporção que for tratada como uma faculda-de inerente ao humano, instrumento de sua adaptação ao mundoe importante para sua transcendência.