Mito Pessoal eDestino Humano
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adenáuer novaesA crise do Século XXI ............................................                   145No seio de Deus ......
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adenáuer novaespensar em Deus. Fazer algo em favor de Seu plano para opróprio ser humano é pensar em Deus. Fazer é pensar....
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adenáuer novaesum núcleo obsessivo compulsivo, que o levaria ao trans-torno mais tarde.      Sua insatisfação era com Deus...
Mito pessoal e destino humanoA vida a que se quer dar sentido       U    m rio é a imagem da vida que se esvai, quecorre e...
adenáuer novaes      Na adolescência queria transformar o mundo.Achava-o injusto, pois minha inocência não admitia aagress...
Mito pessoal e destino humanomento de pessoas. A partir de 1994 os projetos da Funda-ção foram gradativamente sendo execut...
adenáuer novaesenergia é uma necessidade da consciência lógica, porémainda limitada em sua dualidade. O Universo ainda é a...
Mito pessoal e destino humanovisam eliminar os incômodos internos, quais complexosinconscientes que perturbam e dirigem a ...
adenáuer novaes      Para se chegar a uma certa idade, com a mentetranqüila e pacificada para usufruir do que se construiu...
Mito pessoal e destino humano                     Imagens da vida         A    vida se mostra de diferentes formas, visand...
adenáuer novaesnou bastante. Ela tinha seis aninhos. Esperta e cheia devida, toda manhã ia à casa de sua avó, onde estive ...
Mito pessoal e destino humanotive era de querer voar como um pássaro, de poder pairaracima daquelas escarpas que formavam ...
adenáuer novaeste à parte suíça dos Alpes. A temperatura externa erainferior aos 15º negativos. Contemplava a neve a senti...
Mito pessoal e destino humanoMesmo assim, era muito agradável e aconchegante. Está-vamos felizes, sem luxo nem contrarieda...
adenáuer novaesConsigo, além das vivências que citei, identificar outrasque compõem meu leque de imagens transcendentes.  ...
Mito pessoal e destino humanoramente se amam, conectam-se a Deus, realizando o amorcomo fonte eterna para a ascensão espir...
adenáuer novaesaparências, pois isso nos aproxima do aspecto espiritualda vida.      Quando se pretende ascender espiritua...
Mito pessoal e destino humano          Funcionamento da mente         A     mente é uma estrutura que se localiza noperisp...
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Mito pessoal e destino humanopsíquicos inacessíveis, quando em desarmonia, precisamde solução. Tais desarmonias atraem exp...
adenáuer novaes      O “demônio” e o mal que enxergamos ou procuramosfora de nós, se encontram nas profundezas de nosso in...
Mito pessoal e destino humano                      Mito pessoal       O   mito é uma das mais fiéis representações doincon...
adenáuer novaes      Seu aproveitamento pode se tornar melhor, na medi-da em que o espírito se apercebe da linha mestra qu...
Mito pessoal e destino humanoas experiências pertinentes a cada uma delas. É mais doque uma rememoração de fatos ocorridos...
adenáuer novaesa aceitação das experiências inevitáveis, que geralmente sãovistas como um desafio ou imposição de Deus.   ...
Mito pessoal e destino humano      – pessoas rígidas em seus princípios e que não sepermitem mudanças, impondo aos outros ...
Mito pessoal e destino humano                 Destino humano       Q   ual é o destino da Humanidade? Será aquelemesmo em ...
adenáuer novaesdeu o significado da vida, a partir de como realiza aprópria existência.      Nesse sentido, o mito pessoal...
Mito pessoal e destino humanoque ocorre quando incorpora qualidades que superam suaignorância e simplicidade iniciais.    ...
adenáuer novaes      O espírito, na parte que lhe cabe, é senhor de seupróprio destino. Da mesma forma que recebe influênc...
Mito pessoal e destino humano                   Anseios ocultos       Anseios ocultos são as fantasias e desejos recôndito...
adenáuer novaescoletivas. Outras vezes aparecem na forma de poderesocultos e miraculosos, que dão à pessoa o lugar de dest...
Mito pessoal e destino humanoalta dose de responsabilidade e cuidado com seu uso, poisnão houve a construção dos alicerces...
adenáuer novaes       É fundamental, para a redução da influência dosanseios ocultos ou sua eliminação, que o indivíduo de...
Mito pessoal e destino humano              Buscas arquetípicas       B     uscas arquetípicas são as realizações dastendên...
adenáuer novaesseu mito pessoal maior do que a existência num corpofísico.      Relacionar-se afetivamente com alguém é um...
Mito pessoal e destino humano      Perceber os conselhos de uma voz interior sábia é oconstante diálogo interno consigo me...
adenáuer novaesrecebam a contribuição do novo e das transformaçõessociais. Essa integração faculta à consciência a abertur...
Mito pessoal e destino humano       Tais tendências devem e precisam ser atualizadasnas várias fases da vida, evitando-se ...
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  1. 1. Mito Pessoal eDestino Humano
  2. 2. 1ª Edição Do 1º ao 5º milheiro Criação da capa: Objectiva Comunicação Direção de arte: Gabriela Díaz Foto da capa: Michel Rey Revisão: Hugo Pinto Homem Revisão de conteúdo: Silzen Furtado Diagramação: Joseh Caldas Copyright ©2005 by Fundação Lar Harmonia Rua da Fazenda, 560 – Piatã 41650-020 atendimento@larharmonia.org.br www.larharmonia.org.br Fone-fax: (071) 3286-7796 Impresso no Brasil ISBN: 85-86492-21-3Todo o produto desta obra é destinado à manutenção das obras da Fundação Lar Harmonia.
  3. 3. Adenáuer Novaes Mito Pessoal eDestino Humano FUNDAÇÃO LAR HARMONIA CNPJ (MF) 00405171/0001-09 Rua da Fazenda, 560 – Piatã41650-020 – Salvador – Bahia – Brasil 2005
  4. 4. Novaes, Adenáuer Marcos Ferraz de. Mito Pessoal e Destino Humano. Salvador: Fun- dação Lar Harmonia, 11/2005 256p. 1. Espiritismo. I. Novaes, Adenáuer; 1955.– II. Título. CDD – 133.9 Índice para catálogo sistemático: 1. Espiritismo 133.9 2. Psicologia 154.6
  5. 5. F. Nietzsche Amo aqueles que não procuram atrás das es-trelas uma razão para sucumbir e serem sacrifica-dos: mas que se sacrificam à terra, para que a terraum dia se torne do além-do-homem. C. G. Jung Não se pode mudar aquilo que interiormentenão se aceitou. Allan Kardec A vida humana é, pois, cópia da vida espiri-tual; nela se nos deparam, em ponto pequeno, todasas peripécias da outra. Jesus Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino ea sua justiça, e todas estas coisas vos serão acres-centadas.
  6. 6. Dedicatória Dedico este livro aos espíritos que já ultrapassarama barreira do corpo físico e que se esmeram na educaçãodo ser humano visando sua conexão com Deus.
  7. 7. Mito pessoal e destino humano ÍndiceMito pessoal e destino humano ............................. 9O sonho ................................................................... 11Divina conexão ....................................................... 17A vida a que se quer dar sentido ........................... 21Imagens da vida ..................................................... 27Funcionamento da mente ...................................... 35Mito pessoal ........................................................... 39Destino humano ..................................................... 45Anseios ocultos ....................................................... 49Buscas arquetípicas ............................................... 53Polarizações típicas ................................................ 59Repetições de experiências .................................... 63Eventos em sincronicidade ....................................... 69Eventos mediúnicos ............................................... 75Sinais e símbolos da vida ...................................... 81Direção da energia psíquica ..................................... 93Sonhos .................................................................... 97Complexos ................................................................... 101Identificando o próprio mito pessoal .................... 107Sentido da vida ...................................................... 113Jesus e o sentido da vida ........................................ 119As religiões e a constituição da religião pessoal .... 129O Espiritismo e o sentido da vida ......................... 139 7
  8. 8. adenáuer novaesA crise do Século XXI ............................................ 145No seio de Deus ...................................................... 151Função transcendente e o sentido da vida ............. 155Realidade transcendente ....................................... 163Limitações do modelo de compreensão da realidade ........................................................... 167O Mundo Espiritual pelo Espiritismo ................... 171Sexo, vida e religião ............................................... 177Quem sou? .............................................................. 181Personalidade ótima .............................................. 187Suavizando o mito pessoal .................................... 191Fênix ............................................................................ 199O sentido da vida e a Psicologia do Espírito......... 203O sentido da vida na Psicologia Analítica ............. 207Depressão e o sentido da vida ............................... 215Querendo fugir do destino ..................................... 219O sentido da vida e o tempo .................................. 223Como encontrar um sentido para a vida .............. 227Impedimentos à percepção do sentido da vida .... 231Os tipos psicológicos e o mito pessoal .................. 235Egrégora pessoal ..................................................... 243A força interior ....................................................... 245Glossário................................................................. 2498
  9. 9. Mito pessoal e destino humano Mito pessoal e destino humano U m livro é um retrato em preto e branco damente de seu autor. É o espelho de uma criptografia deseus anseios, suas buscas e memórias. As letras dançamna mente do leitor, depois de terem sido embaladas peloescritor, visando levá-lo aonde é possível ao raciocínio eao coração alcançar. O leitor se envolve na mente do autor,formando um par alquímico inconsciente. Assemelha-seao fenômeno da polinização. O vento leva o pólen, quealcança a flor. Esta recebe e o transforma em fruto. Osgrãos de pólen são as palavras escritas, a flor é a mentedo leitor e o fruto é o novo que surge a partir do encontrohavido. O conteúdo deste livro são grãos de pólen subjetivos,que, lançados ao público, esperam encontrar receptáculosadequados para a frutificação da vida. A árvore quecontém os receptáculos é multigenética, pois produz dis-tintas possibilidades de frutos. Cada receptáculo produziráseu respectivo fruto. Não há aqui a pretensão de resolver a questão dodestino humano. Vetores complexos contribuem para otraçado da trajetória humana. O conteúdo aqui expressadopretende dar visibilidade a alguns deles, bem como fazerenxergar toda a linha percorrida. O leitor não familiarizado com a linguagem psico-lógica poderá recorrer ao glossário ao final do livro ouaos outros livros do autor, também da mesma editora. 9
  10. 10. adenáuer novaes Nesta leitura, você entrará em contato com o univer-so psicológico e espiritual, visando uma maior percepçãode sua própria natureza. Aqui estão paradigmas surgidosdo casamento entre a Psicologia e o Espiritismo, semqualquer sectarismo ou tentativa de doutrinação simplista.São idéias oriundas dos estudos do autor e, sobretudo, desua experiência clínica. Não são “verdades” novas, nemtampouco ficção, mas concepções e pressupostos teóricosutilizados em sua prática clínica. As idéias aqui expostas foram também geradas apartir dos ensinamentos de Allan Kardec e dos espíritosque o auxiliaram na concepção do Espiritismo, bem comodas idéias de Carl Gustav Jung, criador da PsicologiaAnalítica. Do autor, apenas um olhar oriundo desses doisgigantes no estudo da alma humana. Adenáuer Novaes10
  11. 11. Mito pessoal e destino humano O sonho A história do ser humano é a busca e, simul-taneamente, a realização de um significado existencial.Nas construções monumentais e nas sagas dos povos pode-se encontrar sua tentativa de entender a realidade e a simesmo. Guerras de conquistas, bem como dramas pes-soais, tudo circula em torno da ânsia em compreender osignificado essencial da vida. O ser humano navega nomar da procura de seu próprio sentido. O caminho da vida é o coração. Ele é como umgrande porto num imenso oceano navegável. Por elepassam todas as lutas e experiências da alma. Navegantesde todos os mares sabem de sua grandiosidade e do quantose valem de suas poderosas amarras para se sentirempertencentes, isto é, vinculados a algo transcendente. Ocaminho da vida é o amor que acontece no coração, lugaríntimo dos encontros profundos. É nele onde se encontramos gritos e os sussurros dos que se escondem do tempo deviver. É em seu seio nutridor que as dores e as alegriasencontram formas de expressão. Os heróis se valem delepara adquirir coragem para as maiores batalhas. Suasforças são alimentadas pela energia que perpassa em suasvias amorosas. O sentido e o significado da vida são deci-frados por aqueles que têm coragem de viver seus maisprofundos sentimentos, a serviço da vida. Não há comofugir ou alienar-se do próprio coração. Deus fez a razãopara que o ser humano entenda o que se passa em seu 11
  12. 12. adenáuer novaescoração. É também nele que o Espírito se revela a simesmo e ao mundo. Nossos anjos e demônios ali fazem morada e buscamincansavelmente abrir-se à vida para que se integrem àsua própria totalidade, como uma só alma. Mágoas eperdões se aproximam para o casamento perfeito em favordo amor pleno. É na sua intimidade que o eu maisprofundo faz sua permanência e sua impermanência. Nelese constroem as histórias e se forjam os alicerces daesperança. Fugir ao contato com o mistério que habitaem seu interior é ausentar-se do encontro com a felicidade. Tudo que nele ocorre é particular e inacessível aalguém que não seja o seu próprio dono. O que dele nascevem do íntimo do Espírito em sua permanente ligaçãocom Deus. É nesse sentido que o conteúdo deste livro éestritamente pessoal, pois nasce do coração. É o caminhoda alma, como ela o percorre, em busca de si mesma.Não é um modelo, nem tampouco a totalidade da históriado escritor. É apenas uma brisa que sopra na direção doGrande Vento. O movimento da vida é de dentro para fora,conduzido pelas forças do coração. A energia amorosa éque faculta o movimento de realização do mundo internode cada ser humano. O filósofo F. Nietzsche sintetizavaesse pensamento na expressão: “Torna-te no que és”. Os sonhos também dizem respeito ao coração.Nossos sonhos nascem do inconsciente, que contém asexperiências vividas, bem como símbolos do que jamaisfoi ou será experimentado. Os sonhos são construídos comos símbolos elaborados nas experiências do coração. Este livro é parte de um antigo sonho. Sonhos nãodevem ser esquecidos. Mesmo que aparentementeimpossíveis de ser realizados, sua concretização não deveser colocada à conta de fantasia. Na maturidade da vidaseria bom ao menos o tentar realizá-los. Sempre quisescrever ou falar a alguém sobre o que penso e sinto a12
  13. 13. Mito pessoal e destino humanorespeito do que a vida nos reserva adiante, mesmoconsiderando que o destino e o futuro são frutos da cons-trução pessoal. Mas, toda vez que iniciava escrever, nãoconseguia fazê-lo; não por falta de vontade ou tempo, maspor não encontrar as palavras que materializassem o queminha alma percebia. O que “via” em meu mundo interiorera muito importante, sério, misterioso e extremamenterevelador a respeito do funcionamento do Universo, davida e do espírito, porém, aquilo só tinha sentido paramim. Precisava “traduzir” o que via, de uma forma com-preensível aos outros. Desde minha adolescência ansiava por um sentidopara a vida. Via as estrelas e me intrigava com a imensidãodo céu, com a diversidade dos objetos celestes, com agrandeza de tudo. Não conseguia entender o porquê detudo aquilo. Via as pessoas se deslocando nas ruas, sementender o que queriam e para que tanta correria. Admi-rava sinceramente a vida e cada pessoa com quem merelacionava. Achava a vida intrigante e surpreenden-temente bela. Só me faltava um sentido para tudo aquilo.Falavam-me de Deus, porém carregavam-no de adjetivoshumanizados e O colocavam distante da natureza simples.Não me diziam do “para quê”, da finalidade d’Ele ter feitoo Universo, a vida, as pessoas e tudo mais. Era um adoles-cente inquieto em minhas questões filosóficas. Enquantomeus amigos se debruçavam sobre os prazeres da vida eas conquistas no fortalecimento de um ego adulto, eu láestava tentando entender minha própria existência, ofuncionamento do Universo, a vida e Deus. Uma certa noite, no auge de minha adolescência,quando fazia o serviço militar, já quase amanhecendo,acordei após um intrigante sonho. Sonhara que uma imen-sa serpente enrolava-se numa gigantesca cruz da torre deuma igreja. No sonho, ora eu era a própria serpente, oraera o sacerdote guardião da igreja. Acordei com a sensaçãode ter decifrado um segredo oculto dentro de mim mesmo, 13
  14. 14. adenáuer novaesguardado e protegido por muitos anos pelo véu da própriaimaturidade. Muitos anos depois, já tendo esquecido o sonho, medeparei com situações nas quais ele me voltava à lembran-ça. Sempre soube que o símbolo da serpente revelava algode sábio, misterioso e poderoso. Lembrei-me do mito deApolo, entronizado no templo da deusa Píton, após sub-metê-la, simbolizando a superação da natureza instintiva,com conseqüente realização da transcendência espiritual.Ao mesmo tempo, pensava nas palavras de Jesus, ao suge-rir a prudência da serpente (Mateus 10:16), para que nãosucumbíssemos aos lobos do caminho. Busquei reler omito de Apolo e, em seguida, o evangelho de Mateus, afim de me certificar do entendimento que estava tendonaquele momento. Cada vez que relia os textos, maiscompreendia que a serpente enrodilhada na cruz poderiasignificar a apropriação de algo sagrado. Não era umaluta entre dois elementos, mas a união de ambos. Em meuinconsciente estava havendo a integração de conheci-mentos e experiências ligadas aos símbolos da cruz e daserpente. Aquele sonho antecipava uma aliança que perse-guira por muitos anos. Sempre quis juntar opostos eintegrar conhecimentos. Chegara o momento de minhavida para uma maior compreensão a respeito. A união dosagrado com o instintivo acontecia de forma natural,lógica e sem ilusões ou degradação da personalidade. Osacerdote, guardião da igreja, simbolizava a apropriaçãode algo pertencente ao Si-Mesmo ou a união com opropósito do Self. Bem e mal são aspectos de uma mesmarealidade. Apesar de sua tentativa de separação, emboraadequada em certos estágios da evolução do espírito, elesdevem estar integrados para a libertação da alma aprisio-nada nos condicionamentos. Agora, aquele meu sonho parecia levar-me oculta-mente a uma melhor compreensão do significado da vidae do sentido que lhe devemos dar. O véu que me impedia14
  15. 15. Mito pessoal e destino humanode compreender-me a mim mesmo, estava, a partir deagora, desfazendo-se, para nunca mais obstruir-me a visão.O sonho selava, como um marco, a passagem da ignorân-cia ao conhecimento sobre o meu próprio ser. A consciên-cia estava se apropriando dos mistérios da essência doEspírito. Depois de penetrar nos segredos daquele sonho,decidi por escrever a respeito, na tentativa de traduzir oantes incognoscível. Difícil é colocar em palavras o quesurge na forma de imagens simbólicas. Mas, pela suaimportância, era preciso fazê-lo. Com o sonho e seu significado por mim interpretado,entendi que o sentido da vida é coletivo e pessoal, simul-taneamente, cabendo ser atualizado a cada apropriação,do indivíduo, a respeito de sua própria essência. É fundamental a busca pelo equilíbrio espiritual,principalmente na consolidação dos valores morais. Aperseguição obstinada em impedir os prejuízos provoca-dos pelos hábitos nocivos ao próprio indivíduo e àsociedade em que vive é importante, e somente alcançávelpela transformação moral. Tal meta, porém, não devepromover a alienação social do indivíduo, nem tampoucosua recusa em aprender o que só a vida na matéria pro-porciona. Sua ignorância ao espiritual, que deve levá-lo àeducação específica, não deve ser a única a ser resolvida.Há também uma ignorância a respeito da vida na matéria,razão pela qual repete lições, muitas vezes através deexpiações. O sentido da vida não é algo futuro ou a ser alcan-çado além de si mesmo. É algo que acontece dentro doindivíduo, hoje e amanhã, aqui e alhures. Contempla opassado, o presente e o futuro, incluindo a vida na matériae a no Além. Este livro também é um convite. Um convite paraque você encontre um sentido para sua vida. Caso já otenha, amplie-o, pois o sentido que você tem aplicado a 15
  16. 16. adenáuer novaesela merecer ser sempre atualizado, a cada fase que atra-vesse. Ele foi escrito após longa tentativa de identificaçãodo meu próprio mito pessoal. Isso se deu após ter feitoquarenta anos de idade, depois de ter passado por váriasdescobertas a respeito de mim mesmo. Não foi um cami-nho doloroso, nem sofrido, mas me exigiu sacrifícios erenúncias. Tem sido recompensador descobri-lo. Minhasprimaveras se tornaram mais floridas, meus outonos maisinspiradores, meus invernos mais reconfortantes e meusverões rejuvenescedores. É bom chegar aos cinqüenta anossem querer ter vinte, com a mesma disposição da almajuvenil, bem como não se preocupar com a morte, pelasimples certeza de sua importância e de seu significadocomo passagem para outra etapa do existir. Será que você encontrou mesmo um sentido parasua vida? Creio que a grande maioria das pessoas nãoencontrou. Quando muito, têm objetivos, a médio e longoprazo, que são confundidos com um sentido para a vida.O sentido é mais do que esses objetivos, pois se trata daconstrução interior, da realização do melhor de si mesmo,aliado à realização do Self. Por mais que se busque o sentido da vida nas expe-riências meditativas, em leituras superficiais ou nos praze-res, descobrir-se-á que seu significado se encontra navivência nua e crua e na simples realização do amor. Considero que viver é possível e obrigatório a todos,pois não existe o não viver. Vive-se sem sentido, porémnão se pode alcançar o divino sem um significado pessoalpara a vida. Buscar esse significado é essencial ao espírito.Seu caminho é o do coração. A caminhada é longa, tortuo-sa, mas acessível a todos.16
  17. 17. Mito pessoal e destino humano Divina conexão Q ue mistério há em Deus que nos coloca ao mes-mo tempo tão próximos e tão longe de Sua presença? Serianossa previsibilidade, alicerçada pelo raciocínio lógico denosso tempo, que concebe os fenômenos sempre pelobinômio causa-efeito, capaz de estabelecer aquela miste-riosa e complexa conexão? Será que estamos buscandoalgo fora de nós, mas que não se encontra nem dentronem fora? Será que Ele nos reserva a surpresa de revelar-se em nós, de forma gradativa? Tais perguntas ecoamdentro de mim como se suas respostas fossem fundamen-tais para a compreensão de minha própria vida. Meus pensamentos têm gravitado em torno da idéiade um Deus que nos surpreende com Sua participaçãoem nossa autoconsciência. Ele não estaria ausente daafirmação individual: eu sou. Essa participação vem ocor-rendo de forma constante na evolução do espírito, quevai, gradativamente, tomando consciência disso. A cons-ciência de ser Deus será alcançada no estágio de EspíritoPuro. Como e de que forma isso ocorrerá, não tenho amenor idéia. Sinto apenas que algo acontecerá nessesentido. Pensar em Deus é algo que ocorre quando não nosocupamos da lógica dessa atitude, mas da concretizaçãode idéias práticas a respeito. Fazer algo, na vida prática,que se aproxime da idéia que se tem de Deus é, sem oquerer, pensar em Deus. Talvez seja perda de tempo apenas 17
  18. 18. adenáuer novaespensar em Deus. Fazer algo em favor de Seu plano para opróprio ser humano é pensar em Deus. Fazer é pensar. A ação deliberada, consciente e determinada emprojetos que visem o bem estar pessoal e coletivo aproximao ser humano da autoconsciência de Deus e da realizaçãode seu próprio mito pessoal. O sentido da vida contemplaa autoconsciência de Deus. Não é a realização em si, detais projetos, que leva o ser humano àquela autocons-ciência, mas sua vinculação ao sentido atribuído à própriavida. A consciência de que se deve ter uma concepçãopessoal a respeito de Deus, que sirva ao passado, presentee ao futuro, não se obtém sem esforço. É preciso que o serhumano esteja em busca de um sentido para a própriavida enquanto a vive naturalmente. Meditações, retiros espirituais, bem como encontrosmísticos, favorecem estados de consciência que contri-buem para uma interiorização maior. Não são em si sufi-cientes para o encontro com o divino em si mesmo. Énecessário aliar-se o equilíbrio interno com ações externas.O ser humano é individual e coletivo simultaneamente,portanto sua realização passa por ambas as instâncias. O Deus que concebe favores e que espera adoraçõesé parte da projeção psíquica do ser humano, que anseiapelo encontro com o que lhe falta perceber em si mesmo.O Deus que se apresentará na autoconsciência deve mere-cer constante atualização em seus atributos, colocadospelo próprio raciocínio humano. Em meio a essas idéias, mantive contato, em repeti-das sessões de psicoterapia, com um paciente que queriaencontrar um sentido para sua vida. Seu questionamentogirava em torno do significado da própria existência, quepara ele era algo inexplicável. Qualquer hipótese que seapresentasse não justificava sua consciência de si. Não aatribuía ao acaso, nem tampouco a via como fruto da uniãoespermática na fecundação. A possibilidade de ter vivido18
  19. 19. Mito pessoal e destino humanoantes e da continuidade de sua mente após a morte nãorepresentava surpresa, pois o acordar após ter dormido,vendo as conseqüências de suas ações executadas nos diasanteriores, lhe parecia semelhante. Imortalidade e reen-carnação não bastavam para explicar sua existência.Porém, queria algo que justificasse a existência de suaprópria mente. Esbarrava na idéia de Deus, apresentadapelas religiões, que lhe parecia pueril e construída em cimade paradigmas contaminados pela ignorância medievalhumana. Admitia um Deus como Causa Primeira, porémisso não lhe bastava ao pensamento filosófico exigente.Queria um Deus que lhe explicasse tudo. Sua concepçãode Deus não adquiria tal competência, isto é, a idéia queconstruíra não era completa o suficiente. Pedia a mimque o ajudasse a resolver seu dilema. Isso o consumia e otornava insatisfeito com a vida, mesmo tendo material-mente muito e sendo pessoa responsável e de vida estável.Possuía razoável equilíbrio psíquico e não era dado a crisesou transtornos de natureza psicológica. Num momento me vi em seu lugar. Minha concepçãoa respeito de Deus não era tão completa, capaz de lhe dartodas as explicações necessárias. Entendi que a conduçãode seu caso não deveria seguir um caminho estritamentelógico, pois, neste, ele era muito mais capaz do que eumesmo. Preferi questionar suas crenças e conceitos, a fimde me inteirar melhor a respeito de seu pensar profundo.Como seu conflito era de natureza religiosa, aí estava acausa e a solução para seu caso. Ao contrário do que ele esperava, não tentei conven-cê-lo ou demovê-lo de suas idéias. Provavelmente ele teriaencontrado pessoas que agissem assim, para resolver seuproblema. Preferi levá-lo à percepção de seu mito pessoal.Ele vivia a eterna busca de um significado existencial,transformando-se num Sísifo, que jamais alcançaria seuintento, mesmo atingindo o melhor de seu pensar. Ele nãotomava consciência de que isso poderia ser o embrião de 19
  20. 20. adenáuer novaesum núcleo obsessivo compulsivo, que o levaria ao trans-torno mais tarde. Sua insatisfação era com Deus. Havia algo em seupensar que me intuía a acreditar que ele havia brigadocom Deus. Sua cultura e seu equilíbrio emocional não opermitiam afirmar isso, mas ele parecia querer uma‘resposta direta’ do próprio Deus. Ele precisava de umareconciliação a fim de continuar sua busca de outra forma,isto é, sem interferir em sua vida mental. Psiquicamente,a idéia de Deus necessita ser conciliada com algo externo.O culto, o rito e a manifestação religiosa em si, respondempor aquela necessidade. A representação externa (na cons-ciência) da idéia de Deus deve ser atualizada constan-temente, por conta da necessidade da transformação aque todo ser humano está sujeito. Esta atualização favo-rece o processo de desenvolvimento espiritual. Fiz o paciente entender que ele estava pensando emcírculo. Deveria sair do pensar e ir para o sentir. Convidei-oa sair de si e experimentar a espera ativa da ação de Deusnele próprio. Permanecer com o olhar atento aos sinais esímbolos da vida, existentes especificamente para ele. A divina conexão se inicia na consciência da imor-talidade pessoal e simultaneamente na mortalidade do egoatual. Conscientizar-se disso é urgente e inadiável. Apósisso, ou enquanto isso se constrói, deve-se admitir queDeus se realiza na própria pessoa, isto é, admitir que se éDeus. Tal admissão deve ser feita com absoluta humildadee consciência de que se trata de algo que se desenvolvegradativamente, à medida que o próprio indivíduo inte-riormente amadurece. Sentir-se conectado a Deus émanter a consciência sintonizada com propósitos quevisem o equilíbrio pessoal e coletivo. Sentir Deus é cons-cientizar-se de que Ele está se realizando através dopróprio indivíduo que cada um é.20
  21. 21. Mito pessoal e destino humanoA vida a que se quer dar sentido U m rio é a imagem da vida que se esvai, quecorre e se dirige ao grande encontro, sem perder sua essên-cia. Refundindo suas águas a cada margem, recebendocontribuições de afluentes em seu longo percurso, elepercorre determinadamente sua trajetória. Assim a vidatranscorre, acrescentando ao espírito o conhecimento dalei de Deus ao longo de sua jornada evolutiva. O rio recebecontribuições, ao mesmo tempo em que banha as margens,segue seu curso, entre meandros e vias estreitas, chegando,enfim, ao seu destino. Assim também ocorre com o espí-rito, que se dirige ao grande oceano em Deus. Quando menino, por volta dos cinco anos de idade,ansiava pela alegria plena e infantil de estar fora de minhacasa com os pequenos amigos. A inocência beirava minhavida, porém meu olhar sobre a realidade já era diferentedo de meus amigos. Sempre via a vida de uma forma maiscolorida e otimista. Não via perigo nas aventuras que vivia,nem me intimidavam os medos que sentia. Nunca imagi-naria a complexidade da vida e a possibilidade de vivenciaroutras alegrias melhores. Só vim a perceber isso na adoles-cência, marcada por profundas reflexões a respeito do serhumano, do destino e da espiritualidade. Parece que ainfância só ocorre para que o espírito aquiete sua ânsiade apressar-se na evolução, recupere o estado de consciên-cia de abertura para o novo e para permitir, pela materni-dade, o acolhimento por outro, desenvolvendo em ambosa afetividade e o amor próximo à plenitude. 21
  22. 22. adenáuer novaes Na adolescência queria transformar o mundo.Achava-o injusto, pois minha inocência não admitia aagressividade e a não compreensão pelos outros de minhaboa vontade e senso de justiça. Na época, fazendo serviçomilitar obrigatório, não gostava da arrogância de algunsoficiais superiores. Mesmo considerando necessária ahierarquia e a obediência, não gostava de certos trata-mentos dados ao soldado. Acreditava que o ser humanodeveria ser respeitado em seus direitos e sua palavraacatada como lei. Mesmo sem ter tido educação religiosade berço, queria um mundo justo e feliz, no qual todostivessem os mesmos direitos. Incomodava-me a pobreza,a miséria e a violência. Queria fazer alguma coisa pelaspessoas, para que não permanecessem nesse estado deinferioridade e de inércia. Questionava Deus sobre suaimpassibilidade diante do sofrimento humano e da injus-tiça. Tive que mudar meu conceito a respeito Dele, apósuma maior compreensão dos mecanismos educativos quea vida oferece ao espírito. Na idade adulta jovem, por volta dos vinte e um anos,iniciei mais seriamente meus estudos espíritas. Semabandonar meus ideais juvenis, passei a cuidar da forma-ção de minha vida como cidadão. Cuidei de minha vidaprofissional, da constituição de uma família e da estabili-dade financeira. Considerava isso básico para uma vidaespiritual sadia. Aos trinta e cinco anos estava pronto parauma arrojada investida, de forma madura e pessoal, emminha vida espírita. Nesta idade, com família e trabalho profissional está-veis, decidi investir na criação de uma instituição que, aomesmo tempo em que atendesse à promoção social, melho-rando a sociedade em que vivia, servisse como ponte dedivulgação de idéias próprias e espíritas. Em 1993, porinspiração espiritual, coloquei no papel o esboço do queviria a ser a Fundação Lar Harmonia, entidade sem finslucrativos, com foco na promoção social e no desenvolvi-22
  23. 23. Mito pessoal e destino humanomento de pessoas. A partir de 1994 os projetos da Funda-ção foram gradativamente sendo executados. Em minha mente, fervilhavam idéias a respeito daintegração entre o saber da Psicologia e do Espiritismo.Passei a escrever a respeito, buscando uma melhor com-preensão dos fenômenos psicológicos e dos mediúnicos.Minhas dúvidas e descobertas foram grafadas em livroscomo este. Desde que passei a investir minha vida narealização de meu mundo interno, meu mito pessoal foise tornando cada vez mais claro. Só mais tarde, ao escrever este livro, percebi que asfases da minha vida contemplaram a busca da realizaçãoexterna de um sentido interior latente e cada vez maisconsciente. Creio que assim deve ser com todo ser humano,isto é, buscar a realização externa de seu mundo interno,para que a vida cumpra o seu papel. Fui descobrindo que há uma fonte inesgotável decriatividade, em forma de energia vital, à espera de umaidéia diretora e organizadora. Isso está acessível a todos.É como se existisse uma fonte de água bruta, que necessitade uma inteligência que saiba canalizar o líquido, tratan-do-o para consumo. Fora do ser humano existe um univer-so a ser moldado, trabalhado e formatado para suafelicidade. Em cada nível que se encontre, ele plasmaráseu estado interno, a fim de melhor percebê-lo, aprimo-rando-o. O Universo é múltiplo e compreende muitos ou-tros universos. A vida parece acontecer de forma auto-criadora emultiplicadora. As coisas parecem acontecer de formaretro-alimentadora, visando a ampliação de tudo. O quea alguém destrói, ao mesmo constrói, para em seguida,florescer. Aquele que um dia tirou algo de alguém, devolvesem prejudicar-se. Aquele que perdeu, ganhará mais doque lhe foi retirado. Assim a natureza se multiplica a simesma, numa espiral vertiginosa na direção do incognos-cível. A idéia da existência de uma lei de conservação da 23
  24. 24. adenáuer novaesenergia é uma necessidade da consciência lógica, porémainda limitada em sua dualidade. O Universo ainda é algodesconhecido, porém maravilhosamente concebido esempre levando o espírito à sua própria felicidade. A visãoestreita do espírito, ainda na infância espiritual, leva-o aopessimismo e a não enxergar a maravilha que é a existênciaem si. Nada deve levá-lo a crer em sofrimento eterno ouem aniquilamento de sua existência. Deus elabora com aatuação do espírito onde quer que ele se encontre. Sejana matéria ou fora dela, a vida acontece como um conviteà realização do Si-Mesmo em Deus. A vida também contém ansiedade. Ansiedade geradapela ignorância do que resultará. Ela em si desafia a menordas inteligências pela sua complexidade sempre crescente.Qualquer explicação simplista atende apenas à reduçãoda ansiedade resultante da natural curiosidade acerca deseu significado e sentido. Enquanto o espírito tenta deci-frar os enigmas da vida, buscando entender a própriaexistência, tem de providenciar vivê-la conforme as regrasda sociedade. Sua busca não o desobriga de cumprir osritos necessários de estar em sociedade. Poderá se alienarem curtos períodos, mas retornar à luta diária, comum atodos. Quem se alija da sociedade deverá pagar um preçoa ela por isso, devolvendo-lhe os valores e aprendizadosque colheu quando dela ausente. Independentemente da ansiedade, é fundamentalvivê-la, consciente de que algo fantástico nos aguarda láadiante. É preciso saber esperar, consciente de que Deus,inteligência suprema, não deixa barato as coisas. Sua esperanão será passiva, mas em atividade constante pela auto-realização, tanto na vida material como espiritualmente.Para o ser humano, autoconsciente da própria existência ede Deus, o futuro se constitui na maior obra divina. A vida, a que se pretende dar um sentido, contemplamuitos processos a serem experimentados e outros a seremevitados. Necessário é viver intensamente aqueles que24
  25. 25. Mito pessoal e destino humanovisam eliminar os incômodos internos, quais complexosinconscientes que perturbam e dirigem a vida consciente.A vida contempla passar por experiências comuns, cujanegação em vivê-las poderá trazer alienação ao indivíduo. Estar no corpo, ou fora dele, pressupõe ter objetivossuperiores. A não cessação da existência, com a morte docorpo, deve levar o indivíduo a questionamentos profundosa respeito da razão da existência de si mesmo. Sua inquie-tação intelectual, provocada pela inteligência e pela pró-pria ignorância, que o estimulam à busca de respostas,não o acomoda na aceitação pura e simples das coisas comoelas se apresentam. O porquê e a razão da própria existênciaserão questionados. Quando está no corpo físico, certa-mente obterá como respostas a realização de seu mundoinconsciente e, obviamente, a transformação da sociedadeem que vive para que ela se torne o lugar adequado à mora-da do espírito, facilitando sua felicidade. As misérias morais,sociais, a injustiça, a violência, os sofrimentos, bem comotudo que torna a vida algo degradante, se constituem emdesafios a serem vencidos àquele que deseje respostas aosentido e significado da vida. É óbvio que não se pode ser feliz numa sociedade,seja ela material ou espiritual, convivendo-se lado a ladocom aquelas misérias e tudo o mais que inferioriza a vidahumana. Ninguém consegue ser feliz se alguém a quemama está sofrendo. A vida não contempla a indiferença ao sofrimento e aignorância para com aqueles com quem se convive ou queparticipam da mesma sociedade. É equívoco pensar narealização da individualidade sem sua consciência coletivasatisfeita. É lógico que o indivíduo deve realizar-se atravésde projetos pessoais, os quais, inclusive, contribuem indire-tamente para o desenvolvimento da sociedade. Porém, emseu projeto de vida, para que ela continue sem a necessidadede retorno, para fechar ciclos abertos, deve estar incluso otrabalho em favor do outro e do meio em que vive. 25
  26. 26. adenáuer novaes Para se chegar a uma certa idade, com a mentetranqüila e pacificada para usufruir do que se construiu,bem como mais disponível ao serviço voluntário, tem-seque resolver o passivo deixado para trás. Seria melhor,antes de qualquer outra atitude ou iniciativa nova na vida,resolver o passado, para não postergar sua resolução auma outra vida. A vida merece ser bem vivida, sem animosidadespara com qualquer pessoa, bem como, de forma cons-ciente, gerar uma “folha” de bons serviços prestados àsociedade.26
  27. 27. Mito pessoal e destino humano Imagens da vida A vida se mostra de diferentes formas, visandoa percepção de sua transcendência por parte do espírito.São imagens, sensações e experiências reveladoras de umsentido superior no Universo. Nelas, podemos tentaralcançar uma tênue sensação da presença de Deus. Muitosde nós temos várias experiências que poderiam ser vividasde forma transcendente. Mesmo aquelas que parecem serbanais para alguém, podem ter significados e sentidosdiferentes para quem esteja disponível ao espiritual. Aquestão é o momento e a disponibilidade psíquica para aocorrência da experiência transcendente. Imagens são representações de algo que, atravésdelas, revela uma intencionalidade, uma proposta desingularidade que parece querer se mostrar. Há uma idéiadiretora e norteadora por detrás de cada imagem e expe-riência da vida. Mesmo que as experiências que vivemosjá se tenham perdido no tempo e as lembranças delassejam tênues, é possível trazê-las de volta e encontrar seuaspecto transcendente. A seguir relato algumas que ocorreram comigo, emmomentos distintos de minha vida, e que deixaram marcassuaves, mas profundas. Certa vez, no ano sétimo1 de 2005, viajando a Lagos,no sul de Portugal, conheci uma criança que me impressio-1 Refere-se ao simbolismo do número sete (soma dos algarismos do ano), cujo sentido profundo é transformação. Sete são as fases da evolução espiritual, se- gundo o ocultismo. 27
  28. 28. adenáuer novaesnou bastante. Ela tinha seis aninhos. Esperta e cheia devida, toda manhã ia à casa de sua avó, onde estive hospe-dado por quatro dias, e me acordava com um belo sorrisoque, não só se estampava em seus lábios, como tambémem seu olhar de alegria. Num daqueles dias, próximo aminha partida, aquela bela criança, que me parecia umespírito amoroso e de bom coração, trouxe-me um presen-te. Era um de seus bonecos, com um cordão atado paraser usado pendurado no pescoço. Ao me dar o presente,afirmou: “é para Adenáuer não se esquecer nunca de mim”.Aquilo me emocionou, pela espontaneidade e carinho comque me tratava. Essa mesma criança, uma outra manhã,acordara admirada do sol brilhante e bonito no horizonte,e, como se fizesse uma prece em voz alta, disse para suamãe e irmãos: “que dia maravilhoso esse”. Só um espíritoliberto das amarras da tristeza e do pessimismo consegue,tão precocemente, agir dessa maneira. O sorriso dessacriança, como de outras tantas, é algo impagável e seconstitui numa das mais belas imagens da vida. Percebicom aquela criança, que, melhor do que ser o objeto paraquem ela sorri é ser a causa de sua alegria íntima. A satis-fação interna alcançada com esta experiência é um exem-plo de algo transcendente. Uma outra experiência emocionante para mim ocor-reu na oportunidade em que levei um grupo para uns diasde retiro na Chapada Diamantina, na Bahia. Estávamosnuma pequena localidade chamada Capão (Caeté Açu), enos hospedáramos numa aconchegante Pousada. No diaseguinte à chegada, fizemos uma caminhada à Cachoeirada Fumaça. Trata-se de uma cachoeira de cerca 400 metrosde altura que, por ser um filete de água, chega ao solocomo uma névoa úmida. Lá de cima tem-se a visão dovale imenso e convidativo à contemplação. A sensação que28
  29. 29. Mito pessoal e destino humanotive era de querer voar como um pássaro, de poder pairaracima daquelas escarpas que formavam o imenso vale.No íntimo, admirava a grandeza de Deus em caprichosa-mente fazer as coisas para desafiar o ser humano, isto é,eu mesmo. A vontade era realmente de voar. Queria serum pássaro para olhar a cachoeira, de seu nível mais altoao mais inferior e poder, celeremente, voltar ao topo. Pla-nar acima das formações rochosas, tão livre quanto ovento, que sussurrava nas montanhas ao meu redor. Aságuas da cachoeira, que via cair na direção do espaçoabaixo da pedra onde me situava, perdiam-se em pequenasgotas, como uma névoa. O espaço abaixo de mim parecia-me infinito, por não alcançar visualmente seu limiteextremo. Queria ser uma ave para fazer um vôo rasante,ao fundo da cachoeira, na tentativa de alcançar a águalímpida e fria que se acumulava num pequeno lago.Deitado numa pedra para melhor observar a queda livredo líquido, bem como para melhor tentar enxergar o fundodo vale, meditei sobre o movimento constante da vida nadireção do desconhecido. O futuro de cada gota eraprevisível, porém não se via precisamente onde e quandocaíam. Aquela reflexão comparativa, da vida com a águaque caía da cachoeira, fez-me sentir muito próximo aodivino. Senti-me pertencente a um grande colar de contaspreciosas que a tudo e todos interliga. Foi um momentode êxtase indescritível, que valeu por toda a viagem. De outra feita, vivi uma experiência inesperada paramim. Nunca imaginei que alcançaria tal lugar. Em viagempara fazer palestras espíritas na Suíça, um casal amigo, àvéspera de meu retorno ao Brasil, levou-me para conheceruma montanha e estação de esqui, chamada Jungfrau, a3570 metros de altitude. Nunca estive num lugar tão altoe exuberante. De lá, via a neve, que não derrete, pertencen- 29
  30. 30. adenáuer novaeste à parte suíça dos Alpes. A temperatura externa erainferior aos 15º negativos. Contemplava a neve a sentiaque ali, num lugar quase inóspito, havia vida. A água feitaneve pelos mecanismos sutis da própria natureza, abrigavavida. De onde estávamos, podia ver a grandiosidade damontanha e, consequentemente, de Deus, que se revelapela Natureza. Lá em cima, sentia-me conectado a forçasmuitos maiores do que conhecia e imaginava. Dava-me asensação de pertencimento ao Universo, como se tambémtivesse os poderes que aquela montanha parecia ter. Nãome senti pequeno, nem inferior à montanha, mas irmana-do a ela, com o mesmo direito de incluir-me como algograndioso na Natureza. Não era vaidade ou artifício inte-lectual para superar a condição de ser vivente e submetidoàs contingências da vida, mas um sentimento real e inusi-tado de estar em Deus. Algo inesquecível e muito pessoal.Longe de entender o que se passava comigo, o casalprocurava favorecer o máximo possível minha alegria emali estar. Não me preocupava com fotos ou em ver aspessoas que também circulavam na montanha, mas demanter o sentimento de ser como a montanha. Foi algoúnico. Saí dali mais fortalecido e mais determinado navida, pois a energia da montanha passara para mim. Minhafé alcançava e superava o tamanho da montanha, passandoa ser capaz de movê-la, como afirmara Jesus. Eu foracontaminado pelo deus telúrico, que transmite a energiavinda do interior da Terra. Numa de minhas férias, estive com amigos e familia-res em pequena cidade do sul da Bahia. Era um lugarejode poucos pescadores, à beira de uma praia. Não havialuz elétrica senão até as nove horas da noite. Estávamoshospedados numa acolhedora casa, tão pequena que partedo grupo de nove pessoas tinha que dormir na cozinha.30
  31. 31. Mito pessoal e destino humanoMesmo assim, era muito agradável e aconchegante. Está-vamos felizes, sem luxo nem contrariedades. Após o apagardas luzes, eu e o amigo com cuja família viajava, resolve-mos dar um passeio pela praia. Eram cerca de dez horasda noite e a maioria dos habitantes já havia se recolhido.Lua nova, sem sinal de sua presença no céu, que estavadivinamente estrelado. Parecia que o deus Urano, lá doOlimpo, havia soprado flocos de neve luminosa no Univer-so, para admiração dos humanos. Durante a inusitada eagradável caminhada, senti vontade de deitar-me na areiadura da praia, que estava com a maré baixa. O mar estavasilencioso como a pequenina cidade. Pedi ao amigo queparasse enquanto me deitei na areia. Meus olhos fitavamo céu estrelado, que se mostrava diferente naquele momen-to. As estrelas eram por mim vistas tridimensionalmente,isto é, com profundidade. Umas mais próximas outrasmais afastadas, como se estivessem mais perto ou maislonge da Terra. As distâncias entre elas eram perceptíveispara mim e pareciam ser menores do que certamenteeram. Parecia que elas se reorganizaram para que eu aspercebesse. Entrei em êxtase, ali deitado naquela praiade uma cidadezinha que, naquele momento, se transfor-mou na própria Terra. Parecia que eu viajava por entre asestrelas, como um bólido humano. Meu êxtase durou pou-cos minutos, o suficiente para me sentir ligado ao Universoe a Deus. Tive a impressão de que aquela experiência erasinal de mais responsabilidade, pelo que a conexão com odivino me proporcionava. Aquele céu estrelado, daquelaforma, representava a magnitude e a grandeza de Deusna expressão vibrante do Universo infinito. Muitas são as experiências da vida que podem nosaproximar de algo essencial em nós mesmos, e que contri-buem para a certeza íntima de Deus como algo imanente. 31
  32. 32. adenáuer novaesConsigo, além das vivências que citei, identificar outrasque compõem meu leque de imagens transcendentes. Aqui estão elas: 1. Uma semente se descomprimindo. Ideal é ter colo-cado a semente na terra e acompanhar seus primeirossinais de brotamento; 2. Uma flor se abrindo. Melhor ainda é se tiver plan-tado e adubado a árvore que gerou a flor; 3. O sol de uma manhã. Bom é quando se assiste e nossentimos iluminados interiormente por aquele momento; 4. O poente com o sol avermelhando o horizontelongínquo. É salutar quando se contempla esse poente,sentindo que a própria vida está se realizando; 5. Uma mulher grávida. É consolador, mesmo nãose sendo o pai, sentir que, através da mulher, a vida serenova constantemente; 6. Um pássaro em vôo suave. É realmente catalisado-ra da sensação de liberdade a observação da ave em plenovôo, pela possibilidade de conexão com a leveza da vidadiante do incomensurável Universo; 7. O carinho de mãe. Sentir a grandiosidade de Deusao se fazer representar na dedicação maternal, dá-nos asensação segurança e de pertencimento a algo maior; 8. O cuidado e o conselho paterno. É admirável edignificante como a Vida2 nos ensina através da própriavida; 9. A caridade anônima. É uma das mais belas sensa-ções de proximidade com Deus, pois promove a alegriaíntima de colaborar em Sua obra, ajudando aqueles queprecisam; 10. Duas pessoas que se olham terna e apaixonada-mente. Ter a percepção do amor torna a pessoa conscientede sua relevância na vida. Quando duas pessoas verdadei-2 Quando escrevo Vida, refiro-me aos processos a que o indivíduo está submetido e aos aspectos coletivos e amplos do viver, independente da existência pessoal. A Vida é o existir coletivo e a vida é o tempo de cada um entre o nascer e o morrer.32
  33. 33. Mito pessoal e destino humanoramente se amam, conectam-se a Deus, realizando o amorcomo fonte eterna para a ascensão espiritual; 11. As arrojadas construções humanas. O ser huma-no na saga para realizar-se e cumprir os desígnios divinos.A constatação da capacidade humana em transformar eeducar a natureza nos torna mais conscientes dos desíg-nios divinos; 12. O curador ao lado de sua cura. A participaçãona cura de alguém permite o surgimento do sentimentode fraternidade que une os seres humanos; 13. A lágrima da emoção feliz. Emocionar-nos pelatristeza e, principalmente, pela alegria, nos aproxima dapercepção da matriz transformadora da consciência hu-mana. A lágrima é uma das expressões do sentimento queaproxima de Deus o ser humano; 14. A música que atinge a alma. Ouvir e dançar, físicaou mentalmente, uma música eleva a alma ao contato comuma linguagem divina. A música eleva o ser humano,conectando-o às forças criativas da Vida; 15. A natureza selvagem. Perceber a beleza em todosos processos da natureza nos faz sentir a grandiosidadede Deus e a consciência das nossas origens; 16. O ser humano. Quem quer que seja, o ser humanoé o mais belo e digno representante de Deus. É a obraprima do Deus por ele concebido. Tais imagens ou experiências da vida podem servividas pelo ser humano com um outro olhar, tendo comoparadigma a perspectiva espiritual e a subjetividade pre-sente em tudo. Com a visão da existência de vários sentidospara a vida e para os processos existenciais, pode-se viveraquelas experiências de forma transcendente. É o olharque se tem sobre todas as coisas e sobre o que se vive, quepode banalizar um fato ou torná-lo significativo, promotorde crescimento e transcendência. É importante desenvol-ver a capacidade de subjetivar e de perceber além das 33
  34. 34. adenáuer novaesaparências, pois isso nos aproxima do aspecto espiritualda vida. Quando se pretende ascender espiritualmente, épossível viver aquelas experiências, provocando-as diretaou indiretamente. A provocação indireta inicia-se nadisponibilidade psíquica aos convites da vida. O Universose alia, conspirando a favor de quem se coloca aberto aviver, sem medos e sem tibieza. A natureza pede arrouboe impulso para a criatividade. Na natureza, tudo lembraarrojo e determinação. A vida não deve ser centrada em tragédias, dramasou doenças. Ela é maior do que qualquer conflito humano.É preciso ter-se um olhar externo e mais amplo sobre oque se vive, a fim de não se submeter ao momento. A constatação da vivência das próprias imagens e aidentificação do valor subjetivo e transcendente das expe-riências vividas contribuem para uma melhor percepçãodo mito pessoal e do significado da própria vida.34
  35. 35. Mito pessoal e destino humano Funcionamento da mente A mente é uma estrutura que se localiza noperispírito3, sendo responsável pelo pensamento, pelaformatação das idéias, pela constituição das emoções esentimentos. O corpo físico responde aos estímulos quese originam no Espírito, passando pelo perispírito. Issoquer dizer que a mente não se reduz ao cérebro, masinterfere em seu funcionamento, justapondo-se a ele.Emite e capta estímulos que passam pelo cérebro, comotambém ocorre diretamente com a realidade. A menteindepende do cérebro, sendo responsável pelos fenômenossubjetivos e mediúnicos. A alteração química em certasáreas cerebrais promove respectivamente perturbaçõespsíquicas. Muito embora independentes, cérebro e mentese influenciam mutuamente; a mente interfere nos meca-nismos de funcionamento do cérebro e este pode geraralterações nos quadros mentais. Os pensamentos nascem da mente, do impulsocriativo que vem do espírito. A vontade, que nasce no Espí-rito, quando atinge a mente promove o pensar. O pensa-mento é organizado pelo eu ou ego, que, promovendo asso-ciações diversas, o transforma em idéia. Essas idéias sãoagregadas ao eu para atingir a consciência. Elas sofreminfluência dos conteúdos psíquicos existentes no incons-3 Para maiores esclarecimentos ver “Psicologia do Espírito”, onde desenvolvo es- tas idéias com maior profundidade. 35
  36. 36. adenáuer novaesciente, pois o eu se situa entre o inconsciente e a consciên-cia. Tudo que o ser humano aprendeu e que foi armazena-do no inconsciente influencia a formação das idéias e amanifestação das emoções. O eu é uma espécie de agluti-nador de conteúdos, que nascem do impulso criativo doEspírito, recebendo as influências emocionais do incons-ciente, que são enviadas à consciência. Quando uma atitu-de é executada no corpo físico pela ação consciente, éporque já passou pelas influências inconscientes. Nossas idéias são forjadas pelo desejo, que acionaos pensamentos e as emoções. Nossas emoções são deter-minantes psíquicos que, surgindo do inconsciente, influen-ciam nossas idéias e modelam as ações. Mais importantedo que educar o pensar é equilibrar as emoções, cujaprimazia sobre a razão é evidente. Os impulsos oriundos do Espírito visam atendernecessidades evolutivas, bem como a harmonização deconteúdos inconscientes. As atitudes, portanto, são repre-sentações de elementos inconscientes que se organizamsegundo freqüências emocionais semelhantes. É como seas atitudes fossem representações de “compartimentos” damente. Por exemplo, uma pessoa que tem um determinadovício está manifestando com sua atitude perniciosa umarepresentação de conteúdos inconscientes não resolvidos. Por outro lado, o impulso criativo que vem do Espí-rito, a serviço de necessidades evolutivas, recebe decisiva-mente a contribuição da afetividade para agregar valoresao mesmo. Agregar valor significa dar uma direção aoimpulso puro, a serviço da evolução do Espírito. A baseda aquisição de requisitos para a evolução espiritual éenergia gerada pelas emoções. A afetividade é uma expres-são emocional, cuja qualidade, quando utilizada, agregavalores ao Espírito. Os conteúdos internos pertencentes ao inconsciente,que se encontram neste estado por não terem sido supor-tados na consciência ou por serem produtos de processos36
  37. 37. Mito pessoal e destino humanopsíquicos inacessíveis, quando em desarmonia, precisamde solução. Tais desarmonias atraem experiências típicaspara o equilíbrio do sistema psíquico. Muitas experiênciasnegativas da vida são atraídas pelos conteúdos inconscien-tes aversivos. A realização dos conteúdos internos faz comque a vida aconteça e se torne dinâmica. Tal realizaçãocolabora para o equilíbrio psíquico geral e a manifestaçãoresponsável de seus conteúdos é decisiva para a aquisiçãode novos encargos do Espírito. A Vida “responde” aos conteúdos internos, razão pelaqual as ocorrências cotidianas que nos aborrecem,promovidas pelos outros, nada mais são do que experiên-cias atraídas por nós, em estreita correspondência comos nossos conteúdos internos. Somos responsáveis peloque nos ocorre, mesmo quando haja intencionalidade dealguém em nos atingir. A mente, ou psiquê, ou ainda aparelho psíquico, éuma estrutura radicada no perispírito para a manifestaçãodas potencialidades do Espírito. Sua constituição é deenergia de freqüência muito sutil, ainda não captada dire-tamente por equipamentos materiais. Aproxima-se daenergia luminosa num estado ainda mais radiante e menoscondensada. É suscetível ao desejo, sendo-lhe extrema-mente plástica, isto é, moldada por ele. As mudanças de atitudes que desejamos realizar, abem da felicidade que pretendemos alcançar, devem serprecedida, pelo trabalho em conciliar as emoções. Antesde mudar atitudes, seria importante a identificação do tipode desejo que se tem e qual a natureza da emoção envolvi-da. É válido mudar a atitude antes dessa identificação,porém corre-se o risco de reincidir-se na ação que sepretende evitar, como também de adotar novo comporta-mento mais pernicioso ainda. Nossa mente também fun-ciona em regime de compensação. O inconscientecompensa o que se passa na consciência. 37
  38. 38. adenáuer novaes O “demônio” e o mal que enxergamos ou procuramosfora de nós, se encontram nas profundezas de nosso in-consciente, desejando se harmonizar. O “anjo” e o bemque ansiamos em praticar e identificar no mundo externo,jazem dentro de nós à espera da conciliação com suacontraparte, que mora no compartimento ao lado, dentronós mesmos. Somos os “anjos” e os “demônios” que quere-mos e devemos conciliar. Muitos dos diálogos querealizamos se devem a representações dessas duas polari-dades passíveis de conciliação, quando não são vozes dosespíritos que desejam participar de nossa vida psíquica. É na memória perispiritual que gravamos as expe-riências vividas, bem como ali se encontram os sentimen-tos gerados nas alegrias e tristezas sentidas. Na menteestão as tendências arquetípicas, sem as quais não seriapossível o direcionamento do impulso criativo do Espíritopara a realização pessoal. Na psiquê também se encontra a tendência de todoser humano em ir ao encontro de Deus. É o arquétipodenominado Self que nos direciona à busca do Deus emnós. O mito pessoal é uma das manifestações da realizaçãodo Self.38
  39. 39. Mito pessoal e destino humano Mito pessoal O mito é uma das mais fiéis representações doinconsciente. Sua constituição revela algo oculto que oidealizou, de forma sutil, porém condicionado a determi-nantes psíquicos imponderáveis. Como todo ser humano,nenhuma civilização sobrevive sem o mito. Ele é um íconemobilizador de poderosas forças forjadoras da personali-dade e da identidade pessoal. O mito simboliza aspectospsíquicos inconscientes e revela parcialmente o funciona-mento da psiquê. Uma encarnação é mais um período para o espíritoviver novas experiências. Ao longo de seu curso muitosmitos são atualizados e vividos de forma inconsciente.Durante a curta ocorrência da existência no corpo físico,em meio a muitas experiências, atualizam-se relações,aprimoram-se habilidades e novos conhecimentos sãoadquiridos. Ódios são aplacados, amigos se revêem eamores são alimentados. A humanidade se aprimora,graças à inteligência humana que se aperfeiçoa a cadaretorno a um novo corpo. Por mais que se queira pensarque renascer se trata de uma repetição, é, em realidade,uma nova e fantástica vivência do espírito, no tempo e noespaço. O retorno a um novo corpo é sempre algo deinusitado, bom e útil ao espírito. Há muito o que se apren-der no corpo físico, principalmente no que diz respeito àeducação das emoções. As experiências emocionaiscarreiam à consciência importantes paradigmas das leisde Deus, necessários à evolução do espírito. 39
  40. 40. adenáuer novaes Seu aproveitamento pode se tornar melhor, na medi-da em que o espírito se apercebe da linha mestra que con-duz sua vida, a qual ele e Deus tecem concomitantemente.Tal linha mestra pode ser chamada de mito pessoal. É oroteiro de um filme que contém aquilo que decorre dolivre arbítrio, do planejamento reencarnatório e das ten-dências supra-arquetípicas4 coletivas a que todo espíritoestá submetido. É a linha ou o trilho em que o trem de suavida tem viajado. São aspectos da vida e da individualidadeque, quando percebidos de um ângulo mais amplo,permitem maior capacidade de modificação do destino ede assimilação do aprendizado ao espírito. Identifico dezaspectos a serem percebidos para a consciência do mitopessoal: anseios ocultos, buscas arquetípicas, polarizaçõestípicas, repetições de experiências, eventos em sincronici-dade, eventos mediúnicos, sinais e símbolos da vida,direção da energia psíquica, sonhos e complexos. Adianteexplicarei cada um deles, em capítulos específicos, visandotornar clara a percepção do significado do mito pessoal. O mito pessoal é a soma das percepções que o indiví-duo tem de sua própria vida e do caminho que ela temtrilhado, independentemente da consciência pessoal. Nemsempre corresponde àquilo que o indivíduo deseja oudesejou para a própria vida, mas sim no que ela se cons-tituiu até aquele momento. Sua percepção se dá a partirde um olhar sobre o somatório das experiências vividasna atual encarnação e, quando possível, em vidas passadas.Tal percepção não se dá numa única dimensão da existên-cia corporal, mas em todos os aspectos e áreas de que elase compõe. Perceber seu mito pessoal é como enxergar a própriavida como um espectro, com todas as experiências nelavividas. É simultaneamente perceber o mosaico das fasesou etapas que a constituem e como foram vividas, ou não,4 Aquilo que transcende o livre-arbítrio.40
  41. 41. Mito pessoal e destino humanoas experiências pertinentes a cada uma delas. É mais doque uma rememoração de fatos ocorridos, mas tambémdas emoções vividas, do que foi aprendido e do que sedeixou de aprender. Reunir as experiências relacionadas a esses dezaspectos, conectando-as entre si e a si mesmo, como sefossem contas de um colar, extraindo do conjunto um senti-do único, é encontrar o mito pessoal. Sua percepção faci-lita a condução da vida, bem como a correção do direcio-namento que ela tem tomado. A consciência do mitopessoal, após a reunião das emoções e reflexões geradasnas experiências da vida, requer a firme decisão de seconectar ao que há de mais profundo em si mesmo, bemcomo de se colocar como autor do próprio destino. O mito pessoal pode se repetir por várias encarna-ções até que o espírito mude ou tenha alcançado o quedesejava. Uma grande frustração de uma encarnação podese tornar o grande motivo que direcionará existênciasfuturas. Alcançar o que foi frustrado no passado pode vira se tornar o mito pessoal de alguém. Isso significará quea pessoa viverá de seu passado, ou melhor, do desejo deresolver frustrações alimentadas. Em alguns casos vamos encontrar pessoas com maisde um mito pessoal. Apresentam buscas em várias dimen-sões da vida, não se detendo especificamente num sócampo. Assim parecerá quando se observa apenas umaou duas encarnações. Porém, numa análise a longo prazo,ampliando o alcance da visão para mais encarnações, ver-se-á que há um núcleo das buscas daquele espírito. Nemsempre essa análise é possível, muito menos para quemestá encarnado e não tem qualquer possibilidade de acessoa suas vidas passadas. O mito pessoal, quando percebido, torna-se um aconte-cimento que dará a sensação de ter encontrado um portoseguro na vida da pessoa. A compreensão do significado daprópria existência amplia as perspectivas de vida, facilitando 41
  42. 42. adenáuer novaesa aceitação das experiências inevitáveis, que geralmente sãovistas como um desafio ou imposição de Deus. Exemplos de mito pessoal facilmente identificáveis: – pessoas que estão sempre viajando em excursões,em grupo ou sozinhas, não se demorando muito temponum lugar. Certamente o mito pessoal é fugir de algoconsciente ou inconsciente de difícil contato. – pessoas que perseguem obstinadamente uma mar-ca individual superior em algum esporte, não admitindoderrota. Certamente querem superar um grande complexode inferioridade. – pessoas que defendem fanaticamente por toda umaencarnação religiões, filosofias políticas ou doutrinasdiversas, à custa de sua própria socialização. Certamenteestão à procura de um contato íntimo com Deus. – pessoas que se determinam obsessivamente a umobjetivo, sem o qual não conseguem viver. Seu mito pessoalé atender ao que está oculto no inconsciente, e usam esteobjetivo como símbolo. – pessoas que se desvelam por outra por toda umaencarnação, sem motivo real, apenas pela afeição que aela dirigem. Certamente satisfazem a dependência quecriaram em relação àquela pessoa. – pessoas que passam a encarnação ocupando cargosde poder, sem conseguir desempenhar funções sob ocomando de alguém. São antigos mandatários que não sedesligaram de seu complexo de poder. – pessoas que se dedicam obsessivamente a umtrabalho, não conseguindo dele se ausentar, mesmo apóso tempo dedicado à aposentadoria. Fogem da liberdadede viver. – pessoas que vivem uma persona específica durantetoda a encarnação, como se estivessem interpretando umpapel numa peça teatral. Cristalizam sua forma de viverno mundo. Vivem em constante regressão ao passado, embusca inconsciente pelo que lá ficou.42
  43. 43. Mito pessoal e destino humano – pessoas rígidas em seus princípios e que não sepermitem mudanças, impondo aos outros seu modo depensar e agir. Agem obsessivamente, exigindo do si e dosoutros, mais do que devem. Vivem o mito da proteçãocontra si mesmas. Protegem-se de suas próprias idéiaslibertadoras. – pessoas que se tornam referenciais positivos noque fazem, servindo de modelo e exemplo para outras,sem perderem sua identidade pessoal. Vivem o mito darealização de sua própria individualidade em meio aocoletivo. Um exemplo de mito pessoal pode ser visto na vidade certos artistas em busca da imortalidade na memóriade seus fãs. Procuram perpetuar uma imagem estética paranão cair no esquecimento. Vivem cristalizando a imagemque lhe foi mais proveitosa em suas carreiras. São comoícones de mármore que o tempo mal consegue corroer.Imortalizam a imagem, da qual se alimentam em seuspensamentos cristalizadores do passado. São prisioneirosdeles mesmos. Assim ocorre com muita gente que vive a vidafantasiosa que criaram para si. Precisam se libertar domito que elegeram como trilha de suas vidas. A identificação do mito pessoal permite, quandomantém o espírito aprisionado num padrão negativo deviver, libertá-lo de si mesmo, direcionando sua vida pararealizações outras, mais adequadas à sua evolução. Quandoo padrão é positivo, permite ao espírito aperfeiçoar-se paramaiores cometimentos. É fundamental identificar o mitopessoal, modificando-o ou não, para melhor conduzir-sena vida, visando o próprio progresso espiritual. 43
  44. 44. Mito pessoal e destino humano Destino humano Q ual é o destino da Humanidade? Será aquelemesmo em que tenho pensado e que acredito que vai acon-tecer comigo? Ele é vago, ou o tenho em minha cons-ciência, de forma bem definida? Talvez não existam respos-tas suficientemente claras para estas perguntas. Paraalguns, o destino é incerto, para outros, só Deus o sabe.Talvez exista alguém que tenha adquirido a consciênciade que ele sempre pode ser alterado e que é uma constru-ção pessoal, dentro de princípios divinos. Para entender o destino como uma construção pes-soal é fundamental a percepção de que sua ocorrênciatambém obedece a uma certa força que vem de dentro doser humano. Tal força representa a autoconsciência deDeus em si mesmo. Quanto mais o ser humano se sentirem Deus, agindo em consonância com Seus desígnios,visando a harmonia pessoal e coletiva, mais estará cons-ciente daquela força. Ela o torna competente para gerirseu próprio destino, moldando-o de acordo com o sentidoe significado da vida. O sentido e significado da vida correspondem a umaequação pessoal para a própria existência, estabelecendolimites e possibilidades flexíveis ao destino futuro. Talequação do destino pessoal contém determinantes evariáveis que podem ser reguladas pela consciência dequem já percebe sua força interior. O poder de mexer como resultado da equação pertence ao indivíduo que enten- 45
  45. 45. adenáuer novaesdeu o significado da vida, a partir de como realiza aprópria existência. Nesse sentido, o mito pessoal está diretamente rela-cionado com o significado que o indivíduo dá à própriavida, pois percebe que ele mesmo manipula as variáveisintervenientes. Suas atitudes, idéias e sentimentos são osvetores manipuladores do próprio destino. O que se assi-mila ou se integra à personalidade que resulta das expe-riências vividas, determinará também o que ocorrerá nofuturo de cada um. Não aproveitar conscientemente o queresulta de cada experiência como fator aprendido é nãosaber que com isso se pode mudar o próprio destino. Mito e destino pessoal são ocorrências intimamenteligadas, pois o mesmo indivíduo que realiza um mito,constrói com ele seu destino. Da mesma forma, o destinoresulta da construção de um mito a respeito de si mesmo. O mito pessoal, tanto quanto o destino de uma pes-soa, são como um segredo que não se consegue conhecer.Fazem eles parte dos segredos da alma para si mesma,que ignora para onde vai e de onde veio. A ignorância domito pessoal e da possibilidade de manipular o própriodestino é resultante da alienação da consciência em rela-ção ao inconsciente. Quanto mais o ser humano descon-siderar o que jaz dentro de si mesmo, resultante de suasmúltiplas encarnações, mais distante estará de Deus. Seudestino será uma longa e tortuosa travessia por um marinfestado de tubarões numa pequena jangada de madeira. O destino humano segue dentro da Matriz da Vida,constituída pelo criador. Tudo nela se encontra dentro decertos limites definidos para que o ser humano O encontre.Enquanto não se percorrer os pontos dessa Matriz, dar-se-á voltas em torno de si mesmo. Os pontos são comoestações ou etapas de trabalho, que, quando vencidas,passa-se a outra. Sem percorrer todas elas, aprendendocada lição, não se atinge os objetivos. A Divina conexãoque o Espírito deve alcançar é o grande objetivo da viagem,46
  46. 46. Mito pessoal e destino humanoque ocorre quando incorpora qualidades que superam suaignorância e simplicidade iniciais. Após isso, saberá a resposta à pergunta: Para ondeestou indo? Dirá para si mesmo que o caminho é o própriocaminhar e a chegada é o sentimento em cada trecho daviagem. Já estará cuidando da própria vida, sem aingenuidade do início nem a inconseqüência do princi-piante. Terá feito de si mesmo o que lhe propôs, gravadoem seu inconsciente, o Criador da Vida. O destino não está absolutamente traçado, pois ele éconstruído gradativamente pelo Espírito. Dizer que Deusjá sabe o que acontecerá e que, por esse motivo, o serhumano não tem livre-arbítrio é um sofisma que desafia asabedoria divina. Não se deve estabelecer temporalidadequando se pensa na idéia de Deus. As escolhas humanas,quaisquer que sejam, estão dentro de possibilidades divinas. O destino, mesmo se tendo um passado delituoso, oqual não se consiga esquecer, pode ser alterado, sem queo espírito precise sofrer. A consciência de que o passado éfruto da ignorância e que o futuro pode se constituir deexperiências de aprendizado sem sofrimento, permite queexpiações possam ser alteradas. O destino pessoal também está sujeito ao destinocoletivo, pois todos temos, em nós mesmos, uma partesemelhante. Somos individuais e coletivos em nosso in-consciente. Ninguém evolui sozinho nem vive sob regimede exclusividade perante as leis da Vida e do destino.Mesmo sendo uma construção pessoal, todos estão sujeitosa direitos e deveres iguais. Pode-se alterar o próprio destino quando se desco-briu o amor dentro de si mesmo como instrumento eficazde transformação interior e exterior. A Vida pede partici-pação ativa do espírito em favor de si e da sociedade. Nãose tornar útil e sensível às causas humanitárias representaatraso evolutivo e impedimento ao crescimento espiritual.Todos devem colaborar com todos. 47
  47. 47. adenáuer novaes O espírito, na parte que lhe cabe, é senhor de seupróprio destino. Da mesma forma que recebe influênciasdos que o cercam, para a realização de seu destino, tam-bém interfere no dos outros. Muitas vezes, pela sua respon-sabilidade consigo mesmo, torna-se importante fator detransformação do outro. Quanto mais o ser humano se torna útil a si mesmoe cuidadoso com o destino alheio, mais lhe são confiadosinstrumentos de transformação coletiva.48
  48. 48. Mito pessoal e destino humano Anseios ocultos Anseios ocultos são as fantasias e desejos recônditosque influenciam deterministicamente a vida, direcionan-do-a para um fim. Geralmente surgem entre a puberdadee a adolescência como ideais de transformação pessoal ecoletiva. São propostas internas de adquirir poder suficien-te para a realização de ideais imaginários externos e,muitas vezes, utópicos. Tais propostas acompanham o querere o desejo do indivíduo por toda a encarnação, sem queele necessariamente se dê conta. A descoberta e conscien-tização desses anseios ocultos é um importante passo quepode começar com a rememoração daqueles ideais, alémde adquirir o hábito de se auto-analisar constantemente,procurando enxergar seus próprios desejos. São ocultos, ou parcialmente ocultos, por nem sem-pre estarem acessíveis ao ego. Geralmente já saíram daconsciência e se transferiram ao inconsciente. A impos-sibilidade de realizá-los os fez perder a força que tinhamquando participavam da consciência. Costumam direcio-nar nossas atitudes perante a vida, influenciando escolhasprofissionais; contribuem para a criação de expectativasamorosas e norteiam as atuações em sociedade. São fantasias não realizadas, quase impossíveis deser alcançadas, que permanecem no inconscientepressionando a consciência, influenciando-a e direcionan-do-a a um fim. Vez por outra surgem na consciência emforma de ideais altruístas, como se fossem redenções 49
  49. 49. adenáuer novaescoletivas. Outras vezes aparecem na forma de poderesocultos e miraculosos, que dão à pessoa o lugar de desta-que e liderança infantilmente ansiada. Tais poderes seassemelham aos que atribuímos ao super-homem ou aalgum semideus (profeta, guru ou avatar), que seria capazde resolver miraculosamente os males do mundo. Sutil-mente, tais fantasias alcançam o status de objetivo finalda vida, podendo levar o indivíduo ao lugar de rei ourainha, líder carismático de seu próprio reino infantil. O desejo de realização da fantasia oculta pode setornar positivo, na medida que vai recebendo contribui-ções da lógica e do pragmatismo humano, além daconsciência da exeqüibilidade dentro dos projetos existen-ciais da pessoa. A fantasia inconsciente é também alimentada sempreque uma frustração ocorre ou quando a injustiça compa-rece em alguma experiência vivida. Quanto mais pueril eimatura a pessoa, mais a consciência participa dainfluência da fantasia em sua vida. Um exemplo de anseio oculto é o desejo presenteem certas pessoas de usar grandes poderes mediúnicos.Com eles pretenderiam demonstrar seu domínio sem medosobre o sobrenatural, tanto quanto favorecer a cura esolução de muitos males espirituais das pessoas. Talfantasia infantil ocorre principalmente na idade adulta.Isso significa que antes dela, provavelmente na adolescên-cia, existe outra de se tornar uma espécie de redentor dahumanidade. São desejos egóicos contaminados por umcomplexo de inferioridade inconsciente. Isso ocorreu comalguns líderes mundiais do passado, que quiseram con-quistar terras e fundar reinos com seus nomes e suas leis,para que a posteridade os reverenciasse. Os desejos de terpoderes pode alienar a pessoa do processo de construçãogradativa de suas capacidades de transformação pessoale do meio em que vive. Todo poder emprestado pressupõe50
  50. 50. Mito pessoal e destino humanoalta dose de responsabilidade e cuidado com seu uso, poisnão houve a construção dos alicerces naturais básicos parasua existência. Os desejos altruístas de transformação da humani-dade não são em si fantasias infantis quando se atribui aeles a dimensão adequada. Tê-los na consciência, conside-rando sua exeqüibilidade como algo pertencente aocoletivo e ao divino, entendendo que lhe compete umapequena e singular cota, não é infantil. Isso significa acompreensão adequada da responsabilidade pessoal, re-sultando numa participação ativa na melhoria da socie-dade em que se vive. Alterar os anseios ocultos, ou se ver livre deles,requer a consideração pessoal de não se colocar no lugarde quem tem poderes mágicos ou de quem está ligado aalgo grande que revolucionará a humanidade. Requer, emoutras palavras, humildade, isto é, consciência real daspróprias limitações. Não quer dizer passividade ou inativi-dade diante das necessidades sociais que poderiam serevitadas. É atitude diante dos problemas coletivos, namedida das possibilidades de atuação, unindo-se a pessoasou grupos capazes de executá-los. Por outro lado, para não se deixar influenciar pelasfantasias infantis, porventura esquecidas, é preciso estarcentrado em novos objetivos de vida que sejam exeqüíveis econstantemente analisados pragmaticamente. Esses novosobjetivos devem ser construídos após a idade adulta jovem,com consciência das reais possibilidades de execução,inserindo-os na vida cotidiana, de uma maneira bem prática. Quando me refiro aos objetivos de vida, não colocoapenas aqueles referentes à vida material, cuja buscapragmática, dentro dos limites das necessidades humanas,deve ser óbvia. Refiro-me também aos objetivos espirituais,portanto, além da vida material e ligados ao desenvolvi-mento da própria personalidade. 51
  51. 51. adenáuer novaes É fundamental, para a redução da influência dosanseios ocultos ou sua eliminação, que o indivíduo desen-volva a humildade, como também um objetivo específicoreferente ao desenvolvimento de sua personalidade. Semisso, talvez permaneça alimentando suas fantasias infantisdurante a vida. O mito de uma pessoa pode ser percebido privile-giando-se observações a respeito de seus anseios ocultos,e se a mesma dedica a vida exclusivamente a sua reali-zação.52
  52. 52. Mito pessoal e destino humano Buscas arquetípicas B uscas arquetípicas são as realizações dastendências básicas do ser humano, isto é, tendênciascomuns da vida. A palavra arquetípica deriva de arquétipo,que quer dizer tendência coletiva a agir de determinadaforma padronizada. Algumas dessas tendências são muitoconhecidas e básicas, tais como: abrigar-se sob a proteçãodo materno, relacionar-se afetivamente com alguém, apre-sentar uma imagem idealizada de si mesmo aos outros,evitar enxergar o lado negado ou oculto da própria perso-nalidade, perceber os conselhos de uma voz interior sábia,desejar conhecer e explicar o mundo, reconhecer e adotaruma certa ordem na vida, resistir ao impulso da perma-nência numa certa inocência ou ingenuidade, dentre outras. Abrigar-se sobre a proteção do materno, quer dizer:ter a tendência a procurar proteção ou ajuda diante dedesafios ou dificuldades. Da mesma forma, agregar-se emfamília, constituindo-a e protegendo seus membros,também é uma representação dessa tendência. Há pessoasque supervalorizam os processos familiares, não abrindoespaços para a ampliação da fraternidade, para a inclusãode mais pessoas em seu rol de afetos. Vivem exclusivamen-te para a família consangüínea sem considerar que há umafamília maior, a espiritual. Esta se estrutura pelos laçosde afinidade entre os espíritos, independentemente do graude parentesco, etnia ou nacionalidade. Ampliar a famíliaé estender o alcance do sentido da própria vida, tornando 53
  53. 53. adenáuer novaesseu mito pessoal maior do que a existência num corpofísico. Relacionar-se afetivamente com alguém é um anseiode todo ser humano, por mais rude que ele seja. É o desejopelo acasalamento e construção de uma continuidadepessoal, ampliando sua consciência com a inclusão deoutras pessoas em sua vida. Essa busca arquetípica tomaquase a totalidade da vida da grande maioria das pessoas.Para elas as alegrias e conflitos da vida geralmente sesituam nessa dimensão. A exacerbação das experiênciasamorosas, em detrimento das outras dimensões da perma-nência no corpo, denuncia um viés no sentido que seatribui à vida física. Sem desprezar o ensejo pelo encontroamoroso com alguém, a vida contempla outros horizontes. Apresentar uma imagem idealizada de si mesmotorna-se uma necessidade, a fim de facilitar a convivênciasocial. Nenhum ser humano se mostra em sua totalidade.Todos buscam mostrar o melhor de si mesmos, a fim dese inserir adequadamente em sociedade. Consequente-mente, o lado negativo da personalidade é escondido ounão percebido. Com isso, o ser humano oculta-se e seesconde de si mesmo, porém, com essa atitude, inevitavel-mente evita parte de si mesmo, em benefício da vidacoletiva. A personalidade se manifesta parcialmente, nãose realizando totalmente. Vive uma vida artificial, mostran-do o que não é e sem integrar todos os aspectos do seu eu.Vive o mundo da persona, sem coragem ou sem conheci-mento para apresentar uma personalidade que integre osdois aspectos. Valoriza títulos, posses, bem como quali-dades exteriores ao indivíduo. Tais pessoas criam este-reótipos de si mesmas. Consciente ou inconscientemente,vivem os mitos do poder e da superioridade pessoal.Andam buscando a valorização da tradição, do nome defamília, consideram bons casamentos os que trazemvultosas heranças e não costumam tolerar misturas raciais.Seu mito pessoal é sua valorização em relação aos outros.54
  54. 54. Mito pessoal e destino humano Perceber os conselhos de uma voz interior sábia é oconstante diálogo interno consigo mesmo, bem como comespíritos desencarnados que se acercam do ser humano,quer ele acredite ou não. Esses diálogos se constituemnuma espécie de conversa com um outro ego, que funcionacomo interlocutor auxiliar na vida da pessoa. Essa relaçãocom um outro eu, visando a busca de significados pessoais,deve ser confrontada com a realidade, a fim de que a vidanão permaneça limitada dentro de si mesmo. O internodeve ser confrontado com o externo, a fim de que oindivíduo saia de si e vá em direção ao outro e ao mundo. Outra busca arquetípica é a sede que o ser humanotem em compreender a vida externa. Nessa busca, eleamplia o intelecto, aumentando seu volume de informa-ções. O que parece ser uma melhor compreensão da vidapode levar o indivíduo ao excesso de conhecimento acercade tudo. Tal conhecimento, por ser muito amplo, poderáser superficial, sem a penetração na essência das coisas ede si mesmo. A busca pelo saber, pela simples vaidade emobtê-lo, direciona a vida para a racionalidade. O mitopessoal será o do controle e da informação, sem realapreensão do significado da vida. Reconhecer e adotar uma certa ordem na vida éguiar-se por algum norte ou sistema de valores. Ninguémvive sem um sentido diretor, pois isso representa a própriaimagem do eu pessoal. Esse sentido diretor deve estarconectado com algo superior (Self) para o equilíbrio edesenvolvimento da personalidade. Há pessoas que guiamsuas vidas por idéias e sentimentos dissociados do encon-tro consigo mesmo. Vivem do passado, das tradições secu-lares ou do novo, sem o equilíbrio entre eles. Passado efuturo são polaridades que interferem no presente e devemser integrados na consciência. Quem vive muito o passadoe foge do novo, assemelha-se a quem nega o passado e seapega às novidades. É preciso que nossas tradições enortes adotados sob influência da educação familiar, 55
  55. 55. adenáuer novaesrecebam a contribuição do novo e das transformaçõessociais. Essa integração faculta à consciência a aberturapara a criatividade. Apegar-se ao passado demonstra queo mito pessoal está preso no inconsciente. Resistir à permanência numa certa inocência e inge-nuidade na vida significa viver na direção do processo deamadurecimento da infância à vida adulta. Todo ser huma-no busca sair da ingenuidade e inferioridade sentidas nacondição infantil da personalidade. Há pessoas quebuscam uma eterna juventude, sob pretexto de permanece-rem jovens. Cultuam o corpo e sua estética, muitas vezesem detrimento da educação da alma. Nada contra oscuidados que se deve ter com o corpo e a saúde, porémdeve-se ter a precaução de não cristalizar a mente em atitu-des restritas a esse campo. A cada idade ou fase da vida,existem experiências oportunas a serem vividas. Os cabelosbrancos de alguém, por exemplo, podem ser um sinal deque adequadas experiências devam começar a ser vividas.Aqueles que vivem presos à infância ou à juventude sãopessoas que não compreendem que a vida possui ciclosque devem ser abertos e outros, fechados. É típico do Puer5permanecer com o ciclo da juventude aberto. Ser jovem éum estado de espírito e não uma condição física. O Puerpretende permanecer na puerilidade sempre. No fundoteme a velhice e a morte. Seu mito pessoal é alcançar acondição de Narciso: belo, mas apenas isso. O Puer tem a tendência regressiva inconsciente depermanecer sempre infantil, dependente, apegado a padrõesfantasiosos e negando o enfrentamento dos desafios que olevam à maturidade. A individuação passa pelo sacrifícioconsciente dessa tendência regressiva. A individuação é arealização da personalidade integral, isto é, tornar-se umindivíduo que saiba viver coletivamente, realizando-se.5 Significa criança. Aqui é colocado como uma tendência a atitudes infantis, em desacordo com a idade cronológica do indivíduo.56
  56. 56. Mito pessoal e destino humano Tais tendências devem e precisam ser atualizadasnas várias fases da vida, evitando-se submeter inteiramentea elas ou fugir das experiências que as constituem. A Vidaexige que todos atuem na direção do crescimento pessoale coletivo. Aperceber-se de quais processos arquetípicosnão foram vividos, bem como daqueles que foram repetidae intensamente atualizados, contribui para a análise domito pessoal. Fundamental é não perder o trem da vida,ao deixar passar oportunidades importantes de crescer. Há pessoas que se demoram numa busca específica,centrando seu mito pessoal num dos propósitos citados.Muitas vezes, a demora se deve a processos cármicos nãoresolvidos em vidas passadas. Algumas não conseguemalcançar o que desejam, mesmo sendo algo simples paraos outros. O que parece ser fácil para os outros, é custosoe sacrificial para aquela pessoa. Perceber qual ou quaisdaqueles processos têm tomado a maior parte da consciên-cia e da vida da pessoa, é uma pista para o mito pessoal.É possível mudar isso. É preciso ter consciência do que aVida quer ensinar com a dificuldade apresentada narealização daquela busca arquetípica. Experiências seme-lhantes, menos sacrificiais, poderão fazer a pessoa integraro que lhe falta. Alguém que, por exemplo, deseje ter um filho e nãoconsiga por ter problemas ligados ao seu aparelho repro-dutor, poderá centrar boa parte de sua vida neste propó-sito. Viverá o mito da maternidade não alcançada, sentin-do-se incapaz e infeliz por isso. Poderá sublimar sua dor,aceitando conscientemente a impossibilidade e redirecio-nando suas buscas. Poderá também adotar um filho, ame-nizando seu sentimento de impotência materna. De qual-quer forma terá como principal mito de sua vida a reali-zação do materno. A saída, diante da impossibilidadematerial em realizar seu desejo, poderá estar na mater-nidade exercida coletivamente, isto é, ser materno, aco-lhendo as pessoas e alimentando suas esperanças. 57
  57. 57. adenáuer novaes Pode-se adiar a vivência de certas experiências poralgum tempo, porém não se conseguirá alcançar acondição de ser espiritualmente evoluído nem a felicidadeplena sem integrar o que lhe falta na personalidade. Arenúncia momentânea na realização de uma determinadabusca arquetípica poderá ser útil ao espírito encarnadoou desencarnado, principalmente nos casos em que houveexcesso de uso. O passo seguinte será aprender a usaradequadamente a energia da vida, a serviço da própriaconstrução da personalidade sadia. A Vida nos oferecetudo, mas nos cobra muito. O preço que se paga pelo quea Vida oferece, não é outro senão a própria conquista dafelicidade plena do espírito. Tal felicidade é vivida emsociedade. Aparentemente fácil de ser conseguida, porémrequer o uso da energia psíquica ao longo das váriasencarnações. As buscas arquetípicas são tendências que podemou não ser realizadas numa encarnação. O livre arbítriode cada um definirá o que deseja experimentar naquelaencarnação. A compreensão cada vez crescente das leisde Deus fará com que o espírito defina o momento maisoportuno para realizá-las.58
  58. 58. Mito pessoal e destino humano Polarizações típicas P olarizações típicas são tendências superlativasnos comportamentos adotados na vida. São preferênciasindividuais nas várias atividades da vida, que acabam porenviesá-la. Elas podem ser notadas no lazer, nos hobbies,nos hábitos tradicionais de muitos anos, nas atividadescostumeiramente realizadas nos finais de semana, nastradições familiares escolhidas, bem como nas obstinaçõesdesenvolvidas ao longo da vida. Tais polarizações acabampor conduzir a vida da pessoa para finalidades específicas,o que só é perceptível após alguns anos. Muitas vezes,pelo envolvimento intenso numa atividade remunerada,aliado à constante permanência num mesmo meio profis-sional, inclusive na participação de lazer típico do gruposocial correspondente, consolida-se uma polarização navida, limitando-a. Neste caso, de limitação à convivênciaexclusiva ao ambiente profissional, a busca por atividadesmúltiplas, bem como o envolvimento em eventos sociaisligados ao seu meio residencial, tornará menos restrita avida do indivíduo. Na realidade, as polarizações são o conjunto dasatividades totais da vida material, de acordo com as inten-sidades com que são vividas. Representam o gosto e aspreferências que o indivíduo adota em sua encarnação,no que diz respeito às atividades cotidianas. A percepção da polarização típica da vida de umapessoa, primeiramente pode ser observada no seu lazer, 59
  59. 59. adenáuer novaesisto é, em como gosta de obter o prazer nas suas horaslivres. Há lazeres que são feitos isoladamente e outros emgrupo. Os que são feitos isoladamente denotam introver-são; os realizados em grupo, extroversão, que podem con-tar com grupos de amigos ou com familiares. Há aquelesque despendem energia física e outros em que há apenasesforço intelectual; há aqueles que obrigam o indivíduo agastos vultosos e há outros que são quase de graça; existeo lazer do descanso físico e o lazer de um hobby; há osque realizam seu lazer com a prática de esportes, outrospreferem permanecer em casa, lendo. Quando o lazer setorna a única via de representação da vida de uma pessoae sua razão de ela ter acontecido, pode-se encontrar maisfacilmente, por esta escolha, seu mito pessoal. Conheciuma pessoa que dedicou seus momentos de lazer à práticade fazer miniaturas de aviões. Isso se deu a partir de seusquinze anos. Isso não o impediu de estudar nem de traba-lhar. Constituiu família e sempre foi um bom vizinho. Apósos trinta anos, já havia reservado em sua casa um cômodopara sua oficina de “aviões”. Era evidente que ele queriaser livre, comandar sua própria vida, pilotar sua liberdade.Algo dentro dele exigia sua liberdade, levando-o àqueladedicação cada vez maior. O trabalho, exercitando uma profissão, é uma neces-sidade de todo espírito. Ao mesmo tempo em que viveexperiências significativas na vida, o ser humano contribuipara o desenvolvimento da sociedade, através do exercíciode uma profissão. Uma vida com ênfase demasiada notrabalho poderá enviesar seu sentido. A mente excessi-vamente voltada ao trabalho poderá estar a serviço de algo,oculto ou manifesto nesta personalidade, que deve serdescoberto para não atuar em seu próprio prejuízo. Quan-do isso se dá por momentânea necessidade de ascensãosocial ou para o equilíbrio financeiro do indivíduo, numpequeno espaço de tempo, nem sempre haverá prejuízopsíquico. Em algumas pessoas, o exercício de uma única60

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