Conhecendo o espiritismo

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Conhecendo o espiritismo

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  4. 4. 1ª EdiçãoDo 1º ao 3º milheiroCapa de José Luiz CecheleroRevisão: Hugo Pinto HomemCopyright ©1998 byFundação Lar HarmoniaRua da Fazenda, nº 13, Piatã41.650-020livros@larharmonia.org.br(71) 286-7796Impresso no BrasilPresita en BraziloISBN: 85-86492-04-3Todo o produto desta obra é destinado à manutenção dasobras da Fundação Lar Harmonia
  5. 5. Adenáuer Marcos Ferraz de Novaes Conhecendo o Espiritismo FUNDAÇÃO LAR HARMONIA C.G.C. (MF) 00.405.171/0001-09 Rua da Fazenda, nº 13, Piatã41.650-020- Salvador - Bahia - Brasil 1998
  6. 6. CIP - Brasil. Catalogação na PublicaçãoCâmara Brasileira do Livro, SP.Novaes, Adenáuer Marcos Ferraz deConhecendo o EspiritismoSalvador: Fundação Lar Harmonia, 1998166p.1. Espiritismo. I. Novaes, Adenáuer Marcos Ferraz de,1955. - II. Título.CDU -CDD – 139.9Índice para catálogo sistemático:1. Espiritismo 139.9
  7. 7. “O Espiritismo anda no ar.” Allan Kardec A Allan Kardec, mestre nas artes do espírito, antropólogo da alma e amante da verdade. Às crianças da Fundação Lar Harmonia, motivo destetrabalho.
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  9. 9. ÍndiceConhecendo o Espiritismo 11O que é o Espiritismo 17Deus 25Espíritos 31Evolução 39Libertação do Espírito 45Reencarnação e ciência 51Reencarnação como processo educativo 59Reencarnação: planejamento e processamento 65Vida espiritual 71Mediunidade 77Médiuns 85Obsessão 91Desobsessão 97As leis de Deus 103Trabalho e Progresso 109Liberdade e Igualdade na Sociedade 115Natureza, conservação e destruição – Ecologia121Família 127Energia sexual 133
  10. 10. Uma sociedade espírita e uma instituiçãoespírita 139Bibliografia 145
  11. 11. Conhecendo o Espiritismo Este trabalho contém aspectos introdutórios aoconhecimento do Espiritismo e é dirigido àqueles quedesejam iniciar-se em seu estudo e na sua prática pessoal deviver. Diferente de obras clássicas, pela linguagem simplese direta, sem pretensões maiores, salvo a de levar o leitor àcompreensão dos princípios básicos do saber espírita,propõe-se também a permitir uma visão funcional eutilitária de seus princípios. A busca de um conhecimento mais abrangente, develevar o leitor ao estudo das obras de Allan Kardec,principalmente O Livro dos Espíritos, cuja leitura tornar-se-á imprescindível para o real conhecimento do Espiritismo.Relacionamos ao final uma bibliografia para cada um doscapítulos a fim de possibilitar ao leitor a complementaçãodo estudo do Espiritismo. Por muito tempo preocuparam-se os pioneiros doEspiritismo em provar suas teses com argumentosirretorquíveis, lógicos e coerentes, colocando-o, comsucesso, no rol das ciências da alma. Hoje, com suacompreensão popular, alcançando elevada aceitação, exige-se um novo passo na direção de alicerçar-se a prática e a
  12. 12. vivência daqueles postulados teóricos, sem que se abandonea demonstração dos princípios básicos. Com isso querodizer que os princípios espíritas devem levar seu praticantea resultados práticos imediatos. Ser espírita deve levar oindivíduo a um estado de compreensão da vida que o tornerelativamente feliz consigo mesmo e com seu semelhante. O desenvolvimento da psicologia, os novosentendimentos sobre o comportamento humano e asincursões científicas no aspecto espiritual da vida requeremestudos mais profundos sobre as interações entre os camposespiritual e social. Coerente com o conhecimento espírita,que amplia a visão estreita do corpo físico e seu meioambiente, estimulada por muitos séculos de obscurantismo,faz-se necessária uma nova postura diante dessa percepçãocosmológica da vida. O Espiritismo possibilita um novoolhar do homem e da realidade à sua volta. Não se devepensar que o estabelecimento de seus limites se dá com aaceitação de seus princípios. Enquanto se divulgam as suasverdades, investe-se em suas implicações práticas. Estamos longe de alcançar a verdade sobre as coisas epenetrar-lhes a essência divina, isso não quer dizer que jáestamos no limite do saber. Não podemos limitar-nos arepetir conceitos que, face à própria evolução, necessitamde detalhamento e desenvolvimento adequados. OEspiritismo é uma doutrina evolutiva, a qual se desenvolvecom a própria humanidade. É um saber que se consolida namedida que surgem novas capacidades humanas, e estastêm-se ampliado pela força das coisas, isto é, pela própriaevolução natural, e pelos eventos humanos. É chegado omomento de nos ocuparmos de detalhar aqueles princípios. Os séculos de cristianismo foram importantes paraalicerçar na humanidade conceitos de moral e princípios de
  13. 13. convivência social que creditaram valores fundamentaispara que o homem entrasse em contato com o espiritual. Atarefa agora é preparar a constituição dos princípios deconvivência que levem em consideração a naturezaespiritual do homem e da própria sociedade. Princípioscomo a imortalidade da alma e a evolução espiritual, queantes eram entendidos como tendo alcance exclusivamenteapós a morte, passam a ter importância para o momento emque se vive. É-se imortal agora, e não apenas depois damorte. É um estado que deve ser conscientizado nos atospresentes, para o momento presente, e não apenas para ofuturo. A existência de Deus, antes um corolário religioso,passa a significar, além de importante âncora psíquica parao permanente diálogo interno, a necessidade decompreensão de um objetivo maior de trabalho em favor davida e do universo. Enquanto as ciências humanas estudam apersonalidade considerando-a na sua integridade encarnada,o Espiritismo a estuda na sua inteireza espiritual, quecompreende aquela, fornecendo subsídios à vivência nocorpo e à compreensão do sentido da existência. Não é demais recapitular os primórdios doEspiritismo e como ele surgiu do ponto de vista doutrinárioe histórico. Sua trajetória, enquanto saber, inscreve-se numaépoca de intensas descobertas e de percepçõesrevolucionárias que marcaram as ciências e as geraçõesfuturas. O momento histórico de seu surgimento tornou-ouma ciência de observação, uma filosofia de conseqüênciaspráticas e, sobretudo, um paradigma cognitivo quemodificou a visão do homem sobre si mesmo e sobre omundo.
  14. 14. A fé, tão importante para a compreensão dosprincípios divinos, premiada pela necessidade da razão,recebe agora o contributo do sentimento. No Espiritismo, afé, além de ser raciocinada deve ser sentida, introjetada nasraízes emocionais do ser humano. Vivemos sob o primadodo espírito que se ergue em mais um pilar, o da emoção,que o eleva para além das exigências do racionalismocontemporâneo. A fé cega, da era medieval, deu lugar à féraciocinada no período racionalista, que é sucedida pela févinculada às emoções superiores do espírito. Distanciar o homem de suas raízes significaestagnação e acomodamento. O crescimento na direção dapercepção do espírito é possível graças à integração deelementos transcendentes e vinculados ao amor e a umaprática de vida que torne o homem feliz. Os princípiosbásicos espíritas devem levar aos princípios gerais defelicidade, no que diz respeito ao aperfeiçoamento físico,intelectual, social e espiritual. Se eles se encontramdistantes, sem uma ligação imediata (nem imediatista), éporque satisfazem apenas às exigências do intelecto. Lembrando a trajetória do Cristo, na defesaintransigente de suas idéias, impondo-se pela sua próprianatureza transcendente, afirmamos que o Espiritismo seimpõe pela força das coisas e da evolução da humanidade.No desenvolvimento de suas fases, pode-se notar aexistência de processos, sendo o primeiro o de consolidarseus princípios doutrinários, delinear seus pontosprincipais, estabelecer sua base teórica e buscarcomprovação experimental. Essa fase, embora concluídapor Allan Kardec nos seus poucos anos de profícuo trabalhoem consolidar o Espiritismo, ainda necessita de constanteatenção e continuidade. Outros processos, no entanto,
  15. 15. requerem a mesma atenção e determinação por parte dosespíritos e dos espíritas. Refiro-me em particular aotrabalho de verificação da eficácia na aplicação dosprincípios espíritas na vida dos próprios espíritas. Os objetivos do Espiritismo visam alcançar atransformação social, mas passam pelo estado de felicidadeque deve ser conseguido naquele que vive segundo seusprincípios. Se eles servem para o todo, necessariamentedevem servir para a parte. O espírita deve ser alguém nãosó muito consciente e adaptado às adversidades da vida,inclusive superando-as, como também um modelo vivo daeficácia de sua crença. Dizer-se espírita não basta,necessário é tornar-se espírita, o que lhe exigirá aconscientização daqueles princípios e não apenas oconhecimento deles. É preciso estar-se atento ao seu processo pessoal, istoé, ao que ocorre consigo próprio, enquanto se proponha oespírita a divulgar o Espiritismo, ou a praticá-lo de qualqueroutra forma. Para evoluir não basta cumprir uma missão nocampo da prática espírita. É preciso crescer como indivíduonas dimensões: familiar, intelectual, emocional, sexual,filial, paternal ou maternal, profissional, afetiva, relacional,religiosa, política, etc. Por esses motivos optamos empublicar esse trabalho a fim de orientar o leitor quanto aoestudo da Doutrina Espírita. Durante muitos anos realizamos um Curso Básico deEspiritismo, o qual se espalhou por várias instituições doMovimento Espírita da Bahia, em que utilizamos umprograma de estudos sintetizado neste trabalho. Para chegara essa síntese contei com a ajuda dos amigos Élzio, Hugo,Vasco, Sílzen, Ray e Ana Dórea, aos quais agradeçosinceramente pela ajuda providencial.
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  17. 17. 1. O que é o Espiritismo O Espiritismo é uma doutrina que trata da origem enatureza dos Espíritos e de suas relações com o mundomaterial. Seu foco básico é a natureza espiritual do homem.É um conhecimento a respeito do espírito, que parte daessência espiritual para explicar a existência material. OEspiritismo foi sistematizado a partir de 18 de abril de1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, numaépoca de grandes transformações sociais, filosóficas epolíticas. Desenvolveu-se em paralelo ao surgimento dasciências, e em meio aos novos estudos da mente, quedespontavam à época, em decorrência do desenvolvimentodo magnetismo, do hipnotismo e do próprio Espiritismo quese estudava antes da publicação do livro. O século XIX foi pródigo em grandes descobertas eno surgimento de novas idéias para a humanidade nos maisdiversos campos da ciência, da filosofia, da moral e dasartes. Trouxe ao homem conhecimentos significativosacerca de sua origem, de sua constituição e dofuncionamento de seu corpo. Muitas das realizações doséculo XX se deveram ao surgimento de idéias e aotrabalho desenvolvido no século anterior.
  18. 18. À época do surgimento do Espiritismo, meados doséculo XIX, o mundo vivia sob a onda renovadora, emboraainda incipientes, do Positivismo, do Socialismo Científico
  19. 19. e do Marxista, das idéias revolucionárias do Evolucionismo
  20. 20. acontece com o lançamento doManifesto Comunista, em 1848, em Bruxelas, por Marx eseu amigo Engels, trazia idéias materialistas que, de umlado, aproximavam-se das lutas pelas liberdades dostrabalhadores, do outro, distanciavam-se do conceito dereligião dogmática, declarando-a “ópio do povo”.Procurando explicar a história universal como a história daluta de classes, permitia que se visualizasse uma origem dahumanidade cada vez mais distanciada da estabelecida pelainterpretação do Gênesis da Bíblia. O Evolucionismo de Charles Darwin surgiu a partirde idéias que floresciam desde o século XVIII sobre aevolução, segundo as quais as espécies animais formamuma escala contínua e não teriam sido criadas ao mesmotempo. Darwin notou que, entre as espécies extintas e asatuais, existiam traços comuns, embora bastantediferenciados. Tais observações levaram-no a supor que osseres vivos não eram imutáveis, mas, sim, oriundos decriações distintas, mas que descendiam uns dos outros,segundo uma complexidade crescente. Essas idéias, embora ainda embrionárias, cada uma deforma específica, contribuíram para a formação de umalicerce teórico na implantação de uma doutrinafundamentada em fatos explicados à luz da razão. A fé cegae dogmática estava sendo m inada por aquelas teorias, dandolugar a uma explicação racional dos fenômenos tidos, atéentão, como sobrenaturais. A humanidade, que vivera sob o obscurantismomedieval, que perdurara até o século XVIII, alcançou, noséculo XIX, sua maioridade. A religião dogmática cedialugar ao conhecimento firmado na razão e nas ciências parao entendimento do espiritual sem limites estabelecidos.
  21. 21. À mesma época do lançamento do manifestocomunista e da efervescência das idéias positivistas eevolucionistas, os espíritos intensificaram suasmanifestações. Na cidade de Hydesville, no Estado de NewYork, nos Estados Unidos, um espírito que se denominouCharles Rosma, consegue, através de batidas nas paredes,comunicar-se com duas garotas, as irmãs Fox, assombrandoo mundo com a clareza de seu depoimento, dando provas dacontinuidade da vida após a morte. A essa altura osespíritos, que assim se denominaram, utilizando-se demesas e outros objetos, manifestavam-se nos salõesparisienses através de fenômenos conhecidos com o nomede Mesas Girantes. Nessa época, as experiências com magnetização eramcomuns e atraíam o interesse dos homens de ciência,principalmente em Paris. Dentre eles um professor, cujaexperiência em educação foi adquirida com Pestalozzi. Esseprofessor era Hippolyte Léon Denizard Rivail,cognominado Allan Kardec, nascido a 3 de outubro de1804, em Lion, França, filho de um juiz de direito, estudouem Yverdoon, na Suíça e seguiu, quando de seu retorno àFrança, a carreira do magistério, divulgando o método dePestalozzi, seu educador, com quem colaborou. Fundou edirigiu uma escola e dedicou-se à tradução de obras doalemão e do inglês. Escreveu seu primeiro livro, aos 19anos, sobre aritmética e, mais tarde, outro sobre gramáticafrancesa. Dedicou parte de seu tempo ao estudo e à práticado magnetismo. Casou-se aos 27 anos com a escritora eprofessora Amélie-Gabrielle Boudet, sua colaboradora naescola. Em fins de 1854, o Sr. Fortier, magnetizador comquem Rivail mantinha relações, falou-lhe a respeito dasmesas que giravam e “falavam”. Em 1855 foi convidado a
  22. 22. assistir as reuniões onde ocorriam os fenômenos das mesasgirantes. Em princípio, ao presenciar os fenômenos,duvidou de suas causas, mas os fatos observados, a partir deentão, o fizeram perceber que algo sério estava por detrásdaqueles fenômenos. Após sistemáticas observações, e a partir dediferentes informações, vindas dos mais diversos gruposexperimentais, fez estudos e levantou questões àqueles quese declararam espíritos, responsáveis pela produção dosfenômenos. Publicou o resultado de suas pesquisas, em 18 deAbril de 1857, com o título “O Livro dos Espíritos”, sob opseudônimo de Allan Kardec, com o intuito de nãoconfundir a autoria. O professor Rivail, ao publicá-lousando o pseudônimo, abdicou não só da autoria dosensinos como também iniciava um novo ciclo de atividades. Os livros escritos sob o pseudônimo de Allan Kardecforam resultantes de exaustivas pesquisas e experimentosdiversos, visando a universalidade do ensino dos Espíritos,evitando-se comunicações oriundas de um único médium ede um único Espírito. O Livro dos Espíritos foi, dentre os livros espíritaseditados, o primeiro cujo conteúdo trouxe a síntese doconhecimento espírita. É a obra básica do Espiritismocontendo os princípios de uma filosofia espiritualista, sobrea imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suasrelações com os homens, as leis morais, a vida presente, avida futura e o porvir da Humanidade - segundo os ensinosdados por espíritos superiores com o concurso de diversosmédiuns - recebidos e coordenados por Allan Kardec. Nãoé obra de um homem, mas de vários espíritos
  23. 23. desencarnados que inauguraram uma nova era nahumanidade, a Era do Espírito. Em 1861, Allan Kardec publicou O Livro dosMédiuns contendo a parte experimental do Espiritismo. Éum guia para os médiuns e evocadores e contém o ensinoespecial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros demanifestações, os meios de comunicação com o mundoinvisível, o desenvolvimento da mediunidade, asdificuldades e os tropeços que se podem encontrar naprática do Espiritismo. O livro constituiu-se no seguimentode O Livro dos Espíritos. Em 1864, Allan Kardec publicou O EvangelhoSegundo o Espiritismo, com a explicação das máximasmorais do Cristo de acordo com o Espiritismo e suasaplicações às diversas circunstâncias da vida. Nessetrabalho ele reuniu os artigos do Evangelho cristão quepodem compor um código de moral universal, semdistinção de culto. É a parte moral do ensino dos espíritos. Em 1865, Allan Kardec publicou O Céu e o Inferno,fazendo uma análise da Justiça Divina segundo oEspiritismo. Ele faz um exame comparado das doutrinassobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobreas penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos edemônios, sobre as penas, etc., seguido de numerososexemplos acerca da situação real da alma durante e depoisda morte. Em 1868, Allan Kardec publicou A Gênese, queexplica os milagres e as predições de Jesus segundo oEspiritismo. Traz uma análise, à luz da ciência da época,das origens do Universo e da Terra.
  24. 24. Embora tenha publicado outras obras (O que é oEspiritismo, Revista Espírita, etc.), estas são as principais ese constituem no ABC do Espiritismo. São princípios básicos do Espiritismo: 1. A existência de Deus como Causa Primeira detodas as coisas, único e imaterial, sem a visãoantropomórfica característica das religiões dogmáticas; 2. A existência dos espíritos como seres imateriais eimortais, que conservam a individualidade após a morte docorpo físico; 3. A evolução dos espíritos, sem cessar, na direção daperfeição divina, único determinismo na vida; 4. A reencarnação como mecanismo fundamentalpara a evolução dos Espíritos, em cujo processo se revela aJustiça Divina, que os educa para a compreensão das Leisde Deus; 5. A mediunidade como meio natural de comunicaçãocom os espíritos desencarnados e como faculdade natural,inerente a todos os seres humanos; 6. A moral cristã como código de ética espírita, sobrea qual se apoia a conduta do verdadeiro espírita; 7. A pluralidade dos mundos habitados e não apenas aTerra, isto é, o universo infinito é plenamente ocupado. O Espiritismo penetra em quesitos fundamentais doconhecimento humano. Aborda questões morais,filosóficas, científicas e religiosas, daí porque dizer-se queé ciência, filosofia e religião. É Ciência porque, tendométodo e objeto próprio utiliza-se da observação eexperimentação na busca de seu próprio desenvolvimento.É Filosofia porque responde as questões básicas doconhecimento humano. Estuda as origens do homem, deonde ele surgiu, para onde vai e quem é ele. É Religião,
  25. 25. mesmo sem ter sacerdócio organizado nem culto e rituais, ebusca integrar o ser humano a Deus. O Espiritismo é então o ponto de encontro dessesconhecimentos. É a chave e o código que introduz o homemna compreensão de sua verdadeira natureza. O Espiritismo difere das doutrinas mediúnicas porutilizar-se do fenômeno como meio de aprendizagem eevolução. A prática da mediunidade não é sua espinhadorsal, mas uma estrada por onde ele busca a verdade.Praticar a mediunidade não torna ninguém espírita. Além daaceitação de seus princípios básicos, o espírita se identificapelos esforços que faz para melhorar-se. O Espiritismo é a síntese do pensamento dahumanidade, é fruto do trabalho dos espíritos e progridecom a evolução da humanidade. Allan Kardec foi ocodificador do Espiritismo. Não é idéia de um só homemnem de um grupo, é mais do que um fenômeno cultural,pois nasce, como todo saber, da evolução da humanidade. O Espiritismo surge para levar o homem à felicidade,por intermédio da sabedoria e do amor, demonstrando-lhe aimortalidade da alma, sua evolução e seu papel na vida.Vem mostrar que o egoísmo e o orgulho são as chagas dahumanidade, que a prendem ao materialismo, tirando-lhe aesperança no futuro e a alegria em viver.
  26. 26. 2. Deus Deus é a causa primeira de todas as coisas. Tudo oque existe é Sua criação. Não há nada criado fora d’Ele. O homem compreende Deus pelas Suas obras. Naharmonia e na coerência das obras da Criação é que ohomem encontra as provas de Sua existência. A história da humanidade demonstra a percepçãoevolutiva que o homem teve a respeito de Deus. A idéia deDeus no homem é-lhe inata. Na primitiva caverna, ele seescondia do trovão considerando-o um deus. Os fenômenosda natureza, cuja explicação faltava-lhe, eram tidos comodeuses, ou como sua manifestação de satisfação, ouinsatisfação. Quando ele conseguia explicar tais fenômenos,como oriundos de causas naturais, modificava suainterpretação e seu conceito de Deus. Desses fenômenos,ele passou a fabricar imagens e cultuá-las. Das imagens, elecomeçou a reverenciar pessoas como sendo o próprio Deus.Fez dessa forma com Cristo e com outros mestres que sededicaram à tarefa de ensinar o que já compreendiam dasleis de Deus. A crença em Deus foi influenciada pelo culto aosantepassados e pela idéia do sobrenatural. As manifestações
  27. 27. dos “espíritos da natureza” fizeram parte da constituição daconcepção de Deus. A forma como os homens cultuavamseus “mortos” interfere em sua crença Nele. A maioria das religiões surge por intermédio derevelações, muitas vezes atribuídas diretamente a Deus,porém trazidas por espíritos que, em se comunicando comos homens de forma por estes desconhecida, são tomadoscomo sendo Ele, face à ignorância das crenças populares.Pode-se dizer, por esse motivo, que muitas religiõestiveram origens mediúnicas. De alguma forma a crença nasobrevivência da alma levou o homem a constituir suasreligiões. Como as crenças estão disseminadas nahumanidade, o homem criou diversas religiões populares,de acordo com sua cultura e com as épocas. O medo e a curiosidade em desvendar os fenômenosda natureza fizeram com que os homens acreditassem nosdeuses e em outras divindades características do momentohistórico e da localidade em que viviam. Houve fases da humanidade em que o homem viveu alitolatria (culto à pedra, a imagens, ao totemismo), oantropomorfismo (culto ao homem como se fosse Deus,atribuição de características humanas a Deus), o politeísmo(crença em vários deuses, dando surgimento à mitologia), acrença no Deus único (exclusividade de um deus particulare de acordo com suas necessidades), Deus Criador (Deuscomo gerador do mundo), Deus Pai (Deus como protetordos homens), Deus Arquiteto (Deus como construtor domundo), etc. Cada uma dessas concepções está relacionadacom a evolução psíquica do homem e com suacompreensão de si mesmo. Quanto mais evoluído oespírito, melhor ele compreende Deus
  28. 28. Contrário a essas fases e independente delas, ohomem também aproximou-se da negação da existência deDeus, afirmando-se materialista. O materialismo é a crençana matéria como origem e fim de tudo que existe. Omaterialista é alguém que não acredita em nada que delanão se origine. Para ele, não existe realidade espiritual ouqualquer fenômeno de natureza subjetiva. O materialismosignifica a crença em um vazio absoluto após a morte,sendo, por isso uma doutrina nihilista. Nada existe no corpoa não ser a própria matéria. Não há vida após a morte. Avida material é a única que existe. Para o materialista, viverno corpo é tudo que lhe resta, o que pode levar a uma vidasem uma ética, pois que, não havendo nada além dela,nenhuma conseqüência terão seus atos. A sociedade setornaria primitiva e extremamente dilapidadora daindividualidade e da moral, levando o homem à idade dapedra onde vigoraria a lei do mais forte e do maisaquinhoado. Diferente do materialismo, o espiritualismo admite aexistência de alguma coisa além da matéria. Há algo quesobrevive à morte do corpo. Esse algo é a alma ou espírito.O corpo é um instrumento para que o espírito possa viverno mundo material. O espiritualismo não alcança a vidaespiritual tão amiúde como o espiritismo o faz. Éespiritualista quem acredite que além da matéria há algo detranscendente a ela. Ser espiritualista não quer dizer serespírita. As grandes religiões da humanidade sãoespiritualistas. Algumas acreditam na pré-existência daalma, outras não. O espiritualismo leva a uma e sperança noporvir. O aspecto moral passa a ter importância para asituação do ser após a morte. O espiritualismo supera omaterialismo por que aponta para um destino estruturante e
  29. 29. esperançoso para o homem. Ele assim pode entrever novaspossibilidades de alcançar sua felicidade. Não se fixa numfatalismo destrutivo e angustiante. Ao se questionar sobre Deus, sobre a origem doUniverso e sobre a Vida, o homem percebeu que Suaexistência é necessária, pois que não consegue explicar aorigem de tudo que existe sem Ele. Necessariamente eleentão buscou uma causa primeira. A essa causa primeira,abstrata em sua essência, ele chamou de Deus. A idéia deDeus é necessária para o homem compreender a sua próprianatureza. O homem por si só não se auto-explica. A idéia de Deus é inata no homem. É como se Deuspusesse sua “marca” na criatura. Não seria possível serdiferente. Mesmo os que dizem não acreditar em Deus têma consciência de Sua existência. A não crença em Deus,muitas vezes, é conseqüência de um deus antropomórficoque foi “desenhado” pelas religiões dogmáticas. Esse deusestá, aos poucos, morrendo, dando lugar ao Deus único,nascido da consciência do ser que se percebeu espírito, emprocesso de evolução. Como explicar a existência do Universo? Comoexplicar a harmonia entre os globos, sóis e mundos noinfinito? Decerto que não foi obra do homem. Há um serque criou tudo. Se formos buscar aquilo que criou tudo oque existe, chegaremos a um primeiro ser. A esse primeiroser chamaremos de Deus. Ele poderá ser e ntendido como oprimeiro motor. O motor imóvel, a que se referiaAristóteles. O conceito de Deus está intimamente ligado aoconceito de Bem e de Mal. Os aspectos morais da crençaem Deus surgem desde seus primórdios, quando o homemrelacionava seus infortúnios e suas alegrias às
  30. 30. manifestações “sobrenaturais” da natureza. O medo docastigo, o receio das punições, as recompensas desejadas,foram responsáveis pela introdução daquele aspecto nacrença em Deus. O reconhecimento da criação, a percepçãoda beleza na natureza, a percepção do amor e da harmonia,também contribuíram para acreditar-se em Deus comosendo o Amor, como contraposição ao que se recebia danatureza, considerada agressiva. A sombra do homem, quesignifica seu desconhecimento de sua personalidade e anegação do que é considerado mal como inerente a simesmo, o que, em última análise, é o desconhecimento dasLeis de Deus, levou-o a criar o conceito de mal. O mal é aausência do bem. É uma criação abstrata, não temexistência real. É apenas a impossibilidade de enxergar-se obem. Ambos os conceitos são importantes para o homemencontrar a verdadeira essência das coisas. Deus criou os seres para evoluírem e alcançarem aperfeição, a qual é o perfeito conhecimento de Suas leis.Quando o homem conhecer e praticar as leis de Deus, estarálivre da influência do mal. O mecanismo que liga o homemao criador é a oração, a prece. Com a prece, nascida daessência do homem, ele se eleva ao criador. A oração é umaforma de se elevar o pensamento e de se conectar aoespiritual. A oração alivia, acalma e cura. Seu poder seestende além da crença, tendo influência no estado físico,psicológico e espiritual de quem a utiliza. A fé é um elemento importante, porém não essencial,para a compreensão da existência de Deus. O significado dese ter fé, transcende à crença cega em algo dogmaticamenteestabelecido. No Espiritismo a fé exige raciocínio, emoção,discernimento e lógica para a consciência da existência deDeus se estabelecer. A fé em Deus significa a compreensão
  31. 31. lógica e sentida de Sua existência. No Espiritismo a fé éraciocinada em bases lógicas, claras e emocionais. A fé e a oração colocam o homem em contato comDeus, estabelecendo, de acordo com a forma e o conteúdo,uma relação de submissão ou identidade. A submissão vemda atitude petitória e louvatória e a identidade de umatentativa de identificação com os objetivos divinos. A idéia de Deus, no Espiritismo, é completamentedestituída de antropomorfismo, sendo o Universoconseqüência de Sua vontade. O Bem é visto comofinalidade última, manifestada na harmonia e se apresentaem diferentes níveis de compreensão. O homem, que emsua essência é o espírito, juntamente com as Leisuniversais, é a Criação de Deus.
  32. 32. 3. Espíritos O espírito constitui-se num resultante da evolução doprincípio espiritual após sucessivas existências em contatocom a matéria bruta, com organismos vegetais e com acomplexidade dos corpos animais. Difere do princípiomaterial não só pela inteligência como também pelacapacidade de assimilar as leis de Deus desenvolvendo-senelas. Quando o princípio espiritual atinge a capacidade deutilizar um corpo humano, ele é denominado espírito.Portanto a criação dos espíritos remonta à criação doprincípio espiritual que se origina de Deus. O surgimentode novos espíritos é conseqüência natural da evolução doprincípio espiritual e se dá constantemente. O homem possui natureza tríplice, sendo ele oencontro do corpo físico, do perispírito e do espírito. Essaconstituição o coloca em condições de viver a vida materiale a espiritual simultaneamente. O corpo físico é o veículode manifestação do espírito na realidade material. Operispírito é um organismo de ligação entre a vibração damatéria e a natureza transcendente do espírito.
  33. 33. Em que pese a crença nos espíritos ser antiga, aconfirmação científica de sua existência é ainda algo postosob dúvidas, sendo aceita pelas religiões e alguns sistemasfilosóficos. Ainda não é do domínio da ciência, nem mesmocomo seu objeto de estudo. Mas o fato que mais marcou a história do Espiritismoantes de Allan Kardec, foi o surgimento dos fenômenos deHydesville, nos Estados Unidos, em março de 1848.Naquele condado do Estado de New York, na casa dafamília Fox, numa noite de verão, no quarto das filhas docasal, pancadas nas paredes foram ouvidas buscando umtipo de comunicação. As meninas Katherine e Margaretta,de nove e doze anos, resolveram solicitar que quem querque estivesse fazendo aquilo repetisse as batidas que elasfaziam nos seus dedos. Foram prontamente atendidas.Iniciou-se ali um sistema de código entre as meninasjuntamente com seus pais e o espírito, que se denominouCharles Rosma, vendedor ambulante, que antigosmoradores da casa assassinaram, havia cerca de cinco anos,para roubar-lhe dinheiro. Disse que seu corpo estavasepultado no porão. Tempos depois tudo foi investigado econstatada a veracidade. Assim começaram as reuniões espíritas, nas quais, osespíritos, espontaneamente traziam informações dasociedade espiritual bem como de suas ações e motivações.Todos os princípios básicos do Espiritismo foram trazidospor intermédio de comunicações obtidas em reuniões emque os espíritos ditavam mensagens para o esclarecimentodos encarnados. Os espíritos foram criados por Deus, que continuacriando-os sem cessar, simples e ignorantes quanto às Suasleis. Essa criação é de toda a eternidade e ocorre em todo o
  34. 34. Universo. Os espíritos povoam o cosmo e se encontram emmundos espalhados pelo infinito em estágios diferentes, osquais são habitados por eles que se encontram em níveisevolutivos diferentes, porém todos fazendo parte danatureza. Os mundos se comunicam como cidades de ummesmo país. Os espíritos, de acordo com propósitossuperiores, deslocam-se de um mundo a outro a fim decumprirem aprendizados que os capacitem à perfeição. Os espíritos manifestam-se na natureza através doelemento material. Revestem-se de um corpo de matériasutil para operar no mundo material. Esse corpo chama-seespiritual ou perispírito e é seu veículo de manifestação nomundo físico, sendo-lhe importante no seu processo deevolução. Sua manifestação decorre da existência desseperispírito, que lhe permite transitar de um mundo a outro einfluenciar a matéria. O perispírito é um organismosemimaterial e se presta à ligação entre a matéria e oespírito, sendo veículo importante nas manifestaçõesmediúnicas. É pelas suas propriedades semimateriais que seprocessam as comunicações mediúnicas, bem como a gamade fenômenos anímicos denominados paranormais ouparapsicológicos. Sua matéria constitutiva é sutil eimpressionável pelo pensamento, não sendo ainda possíveldetectá-la pelos modernos aparelhos eletrônicos, por maissofisticados que sejam. Os órgãos do perispírito são chamados de chakras ecorrespondem aos plexos do corpo físico. Os chakras sãocentros de força que comandam a atividade do perispírito.O perispírito se liga ao corpo físico molécula a molécula,enraizando-se na corrente sangüínea e nervosa, participandodessa forma de todas as sensações. O perispírito t mbém a
  35. 35. possui camadas denominadas de corpos, que se prestam aprocessos distintos. Há, no perispírito, a parte relativa aocorpo astral da qual se utiliza o espírito quando desencarna;há o corpo vital, que lhe serve de manutenção da atividadevital do corpo físico; há a parte mental, que lhe comanda osprocessos ligados à memória e outras atividades psíquicas;há o corpo causal que registra os processos cármicos; ocorpo emocional, sede das emoções, etc. No perispírito ficam gravadas as experiências que oespírito vai tendo durante suas sucessivas existências emcorpos físicos. O corpo físico registra a experiência, operispírito grava e a codifica passando ao espírito que aassimila de acordo com a lei de Deus que lhe corresponde.Os espíritos moldam o perispírito de acordo com seupensamento. No perispírito ficam gravadas as herançascármicas. Quando o espírito retorna a uma nova existência,essa gravação será responsável pelas alterações no corpofísico, resultando nos processos educativos a que tenha queatravessar. Os espíritos se organizam no mundo espiritual deacordo com seus níveis evolutivos e por afinidades depropósitos. À medida que evoluem mudam de situação e seagrupam com aqueles que estão em sua faixa de evolução.Após a morte a evolução continua, não havendo nenhumaespera para julgamentos nem estação de repouso definitivoou sofrimento eterno. A sociedade espiritual evolui,podendo o espírito viver tanto em várias regiões do mundoespiritual quanto em mundos diversos. O universo éhabitável em toda a sua infinita extensão. Quando o espíritojá aprendeu o suficiente num mundo, ele passa a um outroque lhe possa mostrar outra lei de Deus que ele ainda nãoconhece. A evolução nunca cessa.
  36. 36. Os espíritos, vinculados àqueles que deixou nomundo material, costumam lhes aparecer a fim de provar-lhes a continuidade de sua existência. São comuns asaparições de pessoas recém falecidas junto a parentes com afinalidade de se despedirem deles. Essas aparições muitasvezes provocam medo e são atribuídas a forças demoníacas.Nada mais são do que testemunhos da continuidade da vidaapós a morte. A morte do corpo provoca a desencarnaçãodo espírito. Morte e desencarnação se referem a sujeitosdistintos. A morte diz respeito ao corpo físico, e adesencarnação refere-se à saída do espírito. Com a morte, operispírito se separa do corpo a fim de viver sua verdadeiravida, a espiritual. Alguns espíritos, pela sua natureza, não só seapresentam como também se materializam, tornando-setangíveis. Utilizando-se dos fluidos (energias) especiaisconseguem se mostrar de forma inequívoca, provando suaindividualidade e imortalidade. Através de mensagens faladas, escritas e pela visão dealguns médiuns, trazem mensagens ricas de identificações ede detalhes comprováveis de sua veracidade. Às vezes,produzem escrita direta, sem que para isso haja qualquerinterferência de encarnados. Simplesmente uma página,antes em branco e dobrada sob uma peça ou dentro de umagaveta, aparece escrita. À época do surgimento do Espiritismo estavam emmoda na Europa as reuniões para se assistir às famosasmesas girantes. Salões ficavam repletos para se levarperguntas às pequenas mesas de três pés, a rodarem sobre oalfabeto para que se anotassem as respostas. Muitascoerentes, outras incompreensíveis, tanto perguntas quantorespostas.
  37. 37. Muitos cientistas e estudiosos de várias áreas sededicaram a investigar as teses espíritas com relativosucesso. Dentre eles Franz Anton Mesmer (1776), com osestudos sobre magnetismo, William Crookes (1872), comseus estudos sobre materializações de espíritos, e CharlesRichet (1922), com seu Tratado de Metapsíquica. Outros,não citados, negaram, sem contudo apresentar explicaçõesconvincentes, detendo-se apenas na procura de fraudes. Aentrada, porém, dos princípios espíritas como objeto deinvestigação científica se deu com os trabalhos de JosephBanks Rhine (1930) da Universidade de Duke, na Carolinado Norte e de Ian Stevenson (1960) da Universidade daVirgínia, ambas dos Estados Unidos. Seus trabalhos, derepercussão internacional e de credibilidade reconhecida,dentre outros, prestaram-se à comprovação dos princípiosespíritas. Os espíritos podem ser classificados em níveisdistintos de acordo com seu grau de evolução,aperfeiçoamento e com suas características depersonalidade. Há aqueles que são sábios e bondosos que secomprazem em fazer o bem, os superiores, os que sãoamigos, os familiares, os levianos, os pseudo-sábios, comotambém há os equivocados e infelizes que ainda buscamprejudicar as pessoas. À exceção dos espíritos puros, de altograu de evolução e que já dispensam o estágio na matéria,todos ainda são imperfeitos. Os espíritos não são seres à parte na criação divina.Nós todos somos espíritos em processo de evolução,sujeitos às mesmas leis do mundo espiritual. Uns no corpofísico, outros fora dele, todos estamos submetidos à lei deDeus. Os espíritos fora do corpo físico constituem-se nonosso futuro após a morte, tanto quanto somos a realidade
  38. 38. deles quando retornam. Os espíritos estão longe de seremiguais, diferindo em elevação, de acordo com o grau deperfeição alcançado.
  39. 39. Página em branco
  40. 40. 4. Evolução Deus, de quem se originou o Universo, criou oEspírito e o Fluido Cósmico Universal, do qual se deriva amatéria. A diferenciação do fluido cósmico universal fazaparecer a energia e consequentemente a matéria. Nada háfora do universo além de espírito e matéria, nas suas maisvariadas manifestações. O homem (espírito) é produtodessa criação, que evoluiu desde os primórdios da Terra atéalcançar a constituição atual, no sentido físico e psíquico.Ele não é criação instantânea, nem tampouco é produtofinal dela, representando o grau máximo atual da evoluçãona Terra. A origem do universo, com suas galáxias, estrelas,planetas, cometas e satélites, perde-se na eternidade, nãosendo possível determinar-lhes a época com precisão. Ofato é que foi criado em dado momento por Deus, sendotempo e espaço conceitos relativos discutíveis. Os estudosatuais a esse respeito revelam que houve uma grandeexplosão responsável pela expansão do universo, que seiniciou há aproximadamente quinze bilhões de anos. Dessaexplosão surgiram conglomerados de estrelas oriundas denebulosas, cujo resfriamento deu origem aos sistemas
  41. 41. planetários. O sistema solar, do qual a Terra faz parte, estáimerso na galáxia que tem o nome de Via Láctea. A criaçãoda Terra se deu pelo resfriamento de uma nebulosa, quegerou o sol e os planetas, há aproximadamente quatrobilhões e meio de anos atrás. A natureza, com toda a sua diversidade emanifestações, é fruto dessa evolução, não sendoconcebíveis criações mágicas e extemporâneas. A terra, osmares, os vegetais, os animais, o corpo humano e demaiselementos da natureza, são frutos da evolução e damanifestação da Vida na Terra. Num período apropriado, Deus criou o princípio vitalna Terra, e a partir de então se deu a expansão da criação.Essa manifestação da Vida era apenas algo diferenciado damatéria, porém sem consciência dessa diferenciação. Algocomo uma espécie de poder vivificador latente à matéria.Essa essência, em contato com a matéria, aos poucos, deacordo com as modificações ambientais que iamtransformando a Terra, estruturava-se a caminho de suaprópria identidade. As eras geológicas se sucederam e, comelas, a essência de vida, que denominamos de princípioespiritual. Esse mesmo princípio, acoplando-se às formasmateriais, foi se estruturando, desenvolvendo-se,apreendendo as leis do universo, numa trajetória constantena direção do divino, tornando-se cada vez m complexo aise buscando formas mais aptas ao seu progresso. Passa pelasexperiências junto à matéria bruta (princípio material),estagia nas formas transitórias entre o mineral e o vegetal,passa pelas espécies vegetais, apreendendo a sensibilidade eos mecanismos da nutrição, atravessa o reino animalalcançando o homem quando, nesse processo contínuo,estrutura a razão ou consciência de si e de Deus.
  42. 42. A extinção de animais em eras remotas e ainexistência de elos perdidos na evolução obedecem aosprincípios do desenvolvimento espiritual objetivado pelocriador da Vida. Cada organismo serve a um propósito. Nãohavendo mais aquele tipo de organismo é por que outromais apto atenderá às novas necessidades do ser emevolução, isto é, um novo organismo atenderá a um novopropósito. Caso haja a extinção sem que um propósito tenhasido atingido, o princípio espiritual irá migrar para ummundo onde possa alcançar aquele propósito aindaincompleto. Dessa forma os diversos reinos da natureza estãoencadeados e consolidados num processo deaperfeiçoamento material e espiritual. Subjacente aoaperfeiçoamento das formas materiais, isto é, dosorganismos, há o desenvolvimento do princípio espiritualque, no estágio humano, é chamado de Espírito. No reino animal, principalmente no humano, apassagem entre formas físicas se dá através dareencarnação. Esse mecanismo consegue explicar aevolução da complexidade do psiquismo humano. A cadanova experiência em contato com o corpo material, oprincípio espiritual vai adquirindo novos conhecimentosque o capacitam a novos desafios em novas formas, nadireção do infinito, cujo objetivo é a perfeição. Nessatrajetória o espírito vai conhecendo e aplicando as leis deDeus, sem as quais torna-se impossível evoluir. O processo de aquisição de experiências numorganismo, que capacita o princípio espiritual a acoplar-seem outros, dá-se através da consolidação de um corpointermediário entre a matéria e o espírito. Esse corpo,denominado perispírito, serve como aparelho de registro
  43. 43. das experiências adquiridas em fases anteriores. Ele é oveículo de manifestação do princípio espiritual, e, maistarde, do Espírito, enquanto fora do corpo material, nosintervalos entre uma existência e outra. Graças a ele, areencarnação processa-se compatibilizando um estágioevolutivo em outro mais adiantado, isto é, mais apto a umnovo aprendizado. Não é possível a um ser que esteja numestágio superior reencarnar em corpo mais atrasado, isto é,menos complexo. Um ser humano não reencarna portantonum corpo de outro animal. Tudo se encadeia no universo, da forma maisprimitiva, da partícula mais rudimentar, ao ser maisevoluído. Tudo evolui na natureza, em direção ao amor deDeus. Tudo está interligado e conectado a Ele. A evoluçãonão dá saltos, é infinita e inexorável. O homem, portanto,evolui a partir de espécimes inferiores que possibilitaram aaquisição de experiências fundamentais à percepção das leisde Deus. Quando, num planeta, cessa a possibilidade daaquisição de experiências para essa percepção, o espíritopassa a reencarnar em mundos mais adiantados,continuando assim sua trajetória evolutiva. Há umaevolução material, que modela novas formas maisadequadas à aquisição das experiências, e uma evoluçãoespiritual que possibilita ao homem alcançar os objetivosdivinos. A evolução tecnológica e científica fez o homemfixar-se mais para fora de si mesmo e envolver-se mais como mundo externo. A evolução espiritual o levará aoencontro consigo mesmo e com Deus. As ciências da alma,em particular a psicologia, têm se dedicado ao estudo docomportamento humano sem contudo penetrar em suaalma. O ser humano é essencialmente espírito, mesmo
  44. 44. revestido de um corpo material, e transcende as explicaçõescausalistas de seus comportamentos. Sua natureza espiritualo coloca em contato com Deus, independente de suascrenças ou das explicações teológicas das religiõesdogmáticas. A evolução espiritual é a única fatalidade que existe.O Espiritismo reconhece o homem, como ser eterno que é,dada sua natureza espiritual, na condição de autor de seudestino e co-autor da evolução social. A evoluçãopossibilitará o encontro sublime e misterioso entre oHomem e Deus, eternamente ansiado por ele e objetivadopor Ele. É o encontro místico e transcendente a que sereferem os grandes mestres e as religiões, desde as maisprimitivas às contemporâneas. O Espiritismo aponta novos rumos evolutivos,propagando a necessidade do homem perceber-se um serem evolução bem como a entender os diversos níveis emque se encontram seus semelhantes. Não só afirma a evolução humana como também secoloca como um conhecimento e um saber evolutivo. Nãocompactua com dogmas nem argumentos calcados emafirmações sem provas. Suas bases se assentam nas leis danatureza, não havendo princípio, que, se contrariado pelosaber humano, permaneça como corroborado peloEspiritismo. Sua autoridade está na própria realidade dosfatos e não na autoridade de pessoas ou livros nos quais asopiniões sejam inamovíveis. Não há autoridade maior queaquela aceita pela consciência e confirmada pelos fatos. Aevolução, há muito percebida, representa a certeza de quena natureza tudo ascende na direção da harmonia e doequilíbrio, em que o parâmetro é o amor.
  45. 45. A evolução humana consiste em adquirir-se oconhecimento das leis de Deus. Evoluir é apreender Suasleis para a felicidade própria e a coletiva.
  46. 46. 5. Libertação do Espírito O espírito, mesmo vinculado ao corpo físico, goza derelativa liberdade face às propriedades de seu perispírito.Não só após a morte, mas principalmente durante o sono, oespírito se liberta do corpo, mantendo-se a ele ligado, parase relacionar com outros em idêntica situação ou comaqueles que já retornaram à vida espiritual. Ao despertar eleterá, por intermédio dos sonhos, vaga lembrança do queocorreu. Há casos em que o espírito se liberta do corpo, nosono ou no estado de vigília, de forma consciente, sendopossível que escolha livremente o que fazer e aonde ir. Essefenômeno é conhecido com o nome de viagem astral oudesdobramento, onde o espírito guarda nítida e vívidaimpressão de quase tudo que lhe ocorreu durante aquelesmomentos que passou em estado alterado de consciência. ABíblia está repleta de casos de desdobramentos em que seusprotagonistas contaram seus encontros com “anjos” e com“Deus”. O sonambulismo é um estado parcial de emancipaçãodo espírito, em que, às vezes, ele consegue, utilizando-se deseu próprio corpo, estabelecer relativa comunicação entre omundo espiritual e o mundo material. Outros estados
  47. 47. característicos de emancipação do espírito ocorrem noscasos de catalepsia, morte aparente e nos comas. Nessesmomentos, os espíritos costumam encontrar-se com outrose registrar as ocorrências que se dão à sua volta. São muitocomuns os relatos de pessoas que permaneceramconscientes quando passaram pelo estado de coma, oudurante cirurgias em que se submeteram a anestesia geral,ou sofreram violento trauma em que desacordaram, acercados acontecimentos decorridos à sua volta com médicos eenfermeiros, sem que pudessem fazer alguma coisa emfavor de seu próprio restabelecimento. A saída definitiva do espírito do corpo físico se dácom a morte deste e conseqüente desencarnação daquele. Adesencarnação é o fenômeno que liberta o espírito daquiloque foi seu corpo físico, devolvendo-o à sua verdadeiracondição. A desencarnação é o mecanismo natural detransferência para outra realidade da Vida. Todos os espíritos estão sujeitos a ela bem como aoseu retorno a uma nova experiência na carne, até que,evoluídos, libertem-se definitivamente das encarnações. Quando a desencarnação ocorre de forma provocada,decorrente da eutanásia, do homicídio ou do suicídio, oespírito perturba-se face ao desconhecimento do significadoda vida no corpo. Muitas vezes o espírito permanecevinculado ao corpo, mesmo depois de decorrido algumtempo de morto, face à sua ligação vital com ele. Aeutanásia não permite que o espírito, durante aquelesmomentos de dor e sofrimento, reflita e se melhore,aproveitando a situação para entender os mecanismos sutisde que se utilizam as leis de Deus para educá-lo, visandoseu próprio progresso. Cercear essa possibilidade pode
  48. 48. significar adiar a oportunidade de fechar ou refletir sobreum ciclo de provas em curso. Em geral, o suicida sofre após seu ato principalmentetendo em vista a constatação da continuidade da vida. Omotivo pelo qual tomou aquela decisão lamentável nãocessa após a morte do corpo físico, pois sua personalidadecontinua intacta e frágil da mesma forma. Via de regra osuicida reencarna para completar o tempo desperdiçado. A vida no corpo é uma oportunidade para o espíritoeducar-se e preparar-se para novas jornadas cada vez menosdolorosas e em mundos mais adiantados, onde terá maioresoportunidades de crescimento. Nesse sentido, viver éeducar-se para morrer, pois o faz retornar ao seu mundo deorigem, creditando-o a novas realizações superiores. Da mesma forma que a eutanásia e o suicídio, asmortes por assassinatos e pelo aborto também provocamperturbação ao espírito pela sua expulsão involuntária docorpo físico. O aborto geralmente trás conseqüênciaspsicológicas àqueles que participaram direta eindiretamente no seu processo. A culpa e o remorso sãocomponentes básicos dos sofrimentos de seus causadores.O desrespeito à vida significará a necessidade de aprender avalorizá-la no futuro, ensejando algum processo educativo. O espírito nunca dorme nem cessa sua atividadepsíquica. O sono, que é do corpo, não interrompe suaatividade e seu estado consciencial. É durante o sono que oespírito se liberta do corpo, comunicando-se com outrosespíritos, renovando seus propósitos na existência atual.Nesse contato, ele pode se lembrar tanto de suas vidaspassadas como também tem acesso a eventos futuros. Seussonhos, dessa forma, poderão trazer imagens de eventosque efetivamente ocorreram durante o sono, eventos que se
  49. 49. deram em vidas passadas e eventos que ainda irão ocorrer.Neste último caso, são chamados de sonhos premonitórios.Uma vez liberto das imposições da matéria, o espíritopossui mais elementos para antever o futuro, sem contudopoder, de forma absoluta, modificar-lhe o destino. Isto nãoquer dizer que tudo esteja traçado. Pode o espírito, deacordo com seu grau de evolução, alterar o destino face aoseu livre arbítrio, submetendo-se às conseqüências naturaisda mudança realizada. É muito comum os espíritos familiares, jádesencarnados, aparecerem durante o sono a fim dediminuírem as saudades de seus entes queridos quepermanecem ainda na carne. Inspiram-lhes novas idéias eos impulsionam a continuarem na carne bem como asuportarem as provas necessárias ao seu progresso. Face às propriedades do corpo espiritual e ao grau deadiantamento do espírito, este pode possuir a capacidade dever além do corpo físico mesmo estando acordado. O corponão é uma prisão absoluta para o espírito, pois ele tambémtem parcial lembrança de seu passado e percepção de seufuturo. Pela faculdade conhecida pelo nome de dupla vista,ele percebe os acontecimentos bem como tem intuiçõesquanto ao futuro. As desencarnações variam de acordo com asnecessidades cármicas de cada um, não havendo, portanto,uma igual a outra. Às vezes, elas são precipitadas pelopróprio espírito, não só por suicídio direto como tambémpelo indireto. Este último se dá quando, pelo gasto de fluidovital, ele abrevia seu tempo de vida. Esse gasto excessivo severifica quando ele, pela alimentação inadequada, ouatravés de práticas de vida que consomem muito fluido
  50. 50. vital, destrói seu próprio organismo. São suicídios lentosocorrendo a desencarnação antes do tempo. Outras vezes ocorrem desencarnações acidentais porconta de processos em que o espírito se envolve, nãoprevistas para a atual encarnação, mas que se verificam emdecorrência de imprudências, imperícias ou negligências. Quando a pessoa desencarna, geralmente seusparentes da atual encarnação, que já retornaram ao planoespiritual, recebem-no e amparam, orientando-o para suanova situação após a morte do corpo físico. Às vezes, sãoespíritos vinculados ao recém-desencarnado, que ele nãoconheceu na atual encarnação, mas que lhe foram caros emoutras. Em geral, nos momentos que se sucedem àdesencarnação, a pessoa entra num estado de perturbaçãomomentânea semelhante a sonolência, recobrando ossentidos após algum tempo, o qual varia de acordo com ograu de evolução do espírito. Quando mais os parentes seapegarem e se desesperarem pela morte do parente, mais oespírito se perturba e demora em retornar ao equilíbrio. Àsvezes, os espíritos encarregados de desencarnações vêem-sena contingência de provocar uma pequena melhora nodoente para que a família, afastando-se, afrouxe os laços doapego e permita que o indivíduo desencarne sem muitosofrimento. Algumas desencarnações são programadas a fim defacilitar o processo de crescimento do espírito. Às vezes émelhor desencarnar o espírito naquele momento, a fim deque ele não se comprometa mais com seu próprio futuroespiritual. A morte é um fenômeno inevitável e necessário aoaprimoramento do espírito. Com ela, completa-se um cicloe inicia-se outro de igual relevância para o desenvolvimento
  51. 51. espiritual. A vida se renova sempre a cada etapa. Encontrose desencontros são marcados pelas sucessivas vidas. Cadaespírito terá aquilo que ele mesmo semeou em suasexistências. Viver no corpo torna-se uma necessidade evolutivaface aos desafios de viver fora dele. Vive-se bem após amorte de acordo com o que se faz enquanto no corpo físico.Vive-se bem no corpo físico de acordo com o que se vivefora dele. Cuidar bem do corpo é, portanto, importante parase ter uma vida espiritual e existências posteriores namatéria, sadias. Embora a vida espiritual seja a vidaverdadeira não se pode desprezar a vida terrena comooportunidade de aprendizado das leis de Deus. Muito mais importante do que ser espírita ou ter estaou aquela religião, é perceber-se um espírito em processode evolução que, invariavelmente, sai de seu corpo paraviver a vida espiritual. A vida espiritual é destino de todos,independentemente de crença ou aceitação de dogmas.Vive-se fora da matéria de acordo com o nível de evoluçãodo espírito, que não se mede pela declaração de princípios,mas pela experiência nas sucessivas existências. As desencarnações provocadas, seja pelo suicídio,pelo aborto, pela eutanásia ou por negligência do serhumano, acarretam conseqüências aos seus responsáveisdiretos e indiretos. Deixam marcas perispirituais queexigem tratamento no mundo espiritual e que repercutirãonas existências seguintes.
  52. 52. 6. Reencarnação e ciência Presente nas mais diversas culturas, a reencarnaçãodesafia o tempo, permanecendo viva na mente e nas crençasdo ser humano. Desde a mais remota antigüidade até osnossos dias, ela vem sendo a forma mais completa deexplicar os diversos e complexos fenômenos da experiênciahumana. Sua credibilidade vem de evidênciasexperimentais, de provas sob rigoroso controle científico. A reencarnação é hoje um fato cientificamenteprovado. Com fortes evidências sob o ponto de vista daciência, já alcançou a atenção dos institutos de pesquisasdas universidades. Não é difícil demonstrar, através deprovas científicas, que a Reencarnação é uma lei universal eque a evolução humana se processa através dela. Reencarnar é o retorno a um novo corpo, através deum novo nascimento, via fecundação, da personalidadeindividualizada do ser humano. Retornar significa voltarcom a mesma individualidade anterior. Apesar de mudar-sede nome não se passa a ser outra pessoa. A personalidadeanterior se modifica a partir do nascimento, com um novoambiente, porém o espírito é o mesmo. Encontramos comosinônimo de reencarnação o termo palingênese, quesignifica nascer de novo e o termo metempsicose, deorigem grega, cujo significado aproxima-se do dereencarnação, porém, ao contrário do conceito espírita, quesó admite o retorno a um corpo humano, aceita também oregredir às formas animais.
  53. 53. Os mais antigos livros onde encontramos a doutrinada reencarnação são os Vedas, de cuja matriz surgiramgrande parte das religiões e sistemas filosóficos da Índia, eque contêm hinos sagrados cuja origem remonta há muitosanos antes de Cristo. No Egito, as dinastias mais antigasacreditavam na preexistência da alma, antes do seunascimento, assim como na sua pós-existência depois damorte, e nos muitos nascimentos da alma neste e em outrosmundos. Religiões significativas da Pérsia, principalmente oZoroastrismo, na sua forma genérica popular e dinâmica,seguiam doutrinas contendo a reencarnação, sendo que noZoroastrismo (século VII a. C.) há a concepção de umaespécie de justiça cósmica de que as almas recebiam osseus prêmios ou castigos merecidos nas vidas futuras. Háregistros de que da Pérsia a crença da reencarnação foilevada à Grécia. A religião ortodoxa Islâmica não aceita nenhumadoutrina de reencarnação. Apesar disso, algumas escolasesotéricas dentro do Islamismo – tais como os Sufis e osDrusos, defendem fortemente a reencarnação. Algunsmísticos islâmicos e poetas sufis como Rumi, Hafiz eoutros, defendiam abertamente a reencarnação. De acordo com Flavius Josephus, o 1º historiadorjudeu do século I d. C., as três escolas antigas depensamento e prática da religião judaica – os Saduceus, osFariseus e os Essênios – diferenciavam-se acerca do destinoda alma após a morte do corpo. Os Saduceus defendiam quea alma morre juntamente com o corpo. Os Fariseusmantiveram a imortalidade da alma, o renascimento dasalmas das pessoas boas noutros corpos e o castigo eternodas almas dos mais fracos. Os Essênios aceitavam a
  54. 54. imortalidade e rejeitavam a reencarnação. O VelhoTestamento contém passagens (Provérbios 8:22-31;Jeremias 1:4-5) nas quais o autor professa que teriamexistido anteriormente ao nascimento físico, com destaquepara Malachias (4:2-6) que previu o retorno de Elias àTerra. No Alasca, entre os índios da tribo Tlingits, é crençageral que os mesmos sinais e cicatrizes podem reaparecerno corpo do renascido. Entre os Esquimós, há inúmeroscasos de pessoas que se recordam de suas vidas pregressas.Diversas tribos americanas, dentre elas os Peles-Vermelhas,aceitam a reencarnação. Os Winnibagos crêem nareencarnação. Crença idêntica existe entre os índiosChippeway. Eles estão certos de que, em seus sonhos,podem reviver acontecimentos de encarnações passadas. A principal corrente do Cristianismo ortodoxo, oCatolicismo, nunca acolheu abertamente a doutrina dareencarnação nas suas crenças, enquanto pensadoresimportantes e seitas dinâmicas abraçaram uma ou outraversão da doutrina dos renascimentos terrestres. Umconselho Ecumênico importante (o 2º de Constantinopla,em 553 d. C.), de acordo com a crença comumanatematizou todas as concepções da preexistência da almae do renascimento, que faziam parte das teses de Orígenes(185 – 254 d. C.), excomungado em 232 d. C. por adotar areencarnação. Um dos expoentes máximos da Igreja,Clemente de Alexandria (preceptor de Orígenes) aceitava areencarnação e, ainda mais, afirmava que São Paulotambém professava tal crença. Nos Diálogos de Platão - Fedon, Banquete eRepública a reencarnação é apresentada como um dosensinos de Sócrates. Em República, livro X, p. 614 à 620,
  55. 55. há o episódio de Er, filho de Armênio, originário daPanfília, que, após 12 dias de morte aparente, recupera-se econta o que viu no mundo dos mortos. Relatou como se dáo retorno das almas para o renascimento. Anteriormente a Sócrates, pelo menos Pitágoras,Heráclito e Empédocles expressaram explicitamente idéiasde reencarnação. Em Fedro, Platão atribuiu a Sócrates adoutrina da existência da alma antes de entrar neste mundo,assim como a sua sobrevivência. A despeito da Filosofia e em pleno século XX, asinvestigações sobre o tema tomaram novo impulso. NaFrança, com Albert Des Rochas, na Índia com HamendrasNat Banerjee, nos Estados Unidos, com Ian Stevenson.Cada um à sua época desenvolvendo diferentes métodos depesquisas, a partir de fatos concretos, trouxeram nova luz arespeito da reencarnação, principalmente introduzindo-acomo objeto de investigação científica. As pesquisas em torno da reencarnação virificam-seem vários campos; dentre eles tem-se a Regressão deMemória e as Lembranças Espontâneas na Infância. Entreos estudiosos de regressão de memória destaca-se AlbertDes Rochas, Edith Fiore, Denis Kelsey, Morris Netherton,Helen Wambach e Hermínio Miranda. Todos elesdesenvolveram experiências em torno da regressão dememória com resultados surpreendentes, que extrapolaramos espaços científicos, penetrando nos consultórios depsicólogos como técnica terapêutica. Nas pesquisas de Lembranças Espontâneas naInfância, destacam-se os trabalhos de Ian Stevenson, H. N.Banerjee e Hernani G. Andrade. São pesquisas de grandecredibilidade pelas características da espontaneidade e dainsuspeição em se tratando de crianças. Há milhares de
  56. 56. casos catalogados com a confirmação das informaçõessobre vidas passadas que não se resumem a vagasmemórias, mas, sim, a dados precisos, com nomes, datas,locais e detalhes importantes. Em tais pesquisas verificou-se que, o intervalo de tempo entre uma e outra encarnaçãopode variar de dias a séculos. A necessidade de se estabelecer um princípio diretor,justo e equânime para justificar a sociedade e suascomplexas relações, coloca a reencarnação como omecanismo capaz de exercer a justiça divina e depossibilitar o crescimento da sociedade. Nada poderiajustificar as contingências do existir com a precisão comque a reencarnação o faz. As dificuldades e conflitoshumanos passam pela necessidade de uma justificativafilosófica e até mesmo do ponto de vista do equilíbrioenergético. A reencarnação é a chave para desvendar osmistérios provocados pelo vazio do conhecimento parcialque o homem tem sobre si mesmo. Nem sempre a justiça que se processa pela via dareencarnação, dá-se imediatamente na encarnação seguintedo espírito. Os mecanismos educativos podem ocorrer namesma existência, sem a necessidade da reencarnação,como também podem se dar após várias encarnações. Otempo que leva para que o processo educativo se instale,dependerá da ocorrência de fatores que propiciem oaprendizado do espírito. Às vezes, há a necessidade de sereunir pessoas várias num processo único, o que poderálevar séculos ou milênios. Deve-se salientar que ninguém,nenhum ser humano, estará isento do processo de educação.A reencarnação é mecanismo obrigatório no nível deevolução em que se encontra a humanidade terrestre.
  57. 57. Ninguém está isento dela. Não há privilégios nemprivilegiados. Reencarnar sem a lembrança do passado é omecanismo que possibilita a convivência de contrários edaqueles que elevaram a paixão ao seu grau máximo. Sem oesquecimento das experiências anteriores não é profícua areencarnação. Reencarna-se para aprender, para educar-se.Para crescer a partir de novos elementos, de uma novaoportunidade, num novo ambiente, onde se possa construirou reconstruir seu próprio crescimento. Tal esquecimentonão significa a perda do conhecimento adquirido nasexistências anteriores. O espírito não involui. Não se perdeo que já se sabe. Esquece-se temporariamente o que não érelevante para o crescimento do espírito. As qualidades, osdefeitos, as emoções, os amores, os ódios, ficam latentes eparticipam, de forma subjacente nas relações doreencarnado, atuando de forma inconsciente. Muitos espíritos que estiveram juntos em encarnaçõesanteriores se separam para se reencontrarem mais adiante.Alguns desafetos quando se vêem se “lembram” dopassado. Pode ocorrer que a inimizade retorne. Comotambém os afetos quando se reencontram refazem a mesmaligação que tiveram no passado. O espírito “enxerga” ooutro espírito, independente do corpo que tem e do grau deparentesco que possuem. Alguns espíritos não reencarnamna mesma época que seus afetos e ficam a velar por elespara que obtenham sucesso naquela encarnação. Aolibertar-se do corpo, seja durante o sono ou com a morte, oespírito vai aos poucos retomando sua memória integral. O retorno através da reencarnação se dá para ocrescimento do espírito. É um processo educativo, e nãopunitivo. Encarado dessa forma, não há um número
  58. 58. definido de encarnações para um espírito. Os processos nãose dão de forma linear, isto é, não se passa pelo que secausou a outrem na mesma proporção. As circunstâncias aque um espírito está sujeito numa encarnação expiatória sãosempre atenuadas pela Misericórdia Divina. A Lei de Causae Efeito não é “olho por olho dente por dente”. Não se deveinterpretar as doenças e outros sofrimentos senão comoprocessos educativos. Errou-se no passado porque não sesabia como agir corretamente. Retorna-se para aprender aténão mais se precisar reencarnar. As idéias inatas, as simpatias e antipatias gratuitas, osgênios, de alguma forma parecem denunciar umaexperiência anterior. O conhecimento não se produz deforma mágica. A reencarnação explica tais conhecimentos“inatos”, como oriundos de existências anteriores. Tudoentão é aprendido pelo espírito. Nada lhe é “dado” de graça.Se no passado alguém adquiriu uma aptidão qualquer, elahoje se manifestaria de alguma maneira. Em muitos casos os reencarnantes retornam commarcas de nascença. Trazem cicatrizes denunciadoras deexperiências pregressas. Marcas que, quando não sãocreditadas a fatores genéticos, reproduzem-se de uma aoutra existência por mecanismos psíquicos. As experiênciasque produziram as marcas foram de tal forma intensas quegravaram o corpo físico, denunciando a existência de umamatriz comum onde ficam “guardadas” as impressões doespírito. Essa matriz é o perispírito. Da mesma forma queessas marcas, surgem fobias, traumas, que se revelam logona primeira infância. O conceito de reencarnação transcende ao aspecto damera crença que está presente nas mais antigas culturas,tornando-se a base para a compreensão da razão de viver do
  59. 59. homem. A reencarnação não foi concebida como uma teoriapara explicar a realidade, mas é uma realidade que explica esuscita muitas teorias. As relações humanas estãocarregadas das emoções do passado. Impulsos, estímulos,reações emotivas, atitudes diversas, não são apenas fruto davontade e do meio ambiente, mas principalmente dasexperiências pregressas gravadas no psiquismo. A personalidade integral, que sobrevive à morte, jápossui experiências diversas em matéria de profissões, delínguas aprendidas, de tipos de sexo, de classe social, decondição econômica. O fato, por exemplo, de já terexperienciado viver nos dois tipos de sexo, concede ao serhumano habilidades para habitar nesse ou naquele corpo,sem que isso lhe cause qualquer problema quanto à suarelação com o sexo do corpo escolhido. Uma novaencarnação representa a construção de uma novapersonalidade no novo meio em que se vai renascer. Ostraumas e conflitos, dessa forma, aparecem tendo comouma das causas, talvez a principal, essa realidade interna,anterior, que contracena com a realidade externa. A solidãoe as repetidas e constantes desilusões afetivas podem serencaradas como resultantes de processos educativos,oriundos de experiências mal sucedidas no passado. O Espiritismo, com Allan Kardec, trouxe de volta areencarnação como conhecimento fundamental de suadoutrina. Através do Espiritismo a reencarnação é analisadasob o ponto de vista sociológico e moral. A doutrina dasvidas sucessivas é o alicerce da evolução. A frase “Nascer,morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei” resumeo significado da reencarnação para o Espiritismo.
  60. 60. 7. Reencarnação como processo educativo A maioria das reencarnações são planejadas pelosespíritos encarregados de proporcionar o aprendizadovisando a evolução espiritual. Quando não são eles que ofazem, leis naturais proporcionam os fatores necessários àsprovas e expiações que o espírito enfrentará em sua novaencarnação. O objetivo de se planejar a reencarnação é o deproporcionar a cada espírito os meios necessários ao seuadiantamento intelectual e moral. Às vezes, são necessáriosmuitos anos de espera até que se possa reunir as condiçõesfavoráveis e os elementos necessários ao reencontro deantigos desafetos para aprenderem juntos as leis de Deus. Esse planejamento inclui a definição tanto das provasquanto das expiações que o espírito atravessará. Asprimeiras são necessárias a todos os espíritos e as segundassão obrigatórias para os que se utilizaram de seu livrearbítrio em encarnações anteriores e cometeram equívocosdiversos.
  61. 61. Pelas lições que o espírito necessita aprender e pelosprocessos educativos que tem de atravessar, o planejamentodefinirá as características do corpo que receberá, bem comoas circunstâncias sociais em que renascerá; com quemreencontrará e com que ajuda contará no seu processo. Planejar a encarnação não significa que o espíritoestará limitado nem que o seu destino já esteja traçado deforma irremediável. Seu livre-arbítrio poderá alterarsignificativamente seu planejamento, o que acarretaráconseqüências que venham a fazê-lo progredir mais do queo previsto ou que lhe sejam adversas. O planejamento é umaespécie de guia, roteiro ou lembrete ao reencarnado. A vida espiritual é a vida verdadeira, porém não sedeve desprezar a vida na matéria cuja importância ésignificativa. Para se viver bem na espiritualidade deve-sesaber viver e conviver bem na vida material. As duas etapasnão se opõem, mas complementam-se. A vida espiritual nãodeve ser encarada como um fim em si, mas como umarealidade semelhante à vida material. O planejamento reencarnatório obedece a imposiçõescompulsórias referentes ao passado do espírito. Suasexperiências adversas em encarnações anteriores poderãolimitar suas escolhas e seu livre arbítrio. Nem semprepoderá o espírito escolher livremente com quem vaireencarnar nem a que família pertencerá, face aoscompromissos cármicos a que está sujeito. Reunir desafetos tem o duplo propósito de não sóreconduzir os espíritos a circunstâncias semelhantes às queviveu anteriormente como, graças ao esquecimento dopassado, colocá-los frente a frente com sua próprianecessidade de evoluir. Juntos irão transformar o ódio em
  62. 62. amor. O que se chama vulgarmente de dívida e resgate,débitos e créditos, na realidade são processos educativos. Há problemas e conflitos que atravessamos, cujascausas não se localizam em existências passadas, mas, sim,na atual, frutos das contingências da infância e do uso dolivre-arbítrio. Esses problemas gerados na atual encarnaçãonão fizeram parte do planejamento reencarnatório sendomotivo, portanto, de sua alteração. Ao reencarnar o espírito traz, de forma inconsciente,gravado em seu corpo espiritual, os traumas oriundos dasencarnações anteriores, que estarão sempre a influenciar emsua vida atual. Esses núcleos traumáticos deverão serresolvidos quando o espírito atravessar situações que seassemelhem àquelas do passado. Atravessar uma prova ou mesmo submeter-se a umaexpiação constitui-se numa oportunidade de aprender umaimportante lição, pois, após seu término, sabe que já nãomais precisará afligir-se daquela forma. É esse o sentido queaplicamos à colocação do Cristo: “Bem-aventurados osaflitos, porque serão consolados”. As doenças de nascença são marcas referentes aosproblemas não resolvidos de outras encarnações e quesurgem como sinais da necessidade que tem o espírito deeducar-se. As doenças adquiridas no decorrer da encarnaçãopodem revelar conflitos referentes a encarnações passadasou à presente existência, como também serem decorrentesdo desgaste natural do organismo. Os processos educativos que alcançam um grandecontingente de pessoas, atingindo, às vezes nações inteiras,dizem respeito a provas coletivas cujo planejamento exigeuma complexidade maior na preparação. São planejamentos
  63. 63. feitos num nível superior aos das encarnações individuaisou de pequenos grupos. Durante a encarnação, o esquecimento doplanejamento não é total, pois o espírito tem lembrança delequando liberto do corpo durante o sono, através de sonhos,durante meditações, por influências de seus guiasespirituais, bem como através de intuições. Essa lembrançanunca é completa face à ansiedade que pode ser gerada. Várias são as circunstâncias que podem alterar oplanejamento reencarnatório, dentre elas cito o suicídio deum dos personagens envolvidos, o estupro que provoca umareencarnação, certas separações de casais, redução ouaumento voluntário do número de filhos. O espírito pode também começar a planejar suaencarnação futura ainda reencarnado, contribuindo inclusivepara reduzir seus problemas futuros desde que se determinea iniciar sua transformação interior desde já. Essemovimento, via de regra, inicia-se com as correções derumo da atual encarnação, fechando alguns processos malresolvidos, que, se assim permanecerem, atrapalharão ofuturo. Após isso deve refletir sobre si mesmo, identificarqualidades e defeitos que sabe que tem e, através de amigos,os que desconhece ter. Esse planejamento prévio inclui reflexionar sobreprofissão, sobre comportamento emocional, sobre lazer,sobre conhecimento intelectual, sobre habilidades diversas,sobre família, bem como sobre tudo aquilo que implique naadaptação social. O planejamento reencarnatório não coloca ao espíritoresponsabilidades que não possa suportar. As provas eexpiações são formas educativas, não punitivas, aliviadaspela misericórdia divina que, às vezes, proporciona
  64. 64. intervalos entre encarnações difíceis, tanto quanto diluiçãodo processo em várias etapas. É característica dos planejamentos reencarnatórios oreencontro de antigos desafetos, assim como o auxílio deespíritos afins para que se alcance sucesso no processo deeducação. Esse equilíbrio favorecerá o crescimento sem quese aumente as aversões características do nível evolutivodos espíritos na Terra. O planejamento das reencarnações favorece aevolução no planeta, constituindo-se num instrumento demelhoria das relações entre os homens.
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  66. 66. 8. Processamento da Reencarnação O processamento da reencarnação se dá através dafecundação biológica e possibilita a união do espírito aocorpo físico visando uma nova existência. É um processonatural a que está sujeito o ser humano quando, sob certascondições, encontra-se desencarnado. Dá-se no momento daunião dos gametas para a formação de um novo corpo, acujo desenvolvimento o espírito reencarnante contribui. Durante a formação do embrião, nas divisõescelulares, o espírito, através de seu perispírito, influencia asmodificações a serem feitas no corpo que receberá. Essasmodificações, que alteram o padrão hereditário, visam fazerface às necessidades provacionais e expiatórias do espírito.Alguns espíritos necessitam alterações cromossômicassignificativas tendo em vista eliminar influências genéticasde seus pais, não necessárias. O momento da fecundaçãopossibilita a predisposição a uma reencarnação, o que farácom que o espírito designado para aquele corpo a ele seligue. A reencarnação se dá na fecundação, não havendo
  67. 67. nenhuma prova, por enquanto, de sua possibilidade foradesse momento. Essas alterações, necessárias às provas e expiações doespírito, também são, às vezes, dada a sua complexidade,feitas não só no corpo físico de que ele vai se utilizar comotambém em seu perispírito. Quando não há espírito designado para aquele corpoem formação, a gravidez não vinga, isto é, será um nati-morto. Isto se dá como prova para os pais. Embora nemtodo corpo em formação na gestação tenha um espírito, todacriança que nasce e é declarada viva, o tem utilizandoaquele corpo. O espírito que vai reencarnar, muitas vezes se liga aoorganismo materno antes da união perispiritual com o óvulofecundado, o que poderá provocar alterações físicas ecomportamentais à futura mãe. Mesmo que ligado à mãe,ainda não está reencarnado, pois a reencarnação só éefetivada quando ele se liga ao óvulo fecundado. Essaligação vai se estreitando na medida que se aproxima onascimento, mas a reencarnação só vai se completar noinício da puberdade. O processamento da reencarnação nãose completa na fecundação, pois a união total só se daráquando o espírito se assenhorear de seu próprio corpo, fatoque se dá, via de regra, no início da aquisição deresponsabilidade e independência psicológica da criançatanto em relação à última encarnação quanto aos pais. Outro espírito não poderá ocupar aquele corpo, poiscada um utiliza-se de um único e vice-versa. Mesmo ligadoao corpo, ainda no útero, pode o espírito desistir daencarnação, o que será uma espécie de suicídio. Já ligado ao embrião, o espírito goza de menosliberdade, perdendo cada vez mais a consciência à medida
  68. 68. em que se aproxima o nascimento. Essa liberdade varia deacordo com o nível evolutivo do espírito, que, quanto maisadiantado, menos sujeito estará às contingências da matéria. No período em que permanece vinculado ao embrião,a maioria dos espíritos entra num estado de hibernação faceà delicada ligação entre seu perispírito e o novo e frágilcorpo a que se liga. Como é um processo que se assemelha àdesencarnação, ou talvez mais difícil ainda, o espírito temepelo possível insucesso diante das provas e expiações queenfrentará. Por isso é comum ele receber ajuda e incentivode familiares e amigos desencarnados encorajando-o àreencarnação. Às vezes, os mesmos que planejaram atravésdele renascer, incentivam-no no momento da reencarnação. As energias decorrentes do desenvolvimento doembrião induzirão ao reencarnante reduzir sua dimensãoperispiritual adulta para algo semelhante ao corpo infantil.Seu perispírito irá se modificando gradativamente paraadaptar-se à organização fetal e posteriormente ao corpoinfantil. Alguns espíritos prejudicam o processamento de suareencarnação, por causa de sua densidade perispiritualextremamente desestruturada que, às vezes, por nãoconseguir fixar-se ao óvulo fecundado, provoca o abortonatural. São reencarnações que, de antemão se sabe, nãovingarão e se prestam de um lado a reduzir a densidadeperispiritual do reencarnante e de outro, servem de provapara os pais. Durante a gravidez, o fluxo de pensamentos eemoções entre a mãe e o espírito reencarnante podeprovocar alterações de comportamento dela face à presençade outra personalidade em seu campo mental.
  69. 69. O desenvolvimento físico do corpo e sua manutençãoainda no útero materno não se deve à presença do espírito,mas principalmente ao automatismo biológico bem como aoauxílio do perispírito materno. O fluido vital absorvido peloembrião será o impulsionador ao seu desenvolvimento. Durante o processamento da reencarnação operispírito sofre alterações para adequar-se ao corpo físicotanto pela natureza mais densa deste, quanto ao novo meioambiente a que estará sujeito. As mudanças no corpoespiritual decorrem principalmente face às novasnecessidades de alimentação. Durante o processo reencarnatório, o perispírito vai seenraizando na corrente sangüínea e na rede nervosa docorpo físico, sobretudo no córtex cerebral, por ondetransitam as comunicações entre os dois veículos demanifestação do espírito. É na base do cérebro que se situa a ligação fluídicaentre o corpo e o perispírito quando o espírito se ausentadurante o sono. Ao deslocar-se do corpo, o espírito a ele semantém ligado por um laço fluídico, espécie de cordão, quese estende a partir da região cerebral, pouco acima da nuca. Há reencarnações especiais que requerem o auxílio deespíritos técnicos no assunto, tendo em vista ascaracterísticas especiais das provas e expiações do espíritobem como face às particularidades do corpo físico doreencarnante. O processo então será mais trabalhoso,exigindo o concurso de numerosos técnicos a fim de seevitar prejuízos aos objetivos. Por outro lado, háencarnações que são realizadas sem qualquer auxílioexterno, seja pelo automatismo seja pelo grau de evoluçãodo espírito, que neste último caso, realiza-a sozinho.
  70. 70. São, portanto, fases características do processoreencarnatório, muito embora possam variar caso a caso, adepender da evolução do reencarnante: levantamento deprovas e expiações que serão necessárias, a escolha dafamília, o meio social, a modelagem do corpo físico, oesquecimento da última encarnação e conseqüenteprostração de forças, a redução perispiritual compensamento fixo no novo c orpo em formação, a ligação como óvulo e, durante a infância, a integração ao corpo físicoaté o final do processo. Não há uma reencarnação igual a outra, pois paracada espírito há um processo evolutivo particular em curso,exigindo detalhamento e cuidados adequados.
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  72. 72. 9. Vida Espiritual A vida espiritual é a vida verdadeira. O mundo dosespíritos é sua morada e o local onde desempenham suasprincipais missões e ocupações. Para se entender a vidaespiritual é necessária uma compreensão maior a respeitoda energia que, no Espiritismo, é conhecida pelo nome defluido. Os fluidos são energias sutis que fazem parte daenergia que preenche o Universo. Allan Kardec chamouessa energia geral de Fluido Cósmico Universal. A matériaé uma condensação desse fluido e, as várias modalidades deenergia conhecidas pelo homem, são estados diferentes domesmo Fluido Cósmico Universal. Matéria, energia e fluido são expressões da substânciamaterial, que difere do princípio espiritual pela inteligênciapresente neste último. Os fluidos são mais maleáveis ao pensamento do quea matéria, prestam-se à realização dos fenômenosespirituais pela sua natureza semimaterial. O perispírito,veículo de manifestação do espírito, é constituído de fluidosderivados do Fluido Cósmico Universal. Suas propriedadessão a base para a realização dos fenômenos mediúnicos. Operispírito é corpo complexo, constituído de estruturas que
  73. 73. se prestam às mais diferentes funções. Na realidade, o quese conhece pelo nome de perispírito é um conjunto decorpos que se interpenetram e vão sendo eliminados namedida que o espírito evolui. É através da manipulação dos fluidos que os espíritosconstroem suas moradas e se organizam de acordo com suaevolução espiritual. Cidades, colônias, organizaçõesdiversas são construídas pela utilização e manipulação doFluido Cósmico Universal. Quanto mais evoluído oespírito, mais capacidade tem ele de utilizar-se dosdiferentes tipos de fluidos. É pelos fluidos e suasmodificações que se estruturam as cidades astrais. Aalimentação dos espíritos desencarnados se dá através defluidos próprios que vitalizam o corpo espiritual. Os espíritos, seres humanos desencarnados,organizam-se de acordo com os níveis de evolução em quese encontram, o que vai ditar seus interesses após a mortedo corpo. De acordo com seus estágios evolutivos buscamreunir-se para ações comuns. Há organizações cominteresses diversos no mundo espiritual: escolas, hospitais,locais de repouso, de lazer, de preparação à reencarnação,de desenvolvimento espiritual, etc. As pessoas que desencarnam doentes, e que,continuam nesse estado, são abrigadas em instituições ondeespíritos, que se organizaram na tarefa do auxílio aopróximo, desenvolvem seus trabalhos de socorro e cura. Háoutras que desencarnam em bom estado psíquico e logo seentrosam em grupos afins para continuarem seucrescimento espiritual. Os espíritos se agrupam porafinidades e mútuos interesses. Evidentemente que espíritos mais atrasados tambémse agrupam, muitas vezes em situações de sofrimento e dor
  74. 74. e noutras com a finalidade de perturbar pessoas e gruposcom quem acreditam ter contas a ajustar. Portanto, háregiões onde impera a felicidade sem ociosidade comotambém há regiões de sofrimento e dor. Neste último caso écomum chamar-se de região umbralina ou simplesmenteumbral. Os bons espíritos habitam regiões superiores ondeimperam o amor e a verdade; os maus espíritos, estadotransitório, habitam locais mais próximos da convivênciacom os encarnados, onde imperam a desordem e aindiferença. Os bons se unem aos bons; os intelectuais aosintelectuais, os ociosos aos ociosos; semelhante atraisemelhante. Os espíritos que fazem parte de uma mesma famíliaespiritual têm oportunidade de se reunirem para traçarnovos planos de reencontro numa nova encarnação. Osverdadeiros laços de família se fortalecem após a morte. Alguns podem retornar, ainda desencarnados, e ajudaraqueles que ficaram. Outros não adquirem maturidadesuficiente para tal e podem vir a atrapalhar seus entesqueridos. Em geral, os espíritos se buscam pelas afinidadese realizam suas tarefas de acordo com suas motivações. Os espíritos desencarnados continuam seu processoevolutivo independente da vida na Terra. No mundoespiritual há tantas oportunidades quanto na carne para odesenvolvimento integral. Muitas vezes, os mesmosespíritos que se dedicaram à tarefa de educar quandoencarnados continuam seus investimentos após a morte docorpo. As cidades astrais proliferam em redor da Terra numamultiplicidade muito grande, de acordo com os interessesde grupos de espíritos afins.
  75. 75. Tanto quanto encarnados, os espíritos trabalham eorganizam-se politicamente, buscando a melhor forma deconvivência face aos desafios da vida eterna, muito maiscomplexos do que os da etapa em que se acredita mortal.Na vida espiritual há trabalho, alimentação, lazer,aprendizagem, bem como ocupações as mais diversaspossíveis. A vida espiritual, pela consciência da eternidadee da lei do retorno a novas encarnações, promovemodificações profundas na forma de pensar e de agir do serdesencarnado. Suas perspectivas modificam-se tendo emvista a necessidade de rever comportamentos e planejarnovas encarnações. As cidades espirituais se espalham pela vizinhançaem torno da Terra, dispondo-se em regiões próximas àspopulações dos encarnados, com as quais mantêm ligaçõesfísicas e psíquicas. Elas, geralmente, são fundadas à mesmaépoca em que surgem as cidades dos encarnados. O desenvolvimento das cidades espirituais erigidaspor espíritos mais adiantados, mais evoluídos moral eintelectualmente, impulsiona a evolução da Terra, tendo emvista a reencarnação de seus habitantes com o fito de fazerevoluir a sociedade dos encarnados. Espíritos cada vez maisadiantados reencarnam, de tempos em tempos, trazendoseus conhecimentos e suas experiências adquiridas junto agrupos de espíritos mais evoluídos, preocupados com ocrescimento espiritual na Terra. O desenvolvimento espiritual e o progressotecnológico na Terra é fruto e reflexo do desenvolvimentodas cidades espirituais. As cidades terrenas são cópiasmateriais das cidades espirituais a que estão ligadas. Háespíritos mais adiantados, missionários a serviço doscondutores do processo de desenvolvimento espiritual da
  76. 76. Terra, que reencarnam trazendo novas idéias fomentando oprogresso, a paz e a harmonia nas populações. Às vezes,surgem em comunidades atrasadas, superando asdificuldades de seu meio, fazendo revoluções quepropiciam o crescimento social e espiritual da humanidade. Os espíritos, quando desencarnados, têm uma vidasocial/espiritual de acordo com seus níveis de evolução.Reencarnam sempre em busca de novo aprendizado.
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  78. 78. 10. Mediunidade Mediunidade é a faculdade que possibilita o serhumano colocar-se num estado alterado de consciência,permitindo-lhe manter comunicação psíquica com sereshumanos, no mesmo ou em outros níveis existenciais. Otermo é mais apropriado à comunicação entre espíritos,principalmente entre os desencarnados e os encarnados. Todos os seres humanos possuem a mediunidade,sendo ela uma faculdade inerente à espécie. Todos,portanto, são médiuns. Costuma-se, no entanto, chamar-sede médium ao indivíduo que possua a faculdade de formamais ostensiva, porém a mesma é um atributo do espírito,quer encarnado quer desencarnado. Doravante chamaremosde médium aquele que possua a faculdade de forma maisostensiva. A mediunidade é, portanto, uma faculdaderelacional, interdimensional, que predispõe o indivíduo aocontato consciente ou inconsciente com seus semelhantesem outros estados psíquicos, sem a utilização dos sentidosfísicos. O exercício da mediunidade requer estudo eaprimoramento, não sendo penoso ou sacrificial, mas exigedisciplina, perseverança, interesse, paciência e amor.
  79. 79. Não é uma faculdade dos espíritas nem inventadapelo Espiritismo. Ela é inerente ao ser humano e estápresente em várias práticas religiosas ou não. Nem sempreo exercício da mediunidade é feito no Espiritismo. Praticara mediunidade não significa dizer-se espírita. No Espiritismo, a faculdade é direcionada para aevolução espiritual do médium, e é praticada gratuitamentee de preferência no ambiente dos Centros Espíritas. Suautilização se dá com o objetivo de demonstrar acontinuidade da vida após a morte bem como para oesclarecimento do ser humano. Visa o desenvolvimentomoral e espiritual do homem, bem como de suasensibilidade psíquica, tornando-o mais apto à percepçãodos diferentes estados de consciência e dos variados níveisespirituais. A faculdade se desdobra em várias facetas, desde asimples eliminação de fluidos materiais próprios até as sutiscomunicações mentais. A faculdade se exterioriza de duasformas distintas: através de manifestações físicas e demanifestações intelectuais. As primeiras se dão pelacombinação de fluidos do médium com fluidos do espíritocomunicante, e que alteram as condições ambientes,influindo nas propriedades físicas da matéria. As segundas,mesmo com a ligação perispiritual, ocorrem na intimidadeda mente do médium. A mediunidade como faculdade inerente ao humanosempre esteve presente na história da humanidade e, deacordo com a época, foi tratada de diferentes formas. Osprimitivos, embora não a compreendessem, utilizavam-naem suas práticas ritualísticas bem como no trato com o queconsideravam sagrado.

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