Conhecendo

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Conhecendo

  1. 1. Conhecendo o Espiritismo Um Curso Básico
  2. 2. 2ª Edição Do 4º ao 6º milheiro Criação da capa: Objectiva Comunicação e Marketing Direção de Arte: Escobar Revisão: Marcos Edilton Cintra Copyright 1998 by Fundação Lar Harmonia Rua da Fazenda, 560 – Piatã 41650-020 atendimento@larharmonia.org.br www.larharmonia.org.br fone-fax: (071) 286-7796 Impresso no Brasil ISBN: 85-86492-04-3Todo o produto desta obra é destinado à manutenção das obras da Fundação Lar Harmonia.
  3. 3. Adenáuer NovaesConhecendo o Espiritismo um curso básico FUNDAÇÃO LAR HARMONIA CNPJ/MF 00.405.171/0001-09 Rua da Fazenda, 560 – Piatã 41650-020 – Salvador – Bahia – Brasil 2003
  4. 4. Novaes, Adenáuer Marcos Ferraz deConhecendo o Espiritismo – um curso básicoSalvador: Fundação Lar Harmonia, 05/2003130p.1. Espiritismo. I. Novaes, Adenáuer Marcos Ferrazde, 1955. – II. Título.CDD – 133.9Índice para catálogo sistemático:1. Espiritismo 133.9
  5. 5. “O Espiritismo anda no ar.” Allan KardecAAllan Kardec, mestre nas artes do espírito, antropólogoda alma e amante da verdade.Àscrianças da Fundação Lar Harmonia, motivo deste traba-lho.
  6. 6. ÍndiceConhecendo o Espiritismo 9O que é o Espiritismo 14Deus 21Espíritos 26Evolução 32Libertação do Espírito 37Reencarnação e ciência 43Reencarnação como processo educativo 51Reencarnação: planejamento e processamento 55Vida espiritual 59Mediunidade 63Médiuns 69Obsessão 74Desobsessão 78As leis de Deus 83Trabalho e Progresso 87Liberdade e Igualdade na Sociedade 92Natureza, conservação e destruição – Ecologia 96Família 100Energia sexual 104Uma sociedade espírita e uma instituição espírita 109Glossário 114Bibliografia 118
  7. 7. Conhecendo o Espiritismo Este trabalho contém assuntos introdutórios ao conheci-mento do Espiritismo e é dirigido àqueles que desejam iniciar-seem seu estudo, como também em sua prática pessoal de viver.Diferente das obras clássicas, pela linguagem simples e direta,sem pretensões maiores, salvo a de levar o leitor à compreensãodos princípios básicos do saber espírita, propõe-se também apermitir uma visão funcional e utilitária de seus princípios. A busca de um conhecimento mais abrangente e profundodeve o leitor dedicar-se ao estudo das obras de Allan Kardec,principalmente O Livro dos Espíritos, cuja leitura torna-se im-prescindível para o real conhecimento do Espiritismo. Relaciona-mos ao final uma bibliografia para cada um dos capítulos a fim depossibilitar ao leitor a complementação do estudo do Espiritismo. Por muito tempo preocuparam-se os pioneiros do Espiri-tismo em provar suas teses com argumentos irretorquíveis, lógi-cos e coerentes, colocando-o, com sucesso, no rol das ciênciasda alma. Hoje, com sua compreensão popular, alcançando ele-vada aceitação, exige-se um novo passo na direção de alicerçar-se a prática e a vivência daqueles postulados teóricos, sem que seabandone a demonstração da coerência de seus princípios bási-cos. Com isso quero dizer que os princípios espíritas devem levarseu praticante a resultados práticos imediatos. Ser espírita deve
  8. 8. conhecendo o espiritismo 9proporcionar ao indivíduo um estado de compreensão da vidaque o torne relativamente feliz consigo mesmo e com seu seme-lhante. O desenvolvimento da Psicologia, os novos entendimentossobre o comportamento humano e as incursões científicas no as-pecto espiritual da Vida requerem estudos mais profundos sobreas interações entre os campos espiritual e social. Coerente com oconhecimento espírita, que amplia a visão estreita do corpo físicoe de seu meio ambiente, estimulada por muitos séculos de obscu-rantismo, faz-se necessária uma nova postura diante dessa per-cepção cosmológica da vida. O Espiritismo possibilita um novoolhar do ser humano a respeito dele mesmo e sobre a realidade àsua volta. Não se deve pensar que seus limites e possibilidadesestão estabelecidos pela simples aceitação de seus princípios.Enquanto são divulgadas suas verdades, deve-se investir em suasimplicações práticas na vida material. Estamos longe de alcançar a verdade sobre as coisas epenetrar-lhes a essência divina, portanto não chegamos ao limitedo saber. Portanto, não podemos nos contentar em ficar repetin-do conceitos, os quais, face à própria evolução, necessitam dedetalhamento e desenvolvimento adequados. O Espiritismo é umadoutrina evolutiva, a qual se desenvolve com a própria humanida-de. É um saber que se consolida na medida que surgem novascapacidades humanas, e estas se têm ampliado pela força dascoisas, isto é, pela própria evolução natural, bem como pelo de-senvolvimento moral e intelectual humanos. É chegado o momen-to de nos ocuparmos em detalhar aqueles princípios, isto é, embuscar estratégias para pô-los em prática na vida material. Os séculos de cristianismo foram importantes para alicerçarna humanidade conceitos de moral e princípios de convivênciasocial que creditaram valores fundamentais para que o ser huma-no entrasse em contato com o espiritual. A tarefa agora é prepa-rar a constituição dos princípios de convivência que levem emconsideração a natureza espiritual do ser humano e da própria
  9. 9. 10 adenáuer novaessociedade. Princípios como a imortalidade da alma e a evoluçãoespiritual, que antes eram entendidos como tendo alcance exclu-sivamente após a morte, passam a ter importância para o mo-mento em que se vive. É-se imortal agora, e não apenas depoisda morte. É um estado que deve ser conscientizado nos atos pre-sentes, para o momento presente, e não apenas para o futuro. Aexistência de Deus, antes um corolário religioso, passa a signifi-car, além de importante âncora psíquica para o permanente diá-logo interno, a necessidade de compreensão de um objetivo mai-or de trabalho em favor da Vida e do Universo. Enquanto as ciências humanas estudam a personalidade,considerando-a na sua integridade encarnada, o Espiritismo o fazna sua inteireza espiritual, que compreende aquela, fornecendosubsídios à vivência no corpo e à compreensão do sentido daexistência. Não é demais recapitular os primórdios do Espiritismo ecomo ele surgiu do ponto de vista doutrinário e histórico. Suatrajetória, enquanto saber, inscreve-se numa época de intensasdescobertas e de percepções revolucionárias que marcaram asciências e as gerações futuras. O momento histórico de seusurgimento tornou-o uma ciência de observação, uma filosofia deconseqüências práticas e, sobretudo, um paradigma cognitivo quemodificou a visão do ser humano sobre si mesmo e sobre o mun-do. A fé, tão importante para a compreensão dos princípiosdivinos, premiada pela coerência da razão, recebe agora ocontributo do sentimento. No Espiritismo, a fé, além de ser raci-ocinada deve ser sentida, introjetada nas raízes emocionais doser humano. Vivemos sob o primado do Espírito que se ergue emmais um pilar, o do sentimento, que o eleva para além das exigên-cias do racionalismo contemporâneo. A fé cega, da era medieval,deu lugar à fé raciocinada no período racionalista, que é sucedidaagora pela fé vinculada às emoções superiores do Espírito. Distanciar o ser humano de suas raízes significa estagnação
  10. 10. conhecendo o espiritismo 11e acomodamento. O crescimento na direção da percepção doEspírito é possível graças à integração de elementos transcen-dentes e vinculados ao amor e a uma prática de vida que possatornar o ser humano feliz. Os conhecimentos básicos espíritasdevem levar aos princípios gerais de felicidade, no que diz respei-to ao aperfeiçoamento físico, intelectual, social, emocional e espi-ritual. Se eles se encontram distantes, sem uma ligação imediata(nem imediatista), é porque satisfazem apenas às exigências dointelecto. Lembrando a trajetória do Cristo, na defesa intransigentede suas idéias, impondo-se pela sua própria natureza transcen-dente, afirmamos que o Espiritismo se impõe pela força das coi-sas e da evolução da humanidade. No desenvolvimento de suasfases, pode-se notar a existência de processos, sendo o primeiro,o de consolidar seus princípios doutrinários, delinear seus pontosprincipais, estabelecer sua base teórica e buscar comprovaçãoexperimental. Essa fase, embora concluída por Allan Kardec nosseus poucos anos de profícuo trabalho em consolidar o Espiritis-mo, ainda necessita de constante atenção e continuidade. Outrosprocessos, no entanto, requerem a mesma atenção e determina-ção por parte dos espíritos e dos espíritas. Refiro-me em particu-lar, ao trabalho de verificação da eficácia na aplicação dos princí-pios espíritas na vida dos próprios espíritas. Os objetivos do Espiritismo visam alcançar a transforma-ção social, mas passam pelo estado de felicidade que deve serconseguido naquele que vive segundo seus princípios. Se elesservem para o todo, necessariamente devem servir para a parte.O espírita deve ser alguém, não só muito consciente e adaptadoàs adversidades da vida, inclusive superando-as, como tambémum modelo vivo da eficácia de sua crença. Dizer-se espírita nãobasta, necessário é tornar-se espírita, o que lhe exigirá aconscientização e internalização daqueles princípios e não apenaso conhecimento deles. É preciso estar atento ao processo pessoal, isto é, ao que
  11. 11. 12 adenáuer novaesocorre consigo próprio, enquanto se proponha o espírita a divulgaro Espiritismo, ou a praticá-lo de qualquer forma. Para evoluir,não basta cumprir uma missão no campo da prática espírita. Épreciso crescer como indivíduo nas dimensões: familiar, intelectual,emocional, sexual, filial, paternal ou maternal, profissional, afetiva,relacional, religiosa, política, etc. Por esses motivos optamos empublicar esse trabalho a fim de orientar o leitor quanto ao estudoda Doutrina Espírita. Durante muitos anos, realizamos um Curso Básico de Es-piritismo, o qual se espalhou por várias instituições do Movimen-to Espírita da Bahia, em que utilizamos um programa de estudossintetizado neste trabalho. Para chegar a essa síntese contei coma ajuda dos amigos Élzio, Hugo, Vasco, Sílzen, Ray e Ana Dórea,aos quais agradeço sinceramente pela ajuda providencial.
  12. 12. 1. O que é o Espiritismo O Espiritismo é uma doutrina que trata da origem e nature-za dos espíritos e de suas relações com o mundo material. Seufoco básico é a natureza espiritual do ser humano. É um conheci-mento a respeito do Espírito, e que parte da essência espiritualpara explicar a existência material. O Espiritismo foi sistematiza-do a partir de 18 de abril de 1857, com a publicação de O Livrodos Espíritos, numa época de grandes transformações sociais,filosóficas e políticas. Desenvolveu-se em paralelo ao surgimentodas ciências, e em meio aos novos estudos da mente, que des-pontavam à época, em decorrência do desenvolvimento do mag-netismo, do hipnotismo e do próprio Espiritismo que se estudavaantes da publicação do livro. É naquela época que os estudossobre o inconsciente florescem. O século XIX foi pródigo em grandes descobertas e nosurgimento de novas idéias para a humanidade nos mais diversoscampos da ciência, da filosofia, da moral e das artes. Trouxe aoser humano conhecimentos significativos acerca de sua origem,de sua constituição e do funcionamento de seu corpo. Muitas dasrealizações do século XX se deveram ao surgimento de idéias eao trabalho desenvolvido no século anterior. À época do surgimento do Espiritismo, meados do séculoXIX, o mundo vivia sob a onda renovadora, embora aindaincipiente, do Positivismo, do Socialismo Científico e do Marxis-
  13. 13. 14 adenáuer novaesta, das idéias revolucionárias do Evolucionismo de Darwin, Russele Lamarck, bem como do ambiente pós-revolucionário da revo-lução francesa e das idéias dos enciclopedistas franceses. OPositivismo, apoiando-se na técnica e na industrialização, opu-nha-se ao Racionalismo e à crença dogmática, em que se basea-va a religião tradicional, predominante à época. Nascido em ple-no florescimento das ciências experimentais, o que significava umacontraposição ao tradicionalismo religioso que se opunha a qual-quer manifestação científica fora de seus cânones. O Socialismo Marxista, cuja origem acontece com o lan-çamento do Manifesto Comunista, em 1848, em Bruxelas, porMarx e seu amigo Engels, trazia idéias materialistas que, de umlado, aproximavam-se das lutas pelas liberdades dos trabalhado-res, do outro, distanciavam-se do conceito de religião dogmática,declarando-a, com certa razão, “ópio do povo”. Procurandoexplicar a história universal como oriunda da luta de classes, per-mitia que se visualizasse uma origem da humanidade cada vezmais distanciada da estabelecida pela interpretação religiosa doGênesis da Bíblia. O Evolucionismo de Charles Darwin surgiu a partir de idéi-as que floresciam desde o século XVIII sobre a evolução, segun-do as quais as espécies animais formam uma escala contínua enão teriam sido criadas ao mesmo tempo. Darwin notou que, en-tre as espécies extintas e as atuais, existiam traços comuns, em-bora bastante diferenciados. Tais observações levaram-no a su-por que os seres vivos não eram imutáveis, mas, que, emboraresultantes de espécies distintas, descendiam uns dos outros, se-gundo uma complexidade crescente. A partir desse princípio, caíapor terra a idéia religiosa, já ultrapassada pelas observações ar-queológicas, de que o ser humano surgira de Adão e Eva. Essas idéias, embora ainda embrionárias, cada uma de for-ma específica, contribuíram para a formação de um alicerce teó-rico na implantação de uma doutrina fundamentada em fatos ex-plicados à luz da razão. Consolidava-se cada vez mais o terreno
  14. 14. conhecendo o espiritismo 15para o surgimento das idéias espíritas. A fé cega e dogmática es-tava sendo minada por aquelas teorias, dando lugar a uma expli-cação racional dos fenômenos tidos, até então, como sobrenatu-rais. A humanidade, que vivera sob o obscurantismo medieval,que perdurara até o século XVIII, alcançou, no século XIX, suamaioridade. A religião dogmática cedia lugar ao conhecimentofirmado na razão e nas ciências para o entendimento do espiritualsem limites estabelecidos. À mesma época do lançamento do manifesto comunista eda efervescência das idéias positivistas e evolucionistas, os espí-ritos intensificaram suas manifestações. Na cidade de Hydesville,no Estado de New York, nos Estados Unidos, um espírito que sedenominou Charles Rosma, consegue, através de batidas nasparedes, comunicar-se com duas garotas, as irmãs Fox, assom-brando o mundo com a clareza de seu depoimento, dando pro-vas da continuidade da vida após a morte. A essa altura os espí-ritos, que assim se denominaram, utilizando-se de mesas e outrosobjetos, manifestavam-se também nos salões parisienses atravésde fenômenos conhecidos com o nome de Mesas Girantes. Nessa época, as experiências com magnetização eram co-muns e atraíam o interesse dos cientistas, principalmente em Pa-ris. Dentre eles um professor, cuja experiência em educação foiadquirida com Pestalozzi. Seu nome era Hippolyte Léon DenizardRivail, cognominado Allan Kardec, nascido a 3 de outubro de1804, em Lion, França, filho de um juiz de direito, estudou emYverdoon, na Suíça e seguiu, quando de seu retorno à França, acarreira do magistério, divulgando o método de Pestalozzi, seueducador, com quem colaborou. Fundou e dirigiu uma escola ededicou-se à tradução de obras do alemão e do inglês. Escreveuseu primeiro livro, aos 19 anos, sobre aritmética e, mais tarde,outro sobre gramática francesa. Dedicou parte de seu tempo aoestudo e à prática do magnetismo. Casou-se aos 27 anos com aescritora e professora Amélie-Gabrielle Boudet, sua colaborado-
  15. 15. 16 adenáuer novaesra na escola. Em fins de 1854, o Sr. Fortier, magnetizador comquem Rivail mantinha relações, falou-lhe a respeito das mesasque giravam e “falavam”. Em 1855 foi convidado a assistir asreuniões onde ocorriam os fenômenos das mesas girantes. Emprincípio, ao presenciar os fenômenos, duvidou de suas causas,mas os fatos observados, a partir de então, o fizeram perceberque algo sério estava por detrás daqueles fenômenos. Após sistemáticas observações, e a partir de diferentes in-formações, vindas dos mais diversos grupos experimentais, fezestudos e levantou questões àqueles que se declararam espíritos,responsáveis pela produção dos fenômenos. Publicou o resultado de suas pesquisas em “O Livro dosEspíritos”, sob o pseudônimo de Allan Kardec, com o intuito denão confundir a origem do trabalho. O professor Rivail, que jápublicara outros livros, assinou Allan Kardec abdicando não sóda autoria dos ensinos como também propiciou o início de umnovo ciclo de atividades. Os livros escritos sob o pseudônimo de Allan Kardec fo-ram resultantes de exaustivas pesquisas e experimentos diversos,visando à universalidade do ensino dos espíritos, evitando-se co-municações oriundas de um único médium e de um único espírito. O Livro dos Espíritos foi, dentre os livros espíritas edita-dos, o primeiro cujo conteúdo trouxe a síntese do conhecimentoespírita. É a obra básica do Espiritismo contendo os princípios deuma filosofia espiritualista, sobre a imortalidade da alma, a natu-reza dos espíritos e suas relações com os encarnados, as leis morais,a vida presente, a vida futura e o futuro da Humanidade – segun-do os ensinos dados por diversos espíritos com o concurso devários médiuns – recebidos e coordenados por Allan Kardec.Não é obra de um ser humano, mas de vários espíritosdesencarnados que inauguraram uma nova era na humanidade, aEra do Espírito. Em 1861, Allan Kardec publicou O Livro dos Médiunscontendo a parte experimental do Espiritismo. É um guia para os
  16. 16. conhecendo o espiritismo 17médiuns e evocadores e contém o ensino especial dos espíritossobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios decomunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento damediunidade, as dificuldades e os tropeços que se podem encon-trar na prática do Espiritismo. O livro constituiu-se no seguimentoe ampliação das idéias contidas em O Livro dos Espíritos. Em 1864, Allan Kardec publicou O Evangelho Segundoo Espiritismo, com a explicação das máximas morais do Cristode acordo com o Espiritismo e suas aplicações às diversas cir-cunstâncias da vida. Nesse trabalho ele reuniu os artigos do Evan-gelho cristão que podem compor um código de moral universal,sem distinção de culto. É a parte moral do ensino dos espíritos. Em 1865, Allan Kardec publicou O Céu e o Inferno, noqual faz uma análise da Justiça Divina segundo o Espiritismo. Elefaz um exame comparado das doutrinas sobre a passagem davida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompen-sas futuras, sobre os “anjos” e “demônios”, sobre as penas, etc.,seguido de numerosos exemplos acerca da situação real dos es-píritos durante e depois da morte. Em 1868, Allan Kardec publicou A Gênese, que explicaos milagres e as predições de Jesus segundo o Espiritismo. Trazuma análise, à luz da ciência da época, das origens do Universo eda Terra. Embora tenha publicado outras obras (O que é o Espiritis-mo, Revista Espírita, etc.), aquelas são as principais e se constitu-em no ABC do Espiritismo. São princípios básicos do Espiritismo: 1. A existência de Deus como Causa Primeira de todas ascoisas, único e imaterial, sem a visão antropomórfica característi-ca das religiões dogmáticas; 2. A existência dos espíritos como seres imateriais, imortaise que conservam a individualidade após a morte do corpo físico; 3. A evolução dos espíritos, sem cessar, na direção da per-feição divina, único determinismo na vida;
  17. 17. 18 adenáuer novaes 4. A reencarnação como mecanismo fundamental para aevolução dos espíritos, em cujo processo se revela a Justiça Divi-na, que os educa para a compreensão das Leis de Deus; 5. A mediunidade como meio natural de comunicação en-tre os espíritos e como faculdade natural, inerente a todos os se-res humanos; 6. A moral cristã como código de ética espírita, sobre aqual se apoia a conduta do verdadeiro espírita; 7. A pluralidade dos mundos habitados e não apenas a Ter-ra, isto é, o universo infinito é plenamente ocupado. O Espiritismo penetra em quesitos fundamentais do conheci-mento humano. Aborda questões morais, filosóficas, científicas ereligiosas, daí porque se dizer que é ciência, filosofia e religião. ÉCiência porque, tendo método e objeto próprio, utiliza-se da obser-vação e experimentação na busca de seu próprio desenvolvimento.É Filosofia porque responde as questões básicas do saber humano.Estuda as origens do ser humano, de onde ele surgiu, para onde vaie quem é ele. É Religião, mesmo sem ter sacerdócio organizado,cultos ou rituais, por que busca integrar o ser humano a Deus. O Espiritismo é então o ponto de encontro desses conhe-cimentos. É a chave e o código que introduz o ser humano nacompreensão de sua verdadeira natureza. O Espiritismo difere das doutrinas mediúnicas por utilizar-se do fenômeno como meio de aprendizagem e evolução. A prá-tica da mediunidade não é sua espinha dorsal, mas uma estradapor onde se busca a verdade. Praticar a mediunidade não tornaninguém espírita. Além da aceitação de seus princípios básicos, oespírita se identifica pelos esforços que faz para se melhorar. O Espiritismo é a síntese do pensamento da humanidade, éfruto do trabalho dos espíritos e progride com a evolução da hu-manidade. Allan Kardec foi o codificador do Espiritismo. Não éidéia de uma só pessoa nem de um grupo, é mais do que umfenômeno cultural, pois nasce, como todo saber, da evolução dahumanidade.
  18. 18. conhecendo o espiritismo 19 O Espiritismo surge para levar o ser humano à felicidade,por intermédio da sabedoria e do amor, demonstrando-lhe a imor-talidade da alma, sua evolução e seu papel na vida. Vem mostrarque o egoísmo e o orgulho são os grandes males da humanidade,que prendem o ser humano ao materialismo, tirando-lhe a espe-rança no futuro e a alegria em viver.
  19. 19. 2. Deus Deus é a causa primeira de todas as coisas. Tudo o queexiste é Sua criação. Não há nada criado fora d’Ele. O ser humano compreende Deus pelas Suas obras. Deus étambém uma necessidade psicológica, pois não sé possívelestruturar-se como pessoa sem a segurança de Sua existência.Na harmonia e na coerência das obras da Criação é que ele en-contra as provas de Sua existência. A história da humanidade demonstra a percepção evolutivaque o ser humano teve a respeito de Deus. A idéia de Deus neleé-lhe inata. Na primitiva caverna, ele se escondia do trovão con-siderando-o um deus. Os fenômenos da natureza, cuja explica-ção faltava-lhe, eram tidos como deuses, ou como suas manifes-tações de satisfação, ou insatisfação. Quando ele conseguia ex-plicar tais fenômenos, como oriundos de causas naturais, modifi-cava sua interpretação e seu conceito de Deus. Desses fenôme-nos, ele passou a fabricar imagens e cultuá-las. Das imagens, elecomeçou a reverenciar pessoas como sendo o próprio Deus. Fezdessa forma com Cristo e com outros mestres que se dedicaramà tarefa de ensinar o que já compreendiam das leis de Deus. A crença em Deus foi influenciada pelo culto aos antepas-sados e pela idéia do sobrenatural. A forma como os humanoscultuavam seus “mortos” interfere e sofre interferência em sua cren-ça Nele. As manifestações dos “espíritos da natureza”, isto é, dos
  20. 20. conhecendo o espiritismo 21fenômenos climáticos, fizeram parte da estruturação da concep-ção de Deus. A maioria das religiões surge por intermédio de revelaçõesmediúnicas ou transcendentes, muitas vezes atribuídas diretamentea Deus, porém, geralmente, trazidas por espíritos que, em se co-municando com os indivíduos através de formas por estes desco-nhecidas, são tomados como sendo Ele, em face da ignorância edas crendices populares. Pode-se dizer, por esse motivo, quemuitas religiões tiveram origens mediúnicas. De alguma forma, acrença na sobrevivência da alma levou o ser humano a construirsuas religiões. Como as crenças estão disseminadas na humani-dade, o ser humano criou diversas religiões populares de acordocom sua cultura e com as épocas. Dentre outros fatores, o medo e a curiosidade em desven-dar os fenômenos da natureza fizeram com que os seres humanosacreditassem nos deuses e em outras divindades característicasdo momento histórico e da localidade em que viviam. Houve fases da humanidade em que se viveu a litolatria(culto à pedra, a imagens, ao totemismo), o antropomorfismo (cultoao homem-herói como se fosse Deus, atribuição de característi-cas humanas a Deus), o politeísmo (crença em vários deuses,dando surgimento à mitologia), a crença no Deus único (exclusi-vidade de um deus particular e de acordo com suas necessida-des), Deus Criador (Deus como gerador do mundo), Deus Pai(Deus como protetor dos humanos), Deus Arquiteto (Deus comoconstrutor do mundo), etc. Cada uma dessas concepções estárelacionada com a evolução psíquica da humanidade e com acompreensão do indivíduo de si mesmo. Quanto mais evoluído oespírito, melhor ele compreende Deus. Contrário a essas fases e independente delas, o ser humanotambém se aproximou da negação da existência de Deus, afirman-do-se materialista. O materialismo é a crença na matéria comoorigem e fim de tudo que existe. O materialista é alguém que nãoacredita em nada que dela não se origine. Para ele, não existe rea-
  21. 21. 22 adenáuer novaeslidade espiritual ou qualquer fenômeno de natureza subjetiva. Omaterialismo significa a crença em um vazio absoluto após a morte,sendo, por isso uma doutrina nihilista, isto é, nada há além do quese detecta pelos sentidos do corpo. Nada existe no corpo a nãoser a própria matéria. Não há vida após a morte. A vida material éa única que existe. Para o materialista, viver no corpo é tudo quelhe resta, o que pode levar a uma vida sem uma ética, pois que,não havendo nada além dela, nenhuma conseqüência terão seusatos. A sociedade se tornaria primitiva e extremamente dilapidadorada individualidade e da moral, levando o ser humano à idade dapedra, na qual vigorava a lei do mais forte e do mais aquinhoado. Diferente do materialismo, o espiritualismo admite a exis-tência de alguma coisa além da matéria. Há algo que sobrevive àmorte do corpo. Esse algo é a alma ou Espírito. O corpo é uminstrumento para que o Espírito possa viver no mundo material. Oespiritualismo não alcança a vida espiritual tão amiúde como oEspiritismo o faz. É espiritualista quem acredita que além da ma-téria há algo de transcendente a ela. Ser espiritualista não querdizer ser espírita. As grandes religiões da humanidade sãoespiritualistas. Algumas acreditam na pré e pós-existência da alma,outras não. O espiritualismo leva a uma esperança no porvir. Oaspecto moral passa a ter importância para a situação do ser apósa morte. O espiritualismo supera o materialismo por que apontapara um destino estruturante e esperançoso para o ser humano.Ele assim pode entrever novas possibilidades de alcançar sua fe-licidade. Não se fixa num fatalismo destrutivo e angustiante. Ao se questionar sobre Deus, sobre a origem do Universoe sobre a Vida, o ser humano percebeu que Sua existência é ne-cessária, pois que não consegue explicar a origem de tudo queexiste sem Ele. Necessariamente ele então buscou uma causa pri-meira. A essa causa primeira, abstrata em sua essência, ele cha-mou de Deus. A idéia de Deus é necessária para o humano com-preender a sua própria natureza. O ser humano por si só não seauto-explica.
  22. 22. conhecendo o espiritismo 23 A idéia de Deus é inata na pessoa. É como se Deus puses-se sua “marca” na criatura. Não seria possível ser diferente. Mes-mo os que dizem não acreditar em Deus, têm a consciência pro-funda de Sua existência. A não crença em Deus, muitas vezes, éconseqüência de um deus antropomórfico que foi “desenhado”pelas religiões dogmáticas. Esse deus está, aos poucos, morren-do, dando lugar ao Deus único, compreendido pela consciênciado ser que se percebeu espírito, em processo de evolução. Como explicar a existência do Universo? Como explicar aharmonia entre as galáxias, estrelas e planetas no infinito? Decer-to que não foi obra do ser humano. Há um ser que criou tudo. Seformos buscar aquilo que criou tudo o que existe, chegaremos aum primeiro ser. A esse primeiro ser chamaremos de Deus. Elepoderá ser entendido como o primeiro motor. O motor imóvel, aque se referia Aristóteles. O conceito de Deus está intimamente ligado aos de Bem ede Mal. Os aspectos morais da crença em Deus surgem desdeseus primórdios, quando o ser humano relacionava seus infortúni-os e suas alegrias às manifestações “sobrenaturais” da natureza.O medo do castigo, o receio das punições, as recompensas de-sejadas, foram responsáveis pela introdução daquele aspecto nacrença em Deus. O reconhecimento da criação, a percepção dabeleza na natureza, a percepção do amor e da harmonia, tambémcontribuíram para acreditar-se em Deus como sendo o Amor,como contraposição ao que se recebia da natureza, consideradaagressiva. A sombra do ser humano, que significa seu desconhe-cimento de sua personalidade e a negação do que é consideradomal como inerente a si mesmo, o que, em última análise, é o des-conhecimento das Leis de Deus, levou-o a criar o conceito demal. O mal é apenas ausência do bem. É uma criação abstrata,não tem existência real. É apenas a impossibilidade de enxergar-se o bem. Ambos os conceitos são, provisoriamente, importantespara se encontrar a verdadeira essência das coisas. Deus criou os seres para evoluírem e alcançarem a perfei-
  23. 23. 24 adenáuer novaesção, a qual é o perfeito conhecimento de Suas leis. Quando o serhumano conhecer e praticar as leis de Deus, estará livre da influ-ência do mal. Um dos mecanismos que o ligam ao criador é aoração, ou prece. Com a prece, nascida da essência do coração,ele sintoniza com Ele. A oração é uma forma de se elevar o pen-samento e de se conectar ao espiritual. A oração alivia, acalma ecura. Seu poder se estende além da crença, tendo influência noestado físico, psicológico e espiritual de quem a utiliza. A fé é um elemento importante, porém não essencial, paraa compreensão da existência de Deus. O significado de se ter fé,transcende à crença cega em algo dogmaticamente estabelecido.No Espiritismo a fé exige raciocínio, emoção, discernimento elógica para a consciência da existência de Deus se estabelecer. Afé em Deus significa a compreensão lógica e sentida de Sua exis-tência. No Espiritismo a fé é raciocinada em bases lógicas, clarase emocionais. A fé e a oração colocam a pessoa em contato com Deus,estabelecendo, de acordo com a forma e o conteúdo, uma rela-ção de submissão ou de identidade. A submissão vem da atitudepetitória e louvatória e a identidade de uma tentativa de identifica-ção com os objetivos divinos. A idéia de Deus, no Espiritismo, é completamente destitu-ída de antropomorfismo, sendo o Universo conseqüência de Suavontade. O Bem é visto como finalidade última, manifestada naharmonia e se apresenta em diferentes níveis de compreensão. Oser humano, o qual em sua essência é o Espírito, juntamente comas Leis universais, é a Criação de Deus.
  24. 24. 3. Espíritos O espírito constitui-se num resultante da evolução do prin-cípio espiritual, ou Espírito, após sucessivas existências em con-tato com a matéria bruta, com organismos vegetais e com a com-plexidade dos corpos animais. Difere do princípio material não sópela inteligência como também pela capacidade de assimilar asleis de Deus, desenvolvendo-se nelas. Espírito, com E maiúsculo,aqui é definido como sendo a essência imaterial, inteligente, cria-do simples e ignorante. Por outro lado, espírito, com e minúsculo,é aquele princípio espiritual que já alcançou a condição humana eé dotado de perispírito. Quando o princípio espiritual atinge a capacidade de utili-zar um corpo humano, ele é denominado espírito. Portanto, aorigem dos espíritos remonta à criação do princípio espiritual,, oqual foi e é gerado por Deus. O surgimento de novos espíritos éconseqüência natural da evolução do princípio espiritual e se dáconstantemente. O ser humano possui natureza tríplice, sendo ele o encon-tro do corpo físico, do perispírito e do Espírito. Essa constituiçãoo coloca em condições de viver a vida material e a espiritual si-multaneamente. O corpo físico é o veículo de manifestação doespírito na realidade material. O perispírito é um organismo deligação entre a vibração da matéria e a natureza transcendente doEspírito.
  25. 25. 26 adenáuer novaes Em que pese a crença na existência dos espíritos ser anti-ga, a confirmação científica de sua existência é ainda algo postosob dúvidas, sendo aceita pelas religiões e alguns sistemas filosó-ficos. Ainda não é do domínio da maioria das ciências, nem mes-mo como objeto de estudo. Mas o fato que mais marcou a história do Espiritismo antesde Allan Kardec, foi o surgimento dos fenômenos de Hydesville,nos Estados Unidos, em março de 1848. Naquele condado doEstado de New York, na casa da família Fox, numa noite de ve-rão, no quarto das filhas do casal, pancadas nas paredes foramouvidas, parecendo um tipo de comunicação. As meninas Katherinee Margaretta, de nove e doze anos, resolveram solicitar a quemquer que estivesse fazendo aquilo que repetisse as batidas queelas passaram a fazer nos seus dedos. Foram prontamente aten-didas. Iniciou-se ali um sistema de comunicação em código entreas meninas, juntamente com seus pais, que a elas se juntaram e oespírito, que se denominou Charles Rosma. Ele disse ter sido ven-dedor ambulante e que antigos moradores da casa o assassina-ram, havia cerca de cinco anos, para roubar-lhe dinheiro. Disseque seu corpo estava sepultado no porão. Tempos depois, tudofoi investigado e constatada a veracidade. Assim começaram as reuniões espíritas, nas quais, os espí-ritos, espontaneamente, traziam informações da vida espiritual bemcomo de suas ações e motivações. Todos os princípios básicosdo Espiritismo foram trazidos por intermédio de comunicaçõesobtidas em reuniões em que os espíritos ditavam mensagens parao esclarecimento dos encarnados. As comunicações foram obti-das através de pancadas, de mesas girantes, da escrita com ossem o auxílio direto de médiuns, dentre outros meios. Os Espíritos foram criados por Deus, que continua criandosem cessar, simples e ignorantes quanto às Suas leis. Essa criaçãoé de toda a eternidade e ocorre em todo o Universo. Os espíritospovoam o cosmo e encarnam em mundos espalhados pelo infini-to, os quais estão em diferentes estágios de desenvolvimento so-
  26. 26. conhecendo o espiritismo 27cial, moral e tecnológico. Tais mundos são habitados pelos espí-ritos, que também se encontram nos mais diferentes níveisevolutivos. Os mundos se comunicam à semelhança das cidadesde um mesmo país. Os espíritos, de acordo com propósitos su-periores, deslocam-se de um mundo a outro a fim de cumpriremaprendizados que os capacitem à perfeição. Os Espíritos manifestam-se na natureza através do elementomaterial. Revestem-se de um corpo de matéria sutil para operarno mundo material. Esse corpo chama-se espiritual ou perispíritoe é seu veículo de manifestação no mundo físico, sendo-lhe im-portante no seu processo de evolução. Neste corpo sutil estãogravadas todas as experiências acumuladas pelo Espírito no de-correr de sua evolução. A manifestação dos espíritos decorre da existência desseperispírito, que lhes permite transitar de um mundo a outro e influ-enciar a matéria. O perispírito é um organismo semimaterial e sepresta à ligação entre a matéria e o Espírito, sendo veículo impor-tante nas manifestações mediúnicas. Por causa de suas proprie-dades semimateriais é que se processam as comunicaçõesmediúnicas, bem como a gama de fenômenos anímicos denomi-nados paranormais ou parapsicológicos. Sua matéria constitutivaé sutil e impressionável pelo pensamento, não sendo ainda possí-vel detectá-la pelos modernos aparelhos eletrônicos, por maissofisticados que sejam. Os órgãos do perispírito são chamados de chakras ecorrespondem aos plexos do corpo físico. Os chakras são cen-tros de força que comandam as atividades do perispírito e, indi-retamente, as do corpo físico. O perispírito se liga ao corpo físicomolécula a molécula, enraizando-se na corrente sangüínea e ner-vosa, participando dessa forma de todas as sensações. Operispírito também possui camadas denominadas de corpos, quese prestam a processos distintos. Há, no perispírito, a parte rela-tiva ao corpo astral da qual se utiliza o espírito quando desencarna;há o corpo vital, que lhe serve de manutenção da atividade vital
  27. 27. 28 adenáuer novaesdo corpo físico; há a parte mental, que lhe comanda os processosligados à memória e outras atividades psíquicas; há o corpo cau-sal que registra os processos cármicos; o corpo emocional, sededas emoções, etc. No perispírito ficam gravadas as experiências que o espíri-to vai tendo durante suas sucessivas existências em corpos físi-cos. O corpo físico registra a experiência, o perispírito grava e acodifica passando ao Espírito que a assimila de acordo com a leide Deus que lhe corresponde. Os espíritos moldam o perispíritode acordo com seu pensamento e vontade. No perispírito ficamgravadas as heranças cármicas. Quando o espírito retorna a umanova existência, essa gravação será responsável pelas alteraçõesno corpo físico, resultando nos processos educativos a que tenhaque atravessar. Os espíritos se organizam no mundo espiritual de acordocom seus níveis evolutivos e por afinidades e propósitos. À medi-da que evoluem, mudam de situação e se agrupam com aquelesque estão em sua faixa de evolução. Após a morte a evoluçãocontinua, não havendo nenhuma espera para julgamentos nemestação de repouso definitivo ou sofrimento eterno. A sociedadedos espíritos evolui, podendo ele viver tanto em diversas regiõesdo mundo espiritual quanto em outros planetas. O universo é ha-bitável em toda a sua infinita extensão. Quando o espírito já apren-deu o suficiente num mundo, ele passa a um outro que lhe possamostrar outras leis de Deus que ele ainda não conhece. A evolu-ção nunca cessa. Os espíritos, vinculados àqueles que ficaram no mundomaterial, costumam lhes aparecer a fim de provar-lhes a continui-dade de sua existência. São comuns as aparições de pessoas re-cém-falecidas junto a parentes com a finalidade de se despedi-rem deles. Essas aparições muitas vezes provocam medo e sãoatribuídas a forças demoníacas. Nada mais são do que testemu-nhos da continuidade da vida após a morte. A morte do corpoprovoca a desencarnação do espírito. Morte e desencarnação se
  28. 28. conhecendo o espiritismo 29referem a sujeitos distintos. A morte diz respeito ao corpo físico,e a desencarnação refere-se à saída do espírito. Com a morte, operispírito se separa do corpo a fim de que o espírito possa viversua verdadeira vida, a espiritual. Alguns espíritos, pela sua natureza, não só se apresentam,como também se materializam, tornando-se tangíveis. Utilizando-se dos fluidos (energias) especiais conseguem se mostrar de for-ma inequívoca, provando sua existência e individualidade. Através de comunicações faladas, escritas e pela visão dealguns médiuns, trazem mensagens ricas de identificações e dedetalhes comprováveis de sua veracidade. Às vezes, produzemescrita direta, sem que para isso haja qualquer interferência deencarnados. Simplesmente uma página, antes em branco e do-brada sob uma peça ou dentro de uma gaveta, aparece escrita. À época do surgimento do Espiritismo, estavam em modana Europa as reuniões para se assistir às famosas mesas girantes.Salões ficavam repletos para se levar perguntas às pequenas me-sas de três pés, a rodarem sobre o alfabeto para que se anotas-sem as respostas. Muitas coerentes, outras incompreensíveis, tantoperguntas quanto respostas. Médiuns de efeitos físicos forneciamfluidos necessários para que as mesas fossem manipuladas pelosespíritos desencarnados. Muitos cientistas e estudiosos de várias áreas se dedica-ram a investigar os fenômenos e as teses espíritas com relativosucesso. Dentre eles Franz Anton Mesmer (1776), com os estu-dos sobre magnetismo, William Crookes (1872), com seus estu-dos sobre materializações de espíritos, e Charles Richet (1922),com seu Tratado de Metapsíquica. Outros, não citados, nega-ram, sem contudo apresentar explicações convincentes, deten-do-se apenas na procura de fraudes. A entrada, porém, dos prin-cípios espíritas como objeto de investigação científica, se deu comos trabalhos de Joseph Banks Rhine (1930) da Universidade deDuke, na Carolina do Norte e de Ian Stevenson (1960) da Uni-versidade da Virgínia, ambas dos Estados Unidos. Seus traba-
  29. 29. 30 adenáuer novaeslhos, de repercussão internacional e de credibilidade reconheci-da, dentre outros, prestaram-se à comprovação dos princípiosespíritas. Os espíritos podem ser classificados em níveis distintos deacordo com seus graus de evolução, aperfeiçoamento e com suascaracterísticas de personalidade. Há aqueles que são sábios ebondosos que se comprazem em fazer o bem, os superiores, osque são amigos, os familiares, os levianos, os pseudo-sábios, comotambém há os equivocados e infelizes que ainda buscam prejudi-car as pessoas. À exceção dos espíritos puros, de alto grau deevolução e que já dispensam o estágio na matéria, todos aindasão imperfeitos. Os espíritos não são seres à parte na criação divina. Nóstodos somos espíritos em processo de evolução, sujeitos às mes-mas leis do mundo espiritual. Uns no corpo físico, outros foradele, todos estamos submetidos às leis de Deus. Os espíritos,fora do corpo físico, constituem-se no nosso futuro após a morte,tanto quanto somos a realidade deles quando retornam. Os espí-ritos estão longe de serem iguais, diferindo em elevação, de acor-do com o grau de perfeição alcançado.
  30. 30. 4. Evolução Deus, de quem se originou o Universo, criou o Espírito e oFluido Cósmico Universal, do qual se deriva a matéria. A diferen-ciação do fluido cósmico universal faz aparecer a energia e con-seqüentemente a matéria. Nada há fora do universo a não serEspírito e matéria, nas suas mais variadas manifestações. O serhumano (espírito) é produto dessa criação, que evoluiu desde osprimórdios da Terra até alcançar a constituição atual, no sentidofísico e psíquico. Ele não é criação instantânea, nem tampouco éproduto final dela, representando o grau máximo atual da evolu-ção na Terra. A origem do universo, com suas galáxias, estrelas, plane-tas, cometas e satélites, perde-se na eternidade, não sendo possí-vel determinar-lhes a época com precisão. O fato é que foi criadoem dado momento por Deus, sendo tempo e espaço conceitosrelativos discutíveis. Os estudos atuais a esse respeito revelamque houve uma grande explosão responsável pela expansão douniverso, que se iniciou há aproximadamente quinze bilhões deanos. Dessa explosão surgiram conglomerados de estrelas oriun-das de nebulosas, cujo resfriamento deu origem aos sistemas pla-netários. O sistema solar, do qual a Terra faz parte, está imerso nagaláxia que tem o nome de Via Láctea. A criação da Terra se deupelo resfriamento de uma nebulosa, que gerou o sol e os planetas,há aproximadamente quatro bilhões e meio de anos atrás.
  31. 31. 32 adenáuer novaes A natureza, com toda a sua diversidade e manifestações, éfruto dessa evolução, não sendo concebíveis criações mágicas eextemporâneas. A terra, os mares, os vegetais, os animais, o cor-po humano e demais elementos da natureza, são frutos da evolu-ção e do desenvolvimento da Vida na Terra. Num período apropriado, Deus criou o princípio vital naTerra, e a partir de então se deu a expansão da criação. Essamanifestação da Vida era apenas algo diferenciado da matéria,porém sem consciência dessa diferenciação. Algo como uma es-pécie de poder vivificador latente à matéria. Esse princípio vital,em contato com a matéria, aos poucos, de acordo com as modi-ficações ambientais que iam transformando a Terra, estruturava-se a caminho de sua própria identidade. As eras geológicas sesucederam e, com elas, a essência de vida, criada por Deus, apartir da conexão do princípio vital com o material, que denomi-namos de princípio espiritual, foi paulatinamente se desenvolven-do. Esse mesmo princípio, acoplando-se às formas materiais, foise estruturando, desenvolvendo-se, apreendendo as leis do uni-verso, numa trajetória constante na direção do divino, tornando-se cada vez mais complexo e buscando formas mais aptas ao seuprogresso. Passa pelas experiências junto à matéria bruta (princí-pio material), estagia nas formas transitórias entre o mineral e ovegetal, passa pelas espécies vegetais, apreendendo a sensibili-dade e os mecanismos da nutrição, atravessa o reino animal al-cançando o ser humano quando, nesse processo contínuo, estru-tura a razão ou consciência de si e de Deus. A extinção de animais em eras remotas e a inexistência deelos perdidos na evolução obedecem aos princípios do desen-volvimento espiritual objetivado pelo Criador da Vida. Cada or-ganismo serve a um propósito. Não havendo mais aquele tipo deorganismo é por que outro mais apto atenderá às novas necessi-dades do ser em evolução, isto é, um organismo mais adequadoatenderá a um propósito mais complexo. Caso haja a extinçãosem que um propósito tenha sido atingido, o princípio espiritual
  32. 32. conhecendo o espiritismo 33irá migrar para um mundo onde possa alcançar aquele conheci-mento ainda incompleto. Dessa forma, os diversos reinos da natureza estão encade-ados e consolidados num processo de contínuo aperfeiçoamentomaterial e espiritual. Subjacente ao aperfeiçoamento das formasmateriais, isto é, dos organismos, há o desenvolvimento do prin-cípio espiritual que, no estágio humano, é chamado de Espírito. No reino animal, principalmente no humano, a passagemdo princípio espiritual entre formas físicas se dá através da reen-carnação. Esse mecanismo consegue explicar a evolução da com-plexidade do psiquismo humano. A cada nova experiência emcontato com um corpo material, o princípio espiritual vai adqui-rindo outros conhecimentos que o capacitam aos desafios nasdiferentes formas, na direção do divino, cujo objetivo é a perfei-ção. Nessa trajetória o Espírito vai conhecendo e aplicando asleis de Deus, sem o que se torna impossível evoluir. O processo de aquisição de conhecimentos nas experiên-cias num organismo, que capacita o princípio espiritual a acoplar-se em outros, dá-se através da consolidação de um corpo inter-mediário entre a matéria e o Espírito. Esse corpo, denominadoperispírito, serve como aparelho de registro das experiências ad-quiridas em fases anteriores. Ele é o veículo de manifestação doprincípio espiritual, e, mais tarde, do Espírito, quando fora docorpo material, durante o sono e nos intervalos entre uma exis-tência e outra. Graças a ele, a reencarnação processa-secompatibilizando um estágio evolutivo em outro mais adiantado,isto é, mais apto a um novo aprendizado. Não é possível a um serque esteja num estágio superior reencarnar em corpo animal maisatrasado, isto é, menos complexo. Um ser humano não reencarna,portanto, num corpo de outro animal. Tudo se encadeia no universo, da forma mais primitiva, dapartícula mais elementar, ao ser mais evoluído. Tudo evolui nanatureza, em direção ao amor de Deus. Tudo está interligado econectado a Ele. A evolução não dá saltos, é infinita e inexorável.
  33. 33. 34 adenáuer novaesO ser humano, portanto, evoluiu a partir de espécimes inferioresque possibilitaram a aquisição de experiências fundamentais àpercepção das leis de Deus. Quando, num planeta, cessa apossibilidade da aquisição de experiências para essa percepção,o espírito passa a reencarnar em mundos mais adiantados, conti-nuando assim sua trajetória evolutiva, até não mais reencarnar.Há uma evolução material, que modela novas formas mais ade-quadas à aquisição das experiências; e uma evolução espiritual, aqual possibilita ao ser humano alcançar os objetivos divinos. A evolução tecnológica e científica fez o ser humano fixar-se mais para fora de si mesmo e envolver-se mais com o mundoexterno. A evolução espiritual o levará ao encontro consigo mes-mo e com Deus. As ciências da alma, em particular a Psicologia,têm se dedicado ao estudo do comportamento humano sem, con-tudo penetrar em sua natureza espiritual. O ser humano é essenci-almente Espírito, mesmo revestido de um corpo material, e trans-cende às explicações causalistas de seus comportamentos. Suanatureza espiritual o coloca em contato com Deus, independentede suas crenças ou das explicações teológicas das religiõesdogmáticas. A evolução espiritual é a única fatalidade que existe. O Es-piritismo reconhece o ser humano como um ser eterno, por contade sua natureza espiritual, e o coloca como autor de seu destino eco-autor da evolução social. A evolução possibilitará o encontrosublime e misterioso entre o ser humano e Deus, eternamente an-siado por ele e objetivado por Ele. É o encontro místico e trans-cendente a que se referem os grandes mestres e as religiões, des-de as mais primitivas às contemporâneas. O Espiritismo aponta novos rumos evolutivos, propagandoa necessidade do ser humano perceber-se um ser em evoluçãobem como a entender os diversos níveis em que se encontramseus semelhantes. Não só afirma a evolução humana como também se colocacomo um conhecimento e um saber que admite seu próprio de-
  34. 34. conhecendo o espiritismo 35senvolvimento ao longo do tempo. Não compactua com dogmasnem argumentos calcados em afirmações sem provas. Suas ba-ses se assentam nas leis da natureza, não havendo princípio, que,se contrariado pelo saber humano, permaneça como corrobora-do pelo Espiritismo. Sua autoridade está na própria realidade dosfatos e não na autoridade de pessoas ou livros nos quais as opini-ões sejam inamovíveis. Não há autoridade maior que aquela aceitapela consciência e confirmada pelos fatos. A evolução, desde muitopercebida, representa a certeza de que na natureza tudo ascendena direção da harmonia e do equilíbrio, cujo paradigma maior é oamor. A evolução humana consiste em adquirir-se o conhecimen-to das leis de Deus e aplicá-los a serviço da construção da paz eda harmonia. Evoluir é apreender Suas leis para a felicidade pró-pria e a coletiva.
  35. 35. 5. Libertação do Espírito O espírito, mesmo vinculado ao corpo físico, goza de rela-tiva liberdade face às propriedades de seu perispírito. Não sóapós a morte, mas principalmente durante o sono, o espírito seliberta do corpo. Quando o corpo dorme, mantém-se a ele ligadoe se relaciona com outros em idêntica situação ou com aquelesque já retornaram à vida espiritual. Ao despertar ele terá, por in-termédio dos sonhos, vaga lembrança do que ocorreu. Há casosem que o espírito se liberta do corpo, no sono ou no estado devigília, de forma consciente, sendo possível que escolha livremen-te o que fazer e aonde ir. Esse fenômeno é conhecido com o nomede viagem astral ou desdobramento, onde o espírito guarda nítidae vívida impressão de quase tudo que lhe ocorreu durante aquelesmomentos que passou em estado alterado de consciência. A Bí-blia está repleta de casos de desdobramentos em que seus prota-gonistas contaram seus encontros com “anjos” e com “Deus”. O sonambulismo é um estado parcial de emancipação doespírito, em que, às vezes, ele consegue, utilizando-se de seu pró-prio corpo, estabelecer relativa comunicação entre a realidadeespiritual e a material. Outros estados característicos de emanci-pação do espírito ocorrem nos casos de catalepsia, morte apa-rente e nos estados de coma. Nesses estados, os espíritos costu-mam encontrar-se com outros e registrar as ocorrências que sedão à sua volta. São muito comuns os relatos de pessoas que
  36. 36. conhecendo o espiritismo 37permaneceram conscientes quando passaram pelo estado decoma, durante cirurgias em que se submeteram a anestesia geral,ou sofreram violento trauma em que desacordaram, acerca dosacontecimentos que ocorreram à sua volta com médicos e enfer-meiros, sem que pudessem fazer alguma coisa em favor de seupróprio restabelecimento. A saída definitiva do espírito do corpo físico se dá com amorte deste e conseqüente desencarnação daquele. A desencarnaçãoé o fenômeno que liberta o espírito daquilo que foi seu corpo físico,devolvendo-o à sua verdadeira condição. A desencarnação é omecanismo natural de transferência para outra realidade da Vida. Todos os espíritos estão sujeitos a ela, bem como ao seuretorno a uma nova experiência na carne, até que, evoluídos, li-bertem-se definitivamente das encarnações. Quando a desencarnação ocorre de forma provocada,decorrente da eutanásia, do homicídio ou do suicídio, o espíritose perturba, não só pela maneira violenta, como também em facede seu desconhecimento do significado da vida no corpo e foradele. Muitas vezes, o espírito permanece vinculado ao corpo,mesmo depois de decorrido algum tempo de morto, face à sualigação vital com ele. A eutanásia não permite que o espírito, du-rante aqueles momentos de dor e sofrimento, reflita e se melhore,aproveitando a situação para entender os mecanismos sutis deque se utilizam as leis de Deus para educá-lo, visando seu próprioprogresso. Cercear essa possibilidade pode significar adiar a opor-tunidade de fechar ou refletir sobre um ciclo de provas em curso. Em geral, o suicida sofre após seu ato, principalmente, ten-do em vista a constatação da continuidade da vida. O motivo, istoé, o conflito que o levou a tomar aquela lamentável decisão nãocessa após a morte do corpo físico, pois sua personalidade conti-nua intacta e frágil da mesma forma. Via de regra o suicida reencarnapara completar o tempo desperdiçado e com seqüelas físicas. A vida no corpo é uma oportunidade para o espírito edu-car-se e preparar-se para novas jornadas cada vez menos dolo-
  37. 37. 38 adenáuer novaesrosas e em mundos mais adiantados, onde terá maiores e melho-res oportunidades de crescimento. Nesse sentido, viver é edu-car-se para morrer, o que o faz retornar ao seu mundo de origem,capacitando-o a novas realizações superiores. Da mesma forma que a eutanásia e o suicídio, as mortespor assassinatos e pelo aborto também provocam perturbaçãoao espírito pela sua expulsão não natural do corpo físico. O abor-to geralmente provoca conseqüências psicológicas àqueles queparticiparam direta e indiretamente no seu processo. A culpa e oremorso são componentes básicos dos sofrimentos de seus cau-sadores. O desrespeito à vida provocará a necessidade de apren-der a valorizá-la no futuro, ensejando algum processo educativo. O Espírito nunca dorme nem cessa sua atividade psíquica.O sono, que é do corpo, não interrompe sua atividade e seu esta-do consciencial. É durante o sono que o espírito se liberta parci-almente do corpo, comunicando-se com outros espíritos, reno-vando seus propósitos na existência atual. Nesse contato, ele podese lembrar tanto de suas vidas passadas como também tem aces-so a eventos futuros. Seus sonhos, dessa forma, poderão trazerimagens de eventos que efetivamente ocorreram durante o sono,de experiências que se deram em vidas passadas e fragmentos deoutras que ainda irão ocorrer no futuro. Neste último caso, sãochamados de sonhos premonitórios. Uma vez liberto das imposi-ções da matéria, o espírito possui mais elementos para antever ofuturo. O que ele perceber terá grande probabilidade de ocorrer,não sendo algo absoluto. Isto quer dizer que nem tudo estádeterministicamente traçado. Pode o espírito, de acordo com seugrau de evolução, alterar o destino face ao seu livre arbítrio, sub-metendo-se às naturais conseqüências da mudança realizada. É muito comum o espírito familiar já desencarnado apare-cere durante o sono a fim de diminuír as saudades de seus entesqueridos que permanecem ainda encarnados. Inspiram-lhes no-vas idéias e os impulsionam a continuarem motivados, bem comoa suportarem as provas necessárias ao seu progresso.
  38. 38. conhecendo o espiritismo 39 Face às propriedades do perispírito e ao grau de adianta-mento, o espírito, enquanto encarnado, pode possuir a capacida-de de ver além do corpo físico mesmo estando acordado. O cor-po não é uma prisão absoluta para o espírito, pois ele tambémtem parcial lembrança de seu passado e percepção de seu futuro.Pela faculdade conhecida pelo nome de dupla vista, ele percebeos acontecimentos bem como tem intuições quanto ao futuro. As desencarnações variam de acordo com as necessida-des cármicas de cada um, não havendo, portanto, uma igual aoutra. Às vezes, elas são precipitadas pelo próprio espírito, nãosó por suicídio direto como também pelo indireto. Este último sedá quando, pelo gasto de fluido vital, ele abrevia seu tempo devida. Esse gasto excessivo se verifica quando ele, pela alimenta-ção inadequada, ou através de práticas de vida que consomemmuito fluido vital, destrói seu próprio organismo. São suicídioslentos, ocorrendo a desencarnação antes do tempo. Outras vezes ocorrem desencarnações acidentais por con-ta de processos em que o espírito se envolve, não previstas paraa atual encarnação, mas que se verificam em decorrência de im-prudências, imperícias ou negligências. Quando a pessoa desencarna, geralmente seus parentes daatual encarnação, que já retornaram ao plano espiritual, recebem-na e a amparam, orientando-a para sua nova situação após a mor-te do corpo físico. Às vezes, são espíritos vinculados ao recém-desencarnado, que ele não conheceu na atual encarnação, masque lhe foram caros em outras. Em geral, nos momentos que sesucedem à desencarnação, a pessoa entra num estado de pertur-bação momentânea semelhante a sonolência, recobrando os senti-dos após algum tempo, o qual varia de acordo com o grau deevolução do espírito. Quanto mais os familiares que ficaram se la-mentarem e se desesperarem pela morte do parente, mais o espíri-to se perturba, demorando a retornar ao equilíbrio. Às vezes, osespíritos encarregados de auxiliar outros que desencarnam, vêem-se na contingência de provocar uma pequena melhora no doente
  39. 39. 40 adenáuer novaespara que a família, afastando-se, afrouxe os laços do apego e per-mita que o indivíduo se separe do corpo sem muito sofrimento. Algumas desencarnações são programadas a fim de facili-tar o processo de crescimento do espírito. Às vezes, é melhordesencarnar o espírito naquele momento, a fim de que ele não secomprometa mais com seu próprio futuro espiritual. A morte do corpo, com conseqüente mudança de habitatvibratório é um fenômeno inevitável e necessário ao aprimora-mento do espírito. Com ela, completa-se um ciclo e inicia-se ou-tro de igual relevância para o desenvolvimento espiritual. A vidase renova sempre a cada etapa. Encontros e desencontros sãomarcados pelas sucessivas encarnações. Cada espírito terá aqui-lo que ele mesmo semeou em suas existências corporais. Viver no corpo torna-se uma necessidade evolutiva face aosdesafios da vida após a morte. Vive-se bem após a morte de acordocom o que se fez quando no corpo físico. Vive-se bem no corpofísico de acordo com o que se viveu em vidas passadas. Cuidar bemdo corpo é, portanto, importante para se ter uma vida espiritual, comotambém para novas e posteriores existências na matéria. Embora avida espiritual seja a vida verdadeira não se pode desprezar a vidaterrena como oportunidade de aprendizado das leis de Deus. Muito mais importante do que ser espírita ou ter esta ouaquela religião é perceber-se um espírito em processo de evoluçãoque, invariavelmente, sai de seu corpo para viver a vida espiritual.A vida espiritual é destino de todos, independentemente de crençaou aceitação de dogmas. Vive-se fora da matéria de acordo com onível de evolução do espírito, que não se mede pela declaração deprincípios de fé, mas pela experiência nas sucessivas existências. As desencarnações provocadas, seja pelo suicídio, peloaborto, pela eutanásia ou por negligência do ser humano, acarre-tam conseqüências aos seus responsáveis diretos e indiretos.Deixam marcas perispirituais que exigem tratamento no mundoespiritual e que poderão repercutir nas existências seguintes, sur-gindo muitas vezes como “marcas de nascença”.
  40. 40. 6. Reencarnação e ciência Presente nas mais diversas culturas, a reencarnação desa-fia o tempo, permanecendo viva na mente e nas crenças do serhumano. Desde a mais remota Antigüidade até os nossos dias, elavem sendo a forma mais completa de explicar os diversos e com-plexos fenômenos da experiência humana. Sua credibilidade vemde evidências experimentais e de provas sob rigoroso controlecientífico. A reencarnação é hoje um fato cientificamente provado,em que pese pouco explorado. Com fortes evidências sob o pontode vista da ciência, já alcançou a atenção dos institutos de pes-quisas das universidades. Não é difícil demonstrar, através deprovas científicas, que a Reencarnação é uma lei universal e que aevolução humana se processa através dela. Reencarnar é retornar a um novo corpo, através de umnovo nascimento, via fecundação biológica, da personalidade indi-vidualizada do ser humano. Retornar significa voltar com a mes-ma individualidade anterior. Apesar de mudar-se de nome, decorpo e, às vezes, de cultura, não se passa a ser outro espírito. Apersonalidade anterior se modificará a partir do nascimento, comum novo ambiente, porém o espírito continuará o mesmo, acres-cendo novos conhecimentos. Encontramos como sinônimos dereencarnação o termo palingênese, que significa “nascer de novo”e o termo metempsicose, de origem grega, cujo significado apro-
  41. 41. 42 adenáuer novaesxima-se do de reencarnação, porém, ao contrário do conceitoespírita, o qual só admite o retorno a um corpo humano, tambémaceita a possibilidade de se regredir às formas animais. Os mais antigos livros onde encontramos a doutrina da re-encarnação são os Vedas, de cuja matriz surgiram grande partedas religiões e sistemas filosóficos da Índia, os quais contêm hi-nos sagrados, cuja origem remonta muitos anos antes de Cristo.No Egito, as dinastias mais antigas, acreditavam na preexistênciada alma, antes do seu nascimento, assim como na sua pós-exis-tência depois da morte e nos muitos nascimentos da alma neste eem outros mundos. Religiões significativas da Pérsia, principalmente oZoroastrismo, na sua forma genérica popular e dinâmica, seguiamdoutrinas contendo a reencarnação, com a concepção de umaespécie de justiça cósmica, na qual as almas recebiam os seusprêmios ou castigos merecidos nas vidas futuras. Há registros deque da Pérsia, a crença da reencarnação foi levada à Grécia. A religião ortodoxa Islâmica não aceita nenhuma doutrinade reencarnação. Apesar disso, algumas escolas esotéricas den-tro do Islamismo – tais como os Sufis e os Drusos, defendemfortemente a reencarnação. Alguns místicos islâmicos e poetassufis como Rumi, Hafiz e outros, defendiam abertamente a reen-carnação. De acordo com Flavius Josephus, o 1º historiador judeu doséculo I d. C., as três escolas antigas de pensamento e prática dareligião judaica – os Saduceus, os Fariseus e os Essênios – diferen-ciavam-se acerca do destino da alma após a morte do corpo. OsSaduceus defendiam que a alma morre juntamente com o corpo.Os Fariseus mantiveram a imortalidade da alma, o renascimentodas almas das pessoas boas noutros corpos e o castigo eterno dasalmas dos mais fracos. Os Essênios aceitavam a imortalidade erejeitavam a reencarnação. O Velho Testamento contém passagens(Provérbios 8:22-31; Jeremias 1:4-5) nas quais o autor professaque teria existido anteriormente ao nascimento físico, com desta-
  42. 42. conhecendo o espiritismo 43que para Malachias (4:2-6) que previu o retorno de Elias à Terra. No Alasca, entre os índios da tribo Tlingits, é crença geralque os mesmos sinais e cicatrizes podem reaparecer no corpo dorenascido. Fato já comprovado cientificamente nas pesquisas deIan Stevenson. Entre os Esquimós, há inúmeros casos de pessoasque se recordam de suas vidas pregressas. Diversas tribos ameri-canas, dentre elas os Peles-Vermelhas, aceitam a reencarnação.Os Winnibagos crêem na reencarnação. Crença idêntica existe en-tre os índios Chippeway. Eles estão certos de que, em seus so-nhos, podem reviver acontecimentos de encarnações passadas. A principal corrente do Cristianismo ortodoxo, o Catoli-cismo, nunca acolheu abertamente a doutrina da reencarnaçãonas suas crenças, porém pensadores importantes e seitas dinâmi-cas abraçaram uma ou outra versão da doutrina dos renascimentosterrestres. Um Conselho “ecumênico” importante (o 2º deConstantinopla, em 553 d. C.), de acordo com a crença comum,anatematizou, isto é, condenou todas as concepções dapreexistência da alma e do renascimento, que faziam parte dasteses de Orígenes (185 – 254 d. C.), excomungado em 232 d. C.por adotar a reencarnação. Um dos expoentes máximos da Igre-ja, Clemente de Alexandria (preceptor de Orígenes), aceitava areencarnação e, ainda mais, afirmava que São Paulo também pro-fessava tal crença. Nos Diálogos de Platão - Fedon, Banquete e República,a reencarnação é apresentada como um dos ensinos de Sócrates.Em República, livro X, há o episódio de Er, filho de Armênio,originário da Panfília, que, após 12 dias de morte aparente, recu-pera-se e conta o que viu no mundo dos mortos. Relatou comose dá o retorno das almas para o renascimento. Anteriormente a Sócrates, pelo menos Pitágoras, Heráclitoe Empédocles expressaram explicitamente idéias de reencarna-ção. Em Fedro, Platão atribuiu a Sócrates a doutrina da existên-cia da alma antes de entrar neste mundo, assim como a sua so-brevivência.
  43. 43. 44 adenáuer novaes A despeito da Filosofia e em pleno século XX, as investi-gações sobre o tema tomaram novo impulso. Na França, comAlbert Des Rochas, na Índia com Hamendras Nat Banerjee, nosEstados Unidos, com Ian Stevenson. Cada um à sua época, de-senvolvendo diferentes métodos de pesquisas, a partir de fatosconcretos, trouxe nova luz a respeito da reencarnação, principal-mente introduzindo-a como objeto de investigação científica. As pesquisas em torno da reencarnação virificam-se emvários campos; dentre eles, tem-se a Regressão de Memória e asLembranças Espontâneas na Infância. Entre os estudiosos de re-gressão de memória destacam-se Albert Des Rochas, Edith Fiore,Denis Kelsey, Morris Netherton, Helen Wambach e HermínioMiranda. Todos eles desenvolveram experiências em torno daregressão de memória com resultados surpreendentes, queextrapolaram os espaços científicos, penetrando nos consultóriosde psicólogos como técnica terapêutica. Nas pesquisas de Lembranças Espontâneas na Infância,destacam-se os trabalhos de Ian Stevenson, H. N. Banerjee eHernani G. Andrade. São pesquisas de grande credibilidade pe-las características da espontaneidade e da insuspeição em se tra-tando de crianças. Há milhares de casos catalogados com a con-firmação das informações sobre vidas passadas que não se resu-mem a vagas memórias, mas, sim, a dados precisos, com nomes,datas, locais e detalhes importantes. Em tais pesquisas verificou-se que, o intervalo de tempo entre uma e outra encarnação podevariar de dias a séculos. A necessidade de se estabelecer um princípio diretor justo eequânime para justificar a sociedade e suas complexas relações,coloca a reencarnação como o mecanismo capaz de favorecer ajustiça divina e de possibilitar o crescimento espiritual da socieda-de. Nada poderia justificar as contingências do existir com a preci-são com que a reencarnação o faz. As dificuldades e conflitos hu-manos passam pela necessidade de uma justificativa filosófica e atémesmo do ponto de vista do equilíbrio energético. A reencarnação
  44. 44. conhecendo o espiritismo 45é a chave para desvendar os mistérios provocados pelo vazio doconhecimento parcial que o ser humano tem sobre si mesmo. Nem sempre a justiça, ou seja, o processo educativo pararesolver problemas de vidas passadas, o qual se torna possívelpela via da reencarnação, dá-se imediatamente na encarnaçãoseguinte do espírito. Os mecanismos educativos podem ocorrerna mesma existência, sem a necessidade da reencarnação, comotambém podem acontecer após várias encarnações. O tempo queleva para que o processo educativo se instale, dependerá da ocor-rência de fatores que propiciem o aprendizado do espírito. Àsvezes, há a necessidade de se reunir pessoas várias num proces-so único, o que poderá levar décadas, séculos ou milênios. Deve-se salientar que ninguém, nenhum ser humano, estará isento doprocesso de educação. A reencarnação é mecanismo obrigatóriono nível de evolução em que se encontra a humanidade terrestre.Ninguém está isento dela. Não há privilégios nem privilegiados. Reencarnar sem a lembrança do passado é o mecanismoque possibilita a convivência de contrários e daqueles que eleva-ram a paixão ao seu grau máximo. Sem o esquecimento das ex-periências anteriores não seria proveitosa a reencarnação.Reencarna-se para aprender, para educar-se. Para crescer a partirde novos elementos, de uma nova oportunidade, num novo ambi-ente, onde se possa construir ou reconstruir seu próprio cresci-mento. Tal esquecimento não significa a perda do conhecimentoadquirido nas existências anteriores. O espírito não involui. Nãose perde o que já se sabe. Esquece-se temporariamente o quenão é relevante para o crescimento do espírito. As qualidades, osdefeitos, as emoções, os amores, os ódios, ficam latentes e parti-cipam, de forma subjacente, nas relações do reencarnado, atuan-do de forma inconsciente. Seus desejos e escolhas são influenci-ados pelas experiências das encarnações anteriores. Muitos espíritos que estiveram juntos em encarnações an-teriores se separam para se reencontrarem mais adiante. Algunsdesafetos quando se vêem se “lembram” do passado. Pode ocor-
  45. 45. 46 adenáuer novaesrer que a inimizade retorne. Como também os afetos quando sereencontram refazem a mesma ligação que tiveram no passado.O espírito “enxerga” o outro espírito, independente do corpo quetêm e do grau de parentesco que possuem. Alguns espíritos nãoreencarnam na mesma época que seus afetos e ficam a velar poreles para que obtenham sucesso naquela encarnação. Ao liber-tar-se do corpo, seja durante o sono ou com a morte, o espíritovai aos poucos retomando sua memória integral. O retorno através da reencarnação se dá para o aprimora-mento do espírito. É um processo educativo, e não punitivo. Encara-do dessa forma, não há um número definido de encarnações para umespírito. Os processos não se dão de forma linear, isto é, não sepassa pelo que se causou a outrem na mesma proporção. As circuns-tâncias a que um espírito está sujeito numa encarnação expiatória sãosempre atenuadas pela Misericórdia Divina. Não se devem interpre-tar as doenças e outros sofrimentos senão como processos educativos.Errou-se no passado porque não se sabia como agir corretamente.Retorna-se para aprender até não mais se precisar reencarnar. Osequívocos humanos são conseqüência de sua ignorância. As idéias inatas, as simpatias e antipatias gratuitas, os gêni-os, de alguma forma parecem denunciar uma experiência anterior.O conhecimento não se produz de forma mágica. A reencarnaçãoexplica tais conhecimentos “inatos”, como oriundos de experiênci-as em existências anteriores. Tudo então é aprendido pelo espíritoatravés das vidas sucessivas. Coisa alguma lhe é “dada” de graça.Se no passado alguém adquiriu uma aptidão qualquer, ela hoje semanifestaria de alguma maneira como uma habilidade natural. Em muitos casos, os reencarnantes retornam com marcasde nascença. Trazem cicatrizes denunciadoras de experiênciaspregressas. Marcas que, quando não são creditadas a fatoresgenéticos, reproduzem-se de uma a outra existência por meca-nismos psíquicos. As experiências que produziram as marcas fo-ram de tal forma intensas que gravaram o corpo físico e operispírito, denunciando a existência de uma matriz comum onde
  46. 46. conhecendo o espiritismo 47ficam “guardadas” as impressões do espírito. Essa matriz é operispírito. Da mesma forma que essas marcas, surgem fobias,traumas, que podem se revelar logo na primeira infância. O conceito de reencarnação transcende ao aspecto da meracrença que está presente nas mais antigas culturas, tornando-se abase para a compreensão da razão de como vive o ser humano.A reencarnação não foi concebida como uma teoria para explicara realidade, mas é uma realidade que explica e suscita muitasteorias. As relações humanas são influenciadas pelas emoçõesgeradas nas experiências vividas no passado. Impulsos, estímulos,reações emotivas, atitudes diversas, não são apenas fruto davontade e do meio ambiente, mas principalmente das experiênciaspregressas que estão gravadas no psiquismo, o qual não morre. A personalidade integral, a qual sobrevive à morte, já possuiexperiências diversas em matéria de profissões, de línguas apren-didas, de tipos de sexo, de classe social, de condição econômica,etc. O fato, por exemplo, de já ter experienciado viver nos doistipos de sexo, concede ao ser humano habilidades para habitarnesse ou naquele corpo, sem que isso lhe cause qualquer proble-ma quanto à sua relação com o sexo do corpo escolhido. Umanova encarnação representa a construção de uma nova personali-dade no novo meio em que se vai renascer. Os traumas e conflitos,dessa forma, aparecem tendo como uma das causas, talvez a prin-cipal, essa realidade interna, anterior, que contracena com a novarealidade externa. A solidão e as repetidas e constantes desilusõesafetivas podem ser encaradas como resultantes de processoseducativos, oriundos de experiências mal sucedidas no passado. O Espiritismo, com Allan Kardec, trouxe de volta a reen-carnação como conhecimento fundamental de sua doutrina. Atra-vés do Espiritismo a reencarnação é analisada sob o ponto devista sociológico e moral. A doutrina das vidas sucessivas é oalicerce da evolução. A frase “Nascer, morrer, renascer ainda,progredir sempre, tal é a lei” resume o significado da reencarna-ção para o Espiritismo.
  47. 47. 7. Reencarnação como processo educativo A maioria das reencarnações é planejada por espíritos maisevoluídos, os quais se dispõem a promover o aprendizado deoutros visando a evolução espiritual. Quando não são eles que ofazem, leis naturais proporcionam os fatores necessários às pro-vas e expiações que o espírito enfrentará em sua nova encarnação. O objetivo de se planejar a reencarnação é o de possibili-tar a cada espírito os meios necessários ao seu adiantamentoemocional, intelectual e moral. Às vezes, são necessários muitosanos de espera até que se possam reunir as condições favoráveise os elementos necessários ao reencontro de antigos desafetospara, juntos, aprenderem as leis de Deus. Esse planejamento inclui a definição tanto das provas, quan-to das expiações que o espírito atravessará. As primeiras são ne-cessárias a todos os espíritos e as segundas são obrigatórias paraos que utilizaram seu livre arbítrio em encarnações anteriores ecometeram equívocos diversos. Pelas lições que o espírito necessita aprender e pelos proces-sos educativos que tem de atravessar, o planejamento definirá as ca-racterísticas especiais do corpo que receberá, bem como as circuns-tâncias sociais em que renascerá; com quem reencontrará e com queajuda contará nos processos nos quais aprenderá o antes não sabia.
  48. 48. conhecendo o espiritismo 49 Planejar a encarnação não significa que o espírito estarálimitado, nem que o seu destino já esteja traçado de forma irre-mediável. Seu livre-arbítrio poderá alterar significativamente seuplanejamento, o que acarretará conseqüências que venham a fazê-lo progredir mais do que o previsto ou que lhe sejam adversas. Oplanejamento é uma espécie de guia, roteiro ou lembrete aoreencarnado. A vida espiritual é a vida verdadeira, porém não se devedesprezar a vida na matéria cuja importância é significativa. Parase viver bem na espiritualidade, deve-se saber viver e conviverbem na vida material. As duas etapas não se opõem, mascomplementam-se. A vida espiritual não deve ser encarada comoum fim em si, mas como uma realidade semelhante à vida materi-al, na qual o espírito também aprende. O planejamento reencarnatório obedece a imposições com-pulsórias referentes ao passado do espírito. Suas atitudes equi-vocadas em encarnações anteriores poderão limitar suas esco-lhas e seu livre arbítrio. Nem sempre poderá o espírito escolherlivremente com quem vai reencarnar, nem a que família pertence-rá, face aos compromissos cármicos a que está sujeito, por contade seu passado. Reunir desafetos tem o duplo propósito de não só reconduziros espíritos a circunstâncias semelhantes às que viveu anterior-mente como, graças ao esquecimento do passado, colocá-los fren-te a frente com sua própria necessidade de evoluir. Juntos irãotransformar o ódio em amor. O que se chama vulgarmente de“dívida” e “resgate”, “débitos” e “créditos”, na realidade são pro-cessos educativos. Há problemas e conflitos que atravessamos, cujas causasnão se localizam em existências passadas, mas, sim, na atual, fru-tos das contingências da infância e do uso do livre-arbítrio. Essesproblemas gerados na atual encarnação não fizeram parte do pla-nejamento reencarnatório, sendo motivo, portanto, de sua altera-ção.
  49. 49. 50 adenáuer novaes Ao reencarnar, o espírito traz inconscientemente gravadoem seu corpo espiritual, os traumas oriundos das encarnaçõesanteriores, que estarão sempre a influenciar em sua vida atual, atéque sejam dissolvidos. Esses núcleos traumáticos deverão serresolvidos quando o espírito atravessar situações que se asseme-lhem àquelas do passado. Atravessar uma prova ou mesmo submeter-se a uma expi-ação constitui-se numa oportunidade de aprender uma importan-te lição, pois, após seu término, o espírito sabe que já não maisprecisará viver daquela forma. É esse o sentido que aplicamos àcolocação do Cristo: “Bem-aventurados os aflitos, porque serãoconsolados”. As doenças de nascença são “marcas” referentes aos pro-blemas não resolvidos de outras encarnações e que surgem comosinais da necessidade que tem o espírito de educar-se. As doen-ças adquiridas no decorrer da encarnação podem revelar conflitosreferentes a encarnações passadas ou à presente existência, comotambém serem decorrentes do desgaste natural do organismo. Os processos educativos que alcançam um grande contin-gente de pessoas, atingindo, às vezes, nações inteiras, dizem res-peito a provas coletivas cujo planejamento exige uma complexi-dade maior na preparação. São planejamentos feitos num nívelsuperior aos das encarnações individuais ou de pequenos grupos. Durante a encarnação, o esquecimento do planejamentonão é total, pois o espírito tem lembrança dele quando liberto docorpo durante o sono, através de sonhos, durante meditações,por influências de seus guias espirituais, bem como através deintuições. Essa lembrança nunca é completa face à ansiedade quepode ser gerada. Várias são as circunstâncias que podem alterar o planeja-mento reencarnatório, entre elas o suicídio de um dos persona-gens envolvidos, o estupro que provoca uma reencarnação, cer-tas separações de casais, redução ou aumento voluntário do nú-mero de filhos, dentre muitas outras.
  50. 50. conhecendo o espiritismo 51 O espírito pode também começar a planejar sua próximaencarnação, ainda reencarnado, contribuindo inclusive para re-duzir seus problemas futuros, bastando que se determine a iniciarsua transformação interior desde já. Esse movimento, via de re-gra, inicia-se com as correções de rumo da atual encarnação,fechando alguns ciclos ou processos mal resolvidos, que, se as-sim permanecerem, atrapalharão o futuro. Após isso deve refletirsobre si mesmo, identificar qualidades e defeitos que sabe quetem e, através de críticas construtivas de amigos, os que desco-nhece ter. Esse planejamento prévio inclui refletir sobre: profissão,comportamento emocional, lazer, conhecimento intelectual, habi-lidades diversas, família, bem como sobre tudo aquilo que impli-que na adaptação social. O planejamento reencarnatório não atribui ao espírito res-ponsabilidades que ele não possa suportar. As provas e expia-ções são formas educativas, não punitivas, aliviadas pela miseri-córdia divina que, às vezes, proporciona intervalos entreencarnações de maior complexidade, tanto quanto a diluição dosprocessos, difíceis de serem resolvidos numa vida, em várias eta-pas. É característica dos planejamentos reencarnatórios o reen-contro de antigos desafetos, assim como o auxílio de espíritosafins para que se alcance sucesso no processo de educação. Por-tanto, geralmente reencarna numa mesma família, espíritos quesão amigos, junto a outros que porventura lhe tenham sido inimi-gos. Esse equilíbrio favorecerá o crescimento sem que se aumen-tem as aversões características do nível evolutivo dos espíritos naTerra. O planejamento das reencarnações favorece a evoluçãono planeta, constituindo-se num instrumento de melhoria das re-lações entre as pessoas.
  51. 51. 8. Processamento da Reencarnação O processamento da reencarnação se dá através da fecun-dação biológica, a qual possibilita a união do espírito ao corpofísico, visando uma nova existência. É um processo natural a queestá sujeito o ser humano quando, sob certas condições, encon-tra-se desencarnado. Dá-se no momento que se segue à uniãodos gametas para a formação de um novo corpo, a cujo desen-volvimento o espírito reencarnante contribui. Durante a formação do embrião, nas divisões celulares, oespírito, através de seu perispírito, influencia as modificações aserem feitas no corpo que receberá. Essas modificações alteramo padrão hereditário e visam fazer face às necessidadesprovacionais e expiatórias do espírito. Alguns espíritos necessi-tam de alterações cromossômicas significativas tendo em vistaeliminar influências genéticas de seus pais que não sejam neces-sárias. A fecundação biológica e a conseqüente ligação do em-brião ao corpo da mãe, predispõem a uma reencarnação, cujoato fará com que o espírito designado para aquele corpo a ele seligue. A reencarnação se dá na concepção, não havendo nenhu-ma prova, por enquanto, da possibilidade fora desse evento. Essas alterações, necessárias às provas e expiações doespírito, também são, às vezes, dada a sua complexidade, feitas
  52. 52. conhecendo o espiritismo 53não só no corpo físico de que ele vai se utilizar, como também emseu perispírito. Quando não há espírito designado para aquele corpo emformação, a gravidez não vinga, isto é, será um natimorto. Isto sedá como prova para os pais. Embora nem todo corpo em forma-ção na gestação tenha espírito, toda criança que nasce e é decla-rada viva, o tem. O espírito que vai reencarnar, muitas vezes se liga ao orga-nismo materno antes da união perispiritual com o óvulo fecunda-do, o que poderá provocar alterações físicas e comportamentaisà futura mãe. Mesmo que ligado à mãe, ainda não estáreencarnado, pois a reencarnação só é efetivada quando ele seconecta ao óvulo fecundado. Essa ligação vai se estreitando namedida que se aproxima o nascimento, mas a reencarnação sóvai se completar psicologicamente no início da puberdade. Oprocessamento da reencarnação, embora energeticamente con-cluído, não se completa na fecundação, pois a união total só sedará quando o espírito se assenhorear de seu próprio corpo e deseu destino, fato este que se dá, via de regra, no início da aquisi-ção de responsabilidade e independência psicológica da criança,tanto em relação à última encarnação quanto aos pais. Outro espírito não poderá ocupar aquele corpo, pois cadaum, utiliza-se de um único e vice-versa. Mesmo ligado ao corpo,ainda no útero, pode o espírito desistir da encarnação, o que seráuma espécie de suicídio. Já ligado ao embrião, o espírito goza de menos liberdade,perdendo cada vez mais a consciência na medida em que se apro-xima o nascimento. Essa liberdade varia de acordo com o nívelevolutivo do espírito, que, quanto mais adiantado, menos sujeitoestará às contingências da matéria. No período em que permanece vinculado ao embrião, amaioria dos espíritos entra num estado de hibernação face à deli-cada ligação entre seu perispírito e o novo e frágil corpo a que seliga.
  53. 53. 54 adenáuer novaes Como é um processo que se assemelha à desencarnação,ou talvez mais difícil ainda, o espírito teme pelo possível insucessodiante das provas e expiações que enfrentará. Por isso é comumele receber ajuda e incentivo de familiares e amigos desencarnadose encarnados, encorajando-o à reencarnação. Às vezes, os mes-mos que planejaram através dele renascer, incentivam-no no mo-mento da reencarnação. As energias decorrentes do desenvolvimento do embriãoinduzirão ao reencarnante reduzir sua dimensão perispiritual adul-ta para algo semelhante ao corpo infantil. Seu perispírito irá semodificando gradativamente para adaptar-se à organização fetale posteriormente ao corpo infantil. Alguns espíritos prejudicam o processamento de sua reen-carnação, por causa de sua densidade perispiritual extremamentedesestruturada que, às vezes, por não conseguir fixar-se ao óvulofecundado, provoca o aborto natural. São reencarnações que, deantemão se sabe, não vingarão e se prestam de um lado a reduzira densidade perispiritual do reencarnante e de outro, servem deprova para os pais. Durante a gravidez, o fluxo de pensamentos e emoçõesentre a mãe e o espírito reencarnante pode provocar alteraçõesde comportamento dela, face à presença de outra personalidadeem seu campo mental. O desenvolvimento físico do novo corpo e sua manuten-ção ainda no útero materno não se deve à presença do espírito,mas principalmente ao automatismo biológico, bem como ao au-xílio do perispírito materno. O fluido vital absorvido pelo embriãoserá o impulsionador ao seu desenvolvimento. Durante o processamento da reencarnação, o perispíritosofre alterações para adequar-se ao corpo físico, tanto pela natu-reza mais densa deste, quanto ao novo meio ambiente a que esta-rá sujeito. As mudanças no corpo espiritual decorrem principal-mente face às novas necessidades de alimentação, sexo e atraçãogravitacional.
  54. 54. conhecendo o espiritismo 55 Durante o processo reencarnatório, o perispírito vai se en-raizando na corrente sangüínea e na rede nervosa do corpo físico,sobretudo no córtex cerebral e demais vias por onde transitam ascomunicações entre os dois veículos de manifestação do Espírito. É na base do cérebro que se situa a principal ligação fluídicaentre o corpo e o perispírito, quando o espírito se ausenta duran-te o sono. Ao deslocar-se do corpo, o espírito a ele se mantémligado por um laço fluídico, espécie de cordão, que se estende apartir da região cerebral, pouco acima da nuca. Há reencarnações especiais que requerem o auxílio de es-píritos técnicos no assunto, tendo em vista as características es-peciais das provas e expiações do espírito, bem como face àsparticularidades do corpo físico do reencarnante. O processoentão será mais trabalhoso, exigindo o concurso de numerosostécnicos a fim de se evitar prejuízos aos objetivos. Por outro lado,há encarnações que são realizadas sem qualquer auxílio externo,seja pelo automatismo, seja pelo grau de evolução do espírito,que neste último caso, realiza-a sozinho. São, portanto, fases características do processoreencarnatório, muito embora possam variar caso a caso, a de-pender da evolução do reencarnante: levantamento de provas eexpiações que serão necessárias, a escolha da família, o meiosocial, a modelagem do corpo físico, o esquecimento da últimaencarnação e conseqüente prostração de forças, a reduçãoperispiritual com pensamento fixo no novo corpo em formação, aligação com o óvulo fecundado, e, durante a infância, a integraçãoao corpo físico até o final do processo. Não há uma reencarnação igual a outra, pois para cadaespírito há um processo evolutivo particular em curso, exigindodetalhamento e cuidados adequados.
  55. 55. 9. Vida Espiritual A vida espiritual é a vida verdadeira. O mundo espiritual éa morada principal e o local no qual o espírito desempenha suasmais importantes missões e ocupações. Para se entender a vidaespiritual é necessária uma compreensão maior a respeito da ener-gia que, no Espiritismo, é conhecida pelo nome de fluido. Osfluidos são estados vibracionais sutis da energia que preenche oUniverso. Allan Kardec chamou essa energia geral de FluidoCósmico Universal. A matéria é uma condensação desse fluido e,as várias modalidades de energia conhecidas pelo ser humano,são estados diferentes do mesmo Fluido Cósmico Universal. Matéria, energia e fluido são diferentes expressõesvibratórias da substância ou princípio material, que difere do es-piritual pela inteligência presente neste último. Os fluidos são mais maleáveis ao pensamento do que a maté-ria e se prestam à realização dos mais diversos fenômenos espirituaispela sua natureza semimaterial. O perispírito, veículo de manifestaçãodo espírito, é constituído de fluidos derivados do Fluido CósmicoUniversal. Suas propriedades são a base para a realização dos fenô-menos mediúnicos. O perispírito é um corpo complexo constituídode estruturas que se prestam às mais diferentes funções. Na realida-de, o que se conhece pelo nome de perispírito é um conjunto deestruturas semelhantes a corpos que se interpenetram e vão se trans-formando em função de sua utilidade e à medida que o espírito evolui.

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