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agrícolas no valor bruto da produção, Pernambuco 2002
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2.4.cabral usina

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2.4.cabral usina

  1. 1. XI SEMINÁRIO MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGIA PERIFÉRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundação Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osório, Rua Dois Irmãos, 92 Inovação Tecnológica Local e Vantagem Competitiva: o caso da Usina Olho Dágua Romilson Marques Cabral* rmcabral@netpe.com.br Elias dos Santos Silva** es.silva1972@uol.com.br Aluisio Gondim da Silva*** aluisio@gondim.net Resumo Este artigo tem como objetivo analisar o processo de inovação tecnológica e seu reflexo na vantagem competitiva na Usina Olho D’água. Faz-se uma breve revisão de literatura utilizando- se os conceitos de tecnologia e de vantagens competitivas nas indústrias do açúcar e álcool. A metodologia utilizada é predominantemente qualitativa e descritiva. A coleta de dados foi obtida por meio de entrevista com perguntas abertas e semi-estruturadas. O alvo das entrevistas foram os gerentes da usina. Como resultado avalia-se que o processo de inovação na empresa Usina Olho D’Água não é apenas tecnológico. A vantagem competitiva obtida esta em produzir dentro das regulamentações ambientais e conseqüentemente conseguir colocar produtos no mercado europeu, asiático e americano. Os gerentes percebem as melhorias ambientais e responsabilidade social como uma oportunidade econômica e competitiva, e não como uma despesa ou uma ameaça inevitável. Os empresários da empresa estudada tem sido criativos, desenvolvem suas próprias experiências e ajustam novas tecnologias que são locais e vêm adquirindo competitividade global. Palavras – Chave: Competitividade, Inovação e Tecnologia * Professor Doutor do Mestrado em Administração e Desenvolvimento Rural da UFRPE ** Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Petrolina *** Professor da Faculdade dos Guararapes CABRAL, RM et al. Inovação Tecnológica Local e Vantagem Competitiva: o caso da Usina Olho Dágua 141
  2. 2. Figura 01 - Participação percentual dos principais produtos agrícolas no valor bruto da produção, Pernambuco 2002 Fonte: IBGE/CONDEPE, 2008 Outro s19,2 2 Tomate 6,9 2 Cana-de- açúcar43,3 1 Uva 9,89 Manga 5,54 Banan a 7,5 8 Feijão (beneficiado ) 7,5 5 XI SEMINÁRIO MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGIA PERIFÉRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundação Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osório, Rua Dois Irmãos, 92 1. Introdução O setor sucroalcooleiro pernambucano dentre as atividades agrícolas e agroindústrias desenvolvidas no estado é o que apresenta maior participação na produção. Historicamente concentrada na região da Zona da Mata Pernambucana a cultura da cana-de-açúcar vem se expandindo também no vale do São Francisco através do canal do sertão mostrando o poder que esta cultura representa na economia do estado. A participação do segmento na economia estadual pode ser vista pela figura 01 abaixo A atividade produtiva na Usina Central Olho D’água teve inicio em 1920 quando o senhor Artur Tavares de Melo comprou de seu avô, o velho Engenho Bangüê Olho D'Água, de açúcar bruto, no município de Camutanga, Mata Norte de Pernambuco. O espírito empreendedor dos Tavares de Melo fez com que 80 anos depois a pequena unidade fabril se transformasse em uma das mais importantes Usinas do Estado de Pernambuco. A profissionalização foi o meio encontrado para sobreviver à crise após a extinção do antigo Instituto do Açúcar e Álcool. Redução de custos, investimentos em pessoal e aumento de produtividade passaram a ser metas prioritárias da Usina Central Olho D'água, resistindo às adversidades impostas pela competição e sustentando sua posição no mercado de açúcar e álcool. Neste novo cenário a cadeia produtiva sucroalcooleira assume um comportamento de flexibilidade em relação às mudanças ocorridas no país, desde que, em 1988, foi dado início à desregulamentação das exportações de açúcar no Brasil e a tutela governamental começou gradativamente a perder espaço. O esforço de inovação na usina tem sido constatado pelas execuções de projetos que visam fortalecer melhor sua infra-estrutura. Como exemplo tem-se a construção da barragem Artur Tavares de Melo, localizada em terras da usina, obra que consumiu um volume total de concreto da ordem de 55 mil m³ expostos numa crista com extensão de mais de 300 metros. Essa estrutura poderá acumular até 22 milhões de metros cúbicos de água capazes de irrigar cerca de cinco mil e cem hectares de terra cultivada. Essa condição permite que a produção de cana-de-açúcar não mais seja planejada apenas dentro do calendário das águas, uma vez que permite aos administradores contornar as complicações da má distribuição regular das CABRAL, RM et al. Inovação Tecnológica Local e Vantagem Competitiva: o caso da Usina Olho Dágua 142
  3. 3. XI SEMINÁRIO MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGIA PERIFÉRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundação Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osório, Rua Dois Irmãos, 92 chuvas. A Usina Olho D’Água vem se destacando no setor sucroalcooleiro nordestino por ser a primeira a procurar produzir com sustentabilidade ambiental e isso consiste num dos pontos mais relevante do seu processo de inovação. Este artigo tem como objetivo analisar o processo de inovação tecnológica e seus reflexos na vantagem competitiva na Usina Olho D’água. Além desta introdução o artigo se divide em: revisão de literatura onde abordamos a questão da inovação tecnológica, vantagem competitiva, tecnologia como estratégia competitiva, um panorama sobre a tecnologia no Brasil, e a atual fase da pesquisa no setor sucroalcooleiro no Brasil. Segue-se com a metodologia de pesquisa; apresentam-se os resultados e conclusão. 2. Revisão de Literatura 2.1 Tecnologia O conceito de tecnologia encontrado em Longo (1984) apud Silva (2002) trata de um conjunto de conhecimentos científicos ou empíricos empregados na produção e comercialização de bens e/ou serviços. A tecnologia de acordo com Goldemberg (1978) apud Dutra (1999) é o conjunto de conhecimentos de que uma sociedade dispõe sobre ciências e artes industriais, incluído os fenômenos sociais e físicos, e a aplicação destes princípios à produção de bens e serviços. Penrose (1995) denomina base tecnológica da firma a cada tipo de atividade produtiva que usam máquinas, processos, qualificações e matérias-primas complementares entre si. Essas bases são interligadas uns aos outros no processo produtivo independentemente do número ou dos tipos de produtos produzidos. A adoção de novas tecnologias emergem na perspectiva de estratégias competitivas. 1.2 Tecnologia como estratégia competitiva A existência de certa variedade de tecnologias para se produzir um mesmo resultado genérico traduz-se em escolhas da combinação dos fatores de produção adequada para cada economia, dada sua disponibilidade relativa (ROSENTHAL e SICSÚ, 2005). Essa diversidade de opções traduz-se em modelos econômicos. Tais modelos pressupõem que os preços relativos dos fatores, determinados no mercado, constituem o principal mecanismo selecionador da tecnologia efetivamente usada que seria aquela que minimizaria os custos de produção. Seguindo a taxonomia de Freeman (1997) as estratégias tecnológicas estão divididas em seis tipos: ofensivas, defensiva, imitativa, dependente, tradicional e oportunista. Essas estratégias não são exclusivas e as empresas acabam adotando gradações ou combinações de diferentes alternativas. As estratégias competitivas não costumam se sustentar em longo prazo, pois precisam ser flexíveis de forma a incorporar mudanças nas tecnologias e mercados. Apesar das limitações, a identificação de diferentes tipos de estratégia é útil para o gestor da tecnologia, pois contribui para manter a coerência das ações e para avaliar seus requisitos e potencialidades. De acordo com Figueiredo (2003) competência tecnológica diz respeito às habilidades da empresa para promover internamente aprimoramentos nas diferentes funções tecnológicas, como por exemplo, processos e organizações da produção, produtos, equipamentos e CABRAL, RM et al. Inovação Tecnológica Local e Vantagem Competitiva: o caso da Usina Olho Dágua 143
  4. 4. XI SEMINÁRIO MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGIA PERIFÉRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundação Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osório, Rua Dois Irmãos, 92 investimentos. Segundo Bell e Pavitt (1995), adaptado de Lall (1992), desenvolveram um modelo que classifica as competências tecnológicas em rotineiras e inovadoras. A primeira diz respeito às atividades tecnológicas realizadas num determinado nível de eficiência e utilização de insumos; são as aptidões necessárias para usar tecnologia, os conhecimentos e os mecanismos organizacionais. Já as competências inovadoras permitem criar, modificar ou aperfeiçoar produtos e processos; são as aptidões necessárias para modificar tecnologias, os conhecimentos, a experiência e os mecanismos organizacionais. Os processos de inovação tecnológica em busca de maior competitividade são inerentes a cada setor ou segmento. 1.3 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA NA AGROINDÚSTRIA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL Para Caldas (2001) inovação envolve muito mais que simples mudanças em tecnologia. Envolve conexões, e influências de muitos e variados graus – incluindo relacionamentos entre empresas, entre empresas e centros de pesquisa, e entre empresas e o governo. De acordo com Sicsú e Rosental (2005) pode-se conceituar inovação tecnológica como a aplicação de uma nova tecnologia (um novo conjunto de conhecimento) ao processo produtivo, que se expressa em: a. Um novo produto; b. Alteração de algum atributo do produto antigo, ou de seu grau de aceitação pelo mercado – resultando em geral, em níveis mais elevados de lucratividade ou participação nesse mercado, para a empresa inovadora. A vantagem competitiva, decorrente de uma inovação tecnológica, tende a ser tanto maior e mais duradoura, quanto maior for sua aceitação pelo mercado e mais difícil forem, para os concorrentes, imitar essa inovação ou introduzir outras mais efetivas. As inovações quando endógenas são motivadas pela percepção de oportunidades inexploradas de mercado, cálculos de risco e perspectivas de retorno econômico, fruto do trabalho permanente e rotineiro de P&D empreendido com vistas a inovar. Estudos de Inovação desenvolvidos pela ANPEI (2006) mostram a tímida taxa de inovação na indústria brasileira. Embora a taxa tenha aumentado um pouco entre os períodos 1998-2000 e 2001-2003, chama a atenção para a diminuição relativa do número de empresas inovadoras que realizam atividades inovativas, sobretudo de P & D interna. Apesar de tudo ainda existe uma grande divergência entre os processos que estão ocorrendo no plano internacional e no Brasil, em relação ao desenvolvimento tecnológico e às estratégias nacionais de acumulação de conhecimento. Enquanto no mundo se acelera o ritmo de geração de novos conhecimentos, no Brasil tanto o meio empresarial como as autoridades governamentais, apesar da retórica em contrário, não demonstram atribuir muita importância à inovação, baseada em conhecimento, como uma das principais fontes de competitividade global. Os mecanismos de aquisição de tecnologias e sua influencia direta na competitividade da empresa em estudo é o que se pretende discutir. É importante a definição pela empresa de qual o melhor mecanismo de aquisição para cada tecnologia. Essa aquisição poderá acontecer no seio da empresa através do processo de Desenvolvimento de Pesquisa ou através de compra direta em empresas de P & D ou indiretamente através de seus fornecedores. Com base na bibliografia consultada sobre tecnologias do segmento desenvolveu-se o seguinte modelo mostrado na figura 02 a seguir: CABRAL, RM et al. Inovação Tecnológica Local e Vantagem Competitiva: o caso da Usina Olho Dágua 144
  5. 5. XI SEMINÁRIO MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGIA PERIFÉRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundação Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osório, Rua Dois Irmãos, 92 A importância da tecnologia e das inovações tecnológicas está sendo ponderada segundo a presença na cadeia de produção da agroindústria de açúcar e álcool: a) tecnologias de base: operações necessárias à atividade principal da cadeia, porém facilmente disponíveis e, portanto, sem impacto competitivo importante; b) tecnologias-chaves: operações determinadas do ponto de vista do impacto concorrencial, estas tecnologias estão associadas às “operações-chaves” da cadeia de produção. c) tecnologias emergentes: operações ligadas a tecnologias importantes do ponto de vista da evolução futura do sistema. 1.4 A Vantagem Competitiva Para realizar o sucesso competitivo, as firmas precisam ter uma vantagem competitiva na forma de menores custos ou de produtos diferenciados que obtêm preços elevados. Para manter a vantagem, as empresas precisam conseguir uma vantagem competitiva mais sofisticada com o tempo, oferecendo produtos e serviços de melhor qualidade ou produzindo com mais eficiência. Isso se traduz diretamente em crescimento da produtividade. (PORTER, 1989). Segundo Reibstein e Day (1960) duas perspectivas proeminentes das vantagens competitivas são que elas resultam ou da posição da empresa na indústria ou de seus recursos e capacidades. De acordo com a abordagem das forças estruturais, as vantagens resultam de se assegurar um custo justificável ou da posição de diferenciação nos seguimentos mais atraentes do mercado total. De acordo com Coutinho e Ferraz (1994), o desempenho de uma empresa ou indústria é condicionado por um vasto conjunto de fatores, que pode ser subdividido naqueles internos à empresa, nos de natureza estrutural, pertinentes aos setores e complexos industriais, e nos de natureza sistêmica (vide figura 03 a seguir). CABRAL, RM et al. Inovação Tecnológica Local e Vantagem Competitiva: o caso da Usina Olho Dágua 145 INSUMOS Maquinas; Equipamentos; Sistema de irrigação; Capital humano; Agroquímicos; Biotecnologia. PRODUÇÃO CANAVIEIRA DIRECIONADA PARA COLHEITA CRUA OU QUEIMADA PRODUÇÃO AÇÚCAR ALCOOL E OUTROS DERIVADOS TECNOLOGIA BASE: indispensáveis TECNOLOGIA CHAVE: líderes e vantagens competidoras TECNOLOGIA EMERGENTE: Controle Ambiental FONTES DA INOVAÇÃO TECNOLOGICA Elaborado pelos autores, 2009. FORNECEDORES PRODUÇÃO INDÚSTRIA GESTÃO DA INOVAÇÃO INFLUÊNCIA DAS EMPRESAS DEP&D
  6. 6. XI SEMINÁRIO MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGIA PERIFÉRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundação Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osório, Rua Dois Irmãos, 92 Observe-se, todavia, que para efeito deste artigo estamos considerando apenas os fatores sistêmicos tecnológicos. Os fatores internos à empresa são aqueles que estão sob a sua esfera de decisão e através dos quais procuram se distinguir de seus competidores. Incluem os estoques de recursos acumulados pela empresa, as vantagens competitivas e a sua capacidade de ampliá-las (COUTINHO e FERRAZ, 1994). Os fatores sistêmicos da competitividade são aqueles que constituem externalidades para a empresa e que podem agregar vantagens competitivas (COUTINHO e FERRAZ, 1994). Os fatores estruturais são aqueles que, mesmo não sendo inteiramente controlados pela firma, estão parcialmente sob a sua área de influência e caracterizam o ambiente competitivo que ela enfrenta diretamente (COUTINHO e FERRAZ, 1994). Numa visão estática da competição, os fatores de produção são fixos. As empresas os distribuem pelas indústrias nas quais produzirão o maior rendimento. Em lugar de simplesmente maximizar dentro de limites fixos, a questão é como as empresas podem ganhar vantagem competitiva mudando esses limites. Na competição real, o caráter essencial é inovação e mudança. Em lugar de limitar-se e transferir passivamente recursos para os pontos onde os rendimentos são maiores, a questão real é como as empresas aumentam os rendimentos possíveis através de novos produtos e processos. Em lugar de apenas distribuir um total fixo de fatores de produção, a questão mais importante é como empresas e países melhoram a qualidade dos fatores, aumentam a produtividade com que são utilizados e criam outros novos. Porter (1989) reforça que as empresas não terão êxito se não basearem suas estratégias na melhoria e na inovação, numa disposição de competir e no conhecimento realista de seu ambiente nacional e como melhorá-lo. CABRAL, RM et al. Inovação Tecnológica Local e Vantagem Competitiva: o caso da Usina Olho Dágua 146 FATORES INTERNOS A EMPRESA Estratégia e Gestão Capacitação para inovação Capacidade produtiva Recursos humanos FATORES ESTRUTURAIS (SETORIAIS) S E T O R E S Mercado Concorrên cia Macroeconômi cos Internacionais Sociais Tecnológicos Fiscais e financeiros Politico- internacionais FATORES SISTÊMICOS Figura 01: Fatores determinantes da competitividade das indústrias Fonte: COUTINHO e FERRAZ Configura ção da indústria
  7. 7. XI SEMINÁRIO MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGIA PERIFÉRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundação Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osório, Rua Dois Irmãos, 92 2 A Metodologia de pesquisa A metodologia de pesquisa é a qualitativa. Procura-se representar o que acontece com o setor sucroalcooleiro quando destinam recursos para inovação tecnológica partindo de um estudo de caso. O uso do método qualitativo é justificado quando se pretende entender um fenômeno social e descrever a complexidade de determinado problema, compreender e classificar o processo. As pesquisas qualitativas procuram investigar decisões que são fundamentadas na prática e no contexto em que ele ocorre e do qual ele é parte devendo ser analisado numa perspectiva integrada onde o estudo está sendo realizado. A aplicação de um método qualitativo é justificável, segundo Godoy (1995) quando “através dele”, pode-se compreender melhor o fenômeno no contexto em que ele ocorre. Para Yin (2005) um estudo de caso é uma investigação empírica de um fenômeno onde as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes. O estudo de caso envolve descrição, explanação e julgamento, por isso exige responsabilidade do avaliador e método. A entrevista foi realizada através de um questionário semi-estruturado. As perguntas foram colocadas ao conhecimento dos gerentes com a gravação das respostas. Etapas da Pesquisa: 1. Fenômenos e questões Foco: Inovação tecnológica e vantagem competitiva. Revisão de literatura com foco em inovação tecnológica e competitividade. Definição das questões essenciais. 2. Familiarização com a realidade: Participação de eventos como a STAB e entrevistas com gerentes de usinas. Participação de seminários, feiras e congressos; Entrevista gravada com os gerentes da usina olho d’água; 3. Entrevista semi-estruturada: tópicos a. Empresa e tipo de cliente; b. Fatores competitivos e diferenciais; c. Inovação tecnológica - Como acontece a aprendizagem? - O papel dos parceiros; d. Tipos de Inovação tecnológica; e. Resultados da inovação refletidos no valor da empresa. Transcrição literal e integral dos depoimentos gravados. 4. Categorização por variável de escolha e análise 5. Síntese e reflexões: Respostas às questões essenciais; Contribuições conceituais. CABRAL, RM et al. Inovação Tecnológica Local e Vantagem Competitiva: o caso da Usina Olho Dágua 147
  8. 8. XI SEMINÁRIO MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGIA PERIFÉRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundação Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osório, Rua Dois Irmãos, 92 3. Apresentação dos Resultados 3.1 Conteúdos de produção na usina olho d’água A Usina Olho d’água procura produzir dentro de um rigoroso sistema de padrão a fim de reduzir as perdas e o retrabalho. A baixo estão relacionados algumas variáveis industriais e agrícola de produção (Tabela 01, 02 e 03). Tabela 01. Produção da Usina Olho D’Água DESCRITIVO Safra 2006/2007 Safra 2007/2008 Área colhida (ha) 15.526,17 16.508,50 Tabuleiros (%) NC 46,56 Várzea (%) NC 8,22 Encosta (%) NC 45,22 Toneladas por hectare - TCH 62,92 75,25 PC da cana 13,48 14,05 TPH 8,31 10,57 Fibra (%) 16,29 14,83 Pureza da cana (%) 85,24 85,86 AR da cana (%) 0,81 0,75 ATR da cana 132,06 140,53 Impureza mineral 1,59 1,27 Cana moída (toneladas) 1.394.558,76 1.681.315,94 Produção de açúcar (sacos) 2.556.932 3.012.511 Produção de álcool (litros) 26.361.905 42.743.560 Produção de mel (kg/ton.) 50,37 51,88 Rendimento de açúcar/cana (kg/ton.) 96,00 101,05 Rendimento álcool/cana (litros/ton.) 83,70 86,23 Rendimento álcool/mel (litros/ton.) 313,91 307,82 FONTE: Usina Olho D’água/STAB 2008 Tabela 02. Comparação da eficiência produtiva entre o norte/nordeste, centro sul e Usina Olho D’Água Produto Região Centro - Sul Região Norte - Nordeste Usina Olho D’Água ATR por tonelada de cana 141,7 kg 133,8 kg 140,53 kg Açúcar - 1 quilo 7,4 kg de cana 7,8 kg de cana 7,43 kg de cana Álcool etílico anidro – 1 litro 12,5 kg de cana 13,2 kg de cana nc Álcool etílico hidratado – 1 litro 11,9 kg de cana 12,6 Kg de cana 11,59 kg de cana Fonte: Conab/Digem/Suinf 2008 Tabela 03. Relação quantidade de ATR por unidade de produto final Produto final Unidade de produção Quantidade de ATR necessário Açúcar 1 quilo 1,0495 quilos Álcool etílico anidro 1 litro 1,7651 quilos Álcool etílico hidratado 1 litro 1,6913 quilos Fonte: Conab/Digem/Suinf 2008 CABRAL, RM et al. Inovação Tecnológica Local e Vantagem Competitiva: o caso da Usina Olho Dágua 148
  9. 9. XI SEMINÁRIO MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGIA PERIFÉRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundação Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osório, Rua Dois Irmãos, 92 Os dados refletem a eficiência industrial da Usina Olho D’Água por possuir um melhor ATR por tonelada de cana com relação à Região Nordeste. 3.2 As estratégias traçadas e Vantagens Competitivas obtidas pela usina No mercado interno os principais clientes são as indústrias de bebidas e produtos alimentares. O varejo é atendido em menor proporção. O volume maior de vendas é destinado pára o mercado externo que consome 70% da produção de açúcar e álcool. Este mercado é composto pelo continente europeu, responsável pelo grande consumo, Ásia e America latina. Através de uma cultura e filosofia empresarial própria, a usina olho d’água desenvolve sua produção com responsabilidade social e ambiental procurando atender tanto ao mercado interno quanto o externo. A vantagem competitiva da empresa não está apenas atrelada as inovações tecnológicas no sentido mais comum, mas a forma tradicional da empresa de focar não apenas produzir com qualidade, mas procurando evitar o desequilíbrio através da responsabilidade socioambiental. O que foi feito durante anos da mesma maneira, hoje é estudado para fazer da forma mais eficiente. Essas inovações promovidas pela empresa ao longo dos anos é um diferencial por mercados em países do primeiro mundo. As inovações permitiram que custos de produção fossem reduzidos e criaram demandas por mais investimento nas áreas sociais e na conservação ambiental. A usina olho d’água gera 7000 empregos diretos no período da safra. Não existe na região outra empresa com tamanha capacidade de absorção de mão-de-obra, que em sua maioria é de baixa qualificação. A usina olho d’água possui um programa de alfabetização para jovens e adultos com 600 alunos. O processo de aprendizagem dentro da área agrícola da usina é continuo. Quando se contrata um trabalhador a primeira fase é composta por treinamento e periodicamente, pelo menos uma vez no ano em cada setor as equipes passam por uma reciclagem. Essas escolas recebem ajuda externa dos fornecedores para treinamento com maquinas e equipamentos de ultima geração. O pessoal de campo também passa por um processo de reciclagem nas operações produtivas de plantio, condução e colheita. O uso de parceria no processo de treinamento das equipes é de vital importância, pois instituições como UFRPE, SENAR, SENAI e SEBRAE são utilizadas no preparo das equipes. A usina possui um departamento técnico com uma equipe responsável pela pesquisa e desenvolvimento de produtos. Eles realizam ensaios não só com produtos já em fase comercial, mas também fazem experimentos científicos visando buscar inovações tanto de produtos quanto de tecnologias. Testam novas moléculas de agroquímicos e novas fórmulas de adubação e observam por ensaios de competição seus comportamentos nas diversas variedades de cana-de-açúcar utilizadas no campo de produção Existem alianças estratégicas com empresas privadas e publicas como a Universidade Federal Rural de Pernambuco através da Estação Experimental de Cana-de-Açúcar que desenvolve o programa de novas variedades. Existe igualmente uma parceria com a Embrapa para produção de álcool apenas da biomassa. A empresa realiza reuniões periódicas como seminários, congressos, feiras cientificas e de negócio promovidas por instituições publicas e privadas. Os eventos técnicos tratam de assuntos econômicos e a biotecnologia pára produção de derivados do etanol. A utilização de jornais especializados e revistas técnicas ajudam a divulgar e informar a mão- de-obra especializada na usina. A usina promove cursos de aperfeiçoamento e especialização CABRAL, RM et al. Inovação Tecnológica Local e Vantagem Competitiva: o caso da Usina Olho Dágua 149
  10. 10. XI SEMINÁRIO MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGIA PERIFÉRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundação Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osório, Rua Dois Irmãos, 92 para os técnicos que atuam em setores estratégicos da empresa. A utilização da folha da cana-de-açúcar para produção de etanol é a inovação que esta despertando grandes expectativas. Uma vez que esteja confirmada economicamente a eficiência da inovação pode-se considerar a extinção da queima da cana nos canaviais nordestino. Destacam-se entre às principais características que norteiam a filosofia empresarial do Grupo seus investimentos na área social, qualidade de vida de seus funcionários e na preservação do meio ambiente. Conquistando assim, o reconhecimento da Fundação Abrinq, como Empresa Amiga da Criança e o Imip conferiu a Usina o diploma de Empresa Solidária. A busca do lucro pela diferenciação e pela busca de novas oportunidades tem na introdução da variável ambiental a oportunidade de inovar pelo uso de velhas ferramentas de gestão estratégica, com um novo foco: a estratégia ambiental. 4. À Guisa de Conclusão A cultura e filosofia empresarial da empresa Usina Olho D’Água voltada para a sustentabilidade ambiental mostram o interesse interno com a questão das inovações sejam elas tecnológicas ou não. O progresso ambiental exige que as empresas sejam inovadoras para aumentar a produtividade dos recursos. As alianças estratégicas com instituições públicas e privadas com intuito de facilitar o processo de aprendizagem mostra que existem fatores internos à organização que podem determinar a estratégia para inovações. A filosofia imposta pela empresa sobre os parceiros mostra a preocupação com as questões de sustentabilidade ambiental e questões sociais, as quais sendo bem administradas agregam valor ao sistema de produção. As estratégias voltadas a inovações sejam elas tecnológicas ou não, permitem que a empresa consiga alcançar mercados e manter posições vantajosas de competitividade. Os gerentes percebem as melhorias ambientais como uma oportunidade econômica e competitiva, e não como uma despesa ou uma ameaça inevitável. Fica evidente, que as atividades inovadoras na Usina Olho D’Água não dependem exclusivamente de como esta organizada a cultura organizacional da empresa. A organização também sofre influência externa quando buscam informações ou quando seus gestores estão procurando se aperfeiçoar em estratégias empresariais. O mercado em que atua exige e sabidamente a empresa procura um diferencial para continuar competindo. Deve-se reconhecer que os empresários rurais pesquisados são criativos, desenvolvem suas próprias experiências criando um conhecimento que tem sido local com competitividade global. Referências Bibliográficas ARRUDA, Marcos, VERMULM, Roberto e HOLLANDA, Sandra. Inovação Tecnológica no Brasil: A indústria em busca da competitividade global ANPEI – Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras, pg.114 CALDAS, R. A. A construção de um modelo de arcabouço legal para a ciência, tecnologia e inovação. Parcerias estratégicas, n.11, p. 5-27, jun. 2001 CONDEPE/FIDEM. Acesso em 16/05/2008 www.condep.gov.pe COUTINHO, Luciano e FERRAZ, João Carlos (Coor). Estudo da competitividade da indústria brasileira. 4ª edição. Papirus. Campinas,2002. CABRAL, RM et al. Inovação Tecnológica Local e Vantagem Competitiva: o caso da Usina Olho Dágua 150
  11. 11. XI SEMINÁRIO MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGIA PERIFÉRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundação Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osório, Rua Dois Irmãos, 92 DAY, George S. Manutenção da vantagem competitiva: Criação das vantagens em ambientes competitivos dinâmicos, In: Day, G. S.; Reibstein D. J. A dinâmica da estratégia competitiva. Rio de janeiro: Campus, 1999, cap2, p.59-85. FIGUEIREDO, Paulo C. D., Aprendizagem tecnológica e performance competitiva. Rio de Janeiro: FGV 2003, pg. 21-59. FREEMAN, C. The nature of innovation and the evolution of the productive system. UNIVERSITY OF Sussex, SPRU and University of Limburg, MERIT, pg. 303 – 311. GODOY, A. Schmidt. A pesquisa qualitativa e sua utilização em Administração de Empresas. São Paulo, v. 35, n. 4, pag. 65-71, jul/agost. 1995. LALL, S. Technological learning in the Third World: some implications of technology exports. In: Stewart, F. y James, J. (eds.) the economics of new technology in developing countries. London, Frances Pinter, 1982. PAVITT, K. Strategic management in the innovating firm. SPRU, University of Sussex, 1988 (DRC Discussion Paper, n.61). PORTER, Michael E., 1998 A Busca da Vantagem Competitiva pg.29 – 41. PORTER, Michael E. 1999. Competição: estratégias competitivas essenciais, Rio de janeiro, Elservier pg. 167 – 168. SILVA, J. C. Teixeira. Tecnologia: Conceitos e Dimensões. XXII Encontro Nacional de Engenharia da Produção. Curitiba – PR. 23 a 25 de outubro de 2002. SICSÚ, Abraham B. e ROSENTAL, David, Gestão do conhecimento empresarial: concepção e casos práticos. Recife: Fasa gráfica, 2005,pg. 11 – 81. YIN, Robert K. Estudo de Caso. Planejamento e Métodos. Edição 3. Ed. Bookman, Porto Alegre, 2005. CABRAL, RM et al. Inovação Tecnológica Local e Vantagem Competitiva: o caso da Usina Olho Dágua 151

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