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Revolução farroupilha

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O livro Revolução Farroupilha resgata a história da República Rio-Grandense e República Juliana - Santa Catarina. O movimento armado foi o mais importante e que motivou outros levantes contra os …

O livro Revolução Farroupilha resgata a história da República Rio-Grandense e República Juliana - Santa Catarina. O movimento armado foi o mais importante e que motivou outros levantes contra os desmandos do Império Brasileiro.

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  • 1. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Prefácio A rotina do dia mascara os momentos, vivifica muitaspedras ociosas no caminho, deglutindo o universo desentimentos e sonhos reencarnado no eterno. Eu sei que àsvezes, a consciência se perde no vazio e o inconscientesobrevive na alma crucificada, mas temos de persistir emnossos objetivos e realizar os pensamentos, abdicando osmedos e receios. A minha visão sobre os fatos presente abarca oconceito da teologia não convencional, dando muito trabalhoaos psicólogos de final de semana, que por ventura, vir aestarem de plantão. Eu pergunto a todos vocês, o que seria dopsicólogo se não existisse a doença psicológica ouneurológica? O que seria do bem se não existisse o mal? O queseria da vida se não houvesse a dualidade dos acontecimentos ea liberdade de escolha? Há anos atrás um mestre me confidenciou: O querealmente revela a beleza de uma visão não é a paisagem, masa forma que os olhos vêem e o coração sente. Uns observamadmirados todas as pétalas de uma flor, outros vão mais longe,admiram os seus pontiagudos espinhos, aceitando a sua forma evendo o além das aparências, transformando-o num encantadouniverso inédito. Muitas pessoas caminham pela vida sem nenhumobjetivo, somente sobrevivem às rotinas ociosas e incansáveis.Outros tiram das Pedras no Caminho, a sabedoria de se tornaruma experiência maravilhosa e única. O ser humano convivenum amontoado de medos e receios, evita pensar noLUIZ ALVES Página 2
  • 2. REVOLUÇÃO FARROUPILHAsofrimento, mas outros tiram dele a razão de fazer a vida maisbela... Mais humana.LUIZ ALVES Página 3
  • 3. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Raízes da Revolta Frente às seculares desavenças entre os reis dePortugal e Espanha, aonde não chegam à conclusão dos limitesda Colônia de Sacramento. O imperador Napoleão força aEspanha declarar guerra a Portugal, complicando mais asituação na banda oriental. Em 1817, os capitães do RioGrande do Sul se apossam dos territórios: das sete missões,Cerrito e terras hispano-platense. Em 1825, general João Antônio Lavalleja, consegueanexar a Província Cisplatina sob domínio da Argentina,tirando-a do Brasil. Em 1828, general Frutuoso Rivera liberta-ae denomina República Oriental do Uruguai. A “Guerra da Cisplatina” levou ao completo caoseconômico nas estâncias e charqueadas no Rio Grandes do Sul,encontrava-se com os seus rebanhos esgotados e o império,sequer pensava em indenizá-los, devido a guerra. Complicandomais a situação, as altas taxas de impostos na exportação degado vivo, na arroba de charque, erva mate, couros, sebo egordura. Aumentando também, a taxa da importação de sal,produto vital na produção. O comércio, influenciado pelosliberais no centro do país como represália, passa a comprar ocharque Cisplatino, por ser mais barato e porque o rio-grandense usava trabalho escravo. Mas o que criou pavor naprovíncia foi a falsificação de moedas do império, complicandointensamente a economia rio-grandense. Na época, o Rio Grande do Sul era composto por 14municípios: Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo, SantoAntônio da Patrulha, Cachoeira do Sul, Pelotas, Piratini,LUIZ ALVES Página 4
  • 4. REVOLUÇÃO FARROUPILHAAlegrete, Caçapava do Sul, São José do Norte, Triunfo,Jaguarão, São Borja e Cruz Alta. Entre esses municípiosdestacam-se: Porto Alegre como a capital, Rio Grande por sero porto de todo comércio, e Pelotas por ser o maior produtor decharque. A sua população, eram aproximadamentequatrocentas mil pessoas, entre brancos, índios e escravos.Apesar de ser uma região massacrada pelo império, as guerraspassadas, ainda mantinha esperança de se erguer como tantasoutras vezes anteriores. A situação política era uma caldeira preste a explodir,devido à inabilidade dos presidentes da província, nomeadospelo império. Frente das altas taxas de impostos, o Rio Grandedo Sul fechava o ano sempre com superávit. Invés de todos osrecursos serem aplicados em obras e benefícios na própriaprovíncia, uma porcentagem transferiam a outras que fechavamem déficit, e o restante enviavam ao império para pagar dívidascom os ingleses e franceses. A instabilidade diplomática entreos governos da Prata e do império brasileiro faz criticar mais oclima no Rio Grande do Sul, pois foi proibido o fluxo de gadopara o Uruguai. Os estancieiros gaúchos compraram terras egados na banda oriental, e com independência daquele país,não tinham mais acesso às pastagens platinas, somenterestando o constante contrabando de gado. As rixas militares eram outro ponto agravante, omarechal do exército imperial, Sebastião Barreto Pinto, era umferrenho inimigo do coronel da guarda nacional, BentoGonçalves da Silva, devido às suas constantes promoções poratos de coragem e bravura, proveniente das inúmeras vezes quefoi convocado em períodos de guerra. A onipresença da igreja católica nas províncias fezque as sociedades secretas, Maçons e em seguida osLUIZ ALVES Página 5
  • 5. REVOLUÇÃO FARROUPILHACarbonários, excomungados e condenados à morte pelosgovernos europeus, por suas filosofias de Liberdade, Igualdade,União e Fraternidade, faz nascer o sonho republicano naprovíncia, tendo como figura principal o cientista e intelectual,Conde Tito Lívio Zambecari nas letras, e coronel BentoGonçalves da Silva como senhor da guerra, desencadeando aRevolução Farroupilha, que levaria quase dez anos, à custa demilhares de mortes e novamente trazendo o caos financeiro naprovíncia. Março de 1817, Frei Joaquim do Amor Divino RabeloCaneca - frei Caneca e José Inácio de Abreu Lima - padreRoma, líderes da Revolução Pernambucana, iniciam omovimento que tinha cunho federalista e republicano. Omovimento conta com o apoio da Loja Maçônica, inclusiveemigrantes e descendentes europeus. Março de 1817, o general Caetano Pinto de MirandaMontenegro, reúne todos os oficiais e soldados do impérioportuguês em Recife, dissolve o movimento e aprisiona osrevolucionários e seus líderes. Padre Roma é julgado por umacomissão militar, e fuzilado sumariamente no Campo daPólvora na Bahia. Frei Caneca é enviado para uma prisão naBahia, onde permanece por quatro anos, mas sendo solto,devido à pressão dos líderes da Loja Maçônica e nobres dacorte imperial. Janeiro de 1822, D. Pedro I decide retornar a Portugal,mas ao conceder audiência à José Clemente Pereira, que trazconsigo um manifesto com oito mil assinaturas de nobres,políticos, alto clero católico, comerciantes e fazendeiros. Oregente imperial dá imortal resposta histórica: “Como é para obem de todos e felicidade da nação, diga ao povo que fico”.LUIZ ALVES Página 6
  • 6. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Janeiro de 1822, a divisão auxiliadora no comando deJorge de Avilez, tenta se opor à decisão de D. Pedro I ficar noBrasil. As forças portuguesas de Salvador, recebem ordens parasufocar os rebeldes, depois de vários bombardeios e combatescontra o inimigo, o improvisado exército de libertação debandaem completa desordem, deixam Salvador a mercê das forçasportuguesas. A partir desse momento histórico, desencadeiauma seqüência de saques e uma desumana chacina contra apopulação. O Convento da Lapa não escapa da sanha,executam sumariamente a madre Joana Angélica de Jesus e asdemais freiras internas. O exército de libertação se organiza,desencadeando novamente violentos combate com as forçasportuguesas, a divisão auxiliadora rende-se e retornam paraPortugal. Agosto de 1822 é lançado às cartas por GonçalvesLedo e José Bonifácio, onde D. Pedro I proclama àindependência do Brasil, e declara guerra contra odesembarque de forças militares lusas. Setembro de 1822, D. Pedro I ao retornar de umaviagem de Santos, com o objetivo de ver a sua amante:Domitila de Castro e Melo - Marquesa de Santos, é abordadopor um mensageiro de José Bonifácio e D. Maria Leopoldinade Habsburgo, relatam ao príncipe regente às ordens pararegressar a Lisboa, no prazo de um mês, indignado tira o topelusitano e lança longe, após dirige ao oficial de sua guardapessoal, determina: “Desde este momento estamos separadosde Portugal. E a nossa divisa de hoje em diante, será...Independência ou Morte”. Outubro de 1822, em ato solene pelos senadores edeputados do império, D. Pedro I, é aclamado imperador edefensor perpétuo do Brasil. Essa comenda oficial, conta com oLUIZ ALVES Página 7
  • 7. REVOLUÇÃO FARROUPILHAapoio dos nobres da corte, cafeicultores, fazendeiros, ricoscomerciantes e empresários, inclusive a Loja América doBrasil e a Loja Maçônica. Novembro de 1822, o general Pierre Labatut, nocomando de cinco mil oficiais e soldados imperiais, derrota asforças portuguesas em Sergipe, monta o bloqueio militar emSalvador por tempo indeterminado, derrota-os em Pirajá,Itapoã, Conceição e concentra um ataque maciço às Ilhas daMadeira. General Labatut ordena várias execuções de soldadosdas tropas portuguesas, é deposto do cargo e preso na Ilha dasCobras - Rio de Janeiro. Os líderes da cúpula independente, em sua totalidadesão compostos por emigrantes ou descendentes de europeus. Julho de 1823, general madeira, comandante dastropas portuguesas contra a independência, é derrotado pelasforças imperiais brasileiras e obrigado abandonar às pressas aprovíncia da Bahia, retornando a Portugal. Julho de 1824, Frei Caneca e Manuel Carvalho Pais deAndrade, lançam novamente manifesto com ideais Federalistase Republicanos, declaram Pernambuco e as demais provínciasvizinhas separadas do Rio de Janeiro, formando assim, aConfederação do Equador. O movimento rebelde tinha apoioda Loja América do Brasil e Loja Maçônica, principalmente deemigrantes e descendentes de europeus. Janeiro de 1825, a Confederação do Equador teve aparticipação de aproximadamente oito mil soldadosrevolucionários, tendo o comando geral de Frei Caneca.Enquanto do lado imperial, teve a participação ativa de dez milsoldados, sob o comando geral de Lord Cochrane. Omovimento confederado é derrotado pelas forças imperiais, oslíderes são presos e enviados às prisões em diversas províncias,LUIZ ALVES Página 8
  • 8. REVOLUÇÃO FARROUPILHAenquanto os oficiais e soldados ingressam no exército imperial,o restante retoma a sua rotina habitual. Tristão de Araripe éassassinado em fuga, quando atravessava o Rio Jaguaribe. FreiCaneca é condenado à forca na Bahia, mas todos os presos ecarrascos negam executá-lo, enviam para Recife e ésumariamente fuzilado. A Revolta dos Cabanos, em 1834 a 1840, ocorrido naprovíncia do Pará. O movimento era composto pelosmoradores em cabanas à beira do rio, devido ao seu grandeestado de pobreza e miséria. No decorrer dos anos e osinúmeros confrontos dos cabanos e o exército imperial,ocasiona a morte de quase metade da população na província.O movimento é derrotado pelas forças legais em 1840,enforcam os líderes: Malcher, Vinagre e Angelin. O exércitoimperial contou como voluntário civil, o futuro general HilárioMaximiano Antunes Gurjão. Aos poucos, os fazendeiros e comerciantes daprovíncia do Rio Grande do Sul, recomeçam com o pouco quelhes restam, enfrentam inúmeras adversidades, imposta pelosgovernos provincianos, parlamentares e o imperador, D. PedroI, ficam anos pagando uma divida contraída com a França eInglaterra, devido ao auxilio militar na Guerra Cisplatina. Ojornalista Libero Badaró, escreve fortes criticas no“Observador Constitucional” contra D. Pedro I, acusando-o denão possuir pulso forte e nem moral para governar: Devido oseu caso amoroso com a Marquesa de Santos, de pagar doismilhões de libras esterlinas pela independência ao impérioportuguês, ser cúmplice do Marques de Barbacena emempréstimos escusos e ilegais. E a mais grave das acusações,que estava contratando um exército mercenário inglês, com oobjetivo de tirar D. Miguel do trono português, a favor de suaLUIZ ALVES Página 9
  • 9. REVOLUÇÃO FARROUPILHAfilha Maria da Glória. D. Pedro I falece em setembro de 1834,no Paço Queluz em Lisboa-Portugal. Badaró é assassinado por três asseclas do imperadorna Rua Nova São José. Aproveitando esse acontecimento,políticos e jornalistas liberais, boa parte da nobreza da corte eos mais diversificados desafetos, pressionam D. Pedro I paraabdicar o trono a favor de seu filho. O que acontece em Abrilde 1831, nomeia como tutor José Bonifácio de Andrada eSilva, que veio abdicar o cargo, devido forte pressão dosparlamentares e ministros. Os mesmos nomeiam Francisco deLima e Silva, Nicolau Pereira Campos Vergueiro, JoséJoaquim Carneiro de Campos como tutores de D. Pedro II,devido não possuir idade necessária para assumir o tronoimperial, que permanecem somente três meses. Ao amanhecer,D. Pedro I e a família imperial, embarcam no navio inglêsWarspite para Portugal, visando retomar o trono conquistadopor seu irmão D. Miguel, derrubando do poder sua sobrinha D.Maria da Glória, filha de D. Pedro I, assim contraindo todas asregras sucessórias da monarquia. A regência provisória passa-se ser permanente: 1831 - 1834, assumindo João BráulioMuniz, José da Costa Carvalho e Francisco de Lima e Silva. Aregência una: 1834 - 1837, assumida por Diogo Antônio Feijó.1837 - 1840, assumida por Pedro Araújo Lima. Os regentes de D. Pedro II e parlamentares do impérioimpõem altas taxas sobre o charque, sebo, couro exportado etaxas exageradas pelo sal importado. À frente desse injustopanorama político, social econômico, a província do RioGrande do Sul nos anos seguintes, começa a fechar comsuperávit. Os governos não utilizam os recursos paramelhorias, mas enviando a outras províncias e para pagar suasdividas com a Inglaterra e França. Complicando mais aLUIZ ALVES Página 10
  • 10. REVOLUÇÃO FARROUPILHAsituação, a regência imperial nomeia presidente desconhecidoou antipático ao povo, que governa em causa própria, defamiliares e amigos, isso além de destituir vários comandantesde armas bem quistos pelas forças militares, o que trouxe umfuturo clima de revolução republicana.LUIZ ALVES Página 11
  • 11. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Revolta dos Farrapos – Parte I Setembro de 1835 explode a Revolução Farroupilha,tendo como líderes rebeldes: Coronel Bento Gonçalves daSilva, Coronel Bento Manuel Ribeiro, Coronel Onofre Pires,Coronel Antônio de Souza Neto, Coronel David José MartinsCanabarro, Major João Manuel de Lima e Silva, CapitãoDomingos Crescêncio, Capitão José Gomes de VasconcelosJardim, conde Tito Livio Zambecari, os jornalistas Pedro Joséde Almeida - Pedro Boticário e Libero Badaró. O movimentoteve apoio de muitos comandantes da guarda nacional,imprensa liberal, políticos provincianos, Loja Maçônica eproscritos italianos. Na noite de 19 de Setembro de 1835, o coronel BentoGonçalves da Silva, o capitão José de Vasconcelos Jardim e ocoronel Onofre Pires, no comando de duzentos soldados“Farrapos” tomam de assalto Porto Alegre. O presidenteAntônio R. Fernandes Braga e seus secretários fogem para RioGrande, estabelecendo ali a nova capital. Bento Gonçalvesproclama a República Rio-Grandense e nomeia comopresidente, Marciano Pereira Ribeiro, seguido por todos os seussecretários, inclusive na pasta de finanças, incube o proscrito ecientista Italiano, Conde Tito Lívio Zambecari. Outubro de 1835, o tenente coronel João Tavares nocomando de dezenas de soldados derrota um contingente derebeldes, acampados às margens de Arroio Grande. O violentoconfronto tem inúmeras baixas de ambos os lados, tendo feitomuitos prisioneiros. Mas logo a seguir, são derrotados pelosrevolucionários sob o comando do coronel Antônio de SouzaLUIZ ALVES Página 12
  • 12. REVOLUÇÃO FARROUPILHANeto, libertando todos os prisioneiros, obrigando o coronelJoão Tavares e sua tropa a debandar desordenadamente. Outubro de 1835, o marechal Sebastião Barreto nocomando de um contingente de soldados imperial, ésurpreendido em São Gabriel pela tropa do coronel BentoRibeiro, havendo uma debanda geral entre os soldados. Nãotendo outra opção, o marechal Barreto foge para o Uruguai.Barreto planejava conseguir apoio militar com o presidente emMontevidéu, assim retornar e retomar São Gabriel ao império. Outubro de 1835, o coronel Bento Gonçalves da Silva,no comando de duzentos soldados, em sua maioria lanceirosescravos negros e índios Minuanos, atacam Rio Grande, capitalimperial. O coronel Onofre Pires, no comando de cem soldadosataca São José do Norte, vendo que tudo estava perdido, opresidente Antônio Braga, foge e embarca num navio de guerrapara o Rio de Janeiro. O poder imperial na província do RioGrande do Sul começa a desmoronar, os líderes dos Farrapostomam cidades importantes, revelando que não era ummovimento rebelde desordenado, pensado anteriormente pelopresidente Braga. Novembro de 1835 chega ao Rio Grande, José AraújoRibeiro, o novo presidente enviado pelo regente imperial,sendo muito bem recebido pela população. Imediatamentemanda um emissário com um bilhete, endereçado ao coronelBento Gonçalves e ao coronel Bento Manuel Ribeiro,convidando-os para uma reunião pacífica em Pelotas. O motivo da reunião era que os dois se dirigissem aPorto Alegre, para acalmar os ânimos dos rebeldes,reconhecesse-o como novo presidente, e fosse empossadoperante a assembléia legislativa. Apesar de não estareminteiramente de acordo, mas julgaram uma longínqua esperançaLUIZ ALVES Página 13
  • 13. REVOLUÇÃO FARROUPILHAde paz, onde os seus direitos de cidadão rio-grandense fossemcompletamente respeitados, acabam aceitando a incumbênciade José Ribeiro. Dezembro de 1835, a Fragata Francesa “Nautonnier”sob o comando do capitão Beauregard, traz os Carbonários:Giusepp Maria Garibaldi, Luighi Rossetti e os demaisproscritos da Itália dividida, que olham extasiados a visão do“Gigante de Pedra” que assinalava a entrada da Baia daGuanabara, a natureza selvagem ciclopicamente harmoniosa.Os amigos firmam amizade com os comerciantes, DomingosTorrisano e Castellini, que moram na esquina do Largo doPaço com a rua direita. Por intermédio desses dois, mantiveramcontato com a Loja Maçônica no Rio de Janeiro, aonde vieramreceber ajuda no exílio. Dezembro de 1835, o presidente Araújo se retira parao Rio Grande, onde busca apoio de Bento Ribeiro e proclama anova capital da província imperial. Em seu discurso àassembléia provincial, promete que iria restabelecer a ordem ejustiça. Após certo tempo, é obrigado a pedir ao regente forçamilitares urgente, a fim de salvar o Rio Grande do perigo deseparação. A Revolução se prolonga dentro da diplomacia,permanecendo na ociosidade até o inicio de Fevereiro de 1836. Fevereiro de 1836, coronel Bento Gonçalves reúnetodas as forças de que dispunha, traça planos para o ataque,ordena ao Major João Manuel de Lima e Silva, deslocar comsua divisão ao interior. A vanguarda dessas forças, continhaquatrocentos soldados sob o comando do coronel Afonso Joséde Almeida Corte Real, que encontra no Arroio Canapé, ocontingente de Bento Ribeiro com duzentos soldados. Houveum violento confronto, mas quando vê que a sua situaçãoLUIZ ALVES Página 14
  • 14. REVOLUÇÃO FARROUPILHAestava insustentável, o coronel ordena a retirada de seussoldados. Março de 1836, Bento Ribeiro e os seus soldadosderrotam coronel Corte Real, fazendo-o prisioneiro. Emseguida, ordena a sua tropa para marchar contra capital, masfaz frente com a tropa do então promovido general BentoGonçalves, inclusive os temerários lanceiros, negros e índiosminuanos, que o faz se retirar para Caçapava. Porto Alegreestava muito bem fortificado, enfim estavam livres dosimperiais. Abril de 1836, o coronel Onofre Pires com sua tropamarcham para atacar São José do Norte, fuzilando todos osprisioneiros. O major Lima e Silva com sua tropa ataca Pelotas.Nas vizinhanças a tropa do coronel Souza Neto conseguedesbaratar a cavalaria com duzentos homens, sob o comandodo coronel Albano de Oliveira da guarda nacional. No confronto, quase cem soldados imperiais obrigamse refugiar em Pelotas, enquanto que a coluna do major Lima eSilva faz o cerco da cidade. Em poucos dias, o major ManoelMarques de Souza é preso e enviado para capital. As divisõesrevolucionárias atacam pelo Sul, o general Bento Gonçalvescom sua coluna punha ao encalço do coronel Bento Ribeiro. Junho de 1836, o major Manoel Souza, feitoprisioneiro na capital, mediante suborno consegue fugir daprisão com o apoio dos conservadores, se apoderamsurpreendentemente de Porto Alegre. O fato inesperado é tãogrande, que prendem Pedro Boticário e muitos outros membrosimportantes do movimento. Ao saber da brusca mudança, general BentoGonçalves e os demais comandantes seguem para capital,tentando reconquistá-la. Ao chegar com suas tropas, intima osLUIZ ALVES Página 15
  • 15. REVOLUÇÃO FARROUPILHAlegalistas a se render, como não recebeu resposta, decide atacara cidade, sendo repelido depois de três horas de intensocombate, obrigando a se retirarem temporariamente. Masmantém o cerco à capital até Setembro, onde torna atacá-la,sendo novamente repelido pelos imperialistas, decide levantaracampamento, indo se reunir com a tropa do coronel SouzaNeto. Outubro de 1836, a coluna revolucionária do generalBento Gonçalves estava à margem direita do Rio Jacuí, seguiaao encontro do coronel Souza Neto. A tropa de coronel BentoRibeiro ocupa o morro da Ilha de Fanfa, enquanto aesquadrilha de Greenfell impede a passagem dos rebeldes noRio Jacuí. Coronel Bento Ribeiro e Greenfell mantêm fogocerrado contra a tropa de Bento Gonçalves, deixando-o numfogo cruzado, sem existir nenhuma possibilidade de retiradaimediata, sem à custa de muitas vidas, mesmo assimpermanece nessa posição de combate por três dias. BentoGonçalves, vendo que tinham chegado a seus limites, semqualquer chance de fuga, decide render-se, poupando a vida deseus combatentes. Ele pede uma lança do lanceiro mais próximo, amarraum lenço branco e sacode no ar, era uma trégua e sua rendição.Os dois comandantes conversam sobre as condições darendição, onde o coronel aceita todas as condições do general:Dar liberdade a todos os seus soldados, inclusive o liberal TitoLivío, o coronel Onofre Pires, coronel Corte Real e o jornalistaPedro Boticário. Invés de cumprir o acordo feito com o general BentoGonçalves, o coronel Bento Ribeiro e o presidente da provínciaLUIZ ALVES Página 16
  • 16. REVOLUÇÃO FARROUPILHAimperial, envia todos para um dos navios da esquadra de JohnPascoe Greenfell, levando-os ao Rio de Janeiro. Novembro de 1836, no Rio de Janeiro recebe ordemdo regente Feijó para levar o general Bento Gonçalves e PedroBoticário, à Fortaleza da Laje. Os outros três, Tito Livio,Onofre Pires e Corte Real, levá-los para o velho forte de SantaCruz. Os prisioneiros começam a elaborar um plano de fuga,assim retornar ao Sul e reiniciar a revolução. Visandorealizarem os seus objetivos, procuram avisar a Loja Maçônica,solicitando que os auxiliassem em seus planos. Fevereiro de 1837, Bento Gonçalves já tinha cerradoas grades da cela, saltando rapidamente pela abertura, masPedro Boticário fica preso, devido a sua obesidade excessiva.Bento procura ajudá-lo a sair, mas vê que era impossível. Viuque o barulho que estavam fazendo tinha alertado as sentinelas,manda Boticário se retirar da abertura, retornando a cela, ondefaz sinal ao pessoal da canoa para prosseguirem com a missão.Eles se retiram rapidamente do local, temendo que tivessealertado as sentinelas da Fortaleza. Tito Livío, Onofre Pires e Corte Real tinham seantecipado, se encontravam angustiados pelo resgate. Nomomento que a canoa se aproximou da Fortaleza, é pressentidopelas sentinelas que soaram o alarme. Onofre e Corte Real seatiram no mar, acenando para Tito Livío fazer o mesmo, quefaz sinal que não iria porque não sabia nadar. Os dois emlongas braçadas chegam até a canoa, desaparecendo naescuridão. Não tendo outra opção, Tito Livío retorna a sua cela,só que dessa vez muito mais vigiada. Março de 1837, a Regência, os parlamentares e oministro do exército, decidem dividi-los e enviá-lossecretamente no brigue “Constança”. O general BentoLUIZ ALVES Página 17
  • 17. REVOLUÇÃO FARROUPILHAGonçalves é encaminhado para o Forte do Mar em Salvador, naBahia de todos os Santos. Enquanto que Tito Livío é enviadopara um forte em Pernambuco. Ficando somente na Fortalezano Rio de Janeiro, o jornalista liberal Pedro Boticário. Março de 1837, Garibaldi, Rossetti, Carniglia e maistreze companheiros de viagem, terminam os reparos eadaptação de combate no veleiro “Mazzini”. No dia anterior, ostrês amigos levam pessoalmente a bordo, o carregamento dearmas e munições, cobrindo-as com sacos de farinha. Só então,decidem zarpar rumo ao Sul. A veleira passa lentamente pela polícia do porto, naIlha de Villegaignon, mostra que os seus papéis estavam emordem, sendo liberado imediatamente. Velejam tranqüilamentepelo longo da Baia da Guanabara, dirigindo-se para as Ilhas deMaricá. Quando se encontravam nas alturas da Ilha Grande,surge ao sul um navio com a bandeira do Império. Garibaldigrita para todos ficaram em seus postos, mandando aproar àdireita do barco, imediatamente os seus homens dominam ocapitão Guilherme Grann e toda a sua tripulação. O barco depesca com o nome “Luíza” era de propriedade da D. FelisbelaStockmeyer, levava três mil e seiscentas arrobas de café. Garibaldi ordena para trazer as armas e munição parao barco. Assim que terminam o serviço, manda incendiar oveleiro “Mazzini”, pois não tinha pessoal suficiente para levaros dois barcos. Um tripulante Português ao ver aquilo, ofereceum pequeno saco com pedras preciosas em troca de sua vida,mas Garibaldi o acalma, explicando que fazia o Corso comouma medida de guerra, não para saquear e matar, e mandaguardar as suas pedras, pois deixaria todos em terra, assim queencontrasse um lugar seguro.LUIZ ALVES Página 18
  • 18. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Garibaldi substitui o nome de “Luíza” por“Farroupilha”, hasteando a bandeira da República Rio-Grandense. Após seis dias navegando ao Sul, já nas alturas deIpacoraí - costa de Santa Catarina se aproxima da terra, arriamo único escaler e nele desembarcam todos os tripulantes, menosos seis escravos, que seriam desembarcados no Uruguai comohomens livres. E continuam a viagem para a embocadura daPrata, em direção ao Porto de Maldonado, onde pensava vendera carga de café. Maio de 1837, Garibaldi ancora o “Farroupilha” noPorto de Maldonado, sem ter nenhum problema com asautoridades portuárias. Rossetti vai à procura de seus amigosCarbonários, exilados em Montevidéu. Garibaldi providencia avenda da carga do café, enquanto os restantes se reúnem commarinheiros de um barco pesqueiro francês numa das tabernasdo porto. Por razões diplomáticas entre Brasil e Argentina, étransmitidas a ordem de captura do barco e a prisão de seustripulantes. Mas o governador não tornou efetiva a prisão,dava-lhes liberdade para ir e vir onde desejassem como sefossem seus convidados. Ficam presos somente Garibaldi eCarniglia, os demais são liberados. Na manhã de setembro de 1837, Bento Gonçalves sedirige à praia para o seu rotineiro banho de mar, sendoacompanhado pelos olhos desinteressados das sentinelas. Oinstante em que o general vê uma pequena canoa a quase umquilômetro, onde os pescadores jogam as suas redes no mar,chega à conclusão de que tinha chegado o momento, em longasbraçadas segue em direção aos pescadores. As sentinelas datorre vêem que o prisioneiro estava fugindo, iniciam a atirardesesperadamente contra ele.LUIZ ALVES Página 19
  • 19. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Bento Gonçalves ouve as balas zunir em seus ouvidos,mergulha por diversas vezes e volta à tona mais adiante,seguindo sempre em direção da canoa. Já dentro da canoa,exausto e contente por sua fuga, podendo agora retomar ocomando da revolução. Setembro de 1837, a fuga do general Bento Gonçalvesdo Forte do Mar em Salvador, cai como bomba em todos ospoderes do Império no Rio de Janeiro. Devido ao acontecido euma grande pressão dos parlamentares, acusando-o de terfacilitado a fuga do prisioneiro, regente Diogo Feijó é obrigadoa renunciar o cargo. Assume a regência, Pedro de Araújo Lima,que faz uma reforma ministerial quase total. O mestreintelectual e cientista Italiano, Tito Lívio Zambecari, por seencontrar muito doente, são solto com objetivo de retornar asua terra ou a Europa. Dois dias depois de Garibaldi e seus amigos tentaremfugir, e ser capturado logo em seguida, Milan ordena para levá-los à capital da província, sendo posto em liberdadeimediatamente por ordem do governador Echagüe. Na capital da província, compram passagem e viajamnum navio Genovês até embocadura do Paraná, depoisembarcam em outro navio e desembarcam no Porto deMaldonado. Apesar de serem procurados pela polícia portuária,decidem arriscar, visando se encontrarem com os amigosCarbonários Rossetti, Cúneo e Castellini, informando da fugaem Montevidéu e de suas prisões na província de Entre Rios. Outubro de 1837, pouco mais de um mês escondidonuma ilha, o general decide ir para a cidade, onde encontra umamigo que estava partindo para Santa Catarina. BentoGonçalves, à bordo no barco do amigo, faz a barba e corta ocabelo, enquanto fazia os preparativos para retomar aLUIZ ALVES Página 20
  • 20. REVOLUÇÃO FARROUPILHARevolução. O navio aporta em Desterro em Novembro de1837, o amigo de Bento Gonçalves, arranja um cavalo e umvaqueano para levá-lo em segurança ao Rio Grande do Sul. Alguns dias depois chega a Piratini, onde é recebidocomo herói, pois todos já sabiam de sua fuga. Bento, reúne osvereadores e os seus secretários, assumindo a presidência daprovíncia e o coronel Souza Neto assume a vice-presidência. Novembro de 1837, Garibaldi, Carniglia, Rossetti,Cúneo e Castellini chegam a Piratini, imediatamente procuramo ministro do interior e fazenda, Domingos José de Almeida,que os acolhe com cordialidade. Os cinco colocam as suasespadas a favor da Revolução, sendo aceita por Almeida, queordena a se apresentassem ao general Bento Gonçalves.Garibaldi fica surpreso ao saber que ele estava livre, pois pelasúltimas informações se encontrava preso em Salvador. Janeiro de 1838, O general Bento Gonçalves manda ocoronel Bento Ribeiro no comando de trezentos soldados,combaterem os legalistas acampados às margens do Rio Caísob o comando do tenente Junqueira. Frente ao ataque surpresados Farrapos tenta suportar o máximo possível, perdendodezenas de soldados. Quando vê que não restava alternativa, otenente Junqueira e os sobreviventes se obrigam a fugir a bordoda canhoneira “Oceano”, mas deixam cair nas mãos dosrepublicanos dois lanchões. Março de 1838, General Bento Gonçalves se dirigecom uma tropa de soldados para Lages, sabedor da revolta dapopulação contra o império. O contingente imperial sabendo doataque republicano decide abandonar a vila de Lages. Quandoo general chega com a sua tropa, são aclamados como heróispela população. O primeiro passo foi dado com a tomada davila de Lages, ponto de vital importante à República Rio-LUIZ ALVES Página 21
  • 21. REVOLUÇÃO FARROUPILHAGrandense. A próxima meta era a tomada de Laguna, assimteriam um porto para combater os imperiais, além de importare exportar mercadorias. O general nomeia o capitão-comandante do município republicano, Antônio Inácio deOliveira Filho, deixando ao encargo dele nomear as demaisautoridades. Abril de 1838, o coronel Bento Ribeiro e o coronelSouza Neto com uma expedição de quinhentos soldados,entram em combate com a tropa legalista de quatrocentossoldados no Rio Pardo, sob o comando do marechal SebastiãoBarreto Pereira Pinto, entreposto principal às margens do Jacuí.O marechal à frente da perda do coronel Guilherme JoséLisboa e mais de cem soldados se obrigam recuarem por seencontrar em situação desfavorável, e cede o terreno aosrepublicanos. A vitória custa trezentas baixas aos republicanosentre oficiais e soldados, mas conquistam um pontoestrategicamente de vital importância. Maio de 1838, o coronel Souza Neto e coronel BentoRibeiro, no comando de quatrocentos soldados, cercamnovamente Porto Alegre, mas os legalistas resistem. Apósvários dias de combate, decidem recuar devido terem dezenasde mortos e feridos no cerco. Os dois coronéis resolvemacampar nos arredores da capital, assim não deixar nenhumamercadoria entrar, trazida pelos tropeiros de Sorocaba naprovíncia de São Paulo. Maio de 1838, o general Bento Gonçalves e coronelDavid José Canabarro, decidem enviar Garibaldi, EduardoMatru, Carniglia, vinte e oito amigos Carbonários para aestância da Barra e do Brejo, de propriedade das irmãs dogeneral, Ana e Antônia. O grupo deveria se apresentar aocapataz norte-americano, John Griggs (João Grande),LUIZ ALVES Página 22
  • 22. REVOLUÇÃO FARROUPILHAencarregado em construir dois lanchões e restaurar outros doisno Camaquã. Nas estâncias se encontravam trinta escravosnegros e trinta índios Minuanos, no objetivo de auxiliar nostrabalhos de construção e reparos. Ele e Griggs em seguidaformariam duas turmas de marinheiros experientes, ondeproclamariam em Laguna a República Catarinense. Os trabalhos de restauração dos lanchões ficamprontos após de duas semanas. Griggs e Garibaldi deixamCarniglia e Matru comandando a construção dos novoslanchões, pois tinham recebido ordens do general BentoGonçalves para colocar os lanchões em ação na Lagoa dosPatos, Mirim e rios confluentes, confiscando tudo o que servirà Revolução. Garibaldi no comando do “Rio Pardo” com dezmarinheiros, Griggs no comando do “Republicano” com outrosdez marinheiros. Os dois lanchões partem rumo à Lagoa dosPatos, onde fariam serviços de Corsários à República. Junho de 1838, o marechal Barreto em fugadesordenada do confronto de Rio Pardo, vai à vila de Triunfo,onde se encontrava o navio “Leopoldina” sob o comando docapitão Guilherme Parker, e o incumbe de informar opresidente Antônio Elisiário e o comandante chefe das forçasnavais. Elisiário envia mais barcos para auxiliar o marechalGreenfell na vigilância ao longo da costa, rios afluentes, quedesembocavam no oceano. Greenfell deixa quase a metade dafrota naval ancorado próximo de Porto Alegre, temendo outroataque violento dos republicanos. Junho de 1838, Garibaldi, vê que os cavalos seencontram inquieto, indicava que teriam pressentido algumacoisa estranha no vento. Manda o cozinheiro reunir todas asarmas e munições, carregando-as e deixá-las a beira da entradado estaleiro, enquanto verificaria os arredores. O seu sextoLUIZ ALVES Página 23
  • 23. REVOLUÇÃO FARROUPILHAsentido lhe dizia que, alguma coisa grave estava preste aacontecer. Ao se aproximar da mata, aguça o seu sentido eouve o som de vários cavalos a galope. Garibaldi corre aoestaleiro, acena ao cozinheiro para se esconder. Assim queentra no estaleiro, o seu sombreiro é arrancado de sua cabeçapor uma lança. O cozinheiro tinha carregado setenta carabinas,apanha a primeira e dispara, assim seguindo uma após outra,sendo rapidamente recarregadas pelo cozinheiro. Moringue ficatemeroso em avançar contra o estaleiro, os disparos indicavamter muito mais de dois atiradores, devido às diversas baixas emseu grupo. Ouvindo o barulho dos tiros, os companheiroscorrem a seu auxilio imediatamente. Carniglia é o primeiro achegar ao estaleiro, seguido por Inácio Bilbau, Lorenzo, Matru,o escravo Rafael, Procópio, Natale, Francisco Silva e maisalguns outros. Moringue e os seus homens tinham ocupado as casas ebarracas de charqueada, enquanto o estaleiro continuava emfogo cerrado. Ele manda alguns homens destelhar a casaprincipal, buscando uma melhor visão e disparar contra osCorsários. Garibaldi manda disparar contra os homens dotelhado, abatendo vários deles. O chefe de pesca, João da Matatenta constituir um segundo ponto de resistência nos barcos deforquilha, mas é imediatamente abatido. Os seus homensdesorientados e querendo se salvar, uns ganham a mata eoutros se jogam na Lagoa. Aos meados da tarde, negro Procópio localiza oMoringue, dispara uma bala certeira, acertando-o braço.Marianito assume o comando e decide debandar, pois o seuchefe era a alma e o incentivo dos homens. Ele manda ajudar oMoringue e os demais feridos, chegando tempo depois ao RioLUIZ ALVES Página 24
  • 24. REVOLUÇÃO FARROUPILHACapivari, onde embarcam num navio imperial que os levou atéPorto Alegre. O general Bento Gonçalves e o seu estado maiorchegam inesperadamente na manhã de sábado de 1839 àfazenda do Camaquã, sendo recebidos com entusiasmo pelosfamiliares e seus soldados. As irmãs providenciam rapidamenteos preparativos para a festa logo à noite, visando comemorar achegada do irmão. Bento e o seu estado maior se dirigem aoestaleiro, vêem que os lanchões estão prontos para navegar aserviço da República. Garibaldi sugere construir dois carretões com rodas dequatro metros de diâmetro, que seria construído somente commadeira encaixada, onde transportariam os lanchões comduzentas juntas de boi. Bento acha arriscada a operação, mascomo não tinham outra idéia melhor, decide aceitar a sugestãoaudaciosa do italiano. O general e sua comitiva retornam à Caçapava,enquanto Garibaldi e Griggs iniciam o transporte dos lanchões,auxiliado por mais cem homens, uns a cavalo e outros a pé, queconduzem as juntas de bois e auxiliam nas enormes rodas dosdois carretões. Outros abrem estradas na mata, tapando buracose fortalecendo os locais de areia mole. O estranho cortejo leva seis dias do estaleiro até aBarra do Tramandaí, rodando oitenta quilômetros, ondedecidem descansar até o amanhecer do próximo dia. Aindaestava escuro quando retomam os serviços, só que agora eramais complicado, teria de lançar os lanchões na Lagoa, aempreitada leva até as oito horas da noite do dia 11 de Julho de1839. O lanchão “Farroupilha” fica sob o comando deGaribaldi, com trinta tripulantes e um canhão de dozeLUIZ ALVES Página 25
  • 25. REVOLUÇÃO FARROUPILHApolegadas. O lanchão “Seival” fica sob o comando de Griggscom outros trinta tripulantes e um canhão de doze polegadas.Quatro dias depois, Griggs vê que um temporal estava parachegar até eles, decide ancorar na Barra da Lagoa do Camacho.O “Farroupilha” é surpreendido nas proximidades da Foz doRio Mampituba, região com o seu fundo raso e repleto depedras, o local era mais conhecido por cemitério de navios. Garibaldi tenta usar toda a sua perícia de navegador,mas os seus esforços foram em vão, o “Farroupilha” acabaafundando. Ele tenta ajudar os seus companheiros, vê quemuitos são carregados pelas forças das ondas, outros nadam atéà praia. No acidente Garibaldi perde diversos amigos: EduardoMatru, Luighi Carniglia, Luighi Staderini, Navona, Giovanni emais outros nove companheiros. Garibaldi e os quinze sobreviventes caminham pelapraia, seguem rumo ao norte. Em seguida atravessam a Foz doMampituba, chegando à Barra da Lagoa do Camacho. Todosficam surpresos ao verem o “Seival” ancorado, pois julgavamque também tinha naufragado. Já em terra, encontram Griggs esua tripulação conversando com o coronel Felipe José SousaLeão (Capote), que aguardava as tropas do coronel Canabarro.Eles permanecem alguns dias ainda no local, tendo a promessados habitantes de manter silêncio sobre a tropa republicana.LUIZ ALVES Página 26
  • 26. REVOLUÇÃO FARROUPILHA República Juliana Julho de 1839, ao saber do ataque republicano àLaguna, as autoridades legalistas, inclusive o tenente coronelVicente Paulo Oliveira Vilas Boas, tentam reunir soldados paradefender a vila. O primeiro combate dá-se no canal do RioTubarão, junto dos Campos da Carniça, cujo ataque édesfechado pelos imperiais no barco “Catarinense”, sob ocomando de José de Jesus. Os imperiais vendo a situaçãocrítica fogem a esmo da embarcação, perdendo mais da metadedos soldados. A notícia espalha rapidamente até vila e asautoridades resolvem também debandar. Julho de 1839, o “Seival” chega ao Rio Tubarão e aoCanal da Barra, onde surpreendem os navios imperiais“Lagunense”, Itaparica e Santana, apreendendo todos elessomente conseguem evadir o “Cometa”. Garibaldi e JerônimoCastilhos decidem desembarcar em Laguna, ambos nocomando de quarenta soldados. A tropa de Teixeira Nuneschega após a tomada da vila, vindo de Lages, seguido porCanabarro que veio com seus soldados de Viamão. Asautoridades imperiais tinham abandonado desordenadamenteLaguna, deixando o caminho livre para os rebeldes. Osrepublicanos ao todo apreendem quatro escumas, quatorzeveleiros, quinze canhões, quatrocentos e sessenta e trêscarabinas e trinta mil e seiscentos e vinte cartuchos. Garibaldi, Canabarro e os soldados republicanos sãorecebidos em Laguna com festa e como heróis, pelasautoridades e o vigário Francisco Vilela. O coronel Canabarro,Garibaldi, os oficiais, soldados e simpatizantes se reúnem noLUIZ ALVES Página 27
  • 27. REVOLUÇÃO FARROUPILHAPaço municipal, onde proclamam a República Catarinense ouJuliana. Em seguida, convocam uma reunião extraordinária nacâmara, visando eleger todo o secretariado. Eleito presidente da República Juliana, o tenentecoronel Joaquim Xavier Neves - vice-presidente, o padreVicente Ferreira Santos Cardoso, antigo vigário da vila. Apasta da guerra, marinha e do exterior, João Antônio OliveiraTavares. A pasta da fazenda, interior e justiça coube, AntônioClaudino Souza Medeiros. Secretário do presidente é nomeadoGaribaldi, e a Rossetti couberam o cargo de conselheiro. O primeiro decreto redigido por Rossetti, foi usar olema Maçônico: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Outrocriava a bandeira Catarinense, verde, branca e amarela, cujosfuncionários deveriam ostentar nos chapéus, como prova deamor á República. Canabarro é nomeado general do exército Catarinense,enquanto Garibaldi acumula também o cargo de comandosupremo das forças navais da República. No dia 24, é celebrada uma missa de ação de graçaspela vitória republicana, com a presença de republicanos esimpatizante. A partir desse dia, o destino começa traçar a suateia no coração de dois amantes, que viria se eternizar notempo. Foi a primeira vez que o olhar de Ana Maria de Jesus secruza com o de Garibaldi, eletrizando a alma e corpo de ambos. Agosto de 1839, o parlamento teve uma sessãoextraordinária, devida à gravidade do problema no sul do País.À frente de trocas de acusações, complicava mais ainda o climajá tenso. O presidente Brigadeiro João Carlos Pardal é deposto,mas era necessário nomear o seu substituto, mas quem seria onovo Cristo? Até que um dos parlamentares sugere o nome domarechal e deputado geral, Francisco José Souza SoaresLUIZ ALVES Página 28
  • 28. REVOLUÇÃO FARROUPILHAAndréia, o que é imediatamente aceito por todos os demais.Andréia assumiu o governo do Pará, diante de métodos nãoconvencionais conseguiu impor a lei do império. Ele eraautoritário e extremamente vaidoso, possuía complexo de altasuperioridade. Marechal Andréia desembarca na praia de Fora,porque o navio não consegue entrar na barra, chegandoinesperadamente em Desterro. Em pouco tempo, a populaçãosentiria na própria pele o seu pior defeito como ser humano. Aprimeira medida extrema foi chamar o Xavier Neves, eleitopresidente da República. Andréia disse-lhe, que tinha trazidoum abraço enviado pelo regente, em seguida alerta-o de quesua cabeça rolaria a qualquer subversão contra o império. Epara humilhá-lo mais ainda, envia-o à comissão dos Alemães.Greenfell é afastado do comando geral naval do império, sendosubstituído pelo capitão Frederico Mariath, o contrário da vezanterior. Setembro de 1839, o presidente Andréia, com achegada do reforço que pediu aos Regentes e ministro daguerra, começa a organizar as forças em terra. O coronel JoséFernandes Santos Pereira com uma divisão sob o seu comandotinha ordens de cooperar com Mariath que possuía sob o seucomando treze navios, trezentas praças de guarnição, seiscentose um soldados de abordagem e trinta e três canhões. Mas como era uma operação de alto risco, deveriamsaber com exatidão das forças inimigas, os seus pontos fracos eonde atacá-los, só então entrariam em ação na reconquista deLaguna. Andréia decide usar a batalha psicológica, coloca umespião acima de qualquer suspeita entre os rebeldes, umverdadeiro malandro e aventureiro, na intenção de colocar unscontra os outros, políticos republicanos e a população.LUIZ ALVES Página 29
  • 29. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Nesse instante entra em seu gabinete, o espanhol JoséGuasque, que conheceu na Rua da Alfândega - Rio de Janeiro,onde aplicava golpes junto com dois ingleses, em inocentescomerciantes da capital, e de outros estados na compra e vendade mercadorias, que após ter o dinheiro em suas mãos, amercadoria nunca chegaria ao seu comprador ou vendedor. Eleseria o pivô das intrigas, enfraquecendo os republicanos, assimseria muito mais fácil derrotá-los. Agosto de 1839, Garibaldi já prevendo um ataque dasforças imperiais, passa a organizar a defesa da capital Juliana,reconstruindo as fortalezas, coloca dezesseis canhões nosnavios republicanos. O povoado é cercado de fossos etrincheiras, onde os contingentes muitos bem armados estariamprontos a qualquer emergência. Na fronteira da vila, encontrava-se general Canabarrono comando de mil e duzentos soldados experientes, prontospara evitar um ataque de surpresa dos imperiais. Ainda porgarantia, Garibaldi pede a Rossetti enviar um navio comNapoleão Castellini a Montevidéu, onde deveria procurar aIrmandade Maçônica, requisitando a sua valiosa ajuda emseguida se incumbiria de trazer armas e munições, recrutandobons marinheiros. Canabarro convoca para uma reunião todos os oficiaisde terra e mar, que se apresentam imediatamente na barraca decampanha do general. Ao coronel Teixeira Nunes incube-o delimpar a província de todo e qualquer imperialista(Caramurus), determina-o que ocupasse São José e Desterro, sópara abaixar a crista daquele engomadinho, que se diziapresidente do império. Canabarro fala a Garibaldi: Quanto a você capitão,para agradar Mazzini e aquela linda morena que você estáLUIZ ALVES Página 30
  • 30. REVOLUÇÃO FARROUPILHAenrabichado. Quero que tomem de assalto alguns barcos deMariath. Parta o quanto antes para um cruzeiro até a altura deSantos, ou até a Baía de Guanabara, só para deixar aquelesimperiais de uma figa putos de raiva. Procure espalhar o terrorpor estes lados, assim teremos um pouco de sossego por aqui. Garibaldi toma uma decisão de repente, convida-apara viver com ele no “Rio Pardo”, não prometia uma vida deconforto, mas teria com certeza todo o seu amor, faria tudopara dar o melhor a ela. Anita não pensa duas vezes, aceita oconvite. Naquela noite, os dois amantes conhecem a verdadeiraforça do amor, o poder da sedução, a intensidade das emoçõesdescobre juntos os segredos dos amantes. Os dois acordam bem cedo, Garibaldi vai coordenar ospreparativos para viagem, enquanto Anita fica na cama por unsmomentos, com a dúvida se era um sonho ou uma realidade. Sóentão ela sobe as escadas do porão, procura tapar o sol com asmãos, pois tinha escurecido suas vistas, assim pode ver dezenasde marinheiros trabalhando nos preparativos para viagem, queaconteceria no início da noite. Os marinheiros ficam surpresos ao verem uma mulhera bordo, ainda mais com a inesquecível beleza de Anita.Garibaldi chama todos e apresenta-a: Esta é dona Anita, minhamulher, vai para o mar conosco. Todos se apresentam à mulherdo chefe, recebendo-a com carinho e um sorriso nos lábios. Elapassa quase o dia inteiro observando o serviço de cada um dosmarinheiros, inclusive de seu amado. Garibaldi se divertia coma curiosidade de Anita, e passa uns longos momentos ensinado-a em detalhes, a função de cada um dos aparelhos denavegação, o que fazer e como proceder à frente deimprevistos.LUIZ ALVES Página 31
  • 31. REVOLUÇÃO FARROUPILHA No início da noite, Garibaldi envia um velho barcocarregado de mantimentos com destino ao sul, com a finalidadede distrair os barcos imperiais, sob o comando do tenenteRomano da Silva, que faziam o bloqueio da entrada do porto.Assim que avista o velho barco na costa de Laguna rumo aosul, os barcos imperiais partem em sua perseguição, deixando ocaminho livre a esquadrilha republicana. Garibaldi,aproveitando a noite de lua cheia e a escuridão, navegavagarosamente ao longo da baía. O barco “Rio Pardo” sob oseu comando, “Seival” sob o comando de Griggs e o“Caçapava” sob o comando de Lourenço Valerigini,lentamente com cautela passam pelo canal. Ao passar a Barra na escuridão, Garibaldi toma oleme, e de ouvido atento e os nervos tensos, orientando-se pelaarrebentação sobre o banco de areia e o som das ondas sobre ocostão de pedra da margem. Ao passar o ponto crítico, ele e orestante dos tripulantes da esquadrilha republicana, sentem-semais aliviados e confiantes, agora já em pleno mar rumo ácosta Paulista. Garibaldi entrega novamente o leme aomarinheiro, ele e Anita descem ao porão, e no embalo dasondas, os dois usufruem as eternas delicias do amor e o êxtasedo corpo ardente pelo pecado da carne. Na madrugada é pego por uma tempestade formada deinopino, Garibaldi afasta-se um pouco de Anita, com o fim dedar ordens, visando saírem intactos e com segurança doimprevisto. Anita vai atrás de seu amado, mesmo sendo jogadade um lado a outro, enfim chega até o mastro, onde se seguracom força. A ventania machucava-lhe as faces, os cabelosdesdenhado e com o corpo todo encharcado, mesmo assim elateima em ficar, apesar dos gritos de Garibaldi pedindo paraLUIZ ALVES Página 32
  • 32. REVOLUÇÃO FARROUPILHAvoltar à cabine. A tempestade termina quase de madrugada.Pela manhã vê que estavam costeando a província do Paraná,ele verifica se o “Rio Pardo” ou se os outros barcos tinhamalguma avaria, quando teve a confirmação dos outros doiscapitães, continua a viagem. Ele ordena aos demais quenavegassem rente a praia, pelo menos até atingir a Ilha deQueimadas, próximo ao porto de Santos. Dois dias à espera de uma presa, conseguem apoderar-se sem nenhuma resistência de dois barcos. Garibaldi ordena atrês marinheiros ir até Laguna, aproveitando os tripulantes dobarco. Enquanto que o outro barco, já tinha colocado cincomarinheiros seu no comando. Garibaldi e Anita passam uma semana de inteira paz,prazer e felicidade. Ela estava vivendo um mundo novo, quetantas vezes imaginou em suas caminhadas à beira mar, só quejunto com o seu amado, era o paraíso... Um sonho, quedesejaria não acordar nunca mais, viver eternamente. Garibaldiestava ensinado à Anita os segredos de navegação, quando ummarinheiro gritou: Barco a vista... Tem a bandeira do império. A corveta imperial começa a persegui-los, seaproxima aos poucos dos navios republicanos. O “Rio Pardo”dispara contra a fragata, avariando o velacho e o traquete,sendo obrigado a diminuir a velocidade, dando tempo àesquadrilha naval republicana desaparecer de suas vistas, indoabrigar-se atrás da Ilha de Bom Abrigo. Nos dias em quepermanecem escondidos, os cento e quinze marinheiros quasedevastam as plantações existentes. Final de Outubro, a esquadra naval republicana deixaa Ilha, nas imediações abordam e confiscam os barcos “Elvira”e a “Bizarro”, carregados de arroz com destino ao Rio deJaneiro. A “Elvira”, “Bizarra” e os demais barcos prosseguemLUIZ ALVES Página 33
  • 33. REVOLUÇÃO FARROUPILHAcautelosamente até ao Porto de Paranaguá, onde soltam ostripulantes dos barcos apreendidos, afundando os dois barcospróximos ao Morro das Conchas, na entrada da Barra. No dia seguinte aprisionam o iate “Formiga” depropriedade de tal Ramon, seguido pelo “Elisa” e “MonteReal” nas proximidades de Camboriú. Na altura de Desterrodeu de encontro com o navio imperial “Andorinha”, onde setrava intenso tiroteio. Garibaldi vendo-se em situação difícil,solta os quatros navios confiscados, procurando ganhar tempo.O que não acontece, o “Caçapava” é atingido por um tirocerteiro, que quase o leva a pique. O “Seival” é avariado porum tiro certeiro, avariando o seu costado. Ele aproveita umdescuido do “Andorinha” e procura refugio no Porto deImbituba, já que não poderia alcançar Laguna. Garibaldi aproveita o tempo que lhe restava, até queos encontrassem, manda transportar o canhão do “Seival” aopromontório próximo, sob os cuidados do artilheiro ManuelRodrigues, onde deveria lhe auxiliar na batalha. Enquanto elesitua o “Rio Pardo” e os dois barcos no fundo da baía,dispostos a morrer se preciso. Permanece nessa posição até oinício da manhã, quando surgiram os barcos imperiais“Andorinha”, “Bella Americana” e a “Patagônia” carregadoscom diversos canhões. Garibaldi julgou que o pior já tinha passado, mas osproblemas somente estavam começando. Nesse momento olhaconstantemente a sua amada Anita, arrependendo-se por tê-latrazido para aquele inferno no mar. Garibaldi manda-a aguardarem terra, onde estaria muito mais segura. Anita responde comveemência que tinha abandonado a família, para depoisabandoná-lo, morreria também junto com ele. Os naviosimperiais começam bombardear os barcos republicanos, queLUIZ ALVES Página 34
  • 34. REVOLUÇÃO FARROUPILHArespondem timidamente, pois não tinham muita opção de fogo.Quando os barcos inimigos estavam próximos, começa afuzilaria de ambos os lados. Anita ao ver que os marinheiros estavam entrando empânico, pega por instinto uma carabina no convés e começaatirar contra os inimigos, totalmente desprotegida e com umacoragem inigualável. Garibaldi somente amava aquela mulher,a partir daquele momento passaria a admirá-la como o maisbravo de seus homens. Ela, para animar os marinheiros, gritavadesesperadamente para responderem o fogo. Eles ao verem avalentia daquela frágil mulher, envergonham-se, passam acombater como jamais haviam visto. Aos poucos o “RioPardo” estava ficando cheia de cadáveres e muitos feridos, elapassa exercer o papel de enfermeira, procurando animá-los.Um tiro de canhão cai entre Anita e dois marinheiros,despedaçando os seus corpos e jogando-a longe. Ao ver o acontecido, Garibaldi corre ao local, vê Anitatoda ensangüentada, julga que estava morta, mas levanta-serapidamente e informa que estava bem, o sangue era dos doismarinheiros. Garibaldi temendo por sua vida grita para seabrigar no porão. Anita responde-lhe com um olhar de raiva, sóse for para trazer aqueles covardes que se esconderam. Elapega a primeira carabina que encontra, desce rapidamente aoporão, em seguida traz sob a mira três marinheiros, que tinhamali se refugiado. O combate prolonga até quase ao anoitecer,deixando muitos mortos e feridos. O líder dos capitães daesquadra imperial, surpreso com o poder de fogo e a resistênciados republicanos, também por ter perdido um capitão e dezenasde marinheiros, decide retirar-se e buscar reforços. Garibaldi manda recolocar o canhão no “Seival”.Agora protegidos pela escuridão da noite, partem para Laguna.LUIZ ALVES Página 35
  • 35. REVOLUÇÃO FARROUPILHAMas antes na curva da praia, fazem três enormes fogueiras,dando impressão de três navios incendiados. Chegam emLaguna ao amanhecer do outro dia, com todos os três naviosavariados e dezenas de feridos. Enquanto que os mortostiveram um funeral digno, os seus corpos foram entregues aomar. Setembro de 1839, o tempo que a esquadra naval deGaribaldi se encontrava no serviço de Corsário, confiscandobarcos e mercadorias, mediante duros combates e a perda demuitos amigos, o general Canabarro trocava os pés pelas mãos,impôs um regime despótico, criando antipatia entre os políticose a população. Principalmente em seus próprios oficiais esoldados, tratando-os com dureza e expondo-os a uma situaçãohumilhante. A coluna de Teixeira Nunes estabiliza-se um poucoalém de Massiambu, pequeno filete d’água que se despeja nocanal de Santa Catarina. Canabarro tinha prometido reforços davila de Lages, o que não aconteceu. Como ele não dispunha desoldados suficientes para atacar Desterro, decide aguardarnovas ordens de Canabarro. Em Laguna, inicia o descontentamento com os ideaisrepublicanos, motivados pelas intrigas do espanhol JoséGuasque, que alegava que tinha mudado o tipo de governo,mas a situação se transformou muito pior, e a tendência erapiorar muito mais ainda. O comércio estava praticamenteparado, os comerciantes começam a conspirar contra ospróprios republicanos. Isso era somente o princípio, situaçãopior explodiria dias depois. Lentamente Guasque solta o seuveneno, trazendo confusão e discórdia entre os própriosrepublicanos, principalmente aos habitantes de Laguna earredores.LUIZ ALVES Página 36
  • 36. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Ele sabedor que toda a província era muitoconservadora nos valores morais e familiares, usa o romance deAnita e Garibaldi para exaltar mais os ânimos contra osrepublicanos. Canabarro sabia do perigo que Guasquerepresentava, era muito conhecido e respeitado pela população,nomeia-o a um cargo público com o intuito de trazê-lo para seulado. Foi outro erro imperdoável que Canabarro cometeu,assim acabou dando mais veracidade aos seus comentáriosmaliciosos. O coronel José Fernandes e o capitão Mariath decidematacar a coluna de Teixeira Nunes, enquanto Mariath atacariapela barra de Massiambu, o coronel Fernandes comquatrocentos e cinqüenta soldados atacaria por terra, assimpegando os republicanos num fogo cruzado. O primeiro aatacar os republicanos foi Mariath, que desembarca comcinqüenta soldados, pegando-os completamente de surpresa.Teixeira no desespero tenta organizar os soldados, que seencontra em intensa fuzilaria, deixando-os mais perdidos ainda,então se obriga dar ordens para recuar. Nesse momento, entra em cena a coluna do coronelFernandes, deixando os republicanos completamente perdidos.Com a morte do capitão Henrique Marques Rocha e doissoldados e dezenas de feridos, após uma hora e meia decombate, Teixeira ordena para a coluna debandar. Na fuga emdireção a Laguna, são apreendidos pelos legalistas dezenas decavalos, armas, mochilas e munição. Novembro de 1839, motivados pelos comerciantes,políticos e líderes locais, nasce na vila de Imaruí, fundos dabaía ha vinte quilômetros de Laguna, a primeira revolta anti-republicana. General Canabarro, confia a Garibaldi o comandode duzentos e cinqüenta soldados, a ingrata tarefa de agir comLUIZ ALVES Página 37
  • 37. REVOLUÇÃO FARROUPILHArigor contra os revoltosos. Sentiu-se constrangido em cumpriras ordens, devido o seu espírito democrático. Garibaldi leva três barcos no transporte dos soldados,os oficiais receberam ordens explícitas de Canabarro deexecutar todos os rebeldes, se necessário. Os habitantesorganizam a defesa ao lado da Lagoa. Garibaldi já esperavaisso, desembarca os soldados a três milhas de distância ao leste.Ele realiza um ataque pelo morro, fazendo que ossobreviventes debandassem desordenadamente, assim seapoderando da vila, tendo somente a perda de um sargento ediversos feridos. Com Imaruí no controle dos republicanos, os soldadosencontram um estoque de bebida alcoólica, passam a ingerirdescontroladamente. Quase todos já praticamente bêbados,passam a saquear as casas e o comercio, degolar várioshabitantes, inclusive estupradas e depois degoladas as mulheresque não tiveram tempo de fugir. Garibaldi e uns poucos oficiaistentam impedi-los, mas todos estavam dominados pelo álcool,restando se isolarem daquela barbárie. O que restou a Garibaldie os oficiais era pedir perdão a Deus, que lhes perdoassempelos atos desumanos de seus soldados. O coronel imperialista Alano consegue apoio doshabitantes, inclusive de muitos soldados republicanosrevoltosos, consegue expulsá-los e retomar a vila de Lages paraas forças imperiais. O oficial republicano envia um mensageiroa Laguna, requisitando soldados para tomar novamente a vila,informando-os que ficariam nos arredores até a chegada dereforço. Laguna - a capital da República Juliana tinha setransformado num caos completo, o governo civil, o padrepresidente, os ministros, os conselheiros desaparecem porLUIZ ALVES Página 38
  • 38. REVOLUÇÃO FARROUPILHAestarem conscientes da possibilidade de um ataque maciço dosimperialistas. General Canabarro incube Garibaldi de fazer obloqueio naval na entrada do Porto. Ele deixa o barco“Itaparica” sob o comando de João Henrique, o “Caçapava”sob o comando de Griggs, o “Seival” sob o comando deValerigini, o “Rio Pardo” sob o comando de Anita (Ana Mariade Jesus), a “Lagunense” sob o comando de Manuel Rodrigues,a “Santana” sob o comando de Inácio Bilbau, sendo apoiadospor cinco Lanchões com atiradores, além de vários canhõesdeixados no Forte Atalaia e em outros pontos estratégicos. Enquanto Canabarro com quase mil soldados decidemudar os planos iniciais, uma tropa acampa e monta defesa noCamacho e a outra monta defesa em Campo Bom. O plano eradeixar uma tropa para combater os imperiais em terra, a outradeveria auxiliar Garibaldi no confronto naval. O presidente Andréia e Mariath estacionado naenseada de Imbituba já estava impaciente com a demora dastrês colunas de apoio por terra, a 1ª sob o comando do coronelFernandes, a 2ª o comando do major Miguel Moreira e a 3ª sobo comando do major Melam. Finalmente, recebem ummensageiro do comando das tropas em terra, informando-os deque já se encontravam próximos dos objetivos. Andréia mandao mensageiro retornar com novas ordens, contando asmudanças de planos de ataque ao coronel Fernandes,ocasionado pelos planos de defesa dos republicanos. Mariath ordena a seus comandos levantar âncora,todos deveriam agir conforme os planos iniciais. Ele manda obarco sob o comando do tenente Manoel Moreira Silva(Manoel Diabo), levar consigo quatro lanchões com cento ecinqüenta marinheiros, que deveriam abordar o “Itaparica”. Emseguida manda mais dois barcos sob os comandos dos tenentesLUIZ ALVES Página 39
  • 39. REVOLUÇÃO FARROUPILHAPereira Pinto e Gama Rosa, com a finalidade de distrair o fogodos canhões da Fortaleza, de outros pontos estratégicos e osprimeiros lanchões rebeldes. Seguidos pelos barcos “São José”sob o comando de José de Jesus, a “Bella Americana” sob ocomando do tenente João Custódio Houdain, o “Desterro” sobo comando do tenente Marcos José Evangelista, o “Cometa”sob o comando do capitão Sena de Araújo, o “Bélico” sob ocomando do tenente Manuel José Vieira, enquanto Mariathchefiaria a expedição no “Éolo”. Os barcos “Caliope” e a “Patagônia” sob os comandosdos tenentes Castro Meneses e Jorge Otoni, com ordens dedesembarcar no Cabo de Santa Marta, a fim de distrair porestes lados o inimigo. Garibaldi na Fortaleza com sua luneta consegue vermelhor o poder de fogo dos imperiais, além das tropas comquase três mil soldados que estavam vindos por terra, entãoteve a certeza de que seria impossível derrotá-los, somenteganhar tempo para uma inesperada retirada de Laguna. Osbarcos imperiais iniciam a entrada ao porto, a esquadrarepublicana permanecia em completa inércia. No convés do“Rio Pardo”, Anita vendo que todos estavam esperando asordens de Garibaldi, como já se encontrava em linha de fogo,decide dar o primeiro tiro de canhão, assim desencadeando uminferno na costa de Laguna. Garibaldi já estava preocupado com a demora da tropade apoio de Canabarro, pois toda a esquadra de Mariath seencontrava na entrada, viu que estavam sozinhos naquelecombate. Ele passa ordens a Souza Leão (Capote) para manterfogo intenso contra os imperiais, depois corre para assumir ocomando do “Rio Pardo”. Com o primeiro tiro de canhão,LUIZ ALVES Página 40
  • 40. REVOLUÇÃO FARROUPILHAAnita ordena todos os marujos concentrar intensa fuzilariacontra os navios imperiais. Mariath ordena para responder o fogo, contra osbarcos e as artilharias espalhadas pela costa. Nesse instante osrepublicanos sentem o poder de fogo dos imperiais, tendo acerteza de que o combate estava perdido, só restava retardá-lo omáximo possível e rezar que chegassem logo os reforços deCanabarro. Os barcos republicanos “Itaparica”, o “Seival”, o“Caçapava”, o “Lagunense” e o “Santana” sob intensobombardeio, todos quase praticamente destruídos e centenas demarinheiros mortos, mutilados ou outros feridos menos grave.Os poucos sobreviventes jogam-se ao mar com esperançaalcançar à praia, mas todos são pegos com a maior facilidadepela fuzilaria dos soldados imperiais. Enfrentando a fuzilaria intensa contra eles, Garibaldiconsegue chegar ao “Rio Pardo”, envia Anita ao generalCanabarro, pedindo que mandasse urgentemente reforços. Semmuita demora, ela retorna com novas ordens de Canabarro,pedia para salvar o que fosse possível, após incendiasse todosos barcos e dirigissem ao Camacho. Os barcos inimigoscontinuam a fulminar o “Rio Pardo” com sua artilharia pesada,além de manter a fuzilaria com centenas de carabinas.Garibaldi manda que Anita suba num escaler com doismarinheiros, levando armas e munições, depois permanecesseem terra. Ela cumpre a primeira ordem, mas não a segunda.Anita faz o mesmo trajeto com o escaler lotado de armas emunições por doze vezes, sob fuzilaria constante do inimigo.Os marinheiros do escaler encolhiam-se o que podiam,enquanto que ela permanecia em pé na popa da embarcação,como tivesse desafiando os atiradores imperiais.LUIZ ALVES Página 41
  • 41. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Garibaldi presencia de perto a morte de seusmarinheiros e amigos, sem que pudesse fazer nada para evitá-la. A sua vista o bravo João Henrique caído no convés do“Itaparica”, um largo rombo em seu peito feito por uma bala decanhão. Sobe a bordo, desce até o porão e derrama um poucode pólvora até a entrada, após toca fogo e se retira do barco.Segue até o “Caçapava” avista o corpo de seu amigo Griggs,que se encontrava partido em dois pedaços, o busto ficara empé contra a amurada, enquanto o membro inferior jazia nochão. Sobe a bordo, fazendo o mesmo que fez com o anterior. Nesse instante explode o “Itaparica”, seguido pelo“Caçapava”, “Seival”, “Lagunense” e o “Santana”. Já noite de15 de Novembro de 1839, logo após incendeia o “Rio Pardo”,cumprindo a tarefa macabra. Ele atravessa com Anita aderradeira viagem no canal de Laguna, sendo acompanhadoscom os poucos sobreviventes tomam o rumo do Camacho, aoencontro de Canabarro, Teixeira Nunes e os demaiscomandantes republicanos. No confronto naval os imperialistastêm cinqüenta e um mortos e treze feridos. Já do lado dosrepublicanos, quase duzentos mortos e aproximadamente cemferidos. A coluna do coronel Fernandes, ataca a tropa docoronel Teixeira Nunes, que a frente de quase meia hora decombate se retira rumo ao sul. A coluna do major MiguelMoreira e do major Melo se unem e atacam a tropa deCanabarro, que também se retira rumo ao sul. Em seguida astrês colunas se unem e chegam ao anoitecer a vila de Laguna,onde já se encontrava o presidente Andréia, o capitão Mariath eos demais oficiais. Todos eles são recebidos como heróis pelas antigasautoridades republicanas, agora transformadas em ferrenhosLUIZ ALVES Página 42
  • 42. REVOLUÇÃO FARROUPILHAimperialistas, inclusive parte de toda a população. Andréiamantém nos cargos quase todos os funcionários da República,exceto os que fugiram ou resolveram acompanhá-los. Com essaatitude irresponsável, ele premiava a covardia, a duplicidade ea traição. O Regente do imperador e os parlamentares recebem omensageiro enviado pelo presidente Andréia, informando-lhesque a vila de Laguna se encontrava nesse momento em poderde Vossa Majestade - o Imperador D. Pedro II. Em seguida,informa-lhes que a vila de Lages foi retomada, à frente dabravura inigualável do coronel Alano, que conseguiu motivarpopulares e contar com o apoio de uns soldados republicanos.Relata também que, a última noticia dos rebeldes indicavam,que estavam retornando a província do Rio Grande do Sul. As noticias deixam o parlamento em êxtase, porque ovelho problema deles, agora retornava às origens, os senhoresdo poder temiam que as ondas de rebeliões se alastrassem portodas as províncias do império. General Canabarro permanece acampado por umasemana no passo do Camacho, era preciso tomar cuidado,observar o inimigo e esperar os retardatários. O primeiro achegar é a tropa de Capote, segundo a de Sousa Leão e porúltimo a reduzida de Garibaldi. Já Teixeira Nunes vai aoencontro da tropa de Campo Bom, onde após se dirigemtambém para o passo do Camacho. Garibaldi e os demais comandantes tentam convencerCanabarro para retomar Laguna, mas depois uma calorosadiscussão entre os oficiais, Canabarro enfim consegue impor asua vontade na maioria. Enquanto ele retorna com uma parte datropa para Viamão, ficando a disposição do general BentoGonçalves, escala Garibaldi, Anita e Teixeira Nunes noLUIZ ALVES Página 43
  • 43. REVOLUÇÃO FARROUPILHAcomando de cento e cinqüenta soldados, onde deveriam juntar-se com as colunas do coronel Joaquim Mariano Aranha ecoronel José Gomes Portinho, que estavam a espera de reforçospara retomar a vila de Lages. Ainda em Novembro de 1839, o coronel AntônioMello de Albuquerque encontrava-se estacionado com suatropa imperial na vila de Cruz Alta - Rio Grande do Sul, nomês anterior, recebe ordens do presidente Saturnino para sejuntar com a coluna do brigadeiro Cunha na vila de Lages.Reúne os soldados, parte imediatamente para a vila, conformeas ordens superiores. O objetivo era fundir as duas tropaslegalistas, e juntas marchar e levantar o cerco republicano dePorto Alegre. Dezembro de 1839, a frente de vários dias decavalgada, enfim chegam até o ponto de encontro com muitoesforço e intenso cansaço, já no final da serra. Agora com ascolunas juntas, se dirigem pelo Passo de Santa Vitória. O brigadeiro Francisco Xavier da Cunha, no comandoda divisão de São Paulo, estacionada em Rio Negro, com maisde dois mil soldados, se desloca para o planalto sob ordens doministro da guerra, com a finalidade de expulsar osrepublicanos na vila de Lages. Soube por simpatizantes dosrepublicanos que se encontravam no Passo de Santa Vitória,engole a isca e se dirige ao local. Quando os republicanos avistam o inimigo, TeixeiraNunes ordena a Antônio Inácio de Oliveira com os seuscavalarianos atraíssem uma parte dos legalistas, enquanto queos seus lanceiros negros e índios Minuanos atrairiam outraparte da tropa do brigadeiro Cunha no sentido oposto. A suaestratégia era dividir as forças do brigadeiro, assim teriamLUIZ ALVES Página 44
  • 44. REVOLUÇÃO FARROUPILHAgrandes chances de pegá-los de surpresa e derrotá-los, mesmoestando em menor número de soldados. O brigadeiro viu que tinha caído numa armadilhaardilosa do inimigo, retrocede com a metade de seus soldadosaté uma mangueira de pedra, que era usada antigamente para ofisco alfandegário. Teixeira Nunes aproveita o momento,ordena a seus lanceiros atacar os legalistas, combatendo nocorpo a corpo, trucidando-os quase por completo. O brigadeirovendo-se perdido e ferido na perna, auxiliado por alguns deseus oficiais, procura fugir, mas ao cruzar o Rio Pelotas o seucorpo é tragado pelas águas. Antônio e os seus cavalarianos levam uma parte àoutra armadilha, onde se encontrava a metade da coluna doscoronéis Aranha e Portinho, escondidos num capão de mato aquase um quilômetro do local. Quando os cavaleirosrepublicanos estacionam em frente o capão, o capitão Hipólitomanda estender linha, julgando que todos iriam se entregar.Mas ele e o restante da tropa ficam surpresos, ao ver que saiamdezenas de soldados de ambos os lados do capão. As três frentes mantêm uma fuzilaria intensa contra oslegalistas, matando dezenas deles. Quando o capitão recupera-se da surpresa, ordena a seus soldados debandar em sentido davila de Curitibanos. Os legalistas sobreviventes ouvem dezenasde disparos e gritos horríveis de morte, vindos na direção ondese encontrava a outra frente, deduzem que se encontrava emsituação pior do que a deles. Antônio ordena para perseguir oslegalistas, mas foram impedidos pelo coronel Aranha que osconscientiza para que deixassem fugir. Espalha rapidamente a noticia da derrota dos dois millegalistas para quinhentos republicanos no Passo de SantaVitória corre rapidamente e chega até a vila de Lages. OLUIZ ALVES Página 45
  • 45. REVOLUÇÃO FARROUPILHAcoronel Cândido Alano e os demais soldados que ajudaram aretomar a vila, decide fugir às pressas o mais longe possível,temendo represálias e por suas vidas. Quatro dias depois do confronto no Passo de SantaVitória, Garibaldi, Anita, Rossetti, Teixeira Nunes e os demaisrepublicanos, entram triunfantes na vila de Lages, sendorecepcionados como heróis pelas poucas autoridades e seushabitantes. Após a derrota pela esquadra de Mariath e o coronelFernandes em Laguna, a recente derrota dos legalistas noCampo de Santa Vitória, enfim os republicanos têm um poucode paz e tranqüilidade. Assim que Anita e Garibaldi entram navila, é recebido com grande euforia pelo seu tio Antônio, queimediatamente arruma uma pequena casa aconchegante aosdois amantes. Garibaldi e Antônio simpatizam-se a primeiravista, pois tinham os mesmos ideais de liberdade. Anita estava vivendo um paraíso com a sua sonhadacasinha e o amado ao seu lado, onde poderiam dividirmomentos de inteira paz e de amor infinito. Um dia antes donatal, ela, sua família e Garibaldi assistem a missa do galo naigreja local. Dezembro de 1839, o coronel Albuquerque e sua tropase encontravam no meio do caminho, recebe a inesperadanoticia da derrota e morte do brigadeiro Cunha no Passo deSanta Vitória. Temendo um confronto com os republicanos,decide contornar os campos de Lages, passando pela vila deCampos Novos, seguindo sempre ao norte em direção a SãoPaulo, procurando encontrar a coluna imperial sob o comandodo general Labatut, assim atacar e retomar a vila de Lages. Ocoronel Albuquerque estranhamente erra em sua decisão, invésde rumar a Porto Alegre, estava percorrendo a direçãoLUIZ ALVES Página 46
  • 46. REVOLUÇÃO FARROUPILHAcontrária. Estava ele fazendo outro erro grave, evitar a tropados Farrapos, se as ordens superiores era combatê-los. Teixeira Nunes é informado de que a tropa do coronelAlbuquerque encontrava-se pela região, temendo um ataque desurpresa, forma duas colunas para vigiar os arredores. Umacoluna com duzentos e cinqüenta soldados voluntários sob ocomando do coronel Aranha vigiaria o sul da região,estacionando nas proximidades do Rio Pelotas. A outra comquinhentos soldados, sob o comando de Teixeira Nunes,inclusive Anita e Garibaldi vigiaria o norte da região,estacionando nos campos de Palmas ou de Curitibanos. Ocoronel Portinho fica com cem soldados voluntários, visandodefender a vila na ocorrência de um ataque surpresa doslegalistas. As duas colunas partem da vila, conforme os planos. Combate de Curitibanos Janeiro de 1840, Teixeira Nunes fica no comando detrezentos e trinta soldados, Garibaldi no comando de cento ecinqüenta e cavalarianos, Anita fica encarregada do transporteda munição com vinte soldados, que deveria ficar na retaguardaguarnecendo a munição. Após três dias de caminhada forçada, Teixeira ordenapara acampar as margens do Rio Marombas, Campos dasForquilhas, proximidades da vila de Curitibanos, onde julgavaque o inimigo cruzaria em direção de Lages. Teixeira pede a Garibaldi organizar a vigilância,enquanto descansaria um pouco da viagem forçada. Garibaldiforma quatro grupos com dez soldados e distribui nosLUIZ ALVES Página 47
  • 47. REVOLUÇÃO FARROUPILHAarredores, evitando assim um ataque surpresa do inimigo. Elemanda Anita, as carroças e os vinte soldados se abrigarem noCapão de Mato, enquanto a coluna do Teixeira ficaria nocampo, ele ficaria na retaguarda numa coxilha próxima. O coronel Albuquerque acampa dias antes nosCampos das Forquilhas, a poucos quilômetros dosrepublicanos. Escalam vários piquetes de soldados com oobjetivo de vasculhar os arredores na existência de Farrapos, oque veio acontecer no dia 12 de janeiro, então começa aorganizar o plano de ataque com os seus oficiais. O coronelMello de Albuquerque não queria que acontecesse o mesmoque em Rio Pardo, onde foi derrotado pelos republicanos. Coronel ordena que os piquetes, sob o comando dosargento Gonçalves Padilha e do capitão Hipólitoaproveitassem a escuridão e fizessem ataques rápidos, emseguida retornando ao acampamento, assim poderia saber comexatidão sua localização. Com isso, o coronel poderia formarduas colunas e pegá-los num fogo cruzado. Aproximadamente meia noite, o piquete do capitãoHipólito se encontra com um dos grupos formado porGaribaldi, com a finalidade de evitar um ataque surpresa,trocam alguns tiros na escuridão do Capão de Mato edesaparecem em seguida. Garibaldi e os demais ouvem ostiros, se prepararam para contra-atacar os legalistas. Mas osilêncio volta a reinar nos Campos da Forquilha, pelo menosaté o amanhecer. O coronel Melo Manso, reúne novamente os piquetese os coloca sob as ordens do sargento Padilha, tendo a missãode dar combate frontal aos Farrapos, onde deveria trazê-los aoCapão de Mato. O coronel informa que deixaria mais unssoldados no local, tendo o objetivo de apoiá-los. ApósLUIZ ALVES Página 48
  • 48. REVOLUÇÃO FARROUPILHAdeveriam levá-los à margem do rio, onde estaria outro grupo desoldados para lhes auxiliar no confronto. Os republicanosestando à margem do Marombas, assim as duas colunaspegariam num fogo cruzado, apoiado pelos sobreviventes dogrupo, os quais seriam as iscas. Teixeira Nunes e seus soldados ficam poucos minutossob fuzilaria dos piquetes, imediatamente se recompõem,ordena que a cavalaria de Garibaldi persiga os legalistas, querecuam até o Capão de Mato, onde entra em ação a tropa deapoio, mesmo assim Garibaldi continua avançando contra oslegalistas. Teixeira ordena para seus soldados avançar contra oinimigo, que empreendem fuga desordenada às margens do RioMarombas. No momento que o grupo de Teixeira se aproxima damargem do Marombas, são pegos num fogo cruzado pelas duascolunas do coronel Melo Manso. Teixeira viu que tinha caídonuma armadilha, não tendo outra opção senão ocupar o Capãode Mato, localizado numa pequena elevação próxima. No Capão de Mato, Teixeira vendo-se perdido, grita aseus soldados para atirar contra os legalistas, mas como elesestavam em maior número, centenas de seus soldados caem àfrente da intensa fuzilaria das colunas do coronel Melo Manso. Anita ouve os primeiros tiros, ordena aos soldadosficar em alerta, pois teriam de proteger a munição. Ela certa deque os seus companheiros se encontravam cercados, ordena aseus soldados avançar, julgando que estavam necessitando demunição. Antes de chegar a seus companheiros cercados, sãosurpreendidos por um destacamento imperial, mas ela e nem osoutros soldados se intimidam, revidam o ataque com coragem edeterminação.LUIZ ALVES Página 49
  • 49. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Anita mesmo vendo os seus soldados caírem abatidos,continua resistindo bravamente. Uma bala arranca o chapéu desua cabeça, cortando também uma mecha de cabelo, mesmoassim não se amedronta, continua atirando contra os imperiais.Quando decide evadir do local, outra bala abate o seu cavalo,derrubando-a violentamente no chão. A se ver cercada pelossoldados legalistas, sente que não tinha outra opção, decide seentregar. Ao ver que era Ana de Jesus, a surpresa do sargentoJoão Gonçalves Padilha é enorme. Por mera casualidade oucapricho do destino, ele era o segundo pretendente a casar comAna Maria de Jesus, recusado pela mãe Maria Antônia, devidoele ser um soldado do exército imperial. Teixeira e aproximadamente dez soldados conseguemromper o cerco, evadindo-se desordenadamente do local. Emseguida se embrenham mata adentro, desaparecendo emdireção da vila de Lages. Os republicanos têm quatrocentos evinte e sete mortos, pois todos os feridos são sumariamenteexecutados. Segundo fontes não oficiais, os imperiais têm maisde cem soldados mortos. Garibaldi e sessenta e três cavaleiros ainda continuamcercados. Ele decide romper o cerco a tiro, forma três grupos.Enquanto um grupo corre até um ponto, os outros dois protegeo recuo, assim consecutivamente, até estarem numa posiçãomais favorável. Garibaldi estava completamente esgotadofisicamente e o seu psicológico, em sua mente, povoava amesma pergunta: Onde estava Anita? Estava morta? Presa ouse encontrava fora de perigo? Não podia sair a sua procura,além de ser muito arriscado, tinha a responsabilidade com avida de seus soldados. Apesar de doer à alma e corroer ocoração, teria de retornar a vila de Lages. Garibaldi e seusLUIZ ALVES Página 50
  • 50. REVOLUÇÃO FARROUPILHAsessenta e três soldados embrenham mata adentro, chegando aodestino quatro dias depois, o trajeto para ele foi um martírio...O martírio da duvida. Anita pede ao sargento Padilha para ver se Garibaldinão estava entre os mortos, mas ele recusa o pedido, informa-aque somente o coronel Albuquerque poderia autorizá-la. Entãopede que a leve ao coronel, o que aceita imediatamente. Asperdas entre os legalistas não se têm uma conta precisa, sabe-seque foram mais de cem soldados mortos. A surpresa do coronel Melo Manso é também enorme,ao ver a sua frente uma mulher destemida. Tenta interrogá-la,humilha-a, dizendo que tinha um completo desprezo pelosrebeldes republicanos. Mas Anita permanece altiva,respondendo todas as perguntas friamente, não deixa seintimidar. O sargento Padilha vendo o sofrimento de Anita coma possível perda do marido, pede ao coronel para deixá-laconfirmar, se acaso o seu corpo se encontrava entre os mortosno campo de batalha. O sargento se oferece em acompanhá-lacom um grupo de soldados, assim evitando a sua fuga. Apóscerta insistência, consegue convencê-lo. Sargento Padilha convoca seis soldados paraacompanhar a prisioneira. E sob a luz de lampiões, Anita passalongas horas revolvendo os cadáveres espalhados pelos campose capões de mato, sempre com o medo de encontrá-lo entreeles. A cada um que revolvia, crescia a sua esperança emencontrá-lo com vida. Anita tinha muita esperança de Garibaldi ainda estarvivo, na certa debandaram para a vila de Lages com o restantedos soldados sobreviventes. Em sua mente povoa somente omesmo pensamento, esperar uma oportunidade e fugir daquelelugar, se encontrando com seu amado. O que não demorouLUIZ ALVES Página 51
  • 51. REVOLUÇÃO FARROUPILHAmuito a acontecer, devido a euforia pela vitória contra osFarrapos, desencadeia uma incontrolável bebedeira entre eles,que dormitavam desorganizados pelo chão completamentebêbados. Anita encontrava-se amarrada numa barraca decampanha, sendo vigiada por quatro soldados, esses na suavisão era o pior dos obstáculos. Ela escuta alguém conversando animadamente com osvigias, aguça os sentidos, querendo saber o que e com quemfalavam, reconhece a voz do sargento Padilha, estava tecendocomentário sobre o combate com os Farrapos. Aos poucosdiminui a conversa, até parar por completo, escutava somenteos gritos ensandecidos de soldados bêbados. Sargento Padilha entra na barraca, faz sinal para elaficar quieta, corta a corda que prendem suas mãos, pede emseguida para lhe acompanhar, cortando com sua faca a lonatraseira da barraca, entrando no Capão de Mato. Só então osargento a informa que logo adiante tinha um cavalo amarradonuma árvore, com uma arma e um facão, pede para montá-lo edesaparecer rapidamente daquele lugar. Alerta-a de quecavalgue a beira do Rio Marombas, naquele lado era muitomais seguro, por não existir nenhum soldado de vigia. Anita fica surpresa com atitude do sargento Padilha,lhe pergunta por que ele estava ajudando a fugir. Ele respondeque sempre admirou o seu jeito rebelde, simplicidade e a suabeleza, mas frente do que tinha visto naquele combate, passoua admirá-la mais ainda, devido sua destreza de soldado evalentia. Era o tipo de mulher que sempre sonhou ter, mas eraGaribaldi que amava, isso machucava muito o seu sentimento,mesmo assim queria-a longe daquele local. Anita passa suavemente a mão áspera em seu rosto ebeija-o, como forma de agradecimento. Padilha ordena paraLUIZ ALVES Página 52
  • 52. REVOLUÇÃO FARROUPILHApartir rápido, antes que descobrissem a sua fuga, então estariaem sérias complicações com o coronel Melo Manso. Anitacaminha apressada por uns cinqüenta metros volta-se emdireção do sargento, olha-o por uns instantes com carinho, edesaparece em seguida entre as árvores. O sargento retorna ao acampamento, começa beber atéficar completamente bêbado, porque não tinha o coraçãodaquela mulher maravilhosa, também para ninguém desconfiarda cúmplice na fuga. Padilha caminha com certa dificuldadeaté uma árvore, mas não consegue chegar, desaba no meio docaminho inconsciente pela bebida em demasia. No amanhecer do dia, coronel Melo Manso ordena aocapitão Hipólito reunir os cem soldados mais sóbrios, cavaruma vala grande no Capão de Mato, onde deveria enterrar osFarrapos e os soldados imperiais mortos. Soube pelo sargentoPadilha que a prisioneira tinha fugido, ele informa-o quepretendia soltá-la na primeira vila. Informa também que,ficariam ali acampados por mais dois dias, após partiriam paraRio Negro, onde aguardariam a coluna do general Labatut, emseguida retornariam para expulsar os Farrapos da vila de Lages. Janeiro de 1840, Anita encontra diversos obstáculospelo caminho, devido não conhecer bem a região, tinha dúvidasse estava indo na direção de Lages. Nos primeiros quilômetrosse aproxima de uma humilde casa, pede algo para beber ecomer. Imediatamente lhe oferecem um café e umas fatias depão, a qual come com vontade, aproveita para perguntar sobreo exército dos Farrapos. O homem responde: Que tinhampegado a direção do Rio Canoas, com certeza estavam indopara vila de Lages. Anita vê o ponche de Garibaldi penduradona parede, oferece o seu que era novo em troca daquele, o quefoi aceito imediatamente pela mulher. Os camponeses pedemLUIZ ALVES Página 53
  • 53. REVOLUÇÃO FARROUPILHApara pernoitar na casa, partindo ao amanhecer. Anita recusa,alega porque queria estar o quanto antes com Garibaldi, serealmente tivesse vivo. Agradece os camponeses, se despede edesaparece na escuridão da mata. Acontecendo oito dias depoisnas proximidades do Rio Caveiras. No dia 18 de Março de 1840, coronel Teixeira ordenapara levantar acampamento, partem para Setembrina por nãoter nenhum contato com Canabarro, que com certeza estavalutando em outra frente em solo rio-grandense. Chegam aodestino em principio de abril com os cavalos estropiados,mentes esgotadas e corpos completamente cansados.LUIZ ALVES Página 54
  • 54. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Revolta dos Farrapos – Parte II Em Setembrina, Anita e Garibaldi vive umatemporada de paz. Ela já estava no quarto mês de gravidez, eraseu primeiro filho. Após muitas discussões em suas conversas,chegam a um consenso, se fosse menino o seu nome seriaMenotti, ao contrário o nome seria Rosita. Maio de 1840, o general Bento Gonçalves com umcontingente de quase quatrocentos soldados, dirige-se àsproximidades de Taquari, onde se une com a tropa de quasetrezentos soldados do coronel Souza Neto. O comandantelegalista Jorge Rodrigues no comando de seis barcos sobe o rioaté as imediações da vila de Taquari, onde manda descer eesconder alguns canhões à margem do rio, auxiliado por poucomais de mil soldados. O general e o coronel foram atraídos naquelasimediações, onde são surpreendidos pelo fogo pesado efuzilaria intensa do inimigo. Mas seus soldados se nãointimidam, contra atacam os legalistas. O combate dura poucomais de uma hora, o general ao ver que não conseguiriaderrotá-los, decide recuar e se dirige para Setembrina, pois játinha perdido duzentos e setenta soldados e cento e cinqüentasão feridos, enquanto que os legalistas têm duzentos e umamortes e cento e quinze feridos. General Bento, Domingos Crescêncio, Teixeira Nunese Garibaldi no comando oitocentos soldados, decidem tomar deassalto em julho de 1840, a vila de São José do Norte, situadoàs proximidades da Lagoa dos Patos.LUIZ ALVES Página 55
  • 55. REVOLUÇÃO FARROUPILHA O coronel Antônio Soares Paiva, no comando depouco mais de quinhentos soldados, sabedor do ataque por umsimpatizante, envia quatro soldados ao Rio Grande, pedindoreforços, enquanto se concentra na defesa do próprio quartel. O combate dura até as primeiras horas da manhã, oslegalistas têm duzentos mortos e noventa feridos, enquanto queos Farrapos têm cento e oitenta e quatro mortos e cento ecinqüenta feridos. Assim que chega o reforço pedido pelocoronel Paiva, os Farrapos se retiram rapidamente da vila,retornam a Setembrina. Em 16 de Setembro de 1840, nasce em São Luiz deMostardas, Menotti Domingos Garibaldi. Ele parte com doissoldados para Setembrina com a finalidade de emprestar algumdinheiro de seu amigo Rossetti, depois comprar roupas para oseu filho. Devido às fortes chuvas que caiam, eles esperam otempo melhorar por dois dias, junto à tropa do capitãoMáximo, acampados em Roça Grande. Quando vêem que nãotinha outro jeito, prosseguem a caminhada. Garibaldi vai imediatamente a casa de Rossetti, ondesoube a verdade sobre a Revolução, que ela não tinha nenhumfuturo. Rossetti prevê que não era necessário lutar pelaRepública Rio-Grandense, com o tempo os parlamentares e opovo destruiriam o império. Rossetti parabeniza o amigo pelofilho, deseja muita saúde e empresta o dinheiro pedido.Garibaldi dirige-se ao armazém, onde compra tudo o que eranecessário ao menino, após retorna a casa do amigo Rossetti, sedespede e retorna a Mostardas. Outubro de 1840, o tenente Moringue no comando detrezentos soldados, ataca sorrateiramente a tropa do capitãoMáximo, mata alguns soldados e aprisiona os demais.Moringue é informado de que Anita tinha dado luz a umLUIZ ALVES Página 56
  • 56. REVOLUÇÃO FARROUPILHAmenino, que Garibaldi se encontrava em Setembrina, ondepretendia emprestar dinheiro de um amigo e comprar roupas aoseu filho. No início da noite, ele parte para a casa dos Costacom cem soldados, imaginando que encontraria resistência nolocal. O pensamento de Moringue era fazer Anita prisioneira,assim conseguindo prender o mais ardiloso de seus inimigos. Anita é avisada pelos Costa que os legalistas estavampróximos, alertando-a para fugir imediatamente do local, senãoacabaria sendo presa. Anita vestida com uma camisola, enrolaMenotti num cobertor. Um dos Costa traz o seu cavalo edeixa-o na porta da casa, ela monta em pêlo e desaparece entrea mata, onde permanece escondida por vários dias, até serencontrado por Garibaldi, que gritava o seu nome na matacomo um louco. O general Bento ordena a retirada de todas as tropasnos arredores de Porto Alegre, deveriam se retirar pelas serrasdo Rio das Antas até Vacarias. Em 23 de Novembro de 1840,quando os republicanos estavam fazendo os preparativos paraabandonar a vila de Setembrina, são atacados de surpresa pelotenente Moringue no comando de oitocentos soldados. Apósum rápido confronto, morre Rossetti, vários soldados e outradezena são feridos, houve uma fuga geral e desordenada deSetembrina. General Canabarro no comando de mil e oitocentossoldados, inclusive Garibaldi, Anita e o seu Menotti, se dirigemao encontro dos republicanos. General Bento no comando dedois mil e quinhentos soldados encontram com a frente deCanabarro em São Francisco de Paula. O caminho a frente atéSão Gabriel, as colunas enfrentam dias de constantes chuvas,rios transbordando, fome e intenso frio, que não era comumpara época do ano.LUIZ ALVES Página 57
  • 57. REVOLUÇÃO FARROUPILHA General Bento manda um grupo na frente com facões,abrindo picadas para que o restante da tropa passasse. Devido oterreno acidentado, lamacento pela chuva continua sãoabandonadas muitas carroças no caminho. E para complicarmais a situação, muitas famílias dos soldados acompanham napesarosa retirada. Muitas mulheres e crianças perecem pelocaminho, devido à fome ou o frio intenso. Além de tudo issoestar acontecendo, a carne de gado que os alimentava acabou,obriga a matar seus cavalos para não morrerem de fome. Garibaldi amarra Menotti em seu lenço, onde com suarespiração pudesse mantê-lo aquecido e não viesse morrer,assim como tantos outros que pereceram no penoso caminho.Anita auxilia as mulheres e crianças, as incentiva a continuar,além dos doentes e feridos. A tropa do general Bento parecia andrajos humanos,invés de soldados. Em pior estado, estavam às mulheres e ascrianças, que não estavam acostumados com aquele clima depenúria. Enfim, chegam a São Miguel em meados de março de1841, Bento manda construir barracões improvisados paraabrigar os soldados, outros para abrigar as mulheres e crianças,enquanto Garibaldi com ajuda de seus marinheiros improvisauma pequena cabana para sua família. Em São Miguel, Garibaldi soube por conterrâneosoriundos de Montevidéu sobre a atual situação de sua Itália,informam-no até sobre alguns parentes seus em Nizza. Porintermédio deles, soube da guerra pela independência doUruguai - A Guerra da Prata. Em fins de Abril de 1841, Garibaldi pede dispensa aogeneral Bento Gonçalves do exército republicano, que aceita opedido meio contrariado, mas como não poderia mantê-lo,porque nem ele próprio tinha prognósticos do futuro, ou se aLUIZ ALVES Página 58
  • 58. REVOLUÇÃO FARROUPILHARevolução ainda continuaria. Bento sabia que o sistemafinanceiro republicano se encontrava a zero, não podia pagarem dinheiro pelos serviços prestados daquele valoroso capitão,promete dar novecentos bois como forma de pagamento. Nomomento, Garibaldi julga ser o necessário para recomeçar,decide aceitar. Quando eles encontravam-se próximos do Uruguai,Garibaldi e os vaqueanos abatem o restante dos bois, deixam acarne aos urubus e outros animais, dando-os uma parte docouro como forma de pagamento. A partir desse momento, afamília Garibaldi continua sozinha o caminho... O caminho dapaz... Ou caminho de uma nova guerra.LUIZ ALVES Página 59
  • 59. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Epílogo Julho de 1840, câmara dos deputados e o senadodecide adiantar a maioridade D. Pedro II aos quinze anos deidade, mas sendo coroado depois de um ano, precisamente emjulho de 1841, finda o período das regências. Outubro de 1842, o imperador resolve pacificar o RioGrande do Sul, nomeia como presidente e comandante dearmas, Luiz Alves de Lima e Silva - Duque de Caxias. Anomeação é vista com bons olhos pelos republicanos, que já seencontram esgotados com os quase dez anos de guerra. Os anos seguintes desencadeiam conflitos entre oslíderes republicanos, o assassinato do vice-presidente AntônioPaulo Fontoura, complica consideravelmente a situação jáinsustentável. O coronel Onofre Pires acusa o general BentoGonçalves de ladrão, traidor e assassino, o acusado desafia-opara um duelo sem testemunhas, às margens do Sarandi. O coronel Onofre é ferido e morre quatro dias depois.Tempo depois do drama ocorrido em Sarandi, o general BentoGonçalves pede dispensa do exército Farroupilha, passa cuidarde sua saúde e das fazendas da família. Dezembro de 1842, com ajuda do coronel BentoRibeiro, os republicanos são derrotados em Triunfo eCamaquã. Bento é ferido em combate. Maio de 1843, com ajuda do coronel Bento Ribeiro etenente Moringue, os republicanos são derrotados em PoncheVerde, Bento Ribeiro é novamente ferido em combate.LUIZ ALVES Página 60
  • 60. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Setembro de 1843, o general Canabarro é derrotadopelos legalistas em Piratini, além de centenas de perdas, sãoaprisionados vários oficiais e dezenas de soldados. Outubro de 1843, Canabarro é novamente derrotadopelos legalistas em Canguçu, era o principio do fim. No decorrer do ano de 1844, o exército Farroupilha éderrotado diversas vezes pelos legalistas, não restandoalternativa, senão entrar em negociações de paz com Caxias. Em 28 de Fevereiro e 1o de Março de 1845, o generalCanabarro e os demais comandantes Farroupilhas, assinam oTratado do Ponche Verde. O tratado com o Duque de Caxiasdava anistia a todos os soldados republicanos, inclusive osoficiais permaneceriam com a mesma patente no exércitoimperial, além de terem o direito de escolha do presidente daprovíncia. Segundo as estimativas de mortos em combate, nãoforam grandes nos dez anos de revolução: Aproximadamentemil e duzentos soldados legalistas e dois mil e quatrocentossoldados republicanos. Morre em 1847, o general Bento Gonçalves da Silvaem sua fazenda no Camaquã, padece também por quarenta edois anos o espírito de liberdade e democracia no Rio Grandedo Sul, até a proclamação da República pelos superiores doexército e parlamentares, inclusive as sociedades secretas e osEstados Unidos da América em 1889. Morre em 1855, o polêmico Bento Ribeiro comsetenta e dois anos de idade, considerado por muitos um traidorou vira casaca, mas para outros o maior especialista emestratégia militar política.LUIZ ALVES Página 61
  • 61. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Bibliografia Alves, Luiz – Revolução Farroupilha – Fundo Agropecuário deDesenvolvimento, P. M. C. 2008 – Curitibanos – SC. Autores Diversos – Enciclopédia Nacional de Educação Moral eCívica – Editora Formar 1970 – Rio de Janeiro – RJ. Autores Diversos – Biblioteca do Ensino Fundamental e Médio –Editora Didática Paulista 1998 – São Paulo – SP. Bomfim, Manoel José – O Brasil Nação – Editora Record 1998 –Rio de Janeiro – RJ. Busato, Gualdino D. – Revolução Farroupilha – Edição do autor1995 – Curitibanos – SC. Cadorin, Adílson – Anita - A Guerreira das Repúblicas – EdiçãoIOESC e UDESC 1999 – Florianópolis – SC. Collor, Lindolfo – Garibaldi e a Guerra dos Farrapos – EditoraGlobo 1938 – Porto Alegre – RS.LUIZ ALVES Página 62
  • 62. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Gerson, Brasil – Garibaldi e Anita - Guerreiros do Liberalismo –Editora Souza 1953 – Rio de Janeiro – RJ. Lima, João Francisco – Anita Garibaldi - Heroína de DoisMundos – Editora Paulista 1977 – São Paulo – SP. Moraes, Aldair Goeten – Fatos Importantes da História deCuritibanos 2007 – Secretaria da Indústria, Comércio e Turismo daPrefeitura Municipal de Curitibanos – SC. Google, pesquisas em sites sobre a biografia, acontecimentosimportantes da Revolução Farroupilha (Foto Capa). Philippe, Euclides J. – O Caminho das Tropas – Editora OpiniãoE. Ltda – Capivari – SP. Rau, Wolfgang Ludwig – Vida e Morte de José e Anita Garibaldi– Edição do Autor 1989 – Laguna – SC. Rau, Wolfgang Ludwig – Anita Garibaldi - Amores e Guerras –Documentário TV/SENAC 1999 – Florianópolis – SC. Valente, Valentin – Anita Garibaldi - Heroína Por Amor –Editora Soma 1949 – São Paulo – SP.LUIZ ALVES Página 63
  • 63. REVOLUÇÃO FARROUPILHA Zumblick, Walter – Aninha do Bentão – Edição PrefeituraMunicipal de Tubarão 1980 – Tubarão – SC.N.A: O livro encontra-se no Domínio Público do MEC e LicenseCreative Commons.Org.LUIZ ALVES Página 64

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