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Considerações Finais <ul><li>O núcleo do processo parece ser o equilíbrio entre a emergência das demandas dos sujeitos e a...
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Revisitando experiências Interdisciplinares no Ensino de ciências

  1. 1. REVISITANDO EXPERIÊNCIAS INTERDISCIPLINARES NO ENSINO DE CIÊNCIAS Alberto Villani – Instituto de Física –Universidade de São Paulo –Brasil Juarez M. Valadares- Faculdade de Educação – Universidade Federal de Minas Gerais
  2. 2. A Meta <ul><li>Nosso objetivo é compreender o processo de mudança curricular na educação científica através da aplicação de modelo grupal de Kaës ao desenvolvimento de experiências interdisciplinares. </li></ul><ul><li>Revisitaremos alguns casos de experiências interdisciplinares, destacando os desafios, conflitos e resistências ao desenvolvimento do projeto. </li></ul><ul><li>O modelo vai contribuir para entender aspectos da dinâmica das experiências, principalmente localizando os intermediários que tornaram possível superar os impasses que surgiram. </li></ul><ul><li>Procuraremos também sinalizar as condições de possibilidade da sustentação de um ensino interdisciplinar por longos tempos, de forma a tornar-se currículo estável. </li></ul>
  3. 3. FASES DE DESENVOLVIMENTO ORGANIZADORES PSÍQUICOS CARACTERÍSTICAS Momento Originário Fantasia fundadora Encontro dos sujeitos dispersos com um objeto apresentado na fantasia do fundador do agrupamento. Normalmente esse capta as ansiedades presentes no cenário institucional, e a transforma em um projeto portador de promessas especiais, que possui a capacidade de antecipar uma experiência de prazer (ilusão). É acompanhado de angústias intensas. Momento da Fundação e Elaboração de um Modelo (1° Organizador Grupal) Pacto denegativo; contrato narcísico Função redutora e unificadora. Procura assegurar uma primeira identificação imaginária, e aponta as primeiras predisposições significantes. Momento do 1° pacto denegativo grupal O grupo é a construção narcísica comum dos membros do grupo. As angústias são contidas. Momento do Envelope Grupal (2° Organizador Grupal) Ilusão grupal Neste procedimento unificador predomina a elaboração da relação ao semelhante e a exclusão do diferente. O laço grupal pode se ver empobrecido, apesar do grupo articular bem suas tarefas. Os limites entre o dentro e o fora são acentuados. Prepara o enunciado das primeiras regras e das primeiras leis em comum. Momento Mitopoético (3°Organizador Grupal) Grupo de trabalho Conduz a nova organização que define sobre o futuro do grupo e sobre afastamento entre o momento originário e os diferentes períodos de seu desenvolvimento. As representações recalcadas podem ser admitidas, e o grupo adquire certa segurança. Outras relações grupais / relações singulares do grupo são colocadas em ação.
  4. 4. <ul><li>Um contrato narcísico comum é uma identificação inconsciente entre os membros nos seus esforços para satisfazer seus desejos. </li></ul><ul><li>Um pacto denegativo é um mecanismo de defesa inconsciente contra os perigos que poderiam ameaçar a construção do grupo. </li></ul><ul><li>As primeiras relações entre os membros podem levar os sujeitos a dispensar algumas de suas demandas em prol de um objetivo comum ou um ideal mais elevado, por vezes incorporados pelas regras da instituição, ou por um líder. Este efeito torna-se uma defesa contra as ansiedades dos membros e uma conexão entre o imaginário de cada sujeito e sua experiência. </li></ul><ul><li>Um intermediário opera em momentos de crises ou rupturas e é um mecanismo para conciliar duas situações conflitantes e permitir a instituição possa suportar o impacto psíquico das mudanças. Em suma, uma instituição avança de uma fase para outra, ou oscila de um pólo a outro de uma maneira produtiva, apenas se pode encontrar um bom intermediário para tal operação. </li></ul>
  5. 5. A primeira tentativa na Formação inicial de Licenciandos <ul><li>Numa disciplina da Licenciatura que visava a formação interdisciplinar, duas professoras (de Física e Biologia) convocaram os Licenciandos para uma experiência nova: organizar o estágio docente em pequenos grupos interdisciplinares. </li></ul><ul><li>A proposta era interessante, porém genêrica: não mexeu com as expectativas dos licenciandos, preocupados em conseguir o diploma com o mínimo esforço e, eventualmente, em dar uma aula atraente. </li></ul><ul><li>Além disso, a insegurança inicial das professoras, que tinham planejado o desenvolvimento da disciplina como fruto de uma colaboração entre docentes e licenciandos, contribuiu para um envolvimento limitado destes. </li></ul><ul><li>As professoras conseguiram retomar o controle, porém perceberam que os resultados teriam sido bem mais satisfatórios se desde o começo tivessem convencido os alunos a investir na proposta. </li></ul>
  6. 6. O momento originário da nova experiência <ul><li>Assim, no ano seguinte, a convocação foi ressonante : o convite a inovar foi colocado como um desafio e foi seguido de duas atividades originais e surpreendentes: a avaliação coletiva de uma experiência didática e a visita a uma fábrica de lapis. </li></ul><ul><li>Quase todos os alunos foram capturados para se envolverem em seus projetos, que pareciam ser uma oportunidade interessante e original ( fantasia fundadora ) . </li></ul><ul><li>Ninguém poderia duvidar de que as professoras seriam capazes de acompanhar de forma adequada o projeto de cada grupo ( pacto denegativo ) . </li></ul><ul><li>A meta compartilhada pelos licenciandos era elaborar e organizar projetos inovadores nas classes de uma escola pública trabalhando em grupos interdisciplinares de físicos e biologos ( contrato narcisico ). </li></ul><ul><li>Durante essa fase inicial as professoras foram muito atentas às ansiedades e medos de fracasso dos licenciandos, acompanhando e sustentando o esforço de planejar uma atividade interdisciplinar ( intermediário ). </li></ul>
  7. 7. <ul><li>O caso mais interessante foi a evolução de um grupo composto de 5 licenciandos, que foi acompanhado pelos pesquisadores durante todo o período </li></ul><ul><li>O grupo aderiu com entusiasmo à proposta das professoras: aceitou todas as sugestões delas e procurou aplicá-las no planejamento e na execução do estágio. Algumas vezes, inclusive, a atuação foi de forma pouco crítica. </li></ul><ul><li>Assim, neste caso, as iniciativas do grupo e as sugestões das professoras operaram como intermediários na consolidação do grupo </li></ul>
  8. 8. O momento do envelope grupal <ul><li>Esta fase caracteriza o momento da responsabilização do grupo. Após as primeiras atuações no estágio, houve a discussão e avaliação dos resultados alcançados. </li></ul><ul><li>Todos os licenciandos participaram deste processo, levantaram as dificuldades encontradas e reconheceram as falhas inclusive se responsabilizaram por algumas delas. </li></ul><ul><li>Esta participação permitiu que houvesse uma explicitação das várias atividades realizadas e uma comparação da eficácia das mesmas. </li></ul><ul><li>Vários grupos conseguiram modificar seus projetos e incorporar inovações, inclusive as sugeridas pelos colegas. </li></ul><ul><li>Dois pontos chamaram a atenção : manter a disciplina e promover experiências interdisciplinares que conseguissem interessar os alunos . </li></ul>
  9. 9. <ul><li>Em particular, o grupo que foi acompanhado pelos pesquisadores, conseguiu estruturar-se de forma a explorar os conhecimentos específicos dominados pelos seus membros, contribuindo simultaneamente aumentar o conhecimento científico dos estudantes e o dos próprios membros do grupo. </li></ul><ul><li>As relações entre os membros do grupo tornaram–se mais complexas, assim como a tarefa a ser realizada; entretanto o contrato narcisico e o pacto denegativo permaneceram os mesmos, sobretudo pela liderança de um dos licenciandos que mantigna o ideal comum de ser criativos e realizar bem as tarefas, assim como manter controladas as hostilidades entre os membros . </li></ul>
  10. 10. A Fase final <ul><li>O grupo classe dos licenciandos não conseguiu tornar-se autónomo ou mostrar a criatividade característica da fase ‘mitopoética’ de um grupo maduro. </li></ul><ul><li>As causas deste impasse foram, de um lado, a tendência dos grupos interdisciplinares a focar somente sua própria experiência, sem se preocupar em articular sua atuação com a dos restantes, apesar do esforço das professoras. Por outro lado, vários grupos não conseguiram enfrentar com criatividade os desafios do estágio, principalemente a disciplina e o interesse dos alunos. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>Entretanto, o grupo acompanhado pelos pesquisadores conseguiu atingir sua fase madura, a partir de um evento específico: o reconhecimento público de sua competência pedagógica, por parte das professoras. </li></ul><ul><li>De fato o grupo tinha tido sucesso na inclusão de uma liderança da classe que procurava boicotar as iniciativas dos licenciandos. </li></ul><ul><li>O grupo operava permitindo a contribuição de todos os membros, controlando com criatividade o desenvolvimento dos trabalhos dos alunos e contribuindo com suas sugestões para o desenvolvimento dos outros grupos </li></ul>
  12. 12. A Fase inicial da formação em serviço de um grupo de professores <ul><li>O segundo caso fu um projeto docente desenvolvido numa escola pública de ensino básico de Uberlândia durante 3 anos, sob a orientação de uma pesquisadora da universidade </li></ul><ul><li>Durante o primeiro ano a pesquisadora investiu em sua inserção na escola fornecendo orientação sistemática no desenvolvimento de iniciativas dos professores sobretudo no campo do ensino de ciências e na superação das resistências da escola em relação à mudanças curriculares propostas pela secretaria estadual de Educação. </li></ul><ul><li>O iníco do segundo ano pode ser considerado o momento original da fundação de um grupo a partir de um convite específico da pesquisadora para que os professores participassem da elaboração de um projeto interdisciplinar (Vida em Sociedade) que promitia ser uma resposta apropriada ( contrato narcísico ) para a demanda de mudanças da Secretária. </li></ul><ul><li>Durante o ano inteiro a elaboração do projeto tinha que vencer o medo de utilizar novas estratégias de ensino (pacto denegativo) . </li></ul><ul><li>O intermediário que tornou possível a realização do projeto foi o incentivo da Secretaria e o planejamento de atividades que alternavam metodologias tradicionais e inovadoras, principalmente no ensino de ciências e matemática. </li></ul>
  13. 13. A fase de envelope grupal <ul><li>A adesão definitiva dos professores ao projeto, aceitando os correspondente vínculos aconteceu quando eles descubriram que as atividades disciplinares e do projeto não estavam em conflito. </li></ul><ul><li>De fato, os professores começaram a modificar um pouco suas aulas introduzindo atividades coletivas referentes ao projeto e perceberam logo que a aprendizagem dos alunos reeferente ao conhecimento disciplinar não era prejudicada. </li></ul><ul><li>Pelo contrário, alguns dos professores reconheciam que o projeto ajudava os estudantes a apreenderem os conteúdos disciplinares, porque a satisfação de todos, professor e estudantes, parecia sustentar um esforço e um envolvimento na aprendizagem maior do que anteriormente. </li></ul>
  14. 14. A Consolidação Final do grupo <ul><li>Durante o último semestre de 2001 o grupo parece ter experimentado sua fase mitopoètica, ou seja, de criatividade e autonomia . </li></ul><ul><li>O grupo de professores elaborou um novo projeto ‘ Viajando pelos Continentes ’, sem o auxílio da pesquisadora e com a participação de todos os docentes. </li></ul><ul><li>Neste projeto destacou-se a liderança de dois professores ( intermediário fundamental ), que conseguiram explorar as sugestões dos colegas e manter o acordo e a colaboração entre eles, principalmente na ocasiâo do 11 de setembro. </li></ul><ul><li>Infelizmente no semestre seguinte os dois líderes mudaram de escola e o grupo não conseguiu manter a mesma criatividade. </li></ul>
  15. 15. <ul><li>Um ponto importante a ser salientado é a estrutura do projeto, ou seja o balanço entre atividades tradicionais (disciplinares) e inovativas (interdisciplinares), que tem diminuído a ansiedade e a insegurança dos professores, permitindo a exploração de seus conhecimentos e habilidades. </li></ul><ul><li>O papel da pesquisadora formadora e assessora constituiu o intermediário fundamental nas primeiras fases do desenvolvimento do grupo, quando sustentou o projeto apesar das dificuldades e resistências dos professores. </li></ul>
  16. 16. A origem de uma mudança curricular ampla <ul><li>O diretor de uma escola convidou o grupo de professores do período noturno do ensino médio a participar e desenvolver uma mudança curricular orientada pelos princípio da Escola Plural. </li></ul><ul><li>O objetivo principal era desenvolver atividades didáticas ‘inclusivas’ e inovativas ( contrato narcísico ) que reduzissem as altas taxas de abandono e reprovação dos estudantes . </li></ul><ul><li>Implicitamente o convite permitia que as eventuais hostilidades entre os docentes fossem reprimidas, assim como as dúvidas sobre a capacidade do grupo em conduzir o projeto ( pacto denegativo). </li></ul><ul><li>A participação do diretor na elaboração do projeto durante o primeiro ano foi essencial assim como a distribuição das tarefas bastante autoritária por parte da coordenadora do grupo ( intermediários ) </li></ul><ul><li>De fato essas contribuições sustentaram a evolução do grupo até que os próprios membros assumissem um papel mais ativo na elaboração do projeto seguinte . </li></ul>
  17. 17. <ul><li>A mudança da coordenadora marcou o início de um período de colaboração entre os professores e os estudantes e também coincidiu com a assunção de responsabilidades explícitas por parte dos membros do grupo (substituir a falta do colega e manter a disponibilidade para as reuniões do grupo) . </li></ul><ul><li>O novo projeto articulava atividades disciplinares e interdisciplinares sobre determinados temas, introduzindo uma complexidade ausente no projeto anterior e superando seu ingessamento. Por exemplo , o tema das Doenças Sexualmente Trasmitidas era tratado como conteúdo de Biologia, porém complementado com discussões envolvendo elementos sociais, políticos e económicos. </li></ul>A fase de envelope grupal
  18. 18. <ul><li>O projeto seguinte, BH 100, foi caracterizado por um clima grupal novo, pois os encontros pedagógicos tornaram-se um espaço educacional no qual os conflitos e as contradições eram reveladas e discutidas e cada membro podia apresentar sua visão e suas sugestões sem o medo de ser excluído e de perder sua identidade: no grupo existia lugar para o diferente. </li></ul><ul><li>As atividades pedagógicas eram desenvolvidas de maneiras variadas: os estudantes eram reunidos às vezes nas classes normais, às vezes por grupos temáticos, as vezes por habilidades de aprendizagem; dois o tres professores por classe promoviam as atividades dependendo da situação ou do tema </li></ul><ul><li>Cada membro cooperava de acordo com suas capacidades individuais e as demandas do grupo, que por sua vez era regulado pelos problemas que a realidade apresentava: o grupo tinha-se tornado um grupo de trabalho eficiente. </li></ul><ul><li>O projeto tinha conseguido superar tanto o curriculo regulado principalmente pelos livros didáticos, quanto as ‘orientações interdisciplinares’ que ignoram as habilidades disciplinares dos docentes que participam do projeto </li></ul>A Fase Final do grupo
  19. 19. Considerações Finais <ul><li>Parece importante notar o papel do início das atividades planejadas nos casos analisados: romper com a inércia maior ou menor que caracterizava a elaboração do planejamento e fortalecer o vinculo grupal . </li></ul><ul><li>O conteúdo do pacto denegativo parece ser comum: superar o medo de perder o controle da sala de aula por causa das atividades interdisciplinares . </li></ul><ul><li>Parece ser específico do fundador difundir uma fantasia comum que reune crenças positivas e sentimentos de unidade para reduzir a ansiedade dos participantes em relação à mudança curriculares ; por isso a adesão inicial ao projeto do fundador foi em geral pouco crítica . </li></ul><ul><li>Podemos levantar a hipótese de que a decisão dos participantes de se envolverem no projeto foi influenciada fortemente pela efetiva liderança dos fundadores e pela ressonância com seus projetos . </li></ul>
  20. 20. Considerações Finais <ul><li>O núcleo do processo parece ser o equilíbrio entre a emergência das demandas dos sujeitos e a presença de novas tarefas do grupo. </li></ul><ul><li>Na fase de envelope grupal os grupos conseguiram encontrar um balanço entre as atividades disciplinares e interdisciplinares. Isso permitiu uma participação ativa dos membros que conseguiram inovar explorando seu saber e suas capacidades </li></ul><ul><li>Pode-se dizer que a tarefa convoca, mas não estrutura o grupo . Em cada experiência o gerenciamento das mudança foi de acordo com um ritmo próprio, que permitisse o aparecimento das potencialidades do grupo e da situação. </li></ul>
  21. 21. Considerações Finais <ul><li>Por outro lado, o apoio institucional foi importante fonte ou de convocação para os trabalhos coletivos e/ou de sustentação no caminho para o amadurecimento. </li></ul><ul><li>Quando faltou este apoio a distância entre as normas institucionais e os organizadores psíquicos necessários para o desenvolvimento do grupo provocaram dificuldades para manter ou transformar as relações entre os professores e suas tarefas </li></ul><ul><li>Nos parece que o suporte da Instituição constitui um auxílio importante quando o grupo pretende manter por um tempo longo suas atividades interdisciplinares . </li></ul>
  22. 22. Considerações Finais <ul><li>As entradas e saídas de membros do grupo, são motivos de desorganização do grupo, mas os efeitos dependem do interjogo, do momento do grupo e das pessoas que chegam ou saem. </li></ul><ul><li>No caso da formação inicial a saída de uma das professoras no final do semetre tornou inviável a experiência. Neste caso a dependência do grupo em relação às professoras era total </li></ul><ul><li>No caso dos professores de Uberlândia a saída da pesquisadora foi absorvida pelo grupo; pelo contrário, a saída das duas lideranças internas esvaziou o grupo de seu potencial de renovação e de organização, praticamente decretando a dissolução do grupo . </li></ul><ul><li>No caso dos professores de BH, a entrada de novos elementos com disponibilidade e a saída de membros pouco afinados com as expectativas do grupo não foi geradora de problemas, pois o grupo estava numa fase de crescimento grupal. Entretanto, a entrada de um membro questionador dos pactos implícitos do grupo quando este já tinha atingido sua estabilidade foi mais traumática gerando seu afastamento . </li></ul>
  23. 23. Considerações Finais <ul><li>Uma característica comum dos casos analisados foi a continuidade na elaboração de novos projetos. O próximo projeto devia trazer novidades capazes de enfrentar novos problemas e motivar o grupo . Entretanto, isso parece ter sido causa de um certo esgotamento por parte dos coordenadores dos grupos . </li></ul><ul><li>As professoras da Licenciatura não foram substituídas por outras que continuassem a experiência. O grupo de professores ao perder as lideranças entraram em impasse. O grupo de BH continuou por uma dezena de anos, depois voltou ao sistema tradicional </li></ul><ul><li>Conheço um único caso, o de uma escola particular de São Paulo, que mantém desde o começo seu compromisso com a interdisciplinaridade. Entretanto esse compromisso é uma pequena parte (em termos de tempo) do currículo, porém é a mais valorizada pelos proprietários, professores e pais de alunos. </li></ul>
  24. 24. <ul><li>Em resumo, nos parece que a promoção de mudanças curriculares numa perspectiva interdisciplinar é um desafio complexo em todas as instâncias. </li></ul><ul><li>O professor precisa de um domínio cognitivo e afetivo sobre o tema a ser tratado na sala de aula. Somente dessa forma poderá conduzir o grupo a envolver-se na busca. </li></ul><ul><li>Esta complexidade exige um tratamento articulado capaz de envolver a formação continuada , a organização da escola (principalmente promovendo o envolvimento e a articulação de boa parte dos professores ) e o suporte institucional das Secretarias de Educação . </li></ul>
  25. 25. Algumas questões <ul><li>Qual a formação melhor: de um domínio disciplinar para o aperfeiçoamento interdisciplinar sobre o tema ou de uma formação interdisciplinar para um aperfeiçoamento nas várias disciplinas envolvidas no tema ? </li></ul><ul><li>Qual o papel das Instituições (Universidade e Secretarias) na sustentação de um ensino interdisciplinar? </li></ul><ul><li>É possível enfrentar a distância entre a prática cotidiana do professor e a sofisticação dos planejamentos e das colaborações coletivas propostas? </li></ul><ul><li>È possível e viável organizar grupos institucionais capazes de fornecer o auxílio teórico e prático durante a realização do ensino interdisciplinar </li></ul>
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