Glifosato yamada
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Glifosato yamada Document Transcript

  • 1. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 1INTERNATIONAL PLANT NUTRITION INSTITUTE - BRASILRua Alfredo Guedes, 1949 - Edifício Rácz Center, sala 701 - Fone/Fax: (19) 3433-3254 - Website: www.ipni.net - E-mail: ipni@ipni.com.br13416-901 Piracicaba-SP, BrasilINFORMAÇÕESAGRONÔMICASN0119 SETEMBRO/20071Engenheiro Agrônomo, M.S., Doutor, diretor do IPNI; e-mail: yamada@ipni.com.br; a partir de 01/12/2007, yamada@agrinatura.com.br2Engenheira Agrônoma, M.S., IPNI; e-mail: silvia@ipni.com.brTsuioshi Yamada2Silvia Regina Stipp e Abdalla(2)Veja também neste número:Problemas de nutrição e de doenças deplantas na agricultura moderna.......................... 1A rota do ácido chiquímico e sua importânciana defesa da planta ............................................. 3Dinâmica do glifosato na rizosfera dasplantas-alvo e não alvo ....................................... 3Efeitos do glifosato na nutrição demicronutrientes de plantas .................................. 5O níquel na nutrição mineral e na defesadas plantas contra doenças ................................. 8Problemas relacionados ao glifosato edoenças de plantas no Canadá..........................11Mudanças induzidas pelo glifosato naresistência de plantas às doenças .................... 12Efeitos do glifosato em doenças de plantas..... 13Interações enter glifosato e microrganismosna rizosfera de plantas resistentes ao glifosato ... 15Alternativas de manejo sustentável .................. 16Divulgando a pesquisa....................................... 18Dr. Luís I. Prochnow é o novo diretor do IPNI ... 22Ponto de vista ..................................................... 24ENCARTE - Efeitos do glifosato nas plantas:implicações fisiológicas e agronômicas ...... 32 p.OSimpósio sobre “Problemas de Nutrição e de Doen-ças de Plantas na Agricultura Moderna: ameaças àsustentabilidade?”, promovido pelo IPNI-Brasil,com o apoio daAGRISUS, foi realizado em Piracicaba, SP, nos dias20 e 21 de Setembro último. O Simpósio buscou discutir os proble-mas, levantar possíveis causas e apresentar sugestões de manejomais sustentáveis. O foco central do Simpósio foi os efeitoscolaterais do glifosato, herbicida de uso generalizado na agricultu-ra moderna.Este artigo propõe registrar as principais mensagens deixa-das pelos palestrantes. Slides das apresentações do Simpósio en-contram-se disponíveis no site: www.ipni.org.brPalestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: PROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASDE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?TsuioshiYamada,TsuioshiYamada,TsuioshiYamada,TsuioshiYamada,TsuioshiYamada,IPNIBrasil,Piracicaba,SP,e-mail:yamada@ipni.netDr. Yamada explicou as razões para a realização desse Sim-pósio e adiantou algumas informações importantes das palestrasque seriam apresentadas dentro do programa proposto (Tabela 1),com o primeiro dia dedicado aos problemas de nutrição e o segun-do dia aos problemas relacionados às doenças de plantas.Após a apresentação do programa, Dr. Yamada comentouque embora o mecanismo de passagem do glifosato via rizosfera daplanta-alvo para a planta-não alvo já seja conhecido desde 1982,através do trabalho do pesquisador brasileiro Joaquim Rodrigues(RODRIGUES et al., 1982), ele é ainda pouco conhecido dos usuá-rios deste herbicida. E que este tema seria coberto na palestra doDr.VolkerRömheld.SIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSSIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSSIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSSIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSSIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASNA AGRICULTURA MODERNANA AGRICULTURA MODERNANA AGRICULTURA MODERNANA AGRICULTURA MODERNANA AGRICULTURA MODERNA
  • 2. 2 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007Tabela 1. Programa do Simpósio sobre “Problemas de Nutrição e Doenças de Plantas na Agricultura Moderna: ameaças à sustentabilidade?20/SETEMBRO/2007 (5afeira)08:00-10:00 Inscrição10:00-11:00 Problemas de nutrição e de doenças de plantas na agricultura moderna: ameaças à sustentabilidade? – Tsuioshi Yamada,IPNI Brasil, email: yamada@ipni.net11:00-12:00 A rota do ácido chiquímico e sua importância na defesa da planta – Paulo Roberto de Camargo e Castro, ESALQ/USP,email: prcastro@esalq.usp.br12:00-14:00 Intervalo para almoço14:00-15:15 Dinâmica do glifosato nas rizosferas das plantas-alvo e não alvo – Volker Römheld, Hohenheim University, Alemanha,email: roemheld@uni-hohenheim.de15:15-16:30 Efeitos do glifosato na nutrição de micronutrientes de plantas – Ismail Cakmak, Sabanci University, Turquia,email: cakmak@sabanciuniv.edu16:30-17:00 Intervalo para café17:00-18:15 Oníquelnanutriçãomineralenadefesadasplantascontradoenças– BruceWood,USDA,Byron-GA,email: Bruce.Wood@ars.usda.gov18:15-19:00 Debate – T. Yamada, moderadorDebatedores: Heitor Cantarella, IAC e Ricardo Victoria Filho, ESALQ-USP21/SETEMBRO/ 2007 (6afeira)08:30-10:00 Problemas relacionados ao glifosato e doenças de plantas no Canadá – Myriam Fernandez, Agriculture and Agri-Food, Canadá,email:fernandezm@agr.gc.ca10:00-10:30 Intervalo para café10:30-12:00 Mudanças induzidas pelo glifosato na resistência de plantas às doenças – Guri Johal, Purdue University, Estados Unidos,email: gjohal@purdue.edu12:00-14:00 Intervalo para almoço14:00-15:30 Efeitos do glifosato em doenças de plantas – Don Huber, Purdue University, Estados Unidos, email: huberd@purdue.edu15:30-16:00 Intervalo para café16:00-17:30 Interações entre glifosato e microrganismos na rizosfera de plantas resistentes ao glifosato – Robert Kremer, University ofMissouri, Estados Unidos, email: kremerr@missouri.edu17:30-18:30 Debate – Paulo Roberto de Camargo e Castro, moderadorDebatedores: Marcus Matallo, Instituto Biológico, e Elza Alves, UNESP, Registro, SP18:30-19:00 Sugestões para pesquisas futuras19:00-19:10 EncerramentoMencionou que, felizmente, os efeitos negativos desta trans-ferência para a planta-não alvo podem ser parcialmente neutraliza-dos mantendo-se um intervalo de 2 a 3 semanas entre a dessecaçãoda planta de cobertura e a semeadura da próxima cultura.Com esta prática simples, Professor Jamil Constantin e suaequipe da Universidade Estadual de Maringá obtiveram, na média deseus muitos ensaios, 11 sacos ha-1de soja e 18 sacos ha-1de milho amais que com o tradicional sistema aplique-e-plante. Resultados simi-lares foram observados na pesquisa de Aroldo Marochi, ou seja, me-lhor produtividade também para a soja transgênica RR com intervalode 3 semanas entre a dessecação com glifosato e a semeadura da soja.Dr. Yamada expressou sua preocupação com o efeito resi-dual do glifosato nas sementes de soja convencional provenientesde lavoura dessecada em pré-colheita com este herbicida. Testes delaboratório mostraram queda no vigor, assim como malformação dosistema radicular das plântulas (Figura 1).Mencionou também o que tem observado em campo: a ge-neralizada perda da raiz pivotante na cultura da soja – tanto naconvencional como na RR – e a constatação de que o fenômeno émais comum quando o intervalo de tempo entre a dessecação e asemeadura da soja é breve, ou seja, menos que 1 semana (Figura 2).Dr. Yamada alertou ainda a respeito do grande problemaagroecológico causado pela aplicação aérea de maturadores de cana(tema discutido no Encarte Técnico, anexo a este jornal), entre eles, oglifosato. Como se sabe, eles são promotores do aumento do nível deetileno, que provoca a maturação antecipada da cultura da cana-de-açúcar. Porém, nas outras culturas adjacentes, o aumento do etilenoaumenta a abscisão foliar e a senescência foliar, além do amadureci-mento dos frutos e aumento da incidência de doenças. Como seobserva em muitos pomares cítricos. Seria apenas coincidência?Questionou a legislação ambiental brasileira sobre a aplica-ção destes maturadores por via aérea e complementou que, de acor-do com Dr. James Rahe, cientista canadense que muito estudou ainteração do glifosato com as doenças de plantas, no Canadá éproibido fazer aplicação de glifosato por avião.Figura 1. Plântulas de soja originadas de sementes de lavoura dessecadasem pré-colheita com glifosato: efeito na germinação e no desen-volvimento das mudas.
  • 3. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 3Dr.Yamada finalizou apresentando sugestões de manejo dasplantas de cobertura – tanto para culturas anuais como para pere-nes – com reduzido uso de herbicidas.Para culturas perenes, como citros e cafeeiro, o manejo me-cânico (roçadeira lateral) complementado no início com manejo quí-mico, tem dado bons resultados, com grande adoção pelos agricul-tores. Empresas produtoras destas roçadeira laterais (também co-nhecidas com ecológicas) estimam que 70 a 80% das propriedadescitrícolas já contam com este equipamento.Para culturas anuais em sistema plantio direto (SPD), Dr.Ya-mada sugeriu a eleição prioritária de dicotiledôneas como planta decobertura, ao invés de gramíneas. Explicou as razões para essa pre-ferência: (1) as gramíneas precisam de adubação nitrogenada paraalta produção de matéria seca, além de exigir glifosato na dessecação;(2) as dicotiledôneas podem ser controladas mecanicamente e, alémdisso, entre elas, as leguminosas fixam nitrogênio, que tudo indicaserá (se já não for) o mais caro dos nutrientes; e outras, como onabo forrageiro, têm grande alelopatia e podem funcionar comoherbicida natural no controle de invasoras.Dr. Yamada acredita que a tarefa de aumentar a quantidadede matéria orgânica no solo deve ser atribuída aos cereais de altaprodutividade, como milho, com mais de 10 t ha-1, e trigo, com maisde 5 t ha-1.Encerrou sua apresentação conclamando a atenção da co-munidade científica para mais estudos relacionados a:• Nutrição mineral de plantas transgênicas, em especial dasplantas RR;• Relação do glifosato com as doenças de plantas;• Transferência do glifosato para os animais (humanosinclusos) através da cadeia alimentar e seus efeitos na saúdeanimal;• Efeitos da aplicação aérea do glifosato.Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: A ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAA ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAA ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAA ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAA ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAPaulo Roberto de Camargo e Castro,Paulo Roberto de Camargo e Castro,Paulo Roberto de Camargo e Castro,Paulo Roberto de Camargo e Castro,Paulo Roberto de Camargo e Castro, ESALQ/USP, Piracicaba,SP, e-mail: prcastro@esalq.usp.brProfessor Castro mostrou como o glifosato bloqueia a rotado ácido chiquímico e as conseqüências deste bloqueio na síntesede metabólitos secundários de importância vital para as plantas.Como sua palestra está reproduzida praticamente na ínte-gra no Encarte Técnico anexo a este jornal, apresentamos aquiapenas a Figura 3, mostrando o efeito do fosfito na diminuiçãodos sintomas de intoxicação do feijoeiro pelo glifosato. Mencio-nou, ainda, que os fosfitos são de uso bastante comum entre oscitricultores.Figura 3. Efeito de doses de fosfito na redução de sintomas de toxicidadede glifosato em plantas de feijoeiro.Crédito: Paulo Roberto de Camargo e Castro.Figura 2. Perda da raiz pivotante em soja convencional variedade Conquista.Área de primeiro ano com soja após erradicação de Pinus. Oplantio direto de soja sobre cobertura de milheto dessecada com0,75 L ha-1de glifosato foi realizado uma semana após adessecação.Crédito: T. Yamada, 13/03/2007, Fazenda Pinusplan, Uberlândia, MG.Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: DINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVODAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVODAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVODAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVODAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVOVolker Römheld,Volker Römheld,Volker Römheld,Volker Römheld,Volker Römheld, Hohenheim University, Alemanha, e-mail:roemheld@uni-hohenheim.deProfessor Römheld mostrou que a rizosfera é importante lo-cal onde ocorre a transferência do glifosato aplicado na planta-alvo(invasoras) para a planta-não alvo (cultura) (Figura 4), de acordocom as seguintes etapas:(1) Absorção foliar do glifosato pela planta-alvo;(2) Translocação do glifosato, via floema, para a região apicaldo sistema radicular;(3) Liberação do glifosato e possíveis metabólitos (AMPA)na rizosfera da planta-alvo;(4) Equilíbrio dinâmico do glifosato liberado com os adsor-ventes e a solução da rizosfera;(5) Absorção do glifosato pela planta-não alvo;(6) Translocação do glifosato/AMPA para a parte aérea daplanta-não alvo e indução de desordens.Na dinâmica do glifosato na rizosfera deve-se considerar:(1) Extensão das interações ou dos entrelaçamentos entreos sistemas radiculares das plantas-alvo e não alvo;Plantio convencional Plantio direto
  • 4. 4 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007Figura 4. Transferência do glifosato da planta-alvo para a planta-não alvo através da rizosfera compartilhada.Aplicação foliar de glifosato nasplantas-alvo (invasoras) ou cultivaresresistentes ao glifosato (RR); aabsorção pelas folhas é potencialmenteinfluenciada pela composição dasolução pulverizada (por exemplo,adição de Ca, Fe, Mn)Rápida translocação do glifosato da parteaérea para as raízesArmazenamento intermediário deglifosato nas raízesLiberação de glifosatona rizosferaAcúmulo de glifosato nos tecidosmeristemáticos apicaisDegradação do glifosato emAMPA na parte aérea em baixasdoses (depende da espécie deplanta)Translocação de AMPA da parteaérea para as raízes e/ouformação de AMPA nas raízesem baixas dosesLiberação de AMPA narizosfera ou formação narizosferaDúvida: Qual é o mecanismo dessa liberação na rizosfera e quãorápida é essa liberação? Depende de quais fatores?O que nós devemos saber?Que após a acumulação de glifosatonas raízes das plantas-alvo (invasoras)ele é liberado na rizosfera compossíveis conseqüências para aplanta-não alvo (cultura)(2) Imobilização do glifosato na rizosfera por cátions comoAl3+, Ca2+e outros;(3) Remobilização do glifosato adsorvido induzida por alte-rações na rizosfera da planta-não alvo (por exemplo, competição doglifosato por sítios de adsorção com o ânion fosfato, favorecendoa dessorção do mesmo);(4) Interação do glifosato com os microrganismos da rizosferaresponsáveis pela redução/oxidação do Mn;(5) Efeito do glifosato nos rizóbios, nas micorrizas e na di-versidade microbiológica.Explicou que os vários processos químicos e biológicos afe-tados pelo glifosato são interdependentes e podem variar com:(1) As propriedades físicas e químicas do solo (textura, es-trutura, pH, potencial redox, teor de P e de Ca, etc.);(2) População microbiana;(3) Freqüência de aplicação do glifosato;(4) Época de aplicação;(5) Espécies vegetais;(6) Período de tempo.Sua apresentação foi longa e extremamen-te rica de informações, mas para o bem da didáti-ca e do papel, tentaremos resumí-la nas poucasfiguras a seguir.Prof.Römheldmostrouumexperimentoemque cultivou girassol em dois tipos de solo –Arenosol, muito arenoso, e Luvisol, de texturamédia – nos quais a planta de cobertura tinhasido dessecada com glifosato com diferentes diasde antecedência (0, 7, 14 e 21 dias) em relação àdata de semeadura (Figura 5). Observou que oefeito do intervalo de espera entre a dessecaçãoda planta de cobertura e a semeadura da próximacultura era mais importante no solo arenoso onde, mesmo esperan-do 21 dias, houve ainda efeitos residuais do glifosato sobre asnascediças.Em outro experimento, semeou simultaneamente, num mes-mo rizobox, soja RR e girassol. Protegendo com saco plástico asplantas de girassol, aplicou glifosato na soja RR e 7 dias depoismediu os teores de chiquimato nas raízes de girassol. Encontrou,conforme esperado, maior teor de chiquimato na raiz de girassolcultivado noArenosol que no Luvisol (Figura 6), e questionou se arápida imobilização do glifosato no Luvisol não seria pela sua com-plexação pelo cálcio.Porém, novo experimento trouxe resultado surpreendente.Simulando o sistema plantio direto (SPD), semeou azevém (Loliumperenne) em vasos contendo os dois solos diferentes – Arenosol eLuvisol – e quando o azevém estava com volume adequado demassa verde, ele foi dessecado com glifosato. Após 8 semanas(56 dias) da dessecação semeou-se a soja. Medindo o acúmulo deglifosato nas raízes ele observou, desta vez, maior acúmulo dechiquimato no Luvisol que no Arenosol, porém, ambos em níveismuitos menores que os do experimento anterior. E especulou seFigura 5. Efeito do intervalo de tempo entre a dessecação e a semeadura de girassol em soloscom diferentes texturas.0 7 14 21 DAA -Gly 0 7 14 21 DAA -GlyLUVISOL ARENOSOLAcúmulo de glifosato nostecidos meristemáticosdas raízes
  • 5. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 5Figura 6. Acúmulo de chiquimato na raiz de girassol (planta-não alvo) 7 dias após a aplicação de glifosato na soja RR (planta-alvo).este efeito não seria da remobilização do glifosato adsorvido aosolo. Que justificaria o maior efeito num solo mais tamponado, comoo Luvisol, que no Arenosol (Figura 7).Concluiu que o tempo de espera entre o controle das invaso-ras com o glifosato e a semeadura da próxima cultura deveria ser de:• 0-3 semanas para solos úmidos e de textura leve, com rápi-da decomposição de raízes das invasoras;Figura 7.Acúmulo de chiquimato em raízes de plantas de soja cultivadas em vasos onde a planta de cobertura (Lolium perenne) tinha sido dessecada comglifosato 8 semanas (56 dias) antes da semeadura. O maior acúmulo na soja cultivada em Luvisol indica possibilidade de remobilização doglifosato adsorvido.Lolium perenne(planta-alvo)Soja(planta-não alvo)Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: EFEITOS DO GLIFOSATO NAEFEITOS DO GLIFOSATO NAEFEITOS DO GLIFOSATO NAEFEITOS DO GLIFOSATO NAEFEITOS DO GLIFOSATO NANUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASNUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASNUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASNUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASNUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASIsmail Cakmak,Ismail Cakmak,Ismail Cakmak,Ismail Cakmak,Ismail Cakmak, Sabanci University, Turquia, e-mail:cakmak@sabanciuniv.eduDr. Cakmak iniciou sua palestra mencionando que nasregiões com uso extensivo de glifosato aumentam os relatossobre:Soja(alvo)Girassol(indicador)• 4-8 semanas para solos úmidos, de textura pesada ecalcários, com lenta decomposição de raízes das invasoras;• 1 ano para solos secos e arenosos, comuns em Israel, ondeesta norma é recomendada; e• 1,5 a 3 anos para solos de regiões frias, com reduzida de-composição de raízes das invasoras, como em certas partes do Ca-nadá.• Reduções no crescimento e na produtividade das culturas;• Aumento nos problemas de doenças;• Aumento no uso de inseticidas e fungicidas;• Inibição da fixação biológica de nitrogênio;• Aumento no uso de fertilizantes foliares com micronu-trientes;• Sintomas de deficiências de micronutrientes.
  • 6. 6 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007À guisa de lembrete, explicou que, como o glifosato é alta-mente móvel no floema, o produto aplicado nas plantas-alvo – comoinvasoras, plantas de cobertura e ainda as plantas RR – é rapida-mente translocado da parte aérea para as raízes, sendo então libera-do na rizosfera (Figura 8).Além da alteração no balanço entre as populações de orga-nismos redutores e oxidantes de manganês na rizosfera das plantasafetadas pelo glifosato, tornando este nutriente menos disponívelàs plantas (assunto a ser tratado pelo Professor Huber, mais adian-te), Professor Cakmak apresentou dados obtidos pelo Prof. Neu-mann, da equipe do Professor Römheld, nos quais o glifosato, alémda diminuição da disponibilidade de Mn, reduzia também sua ab-sorção pelas plantas (Figura 10).Figura 9. Duas deficiências induzidas pelo glifosato: a de ferro e a demanganês.Figura 8.Atranslocação do glifosato aplicado na parte aérea da planta parasua rizosfera é extremamente rápida.Tabela 2. Efeito do tratamento da semente de soja com ferro e uso doglifosato nos sintomas de clorose foliar e produtividade da sojaem Minnesota, Estados Unidos.Clorose visual (nota) Grãos(1 = verde a 5 = severa) (t ha-1)- Fe + Fe - Fe + Fe1Controle 3,1 2,8 1,01 1,70Glifosato 3,7 3,3 0,27 0,61150 g ha-1de Fe como FeEDDHA aplicado nas sementes.Fonte: Jolley et al. (Soil Science and Plant Nutrition, v. 50, p. 793-981,2004).TratamentoFigura 10. Inibição da aquisição de manganês pela planta-não alvo (girassol)cultivada em solução nutritiva junto com a planta-alvo (soja)tratada com glifosato por 2, 4 e 6 dias.Fonte: NEUMANN et al. (Journal of Plant Diseases and Protection, 2005).Deficiência de ferroDeficiência de manganêsAplicação de glifosato nasplantas-alvo (invasoras) ouem cultivares resistentesao glifosato.A absorção é muito rápidapelas folhasRápida translocação doglifosato da parte aéreapara as raízesLiberação do glifosatona rizosferaMencionou que duas deficiências nutricionais são particu-larmente importantes sob a ação do glifosato: a de manganês (queserá discutida mais adiante pelo Dr. Huber) e a de ferro (Figura 9).Mostrou que a deficiência de ferro induzida pelo glifosatofoi parcialmente atenuada tratando-se a semente da soja comFeEDDHAna dose de 50 g ha-1de Fe (Tabela 2), conforme trabalhode Jolley et al. (2004).Professor Cakmak trouxe informações inéditas, ainda nãopublicadas, sobre o efeito de doses equivalentes a 0,3%, 0,6% e0,9% da dose recomendada de glifosato pulverizadas na parte aéreada soja convencional, três vezes antes do florescimento. Observouque o glifosato, principalmente na concentração de 0,9% da doserecomendada, causou:• Redução nos teores de Ca e Mn nos grãos;• Redução nos teores foliares de Mg, Ca e Mn;• Redução no peso seco de grãos, da palha e da planta inteira.Mostrou também que a planta de milho cultivada em solu-ção nutritiva deficiente em Mg era mais sensível ao glifosato quequando com nível adequado de Mg. Contudo, não explicou qualseria o mecanismo que causaria esta maior sensibilidade.Em trabalho realizado por sua equipe na UniversidadeSabanci, Istambul, Turquia, observou que o glifosato aplicado so-bre girassol, com concentração de 6% da dose recomendada (simu-lando contaminação por deriva) diminuiu a absorção assim como atranslocação de Fe, Mn e Zn (Figura 11). Observou, ainda, que atranslocação foi mais afetada que a absorção.
  • 7. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 7Figura 11. Efeito da pulverização foliar de 184 mM de glifosato (equivalentea 6% da dose recomendada de 1,44 kg ha-1em 200 L ha-1) naabsorção e translocação de ferro, manganês e zinco.Fonte: EKER et al. (Journal Agr. Food Chem., v. 54, p. 10019-10025, 2006).Figura 14. Teores foliares de ferro na cultivar de soja RR Valiosa cultivadaem dois tipos de solos –Arenosol (arenoso, pouco tamponado)e Calcário (melhor tamponado) – 20 dias após a aplicação foliarde glifosato, comparados aos das sojas não tratadas Valiosa eConquista (isolínea não transgênica da Valiosa).Fonte: TESFAMARIAM et al. (Symposium Trace Elements, Helsinki, 2007).Solo ArenosolSolo CalcárioFigura 13. Efeito de doses crescentes de glifosato, pulverizadas via foliar, naatividade da enzima redutase férrica.Fonte: OZTURK et al. (2007), no prelo.+ Fe - Glifosato 0,32 mM 0,95 mM 1,89 mMProvou que em condições de deficiência de Fe2+, quandotorna-se importante a ação da enzima reductase férrica, há neutra-lização desta enzima pela ação do glifosato, como pode ser obser-vadonasFiguras12(quantitativamente)enaFigura13(escaladecor).Figura 12. Inibição da atividade da enzima redutase férrica por dosescrescentes de glifosato aplicadas via foliar.Fonte: OZTURK et al. (2007), no prelo.Observou que o efeito do glifosato sobre o teor foliar de Fena soja transgênica Valiosa é maior em solo arenoso (Arenosol) queem solo calcário, mais tamponado (Figura 14), onde o glifosato nãocausou efeito algum. Ou seja, no solo arenoso o glifosato causoumenor absorção (e/ou translocação) de Fe na cultivar transgênicaValiosa, que no solo mais argiloso, o que poderia ser explicado pelasua maior adsorção pelos colóides do solo, ou ainda pela suacomplexação com o cálcio da solução do solo.Professor Cakmak concluiu sua apresentação dizendo que:• O uso rotineiro de glifosato em sistemas agrícolas causaconsideráveis efeitos colaterais que afetam o desenvolvimento e anutrição mineral das plantas;• O glifosato é antagonista na absorção, transporte e acúmulode Ca, Mg, Mn e Fe, possivelmente pela formação de complexospouco solúveis com estes cátions;• O glifosato afeta os mecanismos genéticos de adaptaçãodas plantas aos sítios deficientes em Fe;• Plantas crescendo em condições de deficiência de Mg sãomuito sensíveis ao glifosato;• É urgente novo protocolo para definir os riscos implicadosno uso do glifosato.
  • 8. 8 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007Implicação não agronômica ficou na mensagem final de quea interferência do glifosato na absorção e transporte dos micro-nutrientes dentro da planta pode causar deficiências e representaruma ameaça potencial para a nutrição e saúde humana.Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: O NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NAO NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NAO NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NAO NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NAO NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NADEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASDEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASDEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASDEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASDEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASBruce Wood,Bruce Wood,Bruce Wood,Bruce Wood,Bruce Wood, USDA, Byron-GA, e-mail: Bruce.Wood@ars.usda.govA vinda do Dr. Wood ao Brasil para visitas a pomares cítri-cos e cafezais foi fruto de muitas coincidências felizes e com resul-tados altamente positivos para a agricultura brasileira e americana.Meu primeiro contato com a pesquisa do Dr. Wood foi quan-do fiz a revisão do artigo sobre níquel, escrito pelo ProfessorMalavolta e seu aluno de pós-graduação Milton Moraes, entitulado“Nickel – from toxic to essential nutrient”, que foi publicado naRevista Better Crops (v. 91, n. 3, p. 26-27, 2007). Para ilustrar a maté-ria, meu bom amigo DonArmstrong, editor do Better Crops, pediuemprestado para Dr. Bruce Wood, hoje o maior nome para proble-mas relacionados ao níquel na agricultura, algumas fotos ilustran-do a deficiência de níquel, entre elas, a da Figura 15.Assim que vi afoto selecionada por Don, liguei para ele pedindo o endereço doDr. Wood. Tinha certeza (quase absoluta) que o que a foto mostra-va era, de fato, intoxicação da planta por glifosato! Poderíamosestar falando a mesma coisa, mas de forma diferente: que a intoxi-cação por glifosato pode causar deficiência de níquel. E que estadeficiência poderia ser corrigida com aplicações foliares de Ni.o vôo de Springfield para Chicago tinha sido cancelado!Após mui-tos telefonemas paraAtlanta e para Piracicaba consegui outro vôo.Mas, na conexão em Chicago paraAtlanta, a atendente do check-innão conseguia localizar meu nome na lista de passageiros. Foi lon-ga espera, até que finalmente apareceu meu nome na tela do compu-tador. Foi alívio geral na fila do check-in, principalmente da preocu-pada senhora logo atrás de mim. Chegando em Atlanta, encontrei-me logo com Terry. Mas não com a bagagem, que ficou extraviadaem Chicago! E dentro dela muitos equipamentos de pesca, hobbyque pretendo curtir após aposentar-me, em 30/11/2007. Fizemos anotificação do extravio e saímos “a toda” para Byron. Felizmente,Dr. Charles Reilly, assistente do Dr. Wood havia sido informado eficou nos esperando. Quando lá chegamos estava só ele, pois erao fim do dia de uma 6afeira. Apesar das dificuldades, foi umavisita fantástica. Confirmei minha suspeita. Tive a certeza quenão só os pés de pecã (Figura 16), mas os de outras perenes,principalmente os pessegueiros, estavam com os inequívocossintomas de intoxicação por glifosato. Antes que me esqueça,localizei minha mala em Chicago e consegui ainda viajar na manhãdo dia seguinte de volta ao Brasil com os meus preciosos equipa-mentos de pesca.Figura 15. Foto que ilustrou o artigo de Malavolta e Moraes com a seguintelegenda: Este pé de pecã estava deficiente em Ni. O ramo dadireita foi tratado no início da primavera com aplicação foiliarúnica de sulfato de níquel, enquanto o ramo da esquerda não foitratado. Efeitos no crescimento foram visíveis 14 dias após otratamento.Como tinha uma visita programada para os Estados Unidospara Julho, decidi visitar Dr. Wood na Estação Experimental doUSDA, em Byron, GA. Era uma sexta-feira, 13 de Julho!Voaria cedode Springfield, IL, via Chicago, paraAtlanta, GA, de onde Dr. TerryRoberts, presidente do IPNI, gentilmente se dispôs a levar-me paraByron. Foi uma viagem atribulada, própria para uma sexta-feira 13:Daqui, liguei para Dr. Wood contando sobre a minha suspei-ta de que o que ele estava observando poderia ser, de fato, toxidezpor glifosato, e o convidei para vir ao Brasil. Cientista com grandeconhecimento de fisiologia vegetal e de nutrição de plantas teve acuriosidade aguçada e atendeu prontamente ao meu convite. Foiassim que tivemos o privilégio de contar com ele em nosso Simpósio.Como regra, antes de um Simpósio, costumo levar os pales-trantes para visitas ao campo.Assim, eles ficam familiarizados comos problemas que queremos discutir no Simpósio.Na primeira parada da nossa excursão, em um cafezal na re-gião de São José do Rio Pardo, mostrei ao grupo, mas principalmenteao Dr. Wood, um cafeeiro com os sintomas típicos de intoxicaçãopor glifosato. Suas palavras: “Estou 99% convencido que estessintomas são de deficiência de níquel”(Figura 17) foram a recom-pensa de uma longa busca! Tinha, agora, o níquel como uma novaferramenta para mitigar os sintomas de intoxicação por glifosato.Figura 16. Visita do Dr. Yamada à Estação Experimental do USDA emByron, GA, Estados Unidos, onde observou que os sintomasde deficiência de níquel em pecã eram semelhantes aos detoxidez por glifosato observados no Brasil.T.YamadacomDr.CharlesReilly–USDAStation,Byron,GA,13/07/2007Deficiência de Ni ou toxidez por glifosato?
  • 9. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 9Figura 17. Dr. Bruce Wood confirmando a semelhança dos sintomas detoxidez de glifosato em cafeeiro com os de deficiência de níquel.Após esta longa introdução, vamos agora aos pontos prin-cipais de sua apresentação.Dr.Wood explicou que a essencialidade do Ni como nutrien-te de planta foi descoberta pelo Dr. Patrick Brown, da Universidadeda California, Davis, e validada em pecã pela sua equipe. Ou seja, aplanta de pecã não completou o ciclo de vida sem o Ni.Explicou que o Ni é importante catalisador de muitas enzimas,como: urease, superóxido dismutase, NiFe hidrogenases, metil-coenzima M reductase, monóxido de carbono dehidrogenase, acetilcoenzimaAsintase, hidrogenases, RNase-Ae, provavelmente, mui-tas outras. Enfatizou que é preciso entender que o Ni afeta a ativi-dade de 3-4 ou mais enzimas críticas em rotas bioquímicas funda-mentais da planta, afetando a ciclagem de C e N e também dosmetabólitos secundários. Como conseqüência final há comprometi-mento do mecanismo de defesa da planta contra doenças.Explicou que as plantas defendem-se dos patógenos atra-vés de: (1) barreiras físicas lipídicas, como ceras, cutina e suberinae (2) compostos químicos nocivos ou armamento químico, que sãoos metabólitos secundários (por exemplo, terpenos, compostosfenólicos e compostos secundários contendo nitrogênio).Mostrou que a síntese destes compostos pode ser compro-metida pela deficiência de Ni, principalmente devido à sua influên-cia na produção de acetil CoA, que é vital no processo (Figura 18).Mencionou que os principais sintomas de deficiência de Niem pecã são:• Folhas e folíolos com manchas escuras na ponta e formatoarredondado (orelha-de-rato), devido ao acúmulo de uréia e possi-velmente de ácido lático e oxálico;•Afilamento das folhas e folíolos e crestamento das margens;• Necrose da ponta das folhas e folíolos com zona verdeadjacente à necrose;• Tronco e galhos quebradiços, provavelmente devido à di-minuição da lignificação;• Diminuição do vigor, crescimento e florescimento;• Enfezamento dos internódios;• Gemas anormalmente pontudas;• Perda da dominância apical, com efeito “roseta”;• Morte de brotos e galhos;• Morte da planta.Para quem conhece o glifosato diria que ele estava descre-vendo os sintomas de toxidez causados por este herbicida.Figura 18.O carbono fotossintetizado termina em uma das quatro categoriasde produtos anti-patogênicos. Os produtos do metabolismoprimáriooriginamcompostosquefuncionamcomobarreirafísica.Os produtos do metabolismo secundário podem se mover atravésdas três rotas bioquímicas para a síntese de compostos queatuam como protetores contra patógenos. A disponibilidade deacetil CoA é crítica para a produção das quatro classes deprotetores.Eadeficiênciadeníquelafetapotencialmenteasíntesede acetil CoA via ação sobre sua sintase.Fonte: Adaptada por Bruce Wood de Taiz e Zeiger, Plant Physiology, 3.ed.Mostrou que estes sintomas podem ser corrigidos com apli-cação de Ni, como já ilustrados na Figura 15, e com detalhes naFigura 19.Figura 19. Efeito da pulverização foliar de níquel no sintoma de orelha-de-rato em brotação de planta de pecã deficiente no elemento. Àdireita, ramo deficiente em níquel; à esquerda, ramo deficienteapós tratamento com níquel via foliar.Comentou que a faixa de suficiência para Ni na folha varia departes por bilhão (ppb) até partes por milhão (ppm), dependendo daespécie da planta. Assim, para gramíneas e para culturas anuais eperenes, com N transportado na forma amídica, o teor de Ni foliarvaria de 1 a 200 ppb. Para pecã e outras árvores perenes, com Ntransportado como ureídas, estima-se em 3-30 ppm, e para as legu-minosas tropicais, em 1-30 ppm.À guisa de informação, o laboratório ICASA (Rua ReineGermana Cazes, no20, Jardim Miranda, CEP 13032-220, Campinas,SP, fone 19-3032-0066) analisa Ni em solo e planta, quando solici-tado.Deficiência de Ni outoxidez por glifosato?
  • 10. 10 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007Entre os problemas patogênicos induzidos por deficiênciade Ni, citou: nematóide de galhas em pecã (Meloidogyne partityla),ferrugens em diversas culturas, mancha parda (Helminthosporiumoryzae) e brusone (Pyricularia oryzae) no arroz. Para a ferrugem dasoja, disse que em algumas situações o Ni tem potencial para redu-zir a incidência da doença em variedades resistentes, mas que nãoacredita neste efeito em variedades altamente suscetíveis.Observou ainda que o tratamento com duas pulverizaçõesde Ni com 50 ppm Ni como Ni-lignosulfonato aumentou a produtivi-dade em 11% nos ensaios de 2005 e em 15% nos ensaios de 2006,apesar de não significativas estatisticamente.Citou que a maioria dos solos agrícolas nos Estados Unidostem Ni em quantidade suficiente para as plantas, mas que pode tera biodisponibilidade reduzida pelos seguintes fatores:• Solo frio ou seco no início da primavera;•Teores demasiadamente altos de Ca e Mg na solução do solo;• Altos teores de Fe, Mn, Co, Cu e Zn;•Alto pH, alto P e baixa CTC; e• Glifosato (após sua visita ao Brasil).Apresentou o manejo do Ni que ele recomenda no programade adubação de pecã, experiência esta que acreditamos ser transfe-rível para perenes de outras regiões do mundo.Assim, para plantas com sintomas evidentes de deficiênciade Ni, recomenda:• Deficiências leves a moderadas: 1 a 2 aplicações foliares desolução com 50-100 ppm de Ni, a primeira no início da brotação e asegunda duas semanas depois;• Deficiências severas: pulverizar também, no final do outo-no, com solução de 100 ppm de Ni, para promover sua remobilização.• No caso de “fome oculta”, ou aplicação de “seguro”, reco-menda 1 a 2 aplicações de 25-100 ppm de Ni, cerca de 10 e 24 diasapós o início das brotações.Concluiu dizendo que:• O Ni , este esquecido nutriente de plantas, tem papel fun-damental no aumento da resistência contra doenças, especialmentenas plantas em que o transporte de N é feito na forma de ureídeos,como é o caso da pecã, da soja e, talvez, do cafeeiro;• O maior conhecimento das interações do Ni com a nutriçãomineral favorecerá a redução de doenças.Notas do editor: Ainda a respeito do níquel na agricultura1.ApósoSimpósio,recebiem26/09/2007e-maildoDr.BruceWood que dizia:Caro Yamada, envio anexo duas cartas sobre minha recenteviagem ao Brasil. Uma é um relatório paraWashington, DC, sobre oque foi observado, e a outra para você sobre minhas idéias a respei-to do níquel e de greening em citros no Brasil.De novo, o Simpósio foi de 1aclasse, e gostei muito daoportunidade de participar, de conhecer você e os outros cientis-tas do grupo, de entender os problemas agrícolas no Brasil, deobservar os problemas de micronutrientes/níquel/glifosato e devisitar o novo enfoque de manejo de pomares. Sua hospitalidadefoi excepcional (sic). Que os melhores desejos se realizem no novocapítulo de sua vida.Cordiais saudações,Bruce Wood, PhDUSDA-ARS-SEFTNRL21 Dunbar RoadByron,Geórgia31008Fones:4789566420/6421-4782621279E-mail: Bruce.Wood@ars.usda.gov2. Alerto que esta carta é de caráter pessoal e não um traba-lho científico. Como ela tem muitas informações relacionadas com oníquel, ela foi traduzida e está sendo reproduzida na íntegra paraque os leitores possam testar algumas das suas interessantes su-gestões para o controle do greening dos citros.3. Fiquei muito impressionado com o eficiente trabalho doDr. Bruce Wood junto ao USDA. Como ele mencionou, a mensa-gem sobre problemas potenciais do glifosato na agricultura foicaptada rapidamente e já chegou em Washington, DC.Aqui, luteidurante anos mas não consegui passar a mensagem para Brasília.4. Segue abaixo a carta traduzida.Byron, GA, 25 de Setembro de 2007Prezado Dr.Yamada:Quero sinceramente agradecer a você, seus colegas e o IPNIpor organizarem um oportuno Simpósio, criticamente importante eque foi de grande sucesso. Seu grupo fez um trabalho excelente –verdadeiramente de 1aclasse – e sua hospitalidade inigualável.Sou grato por ter participado deste desafio científico, que serve àagricultura do mundo ao “despertar” para os potenciais efeitoscolaterais negativos das culturas transgênicas, com genes de bac-térias, e do uso do glifosato. Embora estas tecnologias tragam gran-des benefícios positivos para a agricultura, é também igualmenteimportante que os usuários estejam cientes das conseqüências ne-gativas na produtividade e qualidade da cultura e ramificações rela-cionadas à saúde das criações e dos homens. Obrigado por sualiderança neste importante assunto.Falei ontem com nossa especialista na cultura do pêssego,na Universidade de Geórgia, a respeito do programa de mulch comgramíneas de cobertura que você desenvolveu. Ela está curiosa arespeito do seu enfoque, pois a nossa indústria de pêssego estáconvencida que precisa colocar de lado as atuais estratégias demanejo com solo quase nu devido ao uso de herbicidas. (Contudo)vemos dois problemas potenciais com a adoção do enfoque demanejo (com mulch) de vocês, na cultura de pêssego nos EstadosUnidos. Eles são: a) aumento do dano dos troncos das árvorespelas brocas, que multiplicam em mulch orgânico, e b) aumento dedanos nos troncos pelas ratazanas e camundongos. Pensamos (po-rém) que poderemos controlar estes problemas nas condições demulch. (Para tal) estamos incluindo um nematologista e um ento-mologista no nosso time, e assim juntar expertise suficiente pararesponder simultaneamente às muitas questões (desta mudança).Obrigado pela sua assistência em nos ajudar a reconhecer os efei-tos adversos do uso do glifosato e por nos lembrar o enfoque “devolta à natureza” no manejo dos pomares. Eu penso verdadeira-mente que este enfoque provará ser vantajoso e aceitável. Planeja-mos tentativamente estabelecer um talhão para pesquisa de cam-po, e com sua permissão gostaríamos de creditar sua contribuição,incluindo você como um dos autores, nas publicações subseqüentes.Das discussões coletivas com você e outros cientistas, euestou convencido que estamos vendo, pelo menos em pecã, umaumento na suscetibilidade de doenças como conseqüência douso do glifosato nos pomares. Eu espero ser capaz de delinearalguns estudos para provar esta hipótese.
  • 11. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 11Estou convencido de que o glifosato está induzindo defi-ciências de micronutrientes em várias culturas. Níquel (Ni) é umdestes nutrientes. Como você sabe, a deficiência de Ni nos solosdos pomares é muitíssimo rara. Assim, o aparecimento dos sinto-mas de deficiência sugerem fortemente que existe algo seriamenteerrado com a fisiologia da cultura, ou com a química do solo/am-biente, ou com ambos.Acredito que os sintomas aparentes de deficiência de Niobservados nos cafeeiros (visitados no Brasil) são consistentescom os que se esperaria da ligação de cátions divalentes, como oNi, com o glifosato. Excetuando as hiperacumuladoras de Ni, todasas plantas absorvem apenas quantidade pequena de Ni e como (só)os transportadores de ureídas necessitam de concentrações relati-vamente altas de Ni endógeno, é razoável esperar que plantas comeste tipo de transporte de N serão as primeiras a apresentar danosfisiológicos como conseqüência da quelação dos micronutrientespelo glifosato.Em outras palavras, as inter-relações entre Ni, transporte deureídas e glifosato são como as entre canário, mina de carvão e ohomem (no passado, o canário era usado como indicador do níveltóxico de gás; assim, se o pássaro morria, era sinal de que havianível tóxico de gás e que os mineiros deveriam evacuar as minas),em que (a deficiência) o Ni seria o “alarme precoce indicador” (earlywarning indicator, no original) do problema (do glifosato).A deficiência de Ni em cafeeiro, seja (ela causada) por falta(de Ni) no solo ou por indução pelo glifosato poderá ser corrigidacom uma a duas pulverizações foliares de sais de Ni na concentra-ção de 100 ppm de Ni (+ 1 a 2 kg de uréia em 378 litros de água + umsurfactante não iônico) feitas (a primeira) alguns dias após o iníciodas brotações e mais uma (a segunda) após duas semanas. FuncionaráoucomocorreçãodadeficiênciadeNioucomoantídotoparcialcontradanos induzidos pelo glifosato. Espero que os administradores defazendas testem o Ni, mas que deixem um controle para que possa-mos melhor entender o que está acontecendo com o cafeeiro. Eususpeito que a faixa foliar (de Ni) para o cafeeiro está entre 3 e 5 ppm.Também vi (no Brasil) algumas laranjeiras com folhas exibin-do três sintomas diferentes associados com a deficiência de Ni.Nos citros, aparentemente o N é transportado como amida, pos-suindo, assim, necessidade muito baixa de Ni (pode ser cerca de200-500 ppb). Por conseguinte, suspeito que o uso do glifosato temo potencial de causar problemas de “fome oculta” mesmo em cultu-ras relativamente insensíveis ao Ni, como os citros. Suspeito queexistam também problemas (de deficiência) de Ni na cana-de-açúcare na soja.Em relação ao greening de citros e o uso de fosfito, acredi-to que é razoável concluir que ambos podem ter papéis (na doen-ça); contudo, é provável que seja um tiro de longa distância (long-shot ou “chutão”). Apesar disto, ainda é, na minha opinião, (umahipótese) válida de ser estudada. O fosfito pode provar sua eficá-cia, pois possui ação contra certas classes de bactérias. Assim,parece razoável esperar que o uso combinado de Ni e fosfito po-deria suprimir ou prevenir o crescimento ou a reprodução bacte-riana e assim constituir numa maneira eficaz para controlar ogreening. Existe ainda o trabalho vietnamita mostrando que ogreening é controlável através do plantio intercalar de goiabeiracom laranjeira, na base de 1:1, ou seja, cada pé de citros circunda-da por 4 pés de goiabeira (e vice-versa). A goiabeira produzterpenos, que repelem os Psilídeos, que são os vetores das bacté-rias causadoras da doença. Outro enfoque é controlar os Psilídeoscom pesticidas, mas este controle será muito caro.A combinação Ni2+-fosfito foliar, ou o encharcamento dosolo com ambos, Ni2+e fosfito, parece-me um enfoque viável comrazoável probabilidade na redução dos impactos adversos dogreening. Eu falei recentemente num encontro no México sobre ogrande sucesso obtido com o encharcamento do solo circundandoo tronco com fosfito na cura de certas doenças afetando o carva-lho na Califórnia. Daquelas discussões concluí que os enchar-camentos de solos com soluções constituem meios altamente efi-cazes de colocar compostos orgânicos e inorgânicos dentro daplanta. Como regra geral, os volumes aplicados devem ser cercade 1,5 L por cm de diâmetro do tronco. Asolução necessita de umsurfactante apropriado para facilitar o movimento dentro da plan-ta. Uma “baixa” concentração de um surfactante organo-siliconena dose de 0,26 ml L-1da solução parece melhorar a absorçãoradicular das árvores.Vejo, portanto, que o enfoque potencialmente viável paracontrolar o greening de citros que envolveria a cessação do uso doglifosato incluiria as opções:1. Pulverizações foliares ou injeções com Ni, em tempo opor-tuno;2. Pulverizações foliares ou injeções com fosfito, em tempooportuno;3. Pulverizações de ambos, Ni e fosfito, em tempo oportuno;4. Encharcamento do solo com Ni;5. Encharcamento do solo com fosfito;6. Encharcamento do solo com ambos, Ni e fosfito.Adicionalmente, é possível que a inclusão de salicilato, ouanálogo, poderia ter eficácia contra bactéria afetando o floema; as-sim, o tratamento foliar com salicilato poderia estimular as defesasda planta de modo a suprimir ou matar a bactéria.Mais uma vez, obrigado pela oportunidade de participar. Foiuma viagem muito benéfica para mim.Saudações cordiais,Bruce W. WoodResearch LeaderPalestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: PROBLEMAS RELACIONADOS AOPROBLEMAS RELACIONADOS AOPROBLEMAS RELACIONADOS AOPROBLEMAS RELACIONADOS AOPROBLEMAS RELACIONADOS AOGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁMyriam Fernandez,Myriam Fernandez,Myriam Fernandez,Myriam Fernandez,Myriam Fernandez, Agriculture and Agri-Food, Canadá, e-mail:fernandezm@agr.gc.caSegundo a Dra. Fernandez, desde meados da década de 90,na parte oeste da região dos Prairies do Canadá, onde o clima é maischuvoso e os solos são mais pesados, a fusariose do trigo (FHB)tornou-se um problema sério.Esta doença reduz a produtividade e a qualidade dos grãos(Figura 18), acumula micotoxinas e diminui a germinação e vigor dasplântulas, sendo a fonte mais importante do inóculo da fusariose osrestos culturais dos cultivos anteriores.De 1999 a 2002 ela buscou identificar práticas de manejo quereduzissem os danos da doença nas áreas de cultivo do trigo bemcomo sua disseminação para outras áreas do Canadá. Nos 851 cam-posdetrigoecevadaanalisados(resíduoseraízes),foramencontradasvárias espécies de Fusarium, como: F. graminearum, F. avenaceum,F. culmorum, F. poae e F. sporotrichioides.Resultados do estudo demonstraram que quatro fatores agro-nômicos foram significativos no aumento da severidade da doença:
  • 12. 12 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007suscetibilidade do cultivar, rotação de culturas, sistema de cultivo euso de glifosato, sendo que os três primeiros fatores foram signifi-cativos em 2 dos 4 anos estudados, os mais chuvosos, enquanto ainfluência do glifosato foi significativo em todos os 4 anos.Durante os estudos dos fatores de risco e de produção asso-ciados à fusariose da espiga de trigo observou-se que:• O ambiente (chuva e temperatura) foi o fator mais impor-tante no desenvolvimento da doença;• A aplicação de formulações de glifosato nos 18 meses an-teriores à semeadura foi o fator agronômico mais importante asso-ciado com os maiores índices de fusariose no trigo de primavera;• Houve maior incidência do patógeno quando o herbicidafoi empregado nas culturas em geral (75%) ou sob cultivo mínimo(122%), quando comparado às culturas sem glifosato, e a associa-ção positiva do glifosato com a doença não foi afetada pelas condi-ções ambientais.ATabela 3 mostra o efeito cumulativo do glifosato aplicadonos três anos anteriores ao cultivo do trigo.mínimo e com uso de glifosato. Observou-se também mudança nacomunidade de fungos radiculares associada com o uso doglifosato, com nível mais baixo de C.sativus emaisaltodeFusarium.Dra. Fernandez mencionou que, devido à natureza dos estu-dos de campo, não foi possível separar completamente os efeitosdo glifosato dos da intensidade de cultivo e da rotação de culturas.E que os resultados inconclusivos ou as discrepâncias entre osestudos publicados sobre o glifosato devem-se a diferentes causas:• Estudos conduzidos em condições ambientais diferentes(tipo de solo, clima, etc.);• Emprego de diferentes manejos (por exemplo, manejo con-vencional sem glifosato x plantio direto com glifosato);• Espécies diferentes de culturas;• Aplicação direta sobre a cultura RR versus aplicações empré-semeadura na cultura convencional;• Efeito das aplicações de glifosato no campo ou em labora-tório na ausência de invasoras ou ainda com densidade desconhe-cida de invasoras.Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: MUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATOMUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATOMUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATOMUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATOMUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATONA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASNA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASNA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASNA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASNA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASGuri Johal,Guri Johal,Guri Johal,Guri Johal,Guri Johal, Purdue University, Estados Unidos, e-mail:gjohal@purdue.eduDr. Johal dividiu sua apresentação em três partes:(1) Como o glifosato torna as plantas suscetíveis às doenças?(2) Por que o glifosato torna as plantas mais suscetíveis àsdoenças?(3) Estão as plantas RR livres deste problema?As duas primeiras perguntas foram temas das suas teses deMestrado e Doutorado, respectivamente, feitas sob a supervisãodo Dr. James Rahe, Simon Fraser University, Burnaby, BC, Canadá.Na sua tese de Mestrado observou que a eficiência doglifosato como excelente herbicida advém, em grande parte, da suacapacidade em comprometer a habilidade das plantas na sua auto-defesa contra os patógenos. Identificou que, destes, os mais im-portantes são Pythium e Fusarium, de distribuição generalizadanos solos agricultáveis. No seu experimento, Dr. Johal observouque as plantas tratadas com glifosato (15% da dose recomendada)e cultivadas em solo esterilizado e também em vermiculita (meioinerte) mostraram-se pouco afetadas pela atividade do herbicida,recuperando o crescimento após algumas semanas do tratamento.Porém, as plantas cultivadas em solo natural morreram e houverápida colonização das raízes por Pythium e Fusarium (dois a trêsdias após o tratamento). Além disso, notou que a adição destespatógenos aos meios esterilizado e inerte (vermiculita) restabele-ceu a atividade herbicida do glifosato nas plântulas (Figura 20).Concluiu que a eficácia herbicida do glifosato ocorreu emgrande parte devido à sua interação sinergística com patógenos,como Pythium e Fusarium, que estão presentes na maioria dos solos.Um outro aluno do Prof. Rahe, chamado Andre Levesque,domonstrou que a textura e a umidade do solo influenciavam napredominância do patógeno na raiz da planta sob a influência dedoses subletais de glifosato: Pythium, quando o solo era argiloso eúmido, ou Fusarium, no caso de solo mais arenoso e seco.Na sua tese de Doutorado, Dr. Johal buscou identificar acausa da menor resistência às doenças com estas doses subletaisde glifosato.Tabela 3. Índice de fusariose da espiga do trigo (FHB) em função donúmero de aplicações de glifosato. Trigo de primavera, 2001.Node aplicações de glifosatonos três anos anterioresNenhuma 4,21 a 2 6,43 a 6 12,4Índice de FHB (%)Figura 18. Efeito do ataque de Fusarium nas sementes e espigas de trigo.Estudo da correlação entre o número de aplicações deglifosato e o índice de fusariose em duas cultivares de cevada comdiferentes resistências ao glifosato – suscetíveis e com resistênciaintermediária – , sob cultivo mínimo, mostraram que o índice de fu-sariose não foi significativo para F. avenaceum e F. graminearum,mas foi significativo para as cultivares com resistência intermediá-ria. Estas apresentaram níveis de fusariose tão altos quanto as cul-tivares suscetíveis, mostrando que o glifosato anulou a resistênciadas cultivares com resistência média, pois estas se mostraram sus-cetíveis na presença do herbicida.De acordo com Dra. Fernandez, a podridão radicular da ce-vada e do trigo é causada, na maioria dos casos, por Cochliobolussativus e Fusarium spp. Estudos com cevada, em três sistemas decultivo e com aplicação ou não de glifosato, mostraram que os maisaltos níveis da doença foram encontrados nos campos em cultivo
  • 13. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 13mercial padrão, com 360 g L-1de glifosato, esta dose equivaleria apouco menos de 10 mL ha-1, que já seria suficiente para tornar acultura do feijoeiro suscetível ao Colletotrichum lindemuthianum.Dr. Johal observou ainda que aplicações exógenas defenilalanina ajudaram a conter a expansão das lesões em plantassuscetíveis tratadas com glifosato. Como se sabe, a fenilalanina éum dos três aminoácidos cuja síntese é inibida pela ação do gli-fosato.Finalizou sua palestra dizendo que as plantas RR não sãocompletamente resistentes às mudanças induzidas pelo glifosato.Isto porque as mudanças fisiológicas nas plantas transgênicas quepromovem resistência aos patógenos biotróficos (como, por exem-plo, a ferrugem da soja) geralmente aumentam a suscetibilidade daplanta aos patógenos necrotróficos, como Pythium e Fusarium.Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: EFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEEFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEEFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEEFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEEFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEPLANTASPLANTASPLANTASPLANTASPLANTASDon Huber,Don Huber,Don Huber,Don Huber,Don Huber, Purdue University, Estados Unidos, e-mail:huberd@purdue.eduSegundo Professor Huber, quatro fatores interagem para de-terminar a severidade de uma doença: planta (vigor, suscetibilidade,resistência, estádio de desenvolvimento, exsudatos de raiz), meioTabela 4. Efeito de doses de glifosato na expressão de sintomas e acumu-lação de fitoalexinas na interação compatível entre feijoeiro eColletotricum lindemuthianum.Glifosato Lesões mostrando Tamanho da Fitoalexinas totais(μμμμμg planta-1) expansão (%) lesão (mm) (μμμμμg lesão-1)Controle 0 5,0 21,350,5 30 8,5 16,501,0 60 12,0 10,8510,0 100 > 15,0 4,60Estudando os mecanismos que levam o feijoeiro a perder aresistência à antracnose causada pelo fungo Colletotrichumlindemuthianum, Dr. Johal observou que as fitoalexinas estavamassociadas à proteção das plantas contra a contaminação por fungos.As fitoalexinas são substâncias antimicrobianas sintetiza-das e acumuladas pelas plantas quando expostas aos patógenos,derivadas da rota do fenilpropanóide e com características fenó-licas. No caso do feijoeiro, há produção de quatro diferentesfitoalexinas durante sua interação com o fungo da antracnose:faseolina, faseolidina, kievitona e faseolinisoflavona.Dr. Johal observou que no feijoeiro as fitoalexinas estavamenvolvidas nos dois tipos de interação patógeno-hospedeiro, ouseja, interação compatível e interação incompatível. Na interaçãocompatível as plantas ficam suscetíveis ao patógeno e apresentamlesões no hipocótilo, como as apresentadas na Figura 21.Figura 21. Efeito do ataque de antracnose em hipocótilo de feijoeiro. Àesquerda, interação patógeno-planta incompatível; à direita,interação patógeno-planta compatível.Inoculaçãocom esporosdo fungoLesões deantracnoseAplicaçãotópica dosesporos dofungoVermiculita Solo natural TestemunhaFigura 20. Plantas de feijão que cresceram em solo natural morreram apóstratamento com glifosato enquanto plantas que cresceram emvermiculita sobreviveram.Figura 22. Habilidade do glifosato em suprimir a produção de fitoalexinasem feijoeiro infectado por fusariose.Com o objetivo de determinar se as fitoalexinas estavam en-volvidas na proteção direta contra a doença, Dr. Johal utilizou doisinibidores químicos –AOPPe glifosato – visando bloquear a rota doácido chiquímico, responsável pela produção de fitoalexinas.Dr. Johal observou que uma dose da ordem de 0,5 μg deglifosato por planta já era suficiente para aumentar o tamanho dalesão e diminuir a produção de fitoalexinas, e a de 10 μg por plantacausou expansão da lesão em 100% das plantas estudadas (Tabe-la 4 e Figura 22). Supondo que tivessemos 300.000 plantas porhectare, a dose de 10 μg por planta equivaleria a apenas 3 g doingrediente ativo de glifosato por hectare! Numa formulação co-
  • 14. 14 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007Dr. Huber chamou a atenção para o fato do glifosato ter fortenatureza metal-quelante, com alta especificidade para os micronu-trientes Mn, Fe, Zn e Cu. Comentou que a qualidade dos alimentosvem declinando nos últimos 15 anos, podendo este fenômeno estarrelacionado ao uso de produtos quelantes de metais.Em relação ao Mn – elemento essencial para a produção decompostos de defesa da planta (cumarinas, ligninas, flavonóides)–, fatores como alto pH, calcário, fertilizantes nitrogenados na for-ma de nitrato, matéria orgânica e baixa umidade do solo podemdiminuir sua disponibilidade no solo e, em conseqüência, aumentara predisposição da planta às doenças.Dr. Huber explicou que o glifosato provoca mudanças noequilíbrio microbiológico do solo e afeta a população de organis-mos benéficos para as plantas.Assim, se o produto for utilizado porvários anos, a nodulação das raízes das leguminosas é comprome-tida, e conseqüentemente a fixação biológica de N, e serão necessá-rios muitos anos para restabelecer o equilíbrio da microflora e dapopulação normal de Rhizobium.abiótico (nutrientes, umidade, temperatura, pH, densidade, gases),meio biótico (antagonismo, sinergismo, oxidantes, redutores, com-petidores, mineralizadores) e patógeno (população, virulência, ati-vidade) (Figura 23).Tabela 5. Patógenos de planta afetados pelo glifosato.Aumentados pelo glifosatoBotryospheara dothidea Gaeumannomyces graminisCorynespora cassicola Magnaporthe griseaFusarium avenaceum Marasmius spp.F. graminearum Monosporascus cannonbalusF. oxysporum f. sp. cubense Myrothecium verucariaF. oxysporum f.sp (canola) Phaeomoniella chlamydosporaF. oxysporum f.sp. glycines Phytophthora spp.F. oxysporum f.sp. vasinfectum Pythium spp.F. solani f.sp. glycines Rhizoctonia solaniF. solani f.sp. phaseoli Septoria nodorumF. solani f.sp. Pisi Thielaviopsis bassicolaXylella fastidiosaDiminuídos pelo glifosato(patógenos obrigatórios)Phakopsora pachyrhiziPuccinia graminisFigura 24. Algumas interações microbiológicas que ocorrem no solo com ouso de glifosato.Figura 25. Efeitos do glifosato na fisiologia das plantas.Figura 23. Interação entre fatores que determinam a severidade dasdoenças.Qualquer interferência no sistema agrícola pode provocaruma mudança na interação entre esses fatores, e o seu entendimen-to torna mais fácil o manejo e o controle das doenças de solo. Sabe-se, por exemplo, que a rotação de culturas reduz a incidência dedoenças, e um dos primeiros efeitos dessa prática ocorre sobre aatividade biológica do solo, a qual influencia as formas de nitrogê-nio disponíveis para as plantas ao longo do tempo bem como aquantidade residual do nutriente para a cultura subseqüente.Mencionou que a introdução do glifosato há 30 anos pro-moveu grande mudança na agricultura, com consideráveis efeitosna nutrição e na incidência de doenças de plantas.As interações doglifosato com a microbiota do solo estão resumidas na Figura 24,com as plantas na Figura 25 e com os patógenos na Tabela 5.
  • 15. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 15O glifosato também interfere na população de micorrizas,comprometendo a nutrição das culturas em solos com baixa dispo-nibilidade de Zn e P.Por outro lado, o glifosato estimula o aumento de organis-mos patógenos e oxidantes de Mn, os quais indisponibilizam estenutriente para a planta e a predispõe ao ataque de doenças.A Figura 27 mostra o efeito do glifosato no aumento dapredisposição da soja à podridão de raiz por Corynesporacassiicola, doença que no passado era de pouca importância eco-nômica, mas que atualmente tornou-se severa.microbiologia do ambiente da rizosfera. Estas alterações na rizos-fera afetam:(1) Ciclagem de nutrientes e, por conseqüência, sua dispo-nibilidade para as plantas;(2) Potencial fitopatogênico e o balanço antagonístico;(3) Composição e atividade dos microrganismos benéficos(por exemplo, micorrizas e rizobactérias promotoras do crescimentodas plantas).Assim, o seu grupo de pesquisa no início tinha os objetivos:(1) Entender os impactos das culturas transgênicas nasinterações com a biologia do solo e seus mecanismos; e(2) Determinar processos para corrigir os fatores limitantesderivados das interações detrimentais entre as culturas transgênicase a biologia do solo.Na primeira fase, seus estudos buscaram saber os efeitosdos fungos patogênicos e do nematóide de cisto (Heteroderaglycines) na soja RR. Os resultados mostraram um consistente au-mento na população de Fusarium spp. colonizando as raízes dasoja RR com a aplicação de glifosato nas doses recomendadas pelofabricante. Também observou que a colonização por Fusarium foigeralmente de duas a cinco vezes superior no tratamento com glifo-sato, quando comparado ao controle, sem glifosato (Figura 28).Professor Huber terminou sua palestra com as recomenda-ções para os principais problemas relacionados ao uso do glifosatoou ao uso das plantas RR:(1) Menor absorção de Mn pelas plantas RR: selecionar cul-tivares com maior eficiência para Mn.(2) Menor translocação de Mn com a aplicação de glifosato:aplicar Mn e outros micronutrientes 8 dias após a pulverização daplanta RR com glifosato.(3) Mudanças acumulativas na biologia da rizosfera: usarpráticas culturais que minimizem o impacto do glifosato; usarherbicida não sistêmico.(4) Redução no desenvolvimento do sistema radicular: usaro gesso, ou superfosato simples, no sulco de semeadura.(5) Aumento da severidade de doenças com o uso de glifo-sato: usar métodos alternativos de controle de invasoras; minimizaro uso de glifosato.Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: INTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EINTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EINTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EINTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EINTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASRESISTENTES AO GLIFOSATORESISTENTES AO GLIFOSATORESISTENTES AO GLIFOSATORESISTENTES AO GLIFOSATORESISTENTES AO GLIFOSATORobert Kremer,Robert Kremer,Robert Kremer,Robert Kremer,Robert Kremer, USDA-ARS & University of Missouri, EstadosUnidos, e-mail: kremerr@missouri.eduDr. Kremer iniciou sua palestra mencionando que o desen-volvimento de plantas geneticamente modificadas buscou apenasa melhoria da produtividade agrícola. E que foram negligenciadosimportantes processos fisiológicos das plantas e da microbiologiado solo que podem ser afetados pelo uso desta tecnologia.Assim, o “Sistema de Produção Roundup-Ready” constituium avanço no manejo efetivo das invasoras. No entanto, lembrouele que esta tecnologia apresenta alguns pontos fracos como: apa-recimento de invasoras com resistência ao glifosato e alterações naO Fusarium mostrou ser bom indicador dos impactos cau-sados pelo glifosato na rizosfera das plantas transgênicas. Contu-do, como a rizosfera é um sistema complexo, tornou-se claro a ne-cessidade de estudos mais completos sobre a estrutura e as fun-ções das comunidades microbianas lá instaladas, que é o atualenfoque da pesquisa do seu grupo.Especificamente, as novas pesquisas estudam:(1) O Fusarium dentro da comunidade fúngica na rizosfera;(2) Os organismos transformadores do Mn (oxidantes e re-dutores);(3)Afixação biológica do nitrogênio pelos rizóbios;(4) As comunidades Pseudomonad; e(5) Os fungos micorrízicos arbusculares.Trabalhos recentes mostram que a massa de nódulos nasoja RR é menor que na soja convencional, mesmo sem o tratamen-to com glifosato. Com o uso deste, o peso dos nódulos é aindaFigura 28. Incidência de Fusarium na rizosfera de soja RR em função dotempo de aplicação.Figura 27. Podridão da raiz da soja causada por Corynespora cassiicola,induzida pela aplicação de glifosato.Controle Inoculada Inoculada +glifosato via foliar
  • 16. 16 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007Apesar deste tema não ter sido discutido no Simpósio, apre-sento algumas idéias para serem testadas pelos colegas que bus-cam alternativas mais sustentáveis de manejo das invasoras naagricultura.Não há dúvidas que nada supera o plantio direto como sis-tema de conservação do solo na agricultura. E não há dúvidas tam-bém que o sistema de plantio direto (SPD) só foi possível graçasaos herbicidas, principalmente o glifosato.No entanto, conhecendo hoje os efeitos colaterais nega-tivos do glifosato, compete a nós utilizá-lo com os devidos cui-dados para obter o máximo de benefícios com o mínimo de ma-lefícios.Para a produção de grãos a pesquisa já respondeu: deve-seesperar de duas a mais semanas após a dessecação para iniciar asemeadura, principalmente se o volume de plantas invasoras ou decobertura for muito grande. Tanto para variedades transgênicascomo para as convencionais.Na cultura da cana, em que o glifosato é utilizado comomaturador, a pesquisa indica efeitos quase sempre nulos no aumen-to da produtividade de açúcar. E pior, com potencial dano ambientalquando aplicado via aérea.menor (Figura 29). E indagou se o glifosato não estaria interferindona sinalização dos flavonóides necessária para o ancoramento dosrizóbios junto às raízes, assim como se não estaria afetando a pro-dução de substâncias promotoras de crescimento.Figura 30. Efeito do glifosato na população de pseudomonad fluorescen-tes na rizosfera de soja RR, variedade Pioneer 93M92.Figura 29. Efeitos da variedade e de herbicidas sobre a massa de nódulosde soja no estádio R1 de desenvolvimento.Fonte: MARIA et al. (App. Environ. Microbiol., v. 73, p. 5075, 2007).Nota: TankMix com herbicidas convencionais.Mostrou também redução nas populações de pseudomonadfluorescentes, muitas delas associadas ao antagonismo de fungospatogênicos e nas transformações do Mn (Figura 30). Questionouse era efeito direto do glifosato ou efeito da variedade.Concluiu dizendo que o conhecimento dos fatores de solo eda rizosfera que interagem com os microrganismos sob a ação doglifosato, como acontece no manejo das invasoras usando as plan-tas transgênicas, é de fundamental importância na redução ou naeliminação de seus efeitos adversos.ENCERRAMENTOENCERRAMENTOENCERRAMENTOENCERRAMENTOENCERRAMENTOComo síntese geral de todas as palestras, o Simpósio deixouuma mensagem bem clara: o glifosato causa efeitos colaterais negati-vos tanto para a planta cultivada como para o rizóbio, a micorriza e osdemais microrganismos do solo, com reflexos na nutrição mineral ena resistência contra doenças. Assim, a resposta à pergunta dotítulo do Simpósio é bastante óbvia – sim, a sustentabilidade daagricultura moderna está ameaçada com o uso indiscriminado doglifosato.Conhecendo-se as interações entre o glifosato, a planta e osmicrorganismos será possível desenvolver sistemas de manejo nosquais o uso deste herbicida será acompanhado de práticas quereduzirão ou eliminarão seus efeitos perniciosos, a curto prazo, prin-cipalmente nas culturas anuais. Mas não a longo prazo.Torna-se, pois, urgente o desenvolvimento de novos sis-temas de manejo das invasoras para que a longo prazo não tenha-mos acúmulos desse produto em quantidades letais, tanto na plan-ta como no solo. As sugestões a seguir, sobre alternativas demanejo, não foram discutidas no Simpósio. Servem, no entanto,como ponto de partida aos interessados em buscar novas formasde manejo. Muitas informações neste sentido já foram dadas pe-las pesquisas de Ademir Calegari, Rolf Derspch e Ingo Kliever,entre outros.ALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELA cultura de citros pode estar sofrendo os efeitos colaterais deseu próprio manejo com o glifosato, assim como da deriva dematuradores de cana, que provocam o aumento do nível de etileno.Comosesabe,oaumentodoníveldeetilenonaplantapromovealtera-ções plasmáticas, favorecendo todo o tipo de doenças. Talvez seja aexplicaçãoparaasucessãodenovasdoençasobservadasnacitricultura.O manejo alternativo das invasoras em culturas perenes temsido feito com sucesso utilizando-se métodos mecânicos variados,com os quais busca-se instalar um sistema próximo ao SPD que se fazpara grãos mas com eliminação ou uso muito reduzido de glifosato.Consideramos equivocado no atual SPD a eleição dasgramíneas como plantas de cobertura. Se no lugar dessas fossemutilizadas leguminosas, o manejo poderia ser mecânico, através derolo-faca. Assim, não seria necessário esperar duas a três semanaspara a semeadura e, até então, estas plantas continuariam reciclandonutrientes e sintetizando nitrogênio para a cultura de verão.Podemos ter nas regiões tropical e subtropical uma agricul-tura muito mais eficiente que a do hemisfério Norte. Temos queutilizar melhor nossa vantagem competitiva de poder manter emfuncionamento a usina fotossintética praticamento o ano todo. Amonocultura da soja deve ser substituída pela rotação de culturas,
  • 17. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 17Figura 30. Bio-nitrogênio via ervilhaca peluda: a nova revolução dentro do sistema plantio direto. Fazenda de Jorge Romagnoli, Argentina.Crédito das fotos: Fernando Garcia.e a responsabilidade de produzir matéria orgânica para o solo deveser dada ao milho de alta produtividade.Por que não sonhar com uma safra de 80 sacas ha-1de soja emum ano e 200 sacas ha-1de milho no outro? E entre uma cultura e outrausar planta produtora de bio-nitrogênio num ano e bio-herbicida nooutro? Como, por exemplo, utilizar, após a soja, uma cobertura comcrotalária juncea, ervilhaca peluda ou tremoço, que manejada comrolo-faca, além de controlar as invasoras, forneceria a quase totalida-de do nitrogênio para a cultura de milho subseqüente? Este, por suavez, seria seguido pelo nabo forrageiro que, pela sua alelopatia, seriao herbicida natural do sistema. E ambas as culturas, soja e milho,seriam transgênicas, para usar o glifosato, quando necessário.Meschede et al. (2007), avaliando diferentes coberturas nasupressão de plantas daninhas em Cáceres, MT, no período de Julhoa Setembro, obtiveram 11,8 t ha-1de matéria seca de sorgo forrageiroe 7,5 t ha-1de crotalária. Considerando o teor de 3% de N na matériaseca, a produtividade da crotalária seria equivalente a 225 kg ha-1deN ou 500 kg ha-1de uréia. É uma ótima informação provando afactibilidade desta planta mesmo na região Centro-Oeste do País.Em2006 testamos o nabo forrageiro como planta de cobertu-ra precedendo o milho.Além de produzir 1.200 kg de sementes porhectare ele proporcionou bom controle das invasoras na cultura domilho, apenas com a aplicação de atrazina (Figura 28). Foi um bominício para o programa que pretendemos continuar no futuro.Recentemente conhecemos um sistema bastante semelhanteaplicado em área de 3.000 hectares de milho na propriedade de JorgeRomagnoli, em Montebuey, Província de Cordoba, naArgentina (Fi-guras 29 e 30).Além de engenheiro agrônomo, ele é também o presi-dente daAAPRESID –AssociaçãoArgentina de Produtores em Plan-tio Direto. Devido ao solo extremamente fértil (ainda), aduba apenasotrigoecolhe3safrasemdoisanos,sendo4-5tha-1detrigo,4tha-1desoja de 2a(após o trigo) e 10,8 t ha-1de milho, este após ervilhacapeluda com 7 t ha-1de matéria seca, fixando 210 kg ha-1de N.Figura 28. Campo de nabo forrageiro, fazenda do Engenheiro AgrônomoSeiji Kimoto, Campo Mourão, PR (19/08/2006).Figura 29. Rolo-faca: equipamento fundamental para manejo visando agri-cultura sustentável.Acreditamos que sistemas de manejo de invasoras mais sus-tentáveis que os atuais, como o feito por Jorge Romagnoli, poderãotambém ser desenvolvidos no Brasil. Mas para que isso ocorra épreciso determinação!Ervilhaca peluda: Maio-Outubro,7 t MS, 210 kg ha-1de NTrigo: Maio-Novembro Cobertura com ervilhacaMilho: Outubro-Maio