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Resumo: A utilização de agrotóxicos na agricultura elevou rapidamente seu consumo, especialmente de forma indiscriminada, sendo o Brasil um dos maiores mercados, representando 16% da venda mundial. …

Resumo: A utilização de agrotóxicos na agricultura elevou rapidamente seu consumo, especialmente de forma indiscriminada, sendo o Brasil um dos maiores mercados, representando 16% da venda mundial. No Piauí, a expansão agrícola na região dos cerrados contribuiu para o aumento do seu uso, expondo os agricultores a danos ao DNA. O objetivo desse estudo foi avaliar os efeitos tóxicos e genotóxicos nos agricultores piauienses expostos aos agrotóxicos, com o uso de biomarcadores hematológicos, bioquímicos e genotóxicos. A população estudada consistiu de 60 trabalhadores expostos aos agrotóxicos dos municípios de Barras e José de Freitas e 55 indivíduos controle, sem história de exposição a agroquímicos. Para caracterização da população foi aplicado questionário sócio epidemiológico, de acordo com a International Commission for Protection Against Environmental Mutagens and Carcinogens-ICPEMC. Foram coletados 10 mL de sangue periférico para realização das análises hematológicas, bioquímicas e ensaio cometa, que foram processadas pelo LACEN-PI. A média de idade foi de 34 anos, de etnia negra, na maioria, com tempo de trabalho, em média de 13,55 anos, carga horária de 41,5 horas semanais e 50% dos trabalhadores utilizavam pelo menos um tipo de EPI. Quanto aos hábitos de vida, 66,7% dos trabalhadores expostos informou não consumir vegetais, 41,7 % eram fumantes e 73,3% consumiam bebidas alcoólicas. Do total do grupo exposto, 33,3% usava medicamentos prescritos e 66,7% usava medicamentos não prescritos. No estudo foi evidenciado maior uso na agricultura de herbicidas (81,1%) e inseticidas (16,3%). No grupo dos trabalhadores expostos, 55% apresentaram leucopenia e 6,7% apresentaram diminuição na contagem de células vermelhas. Foram evidenciadas alterações na creatinina plasmática (p < 0,05); nas transaminases e fosfatase alcalina (p< 0,01) quando comparado o grupo exposto com o não exposto. Nos resultados do ensaio cometa, o grupo exposto apresentou, em relação ao grupo não exposto, uma média de (32,13 vs 10,12) de índice de dano, e frequência do dano (21,82 vs 9,38), respectivamente. Na classe 1, a genotoxicidade observada foi de 17% para os expostos e 9% para os não expostos. Não houve significância entre os danos no DNA em relação às variáveis: tempo de trabalho, não uso de EPI, hábito de fumar, consumo de álcool e não consumo de vegetais. Conclui-se que os trabalhadores expostos a agrotóxicos apresentaram alterações enzimáticas, hematológicas (leucopenia) e instabilidade genética, avaliados por parâmetros bioquímicos e genotóxicos, demonstrando assim a importância do biomonitoramento dos trabalhadores como uma estratégia de vigilância em saúde do trabalhador no Estado do Piauí.

Fonte: http://hdl.handle.net/123456789/2642
http://www.repositorio.ufc.br:8080/ri/handle/123456789/2642

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  • 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEAR&#xC1; FACULDADE DE MEDICINA DEPARTAMENTO DE FISIOLOGIA E FARMACOLOGIA PROGRAMA DE P&#xD3;S-GRADUA&#xC7;&#xC3;O EM FARMACOLOGIA MESTRADO PROFISSIONAL EM FARMACOLOGIA CLINICA VERA REGINA CAVALCANTE BARROS RODRIGUES AVALIA&#xC7;&#xC3;O DAS ALTERA&#xC7;&#xD5;ES HEMATOL&#xD3;GICAS, BIOQU&#xCD;MICAS E GENOT&#xD3;XICAS NOS TRABALHADORES EXPOSTOS A AGROT&#xD3;XICOS EM MUNIC&#xCD;PIOS DO ESTADO DO PIAU&#xCD; FORTALEZA - CEAR&#xC1; 2011
  • 2. VERA REGINA CAVALCANTE BARROS RODRIGUES AVALIA&#xC7;&#xC3;O DAS ALTERA&#xC7;&#xD5;ES HEMATOL&#xD3;GICAS, BIOQU&#xCD;MICAS E GENOT&#xD3;XICAS NOS TRABALHADORES EXPOSTOS A AGROT&#xD3;XICOS EM MUNIC&#xCD;PIOS DO ESTADO DO PIAU&#xCD; Disserta&#xE7;&#xE3;o submetida &#xE0; Coordena&#xE7;&#xE3;o do Programa de P&#xF3;s- Gradua&#xE7;&#xE3;o em Farmacologia, do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Cear&#xE1;, como requisito parcial para obten&#xE7;&#xE3;o do grau de Mestre em Farmacologia Cl&#xED;nica. Orientadora: Prof&#xAA;. Dr&#xAA;. Maria Elisabete Amaral de Moraes Co-Orientadora: Prof&#xAA;. Dr&#xAA;. Ana Am&#xE9;lia de C. Melo Cavalcante FORTALEZA - CEAR&#xC1; 2011
  • 3. Dados Internacionais de Cataloga&#xE7;&#xE3;o na Publica&#xE7;&#xE3;o Universidade Federal do Cear&#xE1; Biblioteca de Ci&#xEA;ncias da Sa&#xFA;de R617a Rodrigues, Vera Regina Cavalcante Barros Avalia&#xE7;&#xE3;o das altera&#xE7;&#xF5;es hematol&#xF3;gicas, bioqu&#xED;micas e genot&#xF3;xicas nos trabalhadores expostos a agrot&#xF3;xicos em munic&#xED;pios do Estado do Piau&#xED;/ Vera Regina Cavalcante Barros Rodrigues. - 2011. 138 f.: il. Disserta&#xE7;&#xE3;o (Mestrado Profissional) &#x2013; Universidade Federal do Cear&#xE1;, Faculdade de Medicina, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Farmacologia, Fortaleza, 2011. Orienta&#xE7;&#xE3;o: Prof&#xAA;. Dr&#xAA;. Maria Elisabete Amaral de Moraes Coorienta&#xE7;&#xE3;o: Prof&#xAA;. Dr&#xAA;. Ana Am&#xE9;lia de C. Melo Cavalcante 1. Praguicidas 2. Sa&#xFA;de do Trabalhador 3. Biomarcadores Farmacol&#xF3;gicos 4. Genotoxicidade 5. Ensaio Cometa I. T&#xED;tulo. CDD615.92
  • 4. VERA REGINA CAVALCANTE BARROS RODRIGUES AVALIA&#xC7;&#xC3;O DAS ALTERA&#xC7;&#xD5;ES HEMATOL&#xD3;GICAS, BIOQU&#xCD;MICAS E GENOT&#xD3;XICAS NOS TRABALHADORES EXPOSTOS A AGROT&#xD3;XICOS EM MUNIC&#xCD;PIOS DO ESTADO DO PIAU&#xCD; Disserta&#xE7;&#xE3;o submetida como parte dos requisitos necess&#xE1;rios &#xE0; obten&#xE7;&#xE3;o do grau de Mestre em Farmacologia Cl&#xED;nica, outorgado pela Universidade Federal do Cear&#xE1;, e encontra-se &#xE0; disposi&#xE7;&#xE3;o dos interessados na Biblioteca de Ci&#xEA;ncias da Sa&#xFA;de da referida Universidade. Aprovada em 26 de setembro de 2011. BANCA EXAMINADORA: _________________________________________________________ Prof&#xAA;. Dr&#xAA;. Maria Elisabete Amaral de Moraes (Orientadora) Universidade Federal do Cear&#xE1; _________________________________________________________ Prof&#xAA;. Dr&#xAA;. Danielle Silveira Macedo Universidade Federal do Cear&#xE1; _________________________________________________________ Prof. Dr. Cl&#xE1;udio Costa dos Santos Universidade Federal do Cear&#xE1;
  • 5. &#xC0; minha fam&#xED;lia.
  • 6. AGRADECIMENTOS Talvez n&#xE3;o consiga expressar a minha gratid&#xE3;o com palavras escritas e espero encontrar melhor forma e melhor momento para dizer o quanto sou grata a todas as pessoas que me aconselharam, motivaram, orientaram, refor&#xE7;aram, ouviram, colaboraram. A elas, devo um bocadinho deste trabalho: &#xC0; Prof&#xAA;. Dr&#xAA;. Maria Elisabete Amaral de Moraes, pela orienta&#xE7;&#xE3;o, incentivo, aten&#xE7;&#xE3;o e confian&#xE7;a em mim depositada, pela amizade no tratamento para comigo, o que, com certeza, alimentou minha perseveran&#xE7;a, o que jamais irei esquecer. &#xC0; Prof&#xAA;. Dr&#xAA;. Ana Am&#xE9;lia de C. Melo Cavalcante, minha co-orientadora que, sem conhecer-me, acreditou que eu seria capaz. Obrigada professora, pela valiosa colabora&#xE7;&#xE3;o no desenvolvimento e an&#xE1;lise dos dados desse estudo. Aos Professores da UNIFAC, pelo apoio e conhecimento que transmitiram. A todos os profissionais da UNIFAC, em especial, a F&#xE1;bia Bezerra, Maria Teresa Rocha, Ana Leite, Aura Rhanes e Fl&#xE1;via Martins, pela delicadeza e presteza dispensadas, tornando agrad&#xE1;veis nossos dias longe de casa. Aos trabalhadores rurais do Estado, especialmente &#xE0;queles dos munic&#xED;pios de Barras e Jos&#xE9; de Freitas, pela participa&#xE7;&#xE3;o neste estudo. &#xC0; Tatiana Vieira Souza Chaves, pela paci&#xEA;ncia, dedica&#xE7;&#xE3;o e grande amizade, a quem devo o incentivo e o apoio desde a primeira hora deste estudo. Ao Fabr&#xED;cio Amaral, pelo apoio constante e por acreditar em mim. Pela amizade, disponibilidade e por todas as contribui&#xE7;&#xF5;es feitas a este trabalho.
  • 7. Aos colegas do Mestrado pela amizade que, espero n&#xE3;o se perca; em especial a Carlene, Samira, Iolanda, Amparo, Lucim&#xE1;, Maria Veloso, Adriana, por compartilhar as ideias e experi&#xEA;ncias, pela conviv&#xEA;ncia e momentos de descontra&#xE7;&#xE3;o no per&#xED;odo do curso em Fortaleza (agora, &#x201C;o rabo &#xE9; o rei!&#x201D;). Aos colegas do Centro Estadual de Refer&#xEA;ncia em Sa&#xFA;de do Trabalhador/ Diretoria de Vigil&#xE2;ncia Sanit&#xE1;ria do Estado que se envolveram de alguma forma neste estudo, especialmente &#xE0; Carmen Medeiros, Christiane Miranda, Odete Melo, Eduardo Probo, Idiacira Sampaio, Aurenice Fraz&#xE3;o, Roselane Souza, Alberto Faustino, Socorro Cronemberger, Ana Cleide, Daniele Sampaio, Giuliano Miranda, Benedito J&#xFA;nior, Solange Teles, Jarbas Aur&#xE9;lio, Deusilene Brito, Rog&#xE9;rio Bitu (in memorian), Dilson, Neylon Ara&#xFA;jo pela valiosa colabora&#xE7;&#xE3;o nas diferentes fases desse trabalho. &#xC0; Eline Chaves (ADAPI) e Francisco Honorato de Sousa (CONAB) que muito gentilmente cederam os dados referentes aos munic&#xED;pios. Aos estagi&#xE1;rios do LABTOXIGEN, especialmente a D&#xE9;bora, Araceli e Rodrigo, pela orienta&#xE7;&#xE3;o e contribui&#xE7;&#xE3;o na realiza&#xE7;&#xE3;o do ensaio cometa. Aos funcion&#xE1;rios do LACEN pela presteza na realiza&#xE7;&#xE3;o dos exames complementares dos trabalhadores. Aos meus pais, irm&#xE3;s (os) e seus filhos (as), por valorizarem tudo o que fa&#xE7;o e pelo apoio incondicional em todos os momentos da minha vida. Se n&#xE3;o fosse por voc&#xEA;s, n&#xE3;o chegaria a lugar nenhum! Ao companheiro Francisco Carlos, pelo apoio e incentivo constante &#xE0; supera&#xE7;&#xE3;o das minhas dificuldades. Aos meus filhos, Fernando e Andr&#xE9;, pela compreens&#xE3;o e ternura sempre manifestadas; pelo orgulho que sempre tiveram com os resultados acad&#xEA;micos e
  • 8. profissionais da m&#xE3;e. Obrigada pela tradu&#xE7;&#xE3;o, organiza&#xE7;&#xE3;o e paci&#xEA;ncia com minhas dificuldades com a tecnologia. Aos amigos de outros espa&#xE7;os, Prof&#xAA; Marize Santos (desde os tempos da UFPI), Ana Am&#xE9;lia Pedrosa, C&#xE9;lia Regina Leal, Dr. Francisco Luis Lima, Cl&#xE1;udio Barros, Sebasti&#xE3;o Paulino, Jos&#xE9; Carlos Carvalho, Milton Braga, D. Elza Vieira, Wanderlei Pignati, Carlos Vaz, pela torcida e estimulo durante a caminhada. Deu certo! A Fernando, Silvio e Gabriel, estrelas que continuam irradiando luz e permanecem vivos em nossos cora&#xE7;&#xF5;es. &#xC0; Secretaria de Estado da Sa&#xFA;de do Piau&#xED; (SESAPI) pelo incentivo e apoio financeiro no desenvolvimento da pesquisa. A FINEP, MCT, MS, FUNCAP, CNPq, CAPES e Instituto Claude Bernard (InCB), pelo incentivo no desenvolvimento da pesquisa nacional. Agrade&#xE7;o a DEUS, que, na sua imensa bondade, me concedeu a oportunidade de abra&#xE7;ar e concluir mais essa etapa, iluminando o caminho com essas pessoas (a quem chamo anjos), sem as quais n&#xE3;o teria conseguido chegar at&#xE9; aqui. E a todos aqueles que participaram direta ou indiretamente desta conquista, cujos nomes n&#xE3;o foram citados. MUITO OBRIGADA!
  • 9. A For&#xE7;a n&#xE3;o vem da capacidade f&#xED;sica, ela vem de uma vontade inabal&#xE1;vel. Mahatma Gandhi
  • 10. RESUMO Avalia&#xE7;&#xE3;o dos Efeitos Hematol&#xF3;gicos, Bioqu&#xED;micos e Genot&#xF3;xicos nos Trabalhadores Expostos a Agrot&#xF3;xicos em Munic&#xED;pios do Estado do Piau&#xED;. Vera Regina Cavalcante Barros Rodrigues. Orientadora: Dra. Maria Elisabete Amaral de Moraes. Disserta&#xE7;&#xE3;o de Mestrado. Programa de P&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o em Farmacologia. Departamento de Fisiologia e Farmacologia, UFC, 2011. A utiliza&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos na agricultura elevou rapidamente seu consumo, especialmente de forma indiscriminada, sendo o Brasil um dos maiores mercados, representando 16% da venda mundial. No Piau&#xED;, a expans&#xE3;o agr&#xED;cola na regi&#xE3;o dos cerrados contribuiu para o aumento do seu uso, expondo os agricultores a danos ao DNA. O objetivo desse estudo foi avaliar os efeitos t&#xF3;xicos e genot&#xF3;xicos nos agricultores piauienses expostos aos agrot&#xF3;xicos, com o uso de biomarcadores hematol&#xF3;gicos, bioqu&#xED;micos e genot&#xF3;xicos. A popula&#xE7;&#xE3;o estudada consistiu de 60 trabalhadores expostos aos agrot&#xF3;xicos dos munic&#xED;pios de Barras e Jos&#xE9; de Freitas e 55 indiv&#xED;duos controle, sem hist&#xF3;ria de exposi&#xE7;&#xE3;o a agroqu&#xED;micos. Para caracteriza&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o foi aplicado question&#xE1;rio s&#xF3;cio epidemiol&#xF3;gico, de acordo com a International Commission for Protection Against Environmental Mutagens and Carcinogens-ICPEMC. Foram coletados 10 mL de sangue perif&#xE9;rico para realiza&#xE7;&#xE3;o das an&#xE1;lises hematol&#xF3;gicas, bioqu&#xED;micas e ensaio cometa, que foram processadas pelo LACEN-PI. A m&#xE9;dia de idade foi de 34 anos, de etnia negra, na maioria, com tempo de trabalho, em m&#xE9;dia de 13,55 anos, carga hor&#xE1;ria de 41,5 horas semanais e 50% dos trabalhadores utilizavam pelo menos um tipo de EPI. Quanto aos h&#xE1;bitos de vida, 66,7% dos trabalhadores expostos informou n&#xE3;o consumir vegetais, 41,7 % eram fumantes e 73,3% consumiam bebidas alco&#xF3;licas. Do total do grupo exposto, 33,3% usava medicamentos prescritos e 66,7% usava medicamentos n&#xE3;o prescritos. No estudo foi evidenciado maior uso na agricultura de herbicidas (81,1%) e inseticidas (16,3%). No grupo dos trabalhadores expostos, 55% apresentaram leucopenia e 6,7% apresentaram diminui&#xE7;&#xE3;o na contagem de c&#xE9;lulas vermelhas. Foram evidenciadas altera&#xE7;&#xF5;es na creatinina plasm&#xE1;tica (p &lt; 0,05); nas transaminases e fosfatase alcalina (p&lt; 0,01) quando comparado o grupo exposto com o n&#xE3;o exposto. Nos resultados do ensaio cometa, o grupo exposto apresentou, em rela&#xE7;&#xE3;o ao grupo n&#xE3;o exposto, uma m&#xE9;dia de (32,13 vs 10,12) de &#xED;ndice de dano, e frequ&#xEA;ncia do dano (21,82 vs 9,38), respectivamente. Na classe 1, a genotoxicidade observada foi de 17% para os expostos e 9% para os n&#xE3;o expostos. N&#xE3;o houve signific&#xE2;ncia entre os danos no DNA em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s vari&#xE1;veis: tempo de trabalho, n&#xE3;o uso de EPI, h&#xE1;bito de fumar, consumo de &#xE1;lcool e n&#xE3;o consumo de vegetais. Conclui-se que os trabalhadores expostos a agrot&#xF3;xicos apresentaram altera&#xE7;&#xF5;es enzim&#xE1;ticas, hematol&#xF3;gicas (leucopenia) e instabilidade gen&#xE9;tica, avaliados por par&#xE2;metros bioqu&#xED;micos e genot&#xF3;xicos, demonstrando assim a import&#xE2;ncia do biomonitoramento dos trabalhadores como uma estrat&#xE9;gia de vigil&#xE2;ncia em sa&#xFA;de do trabalhador no Estado do Piau&#xED;. Palavras-chave: Agrot&#xF3;xicos. Sa&#xFA;de do Trabalhador. Biomarcadores. Genotoxicidade. Ensaio Cometa.
  • 11. ABSTRACT Evaluation of Hematologic, Biochemical and Genotoxic Effects in Workers Exposed to Pesticide in Municipalities of Piau&#xED;. Vera Regina Cavalcante Barros Rodrigues. Master Advisor: Dr. Maria Elisabete Amaral de Moraes. Master&#x2019;s Dissertation. Graduate Program in Pharmacology. Department of Physiology and Pharmacology, UFC, 2011. The use of pesticides in agriculture rapidly increased their consumption, especially indiscriminate consumption, being Brazil currently the largest market for pesticide in the world, representing 16% of worldwide sales. In the state of Piau&#xED;, the agricultural expansion in the region of Cerrado contributed to their increased use, exposing farm workers to damages to the DNA. The purpose of this study was to evaluate the toxic and genotoxic effects in farm workers exposed to pesticides in Piau&#xED;, with the use of hematologic, biochemical and genotoxic biomarkers. The population in analysis consisted of 60 farm workers from the municipalities of Barras and Jos&#xE9; de Freitas occupationally exposed to pesticides and 55 control individuals with no history of exposure to agrochemicals. To obtain the characteristics of the population, a social-epidemiological questionnaire was applied, recommended by International Commission for Protection Against Environmental Mutagens and Carcinogens-ICPEMC. 10 mL of peripheral blood were collected for haematological, biochemical and comet assay analyses, all of which were processed by LACEN-PI. The mean age was 34 years, of black ethnicity, mostly with an average of 13.55 years of work, workload of 41.5 weekly hours and 50% of workers used at least one type of PPE. In what concerns lifestyle, 66.7% of the exposed workers said they did not consume vegetables, 41.7% were smokers and 73.3% consumed alcohol. Of the total of the exposed group, 33.3% used prescribed medication and 66.7% used non-prescribed medication. In the study, it was evidenced a higher use of herbicides (81.1%) and insecticides (16.3%) in agriculture. In the group of exposed workers, 55% had leucopenia and 6.7% showed a decrease in the red blood cell count. It was found variation in plasmatic creatinine (p &lt; 0.05); in liver enzymes and alkaline phosphatise (p &lt; 0.01) when comparing the exposed and the non-exposed groups. In the results of the comet assay, the exposed group showed, in comparison with the non-exposed group, a mean of (32.13 vs. 10.12) of damage index and damage frequency of (21.82 vs. 9.38), respectively. In class 1, the genotoxicity observed was 17% for the exposed and 9% for the non-exposed. There was no significance between DNA damage and the following variables: workload, non-use of PPE, smoking, consumption of alcohol and non-consumption of vegetables. We concluded that workers exposed to pesticides presented toxic variations and genetic instability, which was evidenced by enzymatic variation and damages to the DNA, which thus demonstrates the importance of biomonitoring of workers as a strategy of occupational health surveillance in the state of Piau&#xED;. Keywords: pesticides, occupational health, biomarkers, genotoxicity, comet assay
  • 12. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AAA Anemia apl&#xE1;stica adquirida AChE Acetilcolinesterase ADAPI Ag&#xEA;ncia de Defesa Agropecu&#xE1;ria do Estado do Piau&#xED; ALT Alanina Aminotransferase AMPA &#xC1;cido Aminometil Fosf&#xF4;nico ANDEF Associa&#xE7;&#xE3;o Nacional de Defesa Vegetal ANOVA An&#xE1;lise de Vari&#xE2;ncia Anvisa Ag&#xEA;ncia Nacional de Vigil&#xE2;ncia Sanit&#xE1;ria AST Aspartato Aminotrasferase BChE Butirilcolinesterase BHC Hexacloro benzeno CAT Comunica&#xE7;&#xE3;o de Acidente do Trabalho CEREST Centro Estadual de Refer&#xEA;ncia em Sa&#xFA;de do Trabalhador CHCM Concentra&#xE7;&#xE3;o de Hemoglobina Corpuscular M&#xE9;dia CITOX Centro de Informa&#xE7;&#xE3;o Toxicol&#xF3;gica CNS Conselho Nacional de Sa&#xFA;de COMEPE Comit&#xEA; de &#xC9;tica em Pesquisa da UFC CONAB Companhia Nacional de Abastecimento CONEP Comiss&#xE3;o Nacional de &#xC9;tica em Pesquisa DATASUS Banco de Dados do Sistema &#xDA;nico de Sa&#xFA;de DIVISA Diretoria de Unidade de Vigil&#xE2;ncia Sanit&#xE1;ria DL50 Dose Letal Suficiente para Matar 50% de um Lote de Animais DNA &#xC1;cido desoxirribonucleico EBDC Dietilditiocarbamatos EDTA &#xC1;cido etileno diaminotetrac&#xE9;tico EPI Equipamento de Prote&#xE7;&#xE3;o Individual EPSPS Enzima 5-enolpiruvato- shiquimato-3-fosfato sintase ESF Estrat&#xE9;gia Sa&#xFA;de da Fam&#xED;lia FA Fosfatase alcalina FAO Food Agricultural Organization FEPAM Funda&#xE7;&#xE3;o Estadual de Prote&#xE7;&#xE3;o Ambiental FIOCRUZ Funda&#xE7;&#xE3;o Osvaldo Cruz GGT Gama Glutamil Transpeptidase Hb Hemoglobina HCH Hexaclorociclohexano HCM Hemoglobina Corpuscular M&#xE9;dia HCT Hemat&#xF3;crito IARC International Agency for Research on Cancer IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#xED;stica IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&#xE1;veis ICPEMC International Commission for Protection Against Environmental Mutagens and a Carcinogens INCA Instituto Nacional do C&#xE2;ncer INSS Instituto Nacional de Seguridade Social IPEA Instituto de Pesquisa Econ&#xF4;mica Aplicada LABTOXIGEM Laborat&#xF3;rio de Toxicologia e Gen&#xE9;tica Molecular LACEN Laborat&#xF3;rio Central de Sa&#xFA;de P&#xFA;blica do Estado do Piau&#xED;
  • 13. LOS Lei Org&#xE2;nica de Sa&#xFA;de MPAS Minist&#xE9;rio da Previd&#xEA;ncia e Assist&#xEA;ncia Social MS Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de TEM Minist&#xE9;rio do Trabalho e Emprego NR Norma Regulamentadora do Minist&#xE9;rio do Trabalho e Emprego OMS Organiza&#xE7;&#xE3;o Mundial da Sa&#xFA;de OPAS Organiza&#xE7;&#xE3;o Pan Americana de Sa&#xFA;de PARA Programa de An&#xE1;lise de Res&#xED;duos de Agrot&#xF3;xicos em Alimentos PND Programa Nacional de Desenvolvimento POEA Polioxietilenoamina RBCs C&#xE9;lula Sangu&#xED;nea no Sangue Total RENAST Rede Nacional de Aten&#xE7;&#xE3;o Integral &#xE0; Sa&#xFA;de do Trabalhador RENACIAT Rede Nacional de Centros de Informa&#xE7;&#xE3;o e Assist&#xEA;ncia Toxicol&#xF3;gica RNA &#xC1;cido ribonucleico SAS Secretaria de Assist&#xEA;ncia a Sa&#xFA;de SCGE Single cell gel eletrophoresis SDR Secretaria de Desenvolvimento Rural SES Secretaria de Estado da Sa&#xFA;de do Piau&#xED; SAI Sistema de Informa&#xE7;&#xF5;es Ambulatoriais SIH Sistema de Informa&#xE7;&#xE3;o Hospitalar SIM Sistema de Informa&#xE7;&#xF5;es sobre Mortalidade SINAN Sistema de Informa&#xE7;&#xE3;o Nacional de Agravos de Notifica&#xE7;&#xE3;o SINDAG Sindicato Nacional da Ind&#xFA;stria de Produtos para Defesa Agr&#xED;cola SINITOX Sistema Nacional de Informa&#xE7;&#xF5;es T&#xF3;xico-farmacol&#xF3;gico SPSS Statistical Package for the Social Sciences SUS Sistema &#xDA;nico de Sa&#xFA;de TGO Transaminase Glut&#xE2;mica Oxalac&#xE9;tica TGP Transaminase Glut&#xE2;mica Pir&#xFA;vica UFC Universidade Federal do Cear&#xE1; UNIFAC Unidade de Farmacologia Cl&#xED;nica US-EPA Environmental Protection Agency VCM Volume Corpuscular M&#xE9;dio VISAT Vigil&#xE2;ncia de Sa&#xFA;de do Trabalhador VPM Volume Plaquet&#xE1;rio
  • 14. LISTA DE TABELAS Tabela 1: Caracter&#xED;sticas da popula&#xE7;&#xE3;o do estudo exposta e n&#xE3;o exposta aos agrot&#xF3;xicos em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010). .............................................................79&#xA0; Tabela 2: Avalia&#xE7;&#xE3;o dos par&#xE2;metros bioqu&#xED;micos em agricultores expostos aos agrot&#xF3;xicos em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010) ..............................................................85&#xA0; Tabela 3: Avalia&#xE7;&#xE3;o dos par&#xE2;metros hematol&#xF3;gicos em agricultores expostos aos agrot&#xF3;xicos em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010). .............................................................89&#xA0; Tabela 4: Avalia&#xE7;&#xE3;o genot&#xF3;xica em agricultores expostos aos agrot&#xF3;xicos em municipios do Piau&#xED; (2010)........................................................................................95&#xA0; Tabela 5: Correla&#xE7;&#xF5;es entre os fatores de risco n&#xE3;o ocupacionais com os danos ao DNA de agricultores do Piau&#xED; expostos aos agrot&#xF3;xicos, 2010.................................97&#xA0;
  • 15. LISTA DE QUADROS Quadro 1: Classifica&#xE7;&#xE3;o dos agrot&#xF3;xicos quanto &#xE0; sua a&#xE7;&#xE3;o e ao grupo qu&#xED;mico a que pertencem ..........................................................................................................26&#xA0; Quadro 2: Quantidade de agrot&#xF3;xicos comercializados segundo a a&#xE7;&#xE3;o/classe no Estado do Piau&#xED; (2009)..............................................................................................30&#xA0; Quadro 3: Efeitos dos agrot&#xF3;xicos na sa&#xFA;de humana segundo a classifica&#xE7;&#xE3;o de Peres e Moreira (2003) .............................................................................................33&#xA0; Quadro 4: Classe toxicol&#xF3;gica e cor da faixa no r&#xF3;tulo de produto agrot&#xF3;xico..........39&#xA0; Quadro 5: Classifica&#xE7;&#xE3;o toxicol&#xF3;gica dos agrot&#xF3;xicos segundo a DL50.....................40&#xA0; Quadro 6: Agrot&#xF3;xicos referidos pelos trabalhadores em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010) ..................................................................................................................................81&#xA0;
  • 16. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Mecanismo de A&#xE7;&#xE3;o dos Agrot&#xF3;xicos.........................................................36 Figura 2: Localiza&#xE7;&#xE3;o dos munic&#xED;pios de Barras e Jos&#xE9;............................................66 Figura 3: Esquema do teste de cometa conforme protocolo de Singh et al.; (1988) e Saran et al.; (2008) usado para a avalia&#xE7;&#xE3;o de genotoxicidade em agricultores expostos aos agrot&#xF3;xicos..........................................................................................73&#xA0; Figura 4: Classes de Danos ao DNA analisados no Teste Cometa ..........................74&#xA0; Figura 5: Percentual da utiliza&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos segundo classe/a&#xE7;&#xE3;o pelos trabalhadores rurais em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010).................................................80&#xA0; Figura 6: Percentual da utiliza&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos segundo classe toxicol&#xF3;gica pelos trabalhadores rurais em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010).................................................84&#xA0; Figura 7: Dosagem de fosfatase alcalina em trabalhadores expostos aos agrot&#xF3;xicos e em indiv&#xED;duos n&#xE3;o expostos a agentes qu&#xED;micos em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010)..86&#xA0; Figura 8: Dosagem de butirilcolinesterase em trabalhadores expostos aos agrot&#xF3;xicos e em indiv&#xED;duos n&#xE3;o expostos a agentes qu&#xED;micos em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010). A linha cont&#xED;nua indica o limite m&#xED;nimo do valor de refer&#xEA;ncia (4.620 U/I). ...........................................................................................................................89&#xA0; Figura 9: Percentagem de trabalhadores expostos aos agrot&#xF3;xicos em munic&#xED;pios do Piau&#xED;, de acordo com avalia&#xE7;&#xE3;o hematol&#xF3;gica para leuc&#xF3;citos (2010)......................90&#xA0; Figura 10: Perfil eletrofor&#xE9;tico das classes de danos em trabalhadores expostos aos agrot&#xF3;xicos no Estado do P&#xED;au&#xED; (2010). ....................................................................93&#xA0; Figura 11: Genotoxicidade em cultura de linf&#xF3;citos de trabalhadores expostos em rela&#xE7;&#xE3;o aos n&#xE3;o expostos &#xE0;s misturas complexas de agrot&#xF3;xicos segundo classe de danos, no Estado do Piau&#xED; (2010).............................................................................94&#xA0;
  • 17. SUM&#xC1;RIO 1 INTRODU&#xC7;&#xC3;O............................................................................................ 19 1.1 Sa&#xFA;de do Trabalhador......................................................................................... 19 1.2 Sa&#xFA;de do Trabalhador no Piau&#xED;.......................................................................... 21 1.3 Agrot&#xF3;xicos no Brasil........................................................................................... 23 1.4 Agrot&#xF3;xicos e Sa&#xFA;de do Trabalhador.................................................................. 29 1.5 Mecanismo de A&#xE7;&#xE3;o dos Agrot&#xF3;xicos................................................................. 34 1.6 Toxicidade dos Agrot&#xF3;xicos................................................................................ 38 1.6.1 Genotoxicidade................................................................................................ 39 1.7 Agrot&#xF3;xicos e Risco ocupacional........................................................................ 43 1.8 Biomonitoramento de Risco Ocupacional........................................................... 45 1.8.1 An&#xE1;lises Bioqu&#xED;micas....................................................................................... 48 1.8.2 An&#xE1;lise Hematol&#xF3;gica....................................................................................... 53 1.8.3 Ensaio Cometa................................................................................................. 55 2 JUSTIFICATIVA......................................................................................... 58 3 OBJETIVOS................................................................................................ 61 3.1 Geral................................................................................................................... 61 3.2 Espec&#xED;ficos......................................................................................................... 61 4 PROTOCOLO DE ESTUDO...................................................................... 63 4.1 Tipo de Estudo.................................................................................................... 63 4.2 Local do Estudo.................................................................................................. 63 4.3 Aspectos &#xC9;ticos................................................................................................... 63 4.4 Caracteriza&#xE7;&#xE3;o do Estudo................................................................................... 64 4.4.1 Munic&#xED;pio de Barras......................................................................................... 64 4.4.2 Munic&#xED;pio de Jos&#xE9; de Freitas........................................................................... 65 4.5. Sele&#xE7;&#xE3;o dos Sujeitos da Pesquisa........................................................ 66 4.5.1 Crit&#xE9;rios de Inclus&#xE3;o......................................................................................... 66 4.5.2 Crit&#xE9;rios de Exclus&#xE3;o....................................................................................... 67 4.6 Delineamento do Estudo........................................................................ 67 4.6.1 Procedimentos com os volunt&#xE1;rios.................................................................. 67 4.7 Coleta das Amostras de Sangue............................................................ 68 4.7.1 Avalia&#xE7;&#xE3;o Bioqu&#xED;mica....................................................................................... 68 4.7.2 Avalia&#xE7;&#xE3;o Hematol&#xF3;gica................................................................................... 70 4.7.3 Avalia&#xE7;&#xE3;o Genot&#xF3;xica: Ensaio Cometa............................................................ 71 4.8 An&#xE1;lise Estat&#xED;stica................................................................................... 74
  • 18. 5 RESULTADOS E DISCUSSAO................................................................. 76 5.1 Caracter&#xED;sticas da Popula&#xE7;&#xE3;o.................................................................. 76 5.2 Agrot&#xF3;xicos Utilizados nos Munic&#xED;pios de Barras e Jos&#xE9; de Freitas....... 78 5.3 Avalia&#xE7;&#xE3;o Bioqu&#xED;mica.......................................................................................... 83 5.4 Avalia&#xE7;&#xE3;o Hematol&#xF3;gica...................................................................................... 88 5.5 Avalia&#xE7;&#xE3;o Genot&#xF3;xica com o Ensaio Cometa..................................................... 91 5.6 Correla&#xE7;&#xF5;es com Fatores de Riscos n&#xE3;o Ocupacionais e Entre os Biomarcadores.......................................................................................................... 95 6 CONSIDERA&#xC7;&#xD5;ES FINAIS....................................................................... 99 7 CONCLUS&#xC3;O............................................................................................ 102 8 RECOMENDA&#xC7;&#xD5;ES.................................................................................. 104 REFER&#xCA;NCIAS.............................................................................................. 107 AP&#xCA;NDICES E ANEXOS............................................................................... 122 AP&#xCA;NDICE A: TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)........................................................................... AP&#xCA;NDICE B: FOTOS............................................................................ AP&#xCA;NDICE C: TRABALHOS APRESENTADOS EM CONGRESSOS CIENT&#xCD;FICOS.......................................................................................... ANEXO A: APROVA&#xC7;&#xC3;O DO COMIT&#xCA; DE &#xC9;TICA EM PESQUISA....... ANEXO B: QUESTION&#xC1;RIO DE SA&#xDA;DE PESSOAL.............................. ANEXO C: VALORES DE REFERENCIA UTILIZADOS NAS ANALISES LABORATORIAIS................................................................. ANEXO D: FICHA DE AVALIA&#xC7;&#xC3;O DO TESTE COMETA.....................
  • 19. INTRODU&#xC7;&#xC3;O
  • 20. 20 1 INTRODU&#xC7;&#xC3;O 1.1 Sa&#xFA;de do Trabalhador O movimento da Sa&#xFA;de do Trabalhador no Brasil teve seu marco no final dos anos 70, traduzido em a&#xE7;&#xF5;es de defesa do direito ao trabalho digno e saud&#xE1;vel da participa&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores nas decis&#xF5;es sobre a organiza&#xE7;&#xE3;o e gest&#xE3;o dos processos produtivos e da busca da garantia de aten&#xE7;&#xE3;o integral &#xE0; sa&#xFA;de (DIAS; HOEFEL, 2005). Como parte desse movimento, foi institu&#xED;do na rede p&#xFA;blica de servi&#xE7;os um modelo de aten&#xE7;&#xE3;o &#xE0; sa&#xFA;de dos trabalhadores, denominado Programa de Sa&#xFA;de do Trabalhador, cuja proposta era a forma diferenciada de aten&#xE7;&#xE3;o aos trabalhadores e um sistema de vigil&#xE2;ncia em sa&#xFA;de com a participa&#xE7;&#xE3;o da classe trabalhadora, pois at&#xE9; ent&#xE3;o, o sistema p&#xFA;blico de sa&#xFA;de, n&#xE3;o atendia os trabalhadores considerando os impactos do trabalho sobre o processo sa&#xFA;de/doen&#xE7;a, o que aconteceu com a Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988 e a cria&#xE7;&#xE3;o do Sistema &#xDA;nico de Sa&#xFA;de - SUS (BRASIL, 2001). A Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988, em seu artigo 200, na se&#xE7;&#xE3;o que regula o Direito &#xE0; Sa&#xFA;de, estabelece que &#x201C;ao Sistema &#xDA;nico de Sa&#xFA;de compete, al&#xE9;m de outras atribui&#xE7;&#xF5;es, nos termos da lei: [...] II - executar as a&#xE7;&#xF5;es de vigil&#xE2;ncia sanit&#xE1;ria e epidemiol&#xF3;gica, bem como as de sa&#xFA;de do trabalhador; [...]&#x201D; (BRASIL, 2001). A Lei Org&#xE2;nica da Sa&#xFA;de &#x2013; LOS (Lei n.&#xBA; 8.080/90), que regulamentou o SUS e suas compet&#xEA;ncias no campo da Sa&#xFA;de do Trabalhador, considerou o trabalho como importante fator determinante/condicionante da sa&#xFA;de. No seu artigo 6&#xBA;, determina que a realiza&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es de sa&#xFA;de do trabalhador siga os princ&#xED;pios gerais do SUS. Al&#xE9;m disso, recomenda, especificamente, a assist&#xEA;ncia ao trabalhador v&#xED;tima de acidente de trabalho ou portador de doen&#xE7;a profissional ou do trabalho; a realiza&#xE7;&#xE3;o de estudos, pesquisa, avalia&#xE7;&#xE3;o e controle dos riscos e agravos existentes no processo de trabalho; a informa&#xE7;&#xE3;o ao trabalhador, sindicatos e empresas sobre riscos de acidentes bem como resultados de fiscaliza&#xE7;&#xF5;es, avalia&#xE7;&#xF5;es ambientais, exames admissionais, peri&#xF3;dicos e demissionais, respeitada a &#xE9;tica.
  • 21. 21 A institui&#xE7;&#xE3;o da Rede Nacional de Aten&#xE7;&#xE3;o Integral &#xE0; Sa&#xFA;de do Trabalhador &#x2013; RENAST, pela Portaria n&#xBA; 1.679/GM de 19/09/2002, determinou que as a&#xE7;&#xF5;es de sa&#xFA;de do trabalhador, fossem desenvolvidas de forma articulada entre o Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de -MS, as Secret&#xE1;rias de Sa&#xFA;de dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic&#xED;pios. A Portaria estabelecia a elabora&#xE7;&#xE3;o do Plano Estadual de Sa&#xFA;de do Trabalhador; a implanta&#xE7;&#xE3;o nos servi&#xE7;os ambulatoriais e hospitalares das a&#xE7;&#xF5;es b&#xE1;sicas, de m&#xE9;dia e alta complexidade de sa&#xFA;de do trabalhador e a organiza&#xE7;&#xE3;o dos Centros de Refer&#xEA;ncia em Sa&#xFA;de do Trabalhador - CEREST, tendo como fun&#xE7;&#xE3;o, o provimento de retaguarda t&#xE9;cnica para o SUS, nas a&#xE7;&#xF5;es de preven&#xE7;&#xE3;o, promo&#xE7;&#xE3;o, diagn&#xF3;stico, tratamento, reabilita&#xE7;&#xE3;o e vigil&#xE2;ncia em sa&#xFA;de dos trabalhadores urbanos e rurais, independentemente do v&#xED;nculo empregat&#xED;cio e do tipo de inser&#xE7;&#xE3;o no mercado de trabalho (BRASIL, 2005). Dando continuidade &#xE0; implanta&#xE7;&#xE3;o dessas a&#xE7;&#xF5;es, o Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de, publicou a Portaria GM n&#xBA; 2.437/05, ampliando e fortalecendo a RENAST no SUS. Segundo a Portaria deveriam ser envolvidos &#xF3;rg&#xE3;os de outros setores, nas tr&#xEA;s esferas de poder, com interface com a Sa&#xFA;de do Trabalhador, al&#xE9;m de institui&#xE7;&#xF5;es colaboradoras nesta &#xE1;rea, para execu&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es. A RENAST &#xE9; uma rede nacional de informa&#xE7;&#xE3;o e de pr&#xE1;ticas de sa&#xFA;de organizada com o prop&#xF3;sito de programar a&#xE7;&#xF5;es assistenciais, de vigil&#xE2;ncia e de promo&#xE7;&#xE3;o da sa&#xFA;de, no SUS, na perspectiva da Sa&#xFA;de do Trabalhador. A compreens&#xE3;o do processo sa&#xFA;de-doen&#xE7;a dos trabalhadores, que norteia a RENAST, est&#xE1; baseada no enfoque das rela&#xE7;&#xF5;es Trabalho-Sa&#xFA;de-Doen&#xE7;a e na centralidade do trabalho na vida das pessoas, desenvolvido pela epidemiologia social (BRASIL, 2004; DIAS; HOEFEL, 2005), considerando que o trabalho ocupa uma posi&#xE7;&#xE3;o central na determina&#xE7;&#xE3;o do processo sa&#xFA;de/doen&#xE7;a, n&#xE3;o apenas daqueles diretamente envolvidos nas atividades produtivas, mas da popula&#xE7;&#xE3;o em geral e dos impactos ambientais que essas atividades produzem (HOEFEL, 2005). A implementa&#xE7;&#xE3;o da RENAST deu-se pela estrutura&#xE7;&#xE3;o da rede de Centros de Refer&#xEA;ncia em Sa&#xFA;de do Trabalhador; pela inclus&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es de sa&#xFA;de do trabalhador na aten&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica; pela defini&#xE7;&#xE3;o de protocolos, do estabelecimento
  • 22. 22 de linhas de cuidado e de outros instrumentos que favorecessem a integralidade das a&#xE7;&#xF5;es; pela implementa&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es de promo&#xE7;&#xE3;o e vigil&#xE2;ncia em sa&#xFA;de do trabalhador; pela institui&#xE7;&#xE3;o e indica&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os de Sa&#xFA;de do Trabalhador de retaguarda j&#xE1; instalados, chamados de Rede de Servi&#xE7;os Sentinela em Sa&#xFA;de do Trabalhador (BRASIL, 2009). Com a divulga&#xE7;&#xE3;o do Pacto pela Sa&#xFA;de (Portaria 399/GM de 22/02/2006) e considerando a necessidade de adequa&#xE7;&#xE3;o aos mecanismos de gest&#xE3;o do Pacto foi publicada a Portaria GM n&#xBA; 2.728/09 determinando que as a&#xE7;&#xF5;es em Sa&#xFA;de do Trabalhador deveriam estar inseridas expressamente nos Planos de Sa&#xFA;de nacional, estaduais, distrital, municipais e nas suas respectivas Programa&#xE7;&#xF5;es Anuais. A Pol&#xED;tica Nacional de Sa&#xFA;de do Trabalhador do Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de visa &#xE0; redu&#xE7;&#xE3;o dos acidentes e doen&#xE7;as relacionadas ao trabalho, principalmente por meio da execu&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xF5;es de promo&#xE7;&#xE3;o, reabilita&#xE7;&#xE3;o e vigil&#xE2;ncia na &#xE1;rea de sa&#xFA;de (BRASIL, 2004). Suas diretrizes, descritas na Portaria n&#xBA; 1.125, de 6 de julho de 2005, compreendem a aten&#xE7;&#xE3;o integral &#xE0; sa&#xFA;de, a articula&#xE7;&#xE3;o intra e intersetorial, a estrutura&#xE7;&#xE3;o da rede de informa&#xE7;&#xF5;es em Sa&#xFA;de do Trabalhador, o apoio a estudos e pesquisas, a capacita&#xE7;&#xE3;o de recursos humanos e a participa&#xE7;&#xE3;o da comunidade na gest&#xE3;o dessas a&#xE7;&#xF5;es. 1.2 Sa&#xFA;de do Trabalhador no Piau&#xED; A implanta&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es da sa&#xFA;de do trabalhador no SUS, no Estado do Piau&#xED;, deu-se pela Secretaria Estadual da Sa&#xFA;de, atrav&#xE9;s da Diretoria de Vigil&#xE2;ncia Sanit&#xE1;ria - DIVISA. A elabora&#xE7;&#xE3;o do Plano Estadual de Sa&#xFA;de do Trabalhador possibilitou a habilita&#xE7;&#xE3;o do CEREST pela Portaria n.&#xBA; 307 de 02 de outubro de 2003, que passou a integrar a RENAST. A amplia&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es no estado foi intensificada com a cria&#xE7;&#xE3;o de CEREST regionais: um para a macrorregi&#xE3;o de Bom Jesus, habilitado atrav&#xE9;s da Portaria n.&#xBA; 653 de 19/09/2006, e outros dois para Picos e Parna&#xED;ba, ambos habilitados pela Portaria SAS/MS n&#xBA; 121 de 18/03/2009.
  • 23. 23 A cria&#xE7;&#xE3;o do CEREST representou um marco para os trabalhadores do Piau&#xED;, que at&#xE9; ent&#xE3;o n&#xE3;o contavam com uma pol&#xED;tica p&#xFA;blica que garantisse um atendimento que levasse em conta os impactos do trabalho sobre o processo sa&#xFA;de/doen&#xE7;a. Neste contexto, o CEREST vem realizando a&#xE7;&#xF5;es voltadas para o alcance de seus objetivos, assim definidos: desenvolver estudos e pesquisas na &#xE1;rea de sa&#xFA;de do trabalhador, promover programas de forma&#xE7;&#xE3;o de qualifica&#xE7;&#xE3;o de recursos humanos, suporte t&#xE9;cnico para melhoria da pr&#xE1;tica assistencial interdisciplinar, propor normas e diagn&#xF3;sticos relativos aos agravos a sa&#xFA;de do trabalhador, atuar junto dos seus parceiros nas atividades de normatiza&#xE7;&#xE3;o relativas &#xE0; preven&#xE7;&#xE3;o de agravos a sa&#xFA;de do trabalhador (PIAU&#xCD;, 2006). Para melhor execu&#xE7;&#xE3;o do trabalho, as linhas de a&#xE7;&#xE3;o foram assim organizadas: O acolhimento e escuta qualificada do trabalhador que procura o CEREST &#xE9; realizada por um profissional da equipe t&#xE9;cnica, que identifica o motivo da procura e procede aos encaminhamentos conforme as necessidades. A assist&#xEA;ncia &#xE9; realizada atrav&#xE9;s do atendimento individualizado aos trabalhadores, que &#xE9; feito por um profissional da equipe multiprofissional e, de acordo com a necessidade do caso, a atua&#xE7;&#xE3;o se dar&#xE1; no sentido de estabelecer o nexo causal entre os processos/ambientes de trabalho e a sa&#xFA;de do trabalhador. A fiscaliza&#xE7;&#xE3;o/inspe&#xE7;&#xE3;o do ambiente de trabalho consiste na visita&#xE7;&#xE3;o aos locais de trabalho para a materializa&#xE7;&#xE3;o da vigil&#xE2;ncia em sa&#xFA;de do trabalhador, identificando os riscos f&#xED;sicos, qu&#xED;micos, biol&#xF3;gicos, ergon&#xF4;micos, de acidentes e outros fatores ou situa&#xE7;&#xF5;es com potencial de danos sobre a sa&#xFA;de do trabalhador. Esta etapa &#xE9; realizada pela equipe da Vigil&#xE2;ncia Sanit&#xE1;ria estadual, em conjunto com a equipe do CEREST, podendo, em algumas situa&#xE7;&#xF5;es, formar uma equipe interinstitucional com a participa&#xE7;&#xE3;o do Minist&#xE9;rio do Trabalho, do Instituto de Seguridade Social, de sindicatos e outros. A Educa&#xE7;&#xE3;o permanente realiza-se atrav&#xE9;s da promo&#xE7;&#xE3;o de cursos de capacita&#xE7;&#xE3;o, semin&#xE1;rios, palestras, oficinas e outros eventos voltados para os trabalhadores, profissionais, estudantes e demais interessados na quest&#xE3;o de sa&#xFA;de do trabalhador. Realiza-se ainda com o desenvolvimento de programas de forma&#xE7;&#xE3;o, especializa&#xE7;&#xE3;o e qualifica&#xE7;&#xE3;o de recursos humanos na &#xE1;rea da sa&#xFA;de do trabalhador, bem como da elabora&#xE7;&#xE3;o de material educativo (cartilhas, cartazes e folders). A linha de Projetos e Pesquisas compreende o desenvolvimento de estudos
  • 24. 24 e pesquisas na &#xE1;rea de sa&#xFA;de do trabalhador e do meio ambiente, com ou sem a parceria de institui&#xE7;&#xF5;es, p&#xFA;blicas ou privadas, de ensino ou pesquisa que atuem em &#xE1;reas afins &#xE0; sa&#xFA;de e ao trabalho com a finalidade de produzir informa&#xE7;&#xF5;es para subsidiar proposi&#xE7;&#xF5;es de pol&#xED;ticas na &#xE1;rea de sa&#xFA;de do trabalhador. A Divulga&#xE7;&#xE3;o / Comunica&#xE7;&#xE3;o tem por finalidade contribuir na constru&#xE7;&#xE3;o de uma cultura de prioriza&#xE7;&#xE3;o da sa&#xFA;de do trabalhador atrav&#xE9;s da ampla difus&#xE3;o dessa &#xE1;rea como integrante das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas (PIAU&#xCD;, 2006). Dentre as a&#xE7;&#xF5;es voltadas aos trabalhadores rurais, citamos, por exemplo, a investiga&#xE7;&#xE3;o epidemiol&#xF3;gica em munic&#xED;pios localizados na regi&#xE3;o dos cerrados, decorrentes de informa&#xE7;&#xF5;es de suspeita de intoxica&#xE7;&#xE3;o de trabalhadores rurais em 2005. Nesse ano, foi iniciada a articula&#xE7;&#xE3;o com diversos parceiros/institui&#xE7;&#xF5;es e o inicio do desenvolvimento de v&#xE1;rias a&#xE7;&#xF5;es tais como: reuni&#xF5;es com gestores municipais; inspe&#xE7;&#xF5;es conjuntas com equipe multiprofissional; palestras educativas com trabalhadores rurais e distribui&#xE7;&#xE3;o de material educativo, assim como para os trabalhadores das revendas, empres&#xE1;rios e comunidade; capacita&#xE7;&#xE3;o de profissionais da aten&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica, com vistas &#xE0; identifica&#xE7;&#xE3;o e notifica&#xE7;&#xE3;o dos agravos; identifica&#xE7;&#xE3;o dos hospitais sentinela para notifica&#xE7;&#xE3;o dos casos de intoxica&#xE7;&#xE3;o relacionados ao trabalho, al&#xE9;m da divulga&#xE7;&#xE3;o do Centro de Informa&#xE7;&#xE3;o Toxicol&#xF3;gica no estado para esclarecimentos de d&#xFA;vidas e notifica&#xE7;&#xE3;o das intoxica&#xE7;&#xF5;es. 1.3 Agrot&#xF3;xicos no Brasil Os agrot&#xF3;xicos s&#xE3;o compostos que possuem uma grande variedade de subst&#xE2;ncias qu&#xED;micas ou produtos biol&#xF3;gicos e que foram desenvolvidos de forma a potencializar uma a&#xE7;&#xE3;o biocida, ou seja, s&#xE3;o desenvolvidos para matar, exterminar e combater as pragas agr&#xED;colas. Representam, assim, um risco em potencial para todos os organismos vivos (GARCIA, 2001; OPAS, 1997).
  • 25. 25 Segundo a Lei n&#xBA; 7.802/1989, s&#xE3;o chamados agrot&#xF3;xicos: produtos e agentes de processos f&#xED;sicos, qu&#xED;micos ou biol&#xF3;gicos, destinados ao uso nos setores de produ&#xE7;&#xE3;o, no armazenamento e beneficiamento de produtos agr&#xED;colas, nas pastagens, na prote&#xE7;&#xE3;o de florestas, nativas ou plantadas, e de outros ecossistemas e de ambientes urbanos, h&#xED;dricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composi&#xE7;&#xE3;o da flora ou da fauna, a fim de preserv&#xE1;-las da a&#xE7;&#xE3;o danosa de seres vivos considerados nocivos, bem como as subst&#xE2;ncias de produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento. Estes produtos, dependendo do fim a que se destinam, recebem ainda outros nomes: agrot&#xF3;xicos, praguicidas, biocidas, venenos, fitossanit&#xE1;rios, defensivos agr&#xED;colas, rem&#xE9;dios. Para os trabalhadores rurais, os agrot&#xF3;xicos s&#xE3;o comumente chamados de &#x201C;veneno&#x201D; ou &#x201C;rem&#xE9;dio&#x201D;, sendo o termo &#x201C;veneno&#x201D; atribu&#xED;do a esses compostos pelos efeitos nocivos dos biocidas &#xE0; sa&#xFA;de humana e animal, que durante anos v&#xEA;m sendo observados. &#x201C;Rem&#xE9;dio&#x201D; &#xE9; o termo utilizado por vendedores e t&#xE9;cnicos ligados &#xE0; ind&#xFA;stria qu&#xED;mica, na tentativa de passar a id&#xE9;ia que os agrot&#xF3;xicos s&#xE3;o &#x201C;rem&#xE9;dio para a planta&#x201D; (PERES et al.; 2003). Podem ser agrupadas de diversas maneiras, sendo a mais utilizada, a classifica&#xE7;&#xE3;o segundo o grupo qu&#xED;mico (Quadro 1) a que pertencem e o tipo de a&#xE7;&#xE3;o (natureza da praga controlada). Podem ser classificados em inseticidas, fungicidas e herbicidas e reguladores e inibidores de crescimento. Vale ressaltar que muitos agrot&#xF3;xicos possuem mais de um tipo de a&#xE7;&#xE3;o. Outros grupos importantes, al&#xE9;m desses s&#xE3;o: raticidas (dicumar&#xED;nicos), utilizados no combate a roedores; acaricidas, que agem combatendo &#xE1;caros diversos; nematicidas, cuja a&#xE7;&#xE3;o &#xE9; o combate a nemat&#xF3;ides; molusquicidas, com a&#xE7;&#xE3;o de combate a moluscos, basicamente contra o caramujo da esquistossomose (INCA, 2006). Dentre essas classes, as tr&#xEA;s principais, por representarem, em m&#xE9;dia, 94,8% do consumo mundial de agrot&#xF3;xicos entre 1960/2003, s&#xE3;o os inseticidas, fungicidas e herbicidas (MARTINELLI, 2003).
  • 26. 26 Quadro 1: Classifica&#xE7;&#xE3;o dos agrot&#xF3;xicos quanto &#xE0; sua a&#xE7;&#xE3;o e ao grupo qu&#xED;mico a que pertencem TIPO DE A&#xC7;&#xC3;O (CLASSE) PRINCIPAIS GRUPOS QU&#xCD;MICOS PRODUTOS / SUBST&#xC2;NCIA Organofosforados Azodrim, Malathion, Parathion, Nuvacron, Tamaron, Hostation, Lorsban Carbamatos Carbaryl, Furadan, Lannate, Marshal Organoclorados Aldrin, Endrin, DDT, BHC, Lindane Inseticidas (controle de insetos, larvas e formigas) Piretr&#xF3;ides (sint&#xE9;ticos) Decis, Piredan, Karate, Cipermetrina Ditiocarbamatos Maneb, Mancozeb, Dithane, Thiram, Manzate Organoest&#xE2;nicos Brestan, Hokko Suzu Fungicidas (combate aos fungos) Dicarboximidas Orthocide, Captan Bipiridilos Gramoxone, Paraquat, Reglone, Diquat Glicina substitu&#xED;da Roundup, Glifosato Derivados do &#xE1;cido fenoxiac&#xE9;tico Tordon, 2,4-D, 2,4,5-T3 Dinitrofen&#xF3;is Bromofenoxim, Dinoseb, DNOC Herbicidas (combate a ervas daninhas) Pentaclorofenol Clorofen, Dowcide-G Fonte: INCA (2006). O processo de moderniza&#xE7;&#xE3;o da agricultura no Brasil aconteceu entre 1965 e 1980, tendo ocorrido nos pa&#xED;ses da Europa Ocidental e nos Estados Unidos da Am&#xE9;rica ainda no in&#xED;cio do s&#xE9;culo XX. No Brasil, foram primeiramente utilizados em programas de sa&#xFA;de p&#xFA;blica, para o combate a vetores e o controle de parasitas, sendo empregados mais intensivamente na agricultura a partir de 1960 (OPAS, 1997; WAICHMAN et al.; 2007). Em 1975, o Plano Nacional de Desenvolvimento investiu mais de 200 milh&#xF5;es de d&#xF3;lares para implementar a ind&#xFA;stria dos agrot&#xF3;xicos, abrindo o com&#xE9;rcio destes agentes no pa&#xED;s e condicionando o agricultor a compr&#xE1;-los com recursos do cr&#xE9;dito rural, sendo institu&#xED;da a inclus&#xE3;o de uma cota definida para cada financiamento requerido (OPAS/OMS, 1997).
  • 27. 27 A necessidade de aumentar a produtividade para atender o aumento da demanda por alimentos, causada pelo crescimento populacional, foi um est&#xED;mulo aos processos de produ&#xE7;&#xE3;o agr&#xED;cola a buscarem novas tecnologias (SILVA et al., 2005). Assim, uma quantidade consider&#xE1;vel de agrot&#xF3;xicos &#xE9; empregada em alguma etapa da produ&#xE7;&#xE3;o agr&#xED;cola, quer seja no tratamento pr&#xE9;vio das sementes, quer durante o cultivo ou ap&#xF3;s a colheita (CAMAROTO et al.; 2004). A libera&#xE7;&#xE3;o do com&#xE9;rcio de agrot&#xF3;xicos para uso na agricultura elevou rapidamente seu consumo, especialmente, o de forma indiscriminada, o que se constitui um dos principais problemas de sa&#xFA;de p&#xFA;blica nos pa&#xED;ses desenvolvidos e em desenvolvimento (WAICHMAN et al.; 2007). Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#xED;stica &#x2013; IBGE- mostram que o n&#xFA;mero de propriedades rurais no Brasil, que utilizam agrot&#xF3;xicos cresceu 53% entre 1995-1996 e 2006 (IBGE, 2006). A substitui&#xE7;&#xE3;o da m&#xE3;o-de-obra pela mecaniza&#xE7;&#xE3;o de diversas atividades agr&#xED;colas, a introdu&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos, bem como a utiliza&#xE7;&#xE3;o da biotecnologia, destacando-se os organismos geneticamente modificados (transg&#xEA;nicos), foram as principais mudan&#xE7;as tecnol&#xF3;gicas que contribu&#xED;ram para a altera&#xE7;&#xE3;o do processo agr&#xED;cola (TRAP&#xC9;, 1993; SILVA et al.; 2004). O Brasil, com uma extens&#xE3;o territorial de 8,5 milh&#xF5;es de km&#xB2;, tem um grande potencial agr&#xED;cola e est&#xE1; entre os pa&#xED;ses que mais utilizam produtos qu&#xED;micos na agricultura. Em 2007, o pa&#xED;s ocupou o quarto lugar no ranking do consumo mundial, sendo o oitavo no uso por hectare e o maior consumidor na Am&#xE9;rica Latina. Existem cerca de 15.000 formula&#xE7;&#xF5;es para 400 agrot&#xF3;xicos diferentes, sendo que 8.000 encontram-se licenciadas no Brasil (FEPAM, 2007). Alguns acidentes com agrot&#xF3;xicos no Brasil tiveram grande repercuss&#xE3;o por causarem s&#xE9;rios danos ambientais e severa contamina&#xE7;&#xE3;o humana, como os da Shell e da Rhodia, localizadas no Estado de S&#xE3;o Paulo (ARA&#xDA;JO et al.; 2007). Em Duque de Caxias, RJ, ocorreu um dos casos mais graves de contamina&#xE7;&#xE3;o do solo registrados no Brasil, que ficou conhecido por &#x201C;Cidade dos Meninos&#x201D;, resultado do abandono, por parte do Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de, nos anos 50, de materiais na desativa&#xE7;&#xE3;o de uma f&#xE1;brica de hexaclorociclohexano (HCH) utilizados no programa
  • 28. 28 de combate a mal&#xE1;ria, contaminando o meio ambiente e a popula&#xE7;&#xE3;o local (HERCULANO, 2002; BEDOR, 2008). Mais recentemente, mesmo com o aumento do conhecimento sobre os males causados pelos agrot&#xF3;xicos, acidentes por manuseio e pela falta de controle continuam acontecendo. Exemplo recente &#xE9; o caso da &#x201C;Chuva de Agrot&#xF3;xicos&#x201D; na cidade de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, ocorrido em 2006, devido &#xE0;s derivas de pulveriza&#xE7;&#xF5;es a&#xE9;reas de agrot&#xF3;xicos que ultrapassaram a unidade produtiva rural, causando impactos sanit&#xE1;rios, sociais e ambientais (PIGNATI et al.; 2007). Neste contexto, o uso descontrolado de agrot&#xF3;xicos leva a uma expans&#xE3;o dos riscos, fazendo com que popula&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o diretamente vinculadas com a cadeia produtiva dessas subst&#xE2;ncias tamb&#xE9;m se exponham em fun&#xE7;&#xE3;o da contamina&#xE7;&#xE3;o ambiental e dos alimentos, tornando a problem&#xE1;tica do agrot&#xF3;xico uma quest&#xE3;o ainda mais grave de sa&#xFA;de p&#xFA;blica (KOIFMAN; KOIFMAN, 2003). Segundo Peres et al. (2007), os pa&#xED;ses em desenvolvimento representam 30% de todo o mercado global consumidor de agrot&#xF3;xicos, sendo o Brasil o maior mercado consumidor individual dentre estes pa&#xED;ses, equivalente &#xE0; metade de todo o consumo da regi&#xE3;o latino-americana. Foram utilizados no pa&#xED;s, em 2004, cerca de 187.000 toneladas de agrot&#xF3;xicos, o que corresponde a 1 kg por habitante/ano ou 6 kg por habitante/ano da zona rural. Esse volume superou em 47.000 toneladas a quantidade utilizada no ano 2000 (PIGNATI, 2008). O consumo em uma d&#xE9;cada aumentou mais que o dobro. Em 1999, o gasto com a comercializa&#xE7;&#xE3;o desses produtos foi estimado em cerca de 2,3 milh&#xF5;es de d&#xF3;lares, comparados aos cerca de 900 milh&#xF5;es gastos em 1989 (KOIFMAN et al.; 2002). Este aumento comprova a grande quantidade de agrot&#xF3;xicos utilizados no territ&#xF3;rio brasileiro nos &#xFA;ltimos anos. Em 2001, os dados do Sindicato Nacional da Ind&#xFA;stria de Produtos para Defesa Agr&#xED;cola &#x2013; SINDAG, mostraram que o pa&#xED;s consumiu 328.413 toneladas de produtos formulados o que corresponde a 151.523 toneladas de ingredientes ativos colocando o Brasil em 7&#xBA; lugar no ranking dos dez
  • 29. 29 principais pa&#xED;ses consumidores, que representam 70% do mercado mundial de agrot&#xF3;xicos (INCA, 2006). Em 2007, as vendas no Brasil atingiram a cifra de 5.372 bilh&#xF5;es de d&#xF3;lares e, em 2008, de 7.125 bilh&#xF5;es, sendo a soja a cultura que mais consome agrot&#xF3;xico (SINDAG, 2007). Atualmente, o Brasil &#xE9; o maior mercado de agrot&#xF3;xicos do mundo, representando 16% da venda mundial. Em 2009, foram comercializadas 780 mil toneladas com um faturamento estimado de oito bilh&#xF5;es de d&#xF3;lares. Nos &#xFA;ltimos 10 anos, esse mercado cresceu 176%, quase quatro vezes mais que a m&#xE9;dia mundial, e as importa&#xE7;&#xF5;es brasileiras aumentaram 236% entre 2000 e 2007 (BAVA, 2010). No nordeste do Brasil, a agricultura &#xE9; absolutamente qu&#xED;mico-dependente, onde, no ano de 2003, os agentes t&#xF3;xicos que mais registraram crescimento foram os de uso agr&#xED;cola, com uma alta de 164%. Os fertilizantes e agrot&#xF3;xicos s&#xE3;o utilizados como se fossem as &#xFA;nicas t&#xE9;cnicas de produ&#xE7;&#xE3;o poss&#xED;vel. S&#xE3;o ainda incipientes as experi&#xEA;ncias de reconvers&#xE3;o tecnol&#xF3;gica para um modelo de agricultura sustent&#xE1;vel. Como agravante, h&#xE1; ainda o fato de que o conhecimento que os agricultores disp&#xF5;em sobre os riscos do uso adequado desses produtos &#xE9; extremamente baixo e n&#xE3;o recebem orienta&#xE7;&#xE3;o (AUGUSTO, 2003). No Estado do Piau&#xED;, a partir da d&#xE9;cada de 90, deu-se a expans&#xE3;o agr&#xED;cola na regi&#xE3;o dos cerrados, com a intensifica&#xE7;&#xE3;o do plantio de soja, o que consistiu em um forte fator para o aumento do uso de agrot&#xF3;xicos. A procura legal destes produtos no Estado cresce progressivamente, uma vez que em 1994 foram contabilizados a venda de 08 toneladas e em 2004, de 165 toneladas, o que representa um percentual de aumento da ordem de 2.062% (PIAU&#xCD;, 2004). Segundo dados coletados pela Ag&#xEA;ncia de Defesa Agropecu&#xE1;ria do Estado do Piau&#xED; - ADAPI nas empresas registradas que comercializam agrot&#xF3;xicos, no ano de 2009, no Piau&#xED; foram consumidos produtos, que se apresentam na forma de p&#xF3; (kg) e na forma l&#xED;quida (L), conforme o Quadro 2.
  • 30. 30 Quadro 2: Quantidade de agrot&#xF3;xicos comercializados segundo a a&#xE7;&#xE3;o/classe no Estado do Piau&#xED; (2009). QUANTIDADE CLASSE (A&#xC7;&#xC3;O) kg L Herbicidas 24.068 237.381 Inseticidas 1.075 106.375 Fungicidas 2.281 77.815 TOTAL 27.424 421.571 Fonte: ADAPI, 2010. Os dados n&#xE3;o refletem a realidade do consumo do agrot&#xF3;xico no Piau&#xED;, pois a maioria dos produtos utilizados pelos agricultores na regi&#xE3;o dos cerrados &#xE9; oriunda da ind&#xFA;stria (venda direta), sem ter o distribuidor da regi&#xE3;o como intermedi&#xE1;rio da venda ao agricultor. O aumento do uso de agrot&#xF3;xicos nos munic&#xED;pios piauienses pode estar acarretando preju&#xED;zos &#xE0; sa&#xFA;de do trabalhador exposto a a&#xE7;&#xE3;o dos mesmos. Este fato &#xE9; corroborado pela inconsist&#xEA;ncia dos dados oficiais sobre intoxica&#xE7;&#xE3;o por agrot&#xF3;xicos, que n&#xE3;o retratam a realidade, por serem insuficientes, parciais, fragmentados, desarticulados e dispersos em v&#xE1;rias fontes de informa&#xE7;&#xF5;es, tais como: Comunica&#xE7;&#xE3;o de Acidentes de Trabalho (CAT); Sistema de Informa&#xE7;&#xE3;o Hospitalar (SIH); o Sistema de Informa&#xE7;&#xE3;o de Agravos de Notifica&#xE7;&#xE3;o (Sinan) e o Sistema Nacional de Informa&#xE7;&#xF5;es T&#xF3;xico-Farmacol&#xF3;gicas (Sinitox), (BRASIL, 2006). 1.4 Agrot&#xF3;xicos e Sa&#xFA;de do Trabalhador Os agrot&#xF3;xicos s&#xE3;o utilizados em grande escala por v&#xE1;rios setores produtivos e mais intensamente pelo setor agropecu&#xE1;rio. Dentre os trabalhadores expostos destacam-se, al&#xE9;m dos trabalhadores rurais, os da sa&#xFA;de p&#xFA;blica, de empresas desinsetizadoras, de transporte, com&#xE9;rcio e ind&#xFA;stria de s&#xED;ntese. A popula&#xE7;&#xE3;o em geral tamb&#xE9;m est&#xE1; exposta, seja atrav&#xE9;s de res&#xED;duos em alimentos, de contamina&#xE7;&#xE3;o ambiental ou acidental (OPAS/OMS, 1996). Os trabalhadores rurais s&#xE3;o os mais expostos aos agrot&#xF3;xicos, por estarem em contato di&#xE1;rio na sua vida laboral. Al&#xE9;m deste grupo, a &#xE1;gua, o solo, a vegeta&#xE7;&#xE3;o, os animais e a
  • 31. 31 popula&#xE7;&#xE3;o humana em geral tamb&#xE9;m s&#xE3;o v&#xED;timas destes agentes, j&#xE1; que seus res&#xED;duos podem ser altamente persistentes no ambiente, podendo contaminar um ecossistema durante um longo per&#xED;odo de tempo, provocando s&#xE9;rios problemas de sa&#xFA;de (CAMAROTO et al.; 2004). Sua crescente utiliza&#xE7;&#xE3;o nas &#xE1;reas urbanas, principalmente os inseticidas dom&#xE9;sticos adquiridos em supermercados, que possuem uma grande diversidade de produtos, princ&#xED;pios ativos e marcas, bem como os utilizados pela sa&#xFA;de p&#xFA;blica, amplia o risco de maior exposi&#xE7;&#xE3;o das popula&#xE7;&#xF5;es a agentes t&#xF3;xicos, potencialmente danosos &#xE0; sa&#xFA;de humana e ao ambiente (C&#xC2;MARA NETO; AUGUSTO, 2005). As principais vias de penetra&#xE7;&#xE3;o dos agrot&#xF3;xicos no corpo humano s&#xE3;o: por ingest&#xE3;o, pela respira&#xE7;&#xE3;o e por absor&#xE7;&#xE3;o d&#xE9;rmica. A penetra&#xE7;&#xE3;o pela pele varia de acordo com a formula&#xE7;&#xE3;o empregada, temperatura, umidade relativa do ar, regi&#xF5;es do corpo, tempo de contato, exist&#xEA;ncia de feridas (GARCIA, 2001). Os agrot&#xF3;xicos podem determinar efeitos sobre a sa&#xFA;de humana, dependendo da forma e tempo de exposi&#xE7;&#xE3;o e do tipo de produto com sua toxicidade espec&#xED;fica (Quadro 3). O efeito pode ser agudo por uma exposi&#xE7;&#xE3;o de curto prazo, ou seja, algumas horas ou alguns dias, com surgimento r&#xE1;pido e claro de sintomas e sinais de intoxica&#xE7;&#xE3;o t&#xED;pica do produto ou outro efeito adverso, como les&#xF5;es de pele, irrita&#xE7;&#xE3;o das mucosas dos olhos, nariz e garganta, dor de est&#xF4;mago (epigastralgia); ou cr&#xF4;nico, por uma exposi&#xE7;&#xE3;o de mais de um ano, com efeitos adversos muitas vezes irrevers&#xED;veis (OPAS/OMS, 1997). As intoxica&#xE7;&#xF5;es provocadas por agrot&#xF3;xicos s&#xE3;o classificadas em tr&#xEA;s tipos: intoxica&#xE7;&#xF5;es agudas, que ocorrem ap&#xF3;s intensa exposi&#xE7;&#xE3;o, em breve per&#xED;odo de tempo, a subst&#xE2;ncias de extrema ou alta toxicidade. Os sintomas s&#xE3;o n&#xED;tidos, aparecem rapidamente e, dependendo da quantidade de veneno absorvido, determinam a gravidade da intoxica&#xE7;&#xE3;o. Dentre as subst&#xE2;ncias que provocam as intoxica&#xE7;&#xF5;es agudas destacam-se os organofosforados e os carbamatos, que s&#xE3;o inibidores da acetilcolinesterase, enzima presente principalmente no sistema
  • 32. 32 nervoso, nos m&#xFA;sculos esquel&#xE9;ticos e nos eritr&#xF3;citos, envolvida na transmiss&#xE3;o dos impulsos nervosos; as intoxica&#xE7;&#xF5;es subagudas, que aparecem mais lentamente, traduzindo-se atrav&#xE9;s de sintomas subjetivos e vagos (fraqueza, mal-estar, dor de cabe&#xE7;a, sonol&#xEA;ncia etc.) e ocorrem devido &#xE0; exposi&#xE7;&#xE3;o moderada ou pequena a produtos altamente ou moderadamente t&#xF3;xicos; as intoxica&#xE7;&#xF5;es cr&#xF4;nicas ocorrem tardiamente, ap&#xF3;s meses ou anos de pequena ou m&#xE9;dia exposi&#xE7;&#xE3;o a um produto t&#xF3;xico ou a uma diversidade de subst&#xE2;ncias, apresentando um quadro cl&#xED;nico indefinido, que dificulta o estabelecimento do nexo causal para as doen&#xE7;as ocupacionais (OPAS/OMS, 1996). As caracter&#xED;sticas cl&#xED;nicas das intoxica&#xE7;&#xF5;es por agrot&#xF3;xicos n&#xE3;o s&#xE3;o reflexo de uma rela&#xE7;&#xE3;o simples entre o produto e a pessoa exposta. S&#xE3;o v&#xE1;rios os fatores que participam de sua determina&#xE7;&#xE3;o, dentre eles os fatores relativos &#xE0;s caracter&#xED;sticas qu&#xED;micas e toxicol&#xF3;gicas do produto (forma de apresenta&#xE7;&#xE3;o, estabilidade, solubilidade, presen&#xE7;a de contaminantes, presen&#xE7;a de solventes); fatores relativos ao indiv&#xED;duo exposto (idade, sexo, peso, estado nutricional, escolaridade, conhecimento sobre os efeitos a medidas de seguran&#xE7;a, etc.); &#xE0;s condi&#xE7;&#xF5;es de exposi&#xE7;&#xE3;o ou condi&#xE7;&#xF5;es gerais do trabalho (frequ&#xEA;ncia, dose, formas de exposi&#xE7;&#xE3;o) (FAO, 2003; PERES, 2003).
  • 33. 33 Quadro 3: Efeitos dos agrot&#xF3;xicos na sa&#xFA;de humana segundo a classifica&#xE7;&#xE3;o de Peres e Moreira (2003) Classe/a&#xE7;&#xE3;o Grupo qu&#xED;mico Sintomas de intoxica&#xE7;&#xE3;o aguda Sintomas de intoxica&#xE7;&#xE3;o cr&#xF4;nica Organofosforados e Carbamatos Fraqueza, c&#xF3;licas abdominais, v&#xF4;mitos, espasmos musculares, convuls&#xF5;es Efeitos neurot&#xF3;xicos retardados, altera&#xE7;&#xF5;es cromossomiais, dermatites de contato Organoclorados N&#xE1;useas, v&#xF4;mitos, contra&#xE7;&#xF5;es musculares involunt&#xE1;rias Les&#xF5;es hep&#xE1;ticas, arritmias card&#xED;acas, les&#xF5;es renais, neuropatias perif&#xE9;ricas Inseticidas Piretr&#xF3;ides Sint&#xE9;ticos Irrita&#xE7;&#xF5;es das conjuntivas, espirros, excita&#xE7;&#xE3;o, convuls&#xF5;es Alergias, asma br&#xF4;nquica, irrita&#xE7;&#xF5;es nas mucosas, hipersensibilidade Ditiocarbamatos Tonteiras, v&#xF4;mitos, tremores musculares, dor de cabe&#xE7;a Alergias respirat&#xF3;rias, dermatites, Mal de Parkinson, c&#xE2;ncer Fungicidas Fentalamidas &#x2013; Teratog&#xEA;neses Dinitrofen&#xF3;is e Pentaclorofenol Dificuldade respirat&#xF3;ria, hipertermia, convuls&#xF5;es C&#xE2;nceres, cloroacnes Fenoxiac&#xE9;ticos Perda do apetite, enj&#xF4;o, v&#xF4;mitos, fascicula&#xE7;&#xE3;o muscular Indu&#xE7;&#xE3;o da produ&#xE7;&#xE3;o de enzimas hep&#xE1;ticas, c&#xE2;nceres, teratog&#xEA;nese Glicina substitu&#xED;da Irrita&#xE7;&#xE3;o nos olhos e pele, dor de cabe&#xE7;a, n&#xE1;useas, entorpecimento, eleva&#xE7;&#xE3;o da press&#xE3;o arterial, palpita&#xE7;&#xF5;es e alergias. Les&#xF5;es em gl&#xE2;ndulas salivares, inflama&#xE7;&#xF5;es nas mucosas do est&#xF4;mago, danos gen&#xE9;ticos (em c&#xE9;lulas sangu&#xED;neas do corpo humano), e outros. Herbicidas Dipiridilos Sangramento nasal, fraqueza, desmaios, conjuntivites Les&#xF5;es hep&#xE1;ticas, dermatites de contato, fibrose pulmonar Fonte: Adaptado de Peres e Moreira (2003) e Guterres (2003) Os efeitos dos agrot&#xF3;xicos sobre a sa&#xFA;de humana ocorrem, sobretudo, pela contamina&#xE7;&#xE3;o de trabalhadores que lidam diretamente com o manuseio do produto e sua aplica&#xE7;&#xE3;o. Segundo Soares et al. (2003) os trabalhadores rurais, respons&#xE1;veis pela aplica&#xE7;&#xE3;o do produto s&#xE3;o mais atingidos pela contamina&#xE7;&#xE3;o do que os consumidores de alimentos. Al&#xE9;m de estar diretamente e quase que diariamente exposto aos riscos associados a este processo, os efeitos de uma poss&#xED;vel intoxica&#xE7;&#xE3;o podem ser agravados em pequenas comunidades rurais, pelas
  • 34. 34 prec&#xE1;rias condi&#xE7;&#xF5;es sanit&#xE1;rias, defici&#xEA;ncia no sistema de sa&#xFA;de local e falta de infraestrutura da maioria da popula&#xE7;&#xE3;o local, normalmente, de baixas condi&#xE7;&#xF5;es socioecon&#xF4;micas. Em 2005, a Organiza&#xE7;&#xE3;o Internacional do Trabalho &#x2013; OIT e a OMS estimaram em 7 milh&#xF5;es os casos agudos e de longo termo e 70 mil os &#xF3;bitos provocados por agrot&#xF3;xicos anualmente no mundo, sobretudo nos pa&#xED;ses em desenvolvimento (OIT/OMS, 2005). Os dados sobre intoxica&#xE7;&#xF5;es no Brasil, ainda n&#xE3;o refletem a realidade. Na pr&#xE1;tica, s&#xF3; se registram os casos agudos e mais graves. Mesmo para os casos agudos, o sub-registro &#xE9; muito grande e os casos cr&#xF4;nicos n&#xE3;o s&#xE3;o captados por nenhum dos sistemas de informa&#xE7;&#xE3;o. Existem v&#xE1;rios sistemas oficiais que registram intoxica&#xE7;&#xF5;es por agrot&#xF3;xicos, mas nenhum deles responde adequadamente como instrumento de vigil&#xE2;ncia deste tipo de agravo. Os principais sistemas de registros de intoxica&#xE7;&#xF5;es por agrot&#xF3;xicos s&#xE3;o o Sinitox, a CAT, o Sinan e, para dados de mortalidade, o SIM (FARIA et al.; 2007). O Sinan &#xE9; alimentado pela notifica&#xE7;&#xE3;o e investiga&#xE7;&#xE3;o de casos de doen&#xE7;as e agravos que constam da lista nacional de doen&#xE7;as de notifica&#xE7;&#xE3;o compuls&#xF3;ria, registrados na rede de servi&#xE7;os do SUS. O Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de, considerando a disponibilidade de informa&#xE7;&#xE3;o sobre a situa&#xE7;&#xE3;o de produ&#xE7;&#xE3;o, perfil de doen&#xE7;as e agravos relacionados ao trabalho publicou a Portaria GM n&#xBA; 777/2004, que definiu as intoxica&#xE7;&#xF5;es ex&#xF3;genas (incluindo agrot&#xF3;xicos) como sendo um agravo &#xE0; sa&#xFA;de do trabalhador de notifica&#xE7;&#xE3;o compuls&#xF3;ria, em rede de servi&#xE7;os sentinela espec&#xED;fica (ligados &#xE0; RENAST). O Sistema Nacional de Informa&#xE7;&#xF5;es T&#xF3;xico- Farmacol&#xF3;gicas - Sinitox, criado em 1980 e vinculado &#xE0; Funda&#xE7;&#xE3;o Oswaldo Cruz - FIOCRUZ &#xE9; respons&#xE1;vel pela coleta, compila&#xE7;&#xE3;o, an&#xE1;lise e divulga&#xE7;&#xE3;o dos casos de intoxica&#xE7;&#xE3;o e envenenamento registrados pela Rede Nacional de Centros de Informa&#xE7;&#xE3;o e Assist&#xEA;ncia Toxicol&#xF3;gica &#x2013; RENACIAT. No Sinitox s&#xE3;o registrados casos de intoxica&#xE7;&#xE3;o e envenenamento considerando diversos agentes t&#xF3;xicos, inclusive agrot&#xF3;xicos de uso agr&#xED;cola e uso dom&#xE9;stico, produtos veterin&#xE1;rios e raticidas.
  • 35. 35 De acordo com o Sinitox no ano de 2007, foram registrados 14.711 casos de intoxica&#xE7;&#xE3;o por agrot&#xF3;xicos, destes 11,9% (1.758 casos) eram de origem ocupacional. No Nordeste foram registrados 1.863 casos (12,7%) e apenas 27 foram notificados no Piau&#xED; (BRASIL, 2009). Os dados do Sinan mostram que em 2008, no Brasil, foram feitas 5.295 notifica&#xE7;&#xF5;es de intoxica&#xE7;&#xE3;o por agrot&#xF3;xico, destas, apenas 1.137 foram registradas como decorrentes do trabalho. Neste sistema, dos 1.051 casos notificados no Nordeste, foram 24 no Piau&#xED; (BRASIL, 2009). A notifica&#xE7;&#xE3;o compuls&#xF3;ria das intoxica&#xE7;&#xF5;es relacionadas ao trabalho e as a&#xE7;&#xF5;es de vigil&#xE2;ncia &#xE0; sa&#xFA;de, desenvolvidas pela RENAST, podem contribuir para aumentar o n&#xFA;mero de notifica&#xE7;&#xF5;es nos sistemas existentes. Os n&#xFA;meros podem ser muito maiores, porque os casos registrados s&#xE3;o geralmente de intoxica&#xE7;&#xE3;o aguda, onde os sintomas s&#xE3;o imediatos. Segundo Faria et al. (2007) h&#xE1; necessidade de se buscar uma integra&#xE7;&#xE3;o dos bancos de dados dos v&#xE1;rios sistemas, visando melhorar a vigil&#xE2;ncia e subsidiar as a&#xE7;&#xF5;es de prote&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s popula&#xE7;&#xF5;es expostas aos agrot&#xF3;xicos. 1.5 Mecanismo de A&#xE7;&#xE3;o dos Agrot&#xF3;xicos A exposi&#xE7;&#xE3;o humana aos agroqu&#xED;micos, pela exposi&#xE7;&#xE3;o ambiental ou ocupacional, raramente se limita a um &#xFA;nico princ&#xED;pio ativo, assim tamb&#xE9;m a popula&#xE7;&#xE3;o trabalhadora rural dificilmente se exp&#xF5;e a um &#xFA;nico tipo de agrot&#xF3;xico, tornando-se um desafio, nas pr&#xF3;ximas d&#xE9;cadas, a avalia&#xE7;&#xE3;o de indiv&#xED;duos com m&#xFA;ltiplas exposi&#xE7;&#xF5;es por muitos anos (TRAP&#xC9;, 2005). Embora os herbicidas sejam os agrot&#xF3;xicos mais utilizados, em geral a toxicidade deste grupo de subst&#xE2;ncias &#xE9; inferior &#xE0; dos inseticidas (WHO, 1990). Os inseticidas s&#xE3;o compostos quimicamente diferenciados, que podem ser agrupados em quatro categorias principais: os organoclorados, os piretr&#xF3;ides, os organofosforados e os carbamatos (OPAS/OMS, 1997).
  • 36. 36 A a&#xE7;&#xE3;o dos inseticidas organofosforados e carbamatos, se d&#xE1; pela inibi&#xE7;&#xE3;o de enzimas colinesterases, especialmente a acetilcolinesterase (AChE), levando a um ac&#xFA;mulo de acetilcolina nas sinapses nervosas, desencadeando uma s&#xE9;rie de efeitos nicot&#xED;nicos, muscar&#xED;nicos e do sistema nervoso central (Figura 1). Diferentemente dos organofosforados, os carbamatos s&#xE3;o inibidores revers&#xED;veis das colinesterases, por&#xE9;m as intoxica&#xE7;&#xF5;es podem ser igualmente graves. Ambos atuam no sistema nervoso central, nos gl&#xF3;bulos vermelhos, no plasma e em outros &#xF3;rg&#xE3;os. N&#xE3;o se acumulam no organismo, mas &#xE9; poss&#xED;vel ocorrer o ac&#xFA;mulo de efeitos. Efeitos neurot&#xF3;xicos retardados podem ocorrer com certos organofosforados (SILVA, et al.; 2005). Os organofosforados e os carbamatos s&#xE3;o capazes de ultrapassar as barreiras hematoencef&#xE1;lica e placent&#xE1;ria (ECOBICHON, 1996). Figura 1: Mecanismo de A&#xE7;&#xE3;o dos Agrot&#xF3;xicos Fonte: PAVAN, L. Dispon&#xED;vel em: www.fag.edu.br/.../MODO%20A&#xC7;&#xC3;O%20INSETICIDAS%201%20PDF.pdf. Acesso em: 22.06.2011 Os inseticidas piretr&#xF3;ides atuam mantendo abertos os canais de s&#xF3;dio das membranas dos neur&#xF4;nios. Afetam o sistema nervoso perif&#xE9;rico e central do inseto:
  • 37. 37 estimulam as c&#xE9;lulas nervosas a produzir descargas repetitivas e, eventualmente, causam paralisia (BRAGA; VALLE, 2007). A toxicidade dos piretr&#xF3;ides para os mam&#xED;feros, de um modo geral, &#xE9; baixa, aparentemente devido a sua r&#xE1;pida biotransfoma&#xE7;&#xE3;o pelas esterases e enzimas microssomais hep&#xE1;ticas. A toxicidade dos produtos que cont&#xE9;m piretr&#xF3;ides &#xE9; devido a outros ingredientes contidos na prepara&#xE7;&#xE3;o, usualmente solventes, derivados de petr&#xF3;leo. S&#xE3;o bem absorvidos pelo trato gastrointestinal e muito pouco absorvidos pela pele intacta, podendo, ainda, ser absorvidos por via inalat&#xF3;ria. Uma vez absorvidos, s&#xE3;o rapidamente metabolizados no f&#xED;gado atrav&#xE9;s de rea&#xE7;&#xF5;es de oxida&#xE7;&#xE3;o e hidr&#xF3;lise de &#xE9;steres. Seus metab&#xF3;litos s&#xE3;o excretados, lentamente, atrav&#xE9;s da bile e da urina, podendo permanecer detect&#xE1;vel nos tecidos corporais por at&#xE9; tr&#xEA;s semanas ap&#xF3;s a ingest&#xE3;o (CALDAS; SOUZA, 2000). Os inseticidas pertencentes &#xE0; classe dos neonicotin&#xF3;ides s&#xE3;o compostos que tiveram origem na mol&#xE9;cula de nicotina, recentemente registrado no Brasil para o controle de pragas em v&#xE1;rias culturas, pouco t&#xF3;xico, contudo perigoso para o ambiente. Entretanto, quando em contato constante, mesmo em pequenas doses, esse inseticida tem grande potencial carcinog&#xEA;nico (OLIVEIRA et al.; 2009). A toxicidade deve-se a uma a&#xE7;&#xE3;o de agonismo e afinidade de liga&#xE7;&#xE3;o entre os neonicotin&#xF3;ides e os receptores da acetilcolina dos vertebrados, sendo o c&#xE9;rebro o primeiro alvo. Os neonicotin&#xF3;ides (imidacloprid, thiamethoxam, etc) mimetizam a a&#xE7;&#xE3;o da acetilcolina e n&#xE3;o s&#xE3;o degradados pela acetilcolinesterase. Assim, eles se encaixam no receptor da acetilcolina na membrana das c&#xE9;lulas p&#xF3;s-sin&#xE1;pticas, abrindo canais de Na+, com conseq&#xFC;ente hiperatividade nervosa, seguido de colapso do sistema nervoso (Figura 1). Os mecanismos envolvidos na transmiss&#xE3;o de impulsos nervosos em insetos s&#xE3;o muito semelhantes &#xE0;queles operantes em mam&#xED;feros, aves e peixes. Por isso, muitos inseticidas neurot&#xF3;xicos s&#xE3;o t&#xF3;xicos tamb&#xE9;m a esses organismos n&#xE3;o-alvo, incluindo os seres humanos (CARVALHO, 2010). Os agrot&#xF3;xicos da classe herbicida s&#xE3;o utilizados para alterar diferentes processos bioqu&#xED;micos vitais em plantas, como a bioss&#xED;ntese de amino&#xE1;cidos arom&#xE1;ticos, prote&#xED;nas e &#xE1;cidos nucl&#xE9;icos (GLASS, 1984). Os herbicidas contendo glifosato como base s&#xE3;o os mais amplamente utilizados no mundo. O glifosato &#xE9; um
  • 38. 38 herbicida n&#xE3;o seletivo que inibe o crescimento da planta atrav&#xE9;s da interfer&#xEA;ncia com a produ&#xE7;&#xE3;o de amino&#xE1;cidos arom&#xE1;ticos essenciais pela inibi&#xE7;&#xE3;o da enzima 5- enolpiruvato-shikimato-3-fosfato sintase (EPSPS), a qual &#xE9; respons&#xE1;vel pela bioss&#xED;ntese de chorismato, um intermedi&#xE1;rio na bioss&#xED;ntese de fenilalanina, tirosina e triptofan. Esta via para a bioss&#xED;ntese de amino&#xE1;cidos arom&#xE1;ticos n&#xE3;o &#xE9; expressa por nenhum membro do reino animal, tornando esse mecanismo de a&#xE7;&#xE3;o exclusivo &#xE0;s plantas (ROMANO et al.; 2008). Isso n&#xE3;o significa que n&#xE3;o haja interfer&#xEA;ncia cr&#xF4;nica do glifosato sobre o metabolismo animal e, &#xE9; preciso considerar, que na formula&#xE7;&#xE3;o do Roundup constam outros produtos que, em conson&#xE2;ncia com o glifosato e outras subst&#xE2;ncias no solo, meio ambiente e organismos vivos, acabam tendo diferentes efeitos colaterais. O composto &#xE9; absorvido por via oral e d&#xE9;rmica, sendo excretado principalmente na urina. A excre&#xE7;&#xE3;o biliar, no entanto, &#xE9; limitada e a elimina&#xE7;&#xE3;o atrav&#xE9;s de ar expirado &#xE9; muito baixa. Ele &#xE9; metabolizado em &#xE1;cido aminometil fosf&#xF4;nico &#x2013; AMPA que &#xE9; mais nocivo que o pr&#xF3;prio glifosato (AMARANTE JUNIOR et al.; 2002). Para aumentar a efic&#xE1;cia do herbicida e facilitar sua penetra&#xE7;&#xE3;o nos tecidos vegetais, a maioria das suas formula&#xE7;&#xF5;es comerciais possui uma subst&#xE2;ncia qu&#xED;mica surfatante (um composto qu&#xED;mico que reduz a tens&#xE3;o superficial do l&#xED;quido), o polioxietilenoamina (POEA), produto mais t&#xF3;xico que o glifosato e a combina&#xE7;&#xE3;o dos dois, mais t&#xF3;xica ainda. O surfatante presente no Roundup est&#xE1; contaminado com o 1-4 dioxano, um agente causador de c&#xE2;ncer em animais e potencialmente causador de danos ao f&#xED;gado e aos rins de seres humanos. Em decorr&#xEA;ncia da decomposi&#xE7;&#xE3;o do glifosato registra-se uma subst&#xE2;ncia potencialmente cancer&#xED;gena conhecida, o formalde&#xED;do (ANDRIOLI, 2005). Segundo esse autor, o herbicida pode continuar presente em alimentos num per&#xED;odo de at&#xE9; dois anos ap&#xF3;s o contato com o produto e em solos por mais de tr&#xEA;s anos, dependendo do tipo de solo e clima. Como o produto possui uma alta solubilidade em &#xE1;gua, sua degrada&#xE7;&#xE3;o inicial &#xE9; r&#xE1;pida, seguida, por&#xE9;m, de uma degrada&#xE7;&#xE3;o lenta. Suas mol&#xE9;culas foram encontradas tanto em &#xE1;guas superficiais como subterr&#xE2;neas. A acumula&#xE7;&#xE3;o pode ocorrer atrav&#xE9;s do contato das plantas com o herbicida (folhas, frutos) e seus efeitos mutantes podem ocorrer tanto em plantas como nos organismos dos consumidores.
  • 39. 39 As plantas podem absorver o produto do solo, movendo-o e concentrando-o para partes utilizadas como alimento (ANDRIOLI, 2005). 1.6 Toxicidade dos Agrot&#xF3;xicos Do ponto de vista toxicol&#xF3;gico, os agrot&#xF3;xicos s&#xE3;o classificados numa escala que varia de I a IV, sendo que os de classe toxicol&#xF3;gica I encontram-se aquelas comprovadamente carcinog&#xEA;nicas e mutag&#xEA;nicas (Quadro 4). Quadro 4: Classe toxicol&#xF3;gica e cor da faixa no r&#xF3;tulo de produto agrot&#xF3;xico CLASSE TOXICIDADE COR DA FAIXA Classe I Extremamente t&#xF3;xicos Faixa Vermelha Classe II Altamente t&#xF3;xicos Faixa Amarela Classe III Medianamente t&#xF3;xicos Faixa Azul Classe IV Pouco ou muito pouco t&#xF3;xicos Faixa Verde Fonte: OPAS/OMS (1997). A classifica&#xE7;&#xE3;o da toxicidade dos agrot&#xF3;xicos (Quadro 5) permite a distin&#xE7;&#xE3;o do potencial de risco, que &#xE9; baseada na dose letal 50 (DL50) que &#xE9; um valor estat&#xED;stico que determina a quantidade de veneno em mg/kg de peso corporal necess&#xE1;ria para matar 50% da amostra populacional em estudo por intoxica&#xE7;&#xF5;es agudas. Os valores s&#xE3;o determinados em cobaias e extrapolados para humanos a partir do peso (OPAS/OMS, 1997).
  • 40. 40 Quadro 5: Classifica&#xE7;&#xE3;o toxicol&#xF3;gica dos agrot&#xF3;xicos segundo a DL50 DL50 para ratos (mg/Kg de peso vivo) Oral D&#xE9;rmicaCLASSE S&#xF3;lidos L&#xED;quidos S&#xF3;lidos L&#xED;quidos I &#x2013; Extremamente t&#xF3;xico 5 ou menos 20 ou menos 10 ou menos 40 ou menos II &#x2013; Altamente t&#xF3;xico 5 &#x2013; 50 20 - 200 10 - 100 40 &#x2013; 400 III &#x2013; Medianamente t&#xF3;xico 50 - 500 200 - 2000 100 - 1000 400 &#x2013; 4000 IV &#x2013; Pouco t&#xF3;xico Acima de 500 Acima de 2000 Acima de 1000 Acima de 4000 Fonte: TRAP&#xC9; (1993) A toxicidade de uma subst&#xE2;ncia pode ser influenciada por fatores presentes nos ambientes de trabalho, ou inerentes ao pr&#xF3;prio indiv&#xED;duo exposto. Entre os fatores ambientais est&#xE3;o, a temperatura e a umidade, por exemplo, que podem interferir em determinadas propriedades f&#xED;sico-qu&#xED;micas da subst&#xE2;ncia, como solubilidade, estabilidade, press&#xE3;o de vapor e reatividade qu&#xED;mica. A temperatura pode afetar a absor&#xE7;&#xE3;o, a distribui&#xE7;&#xE3;o e o modo de a&#xE7;&#xE3;o da subst&#xE2;ncia. Por exemplo, h&#xE1; indica&#xE7;&#xF5;es de que a absor&#xE7;&#xE3;o do &#x201C;paration&#x201D; (organofosforado) a partir da pele humana &#xE9; mais r&#xE1;pida em ambientes mais quentes e que o aumento da temperatura ambiente torna piores os efeitos t&#xF3;xicos dos agrot&#xF3;xicos (WHO, 1990; HAYES; LAWS, 1991). Entre os fatores biol&#xF3;gicos relacionados ao pr&#xF3;prio indiv&#xED;duo podemos citar a idade, o sexo, o peso, caracter&#xED;sticas gen&#xE9;ticas, estado de sa&#xFA;de e de nutri&#xE7;&#xE3;o e as condi&#xE7;&#xF5;es metab&#xF3;licas (esfor&#xE7;o f&#xED;sico). Defici&#xEA;ncias nutricionais como as prot&#xE9;icas, por exemplo, potencializam os efeitos t&#xF3;xicos de v&#xE1;rios agrot&#xF3;xicos e a desidrata&#xE7;&#xE3;o pode aumentar a susceptibilidade &#xE0; intoxica&#xE7;&#xE3;o por inibidores de colinesterases (FERN&#xCD;COLA, 1985; WHO, 1990; HAYES, 1991). 1.6.1Genotoxicidade Genotoxicidade &#xE9; a capacidade que algumas subst&#xE2;ncias t&#xEA;m de induzir altera&#xE7;&#xF5;es no material gen&#xE9;tico de organismos a ela expostos, e essas altera&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o respons&#xE1;veis pelo surgimento de c&#xE2;nceres e doen&#xE7;as heredit&#xE1;rias. Os
  • 41. 41 diferentes testes genot&#xF3;xicos detectam muta&#xE7;&#xF5;es g&#xEA;nicas e cromoss&#xF4;micas, dentre eles o teste micron&#xFA;cleo e cometa, que vem sendo utilizado no monitoramento biol&#xF3;gico de popula&#xE7;&#xF5;es humanas expostas a agentes mutag&#xEA;nicos e carcinog&#xEA;nicos (KOHATSU et al.; 2007). O dano citogen&#xE9;tico induzido pelos agrot&#xF3;xicos ocorre dependendo do grau de exposi&#xE7;&#xE3;o, da quantidade, da natureza qu&#xED;mica e das poss&#xED;veis combina&#xE7;&#xF5;es entre os pesticidas utilizados, al&#xE9;m das caracter&#xED;sticas e condi&#xE7;&#xF5;es do ambiente. Sabe-se que em humanos, um baixo grau de exposi&#xE7;&#xE3;o est&#xE1; associado a resultados negativos para danos citogen&#xE9;ticos e, em contraste, resultados positivos s&#xE3;o relacionados a popula&#xE7;&#xF5;es com altos n&#xED;veis de exposi&#xE7;&#xE3;o. &#xC9; importante ressaltar que a exposi&#xE7;&#xE3;o cr&#xF4;nica em baixas doses &#xE9; cumulativa e tamb&#xE9;m pode induzir tais danos (BOLOGNESI, 2003). Os agrot&#xF3;xicos podem possuir em sua composi&#xE7;&#xE3;o mol&#xE9;culas com poder oxidante que podem vir a formar radicais livres nos sistemas biol&#xF3;gicos (LUZ et al.; 2003). Os radicais livres s&#xE3;o mol&#xE9;culas altamente inst&#xE1;veis, que reagem com as estruturas celulares modificando a estrutura de lip&#xED;dios e prote&#xED;nas de membrana, alterando a permeabilidade da c&#xE9;lula (ANDRADE Jr. et al.; 2005). Essas altera&#xE7;&#xF5;es podem atingir a dupla fita do &#xE1;cido desoxirribonucl&#xE9;ico, acarretando no desenvolvimento de danos no DNA, que podem desencadear doen&#xE7;as graves, at&#xE9; a carcinog&#xEA;nese (FERREIRA, 1997). Al&#xE9;m disso, v&#xE1;rios agrot&#xF3;xicos foram submetidos a testes e revelaram-se potencialmente genot&#xF3;xicos (BOLOGNESI, 2003). Os agentes genot&#xF3;xicos interagem quimicamente com o material gen&#xE9;tico, formando adutos, altera&#xE7;&#xE3;o oxidativa ou mesmo quebras na mol&#xE9;cula de DNA. O dano, na maioria dos casos, &#xE9; reparado pelo pr&#xF3;prio organismo ou a c&#xE9;lula &#xE9; eliminada. Caso essa les&#xE3;o seja fixada, provocando altera&#xE7;&#xF5;es heredit&#xE1;rias (muta&#xE7;&#xF5;es), que podem se perpetuar nas c&#xE9;lulas filhas durante o processo de replica&#xE7;&#xE3;o, o agente &#xE9; denominado mutag&#xEA;nico (OBE et al.; 2004). A maioria das muta&#xE7;&#xF5;es &#xE9; induzida por agentes f&#xED;sicos, qu&#xED;micos ou biol&#xF3;gicos, aos quais os seres humanos e outros organismos podem ser expostos, embora ocorram muta&#xE7;&#xF5;es espont&#xE2;neas (CALVIELLO et al.; 2006).
  • 42. 42 A muta&#xE7;&#xE3;o no DNA &#xE9; a altera&#xE7;&#xE3;o genu&#xED;na do processo e que pode ser induzida externa ou internamente ao organismo. Os indutores externos s&#xE3;o carcin&#xF3;genos qu&#xED;micos (solventes arom&#xE1;ticos; clorados; agrot&#xF3;xicos), f&#xED;sicos (radia&#xE7;&#xF5;es ionizantes e n&#xE3;o ionizantes; campos eletromagn&#xE9;ticos) e biol&#xF3;gicos (v&#xED;rus, microorganismos). Os indutores internos podem ser entre outros, hormonais, imunol&#xF3;gicos e enzim&#xE1;ticos que promovem muta&#xE7;&#xF5;es gen&#xE9;ticas na estrutura do DNA. De modo geral, esses condicionantes est&#xE3;o presentes de forma interativa na promo&#xE7;&#xE3;o do processo de carcinog&#xEA;nese (RIBEIRO et al.; 2003). Na d&#xE9;cada de 80, o aumento da incid&#xEA;ncia de c&#xE2;ncer entre os trabalhadores rurais e os trabalhadores das campanhas sanit&#xE1;rias, levou a um estudo mais detalhado sobre a intera&#xE7;&#xE3;o dos agrot&#xF3;xicos com o organismo humano no surgimento de tumores, entre outras disfun&#xE7;&#xF5;es de base celular (PERES; MOREIRA, 2003). Os dados mais recentes levantados pela Organiza&#xE7;&#xE3;o Mundial da Sa&#xFA;de (OMS) indicam que o c&#xE2;ncer ser&#xE1; a primeira causa de mortalidade no mundo nas pr&#xF3;ximas d&#xE9;cadas. O c&#xE2;ncer possui um forte impacto na sociedade, debilitando indiv&#xED;duos produtivos, tanto no &#xE2;mbito social e no econ&#xF4;mico, al&#xE9;m de constituir s&#xE9;rio problema de sa&#xFA;de p&#xFA;blica (ALMEIDA et al.; 2005). V&#xE1;rios estudos epidemiol&#xF3;gicos relatam que, em sua maioria, os c&#xE2;nceres s&#xE3;o originados pela exposi&#xE7;&#xE3;o cont&#xED;nua a agentes mutag&#xEA;nicos e carcinog&#xEA;nicos, sendo que a susceptibilidade individual pode depender da predisposi&#xE7;&#xE3;o gen&#xE9;tica, de diferen&#xE7;as no h&#xE1;bito nutricional e no estilo de vida (ROBERTS, 1997). Contudo, todo e qualquer c&#xE2;ncer pode ser considerado uma doen&#xE7;a gen&#xE9;tica, que ocorre por um ac&#xFA;mulo de muta&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o esperadas por recombina&#xE7;&#xE3;o mendeliana, em virtude, principalmente, de exposi&#xE7;&#xE3;o a agentes genot&#xF3;xicos do meio ambiente (VOGELSTEIN; KINZLER, 1998). O c&#xE2;ncer caracteriza-se por ser de origem multifatorial, e os mecanismos que interferem na carcinog&#xEA;nese s&#xE3;o muitos. Dentre estes fatores, a exposi&#xE7;&#xE3;o aos agrot&#xF3;xicos pode ser considerada como uma das condi&#xE7;&#xF5;es potencialmente associadas ao desenvolvimento do c&#xE2;ncer, por sua poss&#xED;vel atua&#xE7;&#xE3;o como iniciadores - subst&#xE2;ncias capazes de alterar o DNA de uma c&#xE9;lula, podendo
  • 43. 43 futuramente originar o tumor &#x2013; e/ou como promotores tumorais &#x2013; subst&#xE2;ncias que estimulam a c&#xE9;lula alterada a se dividir de forma desorganizada (KOIFMAN; HATAGIMA, 2003). Os fatores de risco de c&#xE2;ncer podem ser encontrados no meio ambiente ou podem ser heredit&#xE1;rios. A maioria dos casos (cerca de 80%) est&#xE1; relacionada ao meio ambiente, onde encontramos um grande n&#xFA;mero de fatores de risco. Entendendo-se por ambiente, o meio em geral (&#xE1;gua, terra e ar), o ambiente ocupacional (quando insalubre), o ambiente social e cultural (estilo e h&#xE1;bitos de vida) e o ambiente de consumo (alimentos, medicamentos). As mudan&#xE7;as provocadas no meio ambiente pelo pr&#xF3;prio homem, os h&#xE1;bitos e estilos de vida adotados pelas pessoas podem determinar os diferentes tipos de c&#xE2;ncer (INCA, 2006). A Ag&#xEA;ncia Internacional de Investiga&#xE7;&#xE3;o de C&#xE2;ncer (IARC) revisou o potencial carcinog&#xEA;nico de uma grande variedade de inseticidas, fungicidas, herbicidas e outros compostos semelhantes. Segundo a ag&#xEA;ncia, o uso desses produtos qu&#xED;micos sem prote&#xE7;&#xE3;o necess&#xE1;ria pode levar a altera&#xE7;&#xE3;o no material gen&#xE9;tico e ao poss&#xED;vel desenvolvimento de alguns tipos de tumores. A exposi&#xE7;&#xE3;o ocupacional a agrot&#xF3;xicos tem sido associada com v&#xE1;rias doen&#xE7;as neopl&#xE1;sicas (IARC, 2002). Atualmente, com a moderniza&#xE7;&#xE3;o da agricultura a popula&#xE7;&#xE3;o humana vem sendo exposta aos res&#xED;duos de agrot&#xF3;xicos em alimentos, entretanto, os agricultores que usam agrot&#xF3;xicos est&#xE3;o com riscos aumentados para instabilidade gen&#xE9;tica, devido aos poss&#xED;veis danos ao DNA e seus efeitos na sa&#xFA;de (GROVER et al.; 2003). Aproximadamente 20% de todos os agrot&#xF3;xicos conhecidos s&#xE3;o suspeitos de serem carcinog&#xEA;nicos. Al&#xE9;m desses efeitos adversos, os agrot&#xF3;xicos podem afetar tamb&#xE9;m o sistema imunol&#xF3;gico, ou ainda apresentar atividade teratog&#xEA;nica e mutag&#xEA;nica (ECOBICHON, 1996). Considerando que os trabalhadores agr&#xED;colas est&#xE3;o em constante exposi&#xE7;&#xE3;o aos agentes agrot&#xF3;xicos a monitoriza&#xE7;&#xE3;o biol&#xF3;gica destes indiv&#xED;duos torna-se necess&#xE1;ria como forma de preven&#xE7;&#xE3;o de doen&#xE7;as, inclusive o c&#xE2;ncer.
  • 44. 44 1.7 Agrot&#xF3;xicos e risco ocupacional A sa&#xFA;de dos trabalhadores &#xE9; condicionada por fatores sociais, econ&#xF4;micos, tecnol&#xF3;gicos e organizacionais relacionados ao perfil de produ&#xE7;&#xE3;o e consumo, al&#xE9;m de fatores de risco, presentes nos processos de trabalho (BRASIL, 2004). Risco, ou fator de risco pode ser definido como &#x201C;uma condi&#xE7;&#xE3;o ou conjunto de circunst&#xE2;ncias que tem o potencial de causar um efeito adverso, que pode ser: morte, les&#xF5;es, doen&#xE7;as ou danos &#xE0; sa&#xFA;de, &#xE0; propriedade ou ao meio ambiente&#x201D; (BRASIL, 2001). De acordo com legisla&#xE7;&#xE3;o do Minist&#xE9;rio do Trabalho e Emprego-MTE, os riscos podem ser assim classificados: biol&#xF3;gicos (v&#xED;rus, bact&#xE9;rias, protozo&#xE1;rios, fungos, parasitas e bacilos), riscos ergon&#xF4;micos e de acidentes (esfor&#xE7;o f&#xED;sico intenso, levantamento e transporte manual de peso, exig&#xEA;ncia de postura inadequada, controle r&#xED;gido de produtividade, imposi&#xE7;&#xE3;o de ritmos excessivos, trabalho em turno e noturno, jornadas de trabalho prolongadas, monotonia e repetitividade, arranjo f&#xED;sico inadequado, m&#xE1;quinas e equipamentos sem prote&#xE7;&#xE3;o, ferramentas inadequadas ou defeituosas, probabilidade de inc&#xEA;ndio ou explos&#xE3;o, entre outras situa&#xE7;&#xF5;es causadoras de estresse f&#xED;sico e/ou ps&#xED;quico ou acidentes), riscos f&#xED;sicos (ru&#xED;dos, vibra&#xE7;&#xF5;es, radia&#xE7;&#xF5;es ionizantes, radia&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o ionizantes, frio, press&#xF5;es anormais, umidade e calor) riscos qu&#xED;micos (poeiras, fumos, n&#xE9;voas, neblinas, gases, vapores e subst&#xE2;ncias compostas ou produtos qu&#xED;micos em geral) (BRASIL, 1994). O perfil de morbimortalidade dos trabalhadores no Brasil caracteriza-se pela coexist&#xEA;ncia de agravos que t&#xEA;m rela&#xE7;&#xE3;o com condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho espec&#xED;ficas, como os acidentes de trabalho t&#xED;picos e as &#x201C;doen&#xE7;as profissionais&#x201D;; doen&#xE7;as que t&#xEA;m sua frequ&#xEA;ncia, surgimento ou gravidade modificadas pelo trabalho, denominadas &#x201C;doen&#xE7;as relacionadas ao trabalho&#x201D; e doen&#xE7;as comuns ao conjunto da popula&#xE7;&#xE3;o, que n&#xE3;o guardam rela&#xE7;&#xE3;o de causa com o trabalho, mas que tamb&#xE9;m impactam a sa&#xFA;de dos trabalhadores (BRASIL, 2004). S&#xE3;o considerados, como popula&#xE7;&#xE3;o de risco para a exposi&#xE7;&#xE3;o a agrot&#xF3;xicos, os trabalhadores dos setores produtivos: agropecu&#xE1;rio, empresas desinsetizadoras, sa&#xFA;de p&#xFA;blica
  • 45. 45 (trabalhadores que atuam no controle de endemias e nas zoonoses), da capina qu&#xED;mica, transporte, comercializa&#xE7;&#xE3;o e produ&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xico (OPAS/OMS, 1997). Atualmente, vivem no meio rural, cerca de 30 milh&#xF5;es de brasileiros. Esse n&#xFA;mero corresponde a pouco mais de 16% de toda a popula&#xE7;&#xE3;o do Pa&#xED;s, vivendo em condi&#xE7;&#xF5;es prec&#xE1;rias de moradia, de acesso &#xE0; sa&#xFA;de e &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o, com reduzidos n&#xED;veis de renda e de remunera&#xE7;&#xE3;o. A agricultura familiar, al&#xE9;m de responder por 70% dos alimentos produzidos no Brasil, &#xE9; respons&#xE1;vel ainda pela grande maioria das ocupa&#xE7;&#xF5;es &#x2013; tamb&#xE9;m em torno de 70% &#x2013; no meio rural, sendo a principal fonte de sustento para a maior parte das fam&#xED;lias que vivem em ocupa&#xE7;&#xF5;es rurais (IPEA, 2008). Os trabalhadores rurais, que s&#xE3;o respons&#xE1;veis pela aplica&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos s&#xE3;o expostos, de alguma forma, a esses produtos. O risco dessa exposi&#xE7;&#xE3;o &#xE0; sa&#xFA;de depende de fatores como, a toxicidade do produto em humanos, as condi&#xE7;&#xF5;es da exposi&#xE7;&#xE3;o e os n&#xED;veis de exposi&#xE7;&#xE3;o ocupacional. As altera&#xE7;&#xF5;es nas rela&#xE7;&#xF5;es e nos processos de trabalho ocorridas a partir da d&#xE9;cada de 60 repercutiram dramaticamente nas condi&#xE7;&#xF5;es de vida, trabalho e na sa&#xFA;de do trabalhador rural (POSSAS; TRAP&#xC9;, 1983). A maioria dos agricultores reconhece que o uso de agrot&#xF3;xicos pode causar agravos &#xE0; sa&#xFA;de, mas, no entanto, desenvolvem respostas subjetivas, como a nega&#xE7;&#xE3;o ou minimiza&#xE7;&#xE3;o do risco, estrat&#xE9;gias que acabam tendo, por sua vez, um papel importante na determina&#xE7;&#xE3;o da exposi&#xE7;&#xE3;o aos agrot&#xF3;xicos, foi o que revelou um estudo realizado por Peres et al. (2004) em Nova Friburgo-RJ. Reconhece-se, que uma grande parcela da popula&#xE7;&#xE3;o est&#xE1; exposta aos efeitos nocivos dos agrot&#xF3;xicos e a contamina&#xE7;&#xE3;o, muito provavelmente, relaciona- se n&#xE3;o apenas ao grupo ao qual pertence, mas tamb&#xE9;m &#xE0; maneira como, individual ou coletivamente, essas pessoas concebem e se posicionam frente ao risco a que est&#xE3;o expostas. O conhecimento do risco &#xE9; fundamental para o estabelecimento de estrat&#xE9;gias de interven&#xE7;&#xE3;o. De acordo com Oliveira-Silva et. al. (2001), dentre os fatores socioecon&#xF4;micos que contribuem para a contamina&#xE7;&#xE3;o humana por agrot&#xF3;xicos destaca-se, o n&#xED;vel educacional e, segundo Peres (1999), a habilidade
  • 46. 46 de leitura/escrita e renda familiar. Nessa perspectiva faz-se necess&#xE1;rio estudar a situa&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o exposta &#xE0; contamina&#xE7;&#xE3;o por agrot&#xF3;xicos, com o prop&#xF3;sito de entender o cen&#xE1;rio para poss&#xED;vel interven&#xE7;&#xE3;o. S&#xE3;o consideradas expostas a agrot&#xF3;xicos todas as pessoas que entram em contato com esses produtos em fun&#xE7;&#xE3;o de suas atividades laborativas, atrav&#xE9;s do meio ambiente, da utiliza&#xE7;&#xE3;o dom&#xE9;stica ou acidental. Em todas as situa&#xE7;&#xF5;es poder&#xE3;o ser observadas, ou n&#xE3;o, altera&#xE7;&#xF5;es subcl&#xED;nicas, cl&#xED;nicas e laboratoriais compat&#xED;veis com o diagn&#xF3;stico de intoxica&#xE7;&#xE3;o por agrot&#xF3;xicos (BRASIL, 2006). A exposi&#xE7;&#xE3;o ocupacional a v&#xE1;rios tipos de agentes cancer&#xED;genos como fertilizantes, praguicidas, fungicidas, herbicidas e outros produtos qu&#xED;micos t&#xEA;m contribu&#xED;do para que esse seja um dos principais problemas de sa&#xFA;de p&#xFA;blica nos pa&#xED;ses pouco desenvolvidos (LOPES et al.; 1992; PAUMGARTTEN et al.; 1998). Segundo Augusto (2003) os dados dispon&#xED;veis no Brasil n&#xE3;o refletem a realidade do n&#xFA;mero de intoxica&#xE7;&#xF5;es e mortes por agrot&#xF3;xicos, mas, os dados existentes s&#xE3;o suficientes para afirmar que se trata de um grave problema de sa&#xFA;de p&#xFA;blica. 1.8 Biomonitoramento de Risco Ocupacional A possibilidade de se prevenir ou minimizar a incid&#xEA;ncia de mortes ou doen&#xE7;as decorrentes da exposi&#xE7;&#xE3;o do organismo humano a produtos qu&#xED;micos pode ser feita atrav&#xE9;s da avalia&#xE7;&#xE3;o da exposi&#xE7;&#xE3;o a estes agentes. A detec&#xE7;&#xE3;o precoce de uma exposi&#xE7;&#xE3;o perigosa pode diminuir significativamente a ocorr&#xEA;ncia de efeitos adversos na sa&#xFA;de. As informa&#xE7;&#xF5;es provenientes da monitoriza&#xE7;&#xE3;o da exposi&#xE7;&#xE3;o ambiental ou ocupacional possibilitam a implanta&#xE7;&#xE3;o de medidas de preven&#xE7;&#xE3;o e controle apropriado. A avalia&#xE7;&#xE3;o da exposi&#xE7;&#xE3;o pode ser feita pela medida da concentra&#xE7;&#xE3;o do agente qu&#xED;mico em amostras ambientais, como o ar (monitoriza&#xE7;&#xE3;o ambiental), ou atrav&#xE9;s da medida de par&#xE2;metros biol&#xF3;gicos (monitoriza&#xE7;&#xE3;o biol&#xF3;gica), denominados indicadores biol&#xF3;gicos ou biomarcadores. Esses s&#xE3;o instrumentos que possibilitam identificar a subst&#xE2;ncia t&#xF3;xica ou uma condi&#xE7;&#xE3;o adversa antes que sejam evidenciados danos &#xE0; sa&#xFA;de, sendo utilizados, dependendo da finalidade do estudo e do tipo da exposi&#xE7;&#xE3;o. Compreendem toda subst&#xE2;ncia ou seu produto de biotransforma&#xE7;&#xE3;o, assim como qualquer altera&#xE7;&#xE3;o
  • 47. 47 bioqu&#xED;mica precoce, cuja determina&#xE7;&#xE3;o nos fluidos biol&#xF3;gicos, tecidos ou ar exalado, avalie a intensidade da exposi&#xE7;&#xE3;o e o risco &#xE0; sa&#xFA;de. Independente da finalidade e aplica&#xE7;&#xE3;o dos biomarcadores, eles podem ser classificados em tr&#xEA;s tipos: de exposi&#xE7;&#xE3;o, de efeito e de suscetibilidade (AMORIM, 2003). O indicador biol&#xF3;gico de exposi&#xE7;&#xE3;o estima a dose interna, atrav&#xE9;s da determina&#xE7;&#xE3;o da subst&#xE2;ncia qu&#xED;mica ou de seu produto de biotransforma&#xE7;&#xE3;o em flu&#xED;dos biol&#xF3;gicos, como sangue, urina, ar exalado e outros, possibilitando quantificar a subst&#xE2;ncia no organismo (AMORIM, 2003). Os biomarcadores de genotoxicidade s&#xE3;o tamb&#xE9;m considerados como biomarcadores de exposi&#xE7;&#xE3;o ou dose interna assim como os metabolitos da urina e marcadores citogeneticos em linf&#xF3;citos de sangue perif&#xE9;rico e aductos do DNA e as prote&#xED;nas e testes moleculares (teste cometa) (FARMER; EMENY, 2006; GYORFFY et al.; 2008). O biomarcador de efeito &#xE9; um par&#xE2;metro biol&#xF3;gico, medido no organismo, o qual reflete a intera&#xE7;&#xE3;o da subst&#xE2;ncia qu&#xED;mica com os receptores biol&#xF3;gicos. Na pr&#xE1;tica di&#xE1;ria, biomarcadores de efeito s&#xE3;o usados para confirmar um diagn&#xF3;stico cl&#xED;nico. Mas, para a preven&#xE7;&#xE3;o, um biomarcador de efeito considerado ideal, &#xE9; aquele que mede uma altera&#xE7;&#xE3;o biol&#xF3;gica em um est&#xE1;gio ainda revers&#xED;vel (ou precoce), quando ainda n&#xE3;o representa agravo &#xE0; sa&#xFA;de (R&#xDC;DIGER, 1999). Por principio os indicadores de efeito servem para avaliar as conseq&#xFC;&#xEA;ncias e, indiretamente, a intensidade da exposi&#xE7;&#xE3;o, ou seja, no momento em que os valores destas an&#xE1;lises se distanciam dos valores estabelecidos como normais representam o desfecho de um processo de exposi&#xE7;&#xE3;o (PERES et al.; 2005). Dentre os biomarcadores de efeito relacionado &#xE0; exposi&#xE7;&#xE3;o a agrot&#xF3;xicos, o mais utilizado &#xE9; o das colinesterases sangu&#xED;neas (WHO, 1996; OLIVEIRA-SILVA et al.; 2001). Os biomarcadores de suscetibilidade podem refletir fatores gen&#xE9;ticos ou adquiridos que influenciam na resposta do organismo a uma determinada exposi&#xE7;&#xE3;o qu&#xED;mica. Estes s&#xE3;o fatores pr&#xE9;-existentes e independem da exposi&#xE7;&#xE3;o. S&#xE3;o predominantemente gen&#xE9;ticos, embora a patologia, altera&#xE7;&#xF5;es fisiol&#xF3;gicas, medicamentos e exposi&#xE7;&#xE3;o a outros agentes ambientais tamb&#xE9;m possam alterar a suscetibilidade individual. Os biomarcadores de suscetibilidade identificam aqueles
  • 48. 48 indiv&#xED;duos na popula&#xE7;&#xE3;o que t&#xEA;m uma diferen&#xE7;a gen&#xE9;tica ou adquirida na suscetibilidade para os efeitos da exposi&#xE7;&#xE3;o a subst&#xE2;ncias qu&#xED;micas. Os biomarcadores de suscetibilidade indicam quais os fatores podem aumentar ou diminuir um risco individual no desenvolvimento da resposta do organismo decorrente da exposi&#xE7;&#xE3;o aos agentes qu&#xED;micos ambientais (AMORIM, 2003). O biomonitoramento gen&#xE9;tico de popula&#xE7;&#xF5;es expostas a potenciais cancer&#xED;genos &#xE9; um sistema de alerta precoce para doen&#xE7;as gen&#xE9;ticas ou c&#xE2;ncer. Ele tamb&#xE9;m permite a identifica&#xE7;&#xE3;o de fatores de risco em um momento quando as medidas de controle ainda podem ser implementadas (KASSIE et al.; 2000). A import&#xE2;ncia do uso dos biomarcadores, seja de exposi&#xE7;&#xE3;o ou de efeito, como par&#xE2;metros biol&#xF3;gicos de exposi&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s subst&#xE2;ncias qu&#xED;micas deve-se ao fato de eles estarem mais diretamente relacionados aos efeitos na sa&#xFA;de do que os par&#xE2;metros ambientais oferecendo uma melhor estimativa do risco (AMORIM, 2003). Nos &#xFA;ltimos anos o monitoramento dos efeitos genot&#xF3;xicos de qu&#xED;micos em humanos com o objetivo de avaliar os riscos tem aumentado e como resultado tem sido identificado marcadores da exposi&#xE7;&#xE3;o humana a mut&#xE1;genos e carcin&#xF3;genos. O biomonitoramento de popula&#xE7;&#xF5;es humanas expostas aos agentes potencialmente mutag&#xEA;nicos e carcinog&#xEA;nicos pode providenciar informa&#xE7;&#xF5;es iniciais de desrregula&#xE7;&#xF5;es celulares e inicia&#xE7;&#xE3;o do desenvolvimento de c&#xE2;ncer. Nos anos recentes, o teste cometa, conhecido como eletroforese em gel de agarose tem sido importante biomarcador para avaliar danos em popula&#xE7;&#xF5;es expostas ambientalmente ou ocupacionalmente a poluentes do ar, metais, pesticidas, radia&#xE7;&#xF5;es e outros xenobi&#xF3;ticos (KNUDSEN; HANSEN, 2007; VALVERDE; ROJAS, 2009). O teste cometa tem aplica&#xE7;&#xF5;es na &#xE1;rea biom&#xE9;dica, sa&#xFA;de ambiental e biomonitoramento humano a agentes t&#xF3;xicos, avaliando danos ao DNA e estresse oxidativo (DUSINSKA; COLLINS, 2008). Nesta pesquisa, al&#xE9;m do teste cometa foram realizados exames laboratoriais: hemograma, analisando-se as c&#xE9;lulas sang&#xFC;&#xED;neas; e o perfil bioqu&#xED;mico, avaliando indicadores hep&#xE1;ticos e renais, para compor um quadro cl&#xED;nico-laboratorial que auxilie na an&#xE1;lise de contamina&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores por
  • 49. 49 agrot&#xF3;xicos e possa tamb&#xE9;m indicar poss&#xED;veis outros fatores de confundimento na caracteriza&#xE7;&#xE3;o da doen&#xE7;a ocupacional. 1.8.1 An&#xE1;lises Bioqu&#xED;micas A configura&#xE7;&#xE3;o destes exames &#xE9; fundamental para o estudo da rela&#xE7;&#xE3;o da sa&#xFA;de humana com as subst&#xE2;ncias qu&#xED;micas, devido &#xE0;s fun&#xE7;&#xF5;es hep&#xE1;ticas e renais encontrar-se relacionadas com a s&#xED;ntese da maioria das prote&#xED;nas plasm&#xE1;ticas e pelo fato de pertencerem ao metabolismo de importantes &#xF3;rg&#xE3;os do corpo human. Assim, altera&#xE7;&#xE3;o de um ou mais par&#xE2;metros laboratoriais que avaliam suas fun&#xE7;&#xF5;es podem causar quadros de toxicidade do f&#xED;gado e dos rins (LIMA, 1977). Creatinina A forma&#xE7;&#xE3;o e excre&#xE7;&#xE3;o da creatinina fazem dela um marcador muito &#xFA;til da fun&#xE7;&#xE3;o renal, principalmente da filtra&#xE7;&#xE3;o glomerular, sendo o teste mais utilizado para esta finalidade. &#xC9; o produto de degrada&#xE7;&#xE3;o da creatina, sendo sua concentra&#xE7;&#xE3;o s&#xE9;rica n&#xE3;o s&#xF3; dependente da taxa de filtra&#xE7;&#xE3;o renal, mas tamb&#xE9;m da massa muscular, idade, sexo, alimenta&#xE7;&#xE3;o, concentra&#xE7;&#xE3;o de glicose, piruvato, &#xE1;cido &#xFA;rico, prote&#xED;na, bilirrubina e do uso de medicamentos (cefalosporinas, salicilato, trimetoprim, cimetidina, hidanto&#xED;na, anticoncepcionais e antiinflamat&#xF3;rios). N&#xED;veis baixos podem ser encontrados nos estados que cursam com diminui&#xE7;&#xE3;o da massa muscular. A determina&#xE7;&#xE3;o da creatinina plasm&#xE1;tica &#xE9; um teste de fun&#xE7;&#xE3;o renal mais seguro do que a ur&#xE9;ia. Nas doen&#xE7;as renais, a creatinina se eleva mais vagarosamente que a ur&#xE9;ia e se reduz mais vagarosamente com a hemodi&#xE1;lise. Fatores extra renais, como insufici&#xEA;ncia card&#xED;aca congestiva, doen&#xE7;as musculares, a&#xE7;&#xE3;o de medicamentos (anti-hipertensivos, antibi&#xF3;ticos, &#xE1;cido acetil salic&#xED;lico), dietas ricas em carne vermelha, choque e obstru&#xE7;&#xE3;o mec&#xE2;nica do trato urin&#xE1;rio, provocam eleva&#xE7;&#xE3;o da creatinina plasm&#xE1;tica (WALLACH, 2003).
  • 50. 50 Ur&#xE9;ia A ur&#xE9;ia &#xE9; um produto do catabolismo de amino&#xE1;cidos e prote&#xED;nas. Gerada no f&#xED;gado, &#xE9; a principal fonte de excre&#xE7;&#xE3;o do nitrog&#xEA;nio do organismo. &#xC9; difundida atrav&#xE9;s da maioria das membranas celulares, e a sua maior parte &#xE9; excretada pela urina, sendo que pequenas quantidades podem ser excretadas pelo suor e degradadas por bact&#xE9;rias intestinais. &#xC9; livremente filtrada pelos glom&#xE9;rulos e &#xE9; dependente da velocidade do fluxo urin&#xE1;rio, ligado diretamente ao grau de hidrata&#xE7;&#xE3;o. Grande parte da ur&#xE9;ia filtrada &#xE9; reabsorvida passivamente nos t&#xFA;bulos proximais e sua concentra&#xE7;&#xE3;o varia de acordo com diferentes fatores, tais como o conte&#xFA;do prot&#xE9;ico da dieta e a hidrata&#xE7;&#xE3;o. Apesar de ser um marcador da fun&#xE7;&#xE3;o renal, &#xE9; considerada menos eficiente do que a creatinina pelos diferentes fatores n&#xE3;o-renais que podem afetar sua concentra&#xE7;&#xE3;o. No entanto, sua eleva&#xE7;&#xE3;o &#xE9; mais precoce, e n&#xE3;o sofre com a varia&#xE7;&#xE3;o da massa muscular. A avalia&#xE7;&#xE3;o conjunta com a creatinina &#xE9; &#xFA;til no diagn&#xF3;stico diferencial das causas de les&#xE3;o renal. Os n&#xED;veis s&#xE9;ricos diminu&#xED;dos s&#xE3;o mais raros e decorre de importante restri&#xE7;&#xE3;o da ingesta de prote&#xED;nas, desidrata&#xE7;&#xE3;o, reposi&#xE7;&#xE3;o excessiva de l&#xED;quidos, durante a gesta&#xE7;&#xE3;o e nas doen&#xE7;as hep&#xE1;ticas graves por diminui&#xE7;&#xE3;o da s&#xED;ntese da ur&#xE9;ia (WALLACH, 2003). Aspartato Aminotrasferase (AST/TGO) A enzima Aspartato Aminotransferase &#x2013; AST, tamb&#xE9;m denominada Transaminase Oxaloac&#xE9;tica &#x2013; TGO, &#xE9; encontrada em diversos &#xF3;rg&#xE3;os e tecidos como: f&#xED;gado, cora&#xE7;&#xE3;o, m&#xFA;sculo esquel&#xE9;tico e eritr&#xF3;citos. Eleva&#xE7;&#xF5;es das transaminases ocorrem nas hepatites (viral e t&#xF3;xica), hepatite por drogas, na mononucleose, cirrose, colestase, carcinoma hep&#xE1;tico prim&#xE1;rio ou metast&#xE1;tico, pancreatite, traumatismo extenso e no choque prolongado. Est&#xE1; presente no citoplasma e tamb&#xE9;m nas mitoc&#xF4;ndrias, portanto, sua eleva&#xE7;&#xE3;o indica um comprometimento celular mais profundo. No caso do hepat&#xF3;cito, isso se revela por uma eleva&#xE7;&#xE3;o por tempo mais prolongado no curso das hepatites virais agudas e uma eleva&#xE7;&#xE3;o seletiva nos casos de hepatites alco&#xF3;licas, met&#xE1;stases hep&#xE1;ticas e necroses medicamentosas e isqu&#xEA;micas. Aumentos da AST no soro s&#xE3;o comumente encontrados no infarto agudo do mioc&#xE1;rdio, elevando-se nas primeiras 12 horas e
  • 51. 51 apresentando um pico s&#xE9;rico ap&#xF3;s algo em torno de 24 horas, com retorno aos valores normais em um per&#xED;odo de 3 a 5 dias. Valores discretamente elevados podem ser encontrados tamb&#xE9;m no infarto pulmonar, no infarto renal ou em casos de grandes tumores, na embolia pulmonar, distrofias musculares, dermatomiosite, traumas da musculatura esquel&#xE9;tica, no p&#xF3;s-operat&#xF3;rio, especialmente de cirurgias card&#xED;acas, cirrose alco&#xF3;lica, hepatite induzida por drogas, mononucleose infecciosa, citomegaloviroses, anemias hemol&#xED;ticas, pancreatite aguda e acidente vascular cerebral (HENRY, 2008). Alanina Amino Transferase (ALT/TGP) A enzima alanina aminotransferase - ALT, antigamente denominada transaminase pir&#xFA;vica - TGP, &#xE9; encontrada abundantemente no f&#xED;gado, em quantidades moderadas no rim e em pequenas quantidades no cora&#xE7;&#xE3;o e na musculatura esquel&#xE9;tica. Sua origem &#xE9; predominantemente citoplasm&#xE1;tica, fazendo com que se eleve rapidamente ap&#xF3;s a les&#xE3;o hep&#xE1;tica, tornando-a um marcador sens&#xED;vel da fun&#xE7;&#xE3;o do f&#xED;gado. Como marcador hepatocelular, apresenta valores alterados em patologias que cursam com necrose do hepat&#xF3;cito, como hepatites virais, mononucleose, citomegalovirose e hepatites medicamentosas (HENRY, 2008). Gama Glutamil Transpeptidase (GGT) A gama glutamil transpeptidase ou transferase &#x2013; GGT &#xE9; uma enzima presente nas membranas celulares e nas fra&#xE7;&#xF5;es micross&#xF4;micas envolvidas no transporte de amino&#xE1;cidos atrav&#xE9;s da membrana celular. Est&#xE1; presente em ordem decrescente de abund&#xE2;ncia no t&#xFA;bulo proximal renal, f&#xED;gado, p&#xE2;ncreas e intestin. Os n&#xED;veis s&#xE9;ricos da GGT s&#xE3;o principalmente de origem hep&#xE1;tica. Sua meia-vida &#xE9; de 7 a 10 dias, aumentando para 28 dias nas les&#xF5;es hep&#xE1;ticas ligadas ao &#xE1;lcool. Os valores s&#xE3;o aproximadamente 50% mais elevados nos homens do que nas mulheres, e s&#xE3;o diretamente proporcionais &#xE0; massa corporal, ao consumo de &#xE1;lcool, ao fumo e ao n&#xED;vel de atividade f&#xED;sica.
  • 52. 52 Por mecanismo ainda n&#xE3;o muito bem esclarecido, pacientes com diabetes mellitus, hipertireoidismo, artrite reumat&#xF3;ide e doen&#xE7;a pulmonar obstrutiva cr&#xF4;nica frequentemente apresentam valores aumentados de GGT. Valores muito elevados s&#xE3;o encontrados nos quadros de colestase cr&#xF4;nica, como na cirrose biliar prim&#xE1;ria ou na colangite esclerosante e em outras patologias hep&#xE1;ticas e biliares. Freq&#xFC;entemente, apresenta-se elevada em alco&#xF3;latras, mesmo sem hepatopatia, na obesidade e no uso de drogas como analg&#xE9;sicos, anticonvulsivantes, quimioter&#xE1;picos, estrog&#xEA;nio e contraceptivos orais. Nos per&#xED;odos ap&#xF3;s infarto agudo do mioc&#xE1;rdio, a GGT pode permanecer alterada por semanas. Em estudos do gene humano, a GGT teve sua seq&#xFC;&#xEA;ncia de nucleot&#xED;deos identificada (HENRY, 2008). Fosfatase Alcalina (FA) Essa enzima est&#xE1; presente em praticamente todos os tecidos do organismo, especialmente nas membranas das c&#xE9;lulas dos t&#xFA;bulos renais, ossos (osteoblastos), placenta, trato intestinal e f&#xED;gado. Portanto, a fosfatase alcalina encontrada no soro &#xE9; resultado da presen&#xE7;a de diferentes isoenzimas originadas em diferentes &#xF3;rg&#xE3;os, com predom&#xED;nio das fra&#xE7;&#xF5;es &#xF3;sseas e hep&#xE1;ticas. Embora at&#xE9; hoje sua fun&#xE7;&#xE3;o ainda n&#xE3;o esteja bem definida, a fosfatase alcalina parece estar envolvida com o transporte de lip&#xED;dios no intestino e nos processos de calcifica&#xE7;&#xE3;o &#xF3;ssea. A fosfatase alcalina &#xF3;ssea e a hep&#xE1;tica partilham prote&#xED;nas estruturais, codificadas por um mesmo gene. Na pr&#xE1;tica cl&#xED;nica, a grande utilidade est&#xE1; na investiga&#xE7;&#xE3;o de doen&#xE7;as hepatobiliares e nas doen&#xE7;as &#xF3;sseas que cursam com aumento da atividade osteobl&#xE1;stica. &#xC9; considerado um marcador importante para processos obstrutivos hep&#xE1;ticos. N&#xED;veis elevados podem ser tamb&#xE9;m encontrados em outras les&#xF5;es hep&#xE1;ticas ativas e nas infiltrativas com n&#xED;veis mais moderados de eleva&#xE7;&#xE3;o. Est&#xE1; aumentada nos carcinomas hep&#xE1;ticos prim&#xE1;rios e secund&#xE1;rios. Nas neoplasias, os n&#xED;veis da fosfatase alcalina s&#xE3;o &#xFA;teis para avaliar a presen&#xE7;a de met&#xE1;stases envolvendo f&#xED;gado e osso. Valores muito elevados s&#xE3;o vistos em pacientes com les&#xF5;es osteobl&#xE1;sticas como as encontradas no carcinoma de pr&#xF3;stata com met&#xE1;stase &#xF3;ssea. Eleva&#xE7;&#xF5;es menores s&#xE3;o vistas quando as les&#xF5;es s&#xE3;o osteol&#xED;ticas, como as encontradas no carcinoma metast&#xE1;tico de mama. Outras
  • 53. 53 condi&#xE7;&#xF5;es malignas com infiltra&#xE7;&#xE3;o hep&#xE1;tica como leucemias, linfomas e sarcoma podem cursar tamb&#xE9;m com eleva&#xE7;&#xE3;o da fosfatase alcalina (WALLACH, 2003). Devido ao crescimento &#xF3;sseo, rec&#xE9;m-nascidos e crian&#xE7;as, mas especialmente adolescentes, apresentam valores significativamente mais elevados do que os adultos. Durante a fase de crescimento r&#xE1;pido da adolesc&#xEA;ncia (estir&#xE3;o da puberdade), s&#xE3;o encontrados n&#xED;veis extremamente elevados. Normalmente, os valores s&#xE3;o discretamente mais elevados em homens do que em mulheres, e essa diferen&#xE7;a desaparece durante e ap&#xF3;s a menopausa. Em popula&#xE7;&#xE3;o idosa, existe uma diminui&#xE7;&#xE3;o dos n&#xED;veis s&#xE9;ricos habitualmente encontrados, como conseq&#xFC;&#xEA;ncia do aumento da incid&#xEA;ncia de osteoporose nessa faixa et&#xE1;ria. N&#xED;veis elevados em duas a tr&#xEA;s vezes podem ser encontrados durante a gravidez, especialmente no terceiro trimestre, por produ&#xE7;&#xE3;o placent&#xE1;ria. N&#xED;veis diminu&#xED;dos podem ser encontrados no hipotireoidismo, na anemia perniciosa, nas hipofosfatemias e no uso de drogas como contraceptivos orais (WALLACH, 2003). Colinesterase O n&#xED;vel da enzima colinesterase no sangue &#xE9; um valioso indicador da rela&#xE7;&#xE3;o entre exposi&#xE7;&#xE3;o a agrot&#xF3;xico e problemas de sa&#xFA;de. A atividade de colinesterase &#xE9; derivada da a&#xE7;&#xE3;o de duas enzimas, uma na membrana dos eritr&#xF3;citos (colinesterase eritrocit&#xE1;ria ou acetil-colinesterase &#x2013; AChE) e outra s&#xE9;rica (colinesterase plasm&#xE1;tica ou butiril- colinestearase &#x2013; BChE). A diminui&#xE7;&#xE3;o do teor da colinesterase plasm&#xE1;tica pode permanecer por trinta dias e o das hem&#xE1;cias por noventa dias ap&#xF3;s o &#xFA;ltimo contato com os fosforados org&#xE2;nicos. A inibi&#xE7;&#xE3;o da colinesterase por meio dos compostos fosforados ou carbamatos provoca o ac&#xFA;mulo de acetilcolina, e o organismo passa a apresentar uma s&#xE9;rie de manifesta&#xE7;&#xF5;es (efeitos muscar&#xED;nios, nicot&#xED;nicos e do sistema nervoso central) (MARICONI, 1980). A acetilcolinesterase plasm&#xE1;tica tem sua maior concentra&#xE7;&#xE3;o encontrada no plasma e no intestin. Sua s&#xED;ntese &#xE9; primordialmente hep&#xE1;tica e sua meia-vida est&#xE1; estabelecida entre 30 e 60 dias (GUYTON, 1986).
  • 54. 54 Vale ressaltar, que a acetilcolinesterase pode ser inibida sem que necessariamente ocorra intoxica&#xE7;&#xE3;o por agrot&#xF3;xicos. Nesse caso, deve-se considerar a produ&#xE7;&#xE3;o no f&#xED;gado da pseudocolinesterase, que apresenta uma atividade marcadamente afetada em diversas mol&#xE9;stias hep&#xE1;ticas, nos estados de desnutri&#xE7;&#xE3;o e por fatores end&#xF3;crinos. A atividade da colinesterase pode estar aumentada em situa&#xE7;&#xF5;es de hipercolesterolemia, obesidade com trigliceridemia, no hipertireoidismo, no parkinsonismo e quando do uso de benzodiazep&#xED;nicos, andr&#xF3;genos, antibi&#xF3;ticos e da insulina. Encontra-se diminu&#xED;da durante a gravidez, na hipocolesterolemia, nos estados de desnutri&#xE7;&#xE3;o, alcoolismo, na cirrose hep&#xE1;tica, na tuberculose, dermatomiosite, artrite reumat&#xF3;ide, anemias, infec&#xE7;&#xF5;es agudas e durante o uso de fenotiaz&#xED;nicos, outras doen&#xE7;as que cursem com diminui&#xE7;&#xE3;o da albumina s&#xE9;rica e nos envenenamentos com compostos mercuriais org&#xE2;nicos. Outras drogas tamb&#xE9;m levam &#xE0; diminui&#xE7;&#xE3;o da atividade enzim&#xE1;tica: sulfatos, fluoretos, citratos, fenotiazinas, code&#xED;na e outros (OGA, 2003). A determina&#xE7;&#xE3;o da atividade das enzimas colinesterase eritrocit&#xE1;ria e plasm&#xE1;tica em indiv&#xED;duos expostos aos inseticidas organofosforados e/ou carbamatos &#xE9; utilizada tamb&#xE9;m para o diagn&#xF3;stico e o tratamento das intoxica&#xE7;&#xF5;es. Entretanto, n&#xE3;o apresenta correla&#xE7;&#xE3;o muito significativa em exposi&#xE7;&#xF5;es ambientais e/ou ocupacionais leves ou moderadas a estes inseticidas. Ainda assim, &#xE9; considerado o indicador biol&#xF3;gico de escolha (WHO, 1996), no entanto a an&#xE1;lise da atividade das colinesterases n&#xE3;o deve ser usada de maneira isolada, sendo &#xFA;til quando usada como exame auxiliar, tanto para o diagn&#xF3;stico cl&#xED;nico, quanto para as a&#xE7;&#xF5;es de vigil&#xE2;ncia e acompanhamento cl&#xED;nico, medidas gerais e de suporte s&#xE3;o, como em todas as intoxica&#xE7;&#xF5;es agudas, imprescind&#xED;veis para salvar vidas (ALMEIDA, 2002). 1.8.2 An&#xE1;lise Hematol&#xF3;gica O hemograma avalia os elementos celulares do sangue quantitativa e qualitativamente, sendo o exame complementar mais requerido nas consultas m&#xE9;dicas. &#xC9; indispens&#xE1;vel no diagn&#xF3;stico e no controle evolutivo das doen&#xE7;as infecciosas e cr&#xF4;nicas em geral, das emerg&#xEA;ncias m&#xE9;dicas, cirurgias e
  • 55. 55 traumatologias, acompanhamento da quimioterapia e da radioterapia e nas intoxica&#xE7;&#xF5;es agudas ou cr&#xF4;nicas das subst&#xE2;ncias qu&#xED;micas, relacionando-se com toda a patologia (LIMA et al.; 1977). Segundo Oliveira (2007) o hemograma corresponde a um conjunto de testes laboratoriais que estabelece os aspectos quantitativos e qualitativos dos eritr&#xF3;citos (eritrograma), dos leuc&#xF3;citos (leucograma) e das plaquetas (plaquetograma) no sangue: Eritrograma: inclui os testes laboratoriais que determinam o perfil hematol&#xF3;gico da s&#xE9;rie vermelha no sangue perif&#xE9;rico. &#xC9; constitu&#xED;do por: contagem de eritr&#xF3;citos ou hem&#xE1;cias (Hm), dosagem da hemoglobina (Hb), hemat&#xF3;crito (Ht), &#xED;ndices hematim&#xE9;tricos (VCM, HCM, CHCM, RDW, etc.) e a avalia&#xE7;&#xE3;o da morfologia eritrocit&#xE1;ria. Leucograma: engloba os testes laboratoriais que determinam o perfil hematol&#xF3;gico da s&#xE9;rie branca (leuc&#xF3;citos) no sangue perif&#xE9;rico. &#xC9; constitu&#xED;do da contagem global e da contagem diferencial de leuc&#xF3;citos, incluindo a an&#xE1;lise das respectivas altera&#xE7;&#xF5;es hematol&#xF3;gicas no sangue. &#xC9; expresso no resultado pela forma leucocit&#xE1;ria (com valores relativos e absolutos) da cada subtipo leucocit&#xE1;rio. Plaquetograma: envolve a contagem de plaquetas, a avalia&#xE7;&#xE3;o da sua morfologia feita por microscopia e as determina&#xE7;&#xF5;es do volume plaquet&#xE1;rio (VPM) e da varia&#xE7;&#xE3;o entre os seus volumes (PDW) (OLIVEIRA, 2007). O hemograma &#xE9; o principal exame a ser realizado quando h&#xE1; suspeita de anemia. A anemia &#xE9; considerada a doen&#xE7;a mais prevalente em todo o mundo, especialmente caracterizada por car&#xEA;ncia de ferro, que chega a ser respons&#xE1;vel por 95% das anemias. A anemia tem sido relatada como diminui&#xE7;&#xE3;o dos n&#xED;veis de hemoglobina no sangue, com ou sem diminui&#xE7;&#xE3;o do n&#xFA;mero de eritr&#xF3;citos, de acordo com idade, sexo e altitude, para indiv&#xED;duos normovol&#xEA;micos. A morfologia anormal das hem&#xE1;cias pode sugerir um diagn&#xF3;stico, podendo as anemias, serem classificadas de acordo com o tamanho das hem&#xE1;cias, inferido atrav&#xE9;s do volume
  • 56. 56 corpuscular m&#xE9;dio (VCM). Assim, &#xE9; poss&#xED;vel classificar como anemia normoc&#xED;tica aquelas que est&#xE3;o dentro do valor de normalidade do VCM, microc&#xED;ticas aquelas abaixo e macroc&#xED;ticas acima, intimamente ligados a esse valores anormais est&#xE3;o as defici&#xEA;ncias de ferro e folato, alcoolismo e certas medica&#xE7;&#xF5;es como metrotrexato. Nas anemias consideradas normoc&#xED;ticas podem estar relacionadas a anemias apl&#xE1;sicas e secund&#xE1;rias a agress&#xF5;es medulares (RAMOS, 2009). 1.8.3 Ensaio Cometa O Ensaio Cometa ou teste &#x201C;Single cell gel eletrophoresis&#x201D; - SCGE vem sendo proposto para estudos de toxicogen&#xE9;tica devido a sua peculiaridade e vantagens, quando comparado a outros testes para detec&#xE7;&#xE3;o de subst&#xE2;ncias genot&#xF3;xicas. &#xC9; um teste molecular, n&#xE3;o utilizado para detectar muta&#xE7;&#xF5;es, mas sim les&#xF5;es gen&#xF4;micas, que ap&#xF3;s serem processadas, podem resultar em muta&#xE7;&#xE3;o. Este teste tamb&#xE9;m pode ser utilizado para estudos de reparo de DNA, visto que as les&#xF5;es detectadas pelo ensaio cometa s&#xE3;o pass&#xED;veis de corre&#xE7;&#xE3;o. Embora impossibilite inferir a fidelidade do processo de reparo, pode trazer informa&#xE7;&#xF5;es importantes sobre a cin&#xE9;tica e o tipo de les&#xE3;o reparada (TICE, 2000; SILVA et al.; 2000). Os danos mais facilmente detectados no DNA s&#xE3;o quebras (simples ou duplas), danos alcali-l&#xE1;beis, crosslinks e quebras resultantes de reparo por excis&#xE3;o (VALVERDE; ROJAS, 2009). Este teste pode ser utilizado para qualquer tipo de c&#xE9;lulas (qualquer tecido que possam ser extra&#xED;das c&#xE9;lulas nucleadas), sendo necess&#xE1;rio apenas um pequeno n&#xFA;mero das mesmas e de n&#xE3;o requerer c&#xE9;lulas em divis&#xE3;o. Nesta t&#xE9;cnica, as c&#xE9;lulas nas quais se deseja verificar o dano causado por agente genot&#xF3;xico s&#xE3;o submetidas &#xE0; eletroforese em l&#xE2;minas. O DNA da c&#xE9;lula que n&#xE3;o tiver dano migrar&#xE1; em conjunto, formando um c&#xED;rculo (os aspectos descritos s&#xF3; s&#xE3;o vis&#xED;veis ap&#xF3;s a colora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria da t&#xE9;cnica). Caso ocorra dano ao DNA, os fragmentos tendem a migrar mais rapidamente. Sendo o dano muito intenso em uma c&#xE9;lula, fragmentos de diversos tamanhos ser&#xE3;o formados e migrar&#xE3;o em velocidades diferentes, formando-se ent&#xE3;o a figura t&#xED;pica de um cometa. A medida do dano &#xE9; feita pela
  • 57. 57 rela&#xE7;&#xE3;o entre o di&#xE2;metro do n&#xFA;cleo sem dano e a extens&#xE3;o das &#x201C;caudas&#x201D; dos n&#xFA;cleos com dano (TICE et al.; 2000; SILVA et al.; 2000). O ensaio cometa &#xE9; muito difundido na comunidade cient&#xED;fica e combina a simplicidade das t&#xE9;cnicas bioqu&#xED;micas para detec&#xE7;&#xE3;o de quebra de fita simples de DNA e/ou s&#xED;tios &#xE1;lcali l&#xE1;beis com as abordagens t&#xED;picas dos ensaios citogen&#xE9;ticos em c&#xE9;lulas. As vantagens do ensaio do cometa incluem: sensibilidade para detec&#xE7;&#xE3;o de danos no DNA; a coleta de dados em c&#xE9;lulas individualizadas, seguido de uma criteriosa an&#xE1;lise estat&#xED;stica; o uso de amostras de c&#xE9;lulas extremamente pequenas; e qualquer popula&#xE7;&#xE3;o de c&#xE9;lulas de eucarioto pode ser utilizada para an&#xE1;lise (SPEIT; HARTMANN, 1999).
  • 58. 58 JUSTIFICATIVA
  • 59. 59 2 JUSTIFICATIVA O Estado do Piau&#xED; com extens&#xE3;o territorial de 251.529,186 km&#xB2; vem aumentando sua &#xE1;rea de lavoura, ocasionando uma maior exposi&#xE7;&#xE3;o aos agrot&#xF3;xicos, pelos trabalhadores rurais. Destaca-se, no Estado, como atividade principal, a agricultura, representando 42% da atividade das pessoas com 10 anos ou mais de idade (IBGE, 2007). Foi observando em 2006, um aumento das &#xE1;reas de lavoura de 138 mil hectares (11,4%) em rela&#xE7;&#xE3;o ao censo agropecu&#xE1;rio 1995-1996 (IBGE, 2006). A crescente utiliza&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos no Estado, verificada pelos &#xF3;rg&#xE3;os oficiais, atrav&#xE9;s do controle da revenda dos agrot&#xF3;xicos e os resultados do censo agropecu&#xE1;rio, mostra que, do total de estabelecimentos que utilizou agrot&#xF3;xicos (34.686), 90,9% n&#xE3;o recebeu orienta&#xE7;&#xE3;o t&#xE9;cnica, 87% usa pulverizador costal, e, que 48,6% s&#xE3;o associados a entidades de classe (sindicatos, associa&#xE7;&#xF5;es/movimentos de produtores e moradores, etc.) (IBGE, 2006). Essas pequenas propriedades s&#xE3;o caracterizadas pela pouca tecnologia nas pr&#xE1;ticas agr&#xED;colas, incluindo o uso de pulverizadores costais para aplica&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos, a falta de equipamento de prote&#xE7;&#xE3;o e pouco suporte t&#xE9;cnico e especializado, que podem favorecer a ocorr&#xEA;ncia de intoxica&#xE7;&#xF5;es e adoecimento. Al&#xE9;m disso, o pouco conhecimento dos riscos potenciais desses produtos aumenta o risco de contamina&#xE7;&#xE3;o dos agricultores e suas fam&#xED;lias, quase todos envolvidos no processo de trabalho agr&#xED;cola. Alguns estudos relatam que trabalhadores de pequenas culturas, tamb&#xE9;m se exp&#xF5;em a v&#xE1;rios agrot&#xF3;xicos (BARRIGOSSI et al.; 2004; FARIA et al.; 2004; CASTRO; GOMES, 2007; ARA&#xDA;JO et al.; 2007). Os resultados do Programa de An&#xE1;lise de Res&#xED;duos de Agrot&#xF3;xicos em Alimentos - PARA comprovam a utiliza&#xE7;&#xE3;o ilegal de agrot&#xF3;xicos em culturas onde geralmente ocorrem &#xED;ndices elevados de exposi&#xE7;&#xE3;o de pequenos e m&#xE9;dios produtores a esses agrot&#xF3;xicos por utilizarem, em sua grande maioria, pulverizadores costais. Esta informa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; relevante, uma vez que a agricultura familiar tem uma participa&#xE7;&#xE3;o bastante representativa na
  • 60. 60 agricultura brasileira, correspondendo a 84,4% dos estabelecimentos rurais do pa&#xED;s, segundo dados do Censo Agropecu&#xE1;rio (IBGE, 2006). Considerando o desenvolvimento de pesquisas como uma das &#xE1;reas de atua&#xE7;&#xE3;o do CEREST, identificou-se na regi&#xE3;o dos cerrados piauienses um elevado n&#xFA;mero de trabalhadores rurais que apresentavam uma forma de adoecimento peculiar a trabalhadores que fazem uso de agrot&#xF3;xicos. Assim, foi realizada por Chaves (2007), em munic&#xED;pios dos cerrados, uma pesquisa que constatou que os trabalhadores rurais expostos a agrot&#xF3;xicos estavam sujeitos a um risco real dos efeitos resultantes da genotoxicidade, entre eles, o c&#xE2;ncer. Nesta pesquisa realizou- se o teste de micron&#xFA;cleo em c&#xE9;lulas da mucosa bucal e observou-se aumento significante na frequ&#xEA;ncia de micron&#xFA;cleo em trabalhadores expostos aos agrot&#xF3;xicos em rela&#xE7;&#xE3;o ao grupo de trabalhadores n&#xE3;o expostos. Uma das recomenda&#xE7;&#xF5;es da pesquisadora foi o fomento a pesquisa cient&#xED;fica e o mapeamento do uso de agrot&#xF3;xicos, os efeitos mutag&#xEA;nicos e carcinog&#xEA;nicos relacionados &#xE0; exposi&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores rurais aos agrot&#xF3;xicos em todo o Estado do Piau&#xED; (CHAVES, 2007). Neste contexto, h&#xE1; necessidade de se investigar a situa&#xE7;&#xE3;o de sa&#xFA;de de pequenos agricultores no Estado, que utilizam misturas complexas de agrot&#xF3;xicos, o que torna dif&#xED;cil a mensura&#xE7;&#xE3;o dos danos, sendo de fundamental import&#xE2;ncia a utiliza&#xE7;&#xE3;o de marcadores que detectem os danos da exposi&#xE7;&#xE3;o mais precocemente, ou seja, a realiza&#xE7;&#xE3;o de um monitoramento biol&#xF3;gico que possa permitir um melhor controle da exposi&#xE7;&#xE3;o e, conseq&#xFC;entemente, a minimiza&#xE7;&#xE3;o dos danos e interven&#xE7;&#xE3;o dos &#xF3;rg&#xE3;os p&#xFA;blicos. Desta forma, enquanto integrante da equipe do CEREST, surgiu o nosso interesse pelo tema, em pesquisar a sa&#xFA;de dos trabalhadores expostos a agrot&#xF3;xicos, em diferentes munic&#xED;pios do Estado do Piau&#xED;.
  • 61. 61 OBJETIVOS
  • 62. 62 3 OBJETIVOS 3.1Geral Avaliar os efeitos t&#xF3;xicos e genot&#xF3;xicos em agricultores piauienses expostos aos agrot&#xF3;xicos, com o uso de biomarcadores hematol&#xF3;gicos, bioqu&#xED;micos e genot&#xF3;xicos. 3.2 Espec&#xED;ficos Caracterizar os tipos de agrot&#xF3;xicos utilizados; Analisar os par&#xE2;metros bioqu&#xED;micos e hematol&#xF3;gicos dos trabalhadores expostos; Avaliar os efeitos genot&#xF3;xicos por meio do Ensaio Cometa nos trabalhadores expostos; Identificar as diferentes classes de danos ao DNA pelo Ensaio Cometa; Correlacionar os fatores de riscos n&#xE3;o ocupacionais com os efeitos genot&#xF3;xicos.
  • 63. 63 PROTOCOLO DE ESTUDO
  • 64. 64 4 PROTOCOLO DE ESTUDO 4.1Tipo de Estudo O estudo foi baseado num modelo transversal de investiga&#xE7;&#xE3;o, delineado de forma a permitir que se obtenha uma avalia&#xE7;&#xE3;o cl&#xED;nica, epidemiol&#xF3;gica e laboratorial objetivando investigar os casos de contamina&#xE7;&#xE3;o de trabalhadores rurais por agrot&#xF3;xicos, nos munic&#xED;pios de Barras e Jos&#xE9; de Freitas. 4.2Local do Estudo O presente estudo foi desenvolvido no Centro Estadual de Refer&#xEA;ncia em Sa&#xFA;de do Trabalhador (CEREST), &#xF3;rg&#xE3;o da Diretoria de Vigil&#xE2;ncia Sanit&#xE1;ria, da Secretaria de Estado da Sa&#xFA;de do Piau&#xED;, situado &#xE0; Av. Pernambuco, 2464, Bairro Primavera, Teresina-Piau&#xED;. A avalia&#xE7;&#xE3;o hematol&#xF3;gica, bioqu&#xED;mica foi realizada no Laborat&#xF3;rio Central de Sa&#xFA;de P&#xFA;blica (LACEN), e o Ensaio Cometa foi desenvolvido no Laborat&#xF3;rio de Toxicologia e Gen&#xE9;tica Molecular (LABTOXIGEN) do LACEN. 4.3 Aspectos &#xC9;ticos O projeto de pesquisa e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (AP&#xCA;NDICE 1) foram submetidos ao Comit&#xEA; de &#xC9;tica em Pesquisa da Universidade Federal do Cear&#xE1; - COMEPE, credenciado pela Comiss&#xE3;o Nacional de &#xC9;tica em Pesquisa (CONEP) &#x2013; Conselho Nacional de Sa&#xFA;de (CNS)/Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de (MS) para an&#xE1;lise quanto aos princ&#xED;pios &#xE9;ticos. Seguiram-se as normas da &#xE9;tica para estudos cl&#xED;nicos com seres humanos, de acordo com os termos da Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xBA; 196/96 do CNS, a Declara&#xE7;&#xE3;o de Helsinque (OMS) (1965) e suas revis&#xF5;es. O projeto foi aprovado pelo COMEPE em 25 de setembro de 2008, sob protocolo n&#xBA; 175/08 (ANEXO A). Os ensaios n&#xE3;o foram iniciados antes da aprova&#xE7;&#xE3;o pelo comit&#xEA; de &#xE9;tica. A amostra obtida foi usada
  • 65. 65 exclusivamente para execu&#xE7;&#xE3;o desta pesquisa, mantendo-se o sigilo e a privacidade dos indiv&#xED;duos envolvidos. 4.4Caracteriza&#xE7;&#xE3;o do Estudo A pesquisa foi desenvolvida em dois munic&#xED;pios do Estado do Piau&#xED;: Barras e Jos&#xE9; de Freitas (Figura 2), tomando-se como crit&#xE9;rios de escolha, o n&#xFA;mero de casos de morbidade de trabalhadores rurais destes munic&#xED;pios e por intoxica&#xE7;&#xE3;o por agrot&#xF3;xicos, notificados pelo SINAN, assim como os casos registrados no CITOX. Os referidos munic&#xED;pios fazem parte da proposta de mapeamento do uso de agrot&#xF3;xicos, efeitos mutag&#xEA;nicos e carcinog&#xEA;nicos relacionados &#xE0; exposi&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores rurais aos agrot&#xF3;xicos em todo o Estado do Piau&#xED;. 4.4.1 Munic&#xED;pio de Barras De acordo com a nova divis&#xE3;o territorial adotada pela gest&#xE3;o estadual, o munic&#xED;pio de Barras localiza-se na Macrorregi&#xE3;o Meio Norte, Territ&#xF3;rio de Desenvolvimento Cocais, com uma &#xE1;rea de 1.722 km&#xB2; limitando-se ao Norte com Batalha, Esperantina e Campo Largo; ao Sul com Batalha, Cabeceiras e Miguel Alves; a Leste, com Piripiri e Batalha e a Oeste, com Miguel Alves, Nossa Senhora dos Rem&#xE9;dios e Campo Largo e dista 126 km da capital. Sua popula&#xE7;&#xE3;o &#xE9; de 44.914 habitantes, onde, 10.261 desenvolvem atividade na agropecu&#xE1;ria (IBGE, 2007). As condi&#xE7;&#xF5;es de saneamento apresentadas pelo munic&#xED;pio de acordo com o IBGE s&#xE3;o as seguintes: 34% das resid&#xEA;ncias n&#xE3;o possuem abastecimento de &#xE1;gua, 67,2% n&#xE3;o apresentam instala&#xE7;&#xF5;es sanit&#xE1;rias e apenas 25% possuem coleta de lixo. Em rela&#xE7;&#xE3;o aos servi&#xE7;os de sa&#xFA;de p&#xFA;blica, 100% da popula&#xE7;&#xE3;o t&#xEA;m cobertura da Estrat&#xE9;gia Sa&#xFA;de da Fam&#xED;lia (DATASUS, 2008). No que se refere &#xE0; produ&#xE7;&#xE3;o agr&#xED;cola, o munic&#xED;pio de Barras tem uma &#xE1;rea cultivada de 6.513 hectares, assim distribu&#xED;dos: arroz de sequeiro 48,3%; milho 35,5%; mandioca 7,7%; melancia 4,6% e 1,9% para feij&#xE3;o maca&#xE7;ar, apresentando uma produ&#xE7;&#xE3;o por hectare, respectivamente, 3.208, 1.387, 2.822, 9.000 e 34,
  • 66. 66 toneladas (CONAB, 2009). Dos 3.888 estabelecimentos agropecu&#xE1;rios existentes no munic&#xED;pio, 22,80% utilizam agrot&#xF3;xicos (IBGE, 2006). Figura 2: Localiza&#xE7;&#xE3;o dos munic&#xED;pios de Barras e Jos&#xE9; de Freitas-PI Fonte: http://www.guianet.com.br/pi/mapapi.gif. Acesso em 22/07/2010. 4.4.2 Municipio de Jos&#xE9; de Freitas O munic&#xED;pio de Jos&#xE9; de Freitas localiza-se na Macrorregi&#xE3;o Meio Norte, Territ&#xF3;rio de Desenvolvimento Entre Rios, limita-se ao norte com Lagoa Alegre/Cabeceiras do Piau&#xED;/Campo Maior; ao Sul com Altos/Teresina; a Leste, com Campo Maior e Oeste com Uni&#xE3;o/Lagoa Alegre/Teresina, estando a 48 km da capital Sua popula&#xE7;&#xE3;o &#xE9; de 36.483 habitantes, com uma extens&#xE3;o territorial de 1.538 km&#xB2;. Os dados do IBGE (2007) mostram em Jos&#xE9; de Freitas 4.672 trabalhadores na agropecu&#xE1;ria. Do total de resid&#xEA;ncias, 44,% possuem
  • 67. 67 abastecimento d&#x2019;&#xE1;gua, 58,8% n&#xE3;o tem instala&#xE7;&#xE3;o sanit&#xE1;ria e apenas 15,7% possui coleta de lixo domiciliar. Em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; cobertura dos servi&#xE7;os de sa&#xFA;de p&#xFA;blica, existem 21 ambulat&#xF3;rios e 86,1% da popula&#xE7;&#xE3;o tem cobertura da Estrat&#xE9;gia Sa&#xFA;de da Fam&#xED;lia. Na agricultura, dos 9.079 hectares de &#xE1;rea cultivada, 39,2% &#xE9; de cana de a&#xE7;&#xFA;car e 34,1% de arroz de sequeiro, seguido da cultura do milho, mandioca e feij&#xE3;o maca&#xE7;ar, com 16,01%, 9,2% e 1,39% hectares respectivamente (CONAB, 2009). Dados do IBGE indicam que, dos 2.451 estabelecimentos agropecu&#xE1;rios, 7,26% utilizaram agrot&#xF3;xicos (IBGE, 2006). 4.5 Sele&#xE7;&#xE3;o dos Sujeitos da Pesquisa Os volunt&#xE1;rios foram trabalhadores rurais dos munic&#xED;pios de Barras e Jos&#xE9; de Freitas, no Estado do Piau&#xED;, potencialmente expostos aos agrot&#xF3;xicos (grupo exposto). Este grupo foi constitu&#xED;do de uma amostra de 60 trabalhadores, sendo 30 para cada munic&#xED;pio, n&#xE3;o havendo restri&#xE7;&#xE3;o quanto ao grupo &#xE9;tnico. Para o controle negativo foram selecionados 55 trabalhadores de &#xE1;reas administrativas que n&#xE3;o estavam expostos a nenhum agroqu&#xED;mico (grupo n&#xE3;o exposto). 4.5.1 Crit&#xE9;rios de Inclus&#xE3;o Para a participa&#xE7;&#xE3;o no estudo alguns crit&#xE9;rios foram estabelecidos: a utiliza&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos pelos volunt&#xE1;rios, somente com fins agr&#xED;colas e estar exposto h&#xE1; pelo menos um ano; ser do sexo masculino com idade acima de 18 anos; trabalhadores capazes de compreender a natureza e objetivo do estudo, com inten&#xE7;&#xE3;o de cooperar com o pesquisador e agir de acordo com os requerimentos de todo o protocolo, tendo sido confirmado mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
  • 68. 68 4.5.2 Crit&#xE9;rios de Exclus&#xE3;o N&#xE3;o poderiam fazer parte do estudo: crian&#xE7;as, mulheres e idosos; volunt&#xE1;rios que apresentassem algum tipo de infe&#xE7;c&#xE7;&#xE3;o (vir&#xF3;tica ou bacteriana) ou que haviam se submetido a raios X, tomografia ou qualquer outro procedimento radiol&#xF3;gico h&#xE1; menos de tr&#xEA;s meses ou que tinham feito tratamento quimioter&#xE1;pico ou radioter&#xE1;pico em algum momento da vida; ter qualquer condi&#xE7;&#xE3;o que o investigador julgasse relevante para a n&#xE3;o participa&#xE7;&#xE3;o no estudo. 4.6 Delineamento do Estudo 4.6.1 Procedimentos com os volunt&#xE1;rios A mobiliza&#xE7;&#xE3;o dos volunt&#xE1;rios deu-se atrav&#xE9;s do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e dos profissionais das Vigil&#xE2;ncias em Sa&#xFA;de e Estrat&#xE9;gia Sa&#xFA;de da Fam&#xED;lia (ESF) dos munic&#xED;pios. A equipe composta por profissionais da Vigil&#xE2;ncia Sanit&#xE1;ria Estadual, com o apoio dos profissionais em cada munic&#xED;pio, ministrou palestra sobre os efeitos dos agrot&#xF3;xicos &#xE0; sa&#xFA;de e explicou sobre a natureza e objetivos da pesquisa. Foi enfatizada ao volunt&#xE1;rio sua liberdade para se retirar a qualquer momento do estudo sem ser obrigado a fornecer o motivo de faz&#xEA;- lo e sem que isto lhe causasse qualquer preju&#xED;zo no conv&#xED;vio com a comunidade. Aqueles que concordaram em participar do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Para fins de avalia&#xE7;&#xE3;o do trabalhador rural exposto aos agrot&#xF3;xicos, aplicou-se um question&#xE1;rio, recomendado pela International Comission for Protection Against Environmental Mutagens and a Carcinogens-ICPEMC (CARRANO; NATARAJAM, 1988). Os dados do Question&#xE1;rio de Sa&#xFA;de Pessoal (ANEXO B) constavam de perguntas sobre sa&#xFA;de, quest&#xF5;es demogr&#xE1;ficas, padr&#xF5;es, h&#xE1;bitos (alimentares, tabaco, &#xE1;lcool, caf&#xE9;, etc), bem como ocupacionais, hist&#xF3;ricos m&#xE9;dico e familiar, tipos de agrot&#xF3;xicos utilizados e dura&#xE7;&#xE3;o da aplica&#xE7;&#xE3;o, assim como sobre o uso de Equipamentos de Prote&#xE7;&#xE3;o Individual (EPI).
  • 69. 69 4.7Coleta das Amostras de Sangue As amostras de sangue foram coletadas no per&#xED;odo de setembro de 2009 a janeiro de 2010, ap&#xF3;s o preenchimento do question&#xE1;rio, sendo submetidas &#xE0;s an&#xE1;lises bioqu&#xED;micas, hematol&#xF3;gicas e teste cometa. A quantidade da amostra de sangue coletada de cada trabalhador foi de 10 mL. Os tubos contendo o sangue foram acondicionados em caixas t&#xE9;rmicas com amplo espa&#xE7;o e sob temperatura de 2&#xBA; a 4&#xBA; C. O tempo de transporte das amostras ao laborat&#xF3;rio em Teresina variou de 2 a 3 horas at&#xE9; o processamento e a leitura, sendo posteriormente, armazenadas em caixas apropriadas e guardadas nos arm&#xE1;rios do Laborat&#xF3;rio de Toxicologia Gen&#xE9;tica e Molecular. Caso novo estudo seja realizado com essas l&#xE2;minas, novo projeto ser&#xE1; encaminhado ao Comit&#xEA; de &#xC9;tica em Pesquisa. Todas as l&#xE2;minas armazenadas foram devidamente codificadas e est&#xE3;o sob a responsabilidade da Diretoria do LACEN/LABTOXIGEN e da Diretoria de Vigil&#xE2;ncia Sanit&#xE1;ria da Secretaria de Estado da Sa&#xFA;de. 4.7.1 Avalia&#xE7;&#xE3;o Bioqu&#xED;mica A avalia&#xE7;&#xE3;o dos resultados das an&#xE1;lises bioquimicas e hematol&#xF3;gicas foi comparada com os valores de refer&#xEA;ncia do LACEN-PI, constantes no ANEXO C. As amostras de sangue foram colhidas e transferidas para tubos de vidro sem anticoagulante. Ap&#xF3;s a coagula&#xE7;&#xE3;o, o sangue foi centrifugado e o soro retirado para as dosagens s&#xE9;ricas de ur&#xE9;ia, creatinina, TGO, TGP, fosfatase alcalina e gama GT. Tamb&#xE9;m foi realizada an&#xE1;lise de indicador biol&#xF3;gico especifico (butirilcolinesterase plasm&#xE1;tica). Para avalia&#xE7;&#xE3;o dos n&#xED;veis de ur&#xE9;ia (Enzim&#xE1;tico &#x2013; UV), realizou-se o seguinte procedimento: em um tubo rotulado como teste foi colocado 1,0 mL do reagente de trabalho, adicionado em seguida 0,01 mL de amostra de cada trabalhador, homogeneizado e transferido imediatamente para cubeta termostatizada a 37 &#xB1; 0,2&#xBA; C. A absorb&#xE2;ncia foi medida aos 30 e 90 segundos. Foi utilizada a diferen&#xE7;a de temperatura referente &#xE0;s medidas de absorb&#xE2;ncia para
  • 70. 70 calcular os resultados. As leituras foram expressas em mg/mL e comparadas com os valores de refer&#xEA;ncia. Os n&#xED;veis de creatinina pela medodologia Labtest foram dosados conforme descrito: foram preparados e identificados tr&#xEA;s tubos de ensaio: branco, teste e padr&#xE3;o. Em todos, foi colocado 2,0 mL de tamp&#xE3;o, no tubo branco acrescentado 0,25 mL de &#xE1;gua deionizada, no tubo identificado como padr&#xE3;o, 0,25 mL da solu&#xE7;&#xE3;o padr&#xE3;o e no teste 0,25 mL de soro do trabalhador. Em seguida, nos tubos brancos e teste, foi acrescentado 0,5 mL de &#xE1;cido p&#xED;crico e 0,1 mL do acidificante. Os reagentes foram misturados e colocados em banho-maria a 37 &#xBA;C, durante 10 minutos, com o n&#xED;vel da &#xE1;gua no banho superior ao n&#xED;vel dos reagentes nos tubos de ensaio, em temperatura ambiente durante 5 minutos. As absorb&#xE2;ncias do teste (A1 e A2) foram feitas no padr&#xE3;o de 510 nm ou filtro verde (500 a 540 nm), acertando o zero com o branco. As leituras foram expressas em mg/mL e comparadas com os valores de refer&#xEA;ncia. A avalia&#xE7;&#xE3;o dos n&#xED;veis de TGO e TGP (cin&#xE9;tico-UV-IFCC) foram assim mensurados: em um tubo rotulado como teste foi colocado 1,0 mL do reagente de trabalho, adicionado em seguida 0,1 mL de amostra de cada trabalhador. A amostra foi homogeneizada, e, ap&#xF3;s 1 minuto, transferida imediatamente para cubeta termostatizada a 37 &#xB1; 0,2&#xBA; C. Em seguida foi registrada a absorb&#xE2;ncia, sendo esta expressa em mg/mL e comparadas com os valores de refer&#xEA;ncia. Os n&#xED;veis de fosfatase alcalina foram mensurados atrav&#xE9;s do m&#xE9;todo- Roy modificado utilizando a seguinte metodologia: pipetou-se 1,0 mL do reagente de trabalho em um tubo teste de 12x75, sendo adicionados 0,02 mL da amostra. Ap&#xF3;s a homogeneiza&#xE7;&#xE3;o, foi transferido imediatamente para a cubeta termostatizada a 37 &#xBA; C, e ap&#xF3;s 30 segundos, realizou-se a leitura da absorb&#xE2;ncia, repetindo-se este procedimento. As leituras foram expressas em mg/mL e comparadas com os valores de refer&#xEA;ncia. Os n&#xED;veis de GGT foram mensurados utilizando (m&#xE9;todo &#x2013; Szasz modificado) com o seguinte procedimento: em um tubo rotulado como teste, foi
  • 71. 71 colocado 1,0 mL do reagente de trabalho, adicionado em seguida 0,05 mL de amostra de cada trabalhador, homogeneizado e transferido imediatamente para cubeta termostatizada a 37 &#xB1; 0,2&#xBA; C. Esperou-se 1 minuto e fez-se a leitura da absorb&#xE2;ncia inicial (A1) em 405 nm, disparando simultaneamente o cron&#xF4;metro e repetida a leitura ap&#xF3;s 2 minutos (A2). As leituras foram expressas em mg/mL e comparadas com os valores de refer&#xEA;ncia. Para mensura&#xE7;&#xE3;o dos n&#xED;veis de butirilcolinesterase plasm&#xE1;tica (BChE), foi utilizada a metodologia Dietz modificado e automatizado empregada no Equipamento Modular P 800 Hitache da Roche. A metodologia foi realizada da seguinte forma: inicialmente procedeu-se a identifica&#xE7;&#xE3;o de 2 tubos de ensaio com B (branco) e T (teste), adicionou-se aos mesmos 1,0 mL de substrato e 3,0 mL de reagente de cor. Foi colocado em banho-maria, 37&#xB0;C, durante 3 minutos, com a estante dentro do banho-maria. Adicionou-se 20 &#xB5;L de amostra no tubo T e incubados durante 2 minutos e 30 segundos. Ap&#xF3;s esse tempo de incuba&#xE7;&#xE3;o e ainda no banho-maria, foi adicionado 3 mL de solu&#xE7;&#xE3;o inibidora no tubo T em intervalos de 30 segundos entre os tubos. Ap&#xF3;s retirar a estante de tubos do banho-maria, foram adicionados 3,0 mL de solu&#xE7;&#xE3;o inibidora e 20 &#xB5;L da amostra no tubo B. O material foi homogeneizado, sendo feita a leitura das absorb&#xE2;ncias do T (teste) em espectrofot&#xF4;metro em 410 nm, acertando o zero com o branco. As leituras foram expressas em mg/mL e comparadas com os valores de refer&#xEA;ncia. 4.7.2 Avalia&#xE7;&#xE3;o Hematol&#xF3;gica Para o estudo hematol&#xF3;gico, as amostras de sangue foram colocadas em tubos de vidro contendo anticoagulante EDTA. Logo ap&#xF3;s a coleta foram feitos os esfrega&#xE7;os das l&#xE2;minas com colora&#xE7;&#xE3;o (Pan&#xF3;tico - corante). Amostras da coleta de sangue foram analisadas por testes hematol&#xF3;gicos utilizando o analisador autom&#xE1;tico Sysmex-KX21. Diferentes par&#xE2;metros hematol&#xF3;gicos foram utilizados: hemoglobina (Hb), hemat&#xF3;crito (Ht), n&#xFA;mero de eritr&#xF3;citos (RBCs) no sangue total, leucograma com contagem de leuc&#xF3;citos e contagem de plaquetas (OLIVEIRA, 2007). Os resultados encontrados foram comparados com os valores de refer&#xEA;ncia (ANEXO C).
  • 72. 72 4.7.3 Avalia&#xE7;&#xE3;o Genot&#xF3;xica: Ensaio Cometa O ensaio cometa &#xE9; um m&#xE9;todo sens&#xED;vel para os estudos de danos ao DNA em c&#xE9;lulas individualizadas. Foi realizado em c&#xE9;lulas de linf&#xF3;citos de acordo com Singh et al.; (1988) e Saran et al.; (2008). &#xC9; uma t&#xE9;cnica simples e r&#xE1;pida para mensurar quebras no DNA em um pequeno n&#xFA;mero de c&#xE9;lulas. No teste, as c&#xE9;lulas s&#xE3;o embebidas em agarose e colocadas em l&#xE2;minas, onde s&#xE3;o lisadas com detergentes e submetidas &#xE0; eletroforese, onde &#xE9; poss&#xED;vel avaliar os danos ao DNA pela sua migra&#xE7;&#xE3;o em forma de cauda, que s&#xE3;o observadas ao microsc&#xF3;pico, indicando a frequ&#xEA;ncia de quebras e danos de bases. Na vers&#xE3;o alcalina &#xE9; poss&#xED;vel incluir os s&#xED;tios apurin&#xED;cos e apirimid&#xED;nicos os quais s&#xE3;o s&#xED;tios &#xE1;lcalis l&#xE1;beis e avaliar a conex&#xE3;o entre danos ao DNA causados por agentes oxidantes. (DUSINSKA; COLLINS, 2008). As amostras de sangue (5 mL) foram coletadas por meio de pun&#xE7;&#xE3;o venosa com seringas est&#xE9;reis e descart&#xE1;veis e colocadas em tubos heparinizados (5000 U/mL). Em seguida foram preparados tr&#xEA;s frascos de cultura, cada um com 5 mL de meio RPMI 1640. Este meio cont&#xE9;m: 15% de soro bovino fetal; 1% de antibi&#xF3;tico (penicilina e estreptomicina), 1% de L-glutamina e 1% de fitohemaglutinina (estimula a divis&#xE3;o celular). Foram adicionadas 18 gotas de sangue total em cada frasco do RPMI. As culturas foram incubadas em estufa comum a 37 &#xBA;C por 72 horas; em seguida centrifugadas a 900 rpm, e o sobrenadante descartado. 10 &#xB5;L do centrifugado foi misturado com 90 &#xB5;L 0,75% de agarose de baixo ponto de fus&#xE3;o (low mellting), a 37&#xBA;C e colocadas em forma de gotas sobre as l&#xE2;minas, e cobertas com as lam&#xED;nulas (24 x 60 mm), mantidas em baixa temperatura por 5 min at&#xE9; solidificar a agarose. Depois, a lam&#xED;nula foi retirada e a l&#xE2;mina mergulhada em solu&#xE7;&#xE3;o de lise (2,5 M NaCl, 100 mM EDTA, 10 mM Tris, 1% Triton X-100, 10 % DMSO; pH 10) a 4&#xBA;C e protegida da luz por no m&#xED;nimo 24 horas. Ao serem removidas da solu&#xE7;&#xE3;o de lise, as l&#xE2;minas foram colocadas na posi&#xE7;&#xE3;o horizontal na cuba de eletroforese. Esta se encontrava em banho de gelo, para manter a temperatura da eletroforese constante em torno dos 4&#xBA;C. A cuba foi, ent&#xE3;o, preenchida com a solu&#xE7;&#xE3;o de eletroforese (1 mM EDTA, 300 mM NaOH; pH &gt; 13) rec&#xE9;m-preparada, a um n&#xED;vel superior (0,25 cm, em m&#xE9;dia) ao das l&#xE2;minas e
  • 73. 73 ficaram em repouso por 20 min para o desenrolamento do DNA, o afrouxamento de suas liga&#xE7;&#xF5;es e a exposi&#xE7;&#xE3;o dos s&#xED;tios &#xE1;lcali-l&#xE1;beis. A eletroforese foi conduzida usando 25 V e 300 mA, por 15 min. Todos estes passos foram realizados na presen&#xE7;a de baixa luminosidade. Ap&#xF3;s a eletroforese, as l&#xE2;minas foram retiradas da cuba e mergulhadas na solu&#xE7;&#xE3;o de neutraliza&#xE7;&#xE3;o (0,4 M tris; pH 7,5, por 5 min). As l&#xE2;minas foram fixadas por 10 min. em solu&#xE7;&#xE3;o fixadora (&#xC1;cido tricloroac&#xE9;tico 15%; Sulfato de zinco heptahidratado 5% e Glicerol 5%). Ap&#xF3;s secagem das l&#xE2;minas, foi feita a colora&#xE7;&#xE3;o com solu&#xE7;&#xE3;o de nitrato de prata. Lavou-se 3 vezes com &#xE1;gua destilada, mantendo as l&#xE2;minas nas cubetas. Adicionou-se &#xE0; solu&#xE7;&#xE3;o de parada (&#xE1;cido ac&#xE9;tico) nas cubetas deixando-as por 5 minutos, mais tr&#xEA;s lavagens com &#xE1;gua destilada e deixou-se secar em bandejas. Imagens de 100 c&#xE9;lulas foram selecionadas aleatoriamente (50 c&#xE9;lulas de cada uma de duas laminas) por indiv&#xED;duo (Figura 3). Figura 3: Esquema do teste cometa conforme protocolo de Singh et al.; (1988) e Saran et al.; (2008) usado para a avalia&#xE7;&#xE3;o de genotoxicidade em agricultores expostos aos agrot&#xF3;xicos.
  • 74. 74 As c&#xE9;lulas foram contadas visualmente em cinco classes de acordo com o tamanho e intensidade dos nucleo&#xED;des (0 - 4). Um valor (&#xCD;ndice de Danos) foi atribu&#xED;do a cada cometa de acordo com sua classe (VILLELA et al.; 2006). O &#xED;ndice de dano (ID), portanto, variou de 0 (completamente intacto: 100 c&#xE9;lulas &#xD7; 0) para 400 (com dano m&#xE1;ximo: 100 &#xD7; 4 c&#xE9;lulas). A an&#xE1;lise foi feita pelo padr&#xE3;o de escores, onde, de acordo com o tamanho e intensidade da cauda do cometa, os mesmos foram divididos em cinco categorias (0-4) de acordo com a percentagem de DNA na cauda do cometa, que indica o grau de les&#xE3;o sofrido pela c&#xE9;lula: 0 = sem danos (&lt;5%); 1 = baixo n&#xED;vel de danos (5-20%); 2 = m&#xE9;dio n&#xED;vel de danos (20-40%); 3 = alto n&#xED;vel de danos (40-95%); 4 = dano total (95%) (Figura 4). Os c&#xE1;lculos dos dados foram feitos segundo as f&#xF3;rmulas: Indice de dano - ID = n&#xFA;mero de dano de cada uma das classes x categoria da classe / 100; Frequencia do dano - FD = 100 % &#x2013; n&#xFA;mero de danos da classe zero (ANEXO D). O controle negativo foi processado separado das amostras dos agricultores e ambos analisados por dois examinadores. A avalia&#xE7;&#xE3;o visual dos cometas &#xE9; um m&#xE9;todo de avalia&#xE7;&#xE3;o bem validado que tem uma alta correla&#xE7;&#xE3;o com a an&#xE1;lise de imagens por computador (COLLINS, 2004). Figura 4: Classes de Danos ao DNA analisados no Teste Cometa Fonte: Vilela et al. (2006).
  • 75. 75 4.8 An&#xE1;lise estat&#xED;stica Os dados obtidos foram submetidos ao programa SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) vers&#xE3;o 13.0, para a an&#xE1;lise de vari&#xE2;ncia com o teste One - way ANOVA n&#xE3;o param&#xE9;trico e para as correla&#xE7;&#xF5;es foi aplicado o teste de Spearman entre os diversos par&#xE2;metros analisados. O programa Prisma vers&#xE3;o 4.0 com o teste Kruskal-Wallis foi usado para a compara&#xE7;&#xE3;o dos par&#xE2;metros hematol&#xF3;gicos e o teste t-student, para compara&#xE7;&#xF5;es entre os indiv&#xED;duos expostos com os n&#xE3;o expostos, na avalia&#xE7;&#xE3;o bioqu&#xED;mica e genot&#xF3;xica. Adotou-se n&#xED;vel de signific&#xE2;ncia de p&lt;0,005 para rejei&#xE7;&#xE3;o da hip&#xF3;tese nula.
  • 76. 76 RESULTADOS E DISCUSS&#xC3;O
  • 77. 77 5 RESULTADOS E DISCUSS&#xC3;O 5.1 Caracteristicas da popula&#xE7;&#xE3;o As caracter&#xED;sticas da popula&#xE7;&#xE3;o em estudo, obtidas a partir das informa&#xE7;&#xF5;es apresentadas pelos indiv&#xED;duos pesquisados, em respostas &#xE0;s indaga&#xE7;&#xF5;es do question&#xE1;rio de sa&#xFA;de est&#xE3;o sumarizadas na Tabela 1 e informam sobre: idade, grupo &#xE9;tnico, tempo de trabalho, uso de EPI, carga hor&#xE1;ria, h&#xE1;bito de fumar, consumo de bebidas alco&#xF3;licas, uso de medicamentos e consumo de vegetais. A faixa et&#xE1;ria encontrada no estudo foi em m&#xE9;dia de 34,27&#xB1;13,10 anos para o grupo exposto e de 32,13&#xB1;9,46 anos para o grupo n&#xE3;o exposto; de etnia negra, na maioria, para os dois grupos. Quanto ao tempo de trabalho, os expostos tiveram uma m&#xE9;dia de 13,55&#xB1;11,74 anos, e carga hor&#xE1;ria m&#xE9;dia de 41,5&#xB1;4,92 horas semanais, enquanto o grupo n&#xE3;o exposto, 7,07&#xB1;7,11 anos de trabalho e jornada semanal m&#xE9;dia de 37,82&#xB1;7,63 horas, sendo o tempo de trabalho coincidente aquele encontrado por Ramos (2009), na Bahia. Pesquisa realizada em duas comunidades no Rio Grande do Sul encontrou resultados semelhantes, onde a idade m&#xE9;dia dos trabalhadores investigados foi de 41,14 anos, sendo o tempo de exposi&#xE7;&#xE3;o de 25,69 anos e uma varia&#xE7;&#xE3;o de 12 a 50 anos (REMOR et al.; 2008). Esta situa&#xE7;&#xE3;o assemelha-se a citada por Veiga et al. (2007), segundo a qual, o trabalhador rural brasileiro chega a trabalhar mais de 12 horas por dia, seis vezes na semana em temperaturas externas que podem atingir 40&#xBA; C, estando sujeito a uma condi&#xE7;&#xE3;o de trabalho bastante insalubre, que pode trazer s&#xE9;rias conseq&#xFC;&#xEA;ncias negativas &#xE0; sua sa&#xFA;de. Em rela&#xE7;&#xE3;o ao uso de EPI, os dados encontrados evidenciaram que 50% dos indiv&#xED;duos expostos utilizavam pelo menos um tipo de prote&#xE7;&#xE3;o individual (Tabela 1). A pesquisa de Remor et al. (2008) mostrou que 68% dos trabalhadores expostos a agrot&#xF3;xicos usavam pelo menos dois tipos de EPI durante a aplica&#xE7;&#xE3;o dos mesmos. Na regi&#xE3;o dos cerrados piauienses, a maioria dos trabalhadores usava apenas um tipo de EPI (luvas, m&#xE1;scara, &#xF3;culos e botas), enquanto 17,5% n&#xE3;o
  • 78. 78 utilizavam nenhuma prote&#xE7;&#xE3;o (CHAVES, 2007). Outros estudos mostram que a maioria dos trabalhadores n&#xE3;o utiliza regularmente o EPI (ARA&#xDA;JO et al.; 2000; MOREIRA et al.; 2002; RAMOS, 2009). Alguns estudos apontam que o uso de EPI n&#xE3;o &#xE9; consequ&#xEA;ncia do entendimento que esses trabalhadores t&#xEA;m do risco associado &#xE0; exposi&#xE7;&#xE3;o, mas da maneira como os mesmos percebem o risco no uso destes produtos (PERES et al.; 2001; LEVIGARD, 2001; PERES, 2003). Os dados encontrados evidenciam que a realidade do trabalhador agr&#xED;cola brasileiro n&#xE3;o diverge muito em se tratando de espa&#xE7;os geogr&#xE1;ficos, havendo similaridades entre o interior do Piau&#xED; e do Rio Grande do Sul. Em rela&#xE7;&#xE3;o ao uso de prote&#xE7;&#xE3;o individual o pr&#xF3;prio IBGE ratifica os resultados encontrados, visto que, de acordo com o censo agropecu&#xE1;rio (2006), 67% dos estabelecimentos declararam a utiliza&#xE7;&#xE3;o destes equipamentos, embora a maior parte tenha citado como equipamentos, &#x201C;botas&#x201D; e &#x201C;chap&#xE9;us.&#x201D; Quanto ao fumo, 41,7% do grupo exposto tinha o h&#xE1;bito de fumar, enquanto 58,3 % n&#xE3;o tinham esse h&#xE1;bito (Tabela 1). Resultado contr&#xE1;rio foi encontrado na pesquisa de Grover et al. (2003), na qual o percentual de fumantes (61,11%) foi maior que o de n&#xE3;o fumantes (38,89%) no grupo exposto. Em rela&#xE7;&#xE3;o ao etilismo, verificou-se um alto consumo de bebidas alco&#xF3;licas no grupo exposto e n&#xE3;o exposto (73,3% e 74,5% respectivamente), (Tabela 1). Este dado pode estar relacionado aos h&#xE1;bitos de vida da popula&#xE7;&#xE3;o, pois, pesquisa realizada no Estado com trabalhadores da regi&#xE3;o sul, tamb&#xE9;m retratou a mesma situa&#xE7;&#xE3;o, com percentual de 55,83% de etilismo para os trabalhadores expostos a agrot&#xF3;xicos (CHAVES, 2007). A mesma pesquisadora mostrou que 97% dos agricultores n&#xE3;o costumavam consumir vegetais na dieta, sendo encontrado em nosso estudo 66,7%. Na literatura o consumo de vegetais &#xE9; tratado como h&#xE1;bito conservador da estabilidade gen&#xE9;tica, podendo fornecer vitaminas antioxidantes que combatem as esp&#xE9;cies reativas de oxig&#xEA;nio (ERDTMANN, 2003). Nos resultados sobre o consumo de medicamentos, o percentual maior foi para o grupo exposto, tanto para medicamentos prescritos (33,3%), como os n&#xE3;o prescritos (66,7%).
  • 79. 79 Tabela 1: Caracter&#xED;sticas da popula&#xE7;&#xE3;o do estudo exposta e n&#xE3;o exposta aos agrot&#xF3;xicos em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010). Caracter&#xED;sticas da popula&#xE7;&#xE3;o Expostos n=60 N&#xE3;o expostos n=55 Idade *34,27 &#xB1; 13,10 *32,13 &#xB1; 9,46 (18-69) (20-69) Grupo &#xE9;tnico Branco - 27,3% Negro 86,7% 34,5% Caucasiano 5,0% 30,9% Outros 8,3% 7,3% Tempo de trabalho no local (anos) *13,55 &#xB1; 11,74 *7,07 &#xB1; 7,11 (1-50) (1-31) Uso de EPIs Sim 50,0% 9,1% N&#xE3;o 41,7% 45,4% N&#xE3;o informado 8,3% 45,5% Carga hor&#xE1;ria semanal *(41,5&#xB1;4,92) *(37,82&#xB1;7,63) (15-60) (0-50) H&#xE1;bito de fumar** N&#xE3;o 58,3% 85,5% Sim 41,7% 14,5% Consumo de &#xE1;lcool semanal Sim 73,3% 74,5% N&#xE3;o 26,7% 25,5% Consumo de medicamentos Prescritos 33,3% 29,1% N&#xE3;o prescritos 66,7% 58,2% N&#xE3;o informado - 12,7% Consumo de vegetais Sim 33,3% 21,8% N&#xE3;o 66,7% 70,9% N&#xE3;o informado - 7,3% Resultados expressos como* m&#xE9;dia &#xB1; desvio padr&#xE3;o e percentual. Dados entre par&#xEA;nteses correspondem ao valor m&#xED;nimo e m&#xE1;ximo. 5.2Agrot&#xF3;xicos utilizados nos munic&#xED;pios de Barras e Jos&#xE9; de Freitas No momento da entrevista, ao serem indagados sobre a exposi&#xE7;&#xE3;o aos agentes qu&#xED;micos no trabalho, os trabalhadores relataram que se exp&#xF5;em a v&#xE1;rios tipos de agrot&#xF3;xicos, sendo comum, um mesmo trabalhador, citar mais de um tipo de &#x201C;veneno&#x201D;, que &#xE9; como eles se referiam aos agrot&#xF3;xicos.
  • 80. 80 Como mostra a Figura 5, a classe dos agrot&#xF3;xicos mais utilizados pelos agricultores dos munic&#xED;pios pesquisados, &#xE9; a de herbicidas (81,1%), seguido dos inseticidas (16,3%), ressaltando que 2,6% dos entrevistados referiram n&#xE3;o saber qual produto utilizam, seja por desconhecimento do nome, pela utiliza&#xE7;&#xE3;o de misturas complexas ou uso de produtos proibidos. Outros autores relatam dificuldade para identifica&#xE7;&#xE3;o dos agrot&#xF3;xicos utilizados pelos trabalhadores, assim como mostram que os herbicidas s&#xE3;o tamb&#xE9;m os agrot&#xF3;xicos mais utilizados na agricultura confirmando nossos achados (YOUNES, 2000; CAIRES et al.; 2002; FARIA, et al.; 2004, 2009). Figura 5: Percentual da utiliza&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos segundo classe/a&#xE7;&#xE3;o pelos trabalhadores rurais em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010) 81,1% 16,3% 2,6% Herbicidas Inseticidas N&#xE3;o&#xA0;sabe Os resultados encontrados correspondem aos dados divulgados pela Associa&#xE7;&#xE3;o Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF, 2009), onde mostram que, no Brasil, os herbicidas representam 44,9% do consumo (3,200 milh&#xF5;es de toneladas). O segundo maior consumo &#xE9; de inseticidas, com 28,5% (2,027 milh&#xF5;es de toneladas); em seguida, est&#xE3;o os fungicidas, com 22,1% (1,573 milh&#xF5;es de toneladas); os acaricidas representam 1,6% (112,8 mil toneladas), e os demais defensivos agr&#xED;colas, 2,9%, (que somam 210,1 mil toneladas) (MENTEM, 2009).
  • 81. 81 Entre os herbicidas, os mais citados pelos trabalhadores foram o Glifosato (45,9%) e o Roundup (25,7%), cujo ingrediente ativo &#xE9; o glifosato. Em seguida, o 2,4 D e DMA, com o &#xE1;cido fenoxiac&#xE9;tico como principio ativo (5,4%) e Propanil (4,1%) (Quadro 6). Segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&#xE1;veis &#x2013; IBAMA (2005), entre os princ&#xED;pois ativos mais consumidos destacam-se os herbicidas glifosato (34%) e o &#xE1;cido diclorofenoxiac&#xE9;tico &#x2013; 2,4 D (6,6%), o &#xF3;leo mineral (7,1%) e o inseticida metamidof&#xF3;s (6,4%). A grande utiliza&#xE7;&#xE3;o dos herbicidas est&#xE1; intrinsecamente relacionada ao tipo de cultivo existente nos munic&#xED;pios estudados. Como mencionamos no item de caracteriza&#xE7;&#xE3;o das regi&#xF5;es, as principais culturas s&#xE3;o: arroz de sequeiro; cana de a&#xE7;&#xFA;car; feij&#xE3;o maca&#xE7;ar; mandioca; milho e melancia (CONAB, 2009), algumas das quais s&#xE3;o respons&#xE1;veis pelo elevado consumo desses produtos (IBAMA, 2005). Quadro 6: Agrot&#xF3;xicos referidos pelos trabalhadores em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010) *Nome referido Grupo qu&#xED;mico Classe / A&#xE7;&#xE3;o Ingrediente ativo Classe toxicol&#xF3;gica N&#xBA; % 2,4 D &#xC1;cido ariloxialcan&#xF3;ico Herbicida &#xC1;cido fenoxiac&#xE9;tico/ 2,4D I 2 2,7 DMA &#xC1;cido ariloxialcan&#xF3;ico Herbicida &#xC1;cido fenoxiac&#xE9;tico/ 2,4D I 2 2,7 Propanil Anilida Herbicida Propanil II 3 4,1 Karate Piretr&#xF3;ide Inseticida Lambda cialotrina III 3 4,1 Actara Neonicotinoide Inseticida Tiametoxam III 9 12,2 Roundup Glicina substitu&#xED;da Herbicida Glifosato IV 19 25,7 Glifosato Glicina substitu&#xED;da Herbicida Glifosato IV 34 45,9 N&#xE3;o sabe - - - N&#xE3;o sabe 2 2,6 TOTAL 74 100 *Nome do produto referido pelo trabalhador. N&#xBA;=N&#xFA;mero de vezes em que o agrot&#xF3;xico foi citado pelo trabalhador. A utiliza&#xE7;&#xE3;o do glifosato na agricultura tem sido crescente nas &#xFA;ltimas duas d&#xE9;cadas. O glifosato &#xE9; irritante d&#xE9;rmico e ocular, podendo causar danos hep&#xE1;ticos e
  • 82. 82 renais quando ingerido em doses elevadas (AMARANTE JUNIOR et al.; 2002). Um estudo na UNICAMP demonstrou que 61% das intoxica&#xE7;&#xF5;es com agrot&#xF3;xico no Brasil, entre 1996 e 2000, s&#xE3;o devido a manipula&#xE7;&#xF5;es com glifosato (BOLOGNESI, 2003). O efeito do glifosato no organismo humano &#xE9; cumulativo e a intensidade da intoxica&#xE7;&#xE3;o depende do tempo de contato com o produto. Os sintomas de intoxica&#xE7;&#xE3;o previstos incluem irrita&#xE7;&#xF5;es na pele e nos olhos, n&#xE1;useas e tonturas, edema pulmonar, queda da press&#xE3;o sangu&#xED;nea, alergias, dor abdominal, perda de l&#xED;quido gastrointestinal, v&#xF4;mito, desmaios, destrui&#xE7;&#xE3;o de gl&#xF3;bulos vermelhos no sangue e danos no sistema renal (ANDRIOLI, 2005). O glifosato &#xE9; do grupo quimico da glicina substitu&#xED;da, sendo herbicidas indicados para uso em in&#xFA;meras culturas agr&#xED;colas contra plantas infestantes, inclu&#xED;do na classe toxicol&#xF3;gica IV, considerado como pouco perigoso pela legisla&#xE7;&#xE3;o brasileira, no entanto, Batista et al. (2006) em estudo in vitro de seus efeitos sobre os eritr&#xF3;citos demonstraram a&#xE7;&#xE3;o toxicol&#xF3;gica sobre a membrana celular com conseq&#xFC;&#xEA;ncias graves para a sa&#xFA;de humana e de animais silvestres e dom&#xE9;sticos. O 2,4 D e o DMA s&#xE3;o derivados do &#xE1;cido fenoxiac&#xE9;tico, classificados como extremamente t&#xF3;xicos (classe I), s&#xE3;o amplamente utilizado no pa&#xED;s, principalmente em pastagens e planta&#xE7;&#xF5;es de cana-de-a&#xE7;&#xFA;car, para combate a ervas de folhas largas. &#xC9; bem absorvido pela pele, por ingest&#xE3;o e inala&#xE7;&#xE3;o, podendo produzir neurite perif&#xE9;rica e diabetes transit&#xF3;ria no per&#xED;odo da exposi&#xE7;&#xE3;o. Em altas doses, pode provocar les&#xF5;es degenerativas hep&#xE1;ticas, renais e do sistema nervoso central (OPAS/OMS, 1996). Existem suspeitas de mutagenicidade, teratogenicidade e carcinogenicidade relacionados aos herbicidas. Estudos epidemiol&#xF3;gicos demonstram diversas associa&#xE7;&#xF5;es entre o uso de agrot&#xF3;xicos e c&#xE2;ncer em humanos, incluindo linfoma n&#xE3;o-Hodgkin e c&#xE2;ncer de tire&#xF3;ide (INCA, 2006). Em estudo realizado no Rio Grande do Sul, Dallegrave (2003) detectou a toxicidade reprodutiva do Roundup em ratos Wistar, como o aumento no percentual de espermatoz&#xF3;ides anormais em puberdade e a redu&#xE7;&#xE3;o da produ&#xE7;&#xE3;o di&#xE1;ria e do
  • 83. 83 n&#xFA;mero de espermatoz&#xF3;ides em idade adulta. Al&#xE9;m disso, foram verificados dist&#xFA;rbios de desenvolvimento e altera&#xE7;&#xF5;es nos tecidos testiculares dos ratos. Os inseticidas citados nesta pesquisa foram o Actara (12,2%) e o Karate (4,1%) classificados como medianamente t&#xF3;xicos (classe III) (Quadro 6). Estudo realizado no Vale do S&#xE3;o Francisco-PE, constatou que a classe de agrot&#xF3;xicos mais utilizados foi a de inseticida, que oferece o maior potencial para agravos agudos &#xE0; sa&#xFA;de (BEDOR et al.; 2007). O Karate &#xE9; um piretr&#xF3;ide, altamente t&#xF3;xico e perigoso para o ambiente. Os piretr&#xF3;ides s&#xE3;o de f&#xE1;cil absor&#xE7;&#xE3;o pelas vias digestiva, respirat&#xF3;ria e cut&#xE2;nea. Os sintomas de intoxica&#xE7;&#xE3;o aguda ocorrem principalmente quando sua absor&#xE7;&#xE3;o se d&#xE1; por via respirat&#xF3;ria. S&#xE3;o estimulantes do sistema nervoso central e, em doses altas, podem produzir les&#xF5;es no sistema nervoso perif&#xE9;rico, n&#xE3;o tendo evid&#xEA;ncias de toxicidade cr&#xF4;nica com o uso de piretr&#xF3;ides (MATOS et al.; 2002). Segundo Trap&#xE9; (2005) neurites perif&#xE9;ricas e altera&#xE7;&#xF5;es hematol&#xF3;gicas do tipo leucopenias, s&#xE3;o alguns dos efeitos da exposi&#xE7;&#xE3;o de longo prazo aos piretr&#xF3;ides. O Actara, que tem como ingrediente ativo o tiametoxam quando em contato constante, mesmo em pequenas doses, esse inseticida tem grande potencial carcinog&#xEA;nico (OLIVEIRA et al.; 2009). Quanto &#xE0; toxicidade, o percentual dos agrot&#xF3;xicos mais utilizados, encontra-se na classe IV (71,6%), considerados pouco t&#xF3;xicos, seguido da classe III (16,3%) e classe I (5,4%), conforme ilustrado na Figura 6. De acordo com Garcia (2005), classificar um agrot&#xF3;xico segundo sua periculosidade deveria servir como par&#xE2;metro para a defini&#xE7;&#xE3;o de medidas de controle e de gerenciamento de riscos, por&#xE9;m, no Brasil, essa classifica&#xE7;&#xE3;o &#xE9; meramente figurativa, uma vez que n&#xE3;o h&#xE1; diferen&#xE7;a em um produto ser da Classe I (extremamente t&#xF3;xico para o homem) ou da Classe IV (pouco t&#xF3;xico para os seres humanos), se eles podem ser recomendados, comercializados e utilizados da mesma forma e por qualquer usu&#xE1;rio.
  • 84. 84 Figura 6: Percentual da utiliza&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos segundo classe toxicol&#xF3;gica pelos trabalhadores rurais em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010). 5,4% 4,1% 16,3% 71,6% N&#xE3;o&#xA0;sabe 2,6% I II III IV N&#xE3;o&#xA0;sabe 5.3Avalia&#xE7;&#xE3;o bioqu&#xED;mica Os biomarcadores bioqu&#xED;micos s&#xE3;o importantes ferramentas utilizadas nos estudos epidemiol&#xF3;gicos, buscando-se estabelecer uma rela&#xE7;&#xE3;o entre a exposi&#xE7;&#xE3;o aos agentes qu&#xED;micos e os efeitos na sa&#xFA;de dos indiv&#xED;duos expostos. A exposi&#xE7;&#xE3;o aos pesticidas &#xE9; conhecida por produzir uma variedade de altera&#xE7;&#xF5;es bioqu&#xED;micas, a qual pode ser respons&#xE1;vel por efeitos adversos em estudos experimentais com humanos (HERN&#xC1;NDEZ et al.; 2006; L&#xD3;PEZ et al.; 2007). Foram avaliadas as enzimas TGO, TGP, FA e GGT dos indiv&#xED;duos expostos e n&#xE3;o expostos utilizando o teste t student. A avalia&#xE7;&#xE3;o da atividade enzim&#xE1;tica, al&#xE9;m de demonstrar que a exposi&#xE7;&#xE3;o excessiva possui significado cl&#xED;nico ou toxicol&#xF3;gico pr&#xF3;prio, pode estar associada a um efeito ou uma disfun&#xE7;&#xE3;o do sistema biol&#xF3;gico avaliado (AZEVEDO; CHASIN, 2003). Como observado na Tabela 2, foi evidenciado que nas dosagens de ur&#xE9;ia, GGT e butirilcolinesterase, as m&#xE9;dias encontradas n&#xE3;o tiveram diferen&#xE7;as
  • 85. 85 estatisticamente significativas quando comparados entre os grupos. Entretanto nas dosagens de TGO, TGP e FA, foram encontrados valores com signific&#xE2;ncia estat&#xED;stica com p &lt; 0,001 confirmando a diferen&#xE7;a entre as m&#xE9;dias e, na dosagem de creatinina, evidenciou-se signific&#xE2;ncia p &lt; 0,005. Tabela 2: Avalia&#xE7;&#xE3;o dos par&#xE2;metros bioqu&#xED;micos em agricultores expostos aos agrot&#xF3;xicos em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010) Grupo Ur&#xE9;ia Creatinina Gama GT (GGT) Fosfatase alcalina (FA) Butiril- colinesterase (BChE) TGO TGP Exposto N=60 30,73&#xB1;9,23 (12-48) 1,00&#xB1;0,15* (0,70-1,70) 16,50&#xB1;12,09 (3-64) 66,40&#xB1;19,87*** (41-157) 7.712&#xB1;2.104 (800-11.000) 32,62&#xB1;7,62*** (21-63) 37,72&#xB1;13,84*** (18-86) N&#xE3;o exposto N=55 28,93&#xB1;5,67 (16-46) 0,94&#xB1;0,12 (0,70-1,30) 20,07&#xB1;10,67 (3-57) 40,32&#xB1;13,26 (16-75) 7.932&#xB1;1.668 (4.950-11.300) 27,09&#xB1;4,87 (17-35) 27,05&#xB1;4,92 (14-37) Resultados expressos como m&#xE9;dia &#xB1; desvio padr&#xE3;o. Dados entre par&#xEA;nteses correspondem ao valor m&#xED;nimo e m&#xE1;ximo. Signific&#xE2;ncia em *p&lt; 0,005 e ***p&lt;0,001, em rela&#xE7;&#xE3;o aos trabalhadores n&#xE3;o expostos aos agrot&#xF3;xicos analisados com o teste t. Embora a m&#xE9;dia de TGO do grupo exposto (32,62&#xB1;7,62) esteja no intervalo do valor de refer&#xEA;ncia (4-36 U/l), observou-se que 33,3% dos trabalhadores apresentavam esse indicador acima desse valor; enquanto a m&#xE9;dia de TGP (37,72 &#xB1; 13,84) encontra-se elevada em rela&#xE7;&#xE3;o ao valor de refer&#xEA;ncia (4-32 U/l). Neste indicador, 55% dos trabalhadores expostos encontravam-se acima desse valor. A transaminase TGO &#xE9; menos espec&#xED;fica para se afirmar que existe uma doen&#xE7;a hep&#xE1;tica j&#xE1; que tamb&#xE9;m se encontra no m&#xFA;sculo card&#xED;aco, nos ossos, rins, c&#xE9;rebro, p&#xE2;ncreas, pulm&#xF5;es, leuc&#xF3;citos e eritr&#xF3;citos. A TGP, em geral, &#xE9; mais especifica do f&#xED;gado. Entre os fatores que contribuem para o aumento das transaminases est&#xE3;o o abuso de bebidas contendo &#xE1;lcool, a exposi&#xE7;&#xE3;o a sangue contendo v&#xED;rus (usu&#xE1;rios de drogas, tatuagens, transfus&#xF5;es) a prov&#xE1;vel exist&#xEA;ncia de doen&#xE7;a biliar, o uso atual de medicamentos hepatot&#xF3;xicos, imunossupress&#xE3;o, hepatopatia pr&#xE9;via, enfermidade card&#xED;aca (MATTOS; DANTAS, 2001). O aumento de TGO &#xE9; considerado forte indicativo de les&#xF5;es cr&#xF4;nicas, enquanto o aumento de TGP sugere les&#xF5;es agudas, o que, segundo Ramos (2009), pode indicar que esse aumento significativo no grupo exposto seja uma altera&#xE7;&#xE3;o subcl&#xED;nica est&#xE1;vel, que s&#xF3; poderia
  • 86. 86 ser confirmada com acompanhamento m&#xE9;dico peri&#xF3;dico e possivelmente atestada por biopsia hep&#xE1;tica. Nesta pesquisa, o uso do glifosato pelos trabalhadores foi de 71,6%, o que pode ter contribuido para o aumento desta enzima, pois segundo Hernandez et al. (2006), a TGO pode ser alterada em exposi&#xE7;&#xF5;es aos pesticidas dentre eles o glifosato, resultando em uma sutil disfun&#xE7;&#xE3;o hep&#xE1;tica que poder&#xE1; futuramente culminar em citotoxicidade. Estudo realizado por Almeida; Martins (2008) em popula&#xE7;&#xE3;o exposta a agrot&#xF3;xicos encontrou aumento na atividade das enzimas TGO e TGP em 10% e 16% dos pacientes, respectivamente. A eleva&#xE7;&#xE3;o da TGP &#xE9; considerada como um par&#xE2;metro sens&#xED;vel e precoce das altera&#xE7;&#xF5;es hep&#xE1;ticas decorrentes de exposi&#xE7;&#xF5;es ocupacionais a agentes hepatot&#xF3;xicos, antes que les&#xF5;es irrevers&#xED;veis se desenvolvam (CARVALHO et al.; 2006). Na dosagem de FA, altera&#xE7;&#xF5;es significantes (p&lt; 0,001) foram encontradas no grupo exposto (m&#xE9;dia=66,40&#xB1;19,87) em rela&#xE7;&#xE3;o ao n&#xE3;o exposto (m&#xE9;dia=40,32&#xB1;13,26), encontrando-se acima do valor de refer&#xEA;ncia (13-43 U/I) (Figura 7). Estudo realizado por Carvalho et al. (1988) detectou n&#xED;veis significativamente elevados (p&lt; 0,001) de fosfatase alcalina em aplicadores de BHC. A exposi&#xE7;&#xE3;o ao pesticida genot&#xF3;xico carbofurano induz estresse oxidativo na c&#xE9;lula aumentando a produ&#xE7;&#xE3;o de esp&#xE9;cies reativas de oxig&#xEA;nio e de nitrog&#xEA;nio (MILATOVIC et al.; 2005, 2006). Figura 7: Dosagem de fosfatase alcalina em trabalhadores expostos aos agrot&#xF3;xicos e em indiv&#xED;duos n&#xE3;o expostos a agentes qu&#xED;micos em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010). A linha cont&#xED;nua indica o limite m&#xE1;ximo do valor de refer&#xEA;ncia (43 U/I).
  • 87. 87 Observa-se que a m&#xE9;dia da gama GT n&#xE3;o foi estatisticamente significante entre os grupos, entretanto, nos dois grupos, foi observado que alguns trabalhadores apresentaram resultados acima do valor de refer&#xEA;ncia (7 a 40 U/I) (Tabela 2). Segundo Almeida e Martins (2008), essa vari&#xE1;vel pode se elevar com o consumo de &#xE1;lcool, o que pode justificar as altera&#xE7;&#xF5;es encontradas em nossa pesquisa, onde foi observado elevado consumo de bebida alco&#xF3;lica no grupo exposto e n&#xE3;o exposto (73,3% e 74,5%). Por estar presente quase na sua totalidade no f&#xED;gado, a GGT aparece elevada na maioria das altera&#xE7;&#xF5;es hepatobiliares, sendo um dos testes mais sens&#xED;veis no diagn&#xF3;stico dessas condi&#xE7;&#xF5;es. Estes resultados s&#xE3;o semelhantes &#xE0;queles encontrados por esses autores ao estudar o perfil das enzimas hep&#xE1;ticas em trabalhadores da cultura de alho. Apesar das altera&#xE7;&#xF5;es dos padr&#xF5;es das enzimas hep&#xE1;ticas serem relacionadas normalmente a doen&#xE7;as comuns, n&#xE3;o se pode descartar a possibilidade de resultarem de exposi&#xE7;&#xE3;o a agrot&#xF3;xicos, j&#xE1; que a biotransforma&#xE7;&#xE3;o de mol&#xE9;culas qu&#xED;micas ocorre, principalmente, no f&#xED;gado. Segundo a OPAS/OMS (1996), a exposi&#xE7;&#xE3;o prolongada a m&#xFA;ltiplos agrot&#xF3;xicos afeta diversos &#xF3;rg&#xE3;os, incluindo o f&#xED;gado, podendo causar hepatite cr&#xF4;nica, colecistite e insufici&#xEA;ncia hep&#xE1;tica. Como mostrado na Tabela 1, o tempo m&#xE9;dio de exposi&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores foi de 13,55 anos, que pode ser considerada como exposi&#xE7;&#xE3;o cr&#xF4;nica, suficiente para que as altera&#xE7;&#xF5;es hep&#xE1;ticas apresentassem fora dos valores de refer&#xEA;ncia normais. Nas intoxica&#xE7;&#xF5;es cr&#xF4;nicas, por agrot&#xF3;xicos, o quadro cl&#xED;nico &#xE9; indefinido e o diagn&#xF3;stico dif&#xED;cil de ser estabelecido. Al&#xE9;m das v&#xE1;rias manifesta&#xE7;&#xF5;es cr&#xF4;nicas como neuropatias perif&#xE9;ricas, discrasias sangu&#xED;neas diversas, les&#xF5;es renais, arritmias card&#xED;acas e dermatoses, ou irrevers&#xED;veis como paralisias e neoplasias entre outras, tamb&#xE9;m causam les&#xF5;es hep&#xE1;ticas com altera&#xE7;&#xF5;es das transaminases e da fosfatase alcalina (ALMEIDA; MARTINS, 2008). Para a avalia&#xE7;&#xE3;o da fun&#xE7;&#xE3;o renal, usou-se como biomarcadores a ur&#xE9;ia e a creatinina. A m&#xE9;dia de ur&#xE9;ia no grupo exposto foi 30,73&#xB1;9,23 e 28,93&#xB1;5,67 para o n&#xE3;o exposto, ambas consideradas normais para os valores de referencia (10-52 mg/dL), n&#xE3;o havendo diferen&#xE7;a significativa entre os grupos. Para a dosagem de creatinina a m&#xE9;dia foi de 1,0&#xB1;0,15 para o exposto e 0,94&#xB1;0,12 para o n&#xE3;o exposto,
  • 88. 88 observando-se que ambas est&#xE3;o normais para os valores de refer&#xEA;ncia (0,4-1,3 mg/dL), no entanto, neste biomarcador, foi evidenciada diferen&#xE7;a estatisticamente significativa entre os grupos (p&lt;0,005). Segundo a OPAS (1996), os herbicidas provocam les&#xF5;es hep&#xE1;ticas, renais e fibrose pulmonar irrevers&#xED;vel. O f&#xED;gado e os rins, principais &#xF3;rg&#xE3;os de biotransforma&#xE7;&#xE3;o e excre&#xE7;&#xE3;o de subst&#xE2;ncias t&#xF3;xicas, s&#xE3;o os alvos mais freq&#xFC;entemente afetados pelos inseticidas (SANTOS et al.; 2007). Na avalia&#xE7;&#xE3;o da butirilcolinesterase, n&#xE3;o foi observado diferen&#xE7;a estatisticamente significante entre os dois grupos. Entretanto, no grupo dos trabalhadores expostos, 5% apresentaram inibi&#xE7;&#xE3;o na dosagem da BChE, dentre eles o valor mais discrepante foi o out liers de 800 U/I (Figura 8). Esse dado pode estar relacionado a n&#xE3;o utiliza&#xE7;&#xE3;o na agricultura pelos trabalhadores pesquisados dos organofosforados e carbamatos, que s&#xE3;o os respons&#xE1;veis pela inibi&#xE7;&#xE3;o da acetilcolinesterase. Essa diminui&#xE7;&#xE3;o tamb&#xE9;m pode estar associada ao consumo alco&#xF3;lico, visto que, 73,3% deste grupo, consumiam estas bebidas (Tabela 1), al&#xE9;m da neurotoxicidade o &#xE1;lcool pode causar disfun&#xE7;&#xE3;o hep&#xE1;tica e altera&#xE7;&#xF5;es nos testes de inibi&#xE7;&#xE3;o das colinesterases. Estudo realizado por Faria et al. (2009), encontrou propor&#xE7;&#xE3;o de consumo alco&#xF3;lico de alto risco mais elevada no grupo com redu&#xE7;&#xE3;o de BChE, sugerindo uma rela&#xE7;&#xE3;o entre alcoolismo e intoxica&#xE7;&#xF5;es. Em Nova Friburgo (RJ), 32% dos trabalhadores com redu&#xE7;&#xE3;o de BChE apresentavam hepatopatia alco&#xF3;lica. Sendo o alcoolismo um fator de confundimento no diagn&#xF3;stico diferencial com a intoxica&#xE7;&#xE3;o cr&#xF4;nica induzida por agrot&#xF3;xicos, cabe registrar ainda que, al&#xE9;m do fator de confundimento, o &#xE1;lcool &#xE9; um potencializador dos efeitos causados pela exposi&#xE7;&#xE3;o a agrot&#xF3;xicos (ARA&#xDA;JO et al.; 2007).
  • 89. 89 Figura 8: Dosagem de butirilcolinesterase em trabalhadores expostos aos agrot&#xF3;xicos e em indiv&#xED;duos n&#xE3;o expostos a agentes qu&#xED;micos em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010). 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 49 51 53 55 57 59 Exposto N&#xE3;o&#xA0;Exposto A linha cont&#xED;nua indica o limite m&#xED;nimo do valor de refer&#xEA;ncia (4.620 U/I). 5.4 Avalia&#xE7;&#xE3;o hematol&#xF3;gica Na avalia&#xE7;&#xE3;o dos par&#xE2;metros hematol&#xF3;gicos (Tabela 3), n&#xE3;o foram observadas diferen&#xE7;as estatisticamente significantes entre os grupos exposto e n&#xE3;o exposto. A m&#xE9;dia dos valores encontra-se no intervalo dos valores de refer&#xEA;ncia (ANEXO C) para esses marcadores, entretanto, na avalia&#xE7;&#xE3;o dos leuc&#xF3;citos, observou-se que a m&#xE9;dia do grupo exposto (4.848,06&#xB1;1270,15), encontra-se abaixo do valor de refer&#xEA;ncia (5000-10000 mm&#xB3;), onde 55% dos trabalhadores neste grupo apresentaram leucopenia (Figura 9). Tabela 3: Avalia&#xE7;&#xE3;o dos par&#xE2;metros hematol&#xF3;gicos em agricultores expostos aos agrot&#xF3;xicos em munic&#xED;pios do Piau&#xED; (2010). Grupos Hemat&#xF3;crito (%) Hemoglobina (g/L) Hem&#xE1;cias (mm3 ) Leuc&#xF3;citos (mm3 ) 44,44 &#xB1; 3,48 15,19 &#xB1; 1,37 4,85 &#xB1; 0,40 4.848,06 &#xB1; 1270,15Expostos N=60 (33-54) (11,10-18,40) (3,90-5,68) (2.780-7.750) 45,52 &#xB1; 2,70 15,54 &#xB1; 1,24 4,92 &#xB1; 0,28 5.758,00 &#xB1; 1135,80 N&#xE3;o Expostos N=55 (41-52) (13,40-17,60) (4,30-5,60) (4.700-9.800) Resultados expressos como m&#xE9;dia &#xB1; desvio padr&#xE3;o. Dados entre par&#xEA;nteses correspondem aos valores m&#xED;nimos e m&#xE1;ximos. N&#xE3;o Signific&#xE2;ncia em rela&#xE7;&#xE3;o aos trabalhadores n&#xE3;o expostos analisados com o &#x201D;Kruskal-Walls test&#x201D;.
  • 90. 90 Carvalho et al. (1988), em estudo com aplicadores de DDT, com exposi&#xE7;&#xE3;o atual e antiga (de 5-20 anos), encontrou diminui&#xE7;&#xE3;o significativa no n&#xFA;mero de leuc&#xF3;citos quando comparado ao grupo controle. Segundo Trap&#xE9; (2005), altera&#xE7;&#xF5;es hematol&#xF3;gicas do tipo leucopenia pode ser efeito de exposi&#xE7;&#xE3;o em longo prazo aos piretr&#xF3;ides. Entretanto, a leucopenia n&#xE3;o pode ser considerada como um &#xFA;nico fator indicativo, uma vez que pode ser influenciada por medicamentos, tais como, antiarr&#xED;tmicos, antibi&#xF3;ticos, anticonvulsivantes, anti-hipertensivos e os usados para tratamento do diabetes, al&#xE9;m dos agrot&#xF3;xicos. Nesta pesquisa, o tempo de exposi&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores (13,55 anos), pode ser considerado exposi&#xE7;&#xE3;o cr&#xF4;nica, ressaltando que, 33,3% dos expostos usavam medicamento prescrito e 66,7% n&#xE3;o prescritos (Tabela 13), o que pode ter contribu&#xED;do para a diminui&#xE7;&#xE3;o dos leuc&#xF3;citos. Segundo Ramos (2009), esta diminui&#xE7;&#xE3;o gera tamb&#xE9;m uma defici&#xEA;ncia imunol&#xF3;gica, deixando assim o indiv&#xED;duo mais vulner&#xE1;vel &#xE0;s doen&#xE7;as oportunistas que, se n&#xE3;o tratada, pode levar o indiv&#xED;duo a &#xF3;bito. Figura 9: Percentagem de trabalhadores expostos aos agrot&#xF3;xicos em munic&#xED;pios do Piau&#xED;, de acordo com avalia&#xE7;&#xE3;o hematol&#xF3;gica para leuc&#xF3;citos (2010). 55,0% 45,0% &lt;&#xA0;5000&#xA0;leuc&#xF3;citos&#xA0;por&#xA0;mm&#xB3; &gt;&#xA0;5000&#xA0;leuc&#xF3;citos&#xA0;por&#xA0;mm&#xB3; Trabalhadores expostos aos pesticidas podem apresentar altera&#xE7;&#xF5;es hematol&#xF3;gicas, mudan&#xE7;as envolvendo a quantidade, qualidade e distribui&#xE7;&#xE3;o das c&#xE9;lulas sangu&#xED;neas (SANTOS-FILHO et al.; 2005; RAMOS, 2009). Segundo Carvalho (1988), a a&#xE7;&#xE3;o inicial de exposi&#xE7;&#xE3;o ao agrot&#xF3;xico &#xE9; uma leucocitose,
  • 91. 91 indicando uma tentativa de defesa celular importante do organismo agredido. Nas fases subsequentes, com o aumento a intensidade de exposi&#xE7;&#xE3;o, parece que come&#xE7;a haver uma les&#xE3;o significativa no sistema hematopoi&#xE9;tico e imune, ocasionando uma leucopenia acentuada. Segundo Titlic et al. (2008) ap&#xF3;s exposi&#xE7;&#xE3;o aos pesticidas, v&#xE1;rios dist&#xFA;rbios fisiol&#xF3;gicos podem se manifestar, dentre eles diminui&#xE7;&#xE3;o significativa do n&#xFA;mero de hem&#xE1;cias e leuc&#xF3;citos. Embora n&#xE3;o tenha sido observada diferen&#xE7;a estatisticamente significativa para os valores de hemat&#xF3;crito e hemoglobina entre os dois grupos, foi evidenciado que 6,7% dos trabalhadores expostos apresentaram valores de hemat&#xF3;crito e hemoglobina diminu&#xED;dos, quando comparados neste grupo, com os valores de refer&#xEA;ncia (ANEXO C). Esses achados poderiam sugerir que essa anemia pudesse ser decorrente da atividade genot&#xF3;xica dos pesticidas no gene, que regula a produ&#xE7;&#xE3;o de hemoglobina em resposta a agress&#xE3;o. Vale ressaltar que os efeitos da intoxica&#xE7;&#xE3;o podem ser agravados em pequenas comunidades rurais pela falta de saneamento b&#xE1;sico, falta de infraestrutura da popula&#xE7;&#xE3;o, normalmente de baixas condi&#xE7;&#xF5;es s&#xF3;cioecon&#xF4;micas (VEIGA et al.; 2006). Estudo de Ramos (2009) encontrou no grupo exposto resultado tamb&#xE9;m indicativo de poss&#xED;vel anemia e El- Sadek e Hassan (1999) encontraram no grupo exposto aos pesticidas uma baixa de hemoglobina significativa quando comparado ao grupo controle, indicando tamb&#xE9;m uma poss&#xED;vel anemia. Estas observa&#xE7;&#xF5;es foram refor&#xE7;adas por Gamlin et al. (2007) e Titlic et al. (2008). Remor et al. (2008), estudando os efeitos da exposi&#xE7;&#xE3;o a complexas misturas de pesticidas em trabalhadores rurais de duas comunidades no Rio Grande do Sul n&#xE3;o encontrou diferen&#xE7;as significativas entre os dois grupos de trabalhadores, onde ambos apresentaram valores hematol&#xF3;gicos normais semelhantes aos valores de refer&#xEA;ncia observados na literatura para v&#xE1;rias outras popula&#xE7;&#xF5;es brasileiras, conforme descrito por Karazawa e Jamra (1989). Ratner et al. (1983) sugeriram que a presen&#xE7;a de agrot&#xF3;xicos nos alimentos e frutas consumidos diariamente, poderia conduzir a aumento significativo de supress&#xE3;o de medula &#xF3;ssea em indiv&#xED;duos normais e, segundo Ahamed et al. (2006) esta exposi&#xE7;&#xE3;o a agrot&#xF3;xicos pode culminar em anemia apl&#xE1;stica, enquanto para Lafiura et al. (2007) em leucemias. Law et al. (2006), estudando os casos de anemia apl&#xE1;stica adquirida (AAA) em doentes com uma hist&#xF3;ria de exposi&#xE7;&#xE3;o a pesticidas
  • 92. 92 de &#xE1;reas agr&#xED;colas, identificaram pacientes apresentando grau moderado a severo de aplasia de medula &#xF3;ssea, como resultado decorrrente de 9-12 anos de exposi&#xE7;&#xE3;o prolongada a pesticidas, expostos basicamente a uma mistura composta por organofosforados e compostos organoclorados, dado esse que tamb&#xE9;m corresponde a pesquisa realizada por Ramos (2009) em um munic&#xED;pio baian. Para Van Maele- Fabry et al. (2007) a evid&#xEA;ncia mais forte de um risco aumentado para leucemia miel&#xF3;ide est&#xE1; nos trabalhadores da fabrica&#xE7;&#xE3;o e aplica&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos. Os conhecimentos sobre as causas ocupacionais e ambientais do c&#xE2;ncer ainda s&#xE3;o muito incipientes, somente em 2007, a Ag&#xEA;ncia Internacional para Pesquisa sobre o C&#xE2;ncer (IARC), identificou 415 agentes cancer&#xED;genos conhecidos ou suspeitos. Nos ambientes de trabalho podem ser encontrados agentes cancer&#xED;genos como o amianto, a s&#xED;lica, solventes arom&#xE1;ticos como o benzeno, metais pesados como o n&#xED;quel e cromo, a radia&#xE7;&#xE3;o ionizante e alguns agrot&#xF3;xicos, cujo efeito pode ser potencializado se for somado &#xE0; exposi&#xE7;&#xE3;o a outros fatores de risco para c&#xE2;ncer como a polui&#xE7;&#xE3;o ambiental, dieta rica em gorduras trans, consumo exagerado de &#xE1;lcool, os agentes biol&#xF3;gicos e o tabagismo (INCA, 2006). 5.5Avalia&#xE7;&#xE3;o genot&#xF3;xica com o ensaio cometa Nos &#xFA;ltimos anos o monitoramento dos efeitos genot&#xF3;xicos de qu&#xED;micos em humanos com o objetivo de avaliar os riscos tem aumentado e como resultado tem sido identificado marcadores da exposi&#xE7;&#xE3;o humana a mut&#xE1;genos e carcin&#xF3;genos. O biomonitoramento de popula&#xE7;&#xF5;es humanas expostas aos agentes potencialmente mutag&#xEA;nicos e carcinog&#xEA;nicos pode providenciar informa&#xE7;&#xF5;es iniciais de desrregula&#xE7;&#xF5;es celulares e inicia&#xE7;&#xE3;o do desenvolvimento de c&#xE2;ncer. O teste cometa &#x201C;in vivo&#x201D; &#xE9; bastante usado na avalia&#xE7;&#xE3;o genot&#xF3;xica com v&#xE1;rias aplicabilidades em v&#xE1;rios tecidos e com muita sensibilidade para detectar baixos n&#xED;veis de danos ao DNA com pequenos n&#xFA;meros de c&#xE9;lulas nas amostras biol&#xF3;gicas (BRENDLER-SCHWAAB et al.; 2005). Na vers&#xE3;o alcalina pode detectar diferentes tipos de danos ao DNA em c&#xE9;lulas eucari&#xF3;ticas tratadas in vivo ou in vitro com agentes genot&#xF3;xicos com aplica&#xE7;&#xF5;es para o monitoramento humano e seus
  • 93. 93 resultados podem ser correlacionados com os de outros biomarcadores de danos ao DNA (ALBERTINI et al.; 2000). Na verifica&#xE7;&#xE3;o da ocorr&#xEA;ncia de cometas em trabalhadores rurais no estado do Piau&#xED;, um total de 11.500 c&#xE9;lulas foi analisado a partir da cultura de linf&#xF3;citos do sangue coletado dos indiv&#xED;duos pesquisados. Foram contabilizadas 100 c&#xE9;lulas (50 c&#xE9;lulas/l&#xE2;mina) por indiv&#xED;duo. As fotomicrografias dos n&#xFA;cleos de linf&#xF3;citos dos agricultores expostos aos pesticidas de acordo com as classes de dano: 0, 1, 2, 3 e 4 est&#xE3;o na Figura 10. Figura 10: Perfil eletrofor&#xE9;tico das classes de danos em trabalhadores expostos aos agrot&#xF3;xicos no Estado do P&#xED;au&#xED; (2010). Os danos mensurados correspondem a escores de 0 a 4, sendo observado diferen&#xE7;a significativa (p&lt;0,001) entre os grupos em todos as classes. Das 6.000 c&#xE9;lulas analisadas no grupo exposto a agrot&#xF3;xicos observou-se a presen&#xE7;a de danos ao DNA nas classes 1 (baixo n&#xED;vel de dano), 2 (m&#xE9;dio n&#xED;vel de dano), 3 (alto n&#xED;vel de dano) e 4 (dano total), sendo a maior frequ&#xEA;ncia sem dano- classe 0 (77%), assim como na classe 1 (17,4%) (Figura 11). Vale ressaltar que, segundo Tice et al. (2000) dependendo da extens&#xE3;o, o dano pode ser reparado. Esses achados identificam o potencial genot&#xF3;xico nos linf&#xF3;citos dos indiv&#xED;duos do grupo exposto quando comparados aos indiv&#xED;duos do grupo controle refor&#xE7;ando a id&#xE9;ia de que os agrot&#xF3;xicos s&#xE3;o potentes subst&#xE2;ncias causadoras de les&#xE3;o ao DNA.
  • 94. 94 Figura 11: Genotoxicidade em cultura de linf&#xF3;citos de trabalhadores expostos em rela&#xE7;&#xE3;o aos n&#xE3;o expostos &#xE0;s misturas complexas de agrot&#xF3;xicos segundo classe de danos, no Estado do Piau&#xED; (2010). Dano&#xA0;0 Dano&#xA0;1 Dano&#xA0;2 Dano&#xA0;3 Dano&#xA0;4 77,0% 17,4% 1,8% 1,6% 1,7% 88,8% 8,8% 0,3% 0,2% 0,0% Expostos N&#xE3;o&#xA0;expostos Signific&#xE2;ncia em p &lt; 0,001, em rela&#xE7;&#xE3;o aos trabalhadores expostos (n=60) e os n&#xE3;o expostos (n=55) analisados pelo teste t. Danos ao DNA e estresse oxidativo s&#xE3;o considerados os mecanismos observados em estudos epidemiol&#xF3;gicos (MUNIZ et al.; 2008) com a exposi&#xE7;&#xE3;o ocupacional aos pesticidas, sendo o monitoramento de popula&#xE7;&#xF5;es expostas importante para estimar os riscos e dentre outros biomarcadores (micron&#xFA;cleos, aberra&#xE7;&#xF5;es cromoss&#xF4;micas e quebras de crom&#xE1;tides irm&#xE3;s), o teste cometa est&#xE1; bem estabelecido como um teste sens&#xED;vel e r&#xE1;pido para detec&#xE7;&#xE3;o de quebras simples oriundas de reparo de DNA por excis&#xE3;o incompleta (REMOR et al.; 2008). A vers&#xE3;o alcalina, usada nesse estudo, pode tamb&#xE9;m detectar quebras simples e duplas e s&#xED;tios &#xE1;lcalis l&#xE1;beis o que pode levar &#xE0;s altera&#xE7;&#xF5;es cromoss&#xF4;micas e pode ser um evento inicial para a carcinog&#xEA;nese e a outras doen&#xE7;as gen&#xE9;ticas (FORCHHAMMER et al.; 2010). A Tabela 4 mostra os efeitos da exposi&#xE7;&#xE3;o aos agrot&#xF3;xicos em linf&#xF3;citos de trabalhadores como observado pelo aumento significante (p&lt; 0,001) do &#xED;ndice e da frequ&#xEA;ncia de danos em cultura de linf&#xF3;citos de trabalhadores expostos, em rela&#xE7;&#xE3;o aos n&#xE3;o expostos. Resultado semelhante foi encontrado em estudo com
  • 95. 95 trabalhadores envolvidos na produ&#xE7;&#xE3;o de uma variedade de pesticidas utilizando o ensaio cometa, que revelou um aumento de danos no DNA em linf&#xF3;citos do sangue perif&#xE9;rico (GARAJ-VRHOVAC; ZELJEZIC, 2000). Da mesma forma, estes pesquisadores estudando poss&#xED;veis danos gen&#xE9;ticos em trabalhadores croatas e indianos ocupacionalmente expostos a uma mistura complexa de pesticidas mostrou um aumento nos valores dos par&#xE2;metros de ensaio cometa (GARAJ-VRHOVAC; ZELJEZIC, 2001, 2002). Estudo realizado por Remor et al. (2008) no Rio Grande do Sul, utilizando o ensaio Cometa em leuc&#xF3;citos do sangue perif&#xE9;rico mostrou que o &#xED;ndice e a frequ&#xEA;ncia de danos ao DNA observados no grupo exposto foram significativamente maiores em rela&#xE7;&#xE3;o ao grupo controle (p&#x2264; 0,01, e p&#x2264; 0,05), respectivamente, sendo resultado semelhantes encontrados por Muniz et al.; (2008). Estudos da exposi&#xE7;&#xE3;o aos pesticidas usando o teste cometa em linf&#xF3;citos mostram resultados positivos entre os danos ao DNA e os n&#xED;veis de diclodifenol, dicloroetileno (YANEZ et al.; 2004; PEREZ-MALDONADO et al.; 2006). Tabela 4: Avalia&#xE7;&#xE3;o genot&#xF3;xica em agricultores expostos aos agrot&#xF3;xicos em municipios do Piau&#xED; (2010) Grupos &#xCD;ndice de danos (0- 400) Frequ&#xEA;ncia de danos (%) Expostos (N=60) 32,13 &#xB1; 18,45*** (7 - 110) 21,82 &#xB1; 8,43*** (6 - 50) N&#xE3;o expostos (N=55) 10,12 &#xB1; 4,12 (2- 20) 9,38 &#xB1; 3,56 (2 - 18) Resultados expressos em m&#xE9;dia &#xB1; desvio padr&#xE3;o. Dados entre par&#xEA;nteses correspondem ao valor m&#xED;nimo e m&#xE1;ximo. 100 c&#xE9;lulas por indiv&#xED;duo. Signific&#xE2;ncia em ***p&lt; 0,001, em rela&#xE7;&#xE3;o aos trabalhadores n&#xE3;o expostos analisado com o teste t. Estudos de avalia&#xE7;&#xF5;es de riscos em misturas complexas s&#xE3;o de dif&#xED;cil entendimento sobre os qu&#xED;micos que a comp&#xF5;em no sentido da identifica&#xE7;&#xE3;o de compostos que tenham efeitos t&#xF3;xicos e/ou genot&#xF3;xicos, devido aos efeitos antag&#xF4;nicos e/ou sinerg&#xED;sticos dos compostos presentes na mistura (ERGENE et al.; 2007). Trabalhadores envolvidos na fabrica&#xE7;&#xE3;o de pesticidas com mais de 10 anos de exposi&#xE7;&#xE3;o apresentaram o comprimento da cauda do cometa, significativamente aumentado. Os efeitos genot&#xF3;xicos em trabalhadores expostos a pesticidas foram
  • 96. 96 relatados com o aumento da dura&#xE7;&#xE3;o da exposi&#xE7;&#xE3;o (CARBONELL et al.; 1993; PADMAVATHI et al.; 2000; GROVER et al, 2003). 5.6Correla&#xE7;&#xF5;es com fatores de riscos n&#xE3;o ocupacionais e entre os biomarcadores. Indiv&#xED;duos expostos a pesticidas apresentam altera&#xE7;&#xF5;es em diferentes biomarcadores, entre eles o ensaio cometa (SHAHAM et al.; 2001, GROVER et al.; 2003, SAILAJA et al.; 2006). Muitos s&#xE3;o os fatores respons&#xE1;veis pela modula&#xE7;&#xE3;o dos efeitos da exposi&#xE7;&#xE3;o a pesticidas, entre eles, a utiliza&#xE7;&#xE3;o ou n&#xE3;o de equipamentos de prote&#xE7;&#xE3;o individual, tempo e condi&#xE7;&#xF5;es de exposi&#xE7;&#xE3;o, como tamb&#xE9;m varia&#xE7;&#xF5;es individuais nos genes de metaboliza&#xE7;&#xE3;o de xenobi&#xF3;ticos e de reparo de DNA, estes conhecidos como biomarcadores de susceptibilidade (BOLOGNESI, 2003; BULL et al.; 2006; HEUSER et al.; 2007). Em nossa pesquisa, a an&#xE1;lise estat&#xED;stica mostrou n&#xE3;o haver signific&#xE2;ncia (p&gt;0,005) entre os danos no DNA em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s vari&#xE1;veis: tempo de trabalho, n&#xE3;o uso de EPI, h&#xE1;bito de fumar, consumo de &#xE1;lcool e n&#xE3;o consumo de vegetais (Tabela 5). Os resultados do nosso estudo s&#xE3;o semelhantes &#xE0;queles encontrados por Castillo-Cadena et al. (2006), que estudou danos no DNA em floricultores cronicamente expostos a pesticidas, mostrando n&#xE3;o haver correla&#xE7;&#xE3;o significativa entre os danos no DNA e sexo, idade, h&#xE1;bito de fumar ou beber, uso de equipamentos de prote&#xE7;&#xE3;o, bem como de anos de exposi&#xE7;&#xE3;o. Speit et al. (2003), investigou o efeito do cigarro em fumantes e n&#xE3;o fumantes e n&#xE3;o encontrou diferen&#xE7;as significativas entre os dois grupos.
  • 97. 97 Tabela 5: Correla&#xE7;&#xF5;es entre os fatores de risco n&#xE3;o ocupacionais com os danos ao DNA de agricultores do Piau&#xED; expostos aos agrot&#xF3;xicos, 2010. Teste do cometa em linf&#xF3;citos Indice de Danos (ID) Frequencia de Danos (FD)Fatores de risco n&#xE3;o ocupacionais Expostos N&#xE3;o expostos Expostos N&#xE3;o expostos Idade* -0,017 0,332* 0,010 0,345* Tabagismo* 0,012 -0,096 -0,044 -0,096 Etilismo* -0,110 0,196 -0,018 0,234 N&#xE3;o Consumo de Vegetais* 0,039 0,030 -0,108 -0,003 *Coeficientes de correla&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o param&#xE9;tricas de Sperman (r); Significancia para p&lt;0,05. Considerando que n&#xE3;o foram observadas correla&#xE7;&#xF5;es entre as vari&#xE1;veis, &#xED;ndice de dano e frequ&#xEA;ncia de danos observados em cultura de linf&#xF3;citos de trabalhadores expostos aos agrot&#xF3;xicos com os fatores de riscos n&#xE3;o ocupacionais, tais como idade, tabagismo, etilismo e n&#xE3;o consumo de vegetais, o estudo sugere que h&#xE1; uma maior probabilidade do efeito genot&#xF3;xico ser decorrente da exposi&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores aos agrot&#xF3;xicos, visto que, n&#xE3;o foram encontradas correla&#xE7;&#xE3;o de vari&#xE1;veis extr&#xED;nsecas em rela&#xE7;&#xE3;o aos resultados do cometa, sugerindo que as altera&#xE7;&#xF5;es no DNA foram observadas, principalmente devido ao efeito dos agrot&#xF3;xicos, mas, cabe enfatizar que os danos identificados s&#xE3;o poss&#xED;veis de serem reparados por in&#xFA;meros mecanismos de reparo. A maquinaria de reparo de DNA &#xE9; importante na preven&#xE7;&#xE3;o da acumula&#xE7;&#xE3;o de danos ao DNA e protege contra uma variedade de c&#xE2;nceres (GILLET; SCHAERER, 2006). Em estudos de biomonitoramento, o dano gen&#xE9;tico associado com pesticidas tem sido detectado para n&#xED;veis de exposi&#xE7;&#xE3;o alta, uso intensivo ou por causa do mau uso ou da falta de medidas de controle (GONZ&#xC1;LEZ et al.; 1990; BOLOGNESI; MORASSO, 2000). Os resultados do presente estudo est&#xE3;o em concord&#xE2;ncia com autores que utilizaram o ensaio do teste cometa como um excelente biomarcador e tem correlacionado aumento do dano ao DNA com exposi&#xE7;&#xE3;o extensiva a pesticidas (PACHECO; HACKEL, 2002; MUNIZ et al.; 2008; RAMOS, 2009). Os testes para o
  • 98. 98 biomonitoramento de danos ao material gen&#xE9;tico s&#xE3;o de import&#xE2;ncia para a avalia&#xE7;&#xE3;o de efeitos cr&#xF4;nicos de agentes mutag&#xEA;nicos, que n&#xE3;o s&#xE3;o detectados em exames comumente usados para avalia&#xE7;&#xE3;o clinica, portanto devem ser implementados para uma maior seguran&#xE7;a sobre os poss&#xED;veis danos gen&#xE9;ticos, como uma forma de preven&#xE7;&#xE3;o para futuras doen&#xE7;as relacionadas &#xE0; instabilidade do material gen&#xE9;tico, a exemplo das neoplasias malignas que normalmente acontecem ap&#xF3;s anos de exposi&#xE7;&#xE3;o aos agentes mutag&#xEA;nicos e carcinog&#xEA;nicos, a exemplo dos agrot&#xF3;xicos (SAFFI, 2003).
  • 99. 99 CONSIDERA&#xC7;&#xD5;ES FINAIS
  • 100. 100 6 CONSIDERA&#xC7;&#xD5;ES FINAIS A exposi&#xE7;&#xE3;o aos agrot&#xF3;xicos pode causar uma variedade de efeitos &#xE0; sa&#xFA;de humana que se expressam de imediato ou levam anos para se manifestarem. A Secretaria de Estado da Sa&#xFA;de, preocupada com a sa&#xFA;de dos trabalhadores rurais piauienses, vem desenvolvendo pesquisas no intuito de prevenir agravos &#xE0; sa&#xFA;de desses trabalhadores, apontando o biomonitoramento como a melhor forma de acompanhamento. A faixa et&#xE1;ria dos trabalhadores foi, em m&#xE9;dia, de 34 anos, de etnia negra, na maioria, com tempo de trabalho, em m&#xE9;dia de 13,55 anos e carga hor&#xE1;ria acima de 40 horas semanais, onde 50% dos trabalhadores utilizavam pelo menos um tipo de EPI. Em rela&#xE7;&#xE3;o aos fatores n&#xE3;o ocupacionais, 41,7 % dos trabalhadores, relatou ter o h&#xE1;bito de fumar e 73,3% consumiam bebidas alco&#xF3;licas. Sobre o consumo de medicamentos, foi encontrado o consumo, tanto para medicamentos prescritos (33,3%), como os n&#xE3;o prescritos (66,7%). Quanto aos h&#xE1;bitos alimentares, 66,7% dos entrevistados, informou n&#xE3;o incluir vegetais na dieta. Neste estudo constatou-se o uso de uma diversidade de agrot&#xF3;xicos utilizados pelos agricultores, pertencentes, na sua maioria da classe toxicol&#xF3;gica III e IV, sendo os mais utilizados os herbicidas (81%), seguido dos inseticidas (16,3%). Entre os herbicidas, o mais citado foi o glifosato (71,6%) e na classe inseticida, o grupo qu&#xED;mico dos neonicotinoides (12,2%) e piretr&#xF3;ides (4,1%). Na avalia&#xE7;&#xE3;o dos marcadores bioqu&#xED;micos, altera&#xE7;&#xF5;es significantes foram observadas nos individuos expostos para creatinina, TGO, TGP e fosfatase alcalina, enquanto para ur&#xE9;ia, e Gama GT, n&#xE3;o houve signific&#xE2;ncia. Na butirilcolinesterase, tamb&#xE9;m n&#xE3;o foi observado signific&#xE2;ncia, mas houve inibi&#xE7;&#xE3;o em 5% do grupo exposto.
  • 101. 101 N&#xE3;o foram observadas altera&#xE7;&#xF5;es significantes na avalia&#xE7;&#xE3;o dos par&#xE2;metros hematol&#xF3;gicos, embora 55% dos expostos tenham apresentado leucopenia quando comparados aos valores de refer&#xEA;ncia. Genotoxicidade em linf&#xF3;citos de sangue perif&#xE9;rico foi indicada pelos significantes (p&lt;0,001) aumento dos &#xED;ndices e da frequ&#xEA;ncia de danos em trabalhadores expostos a agrot&#xF3;xicos, em rela&#xE7;&#xE3;o aos n&#xE3;o expostos com aplica&#xE7;&#xE3;o do ensaio cometa. Esses dados sugerem riscos de instabilidade gen&#xE9;tica, entretanto, os danos observados com o teste podem ser alterados devido aos in&#xFA;meros mecanismos de reparo. N&#xE3;o foram evidenciadas correla&#xE7;&#xF5;es significativas entre os fatores de riscos n&#xE3;o ocupacionais em rela&#xE7;&#xE3;o aos resultados do cometa, sugerindo que as altera&#xE7;&#xF5;es no DNA foram observadas, principalmente devido aos efeitos dos agrot&#xF3;xicos. Os estudos de biomonitoramento de popula&#xE7;&#xF5;es expostas a agrot&#xF3;xicos s&#xE3;o bastante espec&#xED;ficos, na medida em que as popula&#xE7;&#xF5;es t&#xEA;m diferentes estilos de vida, h&#xE1;bitos alimentares, condi&#xE7;&#xF5;es clim&#xE1;ticas e ambientais e est&#xE3;o expostos a diferentes misturas de produtos qu&#xED;micos. Talvez isto pudesse explicar porque alguns estudos t&#xEA;m encontrado aumento significante de danos gen&#xE9;ticos em popula&#xE7;&#xF5;es expostas a agrot&#xF3;xicos e, em outros estudos, os resultados s&#xE3;o negativos. Embora o n&#xED;vel de exposi&#xE7;&#xE3;o possa ser considerado significativo e as informa&#xE7;&#xF5;es dispon&#xED;veis sobre a genotoxicidade de v&#xE1;rios dos agrot&#xF3;xicos utilizados, falta informa&#xE7;&#xF5;es relativas aos efeitos genot&#xF3;xicos das misturas complexas. Torna-se necess&#xE1;rio educar aqueles que trabalham com agrot&#xF3;xicos sobre os riscos potenciais da exposi&#xE7;&#xE3;o ocupacional e a import&#xE2;ncia da utiliza&#xE7;&#xE3;o de medidas de prote&#xE7;&#xE3;o, j&#xE1; que os pequenos agricultores, em seu cultivo n&#xE3;o est&#xE3;o expostos a um &#xFA;nico tipo de agrot&#xF3;xico, mas sim a v&#xE1;rios, havendo uma multiplicidade de exposi&#xE7;&#xF5;es, normalmente constantes e de longo prazo.
  • 102. 102 CONCLUS&#xC3;O
  • 103. 103 7 CONCLUS&#xC3;O Podemos concluir que os trabalhadores rurais dos munic&#xED;pios pesquisados apresentam riscos de toxicidade e danos genot&#xF3;xicos devido &#xE0; exposi&#xE7;&#xE3;o ocupacional de misturas complexas de agrot&#xF3;xicos.
  • 104. 104 RECOMENDA&#xC7;&#xD5;ES
  • 105. 105 8 RECOMENDA&#xC7;&#xD5;ES A constata&#xE7;&#xE3;o de que existe grande utiliza&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos nos munic&#xED;pios pesquisados, implica numa preocupa&#xE7;&#xE3;o quanto &#xE0; sa&#xFA;de dos trabalhadores e os impactos causados ao meio ambiente. Deixar de utilizar os agrot&#xF3;xicos nas lavouras, em curto prazo, pode ainda n&#xE3;o ser uma condi&#xE7;&#xE3;o real, pois as alternativas existentes necessitam de maior organiza&#xE7;&#xE3;o e maior apoio t&#xE9;cnico, principalmente para os pequenos produtores, para que possam alcan&#xE7;ar os n&#xED;veis desejados de produ&#xE7;&#xE3;o agr&#xED;cola e viabilidade comercial. At&#xE9; que se alcance esse objetivo, deve-se, portanto, adotar pol&#xED;ticas que minimizem, consideravelmente, o impacto desse modelo tecnol&#xF3;gico de produ&#xE7;&#xE3;o na sa&#xFA;de e no ambiente. Neste sentido, sugere-se: Maior fiscaliza&#xE7;&#xE3;o para o cumprimento da legisla&#xE7;&#xE3;o vigente de maneira a preservar a sa&#xFA;de dos trabalhadores e da popula&#xE7;&#xE3;o; Execu&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xF5;es integradas entre as diversas institui&#xE7;&#xF5;es, tais como as Secretarias de Sa&#xFA;de e Educa&#xE7;&#xE3;o dos munic&#xED;pios, Universidades, FETAG, Sindicatos, Superintend&#xEA;ncia Regional do Trabalho, Minist&#xE9;rio P&#xFA;blico do Trabalho e Minist&#xE9;rio P&#xFA;blico Estadual, dos diversos &#xF3;rg&#xE3;os que atuam na prote&#xE7;&#xE3;o do meio ambiente, entidades de classe, que possam promover a melhoria da escolaridade das comunidades; Participa&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores rurais e da comunidade nas discuss&#xF5;es informativas, avaliativas, decis&#xF3;rias e na elabora&#xE7;&#xE3;o e implementa&#xE7;&#xE3;o de propostas que evitem o uso indiscriminado dos agrot&#xF3;xicos, visando reduzir um grande problema, tanto agropecu&#xE1;rio como de sa&#xFA;de p&#xFA;blica nas suas comunidades; Monitoramento dos mananciais de &#xE1;gua para abastecimento que est&#xE3;o sob risco de contamina&#xE7;&#xE3;o por res&#xED;duos de agrot&#xF3;xicos; Incentivo ao produtor, atrav&#xE9;s de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, garantindo que antes do recebimento do cr&#xE9;dito para aplica&#xE7;&#xE3;o na agricultura,
  • 106. 106 possam receber orienta&#xE7;&#xE3;o t&#xE9;cnica, com o objetivo da certifica&#xE7;&#xE3;o das boas pr&#xE1;ticas agr&#xED;colas; Forma&#xE7;&#xE3;o e capacita&#xE7;&#xE3;o dos profissionais de sa&#xFA;de para a interven&#xE7;&#xE3;o nos problemas de sa&#xFA;de e meio ambiente relacionados ao uso de agrot&#xF3;xicos. Novos estudos s&#xE3;o necess&#xE1;rios para avaliar os principais tipos de riscos que acometem os trabalhadores, atrav&#xE9;s de estudos toxicol&#xF3;gicos, cl&#xED;nicos e epidemiol&#xF3;gicos, para uma melhor compreens&#xE3;o da sa&#xFA;de desses trabalhadores e dos riscos causados pelo uso indiscriminado por agrot&#xF3;xicos, bem como a organiza&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os locais integrados de sa&#xFA;de do trabalhador para a vigil&#xE2;ncia e assist&#xEA;ncia &#xE0; sa&#xFA;de, articulando os aspectos ambientais, epidemiol&#xF3;gicos, cl&#xED;nicos e de educa&#xE7;&#xE3;o, na promo&#xE7;&#xE3;o e prote&#xE7;&#xE3;o da sa&#xFA;de e do meio ambiente. Espera-se que os resultados aqui apresentados possam somar a outros estudos relacionados aos danos produzidos pelos agrot&#xF3;xicos &#xE0; sa&#xFA;de dos trabalhadores rurais, contribuindo para evidenciar esses agravos &#xE0; sa&#xFA;de visando &#xE0; cria&#xE7;&#xE3;o de uma consci&#xEA;ncia &#xE9;tica acerca do problema por parte de &#xF3;rg&#xE3;os e institui&#xE7;&#xF5;es respons&#xE1;veis.
  • 107. 107 REFER&#xCA;NCIAS
  • 108. 108 REFER&#xCA;NCIAS AG&#xCA;NCIA DE DEFESA AGROPECU&#xC1;RIA DO PIAU&#xCD;-ADAPI. Relat&#xF3;rio de Controle de Estoque das Revendas Registradas no Estado. Teresina, PI. 2010. AHAMED, M.; ANAND, M.; KUMAR, A.; SIDDIQUI, M.K.J. Childhood aplastic anaemia in Lucknow, India: Incidence, organochloorines in the blood and review of case reports following exposure to pesticides. Clinical Biochemistry, v. 39, p. 762- 766, 2006. ALBERTINI, R.J.; ANDERSON,D.; DOUGLAS, G.R.; HAGMAR, L.; HEMMINKI, K.; MERLO, F.; NATARAJAN, A.T.; NORPPA, H.; SHUKER, D.E.; TICE, R.; WATERS, M.D.; AITIO, A. IPCS guidelines for themonitoring of genotoxic effects of carcinogens in humans. Mutation Research, v. 463, n. 2, p. 111&#x2013;172, 2000. ALMEIDA, C. G. de; MARTINS, L. H. B. Enzimas hep&#xE1;ticas e acetilcolinesterase como biomarcadores de efeito dos agrot&#xF3;xicos utilizados na cultura do Allium sativum. Revista Bioci&#xEA;ncias, UNITAU. v. 14, n. 2, 2008. ALMEIDA, Pedro Jos&#xE9;. Intoxica&#xE7;&#xE3;o por Agrot&#xF3;xicos. [S. l.]: Andrei, 2002. ALMEIDA, V.; LEIT&#xC3;O, A.; REINA, L.; MOUNTANARI, A.; DONNICI, C. C&#xE2;ncer e agentes antineopl&#xE1;sicos ciclo-celular espec&#xED;ficos e ciclo-celular n&#xE3;o espec&#xED;ficos que interagem com o DNA: uma introdu&#xE7;&#xE3;o. Qu&#xED;mica Nova, v.28, p. 118-129, 2005. AMARANTE JUNIOR, O.P. de; SANTOS, T.C.R. dos; BRITO, N.M.; RIBEIRO, M. L. Glifosato: propriedades, toxicidade, usos e legisla&#xE7;&#xE3;o. Qu&#xED;mica Nova, v.25, n.4, p. 589-593, 2002. AMORIM, L. C. A. Os biomarcadores e sua aplica&#xE7;&#xE3;o na avalia&#xE7;&#xE3;o da exposi&#xE7;&#xE3;o aos agentes qu&#xED;micos ambientais. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 6, n. 2, p. 158-170. 2003. ANDRADE JUNIOR, D.R.de; SOUZA, R.B. de; SANTOS, S. A. dos; ANDRADE, D.R.de. Os radicais livres de oxig&#xEA;nio e as doen&#xE7;as pulmonares. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 31, n. 1, p. 60-68. 2005. ANDRIOLI, A.I. O Roundup, o c&#xE2;ncer e o crime do &#x201C;colarinho verde&#x201D;. Revista Espa&#xE7;o Academico, n. 51, ago. 2005. Disponivel em: &lt;http://www.espacoacademico.com.br/051/51andrioli.html&gt;. Acesso em: 2 set. 2011. ARA&#xDA;JO, A.C.P.; NOGUEIRA, D.P.; AUGUSTO, L.G.S. Pesticide impact on helth: a study of tomato cultivation. Revista de Sa&#xFA;de P&#xFA;blica, S&#xE3;o Paulo, v. 34, n. 3, p. 309-313, jun. 2000. ARAUJO, A.J.; LIMA, J.S.; MOREIRA, J.C.; JACOB, S.C.; SOARES, M.O.; MONTEIRO, M.C.M.; AMARAL, A.M.; KUBOTA, A.K.; MEYER, A.; COSENZA, C.A.N.; NEVES, C.; MARKOWITZ, S. Exposi&#xE7;&#xE3;o m&#xFA;ltipla a agrot&#xF3;xicos e efeitos &#xE0;
  • 109. 109 sa&#xFA;de: estudo transversal em amostra de 102 trabalhadores rurais, Nova Friburgo, RJ. Ci&#xEA;ncia e Sa&#xFA;de Coletiva, v. 12, n. 1, p. 115-130. 2007. AUGUSTO, L. G. S. Uso dos agrot&#xF3;xicos no semi-&#xE1;rido brasileiro. In: PERES, Frederico. &#xC9; veneno ou &#xE9; rem&#xE9;dio? agrot&#xF3;xicos, sa&#xFA;de e ambiente. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003. AZEVEDO, F. A.; CHASIN, A. A. M. As B&#xE1;ses Toxicol&#xF3;gicas da Ecotoxicologia. S&#xE3;o Carlos: RIMA; S&#xE3;o Paulo: Intertox, 2003. BARRIGOSSI, J.A. F.; LANNA, A. C.; FERREIRA, E. Agrot&#xF3;xicos no Cultivo do Arroz no Brasil: an&#xE1;lise do consumo e medidas para reduzir o impacto ambiental negativo. 2004. Dispon&#xED;vel em:&lt; http://www.cnpaf.embrapa.br/publicacao/circulartecnica/circ_67.pdf&gt;. Acesso em: 2 set. 2011. BATISTA, M.T.A.B.; RODRIGUES, H.G.; FONSECA, L.C.; BONETTI, A.M.; PENHA- SILVA, N.; NERES, A.C.; AVERSI-FERREIRA, T.A. Estudo dos efeitos do pesticida da classe glicina substitu&#xED;da sobre eritr&#xF3;citos humanos. Revista Eletr&#xF4;nica de Farm&#xE1;cia Suplemento, v. 3, n. 2, p. 22-24, 2006. BAVA, S.C. Alimentos contaminados. Le Monde Diplomatique Brasil, v. 3, n. 33, 2010. BEDOR, C.N.G. Estudo do potencial carcinog&#xEA;nico dos agrot&#xF3;xicos empregados na fruticultura e sua implica&#xE7;&#xE3;o para a vigil&#xE2;ncia da sa&#xFA;de. 2008. Tese (Doutorado em Sa&#xFA;de P&#xFA;blica) &#x2013; Centro de Pesquisa Aggeu Magalh&#xE3;es, Recife, 2008. BEDOR, C.N.G.; RAMOS, L.O.; REGO, M.A.V.; PAV&#xC3;O, A.C.; AUGUSTO, L.G.S. Avalia&#xE7;&#xE3;o e Reflexos da Comercializa&#xE7;&#xE3;o e Utiliza&#xE7;&#xE3;o de Agrot&#xF3;xicos na Regi&#xE3;o do Subm&#xE9;dio do Vale do S&#xE3;o Francisco. Revista Baiana de Sa&#xFA;de P&#xFA;blica, v. 31, n. 1, p. 68-76, jan./jun. 2007. BOLOGNESI, C. Genotoxicity of pesticides: a review of human biomonitoring studies. Mutation Research, n. 495, p. 147-156, 2003. BOLOGNESI, C.; MORASSO, G. Genotoxicity of Pesticides: potencial risk forconsumers. Trends in Food Science Technology, v. 11, p. 182-187, 2000. BRAGA, I. A e VALLE, D. Aedes aegypti: inseticidas, mecanismos de a&#xE7;&#xE3;o e resist&#xEA;ncia. Epidemiologia e Servi&#xE7;os de Sa&#xFA;de, v. 16, n. 4, p. 179-293. 2007. BRASIL. Lei n. 8080, 19 de setembro de1990. Disp&#xF5;e sobre as condi&#xE7;&#xF5;es para a promo&#xE7;&#xE3;o e recupera&#xE7;&#xE3;o da sa&#xFA;de, a organiza&#xE7;&#xE3;o e o funcionamento dos servi&#xE7;os correspondentes e d&#xE1; outras provid&#xEA;ncias. Bras&#xED;lia, DF, 1990. BRASIL. Lei n.7.802.89, de 11 de julho de 1989. Disp&#xF5;e sobre a pesquisa, a experimenta&#xE7;&#xE3;o, a produ&#xE7;&#xE3;o, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercializa&#xE7;&#xE3;o, a propaganda comercial, a utiliza&#xE7;&#xE3;o, a
  • 110. 110 importa&#xE7;&#xE3;o, a exporta&#xE7;&#xE3;o, o destino final dos res&#xED;duos e embalagens, o registro, a classifica&#xE7;&#xE3;o, o controle, a inspe&#xE7;&#xE3;o e a fiscaliza&#xE7;&#xE3;o de agrot&#xF3;xicos, seus componentes e afins, e d&#xE1; outras provid&#xEA;ncias. Dispon&#xED;vel em: &lt;http://www.lei.adv.br/7802-89.htm&gt;. Acesso em: 2 set. 2011. BRASIL. Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de. Departamento de A&#xE7;&#xF5;es Program&#xE1;ticas Estrat&#xE9;gicas. Diretrizes para Aten&#xE7;&#xE3;o Integral &#xE0; Sa&#xFA;de do Trabalhador de Complexidade Diferenciada: Protocolo de Aten&#xE7;&#xE3;o &#xE0; Sa&#xFA;de dos Trabalhadores Expostos a agrot&#xF3;xicos. Bras&#xED;lia, DF, 2006. BRASIL. Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de. Pol&#xED;tica Nacional de Sa&#xFA;de do Trabalhador para o SUS. Bras&#xED;lia, 2004. BRASIL. Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de. Portaria n&#xBA; 1.679, de 2 de setembro de 2002. Institui a Rede Nacional de Aten&#xE7;&#xE3;o Integral &#xE0; Sa&#xFA;de do Trabalhador. Bras&#xED;lia, DF, 2002. BRASIL. Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de. Portaria n&#xBA; 2.437, de 7 de dezembro de 2005. Disp&#xF5;e sobre a amplia&#xE7;&#xE3;o e o fortalecimento da Rede Nacional de Aten&#xE7;&#xE3;o Integral &#xE0; Sa&#xFA;de do Trabalhador - RENAST - no Sistema &#xDA;nico de Sa&#xFA;de - SUS. Brasilia, 2005. BRASIL. Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de. Portaria n&#xBA; 307, de 02 de outubro de 2003. Disp&#xF5;e sobre a habilita&#xE7;&#xE3;o do Centro de Refer&#xEA;ncia em Sa&#xFA;de do Trabalhador de abrang&#xEA;ncia estadual do Piau&#xED;. Bras&#xED;lia, 2003. BRASIL. Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de. Portaria n&#xBA; 777, de 28 de abril de 2004. Disp&#xF5;e sobre os procedimentos t&#xE9;cnicos para a notifica&#xE7;&#xE3;o compuls&#xF3;ria de agravos &#xE0; sa&#xFA;de do trabalhador em rede de servi&#xE7;os sentinela espec&#xED;fica, no Sistema &#xDA;nico de Sa&#xFA;de &#x2013; SUS. Bras&#xED;lia, 2004. BRASIL. Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de. Representa&#xE7;&#xE3;o no Brasil da OPAS/OMS. Doen&#xE7;as relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os servi&#xE7;os de sa&#xFA;de. Bras&#xED;lia, 2001. BRASIL. Minist&#xE9;rio do Trabalho e Emprego. Secretaria de Seguran&#xE7;a e Sa&#xFA;de no Trabalho. Portaria n&#xBA; 25, de 29 de dezembro de 1994. Disponivel em: &lt;www.mte.gov.br&gt;. Acesso em 20/05/2010. BRASIL. Portaria n&#xBA; 2.728, de 11 de novembro de 2009. Disp&#xF5;e sobre a Rede Nacional de Aten&#xE7;&#xE3;o Integral &#xE0; Sa&#xFA;de do Trabalhador (RENAST) e d&#xE1; outras provid&#xEA;ncias. Disponivel em: &lt;www.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/portaria_renast_2728.pdf&gt;. Acesso em 17/11/2010. BRENDLER-SCHWAAB, S.; HARTMANN, A.; PFUHLER, S.; SPEIT, G. The in vivo assay: use and status in genotoxicity testing. Mutagenesis, v. 20, n. 4, p. 245-254, 2005. BULL, S.; FLETCHER, K.; BOOBIS. A.R.; BATTERSHILL, J.M. Evidence for genotoxicity of pesticides in pesticide applicators: a review. Mutagenesis, v. 21, n. 2, p. 93-103. 2006.
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  • 122. 122 VOGELSTEIN, B.; KINZLER, K.W. The Genetic Basis of Human Cancer. New York: McGraw-Hill. 1998. WALLACH, J. Interpreta&#xE7;&#xE3;o de exames laboratoriais. 7. ed. Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. WHAICHMAN, A. V.; EVE, E.; NINA, N. C. S. Do farmers understand the information displayed on pesticide product labels? A key question to reduce pesticides exposure and risk of poisoning in the Brazilian, Crop Protection, v. 26, p. 576-583, 2007. WORLD HEALTH ORGANIZATION &#x2013; Biological Monitoring of Chemical Exposure in the Workplace. Volumes 1 e 2. Geneva; 1996. WORLD HEALTH ORGANIZATION/United Nations Environment Programme. Public health impact of pesticides used in agriculture. Geneva: WHO/UNEP, 1990. Y&#xC1;&#xD1;EZ, L.; BORJA-ABURTO, V.H.; ROJAS, E.; DE LA FUENTE, H.; GONZ&#xC1;LEZ- AMARO, H.; G&#xD3;MEZ, H.; JONGITUD, A.A.; D&#xCD;AZ-BARRIGA, F. DDT induces DNA damage in blood cells. Studies in vitro and in women chronically exposed to this insecticide, Environmental Research, v. 94, p. 18&#x2013;24. 2004. YOUNES, M.; GALAL-GORCHEV, H. Pesticides in Drinking Water. Food Chemical Toxicology, v. 38 (1suppl): S, p.87-90. 2000.
  • 123. 123 AP&#xCA;NDICES E ANEXOS
  • 124. 124 APENDICE A: TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) Voc&#xEA; est&#xE1; sendo convidado a participar de uma pesquisa. Sua participa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; importante, por&#xE9;m, voc&#xEA; n&#xE3;o deve fazer contra a sua vontade. Leia atentamente as informa&#xE7;&#xF5;es abaixo e fa&#xE7;a qualquer pergunta que desejar para que todos os procedimentos desta pesquisa sejam esclarecidos. Devido ao fato de algumas subst&#xE2;ncias poderem alterar o DNA das c&#xE9;lulas do homem tornando-o mais propenso a desenvolver alguma forma de doen&#xE7;a, torna- se importante e necess&#xE1;rio a avalia&#xE7;&#xE3;o destas subst&#xE2;ncias quanto aos poss&#xED;veis efeitos causadores de doen&#xE7;as. A presente pesquisa objetiva avaliar o potencial das substancias utilizadas como agrot&#xF3;xicos na lavoura, quanto a possibilidade de alterar o DNA. Estudo desse tipo poder&#xE1; contribuir para o conhecimento dos efeitos dessas substancias que s&#xE3;o usadas rotineiramente na lavoura, quanto a possibilidade de alterar o DNA das c&#xE9;lulas do ser human. Essa pesquisa se baseia em estudo experimental em que os benef&#xED;cios aos volunt&#xE1;rios ser&#xE3;o de forma indireta, ao se verificar os efeitos mutag&#xEA;nicos desses agrot&#xF3;xicos. Para a realiza&#xE7;&#xE3;o da pesquisa, necessitamos de sua colabora&#xE7;&#xE3;o volunt&#xE1;ria, de 10mL de seu sangue, que ser&#xE1; coletado por pessoal devidamente treinado e habilitado do Laborat&#xF3;rio Central de Sa&#xFA;de P&#xFA;blica do estado do Piau&#xED;. A retirada de sangue &#xE9; um procedimento seguro e pode causar um leve desconforto. Pode ocorrer uma mancha roxa no local da picada da agulha que, normalmente, desaparece logo. Esta coleta ter&#xE1; como objetivo a obten&#xE7;&#xE3;o de c&#xE9;lulas do sangue, a partir do sangue total. Tamb&#xE9;m, ser&#xE1; necess&#xE1;rio responder as perguntas feitas em entrevista baseados em um question&#xE1;rio simples. Para ser volunt&#xE1;rio &#xE9; condi&#xE7;&#xE3;o indispens&#xE1;vel que esteja em boa sa&#xFA;de, e, portanto n&#xE3;o esteja, no momento, sob tratamento m&#xE9;dico ou fazendo uso de medica&#xE7;&#xF5;es regulares. A pesquisa ser&#xE1; desenvolvida pela nutricionista Vera Regina Cavalcante Barros Rodrigues, aluna do mestrado em Farmacologia Cl&#xED;nica, do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Universidade Federal do Cear&#xE1;, e pelos pesquisadores do referido projeto. O material colhido ser&#xE1; usado exclusivamente para a realiza&#xE7;&#xE3;o desta pesquisa e os dados obtidos ser&#xE3;o encaminhados para publica&#xE7;&#xE3;o em
  • 125. 125 congressos e revistas especializadas, sendo mantido o sigilo e respeitando a privacidade dos seus volunt&#xE1;rios. Os resultados dos exames laboratoriais ser&#xE3;o entregues a todos os participantes volunt&#xE1;rios da pesquisa atrav&#xE9;s do Centro de Refer&#xEA;ncia em Sa&#xFA;de do Trabalhador em parceria com as Secretarias Municipais de Sa&#xFA;de. A qualquer momento voc&#xEA; poder&#xE1; se retirar e/ou solicitar informa&#xE7;&#xF5;es sobre a pesquisa. Voc&#xEA; poder&#xE1; entrar em contato com o respons&#xE1;vel pela pesquisa no endere&#xE7;o: Institui&#xE7;&#xE3;o: Centro Estadual de Referencia em Sa&#xFA;de do Trabalhador- CEREST Endere&#xE7;o: Av. Pernambuco, 2464-Bairro Primavera &#x2013; Teresina &#x2013; PI Telefones para contato: (86) 3217-3782 e 3221-1069 Declaro, que ap&#xF3;s convenientemente esclarecido pelo pesquisador e ter entendido o que me foi explicado, concordo conscientemente em participar da presente pesquisa, doando 10 ml de sangue. Endere&#xE7;o:_______________ ____________________________________ CPF:______________________Identidade: ________________________ ______________,_______de ________de 20___. ________________________________________________________ Assinatura do Volunt&#xE1;rio ________________________________________________________ Assinatura do Pesquisador
  • 126. 126 APENDICE B: Fotos Palestra Aplica&#xE7;&#xE3;o do Question&#xE1;rio Aplica&#xE7;&#xE3;o do Question&#xE1;rio Coleta de sangue
  • 127. 127 APENDICE B: Fotos Modo de Trabalho M
  • 128. 128 AP&#xCA;NDICE C: Trabalhos apresentados em congressos cient&#xED;ficos RISCOS MUTAG&#xCA;NICOS E DE ANORMALIDADES NUCLEARES EM AGENTES END&#xCA;MICOS DE PRIRIPIRI-PIAU&#xCD; EXPOSTOS A ALFACIPERMETRINA AVALIADOS COM O TESTE DE MICRON&#xDA;CLEOS A alfacipermetrina &#xE9; um composto qu&#xED;mico usado da formula&#xE7;&#xE3;o do inseticida comumente utilizado no combate ao mosquito Lutzomia longipalpis, vetor da doen&#xE7;a Leichmaniose visceral, em Piripiri-PI, como ectoparasiticidas e inseticidas em produ&#xE7;&#xF5;es agr&#xED;colas e programas de sa&#xFA;de p&#xFA;blica, como o controle da Dengue (MANNA et al., 2004). Os agentes sanit&#xE1;rios que trabalham diariamente no combate a esta doen&#xE7;a est&#xE3;o sujeitos aos riscos ocupacionais ocasionados pela alfacipermetrina. Estudos citogen&#xE9;ticos mostram que essa droga inibe ciclo celular na fase S, em ra&#xED;zes de Hordeum vulgare L. com efeitos t&#xF3;xicos em organismos aqu&#xE1;ticos, como tamb&#xE9;m efeitos clastog&#xEA;nicos. A freq&#xFC;&#xEA;ncia de micron&#xFA;cleos em c&#xE9;lulas epiteliais de mucosa bucal tem sido usada como um biomarcador de genotoxicidade em exposi&#xE7;&#xE3;o ocupacional ao piretr&#xF3;ide alfacipermetrina. anormalidades nucleares tais como as cariorrexes, cari&#xF3;lises e c&#xE9;lulas binucleadas tamb&#xE9;m s&#xE3;o usadas como marcadores de genotoxicidade. O estudo teve como objetivo a avalia&#xE7;&#xE3;o de riscos mutag&#xEA;nico em agentes de endemias, com o uso do teste de micron&#xFA;cleos. Diante do exposto o Governo do Estado do Piau&#xED;, atrav&#xE9;s da Secretaria de Sa&#xFA;de v&#xEA;m monitorando trabalhadores expostos a riscos genot&#xF3;xicos, como uma Pol&#xED;tica de Sa&#xFA;de P&#xFA;blica, dentro do SUS. MATERIAIS E M&#xC9;TODOS Avalia&#xE7;&#xE3;o citogen&#xE9;tica- micron&#xFA;cleo em mucosa bucal O teste de micron&#xFA;cleos (Figura 1) em c&#xE9;lulas esfoliadas de mucosa bucal (Figura 2) foi realizado segundo Salaija et al. (2006). As l&#xE2;minas foram coradas com Giemsa a 2 %. 2000 c&#xE9;lulas foram avaliadas para cada indiv&#xED;duo. As anormalidades nucleares pertinentes &#xE0; apoptose foram avaliadas de acordo com Holland et al. (2008). O estudo foi realizado em 22 agentes de endemias do munic&#xED;pio de Piripiri, PI, e em 18 trabalhadores administrativos n&#xE3;o expostos. CONCLUS&#xD5;ES A exposi&#xE7;&#xE3;o ocupacional a alfacipermetrina n&#xE3;o induz mutagenicidade em c&#xE9;lulas esfoliadas de mucosa bucal, entretanto outras anormalidade nucleares que indicam danos ao DNA foram evidenciadas a exemplo das cariorrexes e car&#xF3;lise que levam a apoptose das c&#xE9;lulas e as c&#xE9;lulas binucleadas que s&#xE3;o indicativas de citotoxicidade. Os dados indicam a necessidade do biomonitoramento desses profissionais da sa&#xFA;de. O teste de micron&#xFA;cleos &#xE9; um importante biomarcador de mutagenicidade. REFER&#xCA;NCIAS BIBlIOGR&#xC1;FICAS HOLLAND et al. (2008).The micronucleus assay in human buccal cells as a tool for biomonitoring DNA damage: The HUMN project perspective on current status and knowledge gapsMutation Research 659 (2008) 93&#x2013;108. MANNA et al. (2004) Repeteated dose toxicity of alfa-cypermetrin in rats. J. Vet. Sci, 5(3), 241-245. SALAIJA et al. (2006) Genotoxic evaluation of workers employed in pesticide production . Muatt. Res. 609, 74-80. INTRODU&#xC7;&#xC3;O RODRIGUES, V.R.C.B1. CHAVES, T.V.S1,2,4; AMARAL, F.P.M1,3,4.; LEITE, A.S3.; CARVALHO, R.M.3; COSTA, M.C.3; LOPES, L.O.3; MORAIS, M.E.A.4, ALENCAR, D.3; MELO-CAVALCANTE A.C.1,3, 1Centro de Refer&#xEA;ncia em Sa&#xFA;de do Trabalhador; 2Vigil&#xE2;ncia Sanit&#xE1;ria do Piau&#xED; e Faculdade NOVAFAPI; 3Labarat&#xF3;rio de Gen&#xE9;tica Toxicol&#xF3;gica do Laborat&#xF3;rio Central de Sa&#xFA;de do Piau&#xED;; 4Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Farmacologia da Universidade Federal do Cear&#xE1;. Colora&#xE7;&#xE3;o Fixa&#xE7;&#xE3;o Coleta de c&#xE9;lulas Transporte em PBS Centriuga&#xE7;&#xE3;o Preparo das l&#xE2;minas Observa&#xE7;&#xE3;o Figura 2 Esquema do teste de Micron&#xFA;cleo em c&#xE9;lulas de mucosa bucal Figura 2 Estrutura e diferencia&#xE7;&#xE3;o do epit&#xE9;lio oral. (A) Fotomicrografia mostrando os diversas camadas do epit&#xE9;lio oral, que consiste de 5 camadas: (i) Camada queratinizada; (ii) Estrato espinhoso; (iii) estrato basal; (iv) &#x201C;rete pegs&#x201D;, (v) l&#xE2;mina pr&#xF3;pria (tecido conectivo). (B) Esquemas das camadas de c&#xE9;lulas da mucosa bucal. Fotomicrografia e esquema Adaptado de Holland et al., 2008. Caracter&#xED;sticas da popula&#xE7;&#xE3;o Expostos a alfacipermetrina (N = 22) N&#xE3;o expostos (N = 18) Idade 38, 68 &#xB1; 10,46 (23 &#x2013; 64) 32,72 &#xB1; 8,13 (20 - 46) Grupo &#xE9;tnico &#x2022; Branco &#x2022; Negro &#x2022; Caucasiano 31,8% 9,1% 40,9% 5,6 % 50% 44,4% Tipo de trabalho &#x2022; Agentes de endemias &#x2022; Manuten&#xE7;&#xE3;o &#x2022; Administrativo 100% - 27,30 % 72,7% Tempo de trabalho no local 10,32 &#xB1; 7,79 (4 &#x2013; 43) 7,02 &#xB1; 1,0 (1 - 27) Uso de EPIs &#x2022; Sim &#x2022; N&#xE3;o &#x2022; N&#xE3;o informado 40,9% 54,5% 4,5% 88,9 % Carga hor&#xE1;ria semanal 40,18 &#xB1; 0,85 (40 - 44) 34,11 &#xB1; 10,66 (1 - 50) H&#xE1;bito de fumar &#x2022; N&#xE3;o &#x2022; Sim &#x2022; Quantidade de carteiras de cigarros por dia 88,8% 13,6% 3, 73 &#xB1; 0,88 (1 -5) 55,6% 5,6 % 1, 78 &#xB1; 0,54 (0- 2) Consumo de &#xE1;lcool semanal &#x2022; Cerveja &#x2022; Cacha&#xE7;a 1,64 &#xB1; 0,43 (1 -6) 3,14 &#xB1; 1,85 (1-5) 1,22 &#xB1; 0, 46 (1 -2) 6,50 &#xB1; 4,73 (0 &#x2013; 11) Consumo de medicamentos por dia &#x2022; Transcritos &#x2022; N&#xE3;o transcritos 0,31 &#xB1; 0,10 (0 &#x2013; 3) 0,32 &#xB1; 0,83 (0 &#x2013; 3) 1, 22 &#xB1; 0,83 (0 &#x2013; 4) 2,06 &#xB1; (0 -9) Consumo de carne em dias por semana &#x2022; Bovina &#x2022; Galinha &#x2022; Peixe 2,05 &#xB1; 1,25 (1 &#x2013; 6) 2, 86 &#xB1; 1,16 (1 &#x2013; 6) 2,64 &#xB1; 0,23 (1-&#xA8;6) 1,00 &#xB1; 0,00 (0 -1) 1,44 &#xB1; 0,50 (1 &#x2013; 5) 1,00 &#xB1; 0,01 (1-2) Consumo de vegetais &#x2022; Sim &#x2022; N&#xE3;o 5,0% 9 5,5% 77,8% 22,2 Tabela 1 Caracter&#xED;sticas da popula&#xE7;&#xE3;o de agentes de endemias dos munic&#xED;pios de Piripiri, Piau&#xED; expostos &#xE0; alfaciperetrina e de trabalhadores administrativos n&#xE3;o expostos, da cidade de Teresina, ano de 2009 Grupos Micron&#xFA;cleosa Frequ&#xEA;ncia (%) de MN Expostos (N=22) 1,31 &#xB1; 0,200 (0 -3) 0,06 &#xB1; 0,01 N&#xE3;o expostos (N=18) 0,83 &#xB1; 0,23 (0 &#x2013; 3) 0,03 &#xB1; 0,01 Tabela 2 Avalia&#xE7;&#xE3;o mutag&#xEA;nica em c&#xE9;lulas esfoliadas de mucosa bucal de agentes de endemias do munic&#xED;pio de Piripiri, PI expostos &#xE0; alfacipermetrina, no ano de 2009, com o teste de micron&#xFA;cleos (MN) 2000 c&#xE9;lulas por indiv&#xED;duo. a M&#xE9;dia &#xB1; erro padr&#xE3;o. Signific&#xE2;ncia em ***P&lt;0,001, em rela&#xE7;&#xE3;o aos trabalhadores n&#xE3;o expostos analisado com o teste t. Exposto s N &#xE3;o exposto s 0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 Frequ&#xEA;ncia(%)deMN/2.000c&#xE9;lulas E xp osto s N &#xE3;o ex p ost o s 0 20 40 60 80 100 *** Grupos Frequ&#xEA;ncia(%)decariorrexe/2000c&#xE9;lulas Exposto s N &#xE3;o exposto s 0 20 40 60 80 100 Grupos Frequ&#xEA;ncia(%)decari&#xF3;lise/2000c&#xE9;lulas Exp os to s N &#xE3;o ex post os 0 20 40 60 80 100 *** Grupos Frequ&#xEA;ncia(%)debinucleadas/2000c&#xE9;lulas Tabela 4 Anormalidade nucleares identificadas em c&#xE9;lulas de mucosa bucal de agentes end&#xEA;micos expostos &#xE0; alfacipermetrina em Piripiri, Piau&#xED;, ano de 2009 Anormalidades nucleares Cariorrexe b Frequ&#xEA;ncia (%) de Cariorrexe b Cari&#xF3;lise b Frequ&#xEA;ncia (%) de Cariolise b C&#xE9;lulas Binucleadas b Frequ&#xEA;ncia (%) de Binucleada Expostos (N=22) 900,0 &#xB1; 51,19a*** (418 &#x2013; 1294) 45,40 &#xB1; 2,42a*** 98,73 &#xB1; 12,89 (18 - 216) 4,92 &#xB1; 0,64 32,36 &#xB1; 6,22a*** (0 &#x2013; 92) 1, 61 &#xB1; 0,31 a*** N&#xE3;o expostos (N=18) 551,2 &#xB1; 46,27 (305-958) 27,42 &#xB1; 2,3 73,44 &#xB1; 10,36 (10 -140) 3,67 &#xB1; 0,51 5,57 &#xB1; 0, 72 ( 0 &#x2013; 10) 0,28 &#xB1; 0,03 a2000 c&#xE9;lulas por indiv&#xED;duo. bM&#xE9;dia &#xB1; Erro padr&#xE3;o. Resultados expressos em M&#xE9;dia &#xB1; Erro padr&#xE3;o. Signific&#xE2;ncia em ***P &lt; 0,001, teste t., em rela&#xE7;&#xE3;o aos trabalhadores n&#xE3;o expostos. CB A D Figura 3 Mutagenicidade e danos gen&#xE9;tico induzidos pela alfacipermatrina em agentes end&#xEA;micos ap&#xF3;s exposi&#xE7;&#xE3;o ocupacional no munic&#xED;pio de Piripiri-PI, ano de 2009. (A) frequ&#xEA;ncia de MN; (B) Cariorrexe; (C); Cari&#xF3;lise e (D) C&#xE9;lulas binucleadas. Signific&#xE2;ncias de P&lt;0,001, teste T, em rela&#xE7;&#xE3;o aos trabalhadores n&#xE3;o expostos RESULTADOS E DISCUSS&#xD5;ES As caracter&#xED;sticas da popula&#xE7;&#xE3;o estudada est&#xE3;o apresentadas na Tabela 1. Avalia&#xE7;&#xF5;es estat&#xED;sticas dos biomarcadores citogen&#xE9;ticos n&#xE3;o indicam diferen&#xE7;as significativas para a freq&#xFC;&#xEA;ncia de micron&#xFA;cleos ( Tabela 2 e Figura 3A). Entretanto, significantes (P&lt;0,001) aumentos foram observadas para as cariorrexes (45,40 &#xB1; 2,42 X 27,42 &#xB1; 2,30) e c&#xE9;lulas binucleadas (1,63 &#xB1; 0,31 X 0,28 &#xB1; 0,03) em rela&#xE7;&#xE3;o ao grupo n&#xE3;o exposto (Figura 3B, C e D). Os resultados sugerem que a exposi&#xE7;&#xE3;o ocupacional ao piretr&#xF3;ide alfacipermetrina induz apoptose e citotoxicidade em c&#xE9;lulas de mucosa bucal dos agentes end&#xEA;micos do munic&#xED;pio de Piripiri, Piau&#xED;. Trabalho apresentado no XV Congresso Brasileiro de Toxicologia, em Belo Horizonte, de 10 a 14/10/2010
  • 129. 129 Trabalho publicado no livro Saberes e Pr&#xE1;ticas em Sa&#xFA;de no Piau&#xED;. p. 104.
  • 130. 130 Trabalho apresentado no XV Congresso Brasileiro de Toxicologia, em Belo Horizonte-MG, de 10 a 14/10/2010 e publicado no livro Saberes e Pr&#xE1;ticas em Sa&#xFA;de no Piau&#xED;. p. 99.
  • 131. 131 Apoptose e necrose em agricultores expostos aos agrot&#xF3;xicos em munic&#xED;pios do Piau&#xED;. Trabalho apresentado no III Congresso Piauiense de Biomedicina, realizado em Teresina-PI, de 9 a 11/09/2020.
  • 132. 132 ANEXO A: APROVA&#xC7;&#xC3;O DO COMIT&#xCA; DE &#xC9;TICA EM PESQUISA
  • 133. 133 ANEXO B: QUESTION&#xC1;RIO DE SA&#xDA;DE PESSOAL (De acordo com modelo recomendado por: International Commission for Protection against Environmental Mutagens and Carcinogens (ICPEMC) Mutation Research, 204:379406, 1988) Este question&#xE1;rio, assim como o estudo a ele relacionado, deve ser de seu interesse. A participa&#xE7;&#xE3;o e espont&#xE2;nea e constar&#xE1; destas informa&#xE7;&#xF5;es gerais sobre sa&#xFA;de e dieta, mais uma coleta de sangue para estudo citogen&#xE9;tico. O estudo consiste em uma avalia&#xE7;&#xE3;o de muta&#xE7;&#xF5;es nos cromossomos de cada participante. Muta&#xE7;&#xF5;es cromoss&#xF4;micas ocorrem normalmente nas c&#xE9;lulas de todas as pessoas em n&#xED;vel bastante baixo, e s&#xE3;o apontadas, entre outros efeitos, nos processos de envelhecimento e do c&#xE2;ncer. Trabalhadores em atividades de risco (por exemplo, radiologia, quimioterapia, uso de &#xF3;xido de etileno e outras), se n&#xE3;o seguirem normas adequadas de seguran&#xE7;a, podem aumentar a frequ&#xEA;ncia de muta&#xE7;&#xF5;es cromoss&#xF4;micas em suas c&#xE9;lulas. Este estudo poder&#xE1; servir como sinal de alerta para prevenir e melhorar as condi&#xE7;&#xF5;es de seguran&#xE7;a. Caso n&#xE3;o se encontrem diferen&#xE7;as entre trabalhadores de atividades de risco e outros de atividades diversas, poderemos concluir que os itens de seguran&#xE7;a s&#xE3;o efetivos neste aspecto. Isto servir&#xE1; de est&#xED;mulo para continuar tomando cuidados com a vida no local de trabalho. Leia e responda cuidadosamente as seguintes quest&#xF5;es. A informa&#xE7;&#xE3;o dada por voc&#xEA; n&#xE3;o ser&#xE1; associada com o seu nome, sendo conhecida apenas pelos pesquisadores associados a este estudo. As respostas deste question&#xE1;rio poder&#xE3;o ter influ&#xEA;ncia direta na interpreta&#xE7;&#xE3;o de nossos resultados. Por isso, contamos com sua coopera&#xE7;&#xE3;o em fornecer informa&#xE7;&#xF5;es corretas. Obrigado pelo seu interesse. 1.Nome:____________________________________________________ 2.Para ser preenchido pelo pesquisador: C&#xF3;digo n&#xBA;:_____________ . Data: _____________________ Essa folha ser&#xE1; destacada das demais do question&#xE1;rio e arquivada. Apenas o n&#xFA;mero do c&#xF3;digo ser&#xE1; usado como identifica&#xE7;&#xE3;o nas pr&#xF3;ximas p&#xE1;ginas. Se espa&#xE7;os adicionais forem necess&#xE1;rios para completar uma resposta, por favor escreva atr&#xE1;s da p&#xE1;gina e identifique o complemento da resposta com o n&#xFA;mero da quest&#xE3;o. HIST&#xD3;RIA PESSOAL 3.Data de hoje:_______________________ ____________________ 4.Qual a sua idade? _______________(em anos). 5. Sexo: ( )Masculino ( )Feminino 6.A qual grupo &#xE9;tnico voc&#xEA; pertence: ( )Caucasiano ( )Negro ( )Chin&#xEA;s ( )Japon&#xEA;s ( )Outro. Qual?____________________________________________ . 7.Qual o seu estado civil? ( )Casado ( )Solteiro ( )Separado ( )Divorciado ( )Vi&#xFA;vo 8.De quantos filhos voc&#xEA; &#xE9; pai natural (isto &#xE9;, n&#xE3;o inclua filhos adotados e de cria&#xE7;&#xE3;o, e inclua filhos que moram separadamente)?_____________________ 9.Qual a renda mensal de sua fam&#xED;lia? ___________________________ HIST&#xD3;RIA OCUPACIONAL 10. Qual o seu local de trabalho? _______________________________. 11. H&#xE1; quanto tempo voc&#xEA; trabalha neste local? ___________________
  • 134. 134 12.Se h&#xE1; menos de dez anos, onde voc&#xEA; trabalhou previamente e por quanto tempo? _____________________________________________________ 13. a)Que tipo de trabalho voc&#xEA; faz? ____________________________ 13.b)Qual a carga hor&#xE1;ria semanal de trabalho?____________________ EXPOSI&#xC7;&#xC3;O 14. a) Liste os agentes qu&#xED;micos (por exemplo, gases t&#xF3;xicos, benzeno, chumbo, f&#xE1;rmacos, agrot&#xF3;xicos,etc.) ou f&#xED;sicos (radia&#xE7;&#xE3;o) a que voc&#xEA; se exp&#xF4;s nos &#xFA;ltimos 10 anos em seu trabalho. Nos &#xFA;ltimos 12 meses: Quantas vezes por m&#xEA;s:____________________ Nos &#xFA;ltimos 10 anos: Quantas vezes por m&#xEA;s :_____________________ 14.b)Voc&#xEA; usa algum tipo de prote&#xE7;&#xE3;o? ( ) Sim ( ) N&#xE3;o 15. Liste os agentes qu&#xED;micos (agrot&#xF3;xicos e outros que julgar necess&#xE1;rio) ou f&#xED;sicos a que voc&#xEA; se exp&#xF4;s nos &#xFA;ltimos 10 anos fora de seu trabalho. Nos &#xFA;ltimos 12 meses: Quantas vezes por m&#xEA;s: ____________________ Nos &#xFA;ltimos 10 anos: Quantas vezes por m&#xEA;s: _____________________ HIST&#xD3;RIA DE FUMO 16. Alguma vez voc&#xEA; fumou? ( )Sim ( )N&#xE3;o Se sim, continue: a).Quanto tempo voc&#xEA; fumou?_____________________(em anos) b).Voc&#xEA; fuma atualmente? ( )Sim ( )N&#xE3;o Se sim, passe para a 16 c. Se n&#xE3;o: Quando voc&#xEA; parou de fumar?_________________(m&#xEA;s e ano). c).Voc&#xEA; fuma cigarros? ( )Sim ( )N&#xE3;o Se sim, quantas carteiras por dia? ( ) Menos de &#xBD; carteira ( )&#xBD; a 1 carteira ( ) Mais de 1 carteira. Quantas?____________ Voc&#xEA; fuma cigarros com filtro? ( )Sim ( )N&#xE3;o Qual a sua marca usual?_________________________________ . d).Voc&#xEA; fuma charutos? ( )Sim ( )N&#xE3;o Se sim, quantos charutos por dia? ( )1 charuto ( )2 a 3 charutos ( ) 4 ou mais charutos. Quantos?__________ e).Voc&#xEA; fuma cachimbo? ( )Sim ( )N&#xE3;o Se sim, quantas vezes por dia? ( )1 vez ( ) 2 a 3 vezes ( ) 4 ou mais vezes. Quantas?_________ f)O que voc&#xEA; fumava no passado? ( ) Cigarros ( ) Charutos ( ) Cachimbo g)Voc&#xEA; mastiga tabaco? ( ) Sim ( )N&#xE3;o MEDICAMENTOS E DOEN&#xC7;AS 17.Voc&#xEA; tem tomado algum medicamento prescrito pelo m&#xE9;dico no &#xFA;ltimo ano (por exemplo, comprimidos para press&#xE3;o, insulina, tranquilizantes, relaxantes musculares, etc.)? ( )Sim ( )N&#xE3;o Se sim, por favor indique: Per&#xED;odo.Tipo de medicamento: Dose: Quantos por dia: In&#xED;cio (m&#xEA;s): T&#xE9;rmino(m&#xEA;s): ________________ ________ ___________ _________ 18.Voc&#xEA; tem tomado algum medicamento n&#xE3;o prescrito por m&#xE9;dico no &#xFA;ltimo ano (por exemplo, aspirina, anti&#xE1;cidos, antihistaminas,sedativos ou outras drogas)? ( ) Sim ( )N&#xE3;o Se sim, por favor indique: Per&#xED;odo: Tipo de medicamento: Dose: Quantos por dia: In&#xED;cio(m&#xEA;s): T&#xE9;rmino(m&#xEA;s):_________ ________ ________ ___________ _________ ______
  • 135. 135 19. Voc&#xEA; toma ou tomou alguma vitamina nos &#xFA;ltimos 6 meses? ( )Sim ( )N&#xE3;o Se sim, por favor indique: Tipo de vitamina: Dose: Quantas vezes por semana: ________________ 20.a)Voc&#xEA; teve ou tem alguma dessas doen&#xE7;as? C&#xE2;ncer ( )Sim ( )N&#xE3;o Hepatite ( )Sim ( )N&#xE3;o Mononucleose ( )Sim ( )N&#xE3;o Herpes ( )Sim ( )N&#xE3;o AIDS ( )Sim ( )N&#xE3;o Meningite ( )Sim ( )N&#xE3;o Infec&#xE7;&#xE3;o bacteriana ou viral ( )Sim ( )N&#xE3;o Doen&#xE7;a cardiovascular ( )Sim ( )N&#xE3;o Diabete ( )Sim ( )N&#xE3;o Outras doen&#xE7;as importantes ( )Sim ( )N&#xE3;o b).Se sim, indique abaixo: Doen&#xE7;a: Per&#xED;odo da doen&#xE7;a: Tratamento: ________________ _________________ _____________ c).Liste as vacina&#xE7;&#xF5;es que voc&#xEA; recebeu nos &#xFA;ltimos 12 meses. Vacina: Data: ___________________________ ___________________ d).Liste os raiosX diagn&#xF3;sticos e terap&#xEA;uticos, recebidos nos &#xFA;ltimos 10 anos. Raz&#xE3;o para o raioX Data(ano) ______________________________________ _______________ e).Voc&#xEA; fez alguma cirurgia durante o &#xFA;ltimo ano? Data: Raz&#xE3;o: ______________ _______________________________________ f).D&#xEA; as datas de quando voc&#xEA; teve febre nos &#xFA;ltimos 12 meses. Data(m&#xEA;s): Doen&#xE7;a associada: Medicamento tomado: _______________ ____________________________________ DIETAS (deve refletir apenas os h&#xE1;bitos frequentes) 21. Voc&#xEA; come apenas vegetais? ( )Sim ( )N&#xE3;o 22. Voc&#xEA; come carne? ( )Sim ( )N&#xE3;o a).Se sim, com que frequ&#xEA;ncia voc&#xEA; come o seguinte: Dias por semana 1 a 2 3 a 4 5 a 6 Todos os dias Carne bovina Peixe Porco outras b).Como voc&#xEA; prefere sua carne? ( )Mal passada ( )No ponto ( )Bem passada 23.Voc&#xEA; usa ado&#xE7;antes? ( )Sim ( )N&#xE3;o Quantos por dia? ___________ 24.Voc&#xEA; bebe refrigerantes? ( )Sim ( )N&#xE3;o Quantos por dia?_________ 25. Comente sobre sua dieta, caso ela tenha algo de especial (por exemplo, dieta rica em prote&#xED;nas e pobre em carbohidratos, etc) ._________________________________________________________________ 26.Voc&#xEA; bebe caf&#xE9;? ( )Sim ( )N&#xE3;o Quantos x&#xED;caras pequenas por dia?__ 27. Voc&#xEA; bebe ch&#xE1;? ( )Sim ( )N&#xE3;o Quantos x&#xED;caras por dia?__________
  • 136. 136 28. Voc&#xEA; toma chimarr&#xE3;o? ( )Sim ( )N&#xE3;o Com que frequ&#xEA;ncia? _______ 29. Voc&#xEA; bebe cerveja? ( )Sim ( )N&#xE3;o Se sim, por favor indique sua m&#xE9;dia de consumo semanal: ( )1-6 garrafas por semana ou menos. ( )7-12 garrafas por semana. ( )13-24 garrafas por semana. ( ) Mais de 24 garrafas por semana. Quantas?_________________ . 30. Voc&#xEA; bebe vinho? ( )Sim ( )N&#xE3;o Se sim, por favor indique sua m&#xE9;dia de consumo semanal: ( )1-4 copos por semana ou mais. ( )5-8 copos por semana. ( )9-16 copos por semana. ( )Mais de 16 copos por semana. Quantos?_______________________ . 31.Voc&#xEA; bebe outras bebidas alco&#xF3;licas (excluindo cerveja e vinho)? ( )Sim ( )N&#xE3;o Se sim, qual ou quais? ___________________________ Por favor, indique sua m&#xE9;dia de consumo semanal: ( )1-4 copos por semana ou menos. ( )5-8 copos por semana. ( )9-16 copos por semana. ( ) Mais de 16 copos por semana. Quantos?___ HIST&#xD3;RIA GEN&#xC9;TICA 32. Voc&#xEA; tem conhecimento de algum defeito de nascimento ou outra desordem gen&#xE9;tica ou doen&#xE7;a heredit&#xE1;ria que tenha afetado seus pais, irm&#xE3;os, irm&#xE3;s ou seus filhos? ( )Sim ( )N&#xE3;o Se sim, por favor especifique: ______________________________ 33. Voc&#xEA; ou a sua esposa teve ou tem dificuldade para engravidar? ( )Sim ( )N&#xE3;o Se sim, por favor especifique: ___________________________ 34.Voc&#xEA; j&#xE1; teve um filho que tenha nascido prematuramente ou que tenha sido abortado? ( )Sim ( )N&#xE3;o Voc&#xEA; tem um g&#xEA;meo id&#xEA;ntico vivo? ( )Sim ( )N&#xE3;o
  • 137. 137 ANEXO C: VALORES DE REFER&#xCA;NCIA UTILIZADOS NAS AN&#xC1;LISES LABORATORIAIS EXAME VALOR DE REFER&#xCA;NCIA Ur&#xE9;ia 10 mg/dl a 52 mg/dl Creatinina 0,4 mg/dl a 1,3 mg/dl Transaminase oxalac&#xE9;tica &#x2013; TGO 4 U/ml a 36 U/ml Transaminase piruvica &#x2013; TGP 4 U/ml a 32 U/ml Homem: 07 a 40 U/I Gama GT Mulher: 05 a 27 U/I Adulto: 13 a 43 U/I Fosfatase Alcalina Crian&#xE7;a at&#xE9; 12 Anos: 56 a 156 U/I BChE Feminino: 3.930 a 10.000 U/I Masculino:4.620 a 11.500 U/I HEMOGRAMA Homem: 4,5 &#x2013; 6,5 Hem&#xE1;cias em Milh&#xF5;es / mL Mulher: 3,9 &#x2013; 5,8 Homem: 13,5 &#x2013; 18,0 Hemoglobina em G/DL Mulher: 11,5 &#x2013; 16,4 Homem: 40,0 &#x2013; 54,0 Hemat&#xF3;crito em % Mulher: 36,0 &#x2013; 47,0 V. Glob. M&#xE9;dia em u3 76,0 &#x2013; 96,0 Hcm 27,0 &#x2013; 32,0 C.H. Glob. M&#xE9;dia em % 32,0 &#x2013; 36,0 Adultos: 5.000 &#x2013; 10.000 04 a 07 Anos: 6.000 &#x2013; 15.000Leuc&#xF3;citos por mm3 08 a 12 Anos: 4.500 &#x2013; 13.000 % /mm3 Neutr&#xF3;filos 40 &#x2013; 75 2.500 &#x2013; 7.500 Promiel&#xF3;citos 0 - Miel&#xF3;citos 0 - Metamiel&#xF3;citos 0 &#x2013; 1 - Bast&#xF5;es 1 &#x2013; 3 45 &#x2013; 330 Segmentados 40 &#x2013; 75 - Eosin&#xF3;filos 1 &#x2013; 6 40 &#x2013; 330 Bas&#xF3;filos 0 &#x2013; 1 1 &#x2013; 100 Linf&#xF3;citos 20 &#x2013; 45 1.500 &#x2013; 3.500 Mon&#xF3;citos 02 &#x2013; 10 200 &#x2013; 800 Contagem de plaquetas 150,000 a 400,000 /mm3 Fonte: LACEN, 2010
  • 138. 138 ANEXO D: FICHA DE AVALIA&#xC7;&#xC3;O DO TESTE COMETA SECRETARIA DE SAUDE DO ESTADO DO PIAUI LABORATORIO CENTRAL DE SA&#xDA;DE PUBLICA &#x201C;Dr. COSTA ALVARENGA.&#x201D; Laborat&#xF3;rio de Toxicologia Gen&#xE9;tica Molecular (LABTOXGEN-MOL) FICHA DE AVALIA&#xC7;&#xC3;O DO TESTE COMETA Projeto Material Biol&#xF3;gico: GRUPO: Paciente: N&#xE3;o Expostos Expostos C&#xE9;lula Classe C&#xE9;lula Classe 1 51 2 52 3 53 4 54 5 55 6 56 7 57 8 58 9 59 10 60 11 61 12 62 13 63 14 64 15 65 16 66 17 67 18 68 19 69 20 70 21 71 22 72 23 73 24 74 25 75 26 76 27 77 28 78 29 79 30 80 31 81 32 82 33 83 34 84 35 85 36 86 37 87 38 88 39 89 40 90 41 91 42 92 43 93 44 94 45 95 46 96 47 97 48 98 49 99 50 100 C&#xC1;LCULO DO &#xCD;NDICE DE DANO (ID) Dano Total de C&#xE9;ls X Classe de Dano Total de Danos 0 _____ x 0 1 _____ x 1 2 _____ x 2 3 _____ x 3 4 _____ x 4 ID (%) &#x2211;DanosC&#xC1;LCULO DA FREQU&#xCA;NCIA DE DANOS (FD - %) FD = 100 &#x2013; Total de Danos 0 FD= ________

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