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O elemento vital

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  • 1. O elemento vital O elemento Vital -[Brasil]: Agosto 2004 85 paginas. CRA: Nº Registro: 329.308 Livro: 603 Folha: 468 Autor: Simeão de Souza Marchiori Prólogo Se pudéssemos nos transportar às mais variadasdimensões, fluir livremente nos universos paralelosque mais intrigam a existência humana, poderíamosaventurar-se nas mais incríveis experiências,explorar dimensões onde a realidade, a física, aficção e a própria existência se confundem. Nestahistoria veremos como isso seria possível. xxxxx Esse é o meu primeiro romance, não souescritor, apenas coloquei no papel um ideia que tive Propositadamente procurei usar uma escritaatual visando uma leitura acessível e agradável paratodos. Dedicado aos meus pais, e alguns raros amigos,que respeitam a minha modesta natureza artística. Espero que os erros não prejudique ainterpretação.
  • 2. CAPÍTULO 1 T arde de Sábado, algumas poucas nuvensbrancas pairavam com infinita paciência no céu azul,estava quente porém agradável, eu estava andandosem muita pressa no centro da cidade onde moro,considerada uma grande metrópole com seusgrandes edifícios cinzas fincados na terra desafiandoo céu. Muitas pessoas de tipos variados iam evinham, integrando-se e contribuindo com suaparte ao terrível e ao mesmo tempo belo caosurbano, e assim aproveitando a conflitante tarde defolga para gastar seus ganhos quase sempre justo,satisfazendo e realizando seus desejos,provavelmente atiçados por algum comercial datevê, comprando todo tipo de quincalharia, e clarocoisas realmente essenciais, bem ou mal,contribuindo com sua parte para o funcionamentode uma intrincada máquina chamada sociedadehumana. Mesmo acostumado com a agitação de umacidade grande e vitrines, volta e meia a gente sedepara, olhando para uma vitrine sempre há algumanovidade ou... algum objeto que nos chama aatenção. Se existe realmente o sexto sentido, ou será osétimo? devia estar presente agora, porqueenquanto olhava a vitrine, senti uma sensaçãoestranha, pressentia que algo estaria por acontecer,porém não dei importância e logo me distraí,continuei caminhando, sem muita pressa, volta emeia voltava a sensação, então calmamente parei epassei a olhar disfarçadamente para os lados só
  • 3. para ter certeza que estava tudo normal, as pessoascontinuavam indo e vindo, tudo parecia normal,então voltei a andar. Quando passei em frente àuma loja, um produto em exposição me chamou aatenção, então fiquei olhando, totalmente distraído,instintivamente e sem motivo olhei para o lado edentre a multidão vi surgir uma garota, muitobonita, que deveria ter uns vinte e poucos anos, nãoera alta nem baixa, eu diria o normal, pele clara,cabelos dourados e lisos, pouco abaixo dos ombros,olhos esverdeados, uma enorme menina dos olhosque a deixava meio... angelical. Até aí tudo normal,há muitas pessoas com essas características ouesses dotes por aí, há não ser o fato que estavavindo justamente em minha direção, quandochegou bem perto de mim parou, ficou me olhando,totalmente imóvel, eu sem entender o que sepassava, os poucos segundos pareciam umaeternidade, instintivamente admirava todo ocontorno do seu corpo, parecia irreal, como umaescultura perfeita moldada pelo mais hábil escultorem seu momento de maior inspiração, e naquelerosto de queixo suavemente arredondados, lábiosvermelhos, provocantes, que enfeitiçaria qualquercidadão normal. Ela trajava roupas modestas, destasque os jovens costumam usar, uma calça jeansapertada no corpo, uma camiseta cinza de seda queparecia meio prateada, e com um grande degote,que lhe proporcionava um certo ar futurista, etão curta que dava para ver seu pequenoumbigo, flutuando, como que se estivessesuspensos por jovens pelos dourados. Aproximou-se tanto de mim que tive que recuar um passo,poderia até beijá-la se quisesse e sem que ela
  • 4. pudesse reagir, mas claro que esse não era o caso.Pelo meu conceito de beleza ela seria uma mulherperfeita, numa visão poética pra exemplificar comome sentia, eu diria me que me sentia ao lado de umanjo. Talvez até seja outras pessoas não a vissemassim, ou um pouco de exagero da minha parte, masa verdade é que ela fazia meu gênero. Poderia sertudo aquilo que sonhei na vida, pelo menosfisicamente. Isso tudo passou muito rápido e nesse mesmotempo indagava... Porque ela me olha? Será queela confundiu-me com alguém? Talvez queira algumainformação. Tentava manter-me mais natural possível masmeu coração batia na garganta, tão forte que sealguém chegasse mais próximo não duvido quepudesse ouvi-lo. Ali estava ela parada, olhando-me,sem falar uma única palavra como se estivesse meanalisando ou fazendo um reconhecimento,enquanto ela olhava pra mim seus olhos mehipnotizava, eu como uma presa dominada tremia ea admirava, ao mesmo tempo as pessoas passavampor nós indiferentes. Finalmente ela falou, eu me distraí olhandoseus dois dentes da frente que combinavaperfeitamente com o discreto sorriso que esboçavaao falar. Foi quando finalmente voltei a mim, balanceilevemente a cabeça, pedi desculpas e o favor querepetisse o que havia falado. Ela falou: -Puxa! É você mesmo! Como foi bom teencontrar.
  • 5. Finalmente prestei atenção. Tudo nela meagradava até mesmo a sua voz, suave e clara. Comonão tinha a menor noção do que se tratava, equando ela falou que me procurava me deixouainda mais intrigado, então perguntei; -Como você vem me procurando? Não melembro de conhecê-la, aliás nunca esqueceria se arealmente tivesse a conhecido. Você me conhece? Ela apenas balançou a cabeça afirmando quesim, depois perguntei seu nome, ela ficou calada,como se quisesse emitir um som, mas não pudesse,dando a sensação que não poderia dizer seu nome,ou que nem mesmo nome teria. Instintivamente a fiz algumas suposições; Seráque ela está com amnésia e não se lembra de seupróprio nome? Provavelmente está me confundindocom outra pessoa. -Acho que você está me confundindo com outrapessoa, porque realmente não a conheço. Ela fica meio aflita, e insiste em dizer que meconhece. Eu curiosamente perguntei de onde, elame conhecia. -Eu não sei estou um pouca confusa, nem sei lheexplicar, mas eu sabia que iria te encontrar aqui equando eu o vi, logo reconheci, de alguma forma eulhe conheço. Ela está confusa, talvez não esteja passandobem, pensei. Também não posso negar um pedidode ajuda. Algo grave poderia estar acontecendo issoaguçou minha curiosidade, falei pra ela queprecisava ir a uma loja e se ela quisesse poderíamosconversar enquanto andávamos, ainda meiodesconfiado olhei discretamente para os lados paraver se não estava-nos sendo seguido ou caindo em
  • 6. algum tipo de cilada, mas não vi nada suspeito. Seguimos em direção à uma loja de tintas, ondeeu pretendia comprar alguns materiais, antes deter encontrado a tal jovem. Sempre tive o hábito de andar com os braçoscruzados ou com as mãos no bolso, imagino que issofaça parte do meu complexo de mim mesmo, ouseria timidez, não sei. Más para minha surpresa, esem menor cerimônia, ela primeiro cruzou os seusbraços no meu, como se eu lhe oferecessesegurança, mas não se contentando, me abraçoupela cintura, apertando-se contra mim, como se jáfossemos íntimos, me senti estranhamenteconfortável. Andamos um pouco e já dava para avistar a loja.Chegando à loja encostei-me ao balcão,prontamente um vendedor vem me atender, noteique deu uma olhada na moça, talvez estranhando,pelo fato que sempre vou à loja desacompanhado. -”Vê” pra mim uma lata de tinta branca acrílica. -Mais alguma coisa? -Um pincel de duas polegadas e um pincel deceda de meia polegada, só. Assim que ele emite a nota, dirigi-me ao caixapara pagar, e voltei para pegar o embrulho, quandoestava saindo a moça do caixa me chamou. -Moço não vai querer o troco? Bati a mão na testa e sorrindo meio sem graça,voltei pegar o troco, eu ainda estava meioatordoado. A moça que encontrei ou melhor queme encontrou, me seguia o tempo todo. Com a compra feita saímos da loja, econtinuamos a caminhar já era meio tardinha, o solruborizado como minha própria timidez, nos
  • 7. presenteava com uma bela e avermelhada tarde. Caminhando algum tempo afastando-nos docentro da cidade. Sem falarmos nada um prooutro, ela junto a mim como se não pudesse meperder, era estranho. As primeiras luzes dos postescomeçavam à acender, o comércio estava fechandoas portas, enquanto outros estavam abrindo, como éo caso de uma pequena lanchonete que costumofrequentar, e que tinha acabado de abrir, o dono,que era um homem meio gordo, estava com umjaleco branco na mão, encostado na porta seespreguiçando. Como era sábado, e realmente não estava atrabalho, apenas pretendia fazer uns pequenosretoques na pintura da casa no domingo, e hoje eunão tinha pressa para nada e essa situação me orasme deixava com um conflitante desconforto, oferecialgo para ela beber ou comer, enquanto issoprocuraria conversar com ela sobre o que estavaacontecendo, esse encontro não foi e não eranormal, portanto algo estava acontecendo e eupretendia descobrir o motivo, ela aceitou semproblemas, entramos, puxei a cadeira para que elasentasse, sentei em seguida. Falei para o dono dalanchonete para continuar nos preparativos dalanchonete antes de nos atender, afinal ele haviaacabado de abri-la. Falei para ela que precisava ir ao banheiro, elase ajeitou na cadeira e nada falou, aliás não falamospraticamente nada até agora. Antes de me levantar,o garçom trouxe o menu, então pedi à ele quetrouxesse uma cerveja, e um suco para a jovem edois lanches, em seguida fui ao banheiro. Todo mundo tem seus complexos. E eu tenho
  • 8. mais de um, entre eles, não consigo urinar se tivermais pessoas no banheiro, mas nesse momento nãotinha ninguém, e estranhamente não conseguiurinar, mesmo estando com uma certa vontade. Como não urinei, fui ao lavatório, onde acimatinha um pequeno espelho trincado, enquantolavava as mãos minha imagem refletiadesenquadrada no espelho. Eu falava pra mim mesmo no espelho -Que coisa! Quando eu imaginava ela meacompanhando, havia momentos que nem queriasaber o que estava acontecendo, mas a realidadeera outra, isso me intrigava, melhor voltar paramesa e continuar e esperar uma oportunidade parapuxar o assunto. Como não havia toalhas, bati as mãos na calçapara secá-las, quando retornei, o garçom já haviaservido a cerveja e o suco, enchi meu copo, oferecio suco, mas ela recusou. -Não obrigada, não tenho vontade. -Fale sobre você, até agora não sei quem você é,de onde veio, o que realmente está acontecendo, sevocê estiver com algum problema talvez possaajudá-la. Seus olhos avermelharam como se fosse chorar,mas nenhuma lágrima escorreu. Pelo menos agoraeu tenho certeza que ela tem algum problema, já éum começo. Ela levou as mãos aos olhos, e antesque ela voltasse à abaixar completamente, segurei-as, falei que eu queria lhe ajudar, mas precisava queela se abrisse comigo. Ela começou a falar. -Eu não lembro quem sou, de onde venho,do meu nome, não lembro o que aconteceu
  • 9. ontem, nada. De repente como se do nada,eu estava andando na rua. E quando eu teencontrei, senti uma sensação de alívio, comose algo me dissesse, que você poderia me ajudar.Sinto como se já o conhecesse. Voltei à fazer suposições. Está parecendo queela perdeu a memória, por algum trauma talvez,quem sabe foi assaltada ou raptada? -Você me deixa numa situação difícil, como voupoder ajudá-la? Você tem documentos? Posso televar à uma delegacia, se quiser ou até mesmo à umhospital. -Não tenho documentos... Posso ficar com vocêpor enquanto? Não me deixe sozinha, talvez daqui apouco eu recupere minha memória, e tudo seresolve, diga que sim. Ainda acho que deveria tê-la levado a umadelegacia, não sei porque mas voltei à pegar as suasmãos confortando-a. Ela sorriu, como ganha-se um novo ânimo, efalou que não adiantava ficar preocupada sendoque cedo ou tarde as coisas deveriam se esclarecer. -Você acha que me conhece, mas não meconhece, não tem medo de ficar com estranhos? -De você não. Ela sabia que tinha encontrado a pessoa certa,eu de certa forma também, senti aliviado por ela,sabe lá o que poderia acontecer com uma garotaperdida numa cidade como essa. O tempo estava passando, eu havia apenastomado alguns goles de cerveja e sequer estavacom vontade de comer o lanche, ela por sua vez,após se sentir confortada, começou à comer comuma certa voracidade, como estivesse semanas sem
  • 10. se alimentar, debrucei-me com os cotovelosapoiados à mesa, achava graça e me deliciava emver seu apetite repentino, e nem se importava com omolho de tomate que escorria pelo seu queixo. Apóster lanchado, ela pegou um guardanapo e limpou oslábios, então eu peguei outro guardanapo e limpeisuavemente do seu queixo, um pouquinho de molhoque ainda restava bem juntinho aos lábios. Um beijo resolveria, poderia parecer anti-higiênico, mas e daí? Mas isso não passava de umafantasia minha... Ela agora estava mais à vontade esaciada. -Já que eu não lembro de mim, fale-me de vocêo que você gosta seus sonhos... Nem mesmo saberia o que dizer sobre mim,mas mesmo antes que tenta-se, ela falou... -Apesar de você ser pintor, não é o querealmente gosta, acertei? -Acertou, até parece que me conhece mesmo, jáque é assim, tente adivinhar do que eu mais gostode fazer. -Hum! Deixe-me ver, você tem um jeito degosta de coisas artísticas, escultor não, desenhotalvez. -Você me assusta garota. Gosto de tudo que sejaarte, escrever, tocar música, mas minha vocaçãodesde de criança foi desenhar, me sinto muito avontade com um lápis na mão, meu desejo é um diaconstruir meu próprio estúdio. -Gostaria que você me mostrasse algumtrabalho seu. -Não tenho algo que valha a pena mostrar, masposso lhe mostrar alguns desenhos que já fiz. -E você não lembra nada mesmo? Todo mundo
  • 11. tem uma história pra contar, por falar em você, ondevocê acomodou-se nesses dias e aonde vai passarhoje? -Puxa! Sabia que eu não havia pensado nisso? Seu semblante mudou, notei nela um certo ar depreocupação. -Mas não se preocupe, você poderá hospedar-sena minha casa o quanto tempo necessitar. Ela me ofereceu um belo sorriso comoagradecimento. Acenei ao garçom e pedi que trouxesse a conta. Logo ele volta. -A despesa. Não gastamos muito, peguei dez reais, dei aogarçom e falei que ficasse com o troco, enquantoisso ela foi lavar as mãos no banheiro, mas logovoltou então saímos. CAPÍTULO 2 Dois homens, que pelo que parece, resolveramcomeçar a noite mais cedo, pois já estavambêbados, quando entraram naquela mesmalanchonete, sentaram e pediram uma cerveja,estavam muito sorridentes, típico dessas pessoasque só bebem de vez em quando, e curtem omáximo o grande momento de “embriagues”, nãofaziam provocações, achavam graça de qualquerassunto, riam das piadas que para eles pareciamrealmente engraçadas. Começaram conversar “filosoficamente” sobre anatureza humana, se é que isso seja possível para
  • 12. bêbados. -Já percebeu que a personalidade da gentedepende das pessoas de nosso convívio, até mesmosofremos influência das pessoas que não são muitochegados a nós? -Porque está falando isso? -Há, sei lá! Por exemplo se acaso eu tivessecrescido junto de índios, eu iria me sentir um índionato mesmo sendo um branco, e se um índio fossecriado numa família em alguma cidade, elecertamente iria sentir um urbano, desconheceria suaorigem indígena, ou seja o que nós somos dependedo ambiente em que vivemos, e das pessoas quenos cercam, somos fisicamente partes emproporções diferentes do nosso pais, epsicologicamente, recebemos um pouquinho depersonalidade de outras pessoas que conhecemos, -Então“D.N.A” não significa nada, a cultura emque vivemos é tudo, ou seja somos um pouquinhode todos, não somos o que pensamos que somos. - “Mardita” cerveja, tá vendo o efeito que dá? CAPÍTULO 3 Enquanto caminhava-nos ela me perguntou paraonde eu iria, falei que era em direção à minha casa. -Não vai ser incômodo se eu for com você, vai? -Se você for algum tipo de demônio disfarçado,então já estou condenado. Nem sequer imaginei que ela iria achar graça,mas ela soltou uma espontânea gargalhada, e
  • 13. abraçou-se a mim, me deixando sem jeito. -Você não tem com o que se preocupar, podeconsiderar minha casa como fosse a sua própriacasa. -Posso lhe fazer uma pergunta pessoal? -Claro que pode! -Falei. -Você mora com alguém? -Se você está se referindo à esposa ounamorada a resposta é ainda não. -É que não gostaria de arrumar problemas comsua família. -Quanto a isso não há problema. -Pelo jeito é exigente com as mulheres- Ela falou. -Pelo contrário. Sou muito tímido, é um defeitoimperdoável eu sei, as vezes me sinto angustiado deser assim. Dificilmente eu chego em alguma mulher,por mais interessado que eu esteja, até já fiz isso enão deu certo, e me senti muito mal. O que eu tento,é chegar como um amigo qualquer e do meu jeitofazer a pessoa se interessar por mim, depois esperarque ela dê um sinal, aí será meio caminho andado. -Como seria esse sinal? -Seria um recadinho mais ou menos assim; Otrouxa não vê que quero namorar com você.- Elariu, e perguntou; -Mas e se a outra pessoa for tímida também? -Aí vão ser dois bobos que se gostam, solitários. -Mas não se preocupe tudo tem seu tempo, etodos tem alguma limitação. Tem momentos que ela se parece muito segura.Fiquei pensando; Seria agora o meu tempo? Continuamos caminhando, e o centro da cidadefoi ficando mais distante, pois moro num bairropróximo do centro, ela ficou ainda mais à vontade
  • 14. comigo, mas ao mesmo tempo que me meu ladoemocional estava em êxtase, a minha razão secomportava arredio com a situação, afinal faziampoucas horas que nos conhecemos. Assim quechegamos, o cachorro muito magro, que não era defome, pois era muito bem tratado, veio nos receberfazendo a maior festa, como ele sempre faz quandoalguém chega. A porta não estava trancada, ela entrouprimeiro, falei para ela se acomodar no sofá, que euiria tomar um banho rápido pois estava meio suado.Fui ao meu quarto e peguei algumas roupas e umatoalha limpa e fui tomar banho. Enquanto deixava a água do chuveiro escorrerpelo meu rosto sentia que não havia nadaconfortante como um banho refrescante no finaldo dia, alivia a tensão, rejuvenesce o espirito e faza gente raciocinar melhor. Após me secar e vestir outra roupa, penteei ocabelo, e passei algumas gotinhas de perfume sobrea camisa, voltei ao quarto. Em seguida trouxe umaoutra toalha limpa para ela, enquanto lhe dava atoalha, sentei ao seu lado, falei que infelizmente nãotinha nenhum tipo de roupas femininas paraemprestá-la. Falei pra ela que podia usar o meuquarto, até mesmo para dormir que eu ficaria àvontade nesse “confortável” e rasgado sofá. Antesque ela entrasse à alertei; -Só cuidado para não tropeçar na bagunça,porque normalmente eu deixo espalhado pela quartoas telas, pinceis tintas, os meus apetrechos depassatempo. Mais uma vez ela esboçou um belo sorriso, nummisto de malícia e acanhamento, seguiu ao quarto,
  • 15. demorou um pouco, provavelmente, enquanto sedespia distraía-se olhando os desenhos espalhadospor toda a parte, devo imaginar que ela tenhadeixado suas roupas sobre a cama, se enrolandoentão à toalha, logo após seguiu ao banheiro, bempequeno por sinal e bastante modesto, afinal nãosou de origem rica. Liguei o aparelho de som, num volume baixo eme acomodei no sofá, aliás, me “estarrei”, é comonós dizemos por aqui quando alguém se acomoda àvontade sobre o sofá, ouvindo o som, fiqueiimaginado ela se ensaboando, começando a passaro sabonete pelo seus braços, seios, deslizando atésua cintura e pernas até chegar aos pés edepois de alguns minutos e após um deliciosoenxague, suavemente a toalha deslizaria portodos os contornos do seu corpo, secando-o. Logo ela sai do banho, com a toalha enrolada aocorpo, foi ao quarto e tornou vestir as suas roupas. Normalmente aos sábados, a essa hora estariame preparando para sair para curtir a noite, mashoje não vou sair, vou ficar fazendo companhia aela. Após recolocar suas roupas, ela volta com oscabelos ainda úmidos e senta-se. -Se você quiser dormir, fique à vontade usando omeu quarto, Hum... Mas ela não tinha nome, pelomenos ela ainda não lembrara. -Eu fico por aqui mesmo no sofá. A combinação de seu corpo com xampu, ousabonete, exalava uma suave e sedutorafragrância... ...jasmim? Pensei. -Posso te chamar Jasmim? Não! Melhor, Jasmine
  • 16. para diferenciar da flor, pelo menos enquanto vocênão lembrar seu nome? Ela estendeu a mão e muito descontraída seapresentou. -Muito prazer... , eu sou Jasmine. -Esse não é meu nome apenas meu apelido, comque gosto de assinar minhas artes. -Eu já sei seu nome, mas se não se importarprefiro lhe chamar assim, acho mais simpático. Apesar de ter nos conhecido à algumas horas,havia esquecido de me apresentar, ela me chamoupelo meu apelido, provavelmente viu assinado emalgum desenho meu, mas como pode ela saber meuverdadeiro nome? -Encantado -Brincamos. -Por que escolheu esse nome, Jasmine? -Jasmim! é uma planta de onde é tirada aessência para perfumes, que por sinal você estácheirando. -Legal! -Gostou mesmo? -Gostei mesmo, é criativo. Mas não estou comsono, e você vai dormir já? -Não, estava pensando em assistir algum filmena tv, se você quiser assistir também fique àvontade, mas se você tiver uma outra ideia parasugerir...Não falei de forma que insinuasse algumtipo de relacionamento íntimo, não era oportuno edetestaria aproveitar-me de sua delicada situação, ede qualquer outra pessoa que estivesse fragilizadaou que precisasse de algum tipo de ajuda. -Estive pensando se você, estiver disposto àandar, poderia me mostrar a cidade. -Qualquer coisa que não seja ficar em casa num
  • 17. sábado, seria uma boa pedida. Falei. -Vamos já, deixe-me calçar um tênis. Sabeporque mais gosto do sábado? -Posso imaginar. -Então diga! -Ora! porque sábado é o dia em que as pessoassaem para se pra paquerar. -Não é bem isso! -Não? -É por causa do domingo. -Não entendi, você gosta do sábado ou doDomingo? -Eu explico, gosto mais do sábado por que nooutro dia é domingo, a gente pode ficar a noite todana rua, conhecer alguma pessoa interessante, beberconversar...sem ter que preocupar-se em levantarcedo no outro dia, mas por outro lado não gosto dodomingo, porque no outro dia é segunda feira, dia do“batente”. -Pelo jeito você não gosta muito do seutrabalho. -É... não dá pra dizer que amo, mas o problemaé a rotina, que desgasta qualquer um. -Vamos! Logo que ela sai, fecho a porta com as chaves,em seguida retiro o carro da garagem, meio velhomas conservado, ela fecha o portão, então abro aporta do carro por dentro, e ela se acomoda. Arranquei o carro mas não acelerei, continueiandando devagar, para que ela pudesse ver melhor.Como a cidade é grande limitei ao nosso própriobairro, não havia muito o que se ver, à não serapartamentos e as luzes dos postes iluminado nossocaminho, após algum tempo estacionei o carro para
  • 18. caminharmos. Enquanto caminhávamos passamos próximo àum clube, já era por volta de meia noite, e já haviamuito movimento, pois muitas pessoas, na maiorparte jovens, aglomeravam-se do lado de foraenquanto decidiam o melhor momento para entrar.Já havíamos passado o clube quando ela falou; -O que fazem essas pessoas à essa hora danoite? -Isto aqui é um clube recreativo, onde aspessoas na maioria jovens veem para divertir-se,dançar, paquerar... -Qualquer um pode entrar? -Pode, desde que compre o ingresso. -Há bom. Percebi que ela ficou curiosa, então... -Se você quiser conhecer, temos a noite inteira. Ela não falou que sim mas pelo sorriso... Entãovoltamos, fui à bilheteria, comprei dois ingressose entramos, a “casa” ainda não estava cheia, porsorte achei uma mesa desocupada, puxei a cadeirapara que ela senta-se, sentei em seguida, como eunão sei dançar, costumo só ficar olhando tomandoalguma bebida, caipirinha de preferência, se bemque por enquanto preferi pedir uma cerveja, nesseclima abafado uma cerveja desceria mais redonda.Cinco pessoas estavam no palco, integrantes dabanda que já estava tocando e alternando entreritmos nacionais do momento, e eu somente batia opé acompanhando o compasso da música, como osom é muito alto não falávamos nada, apenasolhávamos o ambiente Algum tempo depois jáestava muito mais a vontade, efeito da bebida, elaparecia meio agitada, parecia que a música mexia
  • 19. com seu espirito, não resistindo me puxou para osalão, mas eu tentei gesticular explicando que nãotinha muito jeito para a dança. -Não faz mal, eu também não sei se sei! Elafalou quase berrando. -Ficando perto de mim está bom demais, nãoprecisa dançar. Aquela sensação de satisfação que a gente temquando está com alguém que nos completa, eraconfortante, ela parecia que me completava comsua alegria e descontração, justamente o que asvezes sentia que faltava em mim. Quando ela mepuxou a banda estava tocando uma balada nacional,eu apenas acompanhava com os ombros. Já estávamos no meio da pista de dança, eladançava muito bem para quem supostamente nãosabia dançar, dançava como quando se aquilo fossealguma coisa totalmente nova e não parecia queteria a menor vontade de parar, e eu tentavaacompanhá-la mas sem menor jeito. O clima mudouum pouco quando em seguida a banda passou atocar uma música um pouco mais lenta, foi quandoela me abraçou pelo pescoço e eu pela primeira asenti de verdade, toquei nela segurando pela suacintura e dançamos, não era uma músicaessencialmente romântica, mais era suave, a voz dacantora, entrava e viajava pela minha cabeça,parecia que estava-nos sozinhos num salãoflutuando sobre nuvens. Ainda dançamos outrasmúsicas, enquanto luzes coloridas passeavam pelosalão. Quando se está feliz as horas parecem passardiferente, na verdade a gente não sente o tempopassar, ao contrário de quando se está ansioso, o
  • 20. tempo parece renegado a passar. Quase no mesmoinstante que a banda para de tocar, e os músicosacomodam os instrumentos nos seus devidossuportes, começa o som mecânico, uma batida fortemarcava o ritmo da música dessas do tipo “dance”,em que os compassos fazem uma marcaçãorepetitiva, alguns músicos saem do palco e semisturam no salão, outros procuram alguma bebida,e os que ficaram no palco ficamdespreocupadamente olhando os jovens dançando.Eu voltei para a mesa onde me aguardava a garrafade cerveja, e Jasmine ficou dançando um poucomais. Da mesa fiquei vendo ela dançando, e opiscar rápido de uma forte luz branca fazia seusmovimentos parecerem meio robotizado. Ela nemsequer bebeu, eu estava feliz e quase podiaimaginar como ela se sentia, conforme a músicasugeria, ela dava sem ser vulgar um toque sensualna dança e abria um sorriso extremamente lindo,ela rodava em torno de si mesmo, as vezesparecia que havia alguém invisível conduzindo asua dança, para mim devido ao efeito do álcool asensação que dava era que tudo estava passandoem “câmera lenta”. A energia que ela irradiava de seus movimentos,mais um toque de embriagues me fazia sentir felizcomo se aquilo tudo fosse o próprio paraíso, a gentesabe que não é, mas o momento é muito bom. Tudo estava maravilhoso demais, e como nãoexiste felicidade, eterna, e tão somente momentosfelizes, logo me vem a sensação de que tudopoderia acabar, assim que ela recobrasse amemória, por um momento me esfriou a barriga em
  • 21. pensar que teria que viver com a desilusão de quealguém já tivesse conquistado seu coração. Coincidentemente, notei que havia um homemencostado em uma coluna e estava olhando paraela, como se o meu maior temor tivesse tomadoforma, aí falei pra mim mesmo que era purabobagem, quem em estado normal, não ficariaolhando uma pessoa tão linda dançando com tantaalegria. O álcool tem efeito de potencializar tudo desderemédio a alegria, tristeza, traumas o temor e poraí, conforme as luzes iam revelando a face daquelehomem, eu o via de alguma forma como umaameaça. Estava elegantemente trajado muito bonito derosto e muito mais jovem que eu, sorria de umaforma sedutora, insistentemente à olhava, tomoum gole de cerveja e esfrego os olhos, como seestivesse tentando acordar e forço a vista natentativa melhorar a visão, e como num piscar dosolhos, já não havia mais ninguém encostado nacoluna, como se nunca tivesse existido, estranho...pensei. Voltei os olhos para “Jasmine”, ela ainda estavano salão mas não estava mais dançando, entãolevantei-me e fui ao seu encontro, ela demonstrou-se muito contente, quando cheguei ela me abraçou,quase derramei a cerveja nela pois sem quereracabei levando o copo comigo, perguntei se haviacansado de dançar. -Não! De repente me deu uma sensaçãoestranha, então parei de dançar, mas logo passou. -Deve ser por causa do excesso de fumaça decigarro que a gente respira, deixa a gente meio
  • 22. sufocado, quem sabe causando confusões, acontecemuito comigo. CAPÍTULO 4 Ainda naquela mesma lanchonete, estavam osdois homens que resolveram começar a noite maiscedo e pelo jeito não pretendiam parar logo, muitasgarrafas estavam sobre a mesa, à essa altura ogarçom já não estava disposto à recolhe-as, meiocansado e entediado ligou a tv que ficava penduradaem um canto da parede, naquele momento estavasendo exibido as ultimas notícias do dia, oapresentador noticiava um ataque terrorista feitopor um grupo de radicais numa estação de metrô deuma grande cidade, que matou e mutilou váriaspessoas inocentes. Isso provocou o estarrecimento em um dos doishomens, que já estava pra lá de bêbado, quando foiexibida algumas imagens fortes, então comentou,quase como um discurso... -No que o fanatismo transforma o homem, oque se passa na cabeça de uma criatura dessa! O outro com a fala já meio dificultada continuou; -Na verdade essa sede de vingança e destruiçãofaz parte da natureza, já vi isso num ducumentáriosobre índios, é a auto destruição, uma auto defesada própria espécie contra o excesso de população,uma garantia de alimento e da sobrevivência domais forte, também acontece no reino animal, e oser humano não passa de mais um bicho. O outro que parecia que estava com a língua
  • 23. enrolada, típico de quem já passou das contascomplementou. -Mas como tudo faz parte do processo evolutivo,o bicho homem irá aos poucos, evoluir e superaresse instinto de auto destruição e irá racionalmenteconservar a própria espécie. O garçom apenas negativamente balançava acabeça, talvez não pelo fato de ouvir a opiniãodeles, mas sim pelo fato de terem passado da conta. -Pena que não vou viver pra ver isso acontecer,apesar de o homem ter avançado na ciência, emalguns lugares pessoas mentalmente estão emprocesso de regressão, como se a possibilidade deevolução, fosse uma coisa maléfica, vivem como napré-história. -As vezes fico meio bobo de ver como aspessoas, mesmo aqui, transformam coisas naturaisem algo, insano e bestial como se certas coisasfossem o próprio mal. É o caso da sexualidade queé visto de tal forma, de quem o faz está fazendoalgo impuro, repugnante, no entanto a essência econcepção da própria existência esta infinitamenteligado ao ato sexual, é a própria essência da vida.Sem isso jamais poderíamos estar aquiconversando. Mudando de assunto você sabia queno futuro quando as pessoas tiverem evoluído elesolharão a história e ficarão indignados com otratamento dados dado aos macacos. -Por que? -Porque eles não vão considerar que os macacossão da mesma árvore que os humanos. -Pirou? isso todo mundo sabe. -Na verdade os humanos é que serão colocadosna árvore dos macacos, nós seremos
  • 24. definitivamente macacos. -E o que tem ver isso? -Ora! Com o descobrimento das Américas, oscolonizadores, portugueses, espanhóis e ingleses,não escravizaram índios e negros alegando queeram raça inferior? -Isso foi verdade. -Então hoje os macacos são tratados da mesmaforma, não acha que nossos ancestrais merecem umpouco de consideração? -Não sei de onde você tira essas ideias. -Nem eu... -Nessas horas todo mundo, tem opinião esolução para tudo, melhor esquecer, as vezes issome deixa depressivo. -Riram, brindando os copos de cerveja. -Bebemos demais! -Acho que está na hora de parar. Estalando os dedos chamou o garçom. - “Trás” aconta por favor. -Deixe que eu pago! -Não! Vamos rachar as despesas, se não vaiperder o amigo! Então racharam as despesas e pagaram aconta. Quando tentaram levantar, as pernas dos doisfraquejaram, então se firmando um no outro põem-se em pé. Saíram devagar, cantarolando pela calçada. CAPÍTULO 5
  • 25. Voltamos sentar à mesa, ela tomou um gole decerveja e achou muito ruim enfarruscando a cara, eusorri, como poucas vezes, pois a cerveja à essaaltura já estava quente e “choca”, o que a deixaextremamente amarga e ruim, pedi que elaesperasse um pouco, que eu iria buscar uma outrabebida, e fui ao bar, pedi ao “barmem” quepreparasse uma caipirinha, e um martini rosé. Fiquei encostado no balcão, de onde eu podiaavistá-la, nisso percebi um velho conhecido, quetomava uma bebida despreocupadamente. -Você por aqui! Como é que está? -Estou bem obrigado! Toma aí um gole. Como em baile a gente não costuma recusarbebidas tomei um gole. -”Tá” por aí perdido? -Não, estou com uma menina. -Trouxe uma gata hem? Quero conhecê-la umahora dessas. -Sem problemas ela está sentada ali naquelamesa. Apontei para a direção dela e acenei para ela,ela deu um tchauzinho sorrindo. Ele me deu tapa nas costas. -Onde você arranjou aquela gata? -Quando descobrir o que está acontecendo eu teconto. -Você com esse complexo de inferioridade,ninguém é demais pra ninguém. -Não é isso eu... Nisso chega dois copos tipo de uísque, um comcaipirinha e uma rodela de limão presa em cima docopo e o outro com martini e uma cereja espetada
  • 26. em um palitinho. Despedi-me. -Outra hora a gente conversa! Então voltei para mesa, onde Jasmine esperavacom os cotovelos sobre a mesa, e as mãos no queixocomo se tivesse segurando delicadamente acabeça, e com um leve sorriso de satisfação.Coloquei os copos sobre a mesa, deslizeisuavemente o copo de martini em sua direção. -O que é isso? parece muito bonito. -É martini, uma espécie de vinho, que combinaervas aromáticas, tem sabor doce suave e médioteor alcoólico, experimente você vai gostar. Ela pegou o copo afastou os palitos e sorveuapenas uma pequena quantidade, praticamente sómolhou os lábios, mas suficiente para sentir o sabor,passou suavemente a língua sobre os lábios paraabsorver a bebida que ficou sobre os lábios, sorrindocomo se estivesse desconfiada, por fim exclamou; -É bom! E tomou um gole maior, fazendo aquele típicogesto de aprovação . Não abaixou o copo, colocou novamente oscotovelos sobre a mesa, retirou o guardanapo queveio preso ao copo e colocou sobre a mesa e ficougirando o copo, na altura dos olhos, achei até meioengraçado ver como ela ficava meio vesga por estarolhando fixamente para a cereja. -Essa frutinha vermelha, é só para enfeitar abebida? -Eu acho que é, afinal que eu saiba, ela não soltao sabor na bebida. -Parece tão deliciosa. -Por que não a experimenta? -Será?...
  • 27. Ela pegou o palitinho com a cereja e mordeu ametade, fechou os olhos saboreando, depoisestendeu a mão em minha direção e me ofereceu aoutra metade, era apenas uma metade de umafrutinha e por um instante quase rejeitei, mas eratão tentador, que mordi tão rápido, que ela seassustou, porque pensou que iria morder seusdedos, apertei o palito entre os dentes, ela puxavacom uma certa força, tentando soltar. Até quefinalmente conseguiu, ou melhor, eu soltei. Acho que nem senti o gosto da fruta emcompensação nem conseguiria descrever compalavras a profunda satisfação pessoal, provocadopor uma brincadeira boba, e ela também se divertia. Afastei a cadeira e estiquei as pernas. Ao mesmotempo, que estava feliz e olhava para ela, nãoconseguia deixar de fazer suposições sobre o queteria realmente acontecido com ela, antes deconhecê-la. Já ouvi muito comentários sobrelavagem cerebral , apesar de não ter certeza queisso seja possível, supondo isso, poderia indagar-meque, se a mente dela não poderia ter sido apagada,por ela ter sofrido algum choque, testemunhadoalgum crime, ou... -Isso está parecendo coisa de filme. Mas em todocaso é bom ficar atento. -Falou alguma coisa? -Não é nada, só estava pensando alto. CAPÍTULO 6
  • 28. Logo após que os dois homens saíram dalanchonete, chega um homem de uns 40 anos,talvez menos, moreno, bem vestido de terno egravata e carregando uma valise, parecia ser umexecutivo, entra e ajeita uma banqueta coloca avalise sobre o balcão, senta-se e acena ao“barmem”. Ele achou meio estranho um executivo à essahora da noite mas... -Boa noite senhor, o que vai beber? -Boa noite, estou aceitando sugestões. -Temos um ótimo coquetel com frutas frescas,muito apreciado pelos nossos fregueses. -Vou experimentar. -Pode ficar a vontade enquanto preparo, sedesejar algo mais, é só me chamar. Enquanto preparava o drinque, viu, meio que de“rabo de olho”, quando o suposto executivo abriu avalise e entre alguns papeis havia uma arma e umfoto de uma mulher, e imaginou que ele poderiaestar ao encontro de alguém, ou está afogandoalguma mágoa. Nesse caso uma arma pode fazer adiferença, também poderia ser simplesmente umguarda costas, não parecia um tipo de criminoso,supôs, se bem que as aparências enganam. Já havia passado algum tempo, ele já tinhatomado o coquetel, e parecia entediado. Como é decostume, após alguns drinques, a pessoa tende aaparentar um certo ar de desânimo, principalmentese não estiver acompanhado, vai se cansando eprocura apoiar-se em alguma coisa. Para animar um pouco, o rapaz do bar puxouconversa com ele.
  • 29. -Estava bom o coquetel? -Estava muito bom. -Marcou um encontro com alguém? -Não aqui, vim ao encontro de uma mulher, narealidade eu cheguei de viagem à pouco tempo,resolvi tomar alguma coisa. Abriu a valise e retirou a foto mostrando aorapaz. -Já que perguntou por acaso não tem visto estaessa mulher? Ele olhou e achou muito parecida com alguémque havia estado ali um pouco antes. -Você falando agora me lembro à pouco, veiomesmo um casal, mas não prestei muita atenção namoça, se era a mesma. -E esse casal que veio aqui, você os conhece? -O rapaz conheço, sempre vem aqui, mas amoça não tenho certeza, ela sentou-se de costaspara o balcão, não posso lhe dizer se é a mesma. -Você não se importaria de me dizer como possoencontrá-los. É muito importante. Alguma coisa fez com que ele se arrependessede ter falado que viu alguém parecido com ela, poistinha receio de se envolver em problemas alheios, erecuou de forma discreta, não estava disposto adizer onde ele morava, porém... podia serrealmente importante. -Eu não sei com precisãoonde ele mora mas posso dizer, mais ou menos... Tentou explicar-lhe de uma forma que eledemorasse um pouco para encontrá-lo, afim de dartempo de achar o número do telefone para poderavisar o rapaz que alguém talvez o procurasse,perguntando sobre uma mulher. O homem pagou a conta, agradeceu, pegou a
  • 30. valise, retirou o aparelho de telefone celular, e ligoupara alguém, enquanto ia saindo calmamente dalanchonete. -Alô! Sou eu, não à encontrei, mas já tenhoalguma pista do paradeiro dela... Assim que o rapaz do bar achou o número dotelefone, foi até o aparelho e o discou, apesar deouvir o tom que indicava que o telefone estavachamando ninguém atendia, provavelmente nãohavia ninguém em casa, pensou ele. -Bom, fiz a minha parte. Conforme indicou o rapaz do bar a casa nãoficava muito longe de onde ele estava, então deixouo carro estacionado onde estava e foi a pé pelocaminho mais longo indicado pelo rapaz do bar. Logo ele chega à casa indicada, onde estátudo escuro, com exceção de um cômodo,mas não toca a campainha, talvez por não tercerteza se é mesmo onde mora as pessoas que eleprocura, olhou para a casa ao lado como se quisessememorizar alguma referência e se retira,provavelmente procurará aonde passar a noitee voltará no dia seguinte. Retorna pelo mesmo caminho, de volta ao centroda cidade ele começa a procurar algum hotel ondepossa passar a noite, chegou há uma ruamovimentada, onde muitas pessoas circulavam,algumas mulheres estavam encostadas nas paredes,e retrucavam alguma coisa conforme ele passava,resolveu então perguntar à uma delas, ondeencontraria um hotel. Mas quem falou primeiro foiuma moça que veio ao seu encontro. -Olá, está procurando companhia? Sua voz soava artificialmente vulgar, enquanto
  • 31. ela falava ia se aproximando em passos curtossensuais, a moça era muita bonita e trajava umavestimenta muito extravagante, apropriada aquelaprofissão, e suficiente provocante para balançarqualquer cidadão, solitário ou não. -Quem sabe uma próxima oportunidade, eu sógostaria de saber se existe algum hotel por perto. Com um sutil deboche ela falou: -Tem meu apartamento, não serve? Então ele levantou um pouco a valise, para queela percebesse, que ele estava a trabalho. -Hum! Está a trabalho? Já acompanhei muitoshomens como você, que mesmo a trabalho nãodispensam uma boa companhia, é claro que comtrajes mais tradicionais. -Estou encantado com você, mas não é isso, euestou apenas procurando um hotel e estou umpouco cansado, só pretendo descansar. -Tem uma pousada, logo ali na esquina -Obrigado, desculpe por hoje não estar disposto. Ela não falou nada, ele se virou para ir emdireção à pousada. Sem ele perceber caiu do seubolso um pequeno cartão. Ela pegou para entregá-lo, mas logo percebeu que era apenas um cartão devisitas e ele devia ter mais. Caminhando na direçãoindicada pela moça, ele chega à pensão, naportaria pergunta se há algum quarto disponível. -Tem algum quarto disponível? -Temos... por quantas noites vai querer o quarto? Falou um senhor bocejando. -Somente essa noite. -São 30 reais, e o pagamento deve serantecipado, sabe como é, aqui as pessoas entram esaem a toda hora. Ele lembrou das garotas
  • 32. -Há sim! e sorriu. -Há, entendi, tudo bem! Assim que pagou, o senhor lhe dá as chaves. -Há uma tolha limpa sobre a cama, quartonúmero quinze. Dirigiu-se então ao quarto, havia uma cama decasal e uma toalha dobrada sobre a cama, colocou avalise sobre a cabeceira, tirou os sapatos e ficouapenas de meias, foi ao banheiro tão pequeno quemal dava pra se mexer, lavou o rosto, passou osdedos nos dentes como se estivesse escovando-ose forçou um sorriso para o espelho para ver se nãoestavam sujos. Finalmente deitou-se, pôs as mãos sob a cabeçae sobre ao travesseiro, colocou uma perna sobre aoutra, ficando esticado e confortável. Mas sequer fechava os olhos, o motivo de vir aesta cidade lhe deixava com uma certa ansiedade,que o impedia de pegar no sono, apesar de estarcansado. Na tentativa de dormir ficou tentandoimaginar por mais ou menos uma hora pensamentosmais relaxantes, mas a única imagem relaxante queficava voando nos seus pensamentos era da garotaque ele havia pedido informações à pouco. A cortinaestava meia aberta e nesse meio tempo elepercebeu alguma estrelas, estrelas que pareciamolhos lhe vigiando. Fantasiou que a mais brilhante era uma deusamitológica, que mudava de brilho para ele, esugeria que havia muita coisa interessante para sefazer no frescor da noite. Então ele se levantou e calçou de novo osapato, e saiu do quarto. Enquanto caminhava pelo corredor, o porteiro
  • 33. apenas olhou de desinteressado. Apesar de não ter dormido, e ter ficado apenasuma hora descansando, isso foi suficiente paradeixá-lo um pouco mais relaxado, já na rua, foicaminhando, agora prestando mais atenção nasredondezas, meio que sem querer querendo, comodiz o personagem da tv mexicana, ele estavacaminhando em direção a garota que ele havia àpouco pedido informação. Havia várias garotas, mas aquela que elehavia conhecido, não estava mais lá,provavelmente saiu com algum cliente. A noiteestava muito agradável, a temperatura deviaestar em torno de 20 graus, apesar de aindaestar um pouco cansado da viajem ele resolveuque não iria, voltar tão cedo para a pensão. Andandomais um pouco ele viu que havia um clube bemmovimentado, decidiu então dar uma olhada. CAPÍTULO 7 Andando pela rua, os dois rapazes, que a poucoconversavam na lanchonete, avistam um velhoconhecido sentado num banco e olhando a noite.Logo que ele os vê, ele se levanta. Quandochegaram mais perto notaram um certo olhar dedesânimo, e foram conversar com ele. -Beleza? Perdido por aí? Faz tempo que não tevia. -Vai se levando. -Dando uma arejada na cabeça? -Não consegui pregar os olhos, então saí por aí. -Pois é quando o vimos, já deu para perceber
  • 34. que estava abatido. -Na verdade estou mais que cansado, as vezesprocuro um sentido pra minha vida, a gentetrabalha tanto para conquistar o que deseja, equando consegue percebe que já passou boa parteda vida, investiu-se toda a energia da juventudenum objetivo, e o que se ganhou não trás de volta ovigor, grande vantagem. -Se você viver procurando sentido para a vida,você vai passar a vida toda assim, menos que vocêacabe com ela. -Ainda não cheguei nesse estremo. -Então, de que adianta ficar triste, já que vocênão pretende morrer logo, você tem duas opçõespode passar o que lhe resta da medíocre vida peloscantos, ou aproveitar e viver a vida da melhormaneira, que tal uma saideira? -Que saideira, não tomei nada hoje! -Você, não, mas nós já. -Vocês já estão torrados, vão tomar mais? -É um sacrifício que faremos por uma boa causa. -Não é mesmo? E sorriram, e abraçaram-no, um de cada lado,praticamente levaram-no arrastado. Logo encontram um bar aberto, e se sentamnuma mesa que estava na calçada. Sinalizam aogarçom que trouxesse uma “gelada”. Queprontamente foram atendido. Quando o cidadão que estava deprimido, tomouo primeiro gole, fechou os olhos, como se fosse omaior experimento de sua vida. -Sabe que faz tempo que não saía para tomaruma cerveja. -Amigo é para essas coisas, apesar de não haver
  • 35. mais ninguém nas ruas e isto aqui estar quasedeserto, nós não estarmos fazendo nada especial,nós estamos contentes, isso é o que importa. E o outro retrucou. -Essas coisas que nos parecem bobas agora,quando nós estivermos velhos, é justamente a quesentiremos mais saudades. -Se o trabalho fosse considerado uma obra dearte, todos os homens seriam estrelas etrabalhariam mais felizes. -Por falar em estrelas, as vezes fico olhando elas,mas às vejo como se fosse parte de um ser vivo,chamado universo, posso até imaginar, outrosplanetas orbitando elas sustendo a vida de outrosseres... -Lá vem ele com esse papo filosófico. Cotovelou o colega discretamente, e falou; -Ei tenho que falar alguma coisa pra alegrar,nosso deprimido colega. O homem que estava deprimido pergunta,dando início à uma calorosa e amigável discussão. -Você acredita que existe vida em outrosplanetas? -Claro que existe, o universo é muito grandepara estarmos nele sozinhos. O outro rapaz se entretia com a cerveja, ficavaapenas ouvindo a conversa dos dois. -Acredito também que até exista, mas estão tãolonge que nem mesmo na velocidade da luz, nuncachegariam na terra. -Como será que eles seriam? Será que seriammesmo cabeçudos como a gente vê na tevê? -Eu acho que a evolução segue os mesmospassos em qualquer lugar do universo, talvez alguns
  • 36. sejam ainda macacos, ou talvez como nós mesmoseremos no futuro, a cada geração os humanosestão perdendo os pelos e aumentando o tamanhodo cérebro, já dá pra imaginar como vai ficar. O outro que até então estava quieto falou. -Então o ser humano é que vai se tornar otemível alienígena que irá amedrontar os seres dealgum outro planeta subdesenvolvido. -O outro então sorrindo. -É o homem já mostrou do que é capaz,imaginou Hitler alienígena. -Eu acho que eles já tiveram aqui. Falou o queestava em silêncio. -Por que você acha? -Eu acho que o homem foi colocado aqui, porexemplo; em algum lugar do universo, surgiu aprimeira forma de vida, uma espécie primitiva,claro, que com o tempo se evoluiu e se separou emuma nova ramificação, mas os ancestrais não seextinguiram como era de se esperar, conviviamentre eles, porém a tolerância estava cada vezmenos suportável, então os dominantes decidiramnão mais conviver com a ramificação inferior, maspor sua vez e por serem mais evoluídos, tambémnão admitiriam a exterminação de seus ancestrais ede qualquer outra espécie, eles transferiram essaraça inferior, que até então não passava de ummacaco um pouco mais evoluído para um outroplaneta para que ele tivesse outra chance deevoluir, sem influência alguma. -Você é mais maluco do que imaginei, de ondetirou essa história? -E tem mais, Após certos períodos eles voltampara ver e estudar a adaptação evolução da espécie
  • 37. introduzida, e quando eles perceberam que eles nãoestão evoluído completamente e estava pondo emrisco as espécies nativas, eles passaram à fazerviagens mais frequentes para poder resgatarexemplares das espécies ameaçadas. Então entre um gole de cerveja um deles falou; -Nesse caso os dinossauros, mamutes e outrosbichos extintos, podem ainda existirem em algumoutro planeta. -É minha teoria. -Todos acham que Darwin tinha uma visão muitoavançada para sua época, isso porque nãoconhecem você. Até o garçom que ao contrário do outro eramagrela e estava olhando a conversa, nãoconseguiu manter a postura, e gargalhou quandotodos três caíram na gargalhada. Então o ditogarçom complementou falando alto do balcão; -Vou incrementar essa história, como jáevoluímos bastante que já estamos parecidos comeles, pelo menos fisicamente, quando eles vêem àterra alguns deles se misturam conosco pra poderestudar nossa evolução. -Só dá louco nesse lugar. -E não há como descobrir. Pois o homem evoluiuo bastante para ser parecido à eles, ou seja aevolução segue o mesmo caminho em qualquerlugar. -Supondo isso verdade, o que aconteceria se umsuposto aliem sentisse atração por um humano? -Poderia surgir um híbrido. -Acho que conheci uma assim. -Como? -Minha mãe disse que quando ela era mais
  • 38. jovem conheceu um menino que era superinteligente, mas era tão esquisito que parecia um“e.t”. -Ela transou com ele?! -Como você adivinhou? -Pela tua cara ele era seu pai. Riram tanto que a rapaz que estava deprimido,falou que iria levar alguns anos luz para ele voltara ficar deprimido. -Já ouvi muito papo maluco de bêbados mas issojá é demais. -É sério! Já viu que algumas pessoas somem derepente, poderia ser algum alienígena que semisturou conosco para estudar nossocomportamento e depois voltou, alguns que vieramacabaram sendo abandonados pois não podem maisretornar ao seu planeta natal, devido ter sidocontaminado com alguma doença humana ouporque devido ao convívio humano, eles passam àassimilar o lado selvagem ainda presente nohomem, quando eles passam a agir como humano,não mais respeitando seus superiores eles sãorecapturados e apagam qualquer vestígio de suamente sobre a sua origem, e deixam-no na terraagora como um humano normal. -Alguns recobram parte de sua memória, epassam à perambular pelas ruas como profetas ouesotéricos, fazendo profecias ou pregando aexistência de seres superiores que nos vigiam,outros se destacam em alguma coisa como nasciências, artes. Quem sabe algum deles pode estarpor aí e nem sabemos.
  • 39. CAPÍTULO 8 Sem um motivo aparente ela me beijou. -Beijo tem um gosto estranho. -Não gostou? -Não sei, acho... E me beijou de novo, depois espremeu oslábios, como se estivesse espalhando um batom. -Você nunca beijou antes? -Bom! Pelo menos que eu me lembre, não. E sorriu achando graça da própria situação quepassava. -Esqueci que você está sem memória. Falei. -Nãoprocure achar explicação, é estranho mesmo, naverdade é como um aperto de mão ou um abraço,serve para estreitar o relacionamento entre aspessoas, claro que em graus diferentes. As vezesfalo aos meus amigos tem coisas na vida que dápara comparar à uma cerveja, não precisa ser docepara ser gostoso, e é melhor se for tomada com osamigos. E você realmente não precisa fazer isso, àmenos que queira mesmo. Não quero que pense queestá em dívida comigo. Na verdade nem sei porque falei aquilo, talvezporque não poderia deixar envolver-me demais,pelo menos por enquanto, provavelmente acabariapor criar uma afeição, por alguém quepossivelmente não poderia partilhar. Então ela falou; -Enquanto eu dançava eu vi um, não um, maisvários casais se beijando, então fiquei comcuriosidade para saber qual era a sensação. Então falei; -Tem vezes que a gente pode até não acharsentido, mas noutro minuto está com vontade de
  • 40. novo. É como uma vontade que nunca se satisfaz. Alguns conhecidos que passavam, as vezesparavam para nos cumprimentar. Enquanto euconversava com eles, Jasmine ficava olhando para aparede do bar havia um cartaz anunciando umatradicional festa numa cidade litorânea. Assim que meus amigos saíram, ela meperguntou; -Você já viu o mar? -Já, sempre que posso eu vou, e não é muitolonge daqui, são mais ou menos meia hora deviajem. -Parece ser muito bonito. -E é! Talvez a melhor parte, seja durante opercurso a gente passa por um serra, pequenascidades antigas, rios de águas limpas, cachoeiras,muitos lugares bonitos. Só de imaginar já dávontade de ir. Acenei para um garçom que estava passandopor perto e pedi mais uma caipirinha. Ele perguntou; -E a moça vai querer alguma bebida? -Gostei dessa bebida, mas quem está pagando éele. Fiz um sinal com dois dedos, indicando que erapara servir nós dois. Jasmine tomou o restante de martini que aindarestava e eu como costumo ter muito resistência prabebidas, estava dentro do que eu chamo de normal,e Jasmine estava extremamente à vontade. Alguns minutos depois o garçom nos serve asbebidas. Depois ele pega os outros dois copos queestava sobre a mesa e passa um pano para limpar amesa, enquanto eu tomava um pequeno gole decaipirinha. Os integrantes da banda voltavam ao
  • 41. palco para dar continuidade ao baile, havia umamoça que se revezava com um rapaz comovocalista, e foi ela que entrou cantando, uma baladaacústica com uma letra romântica, por sinal era umamúsica que eu gostava muito, enquanto cantavasentou-se num banqueta, colocou o microfone nopedestal e continuou cantando acompanhadasomente de um violão. Poucas pessoas dançavam,porque preferiram olhar a apresentação, sentadosem suas mesas, ou mesmo de pé. Assim que ela acaba de cantar, Jasminediscretamente a aplaude, outros também aplaudem,logo estão todos em pé aplaudindo, e assobiandopela excelente interpretação, isso não é comum embaile. A cantora agradeceu, e sem a maior cerimôniapassou à cantar músicas carnavalescas, numaexplosão de percussão e ritmos tropicais, típicos doBrasil, então o salão novamente se enche. Aí já nãohá mais regra, cada um por si pulando no salão, ànão ser quando a música sugeria alguma coreografiaprópria. Não resistindo, Jasmine vai para o salão, mearrastando consigo, isso depois de ter tomado quasetodo o martini de uma só vez, eu levei meu copojunto para ir bebendo antes que derretesse todo ogelo. Após uma meia hora que ficamos dançandobateu um pouco de cansaço, voltei à mesa enquantoJasmine continuou dançando. Encostei a cadeiraentre a parede, levantei a cabeça para cima e fiqueiolhando para o globo refletindo as luzes, a bebidanessas alturas também já estava fazendo efeito, ouseja estava um pouco bêbado. Por um instante esqueci-me do mundo, como se
  • 42. estivesse entrado num transe profundo, isso nãodeve ter durado mais que alguns segundos, apesarda sensação de ter sido bem mais. Pela primeira vez devo ter esquecido deJasmine. Quando eu me dei conta, e olhei ao salãoestavam quase todos parados apesar da música,então percebi que havia acontecido algo estranho,pensei que estava havendo algum desentendimento,já vi muitas vezes isso acontecer, só então lembrei-me de Jasmine, e fui procurá-la. Para minha surpresa ela estava caída no meio dosalão e rodeada por pessoas, enquanto algumasprocuravam ajudá-la se levantar. Quando chegueiela já estava em pé, então à segurei, e a levei parafora do clube para respirar um pouco de ar maisfresco. Enquanto estava-nos saindo, eu lhe perguntei; -Você está bem? -Quer que eu a leve à um hospital ? -Não, imagine, eu estou ótima. -Então o que aconteceu com você? Sentiu semal? -Não sei o que aconteceu, só me lembro queestava dançando, e de uma luz muito clara e forteque ofuscou minha visão, então devo ter perdido aconsciência. -Tem certeza que está bem? -Tenho, agora lembro, que estranho parecia queessa luz queria envolver-me, levar-me, ou como seabrisse uma passagem que eu poderia passar,seguir, não consigo explicar direito. Tinha uma outra moça que antes eu haviacumprimentado e saiu junto com a gente, e ouvindo,falou que ela não tinha visto nenhum tipo de luz ou
  • 43. clarão anormal. -Ela simplesmente desmaiou sem ter algummotivo aparente! Devagar fomos até o carro, ela já tinha serecuperado, mas não entramos no carro, ficamosencostados, conversando, apesar de tudo ela sesentia muito feliz, nem queria mais conversar sobreo ocorrido. -Durante o tempo que você desmaiou, você nãolembrou de alguma coisa de você mesmo? -Não, não lembrei de nada, continuo da mesmaforma em que nos conhecemos. -Como queria que você se lembrasse quem é, deonde veio, isso me deixa meio angustiado, tenhomedo que você desapareça assim de repente, talcomo apareceu. Ela encostou a cabeça no meu ombro e nadafalou. Há momentos que o silêncio fala por si. Certas pessoas pensam que são incapazes deserem amadas, e se enganam completamente,provavelmente há pessoas próximas ou nem tantopróximas, que nutrem um sentimento forte, mesmosem sequer ter trocado uma palavra, gosta porgostar e pronto, as vezes ignorando até mesmo aaparência física. Pena que a gente se prende àfantasia e não assume, as vezes justamente pormedo de fracassar. Conheci-a à apenas um dia, ejá fico preocupado que alguma coisa acontecessecom ela. Nós estávamos encostados no carro sob umaárvore que encobria a luz do poste, então viclaramente quando um homem que estavapassando do outro lado da rua, em direção ao clube,que trajava uma calça de social e uma camisa de
  • 44. botões, roupas impróprias para aquele tipo dedistração, não era o mesmo que havia vistoencostado na coluna olhando para Jasmine, olhoupara nós, como se tivesse nos conhecido ou fossenos cumprimentar, e como estava escuro e Jasmineestava com a cabeça em meu ombro, ele não nosviu direito, ele teria que passar bem mais próximode nós para que pudesse reconhecer-nos melhor.Um carro preto passa numa certa velocidade pornós, e para repentinamente na frente do clube,três portas se abrem e saem três homens e entramrapidamente no clube. Talvez que por medo de perdê-la eu tenha ficadoreceoso, achando que alguém estivesse à suaprocura. Mas o homem que havia passado por nós àpouco parou e ficou olhando para a entrada doclube, depois virou-se, como se também estranhassea chegada repentina dos três homens disfarçou ecomeçou e retornar enquanto atravessava para onosso lado da rua. Será que havia alguma ligaçãoentre eles? Poderia algum deles estar à procuradela? Ou ambos com propósitos diferentes? Sealguém estava à sua procura, poderia tambémsolucionar o que estava acontecendo com Jasmine.Mas entre a dúvida e a razão optei por sair dali.Cedo ou tarde tudo deveria se esclarecer, melhordar mais um tempo. Lembrei então que ela tinhafalado que gostaria de ver o mar, me veio uma idéia. -Quer dar um passeio à um lugar muito bonito? -Vou a qualquer lugar que você sugerir. Peguei as chaves e abri a porta do carro do ladodo passageiro, ela prontamente se aconchegaficando bem à vontade. Assim que eu entro ela fala alegremente.
  • 45. -Então vamos! Liguei o rádio para manter o clima alegre. Ainda no começo da estrada parei em posto decombustível onde estava aberta uma pequena lojade conveniência, peguei algumas latas derefrigerantes e uns pacotes de salgadinhos, no caixajá havia acabado de chegar o jornal do dia, eupeguei para ver se não havia alguma mensagem dedesaparecimento, ou algo que envolvesse Jasmine,enquanto isso ela se entretia olhando asmercadorias expostas na prateleira. -O que você comprou? -Algo para salgar o estômago. Entramos novamente no carro, ficamos umpouco parado enquanto dava uma rápida folheadano jornal, mas não vi nada interessante, joguei ojornal no banco traseiro e seguimos o percurso. Andamos por vários quilômetros por uma BR, atéque chegamos ao começo de um portal que davaacesso a uma estrada secundaria. A partir de entãoquase não conversávamos, porque Jasmine, ficava otempo todo olhando para fora, apesar do luar nãodava pra ver quase nada, então ela abriu um poucoa janela e passamos à ouvir claramente o som grilos,de rãs ou sapos por toda a extensão da estrada, eladeixava o vento bater no seu rosto, inspirava o arcomo se tivesse sentindo o cheiro do mato. Continuamos na estrada por mais algum tempo,e a lua aparecia de vez em quando entre as nuvens,continuava escuro, mas com pouco de esforço davapara ver ao lado da estrada, bem como avegetação. Após uma longa subida uma placa avisaque logo a mais à frente termina o asfalto e começao calçamento, a estrada fica mais estreita e começa
  • 46. um longo declive, com curvas uma após a outra. Mais alguns minutos chegamos à um mirante,onde eu estaciono o carro, o clima muda bastante dooutro lado da serra, por sorte nesse dia não haviamuita neblina. Apesar de ainda estar escuro o luar deixava tudomeio prateado, assim desliguei o motor, mas deixeias luzes baixas acesas, ela percebeu que era este olugar que falei que a levaria, então ela saiu docarro, antes mesmo que eu, ergueu as mãos para oalto espreguiçando-se tanto que parecia quereralcançar o céu e suavemente se rodeava como seestivesse em êxtase. - O ar é tão refrescante. Que lugar é esse? Ela me perguntou. -Pudera nós estamos quase no topo da serra,daqui a pouco o sol vai nascer tenho certeza quevocê vai gostar. Caminhei em direção ao parapeito de balaústres,cruzo os braços e me debruço, fico olhando algumasestrelas, como estava escuro era a única coisadistante visível. Mesmo com o ar gelado e refrescante o silênciorelaxante, quebrado apenas pela melodia dosinsetos, senti que minhas pálpebras se tornarammais pesadas, e bocejava. A voz de Jasmine começou à ficar mais distante,mas eu ouvia muito baixo ela dizendo alguma coisaassim; você está vendo? Balancei a cabeça paradespertar, havia me relaxado, que quase acabeiadormecendo. Então virei-me para ela. -O que? -Você não viu? -O que? O que você viu?
  • 47. Afoita ela falava. -Você não viu? Uma bola de luz bem clara queapareceu flutuando e ia aumentando? Saía um somcomo um sussurro ou uma voz suave, que falavaque me levaria de volta para o lugar de onde vim! -Não vi nada, você está cansada. Acho de certaforma, inconciente você procura alguma formafantasiosa para aliviar o trauma que fez vocêesquecer quem é. Peguei-a pelas mãos e a levei ao parapeito, ondeela se debruçou, eu fiquei ao seu lado, coloquei amão por trás dela sobre o ombro e a aconcheguei.Ficamos em silêncio sem falarmos uma únicapalavra, ficamos apenas respirando o ar frescoquase gélido da montanha, pouco depois pareciaque ela já havia esquecido o ocorrido. Então olhopara Jasmine, ela continua em silêncio, com o piscardos olhos lentos, como se tivesse em transe,olhando a paisagem que vai se revelando com oalvorecer. Foi um dia de sorte, uma curvaturaamarelo/laranja começava à tingir o mar, já estavaum pouco claro mas o sol ainda não havia aparecido. Ela então encosta-se em mim, então ficamosolhando esperando o sol apontar, enquanto seucontorno ia se revelando por completo ia ficandomais vivo. Agora já era possível ver o verde da florestamais realçado e vivo, avistava-se um vale rodeadopor uma exuberante montanha, olhando em outradireção avistava-se uma pequena cidade, banhadapor um braço de mar, ficamos algum tempoadmirando, era como se estivéssemos revelandouma fotografia que a cada minuto vai ficando maisnítida, até revelar-se um belo cartão postal.
  • 48. Ela estava tão fascinada que só quando estavaclaro, que ela percebeu o som das águas. -Gozado! Não havia prestado atenção nessebarulho, Passa um rio lá embaixo! Mas não dá paraver. Então falei. -Deve passar algum rio sim, tem um pequenocarreiro ali. Pode ser que dê lá. Tá a fim de arriscar? Ela topou, eu fui na frente dela descendo peloestreito carreiro, ela vinha logo atrás tomandocuidado de apoiar-se entre grandes pedras, aindatínhamos que nos segurar em galhos e raízes deárvores para que não escorregasse-nos, pois era umcarreiro muito íngreme, mais foi bastante curto,assim que chegamos ela falou; -Puxa! Pelo barulho que fazia eu imaginei queera bem maior. Quem ouve o barulho que fazia, conforme seaproximava, realmente acharia que passava umgrande rio abaixo, mas se tratava apenas de umapequena cachoeira e o leito que formava não davamais que meio metro. CAPÍTULO 9 Jamais existirá um dia igual ao outro, porémtodos os dias são muito parecidos, o sol mal haviaaparecido e o homem que procurava uma mulher, jáestava acordado, e se preparava para sair, vestiu
  • 49. sua roupa, e calçou os sapatos, pegou um pequenopente e alisou os cabelos, organizou a valise, emseguida sai do quarto, fechando-o, caminhou pelocorredor, e entregou as chaves na recepção. Uma mulher morena, com uma vasta cabeleira,estava fazendo o turno do dia. -Bom dia! -Bom dia. E entregou as chaves. -Espero que tenha tido uma noite agradável. Ele disse; -Tive sim, muito obrigado. Já na rua, ele caminhou um pouco até avistaruma lanchonete aberta, para fazer um lancherápido, entrou na primeira que avistou, sentou-se aobalcão, logo uma bela jovem ruiva lhe atende. -Bom dia! o que vai querer. Nisso uma outra mulher, havia acabado decolocar alguns pasteis numa pequena estufa. Vendoaquele pasteis quentinhos lhe aguçou a vontade. -Vou querer um pastel daqueles. -Café puro, ou pingado? -Pingado? Estranhou o nome pois de onde vinha nãoconhecia o que era pingado. -Café com leite. -Há! sim, café com leite por favor. Ou ele estava com muita fome ou o pastelestava muito bom, pois ainda comeu mais doispastéis. Depois de satisfeito perguntou à moça oquanto haveria de pagar. -Seis reais, pode pagar ali no caixa. Levantou-se e foi até o caixa, onde pagou aconta.
  • 50. Depois de ter tomado seu café da manhã, seguiuem direção à casa onde ele havia estado na noitepassada, ao chegar à casa notou uma campainha eentão a tocou duas vezes e esperou para ver sealguém apareceria, mas ninguém atendeu, entãotocou de novo, agora prolongando um pouco mais,mas de nada adiantou. Foi até o vizinho ao lado, tocou a campainha,prontamente vem uma senhora atender, mas nãoabriu o portão, atendeu-o pela grade. Retirou o retrato da valise e mostrou à senhora. -A senhora podia me informar, se por um acasotem visto se esta moça mora nessa casa ao lado? Ela olhou por alguns segundos, e torceu acabeça. -Não, acho que não. Ele guardou a foto no bolso. -Pois é eu toquei a campainha, não apareceuninguém, uma pessoa me disse que viu ela com umrapaz cujo endereço é esse. -Só se for recentemente, porque não vi nenhumamulher por aí nesses dias. A senhora perguntou a ele; -O carro dele está na garagem? -Não, não tem nenhum carro na garagem. -Então provavelmente não chegou, quasesempre eu escuto quando ele chega durante amadrugada, mas hoje não ouvi. -Eu agradeço,pela atenção. Então a senhora volta para dentro de sua casa. O celular que então estava preso à sua cinturatoca, sabendo de quem se tratava, ele logo fala; -Por enquanto a única pista que tinha, não deuresultado positivo, pois não pude localizá-la.
  • 51. Alguém que está do outro lado da linha fala. -Isso não podia ter acontecido, você sabe o quepode acontecer. Ele responde; -Eu sei, mas o que posso fazer se não cheguei àtempo de encontrá-la, a cidade é mais grande queimaginava se algo estranho aconteceu com ela, e euvou descobrir, não se preocupe! Parecia ser algo muito importante, pois eledemonstrava uma pequena tensão ao falar. Uma frase em tom mais ameaçador ele houve. -O que aconteceu com o rastreador? -Estava funcionando até ontem a noite, o últimosinal que recebi foi até quando cheguei à umalanchonete, mas mesmo antes de chegar o sinalhavia sumido de vez. Como não vi ela, por ummomento fiquei sem saber o que fazer, então entreipara especular, pode ser que ela tenha descoberto osinalizador, e então o destruiu, nesse caso ela podeestar a quilômetros daqui. E desligou o telefone,que não era um telefone comum pois possuía umsistema de rastreamento do tipo gps. Por via dasdúvidas verificou ainda mais uma vez se nãohavia algum sinal, mas não havia. Algumas perguntas lhe “martelavam” nacabeça, o que teria acontecido à ela, porque fugiriapara um lugar tão longe, o que será que ela sabia? Qualquer indagação que se fizesse seria apenasuma possibilidade, e tão somente. Pegou o seu carro, e passou a circular pelacidade na tentativa de detectar algum sinal, dirigiacom apenas uma mão enquanto na outra segurava oaparelho de telefone com rastreador. Apertou umbotão que ativava o sistema de aviso sonoro e
  • 52. colocou o aparelho sobre o painel. Quando ele jáestava fora do centro da cidade, em direção à umbairro, um apito de curta duração pode ser ouvido.Por estar numa parte alta da cidade imaginou queessa posição facilitou a captação do sinal, quetambém logo sumiu. Mas apesar de o sinal ter sumido a sualocalização foi memorizada. Já havia parado o carrono acostamento deu uma ré, jogando a traseira docarro entre o mato e numa rápida manobra mudoude sentido. Agora de frente e voltando podia vermelhor os prédios que antes havia deixado paratrás, pensou que até uma cidade grande pode teralguma beleza, principalmente se for vista de longe.Pensou no contraste da organização humana,quantas coisas que não funcionam direito, guerras,poluição o caos e ao mesmo tempo asurpreendente organização humana, medicinaeletricidade... alimentos para todos, (pelo menospara quem tiver dinheiro). Entrou no carro ecomeçou a voltar, os prédios a cada quilômetro iamficando maiores, enquanto dirigia verificou maisuma vez no aparelho a direção que deveria seguir.Ele teria que atravessar a cidade para seguir nadireção indicada, contudo a cidade era grande,fazendo com que ele demorasse um pouco entre osengarrafamentos. E para sua surpresa o sinal voltoua ser captado, e estava cada vez mais forte. Eleentão percebeu que ela estava se movimentando.Assim passou à ir ao encontro do sinal, e quanto seaproximava o sinal ficava forte. Pouco depois elechega ao local onde ela deveria estar. Ele estacionao carro, desce e vai caminhando, olhando para oslados para ver se à avistava.
  • 53. Mas que estranho, ele pensou, o sinal está forte,mas não havia nem sinal dela, discretamenteolhando para o aparelho ele foi andando para o localexato em que ele deveria estar. O sinal mais fortecaptado indicava um ponto de táxi, onde váriostaxistas ociosos esperavam algum passageiro.Como ela não estava resolveu verificar mais deperto. Foi caminhando ao carro de onde o sinal pareciaestar vindo, enquanto continuava olhandodiscretamente no aparelho. -Olá tudo bem? -Vou bem, vai fazer uma corrida? Enquanto isso ele deu uma rápida olhada nointerior do carro. -Não eu só gostaria de pedir algumasinformações. -Por um acaso o senhor não teria feito umacorrida para uma mulher à pouco tempo? -Fiz, para várias, e como é essa pessoa? -Ela é jovem muito bonita, deixe lhe mostraruma foto. Retirou a fotografia do bolso e mostrou aotaxista. Ele ficou olhando um pouco, e falou que nãolembrava se havia feito uma corrida para essamulher. -É acho que não. -Sabe o que é, essa mulher estava carregandoum protótipo de um aparelho muito caro, e umapeça, essencial deve ter caído, justamente prevendoalgo desse tipo, e também por motivo desegurança, todas as peças carregam um sistema derastreamento, e por algum motivo o sinal mais forte
  • 54. indica o seu veículo. -Você falou em peça? Não seria essa coisinhabrilhante parecido com um botão? Quando viu osinalizado, falou; -É essa peça mesmo, ainda bem que não o abriupois ela contém elementos químicos, muitoperigosos. -Fique com isso! Largou a peça na mão dele, assustado. -Não há o que temer desde não esteja aberta,então ela esteve no seu carro? -Não, não esteve, eu achei isso numa pia debanheiro de uma lanchonete. Eu estava tomandoalgumas cervejas com alguns amigos, quando sentivontade de ir ao banheiro, só que o banheiromasculino estava ocupado, então o garçom falouque poderia ir ao banheiro feminino, já que nãohavia nenhuma mulher naquela hora, então quandoestava lavando as mãos vi essa coisinha brilhante,presa no ralo da pia, por curiosidade e com jeitinho àpuxei, depois sem querer acabei colocando-a nobolso, onde estava até agora, já nem lembrava mais. -Eu agradeço pelo senhor ter guardado, nãotanto pela peça mas pelo perigo que ela apresentaas pessoas. -Não tem de que. Ele não quis perguntar qual lanchonete eleachou o transmissor, pois de certo modo já sabia,então despediu-se do taxista. -Até mais, obrigado! O taxista, apenas abaixou a cabeça, aliviado porter esquecido do tal objeto, escapando assim dacuriosidade de abri-lo. Enquanto voltava para o carro, ele começa à
  • 55. analisar melhor a situação. -Agora as coisas estão começando a fazersentido, provavelmente quando ela estava nobanheiro, percebeu que havia algo estranho nobotão de sua roupa, então a rasgou tirou e jogou napia do banheiro, a umidade então fez com quedeixasse de funcionar, voltando e emitir o sinaldepois de seco. Enquanto entrava no carro lhe vem a lembrançade como isso tudo começou. Ela trabalhava em uma empresa que fazpesquisas e experimentos químicos. Durante umaetapa de testes, um pequeno frasco contendo umasubstância recentemente pesquisada que foiproduzida com a mistura de vários produtosquímicos e até mesmo genes animais e que seestava sendo testada uma provável aplicação,escapou de sua mão e caiu no chão, espatifando-see espalhando o produto, com a queda produziu umvapor, mesmo estando dentro das normas desegurança, havia sido exposta ao produto. No ambulatório dentro da firma ela ficoudesacordada por alguns minutos, depois querecuperou-se ficou sob quarentena, enquanto osmédicos à vigiavam, como não teve nenhumaconsequência aparente, após a quarentena elavoltou ao seu posto de trabalho e assim continuouseu trabalho normalmente por algum tempo. Depoisde algum tempo, começou aconteceu dela deixarde fazer coisas rotineiras, ficava por longo tempo emsilêncio, outras vezes quando à chamavam ela nãorespondia ficando imóvel, noutras trabalhava horassem parar superando seu ritmo normal, como setivesse sobre efeito de estimulantes, houve também
  • 56. casos que ela esquecia o nome de seu própriocolega de trabalho. Percebendo o que estavaacontecendo os chefes aconselharam que ela fossetransferida de setor, porque poderia causar maisalgum acidente. Apesar dela ser um pouco jovem já estava muitoavançada em relação as outras pessoas de suaequipe, todos sabiam que ela teria uma carreirapromissora pela frente, e era uma excelenteprofissional. Por receio de que ela possa estarsofrendo algum efeito retardado da exposição aoproduto químico, apesar dela insistir que estavabem, decidiram que ela deveria ser vigiada deperto, porque ela poderia sem querer espalhar anotícia que um acidente, liberou produto tóxico, seisso chegasse a imprensa, poderia trazer sériasconsequências. Mas não à retiraram completamentedo seu trabalho, após os acompanhamentos médico,ela voltava ao seu posto de trabalho, mas dedicandoas experiências mais simples, que não envolviamriscos. Eles haviam lhe explicado que ela poderiaestar tendo alguma reação à exposição química, eseria bom evitar contato com as outras pessoas, elaestava ciente disso e entendeu e aceitou as novascondições propostas. Ela passou à ficar na empresarecebendo tratamento, não estava confinada àempresa, ela tinha liberdade para sair fazercompras, lanches, mas deveria sempre avisar, eassim foi sucedendo-se. Algumas vezes ela pareciatão normal trabalhando com seus experimentos, quenem se importava com seu temporáriorebaixamento profissional. Então numa tarde tranquila ela passou peloporteiro, fez um sinal pondo a mão na barriga,
  • 57. insinuando que estava com fome em seguida fez umgesto com a mão que já voltava e saiu. O porteirobalançou a cabeça e sorriu para ela pois era queridade todos, o porteiro imaginou, como ela sugeriupelos gestos, que ela iria comprar algo para comer. O porteiro estava tão acostumado com o entra esai dela, que não percebeu que ela não tinhavoltado. Já era bem tarde, quando chega um outrofuncionário da empresa perguntando ao porteiro porela. Ele respondeu; -Ela não voltou? Ela saiu para fazer um lanche,mas isso foi a mais de três horas, eu achei que elatinha voltado. Rapidamente ele retorna para dentro daempresa, para avisar aos seus superiores que elapoderia ter algum problema... Então fui incumbido de procurá-la. Aqui estava e para ele não havia mais o quefazer pois definitivamente não teria como encontrá-la sem o sinalizador. Ligou para o seu superior, lhe informando sobrea situação atual. -Senhor, não há mais como encontrá-la, euencontrei o sinalizador e está comigo, de algumaforma ela descobriu e livrou-se dele. Lhe ocorreu então de perguntar: -O computador que ela usava está ligado emrede? -Todos os computadores da empresa estãoligadosem rede, por quê? -De repente me deu uma curiosidade de saber o
  • 58. que ela estava fazendo. -Ela não estava trabalhando em nadaimportante, nós à separamos do projeto principal. -Se o que me veio na cabeça, for verdade, osenhor poderá ter uma surpresa. Me passe oendereço eletrônico dela, que eu vou procurar alugarum terminal. Logo em seguida o seu chefe lhe passa oendereço eletrônico, então ele sai à procura de umcomputador. Em poucos minutos ele encontra um clube, ondejovens se reuniam para se divertirem com jogoseletrônicos. Perguntou ao dono do estabelecimento se haviaalgum computador ligado à internet. -O senhor poderia me informar se há algumcomputador que eu possa alugar e acessar ainternet? -Todos os computadores são ligados a rede,todos os jogos são realizados com participação deoutros jogadores via internet, se quiser usar praoutras coisas também alugo. -Que bom era disso que precisava! Após acomodar-se numa cadeira, ele ativa ocomputador, que estava em espera, entra nonavegador e digita o endereço, demorou um poucomas logo ele está no servidor principal da empresa eque exibe um belo logotipo. Numa janela que se abre ele digita mais umendereço que não é acessível à estranhos, somenteao digitar sua senha, aparece outra janela onde umgráfico mostra todos os outros computadores daempresa. Ele procura o ícone do computadorreferente ao que ela estava trabalhando, uma
  • 59. mensagem aparece solicitando uma outra senha.Bateu com as mãos fechadas sobre a mesa, poiscertamente só ela sabia a senha e como não eramuito entendido em computador ele não conseguiriater acesso aos arquivos. Mas isso não passou desapercebido, pois logoapareceu um rapaz esquisito meio narigudo. -Problemas, não consegue acessar? -Pois é, não consigo acessar sequer ocomputador da empresa onde trabalho. Ele olhou para o monitor e falou. -Está protegido por senha, você só vai conseguirse pedir “emprestado” a senha. -Sem chance a dona do computadordesapareceu, é isso que estou tentando fazer,encontrá-la. -Você não entendeu, eu posso conseguir asenha, por uma pequena contribuição para osmenores. -Há! Então você é um racker, mas não se parececom os racker`s que aparece na tevê. -É que estou disfarçado. -Mas você parece normal. ] -Pois é estou disfarçado de uma pessoa normal,quem é que vai desconfiar? Mas antes lhe aviso éilegal e se alguma coisa acontecer, eu nem mesmosei mexer em computador, negarei tudo e qualquercoisa. -Quanto? -Cinquenta, tá bom? -Pode começar. Saiu da cadeira e deu para o rapaz sentar-se, eleretira um pequeno cd do bolso e coloca nocompartimento de cd do computador.
  • 60. -Essa belezinha nunca me deixa na mão. Logo na tela do computador aparece uma janelacom as inscrições: iniciando o programa, um novoprograma se abre, ele aperta uma tecla que abreuma tela com letras inteligíveis, fecha-se então,abrindo outra que começa à mostrar a letra x umaapós à outra, indicando que algo estava emandamento. O racker falou pra ele relaxar que ia demorarum pouquinho. Após alguns minutos, alguns números começamà passar rapidamente. Então para e na tela aparece a possível senha.Ele anotou num papel para não esquecer. Entãoretira o cd do compartimento e guarda no bolso, efala; -Aqui está a senha. Ficou com o papel na mão, insinuando quedeveria receber. O investigador então pega a carteira, retiracinqüenta reais e dá ao racker, e pega o papel. -Obrigado pela “doação” as “crianças”agradecem. Ele deu uma olhada ao racker comose quisesse dizer “cara de pau”, e balançou acabeça negativamente. -É para as crianças sim, eu tenho filhos... Deu um leve sorriso, voltou à sentar-se. Abriu acaixa onde aparecia para digitar a senha, e assim ofez. Logo teve acesso aos arquivos dela. Então ele falou ao ,racker; -Valeu, você é bom mesmo! -Não tem de que, a gente se vê por aí. Começou a procurar pelo correio eletrônico, praver se achava em alguma mensagem uma possível
  • 61. pista, entre umas e outras mensagens não achounada suspeito. Resolveu ver em que pesquisa ela estavatrabalhando, entre formulas e gráficos também nãoachou nada interessante. Então havia uma pastaonde estava escrito “eureca”, e achou curioso,quando tentou ver o conteúdo clicando na pasta,havia dois arquivos executáveis, eram algumprograma, ficou pensando no qual ele iria abrirprimeiro, então clicou em um ícone em forma deuma lâmpada do aladin. Então aparece uma caixadizendo: Digite a senha. Então ele digita a mesmasenha que ele usou antes. Outra mensagem pediupara confirmar, ele confirmou. Então aparece outracaixa onde dizia: senha inválida, acesso nãoautorizado, apagando todos os arquivos. Uma barraaparece indicando o andamento. Apertou a teclaEsc. para abortar, mas nada adiantou Ele passou à desconfiar que ela não era tãosanta como parecia, ficou pensando que ela estavafazendo algo sem o conhecimento da empresa, sópoderia pois chegou restringir o acesso aocomputador à ponto de chegar apagar o conteúdodo disco caso fosse violado. Já não havia mais o que procurar, mas comcerteza alguma coisa estranha estava acontecendoe ele estava decidido a descobrir e falou consigomesmo; -Vou ter que voltar ao começo e tentar localizaro homem que estava com ela. Levantou-se foi até o balcão onde pagou umapequena taxa pela utilização do computador, e saiu. -Como não pensei nisso antes? Se o sinalizadorfoi achado na lanchonete, prova que ela esteve lá, e
  • 62. se ela esteve lá, foi ela mesmo que o garçom viuacompanhada de um homem, vou ter que tentarachar o homem. Enquanto voltava ao carro, ficou tentado àinvadir a casa, do suposto homem que estava emcompanhia dela, para ver se conseguia encontraralguma coisa que pudesse indicar seu possívelparadeiro. Voltou ao veículo e se acomodou, colocou aschaves na ignição dando a partida em seguida,arrancou, já com rumo decidido. Pouco depois ele se encontra no bairro onde elejá havia estado de manhã, algumas quadras a maisele chega na rua, então ele para o carro, um poucodistante da casa, desliga o motor, mas não sai, dedentro do carro ele fica olhando para ver se háalguma movimentação na casa. Nota que a luz queestava acesa na noite anterior continuava acesa. Eleliga o rádio, enquanto ouve uma música, fica poralguns minutos olhando, como não viumovimentação alguma decidiu sair do carro,atravessou a rua e foi discretamente andando pelacalçada, quando chegou perto percebeu o que elenão tinha visto antes, havia algumas cartas na caixado correio que não haviam sido corretamentecolocada, então diminuiu os passos, quando chegoubem próximo da caixa puxou os envelopesrapidamente e colocou-os no bolso, continuouandando até a esquina, atravessou a rua e voltoupara o carro, entrou no carro e arrancou. Procurou uma outra rua menos movimentada, enovamente estacionou, então pois se a verificar osenvelopes, primeiro verificou o nome dodestinatário, todas as cartas estavam endereçadas à
  • 63. mesma pessoa, que provavelmente seria o supostohomem que estava com a mulher, mas não abriu osenvelopes, tão somente um que lhe interessou queera a fatura de telefone. Abriu o envelope e passou aolhar as chamadas telefônicas que ele haviarecebido, pensou que pudesse reconhecer algumnúmero, mas não havia nem um conhecido. De posse da fatura telefônica, ele pegou o seupróprio celular e discou para o número principal dacasa, insistiu várias vezes, o telefone chamava, masninguém atendia, com certeza ele não está em casa,estava tentado à invadir a casa, já que pelo vistonão havia ninguém, mas desistiu, escolheu um outronúmero e discou, logo alguém atende,cumprimentou e perguntou quem estava atendendo.A pessoa mostrou-se receptiva, falou que estava àprocura de um amigo seu, arriscou o nome queestava na fatura e perguntou; -Como eu disse ele é um velho amigo, vim fazeruma visita à ele, mas não o encontrei em casa, jáliguei tambéme ninguém atende o telefone, o vizinho dele medisse que vocês são conhecidos e poderiam meinformar melhor. Arriscou umas mentiras e deu certo, a vozamigável fala do outro lado da linha. -Conheço, sim somos parentes, eu não sei ondeele se encontra, mas posso te dar o número docelular dele. -Seria muito gentil de sua parte. -Tenho dois números, um dos dois é o dele, temuma caneta aí? -Tenho sim, pode falar Enquanto prendia o celular pelo ombro pegou
  • 64. uma caneta, e anotou os números do celular napalma da mão. Literalmente com os númerostelefone na mão, ele disca o primeiro, 91052134 emseguida ouve o tom indicando que estavachamando, esperou um pouco mas ninguématendeu. CAPÍTULO 10 Jasmine levou a mão à pequena cachoeira efalou; -Nossa! Como é gelada, e é tão cristalina. Juntou as mãos em forma de cuia, e encheu deágua e jogou no rosto, logo depois ela enche denovo a mão e então toma alguns goles. A águaescorria pelo vão dos dedos, voltando para opequeno leito. Eu também enchi as mãos de águapara beber, enquanto molhava a cabeça pra ver sepassava um pouco o cansaço, apesar de ser umapequena cachoeira a água jorrava com força devidoa altura que vinha, os respingos escorriam pelo meupescoço molhando parte da minha camisa. Emoutras condições, provavelmente molharia Jasmine,mas ainda era cedo e ainda não havia esquentadoentão descartei a ideia , pois quem acabaria saindomolhado da brincadeira seria eu mesmo, e não tinhanem uma roupa de reserva. Subindo de volta ao mirante, ouvi bem distanteum som de telefone chamando, e achei estranhopois o telefone estava no carro e a distancia que ocarro estava, não era para se ouvir, continueisubindo, me agarrando em raízes e pequenos
  • 65. troncos, pouco à frente de Jasmine, de vez emquando parava para ajudá-la, subir era mais difícildo que descer. De novo no mirante, vou ao carro verificar otelefone, peguei o telefone e olhei no visor, percebique não havia nenhuma chamada perdida.Estranho... Quando já estava colocando o telefonede volta sobre o painel, ele toca, me dando umpequeno susto, fiquei intrigado imaginando até queestava ficando doido pois pouco antes achava quetinha ouvido o telefone tocar e não havia e agoraque toca ninguém responde. -O que aconteceu? Perguntou Jasmine. -Alguém ligou mas não falou nada, pode ter sidoengano, e nem deve ser importante pois o númeronão é de alguém que eu conheça, e se forimportante, não tardará religar. Foi uma manhã diferente de todas que já passei,e estava feliz como pouca vezes. -Vamos embora? Precisamos descansar, nemtudo é alegria ainda temos que procurar solucionar oteu problema. -Mas já? O mar daqui parece verde, pena queestá longe. -Que pique que você tem, parece que não sentesono. Estava mesmo cansado, mas, sabe lá quandoque vou poder fazer isso novamente, normalmentesou um cara difícil de dizer não e nem seria agoraque iria dizer. -Vamos fazer o seguinte, nós vamos voltar porum outro caminho, é mais longo, mas a estrada émelhor, vamos pelo menos poder passar pela praia. Peguei na mão dela e à puxei para o carro
  • 66. -Você vai me levar pra ver o mar, mesmo? -Ué? Você não quer ir? -Quero, não precisa ser hoje, eu sei que vocêestá cansado vamos numa outra oportunidade. -Agora já me decidi, e se eu resolvo fazeralguma coisa e acabo não fazendo fico muitofrustrado. Ela abriu aquele sorriso típico , que todomundo já viu e conhece, daquele que desmanchaa gente, deixando-nos indefeso como um coelhopara uma onça. Ela olhou para mim e percebeu em mim um sutilsorriso, e então me perguntou; -Por que você está com esse sorriso estranho? Eu falei; -Nada só bobagens que veio na cabeça. Na verdade estava pensando que se ela mefalasse que era um demônio, se bem que algumasmulheres se comportam como tal, fazem o quequerem de seres indefesos chamados homens, eme pedisse para leva-a até o inferno, meiocontrariado, provavelmente à levaria. Entramos no carro, liguei o som para relaxar, emseguida dei a partida, nós estávamos bem no alto daserra, então continuamos à descer, bem devagar,pois a estrada é estreita e cheia de curvas. Logoabaixo em alguns trechos, a estrada seguia ocontorno de um rio pedregoso, aonde fosse o rio aestrada o seguia, íntimos, que pareciam-senamorados. Mais um pouco à frente algumaspessoas, com seus instintos ancestrais primitivosaflorados faziam um pequeno acampamento. Passamos por dentro da cidade que havíamosvisto do alto da serra, era uma cidade muito antiga
  • 67. quase da época do descobrimento, mas nãoparamos, passamos direto em direção à outra cidadeque era banhada pelo mar, afinal ela queriaconhecer o mar. Alguns minutos depois já estava-nosaproximando da baía, atravessamos o pequenocentro da cidade, e entramos numa avenida quechamavam de avenida beira mar, após uma curvajá era possível ver o mar, grandes ondas morriam naareia da praia, ainda no carro andamos mais oumenos dois quilômetros de praia deserta, sem vernenhuma pessoa, afinal ainda era cedo e numdomingo, quando as pessoas dormem até maistarde. Estacionei o carro, e fomos caminhando naareia da praia, até bem próximo de onde as ondasmorriam, Jasmine agachou-se e retirou o tênisamarrou-o um no outro com o cardaço, também fiz omesmo e continuamos à caminhar pela praia,estávamos andando juntos de braços dados, elabalançava o tênis, demonstrando estar muito feliz.Uma onda um pouco mais forte fez com que a águamolhasse nossos pés, então ela me abraçou-se àminha cintura, como se procurasse segurança,talvez porque a água estivesse gelada ouprovavelmente por puro charme e sorriu. Se eunovamente procura-se palavras para explicar asensação que sentia provavelmente não conseguiria.Fomos até uma grande pedra que dividia a praia,mas não à transpassamos, resolvemos voltar dali,ela ficava fascinada, com a beleza do mar que agoraparecia mais azulado do que verde, ela fazia questãode andar por onde a onda chegava, à cada novaonda as marcas de nossos pés que ficavam na areiadesapareciam.
  • 68. Lembrei-me de quando numa reportagem umhomem falou que a atração que o ser humano tempelo mar, é pelo fato de a vida ter surgido nele.Faltava bastante para chegar ao carro, ela saicorrendo na areia erguendo os braços como seestivesse agarrando à vida, eu continuei lentamente,ela parecia tão feliz, vi de longe quando ela chegoue encostou-se no carro enquanto me esperaria. CAPÍTULO 11 A noite havia acabado e era domingo, e ohomem que havia bebido algumas cervejas com oscolegas, já havia levantado, mesmo após ter idodormir tarde. Parecia muito bem, ao contrário do quedeveria aparentar após uma noite de bebedeira. A sua esposa já tinha preparado o café, e seusdois filhos estavam na mesa. Após ter tomado umbanho, foi até a cozinha, e beijou a sua esposa. -Nossa! O que aconteceu? parece radiante. -Não sabia que beber, fazia tão bem -Falou aesposa -Não bebi tanto, mas me diverti muito ontem ànoite, com alguns colegas. Antes disso eu nãoestava legal. -O que aconteceu? -Alguns amigos me encontraram e fomos bebercerveja, foi lá que esqueci de procurar sentido praminha vida, agora percebo que se a gente procurarrazão pra vida, perderá a vida procurando ecertamente não encontrará. Ela falou. -Explique melhor. -Estava meio deprimido, sempre fico ouvindo
  • 69. promessas de eternidade tão vazias, que nuncapude acreditar nelas, as pessoas pregam uma coisa,mas fazem tudo ao contrário. -Não estou entendendo. -Bebendo com meus amigos eu me senti maishumano, eu sorri, eu bebi eu esqueci. Isso é que éviver. Como aquele pé de feijão que nasceu narachadura da calçada, ele não pediu pra nascer,mas ali o está. O sobrenome que eu carrego e quevem de gerações. Quando eu cheguei à noite vivocê e nossos filhos dormindo. Então percebi. -O que você percebeu? -Por exemplo; quando eu leio uma estória, écomo se eu incorporasse o personagem, é como elese materializasse dentro de mim, só irá morrer nodia em não houver mas nenhuma pessoa para ler,eu mesmo poderia criar um personagem, e lhe darvida. As pessoas confundem espírito com algumaespécie de aura que acompanha todas pessoasmesmo após a morte, espirito é o que está dentro denós, é o que nos faz mais criativos, bondosos oumesmos mal. A alma existe dessa forma, não daforma que a gente quer ou como sugerem osreligiosos. A alma é a própria vida, está em tudo oque é vivo, a eternidade está em uma nova muda,em cada filho que perpetua nosso nome, nossamemória. A eternidade está na semente que cai nochão, como aquele pé de feijão. Eu tenho tudo quepreciso. Então ele falou para todos; -A tarde nós vamos passear no zoológico. As crianças vibraram de alegria, e sua esposalhe abraçou. CAPÍTULO 12
  • 70. O primeiro número discado não foi atendido,então tentou a segunda opção, discou o número, aligação foi completada e estava chamando, lheocorreu que não podia perguntar se ela estava comele, caso fossem eles, eles poderiam desconfiar. Iadesligar antes que alguém atendesse, mas antesque desligasse alguém atendeu, uma voz masculinaatende com aquele característico alô. Pensou umpouco se falaria algo, mas resolveu não falar nada,pouco antes de desligar, ouviu mais uma vez “alô?E no fundo bem baixo o prefixo de uma emissora derádio. -Como vou fazer pra encontrá-los, sem levantarsuspeita?-pensou. Então esticou-se para relaxar os músculos,estava ficando estressado. Enquanto tentavarelaxar, o prefixo da rádio ficava martelando na suacabeça, conseguia lembrar a frequência, era101,3mhz, então resolveu ligar o rádio e tentarsintonizá-la, mas não conseguiu, percebeu entãoque a antena estava um pouco abaixada, esticou obraço pela janela ergueu a antena até o fim,conseguiu enfim sintonizá-la, o chiado e ainterferência eram muito alto em relação ao áudio,isso indicava que a rádio não era local, apesar dosom estar ruim dava para ouvir claramente, ficououvindo um pouco até que o locutor novamentefalasse o prefixo e o nome da rádio. O locutorcumprimentou um ouvinte e falou o nome dacidade . Ele não conhecia aquela cidade, mas sabiamais ou menos como chegar lá. -Se a emissora ficava naquela cidade, ele sópode ter ido pra lá, mas... e se não for ele que estácom ela?
  • 71. -Bom tenho que tentar todas as opções, “lá voueu de novo”.-Pensou- Pegou um pequeno guiaturístico que estava no porta luvas, para certificar-sedo caminho, memorizou a rota, ligou o carro epartiu. Até sair da cidade demora um pouco, ainda maisà essa hora, as pessoas estão indo para otrabalho, deixando o transito lento. Logo ele pega àestrada principal, então acelera, enquanto dirigepercebe que o som da emissora vai melhorando,uma música de ritmo alegre faz com que relaxasseum pouco, abriu um pouco mais a janela, paradeixar mais vento entrar, sentia o vento remexer oseu cabelo. Agora mais relaxado, lhe vem à mente amoça de programa que ele conheceu na noitepassada. É uma pena uma pessoa tão bela se dedicandoaquela...digamos “profissão”. Pensou. O viagem até que rápida, uma placa indicavaque estava entrando no perímetro urbano da cidade,abaixou o volume do rádio, começou aparecer asprimeiras residências , alguns minutos depois jáestava no centro da cidade. Como não conhecia o lugar, seguiu por umaestrada que parecia ser a principal pois era por ondea maioria dos carros circulavam. Sem querer acabouchegando à praia, foi uma visão muito agradável,apesar de já conhecer o mar, ver a imensidão azul eas ondas quebrando na praia é algo indescritível.Pensou ainda em algo mais agradável, supondo quese resolvesse sua missão cedo poderia aindaaproveitar o restante do dia, curtindo uma praia,acompanhado somente de algumas singelas ...cervejas.
  • 72. Voltando ao seu objetivo principal, fezmentalmente algumas deduções; Se ela estava comalguém, e supondo que esse alguém era mesmo odono do telefone que “conseguiu” então ela estavaperto, mas mesmo assim somente com muita sortepoderia encontrá-la, pois esta cidadeprovavelmente deveria ter mais de cem milhabitantes, seria como procurar agulha no palheiro.A única coisa que possuía como pista era o númerodo dito cujo telefone. Decidiu tentar mais alguma pista ligando denovo, mas não ligaria de seu telefone pois já fezuma chamada e esse número estava na memória doaparelho dele, o que poderia deixá-lo desconfiado.Do carro avistou um telefone público, decidiu entãoligar de lá. Pegou sua carteira e retirou um cartãotelefônico e foi caminhando até o telefone público,assim que chegou colocou o cartão e retirou o fonedo gancho, mas o visor não acusou crédito, ou ocartão estava vazio ou o aparelho não o reconheceupois era de uma companhia telefônica que cobria aregião de onde ele vinha. Então começou à andar,procurando algum lugar que vendesse cartõestelefônico, reparou que um pouco mais à frentehavia uma banca de revista. Chegando lá perguntouao jornaleiro. -O senhor tem cartão telefônico? -Tenho de dois e de cinco reais. -Me “vê” o de cinco. Retirou alguns trocados que estava no bolso epagou o jornaleiro, voltando em seguida ao telefonepúblico, colocou o cartão, o aparelho o reconheceurapidamente, mostrando a quantidade de créditosdisponível.
  • 73. Discou o número, chamou algumas vezes, agorauma voz feminina atende, ele não esperava queatendessem tão rápido, principalmente nãoesperava que fosse uma mulher, reconheceu a voz,deveria ser ela, tentou falar alguma coisa para queela não desligasse. -Oi, acho que enganei em algum número,pensei que estava discando para um amigo meu. Ela fala do outro lado da linha. -Você não se enganou, nós estávamospasseando, justamente quando começamos àretornar o pneu furou, e o estepe também estavavazio, então ele foi tentar achar um borracheiro paraconcertar, e deixou o telefone comigo, quem estáfalando? Falou um nome qualquer, e continuou tentandoconversar mais um pouco para ouvir bem o timbreda voz. -Acho que não te conheço, apesar que nãoconheço muitos amigos dele. -Pois é, não sabia que estava com alguém,aluguei um apartamento na praia e lembrei dele, iaconvidar para passar o dia aqui com a gente. Ela respondeu simpaticamente; -Que coincidência nós já estamos na praia. -Puxa! Que coincidência maravilhosa, em quepraia vocês estão? -Estamos na última praia, eu não sei o nome, éque não sou daqui, e é a primeira vez que venho àpraia. Apesar de não ter nenhuma prova visual, tudoindicava que era ela mesmo. -Então resolveram passar o final de semana napraia.
  • 74. -Pois é foi tudo muito inesperado, viemosapenas dar uma volta pra distrair, mas o pneu furou,adiando nossa volta. -Puxa que pena pelo jeito hoje vai fazer um diamuito propício para um banho de mar. -Pois é, mas nós viemos despreparados, nãotemos como ficar. -Fica para uma próxima vez. -Com certeza. -Bom retorno para vocês, tchau! -Tchau. Ela havia falado que estava na ultima praia,então voltou para o carro, e seguiu à avenida,supondo que a última praia estivesse mais frente. Aessa altura já começava à esquentar e algumaspessoas começam à chegar com seus guarda-sóiscoloridos, bancos e apetrechos para garantir logocedo o melhor lugar na praia. Então já havia percorrido boa parte da avenida,diminuiu a velocidade quando viu um carroestacionado e uma mulher encostada nele,estacionou o carro numa posição que à pudesse verbem, reconheceu-a imediatamente, finalmente àencontrou. Primeira coisa que veio na mente era iraté ela e fazer com que viesse pacificamente comele. Mas alguma coisa fez com que ele esperasse umpouco, para poder ver quem estava com ela. Desceudo carro e ficou encostado nele, observandodiscretamente. Ela parecia à vontade e feliz. Logomais chega um homem, fala alguma coisa para ela,pelo seus gestos deu a entender que viria alguém,pelo que já sabia e por dedução deveria serprovavelmente o borracheiro que foi procurar, viuquando o homem se encostou no carro junto dela e
  • 75. à abraçou, pareciam namorados. Ela se virou paraele dando-lhe um beijo. Olhando para o casal, começou a procurar algumsentido para o que ela estava fazendo. De repentecomo num estalo, -Estava na cara, há sentido. Pensou, começou àentender a razão de tudo. Agora ele já sabe onde ecom quem ela está, não havia necessidade deestragar o dia deles. Então decidiu o que iria fazer. Entrou no carro. Ajustou-se no banco ligou omotor, e foi, devagar ao encontro ao casal, nãoparou, passou por eles como se não os conhecesse,ela meio que instintivamente olhou para ele, eleapenas a ignorou, e seguiu adiante, -Será que ela me reconheceu? Pensou. -Achoque não. Ficou de decidir se ficaria, e aproveitaria odomingo na praia, ou retornaria. CAPÍTULO 13 Demoramos um pouco mais que pensado, masfinalmente estava-nos prontos para voltarmos.Estava um pouco cansado, e esforçava-me para memanter acordado, volta e meia bocejava de sono,entrei no carro e encostei à poltrona, quando mevolto para Jasmine, não à vejo onde ela deveria
  • 76. estar, percebi que ela estava indo em direção aomar. Sem entender saí ao seu encontro, quandocheguei até ela a água já estava quase ao joelho,toquei no seu ombro, ela se assustou e agarrou-se amim, então perguntei: -Por que você estava entrando na água? Ela falou; -Não sei, não sei direito, acho que alguma coisame atraía, como se controlasse meus passos. -Precisamos ir embora e descansar. -Eu não estou cansada. -É, mas eu estou um pouco, não devemosesquecer de resolver o seu problema. Alguém podeestar desesperado à sua procura. Voltamos para o carro, e iniciamos a viagem davolta, apesar de meus olhos estarem pesados, meusenso estava alerta o suficiente para dirigir até emcasa com segurança, pelo menos eu achava. Volta e meia tinha à sensação que o telefonetocava, mas parecia, distante. A estrada era reta enão parecia ter fim. Então Jasmine pareceadormecer. Após muitos quilômetros de reta, finalmentechegamos à uma curva, quando estava entrandonela, uma claridade muito forte ofusca minha visão. CAPÍTULO 14 Como ele resolveu não ficar e aproveitar odomingo na praia, retornou, chegando à casa ondeele havia estado, devolveu para a caixa do correio ascorrespondências que havia pego. Provavelmente eles iriam demorar um poucopara voltar, então foi à um banco da praça queficava em frente e ficou sentado olhando para a
  • 77. casa, imaginando os motivos de que veio a estacidade. Uma mulher muito bem vestida e bonita estavapassando, mas ele só se deu conta quando ela jáhavia passado. -Como tem mulheres bonitas nesta cidade-Resmunga pra si mesmo e se distrai, quando asenhora que ele havia pedido informações oreconhece e muito gentil vai conversar com ele. -Olá, moço continua esperando ele? -Eu já o encontrei, ele estava na praia, mas achoque não vou esperar, tenho uma longa viagem pelafrente. Na verdade eu estava a procura de uma mulherque estava com ele. Eu precisava saber o queaconteceu com ela, pois não dava notícias. Ouviu o sinal do telefone. Só um momento, falou para a senhora. Pensouque era algum recado do seu patrão, mas eraapenas um mensagem escrita; “Não mereconheceu?”. -Que recado estranho. Então ele responde a mensagem, perguntandoquem que mandou o recado. Curiosa, a senhora já havia sentado ao seu lado.Pouco depois recebe outro recado. Então ele fala meio sem jeito para a senhora aolado que era somente uma garota de programa queele conheceu. E comentou: -Uma garota muito linda, passou por e não àreconheci. -Gostou dela à ponto de dar o telefone? -Boa pergunta...Como ela conseguiu meunúmero?
  • 78. -O que você sentiu por ela? Perguntou asenhora. -Ela era muito bonita, qualquer um seinteressaria por ela, é uma pena. Para sua surpresa a senhora reagiu comnaturalidade não aparentado nenhum preconceitomoral. Ela fala que, todas as pessoas usavam o corpode uma forma ou de outra para ganhar a vida, eexemplificou. -Alguns tem boa capacidade intelectual, maispodem serem fisicamente fracos, então trabalhamcom a inteligência, alguns são fortes e podem serempouco inteligentes então trabalham em serviçosbraçais, algumas pessoas são bonitas e atraentes,os mais sortudos ganham a vida vendendo a ilusãoda perfeição, como modelo ou como um artista,enquanto outros menos sortudos ganham a vidavendendo prazer à quem possa pagar. Todosvendem alguma parte de seu corpo, a distinçãosomos nós que fazemos discriminado esse ouaquele. O que é repulsivo pra alguns, pode serperfeitamente natural para outras pessoas. Moderninha essa senhora, pensou. Ela era tãoagradável que continuaram conversando. CAPÍTULO 15 Aos poucos a minha vista foi se clareando, euestava na minha cama, minha cabeça doía, passei amão e senti um inchado, percebi que havia batido acabeça, -Mas estou em casa? Saí do quarto ainda meioatordoado, procurando Jasmine, mas nem sinal dela,
  • 79. -Será que me acidentei? Como vim parar emcasa? Fui até o banheiro lavar o rosto, me sentiaestranho, fui até a sala de desenho e fico olhando,tentando imaginar alguma explicação, olhei o relógiopra ver que hora era. Minha mente vai voltando aos poucos, um papelestava na prancheta, nele havia desenhado o esboçode uma mulher. Ela era, voltei novamente aobanheiro, e procuro a toalha que havia dado à ela,não estava lá. Eu sabia que não tinha nada à fazer, odomingo estava condenado à ser melancólico echato, queria voltar à dormir e nunca mais acordar.Jasmine passeava na minha cabeça. Fui à sala dedesenho, na tentativa de me confortar. Fui à praça à frente, sentei num banco, ondetambém estava sentado um homem, ele estavalendo um jornal eu não pude ver o seu rosto inteiro,mesmo assim ele me viu e cumprimentou-me. Mesmo não podendo ver o seu rosto, quandoolhei nos seus olhos tive a impressão que oconhecia. Perguntei o seu nome, ele abaixou o jornale respondeu educadamente. Para meu espanto era omesmo homem que eu vi no baile quando estavacom Jasmine, perguntei se ele era desta cidade. -Não é a primeira vez que venho a esta cidade,eu sou do norte, vim a trabalho. Espantoso! era ele mesmo perguntei à quantotempo ele havia chegado. Pensei. -Apenas há um dia, estava à procura de umamoça, que veio do norte, mas já encontrei-a, decerta forma está tudo resolvido, por isso resolvi ficarmais essa noite, para mais um compromisso,provavelmente à conheça, você aí na frente? -Sim, moro.
  • 80. - Por sinal tenho uma foto dela, veja. Ele estava procurando alguém, quando olheipara foto logo à reconheci. Então perguntei aohomem; -Porque à procurava? O que aconteceu a ela? Sem me responder ele me perguntou: -A conhece? -Sim, à conheço, mas por que à procurava? -É uma história complicada, resumindo, ela forjoutodo um incidente para livrar-se do próprio pai quetinha mania de controlá-la, ele forçou-a se formarem química, ela não tinha uma vida social. Entãoforjou um incidente, largou tudo e fugiu pra cá,apesar de tudo ela vai ficar bem, desconfio que eladeve ter engravidado, acho que foi esse o motivodela ter desmaiado. -Ela está grávida? -Eu apenas suponho, mas vou dar um tempo àela e tentar contornar a situação na empresa, oumelhor com seu pai, até que tudo se acalme. Seencontrá-la pode falar isso à ela. -Você por acaso esteve num clube ontem ànoite? -Estive, mas não entrei, por falar nisso em noite,você estava em casa essa noite? -Nem eu tenho certeza. -Eu vi as luzes acesas, liguei mas ninguématendeu. Tudo está se esclarecendo. Pensei, Se alguém me visse acharia que estava maluco,abracei ele como se fosse um velho conhecido. Ele deixou a foto cair no chão. -Coisas estranhas acontece na vida não émesmo?
  • 81. -Eu que o diga, depois desse abraço. -Foi muito bom lhe conhecer. Como pode ele existe de verdade! Conferi otelefone celular e havia mesmo uma chamadaperdida, devia ser a dele. De certo modo até achavagraça de ver como ele me olhava enquanto seabaixava para pegar a foto. Deve ter pensado queeu devo ter saído de algum hospício. Em seguida chega meu irmão com sua novanamorada, fui até ele, cumprimentei e pedi a chavedo carro, ele agradeceu por tê-lo emprestado, antesde entrar no carro lembrei do homem que estava nobanco da praça, então falei para o meu irmão quehavia um homem com uma foto da namorada dele,e que estava à procura dela, apontei para o bancoda praça, mas nesse pouco tempo ele já havia saído. -Sabe o que ele queria? Ela perguntou meio surpresa. -Ele me contou uma história estranha, mas falouque iria embora, e que ia dar um tempo pra você,decidir o rumo de sua vida, depois te conto tudo. Elasabendo do que se tratava, suspirou aliviada, quemdiria tinha um improvável amigo na firma do paidela. Entrei no carro, liguei o rádio e saí a todavelocidade, sentindo o vento que entrava pelajanela. O locutor fala de um incidente que houve numclube nessa madrugada. Três homens entram noclube e espancam um jovem. -Coisas estranhas aconteceram hoje. -Será que eram os mesmos que vimos? -Ou terá sido apenas coincidência? E o homem da praça ele existe, pensei.
  • 82. Ele ligou pra mim, isso explica o telefone quechamava, e que ninguém respondia. Agora percebo que toda vez que eu me distraíadela ou cochilava, algo acontecia, como as luzes queela dizia ver, era como se ela fosse parte de mim. As vezes quando acontece algo, vem a sensaçãode que aquilo já havia acontecido antes, ou como sejá fosse previsto. Talvez isso não aconteça sócomigo, quem sabe de onde isso vem. Talvez sejalembranças de tempos esquecidos, ou uma espéciede realidade alternativa, em que a porta venha seabrir de vez em quando para alguns de uma formamuito sutil, talvez numa coincidência, numainspiração. Hoje foi um dia desses, tudo isso aconteceu, oimprovável aconteceu. Fiz tudo que podia pra ficar com ela. Dependiade mim à sua existência, eu era o seu elementovital, porém não se pode dormir para sempre. Masagora me sinto melhor, porque sei que voureencontrá-la, afinal ela é a mulher dos meussonhos. Fim
  • 83. BIOGRAFIA Simeão de Souza Marchiori, autodidata, nascido em 21 dedezembro de 1969, natural de Curitiba, filho de João Marchiori eGlaci de Souza Marchiori, Paranaenses da cidade de Antonina.EndereçoAv. Leovegildo de Freitas, 178Centro - Antonina - ParanáCep 83.370-000Rua Marcos Luiz de Bonna, 119Morretes – ParanáCep 83.350-000www.simeaomarchiori@gmail.com (1º versão) iniciada em: 02/05/2002 Concluído em: 11/01/2003 História e arte: Simeão S. Marchiori Revisão atualizada em 25-05-2004

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