Auto da Barca do Inferno

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    Auto da Barca do Inferno - Presentation Transcript

    1. E.B. 2 e 3 de Celeirós L. Portuguesa José Araújo e Tiago Marques Turma: 9ºE 01-09
    2. Fidalgo Onzeneiro Parvo Sapateiro Frade Brízida Vaz Judeu Procurador Enforcado Cavaleiros Corregedor Conclusão Gramática
    3. O Fidalgo faz-se acompanhar por um Pajem, que transporta uma cadeira de espaldas e suporta um manto. Estes acessório ajudam a caracterizar a personagem, reenviando o leitor para a sua condição social e, para a situação de privilégio em Terra, mostrando o luxo, o poder a ostentação, o lazer e a opressão sobre o povo. Na discussão com o Diabo ridiculariza a sua barca chamando-lhe de cortiço . Está confiante no seu estrato social (fidalgo de solar), revelando arrogância dando a ideia de superioridade. Acha que tem em Terra alguém que reze por ele, mas o Diabo contradiz negando. O Fidalgo reage mal ficando indignado e chateado com as acusações do Diabo. Tentando a sorte na Barco do Paraíso, muda a sua linguagem, usando um nível de língua popular como forma de mostrar o seu descontentamento, exigindo a passagem, só por ter sido importante em Terra. Não sendo convincente o Anjo diz que não embarca tirania e revela a sua sentença passando pele sua condenação.
    4. Intenção crítica da cena
      • Gil Vicente pretende, por um lado, criticar, a nobreza em geral, demonstrando a sua corrupção, vaidade e presunção; por outro, acusando a sociedade de explorar os mais desfavorecidos, realçar a tirania com que os fidalgos tratam o povo, facto considerado grave, dado que os poderosos deviam protecção aos fracos; por fim, denunciar a infidelidade conjugal que põe em causa os valores morais da família.
    5. O Onzeneiro vivia de emprestar dinheiro a juros excessivos, derivando da sua palavra a onze por cento e, governa-se graças à miséria e a exploração sobre os outros. Transporta um bolsão que simboliza o crime do seu ofício. O Diabo chama ao Onzeneiro de “meu parente” v.-183, na qual mostra que os dois foram “aliados” em vida Terrena, o que nos faz logo de início prever a condenação. Revela ser um homem ganancioso querendo viver por mais tempo para poder ganhar mais dinheiro (“Mais quisera eu á tardar…/Na safra do apanhar” v.-185-186).Recusa entrar na Barca do Inferno. Na conversa com o Anjo oferece-lhe dinheiro e, demonstra preocupação em dizer que não tem dinheiro suficiente para pagar a viajem, procurando uma artimanha para regressar a Terra, supondo que o Anjo o aceitará na sua barca . O Anjo diz que o bolsão ocupará toda a barca, dando-lhe a condenação.
    6. O Parvo designado por Joane, é uma personagem pertencente à classe “o Povo” e considerada louca, na qual lhe era permitido ousadias de crítica e de linguagem. Perante o Diabo identifica-se por “Eu sô” v.-248, achando-se no fundo ignorante. O Diabo convida-o a entrar a achar que seria fácil convencê-lo mas, face ao convite o Parvo insulta o Diabo usando uma linguagem desconexa (sem sentido) e popular recorrendo ao calão. Junto do Anjo, tal como junto do Diabo, toma uma atitude humilde, revelando-se um homem simples dizendo que não é ninguém “Samica alguém.” v.-298. Este comportamento leva a que o Anjo o aceite na sua barca dizendo que ele errou mas inconscientemente e sem maldade “Tu passarás, se quiseres;” v.-299; “per malícia nom erraste.” v.-301.
    7. O Sapateiro carrega formas que simboliza o roubo e a exploração do povo com o seu ofício e um avental que exprime a omissão dos pecados, sendo uma protecção. O Diabo chama-lhe de “Santo sapateiro honrado!” v.-309 sendo irónico e, quando diz “como vens tão carregado?...” refere-se aos seus pecados. O Sapateiro argumenta que está livre dos pecados, tendo-se confessado e dizendo que foi comungado. Acha que por ter ouvido missas e por ter feito ofertas está livre do inferno. O Diabo contradiz dizendo que foi excomungado e que omitiu ao confessor todos os seus pecados e, acusa-o de ter roubado “E os dinheiros mal levados,” v.-338. O Sapateiro, ofendido, reage agressivamente às acusações, recorrendo ao calão. Na Barca do Paraíso o Anjo recusa a sua entrada pois trás consigo muita carga (pecados), e diz que a outra barca leva quem roubou. O Sapateiro contra-argumenta que as formas são pequenas e que podem ir num cantinho. O Anjo diz que se vivesse direito em Terra elas seriam escusadas e, com isto revela a condenação.
    8. O Frade representa-se de uma forma pouco normal trazendo uma moça pela mão, um escudo, uma espada e um capacete debaixo do capuz de frade, e entra em cena a cantar e a dançar, ou seja, demonstra logo uma vida de prazeres mundanais e de pecados. Sugere uma vida dissoluta. O Diabo com subtileza convida-o a entrar perguntando se sabe o tordião, prometendo um serão. Elogia o seu bom gosto por ter uma mulher tão formosa. O Frade defende-se exibindo o seu hábito e considera-se merecedor do Céu, pois rezou muitos salmos e por isso achava que podia folgar com a sua dama. Achava-se um homem com virtudes e importante e considerava a castigo infernal injusto para quem sabia esgrimir. Estava confiante na sua passagem, mas termina na Barca do Inferno. Intenção crítica Com esta personagem, Gil Vicente visa criticar os membros do Clero que não viviam m conformidade com os preceitos cristãos (celibato, austerida e renúncia aos prazeres mundanos). Deste modo, denuncia a contradição entre os actos praticados e os valores morais, pois era usual acreditar-se que, só pelo facto de se pertencer à hierarquia da Igreja, se tinha por natureza direito a um lugar no céu
    9. Brízida Vaz era uma alcoviteira, ou seja, arranjava casamentos, no qual era paga e, também contratava prostitutas e explorava outras raparigas. Faz-se acompanhar por acessórios relacionados com bordéis e com “moças”. É uma mulher directa, despachada hipócrita e persuasiva. Usa um diálogo curto e rejeita o convite para entrar na barca do Diabo. É descarada quando enumera os objectos que transporta. Na conversa com o Anjo usa uma linguagem meiga e afectiva, tentando seduzi-lo com palavras carinhosas, recorrendo ao diminutivo. Acha-se com virtudes por ter sido uma mártir e muitas das vezes açoitada e acha-se uma apostolada. Implora ao Anjo para entrar na sua barca e argumenta que só fez coisas boas. O Anjo decide a sua condenação. Intenção crítica: Gil Vicente enuncia a prática da prostituição e dos seus agentes. De facto, as alcoviteiras dedicavam-se a lançar jovens na prostituição e a fazer casamentos a troco de dinheiro. Por outro lado, desmistifica também certos ideais religiosos completamente deturpados e a dissolução dos costumes por parte do Clero
    10. Faz-se acompanhar por bode (animal representativo da religião) que significa o sacrifício de animais, que era um dos maiores rituais dos judeus. O Judeu pertence á “classe” dos judeus e, sempre foi um ser marginalizado pela sociedade pelo simples facto de não ser cristão. Tenta subornar o Diabo, oferecendo-lhe dinheiro, não só para a sua passagem, mas também para a passagem do bode, pois recusa a entrada se for sem o bode, o que demonstra o seu forte apego à sua religião. É também marginalizado pelo Diabo não o deixando entrar e indo a reboque. Gil Vicente pretende denunciar o fanatismo religioso dos judeus (recusa-se a embarcar sem o bode) e o seu apego ao dinheiro. Por outro lado visa condenar a teimosia ou a pertinácia dos Judeus que se recusavam a aceitar a Salvação personificada em Jesus. Por isso o condenado vai para forca.
    11. É um juiz que transporta como adereços uma vara que era o símbolo do poder judicial e também vem carregado de feitos (processos), que significa o pecado e a corrupção, pois recebia presentes em troca de favores, deixando-se subornar. Atira as culpas para a sua mulher quando o Diabo diz-lhe de que recebia prendas dos judeus e de outros. E, ao confessar-se omitia todos os seus pecados ao confessor, tal como o Sapateiro. Já conhecia a Brízida Vaz devido a sua forte frequentação dos tribunais.
    12. O Procurador tem uma atitude idêntica à do Corregedor, devido também à parecença dos seus ofícios. O Procurador era o representante do Estado perante os tribunais. O Procurador vem carregado de livros como símbolo cénico que simboliza também a corrupção dos elementos pertencentes aos tribunais. No diálogo com o Corregedor, o Procurador diz que não se confessou e nunca deu muita importância a isso, em contrapartida o Corregedor diz-lhe que tudo o que roubou encobriu ao confessor, e diz que depois de aceitar os presentes é difícil devolvê-los. Na Barco do Paraíso o Anjo não os passa afirmando que vêem carregados de pecados, encaminhando-os para a Barca do Inferno, dando-lhes a última sentença.
    13. O Enforcado pôs fim à sua vida, logo cometeu um crime, e por isso mesmo é merecedor da Barca do Inferno. Por outro lado podemos considerá-lo um ingénuo, pois acreditou que para entrar no purgatório teria de escolher a forca que era um limoeiro, isto é, seguiu o conselho de um homem chamado Garcia Moniz, tesoureiro da Moeda de Lisboa.
    14. Os quatro Cavaleiros morreram na “guerra santa” numa batalha contra os mouros, na qual transportam cada um a Cruz de Cristo e, por morrerem em poder dos mouros, por Deus e pelas sua fés católicas ganham absolvição da Barca do Inferno e a entrada na Barca do Paraíso. Entram em cena a cantar um cântico de louvor, cheios de devoção. O Diabo ainda os convida para entrar, mas eles estão convictos que vão entrar na Barca do Paraíso. O Anjo já os esperava e deu-lhes a entrada na Barca do Paraíso, pois sabia o que eles tinham um ambiente de religiosidade e de louvor à vida santa e à morte pela Fé.
    15. Tipos de cómico Formação de Palavras Evolução da língua Fenómenos Fonéticos Níveis de língua Palavras convergentes Palavras divergentes
    16. O Parvo vem do latim “paruus” que significava pequeno, baixo. Houve uma evolução semântica da palavra e passou a significar idiota, tolo. A este fenómeno chama-se evolução semântica.
    17. Fogo - significado na origem - lar onde se acendia o lume - significado actual – o próprio lume Além da evolução semântica existe também a evolução Fonética . Evolução Fonética – as palavras são compostas por fonemas (sons) que também estão sujeitos a transformações, pois com o passar do tempo, as diversas gerações falantes vão alterando a pronúncia de palavras. A essas alterações sofridas dá-mos o nome de fenómenos fonéticos. Evolução semântica – além da evolução fonética, grande parte das palavras sofreram também evolução (modificação) de sentido, apresentando um significado muito distante daquele que tinha na sua origem. Exemplos: Caderno - significado na origem - folha de papel dobrada em 4 - significado actual – porção de folhas de formato livre
    18. Fenómeno de Queda Queda Aférese – Queda de 1 fonema no início da palavra Síncope – Queda de 1 fonema no meio da palavra Apócope – Queda de 1 fonema no fim da palavra Exemplos : Aférese mi h i > m ii > mi > mi m Síncope Crase (junção de 2 vogais numa só) Nasalação avantagem > vantagem Vinrá > virá
    19. Diz e > diz Apócope Legal e > legal Apócope Fenómeno de Adição Adição Prótese – Acrescentamento de 1 fonema no início da palavra Síncope – Acrescentamento de 1 fonema no meio da palavra Apócope – Acrescentamento de 1 fonema no fim da palavra
    20. Exemplos : Star > e star prótese Stella > e st r ela prótese Epêntese Abaxa » abaixa Ante > ante s paragoge Outros fenómenos fonéticos P ; T ; C Consoantes Surdas B; D; G Consoantes Sonoras Vi t a > vi d a Sonorização Exemplo: Lembrar » alembrar
      • Metátese
      • Mudança de um fonema dentro da sílaba ou palavra
      • Semper »sempre
      • Geolhos » joelhos
      • Aplica os teus conhecimentos
      • Arrecear » recear
      • Genuculum » genuclu » geolho »joelho viir » vir
      • fogo
      • Focum »
      foco
    21. Palatalização Transformação de grupos fonéticos num som palatal. EX. fl amma > ch ama cl amare > ch amar ho di e > ho j e cico n ia > cego nh a pl umbu > ch umbu
    22. Vocalização Transformação de uma consoante em vogal EX. o c to > o i to Regno > Reino Consonantização Transformação de uma vogal em consoante EX. Iesus > Jesus
    23. Uma vogal oral passa a nasal, por influência de um som próximo EX: la n a > l ã Nasalação Desnasalação Perda da qualidade nasal de um som, que assim se torna oral EX: lu n a > l Ü a > l u a
    24. Tipos de cómico Cómico - é tudo aquilo que provocaa o riso no espectador Existem três tipos de cómico : Cómico de linguagem - Recurso a vários tipos de linguagem para provocar o riso. O cómico de linguagem está por exemplo na fala do Fidalgo no verso 72, ou no verso 28-9
    25. Cómico de carácter - a personalidade, a apresentação e o comportamento da personagem tornam-se ridículos. Cómico de situação – O resultado da própria situação em que os tipos se inserem ou das circunstâncias por eles criadas Este tipo de cómico está presente, por exemplo, na fala do Fidalgo, no verso 31 e no verso 80, revelando-se em ser superior Este tipo de cómico está presente, na fala do Fidalgo, por exemplo no verso 128- 31, pedindo ao Diabo para voltar outra vez á Terra
    26. Níveis de Língua ou Registos de Língua Popular “ Par Deos, aviado estou!” Corrente: isso bem certo o sei eu.” – cena do fidalgo Cuidada: “ porém, a que terra passais?” – cena do Fidalgo Familiar Calão Gíria – linguagem própria de alguns grupos sociais
    27. Palavras convergentes São aquelas que provêm de 2 étimos diferentes dando origem a uma palavra. Exemplo: Rivu m – rio (leito) – Nome Rideo – verbo rir - rio Rivum Rideo Rio
    28. Palavras divergentes São aquelas que provêm da mesma palavra latina (étimo latino). Tal facto deve-se à sua formação por via popular e via erudita Exemplos: Arena Arena (via erudita) Areia (via popular) Matre(m) madre (via erudita) mãe (via popular) Patre(m) padre (via erudita) pai (via popular) Oculum óculo (via erudita) olho (via popular)
    29. Formação de Palavras 1- Palavras derivadas por: As palavras podem ser formadas por: Sufixação - ex: completamente Palavra primitiva Sufixo prefixação - ex: incompleto Prefixo Palavra primitiva Afixos – conjunto de prefixos e sufixos que se juntam a uma palavra Imprópria Regressiva
    30. 2- Palavras compostas por: Justaposição – geralmente estas palavras recorrem ao hífen Exemplos : guarda-chuva ; couve-flor. Aglutinação – Nas palavras há sempre a perda de acento de uma das palavras e perda de fonemas ou sílabas Exemplos : aguardente = água + ardente Fidalgo = filho+de+algo Vinagre = vinho+acre
    31. Figuras de Estilo mais frequentes na obra vicentina
      • Antítese: Segundo lá escolhestes, /assi cá vos contentai.”
      • Eufemismo: “Vai pera a ilha perdida”
      • Ironia: Embarqu`a vossa doçura, / que cá npos entenderemos…”
      • Metáfora: “Oh! Que maré tão de prata!”
      • Repetição:”Chegar a ela! Chegar a ela!”
    32. O “Auto da Barca do Inferno” foi escrito por Gil Vicente. As personagens, ou seja, as almas, após a sua morte dirigem-se ao cais, a uma ribeira (rio Lets) onde se encontram duas barcas: a Barca do Paraíso a ser transportada por um Anjo e a Barca do Inferno por um Diabo e por um companheiro. O Anjo e o Diabo apresentam-se como dois juizes, julgando as personagens pelo que fizeram em vida terrena, Assim será dada a sentença: salvação ou condenação. . As personagens vicentinas são consideradas personagens-tipo, pois Gil Vicente pretende criticar de forma lúdica o grupo ou classe social a que pertencem, e de acordo com as suas atitudes e modos de vida em Terra têm a sua salvação ou condenação. No estudo desta obra, concluímos que a maior parte da personagens foi para o Inferno (barca do Diabo). Com isto, Gil Vicente pretende criticar os vícios , os erros, as atitudes,… da sociedade em que vivia, uma sociedade imoral, corrupta, que rouba e explora os mais pobres. A partir do provérbio latino “Ridendo, castigat mores”, traduzido significa “a rir, corrigem-se os costumes , Gil Vicente pretende, de forma lúdica, criticar a sociedade da época com o objectivo de a melhorar.
    33. A partir do estudo da obra, ficamos a conhecer a origem e a evolução da língua, a nível fonético e semântico. Ficamos também a conhecer que grande parte das palavras caíram em desuso (arcaísmos), neste sentido a obra funciona como um documento linguístico; para além disso funciona também como um documento histórico – social, na medida em que ficamos a saber como vestiam as personagens (séc. XV e XVI), a referência aos descobrimentos, a partida do Marido para a Índia, após a descoberta do caminho marítimi para a Índia no “Auto da Índia”.
      • O estudo desta obra permite-nos concluir que a maior parte da personagens foi para o Inferno (barca do Diabo). Com isto, Gil Vicente pretende criticar os vícios , os erros, as atitudes da sociedade em que vivia, uma sociedade imoral, corrupta, que rouba e explora os mais pobres.
      • A partir do provérbio latino “Ridendo, castigat mores”, traduzido significa “a rir, corrigem-se os costumes , Gil Vicente pretende, de forma lúdica, criticar a sociedade da época com o objectivo de a melhorar.
      A Barca do Diabo A Barca do Anjo
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