Concelho de Sintra                            ROTEIRO RENASCENTISTA E BARROCO                                             ...
1. DA ESFERA AO JUGO    As naus há muito que partiram a demandar as Índias Orientais. Eneste promontório do ocidente, que ...
erguer o Real Mosteiro de Nossa Senhora da Pena. Talvez não passe defantasia popular; todavia, é facto que D. Manuel se en...
res fanaticos da Inquisição e da Companhia de Jesus, era antes que tudoescola de Santa Doutrina, respondo que nem por isso...
no quiero decir más della porque seria cosa larga, y será mejor dexarlopara contaroslo quando, placiendo á Dios, os vecr.»...
2. DO RENASCIMENTO AO BARROCO    Os ricos e variados acervos patrimoniais que Sintra possui possibili-tam a concretização ...
nem sempre de grande qualidade.           Após a morte de D. Afonso VI.D. Pedro II ordena importantes      trabalhos de re...
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2.2. Paço dos Ribafria     Gaspar Gonçalves, embora de origem humilde, angariou uma fortunaapreciável e mereceu a confianç...
A igreja é de planta em ângulo recto e encontra-se inteiramenterevestida de azulejos, verdes e brancos na nave, e polícrom...
D. João de Castro, o vice-rei da Índia que empenhou as barbas parareconstruir a cidade de Diu, foi um notável militar e ho...
2.5. Convento dos Capuchos     Há-de o visitante pensar, naquele bucólico pedaço de serra, que nãoestá vendo um convento, ...
A 13 quilómetros de distância da sede de concelho, a Peninha coroaum dos últimos montes da Serra de Sintra a Ocidente, sob...
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  1. 1. Concelho de Sintra ROTEIRO RENASCENTISTA E BARROCO CONCELHO oe:: "AFRA N CONCELHO oe:: CAs,CArs Escala 1/100000 1 - Povoamento daCaminho-de-Ferro praia das MaçãsEstradas Nacionais 2 Estação da Pe-Estradas Municipais nhaLongaLimites de Freguesia _. 3 Povoamento de S.la Eufémia 4 Dolmen da Pe- dra Erguida 5 - Dolmen do Mon- te Abraão
  2. 2. 1. DA ESFERA AO JUGO As naus há muito que partiram a demandar as Índias Orientais. Eneste promontório do ocidente, que é a Serra de Sintra, veraneia agoraum rei meditabundo, talvez preocupado com novas das caravelas da Cruzde Cristo, talvez a pensar nas obras que há-de mandar executar nosnobres paços desta vila mui prezada. Por agora, neste ano de 1497,anda D. Manuel ansioso por tratar doseu casamento com a Infanta D. Isabel, filha dos Reis Católicos. E Sintra élugar propício para o recolhimento de um homem enamorado. "1. .. 1 e dali (Evora) ho despachou acompanhado, quomo a tal embaixa-da convinha, ho qual achou em taes termos ho que la sobreste caso nego-ceara dom Alvaro, que partindo Devora no verão deste anno hos casa-mentos se celebrarão no mez de Ouctubro, do mesmo anno, da qual cida-de el Rei per caso das calmas depois de ho ter despachado se foi a Sintrater ho verão, por ser hum dos lugares da Europa mais fresco, e alegrepara qualquer Rei, Principe e senhor poder nelle passar ho tal tempo, por-que alem dos bõs ares, que de si lança aquella serra, chamada pelosantigos Promontorio da lua, há nella muita caça de veados, e outras ali-marias, e sobre tudo muitas, e muito boas frutas de todo o genero das quese em toda Hispanha podem achar e as milhores fontes de agoa, e maisfria de toda ha Estremadura, ás quaes cousas todas acrecenta ho saborhos magnificos paços, que no mesmo lugar hos Reis tem, pera seu apo-sento, e dos que com elles vão." (Damião de Goes, Crónica de El-ReiD. Manuel, capo XXII.) Mas este casamento, realizado em Valência de Alcântara, não durariamuito. No ano seguinte, 1498,a rainha morreria ao dar à luz o primeirofilho. E, de novo, D. Manuel se tornou a Sintra, a carpir as mágoas de tãoprecoce viuvez. Contudo, foi neste período conturbado que o Venturosoviria a receber a notícia do feito que mais esplendor lançou no seu reina-do, e cuja importância na História da Humanidade nos escusamos derealçar aqui: a volta das naus do Gama. «La si erra de Sintra viene, que estava triste del iiio, gozar del triunfo mio, que a su gracia conviene. Es la sierra más hermosa que yo siento en esta vida: es como dama polida, brava, dulce y graciosa, namorada y engrandecida. Bosque de cosas reales, marinera y pescadora, montera y gran caçadora, reina de los animales. Muy esquiva yalterosa, balisa de navegantes, sierra e sus caminantes no cansa ninguma cosa. Refrigerio en los calores, de saludades minero, contemplación de amores la seiíora a que yo más quiero, y con quién ando damotes.» Gil Vicente, O Triunfo do Inverno Conta a lenda que, estando D. Manuel a caçar no alto da Serra deSintra, pelas bandas da ermida de Nossa Senhora da Pena, terá avistado,na barra do Tejo, a nau de Nicolau Coelho. E em memória da boa novaque a Virgem lhe havia concedido, alguns anos mais tarde ali mandou2
  3. 3. erguer o Real Mosteiro de Nossa Senhora da Pena. Talvez não passe defantasia popular; todavia, é facto que D. Manuel se encontrcvc em Sintraquando soube da descoberta do caminho marítimo para a lndia. E assim:"mandando demolir o cume do penhasco em uma área de 315 palmos deSul a Norte e 205 de Nascente a Poente, a 8 de Setembro de 1503 se deuprincípio ao real edifício que se completou em oito anos." (Memórias dosestudos em que se criarão os monges de S. ]erónimo, in Boletim daBiblioteca da Universidade de Coimbra, vol. 6, p. 206.) Pois é, não há dúvida que com o apogeu dos DescobrimentosPortugueses atingido .no reinado de D. Manuel r, cujo desvendar do cami-nho marítimo para a lndia e a descoberta do Brasil (notícia que o sobera-no também recebeu em Sintra, no ano de 1501) são os acontecimentosmais salientes, Portugal viveu o período mais áureo da sua História.E Sintra, essa vila mui prezada, mereceu cuidado especial por parte dorei Venturoso. Sobretudo, há-de D. Manuel imprimir à paisagem sin-trense, que tanto o atraía e encantava, um tão indelével cunho da suaépoca. Estandarte e padrão desse ccrjnho são as obras que mandou efectuar,entre 1505 e 1520, no Paço Real. E, numa primeira fase, o acrescento docorpo ocidental, incluindo a Sala dos Brasões (1508);para, em segundaetapa, alargar o palácio a oriente (1517), essa ala inteiramente manueli-na e onde se salientam as formosas janelas que lhe embelezam a facha-da. Pelo meio ficava ainda toda uma série de campanhas de decoraçãodos interiores, enriquecidas com aplicações de azulejos, revestimentos defresco e dourado, animação de câmaras, pátios e jardins, tudo isto numaempreitada que envolveu largos cabedais da coroa e que chamou, paranela trabalhar, um avultado número de artistas e artífices. E graças adois preciosos documentos podemos apreender, neste tempo nosso, agrandeza da empreitada. São eles os "Desenhos" de Duarte D Armas e o"Lo. truncado da receita e despesa de André Gonsalves". Por altura da conclusão da primeira fase das obras, em 1509, outroacontecimento se passou no palco sintrense, por certo importante para ahistória nacional. Ficou conhecido para os vindouros pelo nome deConvenção de Sintra e pretendeu solucionor .os problemas existentesentre Castela e Portugal no Norte de Africa. A margem do Tratado deTordesilhas, foi necessário efectivar uma convenção sobre as esferas deinfluência dos dois países naquela região. A preocupação com a reg}ão sintrense e com o povo que nela habita-va é notória em D. Manuel. E talvez por isso que atribui novos forais aSintra (1514)e também à vila de Colares (1516). Neste primeiro quartel do séc. XVI, e muito por força da apetência dacorte pela vila, Sintra conheceu uma das suas fases de maior esplendor,quer pelas obras do Paço e os importantes saraus e festividades que nelese realizaram, como ainda pelo surto arquitectónico que fez despoletar,um pouco por toda a parte do espaço envolvente, com a construção degrandes palacetes, mosteiros e igrejas. Com a subida ao trono de D. João III, a corte portuguesa perdeu muitodo seu brilho. Mesmo assim, Sintra ainda vai ser local privilegiado paraos poucos folguedos de um reinado marcado pela introdução dalnquisição em Portugal. Vem D. João III menos à vila mui prezada do que seu pai; contudo, há--de continuar as obras do Paço e trazer a Sintra, ainda que esporadica-mente, os homens grandes do seu tempo. Quem vai pontificar no panorama cultural da sociedade portuguesadeste período é a lnfanta D. Maria, filha de D. Manuel, reunindo à suavolta um leque de sábios e artistas que vão animar os famosos serões,ora em Santos-a-Velho, ora no Paço Real da Vila de Sintra. Com a suacasa constituída à parte, e sendo grande amante das letras e da música,a lnfanta acompanhou D. João III e D. Catarina naquela que terá sido amais prolongada estadia da corte em Sintra, no ano de 1543,animando asnoites com os seus famosos Serões, celebres na História e na Literatura.Neles brilharam mulheres como Joana Vaz, a Vazia dos latinistas; PaulaVicente, a tangedora, filha de Gil Vicente; D. Leonor Coutinho, autora deum romance de cavalaria; D. Leonor de Noronha, que traduziu do originallatino uma história universal; Luisa Sigea, dama latina e poliglota, junta-mente com sua irmã, Angela Sigea, esta versada na música; e tantasoutras que contribuíram para o enriquecimento cultural do século XVI. Embora sem a pompa dos tempos manuelinos, a corte de D. João IIInão foi apenas devotada à religião. Diz Carolina Michaelis: «E a quemobjectar que a Côrte de D. João III e de D. Catharina, introductores e fauto- 3
  4. 4. res fanaticos da Inquisição e da Companhia de Jesus, era antes que tudoescola de Santa Doutrina, respondo que nem por isso deixou de ser o quefôra nos seculos anteriores: escola de fina galantaria de onde saiam mes-tres e modelos na arte de amar, e selva de aventuras romanticas onde sedesenrolaram innumeros dramas de amor." Drama foi por certo o reinado de D. Sebastião, o Desejado, aquele reique sonhou travar o avanço do turco e formar um grande império cristão.Aquele rei cheio de poesia e que não fazia versos como D. Dinis nem insti-tuía serões literários como D. Manuel. Foi ele próprio a poesia, persona-gem epopeica do fado português, glória e perda de Portugal. Misterioso é o rei como misteriosa é a serra que o fascina. Talvez porisso D. Sebastião buscasse Sintra com tanta frequência, a procurar ali-mento para o seu espírito impregnado de religiosidade, ora no Conventode Santa Cruz da Serra a comungar juntamente com os frades francisca-nos, ora embrenhando-se nos bosques densos e nocturnos a escutarsinais do Criador: Sintra se chama esta deleitosa Parte onde repouso o moço engeita, Vai pensativo achar hua cavernosa Pedra de largo ventre & porta estreita, Ousado entra na gruta cavernosa, E huma 1amina dentro escrita espreita, Toda Arabios versos a occupavam, Que grandes causas lhe pronosticavam. Assim escreve Luís Pereira Brandão, poeta que acompanhouD. Sebastião na jornada a Africa, de má memória, e ficou cativo emAlcácer Quibir. Havia sido incumbido de cantar a vitória, mas como esta,infelizmente, se não alcançou, lembrou-se o poeta de legar à posteridadeum poema em que minuciosamente narrasse a batalha e a martirizaçãode tantas vidas. Chamou-lhe E1egíada, Poema Heróico de 18 Cantos,Guerra, Perda e Morte de E1-Rei D. Sebastião. No Paço Real da Vila de Sintra terá dado a sua última audiência esterei, onde alguns nobres e eclesiásticos mais velhos tentaram dissuadi-lode prosseguir os seus intentos sem antes deixar sucessor para o trono dePortugal. Em vão foram, pois, as palavras sábias, e a surdez do rei deter-minou a sua morte e a morte da independência do país. Também outro grande homem da nossa História morreu com a pátria.Çhamou-se Luís Vaz de Camões, esse vate maior das Letras portuguesas.E tradição afirmar-se que terá sido em Sintra, no Paço Real. que Camõesleu Os Lusíadas a D. Sebastião, a quem o poema é dedicado. Durante a dinastia dos Filipes, a vila, tal como o país, caiu na modor-ra e no abandono. Apenas D. Filipe I visita Sintra e, ao que parece, ficoubem impressionado, como podemos verificar através de uma carta queenvia às suas filhas, datada de 2 de Outubro de 1581: «1. .. 1 Entrámos en la galera y fuymos á Cascaes, que son cinco leguas,en tres horas, que nos hizo buen tiempo, y fuymos à la vela ... Otro dia, quelo hera de Sant Miguel (29 de Setembro), uymos misa y comymos all, i yfuymos à Pefiulonqu. ques monesterio de Sant Hieronimo, el primerohuvo acá de su órden, y uymos vísperas suyas. Y el sábado, que hera sudia, estuvimos alli y uymos misa y sermon, y yo visperas, porque mysobrino fué á caça y mató un venado, y oyó bramar no sé quantos ciervosay por alli. y él avia visto ántes los jardines y huertas, y yo los vi después,y son buenos y muchos, y muy buenas fuentes, que las tomaria yo porallá. El domingo uymos misa cantada y comimos, y después venímos áotro monasterio de la misma órden, y pequeno, que se llama NuestraSefiorc da Pena, porquestó todo él sobre una pena muy alta, de adóndese descubre gran vista de mar y tierra, sino que ay tanta niéblaque lomás del tiempo no se vee, y asi me embaraçó ayer para que no lo pudie-semos ver bien. Y ay una legua ccsí de subida deI un monasterio ol otro; ycierto el de arriva es de ver, y el otro tambien por las fuentes y jardines; yllámase Penalonga por una pena que tiene alli junto, bien estrofic. En elde arriva uymos vísperas, y después nos baxámos á este lugar (Sintrcr).ques muy fresco y dicen que muy bueno de verano, y báxase más demedia legua. Llegámos ya tarde, que no pude ver sino un poco de la casa.Oy no he salido delln, por despachar este correo y por ver esta casa (oPaço), que, aunque es antigua, tiene muy buenas casas y algunas que nome parece que en ninguna parte las he vista tales; y holgára yo harto deveros en ella, porque creo que holgárades, que tiene jardines y fuentes. Y4
  5. 5. no quiero decir más della porque seria cosa larga, y será mejor dexarlopara contaroslo quando, placiendo á Dios, os vecr.» Terá sido esta a única visita real a Sintra durante a ocupação caste-lhana. Nem mesmo a Restauração de Portugal, ocorrida em 1640,trouxede novo a corte para esta vila. Apenas existe notícia de uma esporádicapassagem por Sintra da rainha D. Luísa de Gusmão e do príncipeD. Teodósio em 1652;e de uma temporária estadia de D. João IVem 1654. Esta vila, outrora animada pelo brilho da corte e mimada pela realezanacional, passou adormecida pela centúria de seiscentos. O Paço Realapenas vai servir de cárcere a um rei deposto, D. Afonso VI, e por certonão se transformaria em prisão um lugar que se pretendesse habitar!Ainda hoje se pode observar o quarto onde o infeliz monarca esteveencarcerado durante nove anos, até morrer em 14de Setembro de 1683. D. João V, posto que não fizesse de Sintra a sua residência favorita,nem o centro da sua faustosa corte, visitou algumas vezes o palácio, ondejá se ia apagando a memória lúgubre do seu tio Afonso VI. Não o atraíademasiadamente nem a poesia da serra, nem a arquitectura extravagan-te do Paço, nascida espontaneamente do génio do acaso, mas incompre-ensível para esse rei e para a sua época, que tinham como ideal de arteas regras clássicas que haviam de predominar no grandioso Convento deMafra. Tempo escuro para Sintra este que dura há quase dois séculos. Talvezseja um tempo de ocultação, de pausa, para daí nascer uma nova luz.A ver... a ver. .. 5
  6. 6. 2. DO RENASCIMENTO AO BARROCO Os ricos e variados acervos patrimoniais que Sintra possui possibili-tam a concretização de múltiplos roteiros temáticos. Se, por opção meto-dológica, preferirmos sectorizar correntes estéticas, literárias, ou edifíciosde uma determinada tipologia dentro do território deste concelho, a tarefanão se apresenta muito complicada graças ao vasto legado que, atravésda História, o homem nos deixou. Outra vertente passível de estudo é areconstituição histórica. Com os cenários a transpirarem ainda eras anti-gas, torna-se acessível. por exemplo, revi ver os famosos Serões do Paçoda Infanta D. Maria; a última audiência de D. Sebastião; recriar o quotidi-ano dos frades franciscanos no Convento dos Capuchos; etc. Contudo,não é esse o presente objectivo, mas antes dar a conhecer um pouco dahistória e das estórias de cada monumento, com o intuito de fornecer umabase documental para fruição de quem procure Sintra e o seu passado. «Naquela cova Sibilária, muito sábio e prudentíssimo Senhor, o autor foi ensinado que há três mil anos que ua generosa ninfa chamada Lisibeia, filha de ua Rainha da Berbéria, e de um Príncipe marinho que a esta Lisibeia os fados deram por morada naquelas medonhas barro- cas que estão da parte do Sol. ao pé da serra de Sintra, que naquele tempo se chamava Solércia. E como por vezes o Sol passasse polo opósi- to da lustrante Lisibeia, e a visse nua, sem nenhua cobertura, tão perfei- ta em suas corporais proporções, como fermoza em todolos lugares de sua gentileza, houve dela ua filha tão ornada de luz, que lhe puseram nome Lusitânia, que foi diesa e senhora desta província. Neste mesmo tempo, havia na Grécia um famoso cavaleiro e mui namordo em extre- mo, e grandíssimo caçador, que se chamava Portugal. o qual. estando em Hungria, ouviu dizer das diversas e famosas caças da serra Solércia, e veio-a buscar. E como este Portugal. todo fundado em amores, visse a fermosura sobrenatural de Lusitânia, filha do Sol, improviso se achou perdido por ela,» Gil Vicente, Farsa da Lusitânia2.1. Palácio Nacional de Sintra Gloriosamente assentado no meio do casario da chamada Vila Velha,o Paço Real constitui o principal conjunto arquitectónico sintrense e amais fascinante construção áulico-realenga que subsiste em Portugal.Trata-se de um palácio que não foi concebido de uma só vez nem em umasó época, mas sim de um harmonioso e sedutor somatório de partes dis-tintas, edificadas em sucessivas fases ao sabor de estilos díspares. E éesse conjunto de múltiplos gostos e mentalidades que contribui, sobrema-neira, para a estranha beleza deste palácio. De entre as diferentes fases de edificação sobressaem, porém, duasgrandes épocas que determinaram o carácter e as dimensões do palácio:a de D. João r. ou seja, o primeiro terço do séc. XV e, um século depois, oprimeiro quartel de quinhentos, no reinado de D. Manuel L Palco privilegiado de inúmeros acontecimentos da História nacional.que viu nascer e morrer dentro das suas paredes D. Afonso V, coroarD. João Il, partir D. Sebastião para a nefasta batalha de Alcácer Quibir,cárcere lamentável do infeliz D. Afonso VI;foi este palácio estância dilec-ta de lazer, simultaneamente centro lúdico e didáctico, da realeza nacio-nal. No seu interior deambulou o bucólico Bernardim Ribeiro, representouGil Vicente, escreveu João de Barros, Camões terá lido pela primeira vezOs Lusíadas à D. Sebastião. Se com as empreitadas efectuadas nos séculos XIV, XV e XVI ficam defi-nidas as mais importantes construções do palácio, no qual se conjugamharmoniosamente o gosto gótico-mourisco, o manuelino e o italianizante,vai o Paço, no entanto, sofrer ao longo dos tempos obras significativas,6
  7. 7. nem sempre de grande qualidade. Após a morte de D. Afonso VI.D. Pedro II ordena importantes trabalhos de restauro, no tempo doSuperintendente-Geral das obras do Reino, D. João da Costa, Conde deSoure, das quais se destacam o restauro do tecto da Sala dos Brasões,edificada havia já quase dois séculos. No tempo de D. João V, continuam as obras de conservação a cargo deCustódio Vieira e Manuel do Couto, que se encarregam, sucessivamente,dos restauros dos tectos da Sala dos Cisnes e da Sala das Pêgas. Fortemente danificado pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755, éencarregado de recuperá-lo Carlos Mardel. O viajante italiano GuiseppeBaretti, que vem a Sintra cinco anos após a catástrofe, relata os estragos,apontando que apenas se encontravam de pé as salas dos Cisnes, dasPêgas e dos Brasões, e que D. José ordenara que fosse reconstruído aoantigo gosto mourisco. Embora ainda no reinado de D. Maria I se tenham efectuado grandesobras, durante o primeiro terço do século XIXnada há a registar de signi-ficativo. Apenas quando, a partir de 1838,D. Maria II e D. Fernando aquise instalam, para seguirem de perto as obras da Pena, o palácio se revita-liza. Por ocasião do casamento entre D. Pedro e D. Estefânia, as duasmaiores salas da chamada ala manuelina são divididas em vários apo-sentos. Com o devir da República, a magnífica residência régia passa para oPatrimónio do Estado, e a Direcção-Geral dos Edifícios e MonumentosNacionais encarrega o arquitecto Raul Lino de fornecer ao palácio o seuaspecto original. Este vai redecorar os interiores com peças pertencentesàs colecções régias ou adquiridas especialmente para o efeito, sobretudodentro do gosto artístico dos séculos XVI, XVII e XVIII. De destacar - entre o labiríntico e surpreendente conjunto de salas,pátios, escadarias, corredores e galerias - a mais vasta e rica série deazulejaria mudéjar existente na Península Ibérica, o que, atendendo àespecificidade peninsular deste tipo de materiais cerâmicos, equivale adizer a mais vasta e rica série de azulejos mudéjares do Mundo. Depois,vá sentindo que está penetrando num paço mourisco, de conto de fadas, edeslumbre-se com o tecto da Sala dos Cisnes que nos recorda o casamen-to da Infanta D. Isabel de Portugal com Filipe «o Bom» da Borgonha, arevivalização de lendas medievas, algo maliciosas, na Sala das Pêgas; afantástica Sala dos Brasões, espelho glorioso da nobreza lusitana; o pavi-mento desgastado pelos contínuos passos de D. Afonso VI, enclausuradonos derradeiros nove anos da sua vida naquela sala. E, ao sair, deite umúltimo olhar às chaminés descomunais que coroam a grande cozinhamonacal e que constituem o mais conhecido e difundido ex-libris da Vilade Sintra. 7
  8. 8. I " -........-------- ------- . • 2 Cozinha • 3 1 Sala dos Ar~heldOeSs 4 Sala Moura • Quarto de Hospe Sala Chinesa • 7 • 5 Capela • 6 VI. 8 Sala dos Quarto D. Af0.n~oda Carranca. 10 Brasões • .9 Paho 1 Sala de César • Pátio de DlOnci• 12 Quarto e b . Sebastião ou 13 Sala das Câmara do OUí Sereias • 14 ~a a o das Pêgas • 15 (E ao mesmo Pátio do Esgu~~hMo~ros • 17 Pátio nível) 1.~B~nh. 18 Sala dos Infantes da Audle.nclO • 19 Terreiro de Meca ou dos Cisnes uinhos • 21 • 20 Pátio ~os. Ta~~ de Lindaraia Jardim dos PnnGPi~ s • 23 Pátio do • 22 Sala das d eD Manuel • 25 Leão • 24 Sala D Maria Pia • 26 Apartamentos de (ob a Sala dos Brasoes) • ~7IJ~d~m do Palácio. Sala_ das8
  9. 9. 2.2. Paço dos Ribafria Gaspar Gonçalves, embora de origem humilde, angariou uma fortunaapreciável e mereceu a confiança da Casa Real. Em 1518, D. Manueldesignou-o porteiro-mar da real câmara, posto que o obrigou a estabele-cer-se com carácter quase permanente em Sintra. Assim, no ano de 1534,Gaspar Gonçalves ergueu, perto do Paço ReaL a sua residência. Maistarde, em 1541,quando reinava D. João IlI, foi-lhe outorgado o título nobili-árquico de Senhor de Ribafria, e, em 1569,recebeu o cargo de alcaide-morde Sintra, lugar exercido por membros da sua família durante váriasgerações. André Gonçalves, filho de Gaspar Gonçalves, veio a casar comD. Luísa de Albuquerque, facto que contribuiu sobremaneira para a con-solidação da novel linhagem dos Ribafrias. Foi nessa casa da Vila deSintra que nasceu André de Albuquerque Ribafria (neto do primeiroRibafria), militar distinto, morto em 1659 no cerco de Elvas, aquando daGuerra da Restauração. Porém, em 1727, Pedra de Saldanha Castro Ribafria vendeu o seupaço a Paulo de Carvalho de Ataíde, arcipreste da Santa IgrejaPatriarcaL que o legou ao sobrinho, Sebastião José de Carvalho e Melo,Conde de Oeiras e Marquês de PombaL ministro plenipotenciário deD. José r. Por tudo isto, o Paço dos Ribafria apresenta, logo na sua fachada auste-ra, alterações ocasionadas por diversas campanhas de restauro. Assim, apar das janelas manuelinas, evidenciam-se outras de cunho já pombalino. A residência é constituída por três corpos dispostos em U, que formamum pátio interior. O acesso a esse pátio processa-se através de um portãocircundado por uma singela cantaria chanfrada. Deveras significativo é oátrio abobadado, cujas ogivas assentam num complexo jogo de arcos enervuras, nascidos dos diversos ângulos. Este átrio está ornamentadocom tímpanos de temática medievaL enquanto os fechos de abóbada seapresentam já concebidos segundo as renovadas concepções artísticasda época. Destaca-se ainda a existência de dois arcos de volta perfei-ta, suportados por colunas e capitéis italianizantes, e ornamentadoscom volutas e carrancas. No capitel centraL pode ler-se a seguinte ins-crição: « Esta obra fez Pero Pexão no anno de myl e quinhêtos XXXIIII annos» "Vindo eu das Índias ao Ocidente com outros navegantes, depois de passarmos no mar grandes naufragios, viemos, com tormenta, ter a Portugal; e do mar olhamos para uma alta montanha, balisa de mare- antes, chamada serra de Cintra; e, vendo em um alto pinaculo della uma coisa, que se não podia divisar se era alli situada, se penedo alli creado, perguntamos a um português, que comnosco vinha: Que era aquillo, e elle nos disse: que era um devoto mosteiro de S. Jeronymo, chamado Nossa Senhora da Pena, que certo, ao longe, mais parecia ninho dáguia que habitação humana. E, como fomos certificados que era casa de Nossa Senhora, a saudamos do navio: e, postos de joelhos, lhe dissemos a salve, pedindo-lhe, com lágrimas, intercedesse por nós a seu bento Filho. E, pois a primeira coisa que viamos em Portugal era a sua pena, nos livrasse da nossa, merecida por nossa culpa.» Frei Heitor Pinto, Imagem da Vida Cristã2.3. Real Mosteiro de Nossa Senhora da Pena Os ecos de uma lenda antiga contam-nos que, ondcndo D. Manuel I acaçar pelo alto da serra e preocupado com novas da India, avistou docimo de um monte onde já existia uma pequena ermida dedicada a NossaSenhora da Pena, a nau de Nicolau Coelho a entrar a barra do Tejo. Epela graça concedida mandou erguer, em 1503,o Real Mosteiro de NossaSenhora da Pena, confiando-o à Ordem de S. [erónimo. Do mosteiro quinhentista, integrado hoje no Palácio Nacional daPena, restam apenas a pequena igreja e respectivos anexos, bem como oclaustro e o refeitório. 9
  10. 10. A igreja é de planta em ângulo recto e encontra-se inteiramenterevestida de azulejos, verdes e brancos na nave, e polícromos tanto nacapela-mar como no coro, o qual se prolonga para o lado da Epístola.Esses ricos azulejos de tapete seiscentista devem-se a D. Filipe lI, quemandou reparar as paredes da capela em 1619. No corpo da igreja inscre-vem-se dois altares, hoje vazios, mas que foram destinados às imagensde Nossa Senhora da Pena e de S. Jerónimo. Sob a abóbada mestra ergue-se, no altar-mar, um magnífico retábuloem alabastro e mármore negro da autoria de Nicolau Chanterene, datadode 1532. Todo o retábulo é repartido por colunas e pilastras, encimadopela representação da Sagrada Família. As restantes superfícies encer-ram, entre finas edículas, uma profusão de altos relevos e estatuetasrepresentando episódios bíblicos. Do coro passa-se à arcaria do claustro, curioso espécime gótico--manuelino, rude e forte, cujas paredes se encontram revestidas de azule-jos mudéjares do século XVI. Este claustro conduz-nos, através de um por-tal mainelado, ao que teriam sido os restantes compartimentos do edifícioquinhentista, entretanto desaparecidos e substituídos pela construçãoromântica de D. Fernando 11. «Já a vista pouco a pouco se desterra Daquelles patrios montes, que ficavam; Ficava o charo Tejo e a fresca serra De Sintra, e nella os olhos se alongavam; Ficava-nos também na amada terra O coração. que as mágoas lá deixavam; E já, depois que toda se escondeo, Não vimos mais em fim que mar e céu.» Camões, Os Lusíadas Canto V, Est. 32.4. Quinta da Penha Verde10
  11. 11. D. João de Castro, o vice-rei da Índia que empenhou as barbas parareconstruir a cidade de Diu, foi um notável militar e homem de grandeerudição. Armado cavaleiro aos dezoito ano~ em Tânger por D. Duarte deMeneses, partiu, pela primeira vez para a India, em 1536.Durante essaestada no Oriente, e paralelamente à sua actividade militar, redigiu trêscélebres Roteiros sobre a região, nos quais se revelou um perspicazinvestigador e verdadeiro homem de ciência. De volta à Pátria, em 1542, serviu como capitão-mor da armada deguarda-costas. Assim, em 13 de Agosto de 1543,D. João de Castro coman-dou uma expedição contra o pirata Barba-Roxa, que saqueava as costasmediterrânicas. Como recompensa, o cavaleiro apenas pediu a D. João IIIque lhe «fosse dado um rochedo com seis árvores» junto à Quinta daPenha Verde que possuía em Sintra, onde mais tarde construiu a capelade Santa Catarina. Em 1547, era nomeado governador da Índia, pelo que voltou à Ásiaonde deparou com uma grave crise, porquanto teve que reconquistar afortaleza de Diu, que entretanto caíra na posse dos turcos aliados ao reide Cambaia. Tomada a cidade, D. João de Castro empreendeu a suareconstrução, contando, para isso, com a ajuda dos moradores portugue-ses, e chegando inclusivamente a empenhar as próprias barbas, a fim deobter o necessário crédito junto da Câmara de Goa. Com a máxima dis-tinção pelos seus notáveis feitos, D. João III honrou-o com o título de Vice--Rei da India. Porém, D. João de Castro morreu em Goa, no ano de 1548,três semanas depois de ter recebido o cargo e, por isso, não se cumpriu adisposição testamentária, na qual pretendia ser sepultado perto daCapela de Nossa Senhora do Monte, na Penha Verde. No entanto, durante a sua conturbada vida, e enquanto permaneciano país, D. João de Castro passava grandes temporadas na bela Quintada Penha Verde, onde, num acto de profundo desprezo pelos bens tempo-rais, mandou arrancar todas as árvores de fruto, deixando a vegetaçãoselvagem crescer livremente. Aí organizou um importante centro de cultu-ra e de arte, onde estanciaram, para além do Infante D. Luís, os maioresvultos renascentistas de Portugal. D. Álvaro de Castro, filho de D. João de Castro, foi capitão-mor do marda Índia, vedor da fazenda e ilustre diplomata. Em Sintra, conservou apropriedade inculta, cumprindo assim os votos de seu pai. Posteriormente, o neto do vice-rei, D. Francisco de Castro, bispo inqui-sidor e doutor em Teologia, fez erguer na Penha Verde as capelinhas deSanta Catarina e de São João Baptista. Data também do séc. XVII a abertu-ra da Capela de São Brás, integrada na casa senhorial, bem como a cons-trução de algumas fontes e pavilhões. António Saldanha de Albuquerque Castro Ribafria veio a herdar, porvia materna, a Quinta da Penha Verde. Falecido em 1723,o seu coraçãofoi inumado defronte da capela de Nossa Senhora do Monte. «Esta é, respondeu Fanimor, a mãe de todo o esforço, que dará seus filhos para reparo do sangue de Cristo, chamada Monte da Lua, o qual nome antes de pouco tempo perderá, chamando-se Roca de Sintra, para enquanto o mundo durar; e não ficará parte nele, que o não saiba, assim como aquele que os sinais desta terra terá tão vivos, que nunca os perderá dos olhos; a qual roca é mostra do reino de Portugal, que em linhagem Sática quer dizer Todo Bem.» João de Barros. Crónica do Imperador Clarimundo 11
  12. 12. 2.5. Convento dos Capuchos Há-de o visitante pensar, naquele bucólico pedaço de serra, que nãoestá vendo um convento, mas sim um amontuado de gongóricos penedos,entalando, aqui e ali, um pouco de telhado ou uma velha parede de alve-naria. E ao penetrar no singelo Convento de Santa Cruz da Serra, vulgoCapuchos ou da Cortiça, sentirá a vera austeridade dos monges que aliprofessaram, a imensa escassez material. e, no entanto, vai desejar per-manecer ali por algum tempo, interiorizado, apenas falando consigo pró-prio e com o Absoluto. Depois, só depois. vale a pena saber que aquele cenóbio foi fundadoem 1560,por D. Alvaro de Ccstro, em cumprimento de um voto que fizeraseu pai, o grande vice-rei da India, D. João de Castro, e entregue à Ordemde São Francisco. D. Filipe I de Portugal. o maior monarca da Cristandade, já que uniuas duas coroas que dividiam entre si o mundo, terá dito quando, em 1581,visitou Sintra e, nomeadamente, o Convento dos Capuchos, que possuíaem seus reinos as duas jóias mais preciosas: o Mosteiro do Escurirrl, pormuito rico, e os Capuchos por muito pobre. Subindo uma vereda nas traseiras do convento, é possível admirar aGruta de Frei Honório. eremita que ali se isolou das coisas terrenas,durante trinta anos, segundo reza a tradição, por ter possuído tentaçõesdiabólicas ou ... simples desejos do eterno feminino. "Perto da cidade principal da Lusitânia está ua graciosa aldeia que, com igual distância, fica situada à vista do Mar Oceano, fresca no Verão, com muitos favores da natureza, e rica no Estio e no Inverno com fmitos e comodidades que ajudam a passar a vida saborosamen- te; porque, com a vizinhança dos portos de mar, por ua parte, e da outra com a comunicação de ua ribeira que enche os seus vales e outeiros de arvoredos e verduras, tem, em todos os tempos do ano, o que em diferentes lugares costuma buscar a necessidade dos homens; e, por este respeito, foi sempre o sítio escolhido para desvio da corte e voluntário desterro do tráfego dela, dos cortesãos que ali tinham quin- tas, amigos ou heranças que costumam ser velhacouto dos excessivos gastos da cidade.» Francisco Rodrigues Lobo, Corte na Aldeia2.6. Peninha12
  13. 13. A 13 quilómetros de distância da sede de concelho, a Peninha coroaum dos últimos montes da Serra de Sintra a Ocidente, sobranceiro aocabo da Roca. Aqui se pode disfrutar de um dilatado panorama paisagís-tico, a uma altura de 486 metros. Visita obrigatória merece a Capela de Nossa Senhora da Conceição,fundada em finais de seiscentos por Frei Pedra da Conceição, que com-porta um aprimorado conjunto de mármores e azulejos do início do sé-culo XVIII. Na ilharga da Capela ergue-se o palacete romântico-revivalistamandado construir pelo rico capitalista António Augusto CarvalhoMonteiro, no ano recente de 1918, mas que beneficia do contexto ambien-cicl, integrando-se perfeitamente na ancestralidade do conjunto. «Foi Estella por elle alli roubada: Hymeneo, que lha déra por esposa, Assiste sem cothurnos, e apagada A tacha dantes clara, e luminosa: De Cynthia tomou Cintra celebrada O nome, que em rochedos he famosa, Gorgoris nasce, e como a idade chega, Perseo se parte, e o Reino ao filho entrega.» Gabriel Pereira de Castro, Ulisseia2.7. Palácio Nacional de Queluz Edificado a partir de um antigo palácio rural dos Marqueses deCastelo Rodrigo, o Palácio Nacional de Queluz é hoje um magnífico exem-plo da residência real de veraneio, dentro da gramática arquitectónica doséculo XVIII. Iniciado em 1747pelo Infante D. Pedro, futuro D. Pedro III, foicompletado após o casamento deste príncipe com D. Maria Francisca,depois D. Maria I (1760). De formas baixas e serpenteadas, decoração harmoniosa e intimista,contendo no interior nobres e opulentos salões, o palácio apresenta-serodeado de ricos jardins salpicados de fontenários barrocos, de estátuas erecantos propícios ao folguedo. Várias vezes comparado ao palácio de Versailles, difere do conjuntode Luís XIVno sentido de escala e de proporções que a sua traça revela,com uma distribuição de valores gráficos mais equilibrada, dentro de umneoclassicismo ainda muito apegado ao formulário rococó. Nota-se ape-nas semelhança com o palácio francês no chamado «Pavilhão Hobillion».onde interveio o grande mestre Jean Baptiste Robillion. Tudo o resto ébem português, nas escalas e no próprio espírito artístico. 13

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