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Intercom2011 paper silene

  1. 1. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011 Educomunicação e Políticas Públicas: construindo um modelo de avaliação em espaços de educação formal1 Silene de Araujo Gomes LOURENÇO2 Universidade de São Paulo, São Paulo, SPRESUMOO presente artigo tem por objetivo apresentar um modelo de avaliação para ações e projetoseducomunicativos em espaços de educação formal, resultado de um trabalho de assessoria aoPrograma Nas Ondas do Rádio – nome atual da política pública de Educomunicação da cidadede São Paulo (SMESP), cuja origem foi o Projeto Educom. Rádio (2001-2004). A partir dasespecificidades das áreas de intervenção da Educomunicação e dos princípios que norteiamuma ação educomunicativa, chegamos a um modelo de avaliação que permitiria avaliar osprojetos educomunicativos em suas várias dimensões. Embora necessite de aperfeiçoamento,acreditamos que seja uma ferramenta importante para a consolidação e qualificação depráticas educomunicativas nas escolas.PALAVRAS-CHAVE: Educomunicação; ensino formal; avaliação de resultados. Introdução A avaliação processual e participativa é um princípio da Educomunicação e, empequenos espaços de educação não-formal, o exercício de auto-avaliação em grupo, a partir deproduções midiáticas, tem ajudado os indivíduos a construírem noções de democracia e aexercitarem o direito à liberdade de expressão. No entanto, o reconhecimento da Educomunicação, por meio de políticas públicas, e suainserção nos espaços de educação formal, apontam novos desafios para os pesquisadorescomprometidos com o campo. Um desses desafios seria pensar em formas deacompanhamento e em instrumentos de avaliação com o objetivo de garantir a coerênciaepistemológica para consolidar e legitimar práticas e projetos educomunicativos nas escolasda rede pública de ensino.1 Trabalho apresentado no I Colóquio de Professores, Pesquisadores e Estudantes de Comunicação, painel intitulado“Educomunicação na Sociedade Civil e nas Políticas Públicas”, durante o XXXIV Congresso Brasileiro de Ciênciasda Comunicação, Sessão das Atividades Paralelas das Sociedades Científicas.2 Doutoranda em Ciências da Comunicação da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(ECA/USP), email: silene.lourenco@gmail.com 1
  2. 2. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011 Por outro lado, no âmbito da educação formal, impõe-se a necessidade de ampliação esistematização dos processos avaliativos, bem como a formulação de instrumentos deacompanhamento e avaliação por, ao menos, três razões: 1) as escolas, ao fazerem suasopções pedagógicas, são cobradas pelo poder público e pela sociedade em geral, porresultados, isto é, por dados comprobatórios em relação ao desenvolvimento social, emocionale cognitivo dos alunos; 2) ao se transformar em política pública, a Educomunicação passa aser financiada por meio de projetos e programas de governo, o que exige acompanhamento eavaliação dos investimentos do dinheiro público; 3) as autoridades responsáveis pelamanutenção das políticas públicas não estão diretamente envolvidas com as práticaseducomunicativas nas escolas e com os momentos de avaliação em grupo, mas precisamacompanhar esses processos e, para tanto, valem-se de relatórios e de instrumentos deavaliação que permitam, ao menos em parte, quantificar esses resultados. Como parte da equipe de assessoria do Programa Nas Ondas do Rádio da SecretariaMunicipal de Educação de São Paulo (SMESP), cuja origem foi o Projeto Educom. Rádio(2001-2004), temos trabalhado na elaboração e proposição de um modelo de avaliação queatenda, ao mesmo tempo, as necessidades da rede e os princípios da Educomunicação. Nasequência, explicaremos como o modelo foi concebido desde as áreas de intervenção eprincípios educomunicativos apontados por Ismar de Oliveira Soares a partir da pesquisarealizada pelo Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicação e Artes daUniversidade de São Paulo (NCE-ECA-USP). As áreas de intervenção da Educomunicação e suas interações Desde a conclusão do trabalho de pesquisa realizada pelo NCE-ECA-USP entre os anosde 1997 e 1999, Soares tem definido a Educomunicação como um novo campo de intervenção social, identificando-o com o conjunto das ações voltadas ao planejamento e implementação de práticas destinadas a criar e desenvolver ecossistemas comunicativos abertos e criativos em espaços educativos, garantindo, desta forma, crescentes possibilidades de expressão a todos os membros das comunidades educativas (SOARES, 2003 apud SOARES, 2010, p.36). Estamos falando, portanto, de formas de intervenção variadas que visam melhorar aqualidade das ações comunicativas em espaços educativos através do exercício do direito àliberdade de expressão, valendo-se, inclusive, das tecnologias da informação e dacomunicação. 2
  3. 3. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011 Essas formas – ou áreas de intervenção – se expressam, segundo Soares, em exercíciosde leitura crítica dos meios, em produções coletivas midiáticas, em práticas democráticas degestão dos recursos da informação e da comunicação, em manifestações artísticas da liberdadede expressão e da cidadania e, também, por meio da reflexão epistemológica, voltada para alegitimação do próprio campo. Trata-se de um leque de ações que, embora possuam suasespecificidades, não acontecem isoladamente, mas, no mínimo, convergem em seus objetivos. O exercício de leitura crítica dos meios, por exemplo, não se restringe mais e apenas àanálise de produtos como peças publicitárias, manchetes e artigos de jornais, histórias emquadrinhos, telenovelas etc., com o objetivo de desvendar conteúdos ideológicos por traz deseus discursos. Entende-se hoje que o processo de produção midiática – jornal, vídeo,programa de rádio, fanzine e outros – é, também, um caminho importante a ser percorridopara a compreensão de como se dá a produção de sentidos através das diferentes linguagens.Nesse sentido, os exercícios de produção midiática em ambientes educativos têm porfinalidade a apropriação crítica das novas tecnologias e de suas linguagens, e oempoderamento dos sujeitos por meio do protagonismo de crianças e jovens. Esses exercícios, por sua vez, demandam uma gestão democrática de recursos, deprocessos e, também, de produtos que resultam desses mesmos processos. Em outras palavras,uma gestão do tipo participativa que, guiada pelo diálogo, faça prevalecer os interessescoletivos em detrimento dos interesses individuais, que garanta o acesso de todos aos recursosda informação, e que tenha por compromisso promover a difusão do conhecimento. O entendimento da natureza convergente dessas ações é, pois, fundamental para aavaliação de práticas educomunicativas no espaço escolar, que estão se concretizando pormeio da Pedagogia de Projetos, metodologia de ensino-aprendizagem que parte dos conhecimentos dos alunos e de suas experiências cotidianas para abordagem dos conteúdos acadêmicos. Essa abordagem, no entanto, deve partir de uma situação-problema vivida ou percebida e para a qual se busca entendimento e solução. Dessa forma, surge a concepção de projeto, isto é, um conjunto de ações planejadas e coordenadas para atingir determinado fim. Essas ações são baseadas no diálogo entre as experiências empíricas dos alunos e os conteúdos acadêmicos. (LOURENÇO et.al., 2011) As práticas educomunicativas concretizam-se por meio de projetos por serem ações deintervenção que visam promover o diálogo e a humanização das relações em espaçoseducativos, interferindo nas relações de poder para construir, em médio e longo prazo,ecossistemas comunicativos mais abertos e democráticos. São ações, portanto, planejadas apartir de objetivos claros, que exigem tempo de amadurecimento para obtenção de resultados.Coerentemente, a avaliação dessas ações deve ser processual e participativa. 3
  4. 4. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011 Para elaborar um instrumento de avaliação partimos, então, das características geraisque, em conjunto, definem um projeto educomunicativo no espaço escolar: educação para acomunicação, comunicação para a educação, estímulo ao protagonismo juvenil, exercício dodireito à liberdade de expressão e a gestão democrática dos recursos da informação e doconhecimento. Essas características foram detalhadas e traduzidas em objetivos para, depois,se transformarem em indicadores de resultados. Educação para a comunicação ou Leitura crítica dos meios O fato de a mídia exercer hoje um papel preponderante em nossa sociedade,relativamente às instituições mais tradicionais como a família, a Igreja e a escola, e constituir-se como a principal instância mediadora da relação que os homens estabelecem entre si e como mundo é, sem dúvida, um dos maiores desafios para a Educação. A nossa concepção demundo, a maneira como encaramos a vida, a forma como nos relacionamos, aquilo em queacreditamos, enfim, os sentidos e significados que atribuímos à realidade em nossa volta,passam de alguma forma, pela mídia. Para Maria da Graça Setton, refletir sobre as mídias a partir do ponto de vista da educação é admiti-las enquanto produtoras de cultura. É também admitir que a cultura das mídias, suas técnicas e conteúdos veiculados pelos programas de TV, pelas músicas que tocam no rádio, ou mensagens da internet, nas suas mais variadas formas, ajudam-nos, juntamente com valores produzidos e reconhecidos pela família, pela escola e pelo trabalho, a nos constituir enquanto sujeitos, indivíduos e cidadãos, com personalidade, vontade e subjetividade distintas. (2010, p. 13) A cultura midiática, como qualquer cultura, está diretamente ligada ao contexto sócio-histórico em que se criou e a partir do qual deve ser compreendida. Estamos falando, portanto,de uma cultura que se desenvolve no seio da sociedade capitalista moderna, movida pelacompetição e pela luta em defesa dos interesses individuais, marcada por profundas diferençassociais e por relações de poder conflitantes. Nesse contexto, não podemos negar o caráterideológico da mídia que, em poder de poucos, tende a reforçar as crenças e valores daquelesque a detém como se fossem as crenças e os valores de toda a sociedade. Os produtos (televisivos) colocados ao alcance da população são, portanto, alguns recortes do processo histórico, para que ela os leia como se constituíssem o processo histórico todo. Trata-se de um processo metonímico – a parte pelo todo –, o qual nos oferece pronta a edição do mundo, como a única realidade à qual temos acesso. É a partir dos meios de comunicação que o mundo passa a ter sentido. O mundo todo é aquele: o editado para nós. (BACCEGA, 2007, p.31) 4
  5. 5. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011 Uma educação comprometida com o seu tempo e que tenha por objetivo libertar o serhumano da sujeição e elevá-lo à condição de sujeito de sua própria história, deve, então,promover o conhecimento dos processos técnicos e simbólicos através dos quais construímossocialmente nosso sistema de crenças e valores no mundo contemporâneo. Em outraspalavras, a educação deve estimular a capacidade de análise crítica dos meios e de suasmensagens. A leitura crítica dos meios, nesse sentido, pressupõe a análise dos discursos e doscomportamentos dos personagens de novelas, filmes, histórias em quadrinhos e peçaspublicitárias, dentro do contexto histórico e social em que são criados, com o propósito dedesvendar as contradições ali presentes; da mesma forma, pressupõe o entendimento dosprocessos de captação, tratamento e edição de sons e imagens que possibilitam, cada vezmais, a manipulação da realidade; pressupõe, também, decifrar a intencionalidade dasescolhas por trás da diagramação das capas de revistas e jornais que criam hierarquias entre ostemas abordados; pressupõe, ainda, o entendimento do processo de produção de fatosnoticiosos a partir da relação, nem sempre neutra, que as agências de notícia estabelecem comas suas fontes informação etc. Outro aspecto a se considerar é a imensa quantidade de informações que diariamentesão produzidas e veiculadas em diferentes canais com o risco de saturação de quem asconsome e de banalização do próprio conhecimento. Nesse sentido, seria objetivo daEducação para a comunicação, além do desenvolvimento da capacidade de análise crítica,desenvolver competências para o estabelecimento de critérios de escolha e seleção dasinformações. Uma vez esclarecidos os objetivos de uma intervenção educomunicativa na escola, ouprojeto educomunicativo, a partir do viés Educação para a Comunicação, propomos algunsquestionamentos que permitiriam saber em que medida esses objetivos estão sendoalcançados: o projeto tem contribuído para que os educandos desenvolvam a capacidade deanalisar criticamente as mensagens midiáticas, enxergando além do óbvio e superando o sensocomum? Tem ajudado a desenvolver critérios para análise da própria comunicação e dacomunicação de terceiros? Tem contribuído para que os educandos criem mecanismos deseleção frente ao universo de informações disponíveis? O exercício de análise das mensagensmidiáticas tem possibilitado criar uma interação mais crítica e criativa com os meios? Essas são algumas perguntas que permitiriam chegar a indicadores parciais deresultados, já que a Educomunicação não se limita à leitura crítica dos meios. 5
  6. 6. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011 Comunicação para a Educação ou Mediação tecnológica na Educação A incorporação das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) aos processos deensino-aprendizagem tornou-se um imperativo. Não apenas em função de um mercado detrabalho cada vez mais competitivo e exigente, mas também em virtude das expectativas decrianças e jovens que não podem mais ser atendidas pela tríade professor-giz-lousa. O primeiro contato com essas tecnologias ocorre cada vez mais cedo, antes mesmo dacriança chegar à escola. A familiaridade e a desenvoltura com que as crianças e osadolescentes se apropriam das ferramentas da comunicação e da informação sãotestemunhadas por pais, educadores e especialistas. Cada vez mais acessíveis, as TIC estão criando espaços autônomos de socialização e deinteração com o conhecimento, estão mudando a forma como o ser humano percebe e serelaciona com o tempo e o espaço e ampliando as possibilidades de lazer e de entretenimento.Nesse sentido, uma criança que cresce em contato com as novas tecnologias, dificilmenteconseguirá se adaptar a uma estrutura de ensino tradicional, centrada na figura do professor evoltada para a transmissão de conteúdos pré-estabelecidos. A escola e o professor precisam seadaptar ao novo perfil dos alunos, descobrindo o potencial pedagógico das novas tecnologiaspara inseri-las no contexto educativo. No entanto, a comunicação para a educação não deve ser reduzida ao uso das TIC naescola tendo em vista apenas a motivação dos alunos e a preparação dos jovens para omercado de trabalho. Uma escola comprometida com a emancipação dos sujeitos e com atransformação social deve usar o potencial da comunicação para desenvolver a capacidade deexpressão de indivíduos e grupos no exercício da democracia, promovendo o diálogo, odireito à liberdade e a cidadania. A relação dos educandos com as novas tecnologias, portanto, deve ir além da análisecrítica dos processos de produção e produtos da mídia. Hoje, a apropriação crítica das novastecnologias passa pela apropriação de procedimentos e técnicas de produção, com o objetivode se criar formas originais de comunicação e de disseminação do conhecimento. Passatambém pela opção por processos colaborativos de aprendizagem e pela defesa dos interessescoletivos em detrimento dos interesses particulares, tendo em vista uma sociedade menoscompetitiva e mais solidária. Vídeos, podcasts, blogs e jornais de autoria coletiva são alguns exemplos de recursosusados em espaços educativos para o desenvolvimento da capacidade de expressão e exercícioda democracia. Nesse sentido, os educadores precisam estar atentos às possibilidades criadas 6
  7. 7. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011pela Web 2.03, conceito que expressa a ideia de trocas intensas em ambientes virtuais para aconstrução compartilhada de novos conhecimentos, a partir dos interesses, necessidades edesejos comuns. Assim, um projeto educomunicativo também poderia ser avaliado a partir do viésComunicação para a Educação – ou Mediação Tecnológica em Educação. Através dequestionamentos embasados em seus objetivos, chegamos a outros indicadores de resultados:o projeto tem possibilitado a experimentação de múltiplos usos das tecnologias dacomunicação na educação? Tem incentivado o acesso às tecnologias como recursos deexpressão, indicando melhorias na comunicação dentro da escola? Tem estimulado aprodução midiática de forma colaborativa? Tem estimulado a produção e divulgação deprogramas midiáticos de caráter educativo? Direito à liberdade de expressão Embora seja um direito constitucional, a liberdade de expressão, isto é, a liberdade paramanifestação de ideias e opiniões, não é algo dado no espaço escolar, mas permanentementenegociada. Considerando a herança histórica de uma educação marcada pelo autoritarismo epor relações de poder assimétricas, essa negociação tende a se dar sob fortes tensões econflitos. Cerceada, muitas vezes, em nome de uma “boa educação e dos bons costumes”, aliberdade de expressão entre crianças e jovens ainda é vista como uma ameaça no âmbitoescolar. A construção de uma sociedade democrática, no entanto, passa pelo exercício dessedireito, uma vez que a vontade da maioria só pode ser conhecida e respeitada mediante amanifestação dos indivíduos que compõem a sociedade. A elaboração de pensamentos eopiniões próprias, por outro lado, se dá no processo de socialização, na relação queestabelecemos com o outro e na troca de conhecimentos e experiências, ou seja, no livredebate de ideias e na livre manifestação do pensamento.3 Web 2.0 é um termo criado em 2004 pela empresa americana OReilly Media para designar uma segundageração de comunidades e serviços, tendo como conceito a "Web como plataforma", envolvendo wikis,aplicativos baseados em folksonomia, redes sociais e Tecnologia da Informação. Embora o termo tenha umaconotação de uma nova versão para a Web, ele não se refere à atualização nas suas especificações técnicas, masa uma mudança na forma como ela é encarada por usuários e desenvolvedores, ou seja, o ambiente de interação eparticipação que hoje engloba inúmeras linguagens e motivações. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0.Acesso em: 12 Jul 2011.) 7
  8. 8. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011 Em outras palavras, o desenvolvimento da capacidade de expressão e a conquista daautonomia passam pelo exercício da liberdade, que deve ser entendido também comoexercício pedagógico, uma vez que possibilita a prática da cidadania e a vivência dademocracia. Através do exercício da liberdade de expressão, crianças e jovens aprendem queas palavras têm peso, que as escolhas e decisões acarretam consequências, que o direito àpalavra implica em direito de resposta. É preciso salientar que, nesse caso, o aprendizado se dá, muitas vezes, pelo erro,considerando a pouca experiência que ainda temos em democracia e a impulsividade própriada juventude. Palavras ofensivas, conflitos oriundos da divergência de ideias, manifestação depreconceitos, são alguns problemas a serem enfrentados pelas escolas. No entanto, não sãojustificativas para o cerceamento da liberdade. Com a mediação dos educadores, crianças ejovens podem desenvolver o senso de responsabilidade vivenciando as consequências de seuserros, como, por exemplo, a crítica dos próprios colegas. O exercício do direito à liberdadede expressão, portanto, deve promover a consciência de que somos responsáveis pelas ideias eopiniões que emitidos e defendemos. Em outras palavras, o exercício da liberdade na escoladeve ter como meta a liberdade responsável de expressão, condição para que a escola sejahumanizada. Dessa forma, um projeto educomunicativo também poderia ser avaliado a partir de seusprincípios, em particular, o direito à liberdade de expressão. Nesse sentido, os seguintesquestionamentos seriam necessários: o projeto tem estimulado a capacidade de expressãoverbal (oral e escrita) e não-verbal (o sorriso, por exemplo) dos membros da comunidadeescolar e a criação de ecossistemas comunicativos abertos e francos? Tem promovido odiálogo e o livre debate de ideias e opiniões? Tem promovido o respeito às diferenças (degêneros, crenças, étnicas) e aceitação dos gostos pessoais? Tem possibilitado mudanças depercepção dos educadores em relação à criança, ao jovem e à comunidade e vice-versa? Protagonismo infanto-juvenil Protagonismo juvenil, segundo Costa e Vieira, é a participação do adolescente em atividades que extrapolam o âmbito de seus interesses individuais e familiares e que podem ter como espaço a escola, a vida comunitária (igrejas, clubes, associações) e até mesmo a sociedade em sentido mais amplo, através de campanhas, movimentos e outras formas de mobilização que transcendem os limites de seu entorno sócio-comunitário. (2006, p.176) 8
  9. 9. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011 Sendo assim, o estímulo ao protagonismo juvenil está diretamente ligado à construçãodemocrática da vida em sociedade. Uma sociedade democrática, por sua vez, demandacidadãos participativos, dispostos a discutir os problemas da comunidade e da Nação a qualpertencem, propondo soluções originais e participando das decisões juntamente com os seuspares, de forma direta ou através do voto. Iniciativa, autonomia e criatividade são, portanto,essenciais para a democracia e poderão ser estimuladas desde a infância. Daí optarmos pelaexpressão protagonismo infanto-juvenil e não apenas protagonismo juvenil. As novas tecnologias da informação e da comunicação, quando usadas sob a perspectivada Educomunicação, podem estimular o protagonismo de crianças e adolescentes porquecriam novas possibilidades de participação social e estimulam a autonomia no processo deconstrução do conhecimento. Na produção de vídeos, jornais, blogs, programas de rádio etc.,crianças e adolescentes experimentam diferentes papéis e tomadas de decisão, aprendem aconstruir argumentos e a defender suas próprias ideias, percebem que fazem parte de umgrupo social e descobrem o poder da negociação. Os processos de produção midiática são,nesse sentido, experiências de cidadania. Assim, um projeto educomunicativo na escola poderia ser avaliado pela sua capacidadede estimular o protagonismo infanto-juvenil. Nessa direção, propomos os seguintesquestionamentos: o projeto tem contribuído para o surgimento de lideranças democráticas?Tem estimulado a criatividade e a autonomia de crianças e adolescentes? Tem promovido aparticipação e a iniciativa na comunidade escolar? Tem estimulado o surgimento de novosprojetos? Gestão democrática dos recursos da informação e do conhecimento A criação de políticas públicas de Educomunicação tem permitido o financiamento deprojetos com o objetivo de ampliar o potencial comunicativo da comunidade educativa. Essesprojetos demandam recursos humanos e tecnológicos. Assim sendo, as tecnologias dainformação e da comunicação devem ser apropriadas coletivamente, garantindo a todos oacesso à informação e o direito de expressão, além do domínio dos processos de produçãomidiática. Os produtos obtidos a partir dos exercícios coletivos de produção midiática, por sua vez,devem ser encarados como formas de socialização do conhecimento produzido na escola.Nesse sentido, devem se estender a toda comunidade. 9
  10. 10. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011 Trata-se da organização do trabalho coletivo e da articulação entre poder público, escolae comunidade, tendo em vista a produção e a difusão do conhecimento. Tudo isso requerestratégias de gestão. É sabido que a Educomunicação nasce no contexto de luta pela democracia e a elaserve. Assim, espera-se que a gestão dos processos e dos recursos necessários à suaimplementação seja do tipo participativa. Isso implica no envolvimento direto ou indireto deeducadores, educandos e membros da comunidade nas etapas de planejamento, execução eavaliação do processo. A avaliação de um projeto educomunicativo com foco na gestão da informação e dacomunicação, portanto, apontaria novos indicadores de resultados que junto aos demaispermitiriam analisar uma intervenção educomunicativa em suas várias dimensões. Nessadireção, seriam pertinentes questionamentos como: o projeto tem permitido a apropriaçãodemocrática dos recursos da informação e da comunicação? Tem estimulado o trabalhocolaborativo e o envolvimento de educadores, educandos e membros da comunidade? Tempossibilitado a criação de canais de comunicação e expressão para o exercício da cidadania?Tem reforçado a opção pelo diálogo como forma de superação dos conflitos? Uma vez elencadas as perguntas, coube a nós pensar em tipos de respostas queefetivamente permitiriam criar critérios de avaliação para projetos educomunicativosdesenvolvidos em escolas. Achamos que seria melhor partir de respostas objetivas – sim/ não/em parte – considerando, principalmente, o fato das escolas públicas trabalharem comeducação de massa. A seguir, incluímos um espaço no qual as respostas pudessem serjustificadas por meio de dados qualitativos e, quando possível, quantitativos, com apossibilidade de ampliação e aprofundamento das respostas iniciais. Por fim, criamos umlugar para descrição de ações futuras, estimuladas inclusive pelo exercício de avaliação. Uma cópia reduzida do modelo resultante desse processo encontra-se no apêndice. Algumas considerações antes da conclusão A avaliação de intervenções educomunicativas por meio de projetos se dá no processo enão com base no produto. A avaliação é, assim, contínua e permanente. A elaboração de uminstrumento avaliativo e seu uso periódico (avaliação bimestral/ semestral/anual) será útil paraa melhoria do processo. 10
  11. 11. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011 Na educomunicação priorizamos a avaliação participativa. Portanto, recomendamos queo instrumento seja respondido coletivamente. Isso ajudará o grupo a enxergar todo o processo.Quando isso não for possível, o instrumento poderá adaptado e usado para auto-avaliação. Ex:Tenho melhorado minha capacidade de expressão, isto é, estou me comunicando melhordentro e fora da escola? Tenho participado mais das atividades coletivas e tomado iniciativasdentro dos grupos? As respostas, no entanto, deverão ser analisadas posteriormente peloprofessor responsável pela gestão do projeto. Embora tenhamos nos esforçado para levantar todos os indicadores de resultado, nossameta está longe de ser alcançada e não temos a certeza de que isso um dia será possível. Noentanto, a aplicação do instrumento em diferentes momentos e espaços de ensino formal,permitirá o seu aperfeiçoamento, sobretudo se pudermos contar com as contribuiçõesdaqueles que façam uso do mesmo. Conclusão A partir das especificidades das áreas de intervenção da Educomunicação – e dainteração entre elas –, e dos princípios que norteiam uma ação educomunicativa, chegamos aum modelo de avaliação que permitiria analisar os projetos educomunicativos em suasmúltiplas dimensões. No entanto, não se trata de um modelo pronto, acabado. Requeraperfeiçoamento e adaptações em situações particulares, como, por exemplo, projetoseducomunicativos desenvolvidos no âmbito da educação especial ou no âmbito da educaçãoprofissionalizante. Não obstante, acreditamos que seja um instrumento importante para a consolidação equalificação de práticas educomunicativas nas escolas, uma vez que permitiria justificarinvestimentos na implementação e continuidade dessas ações. Mas não só isso. Uminstrumento adequado de avaliação, usado de forma correta e sistemática, contribui para aorganização do grupo, permite que cada um se perceba enquanto sujeito e parte do coletivo,faz enxergar avanços e retrocessos, estimula o diálogo e a reflexão em torno dos valoresconstruídos socialmente, possibilita a construção de novos conhecimentos, ajuda a promoveroutras iniciativas etc. Dessa forma, um instrumento de avaliação de ações e projetos educomunicativoscumpriria muito mais do que uma função técnica. Ele seria parte importante do exercício dacidadania e do próprio processo de construção da democracia na escola, além de permitir areflexão e vigilância epistemológica em torno do conceito de Educomunicação. 11
  12. 12. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011Referências bibliográficasBACCEGA, M.. Discurso da comunicação: encontro entre ficção e realidade. Comunicação & Educação, v. 12, n. 3, 2010.COSTA, Antonio Carlos G. da; VIEIRA, Maria Adenil. Protagonismo juvenil: adolescência, educação e participação democrática. 2ª ed. São Paulo: FTD/Fundação Odebrecht, 2006.LOURENÇO et al. Da prática à reflexão: a formação de gestores de projetos educomunicativos nas escolas da rede municipal de São Paulo. In: CONFIBERCOM, agosto de 2011, Escola de Comunicações e Artes da USP, São Paulo. Trabalho apresentado ao GT de Educomunicação.SETTON, Maria da Graça. Mídia e Educação. São Paulo: Ed. Contexto, 2010.SOARES, Ismar de O. Educomunicação - o conceito, o profissional, a aplicação: contribuições para a reforma do Ensino Médio. São Paulo: Paulinas, 2011. 12
  13. 13. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011APÊNDICE 13

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