PROCESSO EMPREENDEDOR: UMA ABORDAGEM MULTIDIMENSIONAL PARA ANÁLISE DA SOBREVIVÊNCIA DAS EMPRESAS.

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PROCESSO EMPREENDEDOR: UMA ABORDAGEM MULTIDIMENSIONAL PARA ANÁLISE DA SOBREVIVÊNCIA DAS EMPRESAS.

  1. 1. Área temática: Empreendedorismo e Governança corporativaCódigo: EGCPROCESSO EMPREENDEDOR: UMA ABORDAGEM MULTIDIMENSIONAL PARAANÁLISE DA SOBREVIVÊNCIA DAS EMPRESAS. 1
  2. 2. Resumo: Esta pesquisa teve por objetivo através de uma abordagemmultidimensional - a dimensão do indivíduo, do ambiente e do tipo de organizaçãocriada – compreender os aspectos relativos as condições de sobrevivência dasempresas de prestação de serviços industriais dentro do parque cimenteiro da regiãode Pedro Leopoldo. A partir do modelo conceitual proposto por Gartner (1985) eBygrave (1997) que dão contorno ao processo empreendedor e por meio de umapesquisa qualitativa, estudamos dezesseis empresas de serviços em manutençãoelétrica e mecânica que se desenvolveram na região de Pedro Leopoldo.Procuramos compreender, a partir das três dimensões, os aspectos ligados a buscapelo desenvolvimento e sobrevivência - com vistas e identificar as variáveis quemarcaram o processo empreendedor e seu alinhamento com a literatura deempreendedorismo. Das principais constatações, podemos destacar a influência dasrelações pessoais no desenvolvimento do processo empreendedor, a diferenciaçãoentre evento e processo empreendedor via inclusão da etapa de sobrevivência.Palavras-chave: dimensão individual, dimensão ambiental, dimensãoorganizacional, evento empreendedor, processo empreendedor. 2
  3. 3. 1 Introdução Neste trabalho, analisamos o processo empreendedor notadamente a etapaligada à sobrevivência das empresas prestadoras de serviços no parque cimenteirode Pedro Leopoldo1, Minas Gerais, ocorrido, principalmente, na década de 90 doséculo XX. O parque cimenteiro de Pedro Leopoldo é formado por empresas demédio e de grande porte na produção de cimento e cal, destacando-se as empresas:grupo Holcim de cimento, grupo Lafarge de cimento, Camargo Correa cimentos,cimento Liz, Mineração Belocal, Indústria de calcinação Ical e Mineração LapaVermelha. Analisar o processo empreendedor das empresas prestadoras de serviços doparque cimenteiro foi decorrente da observação de que, a partir do final da décadade 80, as grandes empresas da região iniciaram um movimento de reestruturaçãoprodutiva e organizacional, o que gerou um redimensionamento da sua estruturafísica, de recursos humanos e, principalmente, de sua forma de operação. Conforme divulgado na literatura (Souza, 1995; Ferraz, Kupfer eHaguenauer, 1997; Almeida, 2002), esse movimento, cuja tônica está naconcentração de esforços para aprimorar os principais negócios das empresas, eneles se especializar, se constituiu em um elemento importante para favorecer eestimular o surgimento de empresas que suprissem as atividades terceirizáveis oudescartadas pelas grandes corporações. O segundo aspecto que estimulou o desenvolvimento desta pesquisa foi ocontato com artigos e resultados de investigação que assinalavam a complexidadedo processo empreendedor(Gartner, 1985; Reynolds, 1991; Aldrich e Martinez,1999; Anderson, 2000; Christensen, Ulhoi e Madsen, 2002, Lichtenstein, Dooley,Lumpkin, 2006; Lichtennstein, Carter, Dooley, Gartner, 2007). Nesse sentido,utilizamos, principalmente, o modelo desenvolvido por Gartner (1985) que defendeque o processo de criação de uma empresa decorre da conjugação de elementosrelacionados à dimensão individual, organizacional e ambiental. De maneira geral, omodelo de Gartner (1985) compila as variáveis de cada dimensão em uma molduraque possa servir de referência para a análise de um processo empreendedor. Ocontato com essa literatura nos estimulou a desenvolver um trabalho que buscassecompreender os aspectos que caracterizaram os esforços para a sobrevivênciadesses pequenos empreendimentos que se formaram ao longo da década de 90entorno do parque cimenteiro de Pedro Leopoldo. Para além desta introdução, esteartigo discute, no próximo item, a fundamentação teórica que embasou a análise dosdados. No item 3 apresentamos a metodologia utilizada para elaboração do trabalho.Na parte 4 a descrição e a análise dos dados são detalhados e, por fim, no item 5apresentamos as principais conclusões e as considerações finais da pesquisa.1 Estamos nesta pesquisa denominando a região de Pedro Leopoldo como composta pelas cidades de PedroLeopoldo, Matozinhos, Vespasiano, São José da Lapa e Confins. 3
  4. 4. 2 Revisão Teórica2.1 A compreensão do processo empreendedor e as implicações para asobrevivência das empresas. Muitas pesquisas que tem abordado o processo empreendedor, destacam ocaráter multidimensional para a criação e desenvolvimento de novas empresas. Navisão de Van de Ven, Roger e Shoroeder, (1984), Gartner (1985) e Gartner (1988),muitas pesquisas anteriores examinaram apenas uma dimensão em suas análises, ado empreendedor, não considerando a dimensão organizacional e ambiental. Como processo, o empreendedorismo é descrito por vários autores (SHAPERO eSokol, 1982; Gartner, 1985; Lumpkin e Dess, 1996; Aldrich e Martinez, 1999) comoum fenômeno complexo e multifacetado, conforme já destacado anteriormente.Gartner (1985) analisa as características do processo empreendedor considerandoque a criação de novas organizações é evento multidimensional e multifacetadoonde cada variável descreve apenas uma simples dimensão do evento e não podeser tomada sozinha. Para nos ajudar a melhor compreender o processo empreendedor, apresentamosum quadro conceitual (Figura 1) extraída do estudo de Gartner (1985) e queconsidera as três dimensões na formação do processo empreendedor. Naargumentação de Gartner (1985), para melhor explicar a variação e a complexidadena criação e desenvolvimento de novas empresas, torna-se necessário construir ummodelo para caracterizar esse fenômeno. Gartner (1985) destaca três dimensões– indivíduo, ambiente, organização paraformação do processo empreendedor – sugerindo que devemos estabelecercomparações buscando encontrar similaridades e diferenças que permitam predizero comportamento empreendedor, possibilitando estabelecer de forma consistentedentro da literatura, regras gerais e uma teoria sobre a criação e desenvolvimento denovas organizações. Os estudos que foram desenvolvidos para explicar o papel e a importância doindivíduo no processo empreendedor, são sob alguns aspectos contraditórios evistos por pesquisadores com certa descrença (Mitchell, 2003). Van de Ven, Roger eSchroeder (1984) observam que, infelizmente, muitos estudos para distinguir ostraços de personalidades e diferenciar comportamento de empreendedores de nãoempreendedores têm sido inconclusivos. Na perspectiva de Mitchell (2003), aspesquisas realizadas no passado sobre os elementos individuais e sociaisencontraram suporte no que diz respeito à idade, imigração, religião eaprendizagem social. Em outras palavras, tem havido contradição nos resultados depesquisas que analisam o papel da necessidade de realização, do controle dopróprio destino e da propensão a assumir riscos. Gartner (1985) apresenta as três primeiras variáveis – necessidade derealização, controle do próprio destino, propensão a tolerar riscos - como sendocaracterísticas psicológicas e satisfação no trabalho, experiências prévias detrabalho, pais empreendedores, idade e nível educacional – também compondo adimensão individual do modelo - como sendo características ligadas ao backgrounde experiência de vida do indivíduo. 4
  5. 5. A dimensão do individuo  Necessidade de realização  Controle do próprio destino  Propensão a tolerar riscos  Satisfação no trabalho  Experiências prévias de trabalho  Pais empreendedores  Idade  EducaçãoA dimensão do ambiente Disponibilidade de capital de risco Presença de empreendedores experientes Habilidade técnica de força de trabalho A dimensão da organização Acesso a fornecedores  Liderança em custos Acesso a clientes ou novos mercados  Diferenciação Influências de políticas governamentais  Foco Proximidades a universidades  Novo produto ou serviço Disponibilidade de terra e facilidades  Competição paralela Acesso a transportes  Entrada por franchise Atitudes da área populacional  Transferência geográfica Disponibilidade de serviços de suporte  Escassez de fornecedor Condições de vida  Exploração de recursos Alta ocupação e diferenciação industrial inutilizados Alta percentagem de recentes imigrantes  Contrato de clientes Existência de Grande indústria de base  Sendo um segundo Existência de barreiras de entrada fornecedor Grandes áreas urbanas  Licenciamento Disponibilidade de recursos financeiros  Joint Ventures Rivalidade entre competidores existentes  Abandono de mercado Pressão por produtos ou serviços  Venda de divisão substitutos  Favorecimentode compras Forte poder de barganha de fornecedores pelo governo  Mudanças de regras e clientes governamentais Processo empreendedor Figura 1 - Quadro conceitual das variáveis intervenientes no processo empreendedor. Fonte – Gartner, 1985· Assim, na visão de Gartner, (1985) todas essas características da dimensão do indivíduo ajudam a compreender os aspectos fundamentais que predispõem a pessoa à iniciativa empreendedora. Como Gartner (1985) argumenta, essas características listadas na matriz e originadas de estudos de outros autores tais como McClleland (1961), Harword (1982), Brockhaus (1982) e compiladas por ele, não representam consenso entre os pesquisadores Mitchell (2003), Van de Ven, Roger e Sharoeder (1984), Shaver e Scott (1991), Lumpkin e Dess (1996) e, apesar de pouco conclusivas, têm sido utilizadas em pesquisas que buscaram avaliar a dimensão individual no processo de criação de novas empresas. 5
  6. 6. Por outro lado, as características do ambiente tem sido cada vez maisenfatizadas por muitos autores interessados na análise do processo empreendedor(Aldrich e Pfeffer, 1976; Shapero e Sokol, 1982; Gartner, 1985; Betton e Dess, 1985;Reynolds, 1991; Bygrave, 1997; Aldrich e Martinez, 1999; Christensen, Ulhoi eMadsen, 2002). Nessa dimensão, tornam-se significativas as considerações deAldrich e Pfeffer (1976) e Aldrich (1979) que, ao analisarem a relação entre aorganização e o seu ambiente, destacam que as organizações não têm capacidadeinterna de gerar os recursos necessários para o atendimento de suas necessidadese, portanto, devem buscar tais recursos no ambiente por meio de interações com osdiversos atores que se fazem presentes. Shapero e Sokol (1982) e Reynolds (1991) abordam os deslocamentossociais e os estímulos externos a que estão sujeitos os empreendedores comoempurrões e/ou restrições diárias as quais levam os indivíduos a determinadasescolhas. Na visão de Shapero e Sokol (1982), esses movimentos são como a somade diversos vetores que representam os estímulos/restrições determinados peloambiente. É o que Gartner (1985) denomina, em seu modelo, de condições de vidae elevada percentagem de imigrantes, e que representam variáveis do ambiente quepressionam para iniciativas empreendedoras. As variáveis consideradas no quadro de Gartner (1985) compõem oambiente e, a princípio, estimulam ou dificultam o processo de empreender. Emprimeiro lugar, o modelo de Gartner (1985), na dimensão ambiental, cita e destacaos fatores encontrados por Bruno e Tyebjee (1982): disponibilidade de capital derisco, a presença de empreendedores experientes, ou seja, a existência de pessoasque já vivenciaram ou vivenciam a experiência de serem donos do próprio negócio; apresença de uma mão-de-obra com habilidade técnica; o acesso a fornecedores, aclientes e novos mercados; as influências de políticas e ações governamentais; aproximidade de universidades e redes de ensino como fonte de geração depequenas empresas; a disponibilidade de terra e outras facilidades; o acesso a meiode transportes e facilidade de logística que possam ter influência na geração denegócios; a atitude da população local receptiva ou negativa às empresas; adisponibilidade de serviços de suporte ao empreendedor potencial e, por fim, ascondições de vida de uma população em um determinado ambiente. Em segundo lugar, Gartner (1985) cita e, agrega a essa dimensão, osaspectos pesquisados por Pennings (1980, 1982 a, 1982 b) que encontrou alta taxade nascimento e desenvolvimento de empresas em áreas com alta taxa ocupacionale diferenciação industrial, o que significa que a existência de indústrias de diversostipos estimula a formação de pequenos negócios. Alta percentagem de imigrantesna população, pessoas deslocadas que busca na atividade empreendedora aalternativa de vida e sobrevivência; a existência de grande indústria de base,também apontada como fonte facilitadora para criação de pequenos negócios; aexistência de grandes áreas urbanas gerando condições econômicas favoráveis aoempreendedorismo e, por fim, a disponibilidade de recursos financeiros parafavorecer ações empreendedoras. Em terceiro lugar, inclui também no seu quadro de análise as variáveis domodelo de Porter (1980) que compõem as forças competitivas presentes noambiente para uma indústria particular, apontando cinco influências fundamentais:barreiras de entrada, rivalidade entre competidores existentes, pressão por produtossubstitutos, poder de barganha dos compradores, e o poder de barganha dosfornecedores. 6
  7. 7. Na visão de Gartner (1985), muitos estudos sobre novos negócios têmnegligenciado o tipo de firma criada, se manufatura, serviço, loja de varejo eatacado, e essa condição, na sua visão, é um fator importante para a compreensãodo processo empreendedor. Anderson (2000) valoriza essa argumentaçãoconsiderando que a escolha do tipo de empresa a ser criada serve como guia paraas próprias ações do empreendedor. Aldrich e Martinez (1999) reconhecem que,atualmente, entendemos mais sobre o ambiente, mas afirmam que é tambémverdade que estamos menos certos sobre os efeitos das forças do ambiente sobreum particular tipo de organização. Essa dimensão pode determinar característicasdiferentes no processo empreendedor entre firmas de mesmo segmento e tambémentre firmas de segmentos diferentes. Shane e Venkataraman (2000) argumentamque a busca por um tipo de organização depende de sua natureza dentro de umsegmento industrial, das demandas financeiras que acarreta, do nível de barreirapara entrada e das políticas governamentais. Na dimensão organizacional, Gartner (1985) lista um conjunto de variáveisligadas a escolhas estratégicas que influenciam o processo empreendedor. Osfatores considerados revelam relação com o modelo de Porter (1980) que identificoutrês estratégias competitivas genéricas: liderança em custos, diferenciação e foco.Gartner (1985) cita Vésper (1980) que apontou quatorze entradas competitivas,sendo essas entradas: favorecida pela criação de um novo produto ou serviço nomercado; por competição paralela, ou seja, colocando no mercado um mesmo tipode produto ou serviço já disponibilizados por outras empresas existentes; porparticipação em uma rede de franchise em que o empreendedor comercializaprodutos e serviços de uma marca já existente; por transferência geográfica, onde oempreendedor muda a localização territorial de sua empresa; por escassez defornecedor em um determinado mercado; pela exploração de recursos inutilizadospor outras organizações; por contrato de fornecimento de exclusividade comclientes; entrada no mercado como uma segunda fonte de fornecedor a umdeterminado cliente; por meio do estabelecimento de aliança - “joint ventures” – comparceiros com objetivo por interesses de negócios; por licença de uso de marcas deprodutos ou serviços registrados; por abandono de mercado de outra empresa quedeixou de operar em determinado espaço com um determinado produto ou serviço;por venda de divisão pertencente a outra empresa. Na dimensão organização, acriação de novas empresas pode ainda ser favorecida por compras de governos eórgãos públicos, e finalmente, entrada favorecida por mudanças nas regrasgovernamentais, notadamente leis e políticas públicas (Gartner, 1985).2.2 - As relações pessoais e suas implicações para o processo empreendedor Para compreender a formação e o desenvolvimento do processoempreendedor, consideramos relevante destacar a contribuição dos autores queapontam o papel das redes de relacionamentos sociais no processo de criação edesenvolvimento de novas empresas (Gartner e Birley, 2002; Granovetter, 1973;Granovetter, 1985; Aldrich e Zimmer, 1986; Granovetter, 1992; Larson, 1992; Larsone Starr, 1993; Bygrave, 1997; Aldrich e Martinez, 1999; Gawell, 2001; Matheus,2001; Firkin, 2001; Christensen, Ulhoi e Madsen, 2002; Campos, 2006; Watson,2007). Para estes autores, a análise de iniciativas empreendedoras ou de trajetóriasempresariais deve levar em consideração o apoio das redes sociais, pois estasrepresentam recurso importante para determinar os resultados no negócio. Emoutras palavras, nessa perspectiva, os autores defendem que as pessoas aotomarem decisões de caráter econômico, procuram consultar e são influenciados 7
  8. 8. pelos relacionamentos pessoais tais como família, amigos, colegas de trabalho,empregados, investidores. (Granovetter, 1985; Aldrich e Zimmer, 1986; Granovetter,1992; Larson 1992; Larson e Starr, 1993; Aldrich e Martinez, 1999; Ritter eGermunden, 2003; Watson, 2007; Lechner e Leyronas, 2009). Granovetter (1985, 1992), pesquisador pioneiro na identificação da força doslaços no processo empreendedor, defende que atores não decidem fora de umcontexto social, nem aderem como escravos a um script predefinido para eles. Aoinvés disso, suas proposições e ações estão inseridas em um sistema de relaçõessociais existentes. As decisões são decorrentes de posições e papéis sociais.Granovetter (1992) destaca a idéia da inserção social referindo-se às açõeseconômicas e seus resultados. Na sua avaliação, as iniciativas de caráter econômicosão fortemente afetadas pelas relações diádicas – entre duas pessoas – e pelasestruturas mais amplas de relações. Isso significa que os indivíduos não tomamdecisões de forma isolada, mas sim dentro de um contexto social. Dessa forma,Granovetter (1992, p. 27) argumenta que “[...] a natureza social dos motivos taiscomo sociabilidade, aprovação, prestigio e poder conduz imediatamente para oproblema da inserção, desde que apenas nas redes de relações sociais existentesessas realizações são alcançadas”. Na verdade, ele defende também que se leveem conta que pessoas têm razões econômicas e não econômicas, tais comoaprovação, status e poder, para desenvolver suas atividades empresariais,destacando que, neste sentido, a inserção social pode influenciar o comportamentodos indivíduos, positiva ou negativamente em direção ao empreendedorismo. Ao discutir a atuação das pequenas empresas, Granovetter (1985), Larson eStarr (1993), Watson (2006), Lechner e Leyronas (2009) sugerem que um dosfatores determinantes de sobrevivência dos pequenos negócios está relacionado àdensa rede de relações pessoais que as apóiam, muitas vezes camuflada pelasrelações de negócios. Nesse sentido, Matheus (2001) também defende que osvínculos que formam as redes pessoais e sociais podem influenciar e favorecer oprocesso de criação e desenvolvimento de empresas.3 - Considerações metodológicas O empreendedorismo como objeto de pesquisa, em função do seu estágiode desenvolvimento na literatura, se caracteriza por ser bastante desafiador. ParaBygrave (1989), estudos e conclusões sobre o processo empreendedor estão nainfância e não podem ser conduzidos de forma tradicional e contínua como umprocesso linear. Para Hofer e Bygrave (1992), esses estudos devem serfundamentados em observações obtidas em pesquisas empíricas, estudostransversais e longitudinais. Conforme já foi relatado, o nosso interesse de pesquisa foi observar osfatores propulsores do processo empreendedor das empresas prestadoras deserviços de Pedro Leopoldo e a evolução no tempo das variáveis das dimensõesconsideradas no modelo de Gartner (1985), identificando relações entre essasvariáveis para a compreensão de causas e efeitos. No sentido de compreender asmotivações de caráter econômico e não econômico, a metodologia proposta foianalisar em profundidade o processo empreendedor, por meio da coleta deinformações de uma determinada amostra da população de pequenas empresasprestadoras de serviço. Para isso, buscamos, via levantamento realizado na regiãodo parque cimenteiro, dados que identificassem as empresas que faziam parte donosso interesse de pesquisa, ou seja, empresas prestadoras de serviços emeletromecânica do parque cimenteiro da região de Pedro Leopoldo, fundadas a partir 8
  9. 9. da segunda metade da década de oitenta, data que consideramos o marco do iníciodo processo de terceirização. Para realização da coleta de dados elaboramos umroteiro de entrevista com 37 perguntas semi-estruturadas. Como em nosso caso de pesquisa o universo a ser pesquisado estava bemdemarcado – 40 empresas -, a definição do número de empresas a sereminvestigadas, ou seja, a linha de corte foi em função da nossa identificação narepetição do padrão das respostas ao instrumento de pesquisa. Na medida em quenotamos uma certa repetição no padrão de respostas ao conjunto de perguntasfeitas aos empreendedores, decidimos interromper o trabalho de entrevistasconsiderando que havíamos levantado dados suficientes para a compreensão doprocesso empreendedor naquela localidade. Dessa forma, se aumentássemos onúmero de entrevistas, não haveria acréscimos substanciais de informações quenos auxiliasse a responder nossas questões de pesquisa. No total, dezesseisempresas participaram da pesquisa, por meio de entrevistas com seus sóciosproprietários, notadamente, seus fundadores. Em termos de unidade de análise, as empresas estudadas pertencem auma população organizacional homogênea, ou seja, formadas por empresas de ummesmo setor – serviços - atuando em um mesmo segmento – prestadoras deserviços à indústria de capital intensivo. Com relação à homogeneidade dasempresas pesquisadas, Gartner (1985) argumenta que a falta de amostrashomogêneas gera discrepância de resultados, o que pode prejudicar os esforços depesquisas. Na visão de Gartner (1985), dada a complexidade e diversidade deanalisar trajetórias empresariais, o estudo de amostras mais homogêneas podefacilitar e aumentar a consistência dos estudos na área do empreendedorismo.Portanto, na proposta do quadro conceitual de Gartner (1985), objetivamos analisarunidade mais homogênea na expectativa de obter resultados mais consistentes.4 - Descrição e análise dos dados: O processo empreendedor- A busca pelasobrevivência. Com o objetivo de compreender o processo empreendedor como um todo,analisamos a sua ultima fase que está ligada à sobrevivência e ao crescimento donegócio. Na realidade, essa fase se configura em desafios permanentes para aorganização criada. Toda organização, em princípio, tem como objetivo se perpetuarno mercado. Para muitos pesquisadores, a sobrevivência da organização é a etapamais difícil do processo empreendedor (BYGRAVE, 1997; ALDRICH e MARTINEZ,1999; ANDERSON, 2000). Conforme já destacado, as taxas de mortalidade das empresas nos primeirosanos de vida são muito altas em várias partes do mundo. Nesse item, queremosconsiderar aquilo que está presente nas três dimensões em termos de variáveis eque, nos depoimentos dos empreendedores, foram consideradas importantes para asobrevivência e para a construção de uma empresa de sucesso. Também queremossublinhar as dificuldades que os empreendedores vêm enfrentando para asobrevivência de seus negócios. Das variáveis previstas no modelo de Gartner (1985), com relação à dimensãoindividual, e pelos depoimentos obtidos, parecem ter sido fatores importantes paraimpulsionar as iniciativas empreendedoras e possibilitar a sobrevivência da empresaprincipalmente, a necessidade de realização, que se reflete, muitas vezes, nainsistência e no esforço do empreendedor diante dos obstáculos, bem como asexperiências prévias, que, conforme já destacado aqui, no caso particular dasempresas de prestação de serviços industriais, têm grande significado na decisão de 9
  10. 10. iniciar um negócio. A vontade pessoal e o domínio prático do saber afiguram-secomo terem tido forte significado no processo empreendedor das empresasprestadoras de serviços, no sentido de favorecer a sobrevivência das empresas econseguir criar histórico de permanência no mercado por vários anos. Na dimensão ambiental, as variáveis que, durante o processo de crescimento edesenvolvimento da terceirização, favoreceram e foram fundamentais para o eventoempreendedor e a sobrevivências dos pioneiros, ao longo da década de noventa, jánão significaram variáveis favoráveis aos novos entrantes nesse mercado. Dessadimensão, ainda em termos de sobrevivência, podemos destacar como favorável apresença de empreendedores experientes, sendo importantes como modelos dereferência para novos empreendedores. Também a existência da habilidade técnicada força de trabalho, propiciado pela vocação da região que conta com umcontingente de profissionais experientes nas áreas de serviços de manutenção.Outro fator favorável que começou a ocorrer mais recentemente foi a disponibilidadede terras e facilidades, via doações de áreas específicas, por parte de algumasprefeituras locais, para a formação de distritos industriais. Isso vem favorecendoalgumas empresas prestadoras de serviços que receberam terreno dessasprefeituras para instalação de suas empresas, em condições mais favoráveis delocalizações e de infra-estrutura. Naturalmente que importante também continuousendo a existência de grandes indústrias de base. Na dimensão organizacional, percebe-se ameaça à sobrevivência se mantido omodelo de gestão atual. O foco único no mercado do parque cimenteiro, conformerelatado acima, tem se mostrado uma estratégia perigosa. Para sobreviver, aatuação dentro do foco em serviços é importante para aproveitamento edesenvolvimento da expertise no setor, mas existe a necessidade de ampliar omercado além do parque cimenteiro, servindo outras regiões industriais no estado eaté no País. Esta necessidade já foi percebida por alguns empreendedores, que vemoferecendo serviços para empresas fora do parque cimenteiro. A busca pela diferenciação, embora continue ser importante e necessária àsobrevivência, se torna difícil, porque em serviços, a concorrência tem enormefacilidade em imitar novas práticas de mercado (HOFFMAN e BATESON, 2003). Aescassez de fornecedores do passado deve ter se convertido em excesso defornecedores de serviços disponíveis para as grandes empresas, que comoconseqüência, reduz a lucratividade do setor. Parece que a entrada e oamadurecimento da competição paralela, saturou o mercado de prestação deserviços em manutenção e, no contexto do parque cimenteiro, gerou umacompetição predatória. Os contratos com clientes, verbalizados pelosempreendedores como fonte de uma demanda certa normalmente é difícil deadquirir, e quando ocorrem, as condições que regem estes contratos são cada vezmais rigorosas. Isso demonstra a existência da variável forte poder de barganha dosclientes na dimensão ambiental conforme já retratado anteriormente. Um ponto interessante nessa dimensão é que algumas das empresas de serviçosvêm introduzindo novos produtos ou serviços em sua linha de atuação. Esse fatopode estar contribuindo para melhorar o desempenho desse setor para algumasempresas. Segundo os empreendedores, essa busca de novas linhas de produtos eserviços visa melhorar o resultado econômico do negócio, saindo de atividades,hoje, menos lucrativas. Como em etapas anteriores, os relacionamentos pessoais permanecem como umfator que favorece aqueles empreendedores que construíram relações com pessoaschave dentro das empresas de cimento e cal e com outros atores que estão 10
  11. 11. presentes no ambiente. As relações continuam permitindo melhor acesso a oportunidades de serviços nesse mercado. Na figura 2, com base nas dimensões e variáveis previstas por Gartner (1985) e no modelo de processo empreendedor previsto por Bygrave (1997), mostramos como cada dimensão afeta a sobrevivência. Novamente destacamos, em azul, as variáveis favoráveis, e em vermelho, as restritivas. Nos casos dos trabalhadores que optam por trabalhar nas grandes empresas, fazem-no em busca de salários mais altos e melhores condições gerais de trabalho (Solomon, 1986: Reynolds, 1991). Dessa forma, no que diz respeito à gestão de recursos humanos, alguns empreendedores chegam a considerar que manter e desenvolver uma mão-de-obra qualificada é o maior de seus desafios. Isso não poderia ser diferente, pois, como já afirmamos anteriormente, o setor de serviços, em sua maioria, é caracterizado por ser de mão-de-obra intensiva (Solomon, 1986). Em relação ao capital financeiro, as dificuldades financeiras e a situação do mercado, vejamos a consideração de alguns empresários. Os empresários se queixam da instabilidade da demanda de serviços. “A maior dificuldade é a financeira. O problema que a gente tem mais hoje é mercado. O mercado oscila demais em termos de demanda por serviços” “Hoje, para a gente pegar o serviço tem dois a três concorrentes. Você não tem estabilidade de serviço. O problema é que você tem hoje e não sabe se terá amanhã.” A DIMENSÃO DO AMBIENTE 1-Presença de empreendedores experientes 2-Habilidade técnica da força de trabalho 3-Existência de grande indústria de base 4-Disponibilidade de capital de risco 5-Acesso a fornecedores 6-Influencias de políticas govenamentais 7-Disponibilidade de terras e facilidades 8-Forte poder de barganha de fornecedores e clientes. 9- Rivalidade entre competidores. A DIMENSÃO INDIVIDUAL A DIMENSÃO DA ORGANIZAÇÃO 1- Foco1-Necessidade de realização 2- Diferenciação2-Controle do próprio destino 3-Contrato com clientes(*)3-Experiências prévias de Relacionamentos 4- Novo produto ou serviçotrabalho pessoais 5- Competição paralela4- Escolaridade (*) Difícil de adquirir A sobrevivência e o crescimento Figura 2 - Variáveis de influências na etapa de sobrevivência. Fonte - Elaborada pelos autores do artigo. 11
  12. 12. A ausência de políticas públicas, notadamente, políticas de financiamento para as pequenas e médias empresas, que favoreçam o processo empreendedor como um todo, é uma carência nacional que precisa ser enfrentada pelos governos. O acesso ao capital financeiro para ações empreendedoras é limitado. A disponibilidade de capital de risco significa a possibilidade de garantir permanência no mercado, ampliar o escopo de atuação e investir em melhores condições de fornecimento de produtos e serviços e em ultima análise, a possibilidade de melhoria da competitividade. Pelos relatos das entrevistas, parece que os empresários começam a observar que o mercado do pólo cimenteiro apresenta uma saturação e limitação de demanda, para o setor de serviços, o que poderá dificultar a sobrevivência dessas empresas. A estratégia adotada por algumas das empresas tem sido no sentido de buscar atuar fora da região de Pedro Leopoldo, conforme atestam alguns depoimentos. “Hoje, a gente busca mais obra fora da região se não a gente morre na praia.” ”Hoje, a gente tá com uma obra em Suzano em São Paulo,... é uma idéia nova e a gente tá buscando expandir por lá. “A gente teve uma oportunidade de atuar na Lever de São Paulo, por indicação, e outras indicações tem ocorrido lá”. Em função dos resultados obtidos na pesquisa e dos principais entraves para expansão dos negócios nas pequenas empresas do parque cimenteiro, propomos na figura 3, ações que podem favorecer a superação das barreiras e permitir a longevidade do processo empreendedor da região. Ampliação do mercado de atuação DesenvolvimentoCriação de uma e qualificação deassociação visando recursos humanosfundamentar um pólo deserviços Sobrevivência e crescimento Sinergia de infra-estrutura, administração e sistemas Aquisição de gerenciais entre as capital de risco pequenas empresas 12
  13. 13. Desenvolvimento de práticas de concorrências legais Figura 3 – Forças impulsionadoras para o desenvolvimento das empresas deserviços. Fonte – Elaborada pelos autores do artigo A alternativa proposta por alguns empresários - formação de uma associação deempresas prestadoras de serviços - representa a possibilidade de ampliar osrelacionamentos entre as empresas de serviços de tal maneira a minimizar custospor meio de compartilhamentos de sistemas gerenciais e administrativos, aquisiçãode recursos compartilhados e uso otimizado de máquinas e estrutura física. Muitosempresários desse setor têm feito um grande esforço para adquirir equipamentos, eo custo disso para uma empresa isoladamente fica muito oneroso. Ocompartilhamento poderá minimizar os custos para todos. Além disso, apossibilidade de formar uma associação facilitará estratégias de atuação nomercado, para as empresas ficarem menos vulneráveis à força dos grandes clientese dos grandes fornecedores e à concorrência predatória, principalmente, dentro daregião. A criação de um pólo industrial de serviços regional poderia ser apoiada pelaspróprias prefeituras locais. O potencial de riqueza, que essas atuais empresas deserviços geram, mostra as possibilidades desse setor em termos de capacidade degeração de crescimento econômico. Por fim, o investimento em qualificação da mão-de-obra parece ser também umgrande desafio para as empresas prestadoras de serviço, para os próximos anos. Aintensa relação da qualidade do serviço com a qualidade da mão-de-obra torna esserecurso estratégico para essas empresas. Nesse sentido, a formação de sinergiapara criar centros de desenvolvimento de recursos humanos conjuntamente, dentrode uma associação, seria muito importante para a elevação do padrão de RH para aregião com o beneficio adicional de redução dos custos associados. Afinal, uma dasgrandes alavancas descritas nesta análise para o evento empreendedor foi àexistência de uma grande força de trabalho, fundamental na área de serviços.Estrategicamente, esses empreendedores devem pensar em como estabelecerpolíticas de retenção de mão-de-obra, já que existe uma dificuldade em reter esserecurso que é tão crítico, mas nem sempre é tratado como tal, por parte dasempresas.5 Conclusões e considerações finais Vamos novamente retornar ao quadro de Gartner (1985) da figura 1, paraestabelecermos nossas conclusões. Considerando um primeiro momento, logo noinício da terceirização, podemos dizer que, inicialmente, a reestruturação ocorridadentro do parque cimenteiro, a partir da existência de grandes indústrias de base,gera, para empreendedores e pequenas empresas já estabelecidos nesse mercadoe na região, acesso a clientes e novos mercados. Também abre para novospotenciais empreendedores oportunidades para abertura de seu negócio próprio emfunção da escassez de fornecedores nesse mercado. Muitos desses acessos afornecedores, conforme pudemos identificar em nossas pesquisas, se dá porcontratos de exclusividade com clientes na prestação de serviços. 13
  14. 14. A reestruturação das empresas gerou estímulos a desligamentos voluntários,demissões por parte das grandes empresas por meio de incentivos via PDV ou não,o que disponibilizou no mercado uma força de trabalho com habilidade técnica ecom uma boa experiência prévia de trabalho. São indivíduos na faixa etáriapredominantemente entre 21 a 34 anos, com disposição, experiência de vida e compotencialidade para iniciar-se na carreira empreendedora. Esses indivíduos tinhamuma escolaridade em nível de segundo grau com predominância na formaçãotécnica específica, o que favoreceu tanto pelo bom grau de instrução em si quedetinham, quanto pelo conhecimento e competência técnicos teóricos e práticoscaracterizando a habilidade técnica da força de trabalho. Nesse ponto devemosfazer uma distinção: aqueles indivíduos que apresentavam uma necessidade derealização e um desejo de controlar seu próprio destino foram favorecidos pelasvariáveis das outras dimensões – acesso a clientes e novos mercados, escassez defornecedor, possibilidade de contrato com clientes, abandono de mercado,habilidade técnica da força de trabalho - e, nesse contexto, reuniram boascondições para iniciarem seus negócios. Aqueles indivíduos que não mostravam ascaracterísticas favoráveis à carreira empreendedora – necessidade de realização,controle do próprio destino - ficaram disponíveis como habilidade técnica da força detrabalho para os novos empreendedores que montaram seus negócios. Já, em um segundo momento, quando o movimento de terceirização seconsolidou aqueles indivíduos que integravam esse contexto e manifestaramnecessidade de realização, e/ou desejavam controlar seu próprio destino, tinhamuma experiência prévia de trabalho, buscaram a carreira empreendedora já em umcontexto modificado. Nessa fase mais consolidada, podemos considerar que jáhavia, nesse ambiente, uma maior presença de empreendedores experientes queforam gerados como anteriormente descrito pelo movimento de terceirização. Estesempreendedores experientes serviram como modelo de sucesso para os potenciaisempreendedores e, conforme os depoimentos que registramos, acabaram porrepresentar referência e fonte de estímulo para potenciais novos empreendedores. Parece-nos, então, que, nesse segundo momento, já não havia a predominânciada escassez de fornecedores. A entrada no mercado se dá, predominante, pelacompetição paralela, com predominância pela busca da diferenciação. Nessa opçãoestratégica, os empreendedores procuraram a entrada com um diferencialprincipalmente na qualidade dos serviços prestados – conforme seus própriosrelatos. Os empreendedores entenderam que, pelas deficiências praticadas peloscompetidores existentes no contexto da prestação de serviços, havia oportunidadesque deviam ser aproveitadas. Assim, buscaram abrir e desenvolver suas empresaspara cobrir as lacunas de desempenho de qualidade e, conseqüentemente,procuraram com isso espaço no mercado de prestação de serviços dentro do parquecimenteiro. A fase de desenvolvimento e sobrevivência empresarial, sobretudo no segundomomento, representou, na nossa avaliação, outros desafios específicos para osempreendedores existentes e para novos empreendedores. O acesso a clientesdentro do parque cimenteiro se mostrou mais difícil em função do número decompetidores já existentes. A entrada por competição paralela pareceu intensificar arivalidade entre competidores. Como conseqüência do crescimento de oferta deprestadores de serviços, o poder de barganha das grandes empresas de cimento ecal parece exacerbar o que tornou mais difícil o poder de negociação das empresasprestadoras de serviços. Nos dois momentos, o poder de barganha dosfornecedores, por serem de grande porte, foi sempre um limitante competitivo para 14
  15. 15. as empresas prestadoras de serviços. Assim, as chances para sobreviver nesseambiente competitivo fica mais difícil que na fase em que a terceirização sedesenvolve de forma mais intensa. Embora não tenha sido foco da nossa pesquisa,temos como hipótese que deve ter havido aí muitos casos de empresas queencerraram suas atividades por conta do aumento do número de competidores.Referências BibliográficasALDRICH, Howard E. Organizations and environments. Englewood Clifts, NJ:Prentice-Hall, 1979.ALDRICH, Howard E. ; MARTINEZ, Martha Argelia. Many are called, but few arechosen: an evolutionary perspective for the study of entrepreneurship. NorthCarolina: University of North Carolina, 1999ALDRICH, Howard E.; PFEFFER, Jeffrey. Environments of Organizations. AnnualReview of Sociology, v.2, p. 79-105, 1976.ALDRICH, Howard E.; ZIMMER, Catherine. Entrepreneurship through social network.In: SEXTON, Donald L.; SMILOR, Raymond W. (Eds.). The art and science ofentrepreneurship. Cambridge: Ballinger Publishing Company, P.3-23, 1986ALMEIDA, Paulo Henrique. A pequena empresa e desenvolvimento local – limites daabordagem competitiva. Salvador: Casa da qualidade, 2002.ANDERSON, Alistar R. The protean entrepreneur: the entrepreneurial process asfitting self and circunstance. Journal of Enterprising Culture, United Kingdom, v. 8 , p.201-234, September, 2000.BETTON, John; DESS, G. Grecory. The application of population ecology models tothe study of organizations. Academy of Management Review, Florida, 1985, v. 10, p.750-757, 1985.BROCKHAUS, Robert H. The psychology of the entrepreneur. In: KENT, A.C;SEXTON, Donald, VESPER, Karl H. (Eds.). Encyclopédia of Entrepreneurship. NewJersey: Prentice-Hall, 1982.BYGRAVE, William D. The entrepreneurial paradigm (I): a philosophical look at itsresearch methodologies. Baylor university, 1989.BYGRAVE, William D. The entrepreneurial process. In: BYGRAVE, William D. (Ed.)The portable MBA in entrepreneurship. New York: John Woley & Sons, Inc., p.1 – 26,1997.CAMPOS, Delmar Novaes. O processo empreendedor das empresas prestadoras deserviço do parque cimenteiro da região de Pedro Leopoldo, 2006, 158 p. Dissertação(Mestrado em Administração) – PUC Minas/FDC, Belo Horizonte.CHRISTENSEN, Patrizia V; ULHOI, John P; MADSEN, Henning. The entrepreneurialprocess in a dynamic network perspective: a review and Future Directions ForResearch. Copenhagen: The Aarhus School of Business, 2002.FERRAZ, João Carlos; KUPFER, David; HAGUENAUER, Lia. MADE IN BRAZIL –desafios competitivos para a indústria. Rio de Janeiro: Campus, 1997.FIRKIN, Patrick. A resource-based conceptualisation of the entrepreneurial process.Auckland: Massey University press, 2001GARTNER, William B. A Conceptual framework for describing the phenomenon ofnew venture Creation. Academy of management review, v.10 p. 696-706, 1985.GARTNER, William B. Who is an entrepreneur”? Is the wrong question. AmericanJournal of Small Business, v. 12 p. 11-32, 1988. 15
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