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MKT HOTELEIRO Pesquisa copa 2014 fgv
 

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Pesquisa FGV Copa do Mundo 2014

Pesquisa FGV Copa do Mundo 2014

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    MKT HOTELEIRO Pesquisa copa 2014 fgv MKT HOTELEIRO Pesquisa copa 2014 fgv Document Transcript

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    • ficha técnica REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Presidente MINISTÉRIO DO TURISMO LUIZ EDUArDO PErEIrA BArrEttO FILhO Ministro Gabinete do Ministro CARLOS ALBERTO DA SILVA Chefe de Gabinete ALCIDES EDíLIO VALENTE HASANI DAMAzIO Assessores Especiais Secretaria-Executiva MáRIO AUGUSTO LOPES MOySÉS Secretário-Executivo Secretaria Nacional de Políticas do Turismo AIRTON PEREIRA Secretário Departamento de Promoção e Marketing Nacional MáRCIO FERREIRA DO NASCIMENTO Diretor Secretaria Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo FREDERICO SILVA DA COSTA Secretário Departamento de Infraestrutura Turística ROBERTO LUIz BORTOLOTTO Diretor CHARLES CAPELLA DE ABREU Coordenador-Geral de Acompanhamento e Fiscalização Departamento de Qualificação, Certificação e Produção Associada ao Turismo REGINA CAVALCANTE Diretora4
    • EMBRATURJEANINE PIRESPresidenteFGV – FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGASPresidenteCARLOS IVAN SIMONSEN LEALCoordenação Geral do EstudoLUIz GUSTAVO BARBOSACoordenação TécnicaLUIz ANTONIO TAVARESCoordenação ExecutivaANDRÉ COELHOLAURA MONTEIROEquipe TécnicaANDRÉ COELHOCARLyLE FALCÃOCRISTIANE REzENDEERICk LACERDAFABíOLA BARROSJOÃO EVANGELISTALAURA MONTEIROLEONARDO VASCONCELOSLUCIANA VIANNAMáRCIA MAGALHÃESPAOLA LOHMANNPAULO STILPENROBERTO PASCARELLASAULO ROCHAPesquisadoresANDRÉ COELHOFLáVIA FROTALAURA MONTEIROLUIz ANTôNIO TAVARESROBERTO PASCARELLAROSALINA COUTOCOLABORAÇÃOÓrgãos Colegiados e Comitês Executivos das cidades candidatas para Copa 2014Órgãos Oficiais de Turismo das Unidades Federadas das cidades candidatasSecretarias Estaduais e Municipais envolvidas com a Copa 2014 nas cidades candidatasANAC - Agência Nacional de Aviação CivilSebrae, ABIH, Abrasel, Senac, Sindicatos estaduais nas cidades candidatasFOHBMturEsplanada dos Ministérios – Bloco U – 2º e 3º andares70065-900 - Brasília - DFInternet : http//www.turismo.gov.br 5
    • apresentação É com grande satisfação que o Ministério do Tu- 1) estruturação e preparação das cidades-sede, rismo oferece aos estados e municípios este Caderno executando o aperfeiçoamento da infra-estrutura bá- de Propostas Estratégicas de Organização Turística sica necessária à atividade turística, como revitaliza- das Cidades-Sede da Copa do Mundo – 2014, elabo- ção de áreas consideradas de alto potencial turístico, rado em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. aperfeiçoamento da sinalização turística e viabiliza- Realizamos o estudo nas 17 cidades pleiteantes ção do aproveitamento turístico do entorno; a abrigarem jogos da Copa do Mundo para que, pouco 2) atratividade e satisfação do turista por meio tempo depois da escolha das doze sedes, os resulta- da qualificação profissional de serviços como recep- dos pudessem já estar disponíveis. Decisão acertada, tivos de aeroportos, estações, hotéis, funcionários de pois além de termos ganho tempo, o trabalho servirá restaurantes, motoristas de taxi e outros serviços; para que todos os municípios analisados utilizem as 3) promoção do país por meio do planejamen- informações em seu planejamento turístico. to de marketing, gerando com isso o aumento da ex- Um megaevento como a Copa do Mundo de posição internacional e nacional do destino Brasil; Futebol abre uma oportunidade de promoção do 4) crescimento sustentável de novos investi- País como destino turístico que muitos anos de cam- mentos em diversas áreas, como a da atividade hote- panhas publicitárias em todo o mundo não seriam leira, por meio da oferta de mecanismos de fomento; capazes de oferecer. Vamos mostrar um país com As ações acima descritas visam proporcionar inigualáveis belezas naturais, rica cultura, belas ci- um melhor acolhimento aos visitantes e melhorar a dades e um povo alegre e receptivo. E vamos fazer competitividade dos destinos turísticos brasileiros, isso permitindo ao turista usufruir de infraestrutura mas vão principalmente proporcionar desenvolvi- adequada nos destinos, qualidade do receptivo e nos mento econômico e social, deixando um legado à demais serviços oferecidos, para que todos vivencie- população brasileira que aqui vive, trabalha e tem ma experiência de uma festa extraordinária produ- direito a um lazer de qualidade. A organização de zida em um Brasil moderno, organizado, na linha de um megaevento como esse só tem sentido se, no fi- frente das mais importantes nações do mundo. nal, servir para deixar um Brasil melhor para todos Para atingir esse objetivo, e buscando sempre os brasileiros. o aperfeiçoamento da gestão pública do turismo, o Ministério do Turismo, em cooperação com estados, municípios e a iniciativa privada, trabalhará com os LUIz EDUARDO PEREIRA BARRETTO FILHO seguintes eixos de atuação: Ministro do Turismo6
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    • 8 1. introdução F OTO: WE RNE R z OT z
    • Entre os meses de junho e julho de 2014, o Bra- Tendo em vista a necessidade de planejamen-sil sediará a vigésima edição da Copa do Mundo de to estratégico e organização da gestão pública,Futebol da FIFA (Fédération Internationale de Football com a finalidade de maximizar os resultados paraAssociation - Federação Internacional de Futebol), um o Brasil, o Ministério do Turismo propõe, por meiodos mais importantes eventos esportivos do mundo. deste trabalho, a estruturação de um modelo deDevido às dimensões desta competição, ao grande ações para investimento e integração entre as ci-número de visitantes que deverão vir ao país e às dades-sede dos jogos, com foco nas propostas ge-exigências técnicas de um evento transmitido para o radas para o desenvolvimento turístico, que envol-mundo todo, os próximos anos irão incidir em exten- ve áreas como infraestrutura, integração regional,sos processos de preparação e vultosos investimentos, marketing, qualificação, serviços e sustentabilidadetanto pelo setor público como por empresas privadas. geral do turismo.Além disso, a enorme exposição do país na mídia, Em abril de 2008, adiantando-se ao processobem como os diversos legados ao país em termos de de planejamento para o evento, o Ministério doinfraestrutura, tecnologia e capital humano, gerarão Turismo (MTur) realizou o Seminário Internacionalreflexos e benefícios em diversos setores da econo- Perspectivas e Desafios para o Turismo – Copa domia e da sociedade, sejam transitórios ou duradouros, Mundo 2014, sendo esta a primeira grande inicia-diretos ou indiretos. tiva no sentido de planejar a gestão do evento, do Para o Brasil, a Copa do Mundo da FIFA repre- ponto de vista turístico, reunindo especialistas dasenta mais do que o orgulho de ter o maior evento de áfrica do Sul, Japão, China, Alemanha e Espanha.futebol do planeta. É a oportunidade de traçar me- O evento teve por foco principal inserir o setor natas e objetivos para incremento de infraestrutura e agenda dos projetos ligados à Copa do Mundo deserviços nos diversos setores que se relacionam como megaevento. Além disso, os benefícios executados Futebol de 2014.em uma cidade-sede exercerão influência direta nos Neste documento, o Ministério do Turismo le-municípios geograficamente próximos, gerando em- gitima sua busca pela consolidação do processo depregos, investimentos e desenvolvimento em geral. pesquisa junto aos governadores, e secretários dos O turismo é parte integrante deste contex- destinos receptores de jogos da Copa do Mundo deto, uma vez que é de responsabilidade deste setor Futebol. Do ponto de vista do Planejamento Estra-receber e cuidar dos visitantes e espectadores, em tégico, o MTur inicia processo de estruturação deâmbitos nacional e internacional, que se interessam suas ações para o mega evento, avançando para apor este grandioso evento. Os investimentos em formatação de um grupo gestor com participaçãoinfraestrutura turística e serviços visam ao atendi- de Secretarias, Diretorias e Coordenações diretoriasmento aos visitantes do evento e à promoção de do Ministério. O compromisso do governo federaluma imagem positiva do país, e à criação de bases é validado pela atenção dedicada a cada uma dassustentáveis para o aproveitamento do legado a ser cidades-sede e predisposição de fazer o melhordeixado pelo evento. pelo crescimento do turismo em âmbitos nacional 9
    • e internacional, gerando crescimento econômico, devem atender a determinados padrões necessá- equidade social e sustentabilidade ambiental. rios à viabilidade do evento, como complexos ho- teleiros e acessos aos diversos modais de trans- 1.1. copa do mundo de porte que comportem o intenso deslocamento futebol da fifa, no associado à Copa. brasil, em 2014 1.2. ministério do turismo O Brasil espera receber 500 mil turistas es- trangeiros na ocasião da Copa do Mundo e mo- Reconhecer que megaeventos, como a Copa do vimentar dezenas de milhões de brasileiros pelas Mundo de Futebol da FIFA, podem ajudar na estru- cidades-sede, produzindo um impacto direto na ati- turação de desenvolvimento local e nacional, permi- vidade turística, gerando empregos e promovendo te-nos entender que, por intermédio do prazo defini- a sustentabilidade econômica, social e ambiental. do para a realização do evento, é possível antecipar Segundo pesquisas da Confederação Brasileira de projetos e ações, aliar esforços divergentes e acelerar Futebol (CBF) e da Fundação Getulio Vargas (FGV), processos fundamentais em prol de uma execução os investimentos em infraestrutura e serviços pre- ótima do evento. A Copa deve ser encarada, portanto, como uma oportunidade de mobilização ímpar para vistos para Copa do Mundo de 2014 ultrapassam realização de projetos que, por diversos motivos, não R$ 30 bilhões. Da construção de estádios ao treina- obtinham a prioridade devida. mento de voluntariado, passando por temas como O Ministério do Turismo tem compromisso com reformas de aeroportos, capacidade hoteleira, siste- o desenvolvimento sustentado dos destinos turís- mas de segurança e meios de acesso, dentre outros, ticos e com a perpetuação das ações no processo espera-se a geração de milhares de empregos e a de consolidação de um setor gerador de emprego exposição massiva da imagem do país em âmbito e renda. No escopo de seus programas de políticas internacional. públicas e desenvolvimento do turismo, o governo A infraestrutura necessária para a realização federal vem produzindo dados quantitativos e qua- do evento é complexa, compreendendo não ape- litativos que certamente auxiliarão as articulações nas os estádios, que devem se adequar às espe- e investimentos nos diversos gargalos identificados cificações da FIFA, como também a estrutura de nas cidades-sede dos jogos da Copa do Mundo. tecnologia de informação em cada cidade-sede, As 12 cidades-sede já fazem parte dos 65 Des- os centros de mídia (International Media Centers, tinos Indutores do Desenvolvimento Turístico Regio- ou IMCs) e de broadcasting (International Broad- nal, que são o foco da atuação do MTur desde 2007. casting Center, ou IBC), e as instalações dos fan Esses destinos foram selecion ados pelo MTur de parks (espaço urbano, timbrado pela FIFA, para acordo com suas características e potencialidades, exibição pública dos jogos). Adicionalmente, exis- que os tornam destinos indutores do desenvolvimen- tem diversos aspectos da infraestrutura local que to turístico regional. O objetivo é estruturá-los para10
    • atingir padrão de qualidade internacional, estimu- Estes investimentos permanecerão como o le-lando a maior permanência do turista antes, durante gado da Copa para o país, promovendo a execuçãoe após a Copa de 2014. de projetos que levariam anos para serem realizados Além da proposta de desenvolvimento em curto se não existisse o caráter de urgência exigido peloprazo, o Ministério do Turismo trabalha com as possi- evento. O cidadão brasileiro será o principal benefi-bilidades de investimento e implementação de proje- ciado pelo desenvolvimento dos investimentos paratos de longo prazo que produzam, em conjunto com a Copa do Mundo, que deve contribuir para o au-as políticas existentes, legado de um setor de turismo mento de demanda doméstica e internacional, alémbem estruturado socialmente, economicamente viá- do desenvolvimento regional, tornando-se o princi-vel, com boa imagem internacional e sustentabilida- pal legado do evento.de ambiental. A Copa vai expor o país em todo o mundode forma incisiva nos próximos anos, e é interes-se de todos aproveitar esta divulgação de formapositiva. Para que isso aconteça, é importanteprover as cidades-sede com toda a infraestruturaturística necessária, para que o evento transcorracom a maior tranquilidade, possibilitando uma ex-periência inesquecível e feliz à todos aqueles queestiverem envolvidos, participando direta ou indi-retamente do evento. Com base no exposto, o Ministério do Turismojá iniciou uma série de ações com o objetivo de estru-turar as cidades-sede para receberem os milhares deturistas nacionais e internacionais. Os investimentosdo governo federal devem estar focados, portanto,em questões do âmbito público, que influenciam ocotidiano dos moradores da cidade e que possamse transformar no legado do evento. Neste escopo,incluem-se os investimentos na área de transporteurbano, rodoviário e aéreo, na qualificação profissio-nal, na revitalização de áreas urbanas com potencialturístico, na sinalização turística e na área de se-gurança pública. Muitos projetos já em andamentovêm ao encontro das demandas pré-existentes dascidades-sede. 11
    • 2. mapa estratégico A elaboração das ações estratégicas do MTur ários, os resultados esperados e os programas ou em relação à Copa foi realizada com base na con- projetos que possibilitarão a implementação desta ceituação de mapa estratégico de kaplan e Norton. estratégia. O conceito de mapa estratégico surgiu, em 2000, Por sua grande capacidade de síntese, sem per- por meio de estudos na Harvard Business School, der ou omitir nenhum aspecto importante ou essen- liderados por Robert kaplan e David Norton. Na cial de uma estratégia, esta metodologia ajuda na tentativa de mostrar estratégias de forma clara e disseminação e aceitação da estratégia por todos, objetiva dentro de qualquer tipo de organização, e ajuda a definir indicadores que monitorem o seu os autores desenvolveram mapas que apresentam, desempenho. Segundo seus autores, o mapa estraté- graficamente, a estratégia adotada, permitindo gico é o elo perdido entre a formulação e a execução visualizar os objetivos institucionais e intermedi- da estratégia (kaplan e Norton, 2004). A figura a seguir apresenta o Mapa Estratégico para o Caderno de propostas estratégicas de organiza‑ ção turística das cidades‑sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014: Proporcionar às cidades-sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014 condições OBJETIVO ótimas de atendimento aos turistas, promovendo a imagem do Brasil e o legado de um ambiente de desenvolvimento sustentável. OPERACIONAIS OBJETIVOS ESTRUTURAÇÃO E ATRATIVIDADE E DESENV. PROMOÇÃO PREPARAÇÃO DAS SATISFAÇÃO DOS AMBIENTE DE E IMAGEM CIDADES TURISTAS INVESTIMENTOS INTERMEDIÁRIOS RESULTADOS AUMENTO DO Nº APROVEITAM. TUR. QUALIDADE DA EXPOSIÇÃO TURISTAS NACIONAIS DOS DESTINOS DO OFERTA NA MÍDIA E INTERNACIONAIS ENTORNO ACESSO & INFRAESTRUTURA GESTÃO PÚBLICA INTEGRAÇÃO MARKETING BÁSICA E GOVERNANÇA REGIONAL DIRETRIZES SERVIÇOS E QUALIFICAÇÃO EQUIPAMENTOS SUSTENTABILIDADE TURÍSTICOS12
    • Para o Caderno de propostas estratégicas parte operacional. As ações de implementação dosde organização turística das cidades‑sede da programas e projetos terão impactos nos resulta-Copa do Mundo de Futebol de 2014, o mapa es- dos operacionais que, por sua vez, resultarão nostratégico apresenta os principais elementos para o objetivos intermediários. Todo este processo é con-alcance dos objetivos institucionais, organizando es- dizente a um megaevento, como a Copa de Mundoquematicamente a proposição de estratégias e pro- de Futebol, e representa uma efetiva contribuiçãopostas para a cidade-sede e região. Este mapa tem para o desenvolvimento sustentável do turismo.como objetivo principal estabelecer uma conexão Para este trabalho, as diretrizes foram desmembra-construtiva entre as diretrizes propostas, suas ações das em fatores críticos de sucesso (FCS), que sãoe seus prováveis resultados. condições, ou áreas fundamentais, para assegurar Dessa forma, o mapa estratégico foi estrutura- o sucesso de um empreendimento ou projeto. Va-do em quatro dimensões: objetivo geral, objetivos riam de acordo com a natureza do projeto e de-operacionais, resultados intermediários e diretrizes. pendem do ambiente em que estão inseridos e dasAs dimensões devem ser entendidas como níveis forças que ali atuam. Nesta ferramenta estratégica,gradativos a serem alcançados pela estratégia. Elas refletem os resultados da pesquisa realizada nassão representadas em sequência, de acordo com a cidades-sede, por meio de propostas de ação e re-lógica de consecução das etapas estratégicas. comendações. As diretrizes, localizadas na base do mapa, re- As diretrizes e seus respectivos fatores críticospresentam a própria estratégia em ação, ou seja, a de sucesso são os seguintes: diretriz fatores críticos de sucesso Serviços e equipamentos turísticos Serviços de hospedagem Serviços de alimentação Atrativos turísticos CAT Sinalização turística Qualificação Segurança para o turismo Hospedagem Alimentação Receptivo Serviços em geral Marketing Planejamento de marketing Gestão pública e governança Fundos e linhas de financiamento Articulação e cooperação para o desenvolvimento do turismo Coordenação institucional 13
    • Sustentabilidade Enfrentamento à exploração infanto-juvenil Produção associada à cultura Meio ambiente Acesso Acesso aéreo Acesso rodoviário Acesso aquaviário Infraestrutura Aplicação dos recursos em consonância com a Copa do Mundo O Caderno de propostas estratégicas de organização turística das cidades‑sede da Copa do Mun‑ do de Futebol de 2014, apresentado em cadernos específicos por cidade-sede, está estruturado conforme as diretrizes e seus fatores críticos de sucesso indicados acima. A seguir serão detalhados os FCS e os pontos relevantes para a análise de cada um deles, assim como algu- mas considerações em nível nacional.14
    • FOTO : CHRI STI AN kNE PP ER15
    • 3. caderno de propostas estratégicas Esta seção apresenta as diretrizes previstas ços de hospedagem; (ii) Serviços de alimentação; (iii) no Mapa Estratégico que fundamentam a estrutu- Atrativos turísticos; (iv) Centro de atendimento ao ração turística da cidade de Campo Grande para turista (CAT); e (v) Sinalização turística. sediar adequadamente o evento da Copa de 2014. A capacidade hoteleira e os serviços de alimen- Cada diretriz é composta por fatores críticos de su- tação têm destaque neste item. Ainda que não se cesso (FCS), resumidos nesta versão conforme seu possa justificar a construção de um novo empreen- escopo, seguida de um breve diagnóstico da situa- dimento hoteleiro apenas para atender à Copa do ção verificada in loco. Na versão das cidades, este Mundo de Futebol, cabe validar a capacidade de capítulo é composto de recomendações que devem atendimento dos hotéis e mapear as necessidades ser consideradas como uma das fontes de formula- do setor para o turismo em curto e longo prazos. ção das políticas públicas do Ministério do Turismo, isoladamente e/ou em conjunto com os governos 3.1.1. fcs: serviços de estadual e municipal, relacionadas ao turismo sob hospedagem o aspecto operacional da atividade, em particular visando ao evento Copa de 2014, bem como seu Um dos itens primordiais para realização e su- legado. cesso de um evento como a Copa do Mundo da FIFA é a capacidade e a qualidade do parque hoteleiro das cidades-sede do evento. A importância deste 3.1. diretriz: serviços item justifica-se nas visitas às cidades candidatas, e equipamentos que são realizadas, anos antes da competição, pela turísticos FIFA, através de parceiros comerciais, com o intuito de avaliar e credenciar a rede hoteleira instalada, ga- Esta diretriz compreende os serviços que devem rantindo assim o cumprimento dos seus critérios de estar presentes em um destino turístico, em quanti- qualidade. dade e qualidade adequadas ao segmento turístico Ressalta-se que o parque hoteleiro nas cida- que atende. Tem um caráter altamente estratégico des-sede pode ser considerado satisfatório em nú- por ser o canal de relacionamento direto com o turis- mero de unidades habitacionais e que recentemente ta, tornando tangível o acolhimento e receptividade algumas cidades apresentaram uma taxa de cres- de um destino. Por isso, estes são serviços que devem cimento constante, devido a novos mecanismos de estar adequadamente dimensionados, mantidos e financiamento dos investimentos. No que diz respei- promovidos para proporcionar a melhor experiência to à qualidade do parque hoteleiro, destaca-se uma ao seu usuário, o turista. Compõem esta diretriz os grande dispersão na oferta, influenciada principal- seguintes fatores críticos de sucesso (FCS): (i) Servi- mente pela “idade” e categoria dos hotéis.16
    • A qualidade, diversidade e quantidade dos tra-se em bom padrão de infraestrutura. A ofertameios de hospedagem de um determinado destino hoteleira, especialmente na categoria econômica,interferem diretamente na sua atratividade e na ca- necessita de monitoramento para a modernizaçãopacidade de sediar eventos e receber determinado estrutural e de atendimento que vise ao confortonúmero de turistas. Um destino será mais competiti- dos hóspedes. Dentre os itens que carecem de es-vo se apresentar, além de um maior número de pos- pecial atenção, incluem-se áreas comuns, áreas desibilidades, parque de serviços de hospedagem para emergência e as áreas molhadas (banheiros) dosseus clientes: facilidades, como acesso à internet, apartamentos.profissionais multilíngues, TV a cabo, aceitação de A infraestrutura de segurança dos centroscartões de crédito e débito e sistemas de segurança hoteleiros já é monitorada junto às secretarias deem padrões internacionais. segurança pública, em todos os casos, e não é um Para o turista do século XXI, importa muito a problema para o evento. A sinalização ainda é umqualidade e a variedade de opções de lazer e hos- problema para os hotéis. As placas multilíngues es-pedagem. Cabe à união dos esforços entre gestão tão presentes em muitos hotéis, contudo há carênciapública, iniciativa privada e comunidade local zelar de regularização para toda a rede, juntamente compara que o desenvolvimento da atividade hoteleira os treinamentos de serviço especializado de brigadasocorra de forma sustentável. de incêndio. As cidades escolhidas possuem capacidade ho- O setor hoteleiro está em ampliação, seguindoteleira (número de UHs) variada. Em muitos casos, crescimento natural de acordo com a demanda per-a região metropolitana precisa ser considerada para cebida e deve se converter em ativo importante paraatender às demandas da FIFA para números mínimos a concentração dos turistas e equipes que estarãode UHs. No geral, há predominância na categoria baseadas nas capitais. Do ponto de vista estratégico,Business entre as grandes cadeias, e na categoria pode ser um momento importante para acordos deEconômica considera-se também pousadas. Nas linhas de financiamentos, para que os empreendi-12 capitais, os hotéis maiores têm ocupação média mentos já previstos estejam prontos para a Copa doacima de 60% durante o ano, mas há maior efeito Mundo da FIFA de 2014.de sazonalidade entre os alojamentos de categoria Segundo a norma técnica da ABNT, NBReconômica. 9050:2004, que normatiza a acessibilidade nos meios No momento, na maioria dos 12 destinos-sede de hospedagem, qualquer que seja a sua categoria,da Copa do Mundo, a oferta está estável devido à “pelo menos 5%, com no mínimo um do total de dor-falta de novos entrantes no mercado, principalmen- mitórios com sanitário, devem ser acessíveis. Esteste de cadeias grandes. Porém, há novos empreendi- dormitórios não devem estar isolados dos demais,mentos em construção e há expectativa de aumen- mas distribuídos em toda a edificação, por todos osto de até 30% da oferta até 2014. Há carência de níveis de serviços e localizados em rota acessível.mão-de-obra especializada e necessidade de qua- Recomenda-se, além disso, que outros 10% do totallificação, mas a maioria dos hotéis grandes encon- de dormitórios sejam adaptáveis para acessibilida- 17
    • de”. Todas as cidades dispõem de hotéis operando casos, o motivo da extensão da permanência do tu- com número de UHs adaptadas, mas identifica-se a rista ou, ainda, um fator motivacional da escolha necessidade de um maior compromisso dos empre- do destino. sários quanto à acessibilidade em todas as áreas de Ainda neste contexto, faz-se necessária a faci- circulação. Recomenda-se o trabalho conjunto entre litação da forma de pagamento, mediante uma rede associações de classe e gestão pública, tanto para de comunicação estável entre os estabelecimentos e grandes hotéis quanto para pequenos empreendi- os cartões de crédito, assim como o estabelecimento mentos. de um canal de comunicação efetivo entre clientes A utilização de meios eletrônicos de pagamen- e atendentes. Embora a ampla fluência em idioma to, como cartões de crédito, percebeu-se amplamen- estrangeiro seja proposta na FCS “Qualificação”, te difundida, o que facilita a reserva de acomodações adiante abordada, é importante também enfatizar, e mesmo a negociação direta com o consumidor. por norma pública talvez, a necessidade de cardápio O serviço de acesso à internet já é oferecido multilíngue. nos meios de hospedagem, mas pode melhorar. Esta O conjunto das cidades-sede se compõe de um é uma opção de serviço que já está se tornando bom número de restaurantes e boa variedade de cada vez mais frequente, motivada pela demanda tipos de cozinha. Como a maioria está em fase de dos hóspedes. preparação para um fluxo turístico internacional, no curto prazo, carecem de uma área dedicada a restau- rantes para uso dos turistas. Os centros gastronômi- 3.1.2. fcs: serviços de cos são produtos que funcionam bem tanto para o alimentação público nacional quanto para turistas, pela comodi- Assim como os meios de hospedagem, os es- dade, localização e boa relação custo-benefício. Para tabelecimentos de alimentação, bebidas e similares um número maior de consumidores, principalmente têm papel fundamental na composição da cadeia turistas estrangeiros, o incentivo à formatação de um produtiva do turismo. Vale destacar que os restauran- complexo gastronômico viria ao encontro das neces- tes não se limitam ao fornecimento de alimentação, sidades do setor e da maioria das cidades. Em geral, mas são responsáveis pela promoção de experiên- os destinos já possuem feiras de artesanato e comi- cias significativas para os turistas, e funcionam como das típicas que poderiam ser incentivadas. agentes promotores de interação entre os visitantes Do ponto de vista dos equipamentos, há neces- e a cultura local, realidade mais evidenciada nos es- sidade de melhor estruturação dos restaurantes para tabelecimentos especializados em culinária típica ou atender a turistas estrangeiros. Há carência de car- regional. dápio multilíngue e de sinalização universal quanto A quantidade e a variedade de restaurantes a áreas comuns. são itens tão importantes quanto à conduta dos es- A correta articulação com o poder público local tabelecimentos diante de aspectos como higiene e pode facilitar o acesso a portadores de necessidades apresentação. A gastronomia pode ser, em muitos especiais. Identifica-se que há casos de restaurantes18
    • com carência de acesso e de outros estabelecimentos 3.1.3. fcs: atrativos turísticosque, apesar de terem instalações preparadas, preci- Os atrativos turísticos das cidades-sede têmsam realizar ajustes para melhorar o acesso público. papel importantíssimo e estratégico, porque têm A oferta de restaurantes, em geral, é adequada poder de influenciar a permanência dos especta-para atender ao mercado interno e aos turistas de dores dos jogos, motivando-os a permanecer maispassagem, mas precisa ser revista nas cidades meno- tempo na cidade. Se a Copa da Alemanha foi con-res, de acordo com as demandas previstas de cresci- siderada a Copa do Torcedor, pelo perfil individua-mento do setor. No que diz respeito à existência de lizado e de curta duração das viagens geradas pelosinalização multilíngue, há necessidade de melhora evento, no Brasil, espera-se que a Copa de 2014inclusive nas grandes capitais turísticas. Os cardápios seja a Copa da Família, com viagens de maior du-em outros idiomas só estão presentes em 10% dos ração e em grupos maiores (famílias e/ou amigos).restaurantes, e já há modelo de cooperação entre en- Ou seja, os turistas estrangeiros, que virão ao Bra-tidades de classe e associados para adequação doscardápios à necessidade dos turistas, na maioria das sil para a Copa, estarão à procura de atrativos paracidades. O percentual de trabalhadores e gerentes de compor sua programação de viagem. Estima-se orestaurantes com segundo idioma é muito baixo, mas período médio de estadia entre 10 e 15 dias.já há projetos de qualificação e tradução de cardá- Diante deste cenário, o papel dos atrativos tu-pios com entidades de classe, como Abrasel (Associa- rísticos é evidente. Eles provavelmente serão utiliza-ção Brasileira de Bares e Restaurantes) e sindicatos, dos como critério de decisão, pelos turistas da Copa,e Sistema S (por xemplo: SEBRAE, SESC, SENAC e SE- para a permanência ou não na cidade-sede. NesteNAI). Há necessidade de reestruturação da utilização sentido, a oferta de variedade de atrativos bem es-do espaço público para lanches e utilização de quios- truturados pode maximizar os resultados do eventoques e barracas informais de alimentação, principal- Copa na cidade-sede.mente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Por isso, faz-se necessário atentar para que os Os trabalhos em parceria com o Sistema S e atrativos estejam adequados em termos de:associações de classe podem ser incentivados para •    stado de conservação local e do entorno natural  egeração de melhores estruturas de atendimento e (meio ambiente);mão-de-obra qualificada. Os projetos de tradução •    xistência de infraestrutura apropriada a turistas  ede cardápios, festivais gastronômicos e estruturação brasileiros e estrangeiros;para composição de bons negócios no ramo de ali- •    cesso facilitado; e amentação são exemplos de meios de diversificação e •    cessibilidade aos portadores de necessidades es- aestruturação do setor para atendimento ao turismo. peciais. Há grande aceitação de pagamentos em cartão A criação e o desenvolvimento de novos atra-de crédito nos restaurantes brasileiros. Há necessi- tivos também é uma postura recomendável, vistodade de revisão dos conceitos de acessibilidade nos que pode enriquecer e diversificar a oferta existentebares e restaurantes. de atrativos numa cidade-sede, principalmente se o 19
    • novo atrativo oferecer uma alternativa à sazonali- 3.1.4. fcs: centro de dade. Isso pode se tornar um legado importante da atendimento ao turista Copa para a cidade-sede. (cat) O Brasil possui boa oferta de atrativos, princi- Em um evento como a Copa de Futebol, no palmente para os segmentos sol e praia, cultural e qual a motivação principal é o esporte, o centro de ambiental. Em geral, estes possuem utilização com- atendimento ao turista (CAT) desempenha papel partilhada de turistas e moradores e sofrem mu- importante na promoção da cidade-sede. Com o danças de infraestrutura que visam ao aumento da crescimento do turismo individualizado, no Brasil e frequência e consequente adaptação ao uso dos pri- no exterior, torna-se condição relevante a existên- meiros. As áreas verdes têm potencial para compor cia de um local que concentre informações sobre a conjunto de atrativos turísticos e espaços multiuso localidade e os destinos da região, disponibilizando para eventos ao ar livre e lazer em geral. O produto folhetos e mapas, atendimento em idioma estran- turístico ambiental é de grande atratividade e apelo geiro e, se possível, a opção de efetuar reservas em internacional, mas ainda é pouco trabalhado estra- atrativos, hotéis e restaurantes. Se o interesse se tegicamente. inicia com o jogo que irá acontecer na cidade, ele Os atrativos culturais possuem bastante sin- pode ser ampliado por um CAT eficiente e bem es- gularidade e apelo turístico, mas precisam de ade- truturado. quação para visita de estrangeiros e trabalho de No Brasil, foi verificado que a estrutura de CATs marketing para utilização dos próprios moradores está pequena, mas adequada à demanda atual. Há da cidade. A utilização de audio guides em museus, carência de postos de informação turística (PIT) e há por exemplo, ainda é incipiente e pode ser convertida grande confusão entre os conceitos de CAT e PIT. O em instrumento para as variadas nacionalidades com primeiro é maior e melhor estruturado que o segun- potencialidade para visitar os pontos turísticos, par- do, oferece mais serviços e precisa estar somente em ques e monumentos em fase de reestruturação. pontos-chave da cidade. O acesso e a integração dos atrativos estão Nos CATs, em geral, é possível receber informa- sendo incrementados, e há projeto para implantação ção e folhetaria multilíngue, além de orientação so- de linha de ônibus de uso misto (transporte turístico bre movimentação, destinos do entorno, alimentação e urbano), com bilhete único em mais de 50% dos e hospedagem. Porém CATs não são ligados em rede destinos. Este pode ser um benefício de valor inter- para levantamento oficial de dados, e perdem boa nacional. oportunidade de levantar elementos estatísticos para O produto turístico brasileiro ainda tem poten- melhoria do serviço. Já os PITs estão em pequeno nú- cial para crescimento estratégico em segmentos va- mero na organização turística das cidades e carecem riados. O incentivo e investimento no produto turísti- de regulamentação sobre sua operação. co é uma das principais metas de gestão do Ministé- rio do Turismo, utilizando a Copa do Mundo de 2014 como incentivo para legados como, por exemplo, o aumento do número de visitantes.20
    • F OTO: CARLI TO FE RR EIR A21
    • 3.1.5. fcs: sinalização do também que a sinalização entre o aeroporto e turística o estádio e entre o estádio e as principais áreas de hospedagem seja complementada com sinalização A habilidade de circulação dos turistas no pe- multilíngue enquanto durar o evento. rímetro de visitação, utilizando-se, por exemplo, de transporte próprio ou público, ou ainda caminhando até os atrativos, é propiciada por uma sinalização 3.2. diretriz: qualificação eficiente, e torna-se um fator de grande importância para a satisfação do turista no destino. Por meio da A qualificação profissional é responsável pelo existência de orientações claras e precisas, o turista aprimoramento da parte intangível do turismo. Esta pode potencializar o seu plano de visitação, amplian- diretriz tem grande importância na impressão que do o tempo de permanência, conhecendo melhor o o turista leva do país. A imagem já consagrada do local e eventualmente aumentando o gasto médio brasileiro como povo hospitaleiro e simpático não durante sua estada. A falta ou ineficiência de sinali- deve ser motivo para a negligência da qualificação zação é um dos itens de maior graduação na consul- e aperfeiçoamento dos serviços, pelo contrário, deve ta a turistas estrangeiros deixando o país. ser um objetivo compartilhado por todos: a busca A existência de sinalização adequada no en- permanente pela excelência em serviços. É este o torno do estádio, onde haverá grande concentração maior gargalo da operação turística no Brasil hoje e, de pessoas em dia de jogo, permite o fluxo tranquilo consequentemente, o maior desafio para a Copa do dos espectadores, sendo, portanto, uma medida in- Mundo de 2014. dispensável a ser tomada pelas cidades-sede. Esta é A existência de programas regulares de qua- uma ação que favorece diretamente não só aos turis- lificação profissional na cidade-sede é o primeiro tas, mas os próprios moradores das cidades. passo nesta direção, que deve ser complementado A maioria das cidades já possui sinalização com ações constantes de aperfeiçoamento e requali- turística, mas precisa melhorar, principalmente, nos ficação dos profissionais já formados e daqueles que quesitos multilíngue e de padronização segundo ainda não passaram por qualquer formação. normas do MTur. Como se tratam de capitais, não é aconselhável a parceria com instituições privadas para distribuição da sinalização, a exemplo de pe- 3.2.1. fcs: segurança para o quenos destinos turísticos e convênios com opera- turismo doras de cartão de crédito. É de responsabilidade da O papel das forças de segurança pública em gestão pública a facilitação do acesso e deslocamen- eventos de grande aglomeração popular, como um to turístico nos destinos da Copa do Mundo. dia de jogo da Copa, é importante e indispensável. Diante do observado e apurado, recomenda-se Os agentes policiais e de ordem acabam por ter que se preze pela manutenção da sinalização exis- interface com o público e com turistas e, por isso, tente, buscando seu aprimoramento. É recomenda- merecem também receber treinamento sobre aten-22
    • dimento, noções de idiomas e sensibilização quanto situações de pânico e conhecimentos sobre os atra-ao turismo. tivos da cidade. A sensibilização sobre exploração Da mesma forma, bombeiros e agentes de sexual infanto-juvenil também deve ser promovida,defesa civil necessitam de treinamento para re- como canal auxiliar de políticas já existentes.lacionamento com turistas. Os procedimentos de Existem oportunidades de qualificação profis-emergência são prioridade para grandes eventos. sional nas áreas relativas à hospedagem em todo oCulturas diferentes podem ter percepções varia- Brasil, por meio de associações de classe ou Sistemadas sobre os procedimentos adotados no Brasil. S. A hotelaria em geral não tem conseguido suprir aO correto treinamento das forças de segurança carência de profissionais habilitados em outros idio-pode ajudar no comando de situações de pânico mas, necessitando, portanto, de melhor preparo paraou aglomerações. o relacionamento com grande número de turistas Parte dos destinos-sede de jogos da Copa do estrangeiros.Mundo não conta com uma delegacia especializada Os dois principais pontos de carência são aten-para o turismo, mas todos têm oficiais ou soldados dimento ao cliente e proficiência em idiomas. Porém,de Polícia Militar especializados em turismo. Dada há também a necessidade de integração dos sis-sua característica indutora de turismo regional, os temas de segurança, como brigadas de incêndio enúcleos de segurança são tão importantes quanto os segurança particular, para lidarem com situações debatalhões. emergência que envolvam turistas estrangeiros. Em geral, há carência de programas de qualifi- Diante do crescimento do setor hoteleiro, prin-cação do efetivo da Polícia Militar, visando à sensibi- cipalmente na categoria econômica, há necessidadelização para a atividade turística e instrumental de de qualificação dos empresários quanto às estraté-idiomas. Em média, estima-se que 5% do contingen- gias de negócios para o futuro das cidades e os no-te possui conhecimento em uma segunda língua. vos processos de cooperação empresarial. Em geral, As Secretarias de Segurança Pública e os ór- há boa relação entre os gestores, administração pú-gãos de gestão em turismo mantêm uma boa rela- blica turística e associações de classe.ção, mas, na grande maioria das cidades-sede, aindanão há um programa formal de cooperação para o 3.2.3. fcs: alimentaçãoturismo. Por considerar a alimentação um item direta-3.2.2. fcs: hotelaria mente relacionado ao cotidiano do turista, os pres- A qualificação dos serviços em hotelaria deve tadores deste serviço devem estar cientes sobre osser uma constante. Todos os funcionários dos meios procedimentos de manipulação segura de alimentosde hospedagem e os aspirantes a tal função devem e adotá-los, garantindo ao visitante uma experiên-receber treinamento para exercer sua função com cia positiva. Independentemente do porte, da loca-tranquilidade e competência adequadas. O treina- lização, ou mesmo do seu grau de formalização, émento deve incluir também noções de reação em fundamental que o alimento servido esteja em con- 23
    • dições apropriadas para o consumo. Este é um item de atendimento, principalmente no que diz respei- que carece de maior atenção da gestão pública das to à sensibilização para a necessidade de receber o cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. turista com encantamento. Os pequenos e médios A qualidade no atendimento também é outro empresários de bares e restaurantes ainda não estão item de especial importância no setor de alimenta- preparados, em sua maioria, para atender turistas es- ção das cidades-sede. O posicionamento definitivo trangeiros. Identifica-se, portanto, que, para o turis- de um destino na rota do turismo internacional, mo, as ações de capacitação e sensibilização devem pressupõe a existência de um canal de comunicação ser direcionadas não apenas aos empregados, mas entre clientes e atendentes. A proficiência mínima também aos empresários. em idiomas estrangeiros, especialmente o inglês e o A disseminação das boas práticas na manipula- espanhol, pelos atendentes de bares e restaurantes, ção de alimentos – é promovida em parcerias com as deve ser um objetivo a se alcançar numa perspectiva instituições do Sistema S e associações de classe, que de cinco anos. Além disso, a adoção de medidas auxi- possuem uma atuação constante no aperfeiçoamen- liares, como a oferta de cardápios multilíngues, pode to dos profissionais de alimentação. ser altamente efetiva para o atendimento de turistas estrangeiros. Esta medida pode ter baixo custo e pos- 3.2.4. fcs: receptivo sibilitar a familiarização, por parte dos funcionários, com expressões da língua alvo e com a própria expe- Para alcançar resultados competitivos, é neces- riência de utilização. sária, além da infraestrutura básica, a existência de Na maioria das cidades há oferta regular serviços que viabilizem a circulação dos turistas pelo de cursos de qualificação na área de alimentos e destino. A estruturação do turismo receptivo de forma bebidas, por meio de parcerias entre Sistema S e profissional, com oferta de produtos e serviços com associações de classe. Há mão-de-obra especiali- qualidade e segurança, é um dos fatores que confere zada, aproveitada nos restaurantes, mas há grande ao turista a satisfação de suas expectativas. Os guias demanda por aperfeiçoamento para crescimento de turismo desempenham um papel importante nes- nas funções, principalmente no que diz respeito se contexto, pois atuam como interlocutores locais. ao atendimento ao cliente. Os cursos atuais não Um destino competitivo deve ser capaz de oferecer são suficientes para suprir a demanda estratégica guias bem preparados, devidamente credenciados e de maximização da capacitação para a Copa do fluentes em idiomas. Mundo de 2014. Para atender à demanda turística Com exceção das grandes capitais turísticas, há almejada pelas cidades, há necessidade de aumen- um número limitado de guias de turismo multilín- to/criação do número de cursos de capacitação e gues e carência de estruturação e planejamento de aperfeiçoamento. longo prazo. A correta articulação com as lideranças O percentual de empresários de pequeno e mé- públicas pode proporcionar melhor escalonamento dio porte é alto em todo o Brasil, e há forte demanda de visitas, principalmente para os destinos que ainda para treinamento mais integrado de todo o pessoal têm seu potencial de visitação em estudo.24
    • Considerando a necessidade de expansão do de classe para a melhor preparação dos motoristas dereceptivo para atendimento das demandas interna- táxis. Em ações isoladas, há bons resultados no que dizcionais, verifica-se que há carência de investimento respeito à participação dos motoristas.privado em tecnologia de informação e redes de in-tegração, para auxílio na distribuição do volume deturistas pelos atrativos locais e do entorno. 3.3. diretriz: marketing Uma das principais potencialidades do evento3.2.5. fcs: serviços em geral Copa do Mundo de Futebol é a promoção interna- Além dos serviços tradicionais, normalmente cional do país-sede. De acordo com levantamento dautilizados em viagem, como hospedagem, alimen- FIFA, a Copa de 2006 teve 73 mil horas de transmis-tação e receptivo, existem outros que são igual- são na TV, em 214 países e territórios. Segundo estamente importantes durante a estadia em destinos mesma estimativa, o evento gerou uma audiênciaturísticos. acumulada de 26 bilhões de espectadores (múltiplos No Brasil, há diversos projetos para incentivo à acessos). Os números são expressivos, e mesmo seprodução associada ao turismo e conscientização da considerarmos uma expectativa conservadora paraimportância do tratamento diferenciado ao visitan- a Copa de 2014, ainda assim tem-se uma audiênciate. Há, porém, carência de cursos de capacitação aos global muito significativa.empresários sobre a operação associada ao turismo Este considerável potencial não pode ser des-e a necessidade de entendimento da importância perdiçado ou ignorado, e o país tem, então, o desafiode uma cadeia produtiva. A perspectiva do negócio de maximizar esta exposição, de forma a contribuiraliada à governança global também são áreas caren- para a boa imagem do país no exterior. Neste sen-tes de capacitação. Há forte associação com o meio tido, o esforço nacional deve ser acompanhado peloambiente, principalmente pelo apelo do ecoturismo, esforço conjunto das cidades-sede, que devem tam-mas poucas operações correlatas como, por exemplo, bém prever com a devida antecipação seus trabalhosa coleta seletiva de lixo. de imagem e promoção. A promoção adequada de Na maioria das cidades, há frota de táxis equi- uma cidade-sede requer a elaboração de um plane-valente à sua necessidade atual, com poucos casos de jamento de marketing capaz de identificar em queaceitação de cartões de crédito. Ainda há necessidade segmentos de mercado o destino quer se mostrar, oude treinamento para atendimento ao cliente. Não fo- se revelar, ao país e ao mundo.ram identificadas iniciativas significativas de qualifi-cação em idiomas, que devem ser ampliadas e incen- 3.3.1. fsc: planejamento detivadas. Esta área, no contexto brasileiro, é importante marketingpara o transporte de turistas, mas fora do escopo degestão do Ministério do Turismo. Assim, incentiva-se a Para a definição da estratégia de marketing doformação de projetos de cooperação com entidades destino, é necessária a elaboração de um planeja- 25
    • 26 FOTO : WE RNE R z OTz
    • mento de marketing formatado com base na parti- A utilização da internet, até 2014, seguirá umacipação da iniciativa privada, do setor público e do curva crescente, e a presença da cidade-sede na rede,Terceiro Setor, e que estabeleça metas, ações, prazos com um site atualizado em três idiomas (ao menos) ée indicadores para o seu acompanhamento, a partir uma ferramenta extremamente estratégica para suada liberação pela FIFA das campanhas para a Copa promoção.de 2014, até as campanhas pós-Copa. Os portais de internet, em geral, não estão bem A participação da cidade-sede em feiras e estruturados, mas vêm sofrendo ajustes constanteseventos é importante para a divulgação dos atra- para atender turistas em outros idiomas. Os canaistivos da localidade e para a comercialização de de informação precisam melhorar no aspecto de ma-roteiros locais e regionais. No entanto, é a defini- rketing de promoção.ção de uma política formal, voltada aos segmentos No contexto de pesquisas de mercado, há infor-de mercado que se deseja atingir, que garante ao mação reduzida e carência de levantamento detalha-destino turístico a execução de ações planejadas. do sobre o perfil do turista internacional e respecti-Como parte dessa estratégia, cabe ressaltar a im- vos segmentos de interesse, por município. Os dadosportância de mensurar o impacto da participação oriundos das pesquisas da Embratur precisam serem feiras e eventos como forma de aprimorar as complementados pelas pesquisas locais dos municí-políticas de promoção do destino. Esse esforço adi- pios. Apesar de terem agendas de eventos bem mo-cional, cujo modelo ideal contempla a participação vimentadas, na maioria dos casos, não há programade todos os atores, pode contribuir para um maior formal de adequação do visitante ao turismo, o queconhecimento sobre o destino e para o aumento de pode ser resultado de um grande número de eventosvisitantes à cidade. de amplitude local ou de carência de estratégia que O material promocional é um dos elementos de viabilize oportunidade para captação e conquista demarketing que ajuda a compor a imagem da locali- potenciais clientes.dade, por isso deve refletir a realidade local e estarvoltado aos segmentos que se pretende atingir. A ci-dade-sede deve incluir em seu material promocional 3.4. diretriz: gestãoa logo da Copa, em consonância com as regras da pública e governançaFIFA, a fim de estimular as expectativas com relação Esta diretriz tem como objetivo dar continui-ao evento. dade ao avanço da Política Nacional de Turismo do Uma ferramenta efetiva para o marketing do Ministério do Turismo, aprofundando e fortalecendodestino é dispor na internet um site de uma determi- as articulações políticas no âmbito das necessidadesnada localidade, onde se deve concentrar informações de gestão pública e governança, para o legado dasgerais sobre o destino, tais como atrativos existentes, atividades fomentadas antes, durante e depois dacultura local, infraestrutura de equipamentos e serviços Copa do Mundo de Futebol de 2014. Trata, ainda,turísticos, calendário de eventos, além de outros dados das atividades de incentivo a ações e programas queindispensáveis para a definição de uma viagem. 27
    • desenvolvam mecanismos de avaliação e acompa- turismo, e a Copa do Mundo pode se converter em nhamento do desempenho da atividade turística em modelo especial para iniciar o processo de troca de âmbito nacional. tecnologias e experiências com entidades internacio- As entidades de turismo no Brasil têm boa nais em turismo e áreas correlatas. articulação entre si, cooperando para a sinergia de 3.4.1. fcs: fundos e linhas de planejamento, a fim de criar uma imagem consolida- financiamento da para o destino. A gestão do turismo está dividia entre as secretarias de governo, em nível estadual e É objetivo deste FCS identificar oportunidades e municipal, e, em alguns casos, empresas de turismo. desafios para a concessão de crédito para desenvol- O modelo adotado para o turismo valoriza a cidade vimento do turismo. Dentro da variedade de linhas e os destinos do entorno, e tem na Copa do Mundo de financiamento para empresas de serviços, há, no oportunidade especial para consolidação do produto Brasil, uma gama de ofertas de bancos privados e turístico internacional. A articulação e cooperação públicos. Na área hoteleira, por exemplo, há créditos com associações, demais secretarias públicas e Sis- para construção e reforma, e linhas financeiras para tema S, criam o princípio de unidade muito relevante expansão de negócios. Dada a necessidade constante para a aprovação de programas e projetos de turis- de modernização e de certificação de serviços, cabe mo em destinos que ainda não estão consolidados. O incentivo às linhas de crédito já existentes e criação Ministério do Turismo é o grande articulador do setor de outras mais que abranjam ainda a qualificação e patrocinador da maioria dos projetos. Sem o MTur, hoteleira quanto ao nível de conforto, seguindo o crescimento do setor estaria comprometido. orientação do Ministério do Turismo. As áreas de pesquisa e planejamento podem ser incentivadas para melhor mapeamento das entradas 3.4.2. fcs: articulação e e saídas, proporcionando à gestão pública ferramen- cooperação para o ta de trabalho para ajustar a política de turismo ao desenvolvimento do visitante. Há carência de dados estratégicos sobre turismo os visitantes e necessidade de adequação dos mo- delos de pesquisa aos padrões do MTur. A Embratur Dentre os objetivos desta seção, destacam-se já desenvolve investigação de perfil nos aeroportos as ações de cooperação institucionais, as ações de e variados setores da cadeia produtiva do turismo, tomada de decisão para sustentabilidade e o fomen- mas os dados nem sempre são suficientes para tra- to aos pequenos e médios negócios em turismo. çar a estratégia de cada cidade. Há necessidade de As ações de articulação entre setores públicos, investimento local em pesquisa em consonância com privados e organizações sem fins lucrativos estão o governo federal. em andamento, com maior atuação entre governo e A cooperação com entidades internacionais e a escritórios do Sistema S. O processo de descentrali- troca de experiências com outras instituições ainda zação do turismo encontra-se em estágio avançado, não fazem parte do contexto das administrações de tanto do ponto de vista da tomada de decisão em28
    • nível local, na representação da empresa pública de à candidatura e planejamento estratégico das açõesturismo, quanto na otimização dos recursos e eficá- no âmbito do turismo. Em geral, o comitê está ligadocia das ações. diretamente à Secretaria Executiva Estadual, e as or- Quanto à capacitação, há maior articulação. A ganizações de turismo estão representadas no comi-formação de mão-de-obra especializada, principal- tê, que é composto por várias coordenações e direto-mente para a hotelaria e restaurantes, manifesta-se rias em nível estadual e municipal. Há planejamentode forma regular no calendário de cursos para indús- estratégico para os projetos que também favorecemtria de serviços. Há registros de setores do comércio o desenvolvimento do turismo.que hoje competem com empresas de turismo nacontratação de mão-de-obra, indicativo da qualidadedo processo educacional e de capacitação técnica. 3.5. diretriz: A cooperação técnica é, portanto, o gargalo sustentabilidadedeste item em nível nacional. No Brasil, há poucosrelatos de cooperação técnica em turismo e troca de Preparar a população local para absorver osexperiências com entidades internacionais, tais ações empregos diretos e indiretos, gerados pela Copa depodem ser motivadas pelo fator Copa e, como já re- 2014, é condição importante para o desenvolvimentolatado em FCS anteriores, transformar a realidade da sustentável deste evento. Se o turismo gera empre-gestão e operação do turismo nacional. gos para a comunidade, aproveitando a mão-de-obra qualificada, diminui o impacto social negativo da ati- vidade.3.4.3. fcs: coordenação Ainda nesse contexto, é importante destacar institucional também a necessidade de garantir a formalidade Este FCS avalia as tarefas da gestão e da ad- dos empregos gerados pelo turismo, mesmo que deministração para atividades relacionadas exclusiva- forma temporária.mente à Copa do Mundo de Futebol. A população local deve poder desfrutar dos Para o turismo, além dos investimentos e con- atrativos de que a cidade dispõe, evitando o aban-trapartidas em infraestrutura pesada, há pontos es- dono dos equipamentos turísticos e, consequente-pecíficos que podem receber tratamento adequado mente, preservando os atrativos para que possampara o fomento do setor. Por exemplo, os fan parks, ser usados também pelos visitantes pós-Copa. Umamodelo autorizado pela FIFA para dispersão e exi- vez que o cidadão se integra ao turismo, ele passa abição pública dos jogos, podem se converter em se sentir responsável pela preservação de sua cidade,ferramenta estratégica para a gestão pública local, valorizando os atrativos do destino e ajudando nadivulgando a imagem e a hospitalidade do destino, promoção da localidade.inserindo no mesmo espaço turistas e moradores. A participação da comunidade local e o enten- No âmbito da estrutura política, as cidades já dimento do setor como fonte geradora de empregoapresentam comitês instituídos para ações voltadas e renda é de grande importância para o desenvolvi- 29
    • mento de um destino turístico. O ambiente acolhedor rias de segurança, ainda há necessidade de atenção e o bom relacionamento com os turistas, proporcio- da gestão pública local para este assunto. nado pela população local, contribuem para a sus- tentabilidade da atividade. O turista que é recebido 3.5.2. fcs: produção associada por uma comunidade sensível à importância do turis- à cultura mo, por sua vez, tende a sentir-se mais responsável pela cultura, pelos hábitos locais, pelo meio ambien- A preocupação com o fator cultural para o turis- te e pelos atrativos, de uma forma geral, segundo mo, em particular visando à Copa de 2014, por meio informações da administração turística municipal. da oferta de programas contínuos de incentivo e pre- Por isso, campanhas para sensibilizar a comunidade servação do patrimônio, deve ser considerada não sobre os impactos do turismo e programas de cons- apenas como um fator capaz de melhorar os serviços cientização voltados aos turistas, que abordem a im- ofertados, mas também de contribuir para o incre- portância do respeito ao destino turístico, são pontos mento da qualidade de vida da comunidade, como relevantes para a boa imagem do destino durante a um legado inalienável. Copa do Mundo. A produção de artesanato está em desenvolvi- mento e faz parte do cotidiano do turismo brasileiro. Há produtos característicos e produtos em fase de 3.5.1. fcs: política de associação à indústria turística. Os trabalhos em os- enfrentamento e sos, madeira, lã, bordados, cerâmica e barro, dentre prevenção à exploração outros, são característicos de cada local e a associa- sexual infanto–juvenil ção com a cultura nacional é presente nos produtos A exploração sexual infanto-juvenil, quando ade- de acesso turístico. A gastronomia e a música tam- rida ao tecido social local, é perniciosa e gera danos bém estão intimamente ligadas à cultura do Brasil, à imagem de um destino turístico. Mesmo em locais e é possível encontrar os variados tipos de culinária onde não existem problemas evidentes ligados à ex- típica atrelados ao turismo. ploração sexual infanto-juvenil, a adoção de medidas preventivas é fundamental, uma vez que esse tipo de 3.5.3. fcs: meio ambiente visitante tende a ser atraído para localidades onde haja impunidade. A existência de políticas de enfrenta- A realização de um evento de grande porte, mento e prevenção à exploração sexual infanto-juve- como a Copa do Mundo de Futebol, implica diversos nil e a aplicação de ações pontuais, como campanhas efeitos sobre o meio ambiente. Dentre os impactos de sensibilização e divulgação de canais de denúncias, ocasionados, destacam-se as emissões de dióxido contribuem para a inibição dessa prática. de carbono, promovidas pelos deslocamentos aé- O Brasil ainda possui áreas de atividade de tu- reos; a produção extraordinária de lixo e dejetos; e rismo sexual e exploração infanto-juvenil. Apesar das também o consumo de energia e água potável. Em boas campanhas do MTur em conjunto com secreta- 2006, a Alemanha, preocupada em minimizar estes30
    • impactos, foi pioneira ao iniciar, cinco anos antes da como o período ideal para circulação em um desti-realização do evento, estudos e projetos ambientais no. Uma série de medidas interfere no contexto depara a redução desses efeitos. Este movimento, sob mobilidade, desde fatores institucionais, incluindoa orientação do comitê local e das cidades-sede, e regulamentação governamental, incentivos fiscaiscom o apoio da FIFA, levou à criação do programa e tarifas, até qualificação, infraestrutura de base eambiental denominado Green Goal, ou Gol Verde, pessoal para trabalhar nos pontos de acesso. Aero-e tornou-se um dos principais legados do evento. O portos, rodoviárias, portos, marinas e estações defoco do programa recaiu sobre quatro principais áre- trem merecem atenção especial quando se trata deas: água, lixo, energia e transporte. grandes eventos, pois concentram a responsabilida- A áfrica do Sul também incluiu o meio ambien- de de neutralizar a grande escala e as necessidadeste na sua agenda, para a realização do evento em de integração.2010. Sem os mesmos recursos e a tecnologia dispo- Os terminais aéreos se identificam diretamenteníveis na Alemanha, as cidades-sede africanas estão com o conceito de integração para os padrões bra-se empenhando para reduzir ao máximo o impacto sileiros. As grandes distâncias demandam muito dasambiental da Copa, buscando um legado “verde” gestões públicas e privadas que regulam e operame social. Para isso, as ações estão sendo estrutura- neste mercado. Apesar de não ser somente uma açãodas em torno do uso racional dos recursos naturais de turismo, a reforma de aeroportos e suas respec-e destinação adequada dos resíduos. A preservação tivas vias de conexão com o centro da cidade-sededa biodiversidade local, universalização do acesso e está diretamente ligada à questão da infraestrutu-transporte e a promoção do turismo sustentável tam- ra turística para a Copa do Mundo. O Ministério dobém fazem parte do plano africano. Turismo, em conjunto com outras organizações go- Cabe ao próximo anfitrião do evento, o Brasil, vernamentais, já atua na reforma e sinalização dosdar continuidade a estas preocupações. Uma eventu- terminais aéreos brasileiros, pois as gestões locaisal interrupção desta agenda ambiental poderia gerar raramente têm insumos financeiros suficientes parauma imagem negativa, comprometendo até todos os os investimentos necessários.esforços em outros aspectos para sediar com sucesso Apesar de suas dimensões continentais, o Brasilo torneio. não deve ter foco somente nos terminais aéreos. O É fato que cada cidade deve possuir sua própria transporte rodoviário possui grande capilaridade noagenda ambiental. Porém, como a Copa é um even- país, mesmo para cobrir distâncias acima de 1.000to do país, é importante que estas agendas estejam km. Dada a característica histórica do processo dealinhadas. formação da mobilidade do País, tem-se hoje uma boa malha rodoviária para cobrir as cidades-sede3.6. diretriz: acesso e destinos do entorno, mas há carência generaliza- da no que diz respeito à reforma e construção dos Para o turismo, os condutores de público local terminais, sendo alguns destes obsoletos, e outros,e visitantes determinam o grau de utilização, bem superlotados. 31
    • 32 F OTO : CHRIS T IAN kNE PPE R / EMB RATUR
    • Dentre os modais mencionados, verifica-se que de infraestrutura externa de estacionamento paraos trens, apesar de não terem se desenvolvido como ônibus e carros de receptivo.modelo de transporte de massa entre estados, po- No Brasil, a conexão aeroporto-centro se dádem receber atenção especial para a Copa do Mun- basicamente por meio de táxis. A construção e refor-do, dando início a um processo de integração e divi- ma de novas vias de acesso, passando por fora dosão de modais nas principais cidades brasileiras. centro, dinamizam a conexão com a região hotelei- ra. As vias, em geral, vêm sofrendo reformas periódi- cas, mas há carência de um outro modal de conexão.3.6.1. fcs: acesso aéreo Considerando o aumento da malha operacional dos O acesso aéreo é um fator diretamente asso- aeroportos, haverá necessidade de reestruturaçãociado ao turismo, uma vez que a realização de uma dos modais.viagem turística implica a saída do viajante de seu 3.6.2. fcs: acesso rodoviário“ambiente usual de convivência” para um ou maisdestinos turísticos. Ainda que existam diversos ele- Nos casos em que as distâncias que separammentos que possam influenciar a atração de um via- o viajante e a cidade a ser visitada são relativamen-jante por um determinado local, esse componente é te curtas, o acesso rodoviário reveste-se de caráterfundamental, pois as dificuldades de acesso podem estratégico. Quando se trata de turismo regional,tornar complicada a chegada do viajante ao destino esse componente ganha ainda mais relevância paraplanejado, ou mesmo impedi-la. Portanto, o transpor- um destino turístico. Uma quantidade suficiente dete aéreo – seja no âmbito do turismo internacional, linhas intermunicipais rodoviárias, com frotas con-seja no contexto doméstico – se reveste de caráter fortáveis e seguras, e a existência de um terminalfundamental para a competitividade do destino tu- rodoviário em bom estado de conservação e comrístico, em virtude das dimensões continentais do qualidade de serviços, auxiliam no processo de me-Brasil. Assim, a provisão de acesso não se limita à lhoria da acessibilidade e, conseqüentemente, propi-disponibilidade física de um aeroporto, mas englo- ciam o aumento da competitividade do destino. Esteba a quantidade de voos regulares e não regulares e é o principal modal, em volume de passageiros, dosuas frequências para o destino, o nível de qualidade turismo brasileiro.dos serviços oferecidos e toda a infraestrutura subja- Afora região Sudeste, há pouca oferta de ônibuscente, entre outros aspectos. para circulação turística nos estados, e necessidade Há previsão de crescimento no aproveitamento de melhora de infraestrutura nos terminais rodoviá-de horas na maioria dos aeroportos de capitais bra- rios. Porém, considerando o crescimento do turismosileiras e, principalmente, nas cidades menores, há e a demanda pelo transporte entre a capital e as ci-urgência de implementação do plano de desenvol- dades do entorno, recomenda-se atenção especial àsvimento estratégico do aeroporto. Em muitos casos, conexões também. O transporte de qualidade precisadada a necessidade de conexão direta entre o ae- ser priorizado, bem como a reforma e ampliação doroporto e destinos do entorno, há também carência terminal de passageiros. 33
    • As estradas de conexão aos destinos vizinhos 3.7. diretriz: nem sempre estão em boas condições e há, em geral, infraestrutura poucas opções de transporte de ônibus a ser utiliza- do por turistas. Ainda não foi implantado projeto de Esta diretriz trata da estruturação das necessi- ônibus turístico no modelo bilhete único na maioria dades de infraestrutura de base a serem beneficiadas das cidades. com os investimentos nesta área pelo governo fede- ral. Tais aportes financeiros dedicam-se a um conjun- to de políticas econômicas que visam o desenvolvi- 3.6.3. fcs: acesso aquaviário mento acelerado do Brasil. Dentre os campos de atu- È característica do Brasil a existência de gran- ação, há possibilidades especiais para alocação de des fontes de transporte aquaviário por meio de recursos principalmente em transporte, capacitação, rios e travessias marítimas. Esta diretriz trata das preservação de patrimônio e construção de equipa- potencialidades náuticas encontradas no país, pou- mentos turísticos. quíssimo utilizadas do ponto de vista do turismo. Em Este modelo de investimento está dentro do geral, as propostas estão relacionadas à criação de escopo de atividades de preparação para a Copa do um projeto de utilização do recurso aquático, desde Mundo de Futebol, pois trata da reforma ou cons- a formatação do produto até a instalação de infraes- trução de instrumentos, também de construção civil, trutura para utilização. presentes no compromisso das cidades candidatas Em algumas cidades, os cruzeiros ganham des- para sediar o evento. Estas atividades são respon- taque nesta diretriz por estarem em crescimento no sáveis pelo desenvolvimento do destino do ponto de Brasil e por serem alternativas para o transporte dos vista social e também turístico. Em paralelo, para o turismo, há de se ter es- turistas entre cidades. Mas os terminais de embarque pecial atenção para os efeitos dos investimentos em e desembarque não estão adapatados e carecem de mobilidade, que tratam da construção e reforma de melhor infraestrutura para conforto e ampliação da corredores urbanos de ônibus e investimento em li- utilização deste modal. gações de trens, que podem beneficiar conjuntamen- Neste quesito, o Brasil não consegue atender te ações voltadas para a estruturação do produto com conforto à demanda de cruzeiros existente. Em turístico, por investimento direto do MTur, por meio alguns casos, o calado também está inadequado, de programas como o Prodetur ou investimentos de então os navios atracam em local distante, obri- grande porte do governo federal. gando a utilização de ônibus para o deslocamento entre terminal e navios. A utilização de pier tam- bém não é uma realidade no turismo brasileiro e, a exemplo de outras cidades do mundo, as capitais nacionais têm potencial para multiutilização destes equipamentos.34
    • 3.7.1. fcs: aplicação de Por fim, no contexto geral, o Brasil precisa de recursos em consonância investimento de base para o turismo. O MTur, em com a copa do mundo no parceria com governos estaduais e por meio de in- brasil vestimentos do BID, por exemplo, já se articula para execução de projetos de infraestrutura turística, mas O sistema de transporte urbano é um item re- o esforço para a Copa do Mundo pode ser maximiza-levante para a atividade turística, não se limita aos do e gerar maior legado em menor tempo.aspectos ligados à chegada e saída dos municípios.Dessa forma, vale ressaltar que os meios de transpor-te específicos ou não para turistas – como ônibus, táxie alternativos –, e que fazem ligações entre meios dehospedagem, atrativos locais e aeroportos ou rodovi-árias, precisam de melhor estruturação e construçãode novos modelos de mobilidade urbana. Dada sua característica rodoviária, e sua capa-cidade para receber e desenvolver atrativos turísti-cos naturais, cabe atenção especial à necessidade deincentivo ao embarque e desembarque de turistasinternacionais, no aeroporto, e seu respectivo deslo-camento. Há necessidade de especial atenção no fo-mento ao transporte intermunicipal e no fomentoà diversificação de produtos e destinos turísticos. Acomplementação da viagem de um turista que seinicia no centro urbano e se espalha pelo interior éum modelo já dentro do escopo de regionalizaçãodo MTur. Os centros comercias e pontos de visita turísticajá são bem utilizados e estruturados, mas carecem,por exemplo, de construção de infraestrutura de es-tacionamentos, de sinalização e vias de acesso. Damesma forma, as construções tombadas – museuse monumentos históricos, por exemplo – em poucoscasos se encontram em fase de reforma para rece-ber visitantes, vislumbrando o benefício de turistase moradores. 35
    • www.copa2014.turismo.gov.br