Boletim Universo EAD Abril/2011 - Educação a Distância

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O seu informativo sobre tecnologias aplicadas à educação do Senac São Paulo.

Para mais informações, acesse http://j.mp/IVPdMb

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Boletim Universo EAD Abril/2011 - Educação a Distância

  1. 1. Vida inteligente e autossustentável na casa do futuroO avanço da tecnologia ainda é um dos principais vilões para a preservação dos recursos naturais. Contudo, amesma inteligência que destrói também tem contribuído para preservar a vida no planeta.Até pouco tempo atrás, a ideia mais comum de futuro era baseada na construção de casas totalmenteautomatizadas. É claro que esses projetos ainda existem, mas hoje a definição de “casa do futuro” vai além.Sustentabilidade é a palavra de ordem. Por isso, os ambientes residenciais futuristas seguem o conceito básico deque nada se desperdiça, tudo pode ser reaproveitado.Com projetos ousados na área da construção civil, a consultoria europeia Altran desenvolveu, junto a pesquisadoresda França, Suíça e Alemanha, sistemas residenciais sofisticados que unem a tecnologia aos critérios de preservaçãoambiental. A proposta é que as casas produzam sua própria energia elétrica por meio de painéis e coletores solaresinstalados no teto, nas janelas e nas paredes. Parte dessa energia pode, inclusive, ser utilizada para recarregar asbaterias dos carros e de diversos equipamentos.A água da chuva é coletada e armazenada para regar as plantas, limpar a casa ou o carro e até abastecer adescarga de banheiros. Com métodos de filtragem e tratamento, todo esgoto é purificado e reciclado naturalmente.A ventilação contribui para a renovação do ar no interior das residências, ao mesmo tempo em que reduz a perda decalor, graças à ação de um cata-vento instalado na chaminé, que muda de posição conforme a direção dascorrentes. Com isso, a saída de ar quente aquece o ar frio que entra.As casas têm paredes grossas, com camadas de tijolos separadas por fibra de lã de rocha. O revestimento externotambém pode ser feito com materiais naturais, como cânhamo ou fibras de algodão. São utilizados aindananomateriais e blocos de concreto celular, projetados para diminuir a perda de calor. Para aquecer o ambiente,principalmente em dias frios, há várias alternativas, desde o uso de modernas pilhas de hidrogênio a métodos maisantigos de aquecimento, como caldeiras, fogões a lenha e bombas de calor.O grande dano ecológico causado pelas construções é outro tema que está na pauta de pesquisadores de todo omundo. A solução seria integrar as construções à natureza, sem fazer qualquer modificação que agrida o meioambiente. Esse é o escopo de ambiciosos projetos que preveem estruturas pré-fabricadas que “flutuem” sobre asárvores ao invés de derrubá-las, criando casas que possam ser distribuídas sem prejudicar o entorno.Outra grande questão que envolve projetos de moradia inteligente é o aproveitamento de espaços urbanosdegradados. Um modelo visionário é a Landscript, uma cidade do futuro planejada para Genebra, na Suíça, quepropõe a construção de 100 mil casas até 2020. A ideia é erguer residências, escolas, creches e universidades acimada infraestrutura já existente na área, atualmente tomada por galpões, indústrias, trens, estradas etc.Uma boa proposta nacional é o Residência Sustentável, projeto desenvolvido pelo SustentaX, grupo especializado emsoluções de sustentabilidade econômica, social e ambiental. O objetivo é disseminar o tema de forma prática paraque as pessoas possam imaginar ideias sustentáveis em seus cotidianos. A proposta prevê unir o trabalho deempresas responsáveis para demonstrar como é possível reformar e decorar um apartamento, por exemplo, combase nos critérios internacionais de sustentabilidade.Os interessados em unir boas ideias a projetos sustentáveis podem conhecer os diversos tipos de capacitação que oBoletim Universo EAD - Abril 2011 - ano VII nº 68 Página 2
  2. 2. Senac São Paulo oferece nas áreas de paisagismo e jardinagem earquitetura e urbanismo, incluindo cursos livres,técnicos, de graduação e pós-graduação.Um clique por uma árvoreSe você deseja contribuir com a preservação dos recursos naturais, saiba que é possível colaborar com atitudessimples, como separar lixo reciclável, economizar água e utilizar equipamentos de baixo consumo elétrico. A internettambém pode ser um caminho simples e eficiente: com apenas um clique no mouse, qualquer cidadão pode solicitaro plantio de árvores. Um bom exemplo é o programa Clickarvore, criado em meados de 2000, que já garantiu maisde dois milhões de mudas nativas à Mata Atlântica. Outras campanhas on-line confiáveis são Adote uma Árvore,Greengle,Plante uma Árvore e The Rain Forest Site. Mercado de trabalho busca profissionais com qualificação “verde”O aumento da preocupação mundial com as mudanças em nosso planeta está gerando uma demanda porprofissionais especializados em desenvolver, projetar, combater e auditar os mais diversos processos que envolvemas questões ambientais. Por isso, seja no setor público ou privado, ou mesmo em ONGs, cada vez mais é requisitadoque os funcionários lidem com questões ligadas ao meio ambiente.O campo de trabalho é amplo e abre caminho para pessoas com boa formação acadêmica e habilidades múltiplas,que podem atuar como gestores, especialistas, consultores e peritos. E os interessados em aliar a carreiraprofissional à gestão ambiental encontram diversas fontes de aprendizado.Porém, nem sempre há tempo e disponibilidade para frequentar cursos, especialmente para quem está longe dosgrandes centros urbanos. Por isso, o Senac São Paulo oferece três opções de cursos a distância, destinados aosprofissionais interessados em gestão ambiental, incluindo graduados, técnicos e estudantes de diversas áreas.Em 18 de maio, a instituição iniciará mais uma turma do curso de aperfeiçoamento ISO 14000 Qualidade Ambiental:iniciação e conceituação, com 30 horas de duração. O objetivo é capacitar os participantes com base nos principaisconceitos ambientais e possibilitar o entendimento da norma ISO 14000. Durante as aulas, serão debatidos temascomo biodiversidade, ecossistemas, educação ambiental, energia, gestão das águas, lixo, reciclagem, resíduosperigosos etc. O programa também inclui a abordagem do Sistema de Gestão Ambiental (SGA), da certificação ISO14000 e de temas importantes como auditoria, acidentes e riscos ambientais.Boletim Universo EAD - Abril 2011 - ano VII nº 68 Página 3
  3. 3. Além de entender os processos de normatização, é importante conhecer como é realizado o planejamento e aimplementação de sistemas integrados de gestão de meio ambiente. Este é o objetivo do curso Sistemas de GestãoIntegrados, que também trata de temas como segurança e saúde ocupacional, qualidade e responsabilidade social,entre outros. Com início marcado para 27 de abril, o curso totaliza 50 horas de duração.Outra boa possibilidade de aperfeiçoamento a distância é o Primeiros Passos em Direito Ambiental. O curso ofereceum primeiro contato com os princípios, regras e normas do direito ambiental. Os interessados devem manifestarinteresse para que o Senac São Paulo disponibilize novas turmas.Capacitação presencial: mais de 30 opçõesPara quem pode ou prefere acompanhar cursos presenciais, o Senac São Paulo oferece mais de 30 opções decapacitação. A área de meio ambiente da instituição oferece diversos cursos técnicos, livres, de graduação, pós-graduação (especialização) e extensão universitária. Entre os temas de destaque, estão Engenharia Ambiental,Técnico em Meio Ambiente, Geoprocessamento para Planejamento e Gestão Ambiental, Elaboração de LaudosPericiais Ambientais e Elaboração de Projetos Socioambientais.Para os profissionais que buscam uma formação ainda mais dirigida, o Senac São Paulo disponibiliza conteúdos nasáreas de desenvolvimento social e segurança e saúde no trabalho, que também englobam cursos ligados ao meioambiente. Entre as opções, estão Especialização Técnica em Meio Ambiente para Técnico em Segurança doTrabalho, Responsabilidade Socioambiental Empresarial e Agente Socioambiental Empresarial. Ecoeficiência: a lição que o Senac faz em casaHá quase 10 anos, o Programa Ecoeficiência do Senac São Paulo adota práticas para difundir a importância dapreservação do meio ambienteO racionamento compulsório de energia elétrica, estabelecido em 2001 pelo governo federal, foi o ponto de partidapara a criação do Programa Ecoeficiência do Senac São Paulo. Na época, enquanto muitas companhiasultrapassavam as metas impostas, a instituição reduziu expressivamente o consumo de energia elétrica em suasunidades. E esses resultados positivos impulsionaram o Senac a ampliar suas práticas sustentáveis.Em 2002, a instituição lançou o Programa Ecoeficiência, criado justamente para adotar e difundir iniciativas quealiem responsabilidade ambiental às práticas de desempenho organizacional. O programa prevê práticas demelhorias contínuas para reduzir o consumo de água e energia com ações preventivas e corretivas; reduzir ageração de resíduos e destiná-los adequadamente; e adotar programas que permitam alcançar eficiência ambientalcom economia financeira, incluindo o Sistema de Gestão Ambiental (SGA).De acordo com o relatório de 2009, metade da rede estava certificada em algum nível do SGA e mais de 60% das 59unidades demonstrava avanços significativos em relação às ações que compõem o programa. Isso inclui desde aredução do consumo de água, energia elétrica e suprimentos, até a coleta e o descarte adequado de resíduos eBoletim Universo EAD - Abril 2011 - ano VII nº 68 Página 4
  4. 4. reciclagem.Contudo, não basta adotar medidas e processos para que as ações tenham efeito. “Nossos resultados são fruto doempenho e comprometimento direto dos colaboradores de cada unidade da instituição”, ressalta Leandro Alves deOliveira, um dos responsáveis pela coordenação do Programa Ecoeficiência.Ele conta que, embora a gestão do programa seja uma responsabilidade da sede, cada unidade conta com umComitê do SGA, formado por funcionários empenhados em adotar e propagar atitudes ecoeficientes no dia a dia desuas equipes. Os comitês regionais têm autonomia para identificar as principais necessidades e propor as medidasmais adequadas a cada localidade.Hoje, além da equipe que coordena o programa, cerca de 80 funcionários dedicam parte da carga horária a açõesligadas à ecoeficiência em suas unidades. A realização de quase 300 atividades ambientais em toda a rede foi outragrande conquista do Senac em 2009. No período, debates, palestras, oficinas, gincanas e apresentações deconscientização somaram a presença de quase 25 mil pessoas. “A conscientização é parte fundamental do processode evolução de qualquer programa de ecoeficiência”, completa Oliveira.Para apoiar as ações realizadas nas unidades, o Senac oferece treinamento e capacitação aos membros dos comitêsregionais. A intranet da instituição disponibiliza dados sobre normas e regras e um completo manual deprocedimentos que envolvem as diversas etapas de cada processo. O Núcleo de Educação Corporativa oferececursos para incentivar o aperfeiçoamento profissional, a ampliação de competências e a aprendizagem contínua dasequipes. E, claro, o desenvolvimento sustentável sempre está presente em vários temas. Em 2009, por exemplo,quase 100 funcionários participaram de alguma atividade de capacitação, incluindo Workshop de Reciclagem eColeta Seletiva, Introdução à Sustentabilidade: o impacto de cada um e Treinamento sobre a Norma do Sistema deGestão Ambiental.Para acompanhar as principais necessidades e os respectivos resultados alcançados, é preciso muito controle. Porisso, o Senac monitora mensalmente o consumo de energia, água, papel sulfite e copos descartáveis de cadaunidade. Com base nesses dados, a instituição adotou algumas ações permanentes de ecoeficiência, que incluemcuidados com a água, o uso de papel certificado FSC e coleta e destinação de óleo de cozinha, lâmpadasfluorescentes, resíduos (papel, metal, vidro e plástico), pilhas e baterias.Embora seja voltado ao público interno, as ações realizadas pelo Programa Ecoeficiência nas unidades acabamenvolvendo alunos, clientes, prestadores de serviços e até a comunidade local. “Incentivando pequenos projetos commetas viáveis, podemos ajudar a ampliar trabalhos que compõem um promissor ciclo de melhoria contínua”,completa Oliveira. Meio ambiente – problemas e propostas em debateBoletim Universo EAD - Abril 2011 - ano VII nº 68 Página 5
  5. 5. Os frequentes acidentes naturais ocorridos em todo o mundo têm aquecido as discussões em torno do meioambiente, especialmente após os trágicos episódios ocorridos em países tão distintos como Haiti, Austrália, Brasil eJapão, em termos climáticos, geográficos e econômicos.Exageros à parte, não há como negar que é preciso rever a atual relação entre meio ambiente e desenvolvimentoeconômico. No Brasil, desde a Rio 92 – Conferência das Nações Unidas que reuniu 108 chefes de Estado paradebater propostas viáveis em busca do desenvolvimento sustentável –, a questão do meio ambiente tem ganhadoforça.Mas será que as ações idealizadas naquela ocasião foram realmente colocadas em prática? Pois esta resposta seráesclarecida em junho de 2012 durante a Rio+20, quando a ONU voltará a debater as possibilidades dedesenvolvimento sustentável com representantes de todo o mundo. Provavelmente, o balanço dos resultadosalcançados nos últimos 20 anos será o alicerce das principais propostas para o futuro.Para o cidadão comum, a realização da Rio+20 já será garantia de algo muito importante: a expressiva divulgaçãodo tema, com uma série de reportagens sobre a importância do meio ambiente. E, seja pela exploração do assuntonos meios de comunicação ou pela efetiva conscientização, a população parece estar mais atenta às consequênciasque o descuido com o planeta pode causar.Para quem deseja se aprofundar nos debates, nada melhor do que se informar sobre os principais problemas epropostas da área. Uma boa e extensa referência pode ser encontrada na Editora Senac São Paulo. Com umcatálogo ativo de mais de 1.000 livros, a editora oferece 60 títulos sobre meio ambiente. Divididas em seções deeducação ambiental (17 títulos) e gestão ambiental (43 títulos), as obras incluem abordagens diversas sobre energia,sustentabilidade, cidadania, ecologia e outros temas tão relevantes quanto atuais.Boletim Universo EAD - Abril 2011 - ano VII nº 68 Página 6
  6. 6. Questão ambiental: é preciso transformar consciência em ação Não é de hoje que a questão ambiental tem conquistado espaço nos diversos setores da economia. E, com maior frequência, novos projetos, pesquisas e leis surgem em quase todo o mundo para apoiar iniciativas e ideias que, até então, faziam parte apenas das preocupações de intelectuais e ecologistas. Infelizmente, as tragédias naturais também têm tornado essas preocupações mais populares. Hoje, a maioria dos cidadãos é capaz de tecer comentários sobre aquecimento global, poluentes, terremotos, deslizamentos, furacões e outros graves incidentes mundiais. Mas será que cada um de nós tem, realmente, feito a sua parte para minimizar a ocorrência desses fenômenos? Para falar sobre os principais aspectos que envolvem o tema meio ambiente, o Universo EAD entrevistou o físico Délcio Rodrigues, diretor executivo do instituto Ekos Brasil que, entre diversas atividades, participou do conselho internacional de campanhas do Greenpeace. Universo EAD – Délcio, você acredita que as recentes tragédiasocorridas no Brasil e no mundo podem servir de alerta para que haja mais atenção global com aquestão do meio ambiente?Délcio Rodrigues – Essas tragédias têm em comum a existência de assentamentos humanos em locais inapropriados,seja devido à possibilidade de avalanches e escorregamentos na serra fluminense, seja devido à probabilidadeelevada de ocorrência de terremotos e tsunamis na costa do Japão. Aliás, a palavra tsunami é japonesa, o que por sisó já mostra a recorrência do fenômeno na região. Essas tragédias certamente terão consequências na regulação dahabitação e da geração de energia nuclear, devem aumentar os custos e a reação social contra a energia nuclear aníveis que talvez a inviabilizem, enfim, devem aumentar a atenção social com os aspectos ambientais.Universo EAD – Como você avalia a participação de empresas públicas e privadas na popularização dascampanhas de preservação do meio ambiente?Délcio Rodrigues – Nenhuma empresa pública ou privada é admirada hoje por seus consumidores e pela sociedadese descuidar dos aspectos ambientais de suas atividades. Mais que isso, observo que empresas que se posicionamcomo cuidadoras do meio ambiente têm melhores condições competitivas, são consideradas como melhores locaispara se trabalhar e muitas vezes conseguem melhor remuneração pelos seus produtos. A tendência contemporâneaé que as empresas sejam popularizadoras da consciência ambiental, embora infelizmente não seja ainda uma práticauniversal.Universo EAD – Você acha que a atual crise econômica pode intensificar a crise do meio ambiente? Ouseria o contrário?Délcio Rodrigues – É possível detectar efeitos contraditórios na crise econômica. Por um lado, a preocupaçãointernacional com o crescimento e a manutenção do nível de emprego levou vários governos a incentivar a produçãosem a devida atenção às questões ambientais. Por outro lado, o vendaval democrático que varre o norte da África ea Península Arábica gera inseguranças e alarma quanto à dependência no petróleo, impulsionando ainda mais aenergia solar, a eólica e os combustíveis da biomassa, o que certamente contribuirá com a mitigação das mudançasclimáticas. Como esses exemplos, poderíamos apontar outros sinais contraditórios, de modo que avaliar o real efeitoda crise econômica na questão somente será possível dentro de algum tempo.Universo EAD – Qual é a importância do cidadão comum junto a campanhas relacionadas ao meioambiente?Délcio Rodrigues – Grande. Embora a efetividade da ação do cidadão comum seja bastante dependente daorganização social na qual ele está inserido, sua responsabilidade enquanto consumidor e eleitor consciente podefazer grande diferença.Universo EAD – Você acredita que os brasileiros já têm consciência sobre a importância do meioambiente no dia a dia da população?Délcio Rodrigues – O brasileiro está cada vez mais consciente dos problemas ambientais, como se pode ver, porBoletim Universo EAD - Abril 2011 - ano VII nº 68 Página 7
  7. 7. exemplo, nos resultados da pesquisa “O que os brasileiros pensam do meio ambiente e do desenvolvimentosustentável”, feita de tempos em tempos pelo Iser (Instituto de Estudos da Religião) e pelo Ministério do MeioAmbiente. Por exemplo, em 1992, 46% da população não conseguia espontaneamente citar nenhum problemaambiental na sua cidade ou no seu bairro. Na pesquisa de 1997, esse percentual caiu para 36%; em 2001, para27%; e em 2005, para 11%, o que é uma evolução surpreendente. A dificuldade do brasileiro parece ser transformaressa consciência em ação. Pelo menos é o que se vê no dia a dia de nossas cidades e na baixa cobrança demelhorias ambientais exercida sobre os governos.Universo EAD – A frase “educação vem de berço” também vale para questões ligadas ao meioambiente? Qual é o papel das famílias e das instituições de ensino junto à educação ambiental?Délcio Rodrigues – A família e a escola têm papel na educação ambiental das crianças, assim como têm na educaçãoafetiva, social, na criação do hábito de leitura e muito mais, embora observemos muitas vezes a criança cobrandoatitudes mais “verdes” de seus pais e parentes, e não o contrário. É importante que a família e as instituiçõeseducacionais tenham atitudes efetivas na promoção da sustentabilidade de nossa sociedade para que a criançaperceba que o discurso pelo meio ambiente, quase banal em nossos dias, é pra valer.Universo EAD – Na sua opinião, a internet e as redes sociais podem ajudar a difundir a importância domeio ambiente entre a população?Délcio Rodrigues – Como meio de informação e comunicação, a internet tem grande papel na difusão da importânciado meio ambiente e de boas práticas e também na denúncia de infrações e crimes ambientais. As redes sociais têmconseguido mobilizar para a ação, o que é fundamental.Universo EAD – Independente das razões, na sua opinião, qual são os problemas ambientais maisgraves no atual cenário nacional?Délcio Rodrigues – Eu diria que a reduzida fração de esgoto que é efetivamente tratada nas nossas cidades; osimpactos no ar das grandes cidades e no clima do planeta causados pelo excesso de automóveis e transportesrodoviários; e a perda da biodiversidade e de fontes de água pelo desmatamento são os nossos principais problemasambientais. Este último ainda pode ser agravado pela alteração do Código Florestal, proposta em atual tramitação noCongresso Nacional.Universo EAD – Que projetos poderiam ajudar a minimizar esses problemas?Délcio Rodrigues – Quanto aos dois primeiros problemas apontados, um ambicioso programa de investimento emsaneamento, ambientalmente adequado, e investimentos maciços no transporte público urbano e em uma redeferroviária adequada ao porte do país. Agora, para preservar a fauna e a flora (os chamados biomas), reduzir odesmatamento da Amazônia e também do Cerrado, não será um ou outro projeto que poderá enfrentar a questão.Precisaremos aprofundar a integração de programas e ações governamentais, como a que conseguiu reduzirsignificativamente o desmatamento da Amazônia nos últimos anos, embora as taxas de desmatamento daquelebioma ainda sejam vergonhosas. É preciso transformar a redução do desmatamento em prioridade nacional. Eincentivar a pesquisa, ampliar nosso conhecimento sobre os biomas, de modo a realmente transformá-los em ativosvaliosos para a sociedade.Universo EAD – Atualmente, quais são as iniciativas mais eficazes em busca da preservação do meioambiente? Há exemplos viáveis para o Brasil?Délcio Rodrigues – A preservação do meio ambiente ainda depende fortemente de políticas de “comando e controle”,isto é, de legislações que determinem a preservação ambiental, com fiscalização e policiamento eficientes paragarantir sua aplicação. Entretanto, iniciativas que buscam criar valor para os biomas de determinadas regiões, comoo pagamento pelos serviços ambientais prestados ou os sistemas de cap and trade – o estabelecimento de limites deemissão e a comercialização de direitos sobre esses limites –, têm gerado impactos positivos. Exemplos são osistema de cap and trade que conseguiu reduzir em muito as emissões de óxidos de enxofre nos Estados Unidos e ospagamentos feitos pela cidade de Nova York aos proprietários das terras da região de seus mananciais para quemantenham suas florestas e protejam as nascentes. Esquemas como esses estão surgindo em municípios de MinasGerais com resultados fascinantes. E é bem possível que vejamos, no futuro próximo, um sistema de comercializaçãode créditos de carbono entre as unidades federativas brasileiras.Universo EAD – Você acredita que a realização da Copa 2014 no Brasil possa trazer benefíciosambientais ao país? Se sim, quais poderia citar como exemplo?Délcio Rodrigues – Não acredito que esses eventos tragam benefícios ambientais significativos ao país. Talvez,eventualmente, uma ou outra cidade, ou bairros de algumas cidades, possa ver algum saneamento ou transporteBoletim Universo EAD - Abril 2011 - ano VII nº 68 Página 8
  8. 8. público surgir em função dos eventos esportivos. Mas certamente eles não têm força para alterar significativamenteas grandes questões ambientais enfrentadas hoje pelo Brasil.Universo EAD – No aspecto profissional, como você avalia o futuro das carreiras ligadas ao meioambiente? Que áreas deverão ter mais destaque?Délcio Rodrigues – Carreiras profissionais ligadas ao meio ambiente estão crescendo em importância e vão crescerainda mais. Mas me parece que a grande transformação profissional trazida pela crise ambiental das mudançasclimáticas e pelo aumento da consciência sobre os impactos causados pela humanidade ao meio ambiente seja aincorporação de tecnologias e saberes ambientais em todas as profissões. Advogados terão que tratar mais comquestões ambientais, assim como engenheiros, enfermeiros, geólogos, jornalistas, administradores, economistas etc.Essa sim é a grande transformação de carreiras trazida pela crise ambiental.Boletim Universo EAD - Abril 2011 - ano VII nº 68 Página 9

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