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Caro Leitor
Com a intenção de continuar a disseminação do conhecimento, a ...
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Espero que o conteúdo da revista enriqueça o seu aprendizado.
Tenha uma bo...
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DEMANDA CONTROLE EM TRABALHADORES HIPERTENSOS DA
CONSTRUÇÃO CIVIL
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ABSTRACT
Objective: To present the result of applying the instrument demand c...
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do trabalho informal deriva da utilização de mecanismos de rebaixamento de cu...
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transferência de atividades para outras empresas, que se responsabilizam pela...
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A avaliação dos aspectos relacionados à abordagem psicossocial do trabalho te...
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psicológico, posteriormente o modelo passou a incluir uma terceira dimensão: ...
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esta situação ainda pode refletir em uma maior qualidade do sono e menos fadi...
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(Serviço Social da Indústria da Construção Civil) e foi aprovado em agosto d...
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TABELA 2- Número de empregados segundo a classificação dos níveis de pressão...
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No MDC, diferenciam-se quatro tipos básicos de experiências no trabalho,
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O modelo prevê que o estresse no trabalho é resultante da interação entre mu...
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Outro aspecto da população estudada que pode dificultar estudos sobre a rela...
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BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. . Características do Emprego Forma...
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KIRCHOFF, A.L.C. et al. Condições de Trabalho e características Sócio Demogr...
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OLIVEIRA, R.P.; IRIART, J.A.B. Representações do trabalho entre trabalhadore...
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SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. VI Diretrizes Brasileiras de
Hipertensã...
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POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS - LEI 12.305/2010
UMA VISÃO GERAL E SU...
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sustentável, efetiva e viável à gestão de resíduos portuários.
Palavras-chav...
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1. INTRODUÇÃO
A preservação ambiental é fator de vantagem competitiva susten...
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Assim, nunca faltaram instrumentos para controlar e coibir o descarte incorr...
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gestão ambiental, ou seja, um conjunto de programas e práticas administrativ...
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uma interação do poder público com as organizações privadas para que os resí...
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2.3 Política Nacional de Resíduos Sólidos - Lei 12.305/2010
A Lei nº 12.305,...
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Visando o cumprimento dessas metas, o Decreto apresenta as ferramentas passí...
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Sua aplicação é legalmente obrigatória para o retorno dos produtos após o us...
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Segundo o site PORTO DE SANTOS:
O Porto de Santos conta com uma área de 7,7 ...
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A CODESP, administradora do Porto de Santos, tem um núcleo ambiental lotado
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O lixo de varrição do cais público, ruas e roçada é terceirizado desde o
rec...
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3.1 Os Pneus e o Meio Ambiente
A Reciclanip conceitua o pneu como um artefat...
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problemas ao meio ambiente, sejam eles relacionados com saúde pública ou mes...
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3.1.3 Logística Reversa de Pneus inservíveis
A Política Nacional de Resíduos...
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os preços cobrados, movimentação mínima e área a ser arrendada, a CODESP tam...
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Internamente, há um colaborador responsável pela gestão dos pneus e ele deve...
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armazenamento correto até o momento da montagem das defensas. Estas defensas...
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Esta planilha preenchida é encaminhada para a AD Pneus, e esta remete a prop...
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Os pneus são segregados de acordo com a capacidade de armazenamento da sala,...
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uma empresa clandestina na Praia Grande/SP, que fazia a reciclagem de óleo u...
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
AMBIENTE BRASIL. Reciclagem de Pneus. Disponível em...
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ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014
CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 416/09, de 30
de d...
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PRAIA GRANDE. Disponível em: <http://www.praiagrande.sp.gov.br>. Acesso
em: ...
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ANÁLISES CRÍTICA E COMPARATIVA DE UMA MARCA COSMÉTICA
COM APELO ANTIENVELHEC...
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ABSTRACT
The skin is the largest organ of the human body and execute many fu...
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(HIRATA, 2004). Há uma diminuição na expressão de proteínas que degradam o
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envelhecimento celular. O encurtamento dos telômeros é uma consequência da f...
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3. REVISÃO DE LITERATURA
Segundo dados do IBGE a população idosa que era de ...
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Essa combinação age na derme e na epiderme, promovendo redensificação dessas...
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Figura A: Estruturas moleculares de fitoesterois Figura B: Estrutura molecul...
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3.1.4. Alfa bisabolol
INCI: bisabolol
Substância de origem botânica usada po...
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soja (MICHALUN et al, 2010).
Figura H: Estrutura molecular geral de flavonoi...
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Figura J: Estrutura molecular geral do licopeno
3.1.9. Spilol
INCI: Spilanth...
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3.1.12. CAO
É a sigla para Complexo Antioxidante, uma mistura de ativos anti...
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poros pilossebáceos, ductos das glândulas sudoríparas, canais intercelulares...
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untuosa. Compatível com pigmentos, filtros solares, hidroquinonas, ácidos gl...
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Informações farmacotécnicas
Concentração de uso: qsp 100%
DEG BASE CREME LAN...
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InterfacEHS Revista de Saúde, Meio Ambiente e Sustentabilidade

Publicação Científica do Centro Universitário Senac - ISSN 1980-0894

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http://www3.sp.senac.br/hotsites/blogs/InterfacEHS/?page_id=1480

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Revista InterfacEHS edição completa Vol. 9 nº 1

  1. 1. 1 ISSN 1980-0894 Editorial, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Caro Leitor Com a intenção de continuar a disseminação do conhecimento, a Revista InterfacHES traz até você em sua primeira edição no ano de 2014, mais cinco artigos sobre temas variados dentro da área da Saúde, Meio Ambiente e Sustentabilidade. Os trabalhos publicados nesta edição são exemplares, começando com o artigo de Jamir Mendes Monteiro, Carla Carolina Pecora Gomes,Loamy Sá e Thatiane Freitas de Sousa Furtado sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos - lei 12.305/2010: uma visão geral e sua interface com o Porto de Santos. Tangenciando esse tema é apresentado um estudo experimental sobre a avaliação de degradabilidade de embalagens plásticas utilizadas no acondicionamento de resíduos sólidos urbanos, cujas contribuições são das autoras Fabiana Alves Fiore Pinto, Emília Satoshi Miyamaru Seo, Maíra Alonso Klaussner e Camilla Raucci. Tratando-se sobre a qualidade de vida profissional evidencia-se a contribuição das autoras Marina Atuatti e Sayonara de Fátima Teston com artigo sobre a qualidade de vida dos profissionais que trabalham no Capsi de um município do Oeste Catarinense. Outro trabalho voltado à saúde humana é apresentado sobre a aplicação do instrumento demanda controle em uma população de trabalhadores hipertensos da construção civil, relacionadas ao ambiente ocupacional sob autoria de Roberta Zaninelli do Nascimento Zarpelão e Milva Maria Figueiredo de Martino. Por último, não menos importante, é apresentado o artigo sobre as análises crítica e comparativa de uma marca cosmética com apelo antienvelhecimento sob autoria de Daiane Maria da Silva Andrade e Célio Takashi Higuchi. Na seção resenha, registra-se o trabalho sobre o princípio da solidariedade intergeracional como pressuposto para a adoção de um paradigma ambiental de sustentabilidade, com a discussão da autora Gabriela Soldano Garcez. A contribuição destacada na seção tradução é sobre contribuição das exposições de óxido de nitrogênio e dióxido de enxofre, emitidas de usinas de energia, na prevalência de doenças e sintomas respiratórios, cujo artigo foi publicado na revista Environmental Pollution, v.186, 2014.
  2. 2. 2 ISSN 1980-0894 Editorial, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Espero que o conteúdo da revista enriqueça o seu aprendizado. Tenha uma boa leitura! Editora Emília Satoshi Miyamaru Seo
  3. 3. 3 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 DEMANDA CONTROLE EM TRABALHADORES HIPERTENSOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL DEMAND CONTROL IN HYPERTENSIVE CONSTRUCTION WORKERS Roberta Zaninelli do Nascimento Zarpelao1 Milva Maria Figueiredo de Martino2 RESUMO Objetivo: Apresentar o resultado da aplicação do instrumento demanda controle em uma população de trabalhadores hipertensos da construção civil, relacionadas ao ambiente ocupacional. Método: Trata-se de um estudo descritivo e transversal, em trabalhadores da Construção Civil de Cubatão, SP oferecendo subsídios para a gestão da saúde do trabalhador nesse ramo de atividade. Resultados: (n=79) que relacionou o ambiente de trabalho e sua relação com a hipertensão arterial. Conclusão: Concluiu-se que a hipertensão arterial leve foi predominante entre os trabalhadores, no entanto há necessidade de maiores investigações sobre os fatores presentes no ambiente de trabalho podem agravá-la ou não. Palavras-Chaves: Hipertensão Arterial. Gestão em Saúde. Saúde dos trabalhadores. 1 Enfermeiro do Trabalho, Mestre em Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente, Doutoranda da EPE/Unifesp. São Paulo (SP), Brasil. E: mail: rzn.zarpelao@unifesp.br; Autor correspondente. Endereço: Av. Doutor Bernardino de Campos, 580 Av. Apto. 36, Santos – SP, ZIP CODE:11065-002, Tel.: (13) 98136 3809. 2 Enfermeira, Pós Doutora em Enfermagem. Professora Associada da Unifesp. São Paulo (SP), Brasil. E-mail: martino.milva@unifesp.br;
  4. 4. 4 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 ABSTRACT Objective: To present the result of applying the instrument demand control in a population of hypertensive construction employees in their workplace. Method: This was a descriptive cross-sectional study in Construction workers of Cubatão, SP offering subsidies for the management of health worker in this field of activity. Results: (n=79) related to the work environment and its relationship to hypertension. Conclusion: It was concluded that mild arterial hypertension was prevalent among workers, however it is needed further investigation into the factors present in the work environment that can aggravate it or not. Key Words: Hypertension. Management in Health. Health workers. INTRODUÇÃO As transformações ocorridas no mundo do trabalho têm repercutido na saúde dos trabalhadores de maneira direta, assim a crescente demanda por novas tecnologias, adicionadas a um complexo conjunto de inovações organizacionais tem interferido nas condições e as relações de trabalho (MENDES & De MARTINO, 2012). A intensificação do trabalho é um elemento da atual fase do capitalismo que passa a implicar em consumo de energias físicas e espirituais dos trabalhadores, essas transformações impactam diretamente na saúde do trabalhador em decorrência do processo de trabalho que precisa ser reorganizado de forma a atender as características de cada profissão (MENDES & De MARTINO, 2012, p.1471). A construção civil é um ramo de atividade de grande importância no cenário econômico brasileiro, caracterizado pela informalidade, sendo trabalhadores do sexo masculino, migrantes, com baixa escolaridade e reduzida qualificação profissional além de ser considerado um dos mais perigosos do mundo e inclusive no Brasil e com altos índices de acidentes de trabalho, inclusive os incapacitantes e os fatais (IRIART et al., 2008, p.166). A construção civil apresenta apenas 20,1% dos trabalhadores com carteira assinada e o trabalho informal pode contribuir para a precarização do trabalho nesta área de atuação, quando comparados a outros tipos de atividades, ainda a presença marcante
  5. 5. 5 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 do trabalho informal deriva da utilização de mecanismos de rebaixamento de custos, dentre eles o da subcontratação (IRIART et al., 2008, p.166). Segundo a Relação Anual das Informações Sociais (RAIS), a análise setorial mostra que todos os setores expandiram o nível de emprego formal em 2011, comportamento esse proporcionado, em grande parte, pelo fortalecimento da demanda interna. Em termos absolutos, a Construção Civil proporcionou a criação de 241,3 mil empregos ou +9,62%, a maior taxa de crescimento do período, e a Região Sudeste aumentou o número de empregos em +4,69%, gerando 1.283.061 postos de trabalho (MTE, 2011, p.2). As condições adversas do trabalho, perdas dos direitos trabalhistas, legalização dos trabalhos informais e temporários, aliadas a evolução da tecnologia avançaram os limites da saúde humana e pode influenciar o risco de desordens osteomusculares, sintomas psiquiátricos, alteração do sono dos trabalhadores, e ferimentos que ocorrem frequentemente entre populações de meia idade, podendo ser consideradas umas das principais razões de adoecimento (PADILHA, 2010, p.555). Segundo Lima (2010), a terceirização permite a flexibilização do processo produtivo, trata-se assim, da reorganização da produção com foco das atividades fins das empresas e externalização das demais, eliminando setores produtivos, administrativos, ou de serviços, que por esta visão, são considerados complementares às suas atividades fins e transferem sua realização para outras empresas, concentrando-se no produto principal, possibilitando redução de custos fixos e ganhos de eficiência. A terceirização é percebida como técnica de modernização e instrumento de gestão empresarial trata-se de um fenômeno mundial alcançando todos os tipos de trabalho, na indústria, comércio e serviços, apresentando-se sob diversas formas de regulação e legislação nos diferentes países (LIMA, 2010, p.17). A flexibilização e terceirização podem não implicar necessariamente na precarização das relações de trabalho, mas progressivamente tornam-se sinônimos. A precarização relaciona-se com uma maior desregulamentação da utilização da força de trabalho, com a redução de postos, alterações nos contratos com redução dos custos relacionados aos direitos trabalhistas e sociais nas relacionais salarias, além da
  6. 6. 6 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 transferência de atividades para outras empresas, que se responsabilizam pela organização do trabalho e gestão demão de obra, eliminando custos e diminuindo ônus com esta gestão (LIMA, 2010, p.17). A precarização pode ser vista como uma tendência difundida em toda a parte, no setor privado, público, nos meios de comunicação e atinge todos os trabalhadores e pode afeta-los mesmo que não diretamente, gerando consequências como a desestruturação da existência e suas estruturas temporais, tornando o futuro incerto e generalizando insegurança como modo de vida. Lima (2010, p.23), Estas condições podem contribuir para o aparecimento do estresse ocupacional, que é um termo relativamente moderno que frequentemente tem sido discutido em grandes entidades de saúde nas últimas décadas, de acordo com o Instituto Nacional para a Saúde e Segurança Internacional (NIOSH) estresse ocupacional é definido com uma resposta mental ou algo nocivo ao psicológico, ocorrendo entre a incompatibilidade dele ou dela para a habilidade, que pode desencadear comportamentos agressivos, doenças ocupacionais, doenças psicológicas e até mesmo a morte (MASOUD et al. 2013, p. 804). A Organização Internacional para o Trabalho (ILO) considera o estresse ocupacional como o mais significativo ao considerar a saúde do trabalhador, enquanto para a Organização Mundial da Saúde (WHO) enfatiza problemas de saúde, como baixa motivação, baixa segurança, trabalhadores expostos a riscos ocupacionais e consequentemente custos para os empregadores. ILO em uma análise estatística demonstrou que o estresse pode ter gastos de 1 a 3% do produto interno bruto (PIB), e o custo anual com o estresse ocupacional pode ser estimado em mais de 300 milhões de dólares para os Estados Unidos, 20 milhões de euros para os países europeus (MASOUD et al. 2013; HÉLÈNE, 2013). Varias razões destacam-se para a atenção especial para o estresse ocupacional e pode ser um dos mais importantes problemas de saúde no mundo (MASOUD et al. 2013, p. 804). A carga de trabalho e atividades repetidas pode ser um fator organizacional que influencia diretamente o desempenho do homem no trabalho, e por seu impacto produzido pelos elementos que constituem o processo de trabalho sobre a sua saúde física e mental (BALLARDIN & GUIMARÃES, 2009; STANFELD S et al., 2012).
  7. 7. 7 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 A avaliação dos aspectos relacionados à abordagem psicossocial do trabalho tem tido relevância em estudos recentes em saúde e trabalho (ARAÚJO et al., 2003, p. 424). Nas últimas décadas, as relações entre trabalho, estresse e suas consequências sobre a saúde dos trabalhadores têm sido estudadas, com abordagens metodológicas diferenciadas, questões como a produtividade, os acidentes de trabalho, o absenteísmo e os crescentes índices de sintomas físicos e psíquicos, entre os trabalhadores de determinadas categorias, têm sido objeto de estudos, dentre eles o da construção civil (ALVES, 2009, p. 895). E ainda trabalho precário pode ser visto sob duas dimensões: a ausência ou redução de direitos e garantias do trabalho e a qualidade no exercício da atividade, vivenciado principalmente pelos trabalhadores terceirizados (MAGNANO et al., 2010, p. 805). O modelo de demanda-controle (DC) define diferentes estressores do trabalho potencialmente danosos à saúde e oferecem explicações sobre o relacionamento entre condições estressantes do trabalho e bem-estar físico e psicológico (SANTOS et al., 2010, p.257). O DC fundamenta-se nas características psicossociais do trabalho, na demanda psicológica envolvida na execução das tarefas e atividades ocupacionais e no controle exercido pelos trabalhadores sobre o próprio trabalho e o suporte social no mesmo. São itens que fazem parte da saúde ocupacional e que vêm sendo abordados com maior frequência, por meio de um questionário inicialmente proposto por Karasek em uma versão ampla e resumidamente proposto por Theorell (GRECO et al., 2011, p.273). Trata-se de uma versão reduzida deste instrumento simplificado em 1988, traduzido e validado por Alves (2004), contendo 17 questões: cinco para avaliar demanda seis para avaliar controle e seis para apoio social, versão reduzida (SCMIDTH et al., 2009, p.331). O modelo DC considerava a interação de dois componentes que poderiam favorecer o desgaste no trabalho (job strain): as demandas psicológicas (ritmo e intensidade de trabalho) e o controle (autonomia e habilidade) para que o trabalhador execute sue trabalho, assim atividades que envolvem altas demandas psicológicas e baixo controle favoreciam o desgaste no trabalho, e como consequência o adoecimento físico e
  8. 8. 8 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 psicológico, posteriormente o modelo passou a incluir uma terceira dimensão: a percepção de apoio social (GRECO et al., 2011, p.273). (Figura 1). FIGURA 1 – Demanda controle. Fonte: Karasek, 1991 (adaptado por Theorell, 1991). Demanda Controle (DC), uma versão resumida do questionário Job Strain Model contém 17 questões de múltiplas escolhas sendo subdivididas em três escalas: seis questões sobre o trabalho (questões sobre controle no trabalho) (questões sobre tomadas de decisões), cinco questões sobre demanda no trabalho (questões, sobre tempo e velocidade para realizar o trabalho e seis questões sobre apoio social que o trabalhador recebe em seu ambiente de trabalho) (SCMIDTH et al., 2009, p.274). A combinação de respostas com alto controle sobre o processo de trabalho gera alto desgaste (job strain), causando efeitos nocivos à saúde do trabalhador, também prejudicial à saúde do trabalhador é a situação em que se combinam baixas demandas e baixo controle (trabalho passivo) e pode gerar perda de habilidades e desinteresse, em contrapartida, quando alta demanda e baixos controles coexistem, os indivíduos experimentam o processo de trabalho ativo, situação menos danosa ao trabalhador uma vez que ele tem autonomia de escolher como planejar suas atividades de trabalho, de acordo com seu ritmo. A situação ideal de baixo desgaste combina baixas demandas e alto controle do processo de trabalho,
  9. 9. 9 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 esta situação ainda pode refletir em uma maior qualidade do sono e menos fadiga, mas em situação de baixo desgaste para alto desgaste nota-se piora da qualidade do sono e aumento da fadiga (SCMIDTH et al., 2009. p.274). O Modelo Demanda-Controle procura explicar as modificações que acontecem com os indivíduos submetidos à tensão no trabalho, tanto em nível físico como psicológico. Ele pode ser um instrumento de estrutura integradora para estudo dos diversos elementos do ambiente de trabalho, nas suas inter-relações com a saúde dos trabalhadores (GRECO, 2011, p.274). Assim sendo o objetivo deste estudo foi analisar a Demanda Controle em Trabalhadores Hipertensos da Construção Civil, especialmente do grupo de trabalhadores que atuam no setor petroquímico, em empresas terceirizadas. MÉTODO Este estudo caracteriza-se por pesquisa descritiva, exploratória, com desenho transversal, e abordagem quantitativa. Dos 2800 trabalhadores (100%), 315 (11,25%) eram hipertensos e foram incluídos 79 (25%) sujeitos hipertensos, do sexo masculino e que concordaram em participar e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, (Lei 466/12) e compareceram ao Ambulatório para aferir sua pressão arterial. Foi aplicado um questionário contendo 17 questões, divididos em demanda, controle e apoio social. Para as dimensões demanda e controle as opções de resposta são apresentadas em escala tipo Likert (1-4), variando entre "frequentemente" e "nunca/quase nunca”, para a dimensão apoio social "discordo totalmente” e “concordo totalmente” (ALVES et al., 2004). A escala Likert é um tipo de escala de resposta psicométrica usada comumente em questionários, e é a escala mais usada em pesquisas de opinião. O formato típico de um item Likert é: 1. Não concordo. 2. Indiferente. 3. Concordo. 4. Concordo totalmente. Foi aplicada a Média Ponderada = (1x54) + (2x24) + (3x21) + (4.24) = 54 +24 + 21 + 24 = 123 Logo RM = 123 / 79= 1,50 Onde Rm = ranking médio. Com o objetivo de obter a variação e a confiabilidade dos dados do Ranking Médio, foi calculado o desvio padrão da média e o α de Cronbach. Observa-se que os níveis obtidos para essa escala são relativamente próximos de 1, especialmente para a demanda e o apoio social, indicando uma boa confiabilidade nos resultados obtidos, corroborada pelos baixos desvios padrões. O estudo foi submetido ao Comitê de Ética do SECONCI,
  10. 10. 10 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 (Serviço Social da Indústria da Construção Civil) e foi aprovado em agosto de 2008, sob o número de protocolo 07/2008, conforme a Resolução 466/12 para pesquisas em seres humanos. RESULTADOS Foi aplicado o questionário proposto nos 79 trabalhadores, utilizando a escala Likert de 1 a 4 pontos para mensurar o grau de concordância dos sujeitos que responderam os questionários e obteve-se o seguinte resultado (SCMIDTH et al., 2009, p.274): TABELA 1 - Resultados obtidos para a Demanda Controle relativos aos grupos de questão aplicados, variação do escore, ranking médio, variação e confiabilidade. Domínio Questão Variação do escore Desvio Padrão Alfa de Cronbach Demanda A, B, C, D, E, F 1- 4 0,16 0,68 Controle G, H, I, J, K 1-4 0,24 0,57 Apoio Social L, M, N, O, P, Q 1-4 0,55 0,87 Fonte: Elaborado por autores Em relação à pressão arterial dos trabalhadores, esses foram divididos de acordo com a Tabela 2. Aproximadamente 50% dos trabalhadores são considerados hipertensos leves.
  11. 11. 11 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 TABELA 2- Número de empregados segundo a classificação dos níveis de pressão arterial. Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2010 DISCUSSÃO Em relação ao gênero dos trabalhadores que concordaram em participar da pesquisa, 79 (100%) pertencem ao sexo masculino. O sexo pode ser relacionado como fator de capacidade ao trabalho (MARTINEZ, 2006, p.145). Aproximadamente 44,3 % dos trabalhadores são considerados hipertensos estágio 1. Segundo Martinez (2006) e Magnano (2010) o estresse ambiental pode repercutir sobre as condições físicas do trabalhador, principalmente no que diz respeito à hipertensão arterial. Nº de empregados segundo a classificação dos níveis de pressão arterial Nº de empregados % Ótima <120mmHg/<80mmHg 0 Normal <130mmHg/<85mmHg Limítrofe (130-139 mmHg / 85-89 mmHg) 0 29 36,7% Hipertensão estágio 1 (140-159 mmHg / 90-99 mmHg) 35 44,3% Hipertensão estágio 2 (160-179 mmHg/ 100-109 mmHg 13 16,4% Hipertensão estágio 3 (> 180 mmHg / >110 mmHg 2 2,6% Hipertensão Sistólica Isolada (>140 mmHg / < 90 mmHg 0 Total 79 100%
  12. 12. 12 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 No MDC, diferenciam-se quatro tipos básicos de experiências no trabalho, formados pela interação dos níveis de demanda psicológica e de controle: alta exigência (alta demanda e baixo controle), baixa exigência (baixa demanda e alto controle), trabalho passivo (baixa demanda e baixo controle) e trabalho ativo (alta demanda e alto controle) (SCMIDTH et al., 2009, p.331). Das quatro situações, o trabalho em alta exigência é o que apresenta maior propensão para adoecimento físico e psicológico. Os trabalhos ativos e passivos representam risco intermediário de adoecimento, já o trabalho em baixa exigência, representa menor risco, sendo esse considerado condição ideal de trabalho (BALLARDIN & GUIMARÃES, 2009; HÉLÈNE, 2013). De acordo com o estudo realizado em 79 indivíduos hipertensos que aceitaram participar da pesquisa os valores encontrados nos permitem dizer que o resultado foi de alta demanda e baixo controle, indicando característica de desgaste especialmente devido à quantidade de trabalho executada e o número de vezes em que o trabalhador executa suas atividades diárias, e ainda, segundo Kirchoff (2009) encontram-se no quadrante de trabalhadores ativos, classificadas como exposição intermediária ao estresse ocupacional, justificando o grau de controle pode indicar uma medida de autonomia, de liberdade restrita para o uso de habilidades, compensando os efeitos negativos provenientes de altas demandas psicológicas. Os resultados encontrados nesta pesquisa corroboram com estudos realizados, principalmente, em países da Europa, da Ásia e nos Estados Unidos da América têm evidenciado associação positiva entre aspectos psicossociais do trabalho (alta demanda psicológica e baixo controle) e diferentes desfechos, como, por exemplo: problemas psiquiátricos menores, doenças do sistema digestivo, doenças cardiovasculares, sintomas musculares, entre outros (KARASEK, 1990; HARDING, 1980; JOSEPHSON, 1997; BONGERS, 2002; THEORELL, 1990; SCHANALL 1994, YU, 2013). Aplicar um instrumento que transpareça a organização do trabalho, ou seja, a condição em que o trabalhador está exposto, tanto em nível fisiológico como psicológico, pode indicar possíveis fatores de risco cujo controle pode levar a prevenção de acidentes de trabalho, ao controle do agravamento de patologias como a hipertensão arterial. Isto porque quando as demandas físicas e mentais do trabalho não estão adequadas podem surgir repercutir na saúde dos trabalhadores.
  13. 13. 13 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 O modelo prevê que o estresse no trabalho é resultante da interação entre muitas demandas psicológicas, menor controle no processo de trabalho e menor apoio social recebido de colaboradores e chefes no ambiente laboral (SCMIDTH et al., 2009, p.332). Os 79 (100%) Todos os trabalhadores são terceirizados, em que os trabalhadores executam “o que lhes é ordenado” não possuindo autonomia sobre a sua atividade, situação que é agravada pelo fato da instabilidade do emprego e alta rotatividade dos trabalhadores, que sempre querem “trocar” de empreiteiras (BERNARDO, 2001, p.87). Ao falarmos neste grupo esta relação torna-se mais frágil, como é o exemplo de trabalhadores que atuam em indústrias petroquímicas na Bahia ou em mineradoras, onde há um tratamento diferenciado, dos trabalhadores dentro das plantas industriais, demonstrando a distinção entre os de fora e os de dentro, que permanecem como funcionários da empresa (LIMA, 2010, p.23). Lima (2010) aponta que trabalhadores terceirizados e estáveis não sentem parte do mesmo coletivo, pois os terceiros são vistos como menos qualificados e envolvidos na empresa. Entretanto algumas categorias em que o trabalhador não se sente precarizado, a construção civil é uma delas, pois os trabalhadores recebem a empreita maior do que seria em contratos regulares (LIMA, 2010, p.22). CONCLUSÃO O instrumento para avaliação da demanda controle utilizado neste estudo mostrou- se útil e pode se constituir como ferramenta na gestão das empresas, pois por meio deste instrumento pode-se detectar necessidade de implementação de novos processos ou modificação dos já existentes levando a promoção da saúde dos trabalhadores e melhor organização do trabalho. Os resultados mostram que: obteve-se alta demanda e baixo controle, como resultado da presença de desgaste do trabalhador devido a pressão existente no ambiente laboral e quantidade de trabalho executado. Num total de 44,3% dos trabalhadores apresentaram hipertensão, tipo estagio 1.
  14. 14. 14 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Outro aspecto da população estudada que pode dificultar estudos sobre a relação entre a hipertensão arterial e a demanda-controle está na alta rotatividade dos trabalhadores. Essa alta rotatividade dificulta também o controle sobre o agravamento e aparecimento de doenças crônicas neste grupo de trabalhadores. REFERÊNCIAS ALVES, M.G. M et al., Estresse no trabalho e hipertensão arterial em mulheres no Estudo Pró-Saúde. São Paulo, v.43, n.5, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 10 jun. 2013. ALVES, M.G.M. et al. Short version of the "job stress scale": a Portuguese-language adaptation. São Paulo. 2004. v. 38, n. 2. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 26 abr. 2014. ARAÚJO, T.M. et.al. Work psychosocial aspects and psychological distress among nurses. São Paulo. v.37, n.4. 2003. Disponível em: < http://www.scielo.br>. Acesso em: 03 de mar. 2013. BALLARDIN, L.; GUIMARÃES, L.B.M. Avaliação da carga de trabalho dos operadores de uma empresa distribuidora de derivados de petróleo. v.19. São Paulo, n.3S. 2009. Disponível em: <http://www.abepro.org.br>. Acesso em: 20 jan. 2013. BERNARDO, M.E. Riscos na usina química: os acidentes e a contaminação nas representações dos trabalhadores. 162 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social do Trabalho) – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
  15. 15. 15 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. . Características do Emprego Formal segundo a Relação Anual de Informações Sociais. 2011. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/geral/estatisticas.htm. Acesso em mai. 2014 De MARTINO, M.M.F. O estresse e qualidade de sono do enfermeiro nos diferentes turnos hospitalares*. Revista Escola de Enfermagem. v.44, n.2. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 20 jan. 2013. GRECO, H. et al. Uso combinado de modelos de estresse no trabalho e a saúde auto referida na enfermagem. Rio de Janeiro. v.45 n.1. 2011. Disponível em: <http://www.scielosp.org>. Acesso em: 03 mar. 2013. HÉLÈNE, S.T. et al. The annual costs of cardiovascular diseases and mental disorders attributable to job strain in France. Montreal. v.13, n.748. 2013. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/>. Acesso em: 03 mar. 2013. HARDING, T.W. et al. Mental disorders in primary health care: a study of their frequency and diagnosis in four developing countries. Suiça. v.10. n.2. 1980. Disponível em: <http://journals.cambridge.org>. Acesso em: 04 abr. 2013. IRIART, J. A. B. et al. Representações do trabalho informal e dos riscos à saúde entre trabalhadoras domésticas e trabalhadores da construção civil. São Paulo. v.13. n.1. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 10 jan. 2013. LIMA, J.C. A terceirização e os trabalhadores: revisitando algumas questões. São Paulo. v.13. n.1. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 02 mai. 2014. LINDHOLM H. et al. Morning Cortisol Levels and Perceived Stress in Irregular Shift Workers Compared with Regular Daytime Workers. Finlândia. v.2012.2012. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov>. Acesso em: 10 jan. 2013.
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  19. 19. 19 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS - LEI 12.305/2010 UMA VISÃO GERAL E SUA INTERFACE COM O PORTO DE SANTOS NATIONAL POLICY OF SOLID RESIDUES – ACT 12.305/2010 AN OVERVIEW AND ITS INTERFACE WITH PORT OF SANTOS Jamir Mendes Monteiro1 Carla Carolina Pecora Gomes2 Loamy Sá3 Thatiane Freitas de Sousa Furtado4 RESUMO O objetivo deste artigo é analisar a gestão dos resíduos sólidos sob a perspectiva da lei 12.305/2010 nas operações portuárias do Porto de Santos. A principal motivação vem do histórico das Docas que durante 50 anos depositou materiais contaminados sem tratamento, no bairro da Alemoa, naquilo que ficou conhecido como o lixão da CODESP, o qual gerou um passivo ambiental sobre uma área de 350 mil metros quadrados. As pesquisas foram voltadas para identificar os procedimentos, principalmente, relativos à implementação da logística reversa no descarte correto dos resíduos sólidos. Para seu desenvolvimento foi realizado um levantamento bibliográfico e recolhimento de informações cedidas pelo Grupo Libra (operadores portuários). O trabalho identificou que o gerenciamento ineficaz dos resíduos do Porto além de gerar custos desnecessários pode atrair doenças e insetos. E que sua gestão ambiental apresenta-se inadequada devido à fiscalização ineficiente, infraestrutura inapropriada, falta de educação ambiental e conexão entre os agentes envolvidos. Assim, as evidências indicam que a integração entre governo, iniciativa privada, terceiro setor e consumidores pode tornar-se uma solução 1 Doutor em Engenharia de Produção - Senac Santos - Pós-graduação 2 MBA em Logística - Senac Santos - Pós-graduação 3 MBA em Logística - Senac Santos - Pós-graduação 4 MBA em Logística- Senac Santos - Pós-graduação
  20. 20. 20 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 sustentável, efetiva e viável à gestão de resíduos portuários. Palavras-chave: Porto de Santos, Gerenciamento de Resíduos Sólidos, Logística Reversa. ABSTRACT The present article aims to analyze the management of solid residues from the perspective of the law 12.305/2010 in port operations at the Port of Santos. The primary motive for this work comes from the Docks’ history, which for 50 years has placed contaminated and untreated materials in the neighborhood of Alemoa, which became known as the CODESP dumpsite, creating environmental hazards over an area of 350 thousand square meters. The studies were focused in order to identify the procedures, especially concerning the implementation of reverse logistics in proper disposal of solid residues. For the development of this project a bibliographical survey and collection of information provided by the Libra Group (port operators) was conducted. This study has identified that the ineffective management of the port’s residues, besides generating unnecessary costs, can attract disease and insects to the area; and that its environmental management is currently inadequate due to ineffective law enforcement, inappropriate infrastructure, lack of environmental education and connection between the actors involved. Therefore, the integration among government, private sector, third sector and consumers becomes a sustainable, effective and achievable solution to the port’s management of solid residues. Keywords: Port of Santos, Solid Residues Management, Reverse Logistics.
  21. 21. 21 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 1. INTRODUÇÃO A preservação ambiental é fator de vantagem competitiva sustentável, especialmente, quando somada às ações de responsabilidade social organizacional. Órgãos de administração pública, como a CODESP5 , têm que funcionar como vetor de modelo exemplar no descarte correto dos resíduos. As boas práticas na área ambiental repercutem de forma amplificada o que favorece adesões espontâneas no comprometimento com ações que preservam o meio ambiente e por outro lado inibem ações contrárias a essas práticas. No Brasil o Decreto Lei 794 de 19/10/1938 já incorporava preocupações ambientais: Art. 16. O lançamento de resíduos e detritos comprovadamente tóxicos nas águas interiores ou litorâneas será regulado por instruções emanadas do Serviço de Caça e Pesca. § 1º E’ expressamente proibido o lançamento de óleos e produtos oleosos nas águas interiores ou litorâneas. § 2º Os infratores deste artigo serão punidos com multa de 1:000$000 a 5:000$000 (um conto a cinco contos de réis), elevada ao dobro na reincidência. Posteriormente o decreto lei 50.587 de 26/09/1961, ratifica o anterior e estabelece: Art. 1º Os resíduos líquidos, sólidos ou gasosos, domiciliares ou industriais, somente poderão ser lançados às águas, "in natura" ou depois de tratado, quando essa operação não implique na poluição das águas receptoras. Art. 2º Fica proibida terminantemente, a limpeza de motores dos navios e o lançamento dos resíduos oleosos dela provenientes nas águas litorâneas do País. Art. 3º Para os efeitos deste Decreto considera-se "poluição" qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas das águas, que possa importar em prejuízo à saúde, à segurança e ao bem-estar das populações e ainda comprometer a sua utilização para fins agrícolas, industriais, comerciais, recreativos e, principalmente, a existência normal da fauna aquática. Uma série de outros decretos, portarias e normas se sucederam a esses sempre objetivando a proteção e a preservação do meio ambiente e da vida. 5 Companhia Docas do Estado de São Paulo
  22. 22. 22 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Assim, nunca faltaram instrumentos para controlar e coibir o descarte incorreto dos resíduos gerados pela atividade humana. O aumento da geração de resíduos sólidos é um dos principais agentes de degradação do meio ambiente e redução da qualidade de vida do homem, problema que vem se agravando cada vez mais com o crescimento da população, gerando a poluição. A poluição pura e simples é um sinal de ineficiência produtiva, de desperdício de material passível de reciclagem, consciência ambiental e falta de aplicabilidade das regulamentações ambientais. Contudo, o pneu inservível que hoje degrada o meio ambiente pode ser destinado novamente para a cadeia produtiva, devendo ser encarado como oportunidade de melhoria e de novos negócios. O trabalho teve como objetivo analisar a política nacional de resíduos sólidos sob os aspectos da Lei 12.305/2010 através de uma visão geral e sua interface com os resíduos sólidos gerados no Porto de Santos. Dessa forma, foi realizada uma pesquisa baseada no Porto de Santos, no processo de gestão ambiental, no gerenciamento de resíduos sólidos, na logística reversa, e na Política Nacional de Resíduos Sólidos, tendo como base, os autores da área logística, expondo seus conceitos. Ressalta-se que O Grupo Libra disponibilizou todo o acesso necessário para a realização deste projeto. O tipo de pesquisa utilizado foi a análise descritiva e explicativa fundamentadas nas técnicas de pesquisa bibliográfica e estudo de caso feito no Grupo Libra, no Porto de Santos. O método de abordagem empregado foi a observação direta e a análise documental e no que se refere à natureza metodológica, adotou-se a qualitativa. Portanto, para gerenciar efetivamente os resíduos portuários, em específico os pneus inservíveis, é primordial a utilização da gestão integrada da cadeia logística reversa, implementando procedimentos e levando em consideração tanto o desenvolvimento sustentável quanto a redução de custos. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Gestão ambiental portuária O aquecimento da economia contribui para o crescimento das atividades portuárias aumentando a quantidade de seus produtos, serviços e motivando a produção de um considerável volume de resíduos na região portuária, surgindo a necessidade de uma
  23. 23. 23 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 gestão ambiental, ou seja, um conjunto de programas e práticas administrativas e operacionais voltadas à proteção do ambiente, à saúde e a segurança da população. A gestão ambiental portuária é a administração das demandas ambientais visando o desenvolvimento sustentável da atividade produtiva e a redução de custos ambientais, como soluções coletivas do tratamento de resíduos, tratamento de efluentes, ações de emergência e monitoramento (CUNHA, 2004). O sistema portuário brasileiro é composto por 37 portos públicos. Desse total, 18 são delegados, concedidos ou tem sua operação autorizada à administração por parte dos governos estaduais e municipais. Existem, ainda, 42 terminais de uso privativo e três complexos portuários que operam sob o regime de concessão à iniciativa privada (www.codeba.com.br). Roitman (2000) indica que o gerenciamento ambiental das áreas portuárias tem conquistado espaço e importância nas discussões políticas e na imprensa, além de uma estrutura formada por organismos internacionais (IMO6 ), organismos nacionais (IBAMA7 , CETESB8 ) e especialistas em diversas áreas, contribuindo para a análise e definição das diretrizes sobre as principais questões envolvendo a variável ambiental da área sob influência do porto. Seiffert (2002), em suas publicações, tem demonstrado que os impactos ambientais decorrentes das atividades portuárias apontam problemas que extrapolam os limites da região portuária. O autor destaca como principais problemas: destruição da biodiversidade, alteração da qualidade do ar por emissão de materiais particulados, descarte de resíduos não perigosos (ocupação de aterro), poluição da água por estações de tratamento de esgoto e de efluentes, contaminação do solo por resíduos, contaminação da água do mar na costa, consumo de recursos naturais, despejos de óleo, poluição da água por resíduos industriais, locais de despejos de resíduos sólidos (ativos ou inativos). Percebe-se que o processo de gestão ambiental dos resíduos sólidos é complexo, envolve recursos, tempo, área física e a conscientização de toda a sociedade. Sendo assim, os portos, localizados em áreas de extrema vulnerabilidade ambiental, devem ser alvo de 6 Organização Marítima Internacional 7 Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis 8 Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
  24. 24. 24 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 uma interação do poder público com as organizações privadas para que os resíduos gerados ao longo do processo produtivo sejam destinados de forma ambientalmente adequada. 2.2 Plano de Resíduos Sólidos Chiuvite e Andrade (2001) relatam que, podemos caracterizar resíduos como tudo o que é rejeitado durante o processo de produção, transformação ou utilização de bens e serviços e restos provenientes de atividade humana. Os resíduos sólidos podem ser parcialmente reutilizados resultando em benefícios para a natureza reduzindo os impactos ambientais e para a sociedade com a preservação da saúde pública e a movimentação econômica gerada pela implantação de um sistema de gerenciamento para resíduos sólidos que englobe a previsão de demanda de resíduos, o tipo de material, a forma de coleta, o armazenamento e transporte desse material, além da identificação de um destino final adequado. Castilhos Junior (2003) afirma que o gerenciamento dos resíduos deve ser integrado, englobando etapas articulares entre si, desde ações visando a não geração de resíduos até a disposição final. A gestão focada de cada uma dessas etapas, desde que operadas de forma integradas, resultará na eliminação de elementos tóxicos resultantes, na redução do que se pode chamar de “resíduos dos resíduos”, cujo destino final poderia ser os aterros sanitários, e a implementação dos processos de reutilização dos elementos industrializáveis, gerando enormes benefícios para a economia e para a saúde ambiental. A elaboração de um Plano de Resíduos Sólidos é obrigatória para a União, os Estados, os Municípios e as empresas geradoras de resíduos sólidos ou resíduos perigosos. Os Municípios são os principais agentes gestores e fiscalizadores da coleta, transporte e destinação ambientalmente adequada dos rejeitos gerados nos respectivos territórios, geridos a partir dos planos municipais integrados de resíduos sólidos, limitando-se aos resíduos domésticos e comerciais até 50 quilos. Já aos Estados cabem controlar e fiscalizar as atividades dos geradores sujeitos a licenciamento ambiental pelo órgão estadual do SISNAMA9 . No caso do Estado de São Paulo o órgão responsável é a CETESB. 9 Sistema Nacional de Meio Ambiente
  25. 25. 25 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 2.3 Política Nacional de Resíduos Sólidos - Lei 12.305/2010 A Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010, instituiu no Brasil a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a qual define resíduos sólidos, em seu Artigo 3o , inciso XVI, como: "material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade (...)”. No mesmo Artigo, inciso VII, a Lei dos Resíduos Sólidos estabelece que a destinação final dos resíduos tenha que ser "ambientalmente adequada" e lista as opções da reutilização: reciclagem, compostagem, recuperação e o aproveitamento energético e definindo o gerador dos resíduos como responsáveis pela logística reversa. No caso de impossibilidade técnica ou economicamente inviável do encaminhamento para uma dessas opções, os resíduos sólidos passarão a se denominar rejeitos e a disposição final deve seguir normas operacionais específicas, de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública, à segurança e com o mínimo de impacto ambiental adverso. Sendo o aterro sanitário um dos principais locais de destino dos rejeitos, devendo ser verificada toda a regularidade do aterro sanitário, com os respectivos registros ambientais. Por outro lado, por essa legislação, fica expressamente proibida a destinação ou disposição final de resíduos sólidos ou rejeitos em praias, no mar ou em quaisquer corpos hídricos; in natura a céu aberto (exceto os resíduos de mineração); queima a céu aberto ou em recipientes/instalações e equipamentos não licenciados para essa finalidade. O conjunto de artigos da lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos exige para seu cumprimento uma visão sistêmica de todos os envolvidos no processo de consumo do produto final e que estes considerem as variáveis ambiental, social, cultural, econômica, tecnológica e de saúde pública. Ainda, a legislação traz a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto, delimitando as atribuições individualizadas entre fabricantes, importadores, distribuidores, consumidores e dos titulares dos serviços público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos. Seguindo o conceito de ciclo de vida do produto como: "série de etapas que envolvem o desenvolvimento do produto, a obtenção de matéria prima e insumos, o processo produtivo e a disposição final” (Artigo 3o , inciso IV). A norma prioriza a ordem ideal como metas a serem atingidas no gerenciamento dos resíduos sólidos, quais sejam: Não geração; Redução; Reutilização; Reciclagem; Tratamento e Disposição final ambientalmente adequada (Artigo 7o , inciso II).
  26. 26. 26 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Visando o cumprimento dessas metas, o Decreto apresenta as ferramentas passíveis de utilização e ambientalmente corretas: 2.3.1 Coleta seletiva É o recolhimento dos materiais possíveis de serem reciclados (papéis, plásticos, metais e vidros) previamente separados na fonte geradora evitando sua contaminação, aumentando seu valor agregado e diminuindo seu custo de reciclagem. A coleta seletiva deverá ser implementada mediante a separação prévia dos resíduos sólidos (nos locais onde são gerados), conforme sua constituição ou composição (úmidos, secos, industriais, da saúde, da construção civil, etc.). A implantação do sistema de coleta seletiva é instrumento essencial para se atingir a meta de disposição final ambientalmente adequada dos diversos tipos de rejeitos. A coleta seletiva deve ser entendida como um fator estratégico para a consolidação da Política Nacional de Resíduos Sólidos em todas as suas áreas de implantação. No tocante ao serviço público de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos deverá se estabelecer, no mínimo, a separação de resíduos secos e úmidos e, progressiva-mente, se estender à separação dos resíduos secos em suas parcelas específicas segundo as metas estabelecidas nos planos de gestão de resíduos sólidos. (www.mma.gov.br) 2.3.2 Acordo setorial Trata-se de uma ferramenta importante, principalmente na gestão integrada de resíduo sólido em setores comuns, próximos e/ou interessados. Define-se na legislação: "ato de natureza contratual entre o poder público e fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto" (Artigo 3o , inciso I). O acordo setorial propicia um modelo de gestão baseado na visão sistêmica do processo, podendo diminuir custos com a destinação dos resíduos com ações conjuntas. 2.3.3 Logística reversa Ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos, a logística reversa está presente em todos os capítulos da Lei que demandam ações e procedimentos a serem adotados por empresas, consumidores e poder público em uma cadeia logística invertida no seu sentido de fluxos.
  27. 27. 27 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Sua aplicação é legalmente obrigatória para o retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de acordo com o Artigo 33, inciso (I) para os resíduos de agrotóxicos e embalagens; (II) pilhas e baterias; (III) pneus; (IV) óleos lubrificantes e suas embalagens; (V) lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; (VI) produtos eletrônicos e seus componentes. A logística reversa gerencia e distribui o material descartado possibilitando seu retorno ao ciclo produtivo agregando valor econômico e ecológico. Leite (2003) conceitua logística reversa como a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros. Portanto, o correto gerenciamento da logística reversa é essencial ao desenvolvimento da reciclagem e, por conseguinte, mitigação dos impactos ambientais e geração de rendas. 2.4 O Porto de Santos O Porto de Santos foi inaugurado no dia 2 de fevereiro de 1892 com a atracação de um navio de bandeira inglesa nos primeiros 260 metros de cais do Valongo. Na época, a cidade de Santos passou por uma grande transformação, pois velhos trapiches e pontes fincados em terrenos lodosos foram substituídos por aterros e muralhas de pedra. Desde então, o Porto não parou de crescer, acompanhando as fases de crescimento econômico do país e contribuindo para o desenvolvimento industrial da região. Da sua origem, ligada ao café, passou à diversificação de importação e exportação de inúmeros tipos de mercadoria (JORNAL PORTUÁRIO, 2013). É primordial a contribuição das atividades portuárias nos resultados da economia não só pela atividade fim ou principal, mas também pela geração de empregos, renda e divisas ao país.
  28. 28. 28 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Segundo o site PORTO DE SANTOS: O Porto de Santos conta com uma área de 7,7 milhões de m², ficando 3,7 milhões de m² na Margem Direita e 4,0 milhões m² na Margem Esquerda. Possui 13 quilômetros de extensão de cais e um total de 59 berços, dos quais 49 públicos e 10 privados. Possui 55 quilômetros de dutos e 100 quilômetros de linhas férreas. A variação da maré é de 1,2 metros. Para armazenamento de granéis líquidos conta com uma capacidade estática de, aproximadamente, 700 mil m³; e para granéis sólidos, instalações para acondicionar mais de 2,5 milhões de toneladas. O Porto de Santos possui uma usina hidrelétrica para abastecimento próprio, com capacidade de 15 mil KVA, buscando o excedente junto à concessionária regional. Sua área de influência primária, que concentra mais de 50% do PIB, abrange os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A hinterlândia secundária inclui os estados da Bahia, Tocantins, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Cerca de 90% da base industrial do Estado de São Paulo está localizada a menos de 200 quilômetros do Porto de Santos. O Complexo Portuário Santista responde por mais de um quarto da movimentação da balança comercial brasileira e inclui na pauta de suas principais cargas o açúcar, o complexo soja, cargas conteinerizadas, café, milho, trigo, sal, polpa cítrica, suco de laranja, papel, automóveis, álcool e outros granéis líquidos. O Porto de Santos é um dos maiores e mais modernos da América Latina, sendo que uma grande parcela do comércio exterior brasileiro o utiliza como corredor de distribuição, sua movimentação de cargas é crescente e o volume de veículos que as transportam, também. 2.4.1 Os Portos e os Resíduos Sólidos Os portos estão inseridos na alínea "j", do inciso I, do Artigo 13 da Lei 12.305 que trata de resíduos de serviços de transporte originários de portos e terminais alfandegários, aeroportos, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira. Assim, os terminais e outras instalações estão sujeitos à elaboração do plano de gerenciamento de resíduo sólidos e sujeitos às sanções no caso de não tratarem os resíduos da maneira correta.
  29. 29. 29 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 A CODESP, administradora do Porto de Santos, tem um núcleo ambiental lotado na Superintendência de Saúde, Segurança e Meio Ambiente, com a função de gerenciamento ambiental na área portuária sob sua jurisdição. Conta em seus quadros operacionais e de gestão com biólogos, químicos, técnicos em meio ambiente, oceanógrafo, além de profissionais terceirizados contratados pelo Porto. Em levantamento efetuado por técnicos da CODESP e do CECAP10 , no complexo portuário em 2012, identificou-se a existência de 15 diferentes tipos de resíduos que resultaram nos seguintes volumes totais: Gerados pela CODESP: -Orgânicos e recicláveis: 1.932 t -Perigosos (óleo usado): 2.925 t - Total: 4.857 t Gerados pelas embarcações: -Orgânicos e recicláveis (taifa): 1.952 -Perigosos (óleo usado): 75.623 t -Total: 77.575 t Gerados pelas arrendatárias: -Orgânicos e recicláveis (diversos): 13.320 t -Perigosos (diversos): 2.080 t -Total: 15.400 t TOTAL GERAL: 77.575 t Segundo Grota (2006): 10 Centro de Ensino Capacitação e Aperfeiçoamento
  30. 30. 30 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 O lixo de varrição do cais público, ruas e roçada é terceirizado desde o recolhimento até a destinação. Igualmente é terceirizada a coleta seletiva de papel e copos plásticos. Há caixas coletoras de pilhas e baterias que são enviadas a empresas recicladoras. A coleta seletiva de pneus e lâmpadas é feita por empresa privada e é destinada a leilão. Promove-se novo projeto de coleta seletiva com: novo levantamento de dados, novos orçamentos e treinamento e conscientização. O lixo de ambulatório, no posto de saúde da prefeitura, tem sua coleta terceirizada pela prefeitura e é incinerado em Mauá-SP. Sucatas de guindastes, trilhos, barcaças são armazenadas temporariamente e destinadas a leilão. Entulhos: telhas, paralelepípedos, madeira são igualmente leiloados. Resíduos decorrentes de mitigações como óleo, graxa e produtos químicos em geral são acondicionados em tambores metálicos devidamente rotulados e armazenados para posterior destinação. Para os resíduos gerados por navios há quinze empresas cadastradas para recolhimento e destinação final sendo incinerados em fornos qualificados e autorizados. Processam-se ainda os resíduos gerados pela taifa de navios de passageiros em redor de 203 toneladas por ano, bem como dos cargueiros com 90 toneladas por ano. Os resíduos gerados nos navios resultantes da manutenção, contaminados com óleo, as embalagens, estopas, panos, trapos, papeis, papelão, serragem e uniformes impregnados com óleos e graxas são acondicionados. Os resíduos oleosos (mistura de água de condensação com óleo combustível) são retirados por caminhão tanque ou embarcação. O órgão controlador, em ambos os casos é a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – CETESB. 3. METODOLOGIA DA PESQUISA Realizou-se uma pesquisa bibliográfica constituída por consulta a livros, dissertações, teses, revistas científicas, sendo o acesso aos documentos obtidos por meio de bancos de dados e em bibliotecas, com o objetivo de identificar quais os pontos a serem abordados na elaboração de uma proposta de aplicação do conceito. Do ponto de vista prático, optou-se pelo método do Estudo de Caso, por ser o mais adequado a este tipo de pesquisa, aplicado a uma empresa operadora privada de terminal portuário.
  31. 31. 31 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 3.1 Os Pneus e o Meio Ambiente A Reciclanip conceitua o pneu como um artefato inflável, constituído basicamente por borracha e materiais de reforço utilizados para rodagem em veículos automotores e bicicletas e, por isso, o tempo de decomposição do pneu na natureza é indeterminado, podendo gerar diversos danos ao meio ambiente, além de ser local de criadouro de mosquito da dengue, febre amarela e malária (www.reciclanip.com.br). O pneu é um produto essencial à segurança dos usuários, garantindo melhor desempenho, estabilidade e performance dos veículos. É fabricado para atender aos hábitos de consumo, assim como às condições climáticas e às características do sistema viário existentes em cada país. O peso de um pneu de automóvel varia entre 5,5 e 7,0 kg e um pneu de caminhão pesa entre 55 e 80 kg. Contudo, seu material é de difícil decomposição, de aproximadamente 600 anos, e não é biodegradável (ANDRIETTA, 2002). Os pneus podem ser transformados em óleo, gás e enxofre. Além disso, os arames que existem nos pneus radiais podem ser separados por meios magnéticos. Uma tonelada de pneus rende cerca de 530 kg de óleo, 40 kg de gás, 300 kg de negro de fumo e 100 kg de aço (AMBIENTE BRASIL, 2007). Andrietta (2002) afirma que diversas outras formas de aproveitamento ou reciclagem podem ainda ser destacadas:  Recauchutagem ou reforma: o pneu não deve apresentar cortes, deformações e a banda de rodagem em condições que permitam sua aderência ao solo, para que se possa realizar a reforma.  Recuperação: trituração dos pneus e moagem dos resíduos, reduzidos a um pó fino. Os pneus recuperados são utilizados na mistura com asfalto para pavimentação e nas fábricas de cimento.  Regeneração ou desvulcanização: a borracha é separada dos demais componentes e desvulcanizada, passando por modificações que a torna mais plástica e apta a receber nova vulcanização, sem as mesmas propriedades da borracha crua. 3.1.1 Pneus inservíveis Os pneus usados, sem nenhuma possibilidade de reuso, ou seja, que não poderão ser reutilizados na recauchutagem ou recapagem, classificados como pneus inservíveis, são um problema de cunho internacional. O descarte de pneus inservíveis gera muitos
  32. 32. 32 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 problemas ao meio ambiente, sejam eles relacionados com saúde pública ou mesmo ao seu volume em aterros sanitários. De acordo com o engenheiro mecânico Carlos Lagarinhos (2011), A disposição em aterros é inviável, porque são difíceis de comprimir, não sofrem biodegradação e formam um resíduo volumoso, que ocupa muito espaço (...). Como se não bastasse, os pneus podem reter ar e gases em seu interior, fazendo com que tendam a subir para a superfície do aterro, rompendo a camada de cobertura. Com isso, os resíduos ficam expostos, atraindo insetos, roedores e pássaros e permitindo que os gases escapem para a atmosfera. Acima de tudo, o descarte irregular de pneus, além das consequências já expostas, pode se constituir em abrigo para vetores de diversas doenças. A sua queima contamina o ar e o lençol freático e produz gases perigosos. Mas, todo esse passivo ambiental é evitável, pois o pneu é 100% reciclável. 3.1.2 A Reciclanip A Reciclanip foi criada em março de 2007 pelos fabricantes de pneus novos Bridgestone, Goodyear, Michelin e Pirelli e, em 2010, a Continental juntou-se à entidade. É uma associação sem fins lucrativos, com objetivo de recolher os pneus descartados, criando um programa nacional de coleta de pneus inservíveis. De acordo com informações cedidas pela Reciclanip: No processo de coleta, a Reciclanip é responsável pelo transporte de pneus a partir dos Pontos de Coleta até às empresas de trituração, quando necessário, de onde os pneus serão encaminhados para destinação final. No Brasil, uma das formas mais comuns de reaproveitamento dos pneus inservíveis é como combustível alternativo para as indústrias de cimento. Outros usos dos pneus são na fabricação de solados de sapatos, borrachas de vedação, dutos pluviais, pisos para quadras poliesportivas, pisos industriais, além de tapetes para automóveis. Mais recentemente, surgiram estudos para utilização dos pneus inservíveis como componentes para a fabricação de manta asfáltica e asfalto-borracha, processo que tem sido acompanhado e aprovado pela indústria de pneumáticos.
  33. 33. 33 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 3.1.3 Logística Reversa de Pneus inservíveis A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei 12.305, estabelece em seu Artigo 33 que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes são obrigados a estruturar e implementar sistema de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor para pneus e outros itens. De acordo com o novo texto de Resolução nº 416/09 do Conama11 , aprovado em setembro de 2009, “para cada pneu novo comercializado para o mercado de reposição, as empresas fabricantes ou importadoras deverão dar destinação adequada a um pneu inservível”, excluindo-se dessa obrigação, os reformadores, pois estes já desenvolvem atividades que contribuem para a preservação ambiental, tendo em vista que promovem a extensão da vida útil de pneus usados. Compreende o seu Artigo 8º que: Os fabricantes e os importadores de pneus novos, de forma compartilhada ou isoladamente, deverão implementar pontos de coleta de pneus usados, podendo envolver os pontos de comercialização de pneus, os municípios, borracheiros e outros. O fluxo estabelecido pela legislação para o retorno dos pneus inservíveis seria o consumidor efetuar a devolução dos pneus inservíveis para os comerciantes ou distribuidores que por sua vez deverão encaminhá-los para os fabricantes ou importadores e estes serão responsáveis pela destinação final ambientalmente adequada. 4. ESTUDO DE CASO: GESTÃO DOS RESÍDUOS DE PNEUS DE CAMINHÕES, EMPILHADEIRAS E RTG12 DO GRUPO LIBRA NO PORTO DE SANTOS 4.1 O Grupo Libra Entre os anos de 1990 e 2000, o Grupo Libra participou e ganhou as licitações dos Terminais 37, 35 e 33 do Porto de Santos, e o objeto dos editais de concorrência eram a de movimentação e armazenagem de carga conteinerizada ou geral. Nos referidos editais, além de delimitar as operações que a empresa deveria realizar, 11 Conselho Nacional de Meio Ambiente 12 Rubber Tired Gantry Cranes, em português, Guindastes Empilhador sobre Pneus.
  34. 34. 34 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 os preços cobrados, movimentação mínima e área a ser arrendada, a CODESP também determinou que a empresa vencedora investisse na área com reformas e principalmente na aquisição de modernos equipamentos para a movimentação das cargas. Os principais equipamentos exigidos pela CODESP são os portêineres e transtêineres, além de empilhadeiras de grande porte (reach stackers) e caminhões com semirreboque adaptado para este tipo de operação. 4.1.1 Destinação de Pneus Inservíveis Dentre os equipamentos elencados no parágrafo anterior, somente o portêiner não utiliza pneus, já que sua movimentação é feita em cima de trilhos, instalados no costado ao lado da área de acostamento das embarcações. O restante usa pneus de diversos tamanhos e diâmetros, devendo o Grupo Libra, em consonância com seus princípios de sustentabilidade e legislação aplicável, gerenciar e destinar corretamente os pneus inservíveis. Assim, para garantir que a reutilização ou a destinação final dos pneus dos caminhões, transtêineres e empilhadeiras fossem feitas de forma padronizada e em conformidade com a legislação ambiental vigente, o Grupo Libra confeccionou, através do departamento de Segurança, Saúde e Meio Ambiente (SSMA), a Gestão dos Resíduos de Pneus de Caminhões, Empilhadeiras e RTG. No referido procedimento, a empresa define a sua aplicação, os departamentos responsáveis e quais os pneus passíveis de reutilização ou destinação, bem como os passos que devem ser seguidos para o descarte ou utilização correta. As instruções da gestão iniciam no momento da manutenção dos equipamentos, feitos pelo departamento de Manutenção e, ao constatar a necessidade de substituição dos pneus, o setor deve definir se o pneu retirado do equipamento deve passar por algum processo de recuperação (recapagem/recauchutagem), montagem de defensas para o berço de atracação de navios, ou destinação final em empresas que realizam reciclagem ou queima de resíduos de pneus (empresas conveniadas à Reciclanip). Na Baixada Santista, a empresa AD Pneus é a empresa associada à Reciclanip e cadastrada no IBAMA como ponto de coleta de pneus da região. Atualmente, é a empresa contratada pelo Grupo Libra para a coleta interna e acondicionamento temporário dos pneus inservíveis, sendo responsável pela emissão do certificado de destinação final do resíduo.
  35. 35. 35 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Internamente, há um colaborador responsável pela gestão dos pneus e ele deve contatar o fornecedor para agendamento da retirada dos pneus. Além disso, deve imediatamente elaborar a requisição de compra para a solicitação do serviço junto à área de Suprimentos. Ao ir retirar os pneus, a empresa contratada analisa e caracteriza se o pneu é realmente inservível ou se é passível de reutilização. No caso da reutilização, a empresa contratada encaminha para recuperação os pneus que serão reutilizados nas defensas e registram essa recuperação em uma planilha nomeada como Controle de Recuperação de Pneus. Então, a empresa contratada, ao classificar o pneu como reutilizável, providencia o encaminhamento dos pneus para o serviço de recuperação e acompanha o recebimento dos mesmos já prontos para o uso como defensas. A planilha abaixo registra os dados para controle de recuperação de pneus, controlada pelo SSMA: Figura 1: Controle de Recuperação de Pneus. Apenas os pneus inservíveis, provenientes de transtêineres e empilhadeiras de grande porte, é que podem e devem ser utilizados como defensas13 , diante da sua dimensão e peso do navio que se apoiará na defensa no momento da atracação. Nesse caso, o responsável pela gestão dos pneus deve, ao receber os pneus da empresa de caracterização/recuperação, contatar a área de Manutenção Predial para que realizem o 13 É em náutica um objeto mole que se coloca ao longo do casco para proteger a embarcação de tocarem umas nas outras ou no cais (WIKIPEDIA).
  36. 36. 36 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 armazenamento correto até o momento da montagem das defensas. Estas defensas são gerenciadas pela planilha “Controle de envio dos pneus para defensa”, discriminada a seguir: Figura 2: Controle de Envio de Pneus para Defensa. Para os pneus inservíveis, a empresa contratada para a recuperação e análise dos pneus deve elaborar um laudo com os dados dos mesmos e o motivo da recusa, visto que estas informações são utilizadas no processo de destinação final dos mesmos. Para os pneus, recusados para recuperação e classificados como inservíveis, o responsável pela gestão dos pneus deve realizar agendamento para a retirada sempre que a quantidade padrão para armazenamento for atingida. Essa quantidade padrão é controlada via planilha “Controle de Destinação de Pneus”: Figura 3: Gestão de Pneus – Controle de Destinação de Pneus Inservíveis
  37. 37. 37 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Esta planilha preenchida é encaminhada para a AD Pneus, e esta remete a proposta comercial do serviço de retirada dos pneus. O armazenamento dos pneus, no momento anterior da avaliação da empresa contratada é a quantidade mínima para a retirada pela AD Pneus, sendo feito em local específico, para tal identificado como “Armazenamento de pneus”. Com o objetivo de manter a organização, controle de estoque e encaminhamento, o responsável pela gestão dos pneus deve segregar os mesmos nos locais de armazenamento, conforme as seguintes diretrizes: 4.1.2 Localização e diretrizes Foto 1: Sala de armazenamento de pneus. Foto 2: Pneus armazenados em prateleiras.
  38. 38. 38 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Os pneus são segregados de acordo com a capacidade de armazenamento da sala, portanto, segue identificação de suportes presentes no local, os quais seguem identificados da seguinte maneira: -5 suportes identificados como: pneus inservíveis Rodocarga (45 pneus); -1 suporte identificado como: pneus inservíveis Cargolog (9 pneus); -4 suportes identificados como: pneus para caracterização (36 pneus); -1 suporte identificado como: pneus recapados (9 pneus); -1 suporte identificado como: aros. Não menos importante que o procedimento a ser seguido pelas áreas diretamente envolvidas, o Grupo Libra possui princípios de relacionamento e sustentabilidade que colocam no dia-a-dia do colaborador a sensação de corresponsabilidade pela proteção ao meio ambiente e segurança no trabalho. Com isso, todos os colaboradores são fiscais dos procedimentos que a empresa deve seguir e os procedimentos são publicados via e-mail e intranet. Portanto, todos são fiscais e conhecedores de como proceder. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS A Política Nacional de Resíduos Sólidos instituída pela Lei 12.305/2010 e regulamentada pelo Decreto Lei 7.404/2010, teve como base o Projeto de Lei 203 de 1991, cujas tratativas pelo Congresso se iniciaram em 2001. Em vigor desde agosto de 2010, ela complementa, retifica, ratifica e substitui dezenas de leis, e resoluções de órgãos ambientais, cujas práticas não se consagraram de forma eficiente e eficaz quer pela falta de fiscalização, instrumentos de incentivos ou sanções eficazes. Considerada por especialistas da área ambiental como moderna, ela já apresenta alguns sinais de alerta quanto ao cumprimento de metas inseridas em seu texto, tais como: em agosto de 2012 venceu o prazo para implementação dos Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, um dos pilares da Política Nacional de Resíduos Sólidos, face à competência atribuída aos Municípios para gerenciar fiscalizar e estabelecer parcerias para o cumprimento de objetivos e metas, relativo aos resíduos gerados em suas respectivas áreas; não há dados de quantos Municípios já implementaram os planos e qual a sua qualidade, já que a exigência de comprovação é quanto à solicitação de financiamento com verbas federais através dos agentes repassadores desses recursos. No que se refere ao Porto de Santos, o fechamento em 23 de outubro de 2013 de
  39. 39. 39 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 uma empresa clandestina na Praia Grande/SP, que fazia a reciclagem de óleo usado, adquiridos dos navios no Porto, denota a existência de falha grave na fiscalização e controle por parte da CODESP e CETESB, que se esquivam de sua responsabilidade solidária definida na Lei de Resíduos Sólidos e nos próprios procedimentos estabelecidos pela CODESP. Ou seja, apesar de na atualidade o Brasil possuir uma legislação concentrada, límpida em suas definições e já em vigor, ela ainda está distante da realidade do cotidiano do Porto de Santos e de todos da cadeia de responsabilidade pela destinação correta do resíduo sólido. Desta forma percebe-se, que a minimização do descarte de pneus inservíveis requer uma significativa mudança de comportamento, tanto em relação ao processo industrial como também em relação ao consumidor, associada a um plano de gerenciamento ambientalmente adequado. Por outro lado, observa-se que o conhecimento das pessoas sobre o impacto ambiental causado por esse tipo de material ainda é muito pequeno. O plano de gestão dos pneus gerados na operação do Grupo Libra infelizmente é uma exceção de logística reversa no Porto de Santos, que não iniciou as tratativas e planejamentos para a implementação de ações conjuntas e eficazes. Finalmente, este estudo delimita um marco referencial para futuras pesquisas que poderão analisar os procedimentos da legislação aplicados e confrontar os resultados com aqueles discriminados ao longo deste trabalho, dado a vigência da lei não ter atingido ainda o seu primeiro quinquênio.
  40. 40. 40 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA AMBIENTE BRASIL. Reciclagem de Pneus. Disponível em: <http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=residuos/index.php3&c onteudo=./residuos/reciclagem/pneus.html&gt>. Acesso em: 22/11/2013. ANDRIETTA, A. J. Pneus e meio ambiente: um grande problema requer uma grande solução. Out. 2002. Disponível em: <http://www.reciclarepreciso.hpg.ig.com.br/recipneus.htm>. Acesso em: 17/11/2013. BRASIL. Decreto - Lei nº 794, de 19 de outubro de 1938. Disponível em: <http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=23799>. Acesso em: 02/10/2013. BRASIL. Lei nº 12.350, de 02 de agosto de 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 05/10/ 2013. CASTILHOS JUNIOR, A. B. de, et al. Resíduos Sólidos Urbanos: aterro sustentável para municípios de pequeno porte. Rio de Janeiro: ABES/RiMa, 2003, 294p. CHIUVITE, Telma Bartholomeu Silva; ANDRADE, Tereza Cristina Silveira. Resíduos Sólidos. Gerenciamento de Resíduos: aspectos técnicos e legais. Revista Meio Ambiente Industrial, n. 29 p. 59-61, abril/maio, 2001. CODEBA. Sistema Portuário Brasileiro. (Disponível em: <http://www.codeba.com.br/eficiente/sites/portalcodeba/pt- br/site.php?secao=sistemaportuariobrasileiro>. Acesso em: 15/11/2013.
  41. 41. 41 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 416/09, de 30 de dezembro de 2009, publicado no DOU, nº 188, de 01/10/2009. CUNHA, I. (org.) Portos no ambiente costeiro. Universidade Católica de Santos. Santos, 2004. 128p. GLOBAL GARBAGE. Os navios Jogam Lixo no Mar. Disponível em: <www.globalgarbage.org/>. Acesso em: 03/12/2013. Grota, A. Gestão ambiental no porto de Santos. 2006. Monografia (MBA em gestão ambiental costeira e portuária) — Universidade Católica de Santos, Santos. JORNAL PORTUÁRIO. Santos Conheça a História do Porto de Santos. Disponível em: <http://www.jornalportuario.com.br/santos-conheca-a-historia-do- porto-de-santos/>. Acesso em: 15/11/2013. LARGARINHOS, Carlos. Reciclagem de Pneus: Análise do Impacto da Legislação Ambiental Através da Logística Reversa. Tese de doutorado defendida em out/2011, no Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica (Poli) da USP. LEITE, P. R. Logística Reversa – Meio Ambiente e Competitividade. São Paulo: Prentice Hall, 2003. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/srhu_urbano/_arquivos/guia_elaborao_plano_ de_gesto_de_resduos_rev_29nov11_125.pdf>. Acesso em: 02 de novembro de 2013. PORTO DE SANTOS. Panorama do Porto de Santos. Disponível em: <http://www.portodesantos.com.br/imprensa.php?pagina=art1>. Acesso em: 15/11/2013.
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  43. 43. 43 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 ANÁLISES CRÍTICA E COMPARATIVA DE UMA MARCA COSMÉTICA COM APELO ANTIENVELHECIMENTO CRITICAL AND COMPARATIVE ANALYSIS OF AGING COSMETIC Daiane Maria da Silva Andrade1 Célio Takashi Higuchi2 RESUMO A pele é o maior órgão do corpo humano e apresenta várias funções. Com o envelhecimento, o tecido perde a elasticidade, a capacidade de regular as trocas gasosas e, dessa forma afeta a replicação do tecido, tornando-se menos eficiente. Devido a isto existe uma constante busca em relação a produtos que valorizam a beleza e a mantenha jovem por mais tempo. Com isso há empresas no mercado cosmético investindo cada vez mais em formulações antienvelhecimento, com o objetivo de devolver a integridade funcional da pele e melhorar aparência física. A proposta do trabalho foi selecionar uma linha de produtos de mesma marca que atende diferentes idades com apelo antienvelhecimento e posteriormente discutir e avaliar criticamente de forma comparativa esta linha de produtos baseada na composição cosmética. Conclui-se que as substâncias presentes nos produtos cosméticos com apelo antienvelhecimento atende para diferentes idades e, além disso, os ativos se repetem em várias composições, pela análise dos ativos, eles cumprem com o papel de prevenção e melhora do envelhecimento cutâneo e, por fim, com o crescimento do mercado cosmético em relação ao envelhecimento, pode se assegurar que existem produtos que realmente prometem uma renovação na pele e tornando o público alvo mais jovem. Palavras-chave: antienvelhecimento, envelhecimento cutâneo, hidratação. 1 Especialista em Cosmetologia Aplicada à Estética, Senac, SP, esteticista pelo Senac, SP; 2 Mestre e farmacêutico pela UNESP, Araraquara, e pesquisador responsável pela linha de pesquisa “Cosméticos Sustentáveis”, Senac, SP. E-mail: celio.thiguchi@sp.senac.br.
  44. 44. 44 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 ABSTRACT The skin is the largest organ of the human body and execute many functions. With aging the tissue loses its elasticity the ability to regulate the exchanges gas and there by affect the replication of fabric, it is making it less efficient. Because of this there is a constant search for products who value beauty and keep young longer. With that there are companies in the cosmetic market increasingly investing in anti-aging formulations with the goal of restoring functional integrity of the skin and improve physical appearance. The purpose was to select a line of products of the same brand that caters different ages with antiaging appeal and subsequently discuss and critically evaluate the comparative form this line of products based on the cosmetic composition. It follows that the substances in cosmetic appeal with aging serves for different ages and moreover the active recur in various compositions for the analysis of active, they fulfill the role of prevention and improvement of skin aging. Finally with the growth of the cosmetic market in relation to aging can ensure that there are products that actually promise a renewal in the skin and making the younger audience. Keywords: anti-aging, skin aging, hydration. 1. INTRODUÇÃO A pele é o maior órgão do corpo humano e apresenta funções de proteção, nutrição, pigmentação, queratogenese, termorregulação, transpiração, perspiração, defesa, metabolismo de vitamina D e também desempenha proteção natural contra as radiações da luz ultravioleta com o intuito de proteger o organismo de seus efeitos nocivos, além disso, cumpre com funções estéticas e sensoriais (HARRIS, 2011; BATISTELA et al, 2007, MACEDO, 2001). A ciência está constantemente descobrindo os segredos da fisiologia da pele e esse conhecimento por sua vez, aumenta a compreensão dos processos fisiopatológicos da pele e de seu processo de envelhecimento (MICHALUN et al, 2010). Com o envelhecimento, o tecido perde a elasticidade, a capacidade de regular as trocas gasosas e, dessa forma afeta a replicação do tecido, tornando-se menos eficiente
  45. 45. 45 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 (HIRATA, 2004). Há uma diminuição na expressão de proteínas que degradam o colágeno da matriz, comprometendo-se ainda mais essa estrutura (HARRIS, 2011). Esse processo ocorre após um número determinado de multiplicações e se caracteriza por perda da capacidade de divisão (CANO, 2006). Devido a reação de diversos fatores como, por exemplo, genético ou biológico (TEIXEIRA et al,2010), se caracteriza por alterações celulares e moleculares, com diminuição progressiva da capacidade de homeostase do organismo, levando a senescência e morte celular programada (BAGATIN, 2008). Além disso, o fumo causa aumento da agregação plaquetária, diminuição da formação de prostaciclinas, aumento da viscosidade sanguínea e da atividade plasmática da elastase, comprometendo também as lesões de fibras elásticas e diminuindo a síntese de colágeno. A atividade da elastase quando aumentada causa formação defeituosa da elastina, tornando a pele mais espessa e fragmentada (SUEHARA et al, 2006). A luz solar também acomete um efeito acumulativo sobre a pele (fotoenvelhecimento) que ocorre ao longo da vida de cada indivíduo e afeta diretamente a atividade pigmentaria cutânea. A radiação penetra na pele e devido seu comprimento de onda age de formas diferentes nas camadas ou estruturas da pele. A radiação de ondas curtas (UVB) atinge a epiderme afetando os queratinócitos e a de ondas longas (UVA) atinge as mesmas células da epiderme e dos fibroblastos da derme (MONTAGNER et al,2009). Radicais livres são moléculas que possuem um elétron desemparelhado em sua orbita externa e que geralmente se deriva do oxigênio (GAVA et al, 2005). Essa situação implica em alta instabilidade energética e cinética, e para se manterem instáveis precisam doar ou retirar um elétron de outra molécula (HIRATA et al, 2004). De acordo com o Cano (2006), o estresse oxidativo decorre de um desequilíbrio entre a geração de compostos oxidativos e também a atuação dos sistemas de defesa antioxidante (BARBOSA et al, 2010). Os radicais livres atuam no processo de envelhecimento, pois atingem direta e constantemente células e tecidos, os quais possuem ação acumulativa (ZANONI, 2005). Em condições normais, a principal via de produção de radicais livres nas células ocorre através da atividade respiratória que se localiza nas matrizes mitocôndrias. O encurtamento dos telômeros se baseia no fato de que a cada divisão celular ocorre uma diminuição das extremidades dos cromossomos e, desse modo, ocorre o encurtamento progressivo dos cromossomos, causando a inviabilidade reprodutiva das células e o
  46. 46. 46 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 envelhecimento celular. O encurtamento dos telômeros é uma consequência da formação de quebras das extremidades da cadeia do DNA (HARRIS, 2011). Em função de uma diversidade de grupos étnicos o mercado brasileiro de cosmético está em constante aperfeiçoamento para oferecer produtos que se adeque a cada tipo de pele. Esse público está cada vez mais consciente de seu potencial e procuram produtos que valorizem a sua beleza natural. Devido as diversidades, o tipo de pele pode interferir no envelhecimento cutâneo, tornando precoce ou tardio. A principal diferencia entre as peles e a pigmentação, está relacionado com o número de melanócitos e os melanossomas - grânulos localizados dentro das células e formados essencialmente por melanina. Devido a isto existe uma constante busca em relação a produtos que valorizam a beleza e a mantenha jovem por mais tempo. Com isso há empresas no mercado cosmético investindo cada vez mais em formulações antienvelhecimento, com o objetivo de devolver a integridade funcional da pele e melhorar aparência física (BATISTELA et al, 2007). Com isso, as indústrias cosméticas investem em ativos que prometem restabelecer a integridade da pele, através de cremes, sérum ou fluídos, atendendo assim a cada tipo de pele. Diversas marcas cosméticas nacionais e internacionais oferecem produtos para cada tipo de pele e idade com ação e apelo para diminuir a formação de rugas, devolver o tônus da pele e, por fim, prevenir, diminuir ou atenuar as linhas de expressão. Com este intuito, o trabalho tem como enfoque selecionar uma marca cosmética e avaliar criticamente a composição cosmética com apelo antienvelhecimento. 2. OBJETIVOS GERAIS - Selecionar uma linha de produtos de mesma marca que atende diferentes idades com apelo antienvelhecimento; - Discutir e avaliar criticamente de forma comparativa esta linha de produtos baseada na composição cosmética.
  47. 47. 47 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 3. REVISÃO DE LITERATURA Segundo dados do IBGE a população idosa que era de 2 milhões em 1950, chegou a 14 milhões em 2003, a expectativa de vida dos brasileiros tem aumentado nas últimas décadas segundo uma projeção feita pela ONU que diz que em 2050 os idosos representaram 20% da população brasileira. Dados apontam também que a 3° idade tem como estímulo de compra a localização e o preço dos produtos e 51% dos seus gastos são destinados a produtos de beleza. O mercado brasileiro de cosméticos é o segundo maior do mundo com um faturamento líquido de R$ 21,7 bilhões. Segundo publicação do Sebrae em relação ao Euromonitor que analisa o mercado, afirma que com o aumento da riqueza global implica em consumos mais diversificados e maior intensificação no mercado internacional. Sendo assim, há a necessidade de elaboração de produtos específicos para diferentes faixas etárias, em função do aumento da expectativa de vida. Há no mercado atualmente diversas marcas com apelo antienvelhecimento tais como: Avon, Natura, L´Oreal, Boticário, La Roche Posay, Vichy, Dermage, Shiseido, Veer, Dior, Adcos, Bio Age, Imedeen entre outras. Entre as marcas disponíveis no mercado foi selecionada uma a qual atendesse diferentes idades e utiliza os seguintes ativos para prevenir o envelhecimento. 3.1. DESCRIÇÃO DE ATIVOS 3.1.1. Elastinol+R Marca Natura/Galeno Em 2000, foi desenvolvido, por processo biotecnológico, o primeiro ativo desta linha, que contem L-fucose e atua na comunicação celular e regulando a produção de elastina. Como resultado de pesquisa sobre efeitos de outro fração polissacarídica rica em L-rhamnose chegou em 2003 um segundo ativo, uma combinação de polissacarídeos ricos tanto com L-fucose como L-rnhamnose.
  48. 48. 48 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Essa combinação age na derme e na epiderme, promovendo redensificação dessas camadas através do estímulo da proliferação celular e da síntese de moléculas da matriz extracelular e outros efeitos concomitantes que levam a uma ação antienvelhecimento mais íntegra. O Elastinol+R é a terceira geração de ativos desta linha. Possui uma nova combinação das frações polissacarídicas ricas em L-fucose (FROPs), L- rhamnose (RROPs) com maior concentração das frações ricas em L-rhamnose. Esse diferencial lhe confere ação reepitelizante da pele, em função da intensa proliferação celular dérmica e na síntese de macromoléculas da MEC. É recomendável para produtos destinados ao tratamento do envelhecimento cutâneo e convém mantê-lo em temperaturas inferiores a 40°C. Usado em cremes, loções e géis para face, corpo e mãos. O pH de estabilidade varia entre 5,5 e 6,5. Utilizado em concentração de 1,0 a 5,0% (SOUZA et al, 2009). 3.1.2. Manteiga de cupuaçu INCI: Theobroma grandiflorum seed butter Ativo repositor da barreira lipídica da pele, que minimiza o ressecamento e a desidratação. Proporciona toque sedoso e não oleoso. Possui poder de absorção de UVB e UVC e alta capacidade de absorção de água. Contém fitoesterois (a), beta-sitosterol (b), estigmasterol (c) e campesterol (d). Utilizado na concentração de 4 a 10% em cremes, loções, sabonetes, batons, desodorantes e em xampus de 0,5 a 1% (SOUZA et al, 2009).
  49. 49. 49 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Figura A: Estruturas moleculares de fitoesterois Figura B: Estrutura molecular de beta-sitosterol Figura C: Estrutura molecular de estigmasterol Figura D: Estrutura molecular de campesterol 3.1.3. Vitamina E INCI: tocopheryl acetate A vitamina E é considerada uma substância lipossolúvel desempenhando ações antiradicalar e hidratante. É usado em preparações com papéis de emulsões cremosas e géis em produtos para as áreas dos olhos, produtos corporais e faciais. Recomenda - se adicionar 1% na base estoque como agente antioxidante. Utilizado em concentrações de 0,1 a 5,0%(SOUZA et al, 2009). Figura E: Estrutura molecular da vitamina E
  50. 50. 50 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 3.1.4. Alfa bisabolol INCI: bisabolol Substância de origem botânica usada por suas propriedades anti-inflamatórias. É derivada da camomila e/ou do milfólio (MICHALUN & MICHALUN, 2010). Figura F: Estrutura molecular da alfa-bisabolol 3.1.5. Isoflavona de soja INCI: Soy isoflavones Os isoflavonoides tem demonstrado propriedades antioxidantes através da proteção de UV, e alguns talvez sejam imunoprotetores. Estudos clínicos indicam uma aplicação antienvelhecimento dada a sua capacidade de inibir processos químicos que levam a degradação do colágeno na pele (MICHALUN et al, 2010). Figura G: Estrutura molecular geral da isoflavona da soja 3.1.6. Flavonoides INCI: Bioflavonoids Possuem atividades anti-inflamatória, antialergênica, antiviral, antienvelhecimento e anticarcinogênica. A finalidade de uso para tratamento contra envelhecimento cutâneo, pode estar condicionada a melhorada condição do colágeno em menor grau, contribuindo no resultado quanto a elasticidade, aspereza e hidratação da pele. São encontrados em amoras, framboesas, morangos, frutas cítricas, cacau, chá verde, salsa, vinho tinto e na
  51. 51. 51 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 soja (MICHALUN et al, 2010). Figura H: Estrutura molecular geral de flavonoides 3.1.7. Café INCI: Coffea robusta seed extract O café também é conhecido como extrato de coffeberry. Ele desempenha ação antioxidante poderosa com propriedades antienvelhecimento e de clareamento da pele. O extrato é obtido do fruto inteiro, e não só da semente ou grãos (MICHALUN et al, 2010). Figura I: Estrutura molecular da cafeína 3.1.8. Licopeno INCI: Lycopene O licopeno é um carotenóide sem a atividade pró-vitamina A, lipossolúvel, composto por onze ligações conjugadas e duas ligações duplas não conjugadas. O licopeno é obtido através de fontes de carotenoide. Ele possui a maior capacidade sequestrante do oxigênio singlete, possivelmente devido à presença das duas ligações duplas não conjugadas, o que lhe oferece maior reatividade (SHAMI et al, 2004).
  52. 52. 52 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Figura J: Estrutura molecular geral do licopeno 3.1.9. Spilol INCI: Spilanthes oleracea O jambu é uma Asteraceae nativa da região da Amazônia. É uma hortaliça herbácea, perene, semi-ereta e de ramos decumbentes. As inflorescências são pequenas e amareladas, dispostas em capítulos. Suas propriedades são atribuídas principalmente ao Espilantol, que é anestésico e age sobre as microtensões da pele. É utilizada como matéria prima para cosméticos com ação anti-rugas (MARTINS et al, 2012). Figura K: Estrutura molecular do Spilanthes oleracea 3.1.10. Ceramidas de Maracujá INCI: Ceramides (N-stearoyl-phytosphingosine) As ceramidas promovem a reparação do estrato córneo principalmente em pele seca, contribuindo na melhora da hidratação e aumenta a sensação de maciez. São benéficas para peles sensíveis, escamosas, ásperas, secas, envelhecidas e danificadas pelo sol (MICHALUN et al, 2010). 3.1.11. HydraPro® Hydra por seu potencial hidratante 2 vezes maior e Pro® pelos benefícios e resultados comprovados de melhoria na hidratação, nos sinais de envelhecimento, por maior firmeza e mais proteção.
  53. 53. 53 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 3.1.12. CAO É a sigla para Complexo Antioxidante, uma mistura de ativos antioxidantes que atua em sinergia para conferir à pele maior proteção contra os efeitos nocivos dos radicais livres e, portanto, prevenir o envelhecimento precoce. O CAO desenvolvido pela Natura contém vitamina E, licopeno e extrato de café. 3.1.13. Dermoglicideo São oligossacarídeos (açúcares) de origem vegetal, obtidos pela Natura por um processo biotecnológico desenvolvido em parceria com o fornecedor Solabiá, na França. Sua principal função é impedir o processo de glicação, que prejudica as fibras de sustentação da pele. 3.1.14. Extrato de Castanha A castanha portuguesa é uma árvore de porte médio que produz ouriços dos quais se retiram as castanhas. O extrato obtido a partir delas é rico em açúcares e ácido urônico, que reduzem a ação das enzimas que promovem a descamação da pele. Assim, melhoram a manutenção da barreira cutânea. 3.1.15. PCA de Zinco Complexo antioleosidade em geral presente em cosméticos antibrilho para pele oleosa e mista 4. BASES COSMÉTICAS Os ativos presentes nos produtos cosméticos penetram por vias de dois canais principais: o canal extracelular e o canal intercelular. A velocidade de penetração depende do tamanho das moléculas, da integridade e saúde da pele. A camada córnea é a primeira barreira contra a penetração de ativos. A segunda barreira é a junção epidérmico dermal ou membrana basal. Estruturalmente a pele absorve, essa absorção ocorre através dos
  54. 54. 54 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 poros pilossebáceos, ductos das glândulas sudoríparas, canais intercelulares que mantem as células justapostas (MICHAULIN et al, 2010). Devido a esse mecanismo de penetração da pele é necessário a escolha adequada da base, para se obter uma penetração e ação dos ativos utilizados, satisfatória. Segue-se abaixo alguns exemplos de bases cosméticas: DOW CORNING 4002 CL BASIS Nome INCI: Cyclopentasiloxano (and) dimethicone (and) crosspolymer (and) dimethicone (and) laureth -23 (and) laureth 4(and) acrylate polymer (and) mineral oil (and) Water Composto sólido, branco, com densidade 0,9573, viscosidade maior que 1,700,000 cP e aparência de gel que permite formular produtos para cuidados facial e corporal apenas com aplicação de água e ativos. Devido a sua permeabilidade ao vapor de água, permite que a pele respire normalmente. Prove película protetora resistente à água, garantindo que o ativo fique em contato com a pele por mais tempo. Possui um sensorial leve e sedoso. Contem agentes sequestrantes e antioxidante. Usado em hidratantes, produtos antienvelhecimento, clareadores e protetores solares para todos os tipos de pele (SOUZA et al, 2009). Características Forma de aplicação: creme e loção Basic %: creme 50% e loção de 30 a 40% Água: creme 50% e loção 60 ou 70%. HOSTACERIN CG (Clariant) Base auto emulsionante aniônica, composta de agentes de consistência, emolientes e emulsionantes como o fosfato de triceteareth 4. Possui o éster fosfórico em sua formulação que apresenta afinidade com os fosfolipídeos encontrados na pele o que facilita a absorção das formulações e otimizando a penetração dos princípios ativos incorporados nas emulsões. Apresenta boa espalhabilidade e não deixa na pele a sensação
  55. 55. 55 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 untuosa. Compatível com pigmentos, filtros solares, hidroquinonas, ácidos glicólicos, PABC hidratantes e ureia. Usado no preparo de veículos para incorporação de ativos diversos, emulsões, antienvelhecimento. Concentração permitida de 4 a 15% podendo estes valores ser alterados em função da consistência desejado. Temperatura entre 85°C a 90°C (SOUZA et al, 2009). DEG BASE LOÇÃO CR2 Base pronta de loção CR2 para adição de ativos. Cera auto emulsionante não iônico (CRODA BASE CR2), proprilenoglicol, parabenos, imidazolidiniluréia, BHT, EDTA tetrassódico, ciclometicone (e) dimethicone crosspolímero e água deionizada. São formulados com ingredientes tradicionais, amplamente conhecidos e são compatíveis com a imensa maioria das substâncias usadas na manipulação. Características: Forma farmacêutica loção Carga não iônica pH da base 6,00 a 8,00 Compatibilidade Ideal para incorporação de hidratantes, regeneradores, alfa e beta – hidroxiácidos, anti-inflamatórios, adstringentes, calmante, cicatrizantes, esfoliantes, antimicrobianos, lipossomas etc. Aplicações Loções farmacêuticas diversas Loções para cuidados com a pele Produtos infantis Bronzeadores Formulações vaginais Loções para massagem
  56. 56. 56 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Informações farmacotécnicas Concentração de uso: qsp 100% DEG BASE CREME LANETTE Creme base aniônico Ceras auto emulsionantes propilenoglicol, triglicérides do ácido láprico, metil parabenos, imidazolidinil uréia, dimethicone, BHT, EDTA dissódico e água deionizada. Apresenta na composição álcoois graxos superiores e alquil sulfato, hidratantes e emolientes, de baixa oleosidade, de toque suave a alta resistência aos princípios ativos que requerem veículos com este caráter. É compatível com todos os cosméticos e farmacêuticos que toleram emulsões aniônicas. Especificações Aspecto creme sólido Cor branco leitoso Odor suave pH 5,50 a 7,00 Os cosméticos podem ter as seguintes características: Cremes: são emulsões O/A ou A/O de alta viscosidade e constituídas de uma fase aquosa e uma fase oleosa líquida que foram homogeneizadas através da utilização de um terceiro componente que possui afinidade por ambas as fases (tensoativo). Loções: são emulsões O/A ou A/O de média a baixa viscosidade e constituídas de uma fase aquosa e uma fase oleosa que foram homogeneizadas através da utilização de um terceiro componente com afinidade por essas fases (tensoativo) ou através de um solvente que geralmente é alcoólico. Géis: são soluções coloidais ou suspensões de substâncias insolúveis em água, mas hidratáveis. Podem ser transparentes ou opacos. Quanto menores os tamanhos das partículas, mais transparentes são as soluções aquosas (PEDRO, 2014).

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