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Revista InterfacEHS edição completa Vol. 9 nº 1

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InterfacEHS Revista de Saúde, Meio Ambiente e Sustentabilidade …

InterfacEHS Revista de Saúde, Meio Ambiente e Sustentabilidade

Publicação Científica do Centro Universitário Senac - ISSN 1980-0894

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http://www3.sp.senac.br/hotsites/blogs/InterfacEHS/?page_id=1480

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  • 1. 1 ISSN 1980-0894 Editorial, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Caro Leitor Com a intenção de continuar a disseminação do conhecimento, a Revista InterfacHES traz até você em sua primeira edição no ano de 2014, mais cinco artigos sobre temas variados dentro da área da Saúde, Meio Ambiente e Sustentabilidade. Os trabalhos publicados nesta edição são exemplares, começando com o artigo de Jamir Mendes Monteiro, Carla Carolina Pecora Gomes,Loamy Sá e Thatiane Freitas de Sousa Furtado sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos - lei 12.305/2010: uma visão geral e sua interface com o Porto de Santos. Tangenciando esse tema é apresentado um estudo experimental sobre a avaliação de degradabilidade de embalagens plásticas utilizadas no acondicionamento de resíduos sólidos urbanos, cujas contribuições são das autoras Fabiana Alves Fiore Pinto, Emília Satoshi Miyamaru Seo, Maíra Alonso Klaussner e Camilla Raucci. Tratando-se sobre a qualidade de vida profissional evidencia-se a contribuição das autoras Marina Atuatti e Sayonara de Fátima Teston com artigo sobre a qualidade de vida dos profissionais que trabalham no Capsi de um município do Oeste Catarinense. Outro trabalho voltado à saúde humana é apresentado sobre a aplicação do instrumento demanda controle em uma população de trabalhadores hipertensos da construção civil, relacionadas ao ambiente ocupacional sob autoria de Roberta Zaninelli do Nascimento Zarpelão e Milva Maria Figueiredo de Martino. Por último, não menos importante, é apresentado o artigo sobre as análises crítica e comparativa de uma marca cosmética com apelo antienvelhecimento sob autoria de Daiane Maria da Silva Andrade e Célio Takashi Higuchi. Na seção resenha, registra-se o trabalho sobre o princípio da solidariedade intergeracional como pressuposto para a adoção de um paradigma ambiental de sustentabilidade, com a discussão da autora Gabriela Soldano Garcez. A contribuição destacada na seção tradução é sobre contribuição das exposições de óxido de nitrogênio e dióxido de enxofre, emitidas de usinas de energia, na prevalência de doenças e sintomas respiratórios, cujo artigo foi publicado na revista Environmental Pollution, v.186, 2014.
  • 2. 2 ISSN 1980-0894 Editorial, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Espero que o conteúdo da revista enriqueça o seu aprendizado. Tenha uma boa leitura! Editora Emília Satoshi Miyamaru Seo
  • 3. 3 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 DEMANDA CONTROLE EM TRABALHADORES HIPERTENSOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL DEMAND CONTROL IN HYPERTENSIVE CONSTRUCTION WORKERS Roberta Zaninelli do Nascimento Zarpelao1 Milva Maria Figueiredo de Martino2 RESUMO Objetivo: Apresentar o resultado da aplicação do instrumento demanda controle em uma população de trabalhadores hipertensos da construção civil, relacionadas ao ambiente ocupacional. Método: Trata-se de um estudo descritivo e transversal, em trabalhadores da Construção Civil de Cubatão, SP oferecendo subsídios para a gestão da saúde do trabalhador nesse ramo de atividade. Resultados: (n=79) que relacionou o ambiente de trabalho e sua relação com a hipertensão arterial. Conclusão: Concluiu-se que a hipertensão arterial leve foi predominante entre os trabalhadores, no entanto há necessidade de maiores investigações sobre os fatores presentes no ambiente de trabalho podem agravá-la ou não. Palavras-Chaves: Hipertensão Arterial. Gestão em Saúde. Saúde dos trabalhadores. 1 Enfermeiro do Trabalho, Mestre em Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente, Doutoranda da EPE/Unifesp. São Paulo (SP), Brasil. E: mail: rzn.zarpelao@unifesp.br; Autor correspondente. Endereço: Av. Doutor Bernardino de Campos, 580 Av. Apto. 36, Santos – SP, ZIP CODE:11065-002, Tel.: (13) 98136 3809. 2 Enfermeira, Pós Doutora em Enfermagem. Professora Associada da Unifesp. São Paulo (SP), Brasil. E-mail: martino.milva@unifesp.br;
  • 4. 4 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 ABSTRACT Objective: To present the result of applying the instrument demand control in a population of hypertensive construction employees in their workplace. Method: This was a descriptive cross-sectional study in Construction workers of Cubatão, SP offering subsidies for the management of health worker in this field of activity. Results: (n=79) related to the work environment and its relationship to hypertension. Conclusion: It was concluded that mild arterial hypertension was prevalent among workers, however it is needed further investigation into the factors present in the work environment that can aggravate it or not. Key Words: Hypertension. Management in Health. Health workers. INTRODUÇÃO As transformações ocorridas no mundo do trabalho têm repercutido na saúde dos trabalhadores de maneira direta, assim a crescente demanda por novas tecnologias, adicionadas a um complexo conjunto de inovações organizacionais tem interferido nas condições e as relações de trabalho (MENDES & De MARTINO, 2012). A intensificação do trabalho é um elemento da atual fase do capitalismo que passa a implicar em consumo de energias físicas e espirituais dos trabalhadores, essas transformações impactam diretamente na saúde do trabalhador em decorrência do processo de trabalho que precisa ser reorganizado de forma a atender as características de cada profissão (MENDES & De MARTINO, 2012, p.1471). A construção civil é um ramo de atividade de grande importância no cenário econômico brasileiro, caracterizado pela informalidade, sendo trabalhadores do sexo masculino, migrantes, com baixa escolaridade e reduzida qualificação profissional além de ser considerado um dos mais perigosos do mundo e inclusive no Brasil e com altos índices de acidentes de trabalho, inclusive os incapacitantes e os fatais (IRIART et al., 2008, p.166). A construção civil apresenta apenas 20,1% dos trabalhadores com carteira assinada e o trabalho informal pode contribuir para a precarização do trabalho nesta área de atuação, quando comparados a outros tipos de atividades, ainda a presença marcante
  • 5. 5 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 do trabalho informal deriva da utilização de mecanismos de rebaixamento de custos, dentre eles o da subcontratação (IRIART et al., 2008, p.166). Segundo a Relação Anual das Informações Sociais (RAIS), a análise setorial mostra que todos os setores expandiram o nível de emprego formal em 2011, comportamento esse proporcionado, em grande parte, pelo fortalecimento da demanda interna. Em termos absolutos, a Construção Civil proporcionou a criação de 241,3 mil empregos ou +9,62%, a maior taxa de crescimento do período, e a Região Sudeste aumentou o número de empregos em +4,69%, gerando 1.283.061 postos de trabalho (MTE, 2011, p.2). As condições adversas do trabalho, perdas dos direitos trabalhistas, legalização dos trabalhos informais e temporários, aliadas a evolução da tecnologia avançaram os limites da saúde humana e pode influenciar o risco de desordens osteomusculares, sintomas psiquiátricos, alteração do sono dos trabalhadores, e ferimentos que ocorrem frequentemente entre populações de meia idade, podendo ser consideradas umas das principais razões de adoecimento (PADILHA, 2010, p.555). Segundo Lima (2010), a terceirização permite a flexibilização do processo produtivo, trata-se assim, da reorganização da produção com foco das atividades fins das empresas e externalização das demais, eliminando setores produtivos, administrativos, ou de serviços, que por esta visão, são considerados complementares às suas atividades fins e transferem sua realização para outras empresas, concentrando-se no produto principal, possibilitando redução de custos fixos e ganhos de eficiência. A terceirização é percebida como técnica de modernização e instrumento de gestão empresarial trata-se de um fenômeno mundial alcançando todos os tipos de trabalho, na indústria, comércio e serviços, apresentando-se sob diversas formas de regulação e legislação nos diferentes países (LIMA, 2010, p.17). A flexibilização e terceirização podem não implicar necessariamente na precarização das relações de trabalho, mas progressivamente tornam-se sinônimos. A precarização relaciona-se com uma maior desregulamentação da utilização da força de trabalho, com a redução de postos, alterações nos contratos com redução dos custos relacionados aos direitos trabalhistas e sociais nas relacionais salarias, além da
  • 6. 6 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 transferência de atividades para outras empresas, que se responsabilizam pela organização do trabalho e gestão demão de obra, eliminando custos e diminuindo ônus com esta gestão (LIMA, 2010, p.17). A precarização pode ser vista como uma tendência difundida em toda a parte, no setor privado, público, nos meios de comunicação e atinge todos os trabalhadores e pode afeta-los mesmo que não diretamente, gerando consequências como a desestruturação da existência e suas estruturas temporais, tornando o futuro incerto e generalizando insegurança como modo de vida. Lima (2010, p.23), Estas condições podem contribuir para o aparecimento do estresse ocupacional, que é um termo relativamente moderno que frequentemente tem sido discutido em grandes entidades de saúde nas últimas décadas, de acordo com o Instituto Nacional para a Saúde e Segurança Internacional (NIOSH) estresse ocupacional é definido com uma resposta mental ou algo nocivo ao psicológico, ocorrendo entre a incompatibilidade dele ou dela para a habilidade, que pode desencadear comportamentos agressivos, doenças ocupacionais, doenças psicológicas e até mesmo a morte (MASOUD et al. 2013, p. 804). A Organização Internacional para o Trabalho (ILO) considera o estresse ocupacional como o mais significativo ao considerar a saúde do trabalhador, enquanto para a Organização Mundial da Saúde (WHO) enfatiza problemas de saúde, como baixa motivação, baixa segurança, trabalhadores expostos a riscos ocupacionais e consequentemente custos para os empregadores. ILO em uma análise estatística demonstrou que o estresse pode ter gastos de 1 a 3% do produto interno bruto (PIB), e o custo anual com o estresse ocupacional pode ser estimado em mais de 300 milhões de dólares para os Estados Unidos, 20 milhões de euros para os países europeus (MASOUD et al. 2013; HÉLÈNE, 2013). Varias razões destacam-se para a atenção especial para o estresse ocupacional e pode ser um dos mais importantes problemas de saúde no mundo (MASOUD et al. 2013, p. 804). A carga de trabalho e atividades repetidas pode ser um fator organizacional que influencia diretamente o desempenho do homem no trabalho, e por seu impacto produzido pelos elementos que constituem o processo de trabalho sobre a sua saúde física e mental (BALLARDIN & GUIMARÃES, 2009; STANFELD S et al., 2012).
  • 7. 7 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 A avaliação dos aspectos relacionados à abordagem psicossocial do trabalho tem tido relevância em estudos recentes em saúde e trabalho (ARAÚJO et al., 2003, p. 424). Nas últimas décadas, as relações entre trabalho, estresse e suas consequências sobre a saúde dos trabalhadores têm sido estudadas, com abordagens metodológicas diferenciadas, questões como a produtividade, os acidentes de trabalho, o absenteísmo e os crescentes índices de sintomas físicos e psíquicos, entre os trabalhadores de determinadas categorias, têm sido objeto de estudos, dentre eles o da construção civil (ALVES, 2009, p. 895). E ainda trabalho precário pode ser visto sob duas dimensões: a ausência ou redução de direitos e garantias do trabalho e a qualidade no exercício da atividade, vivenciado principalmente pelos trabalhadores terceirizados (MAGNANO et al., 2010, p. 805). O modelo de demanda-controle (DC) define diferentes estressores do trabalho potencialmente danosos à saúde e oferecem explicações sobre o relacionamento entre condições estressantes do trabalho e bem-estar físico e psicológico (SANTOS et al., 2010, p.257). O DC fundamenta-se nas características psicossociais do trabalho, na demanda psicológica envolvida na execução das tarefas e atividades ocupacionais e no controle exercido pelos trabalhadores sobre o próprio trabalho e o suporte social no mesmo. São itens que fazem parte da saúde ocupacional e que vêm sendo abordados com maior frequência, por meio de um questionário inicialmente proposto por Karasek em uma versão ampla e resumidamente proposto por Theorell (GRECO et al., 2011, p.273). Trata-se de uma versão reduzida deste instrumento simplificado em 1988, traduzido e validado por Alves (2004), contendo 17 questões: cinco para avaliar demanda seis para avaliar controle e seis para apoio social, versão reduzida (SCMIDTH et al., 2009, p.331). O modelo DC considerava a interação de dois componentes que poderiam favorecer o desgaste no trabalho (job strain): as demandas psicológicas (ritmo e intensidade de trabalho) e o controle (autonomia e habilidade) para que o trabalhador execute sue trabalho, assim atividades que envolvem altas demandas psicológicas e baixo controle favoreciam o desgaste no trabalho, e como consequência o adoecimento físico e
  • 8. 8 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 psicológico, posteriormente o modelo passou a incluir uma terceira dimensão: a percepção de apoio social (GRECO et al., 2011, p.273). (Figura 1). FIGURA 1 – Demanda controle. Fonte: Karasek, 1991 (adaptado por Theorell, 1991). Demanda Controle (DC), uma versão resumida do questionário Job Strain Model contém 17 questões de múltiplas escolhas sendo subdivididas em três escalas: seis questões sobre o trabalho (questões sobre controle no trabalho) (questões sobre tomadas de decisões), cinco questões sobre demanda no trabalho (questões, sobre tempo e velocidade para realizar o trabalho e seis questões sobre apoio social que o trabalhador recebe em seu ambiente de trabalho) (SCMIDTH et al., 2009, p.274). A combinação de respostas com alto controle sobre o processo de trabalho gera alto desgaste (job strain), causando efeitos nocivos à saúde do trabalhador, também prejudicial à saúde do trabalhador é a situação em que se combinam baixas demandas e baixo controle (trabalho passivo) e pode gerar perda de habilidades e desinteresse, em contrapartida, quando alta demanda e baixos controles coexistem, os indivíduos experimentam o processo de trabalho ativo, situação menos danosa ao trabalhador uma vez que ele tem autonomia de escolher como planejar suas atividades de trabalho, de acordo com seu ritmo. A situação ideal de baixo desgaste combina baixas demandas e alto controle do processo de trabalho,
  • 9. 9 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 esta situação ainda pode refletir em uma maior qualidade do sono e menos fadiga, mas em situação de baixo desgaste para alto desgaste nota-se piora da qualidade do sono e aumento da fadiga (SCMIDTH et al., 2009. p.274). O Modelo Demanda-Controle procura explicar as modificações que acontecem com os indivíduos submetidos à tensão no trabalho, tanto em nível físico como psicológico. Ele pode ser um instrumento de estrutura integradora para estudo dos diversos elementos do ambiente de trabalho, nas suas inter-relações com a saúde dos trabalhadores (GRECO, 2011, p.274). Assim sendo o objetivo deste estudo foi analisar a Demanda Controle em Trabalhadores Hipertensos da Construção Civil, especialmente do grupo de trabalhadores que atuam no setor petroquímico, em empresas terceirizadas. MÉTODO Este estudo caracteriza-se por pesquisa descritiva, exploratória, com desenho transversal, e abordagem quantitativa. Dos 2800 trabalhadores (100%), 315 (11,25%) eram hipertensos e foram incluídos 79 (25%) sujeitos hipertensos, do sexo masculino e que concordaram em participar e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, (Lei 466/12) e compareceram ao Ambulatório para aferir sua pressão arterial. Foi aplicado um questionário contendo 17 questões, divididos em demanda, controle e apoio social. Para as dimensões demanda e controle as opções de resposta são apresentadas em escala tipo Likert (1-4), variando entre "frequentemente" e "nunca/quase nunca”, para a dimensão apoio social "discordo totalmente” e “concordo totalmente” (ALVES et al., 2004). A escala Likert é um tipo de escala de resposta psicométrica usada comumente em questionários, e é a escala mais usada em pesquisas de opinião. O formato típico de um item Likert é: 1. Não concordo. 2. Indiferente. 3. Concordo. 4. Concordo totalmente. Foi aplicada a Média Ponderada = (1x54) + (2x24) + (3x21) + (4.24) = 54 +24 + 21 + 24 = 123 Logo RM = 123 / 79= 1,50 Onde Rm = ranking médio. Com o objetivo de obter a variação e a confiabilidade dos dados do Ranking Médio, foi calculado o desvio padrão da média e o α de Cronbach. Observa-se que os níveis obtidos para essa escala são relativamente próximos de 1, especialmente para a demanda e o apoio social, indicando uma boa confiabilidade nos resultados obtidos, corroborada pelos baixos desvios padrões. O estudo foi submetido ao Comitê de Ética do SECONCI,
  • 10. 10 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 (Serviço Social da Indústria da Construção Civil) e foi aprovado em agosto de 2008, sob o número de protocolo 07/2008, conforme a Resolução 466/12 para pesquisas em seres humanos. RESULTADOS Foi aplicado o questionário proposto nos 79 trabalhadores, utilizando a escala Likert de 1 a 4 pontos para mensurar o grau de concordância dos sujeitos que responderam os questionários e obteve-se o seguinte resultado (SCMIDTH et al., 2009, p.274): TABELA 1 - Resultados obtidos para a Demanda Controle relativos aos grupos de questão aplicados, variação do escore, ranking médio, variação e confiabilidade. Domínio Questão Variação do escore Desvio Padrão Alfa de Cronbach Demanda A, B, C, D, E, F 1- 4 0,16 0,68 Controle G, H, I, J, K 1-4 0,24 0,57 Apoio Social L, M, N, O, P, Q 1-4 0,55 0,87 Fonte: Elaborado por autores Em relação à pressão arterial dos trabalhadores, esses foram divididos de acordo com a Tabela 2. Aproximadamente 50% dos trabalhadores são considerados hipertensos leves.
  • 11. 11 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 TABELA 2- Número de empregados segundo a classificação dos níveis de pressão arterial. Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2010 DISCUSSÃO Em relação ao gênero dos trabalhadores que concordaram em participar da pesquisa, 79 (100%) pertencem ao sexo masculino. O sexo pode ser relacionado como fator de capacidade ao trabalho (MARTINEZ, 2006, p.145). Aproximadamente 44,3 % dos trabalhadores são considerados hipertensos estágio 1. Segundo Martinez (2006) e Magnano (2010) o estresse ambiental pode repercutir sobre as condições físicas do trabalhador, principalmente no que diz respeito à hipertensão arterial. Nº de empregados segundo a classificação dos níveis de pressão arterial Nº de empregados % Ótima <120mmHg/<80mmHg 0 Normal <130mmHg/<85mmHg Limítrofe (130-139 mmHg / 85-89 mmHg) 0 29 36,7% Hipertensão estágio 1 (140-159 mmHg / 90-99 mmHg) 35 44,3% Hipertensão estágio 2 (160-179 mmHg/ 100-109 mmHg 13 16,4% Hipertensão estágio 3 (> 180 mmHg / >110 mmHg 2 2,6% Hipertensão Sistólica Isolada (>140 mmHg / < 90 mmHg 0 Total 79 100%
  • 12. 12 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 No MDC, diferenciam-se quatro tipos básicos de experiências no trabalho, formados pela interação dos níveis de demanda psicológica e de controle: alta exigência (alta demanda e baixo controle), baixa exigência (baixa demanda e alto controle), trabalho passivo (baixa demanda e baixo controle) e trabalho ativo (alta demanda e alto controle) (SCMIDTH et al., 2009, p.331). Das quatro situações, o trabalho em alta exigência é o que apresenta maior propensão para adoecimento físico e psicológico. Os trabalhos ativos e passivos representam risco intermediário de adoecimento, já o trabalho em baixa exigência, representa menor risco, sendo esse considerado condição ideal de trabalho (BALLARDIN & GUIMARÃES, 2009; HÉLÈNE, 2013). De acordo com o estudo realizado em 79 indivíduos hipertensos que aceitaram participar da pesquisa os valores encontrados nos permitem dizer que o resultado foi de alta demanda e baixo controle, indicando característica de desgaste especialmente devido à quantidade de trabalho executada e o número de vezes em que o trabalhador executa suas atividades diárias, e ainda, segundo Kirchoff (2009) encontram-se no quadrante de trabalhadores ativos, classificadas como exposição intermediária ao estresse ocupacional, justificando o grau de controle pode indicar uma medida de autonomia, de liberdade restrita para o uso de habilidades, compensando os efeitos negativos provenientes de altas demandas psicológicas. Os resultados encontrados nesta pesquisa corroboram com estudos realizados, principalmente, em países da Europa, da Ásia e nos Estados Unidos da América têm evidenciado associação positiva entre aspectos psicossociais do trabalho (alta demanda psicológica e baixo controle) e diferentes desfechos, como, por exemplo: problemas psiquiátricos menores, doenças do sistema digestivo, doenças cardiovasculares, sintomas musculares, entre outros (KARASEK, 1990; HARDING, 1980; JOSEPHSON, 1997; BONGERS, 2002; THEORELL, 1990; SCHANALL 1994, YU, 2013). Aplicar um instrumento que transpareça a organização do trabalho, ou seja, a condição em que o trabalhador está exposto, tanto em nível fisiológico como psicológico, pode indicar possíveis fatores de risco cujo controle pode levar a prevenção de acidentes de trabalho, ao controle do agravamento de patologias como a hipertensão arterial. Isto porque quando as demandas físicas e mentais do trabalho não estão adequadas podem surgir repercutir na saúde dos trabalhadores.
  • 13. 13 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 O modelo prevê que o estresse no trabalho é resultante da interação entre muitas demandas psicológicas, menor controle no processo de trabalho e menor apoio social recebido de colaboradores e chefes no ambiente laboral (SCMIDTH et al., 2009, p.332). Os 79 (100%) Todos os trabalhadores são terceirizados, em que os trabalhadores executam “o que lhes é ordenado” não possuindo autonomia sobre a sua atividade, situação que é agravada pelo fato da instabilidade do emprego e alta rotatividade dos trabalhadores, que sempre querem “trocar” de empreiteiras (BERNARDO, 2001, p.87). Ao falarmos neste grupo esta relação torna-se mais frágil, como é o exemplo de trabalhadores que atuam em indústrias petroquímicas na Bahia ou em mineradoras, onde há um tratamento diferenciado, dos trabalhadores dentro das plantas industriais, demonstrando a distinção entre os de fora e os de dentro, que permanecem como funcionários da empresa (LIMA, 2010, p.23). Lima (2010) aponta que trabalhadores terceirizados e estáveis não sentem parte do mesmo coletivo, pois os terceiros são vistos como menos qualificados e envolvidos na empresa. Entretanto algumas categorias em que o trabalhador não se sente precarizado, a construção civil é uma delas, pois os trabalhadores recebem a empreita maior do que seria em contratos regulares (LIMA, 2010, p.22). CONCLUSÃO O instrumento para avaliação da demanda controle utilizado neste estudo mostrou- se útil e pode se constituir como ferramenta na gestão das empresas, pois por meio deste instrumento pode-se detectar necessidade de implementação de novos processos ou modificação dos já existentes levando a promoção da saúde dos trabalhadores e melhor organização do trabalho. Os resultados mostram que: obteve-se alta demanda e baixo controle, como resultado da presença de desgaste do trabalhador devido a pressão existente no ambiente laboral e quantidade de trabalho executado. Num total de 44,3% dos trabalhadores apresentaram hipertensão, tipo estagio 1.
  • 14. 14 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Outro aspecto da população estudada que pode dificultar estudos sobre a relação entre a hipertensão arterial e a demanda-controle está na alta rotatividade dos trabalhadores. Essa alta rotatividade dificulta também o controle sobre o agravamento e aparecimento de doenças crônicas neste grupo de trabalhadores. REFERÊNCIAS ALVES, M.G. M et al., Estresse no trabalho e hipertensão arterial em mulheres no Estudo Pró-Saúde. São Paulo, v.43, n.5, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 10 jun. 2013. ALVES, M.G.M. et al. Short version of the "job stress scale": a Portuguese-language adaptation. São Paulo. 2004. v. 38, n. 2. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 26 abr. 2014. ARAÚJO, T.M. et.al. Work psychosocial aspects and psychological distress among nurses. São Paulo. v.37, n.4. 2003. Disponível em: < http://www.scielo.br>. Acesso em: 03 de mar. 2013. BALLARDIN, L.; GUIMARÃES, L.B.M. Avaliação da carga de trabalho dos operadores de uma empresa distribuidora de derivados de petróleo. v.19. São Paulo, n.3S. 2009. Disponível em: <http://www.abepro.org.br>. Acesso em: 20 jan. 2013. BERNARDO, M.E. Riscos na usina química: os acidentes e a contaminação nas representações dos trabalhadores. 162 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social do Trabalho) – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
  • 15. 15 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. . Características do Emprego Formal segundo a Relação Anual de Informações Sociais. 2011. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/geral/estatisticas.htm. Acesso em mai. 2014 De MARTINO, M.M.F. O estresse e qualidade de sono do enfermeiro nos diferentes turnos hospitalares*. Revista Escola de Enfermagem. v.44, n.2. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 20 jan. 2013. GRECO, H. et al. Uso combinado de modelos de estresse no trabalho e a saúde auto referida na enfermagem. Rio de Janeiro. v.45 n.1. 2011. Disponível em: <http://www.scielosp.org>. Acesso em: 03 mar. 2013. HÉLÈNE, S.T. et al. The annual costs of cardiovascular diseases and mental disorders attributable to job strain in France. Montreal. v.13, n.748. 2013. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/>. Acesso em: 03 mar. 2013. HARDING, T.W. et al. Mental disorders in primary health care: a study of their frequency and diagnosis in four developing countries. Suiça. v.10. n.2. 1980. Disponível em: <http://journals.cambridge.org>. Acesso em: 04 abr. 2013. IRIART, J. A. B. et al. Representações do trabalho informal e dos riscos à saúde entre trabalhadoras domésticas e trabalhadores da construção civil. São Paulo. v.13. n.1. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 10 jan. 2013. LIMA, J.C. A terceirização e os trabalhadores: revisitando algumas questões. São Paulo. v.13. n.1. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 02 mai. 2014. LINDHOLM H. et al. Morning Cortisol Levels and Perceived Stress in Irregular Shift Workers Compared with Regular Daytime Workers. Finlândia. v.2012.2012. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov>. Acesso em: 10 jan. 2013.
  • 16. 16 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 KIRCHOFF, A.L.C. et al. Condições de Trabalho e características Sócio Demográficas relacionadas à presença de Distúrbios Psíquicos menores em Trabalhadores de Enfermagem. Florianópolis. v.18 n.2. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 10 jan. 2013. KARASEK, R.A.; THEÖRELL, T. Healthy work-stress, productivity, and the reconstruction of working life. New York. Basic Books, 1990. MAGNANO, T.S.B.S. et al., Aspectos psicossociais do trabalho e distúrbio musculoesquelético em trabalhadores de enfermagem. São Paulo. v.18.n.3.2010. Disponível em: <www.eerp.usp.br/rlae>. Acesso em: 10 jan. 2013. MARTINEZ, M. C. Estudo dos fatores associados à capacidade para o trabalho em trabalhadores do setor elétrico. 164 f. Tese (Doutorado em Saúde Pública) – Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo São Paulo, 2006. MASOUD, L et al. Occupational Stress Among Male Employees of Esfahan Steel Company, Iran: Prevalence and Associated Factors. Iran. v.4. n.7. 2013. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov>. Acesso em 10 jan. 2013. MENDES, S.S.; De MARTINO, M.M.F. Trabalho em Turnos: estado geral de saúde relacionado ao sono em trabalhadores de enfermagem. São Paulo. v.46. n.6. 2012. Disponível em:<http://www.scielo.br/>. Acesso em: 05 de abr. 2013. NATIONAL INSTITUTE FOR OCCUPATIONAL SAFETY AND HEALTH. - NIOSH. The changing organization of work and the safety and health of working people. Cincinnate, 2002. Disponível em: <http://www.cdc.gov/niosh/docs/2002-116/>. Acesso em: 31 ago. 2013.
  • 17. 17 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 OLIVEIRA, R.P.; IRIART, J.A.B. Representações do trabalho entre trabalhadores informais da construção civil. São Paulo. vol.13, n.3. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 10 jan. 2013. PADILHA V. Qualidade de Vida No Trabalho num Cenário de Precarização: A Panaceia. Rio de Janeiro. v. 7 n. 3. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 10 jan. 2013. ROCHA, R. et al. Effect of environmental stress on blood pressure during the working journey. São Paulo. 2002. v. 36, n. 5. Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo. br>. Acesso em: 25 maio 2013 SANTOS, L.C et al. Psicologia e Profissão: Neurose Profissional e a Atuação do Psicólogo Organizacional Frente à Questão. Bauru. v. 30, n. 2. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 10 jan. 2013. STANSFELD, S.A et al. Repeated job strain and the risk of depression: longitudinal analyses from the Whitehall. Londres. v.102. n.12. 2012. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov>. Acesso em: 10 jan. 2013. SANTOS, L.C et al. Psicologia e Profissão: Neurose Profissional e a Atuação do Psicólogo Organizacional Frente à Questão. São Paulo. v.30.n. 2. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 03 de jun. 2013. SCHIMIDT, D.R.C et al.Estresse ocupacional entre profissionais de enfermagem bloco cirúrgico. Florianópolis. v.18. n.2. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 03 jun. 2013
  • 18. 18 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 95, v.1 (supl.1), 2010. Disponível em: http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2010/Diretriz_hipertensao_associados.pdf. Acesso em: 26 abr. 2014. THEÖRELL, T.; KARASEK, R.A. Current issues relating to psychosocial job strain and cardiovascular disease research. Estados Unidos. 1996. v.1. n.9. Disponível em: <http://psycnet.apa.org>. Acesso em 26 abr. 2014. SCHNALL, P.; LANDSBERGIS, P.; BAKER, D. Job strain and cardiovascular disease. Califórnia. 1994. V.15. Disponível em:< http://www.annualreviews.org>. Acesso em: 24 abr. 2014. ULHÔA, M, A.; MORENO, C.R.C. Fatores Psicossociais no Trabalho e Cortisol: Breve Revisão. São Paulo. 2010. v.4. n.3. Disponível em: < http://www.revistas.sp.senac.br>. Acesso em: 15 de jun. 2013 YU, S. et al. Job Strain, Effort-reward Imbalance and Neck, Shoulder and Wrist Symptoms among Chinese Workers. Estados Unidos. v.51. n.2. 2013. Disponível em:< https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23268836>. Acesso em 02 de jul. 2013. Recebido em 24/10/2013 Aceito em 11/06/2014
  • 19. 19 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS - LEI 12.305/2010 UMA VISÃO GERAL E SUA INTERFACE COM O PORTO DE SANTOS NATIONAL POLICY OF SOLID RESIDUES – ACT 12.305/2010 AN OVERVIEW AND ITS INTERFACE WITH PORT OF SANTOS Jamir Mendes Monteiro1 Carla Carolina Pecora Gomes2 Loamy Sá3 Thatiane Freitas de Sousa Furtado4 RESUMO O objetivo deste artigo é analisar a gestão dos resíduos sólidos sob a perspectiva da lei 12.305/2010 nas operações portuárias do Porto de Santos. A principal motivação vem do histórico das Docas que durante 50 anos depositou materiais contaminados sem tratamento, no bairro da Alemoa, naquilo que ficou conhecido como o lixão da CODESP, o qual gerou um passivo ambiental sobre uma área de 350 mil metros quadrados. As pesquisas foram voltadas para identificar os procedimentos, principalmente, relativos à implementação da logística reversa no descarte correto dos resíduos sólidos. Para seu desenvolvimento foi realizado um levantamento bibliográfico e recolhimento de informações cedidas pelo Grupo Libra (operadores portuários). O trabalho identificou que o gerenciamento ineficaz dos resíduos do Porto além de gerar custos desnecessários pode atrair doenças e insetos. E que sua gestão ambiental apresenta-se inadequada devido à fiscalização ineficiente, infraestrutura inapropriada, falta de educação ambiental e conexão entre os agentes envolvidos. Assim, as evidências indicam que a integração entre governo, iniciativa privada, terceiro setor e consumidores pode tornar-se uma solução 1 Doutor em Engenharia de Produção - Senac Santos - Pós-graduação 2 MBA em Logística - Senac Santos - Pós-graduação 3 MBA em Logística - Senac Santos - Pós-graduação 4 MBA em Logística- Senac Santos - Pós-graduação
  • 20. 20 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 sustentável, efetiva e viável à gestão de resíduos portuários. Palavras-chave: Porto de Santos, Gerenciamento de Resíduos Sólidos, Logística Reversa. ABSTRACT The present article aims to analyze the management of solid residues from the perspective of the law 12.305/2010 in port operations at the Port of Santos. The primary motive for this work comes from the Docks’ history, which for 50 years has placed contaminated and untreated materials in the neighborhood of Alemoa, which became known as the CODESP dumpsite, creating environmental hazards over an area of 350 thousand square meters. The studies were focused in order to identify the procedures, especially concerning the implementation of reverse logistics in proper disposal of solid residues. For the development of this project a bibliographical survey and collection of information provided by the Libra Group (port operators) was conducted. This study has identified that the ineffective management of the port’s residues, besides generating unnecessary costs, can attract disease and insects to the area; and that its environmental management is currently inadequate due to ineffective law enforcement, inappropriate infrastructure, lack of environmental education and connection between the actors involved. Therefore, the integration among government, private sector, third sector and consumers becomes a sustainable, effective and achievable solution to the port’s management of solid residues. Keywords: Port of Santos, Solid Residues Management, Reverse Logistics.
  • 21. 21 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 1. INTRODUÇÃO A preservação ambiental é fator de vantagem competitiva sustentável, especialmente, quando somada às ações de responsabilidade social organizacional. Órgãos de administração pública, como a CODESP5 , têm que funcionar como vetor de modelo exemplar no descarte correto dos resíduos. As boas práticas na área ambiental repercutem de forma amplificada o que favorece adesões espontâneas no comprometimento com ações que preservam o meio ambiente e por outro lado inibem ações contrárias a essas práticas. No Brasil o Decreto Lei 794 de 19/10/1938 já incorporava preocupações ambientais: Art. 16. O lançamento de resíduos e detritos comprovadamente tóxicos nas águas interiores ou litorâneas será regulado por instruções emanadas do Serviço de Caça e Pesca. § 1º E’ expressamente proibido o lançamento de óleos e produtos oleosos nas águas interiores ou litorâneas. § 2º Os infratores deste artigo serão punidos com multa de 1:000$000 a 5:000$000 (um conto a cinco contos de réis), elevada ao dobro na reincidência. Posteriormente o decreto lei 50.587 de 26/09/1961, ratifica o anterior e estabelece: Art. 1º Os resíduos líquidos, sólidos ou gasosos, domiciliares ou industriais, somente poderão ser lançados às águas, "in natura" ou depois de tratado, quando essa operação não implique na poluição das águas receptoras. Art. 2º Fica proibida terminantemente, a limpeza de motores dos navios e o lançamento dos resíduos oleosos dela provenientes nas águas litorâneas do País. Art. 3º Para os efeitos deste Decreto considera-se "poluição" qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas das águas, que possa importar em prejuízo à saúde, à segurança e ao bem-estar das populações e ainda comprometer a sua utilização para fins agrícolas, industriais, comerciais, recreativos e, principalmente, a existência normal da fauna aquática. Uma série de outros decretos, portarias e normas se sucederam a esses sempre objetivando a proteção e a preservação do meio ambiente e da vida. 5 Companhia Docas do Estado de São Paulo
  • 22. 22 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Assim, nunca faltaram instrumentos para controlar e coibir o descarte incorreto dos resíduos gerados pela atividade humana. O aumento da geração de resíduos sólidos é um dos principais agentes de degradação do meio ambiente e redução da qualidade de vida do homem, problema que vem se agravando cada vez mais com o crescimento da população, gerando a poluição. A poluição pura e simples é um sinal de ineficiência produtiva, de desperdício de material passível de reciclagem, consciência ambiental e falta de aplicabilidade das regulamentações ambientais. Contudo, o pneu inservível que hoje degrada o meio ambiente pode ser destinado novamente para a cadeia produtiva, devendo ser encarado como oportunidade de melhoria e de novos negócios. O trabalho teve como objetivo analisar a política nacional de resíduos sólidos sob os aspectos da Lei 12.305/2010 através de uma visão geral e sua interface com os resíduos sólidos gerados no Porto de Santos. Dessa forma, foi realizada uma pesquisa baseada no Porto de Santos, no processo de gestão ambiental, no gerenciamento de resíduos sólidos, na logística reversa, e na Política Nacional de Resíduos Sólidos, tendo como base, os autores da área logística, expondo seus conceitos. Ressalta-se que O Grupo Libra disponibilizou todo o acesso necessário para a realização deste projeto. O tipo de pesquisa utilizado foi a análise descritiva e explicativa fundamentadas nas técnicas de pesquisa bibliográfica e estudo de caso feito no Grupo Libra, no Porto de Santos. O método de abordagem empregado foi a observação direta e a análise documental e no que se refere à natureza metodológica, adotou-se a qualitativa. Portanto, para gerenciar efetivamente os resíduos portuários, em específico os pneus inservíveis, é primordial a utilização da gestão integrada da cadeia logística reversa, implementando procedimentos e levando em consideração tanto o desenvolvimento sustentável quanto a redução de custos. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Gestão ambiental portuária O aquecimento da economia contribui para o crescimento das atividades portuárias aumentando a quantidade de seus produtos, serviços e motivando a produção de um considerável volume de resíduos na região portuária, surgindo a necessidade de uma
  • 23. 23 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 gestão ambiental, ou seja, um conjunto de programas e práticas administrativas e operacionais voltadas à proteção do ambiente, à saúde e a segurança da população. A gestão ambiental portuária é a administração das demandas ambientais visando o desenvolvimento sustentável da atividade produtiva e a redução de custos ambientais, como soluções coletivas do tratamento de resíduos, tratamento de efluentes, ações de emergência e monitoramento (CUNHA, 2004). O sistema portuário brasileiro é composto por 37 portos públicos. Desse total, 18 são delegados, concedidos ou tem sua operação autorizada à administração por parte dos governos estaduais e municipais. Existem, ainda, 42 terminais de uso privativo e três complexos portuários que operam sob o regime de concessão à iniciativa privada (www.codeba.com.br). Roitman (2000) indica que o gerenciamento ambiental das áreas portuárias tem conquistado espaço e importância nas discussões políticas e na imprensa, além de uma estrutura formada por organismos internacionais (IMO6 ), organismos nacionais (IBAMA7 , CETESB8 ) e especialistas em diversas áreas, contribuindo para a análise e definição das diretrizes sobre as principais questões envolvendo a variável ambiental da área sob influência do porto. Seiffert (2002), em suas publicações, tem demonstrado que os impactos ambientais decorrentes das atividades portuárias apontam problemas que extrapolam os limites da região portuária. O autor destaca como principais problemas: destruição da biodiversidade, alteração da qualidade do ar por emissão de materiais particulados, descarte de resíduos não perigosos (ocupação de aterro), poluição da água por estações de tratamento de esgoto e de efluentes, contaminação do solo por resíduos, contaminação da água do mar na costa, consumo de recursos naturais, despejos de óleo, poluição da água por resíduos industriais, locais de despejos de resíduos sólidos (ativos ou inativos). Percebe-se que o processo de gestão ambiental dos resíduos sólidos é complexo, envolve recursos, tempo, área física e a conscientização de toda a sociedade. Sendo assim, os portos, localizados em áreas de extrema vulnerabilidade ambiental, devem ser alvo de 6 Organização Marítima Internacional 7 Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis 8 Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
  • 24. 24 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 uma interação do poder público com as organizações privadas para que os resíduos gerados ao longo do processo produtivo sejam destinados de forma ambientalmente adequada. 2.2 Plano de Resíduos Sólidos Chiuvite e Andrade (2001) relatam que, podemos caracterizar resíduos como tudo o que é rejeitado durante o processo de produção, transformação ou utilização de bens e serviços e restos provenientes de atividade humana. Os resíduos sólidos podem ser parcialmente reutilizados resultando em benefícios para a natureza reduzindo os impactos ambientais e para a sociedade com a preservação da saúde pública e a movimentação econômica gerada pela implantação de um sistema de gerenciamento para resíduos sólidos que englobe a previsão de demanda de resíduos, o tipo de material, a forma de coleta, o armazenamento e transporte desse material, além da identificação de um destino final adequado. Castilhos Junior (2003) afirma que o gerenciamento dos resíduos deve ser integrado, englobando etapas articulares entre si, desde ações visando a não geração de resíduos até a disposição final. A gestão focada de cada uma dessas etapas, desde que operadas de forma integradas, resultará na eliminação de elementos tóxicos resultantes, na redução do que se pode chamar de “resíduos dos resíduos”, cujo destino final poderia ser os aterros sanitários, e a implementação dos processos de reutilização dos elementos industrializáveis, gerando enormes benefícios para a economia e para a saúde ambiental. A elaboração de um Plano de Resíduos Sólidos é obrigatória para a União, os Estados, os Municípios e as empresas geradoras de resíduos sólidos ou resíduos perigosos. Os Municípios são os principais agentes gestores e fiscalizadores da coleta, transporte e destinação ambientalmente adequada dos rejeitos gerados nos respectivos territórios, geridos a partir dos planos municipais integrados de resíduos sólidos, limitando-se aos resíduos domésticos e comerciais até 50 quilos. Já aos Estados cabem controlar e fiscalizar as atividades dos geradores sujeitos a licenciamento ambiental pelo órgão estadual do SISNAMA9 . No caso do Estado de São Paulo o órgão responsável é a CETESB. 9 Sistema Nacional de Meio Ambiente
  • 25. 25 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 2.3 Política Nacional de Resíduos Sólidos - Lei 12.305/2010 A Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010, instituiu no Brasil a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a qual define resíduos sólidos, em seu Artigo 3o , inciso XVI, como: "material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade (...)”. No mesmo Artigo, inciso VII, a Lei dos Resíduos Sólidos estabelece que a destinação final dos resíduos tenha que ser "ambientalmente adequada" e lista as opções da reutilização: reciclagem, compostagem, recuperação e o aproveitamento energético e definindo o gerador dos resíduos como responsáveis pela logística reversa. No caso de impossibilidade técnica ou economicamente inviável do encaminhamento para uma dessas opções, os resíduos sólidos passarão a se denominar rejeitos e a disposição final deve seguir normas operacionais específicas, de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública, à segurança e com o mínimo de impacto ambiental adverso. Sendo o aterro sanitário um dos principais locais de destino dos rejeitos, devendo ser verificada toda a regularidade do aterro sanitário, com os respectivos registros ambientais. Por outro lado, por essa legislação, fica expressamente proibida a destinação ou disposição final de resíduos sólidos ou rejeitos em praias, no mar ou em quaisquer corpos hídricos; in natura a céu aberto (exceto os resíduos de mineração); queima a céu aberto ou em recipientes/instalações e equipamentos não licenciados para essa finalidade. O conjunto de artigos da lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos exige para seu cumprimento uma visão sistêmica de todos os envolvidos no processo de consumo do produto final e que estes considerem as variáveis ambiental, social, cultural, econômica, tecnológica e de saúde pública. Ainda, a legislação traz a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto, delimitando as atribuições individualizadas entre fabricantes, importadores, distribuidores, consumidores e dos titulares dos serviços público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos. Seguindo o conceito de ciclo de vida do produto como: "série de etapas que envolvem o desenvolvimento do produto, a obtenção de matéria prima e insumos, o processo produtivo e a disposição final” (Artigo 3o , inciso IV). A norma prioriza a ordem ideal como metas a serem atingidas no gerenciamento dos resíduos sólidos, quais sejam: Não geração; Redução; Reutilização; Reciclagem; Tratamento e Disposição final ambientalmente adequada (Artigo 7o , inciso II).
  • 26. 26 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Visando o cumprimento dessas metas, o Decreto apresenta as ferramentas passíveis de utilização e ambientalmente corretas: 2.3.1 Coleta seletiva É o recolhimento dos materiais possíveis de serem reciclados (papéis, plásticos, metais e vidros) previamente separados na fonte geradora evitando sua contaminação, aumentando seu valor agregado e diminuindo seu custo de reciclagem. A coleta seletiva deverá ser implementada mediante a separação prévia dos resíduos sólidos (nos locais onde são gerados), conforme sua constituição ou composição (úmidos, secos, industriais, da saúde, da construção civil, etc.). A implantação do sistema de coleta seletiva é instrumento essencial para se atingir a meta de disposição final ambientalmente adequada dos diversos tipos de rejeitos. A coleta seletiva deve ser entendida como um fator estratégico para a consolidação da Política Nacional de Resíduos Sólidos em todas as suas áreas de implantação. No tocante ao serviço público de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos deverá se estabelecer, no mínimo, a separação de resíduos secos e úmidos e, progressiva-mente, se estender à separação dos resíduos secos em suas parcelas específicas segundo as metas estabelecidas nos planos de gestão de resíduos sólidos. (www.mma.gov.br) 2.3.2 Acordo setorial Trata-se de uma ferramenta importante, principalmente na gestão integrada de resíduo sólido em setores comuns, próximos e/ou interessados. Define-se na legislação: "ato de natureza contratual entre o poder público e fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto" (Artigo 3o , inciso I). O acordo setorial propicia um modelo de gestão baseado na visão sistêmica do processo, podendo diminuir custos com a destinação dos resíduos com ações conjuntas. 2.3.3 Logística reversa Ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos, a logística reversa está presente em todos os capítulos da Lei que demandam ações e procedimentos a serem adotados por empresas, consumidores e poder público em uma cadeia logística invertida no seu sentido de fluxos.
  • 27. 27 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Sua aplicação é legalmente obrigatória para o retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de acordo com o Artigo 33, inciso (I) para os resíduos de agrotóxicos e embalagens; (II) pilhas e baterias; (III) pneus; (IV) óleos lubrificantes e suas embalagens; (V) lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; (VI) produtos eletrônicos e seus componentes. A logística reversa gerencia e distribui o material descartado possibilitando seu retorno ao ciclo produtivo agregando valor econômico e ecológico. Leite (2003) conceitua logística reversa como a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros. Portanto, o correto gerenciamento da logística reversa é essencial ao desenvolvimento da reciclagem e, por conseguinte, mitigação dos impactos ambientais e geração de rendas. 2.4 O Porto de Santos O Porto de Santos foi inaugurado no dia 2 de fevereiro de 1892 com a atracação de um navio de bandeira inglesa nos primeiros 260 metros de cais do Valongo. Na época, a cidade de Santos passou por uma grande transformação, pois velhos trapiches e pontes fincados em terrenos lodosos foram substituídos por aterros e muralhas de pedra. Desde então, o Porto não parou de crescer, acompanhando as fases de crescimento econômico do país e contribuindo para o desenvolvimento industrial da região. Da sua origem, ligada ao café, passou à diversificação de importação e exportação de inúmeros tipos de mercadoria (JORNAL PORTUÁRIO, 2013). É primordial a contribuição das atividades portuárias nos resultados da economia não só pela atividade fim ou principal, mas também pela geração de empregos, renda e divisas ao país.
  • 28. 28 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Segundo o site PORTO DE SANTOS: O Porto de Santos conta com uma área de 7,7 milhões de m², ficando 3,7 milhões de m² na Margem Direita e 4,0 milhões m² na Margem Esquerda. Possui 13 quilômetros de extensão de cais e um total de 59 berços, dos quais 49 públicos e 10 privados. Possui 55 quilômetros de dutos e 100 quilômetros de linhas férreas. A variação da maré é de 1,2 metros. Para armazenamento de granéis líquidos conta com uma capacidade estática de, aproximadamente, 700 mil m³; e para granéis sólidos, instalações para acondicionar mais de 2,5 milhões de toneladas. O Porto de Santos possui uma usina hidrelétrica para abastecimento próprio, com capacidade de 15 mil KVA, buscando o excedente junto à concessionária regional. Sua área de influência primária, que concentra mais de 50% do PIB, abrange os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A hinterlândia secundária inclui os estados da Bahia, Tocantins, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Cerca de 90% da base industrial do Estado de São Paulo está localizada a menos de 200 quilômetros do Porto de Santos. O Complexo Portuário Santista responde por mais de um quarto da movimentação da balança comercial brasileira e inclui na pauta de suas principais cargas o açúcar, o complexo soja, cargas conteinerizadas, café, milho, trigo, sal, polpa cítrica, suco de laranja, papel, automóveis, álcool e outros granéis líquidos. O Porto de Santos é um dos maiores e mais modernos da América Latina, sendo que uma grande parcela do comércio exterior brasileiro o utiliza como corredor de distribuição, sua movimentação de cargas é crescente e o volume de veículos que as transportam, também. 2.4.1 Os Portos e os Resíduos Sólidos Os portos estão inseridos na alínea "j", do inciso I, do Artigo 13 da Lei 12.305 que trata de resíduos de serviços de transporte originários de portos e terminais alfandegários, aeroportos, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira. Assim, os terminais e outras instalações estão sujeitos à elaboração do plano de gerenciamento de resíduo sólidos e sujeitos às sanções no caso de não tratarem os resíduos da maneira correta.
  • 29. 29 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 A CODESP, administradora do Porto de Santos, tem um núcleo ambiental lotado na Superintendência de Saúde, Segurança e Meio Ambiente, com a função de gerenciamento ambiental na área portuária sob sua jurisdição. Conta em seus quadros operacionais e de gestão com biólogos, químicos, técnicos em meio ambiente, oceanógrafo, além de profissionais terceirizados contratados pelo Porto. Em levantamento efetuado por técnicos da CODESP e do CECAP10 , no complexo portuário em 2012, identificou-se a existência de 15 diferentes tipos de resíduos que resultaram nos seguintes volumes totais: Gerados pela CODESP: -Orgânicos e recicláveis: 1.932 t -Perigosos (óleo usado): 2.925 t - Total: 4.857 t Gerados pelas embarcações: -Orgânicos e recicláveis (taifa): 1.952 -Perigosos (óleo usado): 75.623 t -Total: 77.575 t Gerados pelas arrendatárias: -Orgânicos e recicláveis (diversos): 13.320 t -Perigosos (diversos): 2.080 t -Total: 15.400 t TOTAL GERAL: 77.575 t Segundo Grota (2006): 10 Centro de Ensino Capacitação e Aperfeiçoamento
  • 30. 30 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 O lixo de varrição do cais público, ruas e roçada é terceirizado desde o recolhimento até a destinação. Igualmente é terceirizada a coleta seletiva de papel e copos plásticos. Há caixas coletoras de pilhas e baterias que são enviadas a empresas recicladoras. A coleta seletiva de pneus e lâmpadas é feita por empresa privada e é destinada a leilão. Promove-se novo projeto de coleta seletiva com: novo levantamento de dados, novos orçamentos e treinamento e conscientização. O lixo de ambulatório, no posto de saúde da prefeitura, tem sua coleta terceirizada pela prefeitura e é incinerado em Mauá-SP. Sucatas de guindastes, trilhos, barcaças são armazenadas temporariamente e destinadas a leilão. Entulhos: telhas, paralelepípedos, madeira são igualmente leiloados. Resíduos decorrentes de mitigações como óleo, graxa e produtos químicos em geral são acondicionados em tambores metálicos devidamente rotulados e armazenados para posterior destinação. Para os resíduos gerados por navios há quinze empresas cadastradas para recolhimento e destinação final sendo incinerados em fornos qualificados e autorizados. Processam-se ainda os resíduos gerados pela taifa de navios de passageiros em redor de 203 toneladas por ano, bem como dos cargueiros com 90 toneladas por ano. Os resíduos gerados nos navios resultantes da manutenção, contaminados com óleo, as embalagens, estopas, panos, trapos, papeis, papelão, serragem e uniformes impregnados com óleos e graxas são acondicionados. Os resíduos oleosos (mistura de água de condensação com óleo combustível) são retirados por caminhão tanque ou embarcação. O órgão controlador, em ambos os casos é a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – CETESB. 3. METODOLOGIA DA PESQUISA Realizou-se uma pesquisa bibliográfica constituída por consulta a livros, dissertações, teses, revistas científicas, sendo o acesso aos documentos obtidos por meio de bancos de dados e em bibliotecas, com o objetivo de identificar quais os pontos a serem abordados na elaboração de uma proposta de aplicação do conceito. Do ponto de vista prático, optou-se pelo método do Estudo de Caso, por ser o mais adequado a este tipo de pesquisa, aplicado a uma empresa operadora privada de terminal portuário.
  • 31. 31 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 3.1 Os Pneus e o Meio Ambiente A Reciclanip conceitua o pneu como um artefato inflável, constituído basicamente por borracha e materiais de reforço utilizados para rodagem em veículos automotores e bicicletas e, por isso, o tempo de decomposição do pneu na natureza é indeterminado, podendo gerar diversos danos ao meio ambiente, além de ser local de criadouro de mosquito da dengue, febre amarela e malária (www.reciclanip.com.br). O pneu é um produto essencial à segurança dos usuários, garantindo melhor desempenho, estabilidade e performance dos veículos. É fabricado para atender aos hábitos de consumo, assim como às condições climáticas e às características do sistema viário existentes em cada país. O peso de um pneu de automóvel varia entre 5,5 e 7,0 kg e um pneu de caminhão pesa entre 55 e 80 kg. Contudo, seu material é de difícil decomposição, de aproximadamente 600 anos, e não é biodegradável (ANDRIETTA, 2002). Os pneus podem ser transformados em óleo, gás e enxofre. Além disso, os arames que existem nos pneus radiais podem ser separados por meios magnéticos. Uma tonelada de pneus rende cerca de 530 kg de óleo, 40 kg de gás, 300 kg de negro de fumo e 100 kg de aço (AMBIENTE BRASIL, 2007). Andrietta (2002) afirma que diversas outras formas de aproveitamento ou reciclagem podem ainda ser destacadas:  Recauchutagem ou reforma: o pneu não deve apresentar cortes, deformações e a banda de rodagem em condições que permitam sua aderência ao solo, para que se possa realizar a reforma.  Recuperação: trituração dos pneus e moagem dos resíduos, reduzidos a um pó fino. Os pneus recuperados são utilizados na mistura com asfalto para pavimentação e nas fábricas de cimento.  Regeneração ou desvulcanização: a borracha é separada dos demais componentes e desvulcanizada, passando por modificações que a torna mais plástica e apta a receber nova vulcanização, sem as mesmas propriedades da borracha crua. 3.1.1 Pneus inservíveis Os pneus usados, sem nenhuma possibilidade de reuso, ou seja, que não poderão ser reutilizados na recauchutagem ou recapagem, classificados como pneus inservíveis, são um problema de cunho internacional. O descarte de pneus inservíveis gera muitos
  • 32. 32 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 problemas ao meio ambiente, sejam eles relacionados com saúde pública ou mesmo ao seu volume em aterros sanitários. De acordo com o engenheiro mecânico Carlos Lagarinhos (2011), A disposição em aterros é inviável, porque são difíceis de comprimir, não sofrem biodegradação e formam um resíduo volumoso, que ocupa muito espaço (...). Como se não bastasse, os pneus podem reter ar e gases em seu interior, fazendo com que tendam a subir para a superfície do aterro, rompendo a camada de cobertura. Com isso, os resíduos ficam expostos, atraindo insetos, roedores e pássaros e permitindo que os gases escapem para a atmosfera. Acima de tudo, o descarte irregular de pneus, além das consequências já expostas, pode se constituir em abrigo para vetores de diversas doenças. A sua queima contamina o ar e o lençol freático e produz gases perigosos. Mas, todo esse passivo ambiental é evitável, pois o pneu é 100% reciclável. 3.1.2 A Reciclanip A Reciclanip foi criada em março de 2007 pelos fabricantes de pneus novos Bridgestone, Goodyear, Michelin e Pirelli e, em 2010, a Continental juntou-se à entidade. É uma associação sem fins lucrativos, com objetivo de recolher os pneus descartados, criando um programa nacional de coleta de pneus inservíveis. De acordo com informações cedidas pela Reciclanip: No processo de coleta, a Reciclanip é responsável pelo transporte de pneus a partir dos Pontos de Coleta até às empresas de trituração, quando necessário, de onde os pneus serão encaminhados para destinação final. No Brasil, uma das formas mais comuns de reaproveitamento dos pneus inservíveis é como combustível alternativo para as indústrias de cimento. Outros usos dos pneus são na fabricação de solados de sapatos, borrachas de vedação, dutos pluviais, pisos para quadras poliesportivas, pisos industriais, além de tapetes para automóveis. Mais recentemente, surgiram estudos para utilização dos pneus inservíveis como componentes para a fabricação de manta asfáltica e asfalto-borracha, processo que tem sido acompanhado e aprovado pela indústria de pneumáticos.
  • 33. 33 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 3.1.3 Logística Reversa de Pneus inservíveis A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei 12.305, estabelece em seu Artigo 33 que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes são obrigados a estruturar e implementar sistema de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor para pneus e outros itens. De acordo com o novo texto de Resolução nº 416/09 do Conama11 , aprovado em setembro de 2009, “para cada pneu novo comercializado para o mercado de reposição, as empresas fabricantes ou importadoras deverão dar destinação adequada a um pneu inservível”, excluindo-se dessa obrigação, os reformadores, pois estes já desenvolvem atividades que contribuem para a preservação ambiental, tendo em vista que promovem a extensão da vida útil de pneus usados. Compreende o seu Artigo 8º que: Os fabricantes e os importadores de pneus novos, de forma compartilhada ou isoladamente, deverão implementar pontos de coleta de pneus usados, podendo envolver os pontos de comercialização de pneus, os municípios, borracheiros e outros. O fluxo estabelecido pela legislação para o retorno dos pneus inservíveis seria o consumidor efetuar a devolução dos pneus inservíveis para os comerciantes ou distribuidores que por sua vez deverão encaminhá-los para os fabricantes ou importadores e estes serão responsáveis pela destinação final ambientalmente adequada. 4. ESTUDO DE CASO: GESTÃO DOS RESÍDUOS DE PNEUS DE CAMINHÕES, EMPILHADEIRAS E RTG12 DO GRUPO LIBRA NO PORTO DE SANTOS 4.1 O Grupo Libra Entre os anos de 1990 e 2000, o Grupo Libra participou e ganhou as licitações dos Terminais 37, 35 e 33 do Porto de Santos, e o objeto dos editais de concorrência eram a de movimentação e armazenagem de carga conteinerizada ou geral. Nos referidos editais, além de delimitar as operações que a empresa deveria realizar, 11 Conselho Nacional de Meio Ambiente 12 Rubber Tired Gantry Cranes, em português, Guindastes Empilhador sobre Pneus.
  • 34. 34 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 os preços cobrados, movimentação mínima e área a ser arrendada, a CODESP também determinou que a empresa vencedora investisse na área com reformas e principalmente na aquisição de modernos equipamentos para a movimentação das cargas. Os principais equipamentos exigidos pela CODESP são os portêineres e transtêineres, além de empilhadeiras de grande porte (reach stackers) e caminhões com semirreboque adaptado para este tipo de operação. 4.1.1 Destinação de Pneus Inservíveis Dentre os equipamentos elencados no parágrafo anterior, somente o portêiner não utiliza pneus, já que sua movimentação é feita em cima de trilhos, instalados no costado ao lado da área de acostamento das embarcações. O restante usa pneus de diversos tamanhos e diâmetros, devendo o Grupo Libra, em consonância com seus princípios de sustentabilidade e legislação aplicável, gerenciar e destinar corretamente os pneus inservíveis. Assim, para garantir que a reutilização ou a destinação final dos pneus dos caminhões, transtêineres e empilhadeiras fossem feitas de forma padronizada e em conformidade com a legislação ambiental vigente, o Grupo Libra confeccionou, através do departamento de Segurança, Saúde e Meio Ambiente (SSMA), a Gestão dos Resíduos de Pneus de Caminhões, Empilhadeiras e RTG. No referido procedimento, a empresa define a sua aplicação, os departamentos responsáveis e quais os pneus passíveis de reutilização ou destinação, bem como os passos que devem ser seguidos para o descarte ou utilização correta. As instruções da gestão iniciam no momento da manutenção dos equipamentos, feitos pelo departamento de Manutenção e, ao constatar a necessidade de substituição dos pneus, o setor deve definir se o pneu retirado do equipamento deve passar por algum processo de recuperação (recapagem/recauchutagem), montagem de defensas para o berço de atracação de navios, ou destinação final em empresas que realizam reciclagem ou queima de resíduos de pneus (empresas conveniadas à Reciclanip). Na Baixada Santista, a empresa AD Pneus é a empresa associada à Reciclanip e cadastrada no IBAMA como ponto de coleta de pneus da região. Atualmente, é a empresa contratada pelo Grupo Libra para a coleta interna e acondicionamento temporário dos pneus inservíveis, sendo responsável pela emissão do certificado de destinação final do resíduo.
  • 35. 35 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Internamente, há um colaborador responsável pela gestão dos pneus e ele deve contatar o fornecedor para agendamento da retirada dos pneus. Além disso, deve imediatamente elaborar a requisição de compra para a solicitação do serviço junto à área de Suprimentos. Ao ir retirar os pneus, a empresa contratada analisa e caracteriza se o pneu é realmente inservível ou se é passível de reutilização. No caso da reutilização, a empresa contratada encaminha para recuperação os pneus que serão reutilizados nas defensas e registram essa recuperação em uma planilha nomeada como Controle de Recuperação de Pneus. Então, a empresa contratada, ao classificar o pneu como reutilizável, providencia o encaminhamento dos pneus para o serviço de recuperação e acompanha o recebimento dos mesmos já prontos para o uso como defensas. A planilha abaixo registra os dados para controle de recuperação de pneus, controlada pelo SSMA: Figura 1: Controle de Recuperação de Pneus. Apenas os pneus inservíveis, provenientes de transtêineres e empilhadeiras de grande porte, é que podem e devem ser utilizados como defensas13 , diante da sua dimensão e peso do navio que se apoiará na defensa no momento da atracação. Nesse caso, o responsável pela gestão dos pneus deve, ao receber os pneus da empresa de caracterização/recuperação, contatar a área de Manutenção Predial para que realizem o 13 É em náutica um objeto mole que se coloca ao longo do casco para proteger a embarcação de tocarem umas nas outras ou no cais (WIKIPEDIA).
  • 36. 36 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 armazenamento correto até o momento da montagem das defensas. Estas defensas são gerenciadas pela planilha “Controle de envio dos pneus para defensa”, discriminada a seguir: Figura 2: Controle de Envio de Pneus para Defensa. Para os pneus inservíveis, a empresa contratada para a recuperação e análise dos pneus deve elaborar um laudo com os dados dos mesmos e o motivo da recusa, visto que estas informações são utilizadas no processo de destinação final dos mesmos. Para os pneus, recusados para recuperação e classificados como inservíveis, o responsável pela gestão dos pneus deve realizar agendamento para a retirada sempre que a quantidade padrão para armazenamento for atingida. Essa quantidade padrão é controlada via planilha “Controle de Destinação de Pneus”: Figura 3: Gestão de Pneus – Controle de Destinação de Pneus Inservíveis
  • 37. 37 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Esta planilha preenchida é encaminhada para a AD Pneus, e esta remete a proposta comercial do serviço de retirada dos pneus. O armazenamento dos pneus, no momento anterior da avaliação da empresa contratada é a quantidade mínima para a retirada pela AD Pneus, sendo feito em local específico, para tal identificado como “Armazenamento de pneus”. Com o objetivo de manter a organização, controle de estoque e encaminhamento, o responsável pela gestão dos pneus deve segregar os mesmos nos locais de armazenamento, conforme as seguintes diretrizes: 4.1.2 Localização e diretrizes Foto 1: Sala de armazenamento de pneus. Foto 2: Pneus armazenados em prateleiras.
  • 38. 38 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Os pneus são segregados de acordo com a capacidade de armazenamento da sala, portanto, segue identificação de suportes presentes no local, os quais seguem identificados da seguinte maneira: -5 suportes identificados como: pneus inservíveis Rodocarga (45 pneus); -1 suporte identificado como: pneus inservíveis Cargolog (9 pneus); -4 suportes identificados como: pneus para caracterização (36 pneus); -1 suporte identificado como: pneus recapados (9 pneus); -1 suporte identificado como: aros. Não menos importante que o procedimento a ser seguido pelas áreas diretamente envolvidas, o Grupo Libra possui princípios de relacionamento e sustentabilidade que colocam no dia-a-dia do colaborador a sensação de corresponsabilidade pela proteção ao meio ambiente e segurança no trabalho. Com isso, todos os colaboradores são fiscais dos procedimentos que a empresa deve seguir e os procedimentos são publicados via e-mail e intranet. Portanto, todos são fiscais e conhecedores de como proceder. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS A Política Nacional de Resíduos Sólidos instituída pela Lei 12.305/2010 e regulamentada pelo Decreto Lei 7.404/2010, teve como base o Projeto de Lei 203 de 1991, cujas tratativas pelo Congresso se iniciaram em 2001. Em vigor desde agosto de 2010, ela complementa, retifica, ratifica e substitui dezenas de leis, e resoluções de órgãos ambientais, cujas práticas não se consagraram de forma eficiente e eficaz quer pela falta de fiscalização, instrumentos de incentivos ou sanções eficazes. Considerada por especialistas da área ambiental como moderna, ela já apresenta alguns sinais de alerta quanto ao cumprimento de metas inseridas em seu texto, tais como: em agosto de 2012 venceu o prazo para implementação dos Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, um dos pilares da Política Nacional de Resíduos Sólidos, face à competência atribuída aos Municípios para gerenciar fiscalizar e estabelecer parcerias para o cumprimento de objetivos e metas, relativo aos resíduos gerados em suas respectivas áreas; não há dados de quantos Municípios já implementaram os planos e qual a sua qualidade, já que a exigência de comprovação é quanto à solicitação de financiamento com verbas federais através dos agentes repassadores desses recursos. No que se refere ao Porto de Santos, o fechamento em 23 de outubro de 2013 de
  • 39. 39 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 uma empresa clandestina na Praia Grande/SP, que fazia a reciclagem de óleo usado, adquiridos dos navios no Porto, denota a existência de falha grave na fiscalização e controle por parte da CODESP e CETESB, que se esquivam de sua responsabilidade solidária definida na Lei de Resíduos Sólidos e nos próprios procedimentos estabelecidos pela CODESP. Ou seja, apesar de na atualidade o Brasil possuir uma legislação concentrada, límpida em suas definições e já em vigor, ela ainda está distante da realidade do cotidiano do Porto de Santos e de todos da cadeia de responsabilidade pela destinação correta do resíduo sólido. Desta forma percebe-se, que a minimização do descarte de pneus inservíveis requer uma significativa mudança de comportamento, tanto em relação ao processo industrial como também em relação ao consumidor, associada a um plano de gerenciamento ambientalmente adequado. Por outro lado, observa-se que o conhecimento das pessoas sobre o impacto ambiental causado por esse tipo de material ainda é muito pequeno. O plano de gestão dos pneus gerados na operação do Grupo Libra infelizmente é uma exceção de logística reversa no Porto de Santos, que não iniciou as tratativas e planejamentos para a implementação de ações conjuntas e eficazes. Finalmente, este estudo delimita um marco referencial para futuras pesquisas que poderão analisar os procedimentos da legislação aplicados e confrontar os resultados com aqueles discriminados ao longo deste trabalho, dado a vigência da lei não ter atingido ainda o seu primeiro quinquênio.
  • 40. 40 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA AMBIENTE BRASIL. Reciclagem de Pneus. Disponível em: <http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=residuos/index.php3&c onteudo=./residuos/reciclagem/pneus.html&gt>. Acesso em: 22/11/2013. ANDRIETTA, A. J. Pneus e meio ambiente: um grande problema requer uma grande solução. Out. 2002. Disponível em: <http://www.reciclarepreciso.hpg.ig.com.br/recipneus.htm>. Acesso em: 17/11/2013. BRASIL. Decreto - Lei nº 794, de 19 de outubro de 1938. Disponível em: <http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=23799>. Acesso em: 02/10/2013. BRASIL. Lei nº 12.350, de 02 de agosto de 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 05/10/ 2013. CASTILHOS JUNIOR, A. B. de, et al. Resíduos Sólidos Urbanos: aterro sustentável para municípios de pequeno porte. Rio de Janeiro: ABES/RiMa, 2003, 294p. CHIUVITE, Telma Bartholomeu Silva; ANDRADE, Tereza Cristina Silveira. Resíduos Sólidos. Gerenciamento de Resíduos: aspectos técnicos e legais. Revista Meio Ambiente Industrial, n. 29 p. 59-61, abril/maio, 2001. CODEBA. Sistema Portuário Brasileiro. (Disponível em: <http://www.codeba.com.br/eficiente/sites/portalcodeba/pt- br/site.php?secao=sistemaportuariobrasileiro>. Acesso em: 15/11/2013.
  • 41. 41 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 416/09, de 30 de dezembro de 2009, publicado no DOU, nº 188, de 01/10/2009. CUNHA, I. (org.) Portos no ambiente costeiro. Universidade Católica de Santos. Santos, 2004. 128p. GLOBAL GARBAGE. Os navios Jogam Lixo no Mar. Disponível em: <www.globalgarbage.org/>. Acesso em: 03/12/2013. Grota, A. Gestão ambiental no porto de Santos. 2006. Monografia (MBA em gestão ambiental costeira e portuária) — Universidade Católica de Santos, Santos. JORNAL PORTUÁRIO. Santos Conheça a História do Porto de Santos. Disponível em: <http://www.jornalportuario.com.br/santos-conheca-a-historia-do- porto-de-santos/>. Acesso em: 15/11/2013. LARGARINHOS, Carlos. Reciclagem de Pneus: Análise do Impacto da Legislação Ambiental Através da Logística Reversa. Tese de doutorado defendida em out/2011, no Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica (Poli) da USP. LEITE, P. R. Logística Reversa – Meio Ambiente e Competitividade. São Paulo: Prentice Hall, 2003. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/srhu_urbano/_arquivos/guia_elaborao_plano_ de_gesto_de_resduos_rev_29nov11_125.pdf>. Acesso em: 02 de novembro de 2013. PORTO DE SANTOS. Panorama do Porto de Santos. Disponível em: <http://www.portodesantos.com.br/imprensa.php?pagina=art1>. Acesso em: 15/11/2013.
  • 42. 42 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 PRAIA GRANDE. Disponível em: <http://www.praiagrande.sp.gov.br>. Acesso em: 22/11/2013. RECICLANIP. Site Oficial. Disponível em: <http://www.reciclanip.com.br>. Acesso em: 22/11/2013. ROITMAN, M. A poluição marinha por óleo no Porto de Santos: Aspectos de Gestão Ambiental. Dissertação (Mestrado em gestão ambiental). Faculdade de Saúde Pública – Universidade de São Paulo. São Paulo, 2000. SEIFFERT, M. E. B. Modelo de implantação de sistemas de gestão ambiental (SGA – ISO 14001) utilizando-se a abordagem da engenharia de sistemas. 2002. Tese (Doutorado em Gestão de Qualidade e Produtividade). Universidade Federal de Santa Catarina. WIKIPEDIA. Defensa. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Defensa>. Acesso em: 10/11/2013. Recebido em 10/03/2013 Aceito em 11/08/2014
  • 43. 43 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 ANÁLISES CRÍTICA E COMPARATIVA DE UMA MARCA COSMÉTICA COM APELO ANTIENVELHECIMENTO CRITICAL AND COMPARATIVE ANALYSIS OF AGING COSMETIC Daiane Maria da Silva Andrade1 Célio Takashi Higuchi2 RESUMO A pele é o maior órgão do corpo humano e apresenta várias funções. Com o envelhecimento, o tecido perde a elasticidade, a capacidade de regular as trocas gasosas e, dessa forma afeta a replicação do tecido, tornando-se menos eficiente. Devido a isto existe uma constante busca em relação a produtos que valorizam a beleza e a mantenha jovem por mais tempo. Com isso há empresas no mercado cosmético investindo cada vez mais em formulações antienvelhecimento, com o objetivo de devolver a integridade funcional da pele e melhorar aparência física. A proposta do trabalho foi selecionar uma linha de produtos de mesma marca que atende diferentes idades com apelo antienvelhecimento e posteriormente discutir e avaliar criticamente de forma comparativa esta linha de produtos baseada na composição cosmética. Conclui-se que as substâncias presentes nos produtos cosméticos com apelo antienvelhecimento atende para diferentes idades e, além disso, os ativos se repetem em várias composições, pela análise dos ativos, eles cumprem com o papel de prevenção e melhora do envelhecimento cutâneo e, por fim, com o crescimento do mercado cosmético em relação ao envelhecimento, pode se assegurar que existem produtos que realmente prometem uma renovação na pele e tornando o público alvo mais jovem. Palavras-chave: antienvelhecimento, envelhecimento cutâneo, hidratação. 1 Especialista em Cosmetologia Aplicada à Estética, Senac, SP, esteticista pelo Senac, SP; 2 Mestre e farmacêutico pela UNESP, Araraquara, e pesquisador responsável pela linha de pesquisa “Cosméticos Sustentáveis”, Senac, SP. E-mail: celio.thiguchi@sp.senac.br.
  • 44. 44 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 ABSTRACT The skin is the largest organ of the human body and execute many functions. With aging the tissue loses its elasticity the ability to regulate the exchanges gas and there by affect the replication of fabric, it is making it less efficient. Because of this there is a constant search for products who value beauty and keep young longer. With that there are companies in the cosmetic market increasingly investing in anti-aging formulations with the goal of restoring functional integrity of the skin and improve physical appearance. The purpose was to select a line of products of the same brand that caters different ages with antiaging appeal and subsequently discuss and critically evaluate the comparative form this line of products based on the cosmetic composition. It follows that the substances in cosmetic appeal with aging serves for different ages and moreover the active recur in various compositions for the analysis of active, they fulfill the role of prevention and improvement of skin aging. Finally with the growth of the cosmetic market in relation to aging can ensure that there are products that actually promise a renewal in the skin and making the younger audience. Keywords: anti-aging, skin aging, hydration. 1. INTRODUÇÃO A pele é o maior órgão do corpo humano e apresenta funções de proteção, nutrição, pigmentação, queratogenese, termorregulação, transpiração, perspiração, defesa, metabolismo de vitamina D e também desempenha proteção natural contra as radiações da luz ultravioleta com o intuito de proteger o organismo de seus efeitos nocivos, além disso, cumpre com funções estéticas e sensoriais (HARRIS, 2011; BATISTELA et al, 2007, MACEDO, 2001). A ciência está constantemente descobrindo os segredos da fisiologia da pele e esse conhecimento por sua vez, aumenta a compreensão dos processos fisiopatológicos da pele e de seu processo de envelhecimento (MICHALUN et al, 2010). Com o envelhecimento, o tecido perde a elasticidade, a capacidade de regular as trocas gasosas e, dessa forma afeta a replicação do tecido, tornando-se menos eficiente
  • 45. 45 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 (HIRATA, 2004). Há uma diminuição na expressão de proteínas que degradam o colágeno da matriz, comprometendo-se ainda mais essa estrutura (HARRIS, 2011). Esse processo ocorre após um número determinado de multiplicações e se caracteriza por perda da capacidade de divisão (CANO, 2006). Devido a reação de diversos fatores como, por exemplo, genético ou biológico (TEIXEIRA et al,2010), se caracteriza por alterações celulares e moleculares, com diminuição progressiva da capacidade de homeostase do organismo, levando a senescência e morte celular programada (BAGATIN, 2008). Além disso, o fumo causa aumento da agregação plaquetária, diminuição da formação de prostaciclinas, aumento da viscosidade sanguínea e da atividade plasmática da elastase, comprometendo também as lesões de fibras elásticas e diminuindo a síntese de colágeno. A atividade da elastase quando aumentada causa formação defeituosa da elastina, tornando a pele mais espessa e fragmentada (SUEHARA et al, 2006). A luz solar também acomete um efeito acumulativo sobre a pele (fotoenvelhecimento) que ocorre ao longo da vida de cada indivíduo e afeta diretamente a atividade pigmentaria cutânea. A radiação penetra na pele e devido seu comprimento de onda age de formas diferentes nas camadas ou estruturas da pele. A radiação de ondas curtas (UVB) atinge a epiderme afetando os queratinócitos e a de ondas longas (UVA) atinge as mesmas células da epiderme e dos fibroblastos da derme (MONTAGNER et al,2009). Radicais livres são moléculas que possuem um elétron desemparelhado em sua orbita externa e que geralmente se deriva do oxigênio (GAVA et al, 2005). Essa situação implica em alta instabilidade energética e cinética, e para se manterem instáveis precisam doar ou retirar um elétron de outra molécula (HIRATA et al, 2004). De acordo com o Cano (2006), o estresse oxidativo decorre de um desequilíbrio entre a geração de compostos oxidativos e também a atuação dos sistemas de defesa antioxidante (BARBOSA et al, 2010). Os radicais livres atuam no processo de envelhecimento, pois atingem direta e constantemente células e tecidos, os quais possuem ação acumulativa (ZANONI, 2005). Em condições normais, a principal via de produção de radicais livres nas células ocorre através da atividade respiratória que se localiza nas matrizes mitocôndrias. O encurtamento dos telômeros se baseia no fato de que a cada divisão celular ocorre uma diminuição das extremidades dos cromossomos e, desse modo, ocorre o encurtamento progressivo dos cromossomos, causando a inviabilidade reprodutiva das células e o
  • 46. 46 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 envelhecimento celular. O encurtamento dos telômeros é uma consequência da formação de quebras das extremidades da cadeia do DNA (HARRIS, 2011). Em função de uma diversidade de grupos étnicos o mercado brasileiro de cosmético está em constante aperfeiçoamento para oferecer produtos que se adeque a cada tipo de pele. Esse público está cada vez mais consciente de seu potencial e procuram produtos que valorizem a sua beleza natural. Devido as diversidades, o tipo de pele pode interferir no envelhecimento cutâneo, tornando precoce ou tardio. A principal diferencia entre as peles e a pigmentação, está relacionado com o número de melanócitos e os melanossomas - grânulos localizados dentro das células e formados essencialmente por melanina. Devido a isto existe uma constante busca em relação a produtos que valorizam a beleza e a mantenha jovem por mais tempo. Com isso há empresas no mercado cosmético investindo cada vez mais em formulações antienvelhecimento, com o objetivo de devolver a integridade funcional da pele e melhorar aparência física (BATISTELA et al, 2007). Com isso, as indústrias cosméticas investem em ativos que prometem restabelecer a integridade da pele, através de cremes, sérum ou fluídos, atendendo assim a cada tipo de pele. Diversas marcas cosméticas nacionais e internacionais oferecem produtos para cada tipo de pele e idade com ação e apelo para diminuir a formação de rugas, devolver o tônus da pele e, por fim, prevenir, diminuir ou atenuar as linhas de expressão. Com este intuito, o trabalho tem como enfoque selecionar uma marca cosmética e avaliar criticamente a composição cosmética com apelo antienvelhecimento. 2. OBJETIVOS GERAIS - Selecionar uma linha de produtos de mesma marca que atende diferentes idades com apelo antienvelhecimento; - Discutir e avaliar criticamente de forma comparativa esta linha de produtos baseada na composição cosmética.
  • 47. 47 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 3. REVISÃO DE LITERATURA Segundo dados do IBGE a população idosa que era de 2 milhões em 1950, chegou a 14 milhões em 2003, a expectativa de vida dos brasileiros tem aumentado nas últimas décadas segundo uma projeção feita pela ONU que diz que em 2050 os idosos representaram 20% da população brasileira. Dados apontam também que a 3° idade tem como estímulo de compra a localização e o preço dos produtos e 51% dos seus gastos são destinados a produtos de beleza. O mercado brasileiro de cosméticos é o segundo maior do mundo com um faturamento líquido de R$ 21,7 bilhões. Segundo publicação do Sebrae em relação ao Euromonitor que analisa o mercado, afirma que com o aumento da riqueza global implica em consumos mais diversificados e maior intensificação no mercado internacional. Sendo assim, há a necessidade de elaboração de produtos específicos para diferentes faixas etárias, em função do aumento da expectativa de vida. Há no mercado atualmente diversas marcas com apelo antienvelhecimento tais como: Avon, Natura, L´Oreal, Boticário, La Roche Posay, Vichy, Dermage, Shiseido, Veer, Dior, Adcos, Bio Age, Imedeen entre outras. Entre as marcas disponíveis no mercado foi selecionada uma a qual atendesse diferentes idades e utiliza os seguintes ativos para prevenir o envelhecimento. 3.1. DESCRIÇÃO DE ATIVOS 3.1.1. Elastinol+R Marca Natura/Galeno Em 2000, foi desenvolvido, por processo biotecnológico, o primeiro ativo desta linha, que contem L-fucose e atua na comunicação celular e regulando a produção de elastina. Como resultado de pesquisa sobre efeitos de outro fração polissacarídica rica em L-rhamnose chegou em 2003 um segundo ativo, uma combinação de polissacarídeos ricos tanto com L-fucose como L-rnhamnose.
  • 48. 48 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Essa combinação age na derme e na epiderme, promovendo redensificação dessas camadas através do estímulo da proliferação celular e da síntese de moléculas da matriz extracelular e outros efeitos concomitantes que levam a uma ação antienvelhecimento mais íntegra. O Elastinol+R é a terceira geração de ativos desta linha. Possui uma nova combinação das frações polissacarídicas ricas em L-fucose (FROPs), L- rhamnose (RROPs) com maior concentração das frações ricas em L-rhamnose. Esse diferencial lhe confere ação reepitelizante da pele, em função da intensa proliferação celular dérmica e na síntese de macromoléculas da MEC. É recomendável para produtos destinados ao tratamento do envelhecimento cutâneo e convém mantê-lo em temperaturas inferiores a 40°C. Usado em cremes, loções e géis para face, corpo e mãos. O pH de estabilidade varia entre 5,5 e 6,5. Utilizado em concentração de 1,0 a 5,0% (SOUZA et al, 2009). 3.1.2. Manteiga de cupuaçu INCI: Theobroma grandiflorum seed butter Ativo repositor da barreira lipídica da pele, que minimiza o ressecamento e a desidratação. Proporciona toque sedoso e não oleoso. Possui poder de absorção de UVB e UVC e alta capacidade de absorção de água. Contém fitoesterois (a), beta-sitosterol (b), estigmasterol (c) e campesterol (d). Utilizado na concentração de 4 a 10% em cremes, loções, sabonetes, batons, desodorantes e em xampus de 0,5 a 1% (SOUZA et al, 2009).
  • 49. 49 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Figura A: Estruturas moleculares de fitoesterois Figura B: Estrutura molecular de beta-sitosterol Figura C: Estrutura molecular de estigmasterol Figura D: Estrutura molecular de campesterol 3.1.3. Vitamina E INCI: tocopheryl acetate A vitamina E é considerada uma substância lipossolúvel desempenhando ações antiradicalar e hidratante. É usado em preparações com papéis de emulsões cremosas e géis em produtos para as áreas dos olhos, produtos corporais e faciais. Recomenda - se adicionar 1% na base estoque como agente antioxidante. Utilizado em concentrações de 0,1 a 5,0%(SOUZA et al, 2009). Figura E: Estrutura molecular da vitamina E
  • 50. 50 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 3.1.4. Alfa bisabolol INCI: bisabolol Substância de origem botânica usada por suas propriedades anti-inflamatórias. É derivada da camomila e/ou do milfólio (MICHALUN & MICHALUN, 2010). Figura F: Estrutura molecular da alfa-bisabolol 3.1.5. Isoflavona de soja INCI: Soy isoflavones Os isoflavonoides tem demonstrado propriedades antioxidantes através da proteção de UV, e alguns talvez sejam imunoprotetores. Estudos clínicos indicam uma aplicação antienvelhecimento dada a sua capacidade de inibir processos químicos que levam a degradação do colágeno na pele (MICHALUN et al, 2010). Figura G: Estrutura molecular geral da isoflavona da soja 3.1.6. Flavonoides INCI: Bioflavonoids Possuem atividades anti-inflamatória, antialergênica, antiviral, antienvelhecimento e anticarcinogênica. A finalidade de uso para tratamento contra envelhecimento cutâneo, pode estar condicionada a melhorada condição do colágeno em menor grau, contribuindo no resultado quanto a elasticidade, aspereza e hidratação da pele. São encontrados em amoras, framboesas, morangos, frutas cítricas, cacau, chá verde, salsa, vinho tinto e na
  • 51. 51 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 soja (MICHALUN et al, 2010). Figura H: Estrutura molecular geral de flavonoides 3.1.7. Café INCI: Coffea robusta seed extract O café também é conhecido como extrato de coffeberry. Ele desempenha ação antioxidante poderosa com propriedades antienvelhecimento e de clareamento da pele. O extrato é obtido do fruto inteiro, e não só da semente ou grãos (MICHALUN et al, 2010). Figura I: Estrutura molecular da cafeína 3.1.8. Licopeno INCI: Lycopene O licopeno é um carotenóide sem a atividade pró-vitamina A, lipossolúvel, composto por onze ligações conjugadas e duas ligações duplas não conjugadas. O licopeno é obtido através de fontes de carotenoide. Ele possui a maior capacidade sequestrante do oxigênio singlete, possivelmente devido à presença das duas ligações duplas não conjugadas, o que lhe oferece maior reatividade (SHAMI et al, 2004).
  • 52. 52 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Figura J: Estrutura molecular geral do licopeno 3.1.9. Spilol INCI: Spilanthes oleracea O jambu é uma Asteraceae nativa da região da Amazônia. É uma hortaliça herbácea, perene, semi-ereta e de ramos decumbentes. As inflorescências são pequenas e amareladas, dispostas em capítulos. Suas propriedades são atribuídas principalmente ao Espilantol, que é anestésico e age sobre as microtensões da pele. É utilizada como matéria prima para cosméticos com ação anti-rugas (MARTINS et al, 2012). Figura K: Estrutura molecular do Spilanthes oleracea 3.1.10. Ceramidas de Maracujá INCI: Ceramides (N-stearoyl-phytosphingosine) As ceramidas promovem a reparação do estrato córneo principalmente em pele seca, contribuindo na melhora da hidratação e aumenta a sensação de maciez. São benéficas para peles sensíveis, escamosas, ásperas, secas, envelhecidas e danificadas pelo sol (MICHALUN et al, 2010). 3.1.11. HydraPro® Hydra por seu potencial hidratante 2 vezes maior e Pro® pelos benefícios e resultados comprovados de melhoria na hidratação, nos sinais de envelhecimento, por maior firmeza e mais proteção.
  • 53. 53 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 3.1.12. CAO É a sigla para Complexo Antioxidante, uma mistura de ativos antioxidantes que atua em sinergia para conferir à pele maior proteção contra os efeitos nocivos dos radicais livres e, portanto, prevenir o envelhecimento precoce. O CAO desenvolvido pela Natura contém vitamina E, licopeno e extrato de café. 3.1.13. Dermoglicideo São oligossacarídeos (açúcares) de origem vegetal, obtidos pela Natura por um processo biotecnológico desenvolvido em parceria com o fornecedor Solabiá, na França. Sua principal função é impedir o processo de glicação, que prejudica as fibras de sustentação da pele. 3.1.14. Extrato de Castanha A castanha portuguesa é uma árvore de porte médio que produz ouriços dos quais se retiram as castanhas. O extrato obtido a partir delas é rico em açúcares e ácido urônico, que reduzem a ação das enzimas que promovem a descamação da pele. Assim, melhoram a manutenção da barreira cutânea. 3.1.15. PCA de Zinco Complexo antioleosidade em geral presente em cosméticos antibrilho para pele oleosa e mista 4. BASES COSMÉTICAS Os ativos presentes nos produtos cosméticos penetram por vias de dois canais principais: o canal extracelular e o canal intercelular. A velocidade de penetração depende do tamanho das moléculas, da integridade e saúde da pele. A camada córnea é a primeira barreira contra a penetração de ativos. A segunda barreira é a junção epidérmico dermal ou membrana basal. Estruturalmente a pele absorve, essa absorção ocorre através dos
  • 54. 54 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 poros pilossebáceos, ductos das glândulas sudoríparas, canais intercelulares que mantem as células justapostas (MICHAULIN et al, 2010). Devido a esse mecanismo de penetração da pele é necessário a escolha adequada da base, para se obter uma penetração e ação dos ativos utilizados, satisfatória. Segue-se abaixo alguns exemplos de bases cosméticas: DOW CORNING 4002 CL BASIS Nome INCI: Cyclopentasiloxano (and) dimethicone (and) crosspolymer (and) dimethicone (and) laureth -23 (and) laureth 4(and) acrylate polymer (and) mineral oil (and) Water Composto sólido, branco, com densidade 0,9573, viscosidade maior que 1,700,000 cP e aparência de gel que permite formular produtos para cuidados facial e corporal apenas com aplicação de água e ativos. Devido a sua permeabilidade ao vapor de água, permite que a pele respire normalmente. Prove película protetora resistente à água, garantindo que o ativo fique em contato com a pele por mais tempo. Possui um sensorial leve e sedoso. Contem agentes sequestrantes e antioxidante. Usado em hidratantes, produtos antienvelhecimento, clareadores e protetores solares para todos os tipos de pele (SOUZA et al, 2009). Características Forma de aplicação: creme e loção Basic %: creme 50% e loção de 30 a 40% Água: creme 50% e loção 60 ou 70%. HOSTACERIN CG (Clariant) Base auto emulsionante aniônica, composta de agentes de consistência, emolientes e emulsionantes como o fosfato de triceteareth 4. Possui o éster fosfórico em sua formulação que apresenta afinidade com os fosfolipídeos encontrados na pele o que facilita a absorção das formulações e otimizando a penetração dos princípios ativos incorporados nas emulsões. Apresenta boa espalhabilidade e não deixa na pele a sensação
  • 55. 55 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 untuosa. Compatível com pigmentos, filtros solares, hidroquinonas, ácidos glicólicos, PABC hidratantes e ureia. Usado no preparo de veículos para incorporação de ativos diversos, emulsões, antienvelhecimento. Concentração permitida de 4 a 15% podendo estes valores ser alterados em função da consistência desejado. Temperatura entre 85°C a 90°C (SOUZA et al, 2009). DEG BASE LOÇÃO CR2 Base pronta de loção CR2 para adição de ativos. Cera auto emulsionante não iônico (CRODA BASE CR2), proprilenoglicol, parabenos, imidazolidiniluréia, BHT, EDTA tetrassódico, ciclometicone (e) dimethicone crosspolímero e água deionizada. São formulados com ingredientes tradicionais, amplamente conhecidos e são compatíveis com a imensa maioria das substâncias usadas na manipulação. Características: Forma farmacêutica loção Carga não iônica pH da base 6,00 a 8,00 Compatibilidade Ideal para incorporação de hidratantes, regeneradores, alfa e beta – hidroxiácidos, anti-inflamatórios, adstringentes, calmante, cicatrizantes, esfoliantes, antimicrobianos, lipossomas etc. Aplicações Loções farmacêuticas diversas Loções para cuidados com a pele Produtos infantis Bronzeadores Formulações vaginais Loções para massagem
  • 56. 56 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Informações farmacotécnicas Concentração de uso: qsp 100% DEG BASE CREME LANETTE Creme base aniônico Ceras auto emulsionantes propilenoglicol, triglicérides do ácido láprico, metil parabenos, imidazolidinil uréia, dimethicone, BHT, EDTA dissódico e água deionizada. Apresenta na composição álcoois graxos superiores e alquil sulfato, hidratantes e emolientes, de baixa oleosidade, de toque suave a alta resistência aos princípios ativos que requerem veículos com este caráter. É compatível com todos os cosméticos e farmacêuticos que toleram emulsões aniônicas. Especificações Aspecto creme sólido Cor branco leitoso Odor suave pH 5,50 a 7,00 Os cosméticos podem ter as seguintes características: Cremes: são emulsões O/A ou A/O de alta viscosidade e constituídas de uma fase aquosa e uma fase oleosa líquida que foram homogeneizadas através da utilização de um terceiro componente que possui afinidade por ambas as fases (tensoativo). Loções: são emulsões O/A ou A/O de média a baixa viscosidade e constituídas de uma fase aquosa e uma fase oleosa que foram homogeneizadas através da utilização de um terceiro componente com afinidade por essas fases (tensoativo) ou através de um solvente que geralmente é alcoólico. Géis: são soluções coloidais ou suspensões de substâncias insolúveis em água, mas hidratáveis. Podem ser transparentes ou opacos. Quanto menores os tamanhos das partículas, mais transparentes são as soluções aquosas (PEDRO, 2014).
  • 57. 57 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Adquirindo conhecimento sobre bases cosméticas, é possível orientar de uma forma melhor os clientes. Quando é referido que uma pele envelhecida inerentemente se trata em primeiro momento uma pele desidratada, com perda significativa de colágeno e elastina, acometendo contorno facial e alterando os efeitos hormonais contribuindo na modificação do funcionamento das glândulas sebáceas e sudoríparas. Em função disso, é comum encontrar pele desidratada, como também pele extremamente oleosa. A escolha da base ideal auxilia no controle dessas alterações proporcionando resultados satisfatórios. 5. METODOLOGIA PROPOSTA Por meio da composição cosmética da linha de produtos de mesma marca selecionada foi estudada a natureza dos ativos cosméticos e funções que os desempenham. De forma entender suas funções foram pesquisadas os seguintes itens: INCI Estrutura Molecular Ação cosmética CAO N.E Proteger o organismo dos danos causados pelos radicais livres devido a exposição excessiva aos raios ultra violeta. Elastinol+R N.E Proteger o organismo dos danos causados pelos radicais livres devido à exposição excessiva aos raios ultravioleta, preservando as fibras de colágeno e elastina presentes na derme, evitando o envelhecimento precoce. Flavonoides de Passiflora H Melhorar a condição do colágeno, contribuindo na melhora da elasticidade, aspereza e a hidratação da pele. Hydra Pro N.E Hidratar. Spilol K Descontrair as microtensões da pele, combatendo as rugas de expressão. Isoflavonas da Soja G Proteger contra a agressão da UV. Dermoglicideo N.E Impedir o processo de glicação. Castanha N.E Preservar a barreira cutânea. PCA de Cálcio N.E Recuperar a pele e ameniza os danos causados com o passar os anos
  • 58. 58 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 TABELA 1: Descrição de Ativos, conforme sua estrutura molecular e ação cosmética. Legenda: N.E.: não encontrado. Posteriormente, foi discutida e avaliada criticamente de forma comparativa esta linha de produtos baseada na composição cosmética relacionado aos ativos e suas bases. 6. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com as explicações detalhadas dos ativos cosméticos segue-se na próxima página, uma tabela comparativa de ativos cosméticos presentes nos produtos25+,30+, 40+, 60+ e 70+. Nota-se que é possível identificar a semelhança de ativos de cada faixa etária. Nos produtos 25+,30+, 40+ e 60+ estão presentes os ativos CAO e Elastinol+R. Esses dois ativos tem como função proteger o organismo dos danos causados pelos radicais livres devido a exposição excessiva aos raios UV, preservando as fibras de colágeno e elastina presentes na derme, evitando o envelhecimento precoce. Alfa bisabolol F Clarear a pele e efeito antioxidante Ceramidas de maracujá N.E Melhorar a hidratação e aumenta a sensação de maciez Lycopene J Efeito antioxidante Coffea robusta I Efeito antioxidante Tocopheryl Acetate E Efeito antioxidante Theobroma grandiflorum Seed Butter A, B, C, D Minimizar o ressecamento e a desidratação
  • 59. 59 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 PRODUTOS ATIVOS COSMETICOS 25+ Lycopene Café TocopherylAcetate CAO FlavonoidedePassiflora Elastinol+R ManteigadeCupuaçu 30+ Dermoglicideo Hydrapro spilol isoflavonadasoja 45+ extratodecastanha 60+ Ceramidasde maracuja 70+ Alfa Bisabolol PCAde Cálcio TABELA 2: explicação detalhada da relação de ativos cosméticos presentes nos produtos 25+,30+, 40+, 60+ e 70+. Em outro momento, o flavonoide de Passiflora se repete nas faixas etárias de 25+ a 30+ desempenhando a ação de melhorar a condição do colágeno, a elasticidade, aspereza e a hidratação da pele. Dos 30+ ao 60+ está presente o ativo dermoglicideoo qual desempenha função de impedir o processo de glicação evitando que as fibras de elastina sejam prejudicadas. Nota se que no 30+ e 40+ tem em comum o ativo spilol com a função de relaxar as microtensões da pele, combatendo as rugas de expressão e a Proteína da Soja que tem demonstrado propriedades antioxidantes através da proteção de UV, alguns talvez sejam imunoprotetores. Estudos clínicos indicam uma aplicação antienvelhecimento dada a sua
  • 60. 60 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 capacidade de inibir processos químicos que levam a degradação do colágeno na pele. O Hydra Pro está presente nos 30+, 40+, 60+ e 70+ o qual hidrata 2 vezes mais, ameniza sinais do envelhecimento, proporciona maior firmeza e proteção a pele. Dos 40+ ao 60+ há em comum o extrato da castanha que ajuda a manter a barreira cutânea. As ceramidas de maracujá no 60+ age principalmente na camada superior da pele, formando uma barreira protetora e reduzindo a perda transdérmica de água. As ceramidas promovem a reparação do estrato córneo em casos e pele seca, melhora a hidratação e aumenta a sensação de maciez. São benéficas para peles sensíveis, escamosas, ásperas, secas, envelhecidas e danificadas pelo sol. O PCA de Cálcio e o Alfa bisabolol no 70+ tem como principal função restabelecer as funções da pele perdidas durantes os anos. É possível uma pessoa de 25 anos usar um produto para uma pele 60+? Seria uma atitude incorreta já que a pele de 25 não possui as mesma necessidade da pele de 60, ao utilizar um produto cosmético inadequadamente pode ocasionar reações alérgicas e até lesões na pele. Uma pele de 25 anos necessita apenas de hidratação e proteção já que na maioria dos casos ainda não tem o aparecimento de rugas, quando falamos de uma pele a partir de 35 anos, já se pode perceber uma leve perda do contorno fácil, rugas finas, sulcos mais definidos etc. devido a isso o mercado cosmético criou um produto para cada tipo de pele para atender as necessidades ideais da sua pele. 7. CONCLUSÃO - As substâncias presentes nos produtos cosméticos com apelo antienvelhecimento atende para diferentes idades e, além disso, os ativos se repetem em várias composições; - Pela análise dos ativos, eles cumprem com o papel de prevenção e melhora do envelhecimento cutâneo; - Com o crescimento do mercado cosmético em relação ao envelhecimento, pode se assegurar que existem produtos que realmente prometem uma renovação na pele e tornando o público alvo mais jovem.
  • 61. 61 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 8. REFERÊNCIAS BAGATIN, EDILEIA; Envelhecimento Cutâneo. Boletim Dermatológico Unifesp. Disponível em <http://www.unifesp.br/dderma/pdf/ed_17_envelhecimento_cutaneo.pdf> acesso em: 15/02/2014 BARBOSA, KIRIAQUE BARRA FERREIRA; COSTA, NEUZA MARIA BRUNORO; ALFENAS, RITA DECÁSSIA GONÇALVES; DE PAULA, SÉRGIO OLIVEIRA; MINIM, VALÉRIA PAULA RODRIGUES; BRESSAN, JOSEFINA. Estresse oxidativo: conceito, implicações e fatores modulatórios. DISPONIVEL EM<http://bases.bireme.br/cgi- bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p& nextAction=lnk&exprSearch=569135&indexSearch=ID>ACESSO: 03/04/2014 BATISTELA, MONICA ANTUNES; CHORILLI, MARLUS; LEORNARDI, GISLAINE RICCI. Abordagens no Estudo do Envelhecimento Cutâneo em Diferentes Etnias. http://www.rbfarma.org.br/files/PAG59a62_ABORDAGENS.pdf CANO, MARIA I. N; A vida nas pontas. Ciência hoje vol.39, n°229, pag. 16 a 23, março de 2014. COSTA, ADILSON; MONTAGNER, SUELEN. Bases Moleculares do Fotoenvelhecimento. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/abd/v84n3/v84n03a08.pdf> acesso 05/03/2014 DEG, Ativando Principios. Boletim Tecnico do Fabricante. V.01. Disponível em<http://www.fagron.com.br/Literaturas/LITERATURAS%20COSMETICAS%5CDEGBA SE%20LOCAO%20CR2.PDF> acesso em 29/03/2014
  • 62. 62 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 FERNANDES, PAULO. Lanette-Creme Base Anionico Farmacotecnica Aplicada. Diponivel em<http://magistralfarma.blogspot.com.br/2009/02/creme-lanette- farmacotecnica-aplicada.html> acesso em 29/03/2014 GAVA, ALEXANDRA APARECIDA; ZANONI, JACQUELINE NELESIS. Envelhecimento celular. Disponível em <http://revistas.unipar.br/saude/article/viewFile/218/192> acesso em: 14/03/2014 GUARIENTO, MARIA ELENA; TEIXEIRA, ILKA NICÉIA D`AQUINO. Biologia do envelhecimento: teorias, mecanismos e perspectivas. Disponível em: <http://www.scielosp.org/pdf/csc/v15n6/a22v15n6.pdf> acesso em: 29/03/2014 HARRIS, MARIA INÊS NOGUEIRA DE CAMARGO; Pele; estrutura, propriedades e envelhecimento. São Paulo, Editora SENAC, 2009. HIRATA, LILIAN LUCIO. Radicais Livres e o Envelhecimento Cutâneo. Disponível em<http://www.latamjpharm.org/trabajos/23/3/LAJOP_23_3_6_1_7IT93QRE42.pdf> acesso 16/03/2014 MACEDO, OTAVIO ROBERTI. Segredos da Boa Pele; preservação e correção. São Paulo, Editora SENAC, 2001. MAIA, MARCUS; SIMONE, KARINE; SUEHARA, LETÍCIA YUMI. Avaliação do envelhecimento facial relacionado ao tabagismo. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/%0D/abd/v81n1/v81n01a04.pdf> acesso 15/03/2014 MARTINS, C.P.S.; MELO, M.T.P.; HONÓRIO, I.C.G.; D’ÁVILA, V.A.; CARVALHO JÚNIOR, W.G.O. Caracterização morfológica e agronômica de acessos de jambu (Spilanthes oleracea L.) nas condições do Norte de Minas Gerais. Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.14, n.2, p.410-413, 2012.
  • 63. 63 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 MICHALUN, NATALIA; MICHALUN, M. VARINIA. Dicionário de ingredientes para cosmética e cuidados da pele. São Paulo, Cengage Learning Editora Senac, 2010. NACIONAL, Sebrae. Tendências do mercado setorial de cosméticos. Disponível em<http://www.sebrae.com.br/setor/cosmeticos/o-setor/mercado/cenario/bia- 780.9/BIA_7809>acesso em:14/03/2014 PEDRO, RICARDO. Formas Cosméticas. Disponível em<http://www.freedom.inf.br/artigos_tecnicos/hc58/ricardopedro.asp>acesso em: 01/04/2014 SEBRAE. Brasil o terceiro mercado mundial. Disponível < http://www.sebrae.com.br/setor/cosmeticos/o-setor/mercado/cenario/120-001-083- brasil-e-o-terceiro-mercado-mundial/BIA_120001083> aceso em 14/03/2014. SHAMI, NAJUA JUMA ISMAIL ESH; MOREIRA, EMILIAADDISON MACHADO. Licopeno como agente antioxidante. Disponível em<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415- 52732004000200009&script=sci_arttext&tlng=pt> acesso em: 03/04/2014 SOUZA, VALERIA MARIA; JUNIOR, DANIEL ANTUNES. Ativos Dermatológicos. São Paulo. Pharmabooks Editora, 2009. Recebido em 11/04/2014 Aceito em 30/04/2014
  • 64. 64 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 AVALIAÇÃO DE DEGRADABILIDADE DE EMBALAGENS PLÁSTICAS UTILIZADAS NO ACONDICIONAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS DEGRADABILITY ASSESSMENT OF PLASTIC PACKAGING USED IN PACKAGING OF MUNICIPAL SOLIDS WASTES Fabiana Alves Fiore Pinto1 Emília Satoshi Miyamaru2 Maíra Alonso Klaussner3 Camilla Raucci4 RESUMO Considerando a falta de informações sobre a degradabilidade, em aterros brasileiros, dos polímeros utilizados para o acondicionamento de resíduos sólidos urbanos, o presente trabalho tem por objetivo verificar a degradação comparativa de sacos plásticos oxi-biodegradáveis, sacos plásticos comuns e sacolas plásticas concedidas em supermercado para transporte de produtos, em diferentes condições de aterramento. Foram utilizados cinco reatores experimentais construidos com tubos de PVC e estudou- se a influência de variáveis tais como: temperatura, recirculação de chorume e recirculação de água de chuva. Ao final de 24 semanas observou-se que as sacolas plásticas distribuídas pelos supermercados foram as que obtiveram maior degradação, seguida das embalagens oxi-biodegradável e comum. Verificou-se que as embalagens plásticas confinadas nas células inferiores obtiveram maior degradabilidade em relação às células superiores, mostrando que, mesmo que pequena, a pressão realizada pelo peso 1 Doutora em Saneamento e Meio Ambiente - FEC/UNICAMP. Pesquisadora e professora do Centro Universitário Senac/SP. Endereço: Av. Engenheiro Eusébio Stevaux, 823, Santo Amaro, CEP: 04696-000, São Paulo, Brasil. Tel: (11) 5682- 7530. E-mail: fabiana.afiore@sp.senac.br 2 Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo – USP/IPEN. Pesquisadora e professora do Centro Universitário Senac e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. 3 Engenheira Ambiental do Centro Universitário Senac/SP. 4 Engenheira Ambiental do Centro Universitário Senac/SP.
  • 65. 65 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 da massa influencia na degradação do polímero. Palavras Chave: degradabilidade de polímeros, embalagens oxi-biodegradáveis, sacolas plásticas, chorume. ABSTRACT Considering the lack of information on the degradation of polymers for packaging in MSW landfills in Brazil, the aim of present work was to analyze the objective comparative degradation of oxy-biodegradable plastic bags, plastic bags and plastic bags common at supermarket granted to transport products in different conditions. The study was conducted using five experimental reactors built with PVC pipes and studied the influence variables such as temperature, leachate recirculation and recirculation of rainwater. At the end of 24 weeks was observed that supermarkets that had higher degradation, followed by oxy-biodegradable packaging and common, distributed plastic bags. The study showed that the lower cells that contained plastic bags had higher degradability if compared to higher cells, showing that even small pressure accomplished by weight of the dough influence on polymer degradation. Keywords: degradability plastic, bags oxy-biodegradable, plastic bags, manure.
  • 66. 66 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 INTRODUÇÃO Segundo a Política Nacional Brasileira de Resíduos Sólidos – PNRS (2010), a única atividade de manejo dos resíduos sólidos urbanos atribuída ao gerador é o seu acondicionamento. No Brasil, as embalagens plásticas, introduzidas no mercado na década de 1970, são utilizadas em larga escala para o acondicionamento dos RSU, quer seja por que estas garantem as condições adequadas para as demais atividades de manejo ou pela existência de normas técnicas específicas para a sua fabricação (BRASIL, 2010). As embalagens plásticas comumente utilizadas pela população brasileira para o acondicionamento de seus RSU são os sacos comuns e oxi-biodegradáveis, fabricados especificamente para esta função5 , ou as sacolas concedidas em supermercados para o transporte de produtos. Juntamente com o aumento de geração de resíduos sólidos, ocorreu acréscimo de geração de sacolas plásticas. Mesmo não sendo o maior fator de poluição do meio ambiente, as sacolas geram um alto custo para o meio ambiente, primeiramente por serem produzidas a partir de recursos naturais não renováveis (petróleo), por emitirem gases tóxicos e de efeito estufa e finalmente por serem na maioria das vezes descartadas de maneiras inadequadas. (MMA, 2014). A substituição dos sacos, desenvolvidos especificamente para a embalagem dos resíduos sólidos, por sacolas plásticas distribuídas gratuitamente nos supermercados é uma das alternativas de reuso encontrada pelas famílias brasileiras para a minimização de seus custos. As recentes proibições de distribuição gratuita dessas embalagens em diversas unidades da federação brasileira levaram a questionamentos diversos, principalmente com respeito aos impactos ambientais decorrentes das disposições dessas sacolas. No Brasil, os dados sobre a degradabilidade dos plásticos são escassos ou não se referem às condições de degradação em aterros sanitários, como é o caso do estudo desenvolvido pelo IPT em 2012. Além disso, os estudos de degradação de materiais realizados nos aterros sanitários são recentes, e não ainda não produzem informações técnicas capazes de balizar a escolha do gerador por embalagens acondicionadoras de resíduos que garantam o menor impacto possível não são divulgadas. 5 Especificados pelas normas técnicas das series: 9.19_ e 13.05_
  • 67. 67 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Face às considerações apresentadas, o objetivo geral do presente artigo foi verificar qual o tipo de embalagem plástica, utilizada para o acondicionamento dos resíduos sólidos urbanos, possui o menor tempo de degradação anaeróbica. Constituíram-se como objetivos específicos, simular diferentes condições de aterramento por meio de reatores em escala piloto e verificar a degradação comparativa de sacos plásticos oxi- biodegradáveis e comuns e sacolas plásticas concedidas em supermercado para transporte de produtos, em diferentes condições de aterramento. 1. EMBALAGENS PLÁSTICAS No Brasil são utilizados diferentes materiais para acondicionamento dos resíduos sólidos como, caixotes de madeira e papelão, recipientes feitos de pneus usados, latões de óleo geralmente cortado ao meio e sacolas plásticas. De acordo com recomendações do IBAM (2001), para o acondicionamento adequado de resíduos sólidos urbanos os recipientes devem:  pesar menos que 30 kg incluindo a carga se a coleta for manual;  ter dispositivos que facilitem seu deslocamento, evitar o vazamento e/ou exposição do resíduo;  serem seguros, assegurando a saúde do trabalhador caso o lixo contenha algum material cortante;  serem facilmente esvaziados e que não produzam ruídos excessivos ao serem manejados. Muitos materiais utilizados para transporte de produtos (embalagens), como por exemplo, as sacolas de supermercado, são posteriormente transformadas em locais para acondicionamento de resíduos sólidos urbanos. De acordo com Pinto (2007) existem diversas discussões sobre o fim da fabricação de embalagens, embasadas no fato de que na maioria das vezes estas não são mais utilizadas posteriormente, porém, este é um debate sem fundamentos, já que é impossível transportar e acondicionar os materiais sem suas embalagens, sem algum tipo de perda ou contaminação. Portanto, deve haver o incentivo à reutilização, como por exemplo, o uso de sacolas retornáveis.
  • 68. 68 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Conforme o Ministério do Meio Ambiente (2011) são consumidas mundialmente mais de 500 bilhões de sacolas plásticas por ano, só no Brasil esse número chega aproximadamente a 15 bilhões. Este número não é tão representativo se comparado aos 100 bilhões consumidos nos Estados Unidos, utilizando cerca de 12 milhões de barris de petróleo para sua fabricação. De acordo com a ASSOCIAÇÃO MINEIRA DE SUPERMERCADOS (2011) o uso do petróleo para fabricação de sacolas provoca severos danos ambientais e na maioria das vezes o descarte desse tipo de produto é realizado de forma incorreta, podendo provocar contaminação do solo e dificultar a compactação de aterros sanitários. Algumas cidades começaram a criar programas para a redução do uso de sacolas plásticas como em São Francisco na Califórnia que proibiu a utilização destas em 2007, na China, na Austrália e na cidade do México onde a distribuição gratuita de sacos plásticos no comércio foi proibida. No Brasil, em junho de 2009 foi lançada uma campanha chamada “Saco é um saco”, pelo Ministério do Meio Ambiente, que pretende despertar a atenção da população e fazer com que o consumo e os hábitos ligados a utilização de sacos plásticos sejam modificados. Outra ação governamental que está se popularizando no Brasil é a substituição das sacolas utilizadas em supermercados por sacolas oxi-biodegradáveis. Vale ressaltar que em função da falta de estudos realizados, ainda há muitas dúvidas quanto a degradação das sacolas oxi-biodegradáveis e com isso alguns estados não aderiram à nova tecnologia (COSTA, 2009). De acordo com Pinto (2007), sacolas oxi-biodegradáveis é uma solução ambientalmente incorreta já que estas se transformam em pó poluindo ainda mais o solo e a água, além disso, para se transformar em pó, são necessários catalisadores à base de metais pesados como chumbo e titânio que poluem ainda mais o meio ambiente. Para ACMINAS (2011) os aditivos adicionados para fabricação de sacolas oxi-biodegradáveis possuem em suas composições, catalisadores químicos que podem ser prejudiciais ao meio ambiente, principalmente quando presentes em rios, plantações, florestas, etc..
  • 69. 69 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Não é porque o plástico não se decompõe no meio ambiente que ele não é ambientalmente correto, sendo que este pode ser inteiramente reciclado e é exatamente pelo fato do plástico não se degradar facilmente que ele pode ser utilizado várias vezes. É contraditório dar ênfase a utilização de sacolas oxi-biodegradáveis sendo estas mais caras e menos eficientes e que devolvem rapidamente ao meio ambiente os resíduos de carbono que foram sequestrados durante a produção do plástico. (PINTO, 2007) As sacolas compostáveis ou biodegradáveis são produzidas com matéria orgânica, geralmente, o amido de milho, de fácil decomposição. Elas se degradam em até 180 dias devido à ação de microorganismos presentes em ambientes de compostagem e de aterros sanitários. (ACMINAS, 2011). De acordo com SOUZA, CELLA e SÁ (2007), o processo de digestão anaeróbia efetuada pelos microorganismos, na ausência de oxigênio, degrada a matéria orgânica, encontrada nos resíduos sólidos urbanos. O processo de degradação de resíduos sólidos orgânicos, em aterros, é composto de fenômenos físico-químicos e microbiológicos, resultando na liberação de gases e chorume (CINTRA, 2003). De acordo com LIMA (2004) as fases de degradação podem ser divididas em: fase acetogênica – matéria orgânica é sintetizada – via hidrólise - por microorganismos produtores de acetato. Ocorre em meios com pH variando de 4 a 6,5. fase metanogênica – decomposição microbiana, onde ácidos orgânicos são sintetizados por microorganismos consumidores de ácidos, produzindo gases como metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2). Ocorre em meios com pH variando de 7 a 7,5. CINTRA (2003) divide as fases de estabilização dos resíduos em: fase I - formação de ácidos – possui pH inferior a 6,0, elevados valores de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e Demanda Química de Oxigênio (DQO) e aumento na produção de CH4; fase II - metanogênica instável - redução nos valores de DBO, DQO e CO2, e aumento de CH4 e pH; fase III - metanogênica estável – caracteriza pelo equilíbrio dos microorganismos formadores de CH4, onde a produção do metano é estável, e há redução de CO2, DQO e ácidos.
  • 70. 70 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 2. MATERIAIS E MÉTODOS 2.1 Dimensionamento e montagem dos reatores experimentais Para verificar a degradabilidade de embalagens plásticas, particularmente os sacos/sacolas plásticas utilizados para o acondicionamento dos RSU, foram projetados e confeccionados 5 reatores experimentais. Estes reatores foram confeccionados com tubos de Policloreto de Vinila – PVC, de diâmetro externo de 25 cm. O reator 1 (laranja) com altura de 1,10 m e capacidade aproximada de 54 litros foi projetado para a simulação de um aterramento convencional. Para o fechamento do sistema foram instalados “capes” na parte inferior do reator e na parte superior foi adaptada uma tampa, ambos de PVC, conforme mostrados nas Figuras 1, 2 e 3. Figura 1 - reator 1 (laranja) Os demais reatores com altura de 1,20 m e capacidade de 58,90 litros cada um foram confeccionados de PVC para alimentação de água de chuva ou recirculação de chorume. Nestes reatores foram acoplados na parte inferior de cada tubo e na parte central de cada ‘cape”, adaptou-se uma válvula de 1/2 polegada e uma tubulação de polietileno de ½ polegada. A parte superior de cada reator foi fechada com uma tampa, onde na parte Figura 2 – detalhe do capes Figura 3 – detalhe da tampa dos Reatores
  • 71. 71 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 central foi adaptada uma válvula de 1/2 polegada e uma mangueira de polietileno de ½ polegada. A Figura 4 ilustra a unidade experimental dos quatro reatores. Figura 4 – reatores 2, 3, 4 e 5 2.2 Embalagens plásticas e acondicionamento do RSU Para o estudo, foram utilizados 5 tipos de polímeros para acondicionamento do RSU. A escolha foi estabelecida de acordo com o que havia no mercado consumidor. As sacolas plásticas cedidas nos supermercados para o transporte das compras também são utilizadas para o acondicionamento de resíduos, portanto foram escolhidas 3 grandes redes de supermercados, que atuam no município de São Paulo, aqui referidas como: Supermercado 1, Supermercado 2 e Supermercado 3. Também foram utilizados 2 tipos de sacos plásticos da marca Embalixo, o tipo comum e a oxi-biodegradável (Tabela 1).
  • 72. 72 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Tabela 1 – Características das embalagens plásticas Embalagem Dimensões Composição Cor Peso (g) Comum 34 cm x 38 cm Polietileno de baixa densidade, pigmento e aditivo branca 2,82 Oxi-biodegradável 34 cm x 38 cm azul 6,97 Supermercado 1 34 cm x 38 cm Sem especificação técnica verde 4,07 Supermercado 2 34 cm x 38 cm branca 3,88 Supermercado 3 34 cm x 38 cm branca 4,37 Todos os polímeros visualizados na Figura 5 foram pesados em uma balança de precisão de capacidade máxima de 440 Kg do laboratório. Figura 5 – Sacos/sacolas plásticas utilizadas no acondicionamento de resíduos Para o preenchimento dos sacos/sacolas plásticas adotou-se a composição dos RSU de acordo com a média do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil apresentada no relatório da ABRELPE (2008). Após a triagem dos materiais foi estabelecida a densidade de acordo com o seu volume e massa, utilizando balança de precisão de capacidade máxima de 440 Kg. (Tabela 2).
  • 73. 73 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Tabela 2 – Características dos resíduos Resíduo Principais Materiais Massa (g) Volume (L) Densidade (g.L-1) Matéria Orgânica Restos de alimentos, principalmente frutas 179,527 0,4 448,82 Plástico embalagens 11,209 0,1 112,09 Papel folha sulfite 8,063 0,2 40,315 Vidro garrafas 132,921 0,2 664,61 Metal latas de refrigerantes 13,718 0,15 91,45 Os materiais foram fragmentados manualmente com auxílio de uma tesoura para facilitar na alimentação dentro do reator (Figura 6). Figura 6 – resíduos fragmentados A partir dos resíduos segregados foram preparadas amostras, sendo que em cada amostra dos polímeros receberam a seguinte composição apresentada na Tabela 3.
  • 74. 74 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Tabela 3 – Composição mássica dos resíduos Resíduo Massa (g) Matéria Orgânica 264,04 Plástico 13,07 Papel 11,75 Vidro 21,13 Metal 2,91 Total 312,9 2.3 Condições experimentais De modo a simular diferentes condições de operação de um aterro sanitário, o presente estudo utilizou o aterramento convencional com e sem infiltração de água decorrente de chuvas e o aterramento com a recirculação de chorume, conforme as condições apresentadas no Quadro 1. Quadro 1 – Reatores e suas condições de operação Reator Cor Condições de operação 1 Laranja Aterramento convencional sem infiltração. 2 Amarela Aterramento com recirculação contínua de chorume. 3 Verde Aterramento com recirculação contínua de chorume e variação de temperatura. 4 Azul Aterramento com adição de água de chuva e variação de temperatura. 5 Preta Aterramento com adição de água de chuva. 2.3.1 Chorume O chorume utilizado foi disponibilizado pelo Aterro Sanitário Bandeirantes, localizado em São Paulo no bairro de Perus no quilômetro 26 da rodovia dos Bandeirantes. Vale ressaltar segundo Lefèvre (2011) as atividades do aterro Bandeirantes se iniciaram no ano de 1978, e seu encerramento se deu no ano de 2007. Em cada um dos reatores 2 e 3 (amarelo e verde) foram introduzidos 5,3 L de chorume, mesmo volume de uma das células, para que não houvesse saturação da primeira célula. As características iniciais do chorume podem ser visualizadas na Tabela 4. Tabela 4 – Características do chorume introduzido nos reatores
  • 75. 75 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 PARÂMETRO VALORES OBTIDOS pH 9,4 Coliformes Fecais 364 nmp Coliformes Totais > 2.005 nmp DBO 26 mg.L-1 DQO 114.500 mg.L-1 Amônia 520 ppm Fosfato 1.380 ppm 2.3.2 Água da chuva A água de chuva utilizada no estudo foi simulada de acordo com as características de pH e cloro da amostra da água pluvial coletada no local do de implantação do experimento em dois dias consecutivos. Para isso, efetuou-se a análise espectrofotométrica em relação ao cloro. Adicionou-se 20 mL da solução de hidróxido de sódio com 0,1mol.L-1 a cada 10 L da água coletada no bebedouro, para correção de pH (Tabela 5). Tabela 5 – Características da água de chuva e água do bebedouro. Cloro livre (ppm) Cloro total (ppm) pH Água de chuva 0,09 0,17 0,17 10 Água do bebedouro 0,1 8,8 Vale ressaltar que, no período do experimento, a região do entorno imediato do local de sua implantação havia diversas obras de construção civil, além de uma indústria cimenteira e uma indústria de fabricação de concreto, o que justificaria o elevado valor do pH da água de chuva coletada, conforme mostra a Tabela 6. A vazão de água alimentada diariamente nos reatores 4 e 5 (azul e preto) foi determinada de acordo com os dados pluviométricos do período de 1961 a 1990 de São Paulo. Dessa forma, a vazão de água alimentada nos reatores foi de = 0,00020 m³.d-1 ou 0,2L.d-1 .
  • 76. 76 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Tabela 6 – Características da água de chuva simulada. PARÂMETRO VALORES OBTIDOS pH 10 Coliformes Fecais < 10 nmp Coliformes Totais 60 nmp DBO 15,75 mg.L-1 DQO 1.450 mg.L-1 Amônia 1 ppm Fosfato 2 ppm 2.5 Aterramento dos reatores Para a recirculação de chorume, os reatores 2 e 3 (amarelo e verde) foram ligados à bomba 1. Os reatores 4 e 5 (azul e preto) foram alimentados com água de chuva, que foi previamente coletada em um tanque. Esses tanques foram ligados à uma segunda bomba. Na saída de cada um dos reatores foi instalada uma proveta de 1L para a captação do efluente. As bombas utilizadas nos experimentais foram da ProMinet gamma.L-1 . Para captação dos gases provenientes do processo de degradação da matéria orgânica, pelos microorganismos, foram adaptadas bexigas na tampa superior de cada reator, por meio de um adaptador de 1/2 polegada para 20 mm com uma contra porca (Figura 7). O aquecimento dos reatores 3 e 4 foi efetuado por meio de um fio de cobre aterrado no solo e ligado a uma resistência mantida à temperatura de 40ºC (Figura 8). Figura 7 – captação dos gases nos reatores. Figura 8 – Sistema de aquecimento dos Reatores 3 e 4. Bexiga
  • 77. 77 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 O solo argiloso viabilizou o aterramento e diminuição do efeito de borda do tubo com os resíduos. Visando garantir a vazão e a retenção de sólidos suspensos, a brita foi inserida na parte superior e inferior para servir de meio drenante, Na parte inferior foi também utilizado um tecido de tule. Foram inseridas duas células de RSU. Um esquema do aterramento dos reatores está apresentado na Figura 9. 2.6 Operação Após a montagem do aparato experimental, implantados em um Centro Universitário do município de São Paulo, e o aterramento dos resíduos sólidos acondicionados nos sacos/sacolas plásticas houve a recirculação do chorume nos reatores 2 e 3 (amarelo e verde) com vazão de 0,44 L.h-1 , determinada para que o volume de 10,6 L de chorume fosse recirculado diariamente. Da mesma maneira, a vazão de 0,02 L.h-1 de adição de água de chuva foi determinada para que os reatores 4 e 5 (azul e preto) recebessem 0,2 L cada diariamente. Além disso, efetuou-se a ligação do equipamento para aquecimento do solo. Estes procedimentos foram realizados um mês após o aterramento dos resíduos. 2.7 Monitoramento O aparato experimental foi monitorado semanalmente desde o seu fechamento até a sua abertura. As seguintes condições experimentais foram verificadas: a) o volume de líquido existente nas provetas situadas nos reatores 4 e 5 (azul e preto); b) a temperatura do fio de cobre exposto na entrada dos reatores 3 e 4 (verde e azul), através de termômetro; c) a vedação e captação dos gases (visual); d) a vazão de recirculação de chorume e de adição de água de chuva.
  • 78. 78 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Figura 9 – Esquema dos reatores. bomba 30 cm de RSU 10 cm de brita 10 cm de solo 5 cm de solo adaptador para mangueira Capes com válvula de ½ polegada Tampão com válvula de ½ polegada 30 cm de RSU 20 cm de solo 10 cm de solo 10 cm de brita e tecido de tule adaptador para mangueira
  • 79. 79 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 2.8 Abertura dos Reatores A data para a abertura dos reatores foi definida em função do tempo de estudo e tempo de degradação do material aterrado. Para tanto, o tempo de degradação especificado pelo fabricante do plástico oxi-biodegradável foi utilizado como referência, ou seja, 18 meses (Figura 10). Em vista disso e considerando que a degradação da sacola oxi-biodegradável ocorre de modo constante e linear, após 24 semanas, houve a abertura dos reatores, esperando que 30% do plástico oxi-biodegradável estivesse degradado. Vale ressaltar que dois dias antes da abertura os equipamentos de circulação e o de temperatura foram desligados. Com o auxílio de um béquer houve a retirada da brita, seguindo para o solo, de cada altura, ou seja, superior a célula um, entre célula um e dois, e inferior a célula dois. Efetuou-se a retirada de amostras de solo para futuras análises, lembrando que cada amostra um béquer foi utilizado para que não houvesse contaminação. Figura 10 – Sacola plástica oxi-biodegradável. A verificação de degradabilidade/decomposição dos materiais foi efetuada através da pesagem, comparando com o peso inicial e caracterizando através do tempo. Após a retirada das duas células de resíduos dos reatores, as embalagens plásticas foram abertas. Verificou-se que o vidro, o plástico e o metal não sofreram nenhum tipo de alteração, ou seja, o valor do peso final resultou-se igual ao valor do peso inicial, já a matéria orgânica e o papel sofreram decomposição, e com isso, não foi possível sua segregação para a pesagem (Figura 11). Em vista dessa situação, efetuou-se a pesagem desses materiais confinante as embalagens plásticas, apenas das células inferior dos reatores.
  • 80. 80 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Após a retirada da matéria orgânica e do papel, as embalagens foram lavadas em água corrente sem a utilização de qualquer produto para que não houvesse nenhum tipo de alteração no resultado, e foram colocadas em uma linha, perfazendo um varal, para a secagem no meio, ou seja, sem o auxílio de qualquer equipamento como secador ou ar- condicionado (Figura 12). Figura 11 – Matéria orgânica e papel em decomposição. Figura 12 – Secagem das embalagens plásticas. 3. RESULTADOS As embalagens plásticas após terem sido devidamente lavadas e secas foram pesadas e os resultados apresentados em gráficos específicos para as células superiores e inferiores. As Figuras 13 a 17 mostram o decaimento entre o peso inicial e o peso final de cada embalagem plástica (em gramas), nas células superiores. É importante ressaltar que as cores das linhas dos gráficos representam as cores dos reatores.
  • 81. 81 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Figura 13 – Degradação das embalagens comum – células superiores. Figura 14 – Degradação das embalagens oxi-biodegradável – células superiores. Figura 15 – Degradação das embalagens do Supermercado 1 – células superiores. Figura 16 – Degradação das nas embalagens do Supermercado 2 – células superiores. 3,94 3,99 4,04 Massa(g) 6 meses Embalagem Supermercado 1 3,80 3,82 3,84 3,86 3,88 Massa(g) 6 meses Embalagem Supermercado 2 y = 0 R² = #N/A Massa(g) 6 meses Embalagem comum Massa(g) 6 meses Embalagem oxi- biodegradável
  • 82. 82 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Figura 17 – Degradação das embalagens do Supermercado 3 – células superiores. De acordo com os resultados apresentados nas figuras 13 a 17, verificou-se que a degradação não ocorreu de modo semelhante para todas as embalagens. Observou-se que houve menor degradação no reator laranja, e na sequência nos reatores amarelo, preto, verde e azul. Tal resultado é decorrente da variação de temperatura. No entanto, o reator 4 (azul) com adição de água de chuva e variação de temperatura obteve um melhor resultado comparado ao reator 3 (verde) com recirculação de chorume e variação de temperatura. Entre os reatores sem a variação de temperatura, ou seja, o reator 5 (preto) com adição de água de chuva e o 2 (amarelo) com recirculação de água de chuva, o reator preto obteve uma melhor eficiência de degradação, sendo assim, podemos concluir que a adição de água de chuva é mais eficaz para a degradação das embalagens plásticas do que a recirculação do chorume. Vale ressaltar que o chorume teve uma queda de pH, enquanto a água de chuva simulada, obteve um pH de 10 constante, então, considerando apenas o parâmetro de pH, o pH alcalino é mais eficiente para a degradação de embalagens plásticas. As Figuras 18 a 22 apresentam o decaimento entre o peso inicial e o peso final de cada embalagem plástica (em gramas), nas células inferiores. Nestas figuras as cores das linhas dos gráficos também correspondem às cores dos reatores. 3,65 4,15 Massa(g) 6 meses Embalagem Supermercado 3
  • 83. 83 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Figura 18 – Degradação das embalagens comum – células inferiores. Figura 19 – Degradação das embalagens oxi-biodegradável – células inferiores. Figura 20 – Degradação das embalagens do Supermercado 1 – células inferiores. Figura 21 – Degradação das nas embalagens do Supermercado 2 – células inferiores. Massa(g) 6 meses Embalagem comum 3,93 3,98 4,03 4,08 Massa(g) 6 meses Embalagem Supermercado 1 3,50 3,55 3,60 3,65 3,70 3,75 3,80 3,85 Massa(g) 6 meses Embalagem Supermercado 2
  • 84. 84 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Figura 22 – Degradação das nas embalagens do Supermercado 3 – células inferiores. De acordo com os gráficos das figuras 18 a 22, verificou-se que a degradabilidade das embalagens plásticas das células inferiores é a mesma das células superiores. Portanto, efetuou-se a média das embalagens plásticas nos reatores das células superiores (Figura 23) e das células inferiores (Figura 24), para análise comparativa entre as embalagens plásticas. De acordo com os dados obtidos verificou-se que a degradação das embalagens plásticas se deu, em ordem decrescente, na seguinte sequência: Supermercado 3, Supermercado 1, Supermercado 2, oxi-biodegradável e comum, conforme mostra a Figura 25. No entanto, as embalagens plásticas confinadas nas células inferiores obtiveram maior degradabilidade em relação às células superiores, portanto, a pequena pressão realizada pelo peso da massa fez com que as embalagens das células inferiores se degradassem mais rápido do que as células superiores. A utilização do valor médio de degradação das embalagens, para as diferentes condições de aterramento se justifica, uma vez que nos aterros convencionais brasileiros todas as condições simuladas se fazem presente. Dessa forma, os percentuais de redução da massa das embalagens mostrado na Figura 25 é o que mais se aproxima das condições observadas na escala real. 3,60 4,10 Massa(g) 6 meses Embalagem Supermercado 3
  • 85. 85 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Figura 23 – Degradação das embalagens – células superiores. Figura 24 – Degradação das embalagens – células inferiores. Figura 25 – Média da degradação das embalagens – percentual. 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 Massa(g) 6 meses Média das Embalagens - Reatores Superiores comum oxi- biodegradavel Supermercado 1 Supermercado 2 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 Massa(g) 6 meses Média das Embalagens - Reatores Inferiores comum oxi- biodegradavel Supermercado 1 Supermercado 2 0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 PercentualdaMAssa 6 meses Redução Média da Massa das Embalagens comum oxi-biodegradavel Supermercado 1 Supermercado 2 Supermercado 3
  • 86. 86 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS As principais considerações a respeito da degradabilidade das embalagens plásticas contendo resíduos sólidos urbanos, são:  O pH da água de chuva e temperatura contribuem para degradação das embalagens plásticas;  As embalagens plásticas confinadas nas células inferiores dos reatores projetados obtiveram maior degradabilidade em relação ás células superiores. Considerando que a taxa de degradação das embalagens permaneça constante, pode-se inferir que cada uma das embalagens estudadas permanece nos aterros por tempos diferenciados, a saber: 28 anos para os sacos plásticos tradicionalmente fabricados no Brasil para o acondicionamento de resíduos sólidos e 63 anos para os sacos biodegradáveis. Com relação às embalagens de supermercado pode-se verificar que essas possuem menor tempo de degradação do que os sacos e, mesmo não atingindo as expectativas de degradação de seus fabricantes, que as projetaram para a degradação com a presença de oxigênio, permanecem nos aterros apenas 30% do tempo do que os sacos convencionais. Com respeito às embalagens dos supermercados utilizadas neste estudo, também considerando que a taxa de degradação permanece constante, a embalagem do Supermercado 3 seria plenamente degradada em 5 anos, do Supermercado 2 em 13 anos e do Supermercado 1 em 21 anos. Os valores de degradação plena dos materiais são expressivamente diferentes daqueles referenciados na literatura. O Ministério do Meio Ambiente em seu programa Saco é um Saco traz o valor estimado para 400 anos. Desse modo, novos estudos de degradação desses materiais em condições de aterramento brasileiro estão sendo encaminhados para que os valores possam ser refinados.
  • 87. 87 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 REFERÊNCIAS ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9191/2008: Sacos plásticos para acondicionamento de lixo - Requisitos e métodos de ensaios. Rio de Janeiro, 2008. ABRELPE. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2008. Disponível em: < http://www.abrelpe.org.br/panorama_2008.php >. Acesso em 15 abr. 10. ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE MINAS. Disponível em http://www.acminas.com.br acesso em nov.2011. ASSOCIAÇÃO MINEIRA DE SUPERMERCADO – AMIS. Disponível em http://www.portalamis.org.br/notícias.aspx acesso em nov. 2011. Brasil. Ministério do Meio Ambiente. Orientações sobre consumo consciente e propostas para redução de sacolas plásticas pelos consumidores. Brasília, 2011. 40 p. : il. color. Cartilha para Consumidores; 3. BRASIL. Lei Federal no 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9. 605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 3 ago. 2010. COSTA, Patrícia. Sacolas Plásticas: Podemos viver sem elas?. SENAC Educação Ambiental, São Paulo, nº 2, ano 18, p. 29 à 31, 2009. CINTRA, I.S. Estudo da Influência da Recirculação de Chorume Cru e Chorume Inoculado na Aceleração do Processo de Digestão Anaeróbia de Resíduos Sólidos Urbanos 2003. 265 pg. Doutorado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Universidade Federal de Minas Gerais.
  • 88. 88 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 IBAM – Instituto Brasileiro de Administração Municipal. Gestão Integrada de Resíduos Sólidos: Manual Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos. Rio de Janeiro: IBAM, 2001. p. 204. LEFÈVRE, G. B. A contribuição do mecanismo de desenvolvimento limpo no aterro sanitário bandeirantes para o desenvolvimento sustentável local - uma análise a partir de discursos e depoimentos. 2011. Dissertação de Mestrado. PROCAM/USP. LIMA, L.M.Q. Lixo – Tratamento e biorremediação.Origem e produção de lixo no meio urbano, classificação, características e análises. Biorremediaçao de lixo. 3ª edição. Hermus, 2004. p. 265. PINTO, José C. – Carta de um leitor. Polímeros: Ciências e Tecnologia, volume 7 nº 3, 2007. SOUZA, G.T, CELLA, R.F e SÁ, S.H. Tratamento Anaeróbio de Efluentes. Universidade Federal de Santa Catarina. 2007. p. 13. Recebido em 22/04/2014 Aceito em 02/07/2014
  • 89. 89 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 QUALIDADE DE VIDA DOS PROFISSIONAIS QUE TRABALHAM NO CAPSI DE UM MUNICÍPIO DO OESTE CATARINENSE QUALITY OF LIFE OF PROFESSIONALS WORKING IN CAPSI OF A CITY OF OESTE CATARINENSE Marina Atuatti1 Sayonara de Fatima Teston2 Resumo: O objetivo global dessa pesquisa foi identificar como os profissionais da equipe Capsi avaliam a qualidade de vida profissional, visando a demanda de usuários na busca do tratamento. O referencial teórico traz vários autores moldando conceitos dos processos de qualidade de vida profissional, mantendo o foco desta qualidade em serviços públicos utilizados para tratamento de dependentes químicos. Para alcançar os objetivos foi realizada uma pesquisa de campo, onde foi aplicado um questionário aos profissionais do serviço, e para melhor obtenção de dados foram realizadas observações sistemáticas no local. Os resultados do estudo foram analisados por meio do método da estatística descritiva. Como resultados do estudo verificou-se que a equipe tem uma ótima organização de trabalho, mas a dificuldade é estabelecer uma relação de comunicação, na qual a saúde pública ofereça qualificar o tratamento do usuário, para motivar a equipe em seu trabalho. Palavras Chave: Profissionais da saúde, usuários de drogas, qualidade de vida no trabalho. Abstract: The overall objective of this research was to identify how professionals Capsi staff assess the quality of working life, aimed at demand of users in seeking treatment. The theoretical framework brings several authors shaping concepts of quality processes of professional life, keeping the focus of this quality in public services used for the treatment of drug addicts. To achieve the objectives a field study where a 1 Graduanda em Psicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina. E-mail: gean.marina@gmail.com. Endereço: Avenida Nereu Ramos, 3777D, Bairro Seminário, Chapeco, Santa Catarina. 2 Graduada em Psicologia, Pós Graduada em Gestão de Recursos Humanos, Mestranda em Administração pela Universidade do Oeste de Santa Catarina. E-mail: sayonara.teston@unoesc.edu.br
  • 90. 90 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 questionnaire to service professionals was applied was performed, and obtaining better data systematic observations were conducted at the site. The results of the study were analyzed using descriptive statistical method. As results of the study it was found that the team has a great work organizations, but the difficulty is to establish a communication in which public health qualify treatment offers the user, to motivate the staff in their work. Key words: Health workers, drug users, quality of work life. INTRODUÇÃO Devido ao aumento de usuários de drogas no Oeste catarinense, buscou-se atender esta demanda regional por meio da implantação do Centro de Atenção Psicossocial – Infanto/Juvenil o Capsi, que é um serviço de saúde mental que presta atendimento a pessoas com transtornos decorrentes do uso de substâncias psicoativas, e à seus familiares. Este Centro trabalha de acordo com as diretrizes determinadas pelo Ministério da Saúde, tendo por base o tratamento em liberdade, buscando a reinserção social do usuário. Nesse sentido, a pesquisa teve como objetivo geral analisar a qualidade de vida da equipe do Capsi do município lócus da pesquisa, haja vista a demanda dos usuários do serviço. Apresenta-se como problema de pesquisa: Como os profissionais da equipe do Capsi avaliam a sua qualidade de vida profissional, visando a demanda dos usuários do serviço? Os objetivos específicos da pesquisa foram analisar a satisfação dos funcionários em relação à qualidade de vida, verificar as condições que a saúde pública oferece para adquirir resultados melhores no tratamento do usuário; e levantar condições necessárias para a equipe desenvolver seu trabalho com propostas e ações favoráveis ao serviço. Para tanto, na fundamentação teórica abordou-se os temas em relação à qualidade de vida profissional em relação à motivação no trabalho, a saúde dos profissionais e a dependência química, visando conceituar a busca deste processo na instituição publica, a qual auxilia no tratamento do usuário. Com esse estudo foi possível identificar os melhores meios para motivar a Qualidade de vida no trabalho de acordo com as necessidades dos funcionários. Assim, o conhecimento obtido, a partir das pesquisas efetuadas, terá relevância social para empresas que querem adotar programas de QVT. Como relevância científica, pode servir
  • 91. 91 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 também de base para estudos acadêmicos, assuntos relacionados à gestão de pessoas e satisfação de funcionários ou servindo de modelo a futuras monografias e pesquisas. TRABALHO, QUALIDADE DE VIDA E PROMOÇÃO DA SAÚDE A importância da qualidade de vida no trabalho reside no fato de que os trabalhadores passam a maior parte de suas vidas no ambiente de trabalho. São mais de oito horas por dia, durante pelo menos 35 anos. Percebe-se que não se trata de levar os problemas de casa para o trabalho, mas também de levar para casa as tensões, os receios e as angústias acumuladas no trabalho. Nessa concepção, muitas entidades estão desenvolvendo programas de qualidade de vida no trabalho, voltadas para uma maior satisfação de seus funcionários. Os problemas enfrentados pelas organizações com seus empregados, assim como o aumento da competitividade, fizeram surgir estudos relacionados com a satisfação e o bem-estar do trabalhador na organização. Dentre esses estudos encontra-se a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), que vem se desenvolvendo a cada dia, tendo como objetivo pesquisar alternativas e estratégias de melhorar a relação do homem com o seu ambiente e atividades no trabalho. A Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) é um conjunto de ações de uma instituição que envolve diagnóstico e implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais, dentro e fora do ambiente de trabalho, visando propiciar condições plenas de desenvolvimento humano na realização do seu ofício (ALBUQUERQUE; FRANÇA, p. 41, 1998). Segundo Maslow (1998), qualidade de vida diz respeito a desenvolver hábitos saudáveis, enfrentamento das tensões cotidianas, consciência dos impactos dos fatores do ambiente, desenvolvimento permanente do equilíbrio interior e na relação com os outros. Estas necessidades, sem exceção, são consideradas fundamentais para a promoção e prevenção da saúde do ser humano, tanto em situação do trabalho como fora delas. Em uma perspectiva sistêmica, qualidade de vida pode ser percebida como a condição humana resultante de um conjunto de parâmetros individuais e socioambientais, modificáveis ou não, que caracterizam as condições matérias e psicossociais de existência do ser humano (NAHAS, 2003). As principais ideias norteadoras da compreensão do que é qualidade de vida no trabalho são: o trabalho influencia a saúde das pessoas e a eficácia
  • 92. 92 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 das organizações, e a participação das pessoas na solução de problemas e na tomada de decisão é importante para a saúde no ambiente psicossocial do trabalho (NADLER; LAWLER, 1983). Desta forma, o conceito de qualidade de vida adotado para esta pesquisa, buscar por meio de estratégias específicas, a satisfação e motivação total de seus funcionários. Com estratégias bem planejadas, as empresas tem como resultado a otimização de espaço e adequação do empreendimento ao seu funcionário. De modo mais específico, Smircich (1983) relata em estudos organizacionais de base culturalista, os seguintes temas: cultura social e valores organizacionais compartilhados, produção de artefatos culturais nas organizações de trabalho, como lendas e cerimônias, construção de formas simbólicas compartilhadas, como a linguagem, produção de sistemas de conhecimento traduzidos em significados, e os formatos organizacionais e comportamentos resultantes da projeção de processos mentais. Sob essa perspectiva, também agregando contribuições da Psicologia e da Sociologia entre outras áreas do conhecimento, as organizações de trabalho são percebidas como realidades socialmente construídas (MOEGAN, 2002). Na formação e no estabelecimento da realidade social nas organizações de trabalho, funcionam como “guardiões” de valores, crenças atribuídas a indivíduos e grupos, que definem os comportamentos considerados desejáveis como aqueles que devem ser reforçados em diferentes situações de trabalho (HARRIS, 1994). A ação humana individual e em grupo, mediada pelos processos cognitivos, emocionais e interdependentes do contexto, variam conforme as características do ambiente externo, seus modelos de inserção e do tipo específico de organização de trabalho, levando-se em conta as especialidades de suas subunidades. Mesmo dentro de uma única organização, considerado suas diferentes unidades, as interações humanas tenderão a adquirir particularidades, cujas origens, entre outros fatores determinantes, residem no repertório ocupacional dos participantes, na tecnologia utilizada e nos objetivos específicos, próprios de cada local de trabalho (SCHEIN, 2001). Pode-se mencionar que estas características também podem ser encontradas na instituição pesquisada, uma vez que essa formação estabelecida individual ou em grupo, está imbuída de fatores específicos que fazem a equipe trabalhar num contexto objetivo e possam desenvolver projetos qualificados na organização de trabalho. Enfim, a organização, como sistema social, inserida em seu contexto, busca preservar sua identidade e manter-se viva. Para tanto, desenvolve uma estrutura normativa
  • 93. 93 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 (valores, normas e expectativas de papeis, padrões esperado de comportamento e interação) e uma estrutura de ação (padrões reais de interação e comportamento), originada, sobretudo nas posições dirigentes (KATZ; KHAN, 1978). Por isso, a busca incessante do alinhamento, continua na gestão de pessoas, entendida aqui como um conjunto de políticas e práticas que reduzem a distância entre as expectativas de gestores e dos demais integrantes de uma organização de trabalho, para que, em conjunto, possam sustentá-las ao longo do tempo (DUTRA, 2002). Desta forma, infere-se que há uma ligação entre o sistema social que move a organização e o tema qualidade de vida no trabalho, pois, cada membro inserido na organização desempenha valores e crenças diferentes dos demais que geram conflitos, então vai da gestão da instituição transformar essa diferença em conhecimento para mudanças produtivas na instituição. Feigenbaum (1994) entende que QVT é baseada no princípio de que o comprometimento com a qualidade ocorre de forma mais natural nos ambientes em que os funcionários, se encontram envolvido nas decisões que influenciam diretamente suas atuações. O autor relaciona todo o processo que ocorre na instituição, visando que cada funcionário independente do seu cargo, deve-se criar um comprometimento ético e prazeroso, motivando os demais integrantes que ali se fazem presentes. As organizações estão reavaliando suas formas de organizar o trabalho, gerando novas alterações beneficiando os funcionários para que assim, permaneçam contribuindo para a construção da qualidade da instituição. Karch (2000) afirma que programas de promoção e saúde e qualidade de vida vêm sendo cada vez mais adotados pelas organizações, mobilizado os profissionais de recursos humanos, para tornar o ambiente de trabalho mais produtivo e saudável. O programa que visa facilitar e satisfazer as necessidades do trabalhador ao desenvolver suas atividades na organização, tendo como ideia básica o fato de que as pessoas são mais produtivas quanto mais estiverem satisfeitas e envolvidas com o próprio trabalho, é fundamental para a presente pesquisa e tem relação direta com os pressupostos relacionados à saúde da equipe profissional. A SAÚDE DOS PROFISSIONAIS Infere-se que a tarefa essencial das condições organizacionais são os métodos favoráveis ao trabalho desenvolvido pelo colaborador, por meio dos quais os objetivos
  • 94. 94 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 profissionais possam ser atingidos, com esforços em direção aos objetivos da instituição. Todos os agravos na saúde, que tem influencia tanto na vida profissional quanto pessoal dos trabalhadores, podem ocorrer devido à falta de qualificação nas empresas, deixando o funcionário em um nível de estresse elevado, assim, desenvolvendo as patologias que podem incapacitar o trabalhador. O desgaste físico e emocional leva a corrosão da dignidade e da vontade (SENNETT, 1999). Segundo Stacciarini e Tróccoli (2002, p. 187-205), quanto ao estresse ocupacional, percebe-se igualmente uma extensão da indefinição do conceito de estresse. Considerado pelos pesquisadores como um assunto complexo, o estresse ocupacional não é um fenômeno novo, mas sim um novo campo de estudo que passou a ganhar relevância em conseqüência do aparecimento de doenças que foram vinculadas ao estresse no trabalho, como por exemplo, hipertensão, úlcera, entre outras. No que se refere ao papel da psicologia neste âmbito, conforme citada por Lara e Traesel (s/d) “o psicólogo nas ações em saúde pode desempenhar tarefas ligadas ao planejamento e gestão de trabalho, nas quais todos os profissionais devem estar envolvidos”, como por exemplo, o conhecimento das demandas da região, dos recursos públicos e comunitários que esta região dispõe e o trabalho integrado com o gestor para governar e aperfeiçoar o seu aproveitamento. Um dos pilares fundamentais da psicologia são o compromisso social e a construção de novas possibilidades de existência. Neste sentido, o psicólogo necessita compreender as dimensões sociais desses usuários, o que corrobora com o objetivo da pesquisa, de avaliar como os psicólogos desempenham seu papéis profissionais, diante do compromisso de fornecer melhores adequações no tratamento para crianças e adolescentes dependentes químicos. A QUESTÃO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA NO MODELO PSICOSSOCIAL DE SAÚDE O uso de drogas é considerado um grave e complexo problema de saúde pública, considerando-se os modelos que contribuem para a compreensão do fenômeno no momento atual e as estratégias de intervenção estabelecidas pelos locais que prestam serviços aos usuários. Segundo Occhini e Teixeira (2006, p. 229), a abordagem exigida para a dependência química é coerente com o modelo psicossocial de saúde, isso ocorre, pois a questão do uso abusivo de substâncias psicoativas e a questão da dependência,
  • 95. 95 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 implica discutir não só as questões orgânicas e psicológicas, mas também os aspectos sociais, políticos, econômicos, legais e culturais. Considerando que esse fenômeno tem repercussões negativas na saúde física e psíquica e no âmbito social a família e comunidade, é fundamental a análise do contexto familiar e sociocultural, identificando os fatores de risco e de proteção para subsidiar ações efetivas de caráter preventivo ou de intervenção. Em linhas gerais, a dependência de drogas é mundialmente classificada entre os transtornos psiquiátricos, sendo considerada como uma doença crônica que acompanha o indivíduo por toda a sua vida, porém, a mesma pode ser tratada e controlada, reduzindo-se os sintomas, alternando-se, muitas vezes, períodos de controle dos mesmos e de retorno da sintomatologia (LEITE, 2000). A Organização Mundial da Saúde (2001) destaca ainda que a dependência química deve ser tratada simultaneamente como uma doença médica crônica e como um problema social. Pode ser caracterizada como um estado mental e, muitas vezes físico, que resulta da interação entre um organismo vivo e uma droga, gerando uma compulsão por tomar a substância e experimentar seu efeito psíquico e, às vezes, evitar o desconforto provocado por sua ausência. Não basta, portanto, somente identificar e tratar os sintomas, mas sim, identificar as conseqüências e os motivos que levaram à mesma, pensando o indivíduo em sua totalidade, para que se possa oferecer outros referenciais e subsídios que gerem mudanças de comportamento em relação à questão das drogas. Para esses indivíduos a droga passou a exercer um papel central em suas vidas, na medida em que, por meio do prazer, ela preenche lacunas importantes, tornando-se indispensável para o funcionamento psíquico dos mesmos. A Política do Ministério da Saúde (2003) preconiza que a assistência a esses usuários deve ser oferecida em todos os níveis de atenção, privilegiando os cuidados em dispositivos como os Centros de Atenção Psicossocial Infanto – Juvenil (Capsi), Centros de Atenção de Transtornos mentais (CapsII) e os Centros de Atenção para Álcool e Drogas (Capsad). É importante que esta assistência também esteja articulada aos Programas de Saúde da Família, Programas de Agentes Comunitários de Saúde, Programas de Redução de Danos e Rede Básica de Saúde. O Capsi é um serviço de atenção psicossocial para atendimento de pacientes menores de 18 anos, com transtornos mentais ou pelo uso e dependência de substâncias psicoativas, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2003).
  • 96. 96 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 De acordo com a Portaria GM336, de 19 de fevereiro de (2002), o CapS oferece atendimento diário a pacientes que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas, permitindo o planejamento terapêutico dentro de uma perspectiva individualizada de evolução contínua. Esse serviço precisa ser apoiado pela existência de leitos psiquiátricos em hospital geral e outras práticas de atenção comunitária (internação domiciliar, inserção comunitária de serviços, entre outros). Em Chapecó, este serviço funciona das 8 às 18 horas, de segunda a sexta-feira, tendo, diariamente, um profissional de plantão para acolhimento. As atividades desenvolvidas vão desde o atendimento individual (medicamentoso, psicoterápico, de orientação) até atendimentos grupais ou oficinas terapêuticas e visitas domiciliares. Este serviço deve oferecer condições para o repouso, bem como para a desintoxicação ambulatorial de pacientes que necessitem desse tipo de cuidados e que não demandem por atenção clínica hospitalar. Pode-se afirmar que a dependência química, como um grave problema de saúde pública, necessita de atenção especial. Portanto, a área de saúde tem muito a realizar no que diz respeito ao uso de drogas e à promoção de saúde (GELBCKE; PADILHA, 2004). Assim, trabalhar essa questão exige um conjunto de ações específicas que envolvam melhorias tanto no tratamento em si, no caso da dependência já instalada, quanto em termos de promoção e prevenção ao uso de drogas, de acordo com o modelo biopsicossocial de saúde, o qual apresenta uma concepção holística do ser humano. É necessário pontuar que o atendimento a dependentes químicos envolve dois aspectos centrais: primeiro, a desintoxicação com a finalidade de retirada da droga e seus efeitos, e segundo, a manutenção, ou seja, a reorganização da vida do indivíduo sem o uso da droga. Segundo Macieira (2000), estudos apontam que, ainda hoje, observam-se baixos índices de sucesso no tratamento da drogadição, mesmo englobando o aspecto médico, farmacológico, as psicoterapias e grupos de ajuda, pois diversos fatores podem contribuir para a não adesão ao tratamento, o abandono ou até mesmo, para o uso de substâncias psicoativas durante o tratamento. Essa problemática, de implantar e sustentar este serviço de tratamento para reinserção social, aos poucos vai se adequando às diretrizes sociais e políticas. Assim, a realidade vivenciada mostra a necessidade de se trabalhar na promoção da saúde visando a questão de estilos de vida e de educação para a saúde, a qual pode ser encarada como uma estratégia política e educacional adotada por muitos governos com o propósito de garantir a equidade. A promoção da saúde envolve aspectos como capacitar, educar,
  • 97. 97 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 buscar a paz, respeitar os direitos humanos, justiça social, equidade no atendimento. Dessa maneira, pode-se reduzir o fenômeno das drogas, uma vez que promover a saúde é uma postura que está de acordo com o novo modelo de saúde, o qual considera o indivíduo na sua totalidade (GELBCKER; PADILHA, 2004). A importância da relação paciente e profissional, também foi observada em um estudo sobre a relação entre fatores relativos ao tratamento, no qual a percepção dos pacientes sobre seu contato com a equipe molda uma relação de ajuda associando a uma melhor adesão na recuperação. Para Dimenstein (2001), mudanças significativas no modo de atuação dos profissionais atuante na saúde pública, incorporam uma nova concepção de prática profissional, associada ao processo de cidadanização, de construção de sujeitos com capacidade de ação e de proposição. Há, portanto, uma necessidade de aprendizagem de ambos. Gazzinelli et al. (2005) afirma que para que essa visão se altere, e realmente ocorra à promoção da saúde, há a necessidade de se romper com o padrão cientificista, buscando pensar a educação para saúde em termos mais abrangentes, que consideram o indivíduo em sua totalidade, o qual é dotado de subjetividade, e de valores e saberes diferentes daqueles com os quais os profissionais de saúde e educação lidam. Um olhar voltado ao indivíduo em sua totalidade pode incluir um modelo de trabalho com dependentes químicos visando à adesão, ressaltando os benefícios de oferecer um suporte psicossocial encaminhando-lhes a desintoxicação, exigindo novas formas de intervenções. O processo de qualidade de vida profissional vem realizando diversas modificações no âmbito organizacional, adquirindo melhorias de promoção e prevenção à saúde do trabalhador. Averiguando as condições inadequadas da saúde pública prestadas aos dependentes químicos, busca-se identificar o contexto motivacional dos profissionais que trabalham com o processo de reinserção social. A pesquisa investigou a qualidade de vida da equipe do Capsi de um município do Oeste catarinense, haja vista a demanda dos usuários do serviço, relacionando a capacidade individual e do grupo para planejar projetos que tragam benefícios para o serviço.
  • 98. 98 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O método refere-se ao estudo de um conjunto de regras básicas para desenvolver um trabalho que traga uma nova experiência a fim de produzir novos conhecimentos. É nele é explicado o tipo de pesquisa abordado, os instrumentos que foram utilizados, questionário aplicado, é onde se expõem todas as ferramentas utilizadas para o trabalho de pesquisa. Para Lakatos e Marconi (2001, p.83) o método é o conjunto das “atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo dos conhecimentos válidos e verdadeiros, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.” O presente estudo foi realizado no Centro de Atenção Psicossocial – Infanto/Juvenil (Capsi) localizado em um município do oeste catarinense, com o objetivo de analisar a qualidade de vida dos profissionais que trabalham para a reabilitação social dos usuários do serviço, trata-se portanto, de um estudo de caso. Yin (1994) afirma que esta abordagem se adapta à investigação em educação, quando o investigador é confrontado com situações complexas, de tal forma que dificulta a identificação das variáveis consideradas importantes, quando o investigador procura respostas para o “como?” e o “porquê?”, quando o investigador procura encontrar interações entre fatores relevantes próprios dessa entidade, quando o objetivo é descrever ou analisar o fenômeno de uma forma profunda e global, e quando o investigador pretende apreender a dinâmica do fenômeno, do programa ou do processo. Este estudo de caso é predominantemente quantitativo, sendo que Moreira (2002) segue-se uma orientação que objetiva entender a situação em análise. O autor Mitchell, (1987, p. 81) deixa claro que a quantificação deve auxiliar o trabalho de campo e não se constituir sua perspectiva principal. O referido trabalho buscou obter características de fenômenos entre formas e maneiras das circunstâncias dos fatos ocorrentes na equipe, proporcionando um estudo de caso descritivo, pois relata os fenômenos avaliados no serviço, para adequação na qualidade de vida no trabalho. A pesquisa descritiva consiste em estudar o nível de atendimento dos órgãos públicos de uma comunidade, as condições de habitação de seus habitantes, os índices de criminalidade que aí se registra, entre outros. Estão incluídas nesse grupo as pesquisas que têm como objetivo levantar as opiniões, atitudes e crenças de uma população (GIL, 1994, p.45).
  • 99. 99 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Atualmente, fazem parte de equipe 15 profissionais, entre eles Psicólogos, Agente de Saúde, Educador Físico, Psicopedagoga, Terapeuta Ocupacional, Enfermeira e Auxiliar de Enfermagem, Médico Pediatra, Motorista, Auxiliar de Serviços Internos, Médico Psiquiatra e Estagiários, sendo que destes 10 participaram da pesquisa. Como instrumentos de levantamento das informações, utilizou-se a aplicação de um questionário em grupo para a equipe no próprio local de trabalho, baseando-se na fundamentação dos autores Werther e Davis (1983), com modificações realizadas pelo pesquisador a partir da análise do ambiente do Capsi, com perguntas fechadas. Segundo Parasuraman (1991) um questionário é tão somente um conjunto de questões, feito para gerar os dados necessários para se atingir os objetivos do projeto. Além do questionário, foram utilizadas observações sistemáticas, que segundo Fialho e Santos (1995), permitem avaliar a questão em seus aspectos funcionais, estruturais e conjunturais. Normalmente, as observações oferecem validade para outras técnicas. As observações sistemáticas foram registradas em um diário de campo, que de acordo com Minayo (1993 p, 100) contempla todas as informações que não sejam o registro das entrevistas formais. Ou seja, observações sobre conversas informais, comportamentos, cerimoniais, festas, instituições, gestos, expressões que digam respeito ao tema da pesquisa. Falas, comportamentos, hábitos, usos, costumes, celebrações e instituições compõem o quadro das representações sociais. Neste sentido, a confrontação entre os dados obtidos a partir de observações com as declarações obtidas através do questionário é interessante, pois pode evidenciar pontos críticos. Para análise dos dados do questionário, utilizou-se o método de estatística descritiva que segundo Reis (1998), tem como objetivo básico sintetizar uma série de valores de mesma natureza, permitindo dessa forma que se tenha uma visão global da variação desses valores. Os dados foram organizados e descritos de duas maneiras: por meio de gráficos e de medidas descritivas. ANÁLISE DE DADOS A pesquisa foi realizada no Centro de Atenção Psicossocial Infanto/Juvenil. Sabe- se que uma rede de saúde mental, pode ser constituída por vários dispositivos assistenciais que possibilitem a atenção psicossocial aos pacientes com transtornos mentais e dependência química, segundo critérios populacionais e demandas dos municípios. Esta
  • 100. 100 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 rede pode contar com ações de saúde mental na atenção básica onde são inclusos oficinas terapêuticas, grupos, terapias e consultas individuais, visita domiciliar, a rede oferece serviços em hospitais gerais e clinica terapêutica. Ela deve funcionar de forma articulada, tendo os CAPS como serviços estratégicos na organização de sua porta de entrada e de sua regulação. Os profissionais foram questionados sobre os seguintes temas: confiabilidade, compartilhamento de idéias e objetivos, novas situações de trabalho, capacidade de resolver problemas e imprevistos, execução de atividades, forma de realização destas atividades, comportamento ético, administração de tempo e trabalho, busca de qualificação pessoal e profissional, nível de stress e humor, reinserção social, saúde publica e qualidade de vida profissional. Quanto ao grau de confiabilidade das informações, atividades e dos serviços prestados no serviço, verificou-se que 60% dos respondentes consideram que a equipe tem excelentes proporções de relacionamento e comunicação confiável, enquanto 40% avaliaram como bom seu desempenho em relação à confiabilidade. Percebe-se que a confiabilidade leva também há um aumento da segurança, a uma redução dos riscos ambientais e contribui decisivamente para um ambiente positivo na equipe. Verificou-se que 70% dos respondentes consideram que os integrantes da equipe compartilham ideias, que visam buscar objetivos de melhorias nas condições de trabalho e processo terapêutico dos pacientes, além disso, pode-se averiguar que 20% dos respondentes afirmam que a equipe busca ter um bom desempenho de atingir expectativas, enquanto 10% consideram o compartilhamento de ideias como regular. Pode-se considerar que houve uma alta porcentagem de profissionais que busca novos conhecimentos para aprimoramento de ideias e conceitos. Neste sentido, percebeu-se que clareza e transparência quanto aos objetivos e estratégias da organização são essenciais, pessoas produzem mais e melhor quando se identificam com o que fazem, sabem para onde vão profissionalmente e compreendem que fazem parte de algo maior. Quanto a compreender e responder às novas situações de trabalho, verificou-se que 40% dos respondentes consideram que respondem à estas novas situações de forma excelente, enquanto 50% avaliaram como bom este processo e 10% consideram como regular. Sabendo que a demanda de usuários desse serviço é ligada a dependência química e transtornos mentais, infere-se que há busca por novas formas de compreensão, conhecimento e técnicas para lidar com as demandas de trabalho. Quanto à capacidade de resolver problemas e imprevistos, de forma eficaz no
  • 101. 101 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 trabalho a partir do conhecimento e experiência, 30% dos respondentes consideraram excelente, 60% consideraram bom e 10% como regular. Neste sentido, identificou-se que os profissionais que atuam no Capsi, tem uma demanda constante por novas posturas diante de situações imprevistas. Quanto ao processo de execução das atividades no serviço, que geram impactos e otimização nos processos e formas de trabalho, a capacidade de criar e inovar projetos, planos, ideias para trazer benefícios concretos à equipe, verificou-se que 20% dos respondentes consideram essa execução excelente, 50% dos profissionais classificaram como boa e 30% avaliaram como regular essa execução. Neste sentindo, infere-se a falta de alguns membros da equipe do Capsi afetam diretamente os resultados do trabalho, principalmente em relação à forma de execução das atividades. Quanto à realização de atividades no serviço de forma organizada, consistente e objetiva com vistas aos objetivos pré-estabelecidos para melhoria da qualidade de vida profissional, verificaou-se que 20% dos respondentes a consideraram excelente, 40% a classificaram como boa e 40% como regular. Neste sentido, observa-se que a organização dos processos de trabalho é um dos fatores que mais sofre prejuízos na opinião dos respondentes da pesquisa. Quanto à atitude pautada pelo respeito ao próximo, integridade, senso de justiça, impessoalidade nas ações, percebeu-se que a equipe desenvolve um processo ótimo para 70% dos respondentes, enquanto 30% o classificaram como bom. Neste sentido, infere- se que o serviço visa buscar o melhor tratamento para comunidade debilitada que o utiliza, desempenhando um papel profissional, controlando seu estado emocional e mental decorrente situações que geram um cuidado maior, assim promovendo benefícios para o paciente e sua família. Pode-se afirmar que este fator contribui também para a discussão de melhorias. Quanto às atitudes em relação à administração do tempo, considerando a pontualidade e interrupções durante o período de trabalho, constatou-se que 40% dos respondentes classificam como excelente a relação com o tempo e 60% classificaram este aspecto como bom. Neste sentido, e por meio das observações realizadas infere-se que o tempo de trabalho é escasso, e diante disso, exige-se que os profissionais consigam administrar esse tempo e processos de uma forma organizada e eficiente.
  • 102. 102 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Quanto ao interesse pela busca ativa de qualificação e aprimoramento pessoal e profissional, 20% dos respondentes o classificaram como excelente, 50% o classificaram com bom e 30% como regular. Neste sentido, percebe-se que a busca por qualificação e aprimoramento profissional não é efetiva da equipe atualmente, já que somente 20% a classificam como excelente. Quando questionados sobre como percebem seu nível de estresse no decorrer do dia, 40% dos respondentes mencionaram que o mesmo pode ser classificado como regular, enquanto o restante da amostra (60%) mencionou que não se sentem estressados. Quando questionados sobre qual é a percepção acerca do nível de humor ao final do dia, após o trabalho, 10% dos respondentes afirmaram que não sofrem alterações e o humor, e o classificaram como excelente, enquanto 60% o classificaram como bom e 30% o classificaram como regular. Durante o processo de análise dos dados da pesquisa, alguns resultados chamaram mais atenção do que outros, neste sentido, para algumas respostas, optou-se pela apresentação de gráficos, haja vista a importância dos resultados para os objetivos da pesquisa. Quanto questionados sobre a percepção da equipe sobre a importância de trabalhar com reinserção social, que é foco do trabalho da equipe, 30% dos respondentes classificaram como boa a relação neste contexto, 50% mencionaram regular e 20% classificaram como péssimo, o que pode ser verificado no Gráfico 01. Gráfico 01 - Percepção da equipe sobre trabalhar com reinserção social Fonte: Elaborado pelas autoras, com base nos resultados da pesquisa, 2014. Bom 30% Regular 50% Péssimo 20% Excelente Bom Regular Péssimo
  • 103. 103 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Diante dos resultados apresentados do gráfico 1, pode-se inferir que há uma certa insatisfação da equipe em relação ao trabalho que desempenham com os dependentes químicos em processo de reinserção social, o que pode influenciar a qualidade de vida no trabalho. Pode-se afirmar que o indivíduo precisa estar inserido em locais onde possa realizar atividades benéficas a instituição e sentir-se bem diante deste processo, e se caso não consegue, acaba afetando o tratamento dos usuários do serviço. A reinserção social do dependente químico necessita de uma equipe multiprofissional para seu tratamento, e para auxiliar nesse processo a equipe necessita ter um conhecimento geral sobre esse determinado assunto, e principalmente fazer um levantamento de dados sobre o paciente, vinculando a teoria com a prática, beneficiando ambos os lados. Quando questionados sobre a importância da atenção da saúde pública voltada aos pacientes, 30% dos respondentes classificaram como bom, 50% como regular e 20% péssimo, o que pode ser verificado no Gráfico 02. Gráfico 02 - A saúde pública e a atenção aos dependentes químicos Fonte: Elaborado pelas autoras, com base nos resultados da pesquisa, 2014. Neste sentindo, infere-se que a percepção dos respondentes é de que há falta de comprometimento da saúde publica, sobrecarregando a equipe. Por meio das observações percebeu-se que as dificuldades que a saúde pública encontra para promover mudanças, gerando impactos na equipe, pois ela visualiza o sofrimento do usuário e da família. Percebe-se nas respostas o impacto da falta de estrutura adequada do ambiente, profissionais treinados e recebimento de qualificações necessárias no serviço. Bom 30% Regular 50% Péssimo 20% Excelente Bom Regular Péssimo
  • 104. 104 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Quanto à saúde publica estar dando atenção à qualidade de vida profissional, percebe-se que 10% dos respondentes classificaram como boa, 60% regular e 30% péssimo, o que pode ser verificado no Gráfico 03. Gráfico 03 - Saúde pública e qualidade de vida dos profissionais Fonte: Elaborado pelas autoras, com base nos resultados da pesquisa, 2014. Neste contexto, pode-se afirmar que a equipe demonstra que não conta com o apoio da Prefeitura do município, e pode-se inferir que a sobrecarga da equipe é proveniente da complexidade das tarefas, e dos problemas administrativos. Foi dado relevância para estas três últimas questões, pois se percebe que as forma como os fatores foram avaliados pelos respondentes tem relação direta com os objetivos da pesquisa. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa teve como objetivo geral analisar a qualidade de vida da equipe do Capsi de um município do Oeste catarinense, haja vista a demanda dos usuários do serviço, relacionando a capacidade individual e do grupo para planejar projetos que tragam benefícios para o serviço. Neste sentido, percebe-se que a equipe procura meios na saúde publica para aperfeiçoamento da equipe como um todo e com vistas no tratamento do usuário. Pode-se inferir que a demanda gerada pelos usuários influencia na qualidade de vida no trabalho, constituindo-se como fator estressor, devido ao desgaste emocional e físico dos profissionais, e pela forma como percebem a importância de trabalhar com reinserção Bom 10% Regular 60% Péssimo 30% Excelente Bom Regular Péssimo
  • 105. 105 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 social, mas que não a percebem como eficaz no tratamento do usuário. Da mesma forma, os respondentes também não parecem considerar o stress e as alterações de humor com grande influência em sua qualidade de vida. Neste sentido, questiona-se a participação individual dos profissionais do serviço em busca de projetos e estratégias com vistas ao melhor desempenho. Importante ressaltar que a pesquisa com servidores públicos com vistas à qualidade de vida no trabalho não tem sido muito frequente, mas merece novos estudos, já que alguns fatores entendidos como motivadores, podem estar sendo superestimados, quando se pensa nos demais fatores relacionados ao trabalho e que demonstram influências na qualidade de vida no trabalho dos servidores. REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE, L.G.; FRANÇA, A.C. L. Estratégias de Recursos Humanos e Gestão de Qualidade de vida no trabalho; o STRESS e a Expansão do Conceito de Qualidade Total. Revista de Administração. USP, São Paulo, v.33, n.2, p.40-51. Abr. /Jun. 1998. DIMENSTEIN, M. O psicólogo e o compromisso social no contexto da saúde coletiva. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 6, n. 2, Dec. 2001. DUTRA, J. S. Gestão de Pessoas: modelo, processo, tendências e perspectivas. São Paulo: Atlas, 2002. FEIGENBAUM, A. V. Controle de qualidade total. 40.ed. São Paulo: Makron Books, 1994. v.1 e v.2. FIALHO, F.; SANTOS, N. Manual de Analise Ergonômica do Trabalho. Curitiba: Genesis, 1995. GAZZINELLI, M. F.; GAZZINELLI, A.; REIS, D. C.; PENNA, C. M. M. Educação em saúde: conhecimentos, representações sociais e experiências da doença. Cadernos de Saúde Pública, 21, 200-206, 2005. GELBCKE, F. L.; PADILHA, M. I. C. S. O fenômeno das drogas no contexto da promoção da saúde. Texto e Contexto de Enfermagem, 13, 272-279, 2004.
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  • 108. 108 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 STACCIARINI, J. M. R.; TRÓCCOLI, B.T. Estresse Ocupacional. In: Mendes AM, Borges LO, Ferreira, MC (Orgs.). Trabalho em transição, saúde em risco. Brasília: Universidade de Brasília; 2002. p. 187-205. WERTHER, W; DAVIS, K. Administração de pessoal e recursos humanos. São Paulo: McGraw Hill, 1983. YIN, R. Case Study Research: Design and Methods (2ª Ed) Thousand Oaks, CA: SAGE Publications, 1994. Recebido em 13/06/2014 Aceito em 17/06/2014
  • 109. 109 ISSN 1980-0894 Resenha, Vol.9 Nº1, Ano 2014 O PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE INTERGERACIONAL COMO PRESSUPOSTO PARA A ADOÇÃO DE UM PARADIGMA AMBIENTAL DE SUSTENTABILIDADE THE PRINCIPLE OF INTERGENERATIONAL EQUITY AS A PRECONDITION FOR THE ADOPTION OF AN ENVIRONMENTAL SUSTAINABILITY PARADIGM Gabriela Soldano Garcez1 Resumo: Esta resenha analisa a importância da proteção e promoção do meio ambiente ecologicamente equilibrado, com a responsabilidade das presentes gerações quanto a vida digna das futuras gerações, a partir da analise do texto “Intergenerational equity: a legal framework for global environmental change”, escrito pela professora Edith Brown Weiss. É dever das atuais gerações a preservação dos níveis de qualidade ambiental, para que as futuras gerações possam desfrutar de qualidade de vida. Por esta razão, conclui-se que é responsabilidade das presentes gerações a proteção das futuras, mantendo o ambiente saudável ou, ainda, restaurando-o no que tiver sido violado, para que haja vida saudável e digna para aqueles que ainda virão. Palavras-chave: Meio Ambiente, futuras gerações, princípio da solidariedade intergeracional, direito fundamental. 1 Titulação: Advogada e Jornalista diplomada. Pós-graduada em Direito Processual Civil e Direito Processual do Trabalho, pela Universidade Católica de Santos. Mestre em Direito Ambiental, pela Universidade Católica de Santos. Doutoranda em Direito Ambiental Internacional, pela Universidade Católica de Santos. E-mail para contato: gabrielasoldanogarcez@adv.oabsp.org.br.Endereço: Avenida dos Bancários, nº. 80, apartamento 81. CEP: 11030-300. Bairro: Ponta da Praia. Cidade: Santos, no estado de São Paulo.
  • 110. 110 ISSN 1980-0894 Resenha, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Abstract: This review discusses the importance of protecting and promoting ecologically balanced environment, with the responsibility of present generations as a dignified life for future generations, from the analysis of the text "Intergenerational equity: the legal framework for global environmental change", written by Edith Brown Weiss. It is the duty of the present generation to preserve levels of environmental quality for future generations to enjoy quality of life. For this reason, it is concluded that it is the responsibility of present generations to protect the future, keeping the environment healthy, or even restoring it on that has been violated, so there is healthy and dignified life for those yet to come. Keywords: Environment, future generations, principle of intergenerational solidarity, a fundamental right. O princípio da solidariedade intergeracional como pressuposto para a adoção de um paradigma ambiental de sustentabilidade Em “Intergenerational equity: a legal framework for global environmental change”, texto escrito pela professora Edith Brown Weiss (nome referência nas áreas de relações internacionais e Direito Ambiental Internacional; professora da Universidade de Georgetown – Washington/ EUA, desde 1978), publicado em 1992 como um dos capítulos do livro intitulado “Environmental change and internacional law: New challenges and dimensions”, coordenado pela própria Edith, a professora explora a ideia de que o desenvolvimento econômico provoca mudanças ambientais globais de longo prazo, que levantam questionamentos que se estendem por mais de uma geração, bem como que os atuais instrumentos econômicos tentam satisfazer as necessidades da geração presente de forma eficiente, mas são insuficientes para lidar com as questões de igualdade com as gerações futuras. É um texto que aborda, portanto, a teoria da equidade intergeracional no contexto das mudanças ambientais globais. Um número crescente de acordos internacionais, declarações, cartas, e resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas refletem essa preocupação para o bem-estar das gerações futuras e, estabelecem princípios ou obrigações destinadas a proteger e melhorar o bem-estar das presentes e futuras gerações.
  • 111. 111 ISSN 1980-0894 Resenha, Vol.9 Nº1, Ano 2014 A preocupação com a justiça para com as gerações futuras em relação ao meio ambiente surgiu nas reuniões preparatórias para a Conferência de Estocolmo sobre o Meio Ambiente Humano, em 1972, e foi incorporado ao texto final produzido. O primeiro princípio da Declaração estabelece que " ... o homem tem uma responsabilidade solene de proteger e melhorar o ambiente para as gerações presentes e futuras. Existem várias abordagens para a definição de igualdade intergeracional no contexto da relação entre as gerações para o planeta Terra. O primeiro é o modelo preservacionista, em que a geração atual não pode destruir, esgotar ou significativamente alterar os recursos existentes, mas sim, economizá-los para as gerações futuras e preservar o mesmo nível de qualidade em todos os aspectos do ambiente. O outro extremo pode ser denominado o modelo de opulência, em que a geração atual consome tudo o que quer hoje e gera tanta riqueza quanto pode, ou porque não há certeza de que existirão gerações futuras, ou porque maximizar o consumo de hoje é a melhor maneira de maximizar a riqueza para as gerações futuras. Uma variante do modelo de opulência é o modelo de tecnologia, em que não há preocupação com o meio ambiente para as gerações futuras, porque, teoricamente, a inovação tecnológica nos permitirá introduzir recursos substitutos infinitos. Finalmente, há o modelo de economia ambiental, que defende que devemos fazer a contabilidade dos recursos naturais adequadamente para cumprir as obrigações para com as gerações futuras. Por outro lado, a teoria da igualdade intergeracional proposta pela professora Edith parte do pressuposto de que, a sustentabilidade só é possível se olharmos para a Terra e seus recursos como uma relação de confiança, que nos transmite tanto direitos quanto responsabilidades. As gerações futuras têm direitos, embora esses direitos só tenham significado se os vivos respeitá-los e, se este respeito transcender as diferenças entre os países, religiões e culturas. Todas as gerações são inerentemente ligadas a outras gerações (para o passado e para o futuro), no uso do patrimônio comum da Terra. A teoria da equidade intergeracional estipula que todas as gerações têm um lugar igual em relação ao sistema natural. Não há nenhuma base para preferir a geração presente sobre as gerações futuras na sua utilização do planeta. A parceria entre as gerações é, portanto, o corolário da igualdade. Isso exige que cada geração passe o planeta sem qualquer condição pior do que o recebeu e forneça o
  • 112. 112 ISSN 1980-0894 Resenha, Vol.9 Nº1, Ano 2014 acesso equitativo aos recursos e benefícios para as futuras gerações. Cada geração é tanto um administrador para o planeta com as obrigações de cuidar dele e um beneficiário com direito de usá-lo. Esta teoria da equidade intergeracional tem uma base profunda no direito internacional. A Carta das Nações Unidas, o Preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, a Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, a Declaração sobre a Eliminação da Discriminação contra a Mulher, a Declaração sobre os Direitos da Criança, e muitos outros documentos de direitos humanos, revelam uma crença fundamental na dignidade de todos os membros da sociedade humana e em uma igualdade de direitos, que se estende no tempo e no espaço. Para a professora Edith, três princípios formam a base da equidade intergeracional. Em primeiro lugar, cada geração deve ser obrigada a conservar a diversidade da base de recursos naturais e culturais, de modo a não restringir indevidamente as opções disponíveis para as gerações futuras. Trata-se da "conservação de opções". Em segundo lugar, cada geração deve ser obrigada a manter a qualidade do planeta para que este não seja repassado em condições piores do que aquela em que foi recebida. Este é o princípio da "conservação da qualidade”. Em terceiro lugar, cada geração deve fornecer aos seus membros direitos equitativos de acesso ao legado das gerações passadas e, deve conservar esse acesso para as gerações futuras. É o princípio da "conservação de acesso". Os princípios propostos reconhecem o direito de cada geração a usar os recursos da Terra em seu próprio benefício, mas restringem as ações da atual geração ao fazê-lo. Os princípios de opções (também chamado de diversidade), qualidade e acesso formam a base de um conjunto de obrigações e direitos intergeracionais, ou os direitos e obrigações planetárias, que são mantidos por cada geração. Na dimensão intergeracional, as gerações para as quais as obrigações são devidas são as gerações futuras, enquanto as gerações com que os direitos estão ligados são as gerações passadas. Assim, os direitos das gerações futuras estão ligados às obrigações da geração presente. Já no contexto intrageracional, obrigações e direitos planetários existem
  • 113. 113 ISSN 1980-0894 Resenha, Vol.9 Nº1, Ano 2014 entre os membros da geração atual. Assim, as obrigações intergeracionais para conservar o planeta fluem da geração atual para as gerações futuras e entre os próprios membros da geração atual, que têm o direito de usar e desfrutar do legado planetário. Se as obrigações da geração presente não estão relacionadas com os direitos, a atual geração tem um forte incentivo para polarizar a definição dessas obrigações em favor de si mesmo em detrimento das gerações futuras. Direitos intergeracionais têm maior força moral do que obrigações. Assim, cada geração tem a responsabilidade de definir critérios para ações que violem esses direitos. Estes direitos intergeracionais podem ser considerados como direitos de grupo, ou seja, distintos dos direitos individuais, no sentido de que as gerações possuem esses direitos como os grupos em relação a outras gerações - passado, presente e futuro. Eles existem independentemente do número e identidade dos indivíduos que formam cada geração. A evolução do direito internacional fora do domínio do ambiente faz a aceitação dos direitos intergeracionais uma evolução natural e desejável. Na verdade, o direito internacional dos direitos humanos (para citar dois exemplos: a convenção de genocídio, bem como a proibição contra a discriminação racial) são dirigidas tanto para a proteção do futuro como para a proteção das gerações. Estratégias para a implementação desta igualdade entre gerações devem ser estabelecidas. Primeiramente, as gerações futuras não são efetivamente representadas nos processos de tomada de decisão hoje, embora as decisões que tomamos vão determinar o seu bem-estar inicial. Uma abordagem para esta questão é a designação de um ombudsman para as gerações futuras. A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento recomendou que os países considerem a adoção de um ombudsman nacional. Por outro lado, para a professora Edith, com a finalidade de incentivar a cooperação entre os países e entre as comunidades para cumprir as obrigações para com as gerações futuras, é útil elaborar e codificar as normas relevantes da equidade intergeracional. A codificação reduz as ambiguidades sobre o comportamento esperado e distingue o comportamento cooperativo do comportamento não cooperativo.
  • 114. 114 ISSN 1980-0894 Resenha, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Regimes internacionais para gerenciar ou para coordenar as medidas de gestão de determinados recursos naturais são importantes. Eles facilitam o desenvolvimento e o intercâmbio de informações, tornando mais difíceis defeitos, e podem contribuir para o desenvolvimento de novas normas. É importante que os estados relevantes participem do regime, a fim de evitar “paraísos da poluição” ou “caronas na comunidade internacional”. Isto exige que os Estados ofereçam incentivos e desincentivos para encorajar a participação. Para implementar a equidade entre gerações, é necessário, ainda, uma nova ética. Isso exige elevar a consciência pública e educar as pessoas sobre o desenvolvimento ambientalmente sustentável. A revolução da informação ajudará a fornecer as informações necessárias para fazer isso, bem como na mobilização da participação pública no desenvolvimento e implementação de medidas para o alcance da equidade intergeracional. Dessa forma, analisando o progresso da comunidade internacional para enfrentar as preocupações ambientais intergeracionais nas duas últimas décadas, pode-se concluir que este é altamente insuficiente. Mas, se compararmos onde estamos hoje com 1972 (data da Declaração de Estocolmo, que iniciou tal preocupação), é impressionante a aprendizagem rápida dos países para abordar tais questões. Recebido em 16/03/2014 Aceito em 02/04/2014
  • 115. 115 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 CONTRIBUIÇÃO DAS EXPOSIÇÕES DE ÓXIDO DE NITROGÊNIO E DIÓXIDO DE ENXOFRE, EMITIDAS DE USINAS DE ENERGIA, NA PREVALÊNCIA DE DOENÇAS E SINTOMAS RESPIRATÓRIOS1 Eric D. Amster2 Maayan Haim3 Jonathan Dubnov4 David M. Broday5 RESUMO Este estudo investiga a associação entre a exposição ambiental de NOx e SO2, proveniente de emissões de usinas de energia, com a prevalência da doença pulmonar obstrutiva e sintomas relacionados. A usina a carvão Orot Rabin é a maior instalação de geração de energia na região do Mediterrâneo Oriental. Dois novos métodos que avaliam exposições às emissões específicas de usinas de energia foram estimados para 2244 participantes que completaram a European Community Respiratory Health Survey (Pesquisa sobre a Saúde respiratória da Comunidade Europeia). A "abordagem na fonte" modelou emissões rastreadas até a usina, enquanto a "abordagem de evento" identificou exposições de pico de eventos da usina. Os sintomas respiratórios, mas não a prevalência de asma e DPOC, foram associados às estimativas de emissões de NOx da usina. A "abordagem na fonte" rendeu uma melhor estimativa da exposição às emissões de usinas de energia e revelou uma relação dose-resposta mais consistente com os resultados. O cálculo da parcela de poluição ambiental atribuída às emissões de usinas de energia pode ser útil para fins de gestão da qualidade do ar e para programas de redução de metas. Palavras chave: Poluição de ar, saúde respiratória, avaliação de exposição 1 Versão traduzida do artigo “Contribution of nitrogen oxide and sulfur dioxide exposure from power plant emissions on respiratory symptom and disease Prevalence”, ELSEVIER, Environmental Pollution 186 (2014) 20 a 28. 2 University of Haifa, School of Public Health, Department of Occupational and Environmental Health, Haifa, Israel; Institute for Occupational and Environmental Medicine, Rambam Medical Center, Ministry of Health, Haifa, Israel; Harvard School of Public Health, Department of Environmental Health, Boston, USA; Autor correspondente. email: eamster@post.harvard.edu (E.D. Amster). 3 Faculty of Civil and Environmental Engineering, Technion-Israel Institute of Technology, Haifa, Israel; Coalition for Public Health, Haifa, Israel 4 University of Haifa, School of Public Health, Department of Occupational and Environmental Health, Haifa, Israel; Haifa District Office, Ministry of Health, Haifa, Israel 5 Faculty of Civil and Environmental Engineering, Technion-Israel Institute of Technology, Haifa, Israel
  • 116. 116 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 1. Introdução Os óxidos de nitrogênio (NOx) e dióxidos de enxofre (SO2) são poluentes gasosos que revelaram causar um aumento da incidência de exacerbação da asma e dos sintomas respiratórios. Especificamente, a exposição a NOx tem sido associada ao aumento de hospitalizações relacionadas a problemas respiratórios (Barnett et al., 2005; Iskandar et al., 2012; Tramuto et al., 2011), aumento de susceptibilidade à infecção respiratória (Brauer et al., 2002;. Chen et al., 2007), aumento da frequência de sintomas respiratórios (Van Strien et al., 2004; Zhao et al., 2008) e aumento da mortalidade (Heinrich et al., 2013; Moolgavkar et al., 2013). Igualmente, a exposição a SO2 tem sido associada ao aumento da mortalidade em geral e a problemas respiratórios (Chen et al., 2012), aumento do risco de diagnóstico de asma (Clark et al., 2010), exacerbação de doença respiratória pré-existente (Chen et al., 2007) e aumento da prevalência de sintomas respiratórios, tal como chiado no peito e falta de ar (Zhao et al., 2008). Estudos anteriores sobre os efeitos para a saúde na população israelense, associados às emissões de NOx e SO2, forneceram resultados conflitantes. Embora tenha sido relatado o aumento da frequência de atendimentos ambulatórios e de emergência (Garty et al., 1998), Goren et al. (1995), Goren e Hellmann (1997), não foi encontrada uma associação entre as visitas clínicas ou a prevalência de asma com a maior exposição ao NOx e SO2. Mais recentemente, uma associação entre asma infantil foi reportada em relação à exposição a Material Particulado PM10, mas não a SO2 (Portnov et al., 2011). Enquanto as usinas são uma fonte significativa de poluição do ar (Hao et al., 2007), contribuindo com mais de 70% do total de emissões de SO2 nos Estados Unidos (EUA EPA, 2013a), há poucos estudos sobre a avaliação da contribuição fracional específica de emissões de usinas para a saúde respiratória em comunidades vizinhas, e os resultados de estudos anteriores não são conclusivos (Cohen et al, 1972;. Carbonell et al, 2007). Moradores de aldeias dentro de 5 quilômetros de uma usina de energia a base de carvão, na Turquia, tiveram um aumento estatisticamente significativo da frequência de sintomas respiratórios e uma redução de parâmetros de espirometria quando comparados a moradores que residem a mais de 30 km da fonte de emissão (Karavus et al., 2002). Levy e Spengler (2002) estimaram que o uso da Best Available Control Technology (BACT) para reduzir emissões de NOx e SO2 em duas usinas de Massachusetts resultaria em uma redução de 70 mortes por ano.
  • 117. 117 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Em parte, os resultados inconclusivos dos estudos anteriores são devidos às diferentes métricas de exposição utilizadas e à dificuldade em diferenciar as exposições às emissões de usinas de energia das exposições aos mesmos poluentes originários de outras fontes urbanas e móveis. A usina a base de carvão Orot Rabin é a maior instalação de geração de energia na região do Mediterrâneo Oriental, com uma capacidade instalada de 2.580 MW. Mais de 363 mil pessoas vivem em um raio de 20 km das duas pilhas de usina de 250m e 300m. Goren et al. (1991) acompanhou as alterações na prevalência de sintomas respiratórios e asma em crianças da escola primária que viviam na vizinhança da usina Orot Rabin. Enquanto eles relataram o aumento da prevalência de sintomas respiratórios em crianças que residiam em áreas de alta poluição nos anos após o início da operação da usina, há uma preocupação significativa de uma classificação errônea da exposição neste estudo. O aumento da prevalência de asma e função pulmonar reduzida também foi observado em crianças que residem próximo à usina Orot Rabin (Goren e Hellmann, 1997), no entanto, a exposição individual e a proximidade com a usina não foram incluídos na avaliação da exposição. Com base em uma estimativa de exposição seguindo o método "evento" (ver Métodos), uma associação com a função pulmonar reduzida tem sido relatada em crianças em idade escolar que vivem nas proximidades da usina (Dubnov et al., 2007). No presente estudo, comparamos diferentes métricas de exposição a óxidos de nitrogênio e dióxidos de enxofre, emitidos de uma grande usina a base de carvão, e avaliamos sua relação com a prevalência de diagnósticos e sintomas respiratórios em adultos. Nosso principal objetivo é avaliar a associação de potência total e específica de exposições ambientais de NOx e SO2, provenientes de usinas, com os resultados da saúde respiratória entre a população residente em sentido de direção do vento passando por uma grande usina a base de carvão. 2. Materiais e Métodos 2.1. Área de estudo O estudo foi realizado em Hadera, um subdistrito de Israel localizado na costa do Mediterrâneo a aproximadamente 50 km ao norte de Tel Aviv e 50 km ao sul de Haifa, primeira e terceira maiores cidades de Israel, respectivamente (Fig. 1). O subdistrito de
  • 118. 118 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Hadera inclui 17 municípios dentro de uma distância de até 20 km da usina Orot Rabin. O distrito é uma faixa litorânea de aproximadamente 45 km de extensão e 15 km de largura, com uma população total de aproximadamente 363.000 (ICBS, 2008). A usina Orot Rabin é a principal fonte de emissão de SO2 e NOx na região, com seis unidades de produção de carvão, uma potência total de 2.580 MW, e um Fig. 1. Mapa da área de estudo. A usina Orot Rabin é marcada pelo círculo vermelho, os locais das estações de monitoramento são marcados com quadrados verdes e locais sujeitos são marcados com pontos marrons. As marcações das coordenadas estão em km na "nova grade Israelense". (Para a interpretação das referências de cores nesta figura, o leitor será redirecionado para a versão de web deste artigo.)
  • 119. 119 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 consumo anual de carvão de 7 milhões de toneladas, com um teor de enxofre médio de 0,4-0,5% em base de carvão seco. Como resultado, a usina Orot Rabin emite uma média anual de 1.846g/s de SO2 e 2,158g/s de NOx, uma média mais de 20 vezes superior à segunda maior fonte industrial na área (SCATEP, 2007). Uma parcela significativa das emissões da usina Orot Rabin está dentro da área de estudo. Isto é suportado por uma clara tendência de diminuição das concentrações de SO2 em paralelo com a redução das emissões de SO2 durante a fase de utilização de carvão com baixo teor de enxofre na usina no período de estudo. Além disso, esses dados são suportados por todas as estações de monitoramento no registro de medições de pico da área de estudo quando o vento sopra em sua direção proveniente da usina de Orot Rabin (Material Suplementar, Figura 3). As condições meteorológicas ao longo da costa israelense são caracterizadas por verão quente e seco de junho a setembro, período em que o sistema sinótico dominante é uma Calha Persa. Junto ao ciclo de brisa marítima e terrestre, o que resulta em um padrão diário constante de vento fraco do sudeste durante a noite, mudando gradualmente durante o dia para um forte vento do oeste (Material Suplementar, Figuras 4 e 5). Consequentemente, ventos do oeste vindo da usina para a área de estudo são extremamente comuns. Para um vento lento típico de 3 m/s, o tempo de transporte da usina Orot Rabin até as estações de monitoramento varia entre 20 e 120 min. De acordo com Hewitt (2001), em condições de dia ensolarado, a taxa de oxidação do SO2 e NOx é de até 3%h-¹ e 30%h-¹, respectivamente. 2.2. População do estudo Uma tradução validada em hebraico e russo do European Community Res-piratory Health Survey II foi passado a 4.900 participantes adultos que residem na área de estudo (ECRHS II, 2002; Janson et al, 2001.). O Community Respiratory Health Survey foi um estudo multicêntrico internacional sobre as doenças respiratórias realizado entre adultos europeus da população em geral e incluiu exames de saúde e um questionário respiratório, que foi validado (Pearce et al., 2000) e utilizado em todo o mundo (Manfreda et al., 2004; Abramson et al., 2002). Os critérios de elegibilidade incluíram a residência na área de estudo por cinco ou mais anos e a idade dos participantes entre 18 e 75 anos. Os participantes foram selecionados pelo método de seleção aleatória do National Population Registry (Cadastro Nacional de População), um registro de todos os residentes
  • 120. 120 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 permanentes em Israel, que inclui endereços residenciais e características de- demográficas, e entrevistados por telefone. A população do estudo foi selecionada de forma aleatória representativa da população geral residente na área de estudo. Sexo, idade, nível de educação, idioma falado e nível socioeconômico da população do estudo foram semelhantes aos relatados no National Population Registry (Cadastro Nacional da População). As entrevistas foram realizadas de 1 de junho de 2003 até 1 de agosto de 2004. A Taxa de participação foi de 69%, com 3391 das pessoas contatadas concordando em participar da pesquisa. 2513 das 3.391 entrevistas realizadas estavam em conformidade com ambos os critérios de inclusão listados acima. Endereços precisos estavam disponíveis para 2244 dos 2513 participantes (89,3%). Os resultados preliminares incluíram diagnóstico médico de asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e relato subjetivo de sintoma de tosse crônica, catarro crônico, dispneia noturna e falta de ar. Informações sobre uma série de potenciais variáveis de confusão (discutidas abaixo) foram obtidas do questionário European Community Respiratory Health Survey II. A Aprovação Ética de todos os protocolos e instrumentos de estudo foi concedida pelo Ministry of Health Institutional Review Board (Conselho de revisão Institucional do Ministério de Saúde). Todos os participantes forneceram consentimento informado antes de serem incluídos no estudo. 2.3. Avaliação de exposição O banco de dados de monitoramento da poluição de ar utilizado neste trabalho foi obtido da Sharon-Carmel Association of Towns for Environmental Protection, que opera 20 estações de monitoramento que medem NOx, SO2 e diversos parâmetros meteorológicos em intervalos de 5 min. As estações de monitoramento estão equipadas com os seguintes dispositivos EPA aprovados: Teledyne-API 100E, 200A, 200E e ThermoElectron 42C, 43C, 43A (EPA, 2013b). As estações são mantidas e calibradas de acordo com o manual do fabricante, incluindo uma calibração automática a cada 24 horas e uma calibração manual por um técnico a cada seis meses. A velocidade, direção e umidade do vento foram registradas em cada estação, em intervalos de 30 minutos. Concentrações de poluentes nas estações de monitoramento do ar foram interpoladas espacialmente por meio da técnica comum de Kriging (Isaaks e Srivastava, 1989) sobre
  • 121. 121 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 a área completa do estudo. A técnica de Kriging foi realizada sobre os valores médios de cada meia hora (ou seja, as médias de seis leituras consecutivas de 5 min) por estação de monitoramento durante o período de estudo de oito anos, que coincidem e antecedem a coleta de dados sobre resultados de saúde. O mapeamento foi realizado no ArcGIS v.9, com as coordenadas xy dos endereços residenciais dos participantes do estudo posicionados no mapa e sobrepostos aos mapas de SO2 e NOx. Consequentemente, as estimativas individuais de exposição foram atribuídas aos participantes com base em seu endereço residencial. Dois métodos diferentes foram utilizados para estimar a exposição no local de residência para as concentrações ambientais de NOx e SO2 atribuídas às emissões de usinas de energia. 2.3.1. Abordagem na fonte Diversas medidas de garantia de qualidade foram adotadas antes da análise, com uma lista de estatísticas descritivas e uma fração de dados ausentes ou negativos calculados para cada poluente em cada estação. Todas as conclusões suspeitas (por exemplo, valores repetitivos, alta fração de valores negativos, etc...) foram discutidas com o pessoal da rede de monitoramento e pontos de dados não confiáveis foram eliminados do banco de dados. A variação espacial de óxidos de azoto no ambiente, podendo ser atribuída à usina Orot Rabin, foi calculada com base em supostas constantes de tempo de remoção de SO2 e de NOx da atmosfera suficientemente altas em comparação ao tempo característico de seu transporte da usina até as estações de monitoramento, de modo que possam ser consideradas suas reações atmosféricas depois da emissão e as medidas nas estações de monitoramento. A dispersão de SO2 e de NOx é tomada como idêntica e, portanto, pressupõe-se que a proporção molar de enxofre de azoto da coluna de gás que adentra a estação de monitoramento é a mesma que na chaminé. coluna de gás chaminé Onde, chaminé coluna de gás coluna de gás
  • 122. 122 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Foram consideradas apenas concentrações observadas nas estações de monitoramento pertinentes quando o vento soprava na direção da usina para a estação. As estações de monitoramento na área de estudo estão posicionadas de modo que a direção para a usina e as direções para outras fontes locais (estradas principais ou fontes industriais) em sua maioria não se sobreponham. Desde as emissões de qualquer fonte de mais de duas ordens de magnitude inferior a da usina, mesmo nos poucos casos em que possa ocorrer sobreposição de gases da usina e de outras fontes locais, pode-se supor que, nas condições acima (ou seja, quando o vento da direção de Orot Rabin carrega poluentes ambientais até o monitoramento), todo o SO2 registrado na estação de monitoramento é devido às emissões da usina. Assim, Esta hipótese é apoiada pelas elevadas concentrações de SO2 observadas quando o vento sopra da direção da usina para as estações de monitoramento, bem como por uma clara tendência de redução das concentrações de SO2 em paralelo à redução das emissões de SO2 pela usina, devido à introdução progressiva do carvão com baixo teor de enxofre. Uma análise foi realizada para cada estação de monitorização individual enquanto posicionada em diferentes configurações azimutais em relação à usina Orot Rabin. A parcela de NOx proveniente da usina de energia no total de óxidos de nitrogênio medidos em qualquer estação de monitorização para cada ponto de dados a cada meia hora, em conformidade com as premissas acima, é Para avaliar a exposição das comunidades locais a óxidos de nitrogênio emitidos pela usina, a contribuição relativa da usina para o nível ambiental de NOx foi multiplicada pela concentração média de NOx medida na estação de monitoramento durante os pontos de dados utilizados de meia-hora. Igualmente, a contribuição da usina não energética coluna de gás monitoramento chaminé parcela coluna de gás monitoramento
  • 123. 123 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 relativa também foi multiplicada pela concentração média de NOx. Estes valores foram calculados a cada meia hora sobre o período de estudo de 8 anos e depois interpolados por toda a área de estudo. 2.3.2. Abordagem de evento A “abordagem de evento” descrita por Dubnov et al. (2007) e Yogev-Baggio et al. (2010) tenta definir os “eventos” de qualidade do ar provenientes da usina e estimar a exposição apenas durante esses eventos. Uma “abordagem de eventos” foi definida como concentrações de meia hora de NOx e SO2 que excederam simultaneamente os níveis predefinidos de 0.125 ppm para NOx e 0,07 ppm para SO2. Esses níveis foram determinados, com base em um estudo de estatística descritiva anterior dos dados regionais de monitorização sobre a poluição do ar, de modo que é previsto que as concentrações acima destes níveis sejam atribuídas às emissões de usinas de energia. Estes “eventos” de poluição de ar foram sugeridos para distinguir a poluição de ar de “chaminés”, gerada pela usina de energia, da poluição de ar na região que poderia ser atribuída a outras fontes, tais como veículos a motor (SCATEP, 2007). Foi relatada uma associação com os níveis de poluentes medidos durante esses acontecimentos em estudos anteriores que utilizam esta “abordagem de evento” de função pulmonar reduzida em crianças (Dubnov et al. 2,007). Os estudos foram, no entanto, criticados como classificando erroneamente a exposição. A exposição métrica durante o chamado "evento de poluição atmosférica" foi definida como duas vezes a soma do produto das concentrações médias co-observadas de NOx e de SO2 durante a duração de eventos em todo o período de estudo. 2.4. Análise estatística Foi realizada uma análise descritiva das variáveis demográficas coletadas no questionário do estudo. Estas incluíram a idade, sexo, histórico de fumante (nunca, passivo, anteriormente fumante, atualmente fumante), estado civil (solteiro, casado, divorciado, viúvo), nível de ensino (ensino fundamental, ensino médio, ensino superior) e país de origem. Estas co-variáveis foram comparadas entre os participantes com e sem os seguintes resultados de saúde respiratória: diagnóstico médico de DPOC; diagnóstico médico de asma; falta de ar, tosse crônica, catarro crônico e dispneia noturna. A estatística
  • 124. 124 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 descritiva foi utilizada para caracterizar diversas co-exposições potencialmente confusas, incluindo a presença de auto-relato de mofo residencial, presença de animais domésticos, densidade habitacional (número médio de moradores por quarto) e histórico relatado de exposição ocupacional a tabaco, poeira, vapores ou fumaças. A proximidade da residência do participante para o tráfego de veículos foi avaliada através da atribuição de uma variável dicotômica de distância de aproximadamente 50 m do eixo longitudinal do maior coletor próximo ou estradas com, pelo menos, duas faixas de tráfego em cada sentido. Foi calculada a faixa média, mediana e interquartil de ambiente total (fonte de usina de energia e usina não energética) de exposição e as duas estimativas de exposição específicas das usinas, tanto para NOx e SO2. Os dados de qualidade do ar em que as métricas de exposição incorporadas neste estudo foram desenvolvidas incluem todas as concentrações de meia-hora de NOx e SO2 em média no período de 01 de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2007. A residência do participante estava conectada aos mapas de poluentes (ver Seção 2.3). Os coeficientes de correlação de Pearson foram calculados para comparar as métricas estimadas de exposição. As associações entre os níveis crescentes de exposições da usina e resultados respiratórios foram avaliadas por meio de regressão logística multivariada para cada exposição métrica e resultados de saúde. As duas métricas de exposição específica de usinas de energia e as estimativas totais de exposição (fontes de usina de energia e de usinas não energéticas) foram incorporadas no modelo estatístico como uma variável contínua. A linearidade foi avaliada através da inclusão de um termo polinomial de ordem superior de cada exposição métrica para o modelo. Não havia nenhuma indicação de efeito não-linear, conforme determinado pela falta de significado dos termos do polinômio. Três modelos de regressão logística foram avaliados para cada métrica de exposição e resultado de saúde. O primeiro modelo foi ajustado apenas para idade e sexo. O segundo modelo adicionou termos para co-variáveis potencialmente confusas, incluindo histórico de fumante, status socioeconômico (nível de formação mais alto), proximidade de estradas e densidade habitacional. Co-variáveis associadas aos resultados de interesse (idade, densidade habitacional, proximidade de estrada e status socioeconômico), bem como fatores de risco tradicionalmente aceitos (tabagismo) foram tratados como potenciais causadores de confusões. Co-variáveis não associadas de forma independente com a exposição às emissões de usinas de energia e ao risco de resultados de saúde respiratória (presença de mofo, animais domésticos, país de origem e histórico de
  • 125. 125 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 exposição residencial) não foram incluídos na análise como potenciais fatores de confusão. O terceiro modelo incluiu uma análise multi-poluente em que estimou a exposição ao SO2 que foi incorporada como um termo na análise da exposição NOx, e vice-a-versa. 3. Resultados 3.1. Pesquisa respiratória A Demografia populacional, distribuição de potenciais variáveis de confusão, a prevalência de sintomas respiratórios e o diagnóstico médico de asma e DPOC (Tabela 1) são apresentados para os 2.244 participantes entrevistados na população do estudo. A população do estudo foi de 52% do sexo feminino, sendo quase a metade entre 18-40 anos de idade, com idade média de 38, e 57% possuem nível superior. A Demografia populacional do estudo é estatisticamente semelhante à da população-base a partir da qual os participantes foram selecionados. Aproximadamente, 50% da população participante nunca fumou, enquanto 28% declararam ser atualmente fumantes. A exposição residencial a "poeira, gases, fumaça ou vapores" foi relatada por 29% dos participantes. Um terço da população relatou pelo menos um sintoma respiratório, enquanto 7% e 2% tiveram diagnóstico médico de asma e DPOC, respectivamente. Não houve uma diferença estatisticamente significativa na prevalência de asma ou DPOC com base no sexo, idade ou país de origem. O aumento da escolaridade foi significativamente associado a um aumento de 2,4 vezes (IC 95%: 1,36-4,22) em pacientes com DPOC, e com um aumento mínimo, não significativo estatisticamente, da prevalência de asma. A prevalência de sintomas respiratórios, incluindo tosse crônica, catarro crônico e falta de ar, entre os atualmente fumantes, foi o dobro (95% CI: 1,55-2,38) do que em não-fumantes. Tabela 1 Distribuição de co-variáveis demográficas, potenciais co-exposições e resultados de saúde respiratória entre a população de estudo de 2.244 participantes que residem dentro de 30 quilômetros da Usina Orot Rabin, tendo completado o questionário European Community Respiratory Health Survey II. As características demográficas são comparadas com as pesquisas com população em geral a partir do National Population Registry (Cadastro Nacional da População).
  • 126. 126 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Características n (%) População geral (%) Sexo Feminino 1162 (51.78) 52,2 Idade 18-40 990 (44.13) 46.4 41-60 933 (41.59) 39.9 61-75 320 (14.26) 13.7 Fumante Nunca 1081 (48.17) 45.5 Passivo 206 (9.18) 12.4 Anteriormente 330 (14.71) 13.3 Atualmente 627 (27.94) 24.8 Formação 0-8 (Ensino fundamental) 40 (1.78) 0.7 9-12 (Ensino médio) 919 (40.95) 43.2 13+ (Ensino superior) 1280 (57.04) 56.1 Desconhecido 5 (0.22) - Estado civil Solteiro 435 (19.39) 18.4 Casado 1644 (73.26) 71.3 Divorciado 92 (4.10) 5.8 Viúvo 65 (2.90) 2.3 Desconhecido 8 (0.36) 2.2 Mofo residencial Sim 463 (21%) Animais domésticos Sim 888 (40%) Não 1356 (60%) Densidade da habitação <1 residente por quarto 1839 (82%) Proximidade residencial com a estrada principal <50 m 1372 (61.14) Exposição residencial a poeira, tabaco, fumaça ou vapores Sim Diagnóstico médico DPOC 651 (29%) 38 (1.6%) Asma 154 (6.9%) Pesquisa de sintoma positivo Dispneia noturna 347 (14.5%) Tosse crônica 586 (26.1%) Catarro crônico 466 (20.8%) Falta de ar 368 (16.4%) Total 2244
  • 127. 127 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 3.2. Métricas de exposição A faixa média, mediana e interquartil do total da exposição e das duas métricas de exposição específica da usina de energia para as emissões de NOx e SO 2 é apresentada na Tabela 2. O coeficiente de variação da exposição estimada da usina de energia Orot Rabin, utilizando a “abordagem de evento”, foi muito maior do que quando utilizada a “abordagem na fonte”. Os histogramas representam a distribuição de métricas de exposição (Fig. 2) e o deslocamento da curva de exposição para cada métrica estimada em toda a população. A "abordagem na fonte", que estima a potência de exposição específica de usinas, foi correlacionada com a "abordagem de evento" para SO2 (coeficiente de correlação de Pearson p = 0,66), mas não para NOx (p = -0,07) (Tabela 3). Houve uma forte associação entre as estimativas de exposição de NOx e SO2, tanto para a abordagem "na fonte" (coeficiente de correlação de Pearson p = 0,62) quanto na "abordagem de evento" (coeficiente de correlação de Pearson p = 0,97). A distribuição espacial em toda a área do estudo de concentrações médias de SO2 e de NOx é retratada ao longo do período de estudo (material suplementar, Figuras 1 e 2). A concentração anual média de SO2 foi consideravelmente inferior ao o padrão nacional, com medições de pico de 5 ppb. A tendência de redução das concentrações de SO2 foi observada durante o período de estudo, coincidindo com uma redução gradual do teor de enxofre no carvão utilizado na usina. Tabela 2 Valores de desvio padrão, médias anuais, medianos e quartil (em ppb) para o ambiente medido e exposições específicas estimadas de NOx e SO2 da usina. Os dados recolhidos foram das 20 estações de monitoramento de ar localizadas em toda a área de estudo, no subdistrito de Hadera, Israel. As estimativas de exposição específica da usina utilizando a abordagem de "evento" e na "fonte" são apresentadas abaixo. NOx SO2 Total Abordagem na fonte da usina Abordagem na fonte da usina Total Abordagem na fonte da usina Abordagem de evento da usina Mín. 13.00 4.02 0.31 1.31 2.16 0.46 25% 18.10 5.52 11.46 2.41 4.37 6.91 Mediano 19.44 5.96 18.53 2.54 6.28 14.73 75% 19.87 6.15 24.94 2.75 7.54 20.94
  • 128. 128 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Máx. 21.23 6.58 54.08 3.59 10.15 52.26 Média 18.95 5.84 19.63 2.52 6.22 16.55 Desvio padrão 1.22 0.45 12.12 0.32 2.03 12.10 O padrão espacial de SO2 permaneceu relativamente consistente ao longo do período de estudo (coeficiente de correlação de Pearson r 1/4 0,82), enquanto o padrão espacial de NOx apresentou maior variação (r 1/4 0,66). De acordo com o método de abordagem "na fonte", a contribuição da usina Orot Rabin do NOx total observado variou de 3% a 70% entre as estações de monitorização. As duas estações mais próximas da estrada vizinha revelaram a menor contribuição de NOx da usina, pois a maioria dos níveis observados foram atribuída a fontes móveis, não à usina. 3.3. Modelos epidemiológicos Modelos de regressão logística de poluentes únicos multivariados, controlados por histórico de fumante (nunca, fumante passivo, anteriormente e atualmente), sexo, idade, escolaridade (<9 anos, 9-12 anos,> 12 anos), proximidade de estradas e densidade habitacional. Uma razão de chances e Intervalo de Confiança de 95% são relatados para o modelo bruto, assim como modelos totalmente ajustados. A exposição estimada de NOx não foi estatisticamente associada à prevalência médica de asma ou DPOC para qualquer uma das métricas de exposição em qualquer um dos modelos. A presença de tosse crônica, catarro crônico, dispneia noturna e falta de ar foram significativamente associados à exposição de emissões de NOx da usina, estimadas pela abordagem na "fonte".
  • 129. 129 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Fig. 2. Histogramas de métricas para distribuição entre a população estimada total do estudo, "abordagem de evento" (PP event) da usina específica e "abordagem na fonte" (PPsource) da usina para exposição em ppb, tanto para NOx quanto para SO2.
  • 130. 130 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Tabela 3 O coeficiente de correlação de Pearson rho entre a exposição ambiente total (fontes de usina de energia e usina não energética) de NOx e SO2 e as abordagens de "evento" e na "fonte" para estimar exposições específicas de NOx e SO2 da usina. O NOx total do ambiente foi estatisticamente associado à tosse crônica e dispneia noturna apenas. Associações com esses resultados foram mais fortes quando utilizado o modelo "abordagem na fonte" de avaliação de exposição para as exposições de energia específicas da usina. O método de "abordagem de evento" para estimar a exposição específica da usina não foi estatisticamente associado a qualquer resultado de interesse (Tabela 4). Prevalência de asma e histórico de falta de ar, onde estatisticamente associadas com o total de exposições (de usinas de energia e usinas não energéticas) ao SO2. NOx SO2 “Evento” de usina Total “Fonte” de Usina “Evento” de usina Total “Fonte” de Usina NOx “Evento” de usina 1,00 0,02 -0,07 0,97 0,79 0,64 Total 1,00 0,38 -0,04 0,30 0,04 “Fonte” de Usina 1,00 -0,05 0,51 0,62 SO2 “Evento” de usina 1,00 0,75 0,66 Total 1,00 0,85 “Fonte” de Usina 1,00
  • 131. 131 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Tabela 4 Razão de chances e intervalo de confiança de 95% dos resultados respiratórios do aumento ppb em exposição a NOx em ambiente total e específico da usina de energia (utilizando tanto a abordagem de "evento" quanto na "fonte"). São apresentados o modelo bruto, bem como os modelos totalmente ajustado de poluente único e multi-poluentes. Resultado NOx Ambiente total “Evento” da usina “Fonte” da usina Asma Modelo brutoa 1,10 (0.95, 1,27) 1,01 (0,99, 1,03) 1,14 (0,79, 1,65) Ajustadob 1,11 (0.96, 1,28) 1,01 (0,99, 1,03) 1,21 (0,78, 1,62) Multi-poluentec 1,08 (0.92, 1,25) 1,07 (0,99, 1,15) 0,87 (0,56, 1,36) DPOC Modelo Bruto 1.33 (0.95, 1,86) 1,01 (0,98, 1,04) 1,14 (0,55, 2,34) Ajustado 1.30 (0.93, 1,83) 1,01 (098, 1,04) 1,17 (0,56, 2,44) Multi-poluente 1.30 (0.93, 1,83) 0,99 (0,83, 1,18) 1,60 (0,57, 4,48) Tosse crônica Modelo bruto 1,15 (1,03, 1,21) 1,00 (0,99, 1,01) 1,40 (1,13, 1,74) Ajustado 1,10 (1,01, 1,19) 1,00 (0,99, 1,01) 1,42 (1,14, 1,77) Multi-poluente 1,10 (1,01, 1,19) 1,01 (0,97, 1,06) 1,58 (1,19, 2,11) Catarro crônico Modelo bruto 1,07 (0,98, 1,16) 1,00 (0,99, 1,01) 1,24 (0,99, 1,56) Ajustado 1,04 (0,96, 1,14) 1,00 (0,99, 1,02) 1,24 (0,98, 1,57) Multi-poluente 1,06 (0,96, 1,16) 1,00 (0,95, 1,05) 1,45 (1,06, 1,98) Dispneia noturna Modelo bruto 1,14 (1,03, 1,26) 1,00 (0,99, 1,01) 1,33 (1,03, 1,73) Ajustado 1,12 (1,01, 1,24) 1,00 (0,99, 1,01) 1,35 (1,04, 1,76) Multi-poluente 1,14 (1,03, 1,27) 1,00 (0,95, 1,06) 1,55 (1,16, 2,37) Falta de ar Modelo bruto 1,09 (0,99, 1,20) 0.99 (0.98, 1.00) 1.17 (0.91, 1.51) Ajustado 1,06 (0,96, 1,17) 0.99 (0.98, 1.00) 1.24 (0.95, 1.61) Multi-poluente 1,11 (1,01, 1,24) 0.97 (0.92, 1.03) 1.85 (1.29, 2.65)
  • 132. 132 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 a Modelo bruto: modelo univariado não ajustado. b Modelo ajustado: modelo ajustado para idade, sexo, histórico de fumante (nunca, passivo, anteriormente, atualmente), densidade habitacional, proximidade da estrada principal e formação. c Modelo Multi-poluente: modelo totalmente ajustado, incluindo concentração de exposição estimada de SO2. Ambas as abordagens para a estimativa de exposições específicas de SO2 da usina não foram estatisticamente associadas aos resultados de interesse. A "abordagem na fonte" rendeu um IC de 95% muito mais amplo do que a "abordagem de evento" (Tabela 5). A regressão logística multivariada repetida em um modelo multi-poluente não revelou alterações estatisticamente significativas na extensão do efeito calculado para a associação de asma e DPOC na população estudada. Dois sintomas respiratórios, o de expectoração crônica e falta de ar, foram associados positivamente ao NOx somente após que a co-exposição a SO2 foi incorporada ao modelo. Em geral, os modelos multi- poluentes resultaram em uma redução do efeito estimado em associações à exposição de SO2, enquanto razões de chances da associação com métricas de exposição de NOx aumentaram nos modelos multi-poluentes (Tabelas 4 e 5). 4. Discussão Nosso principal objetivo foi avaliar a exposição de NOx e SO2 específicas de usinas de energia com resultados de saúde respiratória entre a população residente na direção do vento soprando de uma grande usina de energia movida a carvão. Nossos resultados não apoiam fortemente uma associação entre as emissões das usinas de energia a carvão e a prevalência da DPOC ou asma; entretanto, quase todos os sintomas respiratórios leves estudados foram associadas a emissões de NOx da usina de energia. O método de abordagem na "fonte" foi utilizado para estimar a exposição pessoal a emissões das usinas de energia mais fortemente correlacionadas a sintomas respiratórios. Talvez o mais interessante seja que a exposição de NOx específica da usina revela uma forte associação com sintomas respiratórios maior que que as estimativas de exposição de NOx do ambiente total. Considerando que a usina a carvão Orot Rabin emite
  • 133. 133 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 20 vezes mais NOx do que a segunda maior fonte industrial na área de estudo, é razoável estimar que a exposição pessoal às emissões da usina é uma métrica importante para avaliar a exposição e os potenciais resultados à saúde. Apesar de nossos resultados significativos no que diz respeito a sintomas respiratórios crônicos, não vimos qualquer associação estatisticamente significativa com a prevalência de asma e DPOC. Há pelo menos três explicações possíveis para isso: uma magnitude relativamente pequena da exposição, resultado errôneo de classificação e avaliação incorreta da exposição, resultado em classificação errônea da exposição. As concentrações de NOx e SO2 relatadas para a região de estudo foram menores do que as estabelecidas nos padrões nacionais e diretrizes internacionais. Especificamente, a concentração média anual de NOx e SO2 total para cada ano do período de estudo (Materiais suplementares, Figuras 1 e 2) é notavelmente inferior à média da diretriz de No2 anual da OMS, de 40 tg/m3, e inferior à media anual de So2, estabelecida pelo Israeli National Air Quality Standard (Padrão de Qualidade de Ar Nacional Israelense), de 60 tg/m3. Pesquisas anteriores com níveis semelhantes de exposição da Austrália e Holanda também não conseguiram encontrar uma associação significativa entre a exposição a longo prazo a NOx e SO2 e os resultados respiratórios (Brunekreef et al., 2009; Henry et al., 1991). É possível que em regiões com maiores níveis de NOx e SO2 possa haver uma associação mais forte entre as exposições estimadas e a prevalência de doenças respiratórias. Estávamos limitados à retrospectiva de sintoma e diagnóstico auto-relatado, o que propiciava maiores chances de erros de classificação, quando comparado com as avaliações mais objetivas, como os dados de espirometria, avaliação clínica e diagnóstico médico real de prontuários médicos. Apesar das limitações das pesquisas de retrospectiva de sintomas, foram adotadas medidas para minimizar erros de classificação dos resultados respiratórios. O instrumento utilizado foi um estudo de tradução validado de um questionário de saúde respiratória padronizado e amplamente utilizado. Além disso, nossos resultados foram comparados aos anteriormente publicados nas pesquisas respiratórias da população de Israel e eram comparáveis em termos de estatísticas demográficas, taxas de fumantes e prevalência de doenças respiratórias (Goral et al., 2011;. Baron-Epel et al., 2007).
  • 134. 134 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Tabela 5 Razão de chances e intervalo de confiança de 95% dos resultados respiratórios do aumento ppb em exposição a NOx em ambiente total e específico da usina de energia (utilizando tanto a abordagem de "evento" quanto na "fonte"). São apresentados o modelo bruto, bem como os modelos totalmente ajustado de poluente único e multi-poluentes. Resultado OS2 Ambiente total “Evento” de usina “Fonte” de usina Asma Modelo Brutoa 1.90 (1.10, 3.27) 1.01 (0.99, 1.03) 1.08 (0.99, 1.17) Ajustadob 1.89 (1.10, 3.25) 1.01 (0.99, 1.03) 1.08 (0.99, 1.17) Multi-poluentec 1.85 (1.05, 3.27) 0.95 (0.89, 1.02) 1.10 (0.99, 1.21) DPOC Modelo bruto 1.17 (0.41, 3.04) 1.01 (0.98, 1.04) 0.95 (0.81, 1.11) Ajustado 1.11 (0.39, 3.12) 1.00 (0.97, 1.04) 0.96 (0.82, 1.13) Multi-poluente 0.92 (0.26, 3.20) 1.02 (0.85, 1.21) 0.90 (0.73, 1.12) Tosse crônica Modelo bruto 1.09 (0.81, 1.46) 1.00 (0.99, 1.01) 1.02 (0.97, 1.07) Ajustado 1.09 (0.81, 1.47) 1.00 (0.99, 1.01) 1.03 (0.98, 1.08) Multi-poluente 0.99 (0.72, 1.37) 0.99 (0.95, 1.03) 0.96 (0.91, 1.03) Catarro crônico Modelo bruto 0.92 (0.68, 1.26) 1.00 (0.99, 1.01) 0.99 (0.94, 1.04) Ajustado 0.92 (0.66, 1.26) 1.00 (0.99, 1.01) 0.99 (0.95, 1.05) Multi-poluente 0.85 (0.60, 1.21) 1.01 (0.96, 1.06) 0.95 (0.89, 1.01) Dispneia noturna Modelo bruto 0.94 (0.67, 1.34) 1.00 (0.99, 1.01) 1.00 (0.94, 1.05) Ajustado 0.95 (0.67, 1.35) 1.00 (0.99, 1.01) 1.00 (0.95, 1.06) Multi-poluente 0.81 (0.55, 1.21) 0.99 (0.94, 1.05) 0.93 (0.86, 1.01) Falta de ar Modelo bruto 1.68 (1.49, 1.94) 0.99 (0.98, 1.00) 0.94 (0.89, 1.00) Ajustado 1.90 (1.10, 3.27) 1.01 (0.99, 1.03) 1.08 (0.99, 1.17) Multi-poluente 1.89 (1.10, 3.25) 1.01 (0.99, 1.03) 1.08 (0.99, 1.17) a Modelo bruto: modelo univariado não ajustado. b Modelo ajustado: modelo ajustado para idade, sexo, histórico de fumante (nunca, passivo, anteriormente, atualmente), densidade habitacional, proximidade da estrada principal e formação. c Modelo Multi-poluente: modelo totalmente ajustado, incluindo concentração de exposição estimada de SO2.
  • 135. 135 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Isto sugere que a nossa avaliação primária dos resultados de saúde minimize ao máximo a classificação errônea. Uma classificação errônea diferencial, como de viés de memória, é improvável já que os participantes estavam inconscientes sobre o estado de exposição. Enquanto fizemos todos os esforços para controlar potenciais co-variáveis de confusão com os dados disponíveis, houve, sem dúvidas, confusões residuais que não foram controladas. Um exemplo notável é o mínimo de controle para as variáveis socioeconômicas. Infelizmente, como os dados de renda e riqueza eram incompletos, a formação e a densidade habitacional foram utilizadas como “proxy”. Os modelos estatísticos foram idênticos para os diversos resultados, pois não há base para co-variáveis que impactam a relação exposição-doença de forma diferente para os diferentes resultados. Uma possível causa de Classificação Errônea da exposição ao utilizar o endereço residencial pessoal é a probabilidade de que alguns participantes mudem de residência durante o período de estudo. Um dos critérios de seleção foi morar, pelo menos, cinco anos no endereço residencial atual. Aproximadamente, 76% dos participantes não mudaram de residência nos 10 anos anteriores à realização da pesquisa respiratória. Isto sugere que o efeito da deslocalização de avaliação da exposição pessoal é baixa. Um ponto positivo ao direcionar a atenção para fontes específicas de emissões de NOx e de SO2 é que esses poluentes servem como um “proxy” para outras co-exposições que não foram medidas. Como tal, enquanto nós estamos estimando apenas exposições de NOx e SO2 específicas das usinas de energia, isso também serve como um marcador para todos os outras exposições resultantes das emissões de carvão de usinas de energia. Limitações nos dados de monitoramento de qualidade do ar local são devidas à restrição em nossa capacidade de incorporar concentrações de material particulado (PM) na avaliação da exposição e avaliar se associações positivas foram devidas à co-exposição a emissões de Material Particulado da usina. Esta é uma limitação dada a força da literatura recente que relaciona a exposição ao Material Particulado de usinas a diversos resultados de saúde (Evans et al., 2013; Wellenius et al., 2011; Levy et al., 2009; Ito et al., 2006). No entanto, dado que as concentrações médias de Material Particulado são relativamente altas em Israel, o Material Particulado emitido pela usina contribui apenas marginalmente no total de Material Particulado observado (Yuval e Broday, 2009). Assim, ao contrário de SO2 e NOx, as fontes locais de Material particulado, tais como as emissões de usinas de energia,
  • 136. 136 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 são mais difíceis de distinguir. Devido à cobertura espacial heterogênea das estações de monitoramento, a interpolação espacial está sujeita a erros maiores em áreas pouco monitoradas. Além disso, devido a mudanças dinâmicas imprevisíveis no micro-ambiente, avaliar o impacto de uma determinada fonte em qualquer estação de monitoramento está sujeito às dinâmicas complexas de gases, o que frequentemente não são Gaussiana. Apesar disso, acreditamos que a o método Kriging foi o mais adequado para interpolar espacialmente os dados de exposição. O método Kriging foi estabelecido há muito tempo em muitos campos como a técnica convencional para a interpolação espacial (Isaaks e Srivastava, 1989), uma vez que minimiza o erro de interpolação quadrada e o fornece como parte dos resultados de interpolação. Yuval et al. (2005) constatou que a ponderação de distância inversa e os métodos Kriging de interpolação foram comparáveis na criação de mapas de concentração de poluentes atmosféricos na área de Baía de Haifa. Foi revelado que o método Kriging é superior à ponderação de distância inversa, especialmente quando uma curta janela de tempo é utilizada para cálculo da média. O modelo de abordagem na "fonte" pressupõe que a proporção molar S/N na chaminé e da coluna de gás é preservada, no entanto, as diferentes taxas de remoção (por exemplo, oxidação de NOx em NO3 e N2O5) podem alterar a relação na coluna de gás (Hewitt, 2001). Isso resultaria em uma superestimação da contribuição da usina na "abordagem na fonte". No entanto, a "abordagem de evento" utiliza uma definição um tanto heurística de um "evento". Esta abordagem pode ser propensa a Classificações errôneas da exposição devido à definição de um "evento" ser baseada no produto das concentrações de SO2 e NOx, enquanto esses poluentes apresentam tendências temporais opostas na área de estudo (diminuindo as concentrações de SO2 e aumentando as concentrações de NOx). Por fim, é importante notar que a "abordagem na fonte" é baseada em dados de períodos de tempo em que o vento soprou da usina para as estações de monitoramento individuais. Registros de cada uma das estações representam períodos distintos de condições meteorológicas únicas em que a estação de monitoramento é impactada pela usina. Consequentemente, a interpolação espacial desses casos representa uma superestimação significativa da quota de emissões de usinas de energia nos níveis de NOx observados. Na prática, embora a parcela da usina Orot Rabin nas emissões de NOx regionais seja de aproximadamente 95%, o seu efeito sobre os registros de monitoramento de NOx ambientais foi inferior a 70% (a maior participação em uma das estações de
  • 137. 137 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 monitoramento). Isso também explica por que as concentrações de SO2 atribuídas à usina (em momentos em que a coluna de gás atinge a central de monitoramento) são muito mais elevadas do que a média de níveis totais de SO2. O objetivo primário deste trabalho foi de estimar as exposições de energia específicas de usinas de energia e compreender a associação com os resultados de saúde respiratória. Do ponto de vista epidemiológico, a heterogeneidade espacial da exposição por toda a população é de grande importância. As estimativas de exposição que apresentamos são temporalmente orientadas e, portanto, apresentam uma estimativa da distribuição da exposição a longo prazo; isso é importante, especialmente considerando a natureza crônica dos resultados sobre a saúde sendo avaliada. Há a preocupação de que os mecanismos fisiopatológicos que resultam em doenças pulmonares crônicas e sintomas respiratórios sejam anteriores ao período de avaliação da exposição, arriscando a associação temporal exposição-doença. Isto pode ser uma das razões que contribuem para a falta de associação estatisticamente significativa com a asma e DPOC. Apesar disso, as nossas estimativas de exposição são projetadas para estimar a exposição a longo prazo e que a grande maioria dos participantes já residam no mesmo local há mais de 10 anos. Na medida do possível, acreditamos que isto aborda parcialmente a dificuldade de associação temporal em nosso estudo. O trabalho futuro incidirá sobre as diferentes variações espaciais entre as diferentes métricas de exposição, pois as estimativas de exposição de toda a região são diferentes nas duas abordagens, e que efeito isso pode ter sobre modelos epidemiológicos. 5. Conclusão Em suma, apresentamos duas novas abordagens para estimar a exposição pessoal às concentrações ambientais de NOx e SO2 atribuíveis às emissões de usinas de energia. Ao fazê-lo, fomos capazes de explorar as possíveis associações epidemiológicas entre exposições a NOx e SO2 específicas de usinas de energia e doenças respiratórias crônicas. Descobrimos que os sintomas respiratórios, mas não a prevalência de asma e DPOC, foram associados às estimativas de emissões de NOx da usina de energia. A "abordagem na fonte" parecia fornecer uma melhor estimativa da exposição às emissões de usinas de energia, uma vez que revelou uma relação dose-resposta mais forte com sintomas respiratórios e é menos propensa a classificações errôneas da exposição, em comparação
  • 138. 138 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 com a "abordagem de evento." A constatação de que o NOx específico de usinas de energia mostrou uma forte associação com sintomas respiratórios, superior ao NOx ambiente, sugere que a distribuição das fontes de poluição do ar é epidemiologia, podendo ajudar a identificar fontes clinicamente significativas de poluição. O cálculo da parcela de poluição ambiental atribuído às centrais regionais é potencialmente útil para fins de gestão da qualidade do ar, tais como programas de redução planejada. Compreender a associação da exposição específica de usinas de energia com resultados respiratórios pode fornecer uma avaliação potencialmente útil dos resultados de saúde da população local na análise custo-benefício da produção de energia à base de carvão. Agradecimentos O financiamento parcial para E.D.A. foi fornecido pelo Council for International Exchange of Scholar (Conselho de Intercâmbio Internacional de Acadêmicos) (CIES), Programa Fulbright, US-Israel Educational Foundation. A Coleta de dados dos resultados de saúde e coleta de amostras ambientais foi financiada pela Association of Towns for Environmental Protection (Associação das Cidades para a Proteção Ambiental), Hadera. A Fiscalização do Conselho de Análise para coleta de dados de saúde foi fornecida pelo comitê de direção sobre efeitos de usinas na saúde, do Ministry of Health and Ministry of Environmental Protection (Ministério da Saúde e Ministério da Proteção Ambiental). O protocolo, método de amostragem, questionários e materiais suplementares foram aprovados pelo comitê de direção em 26 de maio de 2002. Os Presidentes do comitê eram o Professor Alex Leventhal e Dr. Miki Haran. O método de abordagem na "fonte" foi desenvolvido com o apoio parcial do Technion Center of Excellence in Exposure Science and Environmental Health – TCEEH (Centro Technion de Excelência em Ciência de Exposição e Saúde Ambiental). Apêndice A. Material suplementar Dados suplementares relacionados a este artigo podem ser encontrados on-line em http://dx.doi.org/10.1016/j.envpol.2013.10.032.
  • 139. 139 ISSN 1980-0894 Tradução, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Referências Bibliográficas Abramson, M., Matheson, M., Wharton, C., Sim, M., 2002. Prevalence of respiratory symptoms related to chronic obstructive pulmonary disease and asthma among middle aged and older adults. Respirology 7, 325-331. Barnett, A.G., Williams, G.M., Schwartz, J., Best, T.L., Neller, A.H., Petroeschevsky, A.L., Simpson, R.W., 2005. Air pollution and child respiratory health: a case-crossover study in Australia and New Zealand. Am. J. Respir. Crit. Care Med. 171, 1272-1278. Baron-Epel, O., Garty, N., Green, M.S., 2007. Inequalities in use of health services among Jews and Arabs in Israel. Health Serv. Res. 42, 1008-1019. Brauer, M., Hoek, G., Van Vliet, P., et al., 2002. Air pollution from traffic and the development of respiratory infections and asthmatic and allergic symptoms in children. Am. J. Respir. Crit. Care Med. 166, 1092-1098. Brunekreef, B., Beelen, R., Hoek, G., Schouten, L.J., Bausch-Goldbohm, S., Fischer, P., Armstrong, B., Hughes, E., Jerrett, M., van den Brandt, P.A., 2009. Effects of long¬term exposure to traffic-related air pollution on respiratory and cardiovascular mortality in the Netherlands: the NLCS-AIR study. Res. Rep. Health Eff. Inst. 139, 1-94. Carbonell, L.T., Ruiz, E.M., Gacita, M.S., Oliva, J.R., Rivero, N.D., 2007. Assessment of the impacts on health due to the emissions of Cuban power plants that use fossil fuel oils with high content of sulfur. Estimation of external costs. Atmos. Environ. 41, 2202- 2213. Chen, T.M., Gokhale, J., Shofer, S., Kuschner, W.G., 2007. Outdoor air pollution: ni¬trogen dioxide, sulfur dioxide, and carbon monoxide health effects. Am. J. Med. Sci. 333, 249-256.
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