Sistema Delta: Desenvolvimento de componentes para fechamento de edifícios e a interação entre o design industrial e a arquitetura
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Sistema Delta: Desenvolvimento de componentes para fechamento de edifícios e a interação entre o design industrial e a arquitetura

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Artigo Publicado na edição Vol. 3, nº1, Ano 2014

Artigo publicado na Revista Iniciação - Publicação Científica do Centro Universitário Senac

Resumo. Este trabalho de conclusão de curso estuda os elementos modulares utilizados nos edifícios para a construção de anteparos, com especial destaque para os Cobogós. A partir deste estudo o trabalho pretende discutir questões relacionadas ao conforto térmico dos edifícios, ao uso apropriado de sistemas, materiais e formas, a utilização de processos de fabricação inovadores e da experimentação como fio condutor do desenvolvimento de projeto. O resultado final desta pesquisa é a proposição de um sistema modular de fechamento que possa ser comercializado e aplicado na arquitetura e na construção civil, considerando, como elementos fundamentais, a luz e a ventilação e explorando o efeito visual gerado pelo sistema.

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  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 1 Sistema Delta: Desenvolvimento de componentes para fechamento de edifícios e a interação entre o design industrial e a arquitetura. Delta system: Development of components for closing buildings and the interaction between industrial design and architecture. Lucas Vinci de Pinho Andrade¹, Valéria Santos Fialho² ¹ Estudante do Centro Universitário SENAC Bacharelado em Design com Habilitação em Design Industrial ² Prof. Dra. do Centro Universitário SENAC lu.vinci@gmail.com, valeriafialho@gmail.com Resumo. Este trabalho de conclusão de curso estuda os elementos modulares utilizados nos edifícios para a construção de anteparos, com especial destaque para os Cobogós. A partir deste estudo o trabalho pretende discutir questões relacionadas ao conforto térmico dos edifícios, ao uso apropriado de sistemas, materiais e formas, a utilização de processos de fabricação inovadores e da experimentação como fio condutor do desenvolvimento de projeto. O resultado final desta pesquisa é a proposição de um sistema modular de fechamento que possa ser comercializado e aplicado na arquitetura e na construção civil, considerando, como elementos fundamentais, a luz e a ventilação e explorando o efeito visual gerado pelo sistema. Palavras chave: cobogó, design e modulo. Abstract. This course conclusion Project studies the modular elements used in buildings for the construction of shields, with a special highlight to the Cobogós (Latticework). From this study, the project’s purpose is to discuss questions related to the termal comfort of buildings, the adequate use of systems, materials and shapes, the use of innovator fabrication processes, and the experiments, serving like focus to the project’s development. The final result of this research is the proposition of a modular system of closing that can be commercialized and applied to architecture, as well as to civil construction, considering, as fundamental elements, light and ventilation, and exploring the visual effect received by the system. Key words: cobogós, design and module.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 2 1. Introdução Após uma breve pesquisa bibliográfica sobre a inserção e influência de anteparos, sistemas de controle de luz e elementos vazados na história da arquitetura, foi destacado o Cobogó como objeto de estudo mais aprofundado. Neste trabalho serão estudados os sistemas de elementos construtivos geradores de conforto ambiental e suas aplicações na arquitetura contemporânea, lançando mão da especulação de formas, sistemas e materiais atuais para atualizar a maneira que o elemento vazado, hoje muitas vezes de cerâmica, é aplicado. Após estudos preliminares e do entendimento do estado da arte atual e da importância deste sistema para a construção, pretendo propor um projeto que alie a ideia de conforto à criação de um sistema diferenciado, que possa ser comercializado e aplicado na arquitetura, levando em consideração a luz e a ventilação como potenciais fenômenos para proporcionar bem-estar e comodidade. Portanto será desenvolvido um sistema modular de fechamento para edifícios. O projeto visa à inovação tecnológica, pesquisa de materiais para construção civil e, ainda, a experimentação formal, explorando além das propriedades de anteparo (conforto ambiental) o efeito visual a partir de estudos de geometria. Ao criar um produto com foco para o conforto ambiental e o efeito visual gerado aplicado à arquitetura, alguns itens serão levados em consideração:  A peça funciona como anteparo, filtro de luz e calor;  A peça poderá ter influência de movimentos artísticos, porém será projetada sem intenção de reproduzir estilos.  O desenho tridimensional da peça poderá surgir com o auxílio de estudos bidimensionais;  Para simulação tridimensional será utilizado o recurso de parametrização em softwares de modelagem tridimensional;  Interação com o meio para gerar efeitos visuais diferentes. Seja com o movimento do sol para gerar sombras ao longo do dia e modificar a percepção visual, seja pela reflexão do material utilizado, vento e etc.  A forma da peça não tem intenção em ser reconhecível ou figurativa.  A superfície poderá ser aplicada no ramo da decoração.  A peça será projetada para fabricação em larga escala.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 3  Mesmo sendo pensado inicialmente para como fechamento de edifícios, o sistema pode ser desenvolvido também para outras aplicações, a partir da manipulação da escala e do uso de diversos tipos de materiais.  Pretende desenvolver uma proposta diferenciada do que existe atualmente, com novas tecnologias. 2. Sobre os elementos vazados e anteparos Henrique E. Mindlin (1956) afirma que a arquitetura moderna recebe destaque nas décadas de 40 e 50 já que foi um momento do século que provavelmente foi mais motivado pelas artes visuais. O momento não foi apenas marcado por simples adoções de estilos europeus, mas sim por um novo repertório de obras de um grupo de profissionais com propostas alternativas à estética nascida no modernismo Internacional. No Brasil a arquitetura moderna revelava forte identidade e originalidade. A arquitetura moderna no Brasil passou a ser reconhecida mundialmente através do livro Brazil Builds, também da exposição que levou o mesmo nome do livro (realizada em 1943 em Nova York). Revistas europeias conceituadas começaram a disseminar os vários caminhos que a arquitetura moderna passou a alcançar, como a do Brasil que também se diferenciava por ter sido adaptada aos ares tropicais do país. O Brasil passava por um período, assim descrito por Mindlin (1956) de “contradição e ambiguidade”. Na era Vargas a Kubistchek mudanças significativas modificavam a maneira das pessoas entenderem o mundo, como: alterações tecnológicas (evolução do rádio para televisão); Oportunidade para arquitetos na decisão da cidade que seria a nova capital do Brasil; Segunda guerra mundial; ditadura e conquistas democráticas e nas alterações na qual a arquitetura e as artes passavam; Industrialização que incentivou a construção de prédios. No pós-guerra começa uma grande demanda de construção, crescimento e o povo otimista quanto ao desenvolvimento. Segundo Mindlin (1956), ao atravessar a década de 30, que foi marcada por bastante força econômica, torna-se notável um período de tentativa de “modernização”. Lúcio Costa assume a direção da escola de Belas Artes no Rio de Janeiro. Após a revolução de 1930, Mindlin (1956) reforça a boa fase para o desenvolvimento do estilo moderno. Getúlio Vargas pretendia gravar marcas e formas em seu governo e anunciava a prioridade na criação de palácios para sede dos ministérios e órgãos públicos da nova administração. Naquele tempo o Brasil se mostrava uma grande oportunidade no meio da arquitetura atraindo profissionais de outros lugares do mundo, principalmente europeus que passavam por uma má fase de oportunidades no país. Donat Agache; Le Corbusier e o italiano Marcello Piacentini se instalaram no Brasil e adquiriram seu espaço no meio. Os modernistas, tendo Lúcio Costa como idealizador e com consultoria de Le Corbusier executaram o projeto do Ministério da Educação, que ocupou o lugar do primeiro arranha-céu do planeta, segundo Mindlin (1956). Após o projeto o prestígio dos profissionais foi ainda maior, e os dois passaram a realizar a maioria das obras estatais. Mesmo com a influência do governo para criação de obras estatais, o novo estilo passa a obter admiração e reconhecimento, suas formas ousadas passam a ocupar muitas revistas e jornais e a serem incorporadas ao cotidiano. O estilo conseguiu se adaptar bem às necessidades das residências e aos conceitos de espaço livre,
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 4 preocupação com a ventilação, calor e excesso de luz presentes no país de clima Tropical. Figura 1: Lúcio Costa, detalhe da faixada do edifício Bristol (Rio de Janeiro, 1950). O edifício Bristol é um edifício residencial que reflete bem a adaptação do estilo moderno para este tipo de construção. Em decorrência do conforto e da proposta de transparência sugerida pelo estilo, o prédio inserido dentro de uma reserva natural (parque Guinle) no centro do Rio de Janeiro, segundo Mindlin (1956), foi o primeiro prédio de apartamentos a receber prêmio. Na faixada dos 3 edifícios que compõem o condomínio, são dispostos brises e cobogós que sugerem a proposta modernista relacionada a praticidade, conforto e simplicidade. As linhas estruturais do prédio ficam expostas e os apartamentos com limites bem definidos tornam-se oportunidade de revelar a limpeza da forma do novo estilo. Figura 2: Desenhos a partir do grafismo de cobogós do edifício Bristol Influenciados por Lúcio Costa e pelo modernismo, diversos prédios começam a esboçar a arquitetura modernista brasileira utilizando os cobogós criados no Brasil. Hoje seu uso muito variado se dá por conta de no mercado haver diversos tipos de elementos vazados e cobogós fabricados em materiais diferenciados.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 5 Figuras 3 e 4: cobogós inspirados na trama de palha do arquiteto Cícero Ferraz da Cruz e Desenho a partir do cobogó de Cícero Ferraz da Cruz. O projeto de Cícero Ferraz destaca-se pela sua geometria que reproduz os vazios de uma trama. A experiência não está desassociada a genialidade de inverter a relação da escala do homem e de um produto que muitas vezes só é percebido desta maneira com o auxílio de objetos de ampliação, como uma fotografia macro. Figuras 5 e 6: Cobogós amarelos de cerâmica esmaltada projetados pela arquiteta Renata Pedrosa e desenhos a partir do Cobogó. Renata Pedrosa criou o módulo acima com dimensões quadradas que permite ser aplicado nas quatro posições. A peça cria uma irregularidade por conta de o quadrado vazado estar deslocado do centro. O módulo possui um arredondamento sutil e mesmo utilizando materiais do cobogó tradicional, transmite a simplicidade do movimento moderno, reforçado por sua cor vibrante. Figuras 7 e 8: Galeria de arte da Casa Cor em Brasília (2008) – Projeto Domo arquitetos e desenhos realizados a partir do projeto Domo arquitetos.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 6 As peças possuem propostas diferentes desde os desenhos até seus materiais. Todas as peças podem ser aplicadas para decoração, porém algumas recebem um tratamento diferenciado para ressaltar este tipo de utilização. A função ventilação é explorada em todas as peças. Algumas propostas tiram proveito da forma para direcionar o vento caso haja necessidade, como é o caso da veneziana de concreto, bastante utilizada em garagens subterrâneas. Outros elementos antigos que sofreram avanços e passaram a serem aplicados de uma forma diferenciada, são os Muxarabis e os Brises. Muxarabis é um elemento próximo do Cobogó em sua essência, porém por influência da arquitetura islâmica, os Muxarabis segundo o Instituto Brasileiro de Estudos Islâmicos, na cultura Árabe foi uma forma encontrada para preservar a mulher islâmica, que por entre treliças de madeira era possível a mulher observar a rua sem que ela se expusesse. A idéia de poder ver sem que a pessoa seja vista, foi de grande utilização no Brasil também, durante a fase colonial. A solução permite a ventilação, a iluminação, e diminui a luz solar incidindo de forma intensa, além de sua aplicação decorativa, a arquiteta Lina Bo Bardi utilizou o elemento em alguns de seus trabalhos. Figuras 9 e 10: Sesc Pompéia - SP (1977) por Lina
 Bo Bardi, revela espontaneidade nas aberturas propositais no concreto armado em que adapta o prédio da antiga fábrica de tambores para continuar funcionando como espaço cultural e desenho e especulação criado a partir da observação da referência. Na arquitetura atual cresce a demanda por sistemas inteligentes que adaptam a edificação ao meio na qual foi inserida, seja ela mecânica ou não. Afim de uma valorização da cultura árabe foi feito um grande investimento para criar um visual de modernidade e a ideia de Muxarabis contemporâneos. O prédio do Instituto Mundo Árabe foi um projeto do final dos anos 1970, quando houve a necessidade de modernizar a imagem que os Franceses tinham do povo, da cultura árabe e do instituto, como afirma Philipe Cardinal (2010).
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 7 Figuras 11 e 12: Detalhe do mecanismo da
 edifício que lembra aos “diafragmas” das câmeras fotográficas. O projeto foi vencedor de um prêmio em 1981 e desenho dos sistemas de diafragmas da pele do Instituto Mundo Árabe. 3. Referências de projetos As referências pesquisadas para o projeto foram das mais variadas possíveis já que não me propus a criar um Cobogó e sim um sistema que possa servir como anteparo. Portanto, para acrescentar repertório foram pesquisadas referências que não necessariamente possuem aplicação na arquitetura, mas que possibilite a geração de efeitos visuais em diferentes suportes. Cada referência foi cuidadosamente especulada em termos de materiais, funções e composições obtidas. A partir da pesquisa de projetos e pensar possibilidades de caminhos a seguir notei que seria necessário além de existir referências de materiais que hoje já estão sendo bastante aplicados em cobogós existentes, incluir também uma pesquisa de materiais (compósitos) diferentes que foram criados para outras aplicações e que poderia se apresentar como uma alternativa de anteparo/ fechamento de edifícios. 4. Geometria e experimentação No Instituto para estudos avançados da Filadélfia, são lideradas aulas para experimentações e sistemas geométricos denominados “Flutter Forms”. O sólido gerado a partir de papel é diferenciado, pois além do desenho, há a preocupação de fazê-lo de maneira que possibilite a “mutação” formada a partir de estudos geométricos. Nas primeiras aulas são estudadas formas simples de se obter estruturas em papel, cortes e as técnicas necessárias. Depois que se têm módulos, mesmo que simples, estes são aprimorados com noções matemáticas e geométricas. O grupo possui alguns trabalhos divulgados na internet com ótimos resultados e efeitos surpreendentes. A possibilidade de aplicação dos módulos é bastante ampla e acredito que este tipo de experimentação é bastante válida para o campo da construção civil, apesar da intenção ou não de aplicar os módulos para outros fins que não sejam só de criar modelos em papel, não encontrei trabalhos que foram continuados neste sentido.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 8 5. Considerações sobre o projeto e primeiros estudos Figura 13: Construção geométrica do primeiro estudo. A partir de estudos e observação de referências, procurei desenvolver um módulo bastante plástico no qual, com a experiência, pudesse identificar uma boa propriedade do módulo para ser explorada. A dificuldade de experiências formais e este tipo de exploração também serviram como exercício para que eu pudesse identificar a metodologia mais interessante a ser seguida. Procurei experimentar o módulo em software 3d (Rhinoceros) e o modelo em papel. A metodologia escolhida será semelhante a citada na experimentação acima. Recortes, dobras, e utilização de alguns materiais fáceis de realizar pequenos modelos de volume para, a partir da definição da forma, utilizar os softwares para detalhar o projeto e na realização de maquetes quando houver necessidade de replicar o módulo inúmeras vezes. Desenvolvi o primeiro módulo tirando proveito de uma geometria simples para começar a idealizar uma estrutura já pensando de como este módulo pode se concretizar ao universo estudado. Pensando em sua aplicação; montagem; armazenamento e o material que o faria possível. Figura 14: Duas vistas do primeiro módulo realizado em papel cartão a partir de dois triângulos equiláteros. A geometria experimentada permite o fácil armazenamento como uma boa oportunidade a ser explorada e evidenciada.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 9 Figura 15: A estrutura fechada de oito módulos unidos. Figura 16: Exemplo de estrutura retrátil. Figura 16: Detalhes da estrutura proposta. O primeiro estudo gerou uma forma de geometria simples que sofre bastante alteração de seu desenho em decorrências das influências de luz. As sombras criam desenhos diferenciados e sua superfície multifacetada propicia incidências diferentes de tons nos planos, confundindo a referência de posição das faces. Prosseguindo com a especulação de formas o segundo módulo partiu da experimentação de uma geometria que possibilitasse mobilidade ao módulo para que quando necessário o mesmo pudesse sofrer deformação. O fechamento poderia ser projetado para uma utilização mecânica ou simplesmente fixo com alguma junção que valorizasse a maleabilidade da forma.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 10 Figura 18: Experimentação de uma geometria maleável. Figura 19: Terceiro experimento simplificando a forma anterior. A simplificação da forma no terceiro experimento gerou uma forma fixa sem movimento. Foi descartada logo do início, pois sua forma possibilitou pouca composição e um módulo a princípio fechado sem uma aplicação eficiente na passagem de luz.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 11 Figura 20: Quarto módulo. outra experimentação retrátil. O quarto módulo ainda com poucas variações de montagem partia de uma geometria mais complexa e bastante exagerada que não o tornava mais interessante em sua função e possível aplicação. Figura 21: Exemplificação da mutação do quinto módulo. Figura 22: O sexto módulo realizado. Acima, outro módulo realizado trabalhando a partir de um plano. A forma e sua geometria possibilitam a alteração da peça. A peça multifacetada gera planos de luz e sombra que criam uma superfície com maior variação em sua forma, mesmo quando estática. Se for aprimorada a propriedade de movimento da peça poderiam ser utilizados recursos mecânicos. A geometria surgiu a partir de uma malha quadriculada.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 12 Figuras 23 e 24: Sétima e oitava experiência já pensando na simplificação e limpeza da forma para diminuir o volume desnecessário da peça. Figura 25: Desenho da perspectiva de uma experiência de composição Figura 26: Modelagem realizada no software Rhinoceros. Primeira experiência de configuração da peça.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 13 Figura 27: Quatro vistas frontais das possíveis combinações obtidos pela peça. O módulo resultou em combinações muito variadas e por se tratar de um módulo com faces distintas, os desenhos criados apresentaram configurações diferentes nos dois planos. A peça poderia ser fabricada a partir da dobra de alguma chapa. Porém o resultado gerado foi uma peça semelhante ao cobogós já existes no mercado. Figura 28: Perspectiva da mesma configuração. Faces com desenhos diferentes.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 14 Figura 29: Módulo assimétrico derivado de peças simples; desenhos e experimentos com diferentes proporções e inclinações. Figura 30: Modelagem da superfície curvilínea obtida pela composição do módulo. A sutil inclinação nas faces laterais da peça produzem curvas e um módulo que possibilita bastante movimento na composição. A irregularidade e as faces que não são paralelas fazem o módulo não se limitar apenas a um plano, produzindo uma experiência mais tridimensional. Este módulo seria selecionado para dar continuidade ao projeto se a forma não se restringisse apenas a quatro composições. Porém após esta experimentação comecei a reproduzir peças que partem de sólidos ou formas geométricas básicas. Tendo em mente a necessidade de um sistema que não fosse apenas como um tijolo fixo, mas sim pensando em modularidade e formas que juntas venham a criar tridimensionalidade para diferentes aplicações. Comecei a notar a necessidade da busca de formas básicas para entender as possibilidades de composição e de como se comportam.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 15 Figura 31: Sketches de alguns raciocínios e tentativas. Figura 32: Sólidos realizados em papel. Tetraedros regulares e irregulares criados proporcionalmente a partir da mesma base. Ao buscar algum tipo de modulação, procurei experimentar uma armação que pudesse utilizar sólidos cortados proporcionalmente recortados para rebater a luz e preencher os vazios quando fosse necessário.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 16 Figura 32: Detalhes do modelo realizado em papel e canudos. Detalhes da estrutura mencionada. Os volumes fixos na armação preenchem os vazios formando aberturas propositivas. Figura 33: Mais algumas especulações do desenvolvimento. Figura 34: Raciocínios de fixação para criar um movimento na peça estática.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 17 6. O Projeto Figura 34: Apresentação da proposta Delta. Os primeiros estudos com tetraedros foram para entender a plasticidade da forma, testes de empilhamento e observar o crescimento que a geometria possibilita. Montei tetraedros de madeira em escala 1:5 para o primeiro estudo e obtive estes resultados:
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 18 Figura 35: Módulos em madeira enfileirados e empilhamento com 15 módulos. Figura 36: Outro ângulo do empilhamento com 15 módulos e de 25 modulos. O módulo cresceu desordenadamente, porém a pilha obtida continuou com pouca fluidez. O empilhamento de 25 módulos venceu um vão maior do que 2 metros na escala. A experiência acrescentou também na identificação de quantidade de módulos na base que para que conseguisse atingir um pé direito convencional. Após a primeira experiência com a forma, fiz alguns croquis de como esta estrutura poderia ser utilizada para filtrar a luz excessiva se aplicada na fachada de um prédio e como unir a forma de um jeito que o torne mais fluída e com movimento propositivo.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 19 Figura 37: Croquis especulativos. Figura 38: Ilustração realizada a partir da ideia.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 20 Criar uma superfície mais fluída utilizando foles para unir os tetraedros de maneira que a junção flexível determinasse a direção do módulo e também o fizesse voltar a face do tetraedro para o plano quando necessário, facilitando sua aplicação. Figura 39: Primeiro fole realizado. O primeiro fole foi planificado e depois montado. Desta maneira o fole teria as faces abertas e foi necessário testar a forma para que a superfície ficasse completamente contínua. Após o desenvolvimento dos foles a aplicação nos módulos resultou em desenhos bem mais interessantes do que as composições com apenas módulos. Figura 40: Primeiros modelos de foles e sua aplicação no tetraedro.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 21 Após algumas tentativas de direcionar o fole, percebi a necessidade de fechar algumas faces do tetraedro porque a face fechada atua como rebatedor de luz e também como barreira. Figura 41: Experimentos do fole e dos tetraedros compondo uma estrutura Figura 42: Aumentando o número de módulos compondo de forma livre.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 22 No desenvolvimento do projeto não determinei a utilização do módulo apenas de uma maneira ja que a forma surgiu também da tentativa de criar algo versátil e que se adeque a muitas superfícies. Porém, por se tratar de peças que se encaixam é possível também ser utilizado criando uma malha por exemplo na imagem abaixo. Há um fole unindo dois módulos e eles foram enfileirados criando um padrão. Figura 43: Dois Tetraedros e um fole compondo um padrão. Muitos padrões possíveis podem se formar a partir da idéia de configurar um módulo e replicá-lo quantas vezes for necessário. Após testes formais, a necessidade de idealizar o módulo em algum material e o tipo de encaixe fazia bastante diferença na hora de sua aplicação, por isso iniciei alguns testes de como as peças se encaixariam e qual material o faria possível. Junto a testes de encaixe também realizei testes de mudança de escala para enxergar a geometria em dimensões diferentes da já trabalhada.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 23 Figura 44: Detalhes do modelo de encaixe. O primeiro em escala 1:2 com o teste de utilização do perfil quadrado; na segunda imagem um modelo em escala 1:8. Figura 45: Perspectiva explodida detalhando a junção dos tubos para formar o tetraedro e também a junção de até três tetraedros. Figura 46: Desenho técnico da peça de junção dos tubos do tetraedro.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 24 Figura 47: Corte na braçadeira. Figura 48: Desenho técnico
 da braçadeira de junção dos tubos do tetraedro. Figura 49: Desenho técnico do tubo do tetraedro. Figura 50: Corte do tubo do tetraedro.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 25 Figura 51: Anel de fechamento quando não há união de mais tetraedros. Figura 52: Anel para unir dois Tetraedros. Figura 53: Peça para unir três tetraedros.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 26 Figura 54: Perspectiva de dois módulos unidos. Figuras 55 e 56 : Detalhe da junção de dois módulos com diferentes acabamentos de alumínio e simulação tridimensional da junção dos dois módulos em alumínio. Figura 57: Perspectiva de dois módulos crescendo desordenadamente.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 27 Figura 58: Aplicação do módulo em uma fachada. Figura 59: Estudo volumétrico do módulo em escala 1:1. 7. Considerações Finais Mais do que apenas um projeto, a experiência das etapas deste trabalho acrescentaram muito e foram de grande importância nesta fase da minha vida. A experiência de fazer um projeto sozinho me despertou algumas dúvidas, dificuldades e também a necessidade em trabalhar em algumas etapas de projeto que outras vezes não tive oportunidade de participar com tanta autonomia. O processo de trabalho foi bem diferenciado dos que já realizei durante esses quatro anos de faculdade. Durante o processo pude ter contato com outras referências, palestras e projetos com foco na arquitetura que contribuíram na pesquisa e no desenvolvimento. Houve dificuldade de realizar testes nessa estrutura já que precisei fazer muitos testes em escalas para entender o comportamento do volume. Gostaria de ter conseguido
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 28 fazer testes também em módulos 1:1 pra poder desenvolver testes com materiais, resistência e até o funcionamento. Para o detalhamento do projeto consegui resolver o módulo de tetraedro, mas não consegui detalhar como seria o encaixe do fole na peça. Para o projeto também gostaria de alterar a escala e propor outras aplicações para o módulo. Todas as tentativas e estudos acrescentaram bastante para que pudesse entender o que cada peça poderia oferecer. A metodologia escolhida foi eficiente quanto ao desenvolvimento do pensamento de tirar proveito e adaptar em uma determinada instância. Estou satisfeito com todo o processo e pretendo também aplicar e adaptar a experiência adquirida com este trabalho em meus futuros projetos. Referências: AGKATHIDIS, Asterios. Digital Manufacturing In Design and Architecture. Branko Kolaverick : Canadá, 2010. BRUAND, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1981. FILHO, Nestor Goulart Reis. O Quadro da Arquitetura no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1997. FORTY, Adrian. Objetos de desejo. São Paulo: Cosac Naify. MINDLIN, Henrique E. Arquitetura moderna no Brasil. São Paulo: Aeroplano,1999. Lista de imagens: Figura 1 ___________________________________________________________________p.4 Edíficio Bristol – Rio de Janeiro. Disponível em: <http://c.imguol.com/album/brises_2_f_017.jpg> Acesso: 27 de Maio de 2011, as 01:38 h. Figura 2 ___________________________________________________________________p.4 Montagem de desenhos dos padrões encontrados na fachada do Ed. Bristol. Acervo pessoal. Figura 3 ___________________________________________________________________p.5 Cobogós inspirados na trama de palha do arquiteto Cícero Ferraz da Cruz. Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/_jr_NXzjeZws/TTn1Owk6uI/AAAAAAAAAD4/ k655IH4ZFmo/s1600/aec285-64- cobogo04.jpg>
 Acesso: 1 de Junho de 2011, as 18:05 h. Figura 4 ___________________________________________________________________p.5 Desenho a partir do Cobogó de Cícero Ferraz da Cruz. Acervo pessoal. Figura 5 ___________________________________________________________________p.5 Cobogós amarelos de cerâmica esmaltada projetados pela arquiteta Renata Pedrosa. Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/_jr_NXzjeZws/TTn1Owk6uI/AAAAAAAAAD4/ k655IH4ZFmo/s1600/aec285-64- cobogo04.jpg>
 Acesso: 1 de Junho de 2011, as 18:05 h. Figura 6 ___________________________________________________________________p.5 Desenho do Cobogó da Renata Pedrosa. Acervo pessoal.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 29 Figura 7 ___________________________________________________________________p.5 Galeria de arte da Casa Cor em Brasília (2008) – Projeto Domo arquitetos. Disponível em: <http://assimeugosto.files.wordpress.com/2010/01/cobogo.jpg>
 Acesso: 1 de Junho de 2011, as 19:20 h. Figura 8 ___________________________________________________________________p.5 Desenhos realizados a partir do projeto Domo arquitetos. Acervo pessoal. Figura 9 ___________________________________________________________________p.6 Sesc Pompéia - SP. Disponível em: <http://arquitetura-ap.blogspot.com/2011/05/classicos-da- arquitetura.html> Acesso: 3 de Maio de 2011, as 14:52 h Figura 10 __________________________________________________________________p.6 Desenho e especulação criada a partir da observação da referência. Acervo pessoal. Figura 11 __________________________________________________________________p.7 Detalhes do fechamento do edifício Instituto do Mundo Árabe em Paris. Disponível em: http://arquitetogeek.wordpress.com/category/edificacoes/ Acesso: 12 de Maio de 2011, as 11:20h. Figura 12 __________________________________________________________________p.7 Desenho dos sistemas de diafragmas da pele do Instituto Mundo Árabe. Acervo pessoal. Figura 13 a 59 __________________________________________________________p.8 a 27 Acervo pessoal.