A mutação do objeto como item de projeto

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Artigo publicado na Revista Iniciação – edição Vol. 3, nº1, Ano 2014
Publicação Científica do Centro Universitário Senac - ISSN 2179-474X

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http://www1.sp.senac.br/hotsites/blogs/revistainiciacao/?page_id=13

Resumo

Análise e reflexão sobre a mutação dos objetos ao longo da história da humanidade e as transformações provocadas e/ou decorrentes destas mutações, com reflexo nos comportamentos e ações humanas. A partir deste ponto, discutem-se as relações que passam a ser estabelecidas a partir das novas informações processadas e, adicionalmente, as interferências causadas por um objeto multifuncional quando o mesmo é inserido na tríade homem + objeto + espaço.

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A mutação do objeto como item de projeto

  1. 1. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014, São Paulo: Centro Universitário Senac ISSN 2179474 X © 2014 todos os direitos reservados - reprodução total ou parcial permitida, desde que citada a fonte portal de revistas científicas do Centro Universitário Senac: http://www.revistas.sp.senac.br e-mail: revistaic@sp.senac.br A mutação do objeto como item de projeto The object’s mutation as project item Alex Braga Tonda, Myrna de Arruda Nascimento Centro Universitário SENAC Bacharelado em Design Industrial abtonda@gmail.com, myrnanas@gmail.com Resumo. Análise e reflexão sobre a mutação dos objetos ao longo da história da humanidade e as transformações provocadas e/ou decorrentes destas mutações, com reflexo nos comportamentos e ações humanas. A partir deste ponto, discutem-se as relações que passam a ser estabelecidas a partir das novas informações processadas e, adicionalmente, as interferências causadas por um objeto multifuncional quando o mesmo é inserido na tríade homem + objeto + espaço. Palavras-chave: design industrial, multifuncionalidade, mutação. Abstract. This article intends to analyze and discuss about the object’s mutation during the design history, and about the changes that resulted from these mutations, which reflected in human beings behaviors and actions. How the object’s mutation affects the relationship of man + space in the course of an era and how to face it like a project item when a multifunctional object is inserted in this relationship? Key words: industrial design, multifunctionality, mutation.
  2. 2. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 2 1. Introdução Estamos cercados por objetos que equipam o ambiente a nossa volta ao mesmo tempo em que nos tornam aptos a ambientá-lo. Objetos que, inevitavelmente, carregam a história do contexto cultural em que foram projetados e possibilitam que uma nova história seja configurada a partir do momento em que seus conceitos são revisitados. Tal processo de revisão de conceitos, re-projeto, re-desenho, possibilita que a mutação dos objetos aconteça em um continuum movimentado pela interpretação inconstante do homem diante de seu meio, que busca transformá-lo, moldando-o de acordo com o espírito de determinada época. Paralelamente à reflexão a cerca da mutação dos objetos ao longo da história da humanidade, a versatilidade dos objetos multifuncionais também é um fenômeno curioso, e imprescindível, que merece espaço neste mesmo artigo. É necessário refletir sobre a contaminação dos objetos e as transformações que eles provocam em virtude das distintas formas de ação/uso que são impostas aos mesmos pelo homem, sob o ponto de vista tecnológico ou da sua interação com o ambiente.
  3. 3. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 3 2. A mutação do objeto A palavra mutação geralmente é capaz de despertar inquietação dependendo do contexto em que é empregada. Aliada à cultura dos objetos, a primeira imagem a ser desenhada mentalmente pelo espectador quando se depara com o termo é a de algum produto impregnado de articulações e dispositivos mecânicos complexos, capazes de transformar o mesmo em outro. Porém, grande parte das mutações significativas na história do design discutidas neste artigo é de natureza singela, frutos de “belas sacadas” de percepção. Momento em que o projetista abstrai sua noção de realidade e parece acessar dentro do raciocínio projetual uma nova dimensão, um diferente caminho para interpretar o objeto em foco e carente de redesenho. Caminho este acessado pelo processo de associação e experimentação. Michael Thonet associou ramos de flores a bastões de madeira em busca de suprir uma eventual limitação física do material. Se Thonet não analisasse e experimentasse a curvatura que ramos frescos, úmidos, proporcionam talvez nunca impregnasse de vapor os bastões de faia que configurariam, em 1859, a cadeira nº14. Os bastões curvados reuniam diferentes funções estruturais da cadeira, assim, Thonet simplificou o processo de fabricação de uma cadeira convencional, tornando-o mais ágil e econômico para a sua época. (Munari, 2008) Figura 1. Esquerda para direita: cadeira Windsor (23 peças), cadeira Chiavari (16 peças) e a atomização do conceito naquela época, a cadeira nº14 de Thonet (6 peças). A técnica de vergar bastões de madeira no vapor, que resultou na tecnologia da curva estrutural, se originou dentro de um cenário sustentado/ocupado por máquinas a vapor que configuravam a primeira revolução industrial. Cenário este que consequentemente influenciaria o projeto do artesão, posteriormente consagrado como projetista industrial após analisar todas as variáveis existentes dentro do respectivo contexto e desenhar um objeto capaz de suprir as necessidades da época. Além de apresentar um raciocínio projetual destinado ao aprimoramento da serialização de um objeto, o projeto também oferecia uma solução em relação ao armazenamento do mesmo. Em um espaço de um metro cúbico 36 cadeiras podem ser armazenadas quando desmontadas em módulos.
  4. 4. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 4 A mutação desencadeada por Thonet, e seu projeto disruptivo da cadeira nº14, influenciou uma geração de designers que beberam de sua fonte e perpetuaram a ideia no decurso da história do design através do emprego de diferentes materiais. Figura 2. A herança de Michael Thonet. Uma nova linguagem visual criada e posteriormente desdobrada através dos projetos de Mart Stam (ao centro), Marcel Breuer (à direita) e outros. Com a chegada do poliuretano ao mercado, foi possível que mais uma vez o conceito de estrutura de apoio para descanso fosse questionado e transformado por alguns projetistas, dadas as possibilidades que o material proporcionava. Certamente um dos casos mais curiosos dessa fase, que se destaca pela ousadia de seu conceito, é o projeto Living Tower (1969) do arquiteto dinamarquês Verner Panton. Figura 3. A “torre de convivência” de Verner Panton.
  5. 5. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 5 Assim como Thonet, Panton curvou as estruturas e transformou o velho sofá da sala de estar em uma nova proposta para um futuro estilo de vida. Talvez tão distante que parecesse deslocado no espaço dentro de sua época, porém atual e coeso com a presente oferta de metros quadrados oferecido nas grandes metrópoles. O mérito do projeto da “torre de convivência” de Panton certamente não está relacionado à agilidade de produção ou estoque, como o exemplo anterior de Thonet, mas o que justifica sua inserção no contexto é o discurso alinhavado pelo designer dinamarquês sobre uma diferente possibilidade de aproveitamento de espaço, e de como integrá-lo a um objeto, se analisarmos o seguinte desdobramento do projeto. Phantasy Landscape foi um ambiente projetado para a exposição Visiona II (1970), organizada pela companhia química alemã Bayer, em que arquitetura e mobília se conectam através de uma estrutura de curvas sinuosas seccionada em camadas de cores contrastantes (Fiel, 2002). Figura 4. Phantasy Landscape, Verner Panton (1970). Organização estrutural ousada e funcional. De volta ao aconchego intrauterino após uma jornada de “trabalho” fora de “casa”, mas só para recarregar as “baterias”. Desdobrando as possibilidades de estilos de vida que são impulsionados pela tecnologia e pelos novos objetos que orbitam ao redor de tal eixo gravitacional, não é uma tarefa complexa transportar tal “cenário futurista” para a atualidade, a partir do momento em que vivemos dentro de um contexto totalmente voltado para manipulação da informação e teletransporte de dados. As mutações disparadas pelos designers mencionados anteriormente elucidam as duas vertentes principais que este artigo apresenta para reflexão: experiências restritas ao campo industrial e mudança de paradigma comportamental/cultural, quando uma nova proposta de objeto é inserida na relação homem e espaço, possibilitando uma nova interpretação sobre um contexto. Embora existam duas vertentes a análise busca incorporá-las sob a mesma ótica, a mutação com foco na desmaterialização consciente dos objetos. Um universo digno de atenção, e carente de desmaterialização, é o da gastronomia. Além de ostentar uma rica e caótica diversidade, também está impregnado de rituais clássicos esculpidos por diferentes culturas, o que o torna mais complexo, porém mais saboroso aos olhos de um projetista curioso e disposto a combinar elementos.
  6. 6. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 6 O projeto Pasta & Parmesan dos designers Peter Pinzke e Johan Bergström segue na mesma frequência em busca da desmaterialização da cozinha e agrega duas funções correlatas ao projeto convencional de um pegador de macarrão convertendo-o em uma ferramenta multifuncional. Graças à astúcia da dupla, ao interpretar as faces que compõem o objeto, foi possível adicionar um ralador de queijo no plano horizontal que liga as duas garras laterais e, através da configuração afunilada do corpo, foi possível designar à curva estrutural do utensílio a função de dosador de espaguete e afins (Durand, 2008). Figura 5. A ferramenta multifuncional Pasta&Parmesan, Sagaform (2008). Figura 6. As três funções designadas por Peter Pinzke e Johan Bergström para uma chapa de aço. A demanda por um objeto multifuncional destinado ao território da gastronomia não é um fato atual. Tal fenômeno é motivo de inquietação projetual desde os tempos mais remotos e o objeto que comprova o fato é considerado como o primeiro canivete desenhado pela raça humana.
  7. 7. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 7 O utensílio multifuncional projetado durante o Império Romano foi totalmente pensado para ser uma ferramenta destinada à alimentação. As seis funções, exercidas pela mesma empunhadura, eram calcadas em ações (julgadas na época) básicas que adaptavam o usuário da ferramenta a manipular, ou obter, seu alimento. Seja através da colher, para auxiliá-lo a sorver um líquido, da faca, para cortar um sólido, ou ainda, através da espátula em forma de gancho, para extrair carne de crustáceos. Inteiramente confeccionado em prata, possuindo apenas uma lâmina de ferro, o suposto canivete media oito centímetros de largura por quinze centímetros de comprimento. Possuía três articulações ao total, sendo duas delas responsáveis pelas articulações das pinças e da lâmina, e uma destinada à articulação do garfo, que possuía na outra extremidade do cabo uma colher (DailyMail, 2010). Figura 7. Canivete Romano (200 d.C.), ferramenta essencial do humano em trânsito, daquela época. Do primeiro canivete desenhado durante o Império Romano até o modelo mais tecnológico desenvolvido pela contemporânea Victorinox, aparentemente poucas coisas mudaram na essência da ferramenta, ainda mais quando o contexto é comparado ao atual cenário da sociedade da informação, onde um smartphone apresenta-se como o melhor amigo do humano em trânsito (ou não).
  8. 8. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 8 Figura 8. iPhone 4, Apple (2010). O mundo na palma da mão. A manipulação da informação, a transformação da relação do homem com seu “telefone” e, posteriormente, seu ambiente. Com o andar da carruagem, e todo o arcabouço tecnológico que sustenta o mesmo, o sucesso do smartphone é sobriamente justificado, a partir do momento em que o aparelho, munido de aplicativos, da conta de abarcar múltiplas soluções que permitem seu usuário interagir, de diferentes maneiras, com diferentes contextos ou ambientes. O advento do conceito smartphone é uma das últimas provas que comprova a supremacia da sociedade da informação. Aliado a uma linha de pensamento que preconiza pela desmaterialização dos objetos, em busca de racionalizar o entorno e simplificar o complexo estilo de vida humano, apresenta-se como um poderoso link para a futura mutação do espaço. 3. A mutação do espaço Figura 9. O conceito Living Kitchen de Michaël Harboun (2010). A cerâmica eletrônica, a possibilidade de interação e, consequentemente, a cozinha (ou ambiente) mutante. O cenário projetado pelo designer Michaël Harboun tira proveito da dinâmica digital e o aprimoramento da nanotecnologia com o objetivo de oferecer uma plataforma programável ao residente de um habitáculo futurístico. A tecnologia que sustenta a parede multifuncional de Harbourn está em fase de desenvolvimento e é batizada de claytronics pela empresa multinacional de tecnologia Intel e pela universidade Carnegie Mellon, ambas norte-americanas.
  9. 9. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 9 O claytronics é uma espécie de matéria constituída de pequenos robôs, denominados catom (claytronic atoms), capazes de serem eletronicamente instruídos e se interligarem eletrostaticamente entre si para formarem um objeto com o qual o ser humano possa interagir. (Riddel, 2011) Figura 10. Claytronics. O atual estágio dos átomos que irão constituir a cerâmica eletrônica. É curioso observar que enquanto um advento tecnológico parece impulsionar a raça humana em direção a um diferente estágio de evolução as associações estabelecidas pela mesma por vezes tornam a situação tão complexa de maneira a permitir comparar a vida real com um roteiro de comédia pastelão. Afinal, por que não tirar proveito da nova corrente de design de serviços e estabelecer uma rede capaz de suprir atividades domésticas, atomizando assim o conceito de lar a um espaço intrauterino similar ao projeto de Panton? Será que realmente vamos continuar sustentando o tradicional conceito de casa? Ou, a exemplo do grupo italiano Archizoom Associati, vamos viver em pequenos habitáculos funcionais e integrar de vez nossos estilos de vida ao espaço público quebrando o paradigma da arquitetura tradicional? Figura 11. Nakagin Capsule Tower, Kisho Kurokawa (Ginza, Tóquio 1970-72). O estúdio de design experimental Archizoom foi um dos responsáveis pela divulgação do antidesign entre as décadas de 60 e 70, e através de seus microambientes visionários questionavam a tradição arquitetônica mais o humanismo imposto pela escola do modernismo (Byars, 2005).
  10. 10. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 10 O conceito de pequenos habitáculos funcionais torna-se mais realista em comparação à ideia de sustentar um ciborgue dentro de casa, como a parede impregnada de complexos micro-organismos apresentada anteriormente. E tal conceito parece ser potencializado quando aproximado do universo das grandes metrópoles 24horas, que num futuro próximo disponibilizarão de uma vasta rede de serviços, das mais variadas espécies, transformando a atual imagem de cidade no conceito No-Stop City proposto pelo estúdio Archizoom. A No-Stop City é a cidade plataforma que possibilita o intercâmbio entre espaços e produtos flexíveis, possibilitando assim uma atividade intensa de construção e reconstrução da própria cidade, que estaria em constante mutação (Moreno, 2013). 4. Considerações Finais Em tal estágio de evolução tecnológica, ou a cada vez que um período de transição de estágios é detectado, é indispensável refletir sobre os possíveis desdobramentos que determinados produtos são capazes de ocasionar. E, antes mesmo de se pensar a mutação dos objetos, faz-se necessária a reflexão sobre a mutação do objeto homem em face de um projeto de vida, uma diferente possibilidade de interpretar e manipular o espaço no qual estamos inseridos. O cenário futurístico alinhavado por teóricos de épocas passadas se descortina aos poucos enquanto vivemos nosso cotidiano em trânsito. Se pararmos para refletir que estamos vivendo de fato uma era sustentada por dados e que já é possível realizar teletransportes de objetos, mesmo estes sendo inocentemente interpretados como dados, chegamos à conclusão de que o meio nada mais é do que fruto de uma interpretação do homem sobre um contexto. Interpretação de informação, dados, virtualmente teletransportados e materializados por impressoras 3D, máquinas de controle numérico computadorizado (CNC), entre outros, sem mencionar as informações que são constantemente compartilhadas através da internet e que possibilitam um feedback em rede instantâneo, capaz de desdobrar um assunto ou atestar a veracidade do mesmo. Porém, parece que a instantaneidade do mundo virtual, facilmente adotada e traduzida por alguns indivíduos em seus respectivos cotidianos, não permitiu que o ócio criativo defendido por Domenico de Masi (2000) fosse levado ao seu último grau. Afinal, a humanidade está apta a produzir com menos esforços, porém a mesma, por vezes, parece angustiada em produzir em tão pouco tempo que ocupa o resto que lhe sobra produzindo mais, informando mais. Se considerarmos pelo prisma da era da informação, do ato de informar, podemos facilmente assemelhar a raça humana a uma sociedade prolixa, que não se contenta em parar para raciocinar e atomizar seu contexto. Sociedade esta em que o dolce far niente se apresenta de forma angustiante e entediante, visto que estamos viciados a devorar e digerir dados de qualquer espécie. Seja no contexto virtual ou material. Por isso a mutação do objeto deve ser encarada como um item de projeto. Porque a humanidade, além de ser uma raça que cria, é uma raça capaz de questionar o entorno que habita. E quando a mesma está ocupada demais devido à sua obsessão com a criação, deixa de questionar seu próprio ambiente e vira refém de uma ansiedade impulsionada por um universo tecnológico “libertador”. O limitado deu forma ao ilimitado, mas chegou a hora de rastrear as variáveis para que novos limites sejam traçados. Afinal, produzir uma cadeira em três minutos que ainda apresente uma silhueta clássica, para justifica-la enquanto cadeira, não parece atitude que revele um raciocínio sagaz, considerando que estamos vivendo o auge da era da informação e que somos dotados da competência de informar e interpretar também com outros modelos.
  11. 11. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 11 Referências BYARS, Mel. Enciclopédia do Design. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 2005. Daily Mail. The Roman Army Knife: Or how the ingenuity of the Swiss was beaten by 1,800 years Disponível em: http://www.dailymail.co.uk/news/article-1247230/The-Roman-Army-Knife- Or-ingenuity-Swiss-beaten-1-800-years.html. Acesso em: 3 fev. 2010. DURAND, Faith. Sagaform’s All-In-One Pasta and Parmesan Tool. Disponível em: http://www.thekitchn.com/sagaforms-allinone-pasta-and-p- 57941. Acesso em: 31 out. 2011. FIEL, Charlote; FIEL, Peter. Disegño Escandinavo. Köln: Taschen, 2002. MASI, Domenico de. O Ócio criativo. São Paulo: Sextante, 2000. MORENO, Gean. Farewell to Function: Tactical Interiors. Disponível em: http://kostisvelonis.blogspot.com.br/2010/04/farewell-to-function-tactical- interiors.html. Acesso em: 23 set. 2013. MUNARI, Bruno. Das coisas nascem coisas. São Paulo, SP: Ed. Martins Fontes, 2008. RIDDEL, Phill. What Is Claytronics? Disponível em: http://wisegeek.com/what-is-claytronics.htm. Acesso em: 28 fev. 2011.

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