Boletim Universo EAD Fevereiro - 2012 - Educação a Distância

419 views
377 views

Published on

O seu informativo sobre tecnologias aplicadas à educação do Senac São Paulo.

Para mais informações, acesse http://j.mp/IVPdMb

Published in: Education
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
419
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
1
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Boletim Universo EAD Fevereiro - 2012 - Educação a Distância

  1. 1. Tecnologia de ponta no mundo da moda Realidade aumentada e identificação por radiofrequência facilitam o cotidiano de consumidores e lojistas A indústria da moda tem uma dinâmica acelerada. Afinal, é obrigada a se reinventar a cada inverno e verão. As coleções ganham mais itens e acessórios e as novas tecnologias de tecido aumentam as opções de escolha dos estilistas e das confecções – pressionadas, ainda, a reduzir custos para se manterem competitivas. Nesse sentido, aliam-se diferentes instrumentos da tecnologia da informação, gradativamente associadas à internet, para dar conta dos principais desafios do setor: manter inovação, formar profissionais e se relacionar com o consumidor. Um bom exemplo de tecnologia aplicada em favor da moda é o uso da realidade aumentada em provadores físicos e on-line. A partir da mistura de imagens, o sistema permite vestir roupas virtuais no corpo real do consumidor, seja pela internet ou na própria loja. O Espelho Virtual, disponível no portal iG, é um serviço gratuito que pode ser usado por qualquer pessoa que tenha uma webcam e o Adobe Flash Player instalados em um computador com acesso à internet. Para usar, basta seguir as recomendações disponíveis na própria página e clicar em “experimente agora”. Depois, é só escolher a coleção preferida e as roupas que pretende provar. Se preferir, o internauta pode fotografar seus looks para salvar no computador ou, como é comum, compartilhar no Facebook. “São ferramentas próprias de cada ambiente virtual que, de fato, ampliam o repertório de informação sobre moda”, explica Deborah Bresser, colunista e editora do portal iG Moda. Grandes redes de varejo também já notaram os benefícios desse tipo de solução. No Brasil, o site da Riachuelo oferece um provador virtual com peças para compor diversos looks, incluindo itens das coleções feminina e masculina. Experiências desse tipo, que mesclam a imagem gravada em um site a uma foto enviada, deverão ser cada vez mais comuns e prometem facilitar bastante a vida dos consumidores, fabricantes e lojistas. Afinal, com poucos movimentos de mouse e alguns cliques, é possível até ajustar o tamanho deBoletim Universo EAD - Fevereiro 2012 - ano VIII nº 72 Página 2
  2. 2. diversas peças para saber os modelos mais adequados para cada estilo. Isso sem falar na possibilidade de montar as combinações desejadas antes de partir para uma prova real. Em junho de 2011, durante o Research@Intel Day – realizado em Mountain View, na Califórnia (EUA) – , a Intel, líder mundial em inovação, demonstrou um protótipo da tecnologia Magic Mirror (Espelho Mágico). A solução permite provar versões virtuais de roupas em um avatar 3D que simula as formas e medidas de quem está em frente à tela de alta resolução. Além disso, o sistema captura e reproduz os movimentos da pessoa, em tempo real. A ideia é criar uma nova experiência de compras no varejo, oferecendo a possibilidade de testar cada peça virtualmente, antes de ir ao provador real. Dessa forma, os consumidores poderão experimentar um grande catálogo de roupas com mais velocidade e comodidade. No Brasil, sistema semelhante com imagens tridimensionais foi criado pela Blumer. A empresa, especializada no desenvolvimento de tecnologias de interatividade virtual, criou um provador 3D para o lançamento da loja física da Penalty, em Campinas (SP). Além de capturar movimentos para integrá-los às imagens de realidade aumentada, o recurso integra as informações aos aplicativos de mídias sociais e comércio eletrônico. Dessa forma, os clientes tiveram a oportunidade de experimentar o que mais os agradou, dentre as 9.720 combinações possíveis a partir do mostruário da Penalty. “Com a inovação, as pessoas perderão menos tempo experimentando e isso refletirá nas vendas”, prevê Nanni Brandão, diretora de inovação da Blumer. Na Rússia, a rede Topshop, focada no chamado fast fashion, também levou a ideia ao público. Durante três dias, uma de suas lojas testou soluções de realidade aumentada no lugar do espelho tradicional. Com o uso de um sistema denominado Kinect Fiting Room, as consumidoras selecionavam as peças que preferiam vestir e o sistema, depois de capturar digitalmente a imagem da pessoa, aplicava as roupas disponíveis no espelho virtual do provador. Outra tecnologia de ponta que tem ajudado a aprimorar as experiências de compra no mundo da moda é a de identificação por radiofrequência (Radio Frequency Identification – RFID). No Brasil, um caso interessante de aplicação está na memove, primeira empresa de fashion retail do país a adotar a tecnologia RFID em toda a sua cadeia produtiva. Controlada pela holding VGB Global Brands – detentora das marcas Crawford e Siberian –, a rede tem usado a tecnologia como um facilitador de todos os processos que envolvem o dia a dia das lojas. Para isso, todas as peças são identificadas via radiofrequência, permitindo maior controle de estoques e a completa monitoria dos produtos, desde a fabricação até a venda ao consumidor. Além de reduzir custos, a rede conseguiu agilizar o controle e a reposição dos estoques. Para osBoletim Universo EAD - Fevereiro 2012 - ano VIII nº 72 Página 3
  3. 3. clientes, o sistema RFID possibilitou a criação de um fast check-out. Trata-se de um caixa expresso que “lê” o preço das peças a distância e calcula rapidamente o preço para clientes que utilizam cartões de crédito ou de débito. Vale conferir a novidade nas próximas compras! Estilo e imagem pessoal é o tema de novo curso a distância Referência em capacitação para a área, Senac São Paulo oferece mais de 50 opções de cursos ligados à moda O Brasil está na moda e, há alguns anos, entrou definitivamente no circuito mundial do setor. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção – Abit, o faturamento nacional da cadeia têxtil e de confecção chegou a US$ 60,5 bilhões em 2010 – dados de 2011 deverão ser divulgados em março. O cenário positivo também tem impulsionando o mercado de trabalho. De acordo com a entidade, a indústria têxtil e de confecção gera cerca de 1,7 milhão de empregos diretos. Trata-se do segundo maior empregador da indústria de transformação no país, perdendo apenas para o setor de alimentos e bebidas. Porém, é preciso capacitar mais profissionais. Segundo Sylvio Napoli, gerente de infraestrutura e capacitação tecnológica da Abit, se uma companhia quer manter o nível da mão de obra, pode preparar cursos específicos ou encaminhar alunos para uma escola especializada. Referência de mercado quando o assunto é moda, o Senac São Paulo oferece 54 opções de capacitação, diretamente ligadas ao setor. São cursos livres, técnicos e de extensão universitária, além de graduações e pós-graduações. Entre as principais vantagens que o Senac oferece aos interessados na crescente área, está a ampla programação, que atende aos mais diversos perfis profissionais e inclui todos os segmentos do negócio, desde o planejamento e a criação, até a produção e comercialização de produtos.Boletim Universo EAD - Fevereiro 2012 - ano VIII nº 72 Página 4
  4. 4. Uma das novidades para 2012 é o curso livre Estilo e Imagem Pessoal Masculino, ministrado totalmente a distância. Dirigido a profissionais de diversas áreas, que tenham concluído o ensino médio, o objetivo é desenvolver habilidades para aprimorar a imagem pessoal dos participantes, incluindo recursos e técnicas para compor estilos e adequar soluções a diferentes tipos físicos e ocasiões. Ainda não há data estipulada para o início das aulas, mas os interessados podem manifestar interesse na própria página do curso. O programa inclui tópicos importantes, como a identificação e a valorização de tipos físicos, a escolha do visual adequado para cada situação, a priorização de compras e outras dicas fundamentais para a composição de estilos próprios. O novo curso foi inspirado no sucesso do Estilo e Imagem Pessoal Feminino, lançado em meados de 2009 e também ministrado totalmente a distância. A próxima turma terá início em 14 de março e aulas vão até 13 de abril. Outras seis turmas já estão programadas para 2012. Senac Moda Informação: o verão 2013 já chegou! Dirigido a profissionais do setor, evento apresenta tendências e referências que inspiram a criação das próximas coleções Desde 1964, quando o Senac São Paulo deu início à promoção de ações educacionais voltadas à área de moda, a instituição tem se destacado como referência nacional. Com expressiva participação no fortalecimento do setor no país, o Senac ocupa uma posição mais que consolidada na área e oferece um amplo portfólio de cursos e eventos. Atualmente, o Senac é um dos grandes responsáveis pela prática e disseminação do conceito de design sustentável e ético. Com profissionais dedicados à análise de pesquisas e do desenvolvimento do mercado no país e no exterior, a instituição mantém diversas ações que visam difundir tendências e conteúdos que ajudam a impulsionar o mercado de trabalho e a fortalecer a formação da mão deBoletim Universo EAD - Fevereiro 2012 - ano VIII nº 72 Página 5
  5. 5. obra destinada à indústria têxtil e de confecção. Entre as iniciativas de sucesso da instituição, destaca-se o Senac Moda Informação, um evento dirigido aos profissionais do setor, realizado desde 1993. Com duas edições anuais, em março e outubro – focadas, respectivamente, nas tendências de moda para verão e inverno –, o Senac Moda Informação é considerado o maior e mais importante encontro da América Latina, em termos de confirmação de produtos de moda. No próximo dia 15 de março, o Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, será palco da 39ª edição do evento. Com a proposta de apresentar tendências que podem ser aplicadas no mercado brasileiro, o Senac Moda Informação – Verão 2013 contará com ciclo de discussões, sessões de coaching e palestras ministradas por reconhecidos profissionais do mercado. Serão abordadas as últimas novidades coletadas a partir de pesquisas realizadas na Europa e nos Estados Unidos, incluindo conceitos inspirados no cinema e na cultura; na arquitetura e no design; na natureza e no comportamento. Acessórios, moda praia, jeans, tecidos e padronagens são apenas alguns exemplos dos temas que serão discutidos. Uma das apresentações mais aguardadas é a dos alemães Malte Horeyseck e Malte Huffmann, sócios-diretores da Dafiti – atual caso de sucesso em fashion e-commerce. Além das palestras, uma exposição com espaços e cenários transmitirá referências sensoriais a partir de ambientes que reverenciam as tendências da estação. Uma instalação com shapes (moldes) ícones de cada segmento complementa a experiência dos visitantes, estimulando a observação e a criação de formas, acabamentos e modelagens. Segundo Marcelo Pedrozo, consultor de moda da unidade Lapa Faustolo do Senac, é necessário ler tendências como referências que indicam linguagem comum de mercado. “Isso não quer dizer que você não possa imprimir sua identidade em suas criações, mas pode estar subsidiado pelas informações de seu meio. Basta uma pequena análise nas coleções das grifes de referência para evidenciar esse dado”, completa. Internet democratiza passarelas da modaBoletim Universo EAD - Fevereiro 2012 - ano VIII nº 72 Página 6
  6. 6. Graças à internet, informações do mercado se tornaram acessíveis aos diversos perfis de consumidores, profissionais e estudantes da área A moda está na moda. Cada vez mais criativa e sofisticada, a moda também está mais democrática. E o sucesso dos grandes eventos realizados no Brasil, como São Paulo Fashion Week e Fashion Rio, faz com que o setor amplie sua influência na cultura de massa. Os números contam o que tem sido a expansão do mercado da moda no país. Segundo a Associação Brasileira de Estilistas (Abest), as exportações geraram resultados da ordem de US$ 18,3 milhões em 2011, com negócios fechados em 66 países. O Sistema Moda Brasil – polo de articulação junto ao governo federal, que reúne representantes da cadeia produtiva do setor – apurou um faturamento de US$ 74 bilhões em 2011, o equivalente a 3,5% do PIB brasileiro. Esses dados incluem os resultados das empresas associadas a entidades que geram 2,4 milhões de empregos diretos (Abest, Abicalçados, Abit, Assintecal, Cicb e IBGM). Hoje, graças às ferramentas de tecnologia e, principalmente, à internet, informações de moda estão disponíveis no mundo on-line e estão acessíveis para os diversos perfis de consumidores, profissionais e estudantes da área. Interessados em opinar, divulgar e se aproximar do público, protagonistas da área já estão presentes em redes como Twitter e Facebook. Sites especializados promovem interações e já é possível ver desfiles de casas exclusivas, como a Chanel, por exemplo, em qualquer lugar do mundo onde exista um computador conectado à internet. Para Deborah Bresser, colunista e editora do portal iG Moda, uma característica desse mercado é a receptividade ao que é novo, inclusive com relação a mídias e tecnologias. Ela lembra que o primeiro movimento foi a rápida disseminação dos blogs de moda. Com o tempo, essas ferramentas foram incorporadas ao marketing e, atualmente, há blogueiros extremamente bem remunerados. “Os blogsBoletim Universo EAD - Fevereiro 2012 - ano VIII nº 72 Página 7
  7. 7. descobriram um nicho que a imprensa de moda não cobria, que era fazer o leitor se espelhar. Criou- se, então, uma identificação com o público jovem e isso trouxe a mercantilização do conteúdo – muitas vezes, patrocinado por empresas relacionadas a produtos de beleza e acessórios – até mais do que moda, mas de moda também”, ressalta. Hoje, muitos jornalistas buscam temas e pautas a partir do que as pessoas estão escrevendo ou reblogando na internet, da mesma forma que o mercado segue as tendências que predominam entre seus consumidores. “As redes inverteram o fluxo da notícia”, avalia Deborah. Outro fortíssimo mecanismo de divulgação no mundo da moda é o Twitter, microblog usado para fluxo de informação, manifestações e mobilização. A jornalista destaca uma antiga coleção da Arezzo que utilizava pele animal e foi retirada das lojas depois do assunto ficar entre os mais comentados da rede, de maneira negativa. As redes sociais democratizam também a produção. A maioria das grandes marcas está usando, mas mesmo pequenos ateliês podem criar uma página no Facebook e estruturar uma logística de comércio eletrônico a partir dali. Algumas empresas, por exemplo, até interagem com o público para eleger, via Facebook, os próximos lançamentos. Foi o caso recente da Neon – marca dos estilistas Dudu Bertholini e Rita Comparato –, que lançou um perfil do Twitter e, agora em fevereiro, a loja virtual. “É uma grife que trabalha muito com estamparia e parte das novidades está sendo escolhida pelos internautas. As estampas que fizerem mais sucesso on-line vão virar roupas”, conta. Desfiles on-line Se a presença de estilistas, modelos e marcas importantes em blogs, microblogs e redes sociais favorece a interatividade e a geração de informação em alta velocidade, os desfiles on-line escancaram as salas exclusivas das grifes. Atualmente, grandes marcas mundiais e nacionais fazem desfiles na internet, alguns ao vivo. “Isso provoca uma mudança fundamental, pois os desfiles de moda são eventos tradicionalmente fechados. Na hora em que o mercado os coloca na rede, há uma mensagem clara de que aquela informação pode e deve chegar a qualquer pessoa, tirando o sentido de exclusividade e ampliando o acesso à informação, que era restrita até então.” Deborah, que também é professora de jornalismo de moda e em novas mídias, aproveita os desfiles on-line nas aulas. “Isso gera um grande ganho na qualificação de quem está na área. Antigamente, o jeito era ver fotos de alguns looks e, mesmo assim, dias depois das apresentações. Hoje, há quem transmita desfiles em tempo real ou on demand. Como professora, posso pedir aos alunos que assistam a determinados desfiles, avaliem e façam resenhas”, diz. Moda: TI concilia estilo e técnicaBoletim Universo EAD - Fevereiro 2012 - ano VIII nº 72 Página 8
  8. 8. Programas e ferramentas on-line ajudam a aproximar as criações de moda das exigências técnicas da produção O estilista Alexandre Herchcovitch usou diferentes tecidos para criar a coleção que apresentou este ano, em janeiro, na São Paulo Fashion Week: malha, renda dourada, nylon, couro metalizado, cashmere dublado com lã bouclê, seda reponada e gabardine. Parece simples desenhar, cortar e costurar. Porém, o grande desafio artístico da moda é conciliar a inspiração criativa com os limites físicos do pano para conseguir o design e o acabamento perfeitos. E é nessa e em outras questões que a tecnologia entra como facilitadora de processos, aproximando cada vez mais os profissionais da moda dos aspectos técnicos ligados à indústria. Para comentar alguns exemplos de como a tecnologia tem colaborado com a evolução do setor, o entrevistado desta edição é Sylvio Napoli, gerente de infraestrutura e capacitação tecnológica da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), entidade que representa a força produtiva de 30 mil empresas formais instaladas no país. Universo EAD – Como a tecnologia da informação (TI), incluindo a internet e as ferramentas de educação a distância, afetam a produção e o mercado da moda no setor têxtil e de confecções? Sylvio Napoli – Como em todos os setores, a moda não fica alheia às influências da TI. Mas é preciso ter o cuidado de não seguir apenas as regras das novas tecnologias. Mesmo porque a moda envolve muito a criatividade de cada pessoa. E a área têxtil e de confecções prima por este aspecto: deixar as pessoas e as empresas livres para criar tudo o que desejarem. O que vem ganhando força é o relacionamento entre o setor têxtil e a moda, na área de tecnologia. Como isso se dá? Muitas vezes, os criadores de moda não prestam atenção a detalhes técnicos, especificamente relacionados aos tecidos, por exemplo. E começam a imaginar e a idealizar coisas que, na prática, não são possíveis de se realizar. Projetos maravilhosos, na realidade concreta, nem sempre dão certo! Por isso, há a necessidade de que exista uma interação maior entre a moda e os aspectos da parte têxtil e da confecção. É nessa hora que entra a tecnologia. Universo EAD – Como a TI ajuda a promover essa interação? Sylvio Napoli – Não se pode fazer uma roupa com um tipo de tecido idealizado, que é impossível de ser produzido. Com ferramentas de TI, ao criar qualquer coisa nova, é como fazer o DNA do produto, do fim ao começo. E, dentro dessa árvore genealógica de produção, há como verificar o que é viável, se o processo é conveniente, se o custo é interessante e tudo o mais.Boletim Universo EAD - Fevereiro 2012 - ano VIII nº 72 Página 9
  9. 9. Há diferentes tipos de software que, diante de determinado tecido, fornecem todo o detalhamento dos processos: a roupa melhor para ele, as fibras, que título de fio etc. Apresentam uma noção completa de todo o processo. Basta descrever o tecido e o software vai buscar no banco de dados a melhor forma de fabricá-lo, qual a quantidade ideal de metragem e o volume de produção para tornar a proposta viável. E faz o mesmo para os detalhes da fiação, até à fibra, para completar as informações da maneira mais racional possível. Além disso, essas ferramentas também permitem projetar um tecido como se fosse uma criação própria. Hoje, há softwares para desenhar camisa, calças etc. E é muito fácil de fazer. Universo EAD – Poderia citar exemplos dessas aplicações? Sylvio Napoli – Recentemente, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Educação (MEC), lançou um programa de uniformização escolar. Para isso, foi criado um kit com 16 itens, cada um disponível nas cores da bandeira brasileira: azul, amarela, verde e branca. São diferentes tipos de peças, incluindo agasalhos, calças, bermudas, entre outros. Cada prefeitura, de acordo com a necessidade, pode entrar no site do FNDE para, por meio de um software, montar o uniforme escolar desejado, a partir da imagem de uma criança. O programa pergunta: quer usar tênis? Basta clicar e o estudante aparece calçado. Quer que coloque meia? E assim por diante. A criança vai sendo vestida virtualmente pelo software. Depois, o usuário confirma o que escolheu e o programa envia para o FNDE os itens selecionados do kit, com as quantidades necessárias. Se a prefeitura concordar com o registro de preços feito pelo FNDE, o sistema informa o custo daquela carga de uniforme e o município busca os recursos para financiá-la. O site inclui o registro de preço e as empresas que ganharam para fornecer cada item. E há vários outros softwares. Há como entrar em uma loja virtual, por exemplo, e desenhar a roupa que quiser. Assim, aliando a ferramenta aos aplicativos que fazem análise e rastreamento de produção, você tem o custo do produto e avalia se é viável ou não. Universo EAD – Isso diminui o risco no lançamento das coleções? Sylvio Napoli – Completamente! É um exemplo de como usar banco de dados para facilitar a produção, pois poderia haver problemas de vários tipos em relação à quantidade e ao tipo de item, impedindo o atendimento da demanda prevista. Agora, a informação está on-line. Universo EAD – Quais são os softwares mais usados no mercado?Boletim Universo EAD - Fevereiro 2012 - ano VIII nº 72 Página 10
  10. 10. Sylvio Napoli – Existem empresas que só se dedicam a isso, como a Lectra e a Audaces. Mas há outras. E também empresas com soluções próprias em seus sites, como a C&A e a Pernambucanas. Universo EAD – Como essas tecnologias impactam na formação de mão de obra, tanto a distância quanto presencialmente? Sylvio Napoli – Especialmente na pós-graduação, já existem vários cursos que usam a tecnologia para serem realizados a distância. Hoje, as ferramentas para sala de aula são bem modernas, trabalham computação e programas baseados em simulação, que descrevem o comportamento dos tecidos, por exemplo. E o princípio de computação é matéria básica para qualquer tipo de formação superior. Não fica restrito a um ano, não; deve-se cumprir até dois anos desse conteúdo. Na área de moda, o Senac São Paulo, instituição parceira da Abit na realização de eventos e no intercâmbio de informações, também oferece cursos livres a distância. Universo EAD – Faltam profissionais no mercado têxtil e de moda? Sylvio Napoli – Depende da região e do grau de sofisticação que se deseja do profissional. Em termos de chão de fábrica, a quantidade demandada é grande. E quem forma costureiras, maquinistas de fiação etc., geralmente, é o Senai. Mas não acredito que a falta de profissionais seja impedimento para que se tenha uma boa empresa. Se uma companhia quer manter o nível da mão de obra, pode preparar um curso específico ou encaminhar seus alunos para uma escola especializada, que também dá cursos dentro da própria empresa. Da mesma forma, isso também acontece na área de moda. Universo EAD – Qual a repercussão da iniciativa de grandes marcas da moda em transmitirem desfiles on-line? Sylvio Napoli – Grande. Se você populariza a informação de moda, atrai mais gente ao mercado. É uma ação muito importante. Especialmente com a ascensão das classes menos favorecidas, que antes não tinham acesso ao consumo de moda. Hoje, não é mais assim! Esses consumidores estão evoluindo e ingressando realmente no mercado. Por isso, nada melhor do que levar os desfiles a um público maior. Universo EAD – É cada vez mais estratégico ter mecanismos de geração de inovação consistentes. Como a TI pode ajudar neste processo?Boletim Universo EAD - Fevereiro 2012 - ano VIII nº 72 Página 11
  11. 11. Sylvio Napoli – Depende muito de cada empresa. Temos alguns projetos e trabalhos para levar os conceitos de inovação para dentro das companhias – que aguardam definição de apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento do Ministério da Ciência e Tecnologia. A Abit não vai inovar diretamente, mas vai induzir as empresas a fazerem isso. Inovar requer critério, gestão, gerência e governança do programa de inovação. Nesse sentido, as ferramentas de TI apoiam de muitas maneiras e são um dos caminhos para disseminar esses conceitos. Já temos um projeto em gestação, em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abdi), para criar um banco de dados com as melhores práticas de inovação. Quando estiver pronto, divulgaremos mais detalhes. Não vai demorar muito.Boletim Universo EAD - Fevereiro 2012 - ano VIII nº 72 Página 12

×