Your SlideShare is downloading. ×
Boletim Universo EAD Abril - 2012 - Educação a Distância
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×
Saving this for later? Get the SlideShare app to save on your phone or tablet. Read anywhere, anytime – even offline.
Text the download link to your phone
Standard text messaging rates apply

Boletim Universo EAD Abril - 2012 - Educação a Distância

963

Published on

O seu informativo sobre tecnologias aplicadas à educação do Senac São Paulo. …

O seu informativo sobre tecnologias aplicadas à educação do Senac São Paulo.

Para mais informações, acesse http://j.mp/IVPdMb

Published in: Education
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
963
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
1
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. Tecnologia assistiva: futuro promissor para usuários e desenvolvedores Sistemas nacionais simplificam atividades do cotidiano e garantem mais autonomia às pessoas com deficiência. Soluções também podem ser aplicadas em processos de inclusão nos ambientes social e educacional Da mesma forma que a educação inclusiva avança no Brasil, o mercado nacional de tecnologia assistiva tem muito a progredir. E a presidente Dilma Rousseff tem investido em medidas que apoiam usuários e também o setor, a exemplo do lançamento do Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – Viver sem Limite, em novembro passado. Dentre as várias iniciativas do Governo Federal com relação à assistência e à inclusão de pessoas com deficiência, está a liberação de recursos para inovação e pesquisa na área de tecnologia assistiva, além da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para equipamentos de acessibilidade. O objetivo é facilitar a aquisição de itens que podem ajudar a melhorar o dia a dia de cerca de 45,6 milhões de brasileiros com deficiência – segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em curto e médio prazos, tais medidas deverão impulsionar a oferta de novidades relacionadas à tecnologia assistiva, com produtos e serviços que, por sua vez, contribuirão cada vez mais para que a inclusão de pessoas com deficiência se torne uma realidade mais presente na sociedade brasileira. Segundo o Grupo Cipa Fiera Milano, responsável pela organização da XI Reatech, a estimativa é que o mercado de produtos e serviços ligados à tecnologia assistiva tenha movimentado aproximadamente R$ 1,5 bilhão em 2011. Do total, apenas o comércio de cadeiras de rodas foi responsável por um faturamento de cerca de R$ 200 milhões e a venda de automóveis adaptados e serviços veiculares para pessoas com deficiência alcançou receitas da ordem de R$ 800 milhões. Para 2012, a previsão de crescimento é de 20%. No dia 19 de abril, o Diário Oficial da União divulgou a nova lei que autoriza a liberação de crédito para pessoas com deficiência que ganham até dez salários mínimos por mês. Dessa forma, já é possível financiar bens e serviços que contribuam com o transporte e a ampliação de habilidades funcionais. Entre os equipamentos, que podem colaborar com a independência desse público, destacam-se veículos adaptados, cadeiras de rodas, computadores portáteis em Braille e outros itens. Na área da educação, são inúmeras as opções de produtos que podem auxiliar os processos de inclusão. E, nos últimos anos, tem crescido a atuação de brasileiros engajados em criar novas tecnologias assistivas, inclusive por meio de projetos acadêmicos e até caseiros, por conta de experiências com dificuldades próprias ou de pessoas próximas. Um bom exemplo é o caso dos estudantes de ciências da computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFP), que desenvolveram um aplicativo de tradução eletrônica virtual Libras-Português- Libras para tablets e smartphones. Batizado de Prodeaf (deaf, em inglês, é surdo), o software é capaz de decifrar os sinais em Libras transmitidos para a câmera do equipamento e convertê-los em som. E o inverso também é possível. Ao ouvir a tradução, basta falar para que o sistema traduza em Libras eBoletim Universo EAD - Abril 2012 - ano VIII nº 73 Página 2
  • 2. transmita o recado ao surdo, por meio de imagens, com a ajuda de um avatar fluente em seu idioma. Só no Brasil, a população que pode se beneficiar com a novidade supera seis milhões. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), em 2010, já havia mais de 52 mil estudantes com deficiência auditiva matriculados nas escolas públicas e privadas do país. O Prodeaf ainda permite que diversos conteúdos da internet, como vídeos e textos, se tornem acessíveis aos deficientes auditivos, pois traduz o português falado ou escrito para Libras por meio de um personagem animado 3D. O sistema também pode ser usado junto à TV e a outros equipamentos de comunicação. Outra tecnologia assistiva desenvolvida recentemente por brasileiros é o Livox, o primeiro sistema de comunicação alternativa para tablets totalmente em português. A ideia é do analista de sistemas Carlos Pereira e de sua esposa Aline, que buscavam um dispositivo capaz de melhorar a comunicação com a filha, que tem dificuldades de fala. A ferramenta roda em tablets – iPad e em modelos com Android – e permite a conversão de símbolos em fala. Dessa forma, por meio de imagens que representam necessidades, desejos e até sentimentos, é possível interagir e se comunicar de maneira simples e lúdica. Conforme uma categoria é escolhida, como almoço, por exemplo, o sistema permite que o usuário refine a comunicação e opte, nesse caso, pelo tipo de comida desejado. A customização é uma importante característica do Livox. Isso porque as figuras representativas podem ser definidas de acordo com a necessidade e a capacidade de entendimento de cada usuário. Assim, com o auxílio de terapeutas e fonoaudiólogos, é possível criar categorias e imagens específicas para simplificar a comunicação, de acordo com os gostos e as rotinas de cada um. Outra novidade que vale destacar é o Auire Prisma, o primeiro identificador de cores e cédulas para pessoas com deficiência visual, que reconhece 50 variações de cores e todas as notas do Real. Com tecnologia totalmente brasileira, o produto foi criado pela Laratec, unidade de negócios da Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual – Laramara, que divulga, comercializa e desenvolve tecnologia assistiva para deficientes visuais. Outro produto interessante lançado pela mesma associação é o Scanner Leitor Portátil (Slep), uma solução que captura e reconhece textos não impressos em Braille, com uso da tecnologia de reconhecimento ótico de caracteres (OCR). As imagens são capturadas por meio da câmera de qualquer celular e, em alguns segundos, o aplicativo “diz” o texto em voz alta para o usuário, graças ao recurso Text to Speech (TTS), que sintetiza as falas. Também concebido com base na interação das tecnologias OCR e TTS, o Vocalizer é outro produto nacional que foi apresentado na XI Reatech. Desenvolvido pela Pináculo, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a solução funciona como uma espécie de visão para cegos e pessoas com baixa visão. Além de reconhecer textos, cores e cédulas e reproduzi-los em áudio, o Vocalizer ainda é capaz de identificar códigos de barras, gravar recados e até alertar o usuário se houver lâmpadas ligadas. Segundo dados do IBGE apurados no Censo 2010, o Brasil reunia mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual na ocasião, incluindo pessoas com baixa visão e cerca de 530 mil cegos. Pensando em atender a esse público, o Senac São Paulo criou, em 2004, o Espaço Braille, localizado na biblioteca do Campus Santo Amaro do Centro Universitário, construído com base nas mais rigorosas normas de acessibilidade. Destinado ao uso público e gratuito de deficientes visuais, o Espaço Braille oferece, além de um completo acervo de audiolivros e obras em Braille, cursos de informática e os mais modernos recursos disponíveis no mercado, incluindo máquinas de escrever e impressoras em Braille – usadas também para a produção de material didático –, além de scanners e lupas eletrônicas. O local também disponibiliza cursos de introdução para os interessados em aprender a ler com esse sistema. Além disso, todos os computadores locais contam com sistema operacional DosVox (com recursos para cegos usarem os PCs), leitor de telas Jaws, software de reconhecimento ótico OpenBook,Boletim Universo EAD - Abril 2012 - ano VIII nº 73 Página 3
  • 3. ampliador de tela Magic e a ferramenta Winbraille, capaz de editar e converter arquivos para impressão em Braille. Com seis mil metros quadrados e oito salas de estudo, a biblioteca do Campus Santo Amaro do Centro Universitário Senac reúne mais de 150 mil itens, entre livros, mapas, CDs, DVDs e arquivos em outras mídias. Ao todo, são cerca de 400 títulos nacionais e internacionais, 90 computadores e 10 mil publicações on-line. O acervo de obras em Braille e em audiolivros conta com mais de 200 títulos de várias áreas de interesse, inclusive para crianças – fruto de uma parceria com a Fundação Dorina Nowill, instituição dedicada à inclusão de pessoas com deficiência visual, há mais de 65 anos. Para facilitar a busca de obras, a biblioteca conta com um catálogo falado que permite pesquisas por títulos, autores e áreas de interesse. O Espaço Braille já é realidade em várias unidades do Senac São Paulo, a exemplo de Araraquara, Bebedouro, Jaú, Limeira, Presidente Prudente, São José dos Campos e outras localidades. Educação inclusiva ganha força no Brasil Prática da inclusão de pessoas com deficiência é tema abordado por Rodrigo Hübner Mendes Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), em 1988, o número de crianças com algum tipo de deficiência ou Transtorno Global de Desenvolvimento (TGD) matriculadas no ensino regular no Brasil era de apenas 13%. Esse número saltou para mais de 56% em 2009 e vem crescendo, consideravelmente, a cada ano. Iniciativas de gestores, educadores e organizações não governamentais (ONGs), além das próprias ações públicas e privadas, contribuíram para esse avanço na promoção da educação inclusiva em nosso país. Nesse cenário, destacamos o trabalho desenvolvido pelo Instituto Rodrigo Mendes (IRM), uma organização sem fins lucrativos, fundada em 1994 com o objetivo de colaborar para a construção de uma sociedade inclusiva por meio da educação. Para falar sobre programas e perspectivas referentes à educação inclusiva no Brasil, o entrevistado desta edição é Rodrigo Hübner Mendes, diretor geral e fundador do instituto que leva seu nome. Graduado em administração de empresas e mestre em Gestão da Diversidade Humana pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o executivo também foi aluno do curso de Liderança e Políticas Públicas para o século XXI na Kennedy School of Government de Harvard, nos Estados Unidos, é membro do Young Global Leaders(World Economic Forum) e Empreendedor Social Ashoka. Universo EAD – No início da década de 1990, a educação inclusiva no Brasil apresentava números extremamente modestos com relação à inclusão de crianças e jovens com deficiência no ensino regular. Por outro lado, movimentos favoráveis a essa população começavam a estabelecer marcos importantes, como a Declaração Mundial de Educação para Todos (Unesco), que reforça o princípio de que todos têm direito à educação, e a Declaração de Salamanca, que definia políticas, princípios e práticas da educação especial. E foi exatamente nesse contexto, em 1994, que o Instituto Rodrigo Mendes foi criado. Conte-nos um pouco dessa história. Rodrigo Hübner Mendes – Foi uma feliz coincidência termos fundado o IRM no mesmo ano em que a Declaração de Salamanca foi criada. Na época, a proposta do instituto ainda era focada na promoção de cursos de artes visuais que pudessem oferecer oportunidades de desenvolvimentoBoletim Universo EAD - Abril 2012 - ano VIII nº 73 Página 4
  • 4. para pessoas com algum tipo de deficiência. No ano seguinte, tomei conhecimento da filosofia de inclusão social e decidimos abrir nossos cursos para qualquer pessoa, independentemente de suas origens sociais e de suas características físicas e intelectuais. Nossa intenção era evitar a segregação dentro do IRM e estabelecer contato entre diferentes segmentos sociais. Universo EAD – Na primeira metade dos anos 2000, os resultados referentes à inclusão social das pessoas com deficiência já eram bem mais animadores, especialmente pelo aumento de crianças matriculadas em escolas regulares. Além disso, iniciativas públicas, como o Programa Educação Inclusiva – criado pelo MEC, em 2003 – e o Decreto Federal 5.296/2004 – que estabeleceu normas e critérios para a promoção da acessibilidade – contribuíram bastante com a disseminação de medidas que garantem acessibilidade e inclusão em toda a sociedade. Qual era o papel do instituto naquela época e como tais medidas apoiaram os processos de inclusão, na sua opinião? Rodrigo Hübner Mendes – Em 2005, começamos a nos aproximar das escolas públicas por meio de um programa que batizamos de Plural. Essa iniciativa tem como objetivo oferecer formação sobre educação inclusiva para educadores e outros públicos envolvidos com o tema. O programa realizou um primeiro curso em São Paulo e depois ampliou a atuação, tendo desenvolvido atividades em Santo André, Taboão da Serra, Ouro Preto, Florianópolis e Recife. Com relação às medidas citadas, acho sempre importante lembrarmos que elas compõem um processo histórico de construção da concepção inclusiva de ensino no Brasil. Esse processo avançou muito nos últimos nove anos. Os desafios são ainda grandes e complexos, mas acho que podemos nos orgulhar da política nacional criada pelo Ministério da Educação. Universo EAD – A quantidade de alunos com deficiência ou Transtorno Global de Desenvolvimento matriculada nas escolas regulares brasileiras já ultrapassou a marca de 900 mil, segundo dados do Censo Escolar 2010. Dentre esses, cerca de 80% estudam em escolas regulares da rede pública de ensino. É possível capacitar gestores, professores e colaboradores para atender a essa crescente demanda? Rodrigo Hübner Mendes – A formação de educadores representa um pilar fundamental no processo de transformação das escolas que almejam desenvolver um projeto pedagógico inclusivo. Acredito que o atendimento da demanda seja possível, desde que haja comprometimento e investimento contínuo por parte do poder público com essa temática. Universo EAD – Como você vê o conceito do conteúdo colaborativo e da construção do conhecimento coletivo – também conhecido como crowdsourcing – em relação à formação de educadores para promover a educação inclusiva de maneira mais efetiva? Rodrigo Hübner Mendes – A construção coletiva de conhecimento é hoje uma estratégia poderosa para colaborar com a necessidade de se oferecer formação de qualidade aos educadores do país. Oferecer para esse público a oportunidade de trocar experiências entre si e criar práticas pedagógicas enriquecidas por essa troca significa reforçar a percepção de que os educadores devem desempenhar o papel de protagonistas da escola. Um de nossos projetos, chamado Diversa, busca dar visibilidade a práticas desenvolvidas por educadores de todo o Brasil. Temos notado que, no momento em que uma prática pedagógica criada por um determinado educador transforma-se em objeto de reflexão para outros profissionais, o autor sente-se valorizado e estimulado a explorar seu potencial criativo na rotina escolar. Universo EAD – Na sua opinião, quais os profissionais mais procurados para atuar em projetos de inclusão? Há uma demanda crescente? Rodrigo Hübner Mendes – No âmbito da comunidade escolar, todos precisam de formação: osBoletim Universo EAD - Abril 2012 - ano VIII nº 73 Página 5
  • 5. educadores, os gestores e todos os demais profissionais que interagem com os estudantes e com suas famílias. Universo EAD – Você acredita que a educação a distância possa colaborar com a capacitação de educadores interessados em atuar de maneira mais efetiva nos processos de inclusão? Rodrigo Hübner Mendes – Acredito que as ferramentas de ensino a distância sejam alternativas interessantes para que programas de formação possam atuar com perspectivas de escala e abrangência geográfica, tendo em vista os enormes desafios de chegarmos a todas as regiões do país e atender seus respectivos educadores. Universo EAD – Com relação às ferramentas tecnológicas utilizadas na educação a distância, é possível utilizá-las para capacitar pessoas com deficiência? Na sua opinião, qual é o limite para aplicação dessa modalidade educacional? Rodrigo Hübner Mendes – Essas ferramentas podem ser utilizadas com qualquer público. O limite da aplicação, quando pensamos em qualidade, diz respeito à importância de se respeitar as particularidades do contexto em que o educador em formação está inserido. Iniciativas de formação que simplesmente massificam a transmissão de conteúdos tendem a ser ineficientes. Por outro lado, a interação entre o formador e o formando continua sendo imprescindível, mesmo em plataformas que exploram a tecnologia para encurtar distâncias. Universo EAD – Embora não haja um grande volume de comentários oficiais a respeito, muitas empresas dizem ter dificuldades para contratar pessoas com deficiência para cumprir as respectivas cotas. Um dos motivos mais apontados é a falta de profissionais com deficiência bem capacitados. Você acredita que esse cenário seja fruto do modelo educacional não inclusivo das últimas décadas? Rodrigo Hübner Mendes – O fato de grande parte das pessoas com deficiências não ter tido acesso à escola no passado e, consequentemente, não ter uma qualificação mínima exigida pelo mercado de trabalho, representa parte da explicação para as dificuldades apontadas. Investir na consolidação do modelo inclusivo de ensino é um caminho fundamental para que a realidade de exclusão seja transformada. Universo EAD – O Instituto Rodrigo Mendes tem iniciativas – ou planos – de capacitação na modalidade a distância? Quais? Rodrigo Hübner Mendes – Estamos analisando oportunidades de uso dessas ferramentas. Universo EAD – Quais as suas expectativas com relação à educação inclusiva no Brasil? O que podemos projetar para os próximos anos? Rodrigo Hübner Mendes – Convivemos ainda com grandes resistências e barreiras para que a educação inclusiva seja uma regra no Brasil. No entanto, acredito que essa nova forma de se pensar a educação deixou de ser uma proposta meramente teórica, há algum tempo. A rede pública de ensino já conta com experiências educacionais extremamente criativas e bem- sucedidas. São exemplos concretos de que é possível desenvolvermos projetos pedagógicos que acolham a diversidade humana sem que se abra mão da aprendizagem.Boletim Universo EAD - Abril 2012 - ano VIII nº 73 Página 6
  • 6. Projetos de colaboração unem governos e sociedade em benefício da inclusão Políticas públicas, aliadas a plataformas de gestão e acompanhamento de compromissos, impulsionam iniciativas relacionadas à educação inclusiva. Até bem pouco tempo atrás, no Brasil, as pessoas com deficiência eram classificadas como minoria, tanto no mercado de trabalho, quanto no convívio social. Mas seria um grande contrassenso manter tal denominação a um grupo que reúne 45,6 milhões de brasileiros, segundo dados do Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Só para dar uma ideia, o número representa 23,9% da população do país e ultrapassa a população da Argentina, que tem cerca de 42 milhões de habitantes. Diante desses dados, é possível ter alguma noção da grande importância que a educação inclusiva tem no Brasil. Atualmente, o país conta com cerca de 200 mil escolas e dois milhões de educadores que já atendem a 54 milhões de estudantes, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). Dentre estes, 928 mil estudantes, matriculados em sala de aula regular, têm algum tipo de deficiência, Transtorno Global de Desenvolvimento (TGD) ou altas habilidades, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) apurados no Censo Escolar 2010. O Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – Viver sem Limite, lançado pelo Governo Federal em novembro de 2011, prevê melhorias nas áreas da educação, saúde e acessibilidade que deverão favorecer os processos de inclusão em todo o país, até 2014. Na área da educação, entre as prioridades, estão a oferta de transporte escolar acessível e a adequação arquitetônica de escolas públicas, entre várias outras medidas. Em números, isso significa inserir 378 mil crianças e adolescentes nas escolas, oferecer 2.600 ônibus e 42 mil escolas acessíveis, além de totalizar 45 mil salas de recursos multifuncionais e contratar 1.296 profissionais, entre educadores e intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Outra medida que o Ministério da Educação (MEC) promoverá é a criação do curso superior de letras em Libras. Sempre atento aos desafios que cercam a educação inclusiva de forma prática, o Instituto Rodrigo Mendes (IRM) – instituição sem fins lucrativos que, há 18 anos, se dedica ao tema – criou, em 2011, o portal Diversa. Trata-se de uma plataforma on-line, desenvolvida em parceria com o Ministério da Educação (MEC), com o objetivo de fomentar a troca de experiências e a construção de um conhecimento coletivo sobre a educação inclusiva em todo o país. Por meio de ferramentas de colaboração, o ambiente reúne estudos de caso realizados em escolas públicas nacionais e internacionais – em texto e vídeo –, relatos de educadores, gestores e pais, artigos de especialistas e muitas outras referências. “Queremos mostrar como as escolas do Brasil e do mundo vêm trabalhando para promover a inclusão dos alunos com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento em suas turmas regulares”, diz Rodrigo Hübner Mendes, diretor geral e fundador do instituto.Boletim Universo EAD - Abril 2012 - ano VIII nº 73 Página 7
  • 7. Apesar de parecer simples, a ideia foi inédita e genial. Isso porque educadores e interessados em geral ganharam – e estão utilizando – um ambiente isento para relatar experiências práticas, compartilhar dúvidas e publicar comentários sobre iniciativas relacionadas à educação inclusiva. E, em apenas seis meses, o portal se tornou referência junto à comunidade educacional, com acessos originados no Brasil e em diversos países dos cinco continentes. Até março deste ano, o Diversa já somava cerca de seis mil visitantes únicos, mais de 70 relatos de experiência e quase quatro mil exibições dos documentários de curta duração produzidos pelo IRM. Além disso, até o mês passado, o portal já reunia aproximadamente 170 comentários e mais de 50 pedidos de orientação sobre processos de inclusão, vindos de membros da comunidade escolar e de familiares de estudantes com deficiência, TGD ou altas habilidades. Segundo Rodrigo Mendes, o objetivo é fomentar ao máximo a construção de um conhecimento coletivo sobre a educação inclusiva, de maneira transparente, colaborativa e consistente. Hoje, o portal reúne quatro estudos de caso, realizados em Guaporé (RS), Rio Branco (AC) e São Paulo (SP), além de um norte-americano, de Boston (MA). Para 2012, a proposta do instituto é produzir e publicar seis novos estudos. Entre os casos já publicados, o trabalho da Escola Estadual de Ensino Fundamental Clarisse Fecury, em Rio Branco (AC), merece destaque. Com mais de 600 estudantes em 2011, a instituição já contava com 27 crianças com algum tipo de deficiência – incluindo deficiências intelectual, física, auditiva, visual e múltipla. “Apesar de saber que encontraríamos uma experiência bastante interessante, a escola excedeu nossas expectativas, especialmente pela percepção geral de que a inclusão é uma missão de todos – professores, alunos, funcionários da escola, pais, parceiros, secretarias municipal e estadual”, completa Rodrigo Mendes. Observatório Gestão Pública Mas as iniciativas do IRM não param por aí e, no início deste mês, foi lançado o Observatório Gestão Pública, projeto que integra a plataforma Diversa. Também criado em parceria com o MEC, o novo espaço permite que qualquer cidadão acompanhe, monitore e comente os compromissos públicos relacionados à educação inclusiva em escolas regulares. Ao todo, 55 secretarias de educação – espalhadas por 17 estados – participam da primeira etapa do projeto. O acompanhamento das ações é feito de maneira constante e a avaliação é baseada nos dados fornecidos pelas próprias secretarias e, posteriormente, validados pelo MEC – como prazos, objetivos, estratégias, realizações etc. Outro importante serviço do Observatório Gestão Pública fica por conta de uma ferramenta de ranking. Dessa forma, é possível acompanhar o progresso percentual dos compromissos de cada cidade e escola. Os cinco municípios que mais se destacarem até outubro deste ano serão homenageados pelo MEC, durante o encontro do Grupo de Trabalho das Capitais e Grandes Cidades. De acordo com Martinha Clarete Dutra dos Santos, diretora de Políticas de Educação Especial do MEC, o Observatório Gestão Pública é importantíssimo, pois promove o compromisso que pauta a educação inclusiva diante dos órgãos públicos das diferentes esferas de governo, ao mesmo tempo em que proporciona a divulgação, a visibilidade e a valorização de tais experiências que estão em curso no Brasil. “Se, em 2003, o país tinha 28% de pessoas com deficiência em classe comum e ensino regular, em 2011, esse percentual chegou a 74%. E isso significa que, cada dia mais, as secretarias municipais e estaduais e o Ministério da Educação têm agido em conjunto, também em parceria com a sociedade civil interessada nessa transformação”, finaliza. Procuram-se profissionais qualificados Com potencial para aquecer o mercado de trabalho, crescimento de projetos relacionados à educação inclusiva requer profissionais de diversas áreasBoletim Universo EAD - Abril 2012 - ano VIII nº 73 Página 8
  • 8. É fato que a educação inclusiva já é uma realidade no país. Mas, infelizmente, isso ainda está longe de significar que o Brasil tenha alcançado plenitude em relação ao tema. Segundo Rodrigo Mendes, fundador do instituto que leva seu nome, no âmbito da comunidade escolar, todos os profissionais precisam de formação: educadores, gestores e os demais que interagem com os estudantes com deficiência e suas famílias. Entre os 45,6 milhões de brasileiros que têm deficiência, Transtorno Global de Desenvolvimento (TGD) ou altas habilidades, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, em 2009, quase 2,5 milhões tinham entre quatro e 17 anos. Desta parcela em idade escolar, apenas 928 mil estavam matriculados em sala de aula regular das redes pública e privada. Analisando tais números de maneira administrativa, não há como negar que ainda há muito trabalho a fazer. E, para que a inclusão alcance níveis realmente satisfatórios, também é preciso contar com profissionais capacitados de diversas áreas de atuação. Até novembro, o Senac São Paulo está realizando o projeto Sala de Educadores, em 19 unidades da rede. Dirigido a educadores, gestores e interessados em geral, o evento visa promover reflexões sobre a educação e os diversos temas pertinentes ao ambiente de ensino. A ideia é contribuir com a formação de docentes na busca de práticas mais compromissadas com a transformação social. Entre os temas abordados estão indisciplina, bullying, ética, metodologias ativas (jogos, dinâmicas, oficinas etc.), mediação da aprendizagem, avaliação, dislexia, dificuldades na aprendizagem e educação inclusiva, entre outros. Os interessados em se aprimorar com relação à educação inclusiva ou ao desenvolvimento de ferramentas e produtos que possam auxiliar o dia a dia das pessoas com deficiência, podem atuar emdiversas áreas, como desenvolvimento de sistemas, enfermagem e saúde, por exemplo, além do próprio setor da educação. Entre os cursos que o Senac São Paulo oferece na modalidade a distância, os destaques ligados à educação inclusiva ficam por conta de quatro extensões universitárias: Elaboração de Materiais Didáticos com Recursos Tecnológicos, Produção de Conteúdo para Educação On-line, Web Colaborativa Aplicada à Educação e Docência e Mediação Pedagógica On-line. Para estudantes do ensino médio e formados, com 16 anos ou mais, outra opção de curso a distância relacionado à inclusão é o Acessibilidade em Espaços Turísticos, destinado a profissionais ligados à área de turismo. Embora essa opção esteja sem turmas agendadas no momento, os interessados podem manifestar interesse para formar novos grupos. 25/04/2012 16h48min Senac São Paulo participa da Reatech e promove ações para recrutar pessoas com deficiência Mais de 500 visitantes do evento manifestaram interesse em trabalhar na instituição, que já reúne 236 funcionários com deficiênciaBoletim Universo EAD - Abril 2012 - ano VIII nº 73 Página 9
  • 9. A Reatech – XI Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade movimentou o Centro de Exposições Imigrantes, de 12 a 15 de abril, em São Paulo. Segundo os organizadores, o evento recebeu 49 mil visitantes interessados em conferir as novidades apresentadas pelas 250 empresas que participaram da exposição. O evento, apontado como o segundo maior do mundo no segmento de tecnologia assistiva e acessibilidade – e o maior da América Latina –, reuniu diversas novidades nacionais e internacionais em uma área de 34 mil metros quadrados. Entre os estandes com grande visitação, um dos destaques foi o do Senac São Paulo. Em uma área de 60 metros quadrados, a instituição promoveu diversas palestras de orientação sobre os importantes elementos necessários à efetiva inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Segundo Cintia Yuri Takahashi, coordenadora do Programa de Contratação de Pessoas com Deficiência do Senac São Paulo, a iniciativa de participar da Reatech faz parte das ações promovidas pelo próprio programa, criado em 2002. “Nosso principal objetivo foi divulgar as vagas de trabalho para pessoas com deficiência, disponíveis em diversas unidades da rede, inclusive para docência.” Assim, a instituição ofereceu fichas cadastrais aos visitantes interessados em participar dos processos de seleção, recebeu currículos e ainda orientou candidatos a inserir dados diretamente no Banco de Talentos do Senac. De acordo com Cíntia, somadas, tais ações totalizaram mais 500 manifestações de interesse em trabalhar na instituição. Atualmente, o Senac São Paulo emprega 236 funcionários com deficiência que atuam em diversas áreas e unidades do Estado. Segundo matéria apurada pelo próprio Universo EAD, em abril de 2010, esse número era próximo de 100, o que representa um crescimento de quase 160% na quantidade de colaboradores com deficiência, em apenas dois anos. Mas o Programa de Contratação de Pessoas com Deficiência não para por aí e o Senac pretende ampliar este quadro de funcionários de maneira constante, especialmente na contratação de docentes com deficiência. Pensando nisso, logo após o término da Reatech, a instituição realizou um encontro com seus Representantes da Inclusão, funcionários distribuídos pelas unidades – todas têm, no mínimo, um colaborador – que são gestores dos processos locais referentes ao programa, incluindo responsabilidades que vão desde questões administrativas até o fornecimento de recursos que possibilitem o bom desempenho dos profissionais. De acordo com Cíntia, o encontro foi promovido especialmente para aproveitar a vinda dos representantes à Reatech, com a proposta de dividir experiências e aprimorar práticas em relação à possível necessidade de equipamentos para colaboradores com deficiência e ao acompanhamento do desempenho das atividades desses colaboradores, além de discutir questões referentes à retenção profissional. Independentemente das tarefas relacionadas aos Representantes da Inclusão, o Senac São Paulo realiza constantes atividades internas na área de Educação Corporativa, incluindo workshops e palestras sobre inclusão, curso de Libras (Língua Brasileira de Sinais) e de recrutamento, seleção e ambientação de pessoas com deficiência, entre outras atividades.Boletim Universo EAD - Abril 2012 - ano VIII nº 73 Página 10

×