Modelo Conceitual para Monitoramento de Metais na Coluna D’água e Eutrofização em Vias Estuarinas
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Artigo publicado na Revista Iniciação - edição temática em Sustentabilidade ...

Artigo publicado na Revista Iniciação - edição temática em Sustentabilidade
Vol. 4, nº2, Ano 2014
Publicação Científica do Centro Universitário Senac - ISSN 2179-474X

Acesse a edição na íntegra!

http://www1.sp.senac.br/hotsites/blogs/revistainiciacao/?page_id=13

Autores:João Pedro Lago, Fabrício Ramos da Fonseca, Cledson Akio Sakurai, Caio Fontana

Resumo. Muitos dos problemas ambientais relacionam-se tanto com a abundância dos elementos como com seu comportamento e propriedades químicas (Harrison e Mora, 1996), portanto o desenvolvimento de sistemas que vislumbrem a melhoria da eficiência na detecção da poluição dos meios estuarinos, torna-se prioridade por possibilitarem prontamente as intervenções necessárias, diminuindo assim o impacto causado ao meio ambiente. Com o aumento populacional, os impactos antropogênicos ao meio ambiente apresentaram um crescimento alarmante. Este estudo é relacionado ao desenvolvimento de um sistema para monitoramento de metais na coluna d’água e da eutrofização das vias hidricas associadas à região estuarina da Baixada Santista, localizada ao sul do litoral de São Paulo, que por décadas vem sofrendo com a liberação de efluentes (industriais e domésticos) em condições impróprias nos corpos d’água estuarinos. Espera-se, com este estudo, fornecer subsídios para implantação de sistemas remotos de medição e análise de variáveis hídricas em contextos semelhantes.
Palavras-chave: recursos hídricos, detecção automatizada de poluentes, análise da qualidade de água, monitoramento remoto de metais pesados e eutrofização.

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  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística Edição Temática em Sustentabilidade Vol. 4 no 2 - Agosto de 2014, São Paulo: Centro Universitário Senac ISSN 2179-474X © 2014 todos os direitos reservados - reprodução total ou parcial permitida, desde que citada a fonte portal de revistas científicas do Centro Universitário Senac: http://www.revistas.sp.senac.br e-mail: revistaic@sp.senac.br Modelo Conceitual para Monitoramento de Metais na Coluna D’água e Eutrofização em Vias Estuarinas Conceptual Model for Metals and Eutrophication Monitoring Associated To Estuarines Pathways João Pedro Lago¹, Fabrício Ramos da Fonseca², Cledson Akio Sakurai¹, Caio Fontana¹ ¹ Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP Departamento de Ciências do Mar - Bacharelado Interdisciplinar em Ciências do Mar lago@unifesp.br, akio.sakurai@unifesp.br, caio.fernando@unifesp.br ² Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo – SENAI-SP Departamento de Gerência de Educação fabriciorf@gmail.com Resumo. Muitos dos problemas ambientais relacionam-se tanto com a abundância dos elementos como com seu comportamento e propriedades químicas (Harrison e Mora, 1996), portanto o desenvolvimento de sistemas que vislumbrem a melhoria da eficiência na detecção da poluição dos meios estuarinos, torna-se prioridade por possibilitarem prontamente as intervenções necessárias, diminuindo assim o impacto causado ao meio ambiente. Com o aumento populacional, os impactos antropogênicos ao meio ambiente apresentaram um crescimento alarmante. Este estudo é relacionado ao desenvolvimento de um sistema para monitoramento de metais na coluna d’água e da eutrofização das vias hidricas associadas à região estuarina da Baixada Santista, localizada ao sul do litoral de São Paulo, que por décadas vem sofrendo com a liberação de efluentes (industriais e domésticos) em condições impróprias nos corpos d’água estuarinos. Espera-se, com este estudo, fornecer subsídios para implantação de sistemas remotos de medição e análise de variáveis hídricas em contextos semelhantes. Palavras-chave: recursos hídricos, detecção automatizada de poluentes, análise da qualidade de água, monitoramento remoto de metais pesados e eutrofização. Abstract. Many environmental issues are related to certain elements’ abundance as well as their behavior and chemical proprieties (Harrison and Mora, 1996). Therefore, the development of systems that look for an improvement in pollution detection efficiency in estuary environments becomes a priority, once they allow necessary interventions to be carried out readily, thus diminishing the ecological impact. Given the population increase, anthropogenic impacts to the environment have presented an alarming increase. This study is related to the development of a new monitoring system for metals in water columns and for eutrophication of estuary pathways associated to the Baixada Santista’s estuary region, located in São Paulo’s seashore south region, that for decades has been suffering with effluents dumping (industrial and domestic) in improper conditions in estuary water corps. It’s expected, with this study, the gathering of subsides for the implantation of remote systems of measuring and analyzing of hydric variables in similar contexts. Key words: hydric resources, pollutant automated detection, water quality analysis, heavy metals and eutrophication remote monitoring.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 4 no 2 – Agosto de 2014 Edição Temática em Sustentabilidade 2 1. Introdução Questões relacionadas ao meio ambiente no Brasil estão cada dia mais em pauta, no entanto, essas esbarram em uma característica lamentavelmente inerente ao país e que dificulta a aceleração da reversão do quadro atual: a aplicação ineficaz da legislação ambiental (Ambrozevicius e Brandimarte, 2009). Neste contexto, a automação dos procedimentos para a coleta e gestão de de informações sobre a utilização de recursos hídricos podem contribuir materialmente para a sua melhor utilização, pois permite seu acompanhamento e controle (FONSECA et al. 2010). Desta forma o desenvolvimento de sistemas que vislumbrem a melhoria da eficiência na detecção da poluição estuarina torna-se prioridade, pois possibilitam que as intervenções necessárias para o cessamento da ação dos agentes poluentes ocorram prontamente, diminuindo o impacto causado ao meio ambiente. Estes impactos tem relação direta com as peculiaridades relacionadas à referida região, na qual estão inseridos diversos ecossistemas vulneráveis que coexistem com intensas atividades industriais e portuárias. Na cidade de Santos está localizado o maior porto da América Latina, responsável, segundo a Agência Metropolitana da Baixada Santista (2004), pela movimentação de mais de 45% do PIB nacional. Estas atividades, ao passo que contribuem para o desenvolvimento econômico da região e do país, resultam em intensa perturbação dos supramencionados ecossistemas por razão do potencial de dispersão de metais pesados atrelados às atividades portuárias. A referida região estuarina apresenta, ainda, conurbação com os municípios de Praia Grande, Guarujá, São Vicente e Cubatão, por meio das vias hídricas que cortam estas cidades. Estes municípios são caracterizados, no caso de Cubatão, pela intensa atividade industrial e, no caso das outras cidades, pelo ainda evidente déficit de moradias com coleta de esgoto adequada. Estas características afetam negativamente o equilíbrio biótico da supramencionada região agravando assim o processo de eutrofização decorrente dos despejos industriais e domésticos, ricos em nutrientes, nos corpos d’água da região. Considerando a grande extensão territorial abrangida pela região estuarina que permeia a Baixada Santista e que requer monitoramento de poluentes, propriedades como supervisão remota, autonomia e baixa demanda de manutenção dos dispositivos que compõem um sistema concebido para este fim tornam-se imprescindíveis, uma vez que possibilitam o seu gerenciamento com mínima necessidade de intervenções humanas e reduzido custo de sustentação. Neste contexto, apresenta-se aqui o resultado de estudos que visam subsidiar o desenvolvimento de um sistema para monitoramento contínuo do perfil de metais presentes na coluna d’água e da eutrofização no complexo estuarino da Baixada Santista, tencionando-se que este sistema complemente os procedimentos de análises químicas laboratoriais hoje utilizados para detecção de anomalias associadas à cargas poluentes presentes nestas vias. 2. Metodologia Como descrito por Bachnack et al. (2006) pesquisas em ambientes aquáticos como estuários, rios e baías costeiras apresentam diversos desafios para o cientista. A complexidade dos sistemas costeiros e zonas litorais, que são potencialmente sujeitas ao forte impacto provocado pelas atividades aquaviárias, faz com que habitualmente os trabalhos de pesquisa nestas zonas sejam abordados de forma concreta e
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 4 no 2 – Agosto de 2014 Edição Temática em Sustentabilidade 3 específica. Neste sentido, o caráter integrado e multidisciplinar do projeto que se propõe (inclui uma avaliação integrada da contaminação e seus efeitos, mediante diversas metodologias) permite uma maior compreensão dos problemas ambientais, principalmente em sistemas litorâneos e especialmente, daqueles submetidos a atividades portuárias. Sobre metais na coluna d’água (parâmetro de medição física) As principais características que distinguem metais de outros poluentes é que eles não são elementos biodegradáveis, sofrem processo de bioacumulação nos seres vivos e passam por um ciclo ecológico global, tendo a água como principal caminho no ciclo. Em baixas concentrações, os metais são essenciais como catalizadores bioquímicos, mas ao apresentar aumento nos níveis de concentração, esses metais se tornam tóxicos por representarem um desequilíbrio ao ecossistema e um perigo potencial para a biota local (Baumgarten e Pozza, 2001). Dentre os contaminantes mais agressivos e persistentes estão os metais pesados, que nada mais são que elementos químicos que possuem peso específico maior que 5 g/cm3 ou número atômico maior do que 20. No entanto, o termo “metais pesados” é utilizado para elementos químicos que em concentrações acima do comum provocam diferentes danos à biota (entre eles temos o alumínio, antimônio, arsênio, cádmio, chumbo, cobre, cobalto, cromo, ferro, manganês, mercúrio, molibdênio, níquel, selênio e zinco), portanto é preciso avaliar e monitorar continuamente suas fontes, transporte e destino (Campos et al. 2002 e Tsutiya, 1999). Muitos dos metais pesados tem origem antropogênica, e tornam-se contaminantes por meio de atividades que geram resíduos comumente lançados em corpos d’água ou em locais em terra sem preparo prévio para recebe-lo contaminando, entre outras reservas naturais os lençóis freáticos. As entradas desses e de outros metais no meio marinho ocorrem principalmente pelo fluxo de rios e deposição atmosférica, além das atividades antrópicas (Kennish, 1997). Essas entradas podem ser classificadas como provenientes de fontes difusas (originadas por condições atmosféricas) ou de fontes pontuais (caracterizadas geralmente pelo lançamento de efluentes industriais e domésticos) (Calmano et al. 1996). Em regiões estuarinas, o principal desafio aos equipamentos de medição remota, é a grande gama de agentes interferentes na medição. Esses são presença comum na dinâmica estuarina. Nesses ambientes, a água é física e quimicamente dinâmica, tendo, nos processos de sorção, floculação e reações redox, alta variação induzida pela mudança nos gradientes de salinidade, pH, temperatura e oxigênio dissolvido. Isso pode ser contornado através da modelagem matemática, criando e prevendo diferentes cenários sobre as condições naturais do estuário, assim detectando emissões de metais e possibilitando estratégias de controle (Topping, 1982, Milani, 2004). A reunião dessas informações proverá uma estrutura para melhor compreender o transporte e ciclagem em sistemas costeiros, informação essa essencial para o coreto gerenciamento destes sistemas. Usualmente, a medição de metais na coluna d’água é um processo que muitas vezes requer a pré concentração do analito para proceder-se com a análise laboratorial pertinente, tornando-o um método mais caro de demorado em comparação ao procedimento aqui proposto devido ao seu maior número de processos e etapas. Estes testes comumente trabalham na faixa de detecção abaixo de 0,00001 mol d/m³, mas o limite inferior de medição usualmente é definido pela limite de detecção do método analítico utilizado. Apesar disso, a água representa uma matriz de ciclagem dos metais e uma boa indicadora dos processos de contaminação e toxicidade do sistema estudado (Neto et al. 2008).
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 4 no 2 – Agosto de 2014 Edição Temática em Sustentabilidade 4 Uma forma de avaliar o índice de concentração de metais é através da metodologia de voltametria, neste caso é possível identificar o grau de condutividade do material analisado através da leitura do sensor e, assim inferir o índice de contaminação por metais. (Howel, KA et a.l 2003), assim evitamos o uso de processos lentos e caros identificar a concentração de metais (as concentrações máximas de metais para águas classe II, que são destinadas à pesca amadora, à recreação de contato secundário, à navegação a à harmonia paisagística, de acordo com Resolução CONAMA 357/2005 estão caracterizadas de acordo com a Tabela 1). Se as leituras apresentarem um padrão acima do esperado para a região naquele dado momento, podemos dizer que a contaminação por metais está em execução, ou se as leituras têm uma queda significativa podemos crer que substâncias alcalinas ou mesmo compostos reguladores de pH foram derramados no local, uma vez que a condutividade é diretamente proporcional à ionização das substâncias presentes na água (OTENIO et al., 2008). Tabela 1 – Resolução CONAMA 357/2005 – Para águas Salobras Classe II ÁGUAS CLASSE II - ÁGUAS SALOBRAS PADRÕES PARÂMETROS INORGÂNICOS VALOR MÁXIMO Arsênio total 0,069 mg/L As Cádmio total 0,04 mg/L Cd Chumbo total 0,210 mg/L Pb Cromo total 1,1 mg/L Cr Cianeto livre 0,001 mg/L CN Cloro residual total (combinado + livre) 19,0 μg/L Cl Cobre dissolvido 7,8 μg/L Cu Fósforo total 0,186 mg/L P Mercúrio total 1,8 μg/L Hg Níquel total 74,0 μg/L Ni Nitrato 0,70 mg/L N Nitrito 0,20 mg/L N Nitrogênio amoniacal total 0,70 mg/L N Polifosfatos (determinado pela diferença entre fósforo 0,093 mg/L P ácido hidrolisável total e fósforo reativo total) Selênio total 0,29 mg/L Se Zinco total 0,12 mg/L Zn Sobre eutrofização (parâmetro biológico) O esgoto consiste em uma mistura complexa de dejetos humanos, água, e compostos químicos derivados de produtos de uso doméstico e/ou industrial (Braga et al. 2005). Muitos poluentes como metais pesados, hidrocarbonetos e compostos organoclorados se tornam constituintes comuns do esgoto por serem facilmente absorvidos na matéria orgânica particulada (Kennish, 1997).
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 4 no 2 – Agosto de 2014 Edição Temática em Sustentabilidade 5 As fontes possíveis de esgoto para os ecossistemas costeiros são efluentes municipais, drenagens urbanas e agrícolas, lodo doméstico, e materiais dragados. Os esgotos, sem dúvida, constituem o maior perigo para a poluição marinha global (Weber, 1992). Um dos problemas gerados pelo esgoto, além da proliferação de bactérias patogênicas, é o aumento de substâncias naturais ou artificiais nos corpos d’água gerando desequilíbrio ecológico. Para evitar um impacto em grande escala, a Resolução CONAMA 357/2005 classificou os corpos d’água em seus possíveis usos (como consumo humano, balneabilidade, preservação de espécies) e exige que os efluentes passem por diversos níveis de tratamento (tratamento preliminar, primário, secundário e terciário ou pós- tratamento) para serem posteriormente liberados aos córregos e estuários (Braga et al. 2005). O fósforo orgânico e o nitrogênio, contidos nos esgotos lançados ao mar (regulamentados pela Resolução 430/2011), são normalmente reciclados por bactérias para suas formas inorgânicas, mas a sua introdução contínua em baías ou outros ambientes costeiros de baixa circulação podem levar a um crescimento exponencial das algas planctônicas, reduzindo a diversidade de espécies (Neto et al. 2008). Esse crescimento é conhecido como o processo de eutrofização de um ambiente. Propõe-se a utilização de um sensor de medição de algas totais, seguido da aplicação dos dados da biomassa algal no índice de estado trófico para clorofila a de Carlson (Equação 1) para o acompanhamento do estado de eutrofização do estuário, considerando a classificação de Kratzer e Berzonick (1981) para os limites tróficos (Tabela 2). Equação 1. Fórmula para o índice de estado trófico para clorofila a de Carlson Tabela 2. Limites tróficos de Kratzer e Berzonick (1981) Estado trófico Limite (IET) Ultra-oligotrófico < 20 Oligotrófico 21 - 40 Mesotrófico 41 - 50 Eutrófico 51 - 60 Hipereutrófico >60 Os resultados do índice de Carlson baseado em clorofila a indica o estado trófico do corpo d’água sob estudo, assim podemos manter o controle da qualidade dos efluentes lançados no curso d’água, e através da setorização do mesmo podemos controlar a composição do esgoto lançado e rastrear os focos de contaminação com maior facilidade e assertividade (Mercante e Tuccy-Moura, 1999).
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 4 no 2 – Agosto de 2014 Edição Temática em Sustentabilidade 6 Critérios para especificação do subsistema de medição e análise Tradicionalmente, análises ambientais são realizadas através de amostragem seguida de análises em laboratório. O surgimento de novas técnicas e equipamentos proporcionam cada vez mais opções para a avaliação em um menor tempo e no local da coleta, permitindo assim que a integração com outros sistemas de monitoramente possam ser mais efetivos. Tecnologias que já são realidade nos sistemas de telecomunicações, como o WiMAX e redes 3G (que possibilitaram à Internet tornar-se a mais ampla rede utilizada para a comunicação de dados, segundo BOJKOVIC et al 2008), ainda têm sua aplicabilidade pouco explorada no setor de automação de sistemas distribuídos e podem constituir o mote de novas pesquisas quanto à sua utilização no monitoramento da qualidade dos recursos hídricos estuarinos em meios urbanos. Esses recentes avanços tecnológicos permitem a plena automatização e integração com um sistemas de distribuição baseado em fluxo e tecnologia de comunicação sem fio (Haranhan, G. et al. 2004). Para o referido monitoramento, dois aspectos do sistema de automação devem ser estudados procurando-se soluções ótimas para a sua implantação: os subsistemas responsáveis pela medição e análise contínua das vias hídricas e o subsistema de transmissão dos dados resultantes desta análise. Este artigo trata do primeiro subsistema citado aplicado na medição dos parâmetros da eutrofização e de metais traço. Com base nos parâmetros selecionados, foram efetuadas pesquisas relacionadas a analisadores contínuos presentes no mercado, com potencial para instalação nas vias estuarinas a serem monitoradas. Estas pesquisas levaram à seleção de um equipamento multisensor (Figura 2), integrado a uma interface baseada em tecnologia de comunicação sem fio (bluetooth), RS-485, e opções de saída USB com adaptador de saída de sinal (SOA); RS-232 & SDI-12 com DCP-SOA. Figura 2. Configuração do sensor incorporado a um transceptor RF e transdutor acústico (Hanrahan et al. 2004). Estes equipamento, conhecido comumente como CTD (Conductivity, Temperature, Depth measure device) funciona em uma de profundidade entre 0 a 250, a vida útil da bateria tem duração de cerca de 90 dias, com uma memória de dados de 512 MB no total, o que significa que mais de 1.000.000 leituras registradas, e também opera a temperaturas de -5 ° a 50 ° C, sem comprometer seus sensores. É uma ferramenta comum usada em oceanografia para obter perfis verticais de água. Sensores elétricos permitem a implementação remota com capacidade de monitoramento em tempo quase real. A consequência destes desenvolvimentos é uma forma de saber as condições da água em tempo real, e, com base nisso, tem a capacidade de detectar quaisquer alterações devido à poluição ou impactos humanos quase que automaticamente.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 4 no 2 – Agosto de 2014 Edição Temática em Sustentabilidade 7 O equipamento multisensor proposto neste estudo (Figura 3) é uma alternativa prática aos tradicionais CTDs. O funcionamento do CTD é baseado no princípio de medições elétricas (Tomczac 2000), visando, primordialmente, a medição de parâmetros físicos. Propõe-se, desta forma, a incorporação de sondas multiprobe visando a adição, neste equipamento, de recursos para medição da variável biológica selecionada (eutrofização) e o acoplamento de um amostrador automático para posterior análise laboratorial, caso seja necessário. Figura 3. Modelo de multisensor proposto para o monitoramento de metais traço e eutrofização O sensor proposto é uma ferramenta precisa e de baixo custo para monitoramento dos níveis de água dos lençóis freáticos e água superficial, condutividade elétrica e temperatura. O sensor utiliza um transdutor de pressão ventilado para adquirir medições de níveis de água precisas de 0 à 35 m removendo os efeitos da pressão barométrica. Com uma amplitude de 0 à 120 dS/m permite realizar medições precisas de condutividade elétrica, atendendo as necessidades do projeto. O sensor ficará submerso e conectado através de um cabo para coletar e armazenar dados, além de transmitir os dados através de uma antena de radiofrequência. O sensor proposto tem a resolução de condutividade elétrica em 0,001dS/m e de Temperatura em 0,1o C, com um tempo de medição de 300ms, o que atende as necessidades propostas. A plataforma coleta uma amostra de água e realiza a medição da condutividade elétrica e da temperatura e armazena os dados no módulo de controle da unidade de medição, que por sua vez transmite de acordo com a parametrização os dados via radiofrequência. Os dados armazenados no módulo de controle podem ser coletados através da interface do computador e analisados em campo. No presente projeto, os sensores estarão instalados em um barco para que realize a coleta em diversos locais. O projeto encontra-se na fase de aquisição dos equipamentos e preparação do barco para a coleta de dados, entretanto o projeto baseia-se nos resultados obtidos em outros projetos de pesquisa, então espera-se obter resultados similares a do Estuário de Tamar (Figuras 4 e 5).
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 4 no 2 – Agosto de 2014 Edição Temática em Sustentabilidade 8 Figura 4. Resultado de concentração de Chumbo (Pb) e Cádmio (Cd) (Howell et al. 2003) Figura 5. Resultado de concentração de Cobre (Cu) (Howell et al. 2003) No presente projeto as medições ficaram limitadas as concentrações de Cu, Pb e Cd que é o suficiente para avaliar a qualidade da água no estuário de Santos. Essas medidas serão coletadas de diferentes níveis de coluna de água, inicialmente em 1,5, 3 e 5 metros (Waeber et al. 2005). A coleta será realizada em diversas condições de marés e durante o período de um ano para uma maior amostra das condições da qualidade de água.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 4 no 2 – Agosto de 2014 Edição Temática em Sustentabilidade 9 3. Conclusão A importância da divulgação das soluções e conhecimentos tecnológicos relacionados ao monitoramento de metais pesados e do estado de eutrofização dar-se-á, também, em função da constante e crescente evolução da aplicabilidade natural das técnicas envolvidas em sistemas desta natureza e na diversidade de configurações, tecnologias e arquiteturas possíveis para sua implementação. Neste contexto, deve-se buscar mecanismos que possibilitem o desenvolvimento de pesquisas para este setor, de forma que as soluções desenvolvidas e as técnicas implementadas possam ser difundidas e disponibilizadas, constituindo um set de tecnologias que, impliquem maior eficácia no monitoramento da poluição estuarina. Tecnologias que já são realidade nos sistemas de análise e medição de variáveis hídricas, como sondas multivariáveis e sensores biológicos, têm sua aplicabilidade pouco explorada e podem constituir o mote de novas pesquisas quanto à sua utilização no monitoramento do status da poluição em meios estuarinos. Além das próprias tecnologias, o desenvolvimento de metodologias aprofundadas que contemplem o planejamento da sua integração com os sistemas pré-existentes, pautadas na priorização das partes mais críticas destes sistemas, constitui campo fértil para a realização de novos trabalhos de pesquisa. Propõe-se, desta forma, a execução de novas pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de sensores e métodos de análise para monitoramento contínuo de metais pesados e do potencial de eutrofização de estuários, de forma a possibilitar o aumento do espectro de detecção de compostos químicos ou biológicos que possam constituir-se em poluentes dos meios aquáticos. Referências AGEM – Site da Agência Metropolitana da Baixada Santista. Indicadores Metropolitanos da Baixada Santista IMBS 2004/05. Disponível em: <http://www.agem.gov.sp.br/>. Acessado: 27 set. 2013. AMBROZEVICIUS, A. P. & BRANDIMARTE, A.L. Sociedade de risco: reflexões sobre o caso da poluição das águas da Baía de Santos SP. Leopoldianum (UNISANTOS), v. 97, p. 91-95, 2009. BACHNAK, R.; STEIDLEY, C.; MENDEZ, M.; ESPARZA, J.; DAVIS, D. Real-Time Control of a Remotely Operated Vessel. Proceedings of the 5th WSEAS Int. Conf. on Signal Processing, Robotics and Automation, 2006. BAUMGARTEN, M. G.; POZZA, S. A. Qualidade de águas: descrição de parâmetros químicos referidos na legislação ambiental. Rio Grande: Editora da FURG, 166 p., ISBN: 85-85042-70-2, 2001. BOJKOVIC, Z. BAKMAZ, B. A Survey on Wireless Sensor Networks Deployment. WSEAS Transactions on Communications. Volume: 12. Volume: 7. 2008. BUFFLE, J; TERCIER-WAEBER, M.-L. Voltammetric environmental trace-metal analysis and speciation: from laboratory to in situ measurements. TrAC Trends in Analytical Chemistry. Volume 24. p. 172–191. 2005. BRAGA, B.; HESPANHOL, I. & CONEJO, J.G.L.; Introdução à engenharia ambiental. São Paulo: Prentice Hall., p.305., 2004.
  • Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 4 no 2 – Agosto de 2014 Edição Temática em Sustentabilidade 10 CALMANO, W.; AHLF, W.; FÖRSTNER, U. Sediment quality assessment: chemical and biological approaches. In: CALMANO, W.; FÖRSTNER, U. (eds.) Sedmentes and toxics substances. Springer, Berlin Heidelberg, New York, p. 1-35, 1996. CAMPOS, M. L.; BENDO, A.; VIEL, F. Métodos de baixo custo para purificação de reagentes e controle da contaminação. Química Nova, 25(1): 808-813, 2002. CARLSON, R.E.; A trophic state index for lakes. Limnol. Oceanogr., 22: 361-380, 1977. FONSECA, F. R; DIAS, E. M; PEREIRA, S. L; FONTANA, C. F. Proposal of a Information System Guided To Administration of Hydric Supply Systems. WSEAS Transactions on Systems and Control. Issue: 6. Volume: 5. 2010. HANRAHAN, G; PATIL, DG; WANG, J. Electrochemical sensors for environmental monitoring: design, development and applications. Journal of Environmental Monitoring Volume: 6, p.657-664. 2004. HARRISON, M. R. & MORA, S. J. Introductory chemistry for the environmental science. Cambridge, Cambridge University, 373 p., 1996. HOWEL, K.A; ACHTERBERG, E.P; BRAUNGARDT, C.B; TAPPIN, A.D; TURNER, D.R; WORSFOLD, P.J. The determination of trace metals in estuarine and coastal water using a voltammetric in situ profiling system. The Royal Society of Chemistry Journal. Volume: 128, p. 734-741. 2003. HOWEL, K.A; ACHTERBERG, E.P; BRAUNGARDT, C.B; TAPPIN, A.D; WORSFOLD, P.J. Voltammetric in situ measurements of trace metals in coastal waters. TrAC Trends in Analytical Chemistry. Volume 22, p. 828–835. 2003. KENNISH, M. J. Practical handbook of estuarine and marine pollution. Boca Raton, CRC PRESS, BOCA RATON, 524p., 1997. KRATZER, C. R. & BERZONICK, P. L. A. A Carlson type throphic state index for nitrogen in Florida lakes. Water Res. Bull., 17: 713-714, 1981. MERCANTE, C.T.J. & TUCCI-MOURA, A. A comparação entre os índices de Carlson e de Carlson modificado aplicados a dois ambientes aquáticos subtropicais. São Paulo, SP. Acta Limnologica Brasiliensia, 11:1-14, 1999. MILANI, I. C. B. Determinação Polarográfica de metais em ambientes do sistema Patos-Mirim. Engenharia Oceânica da FURG, Rio Grande. Dissertação de Mestrado, 159 p., 2004. NETO, J. A. B.; WALLNER-KERSANACH, M.; PATCHINEELAM, S. M. Poluição Marinha. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 412 p., 2008. OTENIO, M. H; PANCHONI, L. C; BIDÓIA, E. D. AVALIAÇÃO EM ESCALA LABORATORIAL DA UTILIZAÇÃO DO PROCESSO ELETROLÍTICO NO TRATAMENTO DE ÁGUAS. Quim. Nova, Vol. 31, No. 3, 508-513, 2008 TOMCZACK, M. Introduction to Physical Oceanography. S.l.: s.n. 2000. Disponível em: <http://as.flinders.edu.au>. Acessado em: maio de 2009. TOPPING, G. Cooperative Report 11, International Council for the Exploration of the Sea, Copenhagen, 1982. TSUTIYA, M. T. METAIS PESADOS: O PRINCIPAL FATOR LIMITANTE PARA O USO AGRÍCOLA DE BIOSSÓLIDOS DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTOS. In: 20° CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL., 1999, Rio de Janeiro. WEBER, R. R. Sistemas costeiros e oceânicos. Química Nova, 15(2):137-143, 1992.