Mobiliário Multifuncional de Descanso para Habitações com Dimensões Reduzidas

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Artigo publicado na Revista Iniciação - edição Vol. 3, nº1, Ano 2014
Publicação Científica do Centro Universitário Senac - ISSN 2179-474X

Resumo

O presente artigo objetiva demonstrar o processo de desenvolvimento de uma poltrona-cama, que possui as funções adicionais de estação de trabalho e mesa para refeições. O produto deveria se adequar aos ambientes com metragem reduzida, diferente de móveis já existentes, como os sofás-camas. A justificativa se baseia na necessidade de produzir e comercializar um mobiliário para descanso que se encaixe nos padrões de moradia moderna, os ambientes compactos. O resultado foi um mobiliário compacto e multifuncional, feito em material nobre de madeira reflorestável, que se adapta a diversas necessidades do usuário em seu ambiente de uso reduzido.

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  • 1. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014, São Paulo: Centro Universitário Senac ISSN 2179474 X © 2014 todos os direitos reservados - reprodução total ou parcial permitida, desde que citada a fonte portal de revistas científicas do Centro Universitário Senac: http://www.revistas.sp.senac.br e-mail: revistaic@sp.senac.br Mobiliário Multifuncional de Descanso para Habitações com Dimensões Reduzidas Multifunctional Rest Furniture made for Housing with Small Dimensions Andressa de Souza Lima, Pablo Marcel de Arruda Torres, MSc. Universidade Federal de Campina Grande - UFCG Unidade Acadêmica de Design - Bacharelado em Design andressa.souza00@gmail.com, pablo.marcel@gmail.com Resumo. O presente artigo objetiva demonstrar o processo de desenvolvimento de uma poltrona-cama, que possui as funções adicionais de estação de trabalho e mesa para refeições. O produto deveria se adequar aos ambientes com metragem reduzida, diferente de móveis já existentes, como os sofás-camas. A justificativa se baseia na necessidade de produzir e comercializar um mobiliário para descanso que se encaixe nos padrões de moradia moderna, os ambientes compactos. O resultado foi um mobiliário compacto e multifuncional, feito em material nobre de madeira reflorestável, que se adapta a diversas necessidades do usuário em seu ambiente de uso reduzido. Palavras-chave: poltrona-cama, multifuncionalidade, compacto, mobiliário. Abstract. This article aims to demonstrate the process of developing of an armchair- bed, which has the additional features of the workstation and dining table. The product should suit environments with reduced space, unlike existing furniture such as sofa-beds. The justification is based on the need to produce and sell furniture for rest that fits the standards of modern housing, compact environments. The result was a compact, multifunctional furniture, made in reforested wood, noble material, that adapts to different user needs in the reduced environment of use. Key words: chair-bed, multifunctionality, compact, furniture.
  • 2. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 2 1. Introdução A indústria de móveis compõe um dos setores tradicionais da economia brasileira, onde o design exerce papel cada vez mais importante na definição de diferenciais nos produtos fabricados, não só nos aspectos estéticos como também naqueles relacionados à funcionalidade do produto (BARROSO et al., 2007) e às estratégias empresariais e de construção de imagens corporativas. Segundo Bombossaro (2012), a principal fonte do design na indústria brasileira de móveis é a união de diversos modelos em um único, cuja fonte de inspiração são produtos observados em revistas, catálogos de empresas concorrentes, feiras nacionais e internacionais. Montana (2002, p. 5) acredita que o designer pode desenvolver novos produtos com forte identidade e linguagem próprios, adaptados às novas necessidades e mercados, e complementa dizendo que a identidade de um produto surge do fator adaptação, pois aspectos como matéria-prima, processos e mercado específico de cada fábrica formam as características do mobiliário. A identidade surge à medida que esses fatores se tornam pontos fortes. De acordo com Devides (2006), os móveis residenciais detém a maior parcela da produção moveleira no Brasil, correspondendo a 60% do faturamento total do setor moveleiro no Brasil. A incorporação de novos consumidores, principalmente dos extratos mais baixos da sociedade, cujo aumento da renda familiar e estabilidade no emprego possibilitaram o crescimento do poder de compra, permite que gastos com móveis se situem na faixa de 1% a 2% do orçamento disponível. A crescente oferta do crédito imobiliário tornou o sonho do imóvel próprio mais acessível. Hoje em dia a classe média é o nicho do mercado que representa maior faturamento; sendo assim, construtoras e incorporadoras optaram por desenvolver marcas específicas para esse público. O alto custo do metro quadrado construído tornou as habitações cada vez menores, dessa forma mais acessíveis para boa parte do público consumidor. Essa procura por ambientes reduzidos fez construtoras enxergarem um promissor nicho no mercado; sendo assim, pode-se construir mais apartamentos por edifícios e ainda resolve-se o problema da falta de espaço para construir nas grandes cidades, o que ocasionou o fenômeno da verticalização das moradias. Seguindo essa tendência de espaços menores, o mobiliário teve que adaptar-se às necessidades do ambiente e diminuíram de tamanho. Os móveis para esse tipo de moradia devem apresentar conceitos como praticidade e multifuncionalidade para o aproveitamento do pouco espaço disponível. Porém, o fator espaço reduzido aliado à falta de móveis adequados podem comprometer o uso dos espaços e objetos, restando ao morador a tarefa de reorganizar esses espaços conforme suas necessidades e condições (SOARES e NASCIMENTO, 2008, p. 71). O desenvolvimento desse projeto objetivou apresentar um novo modelo de móvel compacto e flexível, que se adapte a pequenos espaços e proporcione ao público-alvo diferentes opções de uso, através de sistemas que facilitem a interação usuário- produto. 2. Análise 2.1. Público-alvo A classe C virou tema de discussão para sociólogos, economistas, publicitários e marqueteiros durante a gestão do governo Lula, onde o termo se popularizou e também ficou conhecido por “nova classe média” (BRUM, 2011). O desenvolvimento da classe C é um fenômeno observado desde 1992, mas sua expansão aconteceu de
  • 3. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 3 maneira mais intensa a partir de 2003; desde então, o contingente de pessoas que migram para essa classe sofre um crescimento progressivo, resultante do aumento da renda familiar brasileira nas classes mais baixas. Dados da pesquisa O Observador 2012 (Cetelem BGN, 2012) mostram que a classe C recebeu 2,7 milhões de pessoas em 2011, vindas das classes D e E. Atualmente, 103 milhões de pessoas fazem parte dessa classe social, enquanto que as classes D e E sofreram uma redução de 47,948 milhões para 45,243 milhões de brasileiros. Em comparação a 2005, quando a pesquisa começou a ser realizada, o salto da classe C é de 20%. Já as classes D e E tiveram encolhimento expressivo, passando de 51% em 2005 para 24% em 2011. O consumidor da classe C está mais exigente. Com mais escolaridade, informação e consciência, ele quer produtos que valorizem o seu modo de vida. O preço é um dos fatores decisivos no ato da compra. Esses consumidores também prezam pela qualidade, mesmo quando o orçamento é restrito, preferem pagar mais caro por algo de qualidade superior. Para Moura (2012) a classe C representa uma grande parte da pirâmide social, e hoje deve ser vista não como um segmento, mas como o verdadeiro mercado brasileiro. Pesquisa realizada em 2011 pelo instituto Data Popular revelou que o mercado de mobiliário movimentou R$ 41,7 bilhões. Enquanto a população pertencente aos estratos mais altos da sociedade busca personalização da oferta, diferenciação por meio do consumo e não consolidam fidelidade às marcas, a população emergente busca inclusão e são mais fiéis a marcas que comprovem uma relação custo-benefício apropriada (MOURA, 2012). A classe C ainda é a maior consumidora de mobiliário no país. Segundo a pesquisa Cetelem BGN (2012), móveis e eletrodomésticos estão entre os itens que os brasileiros desejam adquirir neste ano, à frente de lazer, viagem e telefonia celular. Para representar o público-alvo foram concebidos personagens - utilizando o método de personas desenvolvido por Alan Cooper - cujos dados são baseados em pesquisas realizadas em território nacional. Nesse projeto serão utilizados dois tipos de público: um composto pelos solteiros (primário) e outro por jovens casais (secundário). Essa escolha se deu pelo fato de possuírem características semelhantes como consumidores; assim o produto a ser desenvolvido atingiria uma parcela maior da população de possíveis usuários. 2.2. Produtos Concorrentes Foram analisados produtos concorrentes que possuem características que se assemelham ao mobiliário a ser desenvolvido (Figura 1). Dos produtos analisados, dois são produzidos por empresas nacionais e um por uma companhia internacional. A primeira característica que se deve ressaltar é uma relativa sensação de desconforto que eles transmitem, seja pela fragilidade de sua estrutura, dimensões do produto ou até densidade da espuma utilizada no revestimento. Apesar de serem produtos compactos e de fácil manuseio, as formas não são atraentes e eles se limitam a executar apenas as funções de sentar e deitar, apesar da diversidade de sistemas envolvidos nos três móveis analisados.
  • 4. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 4 Figura 1. Poltronas concorrentes analisadas como referência para o novo produto 2.3. Ergonomia A Análise da Tarefa ocorreu com dois usuários que representavam o público-alvo desse projeto. Devido à falta de um produto semelhante ao que foi desenvolvido, fez- se uso de um sofá-cama comum, disponível no ambiente analisado.
  • 5. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 5 Quanto à realização das tarefas, percebeu-se que os usuários executaram-na de formas semelhantes. O que difere é a forma como um ou outro seguram as partes do sofá, seja para conforto próprio, ou como no caso da usuária, devido ao peso da estrutura. Apesar de o produto ser de fácil uso e a sua transformação em cama não apresentar excesso de tarefas, em determinados momentos percebeu-se que os usuários executavam esse processo com dificuldades na posição do corpo e má postura, que demandava maior esforço dos membros superiores (Figura 2). Figura 2. Processo de desmontagem do sofá A Análise da Postura visa observar as posturas adotadas pelos usuários durante o uso do produto, com a finalidade de evitar problemas posturais devido a um mau desenho. Foram analisadas as posturas sentada e deitada, que são as de maior duração. Quando estão apenas sentados os usuários típicos não apontaram nenhum tipo de problema referente à postura quando do uso do produto (Figura 3), o mesmo acontecendo quando estão na posição deitados. Já na execução de tarefas como usar o notebook o usuário termina com fadiga nos membros superiores após uso
  • 6. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 6 prolongado, devido à falta de um apoio para sua utilização, forçando-o a inclinar a cabeça para baixo e assim visualizar melhor a tela (Figura 4). Figura 3. Usuária na posição sentada Figura 4. Usuário sentado utilizando o notebook 2.4. Tipologia Formal Os atributos formais determinam que um objeto além de possuir atributos práticos e estéticos também pode carregar significados, comunicando sua função e os anseios dos usuários. Assim, tomando como base a metodologia do Modelo de Abordagem do Design para a Estética (MADfAe) apresentado por Santos (2010), definiu-se certos atributos que devem ser aplicados no produto a ser desenvolvido e que levem o usuário a se identificar com o objeto por meio de seus atributos estéticos e simbólicos. Sobre os aspectos estéticos associados à forma, o produto deveria possuir uma forma equilibrada e horizontal, que é uma característica inerente a esse tipo de mobiliário.
  • 7. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 7 Com relação ao tato, estabeleceram-se características como macio e aveludado, que proporcionam ao usuário maior bem-estar. Os atributos simbólicos, que são aqueles referentes à percepção, ou seja, como o usuário se identifica no produto, optou-se pelas características amigável, jovem, forte e unissex, por estarem diretamente relacionadas ao público-alvo. O produto deve ser simples e inteligente, ou seja, seu uso deve ser facilmente assimilável. O atributo de exclusividade será uma propriedade que o fará distinguir-se dos demais produtos que desempenham função semelhante. Quanto ao estilo do produto, optou-se pelo contemporâneo, que está mais adequado ao perfil do público-alvo. 3. Geração de alternativas de solução Nesta fase foram elaborados conceitos de acordo com as necessidades identificadas nas etapas anteriores de modo a atender as diretrizes do projeto. Nesta etapa foram utilizadas as técnicas de Brainstorming – geração do maior número de ideias a fim de encontrar a melhor solução para o problema proposto – e croquis, desenhos rápidos para registro das ideias criativas que contou com a utilização da técnica de ponto de fuga e rendering. A seleção de alternativas ocorreu com base nas propostas que apresentavam a melhor solução para os problemas apresentados: possibilidade de transformar o produto em cama e um suporte que exercesse a função de mesa. Posteriormente os conceitos desenvolvidos passaram por uma análise que verificou possibilidades de melhoria, surgindo assim variações com a finalidade de identificar qual proposta seria mais adequada com cada conceito trabalhado. O conceito 1 (Figura 5) tem sua estrutura formada por uma base de madeira, formando um apoio para o encosto, onde está inserida uma mesa retrátil. O sistema funcional é composto por uma extensão retrátil que desliza para fora do assento, transformando a poltrona em cama. Apesar do sistema funcional simplificado e das dimensões da mesa acomodarem o usuário com conforto durante o uso, um aspecto negativo desse conceito é o gasto de material que esta estrutura requer, além de possuir grande peso visual. Figura 5. Conceito 1 de mobiliário multifuncional
  • 8. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 8 O conceito 2 (Figura 6) surgiu a partir da ideia do uso de pallets no mobiliário; portanto a forma seguiu a proposta de um móvel que transmitisse a sensação de robustez. Abaixo do estofado há um compartimento, que se abre através de uma porta basculante, onde o usuário poderia guardar objetos e uma mesa retrátil foi inserida no encosto. Para virar cama, a poltrona teria os dois apoios para braços rebatidos para os lados. Porém, o sistema funcional não é a solução mais eficiente para transformar a poltrona em cama e a porta basculante dificulta o acesso do usuário ao fundo do compartimento. Figura 6. Conceito 2 de mobiliário multifuncional O conceito 3 (Figura 7) seguiu a proposta de adicionar funções ao produto, mas buscando manter a simplicidade na solução e no desenho. Nesse caso, foi inserido um aparador na parte posterior, que além de servir como apoio para o encosto também permite que o usuário possa utilizá-lo como mesa quando necessário, possuindo a função de apoiar objetos decorativos e desempenhando o papel de delimitar o ambiente. Há também uma bandeja articulada em material metálico, presente na lateral do apoio para braços. O sistema funcional consiste em um colchão dobrável, bastando abri-lo e deslizá-lo para transformar a poltrona em cama. Por último, dentre os vários conceitos e variações desenvolvidos um deles foi selecionado e passou pela fase de refinamento e aperfeiçoamento de seu desenho. Para avaliação dos conceitos apresentados levou-se em consideração a simplicidade da solução e as possibilidades de funções que o produto poderia exercer. Desta forma, o conceito 3 foi o escolhido por ter sido o melhor avaliado em relação aos critérios previamente estabelecidos.
  • 9. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 9 Figura 7. Conceito 3 de mobiliário multifuncional O conceito escolhido ainda passou por uma etapa de refinamento até chegar à proposta de produto final. Como apresentado na Figura 8, em um primeiro teste de refinamento o apoio para braços e bandeja foi substituído por um simples, de madeira, enquanto o outro braço ganhou uma função secundária, de suporte para jornais e revistas. Já na segunda proposta de refinamento a ideia é que a poltrona também tivesse a função de móvel modular, que pudesse se tornar um sofá de dois lugares e cama de casal. Para isso o apoio para braços em estofado foi substituído por apenas um em madeira; essa alteração tornou o conjunto simples e mais harmonioso, sem reduzir sua funcionalidade. Na terceira proposta o aparador teve que ser reduzido para que o usuário tivesse conforto ao sentar para usá-lo como mesa de apoio. Optou- se por aplicar essa mudança no apoio para braço, para que essas duas peças continuassem em concordância. Figura 8. Propostas de refinamento do conceito escolhido 4. Resultado Final O conceito escolhido foi então modelado em software 3D, representando virtualmente como o produto seria na realidade. O desenho apresenta uma configuração formal composta de formas geométricas, com silhueta esguia, cuja simetria foi interrompida pelas peças de dimensões distintas do apoio para braço e aparador. Há predominância
  • 10. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 10 de linhas retas e traços simples, formando um conjunto livre de excessos e funcional, que são típicos do estilo contemporâneo. Outras características deste estilo foram incorporadas ao produto, como mobília larga, baixa e espaçosa. As prateleiras do aparador foram novamente modificadas (Figura 9) e foram fixadas um pouco abaixo em relação ao desenho original, bem como a segunda prateleira teve sua espessura reduzida. Assim, o móvel se adapta melhor às dimensões do usuário, resultando em maior conforto. Optou-se por aplicar essa mudança no apoio para braço para que as duas peças continuassem em concordância quando juntas. Figura 9. Rendering do produto Como complemento dessa ideia foi desenvolvido um baú multifuncional, que proporciona ao usuário um local para guardar objetos, podendo ser alinhado ao lado da poltrona onde não há apoio para braço – desenvolvendo assim essa função. Também pode ser utilizado como um banco quando se fizer necessário usar o aparador. Sua tampa se transforma em uma bandeja, devido à presença de pernas articuladas. O baú tem a possibilidade de ser deslocado pelo ambiente com mais facilidade através de um conjunto de rodízios de silicone, que possuem uma trava que proporciona maior segurança e estabilidade. A poltrona se transforma em cama (Figura 10) em decorrência do sistema funcional que consiste em um estrado que está ligado à base da poltrona através de dobradiças. Um estrado desliza pelo outro, por isso foi necessário desenvolver trava para que ele não saísse totalmente. Esse problema foi solucionado ao inserir um pino de madeira – com acabamento emborrachado – no estrado. Ao deslocar uma parte do estrado o pino fica preso à perna, ‘‘freando’’ essa peça (Figura 11).
  • 11. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 11 Figura 10. Rendering da poltrona transformada em cama Figura 11. Trava evita que o estrado saia completamente As pesquisas realizadas sobre materiais indicadas nas diretrizes do projeto confirmaram que o uso da madeira maciça na estrutura da poltrona era a melhor opção devido à sua resistência e valorização. Desta forma, todo o produto é constituído por madeira de eucalipto, com acabamento natural por meio da aplicação de verniz natural ecológico sem solventes (COV's), o que representa aspectos de sustentabilidade agregados ao móvel e assim valorizando-o ainda mais.
  • 12. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 12 O estofado de espuma D33 de poliuretano flexível isento de CFC possui a vantagem de poder ser desdobrado e se transformar em colchão. O revestimento do estofado será em camurça lisa, tecido que transmite conforto, suavidade e oferece praticidade na limpeza. Na Figura 12 o usuário para transformar a poltrona em chaise desdobra o estrado, que está fixado através de dobradiças na base da poltrona. Figura 12. Transformação da poltrona em chaise longue Caso ele queira usar a poltrona na função de cama, ele puxa o estrado, fazendo com que um deslize pelo outro, obtendo assim a extensão que possibilita o mobiliário virar cama. Para guardar o estrado ele realiza o mesmo movimento, empurrando um estrado para dentro do outro (Figura 13). Figura 13. Utilização do móvel como cama e retorno à função de poltrona Para fazer refeições o usuário pode fazer uso da tampa do baú ou do aparador, que também tem a função de estação de trabalho (Figura 14). Para aqueles que necessitam de um sofá de dois lugares a poltrona também pode ser alinhada a outra poltrona do mesmo modelo, formando um conjunto de sofás, como também podem ser usadas separadamente, e compondo um ambiente mais amplo. Ao unir uma poltrona à outra, o produto tem a possibilidade de se transformar em cama de casal (Figura 15).
  • 13. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 13 Figura 14. Usuário utilizando a tampa do baú como bandeja e o aparador traseiro como apoio Figura 15. Configuração da poltrona como sofá, estendida também à cama de casal 5. Conclusão O projeto descrito consiste em uma poltrona multifuncional que possui a vantagem de se transformar em espreguiçadeira, cama, estação de trabalho, mesa para refeições e ainda atua como divisor de ambientes devido à presença do aparador na parte posterior. Entre suas vantagens estão a economia de mobiliário no ambiente, visto que ele integra funções que outros desempenhariam, e o fato de ser um móvel compacto, tornando-o adaptável para pequenos espaços. Outro fator positivo é a possibilidade de modularidade que o produto proporciona, podendo formar uma cama de casal ou sofá de dois lugares ao unir uma poltrona à outra, possibilitando variadas configurações do ambiente. O acréscimo do baú ao projeto veio agregar mais uma função ao produto, pois nele o usuário além de dispor de um local para acomodar objetos pode utilizar a tampa como bandeja e caso seja necessário tem a possibilidade de usá-lo como banquinho. Por fim, as opções de se utilizar madeira maciça e materiais sustentáveis, que geralmente possuem maior custo, podem fazer com que o projeto se eleve em termos de categorização do mercado-alvo, se posicionando como uma opção para uma classe média com maior renda em relação ao público que foi determinado e analisado na fase de pesquisa do projeto.
  • 14. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 14 Referências BARROSO, Deise. V. et al. O setor de móveis na atualidade: uma análise preliminar. Rio de Janeiro, 2007. BOMBASSARO, Luana. O design no setor de móveis. SEBRAE. Disponível em: <www.sebrae.com.br/exibeBia?id=16332>. Acesso em 15 mar 2012. BRUM, Eliane. Uma família no governo Lula. Revista Época. Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI199330- 15223,00.html>. Acesso em 20 mar 2012. Cetelem BGN. O Observador Brasil 2012. v.7, p.1-100, 2011. DEVIDES, Maria Tereza Carvalho. Design, Projeto e Produto: o desenvolvimento de móveis nas indústrias do Pólo Moveleiro de Arapongas, PR. Bauru, 2006. Dissertação (Mestrado) - FAAC-UNESP. MONTANA, Jorge. Projetar do popular o “fator local”: a cultura popular nordestina como fonte de inovação, design e conceitos. Montevidéu, 2001. Dissertação (Mestrado) - Centro de Diseño Industrial. MOURA, Rosangela de. Gasto com móveis cresce 57% em 10 anos; indústria foca classe C. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1067322-gasto-com-moveis-cresce- 57-em-10-anos-industria-foca-classe-c.shtml>. Acesso em 26 mar 2012. SANTOS, Célio Teodorico. WORKSHOP – Metodologia para o desenvolvimento de produtos (teoria e prática). Campina Grande, 2010. SOARES, Melri A.T; NASCIMENTO, Marilzete Basso do. Moradia e mobiliário popular: problema antigo solução (im) possível?. Revista da Vinci, Curitiba, v.5, n.1, p.69-96, 2008. Disponível em: <http://www.up.com.br/davinci/5/pdf19.pdf>. Acesso em 20 mar 2012.