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Demanda controle em trabalhadores hipertensos da construção civil

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Artigo publicado na edição Vol. 9 nº1 - InterfacEHS Revista de Saúde, Meio Ambiente e Sustentabilidade …

Artigo publicado na edição Vol. 9 nº1 - InterfacEHS Revista de Saúde, Meio Ambiente e Sustentabilidade
Publicação Científica do Centro Universitário Senac - ISSN 1980-0894

Acesse a edição na íntegra!

http://www3.sp.senac.br/hotsites/blogs/InterfacEHS/?page_id=1480

Autores: Roberta Zaninelli do Nascimento Zarpelao e Milva Maria Figueiredo de Martino

RESUMO

Objetivo: Apresentar o resultado da aplicação do instrumento demanda controle em uma população de trabalhadores hipertensos da construção civil, relacionadas ao ambiente ocupacional. Método: Trata-se de um estudo descritivo e transversal, em trabalhadores da Construção Civil de Cubatão, SP oferecendo subsídios para a gestão da saúde do trabalhador nesse ramo de atividade. Resultados: (n=79) que relacionou o ambiente de trabalho e sua relação com a hipertensão arterial. Conclusão: Concluiu-se que a hipertensão arterial leve foi predominante entre os trabalhadores, no entanto há necessidade de maiores investigações sobre os fatores presentes no ambiente de trabalho podem agravá-la ou não.
Palavras-Chaves: Hipertensão Arterial. Gestão em Saúde. Saúde dos trabalhadores.

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  • 1. 3 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 DEMANDA CONTROLE EM TRABALHADORES HIPERTENSOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL DEMAND CONTROL IN HYPERTENSIVE CONSTRUCTION WORKERS Roberta Zaninelli do Nascimento Zarpelao1 Milva Maria Figueiredo de Martino2 RESUMO Objetivo: Apresentar o resultado da aplicação do instrumento demanda controle em uma população de trabalhadores hipertensos da construção civil, relacionadas ao ambiente ocupacional. Método: Trata-se de um estudo descritivo e transversal, em trabalhadores da Construção Civil de Cubatão, SP oferecendo subsídios para a gestão da saúde do trabalhador nesse ramo de atividade. Resultados: (n=79) que relacionou o ambiente de trabalho e sua relação com a hipertensão arterial. Conclusão: Concluiu-se que a hipertensão arterial leve foi predominante entre os trabalhadores, no entanto há necessidade de maiores investigações sobre os fatores presentes no ambiente de trabalho podem agravá-la ou não. Palavras-Chaves: Hipertensão Arterial. Gestão em Saúde. Saúde dos trabalhadores. 1 Enfermeiro do Trabalho, Mestre em Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente, Doutoranda da EPE/Unifesp. São Paulo (SP), Brasil. E: mail: rzn.zarpelao@unifesp.br; Autor correspondente. Endereço: Av. Doutor Bernardino de Campos, 580 Av. Apto. 36, Santos – SP, ZIP CODE:11065-002, Tel.: (13) 98136 3809. 2 Enfermeira, Pós Doutora em Enfermagem. Professora Associada da Unifesp. São Paulo (SP), Brasil. E-mail: martino.milva@unifesp.br;
  • 2. 4 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 ABSTRACT Objective: To present the result of applying the instrument demand control in a population of hypertensive construction employees in their workplace. Method: This was a descriptive cross-sectional study in Construction workers of Cubatão, SP offering subsidies for the management of health worker in this field of activity. Results: (n=79) related to the work environment and its relationship to hypertension. Conclusion: It was concluded that mild arterial hypertension was prevalent among workers, however it is needed further investigation into the factors present in the work environment that can aggravate it or not. Key Words: Hypertension. Management in Health. Health workers. INTRODUÇÃO As transformações ocorridas no mundo do trabalho têm repercutido na saúde dos trabalhadores de maneira direta, assim a crescente demanda por novas tecnologias, adicionadas a um complexo conjunto de inovações organizacionais tem interferido nas condições e as relações de trabalho (MENDES & De MARTINO, 2012). A intensificação do trabalho é um elemento da atual fase do capitalismo que passa a implicar em consumo de energias físicas e espirituais dos trabalhadores, essas transformações impactam diretamente na saúde do trabalhador em decorrência do processo de trabalho que precisa ser reorganizado de forma a atender as características de cada profissão (MENDES & De MARTINO, 2012, p.1471). A construção civil é um ramo de atividade de grande importância no cenário econômico brasileiro, caracterizado pela informalidade, sendo trabalhadores do sexo masculino, migrantes, com baixa escolaridade e reduzida qualificação profissional além de ser considerado um dos mais perigosos do mundo e inclusive no Brasil e com altos índices de acidentes de trabalho, inclusive os incapacitantes e os fatais (IRIART et al., 2008, p.166). A construção civil apresenta apenas 20,1% dos trabalhadores com carteira assinada e o trabalho informal pode contribuir para a precarização do trabalho nesta área de atuação, quando comparados a outros tipos de atividades, ainda a presença marcante
  • 3. 5 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 do trabalho informal deriva da utilização de mecanismos de rebaixamento de custos, dentre eles o da subcontratação (IRIART et al., 2008, p.166). Segundo a Relação Anual das Informações Sociais (RAIS), a análise setorial mostra que todos os setores expandiram o nível de emprego formal em 2011, comportamento esse proporcionado, em grande parte, pelo fortalecimento da demanda interna. Em termos absolutos, a Construção Civil proporcionou a criação de 241,3 mil empregos ou +9,62%, a maior taxa de crescimento do período, e a Região Sudeste aumentou o número de empregos em +4,69%, gerando 1.283.061 postos de trabalho (MTE, 2011, p.2). As condições adversas do trabalho, perdas dos direitos trabalhistas, legalização dos trabalhos informais e temporários, aliadas a evolução da tecnologia avançaram os limites da saúde humana e pode influenciar o risco de desordens osteomusculares, sintomas psiquiátricos, alteração do sono dos trabalhadores, e ferimentos que ocorrem frequentemente entre populações de meia idade, podendo ser consideradas umas das principais razões de adoecimento (PADILHA, 2010, p.555). Segundo Lima (2010), a terceirização permite a flexibilização do processo produtivo, trata-se assim, da reorganização da produção com foco das atividades fins das empresas e externalização das demais, eliminando setores produtivos, administrativos, ou de serviços, que por esta visão, são considerados complementares às suas atividades fins e transferem sua realização para outras empresas, concentrando-se no produto principal, possibilitando redução de custos fixos e ganhos de eficiência. A terceirização é percebida como técnica de modernização e instrumento de gestão empresarial trata-se de um fenômeno mundial alcançando todos os tipos de trabalho, na indústria, comércio e serviços, apresentando-se sob diversas formas de regulação e legislação nos diferentes países (LIMA, 2010, p.17). A flexibilização e terceirização podem não implicar necessariamente na precarização das relações de trabalho, mas progressivamente tornam-se sinônimos. A precarização relaciona-se com uma maior desregulamentação da utilização da força de trabalho, com a redução de postos, alterações nos contratos com redução dos custos relacionados aos direitos trabalhistas e sociais nas relacionais salarias, além da
  • 4. 6 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 transferência de atividades para outras empresas, que se responsabilizam pela organização do trabalho e gestão demão de obra, eliminando custos e diminuindo ônus com esta gestão (LIMA, 2010, p.17). A precarização pode ser vista como uma tendência difundida em toda a parte, no setor privado, público, nos meios de comunicação e atinge todos os trabalhadores e pode afeta-los mesmo que não diretamente, gerando consequências como a desestruturação da existência e suas estruturas temporais, tornando o futuro incerto e generalizando insegurança como modo de vida. Lima (2010, p.23), Estas condições podem contribuir para o aparecimento do estresse ocupacional, que é um termo relativamente moderno que frequentemente tem sido discutido em grandes entidades de saúde nas últimas décadas, de acordo com o Instituto Nacional para a Saúde e Segurança Internacional (NIOSH) estresse ocupacional é definido com uma resposta mental ou algo nocivo ao psicológico, ocorrendo entre a incompatibilidade dele ou dela para a habilidade, que pode desencadear comportamentos agressivos, doenças ocupacionais, doenças psicológicas e até mesmo a morte (MASOUD et al. 2013, p. 804). A Organização Internacional para o Trabalho (ILO) considera o estresse ocupacional como o mais significativo ao considerar a saúde do trabalhador, enquanto para a Organização Mundial da Saúde (WHO) enfatiza problemas de saúde, como baixa motivação, baixa segurança, trabalhadores expostos a riscos ocupacionais e consequentemente custos para os empregadores. ILO em uma análise estatística demonstrou que o estresse pode ter gastos de 1 a 3% do produto interno bruto (PIB), e o custo anual com o estresse ocupacional pode ser estimado em mais de 300 milhões de dólares para os Estados Unidos, 20 milhões de euros para os países europeus (MASOUD et al. 2013; HÉLÈNE, 2013). Varias razões destacam-se para a atenção especial para o estresse ocupacional e pode ser um dos mais importantes problemas de saúde no mundo (MASOUD et al. 2013, p. 804). A carga de trabalho e atividades repetidas pode ser um fator organizacional que influencia diretamente o desempenho do homem no trabalho, e por seu impacto produzido pelos elementos que constituem o processo de trabalho sobre a sua saúde física e mental (BALLARDIN & GUIMARÃES, 2009; STANFELD S et al., 2012).
  • 5. 7 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 A avaliação dos aspectos relacionados à abordagem psicossocial do trabalho tem tido relevância em estudos recentes em saúde e trabalho (ARAÚJO et al., 2003, p. 424). Nas últimas décadas, as relações entre trabalho, estresse e suas consequências sobre a saúde dos trabalhadores têm sido estudadas, com abordagens metodológicas diferenciadas, questões como a produtividade, os acidentes de trabalho, o absenteísmo e os crescentes índices de sintomas físicos e psíquicos, entre os trabalhadores de determinadas categorias, têm sido objeto de estudos, dentre eles o da construção civil (ALVES, 2009, p. 895). E ainda trabalho precário pode ser visto sob duas dimensões: a ausência ou redução de direitos e garantias do trabalho e a qualidade no exercício da atividade, vivenciado principalmente pelos trabalhadores terceirizados (MAGNANO et al., 2010, p. 805). O modelo de demanda-controle (DC) define diferentes estressores do trabalho potencialmente danosos à saúde e oferecem explicações sobre o relacionamento entre condições estressantes do trabalho e bem-estar físico e psicológico (SANTOS et al., 2010, p.257). O DC fundamenta-se nas características psicossociais do trabalho, na demanda psicológica envolvida na execução das tarefas e atividades ocupacionais e no controle exercido pelos trabalhadores sobre o próprio trabalho e o suporte social no mesmo. São itens que fazem parte da saúde ocupacional e que vêm sendo abordados com maior frequência, por meio de um questionário inicialmente proposto por Karasek em uma versão ampla e resumidamente proposto por Theorell (GRECO et al., 2011, p.273). Trata-se de uma versão reduzida deste instrumento simplificado em 1988, traduzido e validado por Alves (2004), contendo 17 questões: cinco para avaliar demanda seis para avaliar controle e seis para apoio social, versão reduzida (SCMIDTH et al., 2009, p.331). O modelo DC considerava a interação de dois componentes que poderiam favorecer o desgaste no trabalho (job strain): as demandas psicológicas (ritmo e intensidade de trabalho) e o controle (autonomia e habilidade) para que o trabalhador execute sue trabalho, assim atividades que envolvem altas demandas psicológicas e baixo controle favoreciam o desgaste no trabalho, e como consequência o adoecimento físico e
  • 6. 8 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 psicológico, posteriormente o modelo passou a incluir uma terceira dimensão: a percepção de apoio social (GRECO et al., 2011, p.273). (Figura 1). FIGURA 1 – Demanda controle. Fonte: Karasek, 1991 (adaptado por Theorell, 1991). Demanda Controle (DC), uma versão resumida do questionário Job Strain Model contém 17 questões de múltiplas escolhas sendo subdivididas em três escalas: seis questões sobre o trabalho (questões sobre controle no trabalho) (questões sobre tomadas de decisões), cinco questões sobre demanda no trabalho (questões, sobre tempo e velocidade para realizar o trabalho e seis questões sobre apoio social que o trabalhador recebe em seu ambiente de trabalho) (SCMIDTH et al., 2009, p.274). A combinação de respostas com alto controle sobre o processo de trabalho gera alto desgaste (job strain), causando efeitos nocivos à saúde do trabalhador, também prejudicial à saúde do trabalhador é a situação em que se combinam baixas demandas e baixo controle (trabalho passivo) e pode gerar perda de habilidades e desinteresse, em contrapartida, quando alta demanda e baixos controles coexistem, os indivíduos experimentam o processo de trabalho ativo, situação menos danosa ao trabalhador uma vez que ele tem autonomia de escolher como planejar suas atividades de trabalho, de acordo com seu ritmo. A situação ideal de baixo desgaste combina baixas demandas e alto controle do processo de trabalho,
  • 7. 9 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 esta situação ainda pode refletir em uma maior qualidade do sono e menos fadiga, mas em situação de baixo desgaste para alto desgaste nota-se piora da qualidade do sono e aumento da fadiga (SCMIDTH et al., 2009. p.274). O Modelo Demanda-Controle procura explicar as modificações que acontecem com os indivíduos submetidos à tensão no trabalho, tanto em nível físico como psicológico. Ele pode ser um instrumento de estrutura integradora para estudo dos diversos elementos do ambiente de trabalho, nas suas inter-relações com a saúde dos trabalhadores (GRECO, 2011, p.274). Assim sendo o objetivo deste estudo foi analisar a Demanda Controle em Trabalhadores Hipertensos da Construção Civil, especialmente do grupo de trabalhadores que atuam no setor petroquímico, em empresas terceirizadas. MÉTODO Este estudo caracteriza-se por pesquisa descritiva, exploratória, com desenho transversal, e abordagem quantitativa. Dos 2800 trabalhadores (100%), 315 (11,25%) eram hipertensos e foram incluídos 79 (25%) sujeitos hipertensos, do sexo masculino e que concordaram em participar e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, (Lei 466/12) e compareceram ao Ambulatório para aferir sua pressão arterial. Foi aplicado um questionário contendo 17 questões, divididos em demanda, controle e apoio social. Para as dimensões demanda e controle as opções de resposta são apresentadas em escala tipo Likert (1-4), variando entre "frequentemente" e "nunca/quase nunca”, para a dimensão apoio social "discordo totalmente” e “concordo totalmente” (ALVES et al., 2004). A escala Likert é um tipo de escala de resposta psicométrica usada comumente em questionários, e é a escala mais usada em pesquisas de opinião. O formato típico de um item Likert é: 1. Não concordo. 2. Indiferente. 3. Concordo. 4. Concordo totalmente. Foi aplicada a Média Ponderada = (1x54) + (2x24) + (3x21) + (4.24) = 54 +24 + 21 + 24 = 123 Logo RM = 123 / 79= 1,50 Onde Rm = ranking médio. Com o objetivo de obter a variação e a confiabilidade dos dados do Ranking Médio, foi calculado o desvio padrão da média e o α de Cronbach. Observa-se que os níveis obtidos para essa escala são relativamente próximos de 1, especialmente para a demanda e o apoio social, indicando uma boa confiabilidade nos resultados obtidos, corroborada pelos baixos desvios padrões. O estudo foi submetido ao Comitê de Ética do SECONCI,
  • 8. 10 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 (Serviço Social da Indústria da Construção Civil) e foi aprovado em agosto de 2008, sob o número de protocolo 07/2008, conforme a Resolução 466/12 para pesquisas em seres humanos. RESULTADOS Foi aplicado o questionário proposto nos 79 trabalhadores, utilizando a escala Likert de 1 a 4 pontos para mensurar o grau de concordância dos sujeitos que responderam os questionários e obteve-se o seguinte resultado (SCMIDTH et al., 2009, p.274): TABELA 1 - Resultados obtidos para a Demanda Controle relativos aos grupos de questão aplicados, variação do escore, ranking médio, variação e confiabilidade. Domínio Questão Variação do escore Desvio Padrão Alfa de Cronbach Demanda A, B, C, D, E, F 1- 4 0,16 0,68 Controle G, H, I, J, K 1-4 0,24 0,57 Apoio Social L, M, N, O, P, Q 1-4 0,55 0,87 Fonte: Elaborado por autores Em relação à pressão arterial dos trabalhadores, esses foram divididos de acordo com a Tabela 2. Aproximadamente 50% dos trabalhadores são considerados hipertensos leves.
  • 9. 11 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 TABELA 2- Número de empregados segundo a classificação dos níveis de pressão arterial. Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2010 DISCUSSÃO Em relação ao gênero dos trabalhadores que concordaram em participar da pesquisa, 79 (100%) pertencem ao sexo masculino. O sexo pode ser relacionado como fator de capacidade ao trabalho (MARTINEZ, 2006, p.145). Aproximadamente 44,3 % dos trabalhadores são considerados hipertensos estágio 1. Segundo Martinez (2006) e Magnano (2010) o estresse ambiental pode repercutir sobre as condições físicas do trabalhador, principalmente no que diz respeito à hipertensão arterial. Nº de empregados segundo a classificação dos níveis de pressão arterial Nº de empregados % Ótima <120mmHg/<80mmHg 0 Normal <130mmHg/<85mmHg Limítrofe (130-139 mmHg / 85-89 mmHg) 0 29 36,7% Hipertensão estágio 1 (140-159 mmHg / 90-99 mmHg) 35 44,3% Hipertensão estágio 2 (160-179 mmHg/ 100-109 mmHg 13 16,4% Hipertensão estágio 3 (> 180 mmHg / >110 mmHg 2 2,6% Hipertensão Sistólica Isolada (>140 mmHg / < 90 mmHg 0 Total 79 100%
  • 10. 12 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 No MDC, diferenciam-se quatro tipos básicos de experiências no trabalho, formados pela interação dos níveis de demanda psicológica e de controle: alta exigência (alta demanda e baixo controle), baixa exigência (baixa demanda e alto controle), trabalho passivo (baixa demanda e baixo controle) e trabalho ativo (alta demanda e alto controle) (SCMIDTH et al., 2009, p.331). Das quatro situações, o trabalho em alta exigência é o que apresenta maior propensão para adoecimento físico e psicológico. Os trabalhos ativos e passivos representam risco intermediário de adoecimento, já o trabalho em baixa exigência, representa menor risco, sendo esse considerado condição ideal de trabalho (BALLARDIN & GUIMARÃES, 2009; HÉLÈNE, 2013). De acordo com o estudo realizado em 79 indivíduos hipertensos que aceitaram participar da pesquisa os valores encontrados nos permitem dizer que o resultado foi de alta demanda e baixo controle, indicando característica de desgaste especialmente devido à quantidade de trabalho executada e o número de vezes em que o trabalhador executa suas atividades diárias, e ainda, segundo Kirchoff (2009) encontram-se no quadrante de trabalhadores ativos, classificadas como exposição intermediária ao estresse ocupacional, justificando o grau de controle pode indicar uma medida de autonomia, de liberdade restrita para o uso de habilidades, compensando os efeitos negativos provenientes de altas demandas psicológicas. Os resultados encontrados nesta pesquisa corroboram com estudos realizados, principalmente, em países da Europa, da Ásia e nos Estados Unidos da América têm evidenciado associação positiva entre aspectos psicossociais do trabalho (alta demanda psicológica e baixo controle) e diferentes desfechos, como, por exemplo: problemas psiquiátricos menores, doenças do sistema digestivo, doenças cardiovasculares, sintomas musculares, entre outros (KARASEK, 1990; HARDING, 1980; JOSEPHSON, 1997; BONGERS, 2002; THEORELL, 1990; SCHANALL 1994, YU, 2013). Aplicar um instrumento que transpareça a organização do trabalho, ou seja, a condição em que o trabalhador está exposto, tanto em nível fisiológico como psicológico, pode indicar possíveis fatores de risco cujo controle pode levar a prevenção de acidentes de trabalho, ao controle do agravamento de patologias como a hipertensão arterial. Isto porque quando as demandas físicas e mentais do trabalho não estão adequadas podem surgir repercutir na saúde dos trabalhadores.
  • 11. 13 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 O modelo prevê que o estresse no trabalho é resultante da interação entre muitas demandas psicológicas, menor controle no processo de trabalho e menor apoio social recebido de colaboradores e chefes no ambiente laboral (SCMIDTH et al., 2009, p.332). Os 79 (100%) Todos os trabalhadores são terceirizados, em que os trabalhadores executam “o que lhes é ordenado” não possuindo autonomia sobre a sua atividade, situação que é agravada pelo fato da instabilidade do emprego e alta rotatividade dos trabalhadores, que sempre querem “trocar” de empreiteiras (BERNARDO, 2001, p.87). Ao falarmos neste grupo esta relação torna-se mais frágil, como é o exemplo de trabalhadores que atuam em indústrias petroquímicas na Bahia ou em mineradoras, onde há um tratamento diferenciado, dos trabalhadores dentro das plantas industriais, demonstrando a distinção entre os de fora e os de dentro, que permanecem como funcionários da empresa (LIMA, 2010, p.23). Lima (2010) aponta que trabalhadores terceirizados e estáveis não sentem parte do mesmo coletivo, pois os terceiros são vistos como menos qualificados e envolvidos na empresa. Entretanto algumas categorias em que o trabalhador não se sente precarizado, a construção civil é uma delas, pois os trabalhadores recebem a empreita maior do que seria em contratos regulares (LIMA, 2010, p.22). CONCLUSÃO O instrumento para avaliação da demanda controle utilizado neste estudo mostrou- se útil e pode se constituir como ferramenta na gestão das empresas, pois por meio deste instrumento pode-se detectar necessidade de implementação de novos processos ou modificação dos já existentes levando a promoção da saúde dos trabalhadores e melhor organização do trabalho. Os resultados mostram que: obteve-se alta demanda e baixo controle, como resultado da presença de desgaste do trabalhador devido a pressão existente no ambiente laboral e quantidade de trabalho executado. Num total de 44,3% dos trabalhadores apresentaram hipertensão, tipo estagio 1.
  • 12. 14 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Outro aspecto da população estudada que pode dificultar estudos sobre a relação entre a hipertensão arterial e a demanda-controle está na alta rotatividade dos trabalhadores. Essa alta rotatividade dificulta também o controle sobre o agravamento e aparecimento de doenças crônicas neste grupo de trabalhadores. REFERÊNCIAS ALVES, M.G. M et al., Estresse no trabalho e hipertensão arterial em mulheres no Estudo Pró-Saúde. São Paulo, v.43, n.5, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 10 jun. 2013. ALVES, M.G.M. et al. Short version of the "job stress scale": a Portuguese-language adaptation. São Paulo. 2004. v. 38, n. 2. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 26 abr. 2014. ARAÚJO, T.M. et.al. Work psychosocial aspects and psychological distress among nurses. São Paulo. v.37, n.4. 2003. Disponível em: < http://www.scielo.br>. Acesso em: 03 de mar. 2013. BALLARDIN, L.; GUIMARÃES, L.B.M. Avaliação da carga de trabalho dos operadores de uma empresa distribuidora de derivados de petróleo. v.19. São Paulo, n.3S. 2009. Disponível em: <http://www.abepro.org.br>. Acesso em: 20 jan. 2013. BERNARDO, M.E. Riscos na usina química: os acidentes e a contaminação nas representações dos trabalhadores. 162 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social do Trabalho) – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
  • 13. 15 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. . Características do Emprego Formal segundo a Relação Anual de Informações Sociais. 2011. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/geral/estatisticas.htm. Acesso em mai. 2014 De MARTINO, M.M.F. O estresse e qualidade de sono do enfermeiro nos diferentes turnos hospitalares*. Revista Escola de Enfermagem. v.44, n.2. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 20 jan. 2013. GRECO, H. et al. Uso combinado de modelos de estresse no trabalho e a saúde auto referida na enfermagem. Rio de Janeiro. v.45 n.1. 2011. Disponível em: <http://www.scielosp.org>. Acesso em: 03 mar. 2013. HÉLÈNE, S.T. et al. The annual costs of cardiovascular diseases and mental disorders attributable to job strain in France. Montreal. v.13, n.748. 2013. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/>. Acesso em: 03 mar. 2013. HARDING, T.W. et al. Mental disorders in primary health care: a study of their frequency and diagnosis in four developing countries. Suiça. v.10. n.2. 1980. Disponível em: <http://journals.cambridge.org>. Acesso em: 04 abr. 2013. IRIART, J. A. B. et al. Representações do trabalho informal e dos riscos à saúde entre trabalhadoras domésticas e trabalhadores da construção civil. São Paulo. v.13. n.1. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 10 jan. 2013. LIMA, J.C. A terceirização e os trabalhadores: revisitando algumas questões. São Paulo. v.13. n.1. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 02 mai. 2014. LINDHOLM H. et al. Morning Cortisol Levels and Perceived Stress in Irregular Shift Workers Compared with Regular Daytime Workers. Finlândia. v.2012.2012. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov>. Acesso em: 10 jan. 2013.
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