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Projeto Mauricio Veronez

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Slide 1: Análise Ambiental Para Implantação de Distritos Industriais Com o Uso do Geoprocessamento no Município de São Leopoldo - RS Programa de Pós-Graduação em Geologia - Área de Concentração: Meio Ambiente e Recursos Minerais, Linha de Pesquisa Geologia e Planejamento Ambiental, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS Autores: Biól. Luciane Baretta Profº Dr. Maurício Roberto Veronez

Slide 2: Introdução A partir do século XIX, as cidades passaram por uma transformação, em estreita relação com a elevada aceleração da industrialização nos grandes centros mundiais (Albano,1999). Desde então os processos de ocupação, uso do solo e exploração dos recursos naturais, têm evidenciado uma realidade nada harmônica com o conceito de Desenvolvimento Sustentável, fazendo-se necessária uma reavaliação e substituição dos métodos praticados atualmente em relação ao planejamento do uso do solo (Souza,1998).

Slide 3: Objetivo Determinar locais viáveis para implantação de distritos industriais, utilizando técnicas de geoprocessamento para o estabelecimento de critérios na escolha de locais ambientalmente adequados, ponderados pela legislação ambiental Federal, Estadual e Municipal, tendo como área piloto o município de São Leopoldo – RS.

Slide 4: Justificativa • Contribuir com informações para auxiliar no plano diretor do município e gestão ambiental em nível local; • Conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental; • Auxiliar na preservação de áreas de uso especial como prevê a legislação estadual; • Incentivar a preservação de áreas alagadas uma vez que estas são freqüentemente aterradas ou drenadas.

Slide 5: Foto: Antônio C.S.P Geske Figura 1. Área de instalação industrial não condizente com a legislação estadual. Fonte: Ministério da Integração Nacional antigo DNOS – Departamento Nacional de Obras e Saneamento.

Slide 6: SIG Aplicado aos Estudos Ambientais SIG é um sistema que utiliza dados espaciais (cartográficos) em conjunto com dados descritivos (alfanuméricos tabulares), os quais trabalham com diferentes planos de informação permitindo análises entre os mesmos (Souza, 1999).

Slide 7: Materiais e Método Área de estudo Situa-se no município de São Leopoldo entre as coordenadas geodésicas (51º13'39\"W, 29º49'48\"S) e (51º01'14\"W, 29º38'59\"S), parte baixa da bacia hidrográfica do Rio dos Sinos, onde ocorre uma extensa planície, constituída por banhados e áreas inundáveis (Teixeira, 2002).

Slide 8: Materiais e Método Figura 2 - Mapa de localização do Município de São Leopoldo

Slide 9: Materiais Produtos cartográficos: • Imagem de Satélite Quickbird com resolução de 60 x 60 cm • Carta altimétrica com curvas em nível com eqüidistância vertical de 5 m (1/10.000) • Carta Geológica (1:100.000) • Carta de Uso do Solo (1:10.000) • Carta de Pedologia (1:25.000) • Carta de Hidrografia (1:10.000) • Carta de Infra-estrutura (Rodovias Principais) (1:10.000)

Slide 10: Materiais • Código Estadual do Meio Ambiente; • CONAMA 302 e 303 de 2002; • Plano diretor do município de 2006; • Plano ambiental 2002; • Sistemas de Informação Geográfica – ArcGIS 8.3 e SPRING 4.2; • Banco de Dados Access; • 1 par de receptores GPS modelo LEICA SR-9400 (Simples freqüência); • Programa de processamento de dados GPS SKI – 2.35;

Slide 11: Método Para a estruturação da base cartográfica desse trabalho foi implantada uma rede geodésica para georreferenciamento da imagem Quickbird e das demais cartas. Essa rede é composta por 30 pontos bem identificados nos produtos cartográficos e no terreno. Toda a base cartográfica foi associada ao Sistema Geodésico SIRGAS (Sistema de Referência Geocêntrico das Américas) na projeção UTM (Universal Transverso de Mercator).

Slide 12: Método Modelo de um Ponto GPS Figura 3 - disposição dos pontos da rede GPS Implantada no Município de São Leopoldo.

Slide 13: Método Com base nas restrições impostas pela legislação ambiental foram realizadas análises espaciais com o intuito de estabelecer critérios técnicos mais eficientes no processo de estabelecimento de lugares aptos para instalação de Distritos Industriais.

Slide 14: Método Figura 4 - Análises espaciais realizadas no processo de definição das áreas adequadas para implantação de Distritos Industriais.

Slide 15: Método Análise Multicritério Para facilitar o processo de decisão, foi adotada a análise multicritério, que permite que um determinado objetivo seja alcançado através da avaliação e combinação de diversos critérios. Adotou-se o método baseado em escala de pontos (Ramos, 2000): 5 - ótimo, 4 - bom, 3 - regular, 2 - ruim, 1 - péssimo, 0 - inadequado

Slide 16: Método Entrada de Dados - Trabalho de Campo - Trabalho de Gabinete

Slide 17: Resultado do Processamento da Rede GPS Figura 5 - Análise da precisão da rede GPS implantada

Slide 18: Resultados Com auxílio dos Softwares ArcGIS, AutoCAD e SPRING, foram geradas cartas que permitiram a composição do resultado final.

Slide 19: Altimetria Através da carta altimétrica, foi possível delimitar as APPs de topos de morro e montanhas, ao longo de linhas de cumeada e obter as classes de declividade, segundo o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA, 1999): - plano: declividades que variam de 0 a 3% - Valor: 5 pontos. - suave ondulado: declividades entre 3 e 8% - Valor: 4 pontos. - ondulado: declividades que variam de 8 a 20% - Valor: 3 pontos. - forte ondulado: declividades que variam de 20 a 45% - Valor: 2 pontos. - montanhoso: declividades que variam de 45 a 75% - Valor: 0 pontos.

Slide 20: Altimetria - Plano - 55,02 % - Suave Ondulado - 24,27 % - Ondulado - 19,29 % - Forte Ondulado - 1,04 % - Montanhoso - 0,37 % Figura 6 – Carta de Declividade Elaborada

Slide 21: Hidrografia A partir da carta de hidrografia, delimitou-se as APPs de nascentes e olhos d’água e ao longo de qualquer curso d’água. Figura 7 - Carta de Hidrografia Elaborada

Slide 22: Carta de uso do solo A partir da carta de uso do solo, pôde-se delimitar as APPs de Banhado e Mata Nativa, e definir as classes de uso do solo (Souza, 1998): - Área de Reflorestamento - Peso: 4 - Área de Sucessão Vegetal - Peso: 2 - Área Urbana - Peso: 2 - Banhado - Peso: 0 - Campo Antrópico - Peso: 5 - Mata Mista - Peso: 2 - Mata Nativa - Peso: 0

Slide 23: Carta de uso do solo - Área de Sucessão Vegetal - 2,6 % - Área Urbana - 42,09 % - Banhado - 17,16 % - Campo Antrópico -15,43 % - Mata Mista - 2,95 % - Mata Nativa - 13,86 % - Área de Reflorestamento - 4,84 % Figura 8 – Carta de Uso do Solo Elaborada

Slide 24: Áreas de Preservação Permanente (APPs) Para definir as APPs foram utilizadas as cartas de altimetria, hidrografia e uso do solo.

Slide 25: Delimitação das APPs em topos de morros e montanhas Conforme lei n° 4.771 do Código Florestal Brasileiro e Resolução n° 303 do CONAMA. Figura 9 – Representação do terço superior de morros

Slide 26: Delimitação das APPs em topos de morros e montanhas A carta de APPs de Topos de Morros, mostra a ocupação de cerca de 2,5 % da área total do município. Figura 10 – Carta de APP Topos de Morros Elaborada

Slide 27: Delimitação das APPs ao longo das linhas de cumeada De acordo com a resolução n° 303 do CONAMA. Figura 11- Representação da medida de linhas de cumeada

Slide 28: Delimitação das APPs ao longo das linhas de cumeada O resultado dessa APP mostra que o terço superior das encostas do município de São Leopoldo ocupam, cerca de 22,97% da área do município. Figura 12 – Carta de APP Linha de Cumeada Elaborada

Slide 29: Delimitação das APPs ao redor de nascentes ou olhos d’água Segundo CONAMA 303, as áreas em um raio de 50m ao redor das nascentes representam cerca de 7,77% da superfície do município. Figura 13 – Carta de APP ao Redor de Nascentes

Slide 30: Delimitação das APPs ao longo do rio ou de qualquer curso d'água De acordo com a lei n° 4.771 do código florestal brasileiro e CONAMA 302, as APPs ocupam 12,71%, da área total do município, sendo 2,93% representada pela drenagem principal, 9,41% pela drenagem secundária e 0,38% pelos lagos artificiais. Figura 14 – Carta de APP ao Longo de Rio

Slide 31: Delimitação das APPs de banhado De acordo com a Lei municipal n° 5.247, de 2003 e Artigo 267 da lei orgânica municipal as APPs de banhados ocupam cerca de 17,22% da área total do município. Figura 15 – Carta de APP Banhado

Slide 32: Delimitação das APPs de mata nativa Segundo o artigo 269 da lei orgânica municipal, as APPs Matas Nativas, ocupam cerca de 13,52% da área total do município. Figura 16 - Carta de APP Mata Nativa

Slide 33: Delimitação da área total das APPs A partir das seis cartas de APPs apresentadas, foi possível compor a área total no município, que ocupa 58,99% da área total do município. Figura 17 – Carta de Todas as APP

Slide 34: Delimitação da área total das APPs Da área total, cerca de 24,25% já está ocupada pela área urbana. Figura 18 – Carta de Ocupação Urbana em Desconformidade com a Legislação Ambiental

Slide 35: Pedologia Tipos de solos: - Argissolos Amarelos Eutróficos: Peso 2, alta infiltração. - Argissolos Vermelhos Distróficos Típicos ou Abrúpticos: Peso 3, mudança textural abrupta, baixa infiltração. - Gleissolos e Planossolos Háplicos: Peso 1, solos hidromórficos, baixa infiltração. - Nitossolos Vermelhos Distróficos Argissólicos: Peso 4, alto teor de argila, baixa infiltração

Slide 36: Pedologia No município de São Leopoldo, de acordo com a escala de mapeamento, foram identificados quatro tipos de solos: 44,09 % 36,97 % 17,83 % 0,55 % Figura 19 – (Nascimento, 2001)

Slide 37: Geologia Formações geológicas: - Pirambóia: Peso 3 , muito permeável. - Rio do Rasto: Peso 4, formação pouco permeável e ausente de aqüífero. - Depósitos aluvionares: Peso 1, boa porosidade e permeabilidade. - Depósitos colúvio-aluviais: Peso 2, alto risco de contaminação, pois o lençol freático está próximo a superfície do solo.

Slide 38: Geologia - Rio do Rasto - 4,92 - Pirambóia - 46,34 - Depósitos Aluvionares - 20,53 - Depósitos Colúvio-Aluviais -28,18 Figura 20 – (Ramgrab et al., 2004)

Slide 39: Infra-Estrutura O critério de infra-estrutura utilizado, foi a rede viária do município. Esta decisão foi orientada pela falta de informações espaciais e critérios específicos relacionados à rede elétrica, distribuição de água, coleta seletiva de lixo e de resíduos sólidos, telefonia, mão-de-obra, entre outros.

Slide 40: Infra-Estrutura Os dados referentes à rede viária, foram obtidos através do Plano Diretor do Município 2006. Figura 21 – Carta de Infra-Estrutura Urbana Elaborada

Slide 41: Infra-Estrutura Para o fator infra-estrutura na análise multicritério, considerou-se apenas as vias estruturais. As vias foram pontuadas de acordo com os níveis de importância estabelecidos pelo Plano Diretor vigente. - Nível 1 – Peso: 5 - Nível 2 – Peso: 4 - Nível 3 – Peso: 3 - Demais vias – Peso: 2

Slide 42: Infra-Estrutura Para delimitar as áreas de abrangência de cada via e assim identificar as mais favoráveis à localização industrial, de acordo com sua posição geográfica e importância, adotou- se uma distância máxima da infra-estrutura de 2Km (Pöyry, 1993 apud Souza, 1998).

Slide 43: Infra-Estrutura - Nível 1- 30,57 % - Nível 2 - 21,53 % - Nível 3 - 30,98 % - Demais vias - 17,09 % Figura 22

Slide 44: Carta Final Para gerar a carta final, todas as cartas tiveram que ser padronizadas e processadas no software SPRING, através da linguagem LEGAL (Linguagem Espacial para Geoprocessamento Algébrico): - Cada carta temática matricial (raster) foi transformada em uma carta numérica (Modelo Numérico do Terreno), com seus respectivos pesos propostos para cada classe (5, 4, 3, 2, 1, 0); - Todas as cartas numéricas foram somadas, gerando uma única carta;

Slide 45: Carta Final - A essa carta foi aplicado um processo de normalização, deixando seus valores entre 0 e 1; - Através de um histograma foi possível determinar o intervalo de valores mais significativo da carta numérica, para o qual se aplicou um fatiamento de 6 níveis, gerando uma nova carta temática matricial; - A essa carta foi inserida novamente as áreas de APP com peso 0, concluindo assim a carta final.

Slide 46: Carta Final Para área total do município (111,12 km2), tem-se como resultado da análise de aptidão para implantação de distritos industriais: - Ótimo (5): 1,06%; - Bom (4): 30,63%; - Regular (3): 8,84%; - Ruim (2): 0,42%; - Muito Ruim (1): 0,06%; - Inadequado (0): 58,99%. Figura 23 – Locais Aptos para Instalação de Distritos Industriais

Slide 47: Ventos Conforme dados de Teixeira (2002), os ventos que sopram com freqüência do sudeste, indicam que deve haver uma maior preocupação com a emissão de gases provocada pelas industriais localizadas à sudeste, pois esses gases são direcionados na direção noroeste, onde se situa a região mais urbanizada do município. Figura 24

Slide 48: Zoneamento Industrial O zoneamento industrial proposto no Plano Ambiental de 2002 compreende uma área de 10,96% do território, sendo que 72,74% do zoneamento industrial esta situado sobre APPs. Figura 26 -

Slide 49: Conclusões A metodologia empregada nesse estudo, possibilitou ganhos de agilidade, precisão, compatibilidade, praticidade, análise múltipla, qualidade de impressão, entre outras, para os processos de entrada, processamento e saída dos dados. Através dos critérios eliminatórios e classificatórios estabelecidos foi possível reduzir o universo de busca de áreas, o que facilita a tomada de decisão pelo Poder Público.

Slide 50: Conclusões O fato de São Leopoldo estar situado sob uma planície de inundação, não surpreende a grande proporção de áreas ocupadas por APPs (58,99%). Porém, é importante acrescentar que 24,25% dessas áreas se encontram sobrepostas por áreas construídas e 8,21% por áreas de reflorestamento, ou seja, 32,46% das APPs encontram-se alteradas. Apesar de mais da metade do município ser composto por APPs, encontrou-se uma proporção considerável de áreas aptas para implantação de distritos industriais, sendo 31,69% consideradas boas e ótimas, e 8,84% regulares.

Slide 51: Conclusões O comparativo realizado entre o zoneamento industrial proposto no Plano Ambiental de 2002 e a carta final, evidencia a importância de trabalhos baseados em análises ambientais. Poucas secretarias contam com este tipo de produto e muitas vezes não possuem técnicos preparados para utilizá-los. Dificuldade na aplicação da lei em determinadas situações.

Slide 52: Conclusões É importante destacar que a realização deste trabalho fez parte de um projeto de pesquisa, convênio entre Unisinos e Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que contribuiu financeiramente, para compra de produtos e serviços como: imagem de satélite, saídas à campo, bolsistas, técnicos, implantação de vértices, elaboração de produtos cartográficos, entre outros. O custo de um projeto como esse está avaliado em torno de R$ 120.000. Portanto, cabe salientar a importância de vincular universidades à órgãos financiadores no desenvolvimento de pesquisas.