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Aula nº2 Aula nº2 Document Transcript

  • 11ºano - Resumos das aulas_2013/14 Página 1 de 4 Aula nº2 Caraterizar o sistema agrário das diferentes regiões agrárias Para desenvolvermos este descritor vamos ter que relembrar conhecimentos do ano letivo anterior, por um lado, e adquirir nova informação. Se o objetivo aponta para as áreas rurais em mudança devemos começar por tentar entender o que está por trás desta expressão. O que são “áreas rurais”? Para nós que habitámos na cidade deverão ser áreas diferentes das urbanas (obviamente!). Logo, raciocinemos, serão espaços onde há menos habitações, algumas destas estão junto a campos onde se pratica a agricultura, ou onde se cria gado ou até, onde há floresta; mas também podemos ver uma ou outra habitação cujos moradores se dedicam, por exemplo, ao pequeno comércio, exploram uma farmácia, trabalham na junta de freguesia, são donos de uma serração, dedicam-se ao artesanato … mas sempre em número muito reduzido comparativamente ao que estamos habituados a ver na nossa cidade. Não vemos prédios em altura mas, antes habitações unifamiliares. E, claro, que estes habitantes têm que comunicar, deslocar-se e, portanto, também há vias de comunicação, umas de fraca qualidade, outras mais modernas mas com muito pouco trânsito. Em resumo, podemos afirmar que, nas áreas rurais, há predomínio das atividades ligadas ao campo. E porquê acrescentar “em mudança”? Provavelmente porque as áreas rurais estão em mutação. Iremos ver mais tarde que os ritmos são diversificados por força dos fatores que interferem na mudança. Lembremo-nos do que estudamos sobre a população portuguesa: cresce lentamente mas graças à imigração; a população está a envelhecer; o interior está a despovoar-se, o litoral está superpovoado, as atividades económicas que aqui existem ocupam muito espaço e há menos campo. Nos recursos hídricos vimos que o Alentejo é plano mas é seco mas, também, dissemos que existe um novo empreendimento – o Alqueva – que está a ajudar a mudar a paisagem. E, a propósito de todos os temas abordados, fizemos referência a um organismo que interfere no nosso quotidiano, a União Europeia e os fundos estruturais. Isto é, muito do país já conhecemos e, a partir de agora, mais iremos ficar a saber. Reparemos que neste descritor surgem dois termos novos: sistema agrário e regiões agrárias. Ambos têm subjacente a atividade agrícola. Genericamente, um sistema é um conjunto de subsistemas que interagem entre si. (ver o conjunto de diapositivos publicado no blog). Aplicado à atividade agrícola, um sistema agrário implica conhecer e perceber o conjunto de fatores que explicam o modo como está organizada uma determinada área onde se pratica agricultura e/ou atividades complementares. Tradicionalmente, aludia-se ao conceito de estrutura agrária – o modo como um grupo humano se instalou num espaço e o organizou para obter os recursos necessários à sua subsistência. Esta noção ainda é válida para as regiões onde a população rural perpetua as caraterísticas da organização do espaço agrário que resultaram de escolhas feitas há muito tempo atrás. O modo como a terra está dividida, as culturas selecionadas, as técnicas usadas, a disposição das casas dos agricultores, o destino da produção … tudo foi herdado de geração em geração e os agricultores são muito relutantes à mudança. Com a modernização da agricultura, com a necessidade de abastecer um mercado urbano crescente que consume mas não produz, com a evolução científica e a sua aplicação à agronomia … a tendência não é para manter velhas estruturas. Refletindo a velocidade a que as coisas mudam, as estruturas agrárias sobrevivem se
  • 11ºano - Resumos das aulas_2013/14 Página 2 de 4 se tornarem dinâmicas, dito de outro modo, se se tornarem em verdadeiros sistemas abertos a novos fatores de produção que as conduzam a resultados mais satisfatórios. Como o país é diferente entre o Norte e o Sul e entre o Litoral e o Interior, entre o Continente e as Ilhas, será de esperar que existam diferentes sistemas agrários e, mesmo, nalguns casos, se mantenham velhas estruturas agrárias. O que distingue a agricultura da indústria, ambas atividades produtivas? Uma, a agricultura (incluindo a criação de gado e a produção florestal) é biológica. A indústria, em sentido lato, consiste em transformar matéria-prima em produtos através de processos mecânicos. Como atividade biológica a agricultura está fortemente condicionada pelo clima. Uma boa produção que está perto de ser colhida pode, com uma tempestade de granizo imprevista, perder-se total ou parcialmente. Quem explora uma fábrica corre menos riscos. Desde que a energia e a matéria-prima não faltem e se as máquinas forem modernas, a produção pode operar-se continuamente e com um número reduzidíssimo de trabalhadores. A agricultura, principalmente se se destina ao mercado, precisa de muito espaço. Uma fábrica ocupa uma área muito restrita e pode ser facilmente deslocalizada. O mesmo não sucede com a agricultura. Ela necessita de bons solos e, para os encontrar, tem que privilegiar as áreas onde estes possam existir. Ora um solo não nasce solo, forma-se ao longo de um demoradíssimo processo que envolve duas fases, uma, mineral, outra, orgânica. Como sabemos de anos anteriores pelas Ciências Naturais e pela Geografia as rochas têm composição mineralógica diferente e o clima é também variado de região para região e, portanto, os solos têm que espelhar essas condições diversas. Por norma, os solos mais férteis encontram-se nas regiões temperadas de temperaturas mais amenas e onde a precipitação é razoavelmente abundante. O frio e a aridez conduzem a solos estéreis ou, mesmo, à ausência de solo (caso dos desertos). Claro que pode existir alguma circunstância localizada que contrarie a norma. Um oásis, no deserto, permite a produção agrícola porque tem O mapa ao lado mostra como se distribuem as nove regiões agrárias em que o país foi dividido, sete no Continente e duas correspondents às duas Regiões Autónomas. A cada uma destas regiões se atribuem caraterísticas próprias que as permitem individualizar-se. Será que estaremos capazes de apontar algumas delas? Só posso esperar que me respondam, sim! Vamos lá recuperar o que estudamos no ano transato. Relevo, é igual em todo o território continental? E as ilhas, são geologicamente iguais ao subsolo continental? E os tipos de tempo habituais e o clima é tudo a mesma coisa? E a ocupação do espaço, as atividades económicas por acaso distribuem-se de forma idêntica? A localização geográfica, quer em termos relativos, quer em termos absolutos, como é? Todas estas questões estais em condições de as esclarecer. Então o que falta para percebermos os sitemas agrários a identificar e caraterizar? Talvez começarmos por falar dos fatores físicos e humanos que influenciam a agricultura.
  • 11ºano - Resumos das aulas_2013/14 Página 3 de 4 água disponível. A frequência de temperaturas baixas pode ser contrariada, por exemplo, com o recurso a estufas. E um terreno montanhoso como pode ser adaptado à prática da agricultura? Basta lembrarmo-nos das encostas da paisagem duriense ou da ilha da Madeira e dos engenhosos socalcos esculpidos por mão humana. São dois exemplos possíveis entre um leque de hipóteses que podem ajudar a ultrapassar obstáculos físicos. Deserto de Erfoud, em Marrocos. Reparem que as casas estão para além dos campos para não prejudicarem a atividade agrícola. A água é demasiado preciosa para ser desperdiçada e a sua utilização obedece a rigorosas regras estipuladas entre os agricultores e as autoridades locais. O recurso às estufas justifica-se pelo clima artificial que é criado no seu interior. Temperatura e humidade podem ser controladas permitindo colheitas de variedades que, expostas ao ar, surgiriam apenas numa dada época do ano. Com as estufas é possível produzir ao longo de todo o ano e, deste modo, abastecer uma população urbana cujos hábitos alimentares são mais diversificados e exigentes. Socalcos na ilha da Madeira. Fortemente arborizada e de encostas íngremes desde o início do seu povoamento a ilha foi sujeita a uma intensa construção de socalcos indispensáveis à prática da agricultura. Os socalcos têm ainda a vantagem de contrariarem os efeitos da erosão e ajudam à retenção da água.
  • 11ºano - Resumos das aulas_2013/14 Página 4 de 4 Neste momento, juntamos clima, relevo e solo, os principais fatores físicos. Mas, como atividade produtiva, há que acrescentar fatores humanos. Peso da história, grau de desenvolvimento técnico, capacidade de investimento, destino da produção, modo de exploração da terra, intervenção do Estado, tipo de propriedade, idade, habilitações académicas, são exemplos de influências que se podem combinar com os fatores físicos e explicarem realidades com que nos confrontaremos na caraterização dos sistemas agrários que proliferam pelo país rural. Depois de pesquisarem os dados que vos podem elucidar sobre as regiões agrárias portuguesas e de consultarem os conjuntos de diapositivos já publicados no blog, espera-vos um desafio: preencherem um quadro síntese com as principais caraterísticas das regiões agrárias. Prof. Idalina Leite