Relatório de Vistoria - Casa na Rua de São Francisco, 26

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Relatório de Vistoria na casa na situada na Rua de São Francisco, 26 - Carmo - Olinda, em 01/02/2013. O imóvel foi interditado em 05/02/2013.

Mais informações:
http://carnaval.olinda.pe.gov.br/noticias/casa-da-devassa-e-interditada-nesta-terca-feira-em-olinda

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Relatório de Vistoria - Casa na Rua de São Francisco, 26

  1. 1. PREFEITURA MUNICIPAL DE OLINDA Secretaria de Obras COMDECOL RELATÓRIO DE VISTORIA Nº 017/13 Processo nº 019/13SOLICITANTE: Secretaria Executiva de Patrimônio/SEPACPROPRIETÁRIO: Nelson Guedes da Silva Neto1 - LOCAL DA VISTORIAEndereço: Rua São Francisco nº 26Carmo - Olinda – Estado de PernambucoData da Vistoria: 01/02/20132 - CARACTERÍSTICAS DO OBJETOObjeto Vistoriado: trata-se de um Casario, localizado à Rua de São Francisco, nº 26 Carmo, OlindaPE; inserido no Polígono de Tombamento de Olinda, na Área Urbana SRA (Setor ResidencialAmbiental). Apesar da edificação ser tombada pelo Patrimônio histórico, a situação em que seencontra este imóvel com as paredes externas e internas em estado de ruinas, a DETERIORAÇÃOé generalizada. A parede da fachada para Rua de São Francisco, apresenta várias patologias:rachaduras, bolor, eflorescência, falta de cobertura, sem portas, sem janelas, alvenaria das paredesexternas deterioradas. As instalações hidro sanitárias e elétricas não funcionam. As CORNIJASsuperiores encontram-se deterioradas. A cobertura é com telhas de barro, tipo colonial na parteposterior do terraço. Na parte frontal se encontra descoberta com algumas linhas de madeiradeterioradas. O que sobra da cobertura, inclusive as linhas, terças e ripas, não tem aproveitamento.A DECREPITUDE está consolidada em toda edificação, não parecendo fazer parte do conjuntoArquitetônico do Patrimônio da Humanidade.3 - METODOLOGIA APLICADA NA VISTORIAA Vistoria de Inspeção em Nivel 1, de acordo com a NBR 13752, da ABNT- Associação Brasileirade Normas Técnicas, foi efetuada no dia 01/02/2013; pelo o Engenheiro da Defesa Civil daPrefeitura de Olinda; ADERALDO LEITE DE SOUZA, com registro no CREA, sob o nº 5.936DPE acompanhado do Engenheiro JOSINALDO OLIVEIRA DOS SANTOS, com registro no CREAsob o nº 048859 PE., enfoco no seguinte aspecto: Detectar as condições de estabilidade ouinstabilidade e segurança quanto a efetivação de um evento programado para ser realizado duranteas festividades do carnaval, bem como em utilizações futuras; associado aos elementos patológicose anomalias que possam causar danos efetivos ou representar ameaça potencial de afetar a saúde ousegurança dos seus ocupantes ou terceiros e que possa de certa forma impossibilitar a realização doevento. Para atingir o objetivo deste trabalho, forem adotados os seguintes procedimentos paraabordagem, análise e verificação das ocorrências solicitadas, para estudo e descrição dos fatos:Inspeção visual “in-loco” sem auxilio de instrumentos. O imóvel encontram-se em situação de 1
  2. 2. PREFEITURA MUNICIPAL DE OLINDA Secretaria de Obras COMDECOLabandono. Na Primeira visita ao local, não foi permitida a entrada do Engenheiro da Defesa Civil.Na segunda visita, os técnicos voltaram ao local e o acesso foi permitido, onde foram vistoriadas asdependências internas, acompanhados pelo proprietário; logo foi dado prosseguimento com foconas dependências internas de piso, paredes, partes elétricas e hidro sanitárias. Na parte externa doimóvel, foram detectadas paredes em estado de deterioração avançado, com parte de alvenaria solta,e sem revestimento. Faltando portas e janelas.4 - DESCRIÇÃO DAS OBSERVAÇÕES.4.1 – Fundação: A Defesa Civil não dispõe de equipamentos para efetuar ensaios geotécnicos desondagem da fundação, ensaios de prismas da alvenaria, para descrever o tipo e as condições dafundação das edificações. No momento da vistoria, foi constatado que existe uma reforma comaumento de área construída, onde se encontra uma base de alvenaria, com aterro de metralha, emcondição irregular, não foi fornecido pelo o proprietário, o alvará de licença da reforma, pois comoo imovel se encontra inserido no perímetro de tombamento do Sítio Histórico de Olinda, no setorSRA, qualquer reforma ou construção neste setor, necessita de licença dos do IPHAN, do SEPAC eda Prefeitura para realização de qualquer intervenção na edificação.4.2 – Para realização do Evento pretendido pelo proprietário, está sendo montada uma estruturametálica treliçada, com parte coberta, inclusive um palco também montado sobre estrutura metálicaCom piso de Madeirit, segundo o proprietário, este palco vai receber cerca de 150 pessoas. Ocorreque esta estrutura, se encontra de forma irregular, com os apoios com calços de pedaço de madeiras,contrariando a NBR 18 que não permite este tipo de apoio. Os montantes devem ser apoiados emsapatas com braços regulável, sobre base solidas, capaz de resistir aos esforços solicitantes e ascargas transmitidas. Por outro lado, o piso de Madeirit, onde vão concentrar mais de 150 pessoas,encontra-se desnivelado, sem condições de trabalho.4.3 – A estrutura metálica de coberta, também se encontra desnivelada, e com as colunas metálicascom calço de madeira, sem estabilidade, contrariando a NBR 18. No piso onde foi montado estacobertura, no centro da mesma, encontra-se uma caixa de esgoto descoberta e cheia de fezes.Também ao lado, onde esta sendo feita uma ampliação irregular, as paredes da base, contém umasferragens de colunas com as pontas expostas, sujeitas a acidentes por perfuração.4.4 – Alvenaria da edificação, na parte da fachada tem uma espessura variada, consta de paredesconstruídas com blocos tijolos de barro prensados (maciços); Com revestimento parcialmentedestruído e atacado por umidade. A pintura que resta, apresenta-se desgastada; os tijolos noparamento externo, encontram-se com o reboco descolando, apresentando-se deterioradosfacilitando a penetração de água. Por encontrar-se sem reboco, os tijolos absorvem a umidade, oque contribui para os efeitos patológicos do UPU – Expansão por umidade e outros agentesexternos agressivos, aumentando o grau de salinidade em toda alvenaria. FOTOS anexas - Vistarachadura nas paredes: frontal e posterior da fachada, com muito bolor e eflorescência nas paredesfavorecendo a deterioração da alvenaria. 2
  3. 3. PREFEITURA MUNICIPAL DE OLINDA Secretaria de Obras COMDECOL4.5 – Esquadrias de Madeira: As janelas e as portas de madeira, da fachada estão danificadas,foram danificadas e demolidas. As portas do pavimento térreo também faltam em alguns locais etem vãos fechados com tapume.4.6– Coberta: A cobertura incompleta, não tendo como se aproveitar nada, caibros roliços e telhastipo colonial, também se encontra em estado imprestável. Existe ainda uma parte coberta na parteposterior no terraço.4.7 – Instalações Elétricas e hidráulicas. As instalações elétricas e hidro sanitárias não existem noimóvel, as fiações dependuradas pelo teto, não têm como serem aproveitadas, as tubulaçõeshidráulicas e sanitárias não funcionam.5.0- ANÁLISE TÉCNICA:5.1 - O Objeto foi vistoriado em 01-02-2013 para verificar a possibilidade da ocupação provisóriapara evento no referido imóvel acomodando a sede da “casa da cerveja Devassa” durante arealização do período carnavalesco deste município. De acordo com a vistoria realizada, ascondições do imóvel são precárias não oferecendo mínimas condições de serem utilizadas asdependências da mesma. A falta de Manutenção e o desprezo por parte do proprietário contribuemdiretamente para deterioração do imóvel. A NBR 13752, da ABNT- Associação Brasileira deNormas Técnicas, no item 3.30.2 define como Deterioração a Depreciação de um bem devida aodesgaste de seus componentes ou falhas de funcionamento de sistemas, em razão de uso oumanutenção inadequado.Nas paredes externas da fachada as rachaduras, as trincas e a degradação da argamassa de reboco,as manchas de bolor e eflorescência, favorecendo a deterioração da alvenaria; representa o descuidopela falta de manutenção e a exposição aos agentes agressivos, o que contribui para estasPatologias, que em parte são classificadas como Patologia Adquirida; segundo a Pesquisadora AnaMargarida Vaz Chaves, especialista em Patologia e Reabilitação de Revestimentos de fachadas, quedescreve as Patologias Adquiridas: Quando ocorrem, durante a vida útil dos revestimentos, sendoresultado da exposição ao meio em que se inserem, podendo ser naturais, decorrentes daagressividade do meio, ou da ação humana, em função de manutenção inadequada ou realização deinterferência incorreta nos revestimentos, danificando as camadas e desencadeando um processopatológico. Não obstante, o Grau de Risco enquadrado como Crítico, não se pode refutar aimportância dos imóveis inseridos no Polígono tombados do Sítio histórico. Desta forma, alertamosao Sr. Proprietário, que intervenção arquitetônica em sítio histórico dependem de um projeto ese refere a toda ação realizada em edificação sujeita à legislação de proteção ou ao tombamento.Diz respeito a vários tipos de execução de obras, sejam elas pequenos serviços, manutenção, obrasde conservação, de restauração, de reforma ou nova construção ou mesmo de demolição. Portanto,para realizar qualquer obra de intervenção no casario do Sítio Histórico de Olinda e para elaboraçãodo projeto, o proprietário e o projetista devem conhecer as legislações de proteção (federal emunicipal) que regulamentam as obras e os usos do lugar. A consulta à legislação possibilitaidentificar a situação do imóvel em relação à zona e aos setores em que se encontra inserida. 3
  4. 4. PREFEITURA MUNICIPAL DE OLINDA Secretaria de Obras COMDECOL5.2 – Como se evidencia, o objeto vistoriado, com orientação de um Técnico da Secretaria dePatrimônio necessita imediata recomposição dos seus elementos de divisão interna e externas e decoberta com a recuperação de suas paredes externas deterioradas pela falta de Manutenção. Oscustos para elaboração de projeto e da da reforma para recuperação de toda estrutura, devem correrpor conta do proprietário e ser aprovada nos órgãos de proteção do Patrimônio histórico e daPrefeitura de Olinda.5.3 - Grau de Risco: De acordo as definições da Norma de inspeção Predial do Instituto Brasileirode Avaliação e Pericia de Engenharia - IBAPE/SP 2011, no item nº 13 que Classifica o Grau deRisco nas edificações. De acordo com as definições desta Norma, o objeto vistoriado enquadra-seno item 13.1 como CRÍTICO que descreve como: O Risco que pode provocar danos contra a saúdee segurança das pessoas e ou meio ambiente, perda excessiva de desempenho causando possíveisparalisações, análises das anomalias que foram encontradas, o Grau de Risco da Edificação éconsiderado como CRÍTICO conforme definição no item 5.3 e das observações de forma visualnas edificações, no momento não deve ser utilizada sem que antes passe pelo processo de reforma,para recuperação das partes afetadas por falta de manutenção, em toda sua estrutura , inclusivecobertura. Em razão da importância dos imóveis, inseridos no Polígono tombado Patrimôniohistórico de Olinda.A utilização do imóvel fica condicionada, além das exigências pertinentes aos demais órgãos daPrefeitura de Olinda e do Estado, às seguintes recomendações:1- Executar modificações previstas em projeto aprovado pelo Corpo de Bombeiros, Prefeitura eIPHAN, quanto às saídas de emergências e instalações de extintores de incêndios e sinalização deemergência.2- Apresentar, projeto aprovado pela SEPAC/PREFEITURA, os seguintes itens: 2.1 – Projeto da estrutura metálica de montagem da Coberta e do Palco. 2.2 - Fluxograma de saídas de emergência com portas de saídas dimensionadas para aquantidade de participantes prevista no evento. 2.3 – Dimensionamento de Banheiros químicos de acordo com a quantidade de pessoasprevistas no evento. 2.4 – Projeto elétrico de iluminação de toda estrutura do evento3 – Todas as estruturas metálicas de cobertura, do palco de sustentação não poderão ter o tipo decalço de madeira que estão colocados. As sapatas da estrutura devem ter reguladores para nivelarcom o solo, de conformidade a NR 18.4 – Todos os projetos devem ser apresentados e mantidos no local até o fim do evento, com asrespectivas ART´s ( Anotações de Responsabilidade técnica do CREA) do Engenheiro responsável.5 – Apresentar o projeto da reforma da parte acrescida, que se encontra com a base de alvenarialevantada, com a devida licença do IPHAN e SEPAC, para dar continuidade às obras da reforma.6 – Fazer uma tampa de concreto com dimensões adequadas para a caixa de esgoto que seencontra no centro da tenda coberta, fazendo a vedação com argamassa, para evitar saída de gasespoluentes.7 – Fazer a regularização do piso, retirando todos os obstáculos para evitar acidentes. 4
  5. 5. PREFEITURA MUNICIPAL DE OLINDA Secretaria de Obras COMDECOL6.0- CONCLUSÃO:Diante do exposto, o imóvel em tela não apresenta condições de utilização, mesmo nas áreasexternas, pois as condições do prédio são impeditivas para utilização de outras áreas contíguas e/ouadjacentes. Portanto, recomenda-se a INTERDIÇÃO TOTAL do imóvel até o cumprimento detodas as exigências definidas no presente relatório.7 – TERMO DE ENCERRAMENTO:Os trabalhos e a descrição deste Laudo estão elaborados em conformidade com as definições daNBR 13.752/96, da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, que trata de Perícias naEngenharia na Construção Civil; das Leis Federais do Sistema CONFEA/CREA, (Leis nºs5.194/66, 6.496/77 e as resoluções nºs 218/73. Este Laudo de Vistoria é Composto de um únicovolume com 8 (oito) itens e 11 (onze) paginas incluindo os anexos do material fotográfico,digitalizados em microcomputador, transcrito em uma só face, que fazem parte integrante destedocumento. Dando nesta ocasião por encerrado o teor deste Laudo, para que o mesmo venha surtirefeitos aos quais se destinam.8 – DOCUMENTOS ANEXOS:8.1 – ANEXO-1 – Fotos de nº 01 a 32 Olinda, 01 de Fevereiro de 2013. Aderaldo Leite de Souza Engº Civil CREA 5.936D/PE Josinaldo Oliveira dos Santos Engº Civil CREA 048859D/PEVisto:Ivan Carlos Moura da CunhaEngº Civil CREA 023332D/PECoordenador de Defesa Civil 5

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