Memorial do Convento, de José Saramago II

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Sistematização dos aspectos essenciais do Memorial do Convento, de José Saramago: material de estudo e apoio às aulas de Português 12ºano (Parte II)

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Memorial do Convento, de José Saramago II

  1. 1. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 MEMORIAL DO CONVENTO, de José Saramago (Sistematização ) A minha ideia, quando concebi o Memorial do Convento estava limitada à construção do convento e é depois que verifico que nessa mesma época um padre tinha a ideia de fazer uma máquina de voar . Então este facto modificou-o completamente... A partir daí, o romance tinha que ser diferente, completamente diferente. E toda a oposição entre o que cai e o que sobe, entre o pesado e o leve, o que quer voar e o que impede que voe; toda essa relação entre liberdade e autoridade, entre invenção e convenção, ganha uma dimensão que antes não estava nos meus propósitos e que modifica completamente o romance. Com essa figura que está entre os dois mundos, o que significa que está num terceiro, o mundo mais próximo da natureza, isto é, ao ser natural, se é que existe. Acho que não existe. Todos somos seres culturais, por um olhar, por um entendimento , conseguimos ir mais fundo que a superfície das coisas. E isso, esse aspecto complexo, é o que impede que o Memorial seja lido em linha recta, porque exige constantemente outras leituras e outras interpretações. José Saramago, citado por José Joaquín Parra Banon, Pensamento Arquitectónico na Obra de José Saramago , in manual Plural , 12º ano, Lisboa Ed.
  2. 2. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 Contexto histórico Espaço Físico Social Psicológico Narrador Heterodiegético Omnisciente … Linguagem e Estilo Intertextextos Bíblia Os Lusíadas Cultura popular Códigos Temático Ideológicos Critica Social Dimensão Simbólica Personagens Históricas Fictícias Estrutura Acção História Ficção Tempo Da Diagése Do Enunciado Memorial do Convento
  3. 3. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 CONTEXTO: esplendor e sombra do Portugal joanino . João V, o Magnânimo (1706-1750): Riquezas oriundas do Brasil; Desenvolvimento das Ciências e das Reformas; Literatura Barroca: as academias e o gosto gongórico; Interesse pelas Artes: Música, Pintura, Arquitectura,... . Profundos contrastes sociais ; . Vigência do temível tribunal da Inquisição (Santo Ofício); . Devassidão escandalosa do monarca; . Impressões negativas de viajantes estrangeiros; . Juízos críticos de escritores portugueses (de Camilo Castelo Branco a Oliveira Martins).
  4. 4. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 Estrutura externa . 25 capítulos - não estão numerados ou titulados . ACÇÃO - Estrutura Interna A intriga situa-se na 1ª metade do séc. XVIII e desenvolve-se em diversas linhas de acção: História: ● a vida na corte de D. João V e na cidade de Lisboa; ● a construção do Convento de Mafra; Ficção: ● a história de amor de Baltasar e Blimunda; ● a construção da passarola voadora, sob orientação do Padre Bartolomeu de Gusmão.
  5. 5. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 NARRADOR Geralmente, é HETERODIEGÉTICO (surge na terceira pessoa e não participa na acção) PORÉM, por vezes assume a primeira pessoa do singular e até do plural Homodiegético Geralmente, assume uma focalização OMNISCIENTE Tem uma perspectiva transcendente em relação às personagens o que lhe permite um conhecimento total do passado, presente e futuro Outras vezes, o narrador assume momentaneamente a perspectiva das personagens que vivem a acção, conferindo mais vivacidade e verosimilhança à narrativa Focalização Interna Identidade do narrador principal : cronista anónimo, culto e crítico, identificado com o povo; polifonia de vozes: narradores secundários (focalização interna); características maiores do discurso do narrador.
  6. 6. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 TEMPO - O tempo diegético ou tempo da história tempo em que decorre a acção (tempo cronológico) A acção inicia-se em 1711 : "(. ..) S. Francisco andava pelo mundo, precisamente há quinhentos anos, em mil duzentos e onze (. . .)" . 1717 , tem lugar a bênção da primeira pedra do Convento de Mafra. Baltasar e Blimunda regressam a Lisboa para trabalhar na passarola do padre Bartolomeu de Gusmão . 1729 , celebra-se o casamento de D. José com Mariana Vitória e de Maria Bárbara com o príncipe D. Fernando (VI de Espanha) . 1730 , mais propriamente no dia 22 de Outubro, o dia do quadragésimo primeiro aniversário do rei , realiza-se a sagração do Convento de Mafra A acção termina em 1739 , no momento em que Blimunda vê Baltasar a ser queimado em Lisboa, num auto-de-fé . O fluir do tempo é sugerido pelas transformações sofridas pelas personagens e por alguns espaços e objectos ao longo da obra.
  7. 7. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 O tempo do discurso é revelado através da forma como o narrador relata os acontecimentos . Este pode apresentá-los de Forma linear ou através de: . Analepses: retroceder no tempo em relação ao momento da narrativa em que se encontra: coesão da narrativa desejo dos franciscanos de possuírem um Convento em Mafra já em 1624. . Prolepses: antecipar situações: crítica social visão globalizante de tempos distintos por parte do narrador TEMPO - O tempo do discurso ou da escrita
  8. 8. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 As procissões e os autos-de-fé caracterizam Lisboa como um espaço caótico , dominado por rituais religiosos cujo efeito exorcizante esconjura um mal momentâneo que motiva a exaltação absurda que envolve os habitantes . A violência das touradas ou dos autos-de-fé apraz ao povo que, obscuro e ignorante , se diverte sensualmente com as imagens de morte, esquecendo a miséria em que vive. ESPAÇO Físico Lisboa e Mafra Social Procissão da penitência Autos-de-fé Tourada Procissão do corpo de Deus Trabalho no convento Psicológico Sonhos Pensamentos
  9. 9. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 PERSONAGENS - Caracterização e perfil simbólico . D. João V : o rei megalómano e devasso; . D. Maria Ana : a rainha triste e apagada; . Baltasar Mateus , “Sete-Sóis”: o soldado maneta, o trabalhador; . Blimunda da Jesus , “Sete-Luas”: a amante, a mulher intuitiva e a vidente; . Pe. Bartolomeu Lourenço : o padre heterodoxo e o génio inventivo; . Dominico Scarlatti: o músico que representa a arte que, aliada ao sonho, cura Blimunda. . Povo: Espoliado, rude, violento , o povo atravessa toda a narrativa, numa construção de figuras que, embora corporizadas por Baltasar e Blimunda, tipificam a massa colectiva e anónima que construiu, de facto, o convento. Bipolarização alegórica das relações: construção do palácio-convento (Poder Absolutista do Trono e do Altar) construção da passarola (Poder do Saber e o Sonho da “trindade terrestre”)
  10. 10. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 . Título: relato de memórias / feitos memoráveis . Passarola: o sonho de voar; a leveza; a superação da condição humana. . Convento e “mãe da pedra”: a opressão dos pobres, por parte dos poderosos; o peso da condição humana. . Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas: a totalidade e perfeição; o amor e a complementaridade entre masculino e feminino – Associados à simbologia da Lua e do Sol . Os números: três: Bartolomeu, Baltasar e Blimunda - o trio que representa a amizade e a unidade: respectivamente, o saber; o trabalho e a magia. sete: totalidade e perfeição (a primeira pedra do convento foi benzida no dia 17/11/1717, às 7 horas; Domenico Scarlatti esteve 7 anos em Lisboa; Blimunda passou por Lisboa sete vezes, procurando Baltasar; o nome dos protagonistas) nove: gestação, renovação (Blimunda procura Baltasar durante nove anos). DIMENSÃO SIMBÓLICA
  11. 11. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 DIMENSÃO SIMBÓLICA (cont.) . A música: poder mágico que eleva o homem e revela poderes curativos. A música do cravo de Scarlatti simboliza o ultrapassar, por parte do homem, de uma materialidade excessiva e o atingir da plenitude da vida. Por isso Scarlatti representa simbolicamente o transcendente que advém da música e que, ligado à clarividência de Blimunda, instaura o domínio do maravilhoso na obra Memorial do Convento. . As nuvens / vontades: Os poderes de Blimunda exercem-se, sobretudo, na captação da nuvem fechada. Devido aos seus poderes, Blimunda acolhe as vontades humanas dos moribundos, junta-as nas duas esferas para com elas e com estas, gerar energia vital (“o ar que Deus respira”), que, em conjunto com o âmbar e o íman, movem a passarola. Estas vontades poderão significar que a vontade, ou melhor, as vontades dos homens, unidas por uma mesma causa ou num mesmo sonho, serão capazes de vencer a ignorância, o fanatismo, a intolerância, libertando o homem, projectando-o para uma nova idade, abrindo-lhe perspectivas de um mundo diferente. . O sangue: compromisso que resulta do Amor indestrutível / peso do poder instituído e do domínio exercido pela Inquisição, com o contentamento geral de uma sociedade cruel / preço do sacrifício, das vítimas inocentes que perderam a vida para que o Convento fosse uma realidade
  12. 12. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 Crítica e Sátira Social - à religião, ao clero, às ordens religiosas, ao povo, às terríveis discrepâncias sociais, à prepotência real, ... Caricatura da sociedade portuguesa da época de D. João V : revelando-se antimonárquico e com um humanismo fechado à transcendência. . Crítica cheia de ironia e sarcasmo à opulência do rei e de alguns nobres por oposição à extrema pobreza do povo . «Esta cidade, mais que todas, é uma boca que mastiga de sobejo para um lado e de escasso para o outro»; «A tropa andava descalça e rota, roubava os lavradores». . Crítica ao adultério e a corrupção dos costumes são factores de sátira ao longo da obra. . Crítica ao poder religioso: nas questões religiosas, não só usa a ironia, como também se revela frontal nas apreciações à Inquisição e aos santos que a ela se ligaram. . Crítica ao próprio povo , porque, sedento de crueldade, oscila na sua preferência entre o auto-de-fé e as touradas A religião é o ópio do povo, o entretenimento dos poderosos
  13. 13. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 « A escrita de Saramago é uma escrita torrencial» Maria Leonor Carvalhão Buesu LINGUAGEM E ESTILO “ Cada frase, ou discurso, ou o período, cria-se dentro de mim mais como uma fala do que como uma escrita. A possibilidade da espontaneidade, a possibilidade do discurso em linha recta, enfim, a direito, é muito maior do que se eu me colocasse na posição de quem escreve. No fundo, ao escrever estou colocado na posição de quem fala .” José Saramago, in Conversas, Mário Ventura, Publ. Dom Quixote, 1986 A linguagem de Saramago reinventa a escrita, combinando características do discurso literário com o discurso oral, construindo uma narrativa marcada por uma cumplicidade, uma espécie de « pacto de leitura » entre o narrador e o narratário. . Presença constante de marcas de coloquialidade construídas pela relação narrador/narratário; . Intervenção frequente do narrador através de comentários, o que dificulta a identificação das vozes intervenientes; . Tom simultaneamente cómico, trágico e épico; . Discurso reflexivo também construído pelo emprego de aforismos, provérbios e ditados populares.
  14. 14. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 LINGUAGEM E ESTILO (cont.) . Ausência de pontuação convencional - a vírgula é o sinal de pontuação de maior relevância, marcando as intervenções das personagens, o ritmo e as pausas; . Mistura de discursos – discurso directo, indirecto, indirecto livre e monólogo interior – que aponta para uma reminiscência da tradição oral, em que contador e ouvintes interagem; . Utilização predominante do presente – marca do fluir constante do narrador entre o passado e o presente; . Coexistência de segmentos narrativos e descritivos sem delimitação clara; . Características de mimetismo do estilo barroco : Processos ou figuras de sintaxe : período longo, paralelismos, inversões frásicas (anástrofe, hipérbato), enumerações, etc. Figuras conceptuais : comparação, metáfora, personificação, antítese, antonomásia, hipérbole, hipotipose, etc.; jogos de palavras e de conceitos ( cultismo e conceptismo barrocos) Influência da sabedoria popular : abundância do discurso sentencioso; expressões e provérbios populares . Omnipresença da ironia, mais ou menos cáustica e corrosiva . Paródia lexical (uso de termos arcaicos e ridicularizadores) . Paródia sintáctica (de construções típicas do barroco)
  15. 15. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 LINGUAGEM E ESTILO - exemplo "Por uma hora ficaram os dois sentados, sem falar. Apenas uma vez Baltasar se levantou para pôr alguma lenha na fogueira que esmorecia, e uma vez Blimunda espevitou o morrão da candeia que estava comendo a luz e então, sendo tanta a claridade, pôde Sete-Sóis dizer, Por que foi que perguntaste o meu nome, e Blimunda respondeu, Porque minha mãe o quis saber e queria que eu o soubesse, Como sabes, se com ela não pudeste falar, Sei que sei, não sei como sei, não faças perguntas a que não posso responder, faze como fizeste, vieste e não perguntaste porquê, E agora, Se não tens onde viver melhor, fica aqui, Hei-de ir para Mafra, tenho lá família, Mulher, Pais e uma irmã, Fica, enquanto não fores, será sempre tempo de partires, Por que queres tu que eu fique, Porque é preciso, Não é razão que me convença, Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar, Não tenho forças que me levem daqui, deitaste-me um encanto, Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei, Olhaste-me por dentro, Juro que nunca te olharei por dentro, Juras que não o farás e já o fizeste, Não sabes de que estás a falar, não te olhei por dentro, Se eu ficar, onde durmo, Comigo." [pág. 56]
  16. 16. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 INTERTEXTUALIDADE - manifestações e significado . Memória (tradição literária) e recriação intertextual . Variedade do intertexto saramaguiano : - Intertexto histórico (crónicas e fontes historiográficas) - Intertexto cultural (relatos de viajantes estrangeiros) - Intertexto bíblico-religioso (alusões e referências bíblicas, dogmas de fé, milagres, rituais e práticas religiosas: " começam a cabecear as damas mas resistem como sábias, senão como virgens e enfim se retiram (. . .)“ - relacionar com a parábola das virgens prudentes que se lê no Evangelho. - Intertexto artístico (música, arquitectura e escultura do período barroco) - Intertexto literário (autores /obras da tradição literária): . Literatura e mitologia clássicas (Vénus/Vulcano, ...) . Literatura portuguesa clássica (Vieira, António José da Silva, Tomás Pinto Brandão, Nicolau Tolentino, Camões: “ que, entre portugueses traidores houve muitas vezes" (82); "tão claramente vista à luz do dia" , etc.; . Literatura portuguesa moderna e contemporânea (F. Pessoa, G. Junqueiro, etc.) . Literatura Popular (expressões, provérbios, contos tradicionais) . Significados da ampla intertextualidade/interdiscursividade saramaguiana
  17. 17. | Português – 12º ano | Memorial do Convento - José Saramago Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20092010 Fontes sitográficas usadas Leituras recomendadas: . AZINHEIRA, Teresa / Coelho, Conceição – Uma Leitura de “Memorial do Convento”, Lisboa, Bertrand, 1995. . FALCÃO, Alzira – Como Abordar... “Memorial do Convento” (Proposta de estudo em 15 aulas), Lisboa, Areal Editores. . JÚLIO, Mª Joaquina Nobre – “Memorial do Convento” José Saramago , Lisboa, Replicação, 1999. . MONIZ, António – Para uma Leitura de “Memorial do Convento” de José Saramago , Lxª, Presença, 1995. . MOREIRA, Vasco e PIMENTA, Hilário, Preparação para o Exame nacional 2010, Português 12ºano , Porto Editora, 2010. http://www.prof2000.pt/users/jsafonso/Port/luar.htm http://esodportug.no.sapo.pt/secundario/teste_12/memorial_convento.pdf http://www.notapositiva.com/pt/textapoiobs/portugues/12memorialconvento.htm http:// www.lithis.net /74

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