Os Custos da Qualidade e da Não Qualidade na Produção
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  • Prezado Sr. Luiz Gustavo de Sassarrão Moraes,
    Me permitiria usar seu artigo como referência bibliográfica em meu Trabalho de Conclusão de Curso?
    Mais especificamente quando é mencionado sobre Joseph M. Juran e sua obra Quality Control Handbook (1951).
    Para isso precisaria saber o ano da publicação e cidade, e se foi feito para uma universidade especifica, por favor, deixe saber.
    Grata,
    Tatiane R.
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Os Custos da Qualidade e da Não Qualidade na Produção Os Custos da Qualidade e da Não Qualidade na Produção Document Transcript

  • OS CUSTOS DA QUALIDADE E DA NÃO QUALIDADE NA PRODUÇÃO Luiz Gustavo de Sassarrão Moraes1 Erondi de Paula Lopes Junior2 RESUMOO mercado mundial se torna cada vez mais integrado e decorrente a estefenômeno observamos mudanças a todo o momento na forma em que asempresas se organizam, assim como no modo de pensar e administrar seusnegócios. Neste ambiente a concorrência crescente exige que as organizaçõesdesenvolvam novas estratégias para que possam continuar vivas esatisfazerem às necessidades dos clientes. Este artigo refere-se a umapesquisa teórica que enfoca os conceitos e a importância dos custos daqualidade para tomada de decisões baseadas na estratégia competitiva deoferecer produtos de qualidade a custos baixos sem prejudicar o desempenhoeconômico das empresas. Os conceitos apresentados contribuem paraidentificar os custos da qualidade na gestão dos custos em conjunto com osprogramas de qualidade, através de dados que possibilitam mensurar epriorizar as áreas que necessitam de atenção. A aplicação dessa ferramentaaos processos produtivos é analisada como fator relevante a sua otimização apartir da implantação desses conceitos.Palavras-chave: Custos da qualidade. Custo da não qualidade. Estratégiacompetitiva.Introdução O cenário atual em que vivemos está condicionado as grandesmudanças e transformações da globalização que favoreceu o desenvolvimentode novas tecnologias, mas também o aumento da competição, impulsionando odesenvolvimento de novas formas de organização e gestão. Um novo panorama econômico e produtivo se estabeleceu com essedesenvolvimento e as constantes pressões por desempenho não dão folga às1 Economista (FACESM), Especialista em Engenharia de Produção (FATEC).2 Engenheiro Mecânico (UTFPR), Especialista em Gestão de Projetos (FGV) e Engenharia de Produção (PUCPR), Black Belt Seis Sigma, Orientador de TCC do Grupo Uninter.
  • 2organizações e a área produtiva não poderia estar excluída. Ela é uma dasmais exigidas no cumprimento das prioridades competitivas e com isso suaimportância fica ressaltada dentro das empresas, que se veem obrigada aprocurar melhores custos e qualidade para atender as necessidades dosclientes. Neste contexto a busca pela qualidade é o caminho para a sobrevivênciae manutenção no mercado, por sua vez toda e qualquer movimentação nabusca de algo próximo à perfeição envolve uma série de ferramentas eprogramas para garantir essa qualidade desejada. Certamente essas açõesgeram custos inevitáveis e sua mensuração é importante para gerenciar aqualidade, facilitando as tomadas de decisões e assegurando o retorno dosinvestimentos através da redução dos custos da não qualidade. O que parecia impossível no passado hoje é uma realidade, mesmoconsiderando as limitações, aumentar a qualidade dos produtos e ao mesmotempo reduzir os custos ajustando às necessidades dos consumidores, gerou anecessidade de se estudar com mais precisão os custos que envolvem oprocesso produtivo. A gestão dos custos da qualidade vem ganhando espaço, sendo degrande interesse pela alta administração como estratégia competitivasustentável. Contudo mensurar e rastrear os custos relacionados à qualidadenecessita de atenção no que se refere a sua veracidade final do custo daqualidade e da não qualidade. Por considerar um aspecto de inegável relevância na tomada dedecisões gerenciais, este artigo enfoca o tema, abordando alguns conceitos econcepções existentes a respeito.Conceitos de custos e qualidade Os custos abrangem as diversas atividades de uma empresa e segundoCALDERELLI (2002) representa as múltiplas aplicações de bens ou serviçospara obtenção de um bem de uso ou de troca e para compreendê-lo énecessário uma analise inicial de alguns conceitos básicos.
  • 3 Conceitos básicos Considerações É tudo aquilo que é consumido durante o processo de produção de um bem ou de um serviço, sendo concretizado Gasto quando os bens ou serviços adquiridos são prestados ou passam a ser de propriedade da empresa. Os gastos podem ser: investimentos, custos ou despesas. É um gasto com bem ou serviço ativado em função de sua Investimento vida útil ou de benefícios atribuíveis a períodos futuros. É um sacrifício incorrido para obter algum beneficio ou serviço Custo previsto durante a atividade de produção. É um gasto com bens ou serviços não utilizados nas atividades produtivas e consumidos com a finalidade de obtenção de receitas, ou seja, todos os custos que estão Despesa incorporados nos produtos acabados que são fabricados pela empresa industrial são reconhecidos como despesas, no momento em que os produtos são vendidos. É um gasto incorrido, consumido em atividade/funções que Desperdício não possibilitam qualquer adição de valor (sentido amplo) ao produto e/ou ao resultado. É um gasto não intencional de forma anormal ou involuntária. Perda É o caso, por exemplo: valor dos danos provocados por um incêndio da fábrica. É o pagamento resultante da aquisição de um bem ou serviço. Desembolso Pode ocorrer concomitantemente ao gasto (pagamento a vista) ou depois (pagamento a prazo). Fonte: FREITAS, João Batista (de) et al., s.d. Como determinação dos custos, eles podem ser classificados, de acordoa diretibilidade, variabilidade e natureza de forma a produzir informações úteisna tomada de decisões táticas e operacionais nas organizações, o que o tornauma medida eficiente para a produção.
  • 4 Classificação Considerações Custos Diretos – são aqueles que estão diretamente atribuídos no produto, ou seja, aqueles que podem ser mensurados quando os produtos estão sendo fabricados, como: a mão-de-obra direta e a matéria-prima que podem ser De acordo com a medidas, pesadas, contadas, para que o produto seja diretibilidade fabricado. Custos Indiretos – são os custos que não estão atribuídos diretamente nos produtos, mas são necessários para seu funcionamento, como: materiais de escritórios, atendentes, vigias, motoristas, diretores, gerentes e outros. Custos Variáveis – desenvolvem através da produção, ou seja, aumenta com o a produção. Estes custos são partes integrantes ou não do produto, tem-se como custos variáveis a mão-de-obra, materiais, matérias-primas, energia, etc., e De acordo com a todos aqueles custos que, com o aumento da produção tem, variabilidade também, uma parcela de aumento. Custos Fixos – são aqueles formados desde a implantação do empreendimento como: edificação/instalações, máquinas/equipamentos, etc., que não variam com aumento da produção. Custos tangíveis ou explícitos ou “mensuráveis” – são os que se podem calcular com critérios convencionais de custos, em muitos casos de acordo com princípios de contabilidade geralmente aceitos, e normalmente vão acompanhados de um De acordo com a desembolso efetivo por parte da empresa”. sua natureza Custos intangíveis ou implícitos ou ocultos – é qualquer custo que não seja visível na contabilidade padrão, ou, em termos gerais, que não esteja imediatamente aparente, mas que seja importante para o processo de produção. Fonte: Adaptado de FREITAS, João Batista (de) et al., s.d. A partir destas considerações cabe a cada organização determinar seusistema de custo, sendo alguns desses: custeamento por ordens de produção,
  • 5custeamento por processo ou sistema ABC (Activity Based Costing) para quepossam ser obtidos fatores como: custo unitário, preço de venda, margens delucro, ponto de equilíbrio e rentabilidade do produto. A importância de se identificar precisamente as informações de onde ecomo ocorrem os custos é extremamente relevante para que não se perca acompetitividade, entretanto os sistemas de custo não atendem asnecessidades quando se deseja mensurar os custos de oportunidades perdidascomo desperdícios, refugos ou retrabalhos, relacionados à má qualidade. Aqualidade que se espera em meio a essa mensuração não deve ser limitadaapenas ao processo fabril, mas também com todos os outros processos daempresa a fim de que se possa atender e satisfazer os consumidores. O conceito de qualidade é bem subjetivo, relacionado diretamente àspercepções de cada indivíduo, podendo assumir diferentes significados atépara os próprios teóricos da área. No entender de David A. Garvin3, ao invésde conceituar devesse adotar cinco abordagens principais: a transcendente, abaseada no produto, a baseada no usuário, a baseada na produção e abaseada no valor. Transcendente: é a qualidade que “não pode ser definida”, só é percebida pela experiência e descreve o tipo de qualidade que só é reconhecida quando vista. Baseada no Produto: estão relacionadas diretamente às características do produto e embora esse tipo de abordagem seja bastante objetivo, também é limitado, pois nem sempre há uma correspondência parecida entre os atributos do produto e a qualidade. Baseada no Usuário: a visão baseada no usuário é muito subjetiva, pois define um produto de qualidade como aquele que atende melhor as preferências do consumidor, ou seja, varia de pessoa para pessoa, de gosto para gosto, porém um problema desse tipo de abordagem é que ele iguala qualidade à satisfação máxima.3 Ph.D. em economia pelo M.I.T. e professor de Administração Empresarial em Harvard. Foi inspetor do Malcolm Baldrige National Prêmio de Qualidade e serviu na Comissão de Estudos Industriais do Conselho de Pesquisa Nacional. Foi consultor de empresas como Boeing, Booz-Allen & Hamilton, Gillette, 3M, e Warner-Lambert.
  • 6 Baseada na Produção: segundo esta abordagem, qualidade é “conformidade com as especificações”. Conforme esta abordagem, as melhorias na qualidade equivalem à redução dos custos, pois quanto menos defeitos, menos retrabalho e menos tempo desperdiçado. Baseada no Valor: esse tipo de definição é inteiramente baseado na relação de custos e preços. Um produto de qualidade é aquele que tem um preço ou custo aceitável. Ainda segundo o autor, pode ser desmembrada em oito dimensões oucategorias da qualidade: desempenho, características, durabilidade,conformidade, confiabilidade, atendimento, estética, qualidade percebida. Desempenho: características principais de operação de um produto/serviço. Características: funções secundárias que suplementam o funcionamento básico. Durabilidade: vida útil, antes que possa ser substituído por outro, ou reparado da deterioração física. Conformidade: concordância com especificações, padrões e grau de variabilidade. Confiabilidade: consistência do desempenho com o tempo ou probabilidade de um produto/serviço ou um processo ter um desempenho sem falhas, sobre condições e funções especificados em projeto, por um período de tempo determinado. Atendimento: solução de problemas e reclamações com rapidez, cortesia, facilidade de reparo e substituição. Estética: preferências individuais, como som, aparência, cheiro e gosto. Qualidade Percebida: imagem e reputação no mercado. Através destes conceitos é possível aplicar e interpretar métodos etécnicas que aliem estas duas variáveis para quebrar os paradigmas queambas não podem atuar em conjunto, porém com certos limites, entre aredução de custos e o aumento da qualidade.
  • 7 A competitividade e a capacidade de inovação vêm demonstrando que omercado consumidor esta muito exigente quanto ao preço e qualidade e nestecenário as empresas que se preocuparem em eliminar os custos deverãoavaliar e quantificar a qualidade dos seus produtos o que torna a gestão doscustos da qualidade alvo de interesse entre os gestores.Custos da Qualidade e da Não Qualidade O conceito de custos da qualidade tem sua origem em Joseph M. Juran4em sua obra Quality Control Handbook (1951) e desde então várias teoriassurgiram sobre essa temática que classifica os custos da qualidade ou custosda não qualidade de diversas formas, porém, de modo geral, eles têm amesma natureza com nomes diferentes. Mesmo não sendo seu estudo recente,no Brasil se encontra um pouco limitado, contudo gradativamente esse quadrovem mudando, fazendo com que o tema se torne de grande relevância comoparte integrante na gestão estratégica das empresas. As definições de custos da qualidade variam entre os especialistas deacordo com a definição de qualidade e as estratégias adotadas pela empresa,que induzem a diferentes aplicações e interpretações, mas sua aplicação deveser capaz de responder, segundo TOLEDO (2002), as seguintes questões: - Qual o valor da qualidade que a empresa oferece? - Quanto custa à qualidade que está sendo obtida na empresa? - Quanto está custando à falta de qualidade para a empresa? - Quanto custa à perda de um cliente por problemas de qualidade? - Em que é viável investir para reduzir os custos da não qualidade? - Como está o desempenho da empresa em qualidade? Através deste questionário fica claro que o estudo dos custos se tornaimportante para o reconhecimento e a organização do conjunto relativo àqualidade, para identificar as categorias mais significativas, bem como suas4 Engenheiro Elétrico formado pela Universidade de Minnesota. Foi consultor de negócios, famoso por seu trabalho com qualidade e gerência de qualidade. Escreveu vários livros influentes sobre esses assuntos e é considerado por alguns como o pai da qualidade.
  • 8tendências de comportamento ao longo do tempo, além de se tornar um guiapara redução de custos e melhoria da qualidade, devendo, portanto seracompanhado de um programa. Os princípios destes custos devem ser conhecidos para que se possamdeterminar os parâmetros da qualidade, sendo estes: refugos, unidadesdefeituosas, desperdícios, sobras e reclamações, para sua analise e controle: Refugo: é o produto ou parte dele que não está dentro dos padrões de qualidade admissíveis e que não pode ser reparado, podendo este ser vendido a baixo preço. Unidade defeituosa: este produto, ao contrário do refugo, poderá ser retrabalhado e vendido como peça normal ou defeituosa. Desperdício: é o gasto desnecessário ou aplicado em excesso, assim como os resíduos da produção que não podem ser retrabalhados ou vendidos. Sobras: são materiais extraídos na fabricação de um produto que podem ser comercializados com outras fábricas como um subproduto ou sucata. Reclamações: são feitas nos prazos de garantia de um produto e em alguns casos fora, uma vez detectado o erro de projeto ou montagem (recall). Os custos vão desde sua apresentação até o pleno funcionamento do produto. Na concepção de Juran os custos da qualidade devem ser divididos emquatro categorias: custos de prevenção, custos de avaliação, custos das falhasinternas e custos das falhas externas que por sua vez são agrupados emcustos do controle e custos das falhas, conforme representado no diagrama. Custos do Controle Custos das Falhas Custos de Custos de Custos das Falhas Custos das Falhas Prevenção Avaliação Internas Externas Fonte: Adaptado de GOMES, L. D. Ferreira et al., 2003.
  • 9 A partir desta divisão pode se analisar as tendências de alocação dosrecursos entre os custos do controle e os custos das falhas. A relação básicaentre eles demonstra que investimentos em controle melhoram a qualidade epodem reduzir as falhas, porém também podem inviabilizar a produção seforem altos demais. O gráfico abaixo mostra que quando os custos do controle forem zero, oproduto será 100% defeituoso e o custo das falhas tende a ser muito alto. Poroutro lado, quando o produto é 100% dentro do nível de qualidade, não háfalhas, porém os custos do controle tende a ser muito alto. A ideia, então, é quese encontre um ponto ótimo para que se possam equilibrar os custos,ressaltando que tais porcentagens poderão variar conforme a estratégia daempresa e os tipos diferentes de produtos. Custo Total Custo Unitário do Produto ($) Custos das Falhas Custos do Controle Ponto Ótimo 0 Nível de Qualidade (%) 100 Fonte: Adaptado de TOLEDO, José Carlos (de), 2002. Segundo ROSÁRIO (2006) quanto mais cedo à empresa identificar umerro e desenvolver meios para que não torne a acontecer, menor é o seu custocom os mesmos, porém as empresas gastam muito pouco com prevenção, oque provoca maiores custos devido à falta de controle. Richard W. Anderson, gerente-geral da Divisão de Sistemas deComputadores da Hewlett-Packard ilustra bem este fato:
  • 10 Quanto mais cedo você detectar e prevenir um defeito, mais você poderá economizar. Se você jogar fora uma resistência defeituosa de 2 centavos antes de usá-la, perderá 2 centavos. Se não descobri-lo até que esteja soldada em um componente de computador, poderá custar-lhe US$ 10 para reparar o componente. Se você não descobrir o componente defeituoso até que esteja nas mãos do usuário do computador, o reparo custará centenas de dólares. Na verdade, se um computador de US$ 5.000 tiver que ser reparado no campo, a despesa pode exceder o custo de fabricação. De acordo com estas premissas, são apresentados na sequência osconceitos dos respectivos componentes ou elementos desta divisão baseadoem TOLEDO (2002).Custos de Prevenção: Estes custos têm como papel desenvolver nas organizações um sistemade gestão da qualidade associado ao projeto, implementação e operação emtodo o ciclo de produção para que todos os elementos a serem produzidos nãosejam concebidos com defeitos ou em outras palavras, referem-se aos gastoscom o intuito de se evitar tais defeitos. Com esta atitude preventiva os custosserão compensados à medida que a qualidade aumenta. Seus elementos são: Identificação das necessidades dos clientes: são os custos incorridos relacionados à avaliação contínua das necessidades e percepção do cliente e/ou usuário quanto à qualidade (incluindo dados de confiabilidade e desempenho), que afetam a sua satisfação com os produtos e/ou serviços fornecidos. Desenvolvimento do projeto do produto: são os custos necessários para gerenciar a qualidade na fase de desenvolvimento de um novo produto ou serviço, antes de liberar a documentação autorizada para a produção inicial.
  • 11 Suprimentos: são os custos voltados para assegurar a conformidade e minimizar o impacto das não conformidades dos materiais adquiridos na qualidade dos produtos e/ou serviços, envolvendo as atividades antes e após a colocação do pedido de compra. Planejamento da Qualidade do Processo Produtivo: são aqueles custos incorridos para garantir a capacidade das operações produtivas em atingir os requisitos e padrões da qualidade. Administração da Qualidade: são os custos voltados para administrar e gerenciar a função qualidade. Educação para a Qualidade: são os custos necessários à educação para a qualidade de todas as funções da empresa que possam afetar, direta ou indiretamente, a qualidade dos produto e/ou serviços.Custos de Avaliação: Depois de feita a prevenção vem os custos de avaliação que sãoassociados às medidas, avaliações e auditorias, ou seja, a avaliação daqualidade propriamente dita. Nesta etapa é feita a identificação de todas aspeças defeituosas e fora dos padrões, como matérias-primas, componentes eprodutos, afim de que não venham seguir adiante no processo antes de seremrecuperadas. Seus elementos são: Inspeções e ensaios em produtos/serviços adquiridos: são os custos voltados para atividades de inspeção e/ou de teste de produtos ou serviços adquiridos, necessárias para determinar sua adequação ao uso. Tais atividades podem ser executadas como parte da inspeção de recebimento ou como inspeção realizada no próprio fornecedor. Avaliação de operações (fabricação ou serviço): são aqueles custos incorridos com as inspeções, testes ou auditorias exigidas para determinar e garantir a obediência aos requisitos durante todas as fases de execução de um produto ou de um serviço.
  • 12 Avaliação externa: são os custos relacionados com as avaliações efetuadas nas instalações do cliente, antes da aceitação oficial do produto pelo mesmo.Custos das Falhas Internas: São os custos que correspondem aos produtos acabados que nãosatisfazem os padrões de qualidade com o especificado no projeto, causandoperdas na produção. Essas falhas são identificadas antes de o produto deixara empresa e seguir para o consumidor, podendo elas serem aproveitadas ounão. Seus elementos são: Falhas de projeto de produto/serviço: são aqueles custos não planejados que existem em função das inadequações inerentes ao projeto e sua relação com a execução das operações da produção. Destaca-se que não estão considerados os custos relativos às alterações solicitadas pelo cliente para melhoria do produto, ou os esforços maiores de reprojetos que fazem parte do plano de marketing da empresa. Falhas de suprimentos: são os custos devidos às falhas de materiais de fornecedores em relação aos requisitos da qualidade, inclusive com o pessoal envolvido nessas atividades. Falhas de operação (produto/serviço): custos de falhas de operação quase sempre representam uma significativa porção dos custos gerais da qualidade e podem, geralmente, serem vistos como os custos relacionados com produtos ou serviços defeituosos, descobertos durante as operações de processo. Outros Custos de Falhas Internas: problema de embarque de material; Reelaboração de propostas antes de submetê-las aos clientes; Comparecimento a reuniões internas sobre problemas da qualidade; Redução de receita e penalidade devido a atraso nas vendas faturadas; Projetar novamente um item devido a erros ou problemas de fabricação.
  • 13Custos das Falhas Externas: São os custos decorrentes de falhas no produto acabado quando estessão distribuídos para o mercado e/ou adquiridos pelos consumidores. Estescustos ocasionam grandes perdas na imagem e na credibilidade das empresase quanto mais tardes forem detectados maiores serão os prejuízos. Seuselementos são: Administração de reclamações: são os custos incorridos na investigação, julgamento e resposta às reclamações individuais dos clientes ou usuários por razões de qualidade. Responsabilidade civil pelo item: São os custos incorridos pela empresa devido às reclamações de responsabilidade pelo produto ou serviço, inclusive, custos com advogados, registros e indenizações. Produtos ou serviços devolvidos: são os custos incorridos para manusear, transportar e contabilizar produto devolvido, bem como avaliar e reparar ou trocar bens que não atendem os requisitos de aceitação pelo cliente ou usuário devido a problemas de qualidade. Não inclui gastos com reparos realizados como parte de uma manutenção rotineira. Solicitação em garantia: é o custo total envolvido na correção de não conformidades nos produtos em garantia. Devem-se adicionar os custos de pessoal de serviço e administrativo que não podem ser custeados na conta de garantia, mas que estão fazendo trabalho associado com garantia. Alteração das especificações de projeto: são os custos para atualizar ou alterar as especificações de produtos/serviços no local de operação, para uma nova condição de projeto, baseado em recálculos significativos para minimizar ou mesmo eliminar as deficiências do projeto anterior. Incluem somente aquelas últimas modificações devidas aos problemas da qualidade. Incluem-se os custos incorridos como resultado do recolhimento de produtos ou componentes já em uso, a fim de corrigir problemas que não puderam ser previstos (custos com recall).
  • 14 Penalidades pós-entrega: são os custos incorridos para o pagamento das penalidades por falhas no atendimento aos requisitos contratuais pós-entrega do produto/serviço. Concessões ao cliente/usuário: são os custos incorridos, sobre e acima dos custos de vendas normais, com clientes ou usuários que não estão completamente satisfeitos com a qualidade dos produtos ou serviços recebidos. Perdas de vendas: são os custos incorridos pela perda de margem de lucro devido à redução de vendas por problemas de qualidade (ex.: quantidade de negócios que perdidos no período medido). Este elemento está associado com a perda da imagem pela empresa do ponto de vista do cliente. Outros Custos de Falhas Externas: inclui-se aqui qualquer outra conta associada ao produto/serviço no local de operação (ex: assistência técnica), diretamente atribuída à correção de imperfeições ou testes especiais, mas que não se inclui nos itens anteriores. A partir destes conceitos é necessário desenvolver um sistema demensuração, que possa oferecer a organização informações que auxiliem aidentificação das áreas que necessitem de refinamento; um sistema que vise àmelhoria contínua e a utilização dos programas de controle dos custos emconjunto com programas de qualidade. Para o sucesso da implementação deste sistema é importante conhecer oscustos da qualidade sob sua dimensão plena, o seu domínio além dosprocessos de produção e as principais áreas que necessitem deaprimoramentos. GOMES (2003) sugere que para a implementação de umsistema de identificação dos custos da qualidade, devesse adotar as seguintesdiretrizes: Disseminação do conceito de custos da qualidade através de treinamento para toda organização;
  • 15 Definição de todos os elementos que irão compor esses custos em conjunto com o departamento de contabilidade sendo que a alta administração deve aprovar tais definições; Constituição de uma equipe interdisciplinar responsável pela implantação sendo esta nomeada pela alta direção também; Criação de planilhas e elaboração de um banco de dados desses custos, indicando os responsáveis pelas coletas assim como seu cronograma; Obtenção dos dados para um período e revisá-los com cada departamento; Obtenção de dados para mais um período; Emissão do primeiro relatório; Exibição dos dados comparando-os com os demais indicadores de desempenho para o alto escalão da empresa (gerência, chefia e supervisão); Elaboração de um plano de ação para que possa reduzir os custos levantados; Implantação desse plano de ação; Verificação através de dados comparativos posteriores a eficácia das ações tomadas. Com esta implantação, uma vez organizada as informações, asorganizações poderão visualizar soluções para tomada de decisões,aprimorando e melhorando os programas relacionados às perdas devidas danão qualidade, o que o torna um importante instrumento gerencial porpossibilitar a identificação sistêmica, priorizando as oportunidades que levarãoa reduzir os custos entre todos os departamentos envolvidos.Estratégia Competitiva Na atual conjuntura competitiva em que as empresas se encontram abusca por novas estratégias é relevante para sua sobrevivência, assegurandoque o negócio não deixe de ser rentável. Tais estratégias devem se basear nacapacidade das empresas de suprir as necessidades e expectativas dos
  • 16clientes que podem ser conhecidas, entre tantas variáveis, pela qualidade e opreço, o que torna o custo da qualidade uma ferramenta de grande valor para aelaboração destas estratégias. É evidente que em meio as grandes mudanças e transformaçõesglobais, a instabilidade no mercado pode desacelerar a economia induzindouma contração no seu consumo, reduzindo as vendas e consequentemente alucratividade das empresas. Neste ambiente, para que as empresas não deixem de seremcompetitivas, a busca por um diferencial que satisfaça as necessidades domercado consumidor pode estar inicialmente no combate do desperdício,eliminando as atividades que não agregam valor, ou em outras palavras,aquelas que podem ser suprimidas através da redução ou eliminação da máqualidade sem prejudicar o desempenho da empresa. Com o melhoramento da qualidade sob esta ótica, verifica-se a reduçãodos custos provenientes da não qualidade, o que torna os produtos com preçosmais atrativos, atraindo novos consumidores e fidelizando os existentes. Para estabelecer os custos da qualidade como peça chave nodesenvolvimento de estratégias competitivas, todos os profissionais envolvidosdevem conhecer os benefícios que o controle da qualidade traz para a empresae que os custos da qualidade são uma ferramenta de grande eficiência naquiloque se propõe e com o monitoramento correto de suas informações é possívelmensurar e alcançar o aprimoramento operacional desejado assim como oaumento competitivo de que se espera, relacionando as suas causas eequacionando seus custos a qualidade. Definir uma estratégia competitiva baseada nos custos e na qualidade éalgo que demanda bastante informação, essencialmente sobre as influênciasexternas do mercado como clientes, fornecedores, produtos similares e novosentrantes, uma vez que cada um destes fatores pode influenciar e muito omercado e a empresa que não estiver bem articulada para enfrentar os ataquese se defender, dificilmente conseguirá manter uma posição favorável esustentável.
  • 17Conclusão Por sua relevância os custos da qualidade possibilitam que asorganizações reduzam seus gastos através da identificação de oportunidadesque visam melhorar o sistema produtivo minimizando ou até mesmo eliminandoas falhas no processo. Ao implementarem programas neste sentido, as empresas consolidamsua posição no mercado por tornar seus processos mais eficientes, produzindoprodutos com qualidade a custos menores para atender e suprir asexpectativas dos clientes É importante conhecer e analisar os custos da qualidade através de suamensuração e registro por se tratar de uma excelente ferramenta na geraçãode informações que possam evidenciar o comportamento desses custos,fornecendo subsídios à tomada de decisões em onde e no que se deve investir,e na busca dos motivos que geram as falhas. A partir dos conceitos e concepções apresentados, constata-se que aimplementação de um sistema de identificação baseado nos custos daqualidade pode ser tornar uma eficiente ferramenta na elaboração deestratégias e como diferencial competitivo e jamais deve ser deixado a umsegundo plano, por se tratar de algo necessário para o desenvolvimento dosnegócios e essencial para o mercado atual. Por fim os benefícios são muito significativos e todos os envolvidostende a se beneficiar com esse sistema, sejam os sócios, funcionários,acionistas e principalmente os clientes, uma vez que diminuindo os custos danão qualidade a empresa se torna mais competitiva.ReferênciasALMEIDA, Thiago Alexandre das Neves; IDROGO, Aurélia. A Necessidade deMensuração dos Custos da Qualidade na Estratégia Competitiva deLiderança de Custos. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DEPRODUÇÃO – ENEGEP, 24., 2004, Florianópolis. Anais... Florianópolis;ABEPRO, 2004.
  • 18CALDARELLI, Antônio. Enciclopédia Contábil e Comercial Brasileira. 27ªed. São Paulo: CETEC, 2002.CORTÊS, Ieris Ramalho. Custos da Qualidade como Ferramenta deDecisão. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO –ENEGEP, 21., 2001, Salvador. Anais... Salvador; ABEPRO, 2001.FREITAS, João Batista (de) et al. A origem dos custos ocultos: um estudoteórico. Disponível em:<http://www.aedb.br/seget/artigos07/1129_Origem%20dos%20custos%20ocultos%20-%20um%20estudo%20teorico.pdf>. Acesso em: 09 agosto 2011.GARVIN, David A. Gerenciando a qualidade: a versão estratégica ecompetitiva. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1992.GOMES, L. D. Ferreira et al. A Relevância do Custo da Qualidade comoInstrumento de Decisão para Otimizar Resultados. In: ENCONTRONACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO – ENEGEP, 23., 2003, OuroPreto. Anais... Ouro Preto; ABEPRO, 2003.MARQUES, José Carlos et al. Custos da Qualidade. Disponível em:<http://max.uma.pt/~a2093007/images/trabalho4.pd>. Acesso em: 22 agosto2011.ROSÁRIO, Eduardo Luiz (do). Custo da Não-Qualidade na Produção. 2006.109 f. Monografia (Especialização em Engenharia de Produção) - Curso dePós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade do Estado deSanta Catarina, Joinville.TOLEDO, José Carlos (de). Conceitos sobre Custos da Qualidade. 2002. 14f. Apostila (GEPEQ – Grupo de Estudos e Pesquisa em Qualidade) -Departamento de Engenharia de Produção, Universidade Federal de SãoCarlos, São Carlos.WERNKE, Rodney; BORNIA, A. Cezar. Considerações acerca dosConceitos e Visões sobre os Custos da Qualidade. Revista FAE, Curitiba,v.3, n.2, p.77-88, maio/ago. 2000.