Estresse em Profissionais de TI

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Fatores estressores e estratégias de enfrentamento do estresse em profissionais de ti.

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Estresse em Profissionais de TI

  1. 1. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSUMestrado em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação FATORES ESTRESSORES EM PROFISSIONAIS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E SUAS ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO Autor: Sandro Servino Orientadores: Profº Dr. Rodrigo Pires de Campo Profº Dra. Elaine Rabelo Neiva 2010
  2. 2. S492f Servino, Sandro Fatores estressores em profissionais de tecnologia da informação e suas estratégias de enfrentamento. / Sandro Servino – 2010. 142f.; il.: 30 cm7,5cm Dissertação (mestrado) – Universidade Católica de Brasília, 2010. Orientação: Rodrigo Pires de Campos Co-Orientação: Elaine Rabelo Neiva 1. Estresse ocupacional. 2. Tecnologia da informação. I. Campos, Rodrigo Pires de, orient. II.Neiva, Elaine Rabelo, co-orient. III. Título. Ficha elaborada pela Biblioteca Pós-Graduação da UCB 15/12/2010 II
  3. 3. Sandro Servino FATORES ESTRESSORES EMPROFISSIONAIS DE TECNOLOGIA DAINFORMAÇÃO E SUAS ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO Dissertação apresentada ao programa de Pós Graduação “Stricto Sensu” - Mestrado em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação da Universidade Católica de Brasília, como requisito para obtenção do título de Mestre em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação. Orientadores: Profº Dr. Rodrigo Pires de Campo Profº Dra. Elaine Rabelo Neiva Brasília 2010 III
  4. 4. Brasília 2010 IV
  5. 5. A todos que me apoiaram direta ou indiretamentenessa caminhada, contribuindo para o êxito dessetrabalho. V
  6. 6. AgradecimentoEm primeiro lugar, agradeço a Deus por sempre me direcionar e iluminar, permitindoa conclusão deste projeto.Aos meus pais, Jose Amorim Servino e Tereza Costa Servino, que sempre meincentivaram a seguir o melhor caminho e viabilizaram a busca de meus sonhos.À minha esposa, Wiwi Servino, pela compreensão, apoio e incentivo.Aos Mestres Prof. Dr. Gentil José de Lucena Filho, Prof. Dr. João Souza Neto e Dra.Rejane Maria da Costa pela confiança e Profa. Dra. Luiza Beth Nunes Alonso pelacompetência na coordenação do curso.Aos meus queridos orientadores Profº Dr. Rodrigo Pires de Campos e Profº Dra.Elaine Rabelo Neiva pela paciência e inteligência e a todos os Mestres que sedispuseram a um convívio de dedicação e apoio.Ao SEBRAE, que possibilitou a realização do sonho de me tornar mestre.Aos meus companheiros, em reconhecimento à compreensão aos momentosroubados do nosso convívio durante a realização desse projeto. VI
  7. 7. "Faça as coisas o mais simples que você puder, porém, não as mais simples" Albert Einstein VII
  8. 8. Resumo Esta dissertação é uma pesquisa descritiva e relacional sobre o estresseocupacional e estratégias de enfrentamento utilizadas pelos profissionais detecnologia da informação no Brasil e correlações de acordo com o sexo, estado civil,faixa etária, tempo de serviço, atividade, tipo de organização, tipo de vinculo etamanho da organização. Esse trabalho teve como objetivo identificar os principaisfatores estressores em profissionais de TI e as estratégias de enfrentamento maisutilizadas por estes profissionais. Ainda, a pesquisa teve como desafios validar se osprofissionais de TI são realmente estressados e se as estratégias utilizadas pelosmesmos são eficazes contra o estresse. Participaram 307 profissionais de tecnologiada informação com idade variando entre 24 e 57 anos. Verificou-se que o principalfator estressor foi a sobrecarga de trabalho e a estratégia de enfrentamento maisutilizada foi a resolução de problemas. Os profissionais de TI apresentaram um nívelmoderado de estresse. As mulheres tiveram um índice de estresse similar aoshomens e as mesmas utilizam mais o suporte social como estratégia deenfrentamento do que os homens. A atualização tecnológica se apresentou como ofator estressor menos relevante para a população pesquisada, demonstrando que anecessidade de atualização tecnológica já é algo natural para este profissionais. Osanalistas de sistemas são os profissionais mais estressados frente a outrosprofissionais de TI. Os autônomos possuem um nível de estresse superior aosprofissionais com carteira assinada, podendo, neste caso, ser alvo de uma futurapesquisa no sentido de validar a condição de instabilidade emocional devido a nãoexistência de um vinculo empregatício. Os dados obtidos não revelaram um quadropreocupante no que tange estresse em uma classe ocupacional que exerce a funçãofundamental de sustentar todo um aparato tecnológico dentro das organizações,entretanto devido ao incremento da dependência dos profissionais de TI por partedas organizações e de sua sobrecarga de trabalho nas ultimas décadas, torna-sefundamental atenção por parte das organizações, principalmente através de políticasde recursos humanos e gerencia direta, para que este quadro não se altere de formasignificativa, levando assim uma perda de qualidade de vida dentro dasorganizações e por conseqüência da eficiência organizacional.Palavras-chave: Estresse ocupacional. Profissional de TI. Estresse. VIII
  9. 9. Abstract This dissertation is a descriptive and relational research about occupationalstress and coping strategies used by information technology professionals in Braziland correlations according to sex, marital status, age, length of service, activity, typeof organization, type of relationship and organization size. This study aimed toidentify the major stressors in IT professionals and the coping strategies utilized bythese professionals. Still, the research was to validate if IT professionals are reallystressed and the strategies they use are effective against stress. 307 informationtechnology professionals, aged between 24 and 57 years, participated in the survey.It was found that the main stressor was workload and coping strategy used was tosolve problems. IT professionals had a moderate level of stress. Women had a stressindex similar to the men and they use more social support as a coping strategy thanmen. The technology upgrade is presented as the stressor less relevant for thestudy, demonstrating the need for technological upgrading is already a natural for thisprofessional. System analysts are stressed professionals compared to other ITprofessionals. The level of stress was greater in the information technologyprofessional with no formal contract, and in this case be the subject of futureresearch in order to validate the condition of emotional instability due to lack of anemployment contract. The data did not reveal a worrying picture in relation stress inan occupational class that performs the basic function of supporting an entiretechnological apparatus within organizations, however due to the increased relianceon IT professionals for organizations and their overhead work in recent decades, itbecomes critical attention from the organizations, mainly through human resourcepolicies and manages directly, so that this framework does not change significantly,thereby resulting in a loss of quality of life within organizations and consequence oforganizational efficiency. Keywords: Occupational stress. IT Professional. Stress. IX
  10. 10. SUMÁRIO1. Introdução.......................................................................................................14 1.1 Contexto...................................................................................................................14 1.2 Problematização......................................................................................................162. Objetivo ..........................................................................................................21 2.1 Objetivo Geral ........................................................................................................21 2.2 Objetivos Específicos..............................................................................................213. Organização do Trabalho ...............................................................................224. Referencial Teórico.........................................................................................23 4.1 O Estresse ................................................................................................................23 4.2 Fatores estressores..................................................................................................32 4.3 Estresse Ocupacional..............................................................................................37 4.4 Estratégias de enfrentamento (coping) .................................................................48 4.5 O estresse e o profissional de TI ............................................................................585. Método............................................................................................................71 5.1 Caracterização da população pesquisada ............................................................71 5.2 Instrumentos ...........................................................................................................73 5.2.1 Avaliação do Estresse no Trabalho ..................................................................73 5.2.2 Avaliação das estratégias de enfrentamento no trabalho..................................74 5.2.3 Procedimentos de coleta de dados ....................................................................75 5.2.4 Análise dos dados .............................................................................................77 5.2.5 Amostra ............................................................................................................776. Resultados e discussão..................................................................................807. Conclusões e Recomendações ....................................................................1178. Referências Bibliográficas ............................................................................124 ANEXO A – Questionário Fatores Estressores .............................................................137 ANEXO B – Questionário Estratégias de Enfrentamento............................................138 ANEXO C – Carta de apresentação dos questionários de pesquisa ............................142 ANEXO D – Questionário socioeconômico ....................................................................143 X
  11. 11. LISTA DE FIGURASFigura 1 - .................................................................................................................29Figura 2 - .................................................................................................................51 XI
  12. 12. LISTA DE TABELASTabela 1 - .................................................................................................................76Tabela 2 - .................................................................................................................79Tabela 3 - .................................................................................................................80Tabela 4 - .................................................................................................................86Tabela 5a - ...............................................................................................................87Tabela 5b - ...............................................................................................................88Tabela 6a - ...............................................................................................................90Tabela 6b - ...............................................................................................................92Tabela 7a - ...............................................................................................................94Tabela 7b - ...............................................................................................................95Tabela 8a - ...............................................................................................................97Tabela 8b - ...............................................................................................................99Tabela 9a - .............................................................................................................101Tabela 9b - .............................................................................................................103Tabela 10a - ...........................................................................................................104Tabela 10b - ...........................................................................................................107Tabela 11a - ...........................................................................................................108Tabela 11b - ...........................................................................................................110Tabela 12a - ...........................................................................................................112Tabela 12b - ...........................................................................................................114 XII
  13. 13. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CPD Centro de Processamento de Dados TI Tecnologia da InformaçãoSOFTEX Associação para Promoção da Excelência do Software BrasileiroNASDAQ National Association of Securities Dealers Automated Quotations – Bolsa de valores tecnológica dos Estados Unidos da América. XIII
  14. 14. 1. Introdução1.1 Contexto De acordo com a SOFTEX (2009, p.31, p.47), organização responsável peloprograma do governo para promoção da excelência do software brasileiro, o númerode empresas de software e serviços de tecnologia da informação vem crescendo apartir de 2003, a uma taxa média anual de 4,8%, tendo no ano de 2009 cerca de67.851 empresas de TI (Tecnologia da Informação) e crescimento médio anual donumero de pessoas ocupadas de 12,6% com cerca de 540.000 profissionais de TIem 2009. Os profissionais de TI são os indivíduos responsáveis por dar sustentação atoda uma infra-estrutura tecnológica e sistemas de informação num mundo emredes. De acordo com Stair (2007), dentro da organização, o profissional de TIgeralmente trabalha em um centro de tecnologia, o qual emprega desenvolvedorespara a internet, programadores de computadores, analistas de sistemas, operadoresde computadores, especialistas em redes e segurança da informação. Esseprofissional também pode trabalhar em outros departamentos ou outras áreasfuncionais oferecendo suporte. Além das habilidades técnicas, o profissional de TItambém precisa de habilidades em comunicações verbais e escritas, de umentendimento das organizações no modo como elas operam e a capacidade detrabalhar com outras pessoas, os usuários dos sistemas de informação (STAIR,2007). Sistemas de informação têm um papel importante nos negócios e nasociedade atual, podendo ter um grande impacto na estratégia corporativa e nosucesso organizacional das empresas (O´BRIEN, 2001). No contexto dasorganizações de trabalho, Drucker (1999) chama de “Sociedade do Conhecimento”,a internacionalização dos mercados, as pressões por produtividade e a 14
  15. 15. competitividade que as empresas e os trabalhadores vêm sofrendo tendo comoconseqüência exigências cada vez maiores por produtividade, iniciativa econhecimento dos profissionais. Neste sentido, Cacazotte (2009) cita que nasúltimas décadas, a função de TI nas organizações teve um crescimento rápido,impulsionado pela intensa competição. Esse crescimento criou uma demanda porprofissionais de TI mais especializados e com atribuições mais complexas. Ainda, foisolicitado ao profissional de TI que interagisse com pessoas de fora dodepartamento de sistemas de informação, possivelmente com culturas eexpectativas diferentes dos seus. Corroborando, Gorz (1995) indica que o nível cada vez mais elevado deinformatização cria uma demanda por profissionais especializados, sobretudo os daárea da Tecnologia da Informação, que cotidianamente lidam com novos produtos.Estes profissionais convivem com constantes alterações de ambiente tendo comoconseqüência a necessidade de uma constante atualização tecnológica. Moore(2000) cita que um dos grandes motivos para a rotatividade de profissionais de TInas organizações é devido ao esgotamento dos mesmos, catalisado pelasconstantes mudanças da tecnologia e pressão por resultados. De acordo com Agarwal e Ferratt (2000), a capacidade de reter umacompetente equipe técnica de TI tem sido reconhecida como um fator crítico parauma organização na realização dos seus objetivos estratégicos. Corroborando,Fontes (2006) e O´Brian (2004) citam que o profissional de TI já é considerado peça-chave dentro das empresas, pois deve estar atento à autenticidade, disponibilidadee segurança da informação para que as mesmas estejam sempre disponíveis notempo certo, em qualquer circunstância, a quem precisar delas. 15
  16. 16. Sem horários específicos, trabalhando em ambientes de criticidade onde ainformação não pode ser perdida, os profissionais de TI estão sujeitos acondições de trabalho diferenciadas, com uma carga horária excessiva em umambiente de pressão, o que pode levar a tensões e problemas advindos doexercício da atividade profissional. As exigências organizacionais feitas a essesprofissionais, decorrentes da dinâmica das transformações no mundo moderno e danecessidade de se ter as informações seguras e disponíveis 24 horas por dia,parecem ter levado ao aumento da carga de trabalho. Ter um maior envolvimentocom o trabalho e com a organização, seja para entender, decidir, agir ou responderàs demandas diárias, ficando absorvido (física e psicologicamente) de forma integralpela organização em decorrência da complexidade, da diversidade e da dinâmicado mundo organizacional, parece ser uma realidade para o profissional de TI(LAUDON e LAUDON, 1996). Todas essas características levam a crer que vários fatores, como excesso detrabalho, medo de obsolescência, pressão por resultados e outros possam estargerando estresse nos profissionais de TI. Assim, tendo em vista o papel que oprofissional de TI vem assumindo dentro das organizações, surgiu o desafio deinvestigar o fenômeno do estresse nestes profissionais nos dias atuais e, emsituações dessa natureza, as diferentes estratégias de enfrentamento utilizadaspelos mesmos.1.2 Problematização Nas ultimas três décadas, a proliferação dos computadores e sistemas deinformação dentro das organizações tem gerado uma alta demanda por profissionaisde tecnologia da informação e no mesmo período, o estresse nos profissionais de 16
  17. 17. tecnologia da informação tem sido estudado em vários países, objetivandocompreender o fenômeno nestes profissionais e combater seus malefícios. De acordo com Conti (2010), o lançamento na década de 80 dos computadorespessoais transformou o mundo da informática, pois o poder de processar dadoseletronicamente passou a não ficar restrito aos Centros de Processamento de Dados(CPDs) de empresas e universidades, ficando também disponível para as pessoascomuns, os usuários domésticos. Paralelamente, pequenas empresas puderam seinformatizar, sem os altos custos dos computadores centrais (os "mainframes"), damanutenção de salas especiais para CPD, e de todo o pessoal necessário. Nestemesmo período, alguns pesquisadores já se preocupavam em estudar o estressenos profissionais de tecnologia da informação. Ivancevich, Napier, e Wetherbe(1983), realizaram uma pesquisa que tinha como objetivo verificar o sentimento doestresse percebido pelos profissionais de TI nos Estados Unidos e os principaisfatores que geravam estresse nestes profissionais. Segundo estes autores, questõesque diziam respeito à estresse, comportamento e atitudes associadas com a área detecnologia da informação precisavam ser respondidas para aqueles queconsideravam trabalhar na área e para aqueles que já trabalhavam. Ainda, segundoIvancevich, Napier, e Wetherbe, com base em evidências cientificas, asorganizações poderiam criar programas de motivação e de enfrentamento paraminimizar os efeitos negativos do estresse como exemplo, dor de cabeça,irritabilidade, depressão, tensão, fadiga severa e doenças psicossomáticas, comoindisposição do estômago (COHEN, 1984). A pesquisa realizada neste períodotrouxe como dado relevante que a principal fonte de estresse era devido aproblemas de comunicação interna. A pressão do tempo e sobrecarga de trabalho 17
  18. 18. foi a terceira fonte de estresse levantada, o que ao longo das próximas décadas,apresentou-se como a principal fonte de estresse nos profissionais de TI. O número de pesquisas sobre o estresse ocupacional em profissionais de TItomou força a partir da década de 90. Uma das hipóteses seria devido ao inicio damassificação do uso dos microcomputadores dentro das organizações, o que gerouuma demanda crescente por estes profissionais e a internet, que pode ter elevado anecessidade do profissional de TI ser mais atuante e disponível. Segundo Conti(2010), no final de 1992 só haviam 50 web sites no mundo inteiro e em 2008 oGoogle já indexava cerca de 1 trilhão de páginas web. Em 1999 a população usuáriade internet no mundo ultrapassava 250 milhões de pessoas e o Brasil já contavacom 2.2 milhões de internautas. Já neste período, o artigo da Information Weekcitava um programador de sistemas descrevendo sua situação de trabalho: Vocêdeverá manter o seu beep e fazer-se disponível nos finais de semana, caso haja umproblema. Mesmo quando você está saindo para férias, o patrão dizia "Deixe-nos oseu número no caso de algo surgir (MCGEE, 1996). O que na década de 80 não se tinha evidenciado como fator estressorprincipal, Li e Shani (1991), Lim e Teo (1999) e Kaluzniacky (1999) identificaram emsuas pesquisas, que o principal fator gerador de estresse era a sobrecarga detrabalho, o que começa a ser peculiar em pesquisas cientificas, a partir destadécada, e um indicativo que a pressão sobre estes profissionais estava aumentando. Segundo Conti (2010), em 2000, o número de computadores pessoais em todoo mundo chegou a 500 milhões e a chamada "bolha da internet" teve seu ápice. Emmarço a bolsa eletrônica Nasdaq atingiu pontuação recorde de 5.048,62 pontos edepois, entrou em queda que chegou a 74% em 30 meses. O valor das ações dasempresas de tecnologia caiu fortemente em mercados de todo o planeta, 18
  19. 19. ocasionando falências e demissão de milhares de profissionais de TI. No final dadécada de 90 e inicio do ano 2000, milhões de profissionais de TI em todo mundo,trabalharam em incontáveis programas de computadores buscando falhas em suaslógicas no intuito de evitar o “bug do milênio”, o qual faria com que o computadorconfundiria os dois últimos algarismos do ano 2000 com os do ano 1900,provocando problemas de diversos tipos e prejuízos calculados em US$600 bilhões(LEAL, GOUVEIA, 2002). Em 2001 ocorreu atentado ao edifício World Trade Center,"WTC", em Nova York, em 11 de setembro, provocando recorde de "audiência" naweb. Em 23 de junho de 2008, um estudo do órgão de pesquisas Gartner informouque o número de computadores pessoais em uso no mundo superou um bilhão deunidades e em 2009, apenas o Brasil já possuía 64,8 milhões de internautas commais de 16 anos. Neste período, Mc-Gee, Khirallah e Lodge (2000) citavam queexistiam alguns indícios que confirmavam que os profissionais de TI eramgeralmente sobrecarregados e em um artigo publicado no The Economic Times /India Times (4 Set, 2007) referente a uma pesquisa realizada com 4.000trabalhadores de Tecnologia da Informação pela People Health, foram encontradosaltos níveis de estresse, uma quase inexistente vida social e um aumentosignificativo de riscos à saúde. A pesquisa revelava ainda que era alarmante oaumento do alcoolismo neste segmento ocupacional. (KRISHNAMURTHY G., 2007). Em maio de 2006, em uma pesquisa realizada na Irlanda, foi demonstrado queos profissionais de TI sofriam mais com estresse do que os especialistas dequalquer outra atividade: 97% dos profissionais de TI consideravam seu trabalhoestressante (REGGIANI, 2006). 19
  20. 20. Ainda, alguns pontos são relevantes dentro do contexto do estresse nosprofissionais de TI. Um deles diz respeito a idéia, corroborada por algunspesquisadores como Lim e Teo (1999), Rocha e Ribeiro (2001) e Rinaldi (2007), quea profissional do sexo feminino é mais estressada do que o profissional do sexomasculino devido a sobreposição de papéis (casa e trabalho). Será que estaafirmação é realmente verdadeira? Ainda, uma crença tão frequentementeconfirmada, pelo senso comum, é que os profissionais que trabalham em órgãospúblicos tem um nível de estresse menor do que os que trabalham para a iniciativaprivada, devido a questão da estabilidade do emprego. Outras perguntasmotivadoras desta investigação merecem destaque: A quantidade de trabalho aindaé o principal fator gerador de estresse para o profissional de TI ou o medo daobsolescência tecnológica e por conseqüência de estar fora do mercado detrabalho? Ao longo destas ultimas três décadas vários foram os estudos que explicitaramos principais fatores estressores que afligiam os profissionais de TI, bem como ocrescente aumento do nível de estresse devido a estes fatores. A presente pesquisa,teve como um dos seus principais desafios, ratificar ou retificar estes estudos, tendocomo conjuntura o inicio de uma nova década (2010), e como inquietude dopesquisador, o que estressa os profissionais de TI hoje e como os mesmos lidamcom o estresse. Estas questões mostram a importância do estudo do estresse e das estratégiasde enfrentamento para a melhoria da qualidade de vida do profissional de TI notrabalho. Espera-se que a partir dessa pesquisa, os profissionais de TI, de posse deinformações sobre o estresse, estratégias de enfrentamento e suas relações tenhammais condições de compreender o contexto do fenômeno e buscar dentro de si e ao 20
  21. 21. seu redor formas para mitigar os efeitos nocivos do mesmo. Da mesma forma,espera-se que as organizações possam, de pose das informações sobre ofenômeno do estresse, estratégias de enfrentamento e suas correlações de acordocom o sexo, estado civil, faixa etária, tempo de serviço, atividade, tipo deorganização, tipo de vinculo e tamanho da organização, disponibilizar recursos emecanismos para minimizar seus efeitos sobre seus profissionais de TI e destaforma possibilitar que os mesmos contribuam ainda mais para os resultadoscorporativos.2. Objetivo2.1 Objetivo Geral Investigar o estresse nos profissionais de tecnologia da informação dentro dasorganizações enfatizando como este profissional percebe e lida com o fenômeno noinicio de uma nova década (2010), o nível de estresse e se as estratégias deenfrentamento utilizadas foram eficientes em sua regulação.2.2 Objetivos Específicos a) Definir estresse, fatores estressores, estresse ocupacional e estratégias deenfrentamento. b) Identificar os principais fatores estressores percebidos pelos profissionais deTI, a partir da Escala de Estresse no Trabalho (EET) de Paschoal e Tamayo (2004)bem como quais as estratégias de enfrentamento mais utilizadas por estesprofissionais, a partir do Inventário de Estratégias de Coping (LAZARUS eFOLKMAN, 1984). 21
  22. 22. c) Verificar se o nível de estresse dos profissionais pesquisados pode serconsiderado alto, ou seja, se os profissionais de TI são realmente estressados. d) Verificar a relação entre estresse e estratégias de enfrentamento entreprofissionais que atuam na área de TI. e) Verificar a influencia do sexo, estado civil, faixa etária, tempo de serviço,atividade, tipo de organização, tipo de vinculo e tamanho da organização sobre oestresse e as estratégias de enfrentamento.3. Organização do Trabalho Este trabalho está divido em 7 Capítulos distribuídos da seguinte maneira: O Capítulo 1 refere-se a contextualização e a problematização, o capítulo 2 dizrespeito ao objetivo geral e específicos e o capítulo 3 explicita como os capítulosforam organizados. No Capítulo 4 estão os aspectos históricos, a evolução conceitual e osconceitos de estresse, fatores estressores, estresse ocupacional e estratégias deenfrentamento. Em seguida, no Capítulo 5 está descrito o método da pesquisa, a população eamostra, os instrumentos, o procedimento para coleta de dados e o procedimentopara análise de dados. Os resultados e discussão estão no Capítulo 6, com as análises sobre osfatores estressores e estratégias de enfrentamento utilizadas pelos profissionais deTI. E, no Capítulo 7 são apresentadas as considerações finais e recomendações. 22
  23. 23. 4. Referencial Teórico4.1 O Estresse Neste Capítulo apresentam-se o conceito de estresse, sua evolução, seusmodelos de estudo e suas fases. Pretende-se, a partir desta seção, pontuar aevolução do tema e os impactos do estresse na vida do profissional da área detecnologia da informação. As primeiras menções à palavra estresse significando aflição e adversidadedatam do século XIV (Lazarus e Lazarus, 1994 apud Lipp, 1996). De acordo comCooper, Cooper e Eaker (1988) e Arnold, Robertson e Cooper (1995), estresse éuma palavra derivada do latim stringere, que significa tração apertada, ou seja,“espremer”. Cooper, Cooper e Eaker (1988) acrescentam que o termo estresse sejautilizado desde o século XVII para indicar “fadiga” ou “aflição”. Segundo Filgueiras eHippert (1999), a palavra estresse teve sua origem no termo inglês “Stress”, que temsua origem na mecânica como uma força exercida sobre um corpo que tende a sedeformar. De acordo com Lipp (1996), em torno do século XVII, estudos no campo daengenharia destacavam que a seleção dos materiais para construção de obras comopontes, edificações e outros, deveriam levar em conta as características das cargasque estes materiais tinham condições de suportar. Neste sentido, foi criada aanalogia com o ser humano, pois cada pessoa também consegue lidar com umacarga de pressão. Em 1925, o austríaco Hans Selye, ainda estudante de medicina, chegou àconclusão que “a maioria das perturbações registradas era aparentemente comum amuitas e, talvez, a todas as doenças” (BACCARO, 1998, pág. 24). Conforme Lipp 23
  24. 24. (1996a) foi Selye que utilizou a palavra estresse pela primeira vez, em 1936, combase em observações que vinha fazendo desde a década de vinte, quando passou aidentificar sintomas semelhantes, como hipertensão, desânimo e fadiga empacientes que sofriam de diferentes doenças, sintomas estes que não decorriam detais doenças, e que muitas vezes apareciam em pessoas que não estavam doentes. De acordo com Lipp (2003a), Selye foi influenciado pelas descobertas de doisfisiologistas. Um deles foi Claude Bernard. Bernard (1879) sugeriu que o ambienteinterno dos organismos deve permanecer constante, apesar das mudanças noambiente externo. O outro foi Walter B. Cannon. Cannon (1926) sugeriu o termo homeostasecomo um processo através do qual um organismo mantém as condições internasconstantes necessárias para a vida. À luz do conceito da homeostase, Selyeconceituou estresse como uma quebra nesse equilíbrio (homeostase). Já Benevides-Pereira (2002) refere-se à distinção entre estímulos estressorese estresse, sendo que o primeiro é considerado como um agente ou elemento, queinterfere no equilíbrio homeostático, podendo ser de caráter físico, cognitivo ouemocional. Enquanto que o estresse é a resposta a esse estímulo, tendo comofunção o ajustamento da homeostase, garantindo a sobrevivência. Lipp (2003a) por sua vez, destaca que ora o estresse é descrito como umestímulo que gera uma quebra na homeostase, ora é descrito como uma respostacomportamental criada por tal desequilíbrio. Limongi-França e Rodrigues (2005, p. 32 e 33) destacam ainda que o estressepossa ser visto em duas vertentes: como processo e como estado. “O estressecomo processo é a tensão diante de uma situação de desafio por ameaça ou 24
  25. 25. conquista. O estresse como estado é o resultado positivo (eutress) ou negativo(distress) da tensão realizada pela pessoa”. Os termos eutress e distress foram definidos por Selyes (1965). O mesmoconceituou o eustress como o nível positivo de estresse. Podemos pensar em umasituação onde existe uma relativa tensão, mas com equilíbrio entre esforço, tempo,capacidade para a realização e resultados e onde ainda existe motivação esatisfação para a realização de uma tarefa. O processo negativo, caracterizado por situações aflitivas, de constanteestresse é denominado distress. O distress pode ser agudo, quando é intenso, maspor breve período, como a notícia da morte de um parente próximo, recebimento danoticia de uma doença como câncer ou demissão e crônico, quando não é tãointenso, mas ocorre constantemente como as situações tensas no ambiente detrabalho ou a preocupação com dívidas que não se sabe como pagar, entre outros. Corroborando, Benevides-Pereira (2002) cita que o estresse nãonecessariamente é um processo patológico, pois possui caráter positivo, odenominado eustress, quando os estressores são leves e controláveis,proporcionando crescimento, prazer, motivação, desenvolvimento emocional eintelectual. Mas quando o estressor ultrapassa um determinado limite de tensão éconhecido como distress, com caráter negativo, prejudicando o desempenhopessoal, social e profissional. Segundo Mendes e Leite (2004), o eustress ocorre em situações excitantes nocotidiano, geralmente situações inesperadas, que são percebidas como um desafio.Esse tipo de estresse incorre em um menor risco de adoecer. Já o distress égeralmente causado por situações que fogem ao controle e são percebidas comouma ameaça. 25
  26. 26. Estímulos estressores externos, como as pressões do trabalho (pressão porresultado, excesso de trabalho, uma promoção para um cargo gerencial, medo dodesemprego), na família (casamento, pais, filhos), doenças, medo de assalto,trânsito, medo de fechar a empresa e os estressores internos como valores,crenças, retidão ou não do caráter, pensamentos, emoções, as formas de interpretarcada situação, entre outros, podem ser causas do estresse. Mota et al. (2006) ressaltam ainda que para o indivíduo desenvolver o processode estresse não necessariamente precisa existir o agente estressor externo, pois,muitas vezes, as pessoas se antecipam à ocorrência do fato, o que leva a vivenciarou sofrer prematuramente as reações do estresse. Lazarus e Folkman (1984) definem o estresse como um relacionamentoparticular entre a pessoa e o ambiente, que pode estar sendo avaliado pela pessoacomo sobrecarregado ou excedendo seus recursos, o que implica em risco ao seubem estar. Ainda estes autores definem uma pessoa com estresse quando estapercebe necessitar de mais recursos do que ela própria dispõe para enfrentar umasituação de estresse. Neste caso, é a percepção que vai determinar o grau doestresse. Nesta linha, Limongi-França e Rodrigues (2005) entendem que o estresse nãoé apenas uma reação do organismo, pois envolve uma relação entre o indivíduo, seuambiente e as situações às quais estão fora de controle, sendo percebido pelapessoa como uma ameaça ou ainda como algo que exige dela mais que suaspróprias capacidades ou recursos, colocando em risco seu bem-estar. A resposta a um mesmo evento estressor pode variar de pessoa para pessoa,dependendo da percepção do estímulo pelo indivíduo e da avaliação cognitiva querealiza sobre a situação estressante, bem como sobre seus recursos para lidar com 26
  27. 27. essa situação (REGEHR, HEMSWORTH e HILL, 2001). Assim, não é a gravidadedo evento per se que determina diretamente a resposta do indivíduo, mas aavaliação que cada pessoa faz do estímulo estressor (FELSTEN, 2002; RUITTER,1987). Ainda, Lazarus (1990) aponta que o que é estressante para um indivíduo emdeterminado momento pode não ser para outro indivíduo ou para esse mesmoindivíduo em outro momento, dependendo da percepção individual e de aspectoscontextuais. Um evento, como uma promoção, para um determinado individuo pode sermotivo para desencadear um processo de estresse enquanto para outro individuopode ser um fator estimulante. É importante aqui uma distinção entre pressão eestresse, pois podem parecer sinônimos. De acordo com Albrecht (1990), a pressãoestá na situação enquanto o estresse está na pessoa. Cada indivíduo pode ter umponto de vista diferente do outro na observação do mesmo evento. Segundo Selye(1956), o estresse é parte natural do funcionamento humano, enquanto que apressão é normal da interação entre as pessoas. Ainda, segundo Arroba e James (1988, p.13), "todos nós temos um limite certopara suportar a pressão. Quando ela não está no nível favorável, o resultado é oestresse". Os autores destacam que o estresse ocorre nos dois extremos, ou seja,quando existe uma pressão muito grande e quando existe uma pequena pressão ouinexiste, levando assim o individuo a construir um quadro de ansiedade, medo,frustração, entre outros. Para Couto (1987), o estresse de monotonia é decorrente do baixo nível deestimulação do indivíduo, uma vez que a demanda do ambiente é inferior àcapacidade de realização do mesmo. 27
  28. 28. Para McCormick (1997, p.90), "o estresse é um estado de tensão, ansiedadeou pressão vivido pela pessoa. Pode ser descrito ainda como estado de apreensão,agitação, frustração, irritação, medo, desconforto mental e infelicidade". O estresse pode se apresentar em três ou quatro fases. Segundo Selye (1965),quando uma pessoa se confronta com um estímulo agressor, no caso estressor, ocorpo reage. Essa reação se dá em três fases: alerta, resistência e exaustão. Lipp(2003a) propôs uma quarta fase que recebeu o nome de quase-exaustão. Esta fasese encontra entre a de resistência e a de exaustão. Desta forma o modelo de Lipp éuma ampliação dos estudos de Selye. O estresse tem inicio na fase de alerta,quando a pessoa defronta-se com uma situação estressora. Silva (2000) aponta que a primeira reação do organismo é uma descarga deadrenalina, sendo que os órgãos do aparelho circulatório e respiratório são os maisafetados. A função da adrenalina no aparelho circulatório é o de promover aaceleração dos batimentos cardíacos, taquicardia e diminuição do tamanho dosvasos sangüíneos periféricos, fazendo com que o sangue circule mais rápido parauma melhor oxigenação, especialmente, dos músculos e do cérebro, o que diminuisangramentos em caso de ferimentos superficiais. Enquanto que no aparelhorespiratório, a adrenalina proporciona a dilatação dos brônquios, aumentando osmovimentos respiratórios, com o intuito de haver maior captação de oxigênio, o qualserá transportado de forma mais rápida pelo sistema circulatório. Este fator dáenergia ao organismo, desde os primórdios, preparando o individuo para lutar oufugir. A fase de alerta faz parte do cotidiano da grande maioria das pessoas, pois atodo instante deparam com algum tipo de estressor, tanto interno (nossas emoções,pensamentos, valores, entre outros), quanto externos (trabalho, assalto, parentes, 28
  29. 29. filhos, entre outros). A fase de alerta leva os indivíduos a ficarem em estado deprontidão e pode gerar taquicardia, alteração da pressão arterial, sudorese, bocaseca, mãos e pés frios, mudanças de apetite, insônia, diarréia passageira, entreoutros. Nesta fase, dentro dos ambientes corporativos, os profissionais apresentamincremento de motivação, entusiasmo e muita energia para enfrentar os desafios. Segundo Lipp (2004b), nessa fase sempre acontece uma quebra nahomeostase, pois o esforço gasto tem como objetivo o enfrentamento da situaçãoque traz ameaça ao individuo. O estresse pode ser visto aqui, como uma respostado organismo visando sua sobrevivência frente a um estressor. Se a pessoa, ao perceber que o agente estressor é inofensivo, frente as suaspossibilidades de enfrentamento, o organismo retorna ao estado inicial dahomeostase, mas se isto não acontece e o desafio ou o perigo persiste, tem-se inicioa fase da resistência. Na segunda fase, ocorre um aumento na capacidade de resistência, pois oorganismo tenta restabelecer o equilíbrio interno (homeostase), utilizando toda aenergia adaptativa. A pessoa também pode apresentar cansaço injustificado, problemas com amemória, sensação de desgaste e irritabilidade (BENEVIDES - PEREIRA, 2002;LIPP, 2003a). Permanecendo os estímulos estressores, acontece a fase de quase-exaustão. Segundo Lipp (2000 e 2003a), a fase de quase-exaustão é caracterizada peloinício do processo de adoecimento, pois há um enfraquecimento do sistemaimunológico e as defesas do organismo começam a ceder. O indivíduo nãoconsegue se adaptar ou resistir ao estressor. 29
  30. 30. É notória uma oscilação entre momentos de bem-estar e desconforto, cansaçoe ansiedade, havendo grandes dificuldades do organismo para restabelecer ahomeostase interna, dando início à quarta fase do estresse, a exaustão. A fase de exaustão, ou ultima fase, há uma quebra total da resistência. Oorganismo esgota a energia de adaptação, há um aumento das estruturas linfáticas,ocasionando exaustão psicológica em forma de depressão e exaustão física emforma de doenças como úlceras, aumento da pressão arterial, problemas cardíacos,dermatológicos, sexuais, câncer ou ainda pode levar o indivíduo à morte (LIPP,2003a, 2004b). Conforme cita Lipp (2004), nos dois modelos o estresse é tratado como umprocesso que se desenvolve em etapas ou fases. Estas fases podem sertemporárias e de intensidade variável. O desempenho máximo de um indivíduo éatingido na fase de resistência, quando são mobilizadas todas as suas energias dereserva. É o ponto de maior resistência do organismo, conforme Figura 1. Dessaforma, o indivíduo fica sem energia para momentos futuros e, logo em seguida, vemà quebra do organismo, pois o mesmo fica destituído de defesas. De acordo comLipp (2004), o nível ideal de estresse é o ponto anterior ao ponto máximo deestresse e de produtividade, que está muito próximo de evoluir para as fases maisavançadas, em que a produtividade e a saúde do indivíduo são afetadas peloestresse excessivo. No estágio de exaustão doenças muito sérias podem surgir.CAPRA (1997) destaca que as doenças crônicas e degenerativas, altamenteevidenciadas atualmente, são as causas principais de morte e incapacidade e queestão ligadas ao estresse em excesso. 30
  31. 31. Figura 1 – Relação entre as fases do estresse e os níveis de produtividade Fonte: Lipp (2004, p. 22) Embora a palavra estresse esteja atualmente carregada de certo negativismo,o fenômeno não é uma reação nova exclusiva dos tempos modernos, mas ummecanismo de defesa do ser humano, como uma forma de garantir a sobrevivência(MENDES e LEITE, 2004). Atualmente, sabe-se que o estresse não é bom, nemruim. É um recurso importante para se enfrentar as diferentes situações da vidaquotidiana. A resposta ao estresse é ativada pelo organismo com o objetivo de mobilizarrecursos que possibilitem às pessoas enfrentarem as mais variadas situações(LIMONGI-FRANÇA; RODRIGUES, 2002). É importante destacar, além do conceito de estresse, definido nesta pesquisacomo um relacionamento particular entre a pessoa e o ambiente, que pode estarsendo avaliado pela pessoa como sobrecarregado ou excedendo seus recursos, oque implica em risco ao seu bem estar (LAZARUS e FOLKMAN, 1984), a definiçãode fatores estressores. Segundo Lipp (1996), tudo o que cause a quebra da 31
  32. 32. homeostase interna, ou seja, que exija alguma adaptação pode ser chamado de umestressor. Fatos que envolvem adaptação a mudanças, sejam eles positivos ounegativos, constituem-se em estressores importantes, pois o individuo necessitarádespender energia adaptativa para poder lidar com estes eventos.4.2 Fatores estressores Neste Capítulo apresentam-se alguns conceitos importantes sobre fatoresestressores em um aspecto geral e sua relação com o estresse. Eventos relevantes na vida de um individuo, como por exemplo, começar umnovo emprego, casamento, separação, morte, nascimento de filho, doenças gravesentre outros podem ser considerados fatores que causam estresse nos indivíduos.Neste sentido, avaliar a incidência destes eventos pode ser uma forma de tomarconhecimento da freqüência com que determinada pessoa desencadeia umaresposta de estresse (MARGIS et al., 2003). Segundo Santos (1995), um único estressor não poderá levar o indivíduo aoestresse, mas sim a combinação e o acúmulo de vários agentes. Zakir (2001) apontaque, quanto maior forem à intensidade, a freqüência e o tempo de duração dosestressores, maior a probabilidade de se desenvolverem reações de estresse. Além dos grandes eventos da vida, os acontecimentos diários de menorimpacto, tais como esperar em filas, barulhos, engarrafamentos, também sãoconsiderados causadores de estresse. Esses acontecimentos diários, quando semanifestam de uma forma freqüente, podem gerar respostas psicológicas efisiológicas mais intensas do que os grandes eventos (MARGIS et al., 2003). Ainda, a globalização da economia, aumento da sofisticação tecnológica,aumento do número de informações, ambiente de trabalho altamente competitivo,transitoriedade do emprego, entre outros são fatores que vêm afetando o bem-estar 32
  33. 33. físico e mental dos trabalhadores. Estes fatores podem gerar um aumento dainsegurança, ansiedade e elevação dos níveis de estresse dos indivíduos(CARLOTTO e GOBBI, 1999; LAUTERT, CHAVES e MOURA, 1999). Nas ultimas décadas, o fenômeno estresse tem sido estudado sob váriosprismas. Nestes estudos, o estresse tem sido entendido e conceituado comoestímulo, resposta e interação (LAUTERT, CHAVES e MOURA, 1999). O conceitode estímulo foi desenvolvido a partir do princípio de forças externas que produzemalterações transitórias ou permanentes sobre os indivíduos. Essas forças referem-sea eventos denominados estressores, que podem ser considerados comoameaçadores para o indivíduo (SELYE, 1965). A seguir, o fenômeno do estresse passou a ser considerado uma resposta(fisiológica, cognitiva ou motora) do indivíduo ante um determinado estímuloestressor. Nas pesquisas realizadas a partir da década de 1980, o fenômeno do estressepassou a ser conceituado sob a perspectiva da interação psicológica eidiossincrática (MOOS,1990), onde um evento é estressante na medida em que oindivíduo o percebe e valora como tal. Segundo Lipp (1984), o estresse pode ser originado de fontes externas einternas. As fontes internas estão relacionadas com a maneira de ser do indivíduo,tipo de personalidade e seu modo típico de reagir à vida. Muitas vezes, não é oacontecimento em si que possa ser estressante, mas a maneira como é interpretadopela pessoa. Ainda segundo Lipp (2003), “valores muito rígidos, culpas indevidas,percepções enviesadas por experiências passadas, competição, incertezas, pressa,perfeccionismo, mágoas antigas e expectativas exageradas para si e para os outrosestão entre as causas mais comuns do estresse”. As externas independem do modo 33
  34. 34. de funcionamento do individuo e podem estar relacionadas a uma mudança deemprego, acidentes ou qualquer outro evento que ocorra fora do corpo e da menteda pessoa (LIPP, 1996). Na mesma linha, Domingos et al (1996) citam que em geral são duas as fontesde estresse, denominadas estressores, sendo classificadas como externas ouinternas. As externas são eventos que ocorrem na vida das pessoas, tais comomorte, casamento, mudança de emprego, entre outros, já as fontes internas estãorelacionadas ao mundo interno do indivíduo, como por exemplo, crenças, valores epadrões comportamentais. Em relação às fontes internas, Friedman e Rosenman (1974) propuseram duascategorias de personalidade: • Tipo A é mais propenso ao estresse, pois compreendem indivíduos, apressados, impacientes, competitivos, perfeccionistas e ansiosos. Estes indivíduos levam a vida em um ritmo acelerado e se sentem culpados quando relaxam; • Tipo B diz respeito aos indivíduos que não têm a necessidade de impressionar os outros e que são capazes de trabalhar com mais calma e tranqüilidade, relaxam sem sentir culpa, e não sofrem devido ao sentimento de impaciência ou do senso de urgência. Neste sentido, os mesmos são menos propensos ao estresse. Em uma área de Tecnologia da Informação é normal a coexistência de pessoasdos dois tipos. Não é raro indivíduos do Tipo A pressionar os indivíduos do Tipo Bpara que executem mais tarefas, cada vez mais rápidas e sem erros. Esteposicionamento pode gerar estresse nos indivíduos do Tipo B. Corroborando, Lipp 34
  35. 35. (2003) cita que “uma das mais importantes fontes de estresse para a pessoa do tipoB é um tipo A”. Ainda, segundo Rosenman (1996) os indivíduos do tipo A enfrentam asmudanças do ambiente com impaciência, agressividade e competitividade, comcomportamentos característicos como agilidade, tensões musculares, estilo vocalapressado e enfático, além de respostas emocionais como irritação. Friedman e Rosenman (1974) destacam ainda que os indivíduos do tipo A nãopossuem certeza absoluta de seu valor e de suas deficiências, ao contrário do tipoB, que consegue perceber as suas virtudes e se conformam com as própriaslimitações. O Tipo A está à procura de maiores metas, mais horas trabalhadas e naaquisição de mais bens materiais. O indivíduo que apresenta características do tipo A normalmente vivencia oestresse de forma intensa quando submetido a aspirações profissionais nãoatendidas, mais especificamente quando preterido, quando exposto a convivênciacom pessoas do Tipo B que são consideradas pelo Tipo A como ineficientes e lentase na crise de meia-idade, quando faz questionamentos de valores que foramesquecidos por causa da ânsia de trabalhar e realizar. Rosch (2005) acredita que as pessoas do Tipo A se tornam dependentes dospicos de secreções hormonais relacionadas ao estresse e, quando privados de taisestímulos, podem se tornar irritáveis e deprimidos. Finalmente, a forma de ser dos indivíduos do tipo A nem sempre leva a bonsresultados, como ressalta Rio (1995). As ações destes indivíduos, muitas vezesprecipitadas e sem reflexões sobre qualidade e estratégia, bloqueiam o acesso aexcelência, ou seja, produzem mais agitação comportamental do que resultadoseficazes (RIO, 1995). 35
  36. 36. De acordo com Lida (1993), as causas do estresse são variadas e possuemefeito cumulativo. As exigências físicas ou mentais que excedem a capacidade doindividuo pode provocar estresse, mas este pode incidir fortemente naquelesindivíduos já afetados, devido a conflitos no trabalho ou até mesmo devido a umproblema doméstico. De acordo com Fiamoncini et al (2003) as várias causas doestresse são: • Pressão para manter a produção, responsabilidade, conflitos e outras fontes de insatisfação no trabalho; • O estresse decorre de uma percepção individual da sua capacidade em atender a demanda do trabalho ou terminá-lo dentro de um prazo acordado; • Condições desfavoráveis, projeto inadequados de posto de trabalho, obrigando a manter uma postura inadequada; • Comportamentos dos chefes e supervisores que podem ser demasiadamente exigentes e críticos, além das questões do salário, carreira, horários de trabalho, horas extras e turnos; • Questões de dinheiro, e a forte pressão exercida pela sociedade de consumo são elementos de freqüentes preocupações. Como visto várias são as fontes que podem gerar estresse no cotidiano dosindivíduos, tanto no mundo corporativo quanto pessoal. A partir da década de 90,houve um incremento na quantidade de pesquisas relacionadas ao fenômeno doestresse, nas organizações. O motivo principal para o incremento destas pesquisas tem relação com oimpacto negativo que este fenômeno trouxe para a saúde e bem estar dosempregados e por conseqüência para a produtividade corporativa. 36
  37. 37. 4.3 Estresse Ocupacional Neste Capítulo apresentam-se alguns conceitos importantes sobre o estresseocupacional. Pretendem-se ainda explicitar fatores estressores presentes nocotidiano das organizações. Na economia, o impacto negativo do fenômeno estresse tem sido estimadocom base na suposição e nos achados de que trabalhadores estressados diminuemseu desempenho e aumentam os custos das organizações com problemas desaúde, com o aumento do absenteísmo (falta ao trabalho), da rotatividade e donúmero de acidentes no local de trabalho (JEX, 1998). Morris (2003) destaca que em pesquisa publicada pela Reuters foidemonstrado que o custo do estresse para a indústria americana foi de 300 bilhõesde dólares ao ano, com impacto negativo na produtividade dos empregados, alémde conseqüência na saúde e custo com tratamentos. Cox (1987) afirma que o estresse ocupacional é definido pela percepção dotrabalhador em relação às demandas existentes no ambiente de trabalho e de suacapacidade e/ou recursos para enfrentá-las. À luz desta afirmação pode-se deduzirque o estresse ocupacional tem relação com a forma de ser de cada individuo eneste sentido é pessoal. Um sistema que apresenta erros de programação pode serconsiderado altamente estressante para um analista de sistemas, devido a umgrande número de reclamações, enquanto para outro analista não. Corroborando com esta afirmação, Lazarus (1995) e Lazarus e Folkman(1984), indicam que a simples presença de eventos que podem se constituir comoestressores em determinado contexto, no qual o indivíduo esteja inserido, nãocaracteriza um fenômeno de estresse. Para que isto ocorra, é necessário que o 37
  38. 38. indivíduo perceba e avalie os eventos como estressores, o que quer dizer quefatores cognitivos têm um papel central no processo que ocorre entre os estímulospotencialmente estressores e as respostas do indivíduo a eles. A existência de umevento potencialmente estressor na organização não quer dizer que ele serápercebido desta forma pelo indivíduo. Ainda, Lazarus (1995) cita que o estresse ocupacional acontece quando oindivíduo percebe as demandas do trabalho como excessivas para os recursos deenfrentamento que possui. Por exemplo, enquanto um programador de computadorpode estar estressado pelo excesso de sistemas para serem entregues, outro podenão perceber este excesso de demanda como prejudicial naquele momento, massim como um fator motivacional. Kahn e Byosiere (1992) concordam que a percepção do indivíduo éfundamental para a avaliação de demandas organizacionais como estressores. As fontes de tensão e de estresse são mediadas pelas diferenças próprias acada indivíduo, ou seja, em uma mesma situação de trabalho, elementos negativose estressantes não atingem de forma homogênea todas as pessoas (MORAES etal., 1995). De acordo com Jex (1998), as definições de estresse ocupacional dividem-sede acordo com três aspectos: (1) estímulos estressores; (2) respostas aos eventosestressores; (3) estímulos estressores-respostas. Quando são focalizados os estímulos estressores, o estresse ocupacionalrefere-se aos estímulos do ambiente de trabalho que exigem respostas adaptativaspor parte do empregado e que excedem a sua habilidade de enfrentamento (coping).Estes estímulos são frequentemente chamados de estressores organizacionais. 38
  39. 39. Quando são focalizadas as respostas aos eventos estressores, o estresseocupacional refere-se às respostas (psicológicas, fisiológicas e comportamentais)que os indivíduos emitem quando expostos a fatores do trabalho que excedem suahabilidade de enfrentamento. Quando são focalizadas as interações entre estímulosestressores-respostas, o estresse ocupacional refere-se ao processo geral em quedemandas do trabalho têm impacto nos empregados. Nesse caso, não há separaçãoe o estresse é visto como um processo. Segundo Couto (1987), o estresse é um estado em que há uma diminuição dacapacidade de trabalho e/ou desgaste anormal do organismo humano, acarretadopor uma incapacidade prolongada da pessoa tolerar, se adaptar ou superar àsexigências de natureza psíquica existentes no seu ambiente. Para Markham (1989, p. 151), grande parte do estresse sofrido em situaçõesprofissionais é causada pela antecipação ansiosa. A apreensão conduz ao medo econsequentemente ao estresse, resultando em comportamentos inadequados,transformando os medos em realidade, podendo assumir patamares elevados,afetando todas as áreas da vida da pessoa. A ansiedade pode ser definida comouma sensação às vezes vaga, de que algo desagradável está para acontecer(SILVA, 1994, p. 126). Na virada de 1999 para o ano 2000 um tema que acarretoumuita ansiedade para milhões de profissionais da área de tecnologia da informaçãofoi o ‘Bug do Milênio’. A expectativa era que todos os computadores travassem, masna realidade o tão conhecido ‘Bug do Milênio’ tornou-se um grande fiasco, pois nãoproduziu toda a catástrofe, muitas vezes alardeada. Dentro da área de Tecnologia da Informação acontecem situações em quequando um sistema de informação importante está para entrar em produção, osfuncionários responsáveis ficarem preocupados e ansiosos se tudo irá ocorrer 39
  40. 40. conforme planejado. A ansiedade pode causar bloqueios de memória e os indivíduosmais ansiosos tendem a render menos em tarefas onde são avaliados osconhecimentos aprendidos (BERMÚDEZ, 1994). Esta ansiedade pode acarretar umplanejamento ruim e/ou uma execução de procedimentos ineficazes. No Japão,Fujigaki (1989) destacou a importância das exigências mentais do trabalho dosengenheiros de software, apontando para a fase de implantação de sistema comoum momento em que os profissionais se declaravam “física e mentalmenteexaustos”. Kyriacow e Sutcliffe (1981) definem o estresse ocupacional como um estadoemocional desagradável, pela tensão, frustração, ansiedade, exaustão emocionalem função de aspectos do trabalho definidos pelos indivíduos como ameaçadores. Oestresse ocupacional agrava-se quando há por parte do indivíduo a percepção dasresponsabilidades e poucas possibilidades de autonomia e controle. Os analistas desistemas bem como os programadores, em geral, são os profissionais responsáveispor desenvolver novos sistemas bem como dar manutenção nos sistemas legados.Em muitas situações pode se sentir pressionado por receber responsabilidadessobre um determinado projeto, como por exemplo, um sistema, mas não ter controlesobre todas as variáveis que tangenciam este sistema, como por exemplo, oambiente onde o mesmo está sendo executado e falta de recursos em geralnecessários para um trabalho eficiente. De acordo com Moraes e Kilimnik (1994), o estresse ocupacional pode seravaliado à luz de quatro variáveis: fontes de pressão no trabalho, personalidade doindivíduo, estratégias de combate e sintomas físicos e mentais manifestos noprocesso. De acordo com os autores, as duas primeiras variáveis afetam as duasúltimas. 40
  41. 41. O estresse ocupacional, segundo Couto (1987), interfere na qualidade de vidamodificando a maneira como o indivíduo interage nas diversas áreas da sua vida.Devido ao excesso de atividades, a pressão por prazos e outros fatores geradoresde estresse, estes indivíduos podem gerar na sua vida familiar ou social situaçõesde desajuste, devido ao estresse que o mesmo está vivenciando. A sobrecarga detrabalho, tanto nos aspectos quantitativos como qualitativos é uma fontefreqüentemente relacionada ao estresse (PARAGUAI, 1990). O excesso de horastrabalhadas diminui as chances de apoio social do indivíduo, causando insatisfação,tensão e outros problemas de saúde, não obstante a falta de trabalho também podelevar a sensação de tédio ao indivíduo (PEIRÓ, 1993). Ainda, segundo Peiró (1992), a qualidade das relações interpessoais é um fatorimportante na hora de determinar o potencial estressor. A ausência de um grupocoeso é um dos elementos que pode causar estresse. O conflito no grupo detrabalho pode ser considerado positivo quando estimula a busca de soluções para oproblema, entretanto caso a situação de conflito persista, poderá por exemplo, gerarfrustrações, insatisfação e moléstias somáticas (PEIRÓ, 1993). Ainda, a segurança e a estabilidade na carreira afetam um percentualimportante de pessoas. A carreira de um indivíduo pode gerar preocupaçõesrelacionadas a mudanças no posto de trabalho, mudanças de profissão, ou falta depromoção (PEIRÓ, 1992). Kahn e Byosiere (1992) destacam a existência de propriedades organizacionaisantecedentes, como políticas, tecnologias e estruturas, que podem gerar eventosestressores no trabalho. O tamanho da organização tem sido apontado como umpossível antecedente dos estressores organizacionais. Organizações onde existeuma distância considerável entre os diversos níveis hierárquicos e em que o 41
  42. 42. funcionário tem pouco controle sobre seu trabalho, podem ser mais propícias a gerareventos estressores (KAHN e BYOSIERE, 1992; SUTTON e D´AUNNO, 1989). Segundo Glowinkowski e Cooper (1987), estressores intrínsecos ao trabalhoreferem-se a aspectos como repetição de tarefas, pressões de tempo e sobrecarga.A sobrecarga de trabalho tem recebido especial atenção dos pesquisadores. Esteestressor pode ser agrupada em uma dimensão quantitativa e em outra dimensão, aqualitativa. A sobrecarga quantitativa diz respeito ao número excessivo de tarefas aserem realizadas, que superam a capacidade e disponibilidade do trabalhador. A sobrecarga qualitativa refere-se a tipos de demandas que estão além dashabilidades ou aptidões dos trabalhadores. (JEX, 1998; GLOWINKOWSKI eCOOPER, 1987). Rocha e Debert-Ribeiro (2001), citam em suas pesquisas, que encontram tantopara os homens, quanto para as mulheres analistas de sistemas, a presença de altademanda no trabalho, seja pela sobrecarga quantitativa (prazos curtos) quanto pelasobrecarga qualitativa (alto grau de responsabilidade e uso constante da mente). Destaca-se aqui o caso das mulheres analistas de sistemas no que tange asuperposição do trabalho exercida pela mesma em casa e no trabalho. As mulheresanalistas de sistemas possuem maior número de horas de trabalho doméstico,quando comparadas aos profissionais do gênero masculino (Kadolin, 1997;Lundberg, Mardberg, Frankenhauser, 1994). Tal situação tem gerado altos níveis desobrecarga de trabalho, estresse e conflitos de magnitude crescente de acordo como número de filhos de cada uma. Esta pode ser uma das razões pelas quais aausência de filhos aparece com maior freqüência entre mulheres analistas desistemas (Emslie, Hunt e Macintyre, 1999). 42
  43. 43. A grande maioria dos trabalhos envolve interações entre pessoas, seja entrecolegas de mesmo nível hierárquico, superiores e subordinados ou entreempregados e clientes. Quando essas interações resultam em conflitos tem-se outrafonte de estresse (JEX, 1998; GLOWINKOWSKI e COOPER, 1987). Neste sentido,Jex (1998) comenta que diversos fatores podem incrementar a probabilidade daocorrência de um conflito interpessoal no trabalho, como por exemplo, a competiçãoentre dois ou mais funcionários para alcançar uma promoção ou para ter acesso arecursos de trabalho escassos na organização e a percepção de injustiça edesrespeito no tratamento recebido por colegas e superiores. Ainda no campo das relações interpessoais, faz parte do cotidiano dosprofissionais da área de TI, principalmente dos profissionais de desenvolvimento desistemas, interagirem com pessoas de fora do departamento de sistemas deinformação, possivelmente com culturas e expectativas diferentes dos seus. Comoresultado, esses profissionais podem vivenciar níveis mais elevados de estresse(HUARNG, 2001). Tamayo, Lima e da Silva (2002) pesquisaram a relação do clima organizacionalcom o estresse ocupacional. No estudo, o clima organizacional foi operacionalizadoa partir de quatro fatores: comunicação, ambiente relacional, liderança gerencial evalorização do empregado. Os resultados revelaram que o ambiente relacional e oestilo de liderança gerencial são preditores do estresse ocupacional. Ainda, estressores relacionados ao desenvolvimento da carreira são elementosencontrados nas organizações. Esta categoria de estressor, de acordo comGlowinkowski e Cooper (1987), inclui aspectos relacionados à falta de estabilidadeno trabalho, ao medo de obsolescência frente às mudanças tecnológicas e àspoucas perspectivas de promoções e crescimento na carreira. 43
  44. 44. A obsolescência profissional, definida como a erosão das competênciasrequeridas para um desempenho de sucesso (DUBIN, 1990; FERDINAND, 1966;GLASS, 2000 apud JOSEPH, 2001), é um elemento importante na carreira em TI. Aatualização regular das competências promove a empregabilidade, odesenvolvimento profissional e as compensações financeiras. Assim, a rápidamudança da tecnologia constitui uma ameaça potencial para os profissionais de TI,já que a estimativa de meia-vida dos conhecimentos e habilidades na profissão de TIé de menos de dois anos (ANG, 2000; DUBIN, 1990 apud JOSEPH; ANG, 2001).Ainda segundo o estudo de Schambach (1999), os profissionais de TI com maisidade parecem menos motivados a manter suas competências atualizadas. A pesquisa anual de satisfação profissional de 2003, realizada pelo periódiconorte-americano Computerworld, avaliou as opiniões dos profissionais de TI relativasà sua carreira (Hoffman, 2004). Segundo Hoffman, os resultados indicaram que nãohá um entusiasmo em relação às perspectivas de carreira, embora os profissionaisde TI não demonstrem arrependimento por terem optado pela área de TI. A pesquisaconstata ainda uma insatisfação desses profissionais com suas recompensas eparticipação nas decisões, e de forma geral, com as empresas em que trabalham eoportunidades de evolução na carreira. Nesta linha, Arroba e James (1988 p. 182)cita que as principais fontes de estresse nas organizações são “remuneração,perspectivas incertas de carreira, muito trabalho, reuniões terríveis, colegas difíceise atmosfera de trabalho”. Já Couto (1979) organizou uma lista de fatores existentes em uma organizaçãoque podem gerar o estresse: • Chefia insegura: o indivíduo vulnerável que tem entusiasmo excessivo ou insegurança latente, ou ainda nível intelectual mais alto, vai 44
  45. 45. encontrar-se diante de um agente estressor se ele percebe um chefe inseguro. A tendência será subvalorizar as ordens do chefe, o que provocará insatisfação no trabalho;• Responsabilidade mal delegada: delegar tarefas sem identificar se o empregado está preparado ou mesmo confundir delegação com transferência de responsabilidade. Karasek (1990) verificou que o menor grau de autonomia para tomada de decisão combinado com elevado grau de responsabilidade é um forte fator gerador de estresse;• Bloqueio de carreira: às vezes, a promoção de um funcionário pode gerar um bloqueio muito grande em outro que trabalhe na mesma função e seja igualmente competente. Se a promoção do primeiro não for devidamente justificada pela chefia, pode acontecer que um bom funcionário se transforme em indivíduo insatisfeito e injustiçado;• Conflito entre chefias: é o caso de chefias cujos pensamentos não estão bem identificados e isso é percebido pelos funcionários. Os que são vulneráveis se sentirão inseguros;• Falta de correlação adequada entre capacidade, responsabilidade e salário: é um dos agentes estressores mais comuns no trabalho e pode ser evitado ou diminuído por uma avaliação de desempenho adequada. Os estudos de administração de pessoal têm mostrado que o indivíduo somente estará satisfeito se a responsabilidade que lhe é atribuída no serviço estiver no mesmo nível de sua capacidade e se o salário for proporcional;• Falta de motivação no trabalho: é um agente estressor que acomete praticamente todos os trabalhadores. Geralmente, o trabalhador passa 45
  46. 46. por uma sensação de inutilidade. Quando existe motivação, a pessoa trabalha melhor; sente que é importante no trabalho e que está ajudando a construir a empresa;• Trabalho monótono: no início deste tipo de trabalho, ocorre aumento de produtividade e melhoria da qualidade, pelo desenvolvimento no cérebro de um padrão de estimulação bem definido. Muitos se adaptam a ele, mas a maioria, com o tempo, passa a apresentar lentidão no desenvolvimento das operações, redução da sensibilidade da análise virtual e motora, com conseqüente perda da produtividade e precisão. Nas pessoas mais vulneráveis, podem aparecer alguns sinais de doenças psicossomáticas, quando não mudam para outro tipo de trabalho;• Trabalho com alta concentração mental: o que leva à fadiga é o trabalho no qual um erro pode causar danos físicos grandes ou comprometimento da segurança de outras pessoas. A vigilância constante e o medo de errar podem levar à fadiga psíquica e manifestações psicossomáticas nos indivíduos mais vulneráveis;• Relações humanas inadequadas: o problema das relações humanas inadequadas como agente estressor existe em dois sentidos: vertical e horizontal. No mundo de hoje, as relações inadequadas na vertical (por parte dos chefes) ainda é mais importante do que na horizontal (entre os colegas de trabalho). Porém, na tendência atual de se procurar utilizar os trabalhos de equipe, as relações humanas na horizontal adquirem uma importância gradualmente maior; 46
  47. 47. • Fatores ligados ao ambiente físico: o alto nível de ruído, a má- iluminação, o calor excessivo, a vibração, todos esses fatores podem atuar como estressores e desencadear o estresse e, conseqüentemente, a fadiga psíquica. Segundo Lazarus e Lazarus (1994), a sobrecarga de trabalho, causada peladesignação de muitas tarefas com prazos curtos para sua execução, e com muitasinterrupções, a ambigüidade de prioridades, o nível de autoridade e de autonomia, aincerteza quanto ao futuro, o convívio com colegas insatisfeitos são fatoresestressantes relacionados ao estresse ocupacional. Merlo (2003) verificou que a altafreqüência de distúrbios psicológicos relacionados ao estresse entre os analistas desistemas está associada a prazos curtos e sobrecarga de trabalho, resultante doimpacto político/social do trabalho que desenvolvem e também da pressão exercidapelos usuários dos sistemas. Hoffman (2004) cita que o desempenho da economia americana no início desteséculo forçou um corte gradual do efetivo das equipes de TI. Com uma cargaelevada de trabalho, pouco treinamento e falta de confiança em suas empresas, osprofissionais dessa área estariam se sentindo pressionados e penalizados. Os elementos estressores do trabalho são muito comuns e freqüentes, umavez que atualmente a maioria dos adultos passa grande parte do dia nodesempenho de tarefas laborais (TAYLOR e REPETTI, 1997), sendo o estresseconsiderado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma epidemia global(RIBEIRO, ASSIS e LOTERIO, 2000). Neste sentido é relevante a necessidade deutilização de estratégias para mitigar os efeitos nocivos do fenômeno do estressenos indivíduos. 47
  48. 48. 4.4 Estratégias de enfrentamento (coping) Neste Capítulo apresentam-se alguns conceitos importantes sobre coping ouestratégias de enfrentamento. Pretende-se, a partir desta seção, descreverestratégias de enfrentamento comumente utilizadas para minimizar os impactosnegativos do estresse. De acordo com Santos (1995), os estressores são absolutos, ou seja, o eventoacontece. O que é relativo é a maneira como o indivíduo reage a esse evento. Cadaindivíduo pode reagir de forma diferente a um mesmo evento estressor. Nessesentido, deve-se entender que cada indivíduo possui um nível de tolerância àsituação estressante diferente dos demais. De acordo com Kessler, Prince e Wortman (1985), grande parte dos indivíduosque são expostos a estressores não desenvolvem problemas de ordem psicológico,tendo em vista que os efeitos do estresse pode ser minimizado com a utilização deprocessos psicológicos que atenuam a sensação da severidade do estresse(LUTGENDORF e COSTANZO, 2003). Diversos estudos têm sido realizados objetivando explicitar as estratégias deenfrentamento utilizadas pelos indivíduos que efetivamente superam o estresse.Esse conjunto de estratégias tem sido comumente denominado de coping(ANTONIAZZI, DELL’AGLIO e BANDEIRA, 1998). O termo “coping” passou a serutilizado na psicologia recentemente, porém sua origem etimológica remonta doverbo francês “couper”, que por sua vez deriva do substantivo “coup” que significa“golpe”. No século X, o termo “cope” foi incorporado ao vocabulário anglo-saxão,cuja expressão “to cope with” pode ser traduzida como fazer face, enfrentar,gerenciar com sucesso, encarregar-se de (PIZZATO, 2007). 48
  49. 49. Coping é conceituado como um conjunto de esforços, cognitivos ecomportamentais, utilizado pelos indivíduos com o objetivo de lidar com demandasespecíficas, internas ou externas, que surgem em situações de estresse e sãoavaliadas como sobrecarregando ou excedendo seus recursos pessoais (LAZARUSe FOLKMAN, 1984). Ainda, segundo Lazarus e Folkman (1984), coping pode ser definido pela formacomo as pessoas normalmente reagem ao estresse. Estas reações estãorelacionadas a fatores pessoais, demandas situacionais e recursos disponíveis. Nacaratto (1995), Savoia, Santana e Mejias (1996) e Zakir (2001) têmconceituado o coping como elemento mediador entre os estímulos que trazemdesafios para os indivíduos e o desenvolvimento da reação do estresse. Folkman e Lazarus (1980) propuseram um modelo conceitual em que dividiramo coping em duas categorias: coping com foco no problema e coping com foco naemoção são estratégias de enfrentamento, utilizados pelo individuo, para administraros efeitos negativos do estresse. Folkman e Lazarus (1980) enfatizam que estas estratégias podem mudar demomento para momento, durante os estágios de uma situação estressante. Asestratégias de coping levam a pensamentos, comportamentos e ações para lidarcom um estressor (FOLKMAN, LAZARUS, DUNKEL-SCHETTER, DELONGIS eGRUEL, 1986). Segundo Folkman e Lazarus (1980), o coping com foco na emoção éconceituado como um esforço para regular o estado emocional que é associado aoestresse. Estes esforços de coping são dirigidos a um nível somático e/ou a um nívelde sentimentos, tendo por objetivo alterar o estado emocional do indivíduo. Comoexemplo de estratégias de coping com foco na emoção tem-se, uso de cigarro e 49
  50. 50. tranqüilizante, assistir um bom filme de comédia, pratica de esportes como umacorrida ou andar de bicicleta, entre outros. O coping com foco no problema constitui-se em um esforço para atuar na situação que deu origem ao estresse, tentandomudá-la. O objetivo desta estratégia é alterar o problema existente (causa raiz doproblema) na relação entre a pessoa e o ambiente que está causando a tensão. Para Folkman e Lazarus (1980), a definição de qual das estratégias de copingserá utilizada depende de uma avaliação da situação estressora na qual o individuose encontra. De acordo com esta teoria, existem dois tipos de avaliação: a primária,que é um processo cognitivo através do qual os indivíduos verificam o riscoenvolvido em uma determinada situação de estresse e a secundária, onde osindivíduos analisam quais são os recursos disponíveis e as opções para lidar com oproblema. O coping focalizado no problema tende a ser utilizado nas situações avaliadascomo modificáveis enquanto o coping focalizado na emoção tende a ser maisutilizado nas situações avaliadas como inalteráveis (FOLKMAN e LAZARUS, 1980). Segundo Compas (1987), ambas as estratégias de coping são utilizadasdurante praticamente todos os episódios estressantes, e que o uso de uma ou deoutra pode variar em eficácia, dependendo dos diferentes tipos de estressoresenvolvidos. No modelo de coping, de Lazarus e Folkman (1984), qualquer tentativade controlar o estressor é considerado coping, tenha ela sido eficaz ou não. Lazarus e DeLongis (1983) explicam que os processos de coping variam com odesenvolvimento do indivíduo. Este fato acontece devido às mudanças nascondições de vida e experiências vividas pelos indivíduos. O modelo de Folkman e Lazarus (1980) envolve quatro conceitos: 50
  51. 51. • Coping é um processo ou uma interação que se dá entre o indivíduo e o ambiente; • Sua função é de administração da situação estressora, ao invés de controle ou domínio da mesma; • O processo de coping pressupõe a noção de avaliação, ou seja, como o fenômeno é percebido, interpretado e cognitivamente representado na mente do indivíduo; • O processo de coping constitui-se em uma mobilização de esforço, através da qual os indivíduos irão empreender esforços cognitivos e comportamentais para administrar (reduzir, minimizar ou tolerar) as demandas internas ou externas que surgem da sua interação com o ambiente. De acordo com Beresford (1994), os recursos pessoais de coping sãoconstituídos por variáveis físicas e psicológicas que incluem saúde física, moral,crenças ideológicas, experiências prévias de coping, inteligência e outrascaracterísticas pessoais. Os recursos sócio-ecológicos encontrados no ambiente doindivíduo ou em seu contexto social incluem relacionamento conjugal, característicasfamiliares, redes sociais, recursos funcionais ou práticos e circunstânciaseconômicas. De acordo com a proposta do pesquisador, a disponibilidade derecursos afeta a avaliação do evento estressor e direciona que estratégias deenfrentamento serão usadas pelo individuo. Ainda, segundo Lazarus e Folkman (1986), o termo coping ou estratégias deenfrentamento explica os esforços cognitivos e comportamentais que o indivíduoutiliza para lidar com situações de dano, ameaça ou desafio. Dano refere-se asituações como doença, morte, perda de status social, perda de relacionamentos 51
  52. 52. significativos ou problemas econômicos. Ameaça refere-se à antecipação deocorrências negativas relacionadas ao dano, enquanto o desafio diz respeito àatitude do indivíduo ante o dano. O indivíduo diante de algum fator estressor passa por quatro etapas: avaliaçãoprimária, avaliação secundária, reavaliação e enfrentamento. Segundo Savoia(1999) e Cerqueira (2001) a avaliação primária ocorre antes de qualquerpensamento racional por parte do sujeito e consiste na forma imediata de como oindivíduo percebe e classifica o evento. Se o individuo avalia o evento comoestressante ou ameaçador, o evento irá causar emoções negativas, do tipo cólera oumedo, tensão e ansiedade. Se o evento for percebido como desafio ouoportunidade, o indivíduo sente-se mais confiante, podendo gerar emoções positivasdo tipo satisfação, esperança, excitação ou alegria. A etapa da avaliação secundária caracteriza-se pela análise cognitiva e detomada de decisão, em que o indivíduo busca recursos que o auxiliem noenfrentamento e reduzam os efeitos negativos do estressor. Já Limongi-França e Rodrigues (2005) destacam que a etapa da reavaliaçãodiz respeito a um julgamento alterado, tendo em vista as novas informaçõesprovindas do meio ambiente e/ou levantadas pela própria pessoa, cujo propósito érever e reavaliar a situação. 52
  53. 53. Figura 2 – Modelo de Processamento de Stress e Coping Fonte: (Lazarus e Folkman, 1984) Diversas pesquisas têm identificado algumas estratégias de enfrentamento,como busca de suporte social, religiosidade e distração (Carver, Scheier eWeintraub, 1989; Endler e Parker, 1999; Vitaliano, Russo, Carr, Maiuro e Becker,1985; Seidl et al., 2001). Outra importante estratégia de enfrentamento diz respeito à pratica deatividades físicas. A atividade física regular é reconhecida como um dos principaiselementos para a melhora fisiológica do organismo. Segundo Pires et al (2004), 53
  54. 54. além dos benefícios fisiológicos adquiridos com a prática da atividade física, osadeptos dessa prática também obtêm benefícios psicológicos e sociais. A pratica de uma atividade física tem figurado entre as mais novas descobertasno tratamento da depressão, ansiedade e estresse (BRANDÃO e MATSUDO, 1990;RIBEIRO, 1998; FOX, 1999; NETO, 2002; CHEIK et al., 2003; PIRES et al., 2004).PIRES et al. (2004) realizaram uma pesquisa com adolescentes de Florianópolis efoi verificada a relação entre atividades físicas e estresse indicando que quantomaior o nível de atividade física menor o nível de estresse. No campo do suporte social, as fortes relações como acontece dentro dasfamílias e entre amigos são de fundamental relevância para a manutenção da saúdee têm um papel importante na redução do estresse (SWICKERT et al., 2002;BALBIN, IRONSON e SOLOMON, 1999; LUTGENDORF e CONSTANZO, 2003).Ainda, Kielcolt-Glaser et al. (1994) destacam que uma boa relação entre cônjugestem relação direta com uma melhor resposta imunológica do individuo. Por outrolado, cônjuges que possuem uma relação marcada por conflitos apresentam maiorpercentual de problemas cardiovasculares e neuroendócrinos, bem como umareduzida função imunológica (BALBIN, IRONSON e SOLOMON, 1999).Corroborando, Mcewen e Stellar (1993) destacam que um ambiente de hostilidade econflito está diretamente associado com o distress e com o aumento de doençaspsicossomáticas. De acordo com Tamayo et al (2002), o suporte social sobre o estresseocupacional pode ser positivo ou negativo. Quando o suporte social está fortalecidona organização, ele tem um efeito protetor que é explicitado em baixos níveis deestresse. Neste sentido, quanto maior o nível de suporte social na organização, 54
  55. 55. menor o nível de estresse no trabalho. Na outra ponta, quando o suporte social nãoexiste ou é deficitário, este fator transforma-se num estressor. Outras pesquisas indicam que as relações sociais são um importante meio deproteção contra os efeitos negativos do estresse (KESSLER, PRINCE e WORTMAN,1985; TAYLOR e REPETTI, 1997; BALBIN, IRONSON e SOLOMON, 1999;SWICKERT et al., 2002). Segundo Dejours (1994) existem seis estratégias defensivas utilizadas peloindivíduo, quando o mesmo está em sofrimento no ambiente de trabalho: 1ª) Desvencilhar-se das responsabilidades e não tomar novas iniciativas; 2ª) Assumir atitude de isolamento máximo, de silêncio frente ao superiorhierárquico e, em alguns casos, frente aos colegas; 3ª) Adotar postura de desconfiança sistemática, com sentimento deperseguição e hostilidade dos outros para consigo; 4ª) Passar diretamente ao nível superior, ao invés de dirigir-se a seu superiorimediato; 5ª) Enfrentar o sofrimento em silêncio; e 6ª) Recusar-se a cumprimentar os colegas, como forma de evitar o sofrimento. Dessa forma, o indivíduo procura ocultar o sofrimento, evitar o conflito e asocasiões em que o conflito possa acontecer. Além do conceito de estratégias de enfrentamento um importante conceito dizrespeito aos estilos de coping. Miller (1981) joga luz a dois estilos de copingdenominados de monitorador e desatento. Os dois estilos dizem respeito ao tipo deatenção dada pelo indivíduo em situação de estresse. O indivíduo monitoradorpermanece em um estado de constante alerta e atento a aspectos negativos de umaexperiência, buscando informações e visualizando a situação para controlá-la. O 55
  56. 56. desatento envolve distração e proteção cognitiva de fontes de perigo. O indivíduoapresenta um comportamento de desatenção, tendendo a se afastar da ameaça,distrair-se e evitar informações, postergando uma ação. De acordo com Lazarus e Folkman (1984), existem 8 estratégias deenfrentamento: “resolução de problemas”, “suporte social”, “aceitação deresponsabilidade”, “auto controle”, “reavaliação positiva”, “fuga e esquiva”,“afastamento” e “confronto”. O confronto são estratégias ofensivas e em certas circunstâncias agressivaspara o enfrentamento da situação, isto é, são estratégias nas quais a pessoaapresenta uma atitude ativa em relação ao estressor. Diferentemente das estratégias de confronto, o afastamento corresponde aestratégias defensivas, onde o individuo evita confrontar-se com a ameaça, nãomodificando a situação. O autocontrole diz respeito aos esforços da pessoa embuscar o controle das emoções frente aos estímulos estressantes. Ter autocontroledenota, também, não fazer nada apressadamente ou seguir um primeiro impulso. O suporte social é uma estratégia de enfrentamento que está relacionada aoapoio encontrado nas pessoas e no ambiente, sendo este um fator psicossocialpositivo, que pode ajudar o profissional de TI a lidar com o efeito indesejado doestresse. Ao utilizar a estratégia de aceitação de responsabilidade, o profissional deTI aceita a realidade e engaja-se no processo de lidar com a situação estressante. O comportamento de fuga e esquiva consiste em fantasiar sobre possíveissoluções para o problema sem, no entanto, tomar atitudes para de fato modificá-las.Podemos descrevê-la como os esforços para escapar e/ou evitar o fator estressante. A estratégia de resolução de problemas pressupõe o planejamento adequadopara lidar com os estressores. Ao invés de anular ou afastar a situação estressante 56
  57. 57. de seu cotidiano, o profissional de TI opta por resolver seu problema, modificar suasatitudes, sendo capaz de lidar com as pressões das pessoas e do ambiente ao seuredor, diminuindo ou eliminando a fonte geradora de estresse. A reavaliação positivaé uma estratégia de enfrentamento dirigida para o controle das emoções que estãorelacionadas à tristeza como forma de reinterpretação, crescimento e mudançapessoal a partir da situação conflitante. Ainda segundo os autores, a reavaliaçãopositiva são tentativas cognitivas de analisar e reavaliar um problema de formapositiva, aceitando a realidade da situação. Podem ainda apresentar aspectos dereligiosidade. Outro estudo diz respeito aos estilos passivo e ativo de coping. Billings e Moss(1984) consideram ativo o coping no qual há esforços de aproximação do foco deestresse, enquanto o estilo passivo evitaria o foco de estresse. Em âmbito geral, os estilos de coping têm sido mais vinculados ascaracterísticas de personalidade de cada individuo enquanto as estratégias decoping dizem respeito as ações cognitivas ou de comportamento executadas peloindividuo à luz de um evento estressor. Os traços de personalidade mais amplamente estudados, que se relacionam àsestratégias de enfrentamento, são otimismo, rigidez, auto-estima e lócus de controle(CARVER; SCHEIER; WEINTRAUB, 1989). O lócus de controle, um construto vinculado à Teoria da Aprendizagem Social(Rotter, 1966), se refere às expectativas de controle que os indivíduos mantêmsobre os acontecimentos da vida diária. Indivíduos cuja orientação do lócus é internaacreditam poder exercer algum controle sobre esses acontecimentos e indivíduoscuja orientação é externa atribuem o controle dos acontecimentos a fatos externos -pessoas, entidades, destino, acaso ou sorte (Rotter, 1966, 1975, 1990). De acordo 57

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