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Pt do tocantins pálida estrela distante

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Texto do escritor e poeta Paulo Aires, disponível para publicação com sua autorização.

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Transcript of "Pt do tocantins pálida estrela distante"

  1. 1. PT do Tocantins, pálida estrela distanteNada pessoal. Também e muito menos não é da estrela da boina do Che, nem daestrela solitária do Botafogo de Mané Garrincha, nem alusão ao vigoroso romance deRoberto Bolaño, Estrela Distante. Não é do PT das ruas, das praças, das manifestaçõesem defesa das causas comuns do povo brasileiro. Falo aqui do PT do Tocantins – sobminha ótica e creio que de tantos outros militantes, enfastiados de sucessivos vexamespor que tem passado essa estrela encardida – que ao longo dos últimos oito anos maisparece uma instância privada sob o comando de eternas lideranças de umbigodilatado, narcisos de plantão, com hora extra e assento garantido no panteão doegocentrismo.Por aqui, anos atrás havia fortes sintomas de democracia nas relações internas doPartido dos Trabalhadores. Depois os militantes tradicionais e outros tantoscomprometidos com o perfil histórico do Partido foram preteridos por novaslideranças oriundas de partidos de direita. Daí tudo vem sendo feito no sentido de o PTconquistar o poder pelo poder. Pode se dizer que a direção do Partido é alternada sóentre quatro mãos. Presenciamos um prefeito que nas eleições passadas não apoiou ocandidato a senador da própria sigla; que está levando a cidade de Palmas ao caosurbano. Agora o presidente do Partido faz articulações explícitas em prol doscandidatos governistas à eleição da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa. Aspessoas perguntam: quem pode explicar o PT do Tocantins? Como explicar essainclinação do presidente do PT de querer plantar girassol na estrela cambaleante?É claro, o PT do Tocantins não mais pertence aos seus militantes de carteira na mão ebandeira no coração. Pertence, isso sim, a um restrito grupo que se acha no direito edever de tomar as decisões mais estapafúrdias em nome do Partido, longe dosprincípios que sempre nortearam sua história de lutas democráticas. Não é necessárioum cientista político para se constatar que essa agremiação partidária, entre nós,encontra-se distante de seus ideais de luta, de sua bandeira de causas populares.Dizem que o pátio de todo palácio seduz e engaveta convicções, talvez seja essa amáxima que apadrinha as últimas façanhas do PT tocantinense.Aquela estrela vermelha que sempre buscou luz própria pela voz da multidão, agoraestá distante dos olhos do povo, distante das mãos estendidas de seus militantes detoda hora. É provável que alguns dirigentes do PT tenham mais fascínio pelo canto dotucano que pela voz das ruas. Bom seria se esses líderes se confrontassem, em público,com aqueles versos que Pedro Casaldáliga, o poeta e profeta do Araguaia, escreveunum poema dedicado ao Che: “Não escondo o coração nem a bandeira.” Ocorre que atransparência e a sinceridade de espírito são matérias, por ora, banidas do ambiente
  2. 2. político-partidário. E eis que presenciamos a agonia pública dessa estrela fosca depolpa azul-amarelo irônico. Estrela distante de suas origens, nada pessoal!Paulo Aires Marinho é escritor. E-mail: pauloaires@uft.edu.br

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