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Esta é, ao mesmo tempo, uma prática nova, mas que incorpora fundamentos de outros camposde conhecimento. Da taxonomia à na...
1.1 Sistemas de OrganizaçãoDentro da AI, os Sistemas de Organização (Organization Systems) são primeiro passo paraum novo ...
1.2 Sistemas de RótulosSobre Rótulos, podemos analisar claramente a relação entre a organização informacional eestruturas ...
Sistemas de Navegação Incorporados (presentes ao entorno do conteúdo):          •   Navegação Global: presente em todas as...
1.4 Sistemas de BuscaCaracterística fundamental em sites, Search Systems (sistemas de busca) podem ser grandesresponsáveis...
Figura 1. Através do menu superior (itens mostram organização ambígua) o usuário acessa o                    conteúdo do s...
Para finalizar, sua estrutura de organização se dá de maneira Hierárquica. O usuário, aonavegar no sistema, terá a impress...
A análise do site Digestivo Cultural, expõe, de imediato, uma característica marcante: ovolume de informações. O site apre...
Nos três ambientes é possível notar o predomínio de Esquemas ambíguos. Talvez essacaracterística se dê em virtude do própr...
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Rótulos de Cabeçalho também são bem trabalhados, através de títulos de colaborações,sobretudo no conteúdo de prosa de “Não...
Figura 6. Rótulo de Voz de navegação indica a informação exata. No exemplo, terça-feira, com                              ...
Figura 7 Comentários são itens de destaque na navegação contextual do site Pílula PopJá na navegação suplementar, encontra...
Fig 8 Navegação local por entrevistas “Mais acessadas”Sua Navegação Suplementar, ao contrário da Incorporada, apresenta ap...
Figura 9 Guias para publicação de colaboraçõesAlém destes, há também os itens Sobre, Ajuda e Busca, que podem ser consider...
Figura 10 O site Pílula Pop localiza sua busca no canto inferior esquerdoA busca no site Digestivo Cultural também se apre...
Assim como os demais, o Overmundo apresenta uma busca simples, com a diferenciação dena página de resultados, indicar a se...
Ao falarmos de informações culturais, presumimos uma abstração, criatividade e umaliberdade interpretativa. Temos categori...
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBRASIL, André. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Cultura em Fluxo:Novas mediaçõe...
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Artigo de conclusão da especialização em Jornalismo e cultura. 2008.

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Arquitetura da Informação em Projetos Culturais

  1. 1. Organização e Arquitetura da informação cultural no universo da Web. Salomão Terra1 Lorena Tárcia2RESUMOO presente artigo tem como tema a Cibercultura e a Arquitetura da Informação, com foco nacomunicação e trocas simbólicas baseadas em ambientes digitais. Busca discutir comomecanismos de organização, indexação, hierarquia e resgate de informações são exploradosnos websites de cultura Pílula Pop (www.pilulapop.com.br), Overmundo(www.overmundo.com.br) e Digestivo Cultural (www.digestivocultural.com.br).Para análise, utilizamos como suporte metodologia desenvolvida por Peter Moville e LoiusRosenfeld (2002) no livro Information Architecture for the World Wide Web, para a prática daArquitetura da Informação (AI) em projetos de internet.INTRODUÇÃOEntender processos e suportes comunicacionais é ponto fundamental para compreensão dasociedade. Homens são seres de comunicação, e perpetuam sua história através de trocassimbólicas. Assim, culturas nascem e sobrevivem, gerações se vão e deixam seuconhecimento.1 É jornalista e atua como Arquiteto de Informação. Também é criador da revista cultural on-line Opperaa.(salomaoterra@gmail.com)2 Professora orientadora, Mestre em Educação PUC Minas/2007
  2. 2. Sob essa perspectiva podemos, de maneira sucinta, pensar em suportes de transmissão designos. Da oralidade primária à internet, foram diversas as formas de trocas simbólicas,conforme aponta Castells (2002): Uma transformação tecnológica de dimensões históricas está ocorrendo 2700 anos depois, ou seja, a integração de vários modos de comunicação em uma rede interativa. Ou, em outras palavras, a formação de um Supertexto e uma Metalinguagem que, pela primeira vez na história, integra no mesmo sistema as modalidades escrita, oral e audiovisual da comunicação humana. (Castells, 2002, p. 355).Dentro deste contexto, será discutido como se dá a troca organizada de símbolos emambientes virtuais. Nosso objetivo é analisar as distintas formas de organização de sitesbrasileiros de cultura na busca por uma interface que possibilite um acesso direto e objetivodos usuários a seus conteúdos.Como suporte teórico, utilizamos metodologia proposta por Peter Moville e Loius Rosenfeld(2003) no livro Information Architecture for the World Wide Web, para a prática daArquitetura da Informação (AI) em projetos de internet. Os autores são hoje as principaisreferências sobre o tema. A relação entre Arquitetura da Informação e a Cibercultura estábaseada em artigos publicados na web, uma vez que não existem obras dedicadasespecificamente a esta temática.É necessário dizer que esta análise não se pretende definitiva. Estudos sobre o tema sãorecentes e a dinâmica das relações no ambiente da cibercultura impede reflexões conclusivas.Pretendemos colaborar com os debates em curso, abrindo possibilidades para análisescomplementares que possam levar ao amadurecimento das pesquisas sobre a arquitetura dainformação e cibercultura no Brasil.
  3. 3. 1. A Cibercultura e Arquitetura da InformaçãoO campo da cibercultura representa um dos pontos mais revistos nos estudos sobre internet.Comunidades virtuais, cadeiras em universidades e debates de usuários acontecem a todo oinstante sobre o tema. Não raramente encontramos divergências sobre definições e conclusõessobre a temática. [...] não é o futuro que vai chegar mas o nosso presente (home banking, cartões inteligentes, celulares, palms, pages, voto eletrônico, imposto de renda via rede, entre outros). Trata-se assim de escapar, seja de um determinismo técnico, seja de um determinismo social. A cibercultura representa a cultura contemporânea sendo conseqüência direta da evolução da cultura técnica moderna. (LEMOS, 2003. Pag.11)Embora André Lemos ressalte a dificuldade em definir o termo Cibercultura, tomemos estapassagem como um norte, por ser bastante abrangente. O autor destaca desde as ferramentasque compõem a comunicação contemporânea – e não somente os computadores – a agentesativos no ciclo da cibercultura. E assim, encontramo-nos todos no universo da cultura nociberespaço.É neste universo de ampla disponibilidade informacional, somado a recursos cada vez maisavançados de utilização de tecnologia digital, se encontram alguns dos problemas geradosjustamente pelo excesso de possibilidades e recursos. Em alguns momentos pode-se dizer queeste universo se encontra em meio ao caos. Entre proposições e práticas para soluções dedesafios originários de ambientes digitais, vários campos aparecem – Ciências daComputação, Sistemas para internet, Rede e Engenharia de Softwares são apenas algumasdestas áreas. Entretanto, uma nova prática, parece emergir no universo da informação digital:a Arquitetura da Informação.
  4. 4. Esta é, ao mesmo tempo, uma prática nova, mas que incorpora fundamentos de outros camposde conhecimento. Da taxonomia à navegabilidade são diversos os pontos de discussão.Louis Rosenfeld e Peter Morville (2002, Pág. 04) propõem quatro definições de AI quepodem servir como base:1. A combinação de organização, rótulo, e esquemas de navegação dentro de um sistema informacional;2. O projeto estrutural de um espaço informacional para facilitar tarefas de compleição e acesso intuitivo aosconteúdo;3. A arte e ciência de estruturar e classificar websites e intranets para ajudar pessoas a encontrar e administrarinformação;4. Uma disciplina emergente e prática comunitária focada em princípios trazidos do design e arquitetura para oambiente digital.Já o Instituto Asilomar3 para Arquitetura da Informação define AI como sendo:1. O design estrutural de ambientes de informação compartilhada;2. A ciência e a arte de organizar e rotular web sites, intranets, comunidades online e software para dar suporte àusabilidade e facilidade de busca ;3. Uma comunidade emergente de práticas focadas e trazer os princípios do design e da arquitetura para ocenário digital;Vale ainda dizer que os estudo de Arquitetura da Informação estão imersos – e dialogam com– reflexões acerca de Usabilidade. O termo designa uma série de pontos, entre eles a AI, queprojetistas de sites devem levar em consideração, a fim de otimizar o produto final, tornando-o mais coerente e harmonioso às necessidades dos usuários.3 Instituto internacional formado por voluntários, que busca reunir pessoas em torno dos estudos e aplicações da Arquiteturada Informação. Disponível em http://iainstitute.org/en/about/ , acesso em out. de 2008
  5. 5. 1.1 Sistemas de OrganizaçãoDentro da AI, os Sistemas de Organização (Organization Systems) são primeiro passo paraum novo projeto. Organizar informações pressupõe diversos fatores, que vão desde questõespragmáticas (como extensão e quantidade de informação) até fatores políticos, comoimportância de dados em um contexto organizacional.Para uma análise mais apurada, tomemos por base a divisão original dos Sistemas deOrganização: Esquemas e Estruturas. O primeiro (esquemas) define características e itens degrupos de informação. O segundo (estruturas), a relação entre estes grupos.Abaixo, representações possíveis:Esquemas de Organização – Responsáveis por apontar e categorizar grupos bem definidosde informações. Em uma agenda (de papel), por exemplo, os contatos estão agendados porordem alfabética. Os nomes, por sua vez, são exatos e não conceitos. Os esquemas podem,assim, ser divididos em duas categorias, e subcategorias. São elas: • Organização Exata: Alfabética, Cronológica, Localização • Organização Ambígua: Tópico, Tarefa, Audiência, Metáfora, HibridoEstruturas de Organização – Estas características, por sua vez, definem como o usuáriopode navegar entre grupos de informação no site. São elas: • Hierárquico: grupos de conteúdo seguem estruturas derivadas, em que seçõesdão origem a subgrupos. • Modelo de “Banco de Dados”: grupos de conteúdo se relacionam através deinformações-chaves, sem ordem hierárquica. • Hipertextual: grupos de conteúdo estão ligados em vários através de núcleosdinâmicos.
  6. 6. 1.2 Sistemas de RótulosSobre Rótulos, podemos analisar claramente a relação entre a organização informacional eestruturas de navegação. Estes são recursos de representação. Em termos práticos, “títulos”que damos às seções, links e/ou conteúdos.Alguns rótulos tornam-se usuais: Home, Contato e Voltar são exemplos que demonstram,entre outras coisas, pontos comuns de experiência de usuários em navegações de websites.Na prática da Arquitetura da Informação, os rótulos se estruturam como ícones ou texto.Ambos têm funções específicas: • Links Contextuais: hiperlinks que levam a conteúdo complementares ao dapágina em que se está navegando. “Saiba mais” é um exemplo claro. • Cabeçalhos: rótulos que indicam conteúdos “filhos”, como por exemplo, umtítulo de texto. • Vozes de sistemas de navegação: rótulos que representam opções denavegação, como “a empresa”, “home”, “sair” etc. • Termos de Indexação: palavras-chave, “tags” e mecanismos de meta-informação que auxiliam em buscas e navegabilidade.1.3 Sistemas de NavegaçãoSobre sistemas de navegação é importante ressaltar que estes mecanismos dialogam não sócom práticas de Arquitetura de Informação, mas com design de interação, de conteúdo,engenharia de usabilidade e outras práticas de desenvolvimento web.Uma definição mais simplista aponta os sistemas de navegação como sendo estruturas ecaminhos que o usuário percorre para chegar a determinadas informações.Estes, por sua vez, são divididos em duas categorias e subcategorias:
  7. 7. Sistemas de Navegação Incorporados (presentes ao entorno do conteúdo): • Navegação Global: presente em todas as páginas. É tido, geralmente, como a“barra de navegação”. Fornece acesso direto para áreas-chaves e funções, onde o usuárioesteja; • Navegação Local: complemento da navegação Global, estes são recursos deacesso a conteúdos específicos. São de grande funcionalidade em sites de larga escala; • Navegação Contextual: cumprem funções específicas não contempladas pelasdemais navegações incorporadas. Estão, necessariamente, ligadas a páginas, objetos oudocumentos;Sistemas de Navegação Suplementar (externos à estrutura principal do site): • Mapas do site: tabelas de conteúdo com informações sobre estrutura básica doambiente. Refletem exatamente todas as seções; • Indexes de site: semelhante ao mapa do site, mas com organização alfabética eamplitude geral de assuntos; • Guias: contempladas em várias formas, como por exemplo tutoriais. São úteispara que o usuário aprenda mais sobre o próprio ambiente em que está navegando; • Configuradores: tipos especiais de Guias, em que o usuário pode explorar demaneira mais sofisticada determinados aspectos, como por exemplo, “monte seu carro”; • Busca: também podem estar presentes em sistemas de navegação;
  8. 8. 1.4 Sistemas de BuscaCaracterística fundamental em sites, Search Systems (sistemas de busca) podem ser grandesresponsáveis por sucesso ou fracasso de um ambiente. É através destes mecanismos que hápossibilidades de usuários encontrarem informações de seu interesse de maneira direta. Aprática mais comum seriam os formulários, em que o usuário digita uma palavra de interesse,e ao clicar em “buscar” é direcionado a uma página com exibição de todos os resultados.2. Arquitetura da Informação em websites de culturaO site Pílula Pop surgiu em 2004 e hoje conta com produção televisiva, de rádio e festas. Têmrelevância, sobretudo, como referência em matérias e artigos sobre cultura pop e últimoslançamentos. O Overmundo é um site colaborativo, patrocinado pela Petrobrás e Leis deIncentivo à cultura. Conta com a participação de usuários e agentes culturais de todo o país,auxiliando assim a divulgação de informações e acontecimentos ligados à produção culturalnacional. Por último, o site Digestivo Cultural é um dos mais acessados no país no segmentode revistas culturais on-line. Foi criado em 2000 por Júlio Daio Borges.2.1-Organizando a informaçãoNo site Pílula Pop, percebemos a característica marcante deste ambiente: sua informação(aquela de maior interesse) está organizada de maneira ambígua, levando ao usuário a umexercício de inteligência e correlação com o próprio nome do site e característicasrelacionadas. Dividindo-se em seis seções, apenas após um comportamento de mouse-over(mouse sobre botões de navegação), o usuário compreenderá o conteúdo que encontrará emcada parte do site (Fig. 1).
  9. 9. Figura 1. Através do menu superior (itens mostram organização ambígua) o usuário acessa o conteúdo do site. Atenção para os campos semânticos, ao lado do menu.Na seção Receituário, lê-se “indicações e contra-indicações de discos e filmes”. EmRessonância, “entrevistas com quem esteve à toa o suficiente para nos responder”. EmOverdose, “especiais e reportagens para quem não se satisfaz com pouca informação”. EmVertebral, “colunas que revelam várias posições”. Em DNA “Seu ídolo sonega impostos?”, efinalmente em Plantão, “informação 24h por dia”.Seguindo em frente na navegação, há outras referências da organização informacional. Comoesquema, o site também se estrutura de maneira ambígua, com características de metáfora.Todo o conteúdo está agrupado em “conjuntos” de informações de compreensão subjetiva,possibilitando a cada usuário uma apreensão particular dos sentidos. Metáforas nos títulos deseções (ou Rótulos, como veremos a seguir), servem para indicar e induzir – embora nãocondicionar – o usuário a uma interpretação mais direcionada.
  10. 10. Para finalizar, sua estrutura de organização se dá de maneira Hierárquica. O usuário, aonavegar no sistema, terá a impressão de que segue caminhos diferentes (entre as seções) semque estes conversem entre si.No site Overmundo, temos um Esquema de Organização totalmente ambíguo. O conteúdoprincipal, de colaborações, está inserido dentro da seção Banco de Cultura. Internamente,vemos uma disposição em Tópicos: “artes visuais”, “cinema/vídeo”, “ficção”, “música”,“não-ficção” e “poesia”. Esta divisão pode ser considerada produtiva, uma vez que permite oacesso rápido ao conteúdo de maior interesse.Já sua Estrutura de Organização Informacional tem consideráveis características hipertextuais,também por ser uma rede social (Fig. 2). Por exemplo: o usuário, ao ver um poema feito porum colaborador, pode direcionar-se direto para o perfil deste, mudando seu foco de apreensãodo conteúdo. Por sua vez, navegando pelos colaboradores, pode também se direcionar àscolaborações em si. Figura 2. Na página, a hipertextualidade se encontra no sentido de o usuário poder, ao consultar uma colaboração, navegar pelos colaboradores
  11. 11. A análise do site Digestivo Cultural, expõe, de imediato, uma característica marcante: ovolume de informações. O site apresenta ao usuário uma variedade de opções, como notícias,colunas, ensaios etc.Seu Esquema Informacional apresenta-se de forma ambígua, por tópicos (Fig. 3). Digestivos(notícias) e Colunas têm como tópicos os dias semanais, sendo cada dia destinado a umacategoria artística. Já as demais seções, Blog, Ensaios, Entrevistas, Fórum e Especiais, comotópicos de mais recentes, ou mais acessados.Figura 3. Organização ambígua, por tópicos. Em “Digestivos”,os tópicos se apresentam como dias da semana correlacionados com campos artísticosA Estrutura apresenta uma coerência Hierárquica. Encontramos a navegação local (dias dassemanas, mais acessados etc) subordinada às seções. Entre elas (Digestivos e Colunas) não háligações hipertextuais.
  12. 12. Nos três ambientes é possível notar o predomínio de Esquemas ambíguos. Talvez essacaracterística se dê em virtude do próprio conteúdo. Seja em textos jornalísticos, opinativosou de quaisquer outros gêneros, a temática central, cultura, parece sempre implicar emcategorizações abstratas.Em ambientes como Digestivo Cultural, vemos notícias organizadas como categoria de arte (edias semanais). É claro ao leitor que, optar por se informa sobre música, navegará peloconteúdo sobre lançamentos de CDs, grupos musicais etc. Já quando pensamos no Pílula Pop,a organização informacional não é orientada por “música” e sim por categoria de texto, comoreportagem sobre lançamentos, críticas etc. De uma maneira mais abstrata ainda, o conteúdoorganizado no site Overmundo se dá em virtude das colaborações. Estas, mesmo quandoenquadradas como música, pertencem a grupos organizados segundo as colaborações.A partir daí percebemos um ponto fundamental nestes websites de cultura. Sua informação,geralmente ambígua condiciona uma organização informacional também ambígua.2.2 Rotulando a informaçãoDe todos os ambientes analisados, o site Pílula Pop apresenta maior intensidade no trato comrótulos, sobretudo as Vozes de sistemas de navegação. A palavra Receituário possivelmentelevará o usuário a associar o conteúdo a receita, remédio e significados semelhantes. No siteanalisado, Receituário indica uma seção de conteúdo destinada a críticas. Talvez haja umaassociação (não obrigatória) entre o rótulo e a possibilidade de se “receitar” o conteúdo a umamigo (um disco, livro etc). Já Ressonância indica conteúdo de entrevistas, uma representaçãoainda mais distante.Embora rótulos possam (e devam) ser explorados como recursos inteligentes de propostas denavegação, no caso do Pílula Pop, ao usuário que desconhece o ambiente eles podem causarcerta confusão, uma vez que indicam e apresentam termos diferentes do conteúdo e contextovocabular do ambiente.
  13. 13. Figura 4. 1. Voz de sistema de navegação; 2. Cabeçalho; 3. rótulos contextuais; e 4. rótulo iconográfico contextual;Já no caso dos Rótulos de Cabeçalho, o site é mais objetivo. Geralmente títulos de textosrefletem o próprio conteúdo. Além destes, também há os Rótulos Contextuais. Neste caso osite também inova. Em uma página da seção Receituário, por exemplo, temos: Princípio Ativo(ficha técnica da obra analisada), Receite essa matéria para um amigo (indicar texto) e MaisPílulas (outras notícias). Assim, percebemos que há uma preocupação do site em manter acoerência na navegação do conteúdo contextual. O usuário em qualquer página, nunca perderásua referência semântica.Sobre alguns aspectos, o site Overmundo também trabalha os rótulos de maneira harmônicaao seu conteúdo. No menu de navegação global, três itens são destacados: Overblog,Overfeeds e Overmixter.
  14. 14. Rótulos de Cabeçalho também são bem trabalhados, através de títulos de colaborações,sobretudo no conteúdo de prosa de “Não-ficção”, “Poesia” e “Artes Visuais” (Fig. 5). Outrosrótulos de destaque são os termos de indexação, ou tags, que ao final das colaboraçõesindicam assuntos relacionados, possibilitando assim uma navegação hipertextual por outrascolaborações. Fig.5 Rótulos de cabeçalho têm a liberdade das próprias colaboraçõesNo Digestivo Cultural, os rótulos de Vozes de Sistemas Navegação são utilizados de maneirabem funcional. Indicam o conteúdo de interesse específico, como “música”, “gastronomia”,“mais acessados” etc. Também os Rótulos de Cabeçalho têm uma utilização bem pensada.Títulos de reportagens, entrevistas e outros textos exploram todo o campo semântico de seusrespectivos conteúdos.
  15. 15. Figura 6. Rótulo de Voz de navegação indica a informação exata. No exemplo, terça-feira, com reportagens sobre Teatro e TelevisãoPodemos constatar que, diferentemente dos Sistemas Organizacionais, os de Rótulos variamde ambiente para ambiente. Se tínhamos a utilização unânime de metáforas e abstrações emestruturas ambíguas, nos rótulos há maior objetividade. Assim, ao usuário é possívelcompreender diretamente os caminhos pelos quais navega. Desta maneira, compreendemos deforma mais específica a função destes sistemas: indexar de maneira clara o conteúdo dedeterminados grupos informacionais.2.3 Navegando pelas informaçõesAo analisar os ambientes propostos, percebemos sistemas de navegação pouco complexos.Todos apresentam estruturas de fácil compreensão, e não têm foco específico em navegaçõesdemasiadamente sofisticadas.O site Pílula Pop apresenta, na navegação incorporada, os itens de Navegação Global:Receituário, Ressonância, Overdose, Vertebral, DNA e Plantão, levando o usuáriodiretamente ao conteúdo de maior interesse. Não há Navegação Local, ou seja, sub-níveis. Háapenas dois itens recorrentes de Navegação Contextual, o indique à uma amigo, e comentários(Fig. 7).
  16. 16. Figura 7 Comentários são itens de destaque na navegação contextual do site Pílula PopJá na navegação suplementar, encontramos: as Guias (TV, Loja, Cadastro, Expediente ePromoções), além de um Mapa do Site e box de Busca.No Digestivo Cultural, percebe-se uma Navegação Incorporada mais ampla, em que estãopresentes opções de acesso ao conteúdo por várias combinações: Reportagens, Ensaios,Entrevistas, Colunas etc . Cada qual apresenta sua própria Navegação Local, como noexemplo de Digestivos (notícias), em que os itens de Navegação Local levam o usuário aosassuntos por dias da semana. Já no nível de Navegação Contextual, o site é focado em“comentários” (Fig 8).
  17. 17. Fig 8 Navegação local por entrevistas “Mais acessadas”Sua Navegação Suplementar, ao contrário da Incorporada, apresenta apenas um item: a busca.Esta pode ser realizada de maneira direta, por palavra-chave, ou através da opção “buscaavançada”, em que é possível indicar expressão inteira.Entre os três ambientes, o site Overmundo apresenta a maior complexidade. Por sua extensãode conteúdo de colaborações, além dos itens de Navegação Global (Overblog, Banco deCultura, Guia, Agenda, Perfis, Overfeeds e Overmixter), temos inúmeras possibilidades comoNavegação Local.Há um foco também na Navegação Suplementar. É através destes mecanismos que o usuáriocolabora. Os itens Publicar Colaboração, Filas de Edição e Filas de Votação são as guias paraque os usuários possam participar do processo colaborativo (Fig. 9).
  18. 18. Figura 9 Guias para publicação de colaboraçõesAlém destes, há também os itens Sobre, Ajuda e Busca, que podem ser consideradosElementos Suplementares.É possível notar que, embora haja uma amplitude considerável de possibilidades, apenas osite Overmundo foca seu esforço em Sistemas de Navegação mais sofisticados. Não há, emnenhum dos outros dois ambientes, maiores complexidades. Este fato é um ponto favorável,uma vez que em sua maioria, as informações analisadas se organizam em estruturas ambíguas.Assim, uma navegação simples auxilia a apreensão de todo o conteúdo.2.4 Buscando informaçõesNo caso do site Pílula Pop, a caixa de busca fica localizada no canto inferior esquerdo, emum local não muito usual. Ao preencher o campo de texto com a palavra desejada, o usuário édirecionado a uma página com todos os resultados, contendo inclusive seções referentes, oque facilita a compreensão mais exata dos resultados (Fig. 10).
  19. 19. Figura 10 O site Pílula Pop localiza sua busca no canto inferior esquerdoA busca no site Digestivo Cultural também se apresenta de forma simples, não possibilitandoao usuário o filtro por seções ou itens de interesse. Há apenas um box no canto superioresquerdo, em que o usuário digita uma palavra-chave, sendo direcionado a uma página comuma infinidade de resultados (Fig. 11). Figura 11 Busca simples, localizada em um local convencional
  20. 20. Assim como os demais, o Overmundo apresenta uma busca simples, com a diferenciação dena página de resultados, indicar a seção em que se encontra o conteúdo (Fig. 12). Figura 12 Em busca pela palavra “disco”, a indicação da seção no resultado finalNota-se que, de todos os sistemas, os de busca são os mais simples e diretos, não havendonenhuma sofisticação em qualquer um dos ambientes. O usuário faz uma busca, sempre emum box comum sendo direcionado posteriormente a uma página de resultados.CONCLUSÃOAo concluirmos a análise podemos apontar alguns pontos fundamentais observados nos trêswebsites de cultura. O primeiro deles é a similaridade de aspectos entre ambientes. Aabstração na organização informacional talvez seja o de maior destaque.
  21. 21. Ao falarmos de informações culturais, presumimos uma abstração, criatividade e umaliberdade interpretativa. Temos categorias, movimentos, acontecimentos e uma variedadeinfinita de colocações acerca da arte.Iniciando por este ponto, todos os outros aspectos presentes na estruturação dos sites devemser considerados. Em termos práticos: à sua maneira, cada site trabalha o conteúdo de acordocom a abordagem que decide dar à produção de conteúdo noticioso cultural. Mesmo que haja,entretanto, pontos de confluência entre rótulos (sobretudo os clássicos, do tipo música,literatura, teatro etc), estes estão subordinados a estruturas bem peculiares.Mas é necessário dizer também que, embora estes aspectos estejam ligados de maneiraembrionária à organização informacional, existem outros de natureza mais prática. Aoanalisarmos os sistemas de busca dos sites, percebemos que todos eram extremamentesimples.Ao final, temos a Arquitetura da Informação (praticada de forma consciente ou não) no centrodos projetos. Veja o caso do Pílula Pop, que ousa ao propor uma experiência de acesso acomeçar pelo site. Bulas, receituário e outros rótulos são utilizados de forma divertida, dandoautenticidade e singularidade ao site.Por sua vez, o Digestivo Cultural conta com uma divisão e uma organização orientada apúblicos específicos. Cada dia da semana é apresentado como referência de um campoartístico. Isto mostra como o site trabalha os aspectos fundamentais da Arquitetura daInformação, referentes ao Conteúdo, Contexto e Usuário.E é sobre estes mesmos aspectos que o Overmundo se mantém, construindo em torno de umcontexto (agenda e divulgação cultural), um conteúdo (colaborativo) e um usuário(colaborador).Podemos concluir afirmando que, cada um dos sites, ao seu modo, utiliza-se de fundamentosbem articulados de Arquitetura da Informação para sua manutenção, sem perder suaidentidade e explorando a criatividade característica do universo cultural..
  22. 22. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBRASIL, André. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Cultura em Fluxo:Novas mediações em rede. Belo Horizonte: PUC Minas, 2004.CASTELLS, Manuel. A sociedade em Rede. 6 ed. ver. e ampl, 2004. São Paulo: Paz e Terra,2002.LEMOS, André. Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea. AndréLemos Publicação Porto Alegre Sulina 2003.ROSENFELD, Louis; MORVILLE, Peter. Information architecture for the World WideWeb. 2nd. ed. Sebastopol, CA: OReilly, 2002.SitesDigestivo Cultural – www.digestivocultural.com.br. Acessado ao longo do 1º semestre de 2008.Overmundo – www.overmundo.com.br. Acessado ao longo do 1º semestre de 2008.Pílula Pop – www.pilulapop.com.br. Acessado ao longo do 1º semestre de 2008.

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