Perguntas e Respostas sobre a Definição da Classe Média
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Documento contendo perguntas e respostas sobre a proposta da SAE/PR de uma definição única capaz de mostrar a evolução da classe média e os movimentos de ascensão e queda de renda da população brasileira ao longo do tempo.

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Perguntas e Respostas sobre a Definição da Classe Média Perguntas e Respostas sobre a Definição da Classe Média Document Transcript

  • Perguntas e Respostas sobre a Definição da Classe Média 1
  • SumárioAfinal, o que é classe média?................................................................................. 3Por que a SAE/PR propôs uma definição de classe média? ..................................... 3Para que serve uma definição de classe média? ..................................................... 3O que a SAE/PR fará com a definição da classe média? .......................................... 3Classe Média em torno do meio ............................................................................ 3Outros pontos da distribuição de renda................................................................. 4Esta é uma proposta do Governo Federal como um todo? ..................................... 4Composição das Comissões ................................................................................... 4Qual o critério sugerido pela Comissão para definir a classe média no Brasil? ........ 5No que consiste o grau de vulnerabilidade? ........................................................... 5Qual a linha de pobreza considerada? ................................................................... 5Por que a Comissão propôs a divisão da população em 8 faixas de renda? ............. 5Como a Comissão chegou à faixa de R$ 291 a R$ 1.019 familiar per capita para aclasse média?........................................................................................................ 5Como a Comissão chegou às demais faixas de renda? ............................................ 6Divisão da população brasileira em 8 classes de renda, segundo a proposta daComissão ............................................................................................................. 6Entendendo quem está na classe média e quem está fora: exemplos..................... 7Essa definição de classe média é universal? ........................................................... 7Comparação com o Critério Brasil.......................................................................... 8O grau de vulnerabilidade foi o único critério testado pela Comissão para definirclasse média?........................................................................................................ 9Por que a Comissão escolheu como critério o grau de vulnerabilidade? ................. 9Pertencer à classe alta tem o mesmo significado que ser rico? ............................... 9A Comissão escolheu o critério que resulta na maior classe média possível? ........ 10Como medimos o crescimento da classe média? .................................................. 10Como medimos o tamanho atual da classe média? .............................................. 10Sobre a diferença entre estimar renda com base em pesquisas de propósitosmúltiplos como a PNAD e pesquisas em maior profundidade como a POF............10Por que a Comissão escolheu trabalhar com a PNAD, e não com a POF?...............12 2
  • Afinal, o que é classe média? Todos falam sobre expansão da classe média ou classe C ou classe emergente. Noentanto, existem muitas maneiras de se definir e medir a classe média (OCDE, Banco Mundial,Goldman Sachs, FGV, CNI, Critério Brasil, etc.). Isso faz com que nem sempre se esteja falandoda mesma coisa.Por que a SAE/PR propôs uma definição de classe média? Devido à diversidade de definições existentes e à falta de clareza relacionada aorecorte dessa população (cada definição apresenta um recorte distinto), a SAE/PR assumiu odesafio de propor uma definição única capaz de mostrar a evolução da classe média e osmovimentos de ascensão e queda de renda da população brasileira ao longo do tempo.Para que serve uma definição de classe média? Primeiramente, como existem muitas definições de classe média disponíveis, temosque eleger uma e olhar sempre para ela, a fim de captar os movimentos de ascensão e quedade renda da população ao longo dos anos. Em segundo lugar, na medida em que as políticas decombate à pobreza e à extrema pobreza foram eficientes em suprir as necessidades básicas dosegmento mais pobre da população, são necessárias outras políticas para garantir àqueles queconseguiram sair da situação de pobreza que continuem avançando. A SAE/PR entende que asnecessidades e riscos de cada grupo são diferentes. Para desenhar políticas adequadas a cadaum, precisamos antes de tudo definir que grupos são esses.O que a SAE/PR fará com a definição da classe média? O próximo passo da SAE/PR, após a definição dos estratos de renda, será desenvolveruma pesquisa denominada Vozes da Classe Média, que pretende levantar as aspirações, visãode futuro, valores, utilização e avaliação dos serviços públicos, necessidades, riscos daspessoas que pertencem a esse recorte da população. Que serviços públicos utilizam? Queserviços públicos esperam? Os resultados da pesquisa serão utilizados para desenhar políticaspúblicas mais adequadas às necessidades e riscos de cada estrato de renda. Se para as pessoasque estão abaixo da linha de pobreza, os programas de transferência de renda sãofundamentais, para as pessoas que já saíram da pobreza são necessários outros tipos depolíticas públicas, como qualificação profissional, financiamento estudantil, acesso a crédito,educação financeira, financiamento imobiliário, entre outras.Classe Média em torno do meio Embora não se possa definir com precisão o que é a classe média (dadas as múltiplasdefinições disponíveis), é razoável pensarmos que se trate de um grupo que varia em torno de 3
  • um ponto que divide a população brasileira em duas, o que tecnicamente chamamos medianada distribuição (50% estão acima do ponto, e 50%, abaixo desse ponto). Se estivermos falando da renda, estaremos falando do ponto em que 50% das pessoasterão uma renda menor e 50% terão uma renda maior. No Brasil, a renda correspondente aoponto do meio é de R$440 familiar per capita. Isso significa que 50% dos brasileiros possuemrenda familiar per capita inferior a R$440 e 50% possuem renda superior a R$440 familiar percapita. Assim, é de se esperar que a classe média, medida em termos da renda familiar percapita, esteja em torno de R$440 familiar per capita, o que resta fazer é determinar ondecomeça e onde termina.Outros pontos da distribuição de renda  A renda familiar per capita dos 10% mais ricos começa em R$1.615 familiar per capita;  A renda familiar per capita dos 5% mais ricos começa em R$ 2.635 familiar per capita;  A renda familiar per capita do 1% mais rico começa em R$ 11.000 familiar per capita.Esta é uma proposta do Governo Federal como um todo? Não. É a sugestão da Comissão criada pela SAE/PR para definir a classe média no Brasil,a ser usada nas suas propostas de formulação e aprimoramento de políticas públicas. Poderáser usada também (de forma voluntária) por outras pastas ministeriais, além de estados emunicípios. A Comissão foi composta de duas partes: a Comissão Técnica e a Comissão deValidação. A partir das diretrizes definidas pela Comissão de Validação, a Comissão Técnicatrabalhou durante 5 meses com o objetivo de oferecer uma definição conceitualmente sólida,de fácil compreensão, prática e mais adequada à formulação de políticas públicas, que foisubmetida e aprovada pela Comissão de Validação.Composição das ComissõesComissão Técnica: Ministérios da Fazenda (Arnaldo Barbosa de Lima Júnior) Ministério do Desenvolvimento Social (Junia Quiroga), IBGE (Elisa Caillaux), IPEA (Miguel Foguel), FGV (André Portela), IPC/Pnud (Fábio Veras), IE/UFRJ (Rudi Rocha) e Datapopular (Renato Meirelles).Comissão de Validação: 4
  • Ministério da Fazenda (Marcio Holland de Brito) Ministério do Desenvolvimento Social (Paulo Januzzi) INSPER (Eduardo Giannetti) USP (Marilena Chauí) MCM Consultores (Amaury de Souza).Qual o critério sugerido pela Comissão para definir a classe média no Brasil? O critério sugerido foi o de grau de vulnerabilidade, desenvolvido originalmente peloBanco Mundial, e adaptado às bases de dados disponíveis no Brasil.No que consiste o grau de vulnerabilidade? O grau de vulnerabilidade foi definido como sendo a probabilidade de retorno (oupermanência, se a pessoa já era pobre) à condição de pobreza em algum momento dospróximos 5 anos. Esta probabilidade foi obtida a partir da observação empírica dosmovimentos de ascensão e queda de renda da população brasileira nos últimos anos (usandodados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, PNAD, IBGE).Qual a linha de pobreza considerada? A linha considerada foi aquela definida pelo Ministério do Desenvolvimento Social paraidentificar os beneficiários do programa Bolsa Família, corrigida pela inflação.Por que a Comissão propôs a divisão da população em 8 faixas de renda? A subdivisão é útil tanto para fins de comparação com medidas existentes (como oCritério Brasil), como também para facilitar o desenho de políticas públicas mais adequadas àsnecessidades e riscos de cada faixa de renda.Como a Comissão chegou à faixa de R$291 a R$1.019 familiar per capita para aclasse média? Dividimos a população brasileira em 100 pedaços de acordo com a renda domiciliar percapita. Colocamos os 100 pedaços na ordem da menor renda para maior renda (obtendo o quese chama tecnicamente de percentis da distribuição de renda). Para cada um desses pedaços, temos associada uma probabilidade de retorno (oupermanência) à condição de pobreza. A probabilidade de retorno (ou permanência) à pobrezaé mais alta para os níveis de renda mais baixos e vai diminuindo conforme a renda vaiaumentando. Feito isso, aplicamos o chamado método da polarização, que consiste no seguinteproblema estatístico: como dividir uma população em grupos, de forma que cada grupo seja o 5
  • mais homogêneo possível do ponto de vista de quem está dentro dele e o mais diferentepossível em relação aos demais grupos. No problema específico da Comissão, verificamos quais os pontos de corte quedividem a população brasileira em 3 grupos (classe baixa, média e alta) de forma que o grau devulnerabilidade seja o mais homogêneo possível do ponto de vista interno de cada grupo. O exercício estatístico resultou nos seguintes pontos de corte: 34º e 82º percentil.Assim, temos que a classe baixa termina no 34º, a classe média se situa entre o 34º e o 82º e aclasse alta, do 82º em diante. Em seguida, olhamos para a renda familiar per capita correspondente a essespercentis, chegando aos valores de R$291 e R$1.019.Como a Comissão chegou às demais faixas de renda? A partir das 3 classes geradas pelo método da polarização (baixa, média e alta),subdividimos a classe baixa em 3 grupos, a classe média também em 3 grupos e a classe altaem 2 grupos. O grupo da classe baixa foi dividido com base nas linhas dos programas Brasil SemMiséria e Bolsa Família, corrigidas pela inflação. Assim, temos: i) os extremamente pobres, quesão aqueles que possuem renda familiar per capita de até R$81; ii) os pobres (mas nãoextremamente pobres), aqueles com renda familiar per capita entre R$81 e R$162; e iii) osvulneráveis, aqueles que estão acima da linha de pobreza e abaixo da linha da classe média, ouseja, que possuem renda familiar per capita entre R$162 e R$291. Para a divisão da classe média, realizamos um novo exercício de polarização (só quedesta vez tomando apenas as pessoas que estavam na classe média), obtendo 3 grupos: i)baixa classe média, ii) média classe média, e iii) alta classe média. Para a divisão da classe alta, também realizamos um novo exercício de polarização (sóque desta vez tomando apenas as pessoas que estavam na classe alta), obtendo 2 grupos: i)baixa classe alta, e ii) alta classe alta. 6
  • Divisão da população brasileira em 8 classes de renda, segundo a proposta daComissão: Classes de Renda segundo a proposta da Comissão Ponto de corte Renda per capita Renda familiar Classes (R$/mês) média (R$/mês) média (R$/mês) Extremamente 81 42 227 Pobre Baixa Pobre 162 124 648 Vulnerável 291 227 1.030 Baixa Classe 441 364 1.540 Média Média Média Classe 641 535 1.925 Média Alta Classe 1.019 804 2.813 Média Baixa Classe 2.480 1.503 4.845 Alta Alta Alta Classe - 4.687 12.988 Alta Nota: Va l ores expres s os em R$ de a bri l de 2012.Entendendo melhor quem está na classe média e que está fora: exemplos Em todos os casos abaixo foi considerada apenas a renda recebida de forma corrente eregular, isto é, não foram considerados montantes recebidos a título de 13º salário e fériasremuneradas, seguro desemprego, venda de ativos, etc.  Caso 1: Um casal, sem filhos, que recebe conjuntamente R$2.000, possui renda familiar per capita de R$1.000. Portanto, estaria na faixa Alta Classe Média.  Caso 2: Um casal, com um filho, que recebe conjuntamente o equivalente a três salários mínimos (R$1.866), possui renda familiar per capita de R$622,00. Portanto, estaria na faixa Média Classe Média.  Caso 3: Uma pessoa solteira, sem filhos, que recebe um salário mínimo (R$622), sem benefícios (13º, férias, etc.) se encontra na 66ª posição de distribuição de renda brasileira, ou seja, 66% da população tem uma renda inferior a essa pessoa. Esta pessoa estaria na Média Classe Média.  Caso 4: Um casal, com dois filhos, que recebe conjuntamente R$1.660, possui renda familiar per capita de R$415,00. Portanto, estaria na faixa Baixa Classe Média.  Caso 5: Um casal, sem filhos, que recebe conjuntamente R$500, possui renda familiar per capita de R$250. Portanto, estaria na faixa Vulnerável. 7
  •  Caso 6: Uma pessoa que vive sozinha e recebe quatro salários mínimos (R$2.488,00), estaria na faixa Baixa Classe Alta.Essa definição de classe média é universal? Não. Sabemos que o poder de compra e o nível de renda não são os mesmosconsiderando diferentes localidades. No entanto, quando estamos falando da faixa entreR$291 e R$1.019, estamos falando da classe média brasileira, considerando a renda doconjunto de brasileiros. Caso aplicássemos o critério do grau de vulnerabilidade somente noestado de São Paulo, encontraríamos uma classe média que se situaria entre R$430 (48%maior que a calculada para o Brasil como um todo) e R$1.415 familiar per capita (39% maiorque a calculada para o Brasil como um todo). Caso aplicássemos o critério na Europa,certamente as faixas resultantes seriam mais altas, da mesma forma que a renda mediana naEuropa é superior a do Brasil.Comparação com o Critério Brasil O Critério Brasil, como é conhecido o critério de classificação econômica das empresasde pesquisa, já é bem estabelecido no país, contando com certa familiaridade da imprensa eda população, que se referem com naturalidade às classes "A", "B", "C", "D" e "E". Abaixoencontra-se uma tabela de comparação entre as duas formas de definição: Renda familiar média (R$/mês) Segundo o Grau de Segundo o Critério Classes Classes Vulnerabilidade Brasil Extremamente pobre 227 E 536 Pobres mas não 648 D 802 extremanente pobres Vulnerável 1.030 C2 1.150 Baixa classe média 1.540 C1 1.731 Média classe média 1.925 B2 2.882 Alta classe média 2.813 B1 4.963 Baixa classe alta 4.845 A2 9.457 Alta classe alta 12.988 A1 14.521 Nota: Valores expressos em R$ de abril de 2012. 8
  • O grau de vulnerabilidade foi o único critério testado pela Comissão paradefinir classe média? A Comissão testou mais de 30 metodologias diferentes para definir e calcular otamanho da classe média no Brasil, com base no que há de mais tradicional ao mais avançadona literatura acadêmica e de instituições como o Banco Mundial e a Organização para aCooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE. Dentre elas, destacamos: i. A metodologia de cálculo utilizada pela OCDE, que resulta numa classe média entre R$202 e R$660 familiar per capita, portanto, bem abaixo da faixa proposta pela Comissão; ii. O padrão de consumo das famílias, considerando a proporção da renda gasta com bens essenciais (tais como alimentos, transporte urbano, energia elétrica, água e esgoto) e a proporção da renda gasta com bens supérfluos (perfume, cabeleireiro, viagens, joias e bijuterias, etc.). Foram obtidos resultados muito próximos àquele obtido pelo critério do grau de vulnerabilidade (R$288 e R$1.009 familiar per capita, considerando a proporção da renda gasta com bens essenciais e R$303 e R$1.056 familiar per capita, considerando a proporção da renda gasta com bens supérfluos); iii. O 1º e o 3º quartis da distribuição da renda no Brasil. Caso organizássemos a população brasileira de acordo com sua renda e a dividíssemos em 100 partes de igual tamanho, a classe média corresponderia aquelas pessoas situadas entre a 25ª e a 75ª partes dessa distribuição, ou ainda aos 50% do meio da população do país, o que corresponderia a uma classe média entre R$230 e R$802 familiar per capita; iv. O entorno da mediana da distribuição de renda. Caso organizássemos a população brasileira de acordo com a sua renda, a mediana nos daria o valor exato que dividiria a população ao meio, com 50% de pessoas mais pobres abaixo e 50% de pessoas mais ricas acima desse valor. Assim, uma maneira comum de definir a classe média é pegar o entorno dessa mediana, por exemplo, a metade dessa mediana e 2 vezes seu valor, o que resultaria em uma classe compreendida entre R$220 e R$878 familiar per capita.Por que a Comissão escolheu como critério o grau de vulnerabilidade? A Comissão escolheu esse critério por acreditar que ele guarde íntima relação com acapacidade das pessoas de olhar para o futuro e se planejarem, na medida em que aprobabilidade de risco de retorno à pobreza diminui.Pertencer à classe alta tem o mesmo significado que ser rico? Não. Enquanto que ser rico é um conceito absoluto, baixo, médio e alto são conceitosrelativos. Assim, não podemos afirmar que quem pertence à classe alta é rico, massimplesmente que pertence à classe alta brasileira. Alta em relação a quem? Em relação ao 9
  • conjunto de pessoas que têm uma renda inferior. Usando as definições que a Comissãopropôs, o ponto onde termina a classe média equivale à 82ª posição na distribuição de rendabrasileira. Portanto, quem está na classe alta tem 82% da população com renda inferior a sua.No Brasil, se a renda de uma família de 4 pessoas é superior a R$4.500, ela já se encontra entreas 15% com maior renda. Entretanto, isso não quer dizer que ela seja rica.A Comissão escolheu o critério que resulta na maior classe média possível? Não. Outros métodos resultaram em tamanhos de classe média bastante superiores aoobtido com o critério de grau de vulnerabilidade como, por exemplo, o tradicional entorno damediana, que resulta numa classe média correspondente a 55% da população brasileira,contra 48%, obtido pelo grau de vulnerabilidade (ambos referentes ao tamanho da classemédia no ano de 2009).Como medimos o crescimento da classe média? A partir dos dados sobre a distribuição de renda nos anos anteriores e do índice deinflação, podemos medir a expansão da classe média, verificando a proporção de pessoas comrenda familiar per capita equivalente a R$291 e R$1.019 (em valores de 2012). Em 2001 38%da população brasileira viviam em domicílios com renda per capita equivalente R$291 eR$1.019, enquanto que em 2009 48% da população brasileira vivia em domicílios com rendaessa per capita. Abaixo, encontra-se uma tabela com a evolução do tamanho relativo dos oitogrupos de renda de 2001 a 2009: Evolução do tamanho relativo dos oito grupos de renda em que a população foi dividida Grupos 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009Extremamente pobre 11 10 11 9 8 7 6 5 5Pobre mas nãoextremamente pobre 16 17 17 16 15 13 12 11 10Vulnerávell 21 21 21 21 22 20 20 19 19Baixa classe média 16 16 16 18 17 17 16 17 17Média classe média 11 12 11 12 13 15 16 16 17Alta classe média 11 10 10 11 11 13 14 14 15Baixa classe alta 10 10 9 10 10 11 12 13 13Alta classe alta 4 4 3 3 4 4 4 4 4Nota: Valores expressos em porcentagem. 10
  • Como medimos o tamanho atual da classe média? Como não temos dados referentes ao ano de 2012, fizemos o cálculo do tamanhoatual da classe média através de uma estimativa, considerando a trajetória de crescimento dosúltimos anos. O tamanho estimado da classe média para o ano de 2012 é de 54% dapopulação.Sobre a diferença entre estimar renda com base em pesquisas de propósitosmúltiplos como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD epesquisas em maior profundidade como a Pesquisa de Orçamento Familiares -POF: Uma das preocupações recorrentes do público em geral e dos usuários de definiçõesde classe média, em particular, é a percepção que tipicamente as definições propostas pelosestudiosos tendem a incluir como já pertencendo a classe média famílias com rendaconsiderada muito baixa. Esta diferença entre a percepção geral sobre o que classe médiadeveria ser e suas definições científicas se deve a dois fatores que merecem ser isolados. Porum lado, esta diferença resulta de uma efetiva dificuldade de grandes segmentos da classe altase reconhecerem como pertencentes a esta classe. No Brasil, tipicamente, a maior parte dos5% mais ricos (aqueles que vivem em famílias com renda per capita acima de R$ 2.635,00) seconsideram como parte da classe média, quando claramente numa divisão do país em apenastrês classes (baixa, média e alta) seria impossível conceber uma classe alta com menos de 5%da população. Existe também uma explicação menos substantiva, muito mais estatística emetodológica, que resulta da tendência da população subdeclarar sua renda em entrevistas.Como o que tipicamente as classificações de classe baixa, média e alta buscam são critériospráticos para a classificação de famílias entrevistadas, estes critérios já implicitamenteincorporam a sub-declaração tipicamente presente nestas pesquisas. Desta forma nãorepresentam uma forma de classificar famílias quanto a sua verdadeira renda e sim classificarfamílias quanto a renda que tipicamente declaram. Por este motivo tendem naturalmente aapresentar limites de renda para a classe média bem inferiores à percepção geral. Uma formade exemplificar este tipo de desajuste entre a renda efetiva e a declarada consiste em verificara sensibilidade dos limites definidores da classe média quando se melhora a mensuração derenda. Em pesquisas com propósitos múltiplos que investigam desde condições habitacionaisa inserção no mercado de trabalho passando por situação educacional entre outras temáticas,o esforço dedicado a investigação da renda tende a ser naturalmente limitada. Este é o casotanto nos Censos Demográficos como nas Pesquisas por Amostra de Domicílios – PNADrealizadas anualmente pelo IBGE. Nessas pesquisas rendas eventuais como segurodesemprego, abono salarial, 13º salário, horas extras não usuais, ganhos financeiros nãorecorrentes dentre outros componentes não são sequer objeto da investigação. Essaspesquisas não buscam sequer mensurar este tipo de renda, como também não se preocupamem avaliar a renda não monetária tão importante entre os mais pobres. Por este motivo, essas 11
  • pesquisas mesmo quando muito bem implementadas levam a subestimativas da rendafamiliar. A magnitude da subestimativa pode ser avaliada contrastando-se a distribuição derenda brasileira estimada com base na PNAD-2009 e a estimada com base na Pesquisa deOrçamentos Familiares-2008-09 (ambas realizadas pelo IBGE). Como a tabela abaixo ilustra, seestamos de acordo com os pontos de corte que definem a classe média e seus trêscomponentes (baixa, média e alta) como sendo os percentis: 34º, 51º, 68º e 83º. Isto é, aclasse média exclui os 34% mais pobres e os 17% mais ricos e, portanto, é formada pelos 48%intermediários entre estes dois extremos (do 34º ao 82º percentil) e, além disso, tem-se que abaixa classe média vai do 34º percentil ao 51º e que a alta classe média vai do 68º ao 83ºpercentil, com a classe média propriamente dita cobrindo o intervalo restante entre o 51º e o68º percentil. Dada, no entanto, a diferença substancial na qualidade da renda estimada por essasduas pesquisas, a definição de classe média e seus componentes com base em níveis absolutosde renda seriam completamente distintos como a tabela abaixo indica. Segundo a tabela, emfunção das deficiências na mensuração da renda na PNAD, os limites para a definição da classemédia seriam cerca de 60% maiores quando a POF é utilizada do que quando se utiliza a PNAD.Para captarem as mesmas famílias como classe média, segundo a PNAD se deveria incluircomo classe média todas as famílias com renda acima de R$291 per capita por mês, enquantoque pela POF a renda mínima para inclusão seria a de R$458 per capita por mês. Divisão da Classe M édia usando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Ponto de corte Ponto de corte Classe inferior (R$/mês), superior (R$/mês), usando a PNAD usando a PNAD Baixa Classe 291 441 Média Média Classe 441 641 Média Alta Classe 641 1.019 Média Nota: Valores expressos em R$ de abril de 2012. 12
  • Divisão da Classe M édia usando a Pesquisa de Orçamentos Familiares Ponto de corte Ponto de corte Classe inferior (R$/mês), superior (R$/mês), usando a POF usando a POF Baixa Classe 458 675 Média Média Classe 675 1.032 Média Alta Classe 1.032 1.661 Média Nota: Valores expressos em R$ de abril de 2012.Por que a Comissão escolheu trabalhar com a Pesquisa Nacional por Amostrasde Domicílios, e não com a Pesquisa de Orçamentos Familiares?Porque a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) é realizada anualmente,enquanto a Pesquisa de Orçamentos Familiares é realizada a cada 5 anos. Paraacompanharmos os movimentos de expansão (ou contração) da renda de forma anual,precisamos de uma base estatística que seja também anual. 13