As falácias do Programa do MEP
   O Movimento Esperança Portugal (MEP) apresenta um conjunto
de medidas, simples e difusas...
outras empresas de maior dimensão, carece de um apoio
fortíssimo nos primeiros anos de internacionalização e, mesmo
assim,...
Mas se existissem dúvidas sobre esta matéria, com alguma
esperança de que o “Made in Portugal” já pudesse ser um motor
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(5)   Exploração sustentável do mar

     Como? Com a falta de apoios aos pescadores artesanais e
aos    armadores?    Faz...
(8)   Aposta nos sectores das indústrias
      de tecnologias de informação e
      comunicação

   O gap entre o conhecim...
(10)Micro-crédito, como medida de
     enriquecimento nacional

   Vivendo de taxas de juro absurdas, o micro-crédito é bo...
distinguir os bons dos maus parceiros. Não sabe o MEP, nem
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Análise à Criação de Riqueza Proposta Pelo MEP

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As falácias contidas no Programa Eleitoral do Movimento Esperança Portugal

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Análise à Criação de Riqueza Proposta Pelo MEP

  1. 1. As falácias do Programa do MEP O Movimento Esperança Portugal (MEP) apresenta um conjunto de medidas, simples e difusas, mas num número elevado, com vista a criar a ilusão de se estar perante um programa eleitoral sério. As medidas foram, igualmente, construídas dentro de uma base próxima do pensamento político do PSD e, aqui e ali, retocadas com um tom rosa. Independentemente da valia das medidas anunciadas, todas elas padecem de um mal crónico (porque é transversal ao Programa Eleitoral): necessitam de muito dinheiro do Estado, o mesmo é dizer dos contribuintes, para as implementar (como na sua esmagadora maioria são medidas já testadas, com retoques e cosmética, o dinheiro do Estado, o nosso dinheiro, seria por uma vez mais sacrificado, sem ganhos de qualquer ordem). Mas porque o benefício da dúvida tem de ser dado, poderia acontecer que mesmo tratando-se de ideias requentadas, as fontes de criação de riqueza apontadas no Programa e garantes da aplicação das referidas medidas políticas, trouxesse alguma novidade ou conjunto de novidades com substancia. Esta a razão pela qual me debrucei sobre o capítulo que dá pelo título pomposo de: “CRIAR MAIS RIQUEZA PARA TODOS” E, espanto dos espantos, laborando sobre as congeminações do MEP confrontei-me com as seguintes falácias: (1) Internacionalização das PME´s Não é possível apoiar a internacionalização das PME por parte do Estado enquanto as contas públicas, a despesa do Estado, for igual a 50% do rendimento gerado em Portugal. Qualquer política de internacionalização de PME, ou mesmo
  2. 2. outras empresas de maior dimensão, carece de um apoio fortíssimo nos primeiros anos de internacionalização e, mesmo assim, o risco de falhanço é grande, porque o mercado Europeu é um mercado saturado na oferta e maduro na concorrência e os mercados dos países em desenvolvimento e emergentes são mercados perigosos: veja-se o caso do Brasil, de Angola e outros. É desejável internacionalizar, mas primeiro há que consolidar as contas públicas. Avançar para mercados onde a legislação é flutuante e os câmbios voláteis, implica uma consolidação dos financiamentos, ou por outras palavras, financiar em Portugal para trabalhar sem financiamentos externos. Tem Portugal e o Estado condições para financiar a internacionalização das PME neste momento? A resposta é clara: NÃO!! Não tem e, assim sendo, a internacionalização das PME não é possível com apoio do Estado, por agora (uma de fora). (2) Basear o “Made in Portugal” no reforço da imagem dos nossos produtos Esta é uma medida que nem a brincar se pode apontar como de breve prazo. Não existe internacionalmente uma imagem “Made in Portugal”. A existir implicaria uma escolha clara e acentuada por parte dos mercados sofisticados pelos produtos produzidos no nosso País. Essa procura não existe, portanto não existe um “Made in Portugal”. Há clusters como o azeite onde as marcas portuguesas se começam a impor, mas nem nos vinhos, mesmo com a “ajuda” preciosa do Wine Spectator conseguimos distinguir-nos de franceses (os primeiros), italianos, espanhóis e os vinhos da América do Sul (Chile e Argentina) e os californianos, com enorme destaque internacional.
  3. 3. Mas se existissem dúvidas sobre esta matéria, com alguma esperança de que o “Made in Portugal” já pudesse ser um motor de criação de riqueza, bastaria atentar na campanha do ex- ministro da Economia com o infeliz “Allgarve”, para perceber que o contrário é que é verdadeiro, mesmo na cabeça dos mais altos cargos da nação e onde residem maiores responsabilidades: o que é português é transposto para anglicismos para vender nos mercados emissores de turismo (e vão duas). (3) Reforço dos seguros de exportação Com que dinheiro? Em Espanha assiste-se a uma redução drástica dos seguros sobre as aquisições de empresas espanholas, quer no mercado interno quer externo, um corte declarado e profundo nos seguros de crédito, por falta de liquidez e aumento do risco de crédito. Se este é um facto numa economia maior que a nossa, sabendo-se que a crise económica está longe do fim, como pretende o MEP criar riqueza utilizando este instrumento? Com o dinheiro do Estado português? Impossível (esta também é para riscar) (4) Turismo como eixo estratégico de criação de riqueza Acaso o turismo não está sujeito a modas? O Turismo é importante para Portugal, mas considerá-lo como eixo estratégico de criação de riqueza é abusivo e perigoso. E depois, apostar também num turismo cultural, quando a dotação orçamental para a cultura em Portugal é ínfima, implica não ter veleidades nesta matéria. Além do mais o Turismo é um factor de criação de riqueza já sobejamente explorado e nada vem acrescentar de novo (risca-se outra).
  4. 4. (5) Exploração sustentável do mar Como? Com a falta de apoios aos pescadores artesanais e aos armadores? Fazendo arrasto na costa portuguesa e destruindo as espécies? Mantendo a intermediação abusiva nas lotas, retirando o ganho aos pescadores e fazendo com que o preço do pescado decuplique até chegar ao consumidor final? Não dar o reconhecimento social e o apoio social e financeiro que a pesca e os pescadores merecem e exigem? Mantendo uma política passiva sobre o Sistema de Totais Admissíveis de Captura e Quotas instituído pela União Europeia? Com que dinheiro quer o MEP explorar este sector se não se debruça no programa sobre os verdadeiros factores de mudança, para tornar o sector sustentável económica e financeiramente? (mais outra) (6) Construção e reparação naval Onde? Em Viana do Castelo? Recuperação da apodrecida Lisnave? Com que dinheiro e feito por quem? Onde é que está a verdadeira escola de soldadores que a MAGUE significava para Portugal? Alguém se lhe substituiu? (outra que não conta) (7) Acolhimento de seniores (turismo sénior) Mercado Europeu e Norte-Americano são a proposta. Acaso queremos transformar Portugal numa CUBA do tempo de Fulgêncio? Meninas e casinos? Queremos mais para PORTUGAL. Os portugueses merecem mais!!! E o nosso turismo também ( e mais uma cruz).
  5. 5. (8) Aposta nos sectores das indústrias de tecnologias de informação e comunicação O gap entre o conhecimento requerido e o conhecimento reconhecido, no nosso país, inviabiliza qualquer tentativa neste sentido. A formação de uma geração orientada matematicamente demora vinte anos. Se começar agora em 2029 falamos. Um pouco tarde para todo o despesismo do Programa não vos parece? Acresce que estamos a falar de um sector que passa por enormes dificuldades. Exemplo: QUIMONDA que faliu na Alemanha e arrastou Portugal. Uma vez mais, como em todas as medidas, é pedida a intervenção do Estado na forma de incentivos, financiamentos, apoios e afins; como se o Estado pudesse lá chegar (já são oito). (9) A garantia do Desemprego é uma demagogia sem fim Alguém se lembraria de garantir o desemprego? Sim, o MEP. Pretender congregar para Portugal Investimento Directo Estrangeiro e impor, como condições contratuais, a obrigação de pagar três meses de salário ao empregador quando dispensa um assalariado é de levar às lágrimas. Felizmente os senhores do MEP, tiveram o bom senso de escrever que a adopção desta medida é opcional para empregado e empregador. Mas também não é bom porque, acaso o trabalhador quisesse ingressar neste modelo, o empregador diria que não e em que situação ficaria o empregado? Aceitava ou recusava? Perdia, como bem sabemos em ambas, uma por cedência e na outra por falta de emprego (outra)
  6. 6. (10)Micro-crédito, como medida de enriquecimento nacional Vivendo de taxas de juro absurdas, o micro-crédito é bom para estabelecer bancas de jornais ou cafés de bairro mas não compreendemos no que essa actividade vai contribuir para um aumento significativo do rendimento nacional, que permita implementar as 160 medidas a que o programa do MEP se propõe. Para resolver casos pontuais de necessidades familiares, para combater a pobreza, para ajudar à inclusão social sempre com o risco inerente do negócio ainda vai. Para gerar riqueza substantiva nunca (e outra) (11)Fundo Público de Capital Semente A arte do MEP em arranjar chavões só tem paralelismo na propaganda política do governo socialista, através de epítetos fortes mas que nada significam e nada geram na prática. Uma vez mais o dinheiro do Estado, ou seja, do contribuinte; e onde pára esse dinheiro? Digam-no já e ajudem o País e o Sr. Eng.º Sócrates, porque ele também não sabe, caso contrário o estado ainda gastaria mais do que já o faz (onze, uma equipa). (12) Expansão Internacional das Empresas Portuguesas Através de imigrantes em Portugal e através de emigrantes portugueses no estrangeiro. São estes os agentes, os parceiros ideais, na óptica do MEP para ajudar a internacionalizar as empresas portuguesas. Acaso desconhecerá o MEP o que significa constituir Alianças estratégicas internacionais? É claro que desconhecem, como igualmente é óbvia a dificuldade em
  7. 7. distinguir os bons dos maus parceiros. Não sabe o MEP, nem cuidou de saber que é fundamental ter um parceiro local. Que esse parceiro não pode ser um português radicado no país de destino do investimento, porque não resultaria, por falta de acesso aos centros de poder locais. Não tem o MEP noção de que os parceiros preferenciais são as entidades financeiras. Porquê? Porque o modelo de gestão é fundamental e parceiros fortes financeiramente, que não sejam instituições viradas para o investimento puro e duro, exigem a imposição do modelo de gestão e, esse facto, por si só, é impeditivo da constituição de uma Aliança ou, na melhor das hipóteses, torna-a vulnerável temporalmente, sendo que o tempo médio não ultrapassa os dois anos e meio, nestas situações. Igualmente o investimento na Europa é impensável por ter retornos impossíveis de sustentar pelas empresas portuguesas. Os países de destino terão de ser economias emergentes e em desenvolvimento e estas são economias de risco. Países onde a legislação é volátil, a vontade política também e a corrupção é forte. Mercados de penetração difícil e perigosos, só ao alcance das empresas com alguma capacidade de alavancagem financeira (à dúzia é definitivamente mais caro) Vemos assim que as medidas avulsas e sem sustentação de criação de riqueza nacional, são a base demagógica do programa do MEP. As outras medidas deixam de merecer discussão, pela impossibilidade de criar riqueza com as medidas programáticas do MEP. Portugal necessita de investir em Políticas Sociais, tendo como alvos primeiros a inclusão e coesão social. Depois, por acréscimo, todas as outras virão a seu tempo. Esbanjar recursos é uma péssima política, num país que deles não dispõe. Atentemos no recente exemplo da Islândia. Quem não tem não pode; quem tem não pode esbanjar.

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