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  • 1. Organizadores:Erineu FoersteGerda Margit Schütz-FoersteRogério Caliari INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO DO CAMPO Povos Territórios Movimentos Sociais Saberes da Terra SustentabilidadeMinistério da EducaçãoSecretaria de Educação Continuada, Alfabetização e DiversidadeUniversidade Aberta do BrasilUniversidade Federal do Espírito SantoPrograma de Pós-Graduação em EducaçãoUFES
  • 2. INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO DO CAMPOPovosTerritóriosMovimentos SociaisSaberes da TerraSustentabilidade Organizadores: Erineu Foerste Gerda Margit Schütz-Foerste Rogério Caliari Colaboradores: Ademar Bogo Bernardo Mançano Fernandes Carlos Rodrigues Brandão Danilo Romeu Streck Damián Sánchez Sánchez Derly Casali Edmerson dos Santos Reis Eliesér Toretta Zen Flávio Moreira Giovanni Semeraro Janinha Gerke de Jesus Josimara Pezzin Maria das Graças F. Lobino Maurice Barcellos da Costa Pedro Jacobi Roseli Salete Caldart Sônia A. B. Beltrame VitóriaES - 2009
  • 3. Presidente da RepúblicaLuiz Inácio Lula da SilvaMinistro da EducaçãoFernando HaddadSecretário de Educação Continuada, Alfabetização e DiversidadeAndré LázaroEducação do Campo da SECADMECCoordenador GeralWanessa Zavarese SechimUniversidade Aberta do BrasilCoordenador GeralCelso CostaUniversidade Federal do Espírito SantoReitorRubens Sérgio RasseliCoordenação da UAB / UFESMaria José Campos RodriguesCentro de EducaçãoUFESDiretoraMaria Aparecida Santos Correia BarretoPrograma de Pós-Graduação em EducaçãoUFESCoordenadoraDenise Meyrelles de Jesus
  • 4. © 2009. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECADMEC)Universidades parceirasUniversidade Federal de Alagoas – UFALUniversidade Federal do Espírito Santo - UFESUniversidade de Montes Claros - UNIMONTESUniversidade Estadual do Maranhão – UEMAUniversidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMSUniversidade Federal do Paraná – UFPRInstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará - IFPACoordenação Editorial – SECAD/MECMaria Adelaide Santana ChamuscaConselho Editorial de Educação do Campo – SECAD/MECCezar Nonato Bezerra Candeias - UFALEdmílson Cezar Paglia – UFPRErineu Foerste – UFESIcléia A. de Vargas – UFMSEquipe de Apoio – SECAD/MECDivina Lúcia BastosEliete Ávila WolffEquipe de Apoio – UFESAdriana Vieira Guedes HartwigAndressa Dias KoehlerArlete Maria Pinheiro SchubertCharles MoretoCláudio David CariJaninha Gerke de JesusJorcy F. JacobJosimara PezzinMaria PeresMarli da Penha Vieira Gomes dos SantosOzirlei Teresa MarcilinoRachel Curto Machado MoreiraRevisãoElida Maria Fiorot CostalongaProjeto gráfico e DiagramaçãoLeandro Macêdo Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil)E24 Introdução à Educação do Campo : povos, territórios, saberes da terra, movimentos sociais, sustentabilidade / or-ganizadores, Gerda Margit Schütz-Foerste, Erineu Foerste, Rogério Caliari ; colaboradores, Ademar Bogo ... [et al.]. - Vitória,ES : UFES, Programa de Pós-Graduação em Educação, 2009. 154 p. : il. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-60050-18-5 1. Educação rural. 2. Movimentos sociais. I. Schütz-Foerste, Gerda Margit. II. Foerste, Erineu. III. Caliari, Rogério. CDU: 37.018.51 Os autores são responsáveis pelas opiniões expressas nos respectivos textos, que não são necessariamente as do Ministério da Educação.
  • 5. SUMÁRIOMOVIMENTOS SOCIAISTexto I – Professor Danilo Romeu Streck .................................................................................................................................................... 15PRÁTICAS EDUCATIVAS E MOVIMENTOS SOCIAIS NA AMÉRICA LATINA: APRENDER NAS FRONTEIRASTexto II – Professor Geovanni Semeraro....................................................................................................................................................... 29DA LIBERTAÇÃO À HEGEMONIA: FREIRE E GRAMSCI NO PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO DO BRASILTexto III - Professor Damián Sánchez Sánchez ........................................................................................................................................... 33MOVIMENTOS SOCIAIS NO CAMPO - LUTAS DOS POVOS INDÍGENASTexto IV – Professor Erineu Foerste e Professora Josimara Pezzin ...................................................................................................... 37O CAMPESINATO MORREU?Texto V – Professor Bernardo Mançano Fernandes.................................................................................................................................. 43TEORIA E POLÍTICA AGRÁRIA: SUBSÍDIOS PARA PENSAR A EDUCAÇÃO DO CAMPOEDUCAÇÃO DO CAMPOTexto I – Professor Bernardo Mançano Fernandes ................................................................................................................................... 49EDUCAÇÃO DO CAMPO E TERRITÓRIOTexto II - Professor Derli Casali ......................................................................................................................................................................... 71O CAMPO DA EDUCAÇÃO DO CAMPOTexto III – Professor Flávio Moreira ................................................................................................................................................................. 73AS IMAGENS SOCIAIS PRODUZIDAS A RESPEITO DA “ROÇA”Texto IV – Professor Erineu Foerste e Professora Janinha Gerke de Jesus ....................................................................................... 75ESCOLAS FAMÍLIAS AGRÍCOLAS: UM PROJETO DE EDUCAÇÃO ESPECÍFICO DO CAMPOTexto V – Professor Rogério Caliari ................................................................................................................................................................. 77CONTEXTOS CAMPESINOS: QUAL EDUCAÇÃO?Texto VI – Professor Erineu Foerste e Professora Gerda Margit Schütz-Foerste ............................................................................. 83EDUCAÇÃO DO CAMPO: QUEM ASSUME ESTA TAREFA?Texto VII – Professor Erineu Foerste e Professora Janinha Gerke de Jesus ...................................................................................... 87EDUCAÇÃO DO CAMPO NO BRASIL: UMA APROXIMAÇÃOTexto VIII – Professora Sônia Beltrame .......................................................................................................................................................... 91CENÁRIOS DA ESCOLA DO CAMPOTexto IX – Professora Roseli Salete Caldart.................................................................................................................................................. 95SOBRE EDUCAÇÃO DO CAMPOTexto X – Professores Erineu Foerse e Eliesér Toretta Zen .................................................................................................................... 99DISCUSSÕES SOBRE PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO DO CAMPOTexto XI – Professores Erineu Forste, Gerda Margit Schütz-Foerste e Lírio Drescher ................................................................... 103PARCERIA ENTRE UNIVERSIDADE E ESCOLA BÁSICA: QUESTÕES SOBRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DO CAMPO
  • 6. EDUCAÇÃO E SUSTENTABILIDADETexto I – Professor Carlos Rodrigues Brandão............................................................................................................................................ 109CONVIVER, APRENDER A SER RECÍPROCOTexto II – Professor Ademar Bogo................................................................................................................................................................... 133A EDUCAÇÃO E A DISPUTA DE PROJETOS EM NOSSA AGRICULTURATexto III - Professor Edmerson Santos dos Reis.......................................................................................................................................... 135ENTRELAÇANDO SABERES PARA A CONSTRUÇÃO DO DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVELTexto IV – Professor Pedro Jacobi ................................................................................................................................................................... 139EDUCAR PARA A SUSTENTABILIDADE: COMPLEXIDADE, REFLEXIVIDADE, DESAFIOSTexto V – Professor Pedro Jacobi .................................................................................................................................................................... 141MEIO AMBIENTE, EDUCAÇÃO E CIDADANIA: DESAFIOS DA MUDANÇATexto VI – Professores Alexandre de Gusmão Pedrini e Maria Inês Meira Santos Brito............................................................... 143EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O DESENVOLVIMENTOOU SOCIEDADE SUSTENTÁVEL?UMA BREVE REFLEXÃO PARA A AMÉRICA LATINATexto VII – Professor Maurice Barcellos da Costa ...................................................................................................................................... 147QUESTÕES AMBIENTAIS E EDUCAÇÃOTexto VIII - Professora Maria das Graças F. Lobino ................................................................................................................................... 151DIMENSÕES INTER/TRANSDISCIPLINARES NA FORMAÇÃO DO EDUCADOR(A)
  • 7. APRESENTAÇÃO DO CURSO Queremos dar boas vindas a todos vocês! O Curso de Especialização Lato Sensu em Educação do Campo é uma conquista co-letiva dos profissionais da educação. Há muito tempo vínhamos lutando para que isso setornasse realidade. A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade doMinistério da Educação do Ministério da Educação – SECADMEC vem favorecendo parceriasno desenvolvimento de trabalhos na formação continuada de professores do campo, resga-tando assim uma dívida histórica de nosso país com aqueles que vivem no campo. Os profissionais do ensino que atuam na educação do campo produziram e acumu-laram conhecimentos a partir de práticas educativas em contextos campesinos e desenvol-veram ferramentas para garantir educação aos trabalhadores do campo. Isso tem sido feitocom reflexões e esforço para produção de saberes da experiência, que precisam ser sistema-tizados através de pesquisas em colaboração com pesquisadores da academia, bem comosocializados de forma mais efetiva. A parceria entre Universidade, Escola Básica diferentes órgãos públicos (Secretaria Es-tadual de Educação, Secretarias Municipais de Educação) e setores organizados da socie-dade civil (Movimentos Sociais, Entidades, Sindicatos, Associações etc.) abre possibilidadesconcretas de trocas de saberes (acadêmicos e práticos), fortalecendo identidades profissio-nais dos docentes e a autonomia daqueles que se dedicam ao magistério. Precisamos unir esforços para construir em diferentes contextos campesinos a escolaque os trabalhadores do campo querem, levando em consideração povos tradicionais (indí-genas, quilombolas, pomeranos, trabalhadores sem-terra, ribeirinhos, pescadores etc.), terri-tórios e saberes da terra. O projeto político e pedagógico da educação do campo não é umaobra que se pode dar por terminada num determinado tempo. Deve ser permanentementeproblematizada e construída a partir das necessidades dos sujeitos do campo, fortalecendolutas contra o latifúndio e agronegócio.
  • 8. APRESENTAÇÃO DAS TEMÁTICAS I E II DO EIXO ESPECÍFICO IIINTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO DO CAMPO O Eixo Específico - Introdução à Educação do Campo do Curso de EspecializaçãoLato Sensu em Educação do Campo: Interculturlidade e Campesinato em Processos Educa-tivos, na modalidade aberta e a distância articula discussões sobre os cinco Eixos Temáticos,a saber: Povos Territórios Movimentos Sociais Saberes da Terra Sustentabilidade Para o desenvolvimento dos trabalhos propostos, produzimos este Caderno Impressoe CD – Rom (em anexo), organizados em três capítulos que abordam os cinco Eixos Temáti-cos do curso. O propósito foi manter os Eixos Temáticos como articuladores. A partir disso,possibilitam-se condições concretas para a indissociabilidade do Eixo Específico: Intro-dução à Educação do Campo, onde são desenvolvidos os capítulos: Movimentos Sociais,Educação do Campo e Educação e Sustentabilidade, a partir dos textos selecionados e osdemais Eixos Específicos que constituem o currículo do Curso. O material digital apresentaos textos integrais, da forma como foram disponibilizados pelos respectivos autores de dife-rentes contextos do cenário nacional. O CD – Rom contém os roteiros para aprofundamento do estudo dos textos, propostospelos autores e/ou organizadores. O Caderno Impresso apresenta para cada Eixo Temáticoum texto integral com as questões para aprofundamento das reflexões individuais e nosgrupos. Além disso, selecionamos fragmentos de alguns artigos, seguidos de sugestões de tí-tulos para leituras complementares. São igualmente apresentadas questões eou roteirospara aprofundamento das leituras a partir de pesquisas bibliográficas eou de campo. No Capítulo – Movimentos Sociais estão apresentados textos que discutem questõessobre as lutas dos oprimidos por mais dignidade. Isso significa dizer que os trabalhadorescampesinos organizam-se coletivamente e fortalecem movimentos de resistência e de liber-tação dos povos historicamente marginalizados no projeto de desenvolvimento econômicodas elites, que tem fortalecido o latifúndio e agronegócio no contexto brasileiro e na Améri-ca Latina, em detrimento da agroecologia e sustentabilidade. No Capítulo - Educação do Campo encontram-se textos para aprofundamento dereflexões a respeito do tipo de educação que os povos tradicionais do campo vêm cons-truindo em suas lutas históricas pela valorização das culturas, seus saberes e identidadescampesinas. Para os povos campesinos há que se mostrar as contradições da sociedade de classes,que produz e reforça imagens muito negativas do campo e sujeitos que nele produzem seusustento. Observa-se que os movimentos sociais articulam saberes que remetem as práticaseducativas ao modo de produzir existência e sua noção de territorialidade, através do culti-vo da terra, na perspectiva da agricultura familiar sustentável. Não se trata de negar o conhe-cimento sistematizado a estes sujeitos, mas sim de cotejá-los a prática daqueles que vivemnas comunidades indígenas, nas comunidades quilombolas, nas comunidades pomeranas,nos assentamentos de reforma agrária etc.
  • 9. Finalmente, no Capítulo – Educação e Sustentabilidade os artigos disponibilizados problematizam a relação predatória do ser humano com a Terra, criticando o projetode desenvolvimento proposto pela racionalidade capitalista. Os autores colocam-se nummovimento pela formação de uma consciência humana, no sentido proposto por PauloFreire, buscando contribuir no debate pela relação responsável da espécie humana com aNatureza. A educação é compreendida, nesse contexto, como possibilidade concreta paraconstrução coletiva de outro projeto de produção da existência humana a partir do cultivoda Terra. Nesse sentido as culturas e identidades dos povos do campo e os saberes da terraremete-nos ao projeto de sustentabilidade agrícola, sobretudo quando se trata de agricul-tura familiar como contraponto ao latifúndio e ao agronegócio. Cada Capítulo apresenta textos na íntegra e parte de outros, sempre remetendo o lei-tor ao conjunto de textos integrais disponiblizados no CD - Rom e/ou na plataforma Moodle.Os artigos estão seguidos de propostas de trabalho, para aprofundamento das reflexões.Parte do pressuposto que a prática da leitura requer rigor do pesquisador na busca do co-nhecimento novo, que favoreça a problematização da prática e registros de saberes produ-zidos a partir das experiências. Cabe ressaltar que este Eixo Específico não se esgota em si mesmo. Ele deve ser pro-blematizado no processo de aprofundamento de estudos a partir de outras fontes bibliográ-ficas inclusive. O presente Eixo Específico, portanto, deve ser tomado como produto de de-terminado tempo, produzido por sujeitos concretos, e como tal, é marcado por contradição.Tomando o princípio do movimento e da precariedade das ações humanas, compreende-seque está em permanente construção, para superação de lacunas e fragilidades que carrega. Bom estudo! Os organizadores, maio de 2009.
  • 10. CAPÍTULO MOVIMENTOS SOCIAIS Recomendações Realize uma leitura inicial dos textos, fazendo anotações paraelaboração de uma síntese, que será discutida no grupo de estudo.Em seguida retome os artigos, buscando dados para resolver as ati-vidades propostas. Não deixe de registrar suas reflexões, com vistasao compartilhamento das mesmas no seu grupo e no encontro daturma de que você faz parte no Polo da UAB.
  • 11. Movimentos Sociais 14 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 12. Texto I – Professor Danilo Romeu Streck Objetivo: Discutir aspectos sobre Movimentos Sociais na Amé-rica Latina e educação em contextos de fronteira. Realize uma leitura inicial do texto, fazendo anotações para ela-boração de uma síntese, que será discutida no grupo de estudo . Em Movimentos Sociaisseguida retome o artigo, buscando dados para resolver as questõespropostas. Não deixe de registrar suas reflexões, com vistas ao com-partilhamento das mesmas no seu grupo e no encontro da turma deque você faz parte no Polo da UAB. Grupo de estudo: formar grupos de até quatro componentes para trabalhar os textos e realizar ativi-PRÁTICAS EDUCATIVAS E MOVIMENTOS SOCIAIS NA dades propostas. Este grupo pre- para discussões para os encontrosAMÉRICA LATINA: APRENDER NAS FRONTEIRAS coletivos. Danilo R. Streck/UNISINOS 1 Não morrerá a flor da palavra. Poderá morrer o rosto es- condido de quem a pronuncia hoje, mas a palavra que brota do fundo da história e da terra já não poderá ser arrancada pela soberba do poder. Nós nascemos da noite. Nela vivemos. 1 Professor do Programa de Pós- Morrermos nela. Mas a luz será manhã para os demais, para to- Graduação em Educação da Uni- dos os que hoje choram a noite, para quem se nega o dia, para versidade do Vale do Rio dos Sinos quem a morte é um presente, para quem a vida está proibida. – UNISINOS, São Leopoldo – RS Correio eletrônico: Para todos, tudo. Para nós a dor e a angústia, para nós a alegre dstreck@unisinos.br rebeldia, para nós o futuro negado, para nós a dignidade insur- reta. (Quarta Declaración de la Sielva Lacandona) 2 2 No morirá la flor de la palabra. Podrá morir el rostro oculto de quien la nombra hoy, pero la pala- bra que vino desde el fondo de la historia y de la tierra ya no podrá ser arrancada por la soberba del Resumo: poder. Nosotros nacimos de la no- che. Em ella vivimos. Moriremos O artigo analisa a relação entre práticas educativas e movimen- em ella. Pero la luz será mañanatos sociais populares na América Latina, destacando tanto aprendiza- para los más, para todos aquellos que hoy lloran la noche, para quie-gens que os mesmos proporcionam para os seus integrantes quanto nes se niega el día, para quienesaprendizagens que possibilitam para a sociedade. Dentre os aspec- es regalo la muerte, para quienes está prohibida la vida. Para todostos abordados encontram-se os seguintes: o redimensionamento la luz. Para todos todo. Para no-do popular, o enraizamento, a ruptura e a insurgênia como parte da sotros el dolor y la angustia, para nosotros la alegre rebeldía, parapedagogia dos movimentos sociais, a participação como uma princí- nosotros el futuro negado, parapio metodológico, uma nova compreensão de sujeito, a produção de nosotros la dignidad insurrecta. Para nosotros nada. (Quarta De-saberes específicos da área de atuação dos movimentos sociais e um claración de la Sielva Lacandona).redimensionamento do local e do global. Como conclusão, procura- In G. Caparó, Ansias del alba: tex- tos zapatista, 2001, p. 312.se sinalizar o que significa, hoje, a inserção crítica da educação nosmovimentos da sociedade. Palavras-chave: Movimentos sociais – práticas educativas -América LatinaCapítulo: Movimentos Sociais 15
  • 13. 3 O texto serviu de base para a conferência sobre o tema Práticas Aproximações ao tema educativas e movimentos sociais no seminário “Fronteiras étnico- culturais e fronteiras da exclusão” Neste tema cabem muitas perguntas, motivo pelo qual a pri- promovido pela Universidade meira tarefa consiste em definir as questões que estarão postas para Católica Dom Bosco, de Campo Grande, MS, de 21 a 24 de setem- análise neste artigo. Situo o tema no contexto das discussões sobre bro de 2006. as mediações pedagógicas nos processos sociais 3 , entendendo que os movimentos sociais se constituem hoje em espaços privilegiadosMovimentos Sociais para alavancar o desenvolvimento de uma cidadania ativa e compro- metida com a superações da realidade e das condições de exclusão social. A pergunta poderia ser colocada da seguinte forma: De que maneira os movimentos sociais populares na América Latina se cons- tituem como mediações pedagógicas para gerar uma sociedade que tenha lugar para todos? O que se pode aprender neles, com eles de- les? Algumas advertências iniciais são necessárias. A primeira delas diz respeito a tomar a América Latina como referência. Muito já se escreveu e discutiu sobre a identidade latino-americana. Este próprio fato parece ser sintomático de uma experiência sentida e vivida nes- ta parte do mundo e que se expressa no sentimento de que vivemos num tempo e numa realidade que não são nossos. Quem sabe a pró- pria idéia de busca do que se é como conjunto de povos e nações, com traços comuns de formação histórica, possa ser uma base da identificação como América Latina. Foge-se assim tanto de identida- des fixas, não raro de caráter folclórico, e também de um vazio que apenas exacerba o espírito de orfandade. Uma segunda advertência tem a ver com o risco de idealização de movimentos sociais e do popular como entidades quase sagra- das, portadoras da verdade e acima de críticas. Aprendemos a ver que a ética não é um atributo fixo de determinadas pesssoas e tam- bém não está colada a determinados grupos sociais. Essa visão ide- alizadora se opõe a outra, no campo ideológico oposto, que procura demonizar os movimentos sociais, especialmente os populares, des- qualificando-os como promotores de desordem. Se neste trabalho os movimentos sociais são vistos, sobretudo pelo seu lado positivo é por causa do pressuposto de que, mesmo não isentos de falhas e acima de críticas, eles trazem importantes contribuições para o de- senvolvimento da sociedade. A partir da pergunta acima anunciada, elaboro a abordagem enfocando os seguintes itens: a) um olhar sobre a compreensão de movimentos sociais e o seu papel na América Latina; b) uma refle- xão sobre o seu potencial pedagógico, verificando tanto a educação dentro do movimento quanto a sua função educadora na sociedade enquanto movimento que dela faz parte; c) por fim, a título de con- clusão, retomo o significado do movimento social para a superação da exclusão através da educação. 16 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 14. Notas sobre movimentos sociais na América Latina 4 O livro Mundialización de las re- sisténcias: Estado de las luchas, or- ganizado por Samir Amin e Fran- çois Houtart (2004), que textos de Ao falar de movimentos sociais na América Latina é impossí- acadêmicos e militantes dos mo-vel não lembrar imediatamente do Movimento dos Trabalhadores vimentos sociais, é uma tentativa de proporcionar uma visão globalRurais Sem Terra (MST), no Brasil, e do Exército Zapatista de Liberta- dos movimentos sociais dentroção Nacional (EZLN), no México. São movimentos que se constituem da compreensão do Fórum Social Mundial.como forças sociais com atuação marcante em seus países e contam Movimentos Sociaiscom uma grande visibilidade nacional e internacional. No entanto,ao focarmos a atenção nestes movimentos grandes corremos o ris-co de não ver o contexto no qual eles próprios encontram o nichopara continuar existindo. Principalmente a partir da década de 90 ogrande pano de fundo dos movimentos sociais é a contestação daspolíticas neoliberais, seja em suas repercussões na educação, na eco-logia, no mundo do trabalho, na organização política ou nas diversasformas de expressão cultural. 4 Se os movimentos sociais são diversos, também a compreen-são sobre eles não é menos diversificada. A definição proposta porMaria da Glória Gohn (2002, p.25) dá conta daquilo que neste traba-lho se entende por movimentos sociais. Segundo ela, movimentossociais são “ações sociais coletivas, de caráter sociopolítico e cultural,que viabilizam distintas formas de organização e de expressão dasdemandas da população.” Estão presentes aqui as idéias de confli-to em torno de projetos sociais e políticos, de identidade cultural,de solidariedade interna, de ação coletiva e de inovação social que,com ênfases distintas, encontramos em autores como Alain Touraine(1994), Alberto Melucci (2002) e Boaventura de Sousa Santos (1996). Historicamente os movimentos sociais estão entre as vozessilenciadas. Ao menos a história ensinada para os cidadãos comunstraz muito pouco sobre os movimentos da sociedade que não se en-quadram na perspectiva hegemônica, aquela que conta como se for-mou o império, depois a república, com os seus respectivos heróisprotagonistas. Na educação, por exemplo, aprendemos sobre a açãode Anchieta e o grande esforço dos jesuítas dentro do projeto coloni-zador. Hoje começam a ser desveladas estratégias de resistência e deenfrentamento que também passavam pela educação. Começa-se aabandonar a idéia de tabula rasa para reconhecer que havia um com-plexo sistema pedagógico para dar conta desta maneira específicade viver. “Da parte dos povos nativos, diz Helena Dias da Silva (2000,p. 95), estes procuravam manter seus processos educativos própriosde todas as formas. Mesmo nas fugas, refúgios ou na escravização,procuraram recriar espaços que possibilitassem construir e recons-truir sua história, seus valores e seus projetos de vida, educando asfuturas gerações.” O mesmo pode ser dito em relação aos negros - por exemplo,sua organização nos quilombos - e a outros grupos sociais cuja atua-ção se tornou invisibilizada na história. Boaventura de Sousa Santosfala da necessidade de uma “sociologia das ausências” para recomporas lacunas da história, o que muitas vezes pode significar contar o ou-tro lado da mesma história. Vítor Westehelle (2000, p. 36) argumentaCapítulo: Movimentos Sociais 17
  • 15. que uma cultura colonizada não é uma cultura morta, “é uma cultura que esconde, nas profundezas de seus silêncios, vozes prontas para sair à superfície.” É uma cultura que se torna invisível e se comunica através do silêncio, da dissimulação e do ocultamento. A presença desta história encoberta (Dussel, 1993) nos atuais processos sociais na América Latina é bem expressa por Alcira Argu- medo quando escreve que não existem marcos teóricos inocentes eMovimentos Sociais que é possível recuperar o potencial teórico autônomo contido no pensamento latino-americano: O reconhecimento da heterogeneidade cultural dos se- tores populares da América Latina – que se destaca diante da crescente homogeneização de suas classes dominantes e das camadas médias acomodadas – surge com força como pro- blemática das ciências sociais ao calor da crise dos “paradig- 5 “Os movimentos contemporâne- mas teóricos”. A emergência de novas formas de organização os são profetas do presente. Não e solidariedade; de movimentos sociais reivindicatórios que têm a força dos aparatos, mas a força da palavra. Anunciam a mu- ultrapassam os partidos políticos; o aumento de massas mar- dança possível, não para um futu- ginais e de seus novos comportamentos de desesperação; a ro distante, mas para o presente persistência de identidades sociais que ligam o presente com de nossa vida. Obrigam o poder a tornar-se visível e lhe dão assim vários séculos de memórias culturais, para além das caracterís- forma e rosto. Falam uma língua ticas adquiridas nas diversas regiões, dão conta de fenômenos que parece unicamente deles, que não podem ser explicados integralmente a partir das con- mas dizem algumas coisas que os transcende e, deste modo, falam cepções oficializadas nas ciências sociais e na análise política. para todos.” (Melucci, 2001, p. 21) (Argumedo, 2004, p.15) Esse breve pano de fundo histórico parece importante para entender que a quantidade e diversidade de movimentos sociais na América Latina, hoje, não se devem a um processo de geração espon- tânea. Houve uma luta silenciosa pela terra, pelo respeito de identi- dades, por direitos de cidadania que hoje passa a ser ouvida e vista. E dependendo do lugar social de onde se olha, passa a ser vista como profecia 5 ou como ameaça. Embora os movimentos sociais façam parte da dinâmica da sociedade, o conceito surge por volta de 1840 como categoria para estudar o movimento proletário e o comunismo e socialismo emer- gentes. (Ramirez, 2000, p. 50). Houve, na segunda metade do sécu- lo passado importantes deslocamentos e rupturas, ocasionando o surgimento do conceito de novos movimentos sociais. Segundo Boaventura de Sousa Santos (1996, p. 258) a novidade maior reside no fato de estes novos movimentos identificarem novas formas de opressão, para além da crítica da regulação social tanto capitalista quanto socialista. Isso se comprova na diversidade de temas presen- tes nestes movimentos: gênero, paz, anti-racismo, anti-produtivismo, além de lutas por direitos como moradia, terra, saúde e educação. Na medida em que os movimentos sociais são a expressão da sociedade em movimento (Rucht, 2001) eles parecem fugir a tentati- vas de classificação e se constituem num desafio para a compreensão dentro de parâmetros preestabelecidos porque eles próprios procu- ram romper estes parâmetros. Seguindo a argumentação de Melucci (2002, p. 34), os movimentos sociais não são simplesmente a expres- 18 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 16. são de uma crise, que se refere à desintegração do sistema e induz a 6 O Município de São Leopoldo (RS) foi o primeiro a criar uma leireações que tendem a restabelecer o sistema. Eles são, em sua visão, anti-discriminatória de gays noantes expressões de um conflito onde estão em jogo interesses an- Brasil, em 2006, a partir da luta do movimento gay aliam com outrostagônicos e por isso têm como resultado produzir mudanças no sis- movimentos sociais da cidade etema e não simples ajustes. Estes conflitos surgem por uma série de da região.contingências em lugares diferentes e nem sempre previsíveis. Para Touraine (1994, p. 254) um “movimento social é ao mes- Movimentos Sociaismo tempo um conflito social e um projeto cultural.” Estão em jogonos movimentos sociais tanto as disputas sociais e políticas quanto aaposta em determinados valores culturais. Por exemplo, o movimen-to gay não apenas cria estratégias para convencer as comunidadesde seu direito de ser diferente, mas procura criar mecanismos legaispara coibir discriminação no mundo do trabalho e em lugares públi-cos. 6 Estas duas dimensões – conflito social e projeto cultural – po-dem variar em intensidade, ora prevalecendo um ora outro. A força dos movimentos sociais na América Latina é corrobora-da pela eleição de dois presidentes. No Brasil, Luiz Inácio Lula da Silvaformou-se no movimento sindical durante o período de lutas contraa ditadura militar. Na Bolívia, Evo Morales passou de líder cocaleroa presidente de um país onde a maioria indígena é historicamentealijada do poder. No México, embora os zapatistas com o Comandan-te Marcos não ambicionem a conquista do poder na forma cargospúblicos, também é incontestável que eles representam uma impor-tante força política. Essas breves considerações mostram que é praticamente invi-ável compreender a realidade latino-americana sem levar em contaos movimentos sociais. Eles são responsáveis por grande parte dasconquistas hoje transformadas em políticas sociais, buscando garan-tir direitos básicos do cidadão. A educação no e pelo movimento social Os movimentos sociais podem ser analisados como um espaçoda educação em dois sentidos. Uma vez, pelo tipo de práticas peda-gógicas que promovem em seu interior e, outra, pelo que represen-tam como fator pedagógico para a sociedade em que se realizam.Tomando como exemplo os MST pode-se constatar a preocupaçãopela formação interna, desde a escola itinerante para as crianças dosacampamentos até a formação de professores e outras lideranças. Oaspecto formativo para a sociedade começa com a relação que o Mo-vimento estabelece com as comunidades até o uso dos modernosmeios de comunicação para expor seus argumentos, muitas vezesatravés de ações com grande expressão, concreta e simbólica. Parafins desta exposição estas duas dimensões serão consideradas deforma integrada. Os itens abaixo pretendem dar uma visão geral dacontribuição do movimento social enquanto também um movimen-to pedagógico para a sociedade. A relevância dos movimentos sociais para a educação fica evi-Capítulo: Movimentos Sociais 19
  • 17. dente quando se compreende a educação como o processo auto- formativo da sociedade. Essa compreensão de educação situa-a no âmago das práticas sociais e no cruzamento dos conflitos. Uma das razões da atual crise da escola é que ela assume o lugar de “ilha”, onde os alunos se encontram sob a orientação dos professores para ser formados. Em primeiro lugar, esta ilha não existe. Em segundo lugar, a pretensão de ser esta ilha ou de permitir ser colocada nesta posi-Movimentos Sociais ção, ocasiona um isolamento de fato daquelas forças que poderiam impulsionar mudanças. Ao referir-me à educação como autoformação da so- ciedade desejo acentuar a necessidade de ter o máximo de consciência e lucidez possível das forças e dos conflitos que alimentam e são alimentados pelos movimentos sociais. Ali estão impulsos que, se incorporados às práticas educativas, podem ajudar estas a encontrar o seu lugar na sociedade ao lado das forças que buscam construir e ampliar a cidadania e as possibilidades de vida. O redimensionamento do popular: A categoria “popular” passou de uma compreensão genérica como algo do “povo” para uma compreensão mais específica de identificação com as classes subalternas. Assim, a partir da segunda metade do século XX temos referência à cultura popular, ao teatro popular e à educação popular como expressão contra-hegemônicas. Havia, nestas definições, uma clara conotação classista. Os as- sim chamados novos movimentos sociais trazem um redimen- sionamento do popular, devolvendo-lhe um sentido mais am- plo de público, muitas vezes nitidamente transclassista, como é o caso dos movimentos ecologistas, feministas ou de gays. O desafio consiste em abrir a categoria popular para abranger outros grupos, mas ao mesmo tempo não perder de vista a impor- tante conquista de uma identificação mais restrita com grupos so- ciais excluídos ou subalternizados no sistema de produção. O Fórum Social Mundial (FSM) é uma boa expressão da articulação dos movi- mentos sociais e dos cruzamentos entre diversas categorias dando ao popular um caráter mais multifacetado (Streck, 2004). Isso não signi- fica que todos os movimentos sociais presentes ou representados no FSM pudessem ser incluídos na categoria de populares, mas indica novas possibilidades de encontro e maior porosidade nas fronteiras. As práticas educativas, nos diversos contextos, podem alimen- tar-se dessa riqueza de experiências que brotam em muitos setores da sociedade. Mais importante ainda, podem colocar-se junto nessa diversidade de movimentos que a sociedade realiza e procurar ser protagonista. No caso da escola, por exemplo, pode significar abrir as portas para o grupo de mulheres não apenas para usarem uma sala para reuniões, mas para trazerem as suas experiências para as crianças e jovens. 20 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 18. Enraizamento e ruptura: Os movimentos sociais, como vimos acima, expressam conflito, mas eles também são instru- mentos para a manutenção ou recriação da identidade cultu- ral. Os conflitos sinalizam rupturas com padrões ou processos sociais hegemônicos vistos como limitadores de direitos de ci- dadania ou como ameaças à própria vida. Sua luta é para que a partir de determinadas rupturas se possa recompor o senso Movimentos Sociais comum em um nível que amplia as possibilidades de realiza- ção humana. Por exemplo, é difícil que hoje alguém conteste o direito de voto das mulheres ou o acesso de negros à esco- la, esquecendo que estes direitos são frutos de duras e longas conquistas. Junto com isso, no entanto, é importante destacar o enraiza-mento na cultura do grupo, que pode ser expresso na busca de res-posta do que se é: “Quem somos, como sem-terra, para além ou forados estereótipos que encontram guarida nas ideologias conservado-ras?” “Quem somos, como “gays” num mundo que tende a não veralém do preto e branco?” A partir da experiência do MST, Roseli Salete Caldart (2000, p.140) vê no enraizamento o início da educação no interior do movi-mento. “Saber que não está solta no mundo é a primeira condiçãoda pessoa se abrir para esta nova experiência de vida. Este costumaser o sentimento que diminui o medo em uma ocupação, ou que fazenfrentar a fome em um acampamento.” Mas não se trata de uma raizdesvinculada da utopia e de projetos. Daí o uso da expressão enraiza-mento projetivo, numa combinação criativa de raiz e projeto. Do ponto de vista das práticas educativas pode-se aprendermuito com a forma como os movimentos lidam com os conflitos nasociedade circundante; com as suas estratégias para experienciar ascontinuidades e as rupturas. Pode-se aprender também a enraizar aspráticas educativas na cultura ou nas culturas do lugar ou da região,colocando as perguntas sobre quem se é e quem se pretende sere recompondo a memória. É impressionante a riqueza e o vigor doconhecimento produzido por movimentos que buscam recuperar asua trajetória, seja de negros, de povos indígenas, dos movimentosdo campo ou das mulheres. Trata-se de aproveitar estes saberes aliproduzidos, mas também de conhecer a metodologia desenvolvida. Analisando o movimento indígena equatoriano, reuni- do na CONAIE (Confederação das Nacionalidades Indígenas no Equador) Pierre Mouterde (2003, p.81) constata que “justamen- te porque começa como um movimento social fortemente en- raizado nas comunidades autóctones que seu discurso político de aspirações democráticas parece tão crível, justificado e legí- timo.” Isso também vale para outros movimentos sociais. A participação: Sendo uma ação coletiva, o movimento social precisa encontrar os mecanismos de manter a coesão in- terna. A solidariedade entre os membros parece ser, por isso, uma característica importante na maioria dos movimentos so-Capítulo: Movimentos Sociais 21
  • 19. ciais. Criam-se rituais, existem símbolos próprios e organizam- se manifestações públicas que aproximam os membros entre si e dão um senso de pertença.(Melucci, 2001, p. 36). Evelina Dagnino (2000, p.81) reconhece a tendência de misti- ficar as ações coletivas dos movimentos como expressões da virtu- de, mas argumenta que nem por isso se deveria deixar de perceberMovimentos Sociais as “mudanças moleculares” que resultam de ações de movimentos sociais. Segundo ela, mesmo fragmentárias, incompletas e contradi- tórias essas práticas devem ser vistas como “constitutivas de esforço dos movimentos sociais para redefinir o significado e os limites da própria política.” Pierre Mouterde (2003, p. 155) conclui em sua análi- se de alguns dos grandes movimentos sociais da América Latina que todos eles salientam a idéia de uma ruptura democrática no sentido de romperem e superarem os limites formais da democracia repre- sentativa. Em termos de práticas educativas o desafio consiste em trans- formar a participação em um princípio metodológico, portanto, mui- to mais do que em usá-la como técnica de ensino. Dos movimentos pode-se aprender que, como dito antes, participação implica neces- sariamente em conflitos. Os movimentos sociais, apesar de terem um foco de atuação e direcionarem a sua luta, encerram uma pluralida- de de idéias e de posições que nem sempre são perceptíveis a partir de fora. Um elemento importante para garantir a participação é o que no MST é chamado de mística. Nela se encontram os elemen- tos evocativos, convocativos e provocativos que garantem a força do movimento. (Peresson, 2006). Evocativo no sentido de recomporem 7 Estima-se que, uma árvore de a memória, convocativo no sentido de chamarem à solidariedade e eucalipto necessita de 38 mil litros provocativo no sentido de, partindo da denúncia de determinada re- de água por ano. O que significa a plantação de milhares de hectares alidade, anunciarem alternativas. para o ecossistema? A lida com o poder: Os movimentos sociais colocam em pauta algum tema que conflitua com os interesses dominantes na sociedade e por isso a relação com o poder é um dos seus mais importantes desafios. Decidir sobre a ocupação de terras, o bloqueio de estradas ou o boicote a produtos representa um confronto com o poder estabelecido. Nessa relação, possivel- mente uma das mais importantes lições é a desmistificação da autoridade. O confronto força o poder a se relevar, a dizer de que lado e a serviço de quem está. Muitas práticas educativas, especialmente através do movi- mento da educação popular incorporaram o pressuposto da reali- dade do poder no seu cotidiano. Aconteceu, assim, um interessante deslocamento, em termos metodológicos, da “troca de saberes” em direção à “negociação cultural” (Mejía y Awad, 2001, p. 119) onde se reconhece que na relação pedagógica se negociam desde visões de mundo e valores até conhecimentos práticos; e que na negociação estão em jogo relações de poder. Faz parte também da aprendiza- gem através dos movimentos sociais que não basta tomar ou ocupar o poder, mas que é necessário reinventá-los (Freire), uma tarefa per- manente. 22 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 20. A produção de saberes: os movimentos sociais criam condições para valorizar os saberes do próprio grupo como contraponto aos saberes que os mantêm à margem e causa- ram o próprio movimento. Com isso, no entanto, eles se colo- cam também como produtores de novos saberes. Um exemplo é a disputa entre conhecimento que neste momento se trava entre os defensores do uso de grandes extensões de terra na Movimentos Sociais metade sul do Rio Grande do Sul para plantação de eucalip- tos com o fim de alimentar a indústria de celulose e o contra- argumento de grupos ecologistas sobre o perigo de perdas irreparáveis para o eco-sistema do pampa 7 . O mérito está, em primeiro lugar, em trazer o assunto à consciência publica atra- vés de debates. Em segundo lugar, gera condições para nego- ciações políticas que repercutem regulação para o uso do solo. A relação entre o local e o global: Uma das tendências verificadas entre os movimentos sociais é a sua capacidade de funcionamento em rede. Os novos meios de comunicação, es- pecialmente a Internet, contribuíram para que a situação de agressão aos direitos humanos numa pequena localidade em um pequeno país longínquo do centro do poder seja conheci- do e se transforme em um caso e eventualmente em notícia. Este funcionamento em rede não é privilégio nem invenção dos movimentos sociais, dado que hoje presenciamos a este tipo de funcionamento inclusive entre quadrilhas de assaltan- tes e gangues. O que está em jogo é uma nova relação entre ações em nível local ou regional e ações em nível global, com várias implicações. Para o indivíduo isso significa criar novas referências através de contatos físicos ou virtuais como, por exemplo, as comunidades do Orkut. Para a cidadania repre- senta uma revisão do conceito de fronteiras do estado-nação, uma vez que os controles em limites territoriais fixos se tornam praticamente inviáveis. Para os movimentos sociais se traduz na possibilidade de conectar ações locais em diferentes luga- res de um país ou do mundo. Este movimento exige mais do que aprender o domínio dastecnologias ou de habilidades lingüísticas. Exige sobretudo o reco-nhecimento das diferenças de formas de ação e de estratégias, enfim, 8 Para uma elaboração deste temade viver. O viver junto se coloca nestes tempos de globalização, para- veja Educação para um novo con- trato social (Streck, 2003).doxalmente, como um grande desafio. Revisão da idéia de sujeito: As discussões sobre pós-mo- dernidade trouxeram à tona o debate sobre o sujeito e a possi- bilidade da ação histórica. Em alguns momentos a vara foi cur- vada para o outro lado, numa tentativa de desconstrução do sujeito consciente e fazedor da história, bem como da história como um projeto imbuído de uma linearidade de certa forma previsível. Os movimentos sociais interferem na idéia do sujei- to ao mostrarem que o mesmo não existe de forma abstrata e fixa, mas se constrói no movimento da história. É ao assumir os riscos de ser histórico e cultural que o ser humano se constitui como sujeito. Nas palavras de Alain Touraine (2004, p. 150):Capítulo: Movimentos Sociais 23
  • 21. O que há se sujeito em nós está sempre ao mesmo tem- po engajando e desengajado. É por essa razão que você não pode dizer que tal grupo social, tal indivíduo ou mesmo tal idéia, tal convicção, constitui um sujeito social. O sujeito é uma força de desligamento, de superação, e não pertence à ordem do ter. Eu “não tenho”um sujeito; há um sujeito em mim, e eu pago caro por isso.Movimentos Sociais O sujeito pedagógico pode ser entendido dentro desta mesma visão. Na medida em que a aprendizagem é um processo do sujeito, o pólo do processo desloca-se para o sujeito aprendente. Mas também não é mais o sujeito como indivíduo, mas construído na intersubjeti- vidade. Essa é sem dúvida uma das grandes diferenças entre o Emílio 9 “Tenho o direito de ter raiva, de de Rousseau e o educando de Paulo Freire 8. Enquanto o primeiro manifestá-la, de tê-la como moti- vação para minha briga tal qual te- é protegido para não ser corrompido pelo meio, o segundo desde nho o direito de amar, de expres- cedo sabe que não tem como sair do mundo, como Robinson Crusoé sar meu amo ao mundo, de tê-lo como motivação de minha briga em sua ilha, e que por isso precisa conhecê-lo para transformá-lo. porque, histórico, vivo a Hitória como tempo de possibilidades A insurgência como princípio pedagógico: os movimen- e não de determinação.” (Freire, tos traduzem a insatisfação de grupos sociais com a realidade 1997, p. 84). existente. Eles são, por isso, forças com uma potencialidade de trazer mudanças, representando um momento instituinte na sociedade. Este é um tema difícil para a educação formal uma vez que a escola se institui basicamente como uma força con- servadora e disciplinadora na sociedade moderna. Sabemos também que há uma infinidade de formas de subverter esta força, desde a rejeição até a resistência passiva ou violenta. O desafio para a educação parece estar em deixar cair cercas entre a educação formal e a não-formal, especialmente aquela nos movimentos sociais populares para possibilitar que a insurgência como um movimento de inovação seja uma possibilidade real no in- terior das práticas educativas. Trata-se de insurgência no sentido de recuperar ou criar a possibilidade de dizer a sua palavra, de fazer com que a revolta e a indignação contra condições opressivas seja trans- forme numa força potencializadora de mudanças. Quando Paulo Freire no “direito de ter raiva” 9 ela aponta para esta condição humana que está na base do agir ético. Mas esta con- dição precisa ser educada para que se evite que a raiva vire raivosida- de, que a indignação se transforme em cinismo. No mesmo sentido que Freire (1992) propôs uma pedagogia da esperança e não para a esperança, considerando ser esta ontologicamente constitutiva do ser humano, assim também proporá uma pedagogia da indignação (2000). 24 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 22. ConclusãoA grande lição deixada pelos movimentos sociais para a educação é ade inserir as práticas educativas no movimento da sociedade, contra-riando a tendência de tornar o espaço pedagógico um lugar preser- 10 “Por trabajar nos matam, por vi- ver nos matam. No hay lugar paravado dos conflitos e das tensões que existem na sociedade, mas com nosotros em el mundo del poder. Movimentos Sociaisisso também tornando-o relativamente inócuo como promotor de Por luchar nos matarán, pero así nos haremos um mundo dondemudanças e como força inovadora. Para tanto, a título de conclusão, nos quepamos todos y todos noscabe registrar algumas implicações para a própria pedagogia. vivamos sin muerte en la palabra.” (Quarta Declaración de la Selva A primeira é a de repensar hoje os espaços pedagógicos, es- Lacandona. In: Caparó, 2001, p. 314)pecialmente retomando a pergunta sobre quem forma o educadore onde ele é formado. Os movimentos sociais – por serem o que são- não ocupam o centro da sociedade ou determinam as relações deprodução e de poder. Eles se constituem nas margens e, por ocupa-rem este lugar, eles representam forças questionadoras. A educaçãovoltada para os parâmetros da eficiência dificilmente reconhece queexatamente ali possam estar competências sem as quais a sociedademorre por asfixia. Uma segunda questão, de cunho epistemológico, diz respeitoà superação da noção estática de conhecimento como produto a sertransmitido. Esta é uma velha luta pedagógica, mas está longe de servencida. Quem sabe a dificuldade seja até maior hoje, porque as no-vas tecnologias educacionais passam a falsa noção de que o simplesfato de buscar o conhecimento através da internet já significa estarenvolvido no processo de criação. Os movimentos sociais ensinamque o conhecimento produtivo do ponto de vista social e humanotem como referência a experiência do sujeito. O pensar certo, confor-me uma lição de Freire (1997, p. 42), começa com o pensar a própriaprática. Por fim, os movimentos sociais realçam a necessidade de ali-mentar e reelaborar as utopias. O ideal zapatista do mundo como umlugar onde caibam todos é uma bela metáfora para uma sociedadeque vive a unidade na diversidade: Por trabalhar nos matam, por viver nos matam. Não há lugar para nós na sociedade. Por lutar nos matarão, mas assim faremos para nós um mundo onde caibamos todos e todos possamos viver sem morte na palavra. (Quarta Declaración de la Selva Lacandona. In: Caparó, 2001, p. 314) 10Capítulo: Movimentos Sociais 25
  • 23. Referências (Leituras complementares) AMIN, Samir e HOUTART, François. Mundialización de las resisténcias: Estado de las luchas 2004. Bogotá: Ed. Desde Abajo, 2004. ARGUMEDO, Alcira. Los silencios y las voces em América Latina: No-Movimentos Sociais tas sobre el pensamiento nacional y popular. Buenos Aires: Colihue, 2004. ALVAREZ, Sonia E.; DAGNINO, Evelina; ESCOBAR, Arturo. (Org.). Cultu- ra e política nos movimentos sociais latino-americanos: Novas leitu- ras. Belo Horizonte: UFMG, 2000. CALDART, Roseli Salete. O MST e a formação dos Sem-Terra: o movi- mento social como princípio educativo. In: GENTILI, Pablo & FRIGOTT, Gaudêncio (Org.). A cidadania negada: Políticas de exclusão na edu- cação e no trabalho. Buenos Aires: CLACSO, 2000. p. 125-144. CAPARÓ, Gabriel (Comp.) Ansias del alba: Textos zapatistas. La Haba- na: Editorial Caminos, 2001. DUSSEL, Enrique. O descobrimento do outro: A origem do mito da modernidade. Tradução de Jaime A. Frankfurt. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à práti- ca educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997. ______. Pedagogia da esperança: Um reeencontro com a pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1992. ______. Pedagogia da indignação: Cartas pedagógicas e outros escri- tos. São Paulo: Editora Unesp, 2000. GOHN, Maria da Gloria. Movimentos sociales: Participación sociopo- lítica y educación en el Nuevo Milenio. In: GARCÉS, Fernando Rosero. (Org). Formación de líderes y movimientos sociales: Experiencias y propuestas educativas. Ecuador: Abya-Yala, 2002. MEJÍA, Marco Raúl & AWAD, Myriam. Pedagogías y Metodologías en Educación Popular. Quito: Fe y Alegria, 2001. MELUCCI, Alberto. A invenção do presente: Movimentos sociais nas sociedades complexas. Tradução de Maria do Carmo Alves do Bomfim. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. MOUTERDE, Pierre. Reinventando a utopia: Práticas alternativas da esquerda latino-americana. Tradução de Ethon Fonseca; Patrícia Chit- toni Ramos Reuillard; Sandra Dias Loguércio. Porto Alegre: Tomo edi- torial, 2003. PERESSON, Mario L. Pedagogias e culturas. In: SCARLATELLI, Cleide; 26 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 24. STRECK, Danilo; FOLLMANN, José Ivo (Ogg.) Religião, cultura e edu-cação. São Leopoldo: Editora UNISINOS, 2006.RAMIREZ, Janett. Movimentos Sociais: Lócus de uma educação para acidadania. In: CANDAU, Vera Maria; SACAVINO, Susana. (Org.). Educarem direitos humanos: construir democracia. Rio de Janeiro: DP&A,2002. Movimentos SociaisRUCHT, Diether. Sociedade como projeto: projetos na sociedade: so-bre o papel dos movimentos sociais. Civitas. Porto Alegre: EDIPUCRS,2001, ano 1, n. 1, p. 13-28, jun.SANTOS, Boaventura de Sousa. Pela mão de Alice: O social e o políticona pós-modernidade. 2º edição. São Paulo: Cortez, 1966.STRECK, Danilo R. O Fórum Social Mundial e a agenda da educaçãopopular. Revista Brasileira de Educação. Rio de Janeiro: ANPED, 2004,n. 26, p. 58-69, Mai/Jun/Jul/Ago.______. Educação para um novo contrato social. Petrópolis: Vozes,2006.TOURAINE, Alain. Critica da modernidade. Tradução de Elia FerreiraEdel. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994._____ e KHOSROKHAVAR, Alain. A busca de si: Diálogo sobre o sujei-to. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.WESTHELLE, Vitor. Voces de protesta en América Latina. México: CE-TPJDR, 2000.Capítulo: Movimentos Sociais 27
  • 25. Atividades Orientar a segunda leitura do texto a partir de questões suge- ridas pelos organizadores para aprofundamento de reflexões, abaixo apresentadas: Atividade I: Localizando movimentos sociaisMovimentos Sociais 1. Que movimentos sociais você conhece, em seu município, re- gião, ou distrito e o que você sabe /conhece sobre os seus objetivos, Recomendações: Fazer registros propósitos (o que eles querem)? escritos de cada atividade 2. Relate sobre alguma das atividades/ações por eles realizadas. 3. Em sua experiência de ensino, que ações/temas construídos pelo movimento social tiveram, ou têm, implicações na sua prática educativa. Atividade II: Analisando as contribuições dos movimentos sociais para a construção da prática pedagógica escolar 1. Liste os itens comentados no artigo como sendo as “contri- buições dos movimentos sociais enquanto também um movimento pedagógico para a sociedade”: Sublinhe (no texto) as idéias que você considera importante serem discutidas, em cada um dos itens. 2. À luz dos itens listados na questão acima, analise, critique e avalie sua atividade pedagógica na sala de aula, levando em conside- ração a sua experiência profissional e de vida. Atividade III: Refletindo sobre limites e possibilidades das contribuições do autor para a construção conceitual da educa- ção 1. Após ler as conclusões do texto, analise e critique as noções de conhecimento, explicitadas pelo autor. 2. Reconhece nessas práticas dos movimentos sociais alguma contribuição possível de nos questionar, nos fazer revisar e mesmo, reconstruir nossos conceitos sobre educação? 28 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 26. Texto II – Professor Geovanni Semeraro Objetivo: Discutir “libertação” e “hegemonia” como conceitoscomplementares nas lutas coletivas pela terra e por uma educaçãodo campo diferenciada e de qualidade. Movimentos Sociais A construção coletiva de projeto diferenciado de educação docampo remete-nos à história do pensamento, para compreender oque é “libertação” e o que é “hegemonia”. Na década de 1970, Paulo Freire lançou o livro Pedagogia doOprimido que traz importantes contribuições para compreender ediscutir lutas coletivas dos oprimidos pela de uma sociedade eman-cipada. Antonio Gramsci, por sua vez, é intelectual que contribui paraaprofundar análise sobre hegemonia, na correlação de forças na so-ciedade de classes. Como debates sobre libertação e hegemonia podem contribuirpara discutir a construção de processos de participação das popula-ções excluídas, superando estruturas de exploração de classes e dedistribuição desigual de riquezas materiais e bens culturais? O professor Geovane Semeraro da Universidade Federal Flumi-nense aprofunda análises nesse sentido, partindo de questões con-cretas de nosso tempo. Por isso estamos lançando o desafio para ini-ciarmos discussões sobre esta problemática, a partir de um de seusartigos: “Da libertação à hegemonia: Freire e Gramsci no processo dedemocratização do Brasil”. Leia a introdução do artigo, buscando estabelecer di- álogo com o autor a partir de algumas questões iniciais. Em seguida, acesse o artigo na íntegra na plataforma Moodle e/ou CD Rom, para aprofundamento das análises propostas pelas questões aqui apresentadas. Como o autor discute “libertação” e “hegemonia”? Vamos à leitura do texto! Ler atentamente os textos do livro e do CD- RomCapítulo: Movimentos Sociais 29
  • 27. DA LIBERTAÇÃO À HEGEMONIA: FREIRE E GRAMSCI NO PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO DO BRASIL Giovanni SEMERAROUFF RESUMOMovimentos Sociais As lutas populares que se desencadearam no Brasil desde os anos 1960 até hoje podem ser caracterizadas por dois grandes para- digmas: “libertação” e “hegemonia”. A “libertação” foi a tônica predo- minante nos anos 1960 e 1970. A “hegemonia” tem sido a palavra de ordem ao longo dos anos 1980 e 1990. A primeira, representada par- ticularmente por Paulo Freire, e a segunda, tendo em Antonio Gra- msci sua referência maior, foram se entrelaçando e tornaram-se inse- paráveis no desenho de um projeto alternativo de sociedade. Neste artigo, apresenta-se uma análise crítica de seus significados em de- corrência dos dez anos da morte de Paulo Freire e dos 70 da morte de Gramsci. O texto que segue, além de percorrer os significados, as diferenças e o entrelaçamento de “libertação” e “hegemonia” em seu contexto histórico e social, apresenta uma reinterpretação dos dois paradigmas ante as mudanças políticas e culturais atualmente em curso no Brasil e na América Latina. Palavras-chave: hegemonia; libertação; política. 30 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 28. Referências (Leituras complementares)ASSMANN, H. 1974. Teologia della prassi di liberazione. Assisi : Cittadella.BONDY, A. S. 1968. Existe una filosofia de nuestra América? México : Siglo XXI. CAR-DOSO, F. H. & FALETTO, E. 1967. Dependencia y desarrollo en América Latina. Mé-xico : Siglo XXI. Movimentos SociaisDUSSEL, E. 2002. Ética da libertação na idade da globalização e da exclusão. Petró-polis : Vozes.FREIRE, P. 1967. Educação como prática da liberdade. São Paulo : Cortez._____. 1970. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro : Zahar._____. 1980. Conscientização. São Paulo : Moraes._____. 1982. A importância do ato de ler. São Paulo : Cortez._____. 1992. Pedagogia da esperança. Rio de Janeiro : Zahar. FREIRE, P. & SHOR, I. 1987. Medo e ousadia : o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: Paz e Terra.FREIRE, P.; GADOTTI, M. & GUIMARÃES, S. 1986. Pedagogia : diálogo e conflito. SãoPaulo : Cortez.GOHN, M. G. 1997. Teorias dos movimentos sociais. Paradigmas clássicos e contem-porâneos. São Paulo : Loyola.GUTIERREZ, G. 1972. Teologia de la Liberación. Salamanca : Sígueme._____. 1981. A força histórica dos pobres. Petrópolis : Vozes.GRAMSCI, A. 1975. Quaderni del carcere. 4 v. Torino : Einaudi.LOSURDO, D. 2005. Controstoria del liberalismo. Roma : Laterza.LÖWY, M. 1991. Marxismo e Teologia da Libertação. São Paulo : Cortez._____. 2006. Introdução. In : MARIÁTEGUI, J. C. Por um socialismo indo-americano.Rio de Janeiro : UFRJ.MARX, K. 1998. O Capital. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira.MARX, K. & ENGELS, F. 1998. A ideologia alemã. São Paulo : Martins Fontes.QUIJANO, A. 1967. Dependencia, cambio social y urbanización latinoamericana.Revista Mexicana de Sociologia, Ciudad de México, n. 30, p. 505-510.SANTOS, T. 1969. Crise de la teoria del desarrollo y las relaciones de dependencia enAmérica Latina. Ciudad de México : Siglo XXI.SEMERARO, G. 1994. A primavera dos anos 60. São Paulo : Loyola._____. 2001. Gramsci e a sociedade civil. 2ª ed. Petrópolis : Vozes._____. 2006. Gramsci e os novos embates da filosofia da práxis. Aparecida : Idéiase Letras.Capítulo: Movimentos Sociais 31
  • 29. Atividades: Para aprofundamento do estudo do texto, realize as seguintes atividades sugeridas pelos organizadores. Atividade I: Analisando conceitos Leia inicialmente a introdução do artigo, buscando estabelecer diálogo com o autor a partir de algumas questões iniciais. Em segui-Movimentos Sociais da, acesse o artigo na íntegra na plataforma moodle e/ou CD Rom, Recomendações: Fazer registros para aprofundamento das análises propostas pelas questões aqui escritos de cada atividade apresentadas. 1. Como o autor discute “libertação” e “hegemonia”? Atividade II: Ressignificando a Educação do Campo A partir dos anos 1990, no entanto, intensas mudanças na polí- tica, na economia e na cultura vêm provocando uma ressignificação dos paradigmas de “libertação” e “hegemonia”, sinalizando um novo ciclo da história das lutas populares. Nas páginas que se seguem, queremos mostrar como Paulo Freire (1921-1997) e Antonio Gramsci (1891-1937) aparecem juntos não apenas nas datas comemorativas de nascimento e morte, mas continuam associados na inspiração das atuais lutas dos “oprimidos” e dos “subalternos” do Brasil e do mun- do. A leitura do texto nos leva compreender o sentido das palavras “libertação” e “hegemonia” e sua utilização ao longo das ultimas dé- cadas da História do Brasil. Seu entendimento nos conduz a reflexões sobre as incoerências estruturais; as profundas raízes da dominação; a geração de forças organizativas; e as articulações políticas junto aos movimentos sociais. Responda: 1. Que argumentos você empregaria para apoiar a idéia de que uma Educação do Campo envolvida com sua realidade de inserção promoveria um projeto alternativo de sociedade? 2. Tendo como espaço de análise sua a prática educacional su- gira ações para famílias camponesas da área de inserção da escola em que você atua. Ações que: a) proporcione melhoria na qualidade de vida; b) fortaleça politicamente suas formas de organização so- cial; c) encoraje práticas de produção que respeite suas diversidades e lógicas produtivas e; d) resgate e valoriza suas formas de manifes- tações culturais e lingüísticas. 32 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 30. Texto III - Professor Damián Sánchez Sánchez Objetivo: Avaliar lutas de povos indígenas pelo direito à terra,com valorização de suas culturas, identidades e saberes. Realize uma leitura inicial do texto, fazendo anotações para ela-boração de uma síntese, que será discutida no subgrupo de estudo. Movimentos SociaisEm seguida retome o artigo, buscando dados para resolver as ques-tões propostas. Não deixe de registrar suas reflexões, com vistas aocompartilhamento das mesmas no seu subgrupo e no encontro daturma de que você faz parte no Polo da UAB. Aprofunde suas inves-tigações navegando nos sites sugeridos pelo autor, no final do texto.MOVIMENTOS SOCIAIS NO CAMPO - LUTAS DOS PO-VOS INDÍGENAS Damián Sánchez Sánchez 11 Nesses mais de 500 anos de existência de uma sociedade fun-dada na invasão e no extermínio dos povos indígenas, construída na Leia atentamente os textos do livro e doescravidão e na exploração dos negros e dos setores populares, as CD- Rom.revoltas, insurreições, movimentos políticos e sociais emergem como Registre as atividades de forma escrita, oralformas de resistência dos povos que aqui viviam há mais de 40 mil e fílmica.anos. Há estimativas de que, em 1500, existiriam cerca de 6 milhões12 de nativos no País. Hoje, estima-se a população indígena em pouco 11 Aluno do curso de doutorado do Programa de Pós-Graduaçãomais de 350 mil, não chegando a 0,20% da população brasileira. Eles em Educação do Ceentro de Edu-estão espalhados em quase todo o País, encontrando-se, principal- cação da Universidade Federal do Espírito Santo. Ex-coordenador damente, nas regiões Norte e Centro-Oeste. O maior local de concen- Comissão Pastoral da Terra - CPTtração é a Amazônia legal. 13 Atualmente, sobrevivem cerca de 241 da Regional do Espírito Santo e Rio de Janeiro. Foi membro da Articu-povos indígenas identificados . 14 lação Nacional “Por uma Educação Os índios foram escravizados pelos portugueses assim que es- Básica do Campo” e coordenador da grande região Minas Gerais, Es-tes chegaram e se apropriaram do País. A partir de 1595, fica proibi- pírito /santo e Rio de Janeiro. Foido o aprisionamento dos índios, porém isso só acontece no papel. membro da comissão organizado- ra da I Conferência Nacional “PorO fato é que a escravização, a aculturação e o extermínio deliberado uma Educação Básica do Campo”.continuaram ocorrendo, fazendo com que vários grupos indígenas Participou do I ENERA - Encontyro Nacional de Educadores e Educa-desaparecessem ou ficassem restritos a um número reduzido de doras da Reforma Agrária.membros. 12 Fonte: Conselho Indigenista Missionário (CIMI). 13 Área geográfica criada pelo Go- verno em 1966, compreendendo os Estados de Maranhão, Pará, To- cantins, Amapá, Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia e Mato Grosso, abrangendo uma área total de 4.900.000km2 (60% do território nacional). 14 Para maiores informações remetemos o leitor à página do Conselho Indigenista Misi- sionário: <http://www.cimi.org. br/?system=news&eid=292Capítulo: Movimentos Sociais 33
  • 31. Referências (Leituras complementares) BASTOS, Elide Rugai. As Ligas Camponesas. Petrópolis: Vozes, 1984. COMISSÃO PASTORAL DA TERRA. CPT: pastoral e compromisso. Pe- trópolis: Vozes, 1983Movimentos Sociais FREI BETO. Para uma melhor distribuição da terra: o desafio da refor- ma agrária - versão popular. São Paulo: Loyola, 1998 GÖRGEN, Frei Sérgio Antônio. A resistência dos pequenos gigantes: a luta e a organização dos pequenos agricultores. Petrópolis: Vozes, 1998 STÉDILE, João Pedro. Situação perspectiva da agricultura brasileira: texto para o manual de monitor do conselho popular. Brasília, 1998. Mimeografado. MEINCKE, Sílvio. Luta pela terra e reino de Deus. São Leopoldo-RS: Sinodal, 1987. Sugestões de sites e endereços eletrônicos: Comissão Pastoral da Terra - http://www.cptnac.com.br/ Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra - http://www.mst. org.br/ Sugestões de Filmes: Sarandi Direção: Carlos Carmo * Duração: 26 min * 2007 * Apoio: NEAD No dia 7 de setembro de 1979, um grupo de mais de 100 famílias de agri- cultores marcou a história da luta pela terra no Brasil. Expulsas de uma reserva in- dígena em Nonoaí (RS), essas famílias reúnem-se e organizam a primeira ocupação de terra bem sucedida após a implantação da ditadura militar, em 1964. Os agri- cultores familiares ocupam as granjas Macali e Brilhante, duas fatias de um grande latifúndio chamado Fazenda Sarandi, no Norte gaúcho. Na ocasião, as expectativas dos sem-terra foram documentadas, em Super 8, no filme “Fazenda Sarandi”. Esse registro raro é um dos materiais históricos usados no documentário “Sarandi”, que traça, por meio de depoimentos e memórias, um panorama da região ao longo desses 27 anos. Memórias Clandestinas Direção: Maria Thereza Azevedo * Duração: 52 min * 2007 * Apoio: NEAD e PPIGRE O filme narra parte da história de vida de Alexina Crespo, primeira mulher de Francisco Julião – ex-deputado estadual e advogado pernambucano, liderança das Ligas Camponesas, – e sua atuação na organização e ampliação das Ligas. A obra traz depoimentos de Alexina e seus quatro filhos - Anatailde, Anatilde, Ana- 34 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 32. tólio e Anacleto, além da participação de pesquisadores e moradores do engenhoGaliléia. Os entrevistados abordam a organização do movimento, o golpe militar, aguerrilha e o exílio de Alexina em Cuba, em importantes episódios que ficaram nosilêncio e na clandestinidade. Expedito: Em Busca de Outros Nortes Direção: Beto Novaes e Aida Marques * Duração: 80 min * 2006 * Apoio: Movimentos SociaisNEAD Em busca de dinheiro, poder, ou simplesmente do tão sonhado pedaço deterra, lavradores, madeireiros, pistoleiros, pequenos comerciantes e garimpeirosempreenderam uma migração maciça para a Amazônia durante a década de 1970.Expedito Ribeiro de Souza, trabalhador rural de Minas Gerais, resolve entrar nessaaventura com a família. Ele parte para o Sudeste do Pará guiado pela notícia dareforma agrária nas redondezas, ouvida no rádio. A saga de Expedito e seu enga-jamento na luta social e política na região do Araguaia, que o levaram a enfrentarameaças de morte arquitetadas pelos fazendeiros locais, constituem o enredo dofilme. Zé Pureza Direção: Marcelo Ernandez * Duração: 97 min * 2006 * Apoio: NEAD O filme acompanha um grupo de pessoas na trajetória do acampamentoaté o assentamento, que leva o nome “Zé Pureza” em homenagem ao mais impor-tante líder camponês do Rio de Janeiro do período pré-64. São mostradas as reu-niões de mobilização, ocupações, os despejos, as manifestações públicas e dramassociais dessas famílias nos diversos locais onde estiveram acampadas. Quadra Fechada Direção: Beto Novaes * Duração: 27 min * 2006 * Apoio: NEAD Roubos nas medições da jornada de trabalho, na pesagem e no preço dacana colhida têm motivado freqüentes conflitos na zona canavieira. Para superaressas distorções, o Sindicato dos Empregados Rurais de Cosmópolis e região ne-gociaram o sistema Quadra Fechada, em que o sindicato controla a metragem cor-tada por meio de mapas de campo e o peso através de um computador colocadona balança da usina. O vídeo apresenta esse sistema e também os desafios enfren-tados pelos trabalhadores rurais com a intensificação cada vez maior do ritmo detrabalho. Para saber mais - A CARTA DA TERRA Se depender do esforço da sociedade civil organizada, as futu-ras gerações poderão viver em um mundo melhor. Mais de 100 milpessoas se mobilizaram em prol da Carta da Terra, aprovada na Fran-ça. O documento é fruto da discussão de 46 Países, incluindo o Brasil. Com a mesma representatividade internacional da Declaraçãodos Direitos Humanos, a Carta propõe aos Países envolvidos “formaruma aliança global” em respeito à terra e à vida. Para conhecer o con-teúdo da carta entre no seguinte endereço: www.mma.gov.br/estru-turas/agenda21/_arquivos/carta_terra.docCapítulo: Movimentos Sociais 35
  • 33. Atividades Realize as seguintes atividades proposta pelos organizadores. 1. Faça um quadro comparativo sobre o acesso à terra, de acor- do com as Constituições Brasileiras de 1891, 1946 e o Estatuto da Ter- ra do Regime Militar.Movimentos Sociais 2. Se a democratização do acesso à terra é tão urgente no Brasil, Recomendações: Fazer registros faça uma pesquisa de opinião perguntando por que os diversos Go- escritos de cada atividade vernos não têm vontade e decisão política de realizar uma Reforma Agrária ampla e justa. 3. A partir do texto “As esperanças de Pedro Antônio”, identifi- que o antes, o durante e o depois da vida de uma família Sem-Terra. 4. A origem das Ligas Camponesas está na criação de um fundo funerário para fazer caixões. Explique o que esse fato tem a ver com o movimento camponês desencadeado. 5. Faça um levantamento em grupo dos assentamentos dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra no Brasil e no Espírito Santo. 6. Desenhe os símbolos dos Movimentos Sociais no Campo que você estudou. 7. Identifique, em um mapa, as regiões com maior índice de concentração fundiária no Espírito Santo e faça uma correlação com os movimentos sociais descritos no texto. 8. Na sua opinião, qual a origem dos conflitos no campo e de que forma esses conflitos podem ser resolvidos? 9. Consulte o IBGE e faça um levantamento da estrutura da pro- priedade da terra no Espírito Santo. Desafio Interessante Mesmo que você não seja um grande conhecedor da história da questão agrária, dá para perceber que, nos distritos dos municípios e Estados onde temos um número maior de pequenas propriedades rurais (com agricultura do tipo familiar), existe uma vida comunitária, na qual o índice de pobreza e violência é menor. É verdade essa afirmação? Faça uma pesquisa no seu município ou em outros municípios, para comprovar ou não essa assertiva. 36 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 34. Texto IV – Professor Erineu Foerste e Professora Josi-mara Pezzin Objetivo: Refletir sobre campesinato e suas perspectivas nocontexto atual. Movimentos Sociais Os textos trabalhados no Eixo Temático Movimentos Sociaisaté agora nos desafiam a problematizar o que compreendemos por“movimentos sociais”, “campesinato”, “luta pela terra”, “educação”. Se-meraro nos instiga, problematizando o conceito de libertação, termomuito usado pelos intelectuais militantes dos Movimentos Sociais epor segmentos dos profissionais do ensino. Quando lemos os textos do Professor Danilo R. Streck, qual eraa concepção de libertação que norteava nossas reflexões e interlocu-ções com o autor? Ao discutir o texto do Professor Damián Sánchez,disponibilizados no CD-ROM, como compreendíamos a idéia de li-bertação no contexto das lutas coletivas no campesinato? A seguir apresentaremos a parte introdutória do texto da Pro-fessora Josimara Pezzin e do professor Erineu Foerste: “O campesi-nato morreu?” Este artigo foi produzido a partir da dissertação demestrado da primeira, defendida em 2007 no Programa de Pós-Gra-duação em Educação do Centro de Educação da Universidade Fede-ral do Espírito Santo, cujo título ficou formulado assim: “Professoras eprofessores sem-terra; um estudo sobre práticas educativas do MST”. Leia atentamente os textos do livro e doConsultar a dissertação na íntegra no site: www.ppge.ufes.br CD- Rom. Registre as atividades de forma escrita, oral e fílmica.O CAMPESINATO MORREU? Erineu Foerste 15 Josimara Pezzin 16 No dia 1.º de janeiro, dia em que o Nafta entrou em vigor, o México moderno e urbano foi surpreendido por um levante guerrilheiro em Chiapas, [..]. No dia 13 de janeiro, o governo pediu trégua ao líder zapatista subcomandante Marcos que anunciou suas reivindicações, entre elas, a exi- gência do retorno do Artigo 27 da Constituição, que dava garantias legais à propriedade comunal das terras agrícolas – uma herança da reforma agrária iniciada na década de 1910, durante a Revolução Mexicana (Revista Página Aberta, 15 Professor adjunto da Universi- dade Federal do Espírito Santo e 1996, p. 30, apud: Oliveira, 2002, p. 53). membro do Colegiado do Progra- ma de Pós-Graduação em Educa- A guerrilha comunista das FARCs atacou Bogotá, ontem, ção. no dia da posse do novo presidente. [...]. Foi sob uma chuva de 16 Mestre em Educação pelo Cen- morteiros atirados pelas FARCs que Alvaro Uribe Vélez assu- tro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo. Docente miu suas funções em agosto do ano passado, anunciando o da Escola de Ensino Superior São recrudescimento do conflito entre o Estado e as guerrilhas, Francisco de Assis – Santa Teresa/ agora com intervenção cada vez maior das forças norte- ES. Técnica Pedagógica da Secre- taria de Estado da Educação do americanas (Jornal O Globo, 16 agost. 2002). Espírito Santo.Capítulo: Movimentos Sociais 37
  • 35. Hoje, dia 14, completa um ano que os trabalhadores da Via Campesina se uniram e ocuparam uma área de 127 hec- tares, pertencente a multinacional suíça, Syngenta Seeds. O local era um campo de experimentos de soja e de milho transgênicos e a biodiversidade estava contaminada pela pro- dução de organismos geneticamente modificados. Batizado de Acampamento “Terra Livre”, o local se transformou emMovimentos Sociais espaço de preservação da vida e de produção de ali- mentos agroecológicos. Desde que ocuparam a área, em 14 de março de 2006 os camponeses estão trabalhando com práti- cas agroecológicas para descontaminar a terra. As 60 famílias que ocuparam o local já colheram este ano, a primeira safra de alimentos, produzidas dentro do modelo de cultivo agroecoló- gicos (Jornal dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, 14 de março de 2007). O MST no Rio de Janeiro divulgou na tarde de ontem, dia 13, uma carta pedindo vontade política ao governo do Es- tado e solidariedade aos movimentos sociais e organizações da sociedade civil. A carta denuncia a situação precária em que vivem as 75 famílias do acampamento Terra Prometida, em Nova Iguaçu, e atribui a responsabilidade ao governo, que se comprometeu em abril do ano passado a assentar as famílias e a garantir a infra-estrutura para o desenvolvimento local. Há uma semana, parte das famílias ocupa os corredores do Instituto de Terras do Estado do Rio de Janeiro e insistem que só deixam o órgão quando resolverem sua situação (Jor- nal dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, 14 de março de 2007). Os relatos acima estão relacionados a um fato que vem conco- mitantemente tomando o cenário político latino-americano, a eclo- são de movimentos sociais de cunho campesino. A colocação do líder zapatista mexicano é bem elucidativa e reflete o contexto por qual passa a América Latina: Nós zapatistas nos vemos como um sintoma de algo maior e mais geral que está acontecendo em todos os conti- nentes, onde muitos dizem, ou gostariam de dizer “Ya Basta!” (Subcomandante Marcos, OLIVEIRA, 2002, p.53). 38 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 36. Referências (Leituras complementares)BERTONHA, Fábio José. Sendero Luminoso: ascensão e queda de umgrupo guerrilheiro. Espaço Acadêmico, Maringá, 10 ago. 2001.FERNANDES, Bernardo Mançano. MST formação e territorialização. Movimentos SociaisSão Paulo: Hucitec, 1999.FERREIRA, Jorge. Trabalhadores do Brasil: o imaginário popular. Riode Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1997.FOERSTE, Erineu. Pedagogia da Terra – Uma Avaliação da Experiênciada Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória: PRONERA/AçãoEducativa (relatório de pesquisa), 2004.GOHN, Maria da Glória. História dos Movimentos e Lutas Sociais:a construção da cidadania dos brasileiros. São Paulo: Edições Loyola,1995._________. Movimentos Sociais e Educação. São Paulo: Cortez, 1998._________. Os Sem Terra, ONGs e Cidadania. São Paulo: Edições Loyo-la, 2000._________. Movimentos Sociais na atualidade: manifestações ecategorias analíticas. In: GOHN, M. G. (org). Movimentos Sociais noinício do século XXI: antigos e novos atores sociais. Rio de Janeiro:Vozes, 2003._________. Teoria dos Movimentos Sociais: paradigmas clássicose contemporâneos. São Paulo: Edições Loyola, 2006.HOBSBAWN, J. Eric. A Era dos Extemos: o breve século XX. Compa-nhia das Letras: São Paulo, 1995.IANNI, Octavio. Revoluções Camponesas na América Latina. In:SANTOS, José Vicente T. dos (org.). Revoluções Camponesas na Amé-rica Latina. São Paulo: Editora da Unicamp,1985.IBGE. Anuário Estatístico do Brasil – 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 2001.LEON, Antônio G. Transitar à Democracia via para a paz em Chia-pas. In: ARELLANO, A. B. & OLIVEIRA, A. U (org.). Chiapas: Cons-truindo a Esperança. São Paulo: Paz e Terra, 2002, p. 103-107.MARTINS, José de Souza. O Cativeiro da Terra. São Paulo: Hucitec,1986._________. Educação e Cultura nas lutas do campo: reflexõessobre uma pedagogia do conflito. In: SEVERINO, Antônio Joaquim etal. Sociedade Civil e Educação. Campinas, SP: Papirus, 1995.Capítulo: Movimentos Sociais 39
  • 37. MEDEIROS, Leonilde Servolo de. Impactos Históricos do uso e da pro- priedade da terra no Brasil. In: STÉDILE, João Pedro. A Reforma Agrá- ria e a luta do MST. Rio de Janeiro: Vozes, 1997, p. 77-94. MOGUEL, Júlio. O Zapatismo: um ano depois. In: ARELLANO, A. B. & OLIVEIRA, A. U (org.). Chiapas: Construindo a Esperança. São Paulo: Paz e Terra, 2002, p. 75-78.Movimentos Sociais MONSIVAIS, Carlos. Década de 80 – Os preparativos. In: ARELLANO, A. B. & OLIVEIRA, A. U (org.). Chiapas: Construindo a Esperança. São Paulo: Paz e Terra, 2002, p.115-118. MOREIRA, Vânia M. Lousada. Da morte do campesinato ao nascimen- to do MST. Revista SBPH, Curitiba, nº 15, 1998. NAVARRO, Luiz Hérnandez. Municípios Autônomos: a razão estraté- gica. In: ARELLANO, A. B. & OLIVEIRA, A. U (org.). Chiapas: Cons- truindo a Esperança. São Paulo: Paz e Terra, 2002, p. 169-171. OLIVEIRA, A. Umbelino. A Rebeldia Zapatista no México. In: ARELLA- NO, A. B. & OLIVEIRA, A. U (org.). Chiapas: Construindo a Esperança. São Paulo: Paz e Terra, 2002, p. 52-60. PIZETTA, Adelar João. Formação e Práxis dos Professores das Escolas de Assentamentos: A experiência do MST no Espírito Santo. Disserta- ção (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Edu- cação, UFES, Vitória, 1999. ROJAS, Humberto R. Os Movimentos Sociais Agrários na América do Sul com especial referência à Colômbia.In: SANTOS, José Vicente T. dos (org.). Revoluções Camponesas na América Latina. São Paulo: Editora da Unicamp, 1985. SANTOS, J. V. T. Lutas Agrárias Latino-Americanas : da resistência ao projeto societário. SANTOS, José Vicente T. dos (org.). Revoluções Camponesas na América Latina. São Paulo: Editora da Unicamp, 1985. STÉDILE, João Pedro. A Luta pela Reforma Agrária e o MST. In: STÉDILE,João Pedro. A Reforma Agrária e a luta do MST. Rio de Janeiro: Vozes, 1997, p. 95-110. THOMPSON, E. P. A formação da Classe Operária Inglesa: I – a árvore da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. __________. A Miséria da Teoria e um planetário de erros: uma crítica ao pensamento de Althusser. Rio de Janeiro: Zahar, 1981. VALADÃO, Vanda de Aguiar. Assentamentos e Sem Terra: a Importân- cia do papel dos mediadores. Vitória: EDUFES, 1999. VEIGA, José E. Cidades Imaginárias. São Paulo: Autores Associados, 2002. 40 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 38. ZEN, Elieser Toreta. Pedagogia da Terra: a formação do professorsem-terra. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, UFES, Vitória, 2006. Movimentos Sociais Atividades Realize as seguintes atividades proposta pelos organizadores. Atividade I: Analisando conceitos Leia o texto na íntegra na plataforma moodle e/ou CD Rom e responda: 1. O que é campesinato? 2. Faz sentido a pergunta levantada no título do artigo? Recomendações: Fazer registros Atividade II: Trabalhando com a problemática. escritos de cada atividade 1. Busque em jornais e/ou revistas matérias que tratam do cam-pesinato e monte um mural em sua escola com recortes sobre a pro-blemática. 2. Discuta o tema com a comunidade escolar, fazendo registrosde depoimentos escritos e/ou gravados (MP 3, fotografias digitais e/ou filmagem digital). 3. Encaminhar o material coletado para ser editado com o obje-tivo de disponibilizar resultados na plataforma Moodle. Atividade III: Comparando idéias Agora leia o texto I do Professsor Bernardo Mançano Fernandesdo Eixo Temático Educação do Campo e responda. 1. Em que o artigo “O campesinato Morreu?” se assemelha eoudiferencia do texto “Educação do campo e território”?Capítulo: Movimentos Sociais 41
  • 39. Movimentos Sociais 42 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 40. Texto V – Professor Bernardo Mançano Fernandes Objetivo: Discutir questões sobre políticas de reforma agrária,estabelecendo relações com movimentos sociais campesinos e suasinterfaces com a construção de um projeto diferenciado de educa-ção do campo. Movimentos Sociais O texto encontra-se publicado no Caderno 6 – Por uma Educa-ção do Campo. Serviu de base da palestra proferida pelo ProfessorMançano na mesa-redonda: “O campo da educação do campo”, du-rante a realização do “I Encontro Regional do Programa Nacional deEducação na Reforma Agrária – PRONERA na Região Sudeste”, raliza-do no final de 2004 em Vitória – ES. Somos desafiados a refletir sobrea importância da Reforma Agrária no processo de transformação dasociedade brasileira e latino-americana, cujo processo histórico aca-bou legitimando o latifúndio e agronegócio , em detrimento da dig-nidade humana dos trabalhadores campesinos. Na perspectiva doProfessor Mançano, “a realização de uma política de reforma agráriaé fundamental para o desenvolvimento econômico e político do Bra-sil”. Você concorda ou não com a afirmativa do autor? Justifique suaresposta com base nas informações que você já possui e as obtidasno texto e/ou pesquisadas em outras fontes. Leia atentamente os textos do livro e doTEORIA E POLÍTICA AGRÁRIA: SUBSÍDIOS PARA PEN- CD- Rom.SAR A EDUCAÇÃO DO CAMPO 17 Registre as atividades de forma escrita, oral e fílmica. Prof. Dr. Bernardo Mançano Fernandes/UNESP Neste texto apresentamos uma reflexão a respeito da atualida-de da questão agrária no Brasil, discutindo os principais paradigmase as políticas desenvolvidas pelos movimentos camponeses e o go- 17 Palestra ministrada no I SEMI- NÁRIO DO PRONERA – VITÓRIA -verno federal. Iniciamos com um debate conceitual para ampliarmos ES -1 de outubro de 2004.as discussões a respeito dos paradigmas e suas políticas. Na segundaparte, apresentamos as práticas dos movimentos camponeses e ostipos de mediadas praticadas pelo Estado.Capítulo: Movimentos Sociais 43
  • 41. Referências Bibliográficas CARDOSO, Fernando Henrique. Prefácio. In Graziano Neto, Francisco. A Tragédia da Terra: o fracasso da reforma agrária no Brasil. São Paulo: IGLU/FUNEP/UNESP, 1991.Movimentos Sociais DATALUTA – Banco de Dados da Luta pela Terra. Relatório Pesquisa Nacional – DATALUTA – MST. Presidente Prudente, 2004. FERNANDES, Bernardo Mançano. A judiciarização da luta pela refor- ma agrária. In GEOUSP – Revista de pós-graduação em Geografia. São Paulo: Departamento de Geografia da FFLCH-USP, 1997, p. 35-9. FERNANDES, Bernardo Mançano. A Formação do MST no Brasil. São Paulo, Editora Vozes, 2000. FERNANDES, Bernardo Mançano. The occupation as a form of Access to land. XXIII International Congress of the Latin American Studies Association. Washington, D.C., September 6-8, 2001 FERNANDES, Bernardo. Mançano., et ali. Insertion socio-politique et criminalisation de la lutte pour la terre: occupations de terre et assen- tamentos ruraux das le Pontal do Paranapanema - São Paulo. Cahiers du Bresil Contemporain. La Riche: , v.51/52, p.71 - 94, 2003. INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Plano Nacional de Reforma Agrária. Brasília, 2003. LIMA, Solange. FERNANDES, Bernardo Mançano. Trabalhadores urba- nos nos assentamentos rurais: a construção de novos sujeitos sociais. Presidente Prudente, 2001. Relatório CNPq – PIBIC 1999 - 2001. MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário. Plano Nacional de Reforma Agrária. Brasília, 2003. STEDILE, João Pedro e FERNANDES Bernardo Mançano. Brava Gente: a trajetória do MST e a luta pela terra no Brasil. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1999. 44 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 42. Atividades Realize as seguintes atividades proposta pelos organizadores. 1. De modo pertinente, o autor nos apresenta três paradigmasdenominados a partir de suas perspectivas para o campesinato. O pa-radigma do fim do campesinato compreende que este está em vias Movimentos Sociaisde extinção. O paradigma do fim do fim do campesinato entende asua existência a partir de sua resistência. O paradigma da metamor- Recomendações: Fazer registrosfose do campesinato acredita na sua mudança em agricultor familiar. escritos de cada atividadeAssinale no texto em quais momentos o autor faz menções a estesparadigmas. Em seguida, elabore por escrito, uma análise crítica so-bre o ponto de vista do autor. Produza um texto relacionado com osparadigmas e qual deles você sustentaria argumentos de uma análi-se de defesa? 2. Segundo o professor Bernardo Mançano Fernandes o pro-cesso de transformação do camponês em agricultor familiar sugeretambém uma mudança ideológica. O camponês metamorfoseadoem agricultor familiar perde a sua história de resistência, fruto dasua pertinácia, e se torna um sujeito conformado com o processode diferenciação que passa a ser um processo natural do capitalis-mo. Desenvolva uma pesquisa de campo, no seu espaço de trabalho,sobre os distintos olhares do significado do termo “camponês(a)” e“agricultor(a) familiar”. Elabore um quadro comparativo dos diferen-tes conceitos obtidos no levantamento efetivado. Você concordacom o autor em relação à frase sublinhada acima? Explique sua opi-nião através da elaboração de um texto. 3. Segundo o autor, conviver com as desigualdades geradaspelo desenvolvimento do capitalismo é natural. Produzir o espaçocamponês ou do agricultor familiar dentro da lógica do capital tornase a única opção. Aceitar suas políticas torna-se a única saída. Nãohá perspectiva fora do espaço do capital e lutar contra essa lógica éser atrasado, perdendo a oportunidade dada pelo capital em tornarse moderno (ou agricultor familiar). Como o “Curso de Especializaçãoem Educação do Campo” pode colaborar para amenizar a análise fei-ta pelo autor sobre a situação em que se encontram os povos quevivem no e do campo?Capítulo: Movimentos Sociais 45
  • 43. 4. E no ambiente cotidiano da família e na convivência interge- racional são recriadas as relações de aprendizagem do camponês(a). Segundo Mançano “a base familiar é uma das principais referências para delimitar o conceito de campesinato. Em toda sua existência essa base foi mantida e é característica fundamental para compre- endê-la.”. Que espaços podem ser ocupados pela família dentro do processo de aprendizagem dos alunos? É possível perceber a famíliaMovimentos Sociais como parceira? Na sua prática diária que papel tem desempenhado Recomendações: Fazer registros as famílias no espaço escolar? Onde convivem vários canais de parti- escritos de cada atividade cipação, a escola é anulada ou gradativamente substituída como es- paço de participação e discussão? 5. Após a leitura e reflexão do texto responda: Que conjunto de critérios você utilizaria para delimitar o conceito de camponês. 6. “A realização de uma política de reforma agrária é fundamen- tal para o desenvolvimento econômico e político do Brasil”. Você con- corda ou não com a afirmativa do autor? Justifique sua resposta com base nas informações que você já possui e as obtidas no texto. 46 Capítulo: Movimentos Sociais
  • 44. Movimentos Sociais CAPÍTULO EDUCAÇÃO DO CAMPO Recomendações Realize uma leitura inicial dos textos, fazendo anotações para elaboração de uma síntese, que será discutida no grupo de estudo. Em seguida retome os artigos, buscando dados para resolver as ati- vidades propostas. Não deixe de registrar suas reflexões, com vistas ao compartilhamento das mesmas no seu grupo e no encontro da turma de que você faz parte no Polo da UAB.Capítulo: Movimentos Sociais 47
  • 45. Educação do Campo 48 Capítulo: Educação do Campo
  • 46. Texto I – Professor Bernardo Mançano Fernandes Objetivos: Discutir educação do campo em suas interfaces como debate sobre territórios. Realize uma leitura inicial do texto, fazendo anotações para ela-boração de uma síntese, que será discutida no grupo de estudo. Emseguida retome o artigo, buscando dados para resolver as questõespropostas. Não deixe de registrar suas reflexões, com vistas ao com-partilhamento das mesmas no seu grupo e no encontro da turma deque você faz parte no Polo da UAB. Grupo de estudo: formar grupos de até quatro componentes para trabalhar os textos e realizar ativi- dades propostas. Este grupo pre-EDUCAÇÃO DO CAMPO E TERRITÓRIO para discussões para os encontros coletivos. Bernardo Mançano Fernandes 18 Há 10 anos estamos trabalhando na construção da realidadee da teoria da Educação do Campo. Os assentamentos de reformaagrária como parte dos territórios camponeses têm sido o espaçomais amplo de realização dos projetos do Programa Nacional deEducação na Reforma Agrária (PRONERA) que nasceu em 1998. Em 18 Núcleo de Estudos, Pesquisasparceria com universidades públicas e movimentos camponeses, o Educação do Campo e Projetos de Reforma Agrária – NERA, Universidade EstadualPRONERA tornou-se um espaço de excelência para a reflexão teórica Paulista - UNESP, campus de Pre-e da prática da Educação do Campo. Por meio de projetos de alfabeti- sidente Prudente - SP, Pesquisador do CNPqzação, escolarização e de níveis médio e superior, milhares de pesso-as assentadas estão participando dos processos de desenvolvimentode seus territórios. E neste processo, a questão que tem nos desafiado é: qual ocampo da Educação do Campo? Para responder esta pergunta, apre-sentamos este ensaio teórico, que é resultado de dois tipos de traba-lho: a participação como membro da Comissão Pedagógica Nacionaldo PRONERA e na realização de um conjunto de pesquisas sobre osterritórios do campesinato e do agronegócio no Brasil, Guatemala,Estados Unidos, Canadá, Portugal e Espanha e Cuba, estudando oprocesso de formação da Via Campesina e os modelos de desenvol-vimento rural nos respectivos países. Em todos esses trabalhos te-mos analisado que a diferenciação econômica entre o campesinatoproduz diferentes formas de organização do território camponês eque as relações sociais camponesas por serem distintas das relaçõessociais capitalistas, cuja expressão atual é o agronegócio, produzemdiferentes territórios. Embora este processo seja tão evidente, ele épouco percebido. As diferenciações das dimensões dos territóriosproduzem territórios distintos. Para demarcar bem, estamos afirman-do que o campesinato e o agronegócio produzem territórios distin-tos, de modo que temos dois campos, o campo camponês e o campodo agronegócio. Neste artigo, apresentamos uma breve análise dosterritórios do campesinato e do agronegócio no território brasileiro. Aqui temos uma primeira reflexão sobre a questão que seráCapítulo: Educação do Campo 49
  • 47. aprofundada neste texto. Temos dois campos, porque os territórios do campesinato e os territórios do agronegócio são organizados de formas distintas, a partir de diferentes relações sociais. Um exemplo importante é que enquanto o agronegócio organiza seu território para produção de mercadorias, o grupo de camponeses organiza seu território, primeiro, para sua existência, precisando desenvolver todas as dimensões da vida. Esta diferença se expressa na paisagem e pode ser observada nas distintas formas de organização dos dois territórios. A paisagem do território do agronegócio é homogênea, enquanto a paisagem do território camponês é heterogênea. A composição uniforme e geométrica da monocultura se caracteriza pela pouca presença de pessoas no território, porque sua área está ocupada por mercadoria, que predomina na paisagem. A mercadoria é a expressão do territó- rio do agronegócio. A diversidade dos elementos que compõem a paisagem do território camponês é caracterizada pela grande pre- sença de pessoas no território, porque é neste e deste espaço que constroem suas existências, produzindo alimentos. Homens, mulhe- res, jovens, meninos e meninas, moradias, produção de mercadorias, culturas e infra-estrutura social, entre outros, são os componentes da paisagem dos territórios camponeses. Portanto, a educação pos- sui sentidos completamente distintos para o agronegócio e para os camponeses. Evidente se está falando que o território camponêsEducação do Campo deve continuar sendo sempre território camponês. Isso significa compreender o território camponês como uma totalidade, de modo que o seu desenvolvimento não venha a destruir a sua estrutura. Esta é uma compreensão do paradigma da questão agrária. Outra leitura é do paradigma do capitalismo agrário, que vê o território camponês como uma possibilidade de transformação em território do capital. Esta reflexão teórica é desenvolvida neste artigo. A Educação é uma das dimensões fundamentais para o desen- volvimento territorial. Neste artigo, pretendemos oferecer um emba- samento para a discussão dos conceitos de território e de Educação do Campo. Aqui é importante diferenciar mais uma vez a Educação do Campo da Educação Rural. Edla de Araújo Lira Soares elaborou uma rica análise da subalternidade do campesinato na história da Educação Rural, como relatoria das Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas escolas do Campo (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2001). Outro exemplo esclarecedor é o trabalho de Clau- dia Moraes de Souza a respeito do lugar da Política na Educação Rural e a representação do camponês analfabeto. (SOUZA, 2006). Enquan- to a Educação Rural é um projeto externo ao campesinato, a Educa- ção do Campo nasce das experiências camponesas de resistência em seus territórios. Neste artigo apresentamos algumas reflexões a respeito da questão agrária atual e seus territórios para discutir a reforma agrá- ria a partir da disputa territorial entre a agricultura camponesa ou agricultura familiar e a agricultura capitalista ou agronegócio. Reu- nimos estes temas, que por estarem fortemente presentes em nosso 50 Capítulo: Educação do Campo
  • 48. cotidiano, exigem uma reflexão mais profunda, especialmente, umaleitura territorial dos problemas. Denominamos de leitura territorial a opção teórica e políticaque muitos estudiosos e diferentes instituições têm feito ao utiliza-rem o território como conceito-chave para análise de diversas regi-ões, em especial do mundo rural. A leitura territorial desenvolvidaneste trabalho difere das leituras territoriais convencionais como de-monstraremos na referida parte deste artigo. Apresentamos nossocontraponto à compreensão do território uno discutindo o territóriocomo diferentes totalidades, evitando a armadilha do discurso con-sensual. Nesta leitura territorial, estamos atentos às dificuldades políti-cas e metodológicas que enfrentamos, por causa de algumas incon-sistências dos dados de propriedades de terra e estabelecimentosagropecuários no Brasil. O Sistema Nacional de Cadastro Rural e oCenso Agropecuário do Instituto Nacional de Geografia e Estatísticasão as duas únicas fontes que nos possibilitam as análises referen-tes às unidades territoriais: propriedade da terra e estabelecimentosagropecuário. Muitas críticas são feitas a essas fontes, por causa darepetição de dados no caso do Sistema Nacional de Cadastro Rurale do aumento e diminuição dos números de estabelecimentos nocaso do Censo Agropecuário, por exemplo. Todavia, a utilização des-sas fontes também é uma forma de acompanharmos as mudanças de Educação do Camposeus resultados e as decisões políticas para aprimorá-las. Essa experiência histórica da construção da Educação do Cam-po nos trouxe mais desafios com a criação do Curso Especial de Ge-ografia da UNESP, campus de Presidente Prudente, com alunos deassentamentos de diversas regiões brasileiras. Eu tenho vivido estaexperiência desde 1997, quando da realização do Encontro Nacionalde Educadores e Educadoras da Reforma Agrária. Neste texto, apre-sento um acúmulo dos ensaios teóricos que fiz com o objetivo decontribuir para a construção de uma teoria da Educação do Campo.Este trabalho foi apresentado no III Seminário do Programa Nacionalde Educação na Reforma Agrária (PRONERA), realizado em Luziânia,GO, de 2 a 5 de outubro de 2007, cuja conferência foi compartilhadacom a Professora Roseli Salete Caldart do Instituto Técnico de Capa-citação e Pesquisa da Reforma Agrária – ITERRA. Este artigo está organizado em quatro partes: a questão agrá-ria atual, agronegócio, a construção do conceito e da ideologia, co-nhecendo os dois campos, entrando nos territórios do território. Pormeio de uma análise crítica procuramos demonstrar a disputa terri-torial entre campesinato e agronegócio no Brasil, enfatizando a lutapela terra e a reforma agrária como políticas essenciais para a territo-rialização do campesinato.Capítulo: Educação do Campo 51
  • 49. A questão agrária atual Em primeiro lugar é importante esclarecer que para uma me- lhor reflexão a respeito da Educação do Campo, é fundamental partir do debate paradigmático que está relacionado com todos os temas de pesquisas do mundo rural. Em Fernandes (2001), apresentei minha compreensão da ques- tão agrária como um problema estrutural do modo capitalista de produção. Este problema é criado pela lógica da reprodução amplia- da do capital, que provoca o desenvolvimento desigual, por meio da concentração de poder expresso em diferentes formas, por exemplo: propriedade da terra, dinheiro e tecnologia. Esta lógica produz a con- centração de poder criando o poder de concentrar, reproduzindo-se infinitamente. A reprodução infindável é da natureza do modo capi- talista de produção, portanto, para garantir sua existência, o capital necessita se territorializar sem limites. Para a sua territorialização, o capital precisa destruir outros territórios, como, por exemplo, os ter- ritórios camponeses e indígenas. Esse processo de territorialização e desterritorialização gera conflitualidades diferenciadas que se mo- dificam de acordo com a conjuntura da questão agrária. Todavia, a questão agrária não é uma questão conjuntural, como muitos pen- sam. A questão agrária é uma questão estrutural, portanto não há solução para a questão agrária a partir do modo capitalista de pro-Educação do Campo dução. O que estou afirmando aqui é muito próximo ao que Kautsky (1986) e Lênin (1986) (1985) afirmaram no final do século XIX com suas obras seminais que fundaram o paradigma da Questão Agrária. A diferença é que naquela época existia a perspectiva da revolução socialista como possibilidade de superação da questão agrária. No início do século XXI, a perspectiva do século XIX tornou-se um novo desafio de reconstrução das possibilidades de superação do modo capitalista de produção. E na manutenção desta perspectiva, os mo- vimentos camponeses são alguns dos poucos espaços, onde se acre- dita nesta possibilidade. Reafirmar que a questão agrária é insuperável no modo capita- lista de produção pressupõe tomar uma posição paradigmática, que nasce com as obras de Kautsky e Lênin, e que continua hoje com as novas conjunturas. Todavia, a questão estrutural se mantém rígida, ou seja, a concentração de poder expresso em terra (território), di- nheiro e tecnologia. Esta reafirmação é necessária, para que possa- mos distinguir o paradigma do Capitalismo Agrário que nasceu na segunda metade do final do século XX, tendo Mendras, 1984, como referência seminal e que procura encontrar solução a partir do modo capitalista de produção. O problema e a solução estão colocados para os dois paradig- mas. O problema se expressa pela concentração de poder pelo capi- tal e expansão da miséria por meio da exclusão dos camponeses no acesso à terra, capital e tecnologia. A respeito do problema os pa- radigmas só diferem na ênfase. Enquanto o paradigma da Questão 52 Capítulo: Educação do Campo
  • 50. Agrária denuncia a violência da exclusão e da expropriação, o para-digma do Capitalismo Agrário apenas constata. Todavia, no que sereferem à perspectiva da solução, os dois paradigmas diferem estru-turalmente. Para o paradigma da Questão Agrária, a solução está noenfrentamento com o capital e por essa razão, o mercado é ampla-mente renegado pelos seus estudiosos, que o compreendem, em suamaior parte, apenas como mercado capitalista. Para o paradigma doCapitalismo Agrário, a solução está na integração com o capital e poressa razão, o mercado capitalista é venerado pelos estudiosos desteparadigma. Estas duas visões estão presentes nas teorias e nas políti-cas públicas e se expressam na construção de diferentes realidades. Os dois paradigmas analisam os processos de destruição docampesinato de acordo com suas lógicas. Embora em suas origens,Mendras (1984) e Kautsky (1986) tenham discutido o “fim do campe-sinato” o tema hoje está superado. Este debate foi multiplicado emteses e dissertações até seu esgotamento. Embora o tema do “fimdo campesinato” ganhou nova versão, o paradigma do CapitalismoAgrário optou pela crença na metamorfose do camponês em agri-cultor familiar. O problema do “fim do campesinato” mudou de foco.Agora, o “fim” não está na expropriação gerada pela desigualdade,mas sim na integração do campesinato na economia capitalista, queo destruiria para transformá-lo em agricultor familiar. Esta é uma interpretação equivocada em que o camponês Educação do Campoquando inserido no mercado capitalista utilizando-se de novas tec-nologias se transformaria em agricultor familiar. Na verdade, criou-seum novo nome para se falar do mesmo sujeito. A introdução do con-ceito de agricultor familiar criou uma enorme confusão. Há entre osmovimentos camponeses a percepção que camponês é o pequenoagricultor pobre e o agricultor familiar é o pequeno agricultor rico,considerando as inúmeras interpretações do que é ser pobre ou rico.Mesmo entre os intelectuais essa questão ainda é um tabu e a confu-são impera. Mas há outras interpretações. Se compararmos o campesinato do final do século XIX, quandoKautsky e Lênin formularam suas teorias que geraram o paradigmada Questão Agrária com o campesinato do final do século XX, quan-do se consolidaram os estudos sobre o paradigma do Capitalismoagrário, observamos que o processo de concentração de poder pelocapital, expresso em propriedades, capital e tecnologia ampliou-se,como é de sua natureza. Por essa razão, os problemas do campesi-nato expresso na exclusão e expropriação permaneceram. Todavia,não é o mesmo campesinato. Este também mudou com as transfor-mações que ocorreram no território no âmbito da tecnologia, princi-palmente. Estes dois paradigmas criaram pelo menos duas leituras docampesinato. Ele pode ser compreendido como moderno nas análi-ses de Bartra (2007) como pode ser visto como agricultor familiar nasanálises de Abramovay (1992), por exemplo. Essas possibilidades dedefinir conceitualmente são próprias da diversidade e da diferencia-ção do campesinato. Mas também há intencionalidades diferentesCapítulo: Educação do Campo 53
  • 51. em cada um dos paradigmas com relação às perspectivas desse su- jeito político. Este é o grande desafio, pois no processo de diferen- ciação econômica provocado pela desigualdade gerada pelo modo capitalista de produção, se expropriados tornam-se assalariados, se conseguirem se inserir no processo de reprodução ampliada do capi- tal tornam-se capitalista. Portanto, não é a participação do camponês no mercado ca- pitalista que o torna capitalista. Como também não o uso de novas tecnologias ou a venda para a indústria que o torna capitalista. É a mudança de uma relação social organizada no trabalho familiar para uma relação social organizada na contratação do trabalho assalaria- do em condição que supere a força de trabalho da família em deter- minada condições espaciais e temporais. Essas condições dependem das instituições que as determinam. Evidentemente, não existe con- senso sobre um parâmetro para essas condições. Agronegócio: construção do conceito e da ideologia. Nesta parte, desenvolvemos uma reflexão a respeito dos terri- tórios materiais e imateriais: o espaço físico e a ideologia. Aqui dis- cutiremos a construção do conceito do agronegócio e forma de mo- dernização do território capitalista, o que amplia suas condições deEducação do Campo dominação do território camponês. A primeira formulação do con- ceito de agronegócio (agribusiness) é de John Davis e Ray Goldberg, publicado em 1957. Para os autores, agribusiness é um complexo de sistemas que compreende agricultura, indústria, mercado, capital e trabalho. Desde a construção do conceito, um novo elemento passou a fazer parte do complexo: a produção de tecnologias para atender a todos os sistemas. O movimento desse complexo e suas políticas formam um modelo de desenvolvimento econômico controlado por corporações transnacionais, que trabalham com um ou mais commo- dities e com diversos setores da economia. Essa condição confere às transnacionais do agronegócio um poder extraordinário que possibi- lita a manipulação dos processos em todos os sistemas do complexo. Agronegócio é, portanto, o novo nome do modelo de desen- volvimento econômico desse conjunto de sistemas que contém in- clusive a agropecuária capitalista. Esse modelo não é novo, sua ori- gem está no sistema plantation, em que grandes propriedades são utilizadas na produção para exportação. Desde os princípios do capi- talismo em suas diferentes fases esse modelo passou por modifica- ções, ampliações e adaptações, intensificando a exploração da terra e do homem. Agronegócio é uma palavra nova, da década de 1990. Nos trabalhos sobre a modernização da agricultura da década de 1980, observamos que este conceito não existia na tradução para a língua portuguesa. Um exemplo é o livro Agribusiness in the Americas, de Roger Burbach e Patricia Flynn, de 1980, que foi publicado no Bra- sil em 1982, com o título Agroindústria nas Américas. Durante esta 54 Capítulo: Educação do Campo
  • 52. década, até meados da década de 1990, o conceito de complexoagroindustrial dominou a literatura dos estudiosos da modernizaçãodo campo. A partir de meados da década de 1990, ainda houve atentativa de associar a idéia de complexo à idéia de redes, mas nãopegou e o conceito de agronegócio ganhou força, tornando–se umconceito fashion, que é aquela expressão que a maior parte das pes-soas que a utilizam não sabe o que é. O conceito de agronegócio é também uma construção ideo-lógica para tentar mudar a imagem latifundista da agricultura capi-talista. O latifúndio carrega em si a imagem da exploração, do tra-balho escravo, da extrema concentração da terra, do coronelismo,do clientelismo, da subserviência, do atraso político e econômico. É,portanto, um espaço que pode ser ocupado para o desenvolvimen-to do país. Latifúndio está associado com terra que não produz, quepode ser utilizada para reforma agrária. Embora tenham tentado criara figura do latifúndio produtivo (sic), essa ação não teve êxito, poissão mais de quinhentos anos de exploração e dominação e não háadjetivo que consiga modificar o conteúdo do substantivo. A imagem do agronegócio foi construída para renovar a ima-gem da agricultura capitalista, para “modernizá-la”. É uma tentativade ocultar o caráter concentrador, predador, expropriatório e exclu-dente para dar relevância somente ao caráter produtivista, desta-cando o aumento da produção, da riqueza e das novas tecnologias. Educação do CampoDa escravidão à colheitadeira controlada por satélite, o processo deexploração e dominação está presente, a concentração da proprieda-de da terra se intensifica e a destruição do campesinato aumenta. Odesenvolvimento do conhecimento que provocou as mudanças tec-nológicas foi construído a partir da estrutura do modo de produçãocapitalista. De modo que houve o aperfeiçoamento do processo, masnão a solução dos problemas socioeconômicos e políticos: o latifún-dio efetua a exclusão pela improdutividade, o agronegócio promovea exclusão pela intensa produtividade. A agricultura capitalista ou agricultura patronal ou agricultu-ra empresarial ou agronegócio, qualquer que seja o eufemismo uti-lizado, não pode esconder o que está na sua raiz, na sua lógica: aconcentração e a exploração. Nessa nova fase de desenvolvimento,o agronegócio procura representar a imagem da produtividade, dageração de riquezas para o país. Desse modo, se torna o espaço pro-dutivo por excelência, cuja supremacia não pode ser ameaçada pelaocupação da terra. Se o território do latifúndio pode ser desapropria-do para a implantação de projetos de reforma agrária, o território doagronegócio apresenta-se como sagrado, que não pode ser violado.O agronegócio é um novo tipo de latifúndio e ainda mais amplo, ago-ra não concentra e domina apenas a terra, mas também a tecnologiade produção e as políticas de desenvolvimento. A fundação do agronegócio expandiu sua territorialidade, am-pliando o controle sobre o território e as relações sociais, agudizan-do as injustiças sociais. O aumento da produtividade dilatou a suacontradição central: a desigualdade. A utilização de novas tecnolo-Capítulo: Educação do Campo 55
  • 53. gias tem possibilitado, cada vez mais, uma produção maior em áreas menores. Esse processo significou concentração de poder – conse- qüentemente – de riqueza e de território. Essa expansão tem como ponto central o controle do conhecimento técnico, por meio de uma agricultura científica globalizada. Conhecendo os dois campos O agronegócio procura manter o controle sobre as políticas e sobre o território, conservando assim um amplo espaço político de dominação. Tudo o que está fora deste espaço é sugado pela ideolo- gia do agronegócio. Um exemplo é a reforma agrária. Para combater as ocupações de terra, a política criada pelo agronegócio foi a Refor- ma Agrária de Mercado. Depois de denominada de Cédula da Terra virou Banco da Terra e hoje é chamada de Crédito Fundiário. É uma tentativa de tirar a luta popular do campo da política e jogá-la no ter- ritório do mercado, que está sob o controle do agronegócio. As ocupações de terra ferem profundamente a lógica do mer- cado e por essa razão o agronegócio investe ferozmente na crimi- nalização da luta pela terra, pressionando o Estado para impedir a espacialização desta prática de luta popular. Para tentar evitar o en- frentamento com os camponeses, o agronegócio procura convencê-Educação do Campo los que o consenso é possível. Todavia, as regras propostas pelo agro- negócio são sempre a partir de seu território: o mercado. O controle do território e das formas de acesso à terra é objetivo da mercantiliza- ção da reforma agrária, fazendo com que o acesso seja por meio das relações de mercado, de compra e venda. O controle da propriedade da terra é um dos trunfos do agronegócio. É fundamental que a terra esteja disponível para servir à lógica rentista. Por essa razão, as ocupações de terra são uma afronta ao agro- negócio, porque essa prática secular de luta popular encontra-se fora da lógica de dominação das relações capitalistas. Assim, o sacro agro- negócio procura demonizar os movimentos socioterritoriais que per- manentemente ocupam a terra. Na última década, o espaço político mais utilizado foi o Poder Judiciário. Recentemente tem ocorrido a judiciarização da luta pela terra, em que o Poder Judiciário se apre- senta como uma cerca intransponível aos sem-terra. Para não man- char a sua imagem, o agronegócio procura desenvolver políticas de crédito e ou bolsas de arrendamento, de modo a trazer os ocupantes de terra para o território do mercado. A cada ano o agronegócio se territorializa com maior rapidez e desterritorializa a agricultura camponesa. O empobrecimento dos pequenos agricultores e o desemprego estrutural agudiza as desi- gualdades e não resta à resistência camponesa outra saída a não ser a ocupação da terra como forma de ressocialização. As ocupações de terras do agronegócio já começaram nas regiões onde esse modelo de desenvolvimento controla a maior parte do território, concentran- do riqueza e aumentado a miséria. Este é o novo conteúdo da ques- tão agrária nesta primeira década do século XXI. 56 Capítulo: Educação do Campo
  • 54. O campesinato é uma classe que além das relações sociais emque está envolvida, tem o trunfo do território. A cada ocupação deterra, ampliam-se as possibilidades de luta contra o modo capitalistade produção. E pode se fortalecer cada vez mais se conseguir enfren-tar e superar as ideologias e as estratégias do agronegócio. Conseguirconstruir seus próprios espaços políticos de enfrentamento com oagronegócio e manter sua identidade socioterritorial. São condiçõesfundamentais para o desenvolvimento da agricultura camponesa. Entrando nos territórios do território Para se conhecer o poder dos territórios imateriais, um bomexemplo são as políticas neoliberais. O avanço das políticas neolibe-rais e seus ajustes estruturais provocaram pelo menos duas mudan-ças significativas na sociedade: a minimização do Estado e a maximi-zação do capital na tomada de decisões a respeito das políticas dedesenvolvimento. Esta realidade é mais bem compreendida com acrise do socialismo e conseqüentemente dos governos de esquer-da, cujas políticas de desenvolvimento estão atreladas à expansãodo mercado capitalista globalizado como a possibilidade econômi-ca para o desenvolvimento. O capital maximizado determina aindamais os rumos das políticas de desenvolvimento, enquanto o Estado Educação do Campominimizado assiste, muitas vezes passivo a criação de leis e políticasque beneficiam muito mais os interesses das empresas capitalistasnacionais/transnacionais do que os interesses da sociedade. Espe-cialmente no campo, as tomadas de decisões para o desenvolvimen-to têm sido determinadas pelos interesses das empresas nacionais/transnacionais. Por meio de suas think tanks são elaborados projetosde desenvolvimento e leis que viabilizam a sua execução, contandocom apoio político e muitas vezes com o apoio econômico do Esta-do. Esta realidade tem gerado e intensificado as desigualdades so-ciais, por meio da exclusão, expropriação territorial e controle socialda maior parte da população rural, com a precarização das relaçõesde trabalho, desemprego estrutural e destruição de camponeses ecomunidades indígenas. É muito interessante observar que é neste contexto que o con-ceito de território é usado como instrumento de controle social parasubordinar comunidades rurais aos modelos de desenvolvimentoapresentados pelo capital. O território como categoria geográficatem uma longa história teórica. Em suas diferentes concepções, oterritório sempre foi estudado a partir das relações de poder, desdeo Estado ao capital, desde diferentes sujeitos, instituições e relações.Na essencialidade do conceito de território estão seus principais atri-butos: totalidade, multidimensionalidade, escalaridade e soberania.Portanto, é impossível compreender o conceito de território semconceber as relações de poder que determinam a soberania. Quandonos referimos ao território em sua escalaridade, ou seja em suas di-versas escalas geográficas, como espaço de governança de um país,Capítulo: Educação do Campo 57
  • 55. de um estado ou de um município, o sentido político da soberania pode ser explicitado pela autonomia dos governos na tomada de de- cisões. Quando nos referimos ao território como propriedade parti- cular individual ou comunitária, o sentido político da soberania pode ser explicitado pela autonomia de seus proprietários na tomada de decisões a respeito do desenvolvimento desses territórios. Sempre é importante enfatizar a relação entre os territórios como espaço de governança e como propriedades. Esta relação é determinada por políticas de desenvolvimento, portanto quem de- termina a política define a forma de organização dos territórios. Aqui é necessário lembrar seus atributos: cada território é uma totalida- de, por exemplo: os territórios de um país, de um estado, de um mu- nicípio ou de uma propriedade são totalidades diferenciadas pelas relações sociais e escalas geográficas. Essas totalidades são multidi- mensionais e só são completas neste sentido, ou seja, relacionando sempre a dimensão política com todas as outras dimensões: social, ambiental, cultural, econômica etc. Compreender essas relações é essencial para conhecermos as leituras territoriais realizadas por es- tudiosos de diversas áreas do conhecimento e por diferentes institui- ções que impõem seus projetos de desenvolvimento às comunida- des rurais. Cada instituição, organização, sujeito etc., constrói o seu territó- rio e o conteúdo de seu conceito, desde que tenha poder político paraEducação do Campo mantê-los. Esses criadores de territórios poderão explorar somente uma ou algumas de suas dimensões. Isto também é uma decisão política. Todavia, ao explorar uma dimensão do território, ele atinge todas as outras por causa dos princípios da totalidade, escalaridade e da multidimensionalidade. A compreensão de cada tipo de terri- tório como totalidade com sua multidimensionalidade e organizado em diferentes escalas, a partir de seus diferentes usos, nos possibilita entender o conceito de multiterritorialidade. Considerando que cada tipo de território tem sua territorialidade, as relações e interações dos tipos nos mostram as múltiplas territorialidades. É por essa razão que as políticas executadas no território como propriedade atingem o território como espaço de governança e vice-versa. A multiterrito- rialidade une todos os territórios através da multidimensionalidade e por meio das escalas geográficas, podem ser representados como camadas (layers), em que uma ação política tem desdobramento em vários níveis ou escalas: local, regional, nacional, internacional. Neste sentido, ao se pensar políticas territoriais é necessário compreender sua escalaridade e sua multidimensionalidade. Quan- do o território é concebido como uno, ou seja, apenas como espaço de governança e se ignora os diferentes territórios que existem no in- terior do espaço de governança, temos então uma concepção redu- cionista de território, um conceito de território que serve mais como instrumento de dominação por meio das políticas neoliberais. Nesta condição, uma determinada região é escolhida para a aplicação de políticas de desenvolvimento, em grande parte, a partir dos interes- ses do capital. Evidente que pelo fato das comunidades campone- 58 Capítulo: Educação do Campo
  • 56. sas terem menor poder político, terão pouco poder de decisão nadeterminação das políticas, por mais que o discurso das instituiçõesdefenda o “empoderamento” das comunidades rurais. Desse modo,as políticas promovem o fortalecimento das relações capitalistas emdetrimento das relações não capitalistas ou familiares e comunitá-rias. Intensificam-se, dessa forma, as políticas de expropriação dascomunidades rurais, que perdem seus territórios para o capital quenecessita se apropriar continuamente dos territórios camponesespara se expandir. Temos então uma disputa territorial entre capital e campesi-nato. As propriedades camponesas e as capitalistas são territóriosdistintos, são totalidades diferenciadas, onde se produzem relaçõessociais diferentes, que promovem modelos divergentes de desenvol-vimento. Territórios camponeses e territórios capitalistas como dife-rentes formas de propriedades privadas disputam o território nacio-nal. Para se compreender essa disputa é importante uma análise dosníveis e escalas territoriais: o primeiro território e o segundo territó-rio. O primeiro território é formado pelos espaços de governança emdiferentes escalas: nacional, regional, estadual, municipal, distrital. Osegundo território é formado pelos diferentes tipos de propriedadesparticulares. A partir dessa tipologia pode-se compreender as confli-tualidades entre modelos de desenvolvimento que disputam territó-rios, condição essencial para a sua expansão. Estamos nos referindo Educação do Campoespecialmente aos modelos de desenvolvimento do agronegócio,resumidamente a partir da produção de monoculturas em grandeescala, com trabalho assalariado, intensamente mecanizado e comutilização de agrotóxicos e sementes transgênicas. E ao modelo dedesenvolvimento do campesinato ou agricultura familiar, resumida-mente a partir da produção de policulturas, em pequena escala, compredominância do trabalho familiar, com baixa mecanização, em suamaior parte, com base na biodiversidade sem a utilização de agro-tóxicos. Esses modelos disputam territórios, produzindo o segundoterritório no interior do primeiro território. A disputa do segundo ter-ritório também é a disputa do primeiro território. Embora sejam di-ferentes, estão no mesmo espaço geográfico municipal, que está noespaço geográfico estadual e este, por sua vez, está no espaço geo-gráfico nacional, formando a multiterritorialidade. Esses modelos dedesenvolvimento determinam a organização do espaço geográfico,por meio da produção de territórios, gerando e intensificando con-flitualidades que são insolúveis por causa da hegemonia do modocapitalista de produção. Reafirmamos, o território é uma totalidade mas não é uno. Con-ceber o território como uno é compreendê-lo apenas no espaço degovernança, que é um tipo de território e ignorar os outros tipos deterritórios. Mais uma vez é importante lembrar que compreender oterritório como totalidade é fundamental para se entender sua mul-tidimensionalidade e sua multiterritorialidade. Enfatizamos que to-das as unidades territoriais formam totalidades por conterem em sitodas as dimensões do desenvolvimento: política, econômica, social,Capítulo: Educação do Campo 59
  • 57. cultural e ambiental. Como os territórios são criações sociais, temos vários tipos de territórios, que estão em constante conflitualidade. Considerar o território como uno é uma opção para ignorar suas con- flitualidades. Para superar a compreensão do território como uno, tomamos diferentes formas do território. Temos territórios materiais e imate- riais: os materiais são formados no espaço físico e os imateriais no espaço social a partir das relações sociais por meio de pensamentos, conceitos, teorias e ideologias. Territórios materiais e imateriais são indissociáveis, porque um não existe sem o outro. A construção do território material é resultado de uma relação de poder que é susten- tada pelo território imaterial como pensamento, teoria e ou ideolo- gia. Há três tipos de territórios materiais: o primeiro território for- mado pelo país, estados e municípios; o segundo território forma- do pelas propriedades privadas capitalistas ou propriedade privadas não capitalistas; o terceiro território formado por diferentes espaços que são controlados por relações de poder. Estes são territórios flu- xos controlados por diferentes sujeitos e são produzidos nos territó- rios fixos do primeiro e do segundo território. Primeiro território é o território do Estado-nação e suas unida- des territoriais internas: país, estados e municípios. São nestes que se organizam todos os outros territórios: propriedades particulares in-Educação do Campo dividuais e propriedades comunitárias, que são territórios fixos. Nos territórios dos municípios são organizados territórios fluxos, cujas fronteiras se movimentam de acordo com as ações institucionais e as conflitualidades. Exemplos de territórios fluxos são os espaços con- trolados por diferentes formas de organização, por exemplo: narco- tráfico, prostituição etc. Para discutirmos a questão agrária, vamos tomar como referên- cias o primeiro e segundo território. Com a tabela 1, iniciamos nossa análise sobre o primeiro território e os diferentes espaços que o com- põem, entre eles o segundo território. De acordo com Oliveira (2003, pp. 126-127), com base nos dados do Sistema Nacional de Cadastro Rural, em 2003, o território brasileiro de 850,2 milhões de hectares teria a seguinte composição: 15% ou 128,5 milhões de hectares eram terras indígenas; 12% ou 102,1 milhões de hectares eram unidades de conservação ambiental; 3,5% ou 29,2 milhões de hectares formavam as áreas urbanas, e as áreas ocupadas por rios, rodovias e as posses. 69,5% ou 590 milhões de hectares eram ocupados por propriedades rurais, sendo 49,5% ou 420,4 milhões de hectares dos imóveis cadas- trados no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e 20% ou 170 milhões de hectares formados por terras devolutas. 60 Capítulo: Educação do Campo
  • 58. Tabela 1 – Brasil: ocupação das terras em milhões de hectaresTerras indígenas 128,5 15,0%Unidades de conservação ambiental 102,1 12,0%Imóveis cadastrados no INCRA 420,4 49,5%Áreas urbanas, rios, rodovias e posses 29,2 3,5%Terras devolutas 170,0 20,0%Total 850,2 100% Fonte: adaptado de Oliveira (2003, p. 126-127) Como informamos na introdução deste artigo, sabemos dosproblemas do Sistema Nacional de Cadastro Rural, todavia, é ine-gável que é uma referência importante para termos uma noção dosdiferentes tipos de território em escala nacional. Na tabela 2, nos de-teremos à análise do segundo território, ou seja, os imóveis rurais ca-dastrados para compreendermos melhor as mudanças ocorridas naestrutura fundiária entre 1992 e 2003. Considerando o cancelamentode 93 milhões de hectares de títulos de terras griladas em 1999, con-forme anunciado no Livro Branco da Grilagem de Terra no Brasil, aárea das propriedades rurais cresceu 89 milhões de hectares entre1992 e 2003. Tabela 2 – Brasil: mudanças na estrutura fundiária – 1992-2003 Educação do Campo 1992 2003 Imóveis em Área em milhões % Área em milhões % hectares de ha. de ha. Com mais de 200 245 74 297 71 (capitalista) Com menos de 200 86 26 123 29 (familiar) Total 331 100 420 100 Fonte: Atlas Fundiário Brasileiro, 1996; II PNRA, 2003. (Org.: Ber-nardo Mançano Fernandes) Como defendemos neste artigo, os imóveis capitalistas e os fa-miliares produzem relações sociais distintas: capitalistas e não capi-talistas, sendo, portanto, territórios distintos. Compreendemos queas relações sociais produzem os territórios e são produzidas por es-tes. Que os territórios são multidimensionais, onde se realizam todasas dimensões da vida, desde que, é lógico, sejam desenvolvidas porprojetos políticos. Nestes territórios temos diferentes formas de or-ganização do espaço e do trabalho, como demonstraremos adiante.Temos, portanto, duas relações sociais que produzem dois territóriosdistintos e, que para se expandirem, precisam destruir um ao outroou se reproduzir ou se territorializar em outros territórios. Portanto,Capítulo: Educação do Campo 61
  • 59. o território capitalista se territorializa destruindo os territórios cam- poneses, ou destruindo territórios indígenas ou se apropriando de outros territórios do Estado. Os territórios camponeses se territoria- lizam destruindo o território do capital, ou destruindo territórios in- dígenas ou se apropriando de outros territórios do Estado. Enquanto a fronteira agrícola estiver aberta, esse processo continuará. Com o fechamento da fronteira agrícola, o enfrentamento entre os territó- rios camponeses e do capital será intensificado. A tabela 2 nos possibilita uma boa noção desse enfrentamen- to. Em 1992 o capital controlava 245 milhões de hectares ou 74% da área dos imóveis. Observe que esta área aumentou para 297 milhões em 2003, mas a participação relativa caiu para 71%. Enquanto a par- ticipação relativa do território camponês passou de 26% para 29%, ou em números absolutos de 86 para 123 milhões de hectares. Como afirmamos, este aumento de área de ambos os territórios só foi pos- sível por que a fronteira agrícola está aberta. Um fator importante da territorialização do campesinato é, sem dúvida, a luta pela terra e as políticas de reforma agrária que possibilitaram a expansão dos territórios camponeses. Todavia, a expansão e o refluxo dos territó- rios são resultados de conjunturas econômicas e com a nova onda da agroenergia, há a tendência de expansão principalmente do territó- rio capitalista. Mas além desta tendência, o capital tem o poder de se territorializar mais rápido que o campesinato por causa das desigual-Educação do Campo dades geradas pelo modo de produção capitalista, que expropria o campesinato de seus territórios. A territorialização do campesinato ocorre predominantemente por meio da luta popular e de políticas públicas. Defendemos o conceito de território como um espaço de vida, ou parafraseando Ratzel, como um espaço vital e compreendemos para além de sua dimensão política. O território é multidimensional o que explicita o seu sentido político e as relações de poder necessárias para configurá-lo. O território é, portanto, sempre, uma construção política, quer seja multidimensional ou mesmo compreendido como uma dimensão das relações sociais. Qualquer que seja a sua forma e conteúdos, o território é sempre uma construção política determina- da por relações de poder. Como salientamos, a luta pela terra e a reforma agrária formam o principal fator de territorialização do campesinato no território na- cional. O desenvolvimento territorial e reforma agrária são processos indissociáveis. Portanto, a obtenção de terras e o desenvolvimento dos assentamentos são processos inseparáveis. O capital forma os seus territórios e se territorializa, ou seja, se expande multiplicando o controle de enormes áreas em todas as regiões. Na atualidade, no campo brasileiro, o capital tem o nome de agronegócio, que procu- ra se apropriar das terras e subalternizar o campesinato através da terceirização da produção (que muitos chamam de integração) ou expropriá-lo através da verticalização da produção, controlando to- dos os sistemas que o compõe. 62 Capítulo: Educação do Campo
  • 60. Pensar o território nesta conjuntura deve-se considerar a con-flitualidade existente entre o campesinato e o agronegócio que dis-putam territórios. Esses compõem diferentes modelos de desenvol-vimento, portanto formam territórios divergentes, com organizaçõesespaciais diferentes, paisagens geográficas completamente distintas.Nesta condição temos três tipos de paisagens: a do território do agro-negócio que se distingue pela grande escala e homogeneidade dapaisagem, caracterizado pela desertificação populacional pela mo-nocultura e pelo produtivismo para a exportação; o território campo-nês que se diferencia pela pequena escala e heterogeneidade da pai-sagem geográfica, caracterizado pelo freqüente povoamento, pelapolicultura e produção diversificada de alimento – principalmente– para o desenvolvimento local, regional e nacional; o território cam-ponês monopolizado pelo agronegócio, que se distingue pela escalae homogeneidade da paisagem geográfica é caracterizado pelo tra-balho subalternizado e controle tecnológico das commodities que seutilizam dos territórios camponeses. Esta realidade nos coloca, pelo menos, uma questão: o que édesenvolvimento territorial para esta diversidade de territórios? Porsuposto, necessitamos de vários modelos. Todavia, a tendência dosgovernos é pensar o desenvolvimento desde a perspectiva do agro-negócio, porque este é compreendido como a totalidade da qual aagricultura camponesa ou familiar faria parte. Partir desta visão é co- Educação do Campomeçar perdendo e terminar derrotado. O desenvolvimento territoriale a reforma agrária devem estar contidos no conjunto de interessesdos diferentes tipos de camponeses e, no que se refere à reformaagrária, pensar os projetos de assentamentos como territórios. Umprincípio importante é pensar o desenvolvimento territorial comouma totalidade, em que se desenvolvem todas as dimensões: políti-ca, social, cultural, ambiental e econômica, não necessariamente nes-ta ordem, mas como um conjunto indissociável. Desenvolvimento eterritório são conceitos multidimensionais. Neste sentido, a reformaagrária é um projeto de desenvolvimento territorial. E ao mesmotempo, a reforma agrária é uma questão nacional. Observando a tabela 1 – compreendemos o controle territorialdo agronegócio e do campesinato. Grosso modo, relacionando a ta-bela 2 e a tabela 3, podemos analisar que o conjunto dos territórioscamponeses seria de 123 milhões de hectares e os assentamentoscorresponderiam a 56% da área. Essa análise enfatiza a importânciada luta pela terra e da reforma agrária da criação e recriação do cam-pesinato. Isso explica, em parte, porque a Educação do Campo nas-ceu das experiências de reforma agrária e se interagiu com outrasexperiências camponesas. Para uma leitura espacial da participaçãodos assentamentos nos municípios brasileiros, observe o mapa geo-grafia dos assentamentos rurais.Capítulo: Educação do Campo 63
  • 61. Educação do Campo 64 Capítulo: Educação do Campo
  • 62. TABELA 03 - BRASIL - NÚMERO DE ASSENTAMENTOS RURAIS1969 - 2006 Nº Nº Região/UF % % Área % Assenta- Famílias mentos Norte 1.718 21,12 446.429 44,36 49.394.347 71,57 AC 133 1,63 33.028 3,28 4.998.759 7,24 AM 88 1,08 40.764 4,05 18.578.966 26,92 AP 40 0,49 12.097 1,20 2.453.429 3,55 PA 906 11,14 243.731 24,22 15.191.280 22,01 RO 151 1,86 60.628 6,02 2.821.364 4,09 RR 53 0,65 32.445 3,22 4.072.820 5,90 TO 347 4,26 23.736 2,36 1.277.729 1,85 Nordeste 3.709 45,59 323.865 32,18 9.796.105 14,19 AL 106 1,30 8.956 0,89 75.102 0,11 BA 627 7,71 49.673 4,94 1.639.577 2,38 CE 385 4,73 23.791 2,36 834.633 1,21 MA 949 11,66 131.875 13,10 4.627.727 6,71 PB 256 3,15 14.544 1,45 253.326 0,37 PE 482 5,92 30.218 3,00 432.590 0,63 Educação do Campo PI 463 5,69 34.648 3,44 1.279.932 1,85 RN 287 3,53 21.189 2,11 520.926 0,75 SE 154 1,89 8.971 0,89 132.292 0,19Centro-Oeste 1.101 13,53 144.438 14,35 7.562.298 10,96 DF 6 0,07 451 0,04 6.387 0,01 GO 355 4,36 22.533 2,24 878.695 1,27 MS 166 2,04 27.616 2,74 678.038 0,98 MT 574 7,06 93.838 9,33 5.999.178 8,69 Sudeste 746 9,17 48.543 4,82 1.390.611 2,01 ES 88 1,08 4.168 0,41 41.987 0,06 MG 328 4,03 21.116 2,10 910.946 1,32 RJ 85 1,04 7.412 0,74 88.647 0,13 SP 245 3,01 15.847 1,57 349.031 0,51 SUL 862 10,59 43.023 4,28 872.007 1,26 PR 370 4,55 23.030 2,29 472.590 0,68 RS 349 4,29 14.337 1,42 305.822 0,44 SC 143 1,76 5.656 0,56 93.595 0,14 Brasil 8.136 100,00 1.006.298 100,00 69.015.368 100,00 Fonte: DATALUTA - Banco de Dados de Luta pela Terra, 2007.Disponível em:www.fct.unesp.br/dgeo/nera.Capítulo: Educação do Campo 65
  • 63. Considerações finais Neste texto, procuramos mostrar que as relações sociais distin- tas produzem territórios diferentes. Analisamos as relações campo- nesas e capitalistas na formação de diversos e divergentes territórios e uma leitura da disputa territorial em escala nacional. Neste sentido, colocamos a questão: qual é o campo da Educação do Campo? Como são territórios distintos, necessitam de projetos diferentes de Edu- cação. Isso significa construir métodos, teorias e metodologias pró- prias Esse processo de construção do conhecimento é também um processo de construção de identidades. Afirmamos que o território camponês é diferente e divergente do território do agronegócio. En- fatizamos também que o processo de disputa territorial é desigual. Pela própria lógica do capital, por sua reprodução ampliada, a territorialização é um processo geográfico infinito para o capital. Isso significa que o capital tem a expansão territorial como condição es- sencial de sua existência. O capital não se reproduz se não for de for- ma ampliada. O fim da territorialização do capital é o começo do fim das relações capitalistas. Por isso é que a existência do capital está re- lacionada com a destruição efetiva do território camponês. Este é um dos espaços por onde o capital se territorializa. Todavia, pela lógica da contradição do capital em produzir também relações não capita- listas, o capital também recria o campesinato, no entanto, nas últimasEducação do Campo décadas, como demonstramos neste artigo, é a luta pela terra quem mais tem contribuído para a criação e recriação do campesinato. Por causa desses processos, que temos que pensar uma Edu- cação do Campo para o campo camponês. O agronegócio está, ao mesmo tempo, avançando e agonizando. Seu modelo de desenvol- vimento com base na grande escala, no envenenamento dos territó- rios, na produção de alimentos conservados e ruins para ser vendidos em todo o mundo, tem se tornado uma opção para a vida moderna. Mas a vida moderna também está fazendo outra opção, que é por ali- mentos saudáveis. E alimentos saudáveis são alimentos produzidos sem veneno, em pequena escala e vendidos em mercados locais e regionais. É desse campo que o camponês participa. É desse campo que estamos falando, quando pensamos em uma Educação do Cam- po. Embora o agronegócio esteja se apropriando do termo Educa- ção do Campo, ele jamais vai se apropriar do conceito de Educação do Campo, porque este Campo está definido por relações sociais não capitalistas. São relações sociais camponesas, familiares, que estão retomando os rumos do desenvolvimentos territorial rural, o rumo da vida digna no campo e na cidade. E para esta vida, é preciso um projeto de educação, de Educação do Campo. 66 Capítulo: Educação do Campo
  • 64. Referências BibliográficasABRAMOVAY, Ricardo. Paradigmas do Capitalismo Agrário em Questão. São Paulo,Hucitec, 1992.BARTRA, Armando. Marginales, polifónicos, transhumantes: los campesinos delmilenio. In: FERNANDES, Bernardo Mançano, MARQUES, Marta Inez Medeiros, SU-ZUKI, Julio (Orgs). Geografia Agrária; teoria e poder. São Paulo: Expressão Popular,2007, p. 85-103.BURBACH, Roger. FLYNN, Patrícia. Agribusiness in the Ameritas. New York; London:Monthly Review Press; North American Congress on Latin American, 1980.CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Parecer 36/2001, da relatora Edla de AraújoLira Soares às Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas escolas do Cam-po. Processo 23001000329/2001-55. Brasília, 2001.DATALUTA – Banco de Dados da Luta pela Terra. Presidente Prudente: Núcleo deEstudos, Pesquisa e Projetos de Reforma Agrária, 2007.DAVIS, John, H. GOLDBERG, Ray, A. A concept of agribusiness. Boston: Harvard Uni-versity Press, 1957. 143 p.FERNANDES, Bernardo Mançano. A formação do MST no Brasil. Petrópolis: Vozes,2000.FERNANDES, Bernardo Mançano. Questão agrária, pesquisa e MST. São Paulo: Cor- Educação do Campotez, 2001.FERNANDES, Bernardo Mançano. Questão agrária: conflitualidade e desenvol-vimento territorial. In: BUAINAIN, Antonio Márcio. (Org.). Luta pela terra, reformaagrária e gestão de conflitos no Brasil. Campinas: Unicamp, 2007.KAUTSKY, Karl. A questão agrária. São Paulo: Nova Cultural, (1899) 1986.LÊNIN, Vladimir. Ilitch. O desenvolvimento do capitalismo na Rússia. São Paulo:Nova Cultural, (1899) 1985.MENDRAS, Henri. La fin des paysans: suivi d’une reflexion sur la fin des paysansvingt ans aprés. Paris: Actes Sud, 1984.MONTENEGRO GÓMEZ, Jorge R. 2006. Desenvolvimento em (des)construção. Nar-rativas escalares sobre desenvolvimento territorial rural. 2006. 438 f. Tesis (Docto-rado en Geografía) — Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade EstadualPaulista, Presidente Prudente, 2006.OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino. Barbárie e Modernidade: as transformações nocampo e o agronegócio no Brasil. In Revista Terra Livre nº 21, p.113-156. São Paulo:Associação dos Geógrafos Brasileiros, 2003.SAQUET, Marcos Aurelio. Abordagens e concepções de território. São Paulo: Ex-pressão Popular, 2007.SOUZA, Claudia Moraes de. Discursos Intolerantes: O Lugar da Política na EducaçãoRural e a Representação do Camponês Analfabeto. Disponível em:<http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/anteriores/edicao03/materia02/>Acesso em: 22 jul. 2006.Capítulo: Educação do Campo 67
  • 65. Atividades Realize as seguintes atividades sugeridas pelos organizadores: Atividade I: Desvelando questões na pratica pedagógica Após a leitura do texto, expresse de forma escrita a maneira como você lida com a questão dos territórios do campesinato e do agronegócio em sua prática pedagógica diária estabelecendo rela- ção com o que foi exposto. Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividade Atividade II: Analisando o papel de conceitos nos projetos sociais Após você ouvir (http://www.youtube.com/watch?v=jDLjFJh1zPM) e ler a letra da música “Assentamento” realize as seguintes ati- vidades: a) Realize uma discussão no encontro presencial, articulando a mensagem da música com a realidade do território do campesinato refletido no texto de Fernandes. b) Responda a seguinte questão: Para você, qual é o papel e a importância de se articular o passado com o presente para se cons- truir os projetos de assentamentos como territórios?Educação do Campo Atividade III: Escrevendo texto Exercite a autoria e escreva um conto, uma história, uma músi- ca ou paródia com a temática “Educação do campo e território: limi- tes e possibilidades no processo de constituição do trabalho em sala de aula”. 68 Capítulo: Educação do Campo
  • 66. Atividade IV: Analisando imagens 1. Observar: a) A imagem... Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividade b) O vídeo... http://www.youtube.com/results?search_type=&search_query=%22agroneg%C3%B3cio%22&aq=f 2. Responder: Educação do Campo a) Que tipo de relação se estabelece entre o texto de Fernan-des, a imagem e o vídeo “agronegócio: problemas atuais”? Atividade V: Relacionando conceitos 1. Assistir a canção Funeral de um lavrador no site: http://www.youtube.com/watch?v=BnVbz6dtgg0 2. Agora que você já ouviu e leu a letra da música “Funeral deum lavrador” de Chico Buarque, reflita sobre o que foi expresso tantona música como no texto, acerca da relação entre questão agrária ecapitalismo agrário.Capítulo: Educação do Campo 69
  • 67. Educação do Campo 70 Capítulo: Educação do Campo
  • 68. Texto II - Professor Derli Casali Objetivo: Avaliar a concepção de educação do campo propostapelo Movimento de Pequenos Agricultores Este texto encontra-se disponiblizado na Plataforma Moodle e/ou CD Rom. Trata-se de transcrição de palestra do Professor Derli Ca-sali, representante do Movimento de Pequenos Agricultores - MPA. Apalestra foi proferida durante o “I Encontro do Programa nacional deEducação na Reforma Agrária na Região Sudeste”, realizado em 2004em Vitória – ES. Encontra-se publicado no Caderno 6 – Por uma Edu-cação do Campo. A seguir apresentamos parte do texto para iniciarleitura e discussões das questões sugeridas. Ler atentamente os textos do livro e do CD- RomO CAMPO DA EDUCAÇÃO DO CAMPO Consultar sites e levantar informações so- bre o MPA (movimento social do campo). Derli Casali/MPA-ES 19 Era menino e acompanhava meu pai pelos campos fazendo ascolheitas das espigas de milho, ou de feijão, ou de arroz... Esse pro-cesso de aprendizado por meio da convivência, da observação sedava desde a infância. Hoje, essa prática está acabando. As crianças Educação do Campocamponesas estão sendo proibidas de participar deste processo deprodução de conhecimento. O estar presente na terra, observando o 19 Membro do Movimento de Pe-comportamento dos animais, dos insetos, do tempo, e que sempre quenos Agricultores. Palestra pro-fez parte do cotidiano do campesinato, significa a garantia dos co- ferida na mesa-redonda “O campo da educação do campo”, durante onhecimentos. I Encontro do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária realizado em Vitória – ES entre os dias 29 de setembro a 1º de outu- bro de 2004. O texto encontra-se publicado no livro: FOERSTE, E.; SCHÜTZ-FOERSTE, G. M.; DUARTE, L. M. S. (Org.). Por uma educação do campo – Caderno 6. Vitória: PPGEPRONERA, 2008, pp. 142 – 154.Capítulo: Educação do Campo 71
  • 69. Atividades Para aprofundamentos das analises do texto realize a seguintes atividades sugeridas pelos organizadores. Atividade I: Comentando textos. 1. Identifique no texto a concepção de sociedade, de sujeito e de educação. 2. Transcreva do texto trechos relacionados a cada uma delas e Recomendações: Fazer registros comente-as em seguida. escritos de cada atividade Atividade II: Analisando concepções 1. Elabore um roteiro de entrevista e converse com lideranças do MPA eou trabalhadores do campo filiados ao movimento. 2. Grave os diálogos e transcreva-os em seguida. 3. Identifique nas entrevistas realizadas concepção de socieda- de, de sujeito e de educação. 4. Analise a entrevista em seguida, buscando estabelecer uma relação com o texto do Professor Derli Casali.Educação do Campo 72 Capítulo: Educação do Campo
  • 70. Texto III – Professor Flávio Moreira Objetivo: Investigar práticas de exclusão do homem campesinoa partir de imagens que se veiculam dos sujeitos que produzem suasexistências a partir do cultivo da terra. Neste Eixo Temático queremos discutir educação do campo,buscando compreender as razões que levaram a uma crescente des-valorização dos sujeitos que vivem no campo e produzem suas exis-tências a partir do modo de produção campesino. Para um início de conversa, recomenda-se que seja assistindoo filme: “Jeca Tatu” dirigido por Milton Amaral em 1959. Recomenda-mos leitura do livro do Professor Marcos Bagno “Preconceito lingüís-tico”, publicado pela Editora Loyola. Ler atentamente os textos do livro e do CD- Rom Em seguida leia o texto proposto inicialmente o fragmento naforma impressa e posteriormente na íntegra no CD – Rom e/ou naPlataforma Moodle, responmder as questões propostas pelo próprioautor.AS IMAGENS SOCIAIS PRODUZIDAS A RESPEITO DA“ROÇA” Educação do Campo Flávio Moreira/UNITINS 20 As “formas de viver” de uma sociedade são, de certo modo, cria-ções histórico-culturais que se cristalizam na memória coletiva deste 20 Professor da Universidade doou daquele povo/nação, formando uma rede de símbolos que nos re- Tocantins em Tocantinópolis - TO. Foi professor de Escola Comuni-mete a todo o desenvolvimento social e histórico de uma sociedade tária de Jaguaré – ES. Cursa nesteem determinado espaço/tempo. Assim, compreender o simbolismo momento o doutorado no Progra- ma de Pós-Graduação em Educa-de uma sociedade é captar as significações que carrega, o que nos ção do Centro de Educação daremete ao que é percebido, ao real ou ao imaginário cultural que dá Universidade Federal do Espírito Santo.sentido à vida das pessoas em sociedade. Compreender a significa-ção sobre homem-meio rural brasileiro é essencial, pois aqui ela este-ve submetida a uma lógica bastante peculiar.Capítulo: Educação do Campo 73
  • 71. Referências (Leituras complementares) LINHARES, Maria Yedda Leite; SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Terra prometida: uma história da questão agrária no Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1999. VASCONCELLOS, João Gualberto. A invenção do coronel. Vitória: Uni- versidade Federal do Espírito Santo - Secretaria de Produção e Difu- são Cultural, 1995. Atividades Realizar as seguintes atividades proposta pelos organizadores. O objetivo das mesmas é o aprofundamento da leitura do texto. Atividade 1 Pesquisar a origem da palavra trabalho, associando-a à cultura dos nossos colonizadores e à negação do trabalho no campo. Como fonte de pesquisa, sugerimos: ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MAR- Recomendações: Fazer registros TINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à Filosofia. São Pau- escritos de cada atividade lo: Moderna, 1986.Educação do Campo Atividade 2 Promover debate com os alunos sobre os conceitos que têm sobre o mundo rural, usando, sobretudo, músicas que estão no tex- to ou outras mais recentes, como as do CD de Chico Buarque – “As Cidades”. 74 Capítulo: Educação do Campo
  • 72. Texto IV – Professor Erineu Foerste e Professora Jani-nha Gerke de Jesus Objetivo: Avaliar aspectos teóricos e práticos da pedagogia daalternância. Leia inicialmente a parte introdutória do texto apresentadono Caderno Impresso. Você conhece experiências de educação docampo em que a pedagogia da alternância é adotada? Navegue narede WWW investigando informações sobre o binômio “Pedagogiada Alternância”. Identifique discussões que remetam à história dessaexperiência de educação do campo. Analise aspectos sobre a criaçãodo MEPES e sua expansão. Converse com seus colegas de curso e ava- Ler atentamente os textos do livro e dolie possibilidades para visitar instituições que se denominam “Escola CD- RomFamília Agrícola”. Leia integralmente o texto disponibilizado no CDRom.ESCOLAS FAMÍLIAS AGRÍCOLAS: UM PROJETO DE EDU-CAÇÃO ESPECÍFICO DO CAMPO Erineu FOERSTE 21 Janinha GERKE DE JESUS 22 Educação do Campo A discussão sobre educação do campo no cenário brasileiro, 21 Professor Adjunto e membroe especialmente no Estado do Espírito Santo, remete-nos a diferen- do colegiado do Programa de Pós-tes iniciativas educacionais que, há algumas décadas atrás, vêm se Graduação em Educação (mestra- do e doutorado) da Universidadeconstituindo como alternativa para o homem campesino. Entre elas, Federal do Espírito Santo. Coorde-destacamos as Escolas Famílias Agrícolas do Movimento de Educa- nador do Programa de Formação Continuada de Professores doção Promocional do Espírito Santo – MEPES. A primeira Escola Família Campo da UFES.Agrícola surgiu na França, em 1935, por convicção de um grupo de 22 Trabalhou como monitora nacamponeses e de um pároco que acreditavam ser possível criar uma Escola Família Agrícola de Sãoescola que atendesse às necessidades do meio rural e que ajudasse João de Garrafão em Santa Maria de Jetibá - ES, foi coordenadoraa ampliar as possibilidades dos conhecimentos básicos do jovem do Pedagógica do Centro de For-campo. A partir dos anos 50 esse modelo pedagógico passou a ser mação e Reflexão do MEPES de Piúma/ES, cursou mestrado empropagado a diversos países e continentes: Itália, Espanha, Portugal, Educação pelo Programa de Pós-Continente Africano, Continente Asiático, América do Norte, Canadá. Graduação em Educação do Cen- tro de Educação da UniversidadeDe acordo com a UNEFAB (União Nacional das Escolas Famílias Agrí- Federal do Espírito Santo. Membrocolas do Brasil), existem atualmente mais de 1000 Escolas famílias da equipe pedagógica nacional da UNEFAB (União Nacional das Esco-Agrícolas em todo o mundo. las Famílias Agrícolas). Defendeu dissertação de mestrado em 2007, com o tema: “Saberes e formação de professores na Pedagogia da Alternância.”Capítulo: Educação do Campo 75
  • 73. Referências (Leituras complementares) FOERSTE, Erineu. Parceria na formação de professores. São Paulo: Cortez, 2005. GERKE DE JESUS, Janinha. Saberes e formação de professores na pe- dagogia da Alternância. Vitória: Programa de Pós-Graduação em Edu- cação/UFES, 2007. GIARNODOLLI, Regina Lúcia. Nova perspectiva para a educação rural: Pedagogia da Alternância. Dissertação de Mestrado. Pontifícia Uni- versidade católica do Rio de Janeiro, 1980. PIETROGRANDE, Humberto. Unidades operacionais do MEPES. Espíri- to Santo. Documento (mimeo.), 1974. SILVA, Lourdes Helena da. Novos papéis, novas práticas: as represen- tações sociais dos monitores das EFAs de Minas Gerais. Escola Família Agrícola, Contruindo Educação e Cidadania no campo. Belo Horizon- te: O Lutador, 2004. ZAMBERLAN, Sérgio. Pedagogia da Alternância. MEPES. 2ª.ed. An- chieta/ES: Gráfica Mansur, 1996. MEPES. Regimento Comum das Escolas Famílias Agrícolas. Anchieta/Educação do Campo ES, 2006. Atividade Realizar a seguinte atividade proposta pelos organizadores. O objetivo da mesma é o aprofundamento da leitura do texto. Atividade 1 Realize levantamento em sua comunidade sobre a aceitação da Recomendações: Fazer registros Pedagogia da Alternância como possibilidade de superação da cisão escritos de cada atividade entre educação e trabalho. Busque saber, entre os pais de alunos, se estes têm conhecimento da proposta. Caso seja desconhecida, pro- mova um encontro apresentando-a a eles. Em seguida, através de questionário procure saber a opinião destes sobre o tema. Tabule co- mente as respostas em relatório sobre a atividade. 76 Capítulo: Educação do Campo
  • 74. Texto V – Professor Rogério Caliari Objetivo: Avaliar possibilidades concretas de construção deuma educação do campo sustentável como alternativa de valoriza-ção dos sujeitos campesinos, promovendo leitura de imagens (lei-tura não-verbal) e de textos impressos de diferentes gêneros (leituraverbal) que tematizam sujeitos campesinos. A imagem a seguir encontra-se no texto do Professor RogérioCaliari. Faça uma leitura inicial desta imagem, anotando de forma li-vre tudo o que ela suscita e em seguida acesse o texto na íntegra noCD – Rom e/ou na Plataforma Moodle e revise suas anotações preli-minares. Colete outras imagens veiculadas pelos meios de comuni-cação (jornais, televisão, internet etc.) e organize um mural. Busque Ler atentamente os textos do livro e do CD- Romtextos de diferentes gêneros que descrevem/tematizam os sujeitoscampesinos (jornais, vídeos/documentários/filmes, músicas, poe-mas, crônicas, contos, textos de opinião etc.).Apresente essas ima-gens a trabalhadores do campo e avalie com eles o que pensam arespeito das mesmas. Atenção: Monte um acervo digital de imagens(na escola, na Secretaria Municipal de Educação, na Superintendên-cia Regional de Educação do Estado Espírito Santo mais próxima), re-gistrando sobretudo materiais de fontes mais antigas, como os cha-mados almanaques, distribuídos em farmácias e/ou armazéns. Até os Educação do Campoanos de 1970 os comerciantes faziam isso disso como forma de pro-paganda. Hoje encontramos raramente estabelecimentos que aindapromovem marketing usando esse expediente. Para finalizar, organize um seminário para discutir as questõespropostas nos textos do Professor Flávio Moreira e do Professor Ro-gério Caliari. Consultar os textos no formato impresso e digital, ob-servando que os roteiros para aprofundamento das reflexões encon-tram respectivamente no final dos artigos.CONTEXTOS CAMPESINOS: QUAL EDUCAÇÃO? Rogério Caliari 23 “Mão que foi feita pro cabo da enxada acha a caneta muito pesada e quem não teve prazo dum estudozinho re- gular quando era menino, de velho é que não aprende mais, aprende? Pra quê? Porque eu vou dizer uma coisa pro senhor: 23 Professor do Instituto Federal de Educação do Espírito Santo pra quem é como esse povo de roça o estudo de escola é de - Itapina – ES. Cursa doutorado pouca valia, porque o estudo é pouco e não serve pra fazer da em educação no Programa de Pós-Graduação em Educação da gente um melhor. Serve só pra gente seguir sendo como era, Universidade Federal do Espírito com um pouquinho de leitura (...)”. Antonio Cícero – “Ciço”, agri- Santo. cultor familiar residente no sul de Minas Gerais. In: BRANDÃO, C.R. “A questão política da educação popular”.Capítulo: Educação do Campo 77
  • 75. RESUMO Discuti-se nesse artigo a problemática atual da educação do campo, relacionando-a aos desafios de construção de um novo pro- jeto de desenvolvimento sustentável bem como, elaborar conside- rações sobre qual tem sido a colaboração da educação do campo na construção deste projeto. Vale ressaltar que educação de um modo geral e a educação campo mais especificamente tem sido relegada a planos secundários nas propostas de ações governamentais, de- corrente de um processo histórico na consolidação do modelo de desenvolvimento econômico alicerçado no agronegócio e no setor produtivo industrializante, empurrando para as “margens” do fluxo dos debates as decisões que favoreceriam o desenvolvimento de projetos para uma educação do campo que apresente como princi- pio a ênfase na preservação dos valores e modo de vida existentes no campo, que proporciona condições básicas necessárias à qualidade de vida no meio rural e finalmente que sejam igualitárias as oportu- nidades educacionais para os alunos rurais e urbanos. Palavras chaves: educação do campo, saberes campesinos, fa- zeres educacionais.Educação do Campo Referências (Leituras complementares) BENJAMIN, C. et al. A opção brasileira. Rio de Janeiro: Contraponto, 1998. 208p. BRANDAO, C.R. A questão política da educação popular 2 ed são Pau- lo brasiliense. BRANDÃO, C.R. O ardil da ordem. Campinas: Papirus, 1986. 115p. CALAZANS, M.J.C. Para compreender a educação do Estado no meio rural – traços de uma trajetória. In: THERRIEN, J.; DAMASCENO, M. N. (Coord.). Educação e escola no campo. São Paulo: Papirus, 1993. p.15- 40. DAMASCENO, M.N. A construção do saber social pelo camponês na sua prática educativa e política. In: THERRIEN, J., DAMASCENO, M. N. (Coord.). Educação e escola no campo. São Paulo: Papirus, 1993. p.53- 73 DURSTON, J. http://procasur.org/talentosjovenesrurales/docs/06.pdf acesso em: 20 dez. 2008 FREIRE, P. Educação como prática de liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981b. 150p. FREIRE, P. Extensão ou comunicação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. 93p. 78 Capítulo: Educação do Campo
  • 76. FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.218 p.GRZYBOWSKI, C. Caminhos e descaminhos dos movimentos sociaisno campo. Petrópolis: Vozes/Fase, 1991. 90p.LOBATO, M. Urupês. São Paulo: Brasiliense, 2005.MARQUES, B.M.A. de R.; GUENTHER, Z.C. A educação rural na dimen-são ambiental. Lavras: UFLA/FAEPE, 1998. 80p.PESSOTI, A.L. Escola família agrícola: uma alternativa para o ensinorural. 1978. 194p. Dissertação (Mestrado em Educação)-FundaçãoGetúlio Vargas/Instituto de Estudos Avançados, Rio de Janeiro.PETTY, M.; TOMBIM, A. ; VERA, R. Uma alternativa de educação rural.In: WERTHEIN J. ; BORDENAVE J. D. (Org.). Educação rural no terceiromundo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. 370p.VEIGA, J. E. Diretrizes para uma nova política agrária In: SEMINÁRIOSOBRE REFORMA AGRÁRIA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL,1998, Fortaleza, Disponível em: <http//www.dataterra.org.Br/Semce/zeeli.htm>Acesso em: 20 dez. 2008. Educação do Campo Atividades Realize as seguintes atividades sugeridas pelos organizadores: Atividade 1 1- Compare as tecnologias usadas nas pequenas propriedadescircunvizinhas à escola que trabalha a um grande projeto agropecu- Recomendações: Fazer registrosário. Quais as semelhanças e diferenças? escritos de cada atividade 2- Produza um texto relacionando a prática educacional infor-madora e o mundo rural contemporâneo. Atividade 2 FAMÍLIA CAMPONESA E A MUDANÇA DE SEUS HÁBITOS ALI-MENTARES Pode-se observar uma ampliação crescente da adoção de no-vos hábitos de consumo alimentar associados aos complexos agro-industriais e comerciais em geral mesmo no mundo rural. Ë possívelafirmar assim, que esses setores abrem suas ofertas, promovendo asubstituição acelerada do que se produzia para o autoconsumo, peloque se pode adquirir com mais facilidade nas gôndolas dos super-mercados.Capítulo: Educação do Campo 79
  • 77. Nesta pesquisa, você responderá algumas questões e será di- vidida em duas etapas. A primeira é destinada à formulação estrutu- ral e parte prática pesquisa (cronograma de atividades, elaboração das perguntas, seleção do local e realização da pesquisa). A segunda destina-se à produção textual (esboço da redação, redação final do texto, revisão do texto). Temas para serem desenvolvidos na pesquisa de campo: 1) Áreas anteriormente destinadas à produção de alimentos, Recomendações: Fazer registros são hoje, disponibilizadas para a monocultura de grãos?; escritos de cada atividade 2) A prática existente da produção de autoconsumo foi grada- tivamente deixando de existir? Quais os motivos? A maior parte da alimentação passou a ser adquirida nos mercados urbanos? 3) É possível observar, nas famílias pesquisadas, a comerciali- zação de alguns alimentos e a compra de outros não produzidos na propriedade? 4) Que argumentos podem ser apresentados para a substitui- ção ou manutenção da produção e regularidade da quantidade e qualidade da alimentação? 5) O que leva uma família do meio rural a adquirir hábitos de alimentação urbanos? 6) Que influências são verificadas sobre a decisão de quais ali- mentos que serão consumidos? 7) Origem dos alimentos consumidos:Educação do Campo 7a) pesquisar o mínimo de 20 tipos de alimentos possíveis de serem produzidos na própria propriedade. Desses produtos quais são consumidos? Quais são consumidos e produzidos? Quais são consumidos e comprados? 7b) pesquisar o mínimo de 20 tipos de alimentos consumidos através da compra que não seriam possíveis de serem produzidos na propriedade. Qual a origem destes produtos? Custo mensal de aqui- sição? 7c) No dia da pesquisa, a reserva de alimentos para atender às necessidades familiares possuía mais produtos comprados ou produ- zidos pela família na propriedade? 80 Capítulo: Educação do Campo
  • 78. Atividade 3 1- Qual a imagem que ajudamos a construir do homem/mulherdo campo? 2- Como apresentamos os povos do campo? 3- A imagem a seguir compõe determinadas características queempregamos para apresentar o homem/mulher do campo? Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividade JECA TATU, por KURT WIESE. Imagem: lobato.globo.com Educação do CampoCapítulo: Educação do Campo 81
  • 79. Atividade 4 1- Os cursos de licenciatura oferecem as condições e formação necessárias para atender as demandas da Educação do Campo? 2- O tempo disponível para o educador(a), fora da sala de aula, é suficiente para completar sua formação? 3- Qual a leitura que vocês fazem hoje da associação: terra – fa- mília camponesa – práticas agrícolas sustentáveis? Recomendações: Fazer registros 4- Qual o nível de aproximação e de conhecimento, para cada escritos de cada atividade um dos itens, que você possui? Atividade 5 Após a leitura do texto escreva uma carta (porque escrever exatamente uma carta? Por que escrever uma carta é um modo de comunicação e pode ser uma arte muito profunda. É dar algo de nós a alguém, partilhar alguma coisa) para ANTONIO CÍCERO – “CIÇO”, agricultor familiar citado no início do texto sustentando, para ele, a possibilidade de se construir junto com o coletivo campesino uma prática educacional que reafirme a importância dos conhecimentos elaborados pelos povos do campo e sua aplicação na geração de no- vos conhecimentos que o levará “seguir” não mais “sendo como era”.Educação do Campo 82 Capítulo: Educação do Campo
  • 80. Texto VI – Professor Erineu Foerste e Professora GerdaMargit Schütz-Foerste Objetivo: Identificar e discutir dimensões legais que afetam aeducação do campo. Partindo das reflexões acumuladas nesta disciplina, passemosprecisamos dar mais um passo para refletir sobre aspectos legais daeducação do campo. Você deve ter observado que desde os anos de1990, foram promovidas reformas na educação brasileira. Esse movi-mento está inserido num contexto mais amplo de desregulamenta-ção neoliberal, em que o Estado deixa de ser promotor de políticassociais, passando crescentemente a assumir a função de regulador. Ler atentamente os textos do livro e doPor isso temos tantos exames/avaliações promovidas pelo Ministério CD- Romda Educação (provinha Brasil, ENEM, Provão etc.). O texto a seguir, levanta questionamentos que nos remetema problemas da educação brasileira, que afetam diretamente o for-talecimento de culturas e identidades campesinas. Cabe questionar:Quais as razões que levam as políticas públicas de educação no cená-rio nacional dicotomizar cidade e campo, gerando um modelo dualde formação humana, em detrimento da classe trabalhadora? Leia a seguir o resumo do texto. Em seguida faça levantamen-to dos principais documentos oficias sobre educação do campo. Cria Educação do Campouma pasta no seu computador e salve estes documentos. O que cha-ma a atenção na montagem deste mosaico? Agora retome o texto na íntegra e resolva as questões propos-tas ao longo de toda a leitura. Faça um esforço no sentido de cons-truir uma síntese provisória dos trabalhos desenvolvidos até aqui noestudo desta disciplina. Elabore duas questões para ser discutidas noseu subgrupo de estudo e posteriormente no grupo do polo da UAB.Feito isso, este grupo deve lançar duas questões na plataforma moo-dle no fórum de discussão.Capítulo: Educação do Campo 83
  • 81. EDUCAÇÃO DO CAMPO: QUEM ASSUME ESTA TAREFA? 24 Professor adjunto da Univer- Erineu Foerste 24 sidade Federal do Espírito Santo, com doutorado em Educação. Gerda Margit Schütz-Foerste 25 Membro do colegiado do Progra- ma de Pós-Graduação em Educa- ção da UFES (mestrado e douto- rado). Resumo 25 Professora Adjunto da Univer- O objetivo deste texto é levantar discussões que ajudem pro- sidade Federal do Espírito Santo, fissionais do ensino e comunidade em geral a refletir sobre aspec- com doutorado em Educação. Membro do colegiado do Progra- tos da história da educação do campo no contexto brasileiro. Como ma de Pós-Graduação em Educa- a educação do campo aparece na agenda das políticas públicas em ção da UFES (mestrado e douto- rado). nosso país? O texto recupera brevemente o discurso do poder públi- co sobre educação do campo, detendo-se em análises de alguns do- cumentos oficiais, sobretudo as chamadas Leis de Diretrizes e Bases. Observa-se que a educação pública de qualidade para todos foi um direito negado historicamente aos trabalhadores do campo e das ci- dades. A educação do campo é marcada por contradições do modelo dual de formação escolar adotado no Brasil, reproduzindo antagonis- mos das classes sociais do mundo capitalista. Palavras-chave: Educação do campo; Trabalho coletivo; Projeto político-pedagógico.Educação do Campo Referências (Leituras complementares) CALAZANS, Maria Julieta C. Para compreender a educação do Esta- do no meio rural – traços de uma trajetória. In: THERRIEN, Jacques & DAMASCENO, Maria Nobre (Orgs.). Educação e escola no campo. São Paulo: Papirus, 1993, pp. 15 - 40. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de janeiro: Paz e Terra, 1974. LEITE, Sérgio C. Escola rural; urbanização e políticas educacionais. São Paulo: Cortez, 1999. MOREIRA, Flávio. A educação no/do campo e o contexto das políticas públicas: novas perspectivas? In: SEDU. Política educacional do Esta- do do Espírito Santo; educação é um direito. Vitória: SEDU, 2004, pp. 146 - 173. PAIVA, Vanilda Pereira. Educação popular e educação de adultos. São Paulo: Loyola, 1973. QUEIROZ, João Batista de. O processo de implantação da escola fa- mília agrícola (EFA) em Goiás. Goiânia: UFG/Programa de Pós-Gradu- ação em Educação, 1997. 84 Capítulo: Educação do Campo
  • 82. Atividades Realize as seguintes atividades sugeridas pelos organizadores: Atividade 1 - Discutir e fazer anotações: Em nosso município há êxodo rural? Quais as principais razõesque levam os produtores da agricultura familiar mudar para a cida-de? O que pode ser feito para resolver o problema do êxodo ruralno Brasil e em nosso município? Identificar e entrevistar pessoas queabandonaram o campo (A entrevista pode ser feita a partir de um Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividaderoteiro prévio para orientar a conversa). Atividade 2 Discuta se a pedagogia libertadora defendida por Paulo Freire éválida para fundamentar nossas lutas pela construção de uma educa-ção do campo de qualidade. Que contribuições concretas podemosbuscar em Paulo Freire para a construção da escola que queremos? Atividade 3 Analisar a idéia grifada no texto acima e estabelecer relaçõescom o contexto local onde trabalhamos. Atividade 4 Educação do Campo Identifique documentos oficiais sobre educação do campo eorganize-os num volume digital para consulta nos seus trabalhos aolongo do curso, bem como socializando-os nos espaços institucio-nais (SEDU, SENED, Movimentos Sociais e/ou entidades e na escola).Capítulo: Educação do Campo 85
  • 83. Educação do Campo 86 Capítulo: Educação do Campo
  • 84. Texto VII – Professor Erineu Foerste e Professora Jani-nha Gerke de Jesus Objetivo: Analisar aspectos da histórica da educação, seus li-mites e perspectivas, para aprofundar reflexões sobre educação docampo. Leia a parte introdutória do texto e as questões propostas e emseguida leia o texto na íntegra no CD Rom e/ou na Plataforma Mood-le. Desenvolva o trabalho proposto Leia o excerto do artigo apresentado abaixo, buscando em se-guido no CD – Rom e/ou Plataforma Moodle o item 2.3 desta publi-cação. Retome o texto IV deste eixo temático, para identificar aproxi- Ler atentamente os textos do livro e domações entre as leituras propostas. Em seguida volte ao texto para CD- Romuma leitura de todo ele, buscando aprofundar reflexões a partir dasquestões propostas pelos autores. Discuta avanços e recuos (forças efraquezas) da legislação na educação do campo.EDUCAÇÃO DO CAMPO NO BRASIL:UMA APROXIMAÇÃO Erineu Foerste 26 Educação do Campo Janinha Gerke de Jesus 27 Discutir e trabalhar a formação de professores do campo pre-coniza inicialmente um passeio sobre a Educação do Campo. Enten-demos que não é possível discutir e buscar possibilidades de com-preensão desse processo sem retomar, numa dimensão contextual, 26 Professor Adjunto, membroos principais momentos que marcaram a Educação Campesina e do colegiado do Programa decontribuíram para o quadro atual. Nessa perspectiva, é necessário Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Espíritodesenrolar os fios que nos remetem a sua origem, seus conflitos e Santo.contradições ocorridas no cenário de sua gestação, buscando desta 27 Mestre em Educação pelo Cen-forma reconhecer os sentidos inscritos socialmente e o tratamento tro de Educação da Universidadedesignado pela esfera pública à questão. Federal do Espírito Santo. Coorde- nadora do Centro de Formação e Reflexão do MEPES. Membro da equipe pedagógica nacional da UNEFAB (União nacional das Esco- las Famílias Agrícolas).Capítulo: Educação do Campo 87
  • 85. Referências (Leituras complementares) ALVES, N. “No cotidiano se escreve uma história diferente da que co- nhecemos até agora.” In: COSTA, M. V. A escola tem futuro? Rio de Janeiro: DP&A, 2003. BARRETO, S. P. A experiência de trabalhadores rurais no Conselho Mu- nicipal de Desenvolvimento Sustentável: Oferta do Estado e aprendi- zagem da fala. Caxambu: ANPED, 2005. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n. 9394/96. BRASIL. Plano Nacional de Educação. Brasília: Senado Federal, 2001. BRASIL. Referências Nacionais para a Educação do campo. Brasília, 2004. BRZEZINSKI, Iria. Pedagogia, Pedagogos e Formação de Professores. Campinas/São Paulo: Papirus, 1996. CALAZANS, Maria Julieta Costa. Para compreender a educação do Estado no meio Rural; traços de uma trajetória. In: Therrien, Jacques & Damasceno Maria Nobre (coords). Educação e escola no campo. Campinas: Papirus: 1993.Educação do Campo CARVALHO, H. M. O Campesinato no século XXI. Possibilidades e con- dicionantes do desenvolvimento do campesinato no Brasil. Petrópo- lis, RJ: Vozes, 2005. ESPÍRITO SANTO. Políticas Públicas para o Espírito Santo. Secretaria estadual de Educação. Vitória, 2004. FOERSTE, E. Discussões acerca do Projeto Político da Educação do Campo. In: FOERSTE, E.; SCHÜTZ-FOERSTE< G. M.; DUARTE, L. M. S. (Org.) Por uma educação do campo – Caderno 6. Vitória: PPGEUFES PRONERA, 2008, pp. 75-126. FONSECA, Maria Tereza Lousa. A Extensão Rural no Brasil: Um projeto Educativo para o capital. São Paulo: Loyola, 1985. GRZYBOWSKI, Cândido. Esboço de uma alternativa para pensar a educação no meio rural. Revista Contexto & Educação. Ano 1. n 4. Out/dez. Ijuí, 1986. LEITE, S. C. Escola rural: urbanização e políticas educacionais. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2002. MAIA, Eny Marisa. Educação rural no Brasil. O que mudou em 60 anos. Em aberto. Brasília, INEP, 1(9): 27-33. MUNARIM, Antonio. Elementos para uma Política Pública de Educa- ção do Campo. Caxambu/MG, ANPED, 2005. 88 Capítulo: Educação do Campo
  • 86. NAGLE, Jorge. Educação e Sociedade na Primeira República. São Pau-lo, EPU/MEC. 1976.PAIVA, Vanilda Pereira. Educação Popular e Educação de adultos. SãoPaulo: Loyola, 1987.SANTOS, B. S. A crítica da razão indolente. São Paulo: Cortez, 2000.SILVA, M. S. Os saberes do professorado rural: construídos na vida,na lida e na formação. 2000. Dissertação (Mestrado em Educação)..Universidade federal de Pernambuco, Recife, 2000.STRECK, D. Correntes Pedagógicas – Aproximações com a Teologia. 2ªed. Petrópolis-RJ: Vozes, 1994.TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. 3ª ed.Petrópolis-RJ: vozes, 2002.THERRIEN, J. DAMASCENO, Maria N. (coords.). A educação e a escolano campo. Campinas-SP: Papirus, 1993.WANDERLEY, Luiz Eduardo. Educação Popular, Igreja Católica e Polí-tica no movimento de Educação de Base. Petrópolis/RJ: Vozes, 1984.ZEN, Elieser. Pedagogia da Terra: a formação do professor sem-terra. Educação do Campo2006. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade Federal doEspírito Santo, Vitória, 2006.Capítulo: Educação do Campo 89
  • 87. Atividades Realize as seguintes atividades sugeridas pelos organizadores: 1- Como vimos, a história da educação do campo nos traz um cenário diverso com iniciativas compensatórias pelo poder estatal, como também com práticas contra hegemônicos construídas pelos movimentos sociais e pela Igreja. Vimos ainda um quadro com esta- tísticas que denunciam as condições acerca do índice de evasão e Recomendações: Fazer registros analfabetismo das escolas do campo. Nessa perspectiva, discuta as escritos de cada atividade questões abaixo a partir de sua experiência como professor do cam- po e como sujeito que pensa, discute e transforma seu entorno. 1.1- Que proposições têm sido debatidas no âmbito do poder público e no âmbito dos movimentos sociais para a Educação do Campo? 1.2- O que conhecemos e/ou pensamos e discutimos sobre as políticas públicas para a Educação do Campo e para a formação do professor? Quais são as contradições desse processo? 1.3- Que projetos podemos empreendendo junto ao homem, mulher, jovem e crianças no campo na conquista de uma educação própria e apropriada?Educação do Campo 90 Capítulo: Educação do Campo
  • 88. Texto VIII – Professora Sônia Beltrame Objetivo: Investigar educação do campo como prática cultural. Leia a parte do texto apresentada abaixo e em seguida busque-o na íntegra no CD Rom e/ou Plataforma Moodle. Coloque com fiocondutor da análise a seguinte questão: Como esta autora contribuipara dimensionar a educação como prática cultural em contextocampesino?CENÁRIOS DA ESCOLA DO CAMPO Ler atentamente os textos do livro e do Sônia A. B. Beltrame 28 CD- Rom A instituição escolar desempenha no meio rural – tanto quan-to no urbano – importante função como espaço de acesso ao saberformal. No entanto, no campo ela introduz na experiência educativaelementos culturais e perspectivas de vida diferentes daqueles douniverso camponês, o que favorece a própria negação desse univer-so, seu esvaziamento cultural e simbólico, provocado pela expressão 28 Professora Doutora em Edu- cação pela Universidade de Sãode sentimentos e valores que não fazem parte da socialização para o Paulo-USP.mundo rural. Nesse espaço em que o indivíduo reelabora a maneira Professora no Centro de Ciências Educação do Campo da Educação da Universidade Fe-de expressar sua natureza pessoal e social, esses homens e mulhe- deral de Santa Catarina-UFSC.res são levados a assimilar outros referenciais culturais, no bojo dos Pesquisadora das temáticas: edu- cação e movimentos sociais; edu-conhecimentos que adquirem. O discernimento das continuidades cação do campo e educação dee descontinuidades entre o teor do ensino e as concepções que fun- jovens e adultos. soniabel@terra.com.brdamentam a aceitação da escola no meio rural depende da explicita- Telefone (048) 32341598.ção desse modo de vida a partir das relações que cada homem rural Caixa postal 491, CEP 88010970 Florianópolis -SCmantém com a sociedade urbana dominante e inclusiva (Martins,1974:119).Capítulo: Educação do Campo 91
  • 89. Referências (Leituras complementares) ALENCAR, J. F. A professora “leiga”: um rosto de várias faces. In Educa- ção e escola no campo. São Paulo: Papirus, 1993. AZEVEDO, Janete e GOMES, L. Educação como Políticas Públicas. Co- leção Polêmicas do Nosso Tempo. São Paulo: Cortez, 1997. BRANDÃO, C. R. O trabalho de saber: cultura camponesa e escola ru- ral. São Paulo: FDT, 1990. BELTRAME, Sonia A. B. A educação dos que vivem a resistência 1949/1989 - um estudo com pequenos produtores - sem terra, no município de Curitibanos, Santa Catarina. (Dissertação de Mestrado) Florianópolis: UFSC, 1991. -----------, Sonia A. B. Professoras e professores do MST: sujeitos em movimento. Tese de doutorado, USP São Paulo, 2000. CALAZANS, Maria Julieta Cei. Para compreender a educação do esta- do no meio o rural: traços de uma trajetória. In: Educação e Escola no Campo. Org. THERRIEN, J. e DAMACENO, M. São Paulo: Papirus, 1993. CALDART, Roseli. A Educação do Campo: notas para uma análise deEducação do Campo percurso. 31 Reunião Anual da Associação Nacional de Pesquisado- res em Educação-Anped. Caxambu MG, 2008. CANDIDO, Antonio. Os parceiros do Rio Bonito. Livraria Duas Cidades, São Paulo, 1982. DAVIS, Claudia e GATTI, Bernadete. A dinâmica da Sala de Aula na Escola Rural. In: Educação e Escola no Campo. Org. THERRIEN, J.e DA- MACENO, Maria. São Paulo: Papirus, 1993. FONSECA, Maria Tereza L. A Extensão Rural no Brasil: um projeto edu- cativo para o capital. São Paulo: Loyola, 1985. LEITE, Sérgio Celani. Escola Rural: urbanização e políticas educacio- nais. São Paulo: Cortez, 1999. MAIA, Eny Marisa. Educação Rural no Brasil: o que mudou em 60 anos. Em Aberto. Brasília, INEP, 1(9):27-33. 1982. MARTINS, José de Souza. A Valorização da Escola e do Trabalho no Meio Rural. Revista Debate e Crítica, n.2, jan.jun. p.112-132. São Pau- lo: Hucitec, 1974. -------------- José de Souza.O Poder do Atraso. São Paulo: Hucitec, 1994. CADERNOS SECAD 2 - MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Educação do Cam- po: diferenças mudando paradigmas. Secretaria de Educação Conti- nuada, Alfabetização e Diversidade. BRASÍLIA – DF, Março de 2007. 92 Capítulo: Educação do Campo
  • 90. PERRENOUD, Philippe. Práticas Pedagógicas, Profissão Docente, For-mação. Perspectivas Sociológicas. Lisboa: Publicações Dom Quixote,1997.PUHL, Raquel. A Escola Itinerante do MST: o movimento da escola naeducação do campo. Dissertação de mestrado. Universidade Federalde Santa Catarina, Florianópolis, 2008.SAVIANI, Demerval. Tendências e Correntes da Educação Brasileira.In: Filosofia da Educação Brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Bra-sileira, 1985.THERRIEN, J.; DAMASCENO, M. N. (Orgs). Escola e Educação no Cam-po. Campinas: Papirus, 1993.VENDRAMINI, Célia Regina. Terra, trabalho e educação: experiênciassócio-educativas em assentamentos do MST. Ijuí: UNIJUÍ, 2000. Educação do CampoCapítulo: Educação do Campo 93
  • 91. Atividades Realizar as seguintes atividades proposta pelos organizadores. O objetivo das mesmas é o aprofundamento da leitura do texto. Atividade I: Refletindo idéias. De acordo com Sonia Beltrame, a mobilização dos movimentos sociais do campo realizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Ru- rais Sem Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Confede- Recomendações: Fazer registros ração Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e o Movi- escritos de cada atividade mento Eclesial de Base (MEB) foi muito importante para que, no final do século passado, uma nova discussão em defesa de uma “Educação do Campo” ganhasse força. 1. Reflita sobre as considerações feitas por Sonia Beltrame e as questões que seguem e, baseando-se nelas, elabore um texto abor- dando-as. 2. Responda as seguintes questões. a) Que entidades levantam discussões em defesa da educação do Campo em seu município? b) O que tem sido feito por elas? c) Que novo olhar sobre a relação de ensinar e aprender tem se constituído hoje na Educação do Campo de seu município e do estado do Espírito Santo? *Identifique no texto o município que fizer referência.Educação do Campo Atividade II: Refletindo sobre Educação do Campo. 1. Responda: a) Em geral, a formação dos professores da Educação do Campo acontece no modelo urbano? b) Quais as implicações desse fato nas ações pedagógicas nas escolas rurais? Atividade III: Trabalhando os contextos socioculturais. 1. Elabore um texto que discorra sobre a forma de ensinar vi- gente na(s) escola(s) rural(is) de seu município e aponte sugestões de novas propostas de ensino para a Educação do Campo. 2. Contextualize seu município (mapa e fotografias). 94 Capítulo: Educação do Campo
  • 92. Texto IX – Professora Roseli Salete Caldart Objetivo: Definir educação do campo, na perspectiva das lutasdos movimentos sociais. Busque junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra ou outros movimentos sociais do campo de sua região publi-cações e/ou projetos que tematizam a construção coletiva de umaeducação diferenciada do campo. Registre as referências completasde cada publicação, conforme normas da ABNT. Faça um comentáriogeral sobre os achados de sua pesquisa. Escolha duas publicações ecomente-as, produzindo dois parágrafos no máximo. Ler atentamente os textos do livro e do CD- RomSOBRE EDUCAÇÃO DO CAMPO ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. Roseli Salete Caldart 29 Madrugada camponesa faz escuro (já nem tanto) / vale a pena trabalhar. Educação do Campo Faz escuro, mas eu canto / porque a manhã vai chegar. Thiago de Mello, 1962. Este texto foi preparado como roteiro de exposição para o IIISeminário do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária(PRONERA), realizado em Luziânia, GO, de 2 a 5 de outubro de 2007 29 Do Instituto Técnico de Capa- citação e Pesquisa da Reforma30 . Seu objetivo principal é chamar a atenção para algumas questões Agrária. Doutora em Educaçãoque deveríamos considerar no balanço projetivo do Pronera propos- pela UFRGS.to para este Seminário e, mais amplamente, nas reflexões sobre os 30 Mesa sobre Educação do Cam-desafios da trajetória da Educação do Campo. Em abril de 2003, no po compartilhada com o prof. Bernardo Mançano Fernandes,I Seminário do Pronera, refletíamos sobre a participação deste Pro- da UNESP, na manhã do dia 3 degrama, que desde seu início foi projetado, especialmente pelos Mo- outubro.vimentos Sociais que por ele lutaram, como um exercício de cons-trução coletiva de política pública, na constituição prática e teóricada Educação do Campo. Hoje, em outubro de 2007, às vésperas doPronera completar dez anos de existência, nos parece que temos ain-da mais elementos para afirmar que “o Pronera vem ajudando a cons-truir a Educação do Campo e a Educação do Campo já pode servir deespelho, ou de parâmetro, referência, para as práticas do Pronera” e,portanto, para um balanço de seu percurso e uma projeção de seufuturo.Capítulo: Educação do Campo 95
  • 93. Referências (Leituras complementares) CALDART, Roseli. A Educação do Campo: notas para uma análise de percurso. 31 Reunião Anual da Associação Nacional de Pesquisado- res em Educação-Anped. Caxambu MG, 2008. FERNANDES, Bernardo Mançano. A formação do MST no Brasil. Petró- polis, RJ: Vozes, 2000. FOERSTE, Erineu.; SCHÜTZ-FOERSTE, Gerda. M.; DUARTE, Laura M. S. (Org.) Por uma educação do campo – Caderno 6. Vitória/Brasília: PPGEUFESPRONERA, 2008. Atividades Realize as seguintes atividades sugeridas pelos organizadores: 1. Discuta a afirmação a seguir: “um projeto de educação eman- cipatória precisa tensionar a “lógica escolar” assumida pelos proces- sos formadores, por vezes também naqueles que acontecem fora da escola”. Recomendações: Fazer registros 2. Ao tentar conceituar a Educação do Campo, a autora, revelaEducação do Campo escritos de cada atividade algumas contradições e tensões quando coloca que, à medida que essa educação ganha espaço, começa a aparecer uma tendência que a desloca de sua identidade imaginária. Descreva uma situação que exemplifique a afirmativa de Caldart. 3. Analise a afirmação da autora: “Não tem sentido, dentro da concepção social emancipatória que defendemos afirmar a especi- ficidade da Educação do Campo pela educação em si mesma; me- nos ainda pela escola em si mesma (uma escola específica ou própria para o campo)”. Faça registros sobre o que seria a concepção emanci- patória voltada para a Educação do Campo. 4. Leia a afirmativa e responda às perguntas que se seguem: “A Educação do Campo precisa trabalhar com a questão do pluralismo. Ela precisa desta idéia: existe o outro e ele deve ser respeitado. Os sujeitos do campo são diversos e esta diversidade precisa ser incor- porada em nossa reflexão político-pedagógica”. Entretanto, para isso é importante o papel do professor nesse cenário promovendo a in- teração entre a diferença e a similaridade, desenvolvendo nos alunos importantes aspectos tais como a compreensão, o respeito, a supe- ração e a emancipação”. Como é possível ao professor chegar a esse resultado? Por meio de quê ele é capaz de conseguir isso? 5. Escolha um livro didático, de qualquer disciplina, utilizado em uma escola do campo e analise-o. Registre os dados a seguir: -In- dique o nome do livro, autor, editora e série; - os textos e atividades 96 Capítulo: Educação do Campo
  • 94. propostas levam em consideração o contexto em que a criança docampo está inserida e sua identidade cultural? Exemplifique um tex-to ou atividade que demonstram sua análise. - existe a preocupaçãoem propor atividades práticas que valorize as experiências da criançado campo? Se não, sugira alternativas de como os conhecimentospoderiam ser trabalhados de forma significativa para essa criança docampo? 6. Faça uma pesquisa em seu município de alguma associação Recomendações: Fazer registrosou cooperativa de trabalhadores rurais descrevendo sua história, escritos de cada atividadeseus objetivos e conquistas alcançadas. 7. Agora conheça uma letra de musica que fala sobre o homemdo campo: Obrigado ao homem do campo Pelo leite o café e o pão Deus abençoe os fracos que fazem O suado cultivo do chão Obrigado ao homem do campo Pela carne, o arroz e feijão Os legumes, verduras e frutas E as ervas do nosso sertão Educação do Campo Obrigado ao homem do campo Pela madeira da construção Pelo cacho de fios das roupas Que agasalham a nossa nação Pelo cacho de fios das roupas Que agasalham a nossa nação Obrigado ao homem do campo O boiadeiro e o lavrador O patrão que dirige a fazenda O irmão que dirige o trator Obrigado ao homem do campo O estudante e o professor A quem fecunda o solo cansado Recuperando o antigo valor Obrigado ao homem do campo Do oeste, do norte e do sul Sertanejo da pele queimada Do sol que brilha no céu azul Sertanejo da pele queimada Do sol que brilha no céu azul E obrigado ao homem do campo Que deu a vida pelo Brasil Seus atletas, heróis e soldados Que a santa terra já cobriuCapítulo: Educação do Campo 97
  • 95. Obrigado ao homem do campo Que ainda guarda com zelo a raiz Da cultura, da fé, dos costumes E valores do nosso país Obrigado ao homem do campo Pela semeadura do chão E pela conservação do folclore Empunhando a viola na mão Recomendações: Fazer registros E pela conservação do folclore escritos de cada atividade Empunhando a viola na mão Lá rá lá, lá rá lá, lá rá lá.... Você conhece outra música que também fale sobre a valoriza- ção do homem do campo? Em caso afirmativo, registre no quadro, a seguir, as suas observações. Música: Observações:Educação do Campo 98 Capítulo: Educação do Campo
  • 96. Texto X – Professor Erineu Foerse e Profesor EliesérToretta Zen Objetivo: Discutir princípios da educação do campo na pers-pectiva das lutas coletivas do Movimento dos Trabalhadores RuraisSem-Terra. Leia o excerto do artigo sugerido. Leia o texto na íntegra e iden-tifique os princípios da educação campo discutidos pelos autores.Discuta como este debate pode contribuir para a construção do pro-jeto político e pedagógico da educação do campo no contexto emque você trabalha. Ler atentamente os textos do livro e do CD- RomDISCUSSÕES SOBRE PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO DOCAMPO 31 Eliesér Toretta Zen 32 Erineu Foerste 33 31 Serviu de base para a elabora- ção do texto o terceiro capítulo da dissertação de mestrado in- Este texto tem como objetivo identificar e refletir sobre os prin- titulada: “Pedagogia da Terra: acípios da educação do campo. Busca-se relacioná-los com as lutas formação do professor sem-terra” defendida junto ao Programa dedos movimentos sociais e em especial do Movimento Sem Terra na Educação do Campo Pós-Graduação em Educação daconstrução coletiva de políticas públicas que favoreçam uma pro- Universidade Federal do Espírito Santo em 20 de Março de 2006.posta de sustentabilidade com e para os que vivem no e do campo. 32 Formado em Filosofia pela PUC/MG, Pós-graduado em Filo- sofia Contemporânea e Mestre em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo-UFES. Professor de filosofia e sociologia na Faculdade Salesiana de Vitória e no Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo. 33 Professor adjunto, membro do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo.Capítulo: Educação do Campo 99
  • 97. Referências (Leituras complementares) ARROYO, Miguel e FERNANDES, Bernardo Mançano. A educação bá- sica e o movimento social do campo. Articulação Nacional Por uma Educação Básica do Campo. São Paulo, 1999. BRASIL, Ministério do Desenvolvimento Agrário/SAF/CONDRAF. Re- ferências para um programa territorial de desenvolvimento sustentá- vel. Brasília, DGF. Junho, 2003. CALDAT, Roseli Salete. Pedagogia do Movimento Sem Terra: escola é mais do que escola. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2000. FERNANDES, Bernardo Mançano. A formação do MST no Brasil. Petró- polis, RJ: Vozes, 2000. FOERSTE, Erineu (Coordenador). Pedagogia da Terra; uma avaliação da experiência da Universidade Federal do Espírito Santo (Relatório final de pesquisa). Vitória/Brasília/São Paulo: UFES/PRONERA/Ação Educativa, 2004. FOERSTE, Erineu e SCHÜTZ-FOERSTE, Gerda Margit. Professores Sem- Terra e universidade: qual parceria? In: ANDRADE, Márcia Regina et al. A educação na reforma agrária em perspectiva; uma avaliação doEducação do Campo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária. Brasília/São Paulo: PRONERA/Ação Educativa, 2004, pp. 211-227. JESUS, Sônia Meire S. A de. Navegar é preciso, viver é traduzir rumos: rotas do MST. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal, RN, 2003. (tese de doutorado). MOLINA, Mônica C. A contribuição do Programa Nacional de Educa- ção na Reforma Agrária para a promoção do desenvolvimento sus- tentável. Brasília: PRONERA, 2003. ZEN, Eliesér Toretta. Pedagogia da Terra: a formação do professor sem-terra. Dissertação de Mestrado defendida junto ao Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória, 2006. 100 Capítulo: Educação do Campo
  • 98. Atividades Realize as seguintes atividades sugeridas pelos organizadores: Atividade 1 Considerando os princípios da educação do campo, busquejunto à sua comunidade escolar fazer um levantamento de dados so-bre a presença de grupos organizados (grêmio estudantil, associaçãode pais, sindicato de professores, grupos organizados que congre-gam pessoas em torno das questões da terra, de gênero, etnia ou Recomendações: Fazer registrosreligião, etc). Elabore um questionário com o objetivo de caracterizar escritos de cada atividadeo tipo de organização, a estrutura organizacional, as concepções quedefendem e o papel que atribuem à escola (conforme modelo abai-xo). Em seguida faça um relatório descrevendo a atividade realizada,os procedimentos adotados e os resultados alcançados. (número mínimo de questionários a serem respondidos por es-cola: 5, podendo ampliar de acordo com a proposta da equipe depesquisadores) Questionário: 1. Identificação dos participantes a) Nome: b) Data de nascimento: c) Sexo: Educação do Campo d) Naturalidade e) Nacionalidade: f ) Grupo organizado que integra: 2. Sobre a Organização: a) Nome: b) Objetivos da organização: c) Organização interna (diretoria, processo eletivo dos gestores,assembléias) d) Financiamento (de onde provêm os recursos para manuten-ção dos trabalhos?) e) Metas (iniciativas, funções que desempenha na sociedade: f ) Idéias que defende: g) Principais bandeiras de luta (a que se opõe) h) Qual o papel que atribui a escola na sociedade?Capítulo: Educação do Campo 101
  • 99. Educação do Campo 102 Capítulo: Educação do Campo
  • 100. Texto XI – Professores Erineu Forste, Gerda MargitSchütz-Foerste e Lírio Drescher Objetivo: Avaliar possibilidades concretas de práticas de parce-ria na formação continuada de professores do campo. Leia o texto na íntegra. Identifique objetivos e ações implemen-tadas na parceria de formação continuada de professores do campona Universidade Federal do Espírito Santo. Quais são os principais re-sultados alcançados? O que é preciso ser redimensionado? Há outrasexperiências que você conhece de formação continuada de profes-sores do campo? Quais são seus principais objetivos e que ações fo-ram desenvolvidas. Há impactos na construção do projeto político e Ler atentamente os textos do livro e dopedagógico da educação? CD- RomPARCERIA ENTRE UNIVERSIDADE E ESCOLA BÁSICA:QUESTÕES SOBRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DOCAMPO 34 34 A produção deste texto contou Erineu Foerste/PPGE/UFES 35 com a colaboração das respec- Gerda Margit Schütz-Foerste/PPGE/UFES 36 tivas equipes das seguintes Se- cretarias Municipais de Educação Lirio Drescher/Laranjada Terra - ES 37 Educação do Campo do interior do Estado do Espírito Santo: Laranja da Terra , Vila Pavão, Santa Maria de Jetibá, Domingos RESUMO Martins e Marechal Floriano. O “Programa Formação Continuada de Professores do Campo 35 Professor Adjunto, membro– Interculturlidade e Campesinato em Processos Educativos”, desen- do Colegiado do Programa devolvido na parceria da Universidade Federal do Espírito Santo com Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do EspíritoSecretarias de Educação e Movimentos Sociais, objetiva fortalecer Santo.lutas de sujeitos campesinos pela construção de uma educação do 36 Professora Adjunto, membrocampo diferenciada de qualidade. Projeto piloto possibilitou proces- do Colegiado do Programa desos investigativos com profissionais do ensino em contextos sociais Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Espíritocampesinos intercultturais. Estão sendo acumuladas discussões so- Santo.bre fragilidades das políticas públicas no setor e inexistência de pro- 37 Até final de 2008 o P. Lírio Dres-duções específicas de materiais de formação. Podemos afirmar que cher (pastor aposentado da Igrejaos professores do campo produzem saberes profissionais em suas Evangélica de Confissão Luterana no Brasil) foi secretário municipallutas pelo reconhecimento e valorização de territórios, povos cam- de educação do Município de La-pesinos e saberes da terra. ranja da Terra – ES. Palavras-chave: educação do campo, formação continuada deprofessores, parceria.Capítulo: Educação do Campo 103
  • 101. Referências FIORI, Neide Almeida et al. Etnia e educação; a escola “alemã” do Bra- sil e estudos congêneres. Florianópolis: Editora da UFSC, 2003. FIORI, Neide Almeida. Perfil ideológico da “escola estrangeiro” em Canta Catarina. In: Revista de Antropologia, separata do volume XXIX. São Paulo, 1986. p. 113-133. ______. Rumos do nacionalismo brasileiro nos tempos da Segunda Guerra Munidal: o “nacionalismo” e as minorias étnicas “inimigas”. In: CADERNOS DE SOCIOLOGIA – Natureza, história e cultura. Porto Ale- gre: PPGS/UFRGS, v4. p.131-141, 1993. Número especial. FOERSTE, Erineu, SCHÜTZ-FOERSTE, Gerda M., DRESCHER, Lírio. Pro- grama de formação continuada de professores do campo; intercultu- ralidade e campesinato em processos educativos. Vitória: Programa de Pós-Graduação em Educação/CE/UFES, 2009. FOERSTE, Erineu. Discussões acerca do projeto político de educação do campo. In.: FOERSTE, Erineu, SCHÜTZ-FOERSTE, Gerda Margit, SCHNEIDER, Maria Laura D. (Orgs.). Por uma educação do campo; projeto político e pedagógico da educação do campo. Vitória/Brasí- lia: PPGE/PRONERA/INCRA, 2008, pp. 75 – 126.Educação do Campo FOERSTE, Erineu, SCHÜTZ-FOERSTE, Gerda Margit, SCHNEIDER, Maria Laura D. (Orgs.). Por uma educação do campo; projeto político e pe- dagógico da educação do campo. Vitória/Brasília: PPGE/PRONERA/ INCRA, 2008. ______. Parceria na formação de professores. São Paulo: Cortez, 2005. FOERSTE, Erineu e LÜDKE, Menga. Avaliando experiências concretas de parceria na formação de professores. Avaliação/Rede de Avaliação Institucional da Educação Superior – RAIES, v. 8, n. 4, pp. 163 – 182, dez. 2003. FOERSTE, Erineu e JACOB, Jorge Küster. Pommerhochtied; um casa- mento pomerano no Espírito Santo. Nova Venécia: Gráfica Cricaré, 1998. GOHN, Maria da Glória (Org.). Movimentos sociais no início do século XXI; antigos e novos atores sociais. Petrópolis: Vozes, 2003. JACOB, Jorge Küster. A imigração e aspectos da cultura pomerana no Espírito Santo. Vitória: Departamento Estadual de Cultura, LEITE, Sérgio Celani. Escola rural; urbanização e políticas educacio- nais. São Paulo:Cortez, 1999. MEC/GTP Educação do Campo. Referências para uma política nacio- nal de educação do campo. Brasília: MEC, 2004. 104 Capítulo: Educação do Campo
  • 102. MEC. Plano Nacional de Educação. Brasília: MEC, 2001.MORAES, Neida Lúcia. Espírito Santo; história de suas lutas e conquis-tas. Vitória: Argraf, 2004.SEDU. Política educacional do Estado do Espírito Santo.Vitória: SEEB/SEDU, 2004. Atividades Realize as seguintes atividades sugeridas pelos organizadores: Atividade 1 Discuta as linhas gerais do processo de formação continuadade professores do campo desenvolvido pela Universidade Federal doEspírito Santo. Atividade 2 Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividade Cite e comente outros projetos de formação de professores docampo que são realizados na sua comunidade e/ou em outros con-textos. Educação do CampoCapítulo: Educação do Campo 105
  • 103. CAPÍTULOEDUCAÇÃO E SUSTENTABILIDADE Recomendações Realize uma leitura inicial dos textos, fazendo anotações para elaboração de uma síntese, que será discutida no grupo de estudo. Em seguida retome os artigos, buscando dados para resolver as ati- vidades propostas. Não deixe de registrar suas reflexões, com vistas ao compartilhamento das mesmas no seu grupo e no encontro da turma de que você faz parte no Polo da UAB.
  • 104. Educação e Sustentabilidade 108 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 105. Texto I – Professor Carlos Rodrigues Brandão Objetivo: Discutir educação como possibilidade de resgate dosujeito Leia o texto na íntegra, buscando estabelecer pontes entre elee os demais artigos do Eixo Temático Educação e Sustentabilidade.Que relação há deste artigo do Professor Carlos Rodrigues Brandãocom as publicações discutidas nos outros dois eixo temáticos destadisciplina? Observe que o autor sugeriu leituras complementares.Comente as escolhas de publicações recomendados, justificando aspossíveis razões de Brandão para essas sugestões de aprofundamen-to feitas. Reflita sobre a epígrafe que abre o texto. Ler atentamente os textos do livro e do CD- RomCONVIVER, APRENDER A SER RECÍPROCO Carlos Rodrigues Brandão Mas não lhe restam mais que um pedaço de pão e um pouco de água em um cantil; ele sabe que até o fim vai depen- der dos homens, do poço do fazendeiro, do padeiro que lhe venderá o pão, que terá de ser servido por eles e de servi-los. Para mim são dois procedimentos absolutamente idênticos, o homem está no mundo, e o resto da humanidade também - Marguerite Yourcenar 38 38 Esta na pagina 227, de De olhos abertos, um dos muitos livros da escritora belga-francesa Margue- rite Yourcenar, cujo livro mais co- Fora alguns filósofos e muitas crianças, quase nunca nós para- nhecido entre nos e Memórias demos por um momento para fazermos a nós e aos outros estranhas Adriano.perguntas. Como esta que Leibniz, um importante filósofo alemãodo passado, fez um dia: porque é que existe o que existe e, não, onada? E ele não foi nem o primeiro e nem o segundo a fazer esta per-gunta. E ela parece uma pergunta tola e dispensável. Mas por milê-nios ela tem sido uma questão essencial para compreendermos ondeestamos, como tudo começou e porque o que há existe como existe. De uma maneira semelhante, biólogos e outros estudiososafins perguntam: e como? E porque surgiu algo como a Vida aqui naTerra? Porque será que nesta pequenina esquina do Universo, em um Educação e Sustentabilidadeplaneta mínimo de um sistema solar situado a um canto de uma en-tre bilhões de constelações e de galáxias, foi surgir algo tão estranho,tão misterioso, tão persistente e tão frágil como a Vida? E sobre nós mesmos, os seres em quem a Vida se tornou huma-na, muitas vezes nós recordamos três perguntas encadeadas: Quemsomos? De onde viemos? Para onde vamos? E nos dias de hoje podemos pensar estas perguntas acompa-nhadas de outras: quem temos sido ao longo de nossa história? Oque temos feito de nós mesmos e com os nossos outros? Quem so-mos agora? O que podemos fazer ainda por nós mesmos, seres hu-Capítulo: Educação e Sustentabilidade 109
  • 106. manos? Qual o nosso destino? Qual a nossa parte de responsabilida- de na construção dele? Estamos muito acostumados a ler livros que fazem críticas su- perficiais a nossa atualidade, ou que sugerem, das mais diversas ma- neiras, como deveríamos mudar – pessoal, interativa e socialmente – para criarmos um mundo mais humano e vivermos uma vida melhor. Em alguns de nossos cadernos anteriores estivemos às voltas com estas questões. Mas, aqui, a pergunta é outra: porque é que somos como somos? Jean-Jacques Rousseau é um dos filósofos e pensadores da so- ciedade humana mais conhecidos. Mesmo havendo sido um homem nascido e morto entre 1712 e 1778 suas obras permanecem lidas como se atuais. Ele possui, inclusive, um grande livro sobre a educa- ção: Emílio, ou da Educação, escrito em 1762. Seu livro mais conheci- do é O Contrato social , também sub-intitulado, Princípios de direito político, escrito no mesmo ano de 1762. Este livro, que influenciou inclusive os antropólogos que nos esperam logo adiante, retoma as perguntas sem respostas definitivas que, entre mitos e sistemas filo- sóficos, terá milhares de anos: “porque somos como somos? O que torna o ser humano quem ele é, a natureza humana ou as tradições e imposições da sociedade? Como e porque, para podermos viver jun- tos e criar “ambientes humanos” de convivência, necessitamos criar e lidar com o que ele chamará justamente de “contrato social”. Mais ou menos o que neste caderno e em cadernos anteriores eu chamei e seguirei chamando de conjuntos de valores, de regras, de princípios e de preceitos sociais. O que nos obriga a criarmos entre nós, ainda que isto seja um peso à naturalidade do ser humano, um “pacto so- cial”? O que ele implica, o que eles nos obriga e o que ele nos impõe? Ora, mas o mesmo Rousseau escreveu também um livro quase tão divulgado e conhecido quanto O contrato social. Seu título suge- re um conteúdo bastante mais árduo e conflitivo: Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, escrito em 1681, logo, vários anos após O contrato social 39. Neste livro, como 39 Estes três livros de Jean-Jac- já antes em O contrato social, Rousseau separa o que ele chama um ques Rousseau estão traduzidos para o Português. O contrato so- ser humano e uma humanidade em “estado de natureza” (o conhe- cial possui versões traduzidas de cido “mito do bom selvagem”) e o homem regido pela vida social. A mais de duas editoras. Recomen- do a da Editora Martins Fontes, de própria sociedade que se impõe como lugar único de vida possível São Paulo, em 1989. O Discurso para nós, criar e reproduz as inevitáveis – ou será que evitáveis e cor- sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens rigíveis – desigualdades que, dos seus tempos aos nossos, pois deEducação e Sustentabilidade também foi editado pela Martins então para agora “por toda a parte em que olhemos, vemos homens Fontes em 1993. Finalmente, Emí- lio foi editado também pela mes- submetidos a ferros”. Vimos, cadernos antes, com Clifford Geertz e ma editora em 1995. outros antropólogos, que os seres humanos ao saltarem da nature- za para o mundo da cultura, criaram eles próprios teias e tramas de símbolos e significados, criando do tecido social da cultura, fora da qual não há como viver uma vida humana. Vemos agora com Rous- seau, que, ao abrir mão de um inocente estado original “de natureza” e ao tornar-se um “animal social”, ou seja, um ser político, o homem abre mão de sua própria primeira liberdade para poder, afinal, ser hu- mano e conviver humanamente. Será mesmo assim? Estaremos nós 110 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 107. condenados a criarmos ao mesmo tempo o nosso Paraíso e o nossoPurgatório? Para buscar mais entre antropólogos, biólogos e psicólogos, doque entre filósofos uma entre muitas alternativas de respostas a estase a outras perguntas, sugiro que recuemos alguns passos e retome-mos algumas palavras e idéias já nossas conhecidas. 1. Quem somos nós? Como somos? Porque somoscomo somos? Nossos corpos são a natureza de que nós somos parte, trans-formada no ser de uma pessoa: você, eu. Não somos intrusos ou ape-nas uma fração da natureza rebelde a ela. Somos a própria múltiplae infinita experiência da natureza realizada como uma forma espe-cial de vida: a vida humana. Da mesma maneira como boa parte dosanimais, somos corpos dotados da capacidade de reagirem ao seuambiente. De se locomoverem nele em função de mensagens quecaptam dele com os seus sentidos, e através de atos por meio dosquais deixam a sua marca momentânea em seu mundo. Mas entretodos os outros animais e nós existe uma diferença essencial. Comuma enorme variedade de vivências disto, em todos eles existem for-mas de uma consciência reflexa da relação entre o ser vivo e o seumundo. Eles sentem, eles percebem, eles lembram, eles sabem, elesagem. Nós também. E nós nos sentimos sentindo, como alguns ou-tros animais também. Mas nós nos pensamos sabendo e nos sabemos pensando. Esabemos que sentimos e nos sentimos tomados desta ou daquelaemoção, porque aprendemos a nos saber sabendo e a nos sentir sen-tindo. Passamos, assim, da consciência reflexa que compartimos comoutros seres da vida, à consciência reflexiva, que acrescenta um “me”e um “mim” a um “eu”. E que é em nós o veículo com que interagimosconosco mesmos (eu-me), com os nossos outros (eu-outro) e com onosso mundo (nós-mundo). Somos uma consciência que pensa e se pensa, somos a aven-tura, a glória e o terror de termos de viver dentro de três tempos: opassado, o presente e o futuro, enquanto tudo o que vive à nossa vol-ta contenta-se em viver um só e sensível presente. A vida, conscientede si em qualquer ser-da-vida, torna-se enfim conhecedora de sua Educação e Sustentabilidadeprópria consciência. E ao passar de reflexa (saber e sentir) à reflexiva(saber-se sentindo e sentir-se sabendo) ela nos faz saltar da esfera dosinal à do signo e dela aos caminhos e aos abismos do sonho e do de-vaneio. Os animais sabem o que sabem com a carga genética da es-pécie. Ou aprendem o que lhes falta saber interagindo organicamen-te com o meio ambiente, ou através de interações pré-simbólicascom outros seres de sua espécie. Nós saltamos do sinal ao símbolo eaprendemos como eles, mas aprendemos uns com os outros, atravésde gestos carregados de sentido e de palavras carregadas de idéias.Capítulo: Educação e Sustentabilidade 111
  • 108. Existe ainda uma outra diferença importante. Dentre todas as espécies, somos a única que ao invés de apenas transformar-se fisica- mente para adaptar-se ao mundo natural, começou a transformá-lo de maneira intencional, para adaptá-lo a ela. Castores fazem diques na água. Formigas constroem cidades debaixo da terra e abelhas re- alizam, há muitos milhões de anos, verdadeiros prodígios de arqui- tetura. Mas em todos estes animais e em outros, o “fazer” não é um “criar”. Ele é uma extensão instintiva das leis de comportamento da espécie impressas no corpo de cada um de seus indivíduos. Quando os primeiros seres de quem descendemos viviam a esmo, na beira dos riachos, já os pássaros eram construtores de sábios ninhos. Mas hoje os seus seguidores fazem, da mesma maneira, os mesmos ni- nhos. Nós inventamos sobre todos os quadrantes da Terra uma va- riedade enorme de habitações e ensaiamos no espaço sem ar e sem gravidade, as primeiras moradias fora da Terra. 2. Cultura: a invenção do humano Vimos em cadernos anteriores que podemos dar ao que nos torna humanos, o nome de cultura. A natureza é o mundo de quem somos e o mundo em que nos é dado viver. Lembremos uma vez mais que somos, como os outros seres vivos, seres naturais. Mas, à diferença deles, nós somos natu- ralmente humanos. E somos humanos porque somos culturalmente naturais. A cultura é todo o mundo que transformamos da natureza, em nós e para nós. Quando o Deus dos hebreus, dos cristãos e dos muçulmanos disse aos seres criados: crescei e multiplicai-vos, eles e também nós respondemos com a extensão natural de nós mesmos. Quando ele disse: habitai a Terra, os homens responderam transfor- mando os seus mundos e a si mesmos. Responderam criando dife- rentes maneiras de não apenas colher os frutos das árvores e os pei- xes dos rios, mas de lavrar a terra e dar aos seus frutos e aos dos rios, nomes. Clifford Geertz, um antropólogo norte-americano, escreve isto assim: Somando tudo isso, nós somos animais incompletos e inacabados que nos completamos e acabamos através da cul-Educação e Sustentabilidade tura – não através da cultura em geral, mas através de formas altamente particulares de cultura: dobuana e javanesa, hopi ou italiana, de classe alta e classe baixa, acadêmica e comer- cial. A grande capacidade de aprendizagem do homem, sua plasticidade, tem sido observada muitas vezes, mas o que é ainda mais crítico é sua extrema dependência de uma espé- cie de aprendizado: atingir conceitos, a apreensão e aplicação de sistemas específicos de significado simbólico. Os castores constroem diques, os pássaros constroem ninhos, as abelhas localizam o seu alimento, os babuínos organizam grupos so- ciais e os ratos acasalam-se à base de formas de aprendizado que repousam predominantemente em instruções codificadas 112 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 109. em seus genes e evocadas por padrões apropriados de estí- mulos externos – chaves físicas inseridas nas fechaduras orgâ- nicas. Mas os homens constroem diques ou refúgios, localizam o alimento, organizam seus grupos sociais ou descobrem seus companheiros sexuais sob a direção de instruções codificadas 40 A interpretação das culturas, em diagramas e plantas, na tradição da caça, nos sistemas mo- páginas 62 e 63, rais, e nos julgamentos estéticos: estruturas conceptuais que moldam talentos amorfos . 40 Nomes, símbolos, palavras, sentidos e significados. Pois para aave que pousa num galho a árvore é a sombra, o abrigo, a referênciano espaço e o fruto. Para nós, seres da natureza habitantes da cultura,ela é tudo isto e muito mais. É um nome, uma lembrança, uma tec-nologia de cultivo e de aproveitamento. É uma imagem carregada deafetos, o objeto da tela de um pintor, um poema, uma possível mora-da de um deus ou, quem sabe, uma divindade que por um instantedivide com um povo indígena uma fração de seu mundo. A cultura é algo que sempre e inevitavelmente estamos crian-do. Não apenas as coisas da matéria da Terra transformadas em obje-tos da Vida, mas as tessituras de palavras, de regras, de códigos e degramáticas sociais, de imagens e de idéias partilhadas que em nóstornam possível o viver e o conviver. Culturas são panelas, mas tam-bém sistemas sociais de alimentação. São vestimentas, acompanha-das de preceitos e princípios sobre modos de se vestir em diferentessituações sociais e rituais. São estruturas simbólicas e complicadossistemas de falas e de gestos entre categorias de sujeitos. Mapassimbólicos, tessituras de significados que nós próprios criamos e emcujas tramas e teias nos enredamos de uma maneira inevitável. Estaé a nossa liberdade e a nossa servidão. Pois é dentro, entre e atravésde tais teias e tramas que criamos os mundos sociais para podermosviver juntos no mundo natural que nos é dado. Em pelo menos duas direções mais conhecidas podemos com-preender a experiência da criação das culturas ao longo da múltiplahistória da humanidade. Em uma direção a cultura surge e está noprocesso do trabalho e nos produtos do trabalho, na transformaçãoda natureza dada, em um mundo intencionalmente criado. Traba-lhos, labores, ciências, tecnologias, artes, das mais simples, primitivase arcaicas às complexas, elaboradas e atuais, eis aí os processos, osprocedimentos e os produtos das diversas culturas humanas. Há uma outra direção para pensarmos a origem da cultura e Educação e Sustentabilidadeda própria vida social. Ela não se opõe à primeira, mais a integra eamplia. Através dela retornaremos ao dar-receber-retribuir de MarcelMauss, que dá título a estas reflexões. Sabemos que a experiênciahumana da cultura é e está contida nos atos e nos fatos através dosquais nós nos apropriamos do mundo natural e o transformamos emum mundo humano. Mas ela está também nos gestos e nos feitoscom que nos criamos a nós próprios no mundo de natureza em quevivemos. Gestos dotados de simbologia e de significados. Gestos re-alizados em situações interativas de troca e reciprocidade, e geradosem e geradores das diferentes dimensões da vida social que cultu-Capítulo: Educação e Sustentabilidade 113
  • 110. ralmente realizamos na medida em que nos transformamos de or- ganismos biológicos e indivíduos em sujeitos sociais: em pessoas. E gestos interativos através dos quais continuamente transformamos coletividades orgânicas em comunidades sociais. Somos seres sempre sociais em pelo menos dois sentidos. Um primeiro em que somos de maneira inevitável e contínua criadores e re-criadores dos mundos sociais em que vivemos. Com coisas cria- mos casas em que abrigamos o plural de nosso ser. E para poder- mos habitar as casas, nós a preenchemos tanto de objetos que são os nossos utensílios, quanto de símbolos, com que os revestimos de afetos, memórias, significados. Por isso depois que aprenderam a transformar o barro em potes, os homens aprenderam a pintar flores nos potes e cores nos corpos das mulheres. Em um segundo, porque uma vez socializados na(s) cultura(s) de uma dada sociedade, nós a trazemos dentro de nós. Eis porque em termos modernos dizemos que a cultura está mais no quê e no como nos dizemos palavras, imagens e idéias en- tre nós, para nós e a nosso respeito, do que no que nós fazemos em nosso mundo, ao nos organizarmos socialmente para viver nele e transformá-lo. Ao levarmos a Vida do reflexo à reflexão e do conheci- mento à consciência, nós acrescentamos ao Mundo o dom gratuito do espírito. Com ele nós nos tornamos senhores do sentido e criado- res de uma vida regida não pelo sinal e o instinto, como entre nossos parentes animais, mas pelo símbolo e pelo sentimento. Somos uma espécie que ao longo de toda a história da humanidade, e também em cada pequenino momento da vida cotidiana, está a todo o tempo criando e recriando as teias e as tramas de símbolos e de significados com o quê, para muito além dos simples atos dos trabalhos indis- pensáveis à nossa sobrevivência biológica, buscamos respostas às nossas perguntas, estabelecemos sentidos para as nossas vidas, con- sagramos princípios para a nossa difícil convivência e nos impomos princípios e preceitos para podermos viver no único mundo que nos é possível: a sociedade humana e as suas várias culturas. Compartimos com inúmeras outras espécies de animais de vida coletiva o fato de só sabermos existir em uma coletividade. Mas, das abelhas e formigas aos lobos e gorilas, cada família animal está apri- sionada nos limites orgânicos de regência biológica da constituição de seus indivíduos e da estrutura e dinâmica do grupo, do bando. E, como já vimos antes, nós, os humanos, chegamos a ser a única formaEducação e Sustentabilidade de Vida na Terra que transcendeu o domínio natural das leis bioló- gicas impressas geneticamente em cada um, ao criar um mundo de interações pessoa-pessoa, pessoa-símbolo, símbolo-símbolo através de pessoas. Ao criarmos um múltiplo universo de interações edifica- do sobre regras sociais. Um mundo regido pela experiência da fala e da comunicação de saberes, de sentidos, de sentimentos e estabele- cido sobre integrações de sistemas de identificação de atores (quem é quem em cada contexto, em cada momento, em cada interação) e de sistemas de gramáticas das relações sociais (quem pode viver o que com quem, em cada contexto, em cada momento, em cada interação). 114 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 111. De uma simples comunidade tribal à sociedade humana maiscomplexa, onde quer que haja vida humana, há símbolos que trans-formam atos em gestos, gritos em palavras, intenções em idéias eidéias em preceitos, em sistemas de princípios, em gramáticas de re-gras culturais, em ideologia das práticas sociais, em universos simbó-licos. Onde quer que haja vida humana, logo, social e significativa, há,por toda a parte, critérios de atribuição de identidades pessoais, ét-nicas, sociais. Há códigos que transformam comportamentos indivi-duais em padrões de condutas interativas. Há gramáticas sociais queclassificam e prescrevem tipos de relacionamentos entre as diferen-tes categorias de sujeitos (homens-e-mulheres, pais-e-filhos, jovens-e-adultos, companheiros de uma equipe de trabalho, ou senhores-e-servos). Há sistemas que interligam os saberes e os valores da vidainterativa com-o-outro e da vida social entre-outros. E, universais e,ao mesmo tempo, peculiares de cultura para cultura, como eles são,esses valores e saberes recebem em diferentes línguas palavras se-melhantes ou diversas. Eles são os nossos imaginários, as ideologias,as representações sociais, os universos simbólicos. Em uma segundadimensão, interagimos entre nós para vivermos uma segunda esferade nossa condição: a sociedade. Em um terceiro plano (mas não naseqüência, pois os três momentos de interações acontecem juntos)interagimos com um terceiro ambiente: o dos símbolos e significa-dos a que a experiência da vida social, e não apenas coletiva, comoentre os outros primatas, nos conduz. E, uma vez enlaçados entresímbolos e significados, uma vez mais à diferença dos animais, nós 41 Existem algumas versões tra-nos relacionamos com o próprio ambiente natural através de sistema duzidas para o português. Uma delas saiu no volume II do livrode sentidos que atribuímos à natureza como um todo e a cada um Sociologia e Antropologia, publi-de seus componentes. Vemos, ao mesmo tempo, uma árvore, um ser cado em São Paulo, em 1972, pela Editora Pedagógica e Universitáriavivo do reino vegetal, um sentimento e um feixe de palavras: “este em parceria com a EDUSP. Umaano os ipês amarelos estão florindo no cerrado como há muito tem- versão mais atual foi editada, com o mesmo título, mas em um vo-po não acontece”. lume apenas, pela Cosac e Naify Agora estamos preparados para darmos um passo adiante. , também de São Paulo, em 2003. 3. Dar, receber, retribuir – as origens da vida que nósvivemos – bem comum Retenhamos do começo ao final deste estudo sobre relações Educação e Sustentabilidadeentre o saber e o aprender, entre a educação e a cultura, esta trilogiade verbos: dar-receber-retribuir. Eles formam a cadeia de palavras-chave de um dos mais conhecidos e importantes estudos das ciên-cias sociais. Seu autor, o antropólogo francês Marcel Mauss, o cha-mou: Ensaio sobre a dádiva – forma e razão da troca nas sociedadesarcaicas, um longo estudo cujas idéias nos acompanharão daqui emdiante . 41 Somos humanos porque introduzimos na Terra e na múltipla etransformável experiência da vida no Planeta, uma maneira única eoriginal de viver-com-o-outro. Uma experiência que prolonga e tor-Capítulo: Educação e Sustentabilidade 115
  • 112. na bastante mais complexa a herança dos primatas quanto ao viver- em-bandos. A nossa capacidade de não apenas viver organicamen- te em coletividades biológicas, mas de criar e transformar, ao longo do tempo e entre os espaços do planeta, as mais diversas formas de viver-juntos, de gerar, de preservar, de transformar, de destruir e de recriar diferentes comunidades de vida. Quando Marcel Mauss fez um vasto levantamento sobre for- mas primitivas e arcaicas das mais diversas relações interativas entre as culturas e as sociedades humanas, ele se deu conta de que havia em e entre todas elas um mesmo padrão universal. As suas diferen- ças de um modo de vida para o outro eram múltiplas e diversas, mas este padrão parecia estar presente sempre, da aurora do homo aos nossos tempos pós-modernos. Em qualquer sociedade humana as pessoas individuais, através de unidades sociais como as famílias, os clãs, as tribos, as comunidades, enfim, estão sempre às voltas com relacionamentos aparentemente pessoais e voluntários regidos por preceitos de troca. Olhadas de perto, essas relações pessoa-pessoa parecem ser sempre preceituais, prescritivas e coletivizadas. Viver em uma coletividade é estar enredado, também, em círculos e circuitos de intercâmbios cerimoniais regidos pela obrigação de dar, de rece- ber e de retribuir. Nas economias e nos direitos que precederam os nossos, nunca se constatavam, por assim dizer, simples trocas de bens, de riquezas e de produtos num mercado estabelecido entre indivíduos. Em primeiro lugar, não são indivíduos, são coleti- 42 Marcel Mauss, Sociologia e an- tropologia, 2003, páginas 190 e vidades que se obrigam mutuamente, trocam e contratam; as 191. pessoas presentes ao contrato são pessoas morais: clãs, tribos, famílias, que se enfrentam e se opõem, seja em grupos, fren- te a frente num terreno, seja por intermédio de seus chefes, seja ainda dessas duas maneiras ao mesmo tempo. Ademais, o que elas trocam não são exclusivamente bens e riquezas, bens móveis e imóveis, coisas úteis economicamente. São, antes de tudo, amabilidades, banquetes, ritos, serviços militares, mu- lheres, crianças, danças, festas, feiras, dos quais o mercado é apenas um dos momentos, e nos quais a circulação de riquezas não é senão um dos termos de um contrato bem mais geral e bem mais permanente. Enfim, essas prestações e contrapres- tações se estabelecem de uma forma, sobretudo voluntária, por meio de regalos, presentes, embora elas sejam no fundo rigorosamente obrigatórias, sob pena de guerra privada ouEducação e Sustentabilidade pública. Propusemos chamar tudo isto o sistema das presta- ções totais . 42 Os animais também interagem. Muitas espécies convivem em coletividades e alguns deles organizam-se em bandos, regidos por condutas relacionais bem definidas. Mas você nunca verá um oran- gotango trazendo de longe um cacho de frutas para alimentar um outro animal de seu bando, ferido ou já muito velho. Regidos por códigos genéticos e princípios orgânicos de relacionamento com o outro e com o meio ambiente, o animais convivem, mas não com- partem a vida como nós, os humanos. Nossos primeiros ancestrais 116 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 113. eram caçados e caçavam como as onças ou os leões. No entanto, aoinvés de levarmos as fêmeas para a caçada e ao invés de devorarmos,cada um por si, “ali mesmo” as carnes do animal morto, nós aprende-mos a deixar fêmeas, crianças, velhos e feridos nos acampamentos,e desenvolvemos uma conduta inovadora: trazer, para quem ficou,o alimento. Em praticamente todas as espécies de seres animais, osgenitores deserdam uma prole crescida para poderem se dedicar auma outra, vindoura. Uma mãe humana de oito filhos preserva emcada um, um mesmo afeto uma vida inteira. Animais não enterramos seus mortos e nem oram por eles. Se conseguirmos chegar a uma forma única de existir-no-mundo e de partilhar-um-mundo, este pequeno imenso milagreterá acontecido por havermos desenvolvido uma maneira diferentepara as nossas soluções adaptativas, frente ao que desenvolveramtodos os outros seres vivos. A duras penas nós aprendemos a criar,a consolidar e a inovar alternativas múltiplas e mutáveis, complexase diferenciadas de vivermos as nossas interações. Criações inovado-ras do vivermos as nossas relações: eu-me, eu-outro, eu-nós, nós-nós,nós-outros. Soluções negociadas e consensuais com que aprende-mos a experimentar e estabelecer os nossos relacionamentos com anatureza. E a praticar este salto não apenas de maneira naturalmenteadaptativa, como entre os pássaros, os lobos e os macacos, mas se-gundo padrões culturais crescentemente criativos e transformadores.Aprendemos a guerrear, é bem verdade. E somos lastimavelmente aquase única espécie de seres vivos capaz de praticar e repetir endo-assassinatos, genocídios e etnocídios. Mas aprendemos algo antece- 43 Em Sociedade contra a nature-dente a isto e a tudo o mais. Aprendemos a sair-de-nós-mesmos e a za (1975), Serge Moscovici chama o primeiro tipo de ordenação datrocar bens, serviços, pessoas e mensagens com os outros. unidade animal de grupo de cli- que, e, a segunda, de grupo de ca- maradagem. Não nos espantemos com o fato de que em algumas sociedades humanas primitivas, 4. Trocar pessoas, trocar bens, trocar mensagens – arcaicas e mesmo atuais, sistemasética mais ou menos semelhantes so- breexistam. Podemos agora viver por um momento um diálogo com o an-tropólogo francês Claude Lévi-Strauss, através da leitura que delefaz do psicólogo social romeno Serge Moscovici. Nas coletividadesanimais existem seres biologicamente diferenciados, a partir de umadistinção original e essencial entre machos e fêmeas. Existem seresem posições diferentes na escala dos ciclos de vida: os recém-nas- Educação e Sustentabilidadecidos, as “crianças”, os “jovens”, os “adultos” e os “velhos”. As relaçõesentre os diferentes indivíduos de um mesmo bando estão quase to-das “impressas” organicamente nas disposições comportamentais einterativas. Assim é que entre as diferentes espécies de macacos an-tropomorfos existem bandos em que um macho único, ou um núme-ro muito pequeno de machos, detém a posse de todas as fêmeas, egeram proles com elas. Já, em outras, machos e fêmeas formam paresestáveis ou semi-estáveis, como em algumas sociedades humanas, eo poder de controle de um macho dominante é, então, bastante re-lativo . 43 Ora, os primatas humanos não foram dotados pela naturezaCapítulo: Educação e Sustentabilidade 117
  • 114. de um tal sistema organicamente regulador de relações com o ou- tro, de acasalamento e de cuidado da prole. E se os nossos primeiros ancestrais em algum momento viveram experiências interativas de ordenação do grupo e de organização de formas “naturais” de orga- nização do acasalamento e da procriação, por certo elas foram sendo perdidas ao longo do curso do próprio processo de hominização. Precariamente dotados de preceitos de leis biológicas de ges- tão das unidades sociais primitivas, os humanos foram obrigados a produzir culturalmente os princípios generativos do próprio viver- com. Ao longo do tempo este processo aperfeiçoou, em primeiro lu- gar, sistemas culturais de reconhecimento de si e do outro. Sistemas simbólicos de atribuição de identidades, de tal maneira que, pouco a pouco, onde haviam indivíduos conotados por semelhanças ou por diferenças biológicas, começaram a existir pessoas auto e alter-iden- tificadas segundo padrões culturalmente simbólicos. Isto é, sistemas relativamente livres e arbitrários de atribuição de tipologias, de no- mes e de significados relacionais do tipo: “quem é quem entre nós e para além de nós”. Fomos seguindo e sendo hoje, no interior de diversos sistemas culturais, machos e fêmeas diferenciados entre algumas ou várias ca- tegorias de familiares e de parentes consangüíneos e afins. Machos e fêmeas, somos também genitores e gerados: seres vivos originados de progenitores biológicos, transformados em pais e filhos, em mães e filhas, em irmãos e em irmãs, em primos cruzados e primos para- lelos, em amadas esposas e amantes, em avós e netos, sobrinhos e tios, padrinhos e afilhados. Seres biológicos agora tornados sociais e inseridos em e entre sistemas e códigos de princípios de identidade e de preceitos de interações. Mas em que princípio fundador estariam alicerçados tais sis- temas de atribuição de identidades e de prescrição de interações - como o piscar o olho para uma futura namorada - e de intercâmbios - como o casar-se e gerar filhos com ela? A origem de tudo estaria no que, segundo alguns antropólogos, fez surgir entre nós, os humanos, o “momento zero da cultura”: a proibição do incesto e a sua contra- parte: a obrigação da reciprocidade. Não aprendendo a viver-com, a conviver, a partilhar, a viver em grupos não poderíamos sobreviver. E aquilo que nos animais é inato e determina o proceder do indivíduo em favor do bando e o pro- ceder do bando em nome da espécie, entre nós, os seres humanos,Educação e Sustentabilidade teve que ser criado, ensinado e aprendido. A proibição social do incesto e o seu o dever solidário da re- ciprocidade são as duas faces de um mesmo princípio original de criação da própria experiência humana. Como vimos, sobre o acon- tecimento natural que gera a fêmea, a criança e a adulta, geramos culturalmente a mulher (um gênero e, não, um sexo). Ao lado de sistemas culturais de classificação de tipos identitários de pessoas sobre uniformidades de indivíduos biológicos, estabelecemos prin- cípios que regulam, entre permissões e proibições, padrões de inte- rações. A mais primária delas terá sido a interdição de acasalamento 118 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 115. entre determinadas categoriais de homens e de mulheres. Filhos nãocasam e nem procriam com suas mães, e apenas em raras situaçõese culturas irmãos acasalam com irmãs. Este é dilema original de Édi-po, que as teorias da psicanálise compreendem de uma maneira e, aantropologia, de outras. E de acordo com as tendências de um lado ede outro, elas tanto discrepam quanto convergem. Podemos imaginar que entre os nossos primeiros ancestrais jáhumanizados a proibição do incesto gerou uma estranha e pesarosacontradição. Nós, os humanos, geramos filhos e filhas. Criamos filhascom desvelo e cuidados e se inevitável, damos nossas vidas por elas.No entanto, à exceção – e, mesmo assim, sempre relativa – das rarasculturas com sistemas “endogâmicos” de união entre homens e mu-lheres, nós destinamos nossas filhas a uniões com homens situadosfora da família e da teia próxima de parentes. Elas são retiradas de umlar e de uma família para se unirem e gerar filhos fora também de seuclã original e de preferência fora do grupo local. Compreendamos, desde a sua outra face, este princípio hu-mano de organização social da relação afetivo-produtiva através daunião entre homens e mulheres e da geração de uma prole. Ao tor-nar interdita uma mulher de minha família, de meu clã, de minha al-deia, e ao culturalmente destiná-la a “alguém de fora”, eu me integroe participo de uma teia de intercâmbios regida por uma gramática derelações entre grupos humanos através da troca recíproca de bens,pessoas, símbolos e significados. Pois quando eu reservo minhas fi-lhas para dá-las em casamento a homens de fora de meu círculo maispróximo de parentes, eu espero que em troca que eles façam o mes- 44 Essas idéias que apenas simpli-mo com as suas filhas, em favor dos meus filhos, da minha família, de ficam muito a “teoria da aliança” estabelecida pelo antropólogomeu clã. francês Claude Lévi-Strauss, po- dem ser aprofundadas (e muito) com a leitura de seu livro: As estru- turas elementares do parentesco, publicado em Português pela Edi- 5. Porque vivemos assim? Podemos criar um mundo tora Vozes, com a primeira ediçãode vida diferente? - altruismo em 1982. Esta terá sido a aprendizagem mais ancestralmente humana:aprender a sair de si-mesmo e abrir-se ao outro; saber renunciar aoque é “meu” ou “nosso” em favor de quem é “o outro”; proibir quecoisas e pessoas fiquem presas ao círculo do que é “nosso” e torná-los seres ou objetos de transação, prescrever e observar gramáticasde intercâmbio e reciprocidade, substituir o seqüestro, o roubo e a Educação e Sustentabilidadeguerra, pela aliança, a troca “Façamos a paz, casemos nossas filhas”,é uma antiga e sábia fórmula que consagra este princípio que tor-nou possível a sociedade humana e, assim, a continuidade de nossaprópria experiência sobre a Terra. Entre idas e vindas, entre acertos edesencontros, toda a sociedade humana se preserva e transforma namedida em que conserva e inova sistemas de reciprocidade atravésdos quais constantemente fluem e são trocadas entre categorias desujeitos sociais: os seus bens, as suas pessoas e as suas mensagens. Não foi propriamente com promessas entre palavras e nemcom os preceitos da religião - eles vieram depois e consagraram asCapítulo: Educação e Sustentabilidade 119
  • 116. proibições e as reciprocidades - que os primeiros grupos humanos aprenderam a sobrepor regras sociais culturalmente estabelecidas, sobre as leis biológicas que eles compartem com os bandos de ma- cacos. A reciprocidade, a troca e a aliança, eis o que nos fez passar do bando biológico ao grupo cultural. Eis a pedra fundamental do edifício social da cultura. Chimpanzés, orangotangos, lobos, gibões e gorilas surgem no mundo geneticamente programados para lu- tarem pela posse de fêmeas, mas não para matar um outro ser do bando por causa delas, ou por causa de alimento ou território. Nós não. E por isso tornou-se inevitável o criarmos palavras, linguagens, identidades sociais, princípios de interações, códigos de conduta, gramáticas de etiqueta, preceitos jurídicos ou mandamentos divinos (“não matarás”; “não cobiçarás a mulher do teu próximo”) para tornar possível, desejada e compreensível a vida humana em comunidade. Através do dom, da troca e da reciprocidade, entre as suas múltiplas expressões práticas ou simbólicas de fazer circular seres, coisas, sím- bolos e sentidos entre teias e redes de obrigações práticas ou ceri- moniais de dar-receber-retribuir, ao mesmo tempo as culturas e as sociedades primitivas foram criadas . 44 A passagem cultural da lei para a regra representa o trânsito do domínio animal da natureza para a cultura. A partir deste salto qualitativo (pois há nele transformações significativas e irreversíveis) e não apenas quantitativo (pois não há uma simples acumulação de mudanças biopsicológicas) o homo não nega a sua origem natural e nem se torna alguém “fora dela”. Ele dá ao “ser natural” um outro 45 Para as pessoas acostumadas sentido e uma outra dimensão de existência. Esta diferença é e está ou não à leitura da Tora judaica ou na cultura. E origem da cultura não está nem tanto e nem apenas no da Bíblia cristã, sugiro um releitu- ra com o olhar aqui proposto. Um que os seres humanos acrescentam ao mundo quando o transfor- olhar motivado a observar como mam através do trabalho de suas mentes. Ele está, também e essen- quase tudo o que se passa entre deus e os homens, e entre os ho- cialmente, num “quefazer” realizado em e sobre si-mesmo. mens, tem a ver com a regulação Os animais se acasalam segundo os seus desejos, regidos pela e a transgressão de princípios ori- ginais de reciprocidade. Apenas “lei da espécie”. Homens e mulheres se encontram, se amam, casam como uma curiosidade antropo- e geram filhos, vendo e vivendo os seus desejos transformados em lógica, sugiro também que ob- servem, logo no começo do Gê- símbolos de suas culturas. Em experiências pessoais vividas como ini- nesis, como ele aparece em duas ciativas e rotinas culturais de acordo com os seus sistemas de valores versões próximas, mais diferentes. Eles estão separados por tradições e submetidos a princípios e códigos de relações pelos quais a mulher culturais Adão, e através da vivifi- amada se transforma em esposa, o fruto do amor em filho e a cumpli- cação de uma costela dele. Mas, no outro, Deus cria ao mesmo cidade estabelecida de “tudo isto” em uma família. Em uma rede de tempo “o homem e a mulher”. Ele parentes, uma fração de aldeia, a metade de uma tribo, um momen-Educação e Sustentabilidade os cria por igual, ao mesmo tempo e “à nossa imagem e semelhança”. to de uma nação, o sentido de uma identidade, o culto de uma fé, a partilha de uma visão do mundo. E, para que tudo isto seja passado a outros e intercambiando com outros para além dos códigos gené- ticos, os seres humanos criam sem cessar saberes que partilham, e sistemas sociais de partilha do saber a que em geral damos o nome de: educação. E o princípio de tudo o que cria a uma só vez o ser humano, a sociedade humana e a cultura, parte de algo absolutamente novo como experiência da vida do mundo. Parte de uma tomada coleti- va de decisão iniciada em atos de renúncia de si e completada com 120 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 117. um dar ao outro o que é meu, na espera que este outro se obriguea uma semelhante renúncia e a uma equivalente dádiva. Não somoshumanos porque somos seres racionais; nós nos tornamos humanosporque como indivíduos, grupos e comunidades, nós somos seresaprendentes. Não somos seres coletivos, somos seres sociais. Não so-mos seres da posse e da acumulação, e devemos não esquecer queelas são a nossa barbaria, a perda de rumo, o nosso desvio. Somosseres da troca e da reciprocidade, e elas são a nossa origem e o nossodestino. Voltemos uma vez ainda ao que já foi escrito e repetido aqui. Osanimais vivem isolados, aos pares, em bandos ou em coletividadesimensas e complexas, dentro de um mundo natural que lhes é dado,e circunscrito a leis naturais da espécie. Nós, os humanos, vivemosem grupos, em comunidades e em amplas sociedades, entre o mun-do natural que nos é dado e o mundo de cultura que criamos e quetransformamos para viver e conviver regidos pelas leis naturais quecompartimos com os animais, retrabalhadas por regras culturais quesocializam em nós a natureza . 45 Eis-nos diante de não apenas duas teorias – pois não se tratadisto – mas de duas vertentes das razões e raízes da reciprocidade eda cooperação. Uma vertente vinda das ciências da vida coloca empredisposições orgânicas da espécie o alicerce da razão solidária. So-mos geneticamente seres regidos pela emoção. A emoção fundadorado ser humano é a experiência do amor. E é o exercício gratuitamen-te recíproco desta emoção, entre os mais diferentes relacionamentosentre pessoas e entre grupos de pessoas, aquilo que constitui o pró-prio ser da vida social. Uma outra vertente, vinda das ciências sociais, desloca parao acesso a uma saída simbólica, logo, cultural, o surgimento da re-ciprocidade. Pois é justamente pelo que nos falta geneticamente esobra organicamente nos animais, aquilo que nos leva a criarmosregras, princípios e gramáticas sociais de atribuição de identidadese de orientação de condutas identitárias. Condutas entre categoriasde sujeitos e categorias de grupos humanos regidos por prescriçõesobrigatórias (o tabu do incesto) e por prescrições inevitáveis (a reci-procidade) de que derivam a troca e a circulação social de bens, depessoas e de mensagens. Estaremos vivendo a continuidade de um processo irreversível(pelo menos por agora), multifacetado e globalizante de instrumen- Educação e Sustentabilidadetalização utilitária do ser e do viver, do pensar e do agir, do existir edo correr (num duplo sentido da palavra) da vida de pessoas exiladascada vez mais da condição de sujeitos de suas existências e de seusmundos sociais, para a de objetos de círculos múltiplos de interessee de poder bastante típicos do que podemos resumir aqui como “omundo dos negócios”? Estaríamos respondendo a esta era de “finalda história” e de “fim do sujeito”, de submissão de grupos humanos,povos e nações à hegemonia do capital flexível, de insegurança, vola-tilidade, e medo, com o recurso à fuga um individualismo incoerentee ineficaz? Estaremos a cada dia mais e mais obrigados a uma ade-Capítulo: Educação e Sustentabilidade 121
  • 118. são – voluntária ou não – aos padrões de competência competitiva do mercado de serviços, de bens e de significados? Estaremos parti- lhando, de um modo ou de outro, uma perda progressiva de nossas identidades, do sentido do ser de nossa própria pessoa, da vocação de nos sentirmos co-autores de nosso próprio destino? Mesmo con- tra a nossa vontade, estaremos nos colocando, ou sendo por outros (quem?) colocados, tanto no mundo dos negócios quanto no mundo da vida, como seres que “valem” uns para os outros, uns contra os outros, bem mais pelo que produzem e consomem do que pelo que são e sonham? Estaremos sendo condicionados a aprender-e-ensi- nar uns aos outros, contra-valores a uma vocação genética ao amor e a uma vocação cultural à reciprocidade e ao dom, submetendo o pri- meiro pelo poder e os segundos, pelo desejo do ganho, e pela posse 46 Emmanuel Lévinas, Entre nós, utilitária do outro enquanto instrumento de nossos interesses? Es- página 269. taremos-nos “dando” aos nossos outros através do que produzimos, possuímos e podemos e, não, como as pessoas que somos, reservan- do momentos e gestos de gratuidade interativa para apenas o círculo de alguns poucos parceiros de nossas reservas de afeto? Ao olhar de alguns estudiosos, bem poucas seriam as esperan- ças em um renascimento do humano, associado a um reverdecimen- to de um mundo natural exaurido e degradado. O “caminho de volta”, ou “o caminho à frente” não existiria mais, pelo simples fato de que o fomos destruindo na medida em que íamos avançando. Avançando em direção ao quê? Avançando rumo a um progressivo domínio da lógica do mercado e da ética dos negócios. Um mundo em que o lucro e a posse de maneira irreversível suprimiriam a troca e o dom, e onde a palavras e os gestos a que lhes emprestam os nomes e a substância - reciprocidade, solidariedade, amorosidade, cooperação, troca, dádiva, harmonia, igualdade e paz – tendem a tornar-se figuras de retórica na falas dos últimos místicos, poetas e iludidos. Um jogo de metáforas antigas ainda partilhadas por alguns poucos aqui e ali. Mulheres e homens que por mais um dia ainda falam de um “outro 47 Um antigo mito da filosofia mundo possível”, antes de se entregarem às imagens e poderes de Vedanta talvez traduza, com ou- tros seres e para outros fins, esta um mundo em que pessoas valem como coisas e coisas como pesso- mesma diferença. Diz o mito que as. E onde o medo-do-outro, torna a cada dia mais perigosa a nossa inúmeras divindades disputavam entre elas para decidirem quem vocação ancestral de sair-de-si em busca de realizar-se no único ser, eram as mais superiores, as mais que à nossa espera, nos pode salvar, ao salvar-se através de nós: o próximas à divindade suprema (cujo complicado nome não irei outro. lembrar agora). E como entre Existe ainda uma história? Existimos ainda nós, pessoas, sujei-Educação e Sustentabilidade elas não chegavam a um acordo, foram procurar a própria divinda- tos, homens e mulheres humanos? Existe ainda um caminho? Sim, de. Antes de dizer a sua palavra, a precisamos crer! Mas antes de buscá-lo em alguma espaçonave de divindade ofereceu um banquete aos outros seres. Postos os manja- ETs salvadores, ou em alguma vindoura conjunção astrológica de as- res na mesa, alguns começaram a tros, devemos procurar por ele aqui onde estamos agora, entre os colocar a comida em suas próprias bocas; outras, nas bocas dos ou- nossos gestos de partilha à espera do olhar de um outro. tros. E os primeiros transformam- se demônios e, os segundos, em Esta inversão humana do em-si e do para-si, do “cada deuses. um por si”, em um eu ético, em prioridade do para-outro, esta substituição ao para-si da obstinação ontológica de um eu do- ravante decerto único por sua eleição a uma responsabilidade pelo outro homem – irrecusável e insensível – esta reviravolta 122 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 119. radical produzir-se-ia no que eu chamo encontro com o rosto de outrem. Por trás da postura que ele toma – ou que supor- ta – em seu aparecer, ele me chama e me ordena do fundo de sua nudez sem defesa, de sua miséria, de sua mortalidade. É na relação pessoal, do eu ao outro, que o “acontecimento ético, caridade e misericórdia, generosidade e obediência, conduz ou eleva acima do ser” . 46 Os animais aprendem para se adaptar e, nós, para nos transfor-marmos. Pois em nós o saber não apenas nos molda, mas ele con-tinuamente nos desequilibra, nos desinstala do “conhecido” e nostorna o-mesmo em um-outro. Colocadas lado a lado, a pequeninacriança humana e chimpanzé desenvolvem-se desde os primeirosmomentos de vida. Até por volta dos cinco meses a pequena chim-panzé parece levar vantagem sobre a humana. Aprende mais depres-sa e gera padrões adaptativos dos comportamentos de sua espéciecom mais segurança. Mas quando justamente ela estaciona e estápronta para viver a vida de sua espécie em seu bando, a criança hu-mana “explode” em aprendizagem. Tardará um pouco ainda a tornar-se um “ser simbólico”, mas com o acesso ao símbolo e à linguagem,ela multiplicará em breve tempo o seu aprender a saber e o seu saberpara continuar aprendendo. Quando aos três anos de idade, a crian-ça chimpanzé contenta-se em comer folhas e frutos, e a conviver ese comunicar através de alguns poucos sinais com os seus outros, acriança humana crivará os pais de perguntas e ousará começar a seruma inquieta filósofa. Os macacos nunca ultrapassaram o domínio da natureza e dosinal, como limite da comunicação e da compreensão, porque nãoprecisaram, não quiseram ou – o que é o mais provável – não logra-ram criar entre eles padrões e sistemas de reciprocidades - trocas,partilhas, intercâmbios, interações simbólicas, comércios – que en-volvam, como ponto inicial de partida, um sair-de-si em busca de umoutro. Somos sociais porque somos seres de renúncia de si e de doa-ção ao outro. Isto que parece ser um retorno a um generoso roman-tismo é, na verdade, a nossa mais radical realidade . 47 Os verbos que entre nós, desde tempos bem passados até hoje,qualificam a substância do ato de educar nos são bem conhecidos.Eles vão de instrumentalizar a formar, passando por: capacitar, de-senvolver competências, adaptar, reciclar, preparar, instruir, cons-cientizar, educar. No entanto, ao longo da ponte que separa-e-une Educação e Sustentabilidadeo instruir e o educar, ou o capacitar do formar, permanece muitasvezes uma compreensão da educação como uma oferta uni-dirigidade saber e, o aprender, como uma aquisição acumulativa de saberesensinados. No entanto tudo o que foi escrito até aqui serve a trazerà volta de nossa mesa o “outro lado” do trabalho de ensinar associa-do ao trabalho de aprender. Se quisermos ser coerentes por inteirocom as idéias que nos chegam anunciadas pelos paradigmas emer-gentes nas ciências e na educação, devemos então repensar todo osentido da aprendizagem. Ela pode ser pensada como “aquisição”,como “apropriação legítima”, como “interação e interação” de saberesCapítulo: Educação e Sustentabilidade 123
  • 120. destinados a algum fim determinado. Mas aprender é, antes de tudo, exercitar o alargamento do diálogo. É alçar-se a planos cada vez mais densos, mais complexos, mais diferenciados, mais conectivos, mais recíprocos e, portanto, mais dialógicos de intertrocas de saberes e de sentidos. Mais do que possuir, interligar e acumular conhecimentos, ao aprender o que não sabia, estendo em mim e através de mim teias de reciprocidades que me tornam presente e participante em/de cír- culos de saberes/sentidos. E não pelo que eu possuo, pois aprendo saberes que não são meus e nem se tornam meus, mas passam por mim, que fluem entre teias e redes de partícipes, através de mim. E o professor, o educador, eles são aqueles que, mais do que en- sinar-o-que-não-se-sabe, fazem fluir entre as pessoas e os seus sím- bolos, os conhecimentos que fazem fluir e colocam em circulação. O educador é um elo de reciprocidades, um profissional especializado em não permitir que “aquilo que deve ser conhecido” fique restrito a esferas de “senhores do saber”. Por isso mesmo há algo de sempre transgressivo no ato de educar. Pois a experiência da educação é, em sua vocação mais singular, a de criar múltiplas situações em que algo porventura condenado a ser uma posse exclusiva e excludente, um valor de mercado, uma apropriação hierarquizante (eu valho pelo sa- ber que demonstro possuir, quando comparado com outros), um do- mínio, venha a se tornar também e de forma crescente e irreversível, um dom de troca. 48 O poeta tem este nome: Cipria- Aprendemos porque somos seres permanentemente ignoran- no Kamil Norwid, ele nasceu em tes. Isto é, seres humanos e sujeitos de culturas em quem sempre 1821 e faleceu em 1883 falta muito mais “o que saber”, do que “o que já é sabido”. Vale para qualquer ciência o que vale para qualquer pessoa, cientista ou não. O que eu-sei é a evidência do intervalo infinitamente mais entre o meu- saber e o saber interativo do círculo dos que conhecem-comigo-dife- rente-de-mim, o que eu sei. Aprendemos porque o nosso não-saber é sempre corrigível, ampliável, frágil e efêmero. Só é meu na verdade o saber de que eu partilho. Uma pessoa que restasse como a última falante de uma língua perdida, não saberia língua alguma, pois não teria ninguém com quem trocar o que sabe ou sente. Só é meu o co- nhecimento que eu não possuo. Que a todo o momento flui através de mim e, tomando-me como um elo entre tantos de uma comuni- dade aberta de sabedores, passa por mim e a mim retorna através de outros. Através da experiência da reciprocidade que completa naEducação e Sustentabilidade troca de símbolos, de saberes, de sentidos e de significados, aquilo que, começando com a troca perene de coisas e de pessoas, dá sen- tido a que nos transforma permanentemente em seres humanos, ao nos facultar o sair-de-si em direção ao único ser real em minha vida: a pessoa do outro. E por isso a educação. Por isso a troca de saberes que as pessoas realizam quando se encontram na educação. Pois a educação não é um poder e nem uma instituição social. Como a praça de uma cidade - Sócrates terá sido o primeiro a descobrir isto? – ela é um contexto, um lugar cultural, um cenário onde pessoas se aproximam e intera- 124 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 121. gem para inter-trocar reciprocamente o que sabem. Isto é, o que são. Por isso sem cessar, da tenra infância ao outono da velhice vi-vemos a vida envolvidos da indispensável vocação de nos ensinar-e-aprender. Lei do destino, que todos se aprendam! Escreveu umdia Holderlin, o poeta. Não para acumular saberes, como as nossasmáquinas eletrônicas podem fazer por nós. Não para instrumental-mente nos capacitarmos especializada e competitivamente para oexercício em que tanto mais se sabe quanto menos se pensa e reflete,como haverão de realizar um dia os robôs que saberemos construircom as matérias da natureza e os vôos do espírito de nossas mentes.E nós os construiremos quando aprendermos a nunca sermos comoeles, mas o seu exato oposto. Por isso a educação, para que também e essencialmente atravésdela, estejamos sempre participando de círculos de perenes comu-nidades aprendentes. Para que estejamos juntos e dialogicamentevivendo em nós e entre nós a grande aventura do ser humano: sabercompreender e, compreendendo sem algo um dia não sabido e com-preendido, podermos nos alçar a círculos de símbolos, de saberes, desentidos, de significados, e de sociabilidades cada vez mais amplos edensos e, por isso mesmo, cada vez mais efêmeros e transformáveis. De um poeta polonês que eu mesmo não conheço, li certa feitaeste poema. Creio que ele traduz da melhor maneira possível a reali-dade de nossos sonhos. O trabalho da História não terminou. É um rochedo que os nossos braços empurram para o alto. Se cedemos, ele oprime nosso peito; Se repousamos, ele esmaga nossa cabeça. O trabalho da História não terminou. A terra ainda não foi temperada no fogo do Amor . 48 6. Como eu vivo a vida que eu partilho? Tudo o que escrito até aqui neste caderno parece algo distantede mais e próximo de menos. Algo antropológico demais e pedagó-gico de menos. Mas, se você ler “de trás pra diante”, verá que, na ver-dade, vindo de tão longe, de um passado tão ancestral, tudo o queestá descrito aqui como peculiaridade do ser humano e como nossos Educação e Sustentabilidadeprimeiros dilemas e nossas primeiras alternativas de solução para avida e a vida em comum persiste em nossos dias. E se você prestar atenção ao correr dos momentos e dias de suaprópria vida, verá que você, seus familiares, parentes, vizinhos, ami-gos, colegas, conterrâneos, contemporâneos, vivem em boa medidaenredados nos mesmos dilemas e nas mesmas alternativas humanasde caminhos, soluções e horizontes. Por exemplo: pense no seu dia de hoje (se já for de noite), ou nodia de ontem. Procure relembrar o que você viveu. Reviva momen-tos seus-entre-outras(os): encontros com pessoas, desde a “gente decasa” até as colegas “de trabalho”. Repense o seu dia com um olharCapítulo: Educação e Sustentabilidade 125
  • 122. “maussiano”. Você verá que boa parte do que viveu foram situações interativas (algo passado entre você e outra ou outras pessoas) regi- das por intercâmbios. Entre o mais gratuito, como um presente para uma amiga querida que fez aniversário, até o mais impositivo, como um relatório de trabalho com prazo vencido, “tudo são trocas”, como lembrou Marcel Mauss. Faça um inventário. Tome uma folha de papel e escreva nele, entre linhas e colunas, tempos e espaços da vida (companheiros nos- sos de outros cadernos) e registre neles as reciprocidades vividas. Mesmo que você escreva apenas o mais significativo, o mais marcan- te, veja como ao longo de um dia, de uma semana de trabalho, de um fim-de-semana, de um mês, de um semestre, de um ano, você viveu em e entre trocas de bens (objetos, coisas, presentes, etc.), de serviços (aulas vividas, “dadas” e/ou “recebidas”, reuniões de traba- lhos, planejamentos, consultas) e de mensagens (palavras, saberes, sentidos... etc. que vão de um “bom dia” a longos momentos de uma conversa obrigatória ou inesquecível). O que “sobra” de seus momentos de vida que não sejam in- tercâmbios, reciprocidades, trocas? E, depois, pense com o final do Ensaio sobre a dádiva: o que é que torna um dia, uma semana, um tempo de vida, uma vida inteira, mais ou menos feliz, mais ou menos “rica de afeto e de sentido” do que a experiência gratuita e generosa de “algo por algo”? O que a torna desgraçadamente mais árida e ás- pera do que “uma vida sem tempo para a gratuidade”? Este é também um exercício de criação de sentidos de vida que pode ser vivida em um pequeno grupo ou com grupos de toda uma turma de alunos, uma comunidade aprendente. Quando falamos aqui de uma perda progressiva de sentido de gratuidade e de cooperação na educação, o que é que estamos criti- cando senão a perda de um sentido de solidária partilha em favor de um solitário individualismo? Se você quiser pensar em tempo amplos, recoloque em folhas de papel os nomes das pessoas e as uniões – e mesmo as separações, se for o caso – em sua família, em sua parentela mais ampla. Dese- nhe a “árvore genealógica de minha gente”. Se for o caso, converse com uma mãe, uma avó (os homens em geral são pires para estas memórias). Comece do mais longe possível. Quem casou ou “juntou” com quem? Que famílias se uniram através disto? Que laços e que trocas de pessoas foram realizadas? Quem saiu da casa de quem paraEducação e Sustentabilidade ir para onde? Que outra família? Outra cidade? Outro estado? Outro país mesmo? Como é que entre os seus antecessores (de um tataravô a uma mãe), o seus contemporâneos (você, seus irmãos, primos, cunhados, etc.) aos seus sucessores (filhos, netos, bisnetos) também hoje, de modos e segundo vocações diferentes, tal como nas tribos indígenas e entre as sociedades arcaicas, as pessoas continuam “circulando” en- tre pessoas, entre grupos humanos, entre comunidades sociais? 126 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 123. ReferênciasGEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Gua-nabara Koogan, 1989.LÉVI-STRAUSS, Claude. As estruturas elementares do parentesco. Pe-trópolis: Editora Vozes, 1982.LÉVINAS, Emmanuel. Entre nós – ensaios sobre a alteridade. Petrópo-lis: Editora Vozes, 1997.MAUSS, Marcel. Sociologia e antropologia. São Paulo: Cosac e Naify,2003.MOSCOVICI, Serge. Sociedade contra a natureza. Petrópolis: EditoraVozes, 1975. Referências recomendadas para leituraARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Editora Foren-se Universitária, 005,10ª edição.ARRUDA, Marcos. Humanizar o infra-humano. Petrópolis: Editora Vo-zes, 2003.BAUMAN, Zygmund. Comunidade – a busca por segurança no mun-do atual. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2003._______. Vidas desperdiçadas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora,2005.BERGER, Peter; LUCKMANN, Thomas. Modernidade, pluralismo e crisede sentido. Petrópolis: Vozes, 2004.BOFF, Leonardo. Ecologia, mundialização e espiritualidade. São Pau-lo: Editora Ática, 1993.BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A canção das sete cores – educandopara a paz. São Paulo. Editora Contexto, 2005. Educação e Sustentabilidade_______. Aprender o amor – sobre um afeto que se aprende a viver.Campinas: Editora Papirus, 2005.BRONOWSKI, J. A escalada do homem. São Paulo: Martins Fontes/Edi-tora da Universidade de Brasília, 1983.BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Editora Moraes, s/d.CAILLÉ, Alain. Antropologia do dom. Petrópolis: Editora Vozes, 2002.Capítulo: Educação e Sustentabilidade 127
  • 124. CHARDIN, Teilhard de. O fenômeno humano. São Paulo: Editora Cul- trix, 1994 COHEN, Abner. O homem bidimensional – antropologia do poder e do simbolismo em sociedades complexas. Rio de Janeiro: Zahar Edi- tora, 1978. ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1994 HAAF, Gunter. A origem da humanidade – a maravilhosa história da criação do homem. São Paulo: Círculo do Livro/Abril Editora, 1982. LAVELLE, Louis. Em face do outro. São Paulo: Edições Paulinas, 1965. LEAKEY, Richard; LEWIN, Roger. Origens. São Paulo: Edições Melhora- mentos/Editora da Universidade de Brasília, 1980. LEAKEY, Richard. A evolução da humanidade. Brasília, Edições Melho- ramentos/Círculo do Livro/ Editora da Universidade de Brasília, 1981. MAFFEZOLI, Michel. A transfiguração do político – a tribalização do mundo. Porto Alegre: Editora Sulina, 1997. MARX, Karl. Manuscritos econômicos e filosóficos. São Paulo Editora Martins Claret, 2002. MATURANA, Humberto. Emoções e linguagem na política e na edu- cação. Belo Horizonte: Editora da Universidade Federal de Minas Ge- rais, 1999. MATURANA, Humberto; REZEPKA, Sima Nisis. Formação humana e capacitação. Petrópolis: Editora Vozes, 2000. MATURANA, Humberto; VARELA, Francisco. A árvore do conhecimen- to. Campinas: Editorial Psy, 1995. (existe edição mais recente pela Pallas Atena) MORAES, Maria Cândida. O paradigma educacional emergente. 6ª ed. Campinas: Papirus Editora, 1997.Educação e Sustentabilidade MORENO, Jacob. Quem sobreviverá? Fundamentos da sociometria, psicoterapia de grupo e sociodrama. Goiânia: Dimensão Editora, 1994. MOUNIER, Emmanuel. O personalismo. São Paulo: Centauro Editora, 2004. NÉDONCELLE, Maurice. Para uma filosofia do amor e da pessoa. Lis- boa: Livraria Moraes Editora, 1961. 128 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 125. PARIS, Carlos. O animal cultural. São Carlos: EDUFUSCAR, 2002.RICOEUR, Paul. O si-mesmo como um outro. Campinas: Papirus Edi-tora, 1991.SEVERINO, Antônio Joaquim. Educação, sujeito e história. EditoraOlho D’Água, 2001. Atividades Atividades para aprofundamento da leitura do texto, sugeridospelos organizadores: Atividade I: Trabalhando com o texto 1. Leia o texto na íntegra, buscando estabelecer pontes entreele e os demais artigos do Eixo Temático Educação e Sustentabilida-de. Recomendações: Fazer registros 2. Responda a seguinte questão: escritos de cada atividade a) Que relação há deste artigo do Professor Carlos RodriguesBrandão com as publicações discutidas nos outros dois eixo temáti-cos desta disciplina? 3. Observe que o autor sugeriu leituras complementares e co-mente as escolhas de publicações recomendados, justificando aspossíveis razões de Brandão para essas sugestões de aprofundamen-to feitas. 4. Reflita sobre a epígrafe que abre o texto. Atividade II: trabalhando com a proposta do autor O autor nos convoca a fazer “um exercício de criação de senti-dos de vida”, de repensar a nossa vida, fazer um inventário sobre asreciprocidades vividas: “quem temos sido ao longo de nossa história?O que temos feito de nós mesmos e com os nossos outros? Quemsomos agora? O que podemos fazer ainda por nós mesmos, seres hu-manos? Qual o nosso destino? Qual a nossa parte de responsabilida-de na construção dele?” (p.1) 1. Ouça a música “como nossos pais” 2. Faça o seguinte exercício: a) Selecione fotos de momentos marcantes na sua vida, regis-tro escritos, imagens diversas (paisagens, pequenos vídeos, etc.). Educação e Sustentabilidade b) Fotografe ícones das suas melhores lembranças (a capa deum livro que você leu, o seu boletim escolar, uma medalha que vocêganhou, enfim) c) Reúna tudo o que puder e desafie a sua imaginação e criati-vidade para simbolizar o seu caderno. Como diz o autor “reviva momentos seus – entre – outros(as)”.Capítulo: Educação e Sustentabilidade 129
  • 126. Atividade III: Trabalhando com a proposta do autor Veja o vídeo e acompanhe com a letra “O menestrel” de William Shakespeare. Preste atenção na idéia central do poema. Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=vlLh8K6FF8A O MENESTREL Um dia você aprende que... Depois de algum tempo você aprende a diferença, Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividade a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam,Educação e Sustentabilidade percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você mesmo pode ser. 130 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 127. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, Recomendações: Fazer registros percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, escritos de cada atividade ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você mesmo pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, Educação e Sustentabilidade poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.Capítulo: Educação e Sustentabilidade 131
  • 128. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto,plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividade você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto,plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar 1. Depois de acompanhar “o menestral”, faça um registro res- pondendo à questão proposta pelo texto de Brandão: como eu vivo a vida que eu partilho? 2. Se você pudesse brincar de voltar no tempo e tentar recons- truir episódios que afligem a sua memória e aprender “que realmen- te a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!” da mesma forma como acontece no poema, o que mudaria no seu processo de formação (pessoal e profissional) e o que jamais mudaria? Atividade IV: construindo minha história. 1. “Só é meu na verdade o saber que eu partilho” (p.15) Dian- te dessa frase, da obrigação da reciprocidade para o nosso conhe- cimento, é possível ainda pensar em um solitário individualismo ao invés de uma solidária partilha? 2. Releia o item 5: Porque vivemos assim? Podemos criar um mundo de vidadiferente? Altruísmo e reflita sobre a idéia que orientaEducação e Sustentabilidade este capítulo e responda: Qual o papel que o outro ocupa na constru- ção da minha história? Atividade V: retomando o texto do autor 1. O texto de Brandão “conviver, aprender a ser recíproco” nos possibilita muitas discussões e reflexões. De tudo o que você conse- guiu refletir, que resposta você encontrou para a pergunta: porque é que somos como somos? 132 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 129. Texto II – Professor Ademar Bogo Objetivo: Discutir educação de qualidade e práticas de agricul-turaA EDUCAÇÃO E A DISPUTA DE PROJETOS EM NOSSAAGRICULTURA 49 Ademar Bogo/MST Vamos iniciar com uma poesia 50 que retrata bem a situação em Ler atentamente os textos do livro e doque vivemos com a educação no campo: CD- Rom Ler o texto Ademar Bogo na integra no CD- Relíquias da Educação Rom e/ou Plataforma Moodle. Existe um velho ditado Entenda como quiser 49 Palestra proferida no I Encontro Que: “por trás de um grande homem do PRONERA na Região Sudeste em Vitória/ES no dia 30 de setem- Sempre existe uma mulher”. bro de 2004. Isto pode ser invertido 50 Poesia: Relíquias da Educação No caminho construído da autoria de Ademar Bogo Sem estas leis repressoras A verdade nos consola Que trás de uma boa escola Existe uma educadora. Educação e SustentabilidadeCapítulo: Educação e Sustentabilidade 133
  • 130. Atividades Realizar as seguintes Atividades sugeridas pelos organizadores. Atividade I: Respondendo questões 1. Responda as seguintes questões: a) Em que consiste a educação do campo sustentável, na pers- pectiva do professor Ademar Bogo? b) Faça levantamento de outras publicações disponibilizadas Recomendações: Fazer registros do Professor Ademar Bogo. Qual é sua concepção de sociedade, escritos de cada atividade de indivíduo e de educação? Justifique cada uma delas, analisando como elas contribuem para a construção de uma educação do cam- po diferenciada e de qualidade.Educação e Sustentabilidade 134 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 131. Texto III - Professor Edmerson Santos dos Reis Objetivo: discutir o binômio sutentabilidade e educação. Realize uma leitura inicial do texto, fazendo anotações para ela-boração de uma síntese, que será discutida no grupo de estudo. Emseguida retome o artigo, buscando dados para resolver as questõespropostas. Não deixe de registrar suas reflexões, com vistas ao com-partilhamento das mesmas no seu subgrupo e no encontro da turmade que você faz parte no Pólo da UAB. Registre suas reflexões para com-ENTRELAÇANDO SABERES PARA A CONSTRUÇÃO DO partilhá-las no seu subgrupo e no encontro de turma de que vocêDESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL faz parte no pólo da UAB. Edmerson dos Santos Reis 51 Resumo O presente artigo pretende refletir acerca da relação educaçãoe desenvolvimento local sustentável, centrando o foco principal dasanálises no espaço da escola do campo, que ao longo da história daeducação tem sido a grande vitima do abandono por parte dos po- 51 Professor do Departamento dederes constituídos. Para tal, parte-se de uma pesquisa realizada junto Ciências Humanas – Campus III daà Escola Rural de Massaroca, localizada no Distrito Rural de Massaro- Universidade do Estado da Bahia, Pedagogo, Mestre em Educação,ca em Juazeiro – BA. Em sua versão completa e original o presente Especialista em Desenvolvimen-trabalho foi publicado no livro – Educação do campo e desenvolvi- to Local, Doutorando em Educa- ção pela Universidade Federal damento rural sustentável – avaliação de uma prática educativa. Algu- Bahia – UFBA e Membro da Co-mas alterações foram realizadas para a publicação em formato de missão Nacional de Educação do Campo.arquivo. E-mail: edmerson@oi.com.br Palavras-Chave: Educação brasileira; educação rural; educaçãodo campo; desenvolvimento sustentável. Educação e SustentabilidadeCapítulo: Educação e Sustentabilidade 135
  • 132. Referências (Leituras complementares) ARAÚJO, Miguel Almir Lima de. Educação e enraizamento – A fecun- didade das raízes culturais na educação. sl esd.(mimeo). ARROYO, M. Educação Básica, cultura do campo, movimentos sociais e formação de sujeitos sociais. IN: Caderno de Textos do 1º Encontro Estadual Minas Gerais: Por uma educação básica do campo. Belo Ho- rizonte/MG. P28-42,1999. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A Questão Política da Educação Popu- lar. São Paulo: Brasiliense,1989 FREIRE, Paulo. Política e Educação. São Paulo: Cortez Editora, 3ª Edi- ção, 1997. KOLLING, Edgar Jorge et alli. Por uma educação básica do campo. Brasília - DF, Peres Gráfica e Editora, 1999. SACHS, Ignacy. Estratégias de Transição para o Século XXI – Desenvol- vimento e Meio Ambiente. São Paulo: Studio Nobel,Ed Fundap, 1993. SENA, Luís de. Elementos para Reflexão e avaliação do projeto de For- mação Rural de Massaroca: Eixo escolar. IRFED, Paris,1996.29p. SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Alienígenas em sala de aula. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. THERRIEN, J.; DAMASCENO, M. N.(coords.). Educação e Escola no Campo. São Paulo. Papirus, 1993. Cadernos CEDES. Educação: a encruzilhada do ensino rural. Campi- nas - SP, Cortez Editora, 81 pg., 1986. ONU. Relatório do PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Dezembro, 1992. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília : DF: Câmara dos Deputados, 1997. BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais:Educação e Sustentabilidade introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Secretaria Educa- ção Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997. 136 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 133. Atividades Atividades sugeridas pelos organizadores. Atividade I: Produzindo textos 1. Realize uma leitura inicial do texto 2. Faça anotações e elabore uma síntese, 3. Apresente e discuta a síntese com seu grupo de estudo. 4. Retome o artigo, procure dados para resolver as questõespropostas Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividade Atividade II: Comparando textos 1. Leia o poema, a seguir: Poema - Tecendo a manhã Um galo sozinho não tece uma manhã: Ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. Fonte: MELO NETO, João Cabral de . Obra completa. Rio de Ja-neiro: Editora Nova Aguiar S.A. ,1994, p.345). 2. Considerando o que Edmerson dos Santos Reis diz a respeitoda responsabilidade pelo Desenvolvimento Sustentável, redija umtexto, de aproximadamente, 20 linhas, fazendo uma analogia entre otexto e o poema apresentado. Atividade II: construindo para o processo do ensino-apren-dizagem O autor do texto coloca que a educação pode contribuir coma formação de uma nova mentalidade para que se possa pensar umdesenvolvimento sustentável. Mas, ele também critica o fato de a Educação e Sustentabilidademaioria dos textos e conceitos que se referem ao desenvolvimentosustentável, apenas dão as suas definições, mas não mostram cami-nhos práticos para a concretização do mesmo, como também nãodiscutem o papel da Educação nesse processo. Diante disso, aponte sugestões práticas (caminhos) que po-dem ser desenvolvidas na escola com os alunos, pais, professores oucomunidade local, afim promover a conscientização e provocar mu-danças que garantam nossa sobrevivência.Capítulo: Educação e Sustentabilidade 137
  • 134. Atividade III: Elaborando texto argumentativo. Leia atentamente um trecho de uma carta escrita pelos índios, citada no livro de Carlos Rodrigues Brandão, em seu livro, O que é educação?: “ Há muitos anos nos Estados Unidos, Virgínia e Maryland assi- naram um tratado de paz com os índios das Seis Nações. Ora, como as promessas e os símbolos da educação sempre foram muito ade- quados a momentos solenes como aquele, logo depois os seus go- vernantes mandaram cartas aos índios para que enviassem alguns Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividade de seus jovens às escolas dos brancos. Os chefes responderam agra- decendo e recusando. A carta acabou conhecida porque alguns anos mais tarde Benjamin Franklin adotou o costume de divulgá-la aqui e ali. Eis o trecho que nos interessa”: “... Nós estamos convencidos, portanto, que os senhores dese- jam o bem para nós e agradecemos de todo o coração. Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa idéia de educação não é a mesma que a nossa.... Muitos dos nossos bravos guerreiros foram for- mados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltavam para nós, eles eram maus corredores, ignoran- tes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmen- te inúteis. Não serviam como guerreiros, como caçadores ou como conselheiros.Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão ofe- recemos aos nobres senhores de Virgínia que nos enviem alguns dos seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos, deles, homens.” Após você ter lido a carta, elabore um texto que defenda o tipo de educação que você, cursista, e o autor Edmerson dos Santos Reis defendem para a sociedade rural. Considere como deve ser a propos- ta pedagógica da escola, o tipo de conhecimento adequado a essa realidade e a postura desse educador.Educação e Sustentabilidade 138 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 135. Texto IV – Professor Pedro Jacobi Objetivo: Avaliar interfaces da educação do campo com possi-bilidades concretas de construção coletiva de projetos sustentáveis. Leia inicialmente os textos IV e V do Professor Pedro Jacobi des-te eixo temático desta disciplina. O texto IV está disponiblizados naíntegra no CD-Rom anexo a este caderno; o texto V, no site indicado.Navegue em sites disponibilizados na internet, para identificar outraspublicações deste pesquisador da Universidade de São Paulo. Façaanotações gerais, que poderão ajudar na resolução das questõespropostas para aprofundamento de aspectos teóricos e práticos daproblemática da sustentabilidade e suas relações com a educação, Ler atentamente os textos do livro e doparticularmente com o debate atual pela construção do projeto polí- CD- Romtico e pedagógico da educação do campo.EDUCAR PARA A SUSTENTABILIDADE: COMPLEXIDADE,REFLEXIVIDADE, DESAFIOS 52 Pedro JacobiUSP Resumo Atualmente, o avanço rumo a uma sociedade sustentávelé permeado de obstáculos, na medida em que existe uma restritaconsciência na sociedade a respeito das implicações do modelo dedesenvolvimento em curso. As causas básicas que provocam ativida-des ecologicamente predatórias podem ser atribuídas às instituiçõessociais, aos sistemas de informação e comunicação e aos valores ado-tados pela sociedade. Isto implica principalmente na necessidade de 52 Publicado na revista da FEUSP- Educação e Pesquisa- vol. 31/2-estimular uma participação mais ativa da sociedade no debate dos maio-agosto 2005seus destinos, como uma forma de estabelecer um conjunto social-mente identificado de problemas, objetivos e soluções. A multiplica-ção dos riscos, em especial os ambientais e tecnológicos de gravesconseqüências, são elemento chave para entender as características,os limites e as transformações da nossa modernidade. Os riscos con-temporâneos explicitam os limites e as conseqüências das práticassociais, trazendo consigo um novo elemento a “reflexividade”. A so-ciedade, produtora de riscos, se torna crescentemente reflexiva, o Educação e Sustentabilidadeque significa dizer que ela se torna um tema e um problema parasi própria. A sociedade global “reflexiva” se vê obrigada a autocon-frontar-se com aquilo que criou, seja de positivo ou de negativo. Oconceito de risco passa a ocupar um papel estratégico para entenderas características, os limites e as transformações do projeto históricoda modernidade.Capítulo: Educação e Sustentabilidade 139
  • 136. É cada vez mais notória a complexidade desse processo de transformação de uma sociedade crescentemente não só ameaçada, mas diretamente afetada por riscos e agravos sócio-ambientais. Nes- te artigo a reflexão sobre “sociedade de risco” nos permite estabele- cer elos com a complexa temática das relações entre meio ambiente e educação, a partir de alguns parâmetros presentes nas práticas so- ciais centradas na “ educação para a sustentabilidade”. Num contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, a problemática envolve um conjunto de atores do universo educativo em todos os níveis, potencializando o engajamento dos diversos sistemas de conhecimento, a capacita- ção de profissionais e a comunidade universitária numa perspectiva interdisciplinar. JACOBI, Pedro. Educar para a Sustentabilidade: complexidade, reflexividade, desafios- In: Revista Educação e Pesquisa- vol. 31/2- maio-agosto 2005, FEUSP. Fonte: http://www.ufmt.br/gpea/pub/jacobi Atividade Atividade sugerida pelos organizadores. 1. Como a organização de movimentos sociais fortalecem lutas por políticas sustentáveis de educação? Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividadeEducação e Sustentabilidade 140 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 137. Texto V – Professor Pedro Jacobi Objetivo: Discutir questões teóricas e práticas da educaçãoambiental e suas perspectivas para o fortalecimento da educação dequalidade para todos os sujeitos do campo e das cidades. Acesse o texto na íntegra no siteMEIO AMBIENTE, EDUCAÇÃO E CIDADANIA: DESAFIOSDA MUDANÇA Ler atentamente os textos do livro e do Pedro JacobiUSP 53 CD- Rom O Complexo Desafio da Sustentabilidade Sócio-Ambiental A reflexão sobre as práticas sociais, em um contexto urbanomarcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seuecossistema, não pode omitir a análise do determinante do processo,nem os atores envolvidos e as formas de organização social que au-mentam o poder das ações alternativas de um novo desenvolvimen-to, em uma perspectiva de sustentabilidade. A noção de sustentabilidade implica em uma interrelação ne-cessária entre justiça social, qualidade de vida, equilíbrio ambientale a necessidade de desenvolvimento como tendo uma capacidadede suporte (Jacobi, 1999). No contexto metropolitano brasileiro, osproblemas ambientais cresceram a passos gigantescos e suas solu-ções lentas ficaram publicamente conhecidas pela virulência do seuimpacto: um aumento incomensurável das enchentes, dificuldadesda administração do lixo sólido e interferência crescente do seu des- 53 Professor Associado da Facul-carte inadequado em áreas potencialmente degradáveis, e mesmo dade de Educação e do Programaum impacto ainda maior da poluição atmosférica sobre a saúde da de Pós Graduação da Universidade de São Paulo.população. A preocupação com o desenvolvimento sustentável representaa possibilidade de garantir, mudanças sócio-políticas que não com-prometam os sistemas ecológicos e sociais que sustentam as comuni-dades. O tema da sustentabilidade confronta-se com o paradigma dasociedade de riscos. Isto implica na necessidade de se multiplicaremas práticas sociais baseadas no fortalecimento do direito ao acesso à Educação e Sustentabilidadeinformação e à educação ambiental em uma perspectiva integrado-ra. E também demanda aumentar o poder das iniciativas baseadasna premissa de que um maior acesso à informação e a transparênciana administração dos problemas ambientais urbanos pode implicarna reorganização do poder e autoridade.Capítulo: Educação e Sustentabilidade 141
  • 138. Um dos grandes desafios é o de estimular políticas sociais sustentáveis assim como de promover o crescimento da consciên- cia ambiental, expandindo a possibilidade da população participar em um nível mais alto no processo decisório, como uma forma de fortalecer sua coresponsabilidade na fiscalização e no controle dos agentes de degradação ambiental. Também é importante salientar que uma agenda para a sustentabilidade ambiental urbana deve le- var em consideração a importância de se estimular a expansão dos meios de acesso a uma informação geralmente esparsa e de difícil compreensão, como parte de uma política de fortalecimento do pa- pel dos vários agentes intervenientes. Há uma demanda atual para que a sociedade esteja mais motivada e mobilizada para assumir um papel mais propositivo, bem como de ser capaz de questionar, de forma concreta, a falta de iniciativa do governo em implementar polí- ticas ditadas pelo binômio da sustentabilidade e do desenvolvimen- to num contexto de crescente dificuldade na promoção da inclusão social. O momento atual exige que a sociedade esteja mais motivada e mobilizada para assumir um caráter mais propositivo, assim como para poder questionar de forma concreta a falta de iniciativa dos go- vernos para implementar políticas pautadas pelo binômio sustenta- bilidade e desenvolvimento num contexto de crescentes dificulda- des para promover a inclusão social. JACOBI, Pedro. Meio Ambiente, Educação e Cidadania: desafios da mudança – Texto para evento do SENAC – São Paulo, apresentado em 2004. Fonte: http://www.ufmt.br/gpea/pub/jacobi Atividade Atividade sugerida pelos organizadores. 1. E como se relaciona educação ambiental com a cidadania? Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividadeEducação e Sustentabilidade 142 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 139. Texto VI – Professores Alexandre de Gusmão Pedrini eMaria Inês Meira Santos Brito Objetivo: Definir desenvolvimento e sociedade sustentável naperspectiva da América Latina. Leia inicialmente o excerto do texto. Retome o texto na íntegrae discuta a questão proposta, fazendo anotações e apresentando-asao seu grupo de estudo, para elaboração coletiva de texto dissertati-vo sobre a problemática (duas páginas).EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO Ler atentamente os textos do livro e do CD- RomOU SOCIEDADE SUSTENTÁVEL? UMA BREVE REFLEXÃOPARA A AMÉRICA LATINA Alexandre de Gusmão Pedrini 54 Maria Inês Meira Santos Brito 55 RESUMO Um novo paradigma para a teoria e prática na Educação Am-biental (EA) para Sociedades Sustentáveis (EASS) foi construído coma aprovação da Carta da Terra (Tratado de EASS-TEASS) durante a Rio-92. Mas, poucos foram os educadores que se preocuparam em cons-truir ou propor bases ou caminhos possíveis de como poderia ser oprocesso de construção da EASS e das suas bases epistemológicas. Oobjetivo desse trabalho foi o de arrolar autores, essencialmente bra-sileiros que trataram da EASS. A partir das idéias desses educadoressuas idéias foram apresentadas e promovida uma reflexão sobre o 54 Doutor, professor-adjunto; De-tema. Esse artigo, também enseja que educadores ambientais latino- partamento de Biologia Vegetal,americanos a se debruçarem sobre esta questão, pois a construção Universidade do Estado Rio de Janeiro, Rua São Francisco Xavier,da EASS ainda constitui uma demanda urgente para a EA, sendo ne- 524, Pavilhão Haroldo Lisboa dacessária a produção de muito mais reflexões e pesquisas. Cunha, Sala 525/1, CEP 20550-013, Rio de Janeiro, RJ, Brasil;. e-mail: pedrini@uerj.br 55 Mestra em Desenvolvimento Sustentável – UnB; Professora da Universidade do Estado da Bahia, Campus VI – Caetité; Consultora de Educação Ambiental da Mag- Educação e Sustentabilidade nesita S/A e Xilolite – Brumado-Ba. e-mail: pequenaflor8@hotmail. comCapítulo: Educação e Sustentabilidade 143
  • 140. Referências (Leituras complementares) AGENDA 21. In: CNUMAD - Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Am- biente e Desenvolvimento (Rio/92). Capítulo 36. Rio de Janeiro. 1992. BARBIERI, J. C. Desenvolvimento e Meio Ambiente; as estratégias de mudanças da AGENDA 21. Petrópolis, Vozes, 5 ed., 2002, 157 p. BRASIL. O Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA). Brasília, MMA/ DEA, 3 ed., 2005a, 5 p. BRASIL. Programa Municípios Educadores Sustentáveis. Brasília, MMA/DEA, 3 ed., 2005b, 102 p. BRITO, M. I. M. S. Das Lendas à História: A Busca da Identidade de um Povo. Bra- sília, Dissertação-Mestrado em Desenvolvimento Sustentável. UnB, 2002. BURSZTYN, M. (Org.) Ciência, Ética e Sustentabilidade: Desafios ao novo século. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2001. CARVALHO, V. S. de. Reflexões sobre a dinâmica entre Educação Ambiental e Desenvolvimento Comunitário: o lado verde da linha amarela. In : PEDRINI, A. G. (Org.). O Contrato Social da Ciência, unindo saberes em Educação Ambiental. Petrópolis, Vozes, 2002, p. 185-200. DELUIZ, N.; NOVICKI, V. Trabalho, Meio Ambiente e Desenvolvimento Susten- tável: implicação para uma proposta de formação crítica. Boletim Técnico do SENAC, v. 30, n. 2, 2004, 7 p. DIAS, G. F.. Educação Ambiental: Princípios e práticas. 7a ed. São Paulo: GAIA. 2001, 551 p. DIEGUES, A C. S. Desenvolvimento sustentável ou sociedades sustentáveis: da crítica dos modelos aos novos paradigmas. In: DIEGUES, A C. S. Ecologia Huma- na e planejamento em águas costeiras. São Paulo, NUPAUB, 1996. FERRARO JR, L. A Encontros e caminhos: formação de educadores(as) ambien- tais e coletivos educadores. Brasília, MMA/DEA, 2005. FERREIRA, L. Da C. Sustentabilidade: uma abordagem histórica da sustentabi- lidade. In: FERREIRA, L.; VIOLA, E. Incertezas de sustentabilidade na globalização. Campi- nas: UNICAMP, 1997.Educação e Sustentabilidade GADOTTI, M. Pedagogia da Terra. 4 ed. São Paulo, Peirópolis, 2000, 217 p. GONZALEZ-GAUDIANO, E. Educación Ambiental para el desarrollo Sustentable em America latina y el Caribe: retos y oportunidades. In: PRIOTTO, G. (Org.), CONGRESSO DE EDUCACIÓN AMBIENTAL PARA EL DESARROLLO SUSTENTA- BLE, 1, anais, 2006, Argentina, p. 119-130. GUIMARÃES, R. P. Desenvolvimento sustentável: da retórica à formulação de políticas públicas. In: BECKER, B; K.; MIRANDA, M. A geografia política do desen- volvimento sustentável,. Rio de Janeiro, EUFRJ, 1997, p. 13-44. GUIMARÃES, S.S.M.; TOMAZELLO, M.G.C. A formação universitária para o meio 144 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 141. ambiente: educação para a sustentabilidade. Ambiente e Educação, Rio Gran-de, v.8, p. 55-72, 2003. ____ Avaliação das idéias e atitudes relacionadas com sustentabilidade: me-todologia e instrumentos. Revista Ciência e Educação (UNESP-Bauru), v. 10, n.2, 2004.HILLS, P. Education for sustainable development: an Asian perspective. In: AZEI-TEIRO, U. et al. (Orgs.) World Trends in Environmental Education. Frankfurt amMain, Peter Lang, 2004, p. 225-250.JACOBI, P. Meio Ambiente e educação para a cidadania: o que está em jogo nasgrandes cidades? In: SANTOS, J. E.; SATO, M. (Org.) A Contribuição da EducaçãoAmbiental à Esperança de Pandora. São Carlos, RiMa, 2001, p. 423-437.LAYRARGUES, P. P. A Cortina de Fumaça; o discurso empresarial verde e a ideo-logia da Racionalidade Econômica. São Paulo, Annablume, 1998, 236 p.____ La Institucionalizacion de la Educación Ambiental en la esfera publica. In:PRIOTTO, G. (Org.), CONGRESSO DE EDUCACIÓN AMBIENTAL PARA EL DESAR-ROLLO SUSTENTABLE, 1, anais, 2006, Argentina, p. 159-185.LEFF, E. Educação Ambiental e desenvolvimento sustentável. In: REIGOTA, M.(Org.) Verde Cotidiano; o meio ambiente em debate. São Paulo, Cortez, 1999.LIMA, G. F. da C. O debate da sustentabilidade na sociedade insustentável. Polí-tica e Trabalho, n. 13, p. 201-222, 1997.LOUREIRO, C. F. B.; ALBUQUERQUE, E. C.P. T. de; BARRETO, B. M. V. B. Susten-tabilidade, exclusão e transformação social; contribuições à reflexão crítica daEducação Ambiental e da Comunicação no Brasil. Ambiente e Educação, RioGrande, n. 9, p. 123-138, 2004.LOUREIRO, C. F. B. et al. Educação Ambiental e Gestão Participativa em unida-des de conservação. Rio de Janeiro, IBAMA, 2005, 60 p.MADUREIRA, M. S. P.; TAGLIANI, P. R. A Educação Ambiental Não-Formal em Uni-dades de Conservação Federais na Zona Costeira Brasileira: Uma Análise Críti-ca. Brasília, IBAMA, 1997, 116 p.MAIA, N. A. (memo) Introdução à Educação Moderna. Rio de Janeiro: UFRJ/CFCH. 2000.MARRUL FILHO, S. Do desenvolvimento para além do desenvolvimento susten-tável.. In: QUINTAS, J. S. (Org.) Repensando e praticando a Educação Ambientalna gestão do Meio Ambiente. Brasília, IBAMA, 2002. p. 119-130. Educação e SustentabilidadeMEDINA, N. M. A Construção do conhecimento e suas implicações na EducaçãoAmbiental. Brasília. 1996.MEIRA,P.;SATO, M. Só os peixes mortos não conseguem nadar contra a corren-teza. Revista de Educação Pública, v. 14, n. 25, p.17-31, 2005OLIVEIRA, B. P. Currículo, Utopia e Pós-Modernidade. Rio de Janeiro:UFRJ.(memo), 2000.PACHECO, T. (Org.) Linha de Dignidade: construindo a sustentabilidade e a cida-dania. Rio de Janeiro, FASE, 2005, 246 p.Capítulo: Educação e Sustentabilidade 145
  • 142. PEDRINI, A de G. I Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e De- senvolvimento (1972) e a AGENDA 21 (1992): uma reflexão política para a Edu- cação Ambiental. In: MATA, S. ;VASCONCELLOS, H.(Orgs.) Educação Ambiental em Debate; 20 anos pós-Tbilisi, 1997, PUC-RJ/UFRJ, p. 125-129. ____. (Org.) Educação Ambiental: Reflexões e Práticas contemporâneas. Petró- polis: Vozes, 1998. PINTO SANTOS, P. R. Associações dos Pequenos Produtores de Café no Muni- cípio de Barra do Choça: Perspectivas para o Desenvolvimento Sustentável. Brasília, Dissertação de Mestrado em Desenvolvimento Sustentável, CDS/UnB, 2001. RUSCHEINSKY, A Atores sociais e Meio Ambiente: a mediação da Ecopedago- gia. In: LAYRARGUES, P. P.(Coord.) Identidades da Educação Ambiental Brasilei- ra, DEA/MMA, 2004. p. 51-63. SACHS, J. Estratégias de Transmissão Para o Século XXI. Desenvolvimento e Meio Ambiente. São Paulo: Studio Nobel/FUNDAP, 1993. SANTOS, B. S. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. São Paulo, Cortez, 1996. SAUVÉ, L. La Educación Ambiental entre la modernidad y la posmodernidad: en busque de um marco de referencia educativo integrador. Tópicos em Educaci- ón Ambiental, v. 1, n. 2, p. 7-25, 1999. SILVA, A L. T. da. Reflexibilidade e Educação Ambiental: bases para uma socie- dade sustentável. Acesso: 23.05.2006. (www.anpass.org.br/gt/sociedade_do_ conhecimento) TREVISOL, J. V. E Educação Ambiental numa sociedade de risco global. In: TA- GLIEBER, J. E.; SILVEIRA. A F (Org.) Pesquisa em Educação Ambiental: pensa- mentos e reflexões de pesquisadores em Educação Ambiental. Pelotas, UFPel, 2004, p. 31-47. UNESCO. Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. 2005-2014; documento final, Plano Internacional de Implementa- ção. Brasília, OREALC, 2005, 120 p. VIOLA, E. J.; LEIS, H. R. A evolução das políticas ambientais no Brasil, 1971-1991: do bissetorialismo preservacionista para o multissetorialismo orientado para o desenvolvimento sustentável. In: HOGAN, P. J.; VIEIRA, P. F. (Orgs.) Dilemas so- cioambientais e desenvolvimento sustentável. Campinas, EDUNICAMP, 1995. 2 ed., p. 73-102.Educação e Sustentabilidade Atividade Atividade sugerida pelos organizadores. Faz sentido pensar um projeto de desenvolvimento para a América Latina? Como a educação pode contribuir nesse processo? Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividade 146 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 143. Texto VII – Professor Maurice Barcellos da Costa Objetivo: Analisar questões sobre interdisciplinaridade e edu-cação ambiental. Leia inicialmente o trecho selecionado do texto, buscando-oem seguida na sua íntegra no CD-Rom. Consulte os sites de internetsugeridos pelo autor. Desenvolva as tarefas apresentadas pelo autor.QUESTÕES AMBIENTAIS E EDUCAÇÃO Maurice Barcellos da Costa Ler atentamente os textos do livro e do CD- Rom As questões ambientais devem ser abordadas como condiçõesbásicas para a implantação de uma agricultura baseada na produçãoecológica, no manejo adequado do solo, na rotatividade de culturas,no controle integrado de pragas, na preservação e resgate da biodi-versidade e na geração de tecnologia de ponta. O enfoque interdisciplinar por meio do conhecimento das ciên-cias físicas, biológicas e sociais fará com que determinada realidadesocioeconômica e ambiental seja adequadamente compreendida,conforme Figura 1. Educação e Sustentabilidade Figura 1 - Visão interdisciplinar (integrada) do meio ambiente.Fonte: Guerra & Barbosa (1996, p. 15)Capítulo: Educação e Sustentabilidade 147
  • 144. Atividades Atividades sugeridas pelos organizadores. Atividade 1 Identifique os principais cultivos em sua região, analisando a cadeia produtiva em relação aos impactos ambientais, tais como, preparo do solo, irrigação, uso de fertilizantes químicos e uso de agrotóxicos. Recomendações: Fazer registros Pesquise alternativas ao processo empregado, quando este escritos de cada atividade agredir o ambiente. Atividade 2 Faça um mapa da bacia hidrográfica na qual está inserida a sua comunidade, localizando as nascentes e os fatores de agressão (es- goto e lixo), propondo soluções à conservação das nascentes e desti- no adequado aos esgotos e ao lixo. Atividade 3 Visite sites na Internet (em sua escola ou em escritórios locais da EMCAPER), pesquisando sobre os assuntos abordados e/ou ques- tionando as autoridades responsáveis pelas questões ambientais, principalmente sobre a questão dos transgênicos, no intuito de iden- tificar as atitudes que estão sendo tomadas para garantir informação, segurança e estudos, antes da liberação de transgênicos no Brasil.Educação e Sustentabilidade 148 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 145. Para saber mais - A Carta da Terra Se depender do esforço da sociedade civil organizada, as futu-ras gerações poderão viver em um mundo melhor. Mais de 100 milpessoas se mobilizaram em prol da Carta da Terra, aprovada na Fran-ça. O documento é fruto da discussão de 46 países, incluindo o Brasil. Com a mesma representatividade internacional da Declaraçãodos Direitos Humanos, a Carta propõe aos países envolvidos “formaruma aliança global” em respeito à terra e à vida. A iniciativa deveráser apresentada e assumida oficialmente pela ONU em 2002. Até lá,espera-se que o documento continue sendo discutido. Sugestões de sites e endereços eletrônicos: ÁGORA – segurança alimentar e cidadania – agora@ibm.net AS-PTA – Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alter-nativa – aspta@ax.apc.org CENTRO ECOLÓGICO DO IPÊ – centro.ecologico@torres.com.br COMISSÃO PASTORAL DA TERRA http://www.cptnac.com.br/ IBASE — Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas-www.ibase.br FASE – Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educa-cional – fase@ax-apc.org GREENPEACE – Associação Civil Greenpeace – gbrazil@dialb.greenpeace.org INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos –inesc@tba.com.br MINISTÉRIO DA AGRICULTURA – cenagri@agricul-tura.gov.br MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – webmaster@mma.gov.br MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM-TERRA http://www.mst.org.br/ Educação e SustentabilidadeCapítulo: Educação e Sustentabilidade 149
  • 146. Educação e Sustentabilidade 150 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 147. Texto VII - Professora Maria das Graças F. Lobino Objetivo: Analisar aspectos sobre valores sócio-culturais naconstrução do projeto coletivo de uma educação sustentável docampo. Realize uma leitura inicial do texto, fazendo anotações para ela-boração de uma síntese, que será discutida no grupo de estudo. Emseguida retome o artigo, buscando dados para resolver as questõespropostas. Não deixe de registrar suas reflexões, com vistas ao com-partilhamento das mesmas no seu subgrupo e no encontro da turmade que você faz parte no Polo da UAB. Ler atentamente os textos do livro e do CD- Rom Leia o resumo do texto e busqueDIMENSÕES INTER/TRANSDISCIPLINARES NA FORMA- no CD-Rom e/ou Plataforma Moo- dle o artigo na integra.ÇÃO DO EDUCADOR(A) 56 Maria das Graças F. Lobino 57 (...) Intelectualmente, as disciplinas, são plenamente justificáveis, desde que preservem um campo de visão que reconheça e conceba as ligações e solidariedades (...) e não ocultarem realidades globais Registre suas reflexões para com- partilhá-las no seu subgrupo e no Edgar Morin encontro de turma de que você faz parte no pólo da UAB. Um dos maiores desafios da educação contemporânea é de-senvolver valores sócio-culturais que nos tornem capazes de melhor 56 Este texto é uma adaptaçãoconvivermos conosco, com os outros e com o a natureza reconstruída ampliada de parte de um capítulohistoricamente produzindo bens materiais e simbólicos, resultando de minha dissertação de mestra- do intitulada “Influências dos di-simultaneamente a necessidade que o processo educativo comporte ferentes saberes e concepções naa auto, a hetero e a ecoformação. práxis ambiental docente: limites e possibilidades” (2002), com o objetivo de subsidiar a construção do conhecimento para uma ofi- cina, sob o tema: Laboratório de Ensino Transdisciplinar, no II Se- minário EAD em debate na UFES: formação de tutores para a UAB. A referida dissertação, gerou o livro A práxis ambiental educativa: di- Educação e Sustentabilidade álogo entre os diferentes saberes (2007). Este texto publicado pelo NEA@D/ UFES durante o II Semi- nário EAD/UFES: Formação de tutores para UAB,out./2007. 57 Mestre em Educação, atual- mente é docente de graduação e pós-graduação em Gestão e Edu- cação Ambiental e Gestão e Polí- tica Educacional,conselheira da CIEA/ES, coordenadora do Coleti- vo Educador Ambiental de Vitória –COLEDUC. Também é autora do livro Plantando conhecimento, co- lhendo cidadania ... (2004).Capítulo: Educação e Sustentabilidade 151
  • 148. Referências (Leituras complementares) BRASIL, Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e as Bases da Educação Nacional. Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, Espírito Santo, 1998. p. 5-31. ______ Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares para o Ensino Funda- mental. Brasília: CNE/CEB, 1998. ______. Lei 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa as diretrizes e bases para ensi- no de 1º e 2º graus e dá outras providências. Diário Oficial [República Federati- va do Brasil], Brasília, 12 de agosto de 1971. FREIRE. P. Educação e mudança. 14. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975. CAVALCANTE,L.O.H.A pedagogia radical de Henry Giroux e a educação crítica;rumo a uma ambientalização da pedagogia. In:Paz,R.J.(Org.). Fun- damentos, reflexões e experiências em educação ambiental. João Pessoa: Ed.Universitária, 2006 CARVALHO, J. M. et al. Os fundamentos sócio-histórico-filosóficos da educação: uma questão interdisciplinar? Reflexão e Ação, Santa Cruz do Sul, v.3, n.1/2, p.75-86, jan./dez, 1995. GRAMSCI A. Os intelectuais e a organização da cultura. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. LOBINO, M. G. F. Influências liberal/ pragmatistas na educação brasileira: uma análise histórico-filosófica. Pró-Discente, UFES, Vitória, v. 5, n. 3, p. 32-51, set./ dez, 1999. ______ Plantando conhecimento, colhendo cidadania: Plantas medicinais,uma experiência transdisciplinar. 2 ed. Vitória: Bios, 2004. ______. A práxis ambiental educativa: diálogo entre diferentes saberes. Vitória: Edufes, 2007. ______ Projeto alternativo para o ensino de ciências no 1º grau. Atividades de- senvolvidas nas escolas da PMV no período de 1990 e 1995. Vitória: LEACIM/ CCE/UFES, 1997. LOUREIRO, C. B. F. & LIMA, J. G. S A educação ambiental e a escola: uma tentativa de reconciliação. Fundamentos, reflexões e experiências em educação ambien- tal. In. PAZ, R.J. (org.). João Pessoa: Ed.Universitária, 2006.Educação e Sustentabilidade KEIM, E. J. Eu e o mundo. São Paulo: FTD, 1993. ______ Abordagem nas relações entre os componentes ambientais nos livros didáticos de 1º grau. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Fe- deral do Rio de Janeiro, 1984. NICOLESCU, B. Educação e interdisciplinaridade. Brasília: Edições UNESCO, 2000. PINEAU, G. Tornar todos saberes acessíveis para todos em toda parte. IHU- on line. Revista do Instituto Humanitas. Universidade do Vale do Rio dos Sinos. São Leopoldo,29 agosto.2005. 152 Capítulo: Educação e Sustentabilidade
  • 149. ROCHA, M. L. Do tédio a cronogênese: uma abordagem ético-estético- políticada prática escolar. Tese (Doutorado em Psicologia Clínica) - Pontifícia Universi-dade Católica de São Paulo, 1996.SANTOS,B. S. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência.São Paulo: Cortez, 2000.SAVIANI, D. Política e Educação. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1981.MORIN, E. Articular os saberes. In: ALVES, N.; GARCIA, R. L. O sentido da escola.Rio de Janeiro: DP&A, 2000.______ A cabeça bem feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8 ed.Rio de Janeiro:Bertrand Brasil,2003.SABÓIA, B. A filosofia gramsciana e a educação. Em aberto. Brasília. Ano 9. nº.45, jan./mar, 1990TOMAZELLO,M.G. Parâmetros Curriculares Nacionais e Educação Ambiental:Educação para a cidadania? Educação :Teoria e prática., Rio Claro, v.9, n.16, p.88, 2001.Atividades Realize as seguintes atividades sugeridas pelos organizadores. Atividade I: Produzindo textos 1. Realize uma leitura inicial do texto 2. Faça anotações e elabore uma síntese, 3. Apresente e discuta a síntese com seu grupo de estudo. 4. Retome o artigo, procure dados para resolver as questõespropostas Recomendações: Fazer registros escritos de cada atividade Atividade II: Respondendo questões Responda as seguintes questões: a) O que é interdisciplinaridade e transdisciplinaridade? b) Defina autoformação, a heteroformação e a ecoformação? c) Como o debate sobre estas temáticas contribuem para a for-mação de professores com vistas à construção coletiva de uma edu-cação sustentável? Educação e SustentabilidadeCapítulo: Educação e Sustentabilidade 153