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Revista Agenda 21 e Juventude
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Revista Agenda 21 e Juventude

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  • 1. Apresentação Vivemos hoje na esperança de construir um mundo melhor, justo, sustentável, e essa democracia e na política. Diante dos apelos para o consumo desenfreado, não é simples para as juventudes desvencilhar-se da cultura materialista que está dominando a humanidade e excluindo de vida da juventude, apontando para a necessidade de novas políticas públicas, democráticas, que ampliem a visibilidade dos jovens como sujeitos de aprendizagens e de mudanças. e possível, um mundo que pode começar a ser concebido por meio das juventudes, no qual seres humanos tenham o real direito à escolha. Na nossa sociedade, onde se preconizam a imagem e o consumo, as desigualdades sociais e as exclusões em todos os sentidos são invisíveis aos nossos olhos, passando a ser apenas uma questão, um dado que informa a porcentagem de jovens que estão fora do mercado de trabalho ou dos que vivem abaixo da linha da pobreza. Para a consolidação de uma sociedade democrática, são necessárias ações direcionadas visando eliminar processos que multiplicam, produzem e reproduzem exclusões. Atualmente, as mudanças e transformações são constantes, operam-se minuto a minuto, exigindo uma permanente preparação de todos os que queiram participar ativa e politicamente na sociedade. O Ministério do Meio Ambiente, ao reconhecer essas necessidades, entende que a juventude será capaz de atuar neste mundo com vontade e conhecimento crítico do cotidiano em busca do bem-estar individual e coletivo. Nessa perspectiva, a Coordenação da Agenda 21, ao apoiar a construção da Agenda 21 da Juventude, supõe a possibilidade de criar espaços nos quais os jovens possam questionar, propor e assumir responsabilidades diante da construção de um mundo melhor. O resultado dessa potencialidade se traduz nos artigos produzidos por jovens de várias extrações sociais em que a ética, a sustentabilidade, a educação e a importância da atuação das juventudes na proteção do meio ambiente foram abordados com grande propriedade. Assim, é com grande satisfação que lançamos a segunda edição da revista Agenda 21 e Juventude que a juventude brasileira vem construindo sobre a temática Agenda 21. Com ela, Nesse contexto, agradecemos a todos os jovens que se disponibilizaram a produzir artigos para compor esta revista. É indispensável que as juventudes continuem participando desse processo, trazendo seus conhecimentos, sentimentos, crenças, contradições, para suscitar um novo e contínuo diálogo entre gerações. Hamilton Pereira da Silva Secretário de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental/SAIC/MMA Pedro Ivo de Souza Batista Diretor do Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental/DCRS/SAIC/MMA Karla Monteiro Matos Coordenadora da Agenda 21/DCRS/SAIC/MMA 1
  • 2. Juventude Ambientalista e o Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente Esta revista sai quando acaba a I Conferência Nacional de Juventude. Na conferência, luta pelos direitos humanos, pela igualdade racial, pela liberdade de orientação sexual, pelo trabalho, pela educação e pela saúde. Cresce também o movimento de juventude ambientalista, que tem como bandeira uma nova política: a política ambiental. Esse movimento conta com a participação dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente (CJ), que desde o início têm o apoio do Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental. Coletivos Jovens formam um movimento autônomo, horizontal, auto- gestionado e que se articula em rede, a REJUMA – Rede de Juventude pelo Meio Ambiente e a Sustentabilidade. O movimento luta pelo seu direito de participar com voz ativa nos processos, projetos e ações que envolvem diretamente as juventudes, ampliando-os. Os CJs não querem apenas ser receptores – o famoso “público-alvo” –, nem mesmo serem chamados de protagonistas pelos produtores de projetos; promovem encontros de juventude e redes... Propõem a Agenda 21 da Juventude e também atuam diretamente em ações educadoras e mobilizadoras em parceria com o MEC, no programa Vamos Cuidar do Brasil com as escolas. Desde 2003, atuam com o objetivo de inserir uma nova pauta em seus movimentos: a transversalidade do meio ambiente. Desde então, os Coletivos Jovens mantêm essa ação e se orientam por três princípios: Jovem educa jovem de Círculos de Cultura (Paulo Freire), foi criada a Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola, a COM-VIDA, um espaço estruturante e permanente dentro da escola, que, com os jovens, provoca a comunidade escolar a participar. Jovem escolhe jovem – cabe aos jovens o processo de seleção dos delegados eleitos nas escolas para participarem da Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente, em Brasília. Esse processo possibilitou inúmeros desdobramentos e inovações nas escolhas comissões, trabalhos em escolas, entre outras situações. Essas eleições, sempre em juventude de construir novas formas de convivialidade e de autogestão. Uma geração aprende com a outra – a importância do diálogo e aprendizagem entre as diferentes gerações. Agora, o momento é urgente e emergencial para levantar mais uma bandeira da juventude: o Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente. O programa deve criar políticas capazes de dar respostas ao enfrentamento da grave crise socioambiental em que vivemos, com iniciativas que contribuam para a construção de sociedades sustentáveis. Para isso, é fundamental a viabilização do Programa, com recursos para sua gestão com institucionalização no PPA dos governos, de forma integrada com todas as políticas de juventude. E a Agenda 21 da Juventude, com esta publicação, torna-se mais um espaço para essa luta. Rachel Trajber Coordenadora-Geral de Educação Ambiental SECAD/MEC 2
  • 3. REFLEXÕES SOBRE PARTICIPAÇÃO A PARTIR DA REFLEXÕES EXPERIÊNCIA DO CJ-RJ NUM CURSO DE FORMAÇÃO EM SOBRE AGENDA 21 ESCOLAR PARTICIPAÇÃO A PARTIR DA EXPERIÊNCIA DO CJ-RJ NUM Atualmente se ouve falar muito da CURSO DE Agenda 21. Esse documento, assina- - FORMAÇÃO EM do em 1992 na cidade do Rio de Ja- mais participantes. Ora, para ele, a participação no projeto é atingida ao se conseguir um quantita- AGENDA 21 neiro pelos Chefes de Estado dos 179 países presentes na Conferência das tivo de pessoas presentes no local onde se realizam ESCOLAR Nações Unidas para o Meio Ambiente os encontros da Agenda 21. Além disso, será normal e Desenvolvimento (Rio-92), repre- Alex Bernal senta um acordo internacional de Coletivo Jovem - RJ compromissos para o Século XXI. O estejam direcionados a esse interlocutor principal. Rio de Janeiro documento promove a idéia de plane- jamento participativo e incluía entre Um outro interlocutor pode ter uma postura dife- seus desdobramentos a realização de rente, optando por realizar as reuniões sem locais Agendas 21 em outros níveis – nacio- destacados nais, regionais e locais – envolvendo para ele. Pre- instâncias públicas e privadas. Então, fere organizar desde 1992 processos de construção os participan- de Agendas 21 locais se multiplicam tes em círcu- em cidades, bairros, comunidades e lo, de modo escolas, acompanhados de uma de- que todos pos- manda crescente por maior transpa- sam se olhar rência e participação da sociedade diretamente. civil em processos de planejamento e Quando esse gestão territorial. O princípio básico interlocutor se que rege a elaboração de uma Agen- dirige aos de- da 21 local parece ser bem simples: é mais, ele pou- necessário democratizar informações e decisões. faz, já que sua fala é proposi- A simplicidade desse princípio contra- talmente feita diz, entretanto, a complexidade en- de questionamentos, questionamentos esses que volvida em sua concretização, essen- são dinamicamente debatidos pelos presentes. cialmente porque cada pessoa ou gru- po assume sua interpretação sobre o Para o primeiro interlocutor, o fato de ele que seja um processo democrático. A ser o centro das atenções não comprometerá participação se coloca como questão a construção daquela agenda. Já o segundo principal; porém, há, naturalmente, interlocutor se preocupará sempre em estar diferentes níveis de participação, e no mesmo nível dos demais, de modo que a o que determinada pessoa considera horizontalidade indispensável a tal processo como participação legítima da socie- seja praticada. Assim, os outros participantes dade num processo de Agenda 21 pro- não tenderão a reconhecê-lo como o condutor vavelmente não será o mesmo do que principal do processo, trabalhando mais outrem considerará. E isso é fácil de efetivamente a auto-organização do grupo. Os perceber ao se envolver em processos dois interlocutores crêem estar construindo ditos “participativos”. agendas participativamente. Entretanto, há entre eles uma grande distância, mesmo que - ambos debatam sobre conteúdos semelhantes. sável pela condução de projetos de Agenda 21 ressaltará a importância da participação da sociedade em seus relato a experiência do Coletivo Jovem de Meio projetos. Entretanto, será muito co- Ambiente Rio de Janeiro (CJ-RJ) num curso de mum encontrar certa contradição no formação em Agenda 21 Escolar. 3
  • 4. Em 2007, as Secretarias de Estado do entorno, além de conhecer alguns instrumentos Ambiente e de Educação do Rio de auxiliares do debate para melhor planejar e gerir Janeiro promoveram, em parceria suas localidades. com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o “Curso de Form-Ação No transcorrer do curso, dinâmicas e debates foram, em Educação Ambiental e Agenda 21: então, realizados sobre temas variados como meio Elos de Cidadania”, com o intuito de ambiente, educação ambiental, os 3 R – reduzir, capacitar professores e estudantes reutilizar e reciclar – consumo sustentável, Agenda do ensino médio na construção de agendas 21 escolares. O CJ-RJ foi participativo etc. Particularmente interessante foi convidado a realizar a formação dos a confecção por cada dupla de alunos de mapas do entorno escolar. Partiu-se da elaboração de formação em 5 encontros presenciais um mapa simples, no qual não eram dadas muitas de aproximadamente 6 horas, pensar recomendações aos alunos, deixando-os livres para as atividades a serem realizadas com alimentar seu mapa com aquilo que consideravam os estudantes tendo como base um os elementos importantes da localidade. Em cada conteúdo programático previamente encontro, os mapas foram evoluindo, até chegar estabelecido. Dez membros do CJ-RJ à confecção do último mapa, que deveria ser atuaram como instrutores, capacitando concebido relacionando a escola ao sistema da alunos de 150 escolas que foram representadas por 2 alunos cada uma. foram aprofundando sua visão sobre os problemas e potencialidades da escola e seu entorno, iniciando, Durante o planejamento do curso de fato, um processo de pesquisa-ação. pelo CJ-RJ, mudamos num primeiro instante o foco de nossa atenção dos Na última atividade do curso, foi feita uma auto- conteúdos para as atividades que avaliação pelos alunos e muitos comentaram os estudantes deveriam vivenciar. que não tinham boas expectativas do curso, pois Naquele momento, nossa maior esperavam que, da mesma forma como acontece em preocupação não era o que os estudantes deveriam aprender, mas alguém lhes passar informações, neste caso, como iriam aprender. Percebendo sobre meio ambiente e uma tal de Agenda 21. que teríamos pouco tempo com Essa falta de motivação dos estudantes ilustrou eles, era importante possibilitar que como os atuais modelos de aula não favorecem os cursistas experimentassem uma a autonomia do educando. Não o estimulam a nova forma de aprendizagem, uma ser mais curioso, criativo ou aventureiro. Trata- pedagogia que os envolvesse como se de uma práxis educacional excessivamente protagonistas do processo que ali se conteudista e centrada no professor e que, iniciaria. Tínhamos que ser coerentes portanto, não estimula as habilidades necessárias com os preceitos da Agenda 21, para a elaboração de Agendas 21. pois, se a elaboração de agendas comunitárias é uma construção coletiva, era necessário que já no certeza de que aprendi muito mais do que ensinei, presente curso os alunos atuassem talvez porque ouvi mais do que falei. E aprendi como atores principais, legitimando que para o educador, mais importante do que assim o que estava sendo iniciado. e desenvolvam melhor suas idéias. Porém, o que curso? A questão não era transformar se percebe é que mesmo os estudantes do ensino rapidamente alunos do ensino médio médio não vivenciam uma prática regular de em lideranças locais, mas buscar que debates em suas escolas. Então, como podemos ao término do curso eles estivessem mais bem preparados para contribuir de aula não são lugares de diálogos permanentes? na construção de uma Agenda 21 Vem sendo bastante discutida a urgência de maior Escolar. Deveriam, portanto, estar controle social das políticas públicas de nosso país. com um olhar mais sensível e Entretanto, para que esse controle social seja crítico sobre seu ambiente escolar uma prática diária, devemos nos aprimorar como e os grupos envolvidos na teia que se desenvolve na escola e em seu da cidadania que deveria começar na escola. 4
  • 5. VIVENCIANDO A CONSTRUÇÃO DA AGENDA 21 ESCOLAR VIVENCIANDO NO COTIDIANO DA ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO A CONSTRUÇÃO FUNDAMENTAL PAULO RODRIGUES DOS SANTOS - DA AGENDA 21 SANTARÉM - PA - AMAZÔNIA - BRASIL ESCOLAR NO COTIDIANO DA ESCOLA Desde que o homem deixou de ser nô- Paulo Rodrigues dos Santos, localizada no Estado MUNICIPAL made, passou a interferir decisivamen- do Pará, município de Santarém, no bairro da Flo- resta, a Agenda 21 na Escola, com tema “Cidadão DE ENSINO te no meio ambiente. Essa interferência desordenada foi motivada pela neces- consciente cuida do meio ambiente”, a qual foi FUNDAMENTAL sidade de gerar comodidade e usufruir construída de forma participativa junto à comuni- PAULO RODRIGUES melhor dos recursos oferecidos pela na- dade escolar, a partir de referenciais globais, na- DOS SANTOS - tureza. A princípio, essa busca se dava cionais e municipais, visando implementar ações SANTARÉM - PA - para atender às necessidades básicas que contribuam para a diminuição dos fatores que AMAZÔNIA - BRASIL dos seres humanos e posteriormente motivam os impactos ambientais na comunidade para atender aos interesses políticos e onde a escola está inserida. Ernélison Angly Santos econômicos de nações que se considera- Maria Marlene Matos vam “o berço da civilização”. A Agenda 21 é um programa de ação para o meio ambiente e o desenvolvimento que se constitui na Alunos da Escola Municipal Paulo Rodrigues Essa interferência desordenada vem mais abrangente tentativa de promover um novo dos Santos provocando nos dias atuais diversos im- padrão de desenvolvimento para todo planeta. Pará pactos ambientais, como aquecimento Ela tem 40 capítulos que tratam de tudo, do ar global, efeito estufa, degelo das calo- tas polares, escassez de água, entre estabelecer uma nova relação entre países ricos e outros fatores que tendem a agravar- pobres. Na Agenda 21, como em qualquer agenda, se cada vez mais. estão marcados os compromissos da Humanidade para o século XXI, visando garantir um futuro Diante desse cenário assustador que melhor para o planeta, respeitando o ser humano atinge os diferentes pontos do plane- e o seu ambiente social. ta, faz-se necessário que entidades organizadas e a sociedade civil de- Os primeiros estudos sobre Agenda 21 na Escola senvolvam estratégias que visem ga- surgiram a partir de proposta da Secretaria rantir a implementação de políticas Municipal de Educação e Desporto de Santarém, públicas que promovam mudanças de por meio da Coordenação de Educação Ambiental, no ano de 2007. de cada cidadão. Vencida a primeira etapa, a gestão de nossa escola começou a mobilização da comunidade escolar para Com esse objetivo, elaborou-se na Es- cola Municipal de Ensino Fundamental Depois do estudo, foi escolhida, de forma democráti- ca, uma equipe de alunos que seriam os divulgadores da Agenda 21 para os demais alunos de nossa escola. Na oportunidade, pa- lestramos sobre a importância da Agenda 21, desta- cando que esta foi fruto da mobiliza- ção das utoridades governamentais e 5
  • 6. da sociedade civil organizada que du- problemática, a comunidade escolar elegeu as seguintes temáticas: cidadania e ética, água, acordos de cooperação e cuidados arborização, poluição, horta e jardinagem, para com o meio ambiente. Destacamos que pudéssemos agendar nossos compromissos ainda que, depois que as autoridades para serem executados no prazo de dois anos como experiência piloto. Nesse momento, constituiu-se cada país criar sua agenda nacional. a Agenda 21 escolar. Entretanto, como a nossa No Brasil, além da Agenda Brasileira, escola já desenvolvia um trabalho sobre educação os Estados, Municípios, comunidades ambiental há três anos, com a implementação de e a escola foram convidados a cons- projetos de aprendizagem colaborativa realizados truir suas Agendas 21. em parceria com a Informática Educativa, no qual foram realizadas várias experiências de sucesso, Na oportunidade, o nosso grupo como a reciclagem de papel, coleta seletiva de falou da importância da Agenda 21 na escola para que nossos colegas decidimos colocar em prática mais uma experiência começassem a entender a importância a partir da problemática ambiental detectada, de se cuidar da natureza, bem como de seu ambiente social. Depois dessa escola, mas também importante experiência, vários alunos se no entorno desta. candidataram para serem guardiões do ambiente escolar, comprometendo-se A partir daí as temáti- não apenas em cuidar desse ambiente, cas foram distribuídas mas também de acompanhar as ações para que os alunos de seus colegas. dos diferentes tur- nos omeçassem suas Concluída essa nova etapa, foi esco- lhida democraticamente uma Comis- práticas, nas quais são de Educação Ambiental formada alunos e professores por representantes de alunos, profes- puderam comprovar sores, pessoal de apoio, membro da in loco a realidade comunidade e gestor para conhecer diagnosticada em mo- e analisar as problemáticas ambien- mentos anteriores. tais vivenciadas pela comunidade na escola e no bairro, para que, a partir Ao iniciarmos as pesquisas de campo, tivemos a - oportunidade de entrevistar carvoeiros, marceneiros, misso de cuidar do meio ambiente. operários, gerentes das empresas, funcionários do Hospital Regional, moradores atingidos pela poluição Uma vez que foi feito o reconhecimen- expelidas por essas atividades, constatando na to da problemática, a comissão cons- prática os problemas provocados por esse tipo de tatou a existência de vários problemas poluição. Desse modo, pudemos constatar o que ambientais que são extremamente havíamos diagnosticado em momentos anteriores prejudiciais à natureza e ao ser huma- no, tais como a presença de carvoarias para que pudéssemos planejar ações para melhorar o a céu aberto no bairro, a presença de ambiente escolar e do bairro, bem como produzir um esgoto hospitalar, a falta de arbori- novo conhecimento com base no que foi vivenciado. zação no entorno da escola e em sua área interna, poluição do ar pela usina O passo seguinte foi organizar nossa Feira - las movelarias existentes no bairro, a problemática socioambiental para o interior da poluição e assoreamento dos igarapés escola mais uma vez, para ser socializada com toda a comunidade do bairro, oportunizando momentos excesso de lixo nas ruas, desperdício de papel pelos alunos na escola. atingem não apenas a nossa realidade, mas o ambiente mundial, pois acreditamos que, se A etapa seguinte foi reunir novamente a comunidade escolar juntamente com ambiente, poderemos ter uma melhor qualidade a Cordenação de Educação Ambiental da SEMED para analisar os problemas detectados. Depois de analisar a 6
  • 7. AGENDA 21 E JUVENTUDE: A IMPORTÂNCIA DA VOZ NA AGENDA 21 E DEMOCRACIA JUVENTUDE: A IMPORTÂNCIA DA VOZ NA DEMOCRACIA O trabalho de defender uma causa mudanças. Como conseqüência do maior alcance Lorena Lopes e um grupo está, seguramente, da informação e da consolidação da cultura de Coletivo Jovem - MG ligado à visibilidade que eles têm massa, a mídia passaria a ser a principal arena Minas Gerais na sociedade. Seja visibilidade em de debate. Mas a comercialização do espaço relação aos que já aderiram à causa midiático causaria um abandono da proposta e ao grupo; seja em relação àqueles fundante de uma esfera pública, que é a da que os desconhecem. Nesse sentido, discussão racional, e daria início ao uso da sedução trabalhar com a juventude convida e do espetáculo para buscar o convencimento. a pensar, também, a necessidade de suporte para sua voz e o alcance dessa Peter Burke (2002) entendeu que voz para além dos jovens envolvidos no debate sobre eles mesmos e sua pública numa única perspectiva e, ação no mundo. Tal necessidade de conseqüentemente, homogeneizado a se criar e se consolidar uma espécie sociedade. Entre outros, o historiador ilustra a pluralidade social e as diversas de alargar o conhecimento sobre o manifestações comunicativas com o tema a quem não lhe é familiar, não exemplo da atuação das mulheres é uma idéia que vale apenas para a islâmicas numa esfera pública por elas juventude, mas que, certamente, e para elas criada. “Excluídas de uma pode ser assim usada. esfera pública mais formal, as mulheres Jürgen Habermas (1962) usou da informal” (BURKE, 2002, Caderno Mais!, análise da esfera pública burguesa e p.4). Os espaços de efetivação dessa esfera pública eram o poço público e como se constitui a discussão os telhados planos das casas, onde elas trocavam pública e o que ela pode representar informações, notícias, opiniões de temas que lhe socialmente. A esfera pública, para o eram caros. autor, seria como o campo do “entre”, a dimensão que captura e tematiza os Essa maior gama de esferas de comunicação problemas sociais fazendo a interação (como Peter Burke, mesmo, disse semipúblicas), entre o Estado e a Sociedade Civil, possivelmente subverte, como bem mostra que inclui um mundo subjetivo, único o exemplo das mulheres islâmicas, o debate a cada indivíduo. Ela seria o locus da público ou desloca os limites de uma esfera discussão e, mais que uma instituição, pública dominada por vozes mais poderosas, estabelecendo uma relação tácita com aquilo que Considerando o papel social da por Burke desconsiderada, de esferas públicas esfera pública, Habermas abarca suas mais ou menos especializadas. transformações, que, em conjunto, serão denominadas, por ele, como A pluralidade de esferas públicas permite, em a mudança estrutural. Em princípio, ela se teria constituído em função da com um tema para ser debatido na esfera pública busca da burguesia por participação hegemônica. Ou, ainda que essa contribuição nas decisões políticas, então restritas à nobreza. Com o passar do tempo, contudo, essa esfera pública, ampliação de sua agenda, essa pluralidade pode ser legitimada por veículos alternativos . 7
  • 8. Para Hannah Arendt, quando aí um momento de possibilidade da compreensão. compreendemos, reconciliamo-nos Se os jovens reivindicam, suas reivindicações com o mundo, não no sentido de precisam ser antes, de fato, ouvidas, para depois perdoá-lo, mas de desconstruirmos serem atendidas ou não. Na primeira etapa, a a estranheza e o absurdo, tornando desconstrução da estranheza e do absurdo. Na o que, então, era estranho e segunda, a iminência de transformações sociais. absurdo ao menos suportável. Assim, a compreensão encaminha e, possivelmente, também à manutenção de um aquele que entendemos como sendo veículo midiático da juventude. O Conselho da Juventude de Sabará - MG, já há um tempo, busca, por conseguinte, permite que nos ora com mais vigor, ora com menos, tal criação. E, situemos – processo esse que não pelo Brasil, não são muitos os que existem. Mãos à se dá, em nenhum momento, de obra. Ser visto e ouvido vão bem além da vaidade. interminável sempre. A questão é que para compreender faz-se premente ouvir e enxergar o outro e daí a relação entre os conceitos de esfera pública e esferas juventude. Muitas vezes, a voz que nos chega desse “outro” (a juventude) não nos chega por ele. O jornalismo dá voz a vários “outros”. São as fontes nas matérias e reportagens. Mas o jornalismo que dá a voz concede a ela um espaço na maioria das vezes de maneira arbitrária. As fontes acabam por dar depoimentos pontuais, na maioria das vezes. Ter aproxima mais da possibilidade da compreensão. Pode-se compreender a partir do compartilhamento de uma realidade alheia àquele que inicia compartilhamento é que o ser se aproxima um pouco da sensação do ser outro. É o reconhecimento do mundo: em sua multiplicidade e em nossa pequenez – não estéril, entretanto. Ampliamo-nos ao compreendermos, damos vastidão a nossa existência. Um veículo que exista por um grupo não existe somente para esse grupo, pois, de maneira mais ou menos intensa, acaba por compartilhar as vozes que nele se expressam com aquele que se habilita a lê-las e a ouvi-las. Emerge-se 8
  • 9. AGENDA 21 ESCOLAR: UMA AÇÃO COMPROMETIDA AGENDA 21 COM A EDUCAÇÃO, COM O MEIO AMBIENTE E COM A ESCOLAR: CIDADANIA UMA AÇÃO COMPROMETIDA COM A EDUCAÇÃO, A Agenda 21 Escolar (A21E) se orienta COM O MEIO dentro de parâmetros socioambientais AMBIENTE e busca conscientizar a comunidade E COM A escolar por meio da sensibilização CIDADANIA para as questões ambientais, trazendo, consigo, o planejamento Adriana Franzoi de ações capazes de eliminar ou Coletivo Jovem - SC minimizar os danos ambientais ocasionados pelo ser humano em Santa Catarina cada localidade. As escolas têm um papel primordial na ajuda à análise e à compreensão da realidade, Um dos exemplos foi o trabalho realizado na Escola e disciplinar, e constituem-se, do 1º ano do Ensino Médio (turma 4). Utilizando-se também, em modelos que servem de apoio na formação psíquica das crianças e jovens cidadãos, imbuídos Com esse método, que dá bons resultados na de cidadania e aptos a entender e praticar, de maneira responsável, A21E, analisou-se a situação da escola em geral, as formas de se viver corretamente principalmente no quesito “situação ambiental”. em nosso habitat. Nessa linha de raciocínio, entende-se que o espaço preencheram-na com respostas à questão: “Como de convivência e ensinamentos é a escola dos nossos sonhos?”. A negociação primordiais à sobrevivência da coletiva dos “sonhos” mostrou quais objetivos espécie humana e que a A21E é deveriam ser alcançados pela Agenda 21 a ser um precioso instrumento para essa implantada na Escola, para aquela turma (4). No prática de proteção da vida. passo seguinte, fez-se um cartaz com um grande ponto de interrogação, e nele se colocaram as Este texto, portanto, trata do plane- situações negativas que os alunos levantaram. jamento, organização e implantação Essas foram “as pedras no caminho”. “Quais são da A21E na Escola Pública de Edu- cação Básica Olavo Bilac, no bairro sonhos?” era a pergunta orientadora dessa etapa. Pirabeiraba, em Joinville - SC. Para Num terceiro momento, fez-se um novo cartaz, tanto, foram utilizadas quatro meto- e nele se colocou quais as ações que seriam necessárias realizar para que os alunos chegassem experiências e conhecimentos didáti- à “Escola dos Sonhos”. As respostas foram as - seguintes: 1) Melhoras no ambiente físico externo das nas publicações: Programa Parâ- da escola; 2) Praça com jardim para a realização metros em Ação – Meio Ambiente na de aulas de leitura; 3) Horta escolar; 4) Mais jardim Escola (MEC); Formando COM-VIDA, e melhores cuidados com as árvores existentes na construindo Agenda 21 na Escola escola; 5) Reciclagem dos papéis que são gerados (MEC/MMA); Guia per fer l´Agenda e descartados pela escola”. 21 Escolar (Prefeitura de Barcelona – Espanha) e Agenda 21 na Escola: Esse método é válido pelo fato de os alunos te- Idéias para implementação (Escola rem colocado, em primeiro plano, “como” é a Superior de Biotecnologia da Univer- - caram o que impede esse “sonho” de acontecer. 9
  • 10. Sabem que há “pedras no caminho” Em vista dessa experiência, percebe-se que e buscam soluções para removê-las. educação, meio ambiente, saúde e cidadania estão interligadas. Essas palavras-chave foram quais são as etapas mais importan- correlacionadas em todas as atividades acontecidas tes a se tratar para que essa “escola durante a implantação da A21E, que é um dos sonhos” possa se concretizar. documento orientador das medidas e ações que podem ser tomadas para a melhoria do ambiente e A proposta da “escola dos sonhos” da qualidade de vida da comunidade escolar. foi apresentada à direção da escola, instância em que se iniciou o maior trabalho: integrar de fato meio am- biente e natureza na vida da escola. A partir da experiência da implantação da A21E, os papéis que passaram a ser gerados e coletados no ambiente escolar (um trabalho de educação ambiental) não foram mais vistos como “lixo”, e sim como materiais a serem reaproveitados no ateliê de reciclagem, instalado num espaço lateral da escola que estava desativado. E, uma parte do pátio externo, que não tinha vida e nem uso algum, transformou-se em horta- jardim escolar, passando a fornecer Nesse mesmo espaço, construiu-se, também, um círculo de bancos de concreto para recreação, leitura e interação entre os alunos. Há aqui que se considerar, ainda, que as ações desenvolvidas pela A21E nessa escola aconteceram coinciden- temente com uma fase de obras de reformas. Assim, possibilitaram aliar as propostas de alunos, funcionários - ceiros estaduais disponibilizados e com a técnica dos operários (homens capacitados, pagos para trabalharem na reforma da escola). O resultado dessa parceria veio em benefício de toda a comuni- dade escolar, que ganhou um am- biente “mais limpo” e com novo planejadas participativamente na Agenda 21 Escolar. 10
  • 11. AGENDA 21 E JUVENTUDE: TRANSFORMAÇÕES PARA A AGENDA 21 E SUSTENTABILIDADE JUVENTUDE: TRANSFORMAÇÕES PARA A SUSTENTABILIDADE A discussão modelo de desenvolvi- centrais das discussão, juntamente com a Con- Rebeca Raso mento para a sociedade é pauta da venção sobre Mudanças Climáticas e a Conven- Coletivo Jovem - CE esquerda mundial há vários anos. Os Juventude Alternativa espaços de grande importância, como assinados por Chefes de Estado nesse evento. Terrazul Esse trio tratou de praticamente todas as gran- Ceará têm como eixo a discussão de que um des questões socioambientais, demonstrando a outro mundo é possível, incorporam inter-relação entre eles e suas conseqüências as questões ambientais em suas te- em nossas vidas. máticas, demonstrando que somente as mudanças dos modelos político, - para garantir a justiça, a eqüidade e e político para temas e questões relacionadas à a qualidade de vida para todos os ha- bitantes da terra. De acordo com os estudos do Painel Intergovernamental de Mudanças Cli- máticas (IPCC) divulgados em 2007, o planeta apresenta um quadro pre- ocupante, principalmente para os países mais vulneráveis. A tempera- tura global tem aumentado de for- ma assustadora, sendo estimado um século, ameaçando vários ecossiste- mas. Segundo o IPCC (2007), 90% das mudanças climáticas têm causa na ação humana. A sustentabilidade, expressão que vem se popularizando, traz consigo biodiversidade (http://www.cdb.gov.br/CDB). a concepção de que é possível existir A Convenção sobre Mudanças Climáticas, assina- um processo de desenvolvimento que da durante a Rio-92, entrou em vigor em 1994 atenda as necessidades e as aspira- propõe ações e diretrizes para o combate ao ções das gerações presentes e futu- aquecimento global, por meio do protocolo de ras. Busca-se outras formas de desen- Quioto, e vem sendo discutida nas Conferências volvimento que não acompanham a - das Partes (COP). sumo do sistema capitalista fundada na exploração sistemática e ilimitada A Agenda 21 Global é um documento que está de todos os recursos da Terra, incluin- voltado para os problemas prementes de hoje e do os seres humanos. tem o objetivo de preparar o mundo para os de- consen- Durante a Conferência sobre Meio so mundial e um compromisso político no nível Ambiente e Desenvolvimento rea- mais alto no que diz respeito ao desenvolvi- lizada no Rio de Janeiro em 1992, mento e à cooperação ambiental. Reconhece conhecida, também como Rio-92, a que o desenvolvimento sustentável e a prote- Agenda 21 foi um dos documentos ção do meio ambiente somente serão viáveis 11
  • 12. com o apoio das comunidades locais, Atualmente tem se discutido a construção da que terão ações locais com a visão Agenda 21 da Juventude Brasileira. Esse processo global dos problemas a serem en- visa organizar as juventudes para a discussão da sua frentados. Por isso, uma das grandes realidade dentro de uma perspectiva ambiental, recomendações da Agenda 21 Global com o intuito de construir ações que contribuam é que cada país signatário construa para a transformação da realidade, levando em consideração suas peculiaridades como segmento. tem a sua Agenda 21 e incentivo à construção de processos locais. O tema mudanças climáticas também é pauta de discussão da juventude, uma vez que ela também A Agenda 21 tem sido um instrumen- sofre com o aquecimento global. Principalmente to importante para a transformação quando falamos de jovens das periferias das cida- da realidade. Quando se pensa em des e jovens do campo. Estes, além de sentirem a opressão de classe, etária, étnica e de gênero, de que a maneira como está se vi- sentem com intensidade as conseqüências das ações humanas na natureza. a vida humana no planeta. É preci- so, além da mudança nas relações Por isso, a importância de construir um processo entre pessoas e a natureza, mudar em que seja possível o diálogo entre as diversas juventudes, o estado e o setor privado na perspectiva humanos, repensando princípios de consensuar ações e políticas que estejam de e valores vigentes na sociedade. A acordo com a realidade desse segmento e as suas Agenda 21 brasileira tem seus prin- aspirações, sem comprometer as gerações futuras cípios baseados na Carta da Terra. e repensando princípios e valores da sociedade. A Agenda 21 traz no caminhar dos A Agenda 21 da Juventude Brasileira é um passo seus passos (mobilização e sensibili- para a construção da sustentabilidade. A discussão do modelo de desenvolvimento é a base para iniciar - qualquer processo de Agenda 21, e no caso da ticipativo; elaboração, implemen- juventude não deve ser diferente, o que contribui tação e avaliação e monitoramento para a mudança de comportamentos, princípios e do plano de ação) a construção co- valores da sociedade. letiva da práxis em todo o processo de planejamento e ação que devem resultar na transformação da reali- dade, tendo em vista a construção de um mundo sustentável, diagnos- envolvidos e pactuando formas de resolvê-los. O processo de Agenda democracia participativa, coloca à mesa o poder público e os setores econômicos e sociais da sociedade, pactuando cada passo a ser dado. A juventude não está deslocada dessa realidade. No Brasil, são 34 milhões de jovens, segundo dados do IBGE (2000). Esse segmento se organiza em diferentes espaços com o intuito de construir um mundo cada vez mais sustentável. Entre esses espaços, estão processos de Agenda 21 em escolas, comunidades, cidades, etc. 12
  • 13. AS CONFERÊNCIAS DE JUVENTUDE COMO AS CONFERÊNCIAS FERRAMENTA DE INTERVENÇÃO SOCIOAMBIENTAL DE JUVENTUDE NO BRASIL COMO FERRAMENTA DE INTERVENÇÃO SOCIOAMBIENTAL NO BRASIL Jorge Augusto Justino Coletivo Jovem - GO Goiás A I e a II Conferência Nacional Infanto- reuniram-se e democraticamente escolheram o Juvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA) trabalho e o delegado que iria representar a escola. realizadas em 2003 e 2005, são, sim, ferramentas de intervenção socioam- O trabalho foi enviado para a COE (Comissão bientais para a juventude brasileira. Organizadora Estadual da I CNIJMA), que era a responsável por receber os trabalhos de todas as Digo isso com a propriedade de escolas participantes do processo da I CNIJMA e quem foi delegado da I CNIJMA e escolher os delegados que iriam representar o participou na organização da II estado. Um tempo depois, fomos comunicados CNIJMA, e continua trabalhando para pela COE de que a nossa escola era uma das 14 a realização da terceira. escolhidas para representar o estado de Goiás. Para esse jovem, ir para a Conferência Nacional de 2005, quando um jovem garoto de Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente representando Goiânia foi um dos 14 escolhidos para seu estado fez com que ele se abrisse à questão representar o Estado de Goiás na I ambiental brasileira, assunto que, até então, não Conferência Nacional Infanto-Juvenil lhe despertava muita atenção. Para ele, aquilo pelo Meio Ambiente, que aconteceria tudo era um novo mundo que se abria, cheio de em Brasília. maravilhas naturais, matas, animais – foi então que se deu conta que essa área que lhe interessava, Para culminar na ida a Brasília, esse era o que queria para a sua vida. jovem precisou produzir, com sua turma, um trabalho escolar que re- A Conferência acabou e ele voltou pra casa, para presentasse a visão dos alunos sobre a sua escola e para sua vida normal. Mas voltou a realidade e esperança que ainda ti- para casa com uma semente plantada, a semente nham em relação à questão ambien- de Cuidar do Brasil. Logo depois, conseguiu um tal no Brasil. estágio no IBAMA, o que lhe deu a oportunidade de continuar cuidando do Brasil. Com grande apoio da direção escolar, que mobilizou os alunos para a I Rapidamente foi apresentado à Educação CNIJMA, os estudantes se organizaram Ambiental, e percebeu, então, que era aquele e produziram vários trabalhos sobre o caminho para que se alcançasse o objetivo de as temáticas indicadas. Logo depois, todos os ambientalistas do mundo: que todos 13
  • 14. os homens conheçam e respeitem o meio em que vivem. disseminação da Educação Ambiental pelo estado por meio da criação de novos Coletivos Jovens, nos Foi quando ele recebeu um convite municípios do interior. Seguindo o princípio Jovem para participar daquele que na Educa Jovem, o CJ-Goiás formou 25 CJs Locais pelo ocasião era denominado Conselho interior de Goiás, muitos desses graças a processos Jovem de Meio Ambiente de Goiás, de mobilização para a II Conferência Nacional que passava por um momento de Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, usando rearticulação. Essa era a sua chance desses momentos para despertar em mais jovens de realmente realizar um trabalho o sentimento de fazer algo para mudar a situação ambiental no local onde vivem, trabalhando no a ser dividido com outros jovens que local, pensando no global. também compartilhavam com ele o mesmo sonho de sensibilizar pela Para a realização da II Conferência Nacional Infanto- educação ambiental o maior número Juvenil pelo Meio Ambiente, os Coletivos Jovens possível de pessoas, dando um foco foram convidados a participar da organização delas, maior na juventude, público do qual atuando como facilitadores das discussões dos faziam parte e, conseqüentemente, jovens que vieram representar seus estados. Esses ao qual teriam mais fácil acesso. jovens tomaram como exemplo de organização a social juvenil, percebendo que ali também poderiam O Conselho Jovem de Meio Ambiente contribuir para um “mundo diferente” onde as de Goiás, ou simplesmente CJ-Goiás, havia se desarticulado com o fim mas respeitem umas às outras, o espaço em que do processo de organização da I vivem, a vida em todas as suas formas. Conferência. Caíram no vazio de não ter mais motivos para se reunir, era a Conferência que os mantinha ajudar os jovens a se encontrarem com eles mesmos, trabalhando unidos. Com isso, o CJ dando oportunidade de voz aos delegados junto ao ficou meio “enferrujado”; assim Presidente da República, empoderando-os com como uma máquina parada, que ferramentas com as quais eles poderão disseminar ficou sem uso, acaba enferrujando. as idéias e questões sobre o meio ambiente a outros Mas felizmente alguns membros do jovens nas suas localidades. CJ-Goiás resolveram rearticular o grupo, fazer com que ele voltasse Eu, Jorge Augusto, delegado do estado de Goiás, a funcionar, pois não dava pra se membro do Coletivo Jovem de Meio Ambiente de perder pessoas jovens, interessadas em fazer a diferença, por falta de começando. Sei que ainda haverá outras centenas oportunidade de trabalho. uma oportunidade para realmente saber o que vão Porém, a maioria dos antigos membros fazer na sua vida, como vão poder despertar em do CJ-Goiás não quiseram trazê-lo outros jovens garotos o sentimento de que temos de volta à ativa, não deram muita que fazer algo pelo lugar onde moramos, nosso importância ao grupo. Então, aqueles planeta, pela nossa vida nesse planeta. que desejavam resolveram dar uma cara nova para o movimento, chamando Hoje meu desejo é agradecer às pessoas que novos jovens para se integrar ao grupo. organizaram as duas CNIJMA, que se preocuparam em criar espaços como esses, que certamente A partir de meados de 2006, o Conselho contribuem para a sensibilização e a formação Jovem de Meio Ambiente de Goiás de jovens pelo Brasil. E meu desejo é que essas começou a reunir mais jovens para pessoas sigam na realização de tais esforços, lutar em prol da causa ambiental, fazendo com que a Educação Ambiental chegue e não mais apenas deliberar quem àqueles que ainda não a conhecem e estimulando seriam os representantes do estado a vontade de fazer a diferença e mudar o mundo. para participar das CNIJMAs. Por isso, deixou de ser Conselho Jovem e passou a se chamar Coletivo Jovem, ainda sendo conhecido por CJ-Goiás, juntamente com os outros Coletivos Jovens do País, também CJs. 14
  • 15. JOVENS, SUSTENTABILIDADE E AQUECIMENTO GLOBAL JOVENS, SUSTENTABILIDADE E AQUECIMENTO GLOBAL Patrízia Torres A palavra sustentabilidade conso- O crescimento econômico vem gerando muitas da Silva lidou-se como ordem contra a de- repercussões sociais que foram “abafadas” Membro do Comitê gradação ambiental. Presente em pela comodidade que ele proporciona. O que discursos oficiais, em documentos a sustentabilidade, proposta há muitos anos, do Baixo Tietê das conferências internacionais, no valoriza é o benefício a todos, conduzindo a São Paulo ativismo ambientalista e na comu- uma sociedade harmoniosa e eqüitativa, logo nidade científica, ela tornou-se pú- mais sustentável. Consumo e necessidades blica, porém parece que a tomada se confundem, não sabemos mais se o que de consciência da situação de de- consumimos é essencial, ou se é essencial gradação ambiental, cada ano mais consumirmos. Não parece haver disposição da crítica, estagnou-se. A sustentabi- humanidade para uma vida mais moderada, a lidade está perdendo seu sentido, expansão de um modelo de consumo mundial sua razão, o motivo pelo qual exis- reforça a pressão sobre os recursos naturais, te hoje. Está vagando em meio à lista das inúmeras palavras criadas temos grande parcela de culpa nisso. Estamos para definir apenas uma coisa: DE- muito longe de nos preocuparmos apenas com o SENVOLVIMENTO SIM, A QUALQUER “comer”, o “vestir” ou o “ter onde morar”; no CUSTO NÃO! âmago de cada um dos jovens, está a vontade de consumir, estar na moda, usar a tecnologia, A garantia de sustentabilidade do os prazeres que dela podemos aproveitar. Por patrimônio natural, aliada a um desenvolvimento econômico social pensaremos na problemática ambiental e na colaboração que tivemos na degradação do deles, o maior eu diria, implica a negociação de regras universais de como não devemos fazer e como não deverão e uso sustentável dos recursos naturais que quase sempre são ignoradas pela de exigir a adoção de uma posição de realidade nada positiva. Todo esse consumismo força, remete a um exame crítico da excessivo rendeu muitos impactos ao planeta, noção de necessidade e dos padrões de entre eles o aquecimento global. A catástrofe consumo atuais, o que envolve também que esperávamos para dentro de trinta ou mudança de atitudes individuais. quarenta anos já começou, e atribuímos isso à ação humana. Cada vez mais seus efeitos mundo. Para evidenciar essa verdade, não há nada mais explícito que a redução das geleiras e todos os “glaciares” da Terra estão derretendo, os furacões estão mais fortes, o Brasil está na rota dos ciclones, o nível do mar está subindo, os desertos avançam, a biodiversidade do mundo 15
  • 16. não está resistindo; infelizmente já podemos contar os mortos por causa nosso, vamos realizar a parte que nos cabe; das secas, inundações e outros fatores somos muitos e juntos somos fortes. Sejamos relacionados ao aquecimento global. todos conscientes, responsáveis e rápidos, antes Os efeitos são irreversíveis, o planeta que o preço pelos nossos equívocos e indiferença é gigante, o equilíbrio é frágil, a saída seja alto demais. Está nas nossas mãos. é evitar que a situação piore. Devemos nos preocupar agora em como nos adaptar à vida em um planeta bem mais quente, e parar gradativamente de lançar na atmosfera os gases nocivos que contribuem para o aquecimento global. Não podemos mudar o mundo, mas ao menos podemos tentar mudar o local em que vivemos; mobilizar é a palavra chave. Mais uma vez, o jovem tem a oportunidade: temos uma força incomparável. Ao longo da que modestas em acontecimentos do país: Diretas Já, Impeachment de Fernando Affonso Collor de Mello em 1992, embora naquela época os jovens fossem motivados por interesses de diversos setores da sociedade brasileira (partidos políticos, lideranças sindicais, civis e jornalísticas). Agora o que nos sobrevivência da nossa geração e das futuras. Temos a força para mudar e o que direcionará o sentido da mudança, na minha opinião, é a esperança em de um mundo melhor. Esperança de um mundo melhor ou, sendo mais radical, esperança de simplesmente podermos existir daqui a alguns poucos anos. Convoco todos os jovens do país para revolucionarmos, mudando hábitos, disseminando informações e atitudes simples: reciclando nosso socioambientais na comunidade, por meio das associações de bairro, na em que estudamos, dos nossos pais, 16
  • 17. JUVENTUDE E MEIO AMBIENTE – CONEXÕES POSSÍVEIS JUVENTUDE E MEIO AMBIENTE - CONEXÕES POSSÍVEIS Diogo Damasceno Pires permeiam o imaginário da juventude, convergentes e alimentados pelo sentimento de Coletivo Jovem - GO ou melhor, das juventudes, já que estas transformação das juventudes, guiadas pelos Goiás princípios do pertencimento, da horizontalidade carregando consigo sonhos, anseios, e do empoderamento. Segundo Viezzer e Ovalles aspirações, angústias e esperanças. (1995: 102), “a rede é comparável a um tecido Ser jovem é ter vontade de fazer assemelham para todos os lados, sem que nenhum mais, é energia. É estado de espírito deles seja central”. e respeito à diversidade, pois a juven- tude, na sua pluralidade, tem diver- sas tribos. Ser jovem é antes de tudo a tentativa de compreender o mundo a nossa volta. É nessa tentativa que surgem jovens mais preocupados com a vida do planeta e com disposição para transformá-lo. Estas juventudes vivem atualmente num contexto muito interessante no Brasil, principalmente no que diz respeito ao seu envolvimento com as questões socioambientais. É fácil notar a temática ambiental como assunto emergente, pois esta questão vem sendo paulatinamente inserida em todos os meios de comunicação, nos processos educativos e sociais e no seio familiar, em virtude das problemáticas É neste sentido que a construção do ambientais vigentes. movimento de juventude pelo meio ambiente vem ocupando espaço, pela Hoje em dia, esse debate ganha espaço nas discussões de diversos organismos de Juventude pelo Meio Ambiente da sociedade, com destaque especial e Sustentabilidade (REJUMA), que tem como mola para o envolvimento das juventudes propulsora o diálogo aberto e o envolvimento de organizadas. Na rua, na praça, na diversos movimentos e organizações de juventude universidade ou em qualquer outro espalhadas pelo País, com especial destaque à atuação local de encontro desses atores sociais, dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente nos estados. é natural perceber o debate em torno A REJUMA nasceu em setembro de 2003, durante emergindo daí o sentimento de poder o I Encontro da Juventude pelo Meio Ambiente, transformar a realidade, partindo em Luziânia - GO, no âmbito do processo de mo- para outro estágio do envolvimento bilização da I Conferência Nacional Infanto-Juve- d@s jovens com esta temática e nil pelo Meio Ambiente, ação do Programa Vamos estabelecendo uma nova forma de Cuidar do Brasil. agir e de e organização social. Atualmente, a Rede conta com mais de 400 mem- O modelo de organização social bros de todas as unidades federativas do Brasil. em rede foi a opção abraçada pela Tem como objetivo fundamental fomentar as ações juventude ambientalista no Brasil, locais e nacionais dos jovens empenhados na cons- que, em virtude disso, passa a ter trução de sociedades sustentáveis, buscando en- a oportunidade do diálogo, além volver, sensibilizar, fortalecer e instrumentalizar 17
  • 18. jovens, grupos, movimentos e organi- formam nossas opções e escolhas para melhor li- zações juvenis para a atuação parti- dar com a vida. cipativa na construção de um Brasil mais sustentável. Do ponto de vista político e socioeconômico- cultural, os sentimentos que congregam essa O que nos reúne – o movimento de nova juventude ambientalista trazem animação juventude pelo meio ambiente – em rede e irreverência, diversidade, pluralidade e jeitos são as temáticas “Juventude” e “Meio diferentes de ser de cada um; no entanto, é Ambiente”, buscando promover a troca movida, sobretudo, pelo desejo compartilhado de de idéias, realidades e experiências tornar o mundo melhor de se viver, ambientalmente acerca das questões socioambientais, saudável, com sustentabilidade. além de fortalecer a Rede como espaço de discussão e articulação em nível local, regional e nacional. consolidar o movimento de juventude pelo meio ambiente, fortalecendo o espírito revolucionário Devido a sua capilaridade, abrangência e transformador que ainda se encontra presente no imaginário juvenil, reforçando os princípios: origem, a REJUMA possui grande potencial “Jovem Educa Jovem” e “Jovem Mobiliza Jovem”; na parceria com programas de governo também é necessário fortalecer o princípio de que de abrangência nacional, como é o “Uma Geração Aprende com a Outra” – somos todos caso do Programa Vamos Cuidar do aprendizes e em construção permanente, segundo Brasil, “berço” da rede. Formando, nos aponta o Tratado de Educação Ambiental para assim, milhares de jovens, professores Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global. e escolas Brasil adentro para a criação das Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (COM-VIDA), Agendas 21 nas Escolas e a realização dos processos da Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, que neste ano de 2008, parte para a sua terceira edição. As intervenções da Rede de Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade no cenário nacional se dão principal- mente por maio seguintes estratégias: 1. Fomento e apoio à criação de re- des locais num processo de capi- larização e empoderamento das juventudes para a ação socioam- biental. 2. Troca de experiências e parcerias. 3. Encontros Nacionais da Rede. 4. Representação em espaços de proposição, construção e gestão de políticas públicas. A partir da atuação em rede, essas intervenções ampliam o sentimento de estarmos no caminho certo, possi- bilitando o re-conhecimento das ju- ventudes como protagonistas de sua - madoras em prol de um mundo me- lhor. Aumentando, portanto, a nos- sa responsabilidade, pois, como diz Sato (2006), por vezes a irreverência jovem e a responsabilidade adulta se apresentam separadas, mas juntas 18
  • 19. JUVENTUDE E ÉTICA PARA A SUSTENTABILIDADE? JUVENTUDE E ÉTICA PARA A SUSTENTABILIDADE? Janes Solon Malheiros Coletivo Jovem - RS A origem da palavra ética vem do grego Rio Grande do Sul “ethos”, que quer dizer ‘o modo de ser’, ‘o caráter’. Os romanos traduziram o “ethos” grego para o latim como “mos” (ou no plural “mores”), que quer dizer ‘costume’, da qual provém a palavra “moral”. Tanto “ethos” (caráter) como “mos” (costume) indicam um tipo de comportamento propriamente humano que não é natural. O homem não nasce com ele como se fosse um instinto; esse comportamento é “adquirido ou 2000). Portanto, ética e moral, pela 1986). O bem está ligado ao ponto de vista de cada uma realidade humana que é construída ser, a aonde esse ser quer chegar, qual o objetivo visado, para quê? E por quê? relações coletivas dos seres humanos nas sociedades onde nascem e vivem. buscar os “porquês” de nossas escolhas, dos No nosso dia-a-dia, não fazemos comportamentos, dos valores. Agimos por força distinção entre ética e moral, usamos do hábito, dos costumes e da tradição, tendendo a as duas palavras como sinônimas. Mas naturalizar a realidade social, política, econômica, os estudiosos da questão fazem uma cultural e ambiental. Com isso, perdemos nossa distinção entre as duas palavras. Assim, capacidade crítica diante da realidade. Em outras palavras, não costumamos fazer ética, pois não normas, princípios, preceitos, costumes, fazemos a crítica, nem buscamos compreender e valores que norteiam o comportamento explicitar a nossa realidade moral. do indivíduo no seu grupo social. A moral é normativa. Enquanto a ética é Por isso, o desenvolvimento sustentável vem sen- do divulgado por todo o planeta como uma forma ou a ciência do comportamento moral, mais racional de prover uma qualidade de vida que busca explicar, compreender, equânime e socialmente justa. O conceito de desenvolvimento sustentável, com- porta cinco aspectos fundamentais, quais sejam: aquilo que é bom e bem. sustentabilidade social; sustentabilidade econô- - Bem é aquilo a que todas as coisas um desses subsistemas é interligado aos demais, formando, conformando e transformando o atual que os homens fazem tudo o mais. Se princípio do crescimento econômico e industrial ilimitado em um princípio de sustentabilidade. Sustentabilidade é o modo de sustentação, ou seja, atingível pela atividade, e se há mais da qualidade de manutenção de algo. Esse algo “so- de um, eles são os bens atingíveis pelas atividades. “Bem é aquilo que ociais. aperfeiçoa uma natureza. Natureza é Obviamente que, também, incluemi-se no princípio da sustentabilidade o meio ambiente e as demais 19
  • 20. - bora o ser humano possua autonomia Conforme o Capítulo 25 da Agenda 21, “A juventude de existência, não possui indepen- representa cerca de 30% da população mundial. dência da natureza. Por mais que nos A participação da juventude atual na tomada de mostremos seres socioculturais, ainda decisões sobre meio ambiente e desenvolvimento e na implementação de programas é decisiva para o sucesso a longo prazo da Agenda 21”. - manidade, com ênfase na Revolução A Agenda 21, que é um plano de ação para ser Industrial, presencia-se um surto adotado global, nacional e localmente, por crescente de interferência no am- organizações do sistema das Nações Unidas, biente natural e cultural existen- governos e sociedade civil, em todas as áreas onde te, sem preocupação alguma, um o ser humano está inserido, é a maior tentativa espírito de ganância desenfreada já realizada de orientar um novo padrão de por conquistar espaços, na busca desenvolvimento para o século XXI, cujo objetivo do exercício da hegemonia e do do- principal é a sustentabilidade ambiental, social mínio sobre esses mesmos espaços, e econômica. Nesse contexto, os jovens deverão natureza e cultura. manter um diálogo com ela, por meio de ações e discussões na sociedade, pois daí sairá o começo de A grande questão com que nos uma futura e nova ética, para uma posterior e real defrontamos atualmente é como Sustentabilidade, pois além da sua contribuição articular a ética, “a mudança de intelectual e capacidade de mobilização, as costumes” com a sustentabilidade, juventudes trazem novas perspectivas para “existência da vida”. construção de um futuro melhor. A Conferência de Estocolmo, em 1972, A mudança dependerá da atitude dos jovens, a atitude dependerá das informações recebidas para um novo entendimento das re- pelos jovens e a crítica a essas informações será lações necessárias entre a humanida- fundamental, para termos a mudança da ética de, o ambiente e o desenvolvimento. com relação ao Meio Ambiente. A palavra “codesenvolvimento” surge Está na ética a explicação do caos no planeta, e proposta de desenvolvimento ecolo- talvez esteja na ética e na juventude, ou melhor, gicamente orientado. na ética da juventude, uma possível solução! Essa concepção integrou seis aspec- tos para guiar o caminho do desenvol- vimento: 1º a satisfação das necessi- dades básicas; 2º a solidariedade com as gerações futuras; 3º a participação da população envolvida; 4º a preser- vação dos recursos naturais em geral; 5º a elaboração de um sistema social, garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas; e 6º um programa de educação, ou melhor, reeducação sobre os cuidados com o meio ambiente. Essa foi uma tomada inicial de consci- ência sobre a necessidade urgente de mudança de comportamento frente à qualidade das relações do ser humano com a natureza. 20
  • 21. ARTE E SUSTENTABILIDADE ARTE E SUSTENTABILIDADE Natália Tolentino Aluna da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes Nos últimos anos, o tema meio am- um instrumento poderoso, que pode ser utilizado Distrito Federal biente passou a ser foco central. para levar conhecimento e trazer soluções para Esse tema tem interfaces com todas diversos problemas sociais e ambientais. O teatro, as áreas do conhecimento e não tem a ver apenas com as disciplinas como facilita o diálogo, sendo que uma das suas funções biologia, economia ou ecologia, mas tem a ver principalmente com a rela- meio de suas mensagens, com os outros e com a natureza. ele pode le- var a com- Hoje muito se ouve falar em “Desen- preensão volvimento Sustentável” e estamos crítica do seu um momento de grande preocupação papel na so- com o planeta e sua sustentabilidade ciedade. e não nos conta que a sustentabili- dade está mais voltada para garantir A arte cênica a continuidade da nossa espécie e da pode ser um vida na Terra é hoje. d i v i s o r de águas quan- A sustentabilidade abrange vários do nos orien- níveis de organização, desde a ta no sentido da responsabilidade que temos em re- vizinhança local até o planeta inteiro, lação ao desenvolvimento sustetável, podendo ser e por esse motivo é inadiável e urgente debatida de diversas formas, atingindo crianças, que novos valores e comportamentos que são seres em desenvolvimento, e adultos, que sejam incorporados para construirmos podem mudar seus velhos hábitos. Muitas vezes, es- sociedades que sejam sustentáveis. quecemos que preservar o meio ambiente é também A preocupação perpassa desde as preservar a nossa espécie e muitas outras formas grandes empresas multinacionais de vidas que estão entrando em extinção graças às até a pequena padaria da esquina, nossas atitudes errôneas e irresponsáveis. incluindo pessoas comuns, jovens como eu e você. Pessoas de todas Nas artes plásticas, nomes de brasileiros conhecidos as nacionalidades têm feito apelos como Emmanuel Nassar e sua poesia da gambiarra, mundo afora, inconformadas com a Frans Krajcberg (um artista cuja residência é uma inércia dos governos de muitos países árvore, sonho de muitos meninos!), com suas em relação ao assunto. esculturas de árvores mortas, Eduardo Srur, com suas intervenções urbanas, como os caiaques Devemos incluir nessa lista os artis- colocados em 2006 no Rio Pinheiros em São Paulo, são apenas alguns nomes entre o de muitos chamar atenção para esse problema artistas que se preocupam com a conservação e emblemático. O artista, ao produzir a preservação do planeta e do ser humano; todos suas obras, está sempre impelido por demonstram esse sentimento por maio da arte. alguma força que faz dele, perma- Suas obras são um alerta para a nossa realidade. nentemente, um espírito irrequieto, No entanto, não apenas artistas famosos fazem inconformado e insatisfeito. Ele está da preocupação com a sustentabilidade sua constantemente atento e conectado prioridade. Um centro de produções culturais na a contingências do meio e a suas in- cidade-satélite de Taguatinga, Distrito Federal, a - 21 km de Brasília, mantém uma escola de artes biliza o homem, mesmo que ele não que se apropria do reaproveitamento de materiais a compreenda imediatamente, ela é recicláveis para produzir Arte. Chamado Centro 21
  • 22. Cultural Invenção Brasileira, o local De acordo com a Doutora em Arte-Educação ensina música, dança, literatura e a Ana Mae Barbosa (2003), por meio da Arte é fabricação de objetos de arte com possível desenvolver a percepção e a imaginação, diferentes tipos de materiais. Dentro desenvolver a capacidade crítica, permitindo ao indivíduo analisar a realidade e ampliar a Eco Arte, que é uma escola de ofício criatividade de maneira a transformar seu meio onde há mais de oito anos se pesquisa ambiente. A Arte visa principalmente sensibilizar e se faz arte a partir da reutilização o homem, fazer com que ele pense, questione, realize descobertas. A especialidade é a técnica de transformar papelão e sacos de jovens, para defendermos o meio ambiente tanto peças artísticas e utilitárias. A principal quanto o direito à vida. A Agenda 21 está fazendo idéia é sensibilizar e conscientizar os alunos e a comunidade da importância do reaproveitamento do lixo; além Conscientize-se e passe adiante esta mensagem! disso, os alunos trabalham produzindo Assim como o exemplo do Tempo Eco Arte, os empreendimentos humanos sustentáveis devem ser: ecologica- mente corretos, economicamente viáveis, socialmente justos e cultu- ralmente aceitos. Além de transformar nossa postura no dia-a-dia: economizando água, energia, separando o lixo, não jogando lixo nas ruas, andando mais de transporte público para desobstruir o trânsito, diminuir a poluição. Podemos também discutir sobre o consumo, os tipos de indústrias, os combustíveis que podem ser mais ofensivos à atmosfera, nosso modelo de desenvolvimento; participar de projetos limpos, e assim contribuir para construção de um mundo melhor e para real melhoria da qualidade de vida. que a tecnologia nos trás, é mais do que isso: qualidade de vida é saúde, é justiça social, é justiça econômica, é meio ambiente saudável, é vida. Por meio dos exemplos citados aqui, foi possível perceber a importância da arte em parceria com a sustenta- bilidade do planeta. 22
  • 23. SURDA INOCÊNCIA À BEIRA DO ABISMO SURDA INOCÊNCIA À BEIRA DO ABISMO Fabrício Alves da Cruz Coletivo Jovem - RO Rondônia Galera, a coisa tá feia! Os mais céticos As pessoas da minha idade, daqui a meio século, dirão — Lá vem mais um alarmista terão aproximadamente 70 anos. A expectativa verde dizendo que o mundo vai de vida do brasileiro, segundo o IBGE, é de 71 acabar! Quem dera fosse “apenas” um anos. Para essas pessoas, todos os conhecidos delírio obsessivo. Mas, enquanto nos com idade superior provavelmente haverão deliciamos com nossa sociedade do consumo, estamos caminhando para integrantes da parcela socioeconômica ativa o tão famoso, e antes ridicularizado, do mundo, faltarão às mudanças climáticas do cataclismo global. nem seguer sofreram com isso. Desconheço se isso é sorte ou azar, porém é, com certeza, um as mudanças climáticas farão o nível dos motivos que os levam a ignorar o futuro da as águas de todos os continentes subir aproximadamente 7 metros, devido tão banalizado que pode ser mais um atributo ao derretimento das geleiras na dessa indiferença. A imprensa, e/ou a falta de olhar crítico a ela, equador, sofreremos com o aumento leva as pessoas a assistirem na TV aos desastres de doenças como malária, dengue e culparem os governantes. Isso quando não e febre amarela. Isso devido ao aumento dos locais onde os mosquitos do mundo. Servem-se da ilusão de segurança que transmissores podem se reproduzir. a tela de vidro oferece. Imagino a surpresa dos Tomem como exemplo a recente que presenciaram furações no sul do país e a seca endemia no Rio de Janeiro. Daqui a na Amazônia. Quem diria?!... Me pergunto como 50 anos, a temperatura do planeta os céticos explicam isso. tenderá a aproximadamente 50 ºCelsius no verão. Durante essa época, Adeptos de soluções políticas pouco elaboradas teremos de compartilhar os recursos ainda crêem que o modelo partidarista irá sanar mundiais, cada vez mais escassos, com os problemas administrativos e governamentais cerca de 8 bilhões de pessoas. - 23
  • 24. tiva a incoerência social. Não é à lhões de pessoas a consumir recursos naturais, toa que se vejam tanta corrupção, gerar lixo e emitir gazes na atmosfera. Você tem demagogia e hipocrisia nos cenários dimensão do que é isso? Tudo bem. Poucos têm, políticos. Muitas boas idéias foram tantos somos. desacreditadas por conta desse modelo. E esse é o caso do termo Dessa forma, os que devem também ser sensibili- “desenvolvimento sustentável”, e zados e educados, social e ambientalmente, são os exemplos são inúmeros. Cons- nossos líderes e representantes. São as pessoas troem-se hidrelétricas, queimam-se em sua comunidade ou no mundo. Talvez assim e abrem-se pastos para criação de ocorra a “mega” mobilização esperada para a gado às custas desse termo. reviravolta social, tal como aconteceu no Brasil na época das Diretas. Nesse período, rivais polí- Ao mesmo tempo, famílias campo- ticos, de diferentes partidos, se uniram contra a nesas humildes, e outros povos da ditadura para estabelecer eleições diretas para - presidente. Se isso pôde acontecer frente a um burrecida” lei, acusados de crimes inimigo da liberdade humana, nada impede que ambientais. São pegos por secreta- - rias corruptas a degradarem seus da, pois, como já disse Gandhi, a única revolu- lotes, na perspectiva de plantar seu ção possível é a interior. sustento, e sobreviver à indiferença do Eetado, em terras esquecidas no “meio do mato”, como costumam dizer os urbanóides. Esses exemplos mostram que, junto à mudança para a sustentabilidade, deve ocorrer uma reforma política completa. Assim, esse termo pode- às questões ambientais, mas na sua forma mais ampla, abordando se- tores sociais e econômicos. A sus- tentabilidade deve ser transversal, inter e multidisciplinar. Deve en- volver a participação popular em políticas públicas e tornar eficien- te o aparato administrativo gover- namental. A sustentabilidade deve, acima de tudo, conter a ganância do homem e levá-lo a focar seus es- forços para o seu desenvolvimento interior, como civilização! Nossa sociedade carnívora tribal — Edward Osborne Wilson —, ainda per- siste a crença no “desenvolvimento” a qualquer custo. James Lovelock, autor de “A Vingança de Gaia”, de- fende que há duzentos anos, quando as mudanças eram mínimas, talvez houvesse tempo de estabelecer um desenvolvimento sustentável. Hoje chegamos no límite. Somos 6,5 bi- 24
  • 25. DA RECICLAGEM À MADEIRA PLÁSTICA: A IMPORTÂNCIA DA RECICLAGEM DA PESQUISA E DE AÇÕES EM PROL DO MEIO AMBIENTE À MADEIRA PARA INTEGRAÇÃO DE JOVENS NO MUNDO PLÁSTICA: A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA E DE AÇÕES EM Em vários países, a preocupação com O Brasil não recicla nem 30% do plástico PROL DO MEIO a preservação do Planeta mostra a consumido, por ainda faltar informações, AMBIENTE PARA importância do rumo ao desenvolvi- conscientização à maioria dos brasileiros a INTEGRAÇÃO mento sustentável em resposta aos respeito da importância da reciclagem, processo DE JOVENS NO desmatamentos, emissões de CO2, ao que tem como benefício a redução do consumo MUNDO desperdício e ao uso irresponsável de energia e dos recursos naturais. Além disso, dos recursos naturais. com a reciclagem do plástico, produz-se a Hyrla Marianna Silva madeira plástica – material composto que tem Membro do Núcleo A reciclagem é fundamental para propriedades mecânicas semelhantes às da de Design Voltado consolidação do desenvolvimento madeira natural. para Questões sustentável. É o processo no qual Socioambientais a matéria já transformada torna-se Aqui, a madeira plástica é estudada desde a dé- Distrito Federal novamente matéria-prima em uma cada de 80. Uma informação importante desses cadeia de produção. Diversos ma- estudos é que esse material pode ser produzi- teriais podem ser reciclados, entre eles o plástico. O plástico é um dos embalagens descartadas) e de resíduos plásticos materiais mais utilizados no mun- industriais. A utilização destas matérias-prima do, e devido à sua resistência e à estimula a coleta seletiva e evita o seu desti- praticidade está presente em vários no incorreto. Portanto, é necessário que hajam produtos. Mas o uso não consciente ações no sentido de ampliar essa utilização, de- desse material tem conseqüências corrente do estímulo à reciclagem pelo gover- graves para o meio ambiente. Em no, por cooperativas de catadores, por ONGs e sua grande maioria, a embalagem e por outras entidades, pois desse modo o mate- o produto em plástico não são reci- rial plástico será reaproveitado em quantidade clados e acabam inadequadamente expressiva e não irá poluir o meio ambiente. nos lixões e aterros, rios, florestas e outros ambientes naturais, e a - sua decomposição demora de 100 a mulas de composição da madeira plástica e 450 anos. que no processo de reciclagem do plástico po- dem ser adicionadas cargas vegetais de resíduos de madeira, de casca de arroz, de bagaço de cana-de-açúcar. A principal aplicação da madeira plásti- ca é em substituição à madeira natural, o que contribui para evitar o desmata- para praças, paletes, assoalhos, esqua- drias, lixeiras, mesas. A madeira plástica apresenta uma série de vantagens quan- do comparada à madeira natural, como maior durabilidade, impermeabilidade e resistência a cupins e fungos. Com o estudo que elaborei sobre recicla- gem de plásticos e uso da madeira plás- tica com foco na importância para edu- cação ambiental, na mudança cultural 25
  • 26. que se pode promover e na opor- ambiente em seus países. Foi uma experiência tunidade da expansão do mercado única e enriquecedora por unir dezenas de jovens desse material, fui selecionada de diferentes culturas que se entenderam numa pelo programa Bayer Young Envi- mesma língua, a do meio ambiente. ronmental Envoy (Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais), que tem parceria com o PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. No Brasil, apre- sentei o estudo na cerimônia de premiação, da qual participaram os três outros universitários bra- sileiros que tiveram seus projetos também selecionados pelo Progra- ma. Na Alemanha, em novembro de 2007, onde permaneci por uma semana, participei do Encontro In- ternacional de Jovens Embaixado- res Ambientais, com outros estu- dantes de 17 países. Naquele país, foram realizadas vi- - gãos ambientais, a universidades e assistidas palestras para vivenciar como a proteção ambiental é pra- ticada pelo governo, comunidade e indústria. Assim pudemos conhecer as perspectivas e ações para o de- senvolvimento sustentável pratica- das pela Alemanha, o que se tornou referência para os estudantes que participaram do Programa. Nas apresentações do Encontro, tive a oportunidade de conhecer os trabalhos desenvolvidos pelos jovens em seus respectivos países em prol do meio ambiente. São e na política e que têm, acima de tudo, o objetivo e a vontade de transformação da qualidade de vida das pessoas, da melhoria da sociedade, dos serviços, do meio da Terra. Esse programa de intercâmbio e aprendizado do qual participei ampliou a minha esperança de um futuro melhor, pois convivi com jovens empenhados em preservar o meio 26
  • 27. AS SOCIEDADES HUMANAS E SEU PAPEL NA AS SOCIEDADES SUSTENTABILIDADE HUMANAS E SEU PAPEL NA SUSTENTABILIDADE Eduardo Amorim Representante da Juventude no Fórum da Otoni Minas Gerais Todos os seres vivos transformam de O progresso técnico tem sido utilizado para algum modo o ambiente, buscando produzir mais e mais, ainda que às custas da organizar seu espaço vital de acordo degradação do ambiente. Numa sociedade que O ser humano, porém, transforma o se utilizam da natureza apenas pela necessidade espaço natural de forma diferente. de uma melhor qualidade de vida ou até para a subsistência estranhamente são destruídos ou apenas do instinto, de interações do mercado é do lucro, que hoje tem dimensões intencionalidades. planetárias, é a base da nossa organização socioeconômica e da nossa forma de apropriação e transformação da natureza. espaço natural por meio do trabalho, segundo o projeto de sociedade não é fato novo, nem se restringe à era da que desejam construir para si. Em industrialização. A novidade, hoje, é que os muitas culturas, como a dos índios ianomâmis, a utilização de técnicas sociais de predação se aperfeiçoaram. A partir e instrumentos obedece a um princípio de manutenção da simbiose da globalização da economia e da comunicação dos seres humanos com o meio exigem que as questões da sustentabilidade e da natural. Em sociedades como essa, a ecologia sejam pensadas em escala planetária. transformação do ambiente por meio Felizmente, a mesma ciência que trouxe de acumulação, mas ao princípio de utilização racional e equilibrada dos degradação ambiental trouxe para o homem do recursos disponíveis. Os indivíduos século XX a consciência de que a Terra é uma trabalham para garantir a vida, e não para acumular excedentes, o que difere das sociedades modernas. de calor solar absorvida pelas águas desse oceano 27
  • 28. e pode trazer alterações climáticas É necessário que juntemos ao objetivo comum de poluir menos, incentivar a reciclagem, plan- um acidente nuclear afeta a vida tar árvores em vez de cortá-las, o objetivo de, em pontos distantes do local em ao despertar o desejo do consumo, perguntar a que ocorreu. Assim como a poluição si mesmo: “Eu preciso disso?”. Que a cada ma- formas de vida que ele abriga, mas de ambiente deixaremos para nossos sucessores. a população humana que se organiza Salvemos a Terra antes que a espécie humana a partir dele. desapareça dela! Jovens consumistas dos sabe- res da tecnologia e de pouco compromisso com o O ambiente natural, as relações sociais e a subjetividade fazem parte da teia protagonistas da sustentabilidade futura do nosso da vida, que é tecida pelas interações planeta, por isso abusem de suas inteligências, sociais entre os seres humanos e vistam a camisa da responsabilidade da promoção pelas relações intrapessoais de cada de um ambiente saudável e bom para viver. ser individual. É necessário trabalhar pela ampliação da consciência de que a realidade natural, psíquica, é um sistema, ou seja, um conjunto complexo de interações em contínua interdependência e reorganização. uma ecologia das idéias danosas assim como existe uma ecologia das ervas daninhas” (Apud Félix Guattari). Quando uma espécie desaparece do planeta, desaparece com ela parte levou bilhões de anos para construir. Somos responsáveis pela preservação da diversidade da vida. Sempre que o ser humano perde o sentido do comprometimento com a vida, sobrevém a morte da cultura e o desaparecimento das civilizações. Com a eclosão do pensamento ser humano e a natureza, entre o cultural e o natural foi jogado por terra. Começamos a perceber que seres humanos, mas também ao destino das demais espécies vivas e que está ocorrendo no planeta Terra: a globalização excedente associada a propagandas apelativas, visando ao au- mento do consumo – quando o homem, ao produzir, não se preocupa com a degradação do meio ambiente gerada pela extração e dispensação dos seus produtos (lixo) – causa poluição que leva ao aquecimento global, ocasionan- do grande desequilíbrio natural. 28