Durante a expedição Soja Brasil, os objetivos do Projeto foram mostrar todos os componentes dacadeia produtiva de soja, di...
Os solos podem ser protegidos com um conjunto de técnicas de preservação que incluem sistemasonde se cultivam espécies que...
com aplicação do glifosato, sugerido um milho RR. Então a questão é: semeou-se um milho BT,mas a tiguera desse milho se co...
mecanizada. O desejável é que as plantas alcancem uma altura acima de 60 centímetros (cm), porocasião da maturação, o que ...
Em situações de clima seco, os sistemas radiculares comprometidos por nematoides nãoconseguem se desenvolver para absorver...
Uma prática comum nos últimos anos é a adubação a lanço, tanto do fósforo como do potássio.Ela tem pontos positivos, mas t...
Em alguns anos, em determinadas localidades e em função do clima, surgem insetos não previstos,que em muitos casos são con...
Todas essas seis pragas foram observadas em lavouras percorridas pela nossa expedição. Ocontrole significa um aumento no c...
No ano safra 2011/2012, os rendimentos da sucessão foram 3720 kg/ha de soja, 6900 kg/ha demilho e 3480 kg/ha de feijão, to...
primeira flor, outros entre o estádio vegetativo V5 e V6. Outro grupo planta soja logo após o vaziosanitário e toma como r...
A rotação de culturas e um perfeito sistema de plantio direto têm assegurado alta rentabilidade,com 348,00 US$/ha/ano para...
para a determinação do momento exato das aplicações de inseticidas, em doses certas,considerando tamanho e numero de inset...
Os fitonematoides são parasitas obrigatórios das plantas. Não se alimentam nem se reproduzemna ausência de plantas vivas. ...
Lembramos que o efeito de inseticidas para controle de percevejos é mais eficiente quando sãoobservados dois percevejos po...
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Relatorio aureo (1)

996 views
900 views

Published on

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
996
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
587
Actions
Shares
0
Downloads
11
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Relatorio aureo (1)

  1. 1. Durante a expedição Soja Brasil, os objetivos do Projeto foram mostrar todos os componentes dacadeia produtiva de soja, discutindo seus aspectos positivos e negativos, além de apresentar odesempenho das lavouras de soja da safra 2012/2013 em várias localidades do Brasil, revelando adiversidade de tecnologias próprias para cada situação e ressaltando a pertinência de cada uma deacordo com características edafoclimáticas regionais.A expedição visitou 97 localidades em regiões produtoras de soja no Brasil e entrevistou 143produtores de soja. Com isso, teve-se uma amostra bem representativa de como se desenvolveua soja durante o ano safra 2012/2013 e quais foram os principais entraves técnicos que poderiamcomprometer o rendimento da cultura.Tecnologias aplicadas de forma equivocada contribuíram para que a soja não tivesse seurendimento máximo e também promovesse aumentos no custo de produção, porém observamoslavouras conduzidas com tecnologias adequadas que representaram altos rendimentos comcustos reduzidos.DO CONJUNTO DE SITUAÇÕES NEGATIVAS RESSALTAMOS AS SEGUINTES:SOLOS DESCOBERTOSO fato técnico que mais chamou atenção durante a expedição foi a enorme quantidade de solosdescobertos, sem nenhum tipo de cobertura. O solo precisa ser protegido contra o calorpromovido pelo sol, a erosão eólica provocada pelos ventos e o estrago feito pelas águas daschuvas.O calor afeta muito as condições microbiológicas dos solos. Um grande número demicrorganismos, fungos, bactérias, actinomicetos e principalmente microrganismossolubilisadores, responsáveis pela oferta de nutrientes para as plantas, são muito afetados peloexcesso de calor na camada superficial, e tudo isso diminui a fertilidade dos solosA erosão eólica arrasta pela ação do vento grande quantidade de areia e argila da camadasuperficial dos solos.A água das chuvas, o problema mais sério, produz uma série de fatos negativos nos solos. Oimpacto das gotas de chuva contra o solo destrói as estruturas dos solos e arrasta grandequantidade de nutrientes quando há escorrimento de água na superfície.
  2. 2. Os solos podem ser protegidos com um conjunto de técnicas de preservação que incluem sistemasonde se cultivam espécies que produzem grandes quantidades de palha. Milheto, braquiária,aveia, trigo, são espécies que produzem palha com relação C/N alta, de decomposição lenta. Ocultivo do milheto, solteiro, durante dois meses, produz palha suficiente para proteção do solodurante todo o ano assim como a braquiária cultivada em consorcio com o milho safrinha.Os efeitos de adubos químicos são inócuos quando os solos não oferecem umidade, ação dosmicrorganismos e temperaturas amenas para a efetivação das reações químicas necessárias nosprocessos de solubilização dos nutrientes.PRESENÇA DESCONTROLADA DA PLANTA DANINHA BUVAO controle de plantas daninhas é uma das preocupações tanto dos agricultores como de técnicos epesquisadores. A buva está presente em quase todas as localidades até agora visitadas, e o capimamargoso mais encontrado no Mato Grosso do Sul e Paraná. Além de grande infestação das duasespécies, em ambas são encontradas resistências ao glifosato, o que torna seus controles maiscomplicados e mais caros.O manejo dessas plantas exige um conjunto de ações como, por exemplo, a manutenção dacobertura do solo, com culturas como aveia, ou consórcios de milho safrinha com braquiárias ou ocultivo do milheto para formação de palha. Tanto é que durante nossa expedição, observamosque, em fazendas que mantêm o solo coberto durante todo o ano, a presença dessas plantasdaninhas era atenuada ou inexistente.PLANTAS DE MILHO CONCORRENDO COM A SOJAUm fato vem ocorrendo em várias regiões há pelo menos três anos e aumentando sua incidênciade ano para ano. Agricultores cultivam milho depois da soja, colhida entre 15 de janeiro ate 15 defevereiro, o denominado, milho safrinha. Alguns agricultores optaram pelo milho BT,geneticamente modificado, no qual foram introduzidos genes específicos de Bacillus thuringienssisque levam à produção de proteínas tóxicas a determinadas ordens de insetos considerados pragas(insetos que causam danos econômicos) para a cultura.Durante a colheita do milho, sempre cai no solo grãos que normalmente germinam, mas sãoeliminados quando da dessecação antes da semeadura da soja ou depois da soja germinada comaplicação do glifosato. Mas tem ocorrido que esse milho “tiguera” ou “guaxo” não é aniquilado
  3. 3. com aplicação do glifosato, sugerido um milho RR. Então a questão é: semeou-se um milho BT,mas a tiguera desse milho se comporta como um milho RR, como pode isso acontecer? Ficam duashipóteses: mistura de sementes de milho RR com sementes de milho BT, ou polinização do milhoBT com pólen de milho RR.O fato é que há um grande problema estabelecido. Em áreas de soja, neste ano, há casos de 65%de plantas de soja e 35% de plantas de milho. Essa ocorrência está exigindo dos agricultores gastosnão previstos com herbicidas para controle do milho “tiguera”, ocorrendo casos em que não hámais controle, ou seja, o milho “tiguera” se desenvolveu, cresceu e não tem mais com sercontrolado no meio da lavora de soja.ANTECIPAÇÃO DA SEMEADURA DA SOJA ASSOCIADA A VARIEDADES PRECOCESEm várias regiões do Brasil visitas pela equipe da expedição onde se cultiva soja, lavouras foramsemeadas a partir do dia 21 de setembro. Agricultores que optaram por semear variedadessuperprecoces não tiveram rendimentos acima de 42 sacas por hectare. As estiagens ocorridas noinício de outubro, aproximadamente de 15 dias, e em dezembro, com 10 dias, estão associadas aaltas temperaturas e não permitiram um desenvolvimento pleno da cultura.A semeadura de variedades superprecoces naquela data normalmente não contribui para umdesenvolvimento máximo da soja. Qualquer estresse ligado a fatores climáticos tem efeitosuperior em variedades de ciclo superprecoce quando comparado às de ciclo precoce ousemiprecoce.Na cidade de Campo Novo dos Parecis, no oeste de Mato Grosso, região entre 500 até 600 metrosde altitude, em função de estiagem ocorrida durante no mês de outubro, a soja semeada no finalde setembro e início de outubro apresentou sérios problemas, como ataque de lagarta elasmo efalhas no stand. Em algumas lavouras, houve necessidade de replantio.Durante o ciclo da soja, as condições de umidade do solo, aliadas à capacidade do solo emfornecer nutrientes, são as principais responsáveis pelo crescimento das plantas e produção degrãos. Como os nutrientes são disponibilizados às plantas através da solução do solo, quandoocorre deficiência hídrica, as plantas sofrem carência de água e de nutrientes. Na ausência deoutras limitações, as condições favoráveis de umidade no solo durante o período vegetativofavorecem o crescimento, resultando em plantas com altura compatível com a colheita
  4. 4. mecanizada. O desejável é que as plantas alcancem uma altura acima de 60 centímetros (cm), porocasião da maturação, o que contribui para reduzir as perdas de grãos na operação de colheita.Para garantir, além da germinação e emergência, uma alta taxa de crescimento das plantas desdeos primeiros estádios de desenvolvimento, o solo, por ocasião da semeadura, deve estar com boaumidade em todo o perfil.De forma geral, há uma antecipação da época de semeadura da soja nas regiões de Rondônia eCentro Oeste. Isso para viabilizar o cultivo do milho safrinha apos a colheita da soja. Vale ressaltaraqui que, de modo geral, o período preferencial para a semeadura da soja, nessas regiões, vai demeados de outubro ate 10 de dezembro. Entretanto, é no mês de novembro que se obtém asmaiores produtividades e alturas de planta adequadas. Em áreas bem fertilizadas e com altatecnologia, pode-se conseguir boa produção em semeaduras realizadas até 20 de dezembro. Noentanto, em vista dos danos mais severos da ferrugem nas lavouras semeadas mais tarde, atendência é iniciar a semeadura o mais cedo possível que garanta altos rendimentos, recaindo namaioria dos casos em segunda quinzena de outubro e primeira de novembro.SEMEADURA DA SOJA EM CONDIÇÕES ADVERSAS - SEMEADURA NO PÓAlguns agricultores semearam a soja no pó, em condições de solo muito seco e, com isso, semchance para que a soja tivesse boa germinação.A qualidade da semente no caso de semeadura no pó é fundamental. Deve-se consultar, quandoda aquisição das sementes, o Boletim de Análises de Sementes, o Atestado de Origem, oCertificado de Sementes, ou o Termo de Conformidade das Sementes produzidas, que podem serfornecidos pelo produtor ou comerciante das mesmas. No conjunto desses documentos, deve-seprestar atenção nos itens germinação (%), pureza (%) material inerte (%) e outras sementes (%),Alguns produtores dispõem também de resultados de testes de vigor, como por exemplo, o detetrazólio e de envelhecimento acelerado, muito importantes quando a semeadura é no pó, umavez que a semente vai passar por tempo indefinido em condições de estresse.Outro fator importante quando a semeadura é no pó diz respeito à adubação. O adubo deve cairao lado e debaixo das sementes. Caso caia muito perto, haverá uma competição por água entreadubo e semente, além do fato abrasivo que o adubo pode fazer nas sementes.LAVAOURAS DE SOJA CONTAMINADAS COM VÁRIOS GÊNEROS DE NEMATOIDES
  5. 5. Em situações de clima seco, os sistemas radiculares comprometidos por nematoides nãoconseguem se desenvolver para absorver a água necessária para a soja.Durante a expedição do Projeto Soja Brasil, observamos várias lavouras de soja com áreascomprometidas em função da presença de nematoides em praticamente todas as regiõesvisitadas, perto de oitenta localidades.Os fitonematoides são parasitas obrigatórios das plantas. Não se alimentam nem se reproduzemna ausência de plantas vivas. Podem atingir populações elevadas em áreas cultivadas. A rotaçãode culturas tem grande influência sobre a densidade dos fitonematoides, e a adequada sucessãoou rotação de culturas é um importante fator no seu controle.A quantidade de lavouras de soja com presença de nematoides é grande e bem além da nossaexpectativa se consideramos que há um conjunto de informações, de tecnologias disponíveis, paraatenuar os danos promovidos por esse parasita.As propostas de sucessão e rotação de culturas aliadas às informações sobre as reações dedeterminadas cultivares de soja quanto aos nematoides, se praticadas pelos agricultores,asseguram o desenvolvimento pleno da soja de qualquer dano produzido por esse parasita.Também condições de solo como compactação e pH elevado favorecem a presença e o dano pornematoides.Do conjunto de variedades indicadas para todas as regiões produtoras de soja no Brasil, mais de50 % apresentam resistência ou moderada resistência às principais espécies de nematoides.A sucessão de culturas soja e milho safrinha são ideais para a permanência e o aumento dapopulação do nematoide das lesões Pratylenchus brachyurus, e somente a Crotalaria spectabilispode diminuir significativamente sua população.O nematoide de galhas Heterodera glycines tem sua população atenuada com as espéciesvegetais, aveia preta, milheto, nabo, milho, sorgo, algodão, girassol e braquiária ruziziensis.A presença e o consequente dano na cultura da soja promovidos por nematoides não deveriamacontecer com tanta magnitude se consideramos o conjunto de informações disponíveis paracontrole desse parasita.ADUBAÇÃO A LANÇO
  6. 6. Uma prática comum nos últimos anos é a adubação a lanço, tanto do fósforo como do potássio.Ela tem pontos positivos, mas tem também aspectos negativos. Agricultores alegam que esse tipode adubação facilita a tarefa de semeadura, com agilidade e consequente tempo reduzido.A adubação a lanço do potássio para o cultivo da soja é, em determinadas situações,recomendada. Em solo arenoso com baixa CTC para se evitar lixiviação, é indicado paraquantidade de K20 maior que 50 kg/ha fazer a adubação de 1/3 da quantidade total indicada nasemeadura ou em pré-semeadura, e 2/3 em cobertura, 30 a 40 dias após a semeadura,respectivamente, para cultivares de ciclo mais precoce e mais tardio. Considera-se que o potássioé um nutriente (elemento) de grande mobilidade no solo.O fósforo é um nutriente (elemento) de baixa mobilidade no solo. À lanço, o fósforo é adicionadona superfície do solo, ficando muitas vezes inerte (não reagindo) ou concentrado nos primeiroscentímetros do solo. A prática de adubação fosfatada a lanço, em solos com baixa concentraçãodeste nutriente, tornar o fósforo limitante, principalmente pela má distribuição no perfil do solo.A alternativa é semear adubo no período antes da semeadura. Usar a semeadeira só com adubo,pois desta forma o adubo é enterrado na superfície do solo. Essa prática tem vantagens sobre aadubação a lanço, pois o fósforo reage melhor com o solo (solubiliza).PRESENÇA E DESCONTROLE DE PRAGAS SECUNDÁRIASDurante o desenvolvimento da cultura da soja, esta fica exposta a um conjunto deaproximadamente 36 espécies de insetos, com diferentes magnitudes de danos. Danos que seiniciam nas sementes colocadas no solo até a colheita.Os danos de insetos/pragas podem ser percebidos já no início, logo após a germinação; porém, oseu controle está sujeito a uma análise bem criteriosa, fundamentada em resultados deobservação e pesquisa.Normalmente quando é formada a planilha de custo de produção de uma lavoura de soja, no item“pragas” (insetos), são considerados os gastos para controle da Lagarta da Soja, Lagarta FalsaMedideira, dos percevejos Verde, Pequeno, Marrom e o Barriga Verde. A somatória de custos noitem pragas varia de 11 a 15% do custo total.
  7. 7. Em alguns anos, em determinadas localidades e em função do clima, surgem insetos não previstos,que em muitos casos são considerados como pragas secundárias. Mas, dependendo daquantidade, exigem controles.Durante a expedição do Projeto Soja Brasil, foi verificada a incidência de mais seis pragasimprevistas ou de menor ataque para a cultura da soja, mas que, se não controladas, produziriammenor rendimento da soja.1) Corós: os sintomas de ataque vão desde o amarelecimento das folhas e a redução docrescimento até morte das plantas. São visualizados em reboleiras.2) Mosca branca: na cultura da soja, a mosca branca causa danos diretos pela sucção da seiva,provocando alterações no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. Durante a alimentação, amosca branca excreta substâncias açucaradas que cobrem as folhas, resultando na formação dafumagina, que murcha e causa queda das folhas, antecipando o ciclo da cultura.3) Ácaros: os ácaros causam danos perfurando as células e se alimentando do líquido exsudadonas bordas das nervuras da face inferior dos folíolos das plantas de soja. Inicialmente, o ataqueresulta na coloração esbranquiçada ou prateada dos folíolos, passando para a coloraçãoamarelada e, posteriormente, apresentam a cor marrom. Populações elevadas podem causar aqueda prematura de folhas e perdas acentuadas na produção. Na lavoura, pode ocorrer odefinhamento das plantas e quedas na produtividade de grãos da ordem de 50%.4) Lesmas: as lesmas podem destruir os cotilédones, causar desfolha e até mesmo a morte dasplantas. Na colheita, quando em altas populações, podem provocar o embuchamento dascolhedoras.5) Lagarta da maça do algodoeiro: em geral, as lagartas comem vagens, mas podem, também, sealimentar de folhas e brotos terminais. Os danos nas vagens produzem perdas de até 25 % dorendimento.6) Lagarta da espiga do milho, Helicoverpa zea: Essa lagarta é uma praga do milho, porém nosúltimos anos têm atacado também a soja. Os danos são observados a partir de formação dasvagens. A lagarta fura as paredes da vagem e se alimenta dos grãos em formação. Podemcomprometer até 30% do rendimento final.
  8. 8. Todas essas seis pragas foram observadas em lavouras percorridas pela nossa expedição. Ocontrole significa um aumento no custo de produção entre 1,0 até a 4,0 sacas de soja a mais.DO CONJUNTO DE SITUAÇÕES POSITIVAS RESSALTAMOS AS SEGUINTES:ADUBAÇÃO PARA A SOJA CONSIDERANDO O SISTEMA DE SUCESSÃO E ROTAÇÃO DE CULTURASEm clima seco, adubações equilibradas aplicadas no sulco de semeadura favorecem o melhoraproveitamento de nutrientes necessários à soja, contribuindo para maiores rendimentos.Entende-se por “adubar por sistema”, uma prática que leva em consideração, para definição dasquantidades de adubo, os resultados de analises de solo; as demandas nutricionais de cada culturaque compõem o sistema; a evolução da fertilidade do solo, ou seja, pelos resultados de análises desolo observar se os principais nutrientes estariam em disponibilidade crescente ou decrescente;os rendimentos anteriores das culturas que compõem o sistema; a situação de acidez do solo; acapacidade de troca catiônica (CTC); e os principais nutrientes sempre acima do nível crítico.A adubação por sistema considera também o efeito residual das adubações anteriores sobre asucessão de culturas. Desta forma, é possível uma redução nos custos com adubação semcomprometer os rendimentos.A adubação por sistema permite, em muitos casos, adubar uma só cultura da sucessão por safra.Na fazenda Condor, de propriedade do Engenheiro Agrônomo Valdecir Sovernigo, no município deJataí, em Goiás, é feita a sucessão soja, milho e feijão em um mesmo ano-safra. A soja, na safra2011/2012, foi adubada com 173 quilo (kg)/hectare (ha) de P2O5, 150 kg/ha de K2O e mais 1,5kg/ha de Boro. O milho, na sequência, foi adubado só com nitrogênio (N), 90 kg/ha de N mais osmicronutrientes, Boro e Cobre. O feijão semeado ainda no ano 2012 foi adubado com 37 kg/ha denitrogênio 57 kg/ha de P2O5, e 150 kg /ha de K2O mais Boro via foliar. Nesse processo deadubação, o milho foi adubado só com nitrogênio.No custo de produção do milho, normalmente o item adubo representa cerca de 40% dos custoscom insumos, quando se considera na adubação além do nitrogênio, o fósforo e o potássio. Comoo fósforo e o potássio não foram utilizados no processo, a redução de custos representa cerca de26%.
  9. 9. No ano safra 2011/2012, os rendimentos da sucessão foram 3720 kg/ha de soja, 6900 kg/ha demilho e 3480 kg/ha de feijão, totalizando mais 14 toneladas de grãos.PRÁTICA DO PLANTIO DIRETOEm solos cobertos com palha durante todo o ano reduz-se muito as perdas provocadas pela faltade umidade nos solos. O sistema de plantio direto (SPD) pressupõe a cobertura permanente dosolo que, preferencialmente, deve ser feita com as culturas comercias ou, quando não, porculturas de cobertura do solo.Esta cobertura deverá resultar do cultivo de espécies que dispunham de certos atributos como agrande produção de massa seca, elevada taxa de crescimento, tolerância à seca e ao frio, a nãoinfestação de áreas, fácil manejo, sistema radicular vigoroso e profundo, elevada capacidade dereciclagem de nutrientes, fácil produção de sementes, elevada relação C/N, entre outros.A pequena produção de palha pela soja, aliada à rápida decomposição dos seus resíduos, podetornar-se um problema para a viabilização do SPD, especialmente quando essa leguminosa écultivada como monocultura. Para contornar essa dificuldade, a soja deve compor sistemas derotação de culturas adequadamente planejados. Com isso, haverá permanente cobertura esuficiente reposição de palhada.Em Toledo (PR), um grupo de agricultores pratica uma sucessão de culturas que produz coberturado solo durante, praticamente, todo o ano/safra. A soja é semeada no início de outubro e colhidano final de janeiro ate início de fevereiro, em seguida é semeado o milho safrinha que será colhidoem meados de julho. Logo após, é cultivada a aveia preta, que durante dois meses vai produzirmassa, sendo esta dissecada para a nova semeadura de soja.Essa sucessão de culturas em um mesmo ano/safra irá produzir uma diversidade e um grandevolume de massa seca e, o mais importante, tem apresentado um excelente controle de plantasdaninhas, especialmente a buva.O CONTROLE DA FERRUGEM DA SOJAA ferrugem da soja é, sem dúvida, o grande desafio da agricultura. Existem estratégias paraatenuar esse grande problema. Do conjunto de agricultores entrevistados durante nossaexpedição, todos fazem uma aplicação de fungicida de forma preventiva. Uns quando aparece a
  10. 10. primeira flor, outros entre o estádio vegetativo V5 e V6. Outro grupo planta soja logo após o vaziosanitário e toma como referência para a primeira aplicação de fungicida o surgimento da ferrugemnesta parcela. Alguns tomam como referência quando as linhas de soja fecham.O momento certo das aplicações é fundamental, uma vez que o sucesso na primeira pulverizaçãoacarreta o êxito nas aplicações seguintes, podendo ser mais uma ou mais três ou até quatrodependendo do ciclo e época de semeadura.Considerando a produção de soja nas duas últimas safras, 2010/2011 com 75.324 mil toneladas, e2011/2012 com 66.383 mil toneladas - justifica-se a menor produção na ultima safra em função daseca que ocorreu em várias regiões do Brasil - com o rendimento médio de 3115 kg/ha e de 2651kg/ha, respectivamente. Informações mostram que o consumo de fungicida na safra 2011/2012 foimuito menor que o da safra 2010/2011.A informação acima pode ser compreendida da seguinte forma: as condições climáticas favoráveisao desenvolvimento da ferrugem são temperatura entre 18º a 28º C, horas de molhamento foliaracima de 10 horas, (tempo chuvoso) e presença de orvalho por mais de 6 horas, condições queocorreram com menor frequência na safra passada.A considerar o que está acontecendo nesta safra, as estratégias para as aplicações de fungicidasdevem considerar as questões relativas às condições de umidade mais favoráveis aodesenvolvimento da ferrugem.Em períodos úmidos e quentes o controle biológico natural exercido pelo fungo Nomurea rileyl émuito efetivo no controle da lagarta da soja. Suspeita-se que o uso generalizado de fungicidas paracontrolar a ferrugem da soja esteja causando efeitos deletérios nos fungos entomopatogênicos e,como consequência, levando aos surtos de lagartas como as da lagarta-falsa-medideira. Daí aimportância do desenvolvimento e uso prático de fungicidas seletivos a estes inimigos naturais depragas. Retardar a primeira aplicação de fungicida, obviamente sem prejuízo no controle dasdoenças da soja, permite o estabelecimento de fungos benéficos que fazem o controle microbianoda praga.O ESTABELECIMENTO DE METAS COMO CRITÉRIO PARA A CONDUÇÃO DE LAVOURAS DE SOJAFazendas com ótimo sistema de planejamento, com áreas médias de 5000 hectares, têm obtidoum rendimento de soja 58,28 sacas/ha em função do conjunto de tecnologias adotadas.
  11. 11. A rotação de culturas e um perfeito sistema de plantio direto têm assegurado alta rentabilidade,com 348,00 US$/ha/ano para a soja.A soja, o milho safra, o algodão e o milho safrinha, rotacionados de forma que a soja só sejacultivada em um talhão durante duas safras seguidas, têm assegurado alta rentabilidade. Sãoincluídos em sistema o milheto e o nabo. O milheto destaca-se como uma das principais culturas,devido ao seu rápido desenvolvimento vegetativo, pois atinge 5 a 8 t/ha de matéria seca entre os45 e 60 dias após a semeadura, proporcionando excelente cobertura do solo. O uso do milhetovisa a reposição da palhada em área de plantio direto.O sistema de rotação de culturas adotado em fazenda com o algodão tem proporciona umagrande redução no custo de produção da soja. A quantidade de adubo usada no algodão cerca de1300 ate 1600 kg/ha, gera um efeito residual dessa adubação da qual a soja pode aproveitar,desde que as condições físicas e químicas do solo sejam adequadas. Essas condições acontecemquando, por exemplo, o teor de matéria orgânica do solo é bom, e isso é obtido quando se praticaum sistema de rotação em que participe culturas para a produção de palha. Na media a adubaçãoutilizada é de 300 kg/ha da formula 02-30-10, porém quando a soja vem depois do algodão, essaquantidade é reduzida para 100 kg/ha, sem nenhum prejuízo de rendimento.PLANEJAMENTO – CUSTOS – TECNOLOGIAS - ESTRATÉGIASO custo de produção de soja pode ser compreendido em duas grandes etapas. A primeira é oconjunto de atividades até o momento da semeadura e o segundo da germinação até a colheita.Na primeira etapa são consumidos, em média, 65% dos custos totais, e na segunda, 35%. Asegunda etapa tem uma importância fundamental, pois ela vai garantir o investimento maiorrealizado na primeira.O custo da primeira etapa, 65% do total, uma vez a soja semeada não tem como ser mais alterado.Porém, o da segunda etapa, 35% do total, pode ser alterado para mais ou para menos. Para mais,quando surgem imprevistos, como ocorreu neste ano. A falta de chuvas, em muitos casos, levouos agricultores a aplicar inseticidas não programados, com isso aumento o custo da segundaetapa.Mas há situações em que o custo da segunda etapa pode ser reduzido. Por exemplo, o controle deinsetos, quando bem compreendido - levando em consideração todo o conjunto de informações
  12. 12. para a determinação do momento exato das aplicações de inseticidas, em doses certas,considerando tamanho e numero de insetos por área - pode levar a uma redução de custos nestaetapa.CONCEITO AMPLO DE ALTA TECNOLOGIAA fazenda Passo Cuê, localizada no município de São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná, fica ásmargens do Lago Itaipu. Da área total da fazenda, 500 alqueires (1210 ha) são cultivados com soja,milho safra, milho safrinha, trigo, aveia preta e nabo.Quando se comenta que em tal fazenda usa-se alta tecnologia, normalmente se associa esseconceito a alto consumo de insumos e produtos modernos. Na fazenda Passo Cuê, e em outrasfazendas, o conceito de alta tecnologia significa a adoção de práticas agrícolas que garantampreservação do solo e alto rendimento com uso de insumos de forma racional.Uma prática de alta tecnologia é a adoção de sistemas de rotação e sucessão de culturas.Anualmente, na fazenda Passo Cuê, 23 % da área agricultável são cultivados com aveia preta maisnabo, no inverno, cultivo que não tem nenhum valor econômico, mas que garante altosrendimentos nas culturas subsequentes como milho e soja. Com a formação de palha, reciclagemde vários nutrientes, aumento no teor de matéria orgânica, essa prática é uma das que têmassegurado altos rendimentos de soja na fazenda.O sistema de rotação de culturas adotado na fazenda em questão é uma das práticas agrícolas quetêm permitido, por exemplo, adubar a soja nesta safra 2012/2013 apenas com superfosfatosimples, com 50 até 60 kg/ha de P2O5, solo com 12 miligramas (mg) dm-3 de fósforo na médiageral da fazenda e 0,45 cmolc dm-3 de potássio.Esse conjunto de práticas agrícolas têm resultado em altos rendimentos de soja na fazenda. Noano safra 2009/2010, a média foi de 174 sacas/alqueire ou 72 sac/ha. Já no ano 2010/2011, devidoà estiagem, a média foi de 159 sacas/alqueire ou 65 sac/ha.ALTERANATIVAS PARA O CONTROLE DE NEMATOIDESDurante a expedição do Projeto Soja Brasil, observamos lavouras de soja com áreascomprometidas em função da presença de nematoides em praticamente todas as regiõesvisitadas, perto de oitenta localidades.
  13. 13. Os fitonematoides são parasitas obrigatórios das plantas. Não se alimentam nem se reproduzemna ausência de plantas vivas. Podem atingir populações elevadas em áreas cultivadas. A rotaçãode culturas tem grande influência sobre a densidade dos fitonematoides, e a adequada sucessãoou rotação de culturas é um importante fator no seu controle.A quantidade de lavouras de soja com presença de nematoides é grande e bem além da nossaexpectativa se consideramos que há um conjunto de informações, de tecnologias disponíveis, paraatenuar os danos promovidos por esse parasita.As propostas de sucessão e rotação de culturas aliadas ás informações sobre as reações dedeterminadas cultivares de soja quanto aos nematoides, se praticadas pelos agricultores,asseguram o desenvolvimento pleno da soja de qualquer dano produzido por esse parasita.Também condições de solo como compactação e pH elevado favorecem a presença e o dano pornematoides.Do conjunto de variedades indicadas para todas as regiões produtoras de soja no Brasil mais de50% apresentam resistência ou resistência moderada às principais espécies de nematoides.A sucessão de culturas soja e milho safrinha são ideais para a permanência e aumento dapopulação do nematoide das lesões Pratylenchus brachyurus, e somente a Crotalaria spectabilispode diminuir significativamente sua população.O nematoide de galhas Heterodera glycines tem sua população atenuada com as espécies vegetaisaveia preta, milheto, nabo, milho, sorgo, algodão, girassol e braquiária ruziziensis.A presença e o consequente dano na soja promovidos por nematoides não deveriam acontecercom tanta magnitude se consideramos o conjunto de informações disponíveis para o controledesse parasita.USO DOS CRITÉRIOS ESTABELECIDOS PARA APLICAÇÃO DE INSETECIDAS NO MANEJOINTEGRADO DE PRAGASEm várias localidades encontramos o percevejo em lavouras de soja, ainda no estádio R1 para R2.A presença deste inseto nas lavouras e neste estádio levou, muitas vezes, o agricultor a fazeraplicações de inseticidas antecipadas.
  14. 14. Lembramos que o efeito de inseticidas para controle de percevejos é mais eficiente quando sãoobservados dois percevejos por metro, no caso de produção de grãos e um percevejo por metroquando for para produção de sementes, e nos estádios entre R3 até R6 .Muitas vezes, a aplicação dos inseticidas é realizada de forma inadequada, seja através deaplicações preventivas, junto com o dessecante ou com o herbicida pós-emergente ou mesmocom as aplicações de fungicidas. Essas práticas bastante comuns hoje nas lavouras de soja -visando o aproveitamento de operações e aliado às aplicações frequentes de produtos de amploespectro de ação, sobretudo na fase inicial do desenvolvimento da soja e o não uso dasamostragens de pagas com o método do pano - têm levado a um grande desequilíbrio naslavouras de soja, acarretando sérios problemas como a eliminação do complexo de inimigosnaturais. Na ausência do controle biológico natural, pragas, normalmente consideradas semimportância econômica, vêm causando preocupações aos sojicultores, com necessidade, muitasvezes, de controle. Além disso, pragas principais (percevejos) vêm ocorrendo em níveispopulacionais muito elevados, além da ocorrência de populações de insetos resistentes aosinseticidas químicos, tudo isso levando a um maior custo de produção e consequências drásticasde poluição ambiental.

×