Autopoiese

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Autopoiese. A autoreferencia

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Autopoiese

  1. 1. sumário 1. Biografia e percurso intelectual 2. Biologia do conhecer 3. Idéias paralelas 4. Desdobramentos filosóficos 5. Educação, ética e liberdade
  2. 2. Autopoiesis e a Aprendizagem Organizacional
  3. 3. O que é Autopoiese?
  4. 4. Autopoiese Autopoiese ou autopoiesis (do grego auto "próprio", poiesis "criação") é um termo cunhado na década de 70 pelos biólogos e filósofos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana para designar a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios. Segundo esta teoria, um ser vivo é um sistema autopoiético, caracterizado como uma rede fechada de produções moleculares (processos), onde as moléculas produzidas geram com suas interações a mesma rede de moléculas que as produziu. A conservação da autopoiese e da adaptação de um ser vivo ao seu meio são condições sistêmicas para a vida.
  5. 5. Autopoiese Por tanto um sistema vivo, como sistema autônomo está constantemente se autoproduzindo, autorregulando, e sempre mantendo interações com o meio, onde este apenas desencadeia no ser vivo mudanças determinadas em sua própria estrutura, e não por um agente externo. De origem biológica, o termo passou a ser usado em outras áreas por Steven Rose na neurobiologia, por Niklas Luhmann na sociologia, e por Gilles Deleuze e Antonio Negri na filosofia.
  6. 6. O que Maturana e Varela comprovaram foi que os seres vivos não são agregados de partes, são padrões de interrelacionamentos entre essas partes, padrões dinamicamente renováveis. E que a realidade não “entra” em nós, de fora para dentro, pela visão e demais sentidos; ela pode no máximo estimular uma reorganização desse padrão de interrelacionamentos – um processo interno, autônomo. Para todo e qualquer ser vivo, não existe o mundo em si, cada um cria o seu próprio “mundo”. E esse mundo é criado e renovado a partir daquilo que o ser... é – até aquele instante. Autopoiese: A lógica da auto referência
  7. 7. Uma reunião dos Alcoólicos Anônimos, Estados Unidos. O monitor faz um breve discurso: “palavras são só palavras, cada um interpreta de um jeito. Mas hoje, nada de palavras. Vocês vão travar contato direto com a realidade, nua e crua”. Ele pega então dois frascos de vidro, enche um com água e outro com álcool. Pega um pequenino verme e deixa-o cair no frasco com água. O verme afunda, alguns segundos depois começa a movimentar-se, chega à superfície e nada até a borda. O monitor apanha novamente o verme, deixando-o cair desta vez no frasco com álcool. Ele novamente afunda, só que dessa vez permanecendo inerte. Instantes depois ele começa a se desintegrar. Depois de algum tempo, dele só resta um borrão acinzentado turvando a cristalinidade do líquido. O monitor pergunta: “todos viram?”. Sim, todos. “E a que conclusão podemos chegar?”. Uma mão se levanta: “Entendo que, se bebermos álcool, não teremos vermes”.
  8. 8. O sentido da vida “A vida não tem sentido fora de si mesma. O sentido da vida de uma mosca é viver como mosca, mosquear, ser mosca. O sentido da vida de um cachorro é viver como cachorro, ou seja, ser cachorro ao cachorrear. O sentido da vida de um ser humano é o viver humanamente ao ser humano no humanizar.”
  9. 9. autopoiese biologia do conhecer “Um sistema vivo é uma rede de moléculas que interagem entre si, de modo que, por meio de tais interações, elas produzem o mesmo tipo de moléculas da rede que as produziram – e fazendo isso constituem toda a rede como uma unidade.”
  10. 10. biologia do conhecer autopoiese 3 requisitos para que um sistema seja considerado autopoiético (tenha o mínimo de vida): (1) Possua uma fronteira que (2) contenha uma rede molecular reativa que (3) produz a si mesma e regenera a própria fronteira.
  11. 11. autopoiese biologia do conhecer Acoplamento estrutural meio/ser Fechamento operacional Autopoiese Acoplamento ser/ser
  12. 12. acoplamento estrutural e fechamento operacional biologia do conhecer Entrada (realismo metafísico) – Define, especifica, determina a única forma pela qual uma transformação de estado dada pode acontecer; uma entrada, ou um input. Perturbação (Varela, Maturana) - Não especifica a transformação. Apenas dispara (trigger) um efeito que será definido pela estrutura do ser vivo. Ex.: botão do gravador.
  13. 13. fechamento operacional e autonomia biologia do conhecer "Nas interações entre os seres vivos e o meio ambiente dentro da congruência estrutural, as perturbações do ambiente não determinam o que acontece com o ser vivo; ao contrário é a estrutura do ser vivo que determinará o que deverá ocorrer com ele.”
  14. 14. autopoiese e cognição biologia do conhecer PERCEPÇÃO = TATO O modo como você se move depende do que você sente, e o que você sente depende de como você se move. (Evan Thompson)
  15. 15. enaction (atuação) biologia do conhecer COGNIÇÃO = AÇÃO = Fenômeno biológico “A percepção não é algo que acontece conosco, ou dentro de nós. É algo que nós fazemos.” —Alva Noë
  16. 16. experiência da visão do sapo biologia do conhecer Roger Sperry, 1945.
  17. 17. experiência da visão do sapo biologia do conhecer “Na percepção do anfíbio, não há nenhum acesso a um real exterior, pré-definido, mas “somente uma correlação interna entre o lugar da retina que recebe uma perturbação e uma contração muscular que move a sua língua, pescoço, e, de fato, todo o corpo do sapo.”
  18. 18. multiplicidade de mundos biologia do conhecer “Cada vez que um ser humano morre, um mundo humano desaparece, muitas vezes de maneira irrecuperável. Isto não é uma banalidade sentimental, é uma realidade biológica. O mundo é o que vivemos, nosso fazer em qualquer dimensão, desde o caminhar até a palavra, é a concretização de nossa estrutura biológica.”
  19. 19. modelo vigente do processo cognitivo biologia do conhecer
  20. 20. sistema nervoso e fechamento operacional biologia do conhecer Representacionismo: O sistema nervoso recolhe, capta, recebe informações/atributos provenientes do meio/objetos. Mente como "espelho da natureza“ (Rorty). "Consideramos geralmente que essas entradas são ou refletem certas características ou qualidades do ambiente, que são absorvidas pelo sistema nervoso como matéria bruta, que em seguida é trabalhada no interior. Sucintamente o sistema nervoso funcionaria a partir de um conteúdo informativo de instruções que provém do ambiente, elaborando uma representação operacional desse ambiente..."
  21. 21. sistema nervoso e fechamento operacional biologia do conhecer Fechamento ou Clausura Operacional: O sistema nervoso funciona como um sistema operacionalmente fechado, determinado por sua estrutura, sem entradas ou saídas, Sistema autônomo. Coêrencia interna. Os resultados das operações do sistema são as suas próprias operações. É este processo que "constitui" um mundo.
  22. 22. sistema nervoso e fechamento operacional biologia do conhecer autopoiese viver conhecer
  23. 23. o observador biologia do conhecer “Tudo que é dito é dito por um observador”
  24. 24. o observador biologia do conhecer Dois sentidos de INCORPORAÇÃO: Temos um corpo, um organismo sensório-motor pelo qual vivenciamos o mundo. Estamos mergulhados, imersos no mundo, sem saída.
  25. 25. linguagem idéias paralelas Exemplo do táxi... Primeiro gesto: coordenação de ações (comunicação). Segundo gesto: coordenações de coordenações de ações (linguagem). Exemplo de uma conversa olhada de longe... Linguagem seria um modo bem mais sutil e complexo de interação, que já ocorre em todos os níveis biológicos (diferença de grau, não de qualidade)
  26. 26. linguagem idéias paralelas Senso comum Biologia do Conhecer Linguagem como sistema denotativo, simbólico, abstrato, psicológico, semântico. Linguagem como sistema conotativo, natural, orientador, biológico, concreto. Metáfora do tubo. Transmissão de informações. Representacionismo. Informação e símbolos são secundários à linguagem. Incorporação.
  27. 27. linguagem idéias paralelas “O fenômeno da comunicação depende não do que é transmitido, mas do que acontece com a pessoa que recebe a mensagem.”
  28. 28. linguagem idéias paralelas "A mente não é alguma coisa que está dentro do cérebro. Consciência e mente pertencem ao domínio da dependência social. Este é o locus da sua dinâmica... A linguagem não foi nunca inventada por ninguém somente para perceber um mundo externo. Portanto, ela não pode ser usada como uma ferramenta para revelar este mundo. O fato é que, é através do linguajar que o ato do conhecimento, da coordenação comportamental que é a linguagem, constitui um mundo.”
  29. 29. crítica à nova era idéias paralelas Eu crio minha própria realidade? Eu crio meu mundo? Nem Idealismo/Solipsismo nem Realismo Realidade ≠ Experiência de realidade
  30. 30. deriva natural idéias paralelas Evolução neo-darwiniana: Surgem seres mais "adaptados" ao meio e estes sobrevivem devido a isso, devido à "seleção natural". Lógica prescritiva: tudo que não é permitido é proibido. Maturana e Varela: Não há seres "mais" adaptados pois a autopoiese, conservação da organização, congruência operacional, é um requisito para a existência, para a vida. Lógica proscritiva: tudo o que não é proibido é permitido. Cada ser é produto e produtor da evolução.
  31. 31. emoção idéias paralelas Definição de emoção: Disposição para a ação. Predisposições corporais para a ação. Cada emoção restringe ou amplia o leque de ações, posturas, comportamentos - condiciona, mas não define ou determina.
  32. 32. idéias paralelas biologia do amor Biologia do amor: Legitimar o outro como um ser que igualmente constrói um mundo. O amor amplia a visão, a capacidade cognitiva. A agressão reduz a visão, reduz nosso mundo.
  33. 33. realidade desdobramentos filosóficos Por que as pessoas parecem viver em diferentes mundos mesmo quando estão próximas entre si? Por que o processo de expansão dos domínios ontológicos e epistemológicos prossegue em uma abertura infinita?
  34. 34. tradições filosóficas desdobramentos filosóficos Realismo (ênfase no objeto) versus Idealismo (ênfase no sujeito). Representacionismo: Projeção (subjetivismo/idealismo) ou recuperação (objetivismo/realismo) do mundo.
  35. 35. realismo desdobramentos filosóficos Exemplos: Filme Pi / Diálogo de Einstein e Tagore: o livro e a traça Teses do Realismo metafísico ou realismo ingênuo (Hilary Putnam): •O mundo consiste em objetos pré-definidos e radicalmente independentes dos sujeitos; •Há apenas uma descrição completa e verdadeira da natureza da realidade; •A verdade envolve algum tipo de correspondência entre o mundo independente e a descrição que dele fazemos.
  36. 36. onde está a cor verdadeira?
  37. 37. onde está o movimento?
  38. 38. conte os pontos pretos
  39. 39. 6 triângulos ou hexágono? desdobramentos filosóficos
  40. 40. experiência do cubo desdobramentos filosóficos 1) Realismo Ingênuo 2D: Hexágono, Triângulos. 2) Realismo Ingênuo 3D: Cubo. 3) Realismo Sofisticado (metáfora do elefante): 3D ou 2D. 4) Os mundos são sensorialmente completos: você não vê que não vê, você não percebe que não percebe! Ilusão de ótica? 5) Pós-realismo: Objeto inseparável de meus olhos.
  41. 41. não dois, não um desdobramentos filosóficos Koan zen-budista: “Bata palmas... qual o som de uma só mão?”
  42. 42. não-dualidade desdobramentos filosóficos “É fascinante que o mundo seja assim plástico, nem subjetivo nem objetivo, nem uno nem divisível, nem dual nem indissociável. Isso aponta tanto para a natureza do processo, que podemos perceber na globalidade de sua qualidade formal e material, como para os limites fundamentais daquilo que podemos compreender de nós mesmos e do mundo. Demonstra que a realidade não está simplesmente constituída por nosso capricho, porque isso implicaria supor a possibilidade de escolher um ponto de saída do interior.”
  43. 43. não-dualidade desdobramentos filosóficos “Prova, além disso, que a realidade não pode ser entendida como algo objetivamente dado, que se pode captar, porque isso implicaria presumir um ponto de partida exterior. Demonstra, com efeito, uma ausência de fundamento sólido de nossas experiências, pelas quais nos são fornecidas determinadas regularidades e interpretações, fruto de nossa história conjunta como seres biossociais. No interior dessas áreas de história comum que se apóiam sobre acordos tácitos, vivemos em uma aparentemente interminável metamorfose de interpretações que se sucedem.”
  44. 44. não-dualidade desdobramentos filosóficos "Em suma, avançarei uma concepção na qual a mente não 'copia' simplesmente um mundo que admite ser descrito pela Teoria Verdadeira Única. Mas a minha concepção não é tão-pouco uma concepção em que a mente constitui o mundo [...]. Se se tem que usar linguagem metafórica então seja esta a metáfora: o mundo e a mente constituem o mundo e a mente. Ou, para tornar a metáfora mais hegeliana, o Universo constitui o Universo." (Hilary Putnam) Merleau-Ponty: as coisas não se apresentam a nós, mas somos nós, antes, que nos apresentamos às coisas.
  45. 45. citações sobre não-dualidade desdobramentos filosóficos "Assim não podemos escapar ao fato de que o mundo que conhecemos é construído a fim de ver a si mesmo. Para fazê-lo, todavia, ele precisa primeiro dividir-se, pelo menos, em um estado que vê e, pelo menos, em outro estado que é visto.” —G. Spencer Brown, matemático, em "Laws of Form“ "Objetividade é a ilusão de que as observações podem ser feitas sem um observador." —Heinz von Foerster, precursor da Cibernética.
  46. 46. citações sobre não-dualidade desdobramentos filosóficos "Num só fenômeno, surgem objeto e observador." —Gyatrul Rinpoche "Um homem se propõe a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos, povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de montanhas, de baías, de naus, de ilhas, de peixes, de moradas, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem de seu rosto." —Jorge Luis Borges
  47. 47. anti-fundacionalismo desdobramentos filosóficos “A cabine do piloto está vazia." —Zygmunt Bauman Era pós-moderna: ausência de chão, falta de fundamento último, dissolução do Grande Outro (religião, nacionalidade, etnia, filosofia consensual, cultura hegemônica, instituições) para nossa subjetivação.

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