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CIBERCULTURA e práticas estabelecidas e emergentes no jornalismo impresso e online

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Análise do panorama jornalístico brasileiro em relação ao advento da cibercultura: como os jornais realizam a transição do impresso para o online; redes sociais; mobile; interação com o leitor; …

Análise do panorama jornalístico brasileiro em relação ao advento da cibercultura: como os jornais realizam a transição do impresso para o online; redes sociais; mobile; interação com o leitor; práticas emergentes. Análise dos jornais Folha de SP, Estadão, O Globo, Estado de Minas, G1 e New York Times.
Projeto de Pesquisa realizado por Denise Eler, Dunya Azevedo, Francisco Machado, Karine, Pedro Leone e Rosi Benini. Universidade Fumec.
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  • 1. 1    UNIVERSIDADE FUMEC FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E FACULDADE DE ENGENHARIA E ARQUITETURA Coordenadores: Denise Eler, Dunya Azevedo Bolsistas: Francisco Machado, Karine Feibelmann, Pedro Leone , Rosiane Benini Cibercultura e práticas estabelecidas e emergentes no jornalismo impresso e online Propic 2009/2010 Belo Horizonte 2010
  • 2. 2    Sumário I. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 06 II. REFERENCIAL TEÓRICO: DA CULTURA ORAL À CIBERCULTURA ....................... 10 2.1 Cultura oral e cultura escrita ............................................................................................ 11 2.2 Cultura de massas e cultura de mídias.............................................................................. 15 2.3 Cibercultura – Convergência de mídias .......................................................................... 20 2.3.1 O hipertexto ............................................................................................................... 21 2.3.2 Elementos originais da cibercultura – bancos de dados, imagens de síntese e programas ............................................................................................................................ 23 2.3.3 Cibercultura ............................................................................................................... 25 III. ESTUDO EMPÍRICO .......................................................................................................... 30 3.1. Estado de Minas ............................................................................................................. 32 3.1.1 Posicionamento da marca .......................................................................................... 43 3.1.2 Estrutura do jornal – Impresso .................................................................................. 44 3.1.2.1 Cadernos ............................................................................................................ 44 3.1.2.2 Primeira Página ................................................................................................. 45 3.1.3 Estrutura do jornal - Online ....................................................................................... 46 3.1.4 Elementos de hipertextualidade – Impresso .............................................................. 50 3.1.5 Elementos de hipertextualidade – Online .................................................................. 50 3.1.6 Códigos de superfície – Impresso ............................................................................. 51 3.1.7 Códigos de superfície – Online ................................................................................. 54 3.1.8 Interação com o leitor – Impresso ............................................................................. 54 3.1.9 Interação com o leitor – Online ................................................................................. 54 3.1.10 Convergência de mídias – Impresso ........................................................................ 56 3.1.11 Convergência de mídias – Online ........................................................................... 56 3.1.12 Presença online extra site ........................................................................................ 57 3.1.13 Formas opcionais de visualização e filtros de conteúdo ......................................... 57 3.1.14 Publicidade – Impresso ........................................................................................... 58 3.1.15 Publicidade – Online ............................................................................................... 58 3.2. Folha de São Paulo .......................................................................................................... 59 3.2.1 Posicionamento da marca .......................................................................................... 59 3.2.2 Estrutura do jornal – Impresso .................................................................................. 60 3.2.2.1 Cadernos ............................................................................................................ 60 3.2.2.2 Primeira Página ................................................................................................. 60
  • 3. 3    3.2.3 Estrutura do jornal – Online ...................................................................................... 61 3.2.3.1 Seções ................................................................................................................ 61 3.2.3.2 Primeira Página ................................................................................................. 63 3.2.4 Elementos de hipertextualidade - Impresso .............................................................. 64 3.2.5 Elementos de hipertextualidade – Online .................................................................. 65 3.2.6 Códigos de superfície – Impresso ............................................................................. 67 3.2.7 Códigos de superfície – Online ................................................................................. 71 3.2.8 Interação com o leitor – Impresso ............................................................................. 74 3.2.9 Interação com o leitor – Online ................................................................................. 74 3.2.10 Convergência de mídias – Impresso ........................................................................ 75 3.2.11 Convergência de mídias – Online ........................................................................... 76 3.2.12 Presença online extra site ........................................................................................ 77 3.2.13 Formas opcionais de visualização e filtros de conteúdo ......................................... 78 3.2.14 Publicidade – Impresso ........................................................................................... 79 3.2.15 Publicidade – Online ............................................................................................... 80 3.3. Estado de São Paulo ........................................................................................................ 80 3.3.1 Posicionamento da marca .......................................................................................... 80 3.3.2 Estrutura do jornal – Impresso .................................................................................. 82 3.3.2.1 Cadernos ............................................................................................................ 82 3.3.2.2 Primeira Página ................................................................................................. 82 3.3.3 Estrutura do jornal – Online ...................................................................................... 83 3.3.3.1 Seções ................................................................................................................ 83 3.3.3.2 Primeira Página ................................................................................................. 85 3.3.4 Elementos de hipertextualidade - Impresso .............................................................. 86 3.3.5 Elementos de hipertextualidade – Online .................................................................. 86 3.3.6 Códigos de superfície – Impresso ............................................................................. 87 3.3.7 Códigos de superfície – Online ................................................................................. 89 3.3.8 Interação com o leitor – Impresso ............................................................................. 91 3.3.9 Interação com o leitor – Online ................................................................................. 91 3.3.10 Convergência de mídias – Impresso ........................................................................ 92 3.3.11 Convergência de mídias – Online ........................................................................... 92 3.3.12 Presença online extra site ........................................................................................ 92 3.3.13 Formas opcionais de visualização e filtros de conteúdo ......................................... 92 3.3.14 Publicidade – Impresso ........................................................................................... 93 3.3.15 Publicidade - Online ................................................................................................ 93 3.4. O Globo ........................................................................................................................... 94
  • 4. 4    3.4.1 Posicionamento da marca .......................................................................................... 94 3.4.2 Estrutura do jornal – Impresso .................................................................................. 95 3.4.2.1 Cadernos ............................................................................................................ 95 3.4.2.2 Primeira Página ................................................................................................. 95 3.4.3 Estrutura do jornal – Online ...................................................................................... 96 3.4.3.1 Seções ................................................................................................................ 96 3.4.3.2 Primeira Página ................................................................................................. 98 3.4.4 Elementos de hipertextualidade - Impresso .............................................................. 99 3.4.5 Elementos de hipertextualidade – Online .................................................................. 99 3.4.6 Códigos de superfície – Impresso ........................................................................... 101 3.4.7 Códigos de superfície – Online ............................................................................... 102 3.4.8 Interação com o leitor – Impresso ........................................................................... 105 3.4.9 Interação com o leitor – Online ............................................................................... 105 3.4.10 Convergência de mídias – Impresso ...................................................................... 106 3.4.11 Convergência de mídias – Online ......................................................................... 107 3.4.12 Presença online extra site ...................................................................................... 108 3.4.13 Formas opcionais de visualização e filtros de conteúdo ....................................... 110 3.4.14 Publicidade – Impresso ......................................................................................... 110 3.4.15 Publicidade - Online .............................................................................................. 111 3.5. The New York Times .................................................................................................... 112 3.5.1 Posicionamento da marca ........................................................................................ 112 3.5.2 Estrutura do jornal ................................................................................................... 112 3.5.2.1 Seções .............................................................................................................. 112 3.5.2.2 Primeira Página ............................................................................................... 113 3.5.3 Elementos de hipertextualidade .............................................................................. 114 3.5.4 Códigos de superfície .............................................................................................. 114 3.5.5 Interação com o leitor .............................................................................................. 117 3.5.6 Convergência de mídias .......................................................................................... 120 3.5.7 Presença online extra site ........................................................................................ 120 3.5.8 Formas opcionais de visualização e filtros de conteúdo ......................................... 120 3.5.9 Publicidade .............................................................................................................. 123 3.6. G1 ................................................................................................................................... 123 3.6.1 Posicionamento da marca ........................................................................................ 123 3.6.2 Estrutura do jornal ................................................................................................... 124 3.6.2.1 Primeira Página ............................................................................................... 124 3.6.3 Elementos de hipertextualidade ............................................................................... 128
  • 5. 5    3.6.4 Códigos de superfície .............................................................................................. 132 3.6.5 Interação com o leitor .............................................................................................. 133 3.6.6 Convergência de mídias .......................................................................................... 137 3.6.7 Presença online extra site ........................................................................................ 137 3.6.8 Formas opcionais de visualização e filtros de conteúdo ......................................... 140 3.6.9 Publicidade .............................................................................................................. 141 IV. PRÁTICAS ESTABELECIDAS E TENDÊNCIAS NO JORNALISMO IMPRESSO E ONLINE .................................................................................................................................... 142 V. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 151 VI. BIBLOGRAFIA ................................................................................................................. 154 VII. ANEXOS ................................................................................................................................ 7.1. Wireframes e Gráficos .......................................................................................................... 7.2. Glossário...............................................................................................................................
  • 6. 6    I. INTRODUÇÃO Uma transformação tecnológica de dimensões comparáveis ao surgimento do alfabeto está mudando profundamente o caráter da comunicação na sociedade contemporânea. Por integrar textos, imagens, áudio em uma rede interativa global, que pode ser acessada e modificada de vários pontos do planeta, a internet altera de forma fundamental a nossa cultura. A informação é a matéria prima da sociedade globalizada, definida por Manuel Castells como sociedade informacional - caracterizada por toda a conjuntura que permeia o mundo a partir dos anos 1990 e que possibilita a convergência das mídias de forma ampla e multicêntrica, em um sistema comunicacional interativo. Vivemos em uma sociedade profundamente influenciada pela cibercultura - conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento da rede mundial de computadores (LEVY, 1999). De acordo com Castells (1999, p. 79), a produção, distribuição e intercâmbio de dados digitalizados através de um sistema integrado de comunicação traz conseqüências importantes para os processos sociais. A inclusão da maioria das expressões culturais na internet “enfraquece de maneira considerável o poder simbólico dos emissores tradicionais fora do sistema, transmitindo por meio de hábitos sociais historicamente codificados: religião, moralidade, autoridade, valores tradicionais, ideologia política”. Neste contexto, em que a informação é o maior bem simbólico e espinha dorsal da sociedade, o jornalismo sofre profundas transformações. O advento da internet está provocando grandes mudanças nas empresas jornalísticas, deslocando leitores e anunciantes para o ambiente online, onde a participação do usuário e a interatividade ganham dimensões sem precedentes. O segmento está passando por um período de transição para se adaptar às novas configurações do mercado e a um novo perfil de público. Paralelamente à expansão do jornalismo online a partir da década de 1990, inicia-se um movimento de redefinição das funções do jornal impresso. A redução das receitas com publicidade tem provocado uma crise no setor editorial, onde várias publicações têm procurado solucionar seus problemas financeiros com fusões e aquisições de empresas. Tendo como base estudos teóricos para a compreensão do fenômeno da cibercultura, esta pesquisa investiga as práticas emergentes relativas aos aspectos formais e interativos de quatro
  • 7. 7    grandes jornais brasileiros, em suas vertentes impressas e online (Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, Estado de Minas, O Globo), e também o jornal nativo da web G1 O estudo é completo com uma análise da versão online do The New York Times, por ter sido precursor no uso da internet em 1970 e por ser referência nas formas de apropriação do ambiente web. A partir de categorias de análises definidas na fase de estudos teóricos, fazemos uma descrição de como os elementos se estruturam no meio digital e no impresso para entendermos como estes se relacionam, ou não, para ampliar as potencialidades da informação. É nosso objetivo também verificar como o jornalismo online explora o potencial que o novo suporte oferece. Embora o conteúdo textual tenha tomado características específicas no meio digital, esta pesquisa se concentra na estrutura e na visualização do conteúdo jornalístico. Um estudo do texto demandaria maior tempo de pesquisa. Com quase duas décadas de existência, o jornal online ainda está explorando formas de melhorar a interatividade com o leitor. Também o jornal impresso, assim como todos os outros veículos de comunicação, vem passando por várias transformações ao longo de sua história, para se adequar a novas necessidades de uma sociedade em constante transformação. De longos blocos de texto, cuja ênfase era dada ao conteúdo escrito, o jornal diário impresso - muito influenciado pela TV, principalmente na década de 1960 - passou a apresentar blocos menores de textos intercalados com fotos, intertítulos, títulos secundários e outros elementos editoriais, quebrando a lógica da linearidade textual rígida. A divisão dos jornais em seções, cadernos, encartes, suplementos dirigidos a públicos específicos, o aumento dos recursos editoriais/visuais, a capa construída como uma espécie de mosaico modernizaram o jornal e o tornaram um produto de consumo massivo. No ambiente online, o hipertexto cujos elementos essenciais são os links, reforça o processo de fragmentação iniciado pelo jornal moderno e pela TV. A interatividade, já latente na mídia tradicional, ganha contornos inéditos. Um dos indicadores de mudança na forma de tratamento da informação pode ser notado no uso crescente de infográficos no jornal impresso, apontados como um novo gênero jornalístico por diversos autores (CAIRO, 2008; DE PABLOS, 1999). No ambiente online, fala-se dos infográficos de segunda geração, onde o acesso instantâneo a um banco de dados amplia as possibilidades de manipulação das informações, elevando-o ao nível de simuladores de situações, como no caso dos premiados infográficos do New York Times. “As infografias dos meios digitais se tornaram peças jornalísticas depuradas, que integram textos, imagens estáticas e dinâmicas, 3D, sons, e cada vez maiores doses de interatividade” (SALAVERRIA, 2007, p. 3). Tendo o New York Times como referência, as análises de versões online dos grandes jornais impressos citados e do G1, nesta pesquisa, têm como objetivo também constatar se esses recursos são explorados ou não pelos nacionais.
  • 8. 8    Ampliando ainda mais os espaços de interação entre os participantes do processo de comunicação, a Web 2.0, como segunda geração de serviços online, caracteriza-se por potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações. A Web 2.0 refere-se não apenas a uma combinação de técnicas informáticas, mas também a um conjunto de novas estratégias mercadológicas e a processos de comunicação mediados pelo computador. (PRIMO, 2007). Como advento da segunda geração de tecnologias web, destacam-se os blogs (sites pessoais ou corporativos atualizados diariamente, abertos a comentários de usuários e à postagem de novos tópicos por seus membros), o tagging (sistema que permite ao usuário identificar documentos na internet segundo próprio vocabulário), o podcasting (produção e publicação de arquivos de áudio e vídeo que podem ser descarregados automaticamente na internet) e o microblogging (blog de mensagens curtas e disseminação instantânea para a rede de seguidores do serviço, via web ou celular) (ELER, 2007). Estas tecnologias têm provocado uma mudança cultural e econômica sem precedentes ao ampliar e pulverizar as fontes de conteúdo na internet, dotando qualquer usuário de poder para criação, publicação, distribuição, edição e interação com outros usuários. O fenômeno é conhecido como “A Cauda Longa” (ANDERSON, 2006) e descreve modelos de negócio e de comportamentos viabilizados pela internet, onde as barreiras físicas para estocagem de produtos são superadas pela natureza digital destes e, principalmente, onde mercados de nichos são potencializados. O estudo de Anderson mostra como a tecnologia digital em redes está “convertendo o mercado de massa (hits) em milhões de nichos”. Se o primeiro modelo é pautado pela escassez na oferta, pela concentração de títulos e de distribuidores de produtos, a economia da Cauda Longa é sustentada justamente pela abundância de oferta de produtos, pela pulverização das fontes de informação (os distribuidores) e pela liberdade de escolha dos usuários, agora elevados, a interatores. No caso do jornalismo, o fenômeno pode ser notado no surgimento do jornalismo colaborativo, onde pessoas sem formação específica colaboram com profissionais na produção de notícias, utilizando-se de ferramentas como blogs, wikis, celulares e câmeras digitais. Esta prática se insere em um novo conceito de produção baseado na contribuição coletiva, descentralizada e autônoma de indivíduos, intitulada Crowdsourcing (HOWE, 2006). Nosso trabalho de pesquisa contempla então estas duas etapas: o estudo teórico e a observação empírica. A revisão bibliográfica nos auxiliou na compreensão do fenômeno da cibercultura, segundo quatro autores principais: Castells (1999; 2003), Levy (1993; 1996; 1999; 1998), Lemos (1999; 2004) e Santaella (2007). No segundo capítulo, primeiramente, procuramos definir como o desenvolvimento tecnológico estrutura e molda o pensamento de determinada época em que se insere. Para isso, foi necessário o entendimento do modo de armazenamento de informações e o efeito das tecnologias desenvolvidas para tais armazenamentos na estrutura do
  • 9. 9    pensamento desde as sociedades orais, passando pelo surgimento da escrita alfabética, o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa até a cultura digital. Na segunda parte deste capítulo, nos concentramos nos conceitos ligados à Cibercultura: convergência de mídias, hipertexto, bancos de dados, imagens de síntese e programas. Esta etapa nos auxiliou na identificação de categorias de análise para a pesquisa empírica, cujos resultados são apresentados no Capítulo 2 e analisados criticamente no Capítulo 3, onde são identificados padrões de comportamento e práticas emergentes no jornalismo contemporâneo, segundo o observado nas amostras dos jornais já mencionados. Se muitas das questões iniciais foram satisfatoriamente respondidas por esta pesquisa, outras tantas surgiram à medida que ideias pré- concebidas foram desmistificadas, gerando o desejo de aprofundamento em assuntos específicos como a infografia analítica de segunda geração, a produção de conteúdo específico para telefones celulares, os novos perfis profissionais demandados pela área e o papel da Educação Superior neste processo. Estas e outras inquietações são compartilhadas no último capítulo.
  • 10. 10    II. REFERENCIAL TEÓRICO: DA CULTURA ORAL À CIBERCULTURA 2.0 Tanto a linguagem - como instrumento de propagação da memória social e de suas representações -, quanto os processos materiais - que tornam possíveis o armazenamentos destas informações - atuam como modeladores do tempo. Se a sociedade contemporânea é caracterizada pelo ritmo acelerado das transformações, pelo obsoletismo das informações e dos artefatos, pelas crises de ansiedade e déficit de atenção das pessoas e pela necessidade de estar conectado a tudo e a todos sob o risco de estar desatualizado, certamente há uma relação com as tecnologias que suportam tais comportamentos. Este é o cerne do pensamento do filósofo Pierre Lévy (1993) que procura responder de que forma as tecnologias moldam o estilo de pensamento e a temporalidade. Para o autor, as novas maneiras de pensar e de representar o mundo na atualidade são conseqüências das inovações tecnológicas oriundas das telecomunicações e da informática e representam um momento histórico similar ao Renascimento, quando a imprensa alterou profundamente a forma de pensar medieval. No entanto, o autor ressalta que a sucessão da oralidade, da escrita e da informática como modos fundamentais de gestão social do conhecimento não se dá por simples substituição, mas antes por complexificação1 e deslocamento de centros de gravidade. Sua tese é a de que certas técnicas de armazenamento e de processamento das representações tornam possíveis ou condicionam certas evoluções culturais. Lévy propõe então uma teoria de interfaces, onde, ambos, dispositivos sociotécnicos e informações, constituem elementos indissociáveis de uma ecologia cognitiva. Dito de outra forma, o significado de uma informação está intimamente condicionado pela natureza de seu suporte: “traduzir antigos saberes em novas tecnologias intelectuais equivale a produzir novos saberes” (LEVY, 1993, p. 184). Este pensamento foi sintetizado na célebre colocação “o meio é a mensagem”, de Marshall McLuhan (2005) outro importante teórico da comunicação. Tanto Levy (ênfase na linguagem e nas interações sociais), quanto McLuhan (ênfase nas mídias), defendem a premissa de que as tecnologias condicionam nossa percepção do mundo (LEVY,1993, p.19) (MCLUHAN, 2005, p.102). Para completar nosso referencial teórico, recorremos aos estudos de Lucia Santaella sobre a cultura de massa e a cultura de mídias, ambas essenciais no esforço de entender o advento e particularidades da Cibercultura, e André Lemos como principal pesquisador desta área no Brasil.                                                              1 Complexificação: processo pelo qual “uma nova formação comunicativa e cultural vai se integrando na anterior, provocando nela reajustamentos e refuncionalizações.” (Santaella, 2008: 13)
  • 11. 11    2.1. Cultura oral e cultura escrita Levy, em As tecnologias da Inteligência (1993), lembra que nas sociedades orais, onde não existe modo para armazenamento das representações verbais para futuras reutilizações, as comunidades recorrem à prática da repetição das informações sob pena de que estas deixem de existir. As limitações da memória humana, por sua vez condicionam as formas de apresentação destas informações. Predominam as representações de causa e efeito, carregadas de carga emotiva e elementos audiovisuais e sensoriomotores, como os rituais de dança. É sabido hoje, pelos estudos da psicologia cognitiva, que estes artifícios auxiliam os processos mnemônicos de retenção e recuperação de informações. Por sua vez, os agentes da comunicação compartilham uma mesma rede de significados (hipertexto), produzem um conhecimento local e encontram-se geograficamente próximos. Dada à baixa confiabilidade da memória humana em relação ao registro original e as elaborações posteriores acrescidas pelo sujeito em função de condições emocionais, as informações nas sociedades orais são sempre subjetivas e dependentes do contexto e dos indivíduos que as transmitem. O uso das interfaces mente/fala/gestos, para o armazenamento e a comunicação de informações condiciona a percepção do tempo como algo circular, onde a redução das singularidades dos acontecimentos a estereótipos (construção de mitos) auxilia na perenidade das preposições de uma dada cultura. Após esta análise, Levy demonstra como o estilo de temporalidade e os modos de conhecimento então vigentes, foram radicalmente alterados pelo advento de uma nova tecnologia: a escrita. (Quadro 1) "Quando uma circunstância como uma mudança técnica desestabiliza o antigo equilíbrio das forças e das representações, estratégias inéditas e alianças inusitadas tornam-se possíveis.” (LEVY, 1993, p.16) A possibilidade de separar o discurso das circunstâncias particulares em que este foi produzido só foi possível a partir do momento que a humanidade passou a utilizar signos escriturários transmitidos em suportes materiais, tais como cerâmicas, pergaminhos, papiros etc. O uso destas tecnologias provocou uma revolução na forma como a sociedade da época percebia o mundo e seus reflexos são vividos até hoje quando as tecnologias digitais começam a engendrar novas formas de relacionamento com o saber. Ao separar as mensagens das situações de uso originais, as sociedades letradas tiveram como ambição a criação de um texto teórico, ou seja, abstrato e conceitual, cujo sentido não dependesse de um contexto específico. Uma vez deslocados no tempo e no espaço, os sujeitos da comunicação não tinham mais, necessariamente, um hipertexto em comum, nem a possibilidade de interação entre si. Porém, esta objetivação da memória, possibilitou o acúmulo de informações que poderiam ser
  • 12. 12    acessadas, comparadas e transportadas em suportes materiais, criando a noção do tempo linear, ESCRITA TIPO DE CULTURA ORAL Manuscritos Impressa SIGNOS ESCRITURÁRIOS TIPO DE INTERFACE transmitidos em 1.MENTE HUMANA papiro, cerâmica, pergaminho, etc. SIGNOS ESCRITURÁRIOS transmitidos em 2.FALA E GESTOS (suportes de registro e transmissão PAPEL / LIVRO. EXPOSIÇÃO de informações) ESCRITA E ORAL (ainda ligada à forte intermediação humana) Dissociação do contexto de produção da informação Agentes compartilham hipertextos e do tempo e local de recepção da mesma. (rede de significados) próximos e Pressão pelo universalismo e pela objetividade. PRAGMÁTICA DA encontram-se em um mesmo contexto COMUNICAÇÃO geográfico e histórico. Compartilhamento de abstrações conceituais. Hiato entre letrados e analfabetos MEMÓRIA SUBJETIVA CARACTERÍSTICA DA MEMÓRIA OBJETIVA MEMÓRIA 1. Memória encarnada em pessoas ou histórico.
  • 13. 13    vivas e grupos atuantes 2. Predominância da memória de 1. Grande volume de longo prazo. publicações impossibilita a Problema com a exposição oral, fim das 3. Associação da memória semântica a intermediações humanas qualidade das memórias musicais e sensoriomotoras. diretas. reproduções (dependência do 2. Criação de elementos de talento humano para manuscritos e interface: paginação, imagens) cabeçalho, índice etc 3. Instauração da cultura visual: facilidade de reprodução técnica de imagens PERCEPÇÃO TEMPO CIRCULAR: TEMPO LINEAR, HISTÓRICO DO TEMPO redução das singularidades dos acontecimentos a estereótipos atemporais (construção de mitos) Pensamento científico,, universalismo, VALORES Tradição, humano, local, imaginação literacia, registro escrito como documento Discurso indissociável do contexto Objetividade Narrativas míticas, LINGUAGEM Predominância do texto sobre a imagem atemporais Narrativas históricas Representação do mundo por imagens A escrita fonética significou a ruptura entre as experiências auditiva, tátil, e visual do homem e a fragmentação da experiência em unidades uniformes aptas a produzir ações e mudanças formais mais rápidas e menos suscetíveis a interpretações subjetivas de seus destinatários. Mcluhan credita ao alfabeto fonético a criação do “homem civilizado”, na medida em que esta promoveu a separação do indivíduo da tribo, a continuidade do espaço e do tempo e a uniformidade dos códigos - marcas das sociedades letradas e civilizadas. (p.103).
  • 14. 14    Ambos (planejamento industrial e planos militares) são moldados pelo alfabeto, em sua técnica de transformação e controle e que consiste em tornar todas as situações uniformes e continuas. (MCLUHAN, 2003, p. 105) Este processo foi intensificado pelo advento de outra tecnologia, a prensa mecânica de Gutenberg, em 1445. Os antigos manuscritos imitavam a comunicação oral e dependiam muito do talento do copista para manter a fidedignidade das reproduções à obra original (LEVY, 1993, p. 99). O autor sustenta que a prensa permitiu a instauração de um novo estilo cognitivo porque a partir de então houve uma inspeção periódica de mapas, esquemas, gráficos, tabelas e dicionário, elementos que são o centro da atividade científica. Passou-se da discussão verbal, característica da Idade Média, para a demonstração visual. A escrita inaugurou também o pensamento racional a partir do momento em que o conhecimento passou a ser representado de forma modular. Levy afirma que, “com a escrita, as representações perduram em outros formatos que não o canto ou a narrativa”, como no caso das observações astronômicas dos sumérios ou os bancos de dados atuais. Historicamente, estas micro-representações “livres” - fórmulas, símbolos, números, tabelas etc – permitiram uma passagem da dramatização para a sistematização dos saberes que constitui a base do conhecimento científico. Neste ponto, Levy enfatiza o papel dos elementos de interface criados com a popularização do livro impresso, a partir do século XVI, para facilitar a relação do texto com o leitor: índice, títulos, sumário, numeração regular, notas de rodapé, etc. Estes dispositivos lógicos criaram uma experiência de leitura diferente da proporcionada pelos manuscritos, tais como “possibilidade de exame rápido do conteúdo, de acesso não linear e seletivo do texto, de segmentação do saber em módulos, de conexão múltipla a uma infinidade de outros livros” (LEVY, 1993, p. 34). Além disso, a redução do peso dos livros e de seus tamanhos, alcançada por uma nova forma de dobradura das folhas, possibilitou sua rápida difusão na sociedade. Como o computador, afirma Levy, “o livro só se tornou uma mídia de massa quando as variáveis de interface - “tamanho” e “massa” - atingiram um valor suficientemente baixo.” (1993, p. 35). Comparativamente, a interface gráfica dos jornais e revistas impressos é organizada através de manchetes, chamadas, fotos, legendas de forma a guiar o leitor por suas notícias, até fisgar a atenção para uma matéria específica. As características da leitura nos suportes impressos e digitais serão estudadas em breve, porém recorreremos a outros autores para preenchermos um hiato deixado por Levy ao analisar os modos de cultura engendrados por “tecnologias intelectuais”.
  • 15. 15    2.2 Cultura de massas e cultura de mídias Segundo Santaella (2003, p. 79), a cultura de massas (Quadro 2) originou-se com o jornal, acentuou-se com o cinema (recepção coletiva) e solidificou-se com a televisão, na década de 1960. Embora o termo seja evocativo de uma grande quantidade de indivíduos alienados e acríticos quanto às mensagens recebidas, Castells (1999; p. 360), relembra os estudos de Humberto Eco sobre o papel do espectador no processo de comunicação televisiva: “A conseqüência dessa análise é que aprendemos uma coisa: não existe uma cultura de massa no sentido imaginado pelos críticos apocalípticos das comunicações de massa, porque esse modelo compete com outros (constituídos por vestígios históricos, cultura de classe, aspectos da alta cultura transmitidos pela educação, etc).” (ECO, apud CASTELLS, 1999, p. 360) O impacto desta descoberta, leva Castells (1999, p.360) a considerar que o conceito de mídia de massa refere-se, na verdade, a um sistema tecnológico, e não a uma forma de cultura. Temos assim, tecnologias de massa, e não, uma cultura de massa. Esta afirmação será especialmente importante para entendermos a cultura de mídias mais à frente, onde mostraremos que este modelo de comunicação tem características próprias e importantes para a compreensão do fenômeno da Cibercultura. Thompson (2002, 32-37) esclarece que, em um sistema de comunicação de massa, o fluxo de comunicação tem um caráter transmissionista, não-dialógico. Ainda que os receptores possam interferir com eventos e conteúdos durante o processo comunicativo, a profundidade desta participação é circunscrita. Esta capacidade de intervenção limitada deriva do modo de estruturação do fluxo de mensagens em sistemas em que a emissão e recepção da mensagem ocorrem em contextos distintos. Como conseqüência negativa, tem-se a privação da interação direta, face a face e a riqueza de feedbacks que esta permite. Por outro lado, ocorre uma “ampliação na disponibilização das formas simbólicas no tempo e no espaço.” O caráter institucionalizado de produção e difusão generalizada de informações, a pluralidade de destinatários e o aumento em escala da mercantilização pública de bens simbólicos (a exemplo dos espaços publicitários em jornais) marcam este processo comunicativo. Como reflexo do advento das tecnologias de telecomunicação nos meados do Século XIX, em especial o telégrafo, temos a disjunção entre o espaço e o tempo (“onde o distanciamento espacial não mais implicava em distanciamento temporal”) e a conseqüente descoberta da simultaneidade não-espacial (a separação da experiência de simultaneidade de seu condicionamento geográfico). Os efeitos do telégrafo sobre as práticas jornalísticas foram analisados por McLuhan, conforme veremos a seguir.
  • 16. 16    Com o telégrafo, deu-se uma revolução no método de captar e apresentar as notícias. Naturalmente, foram espetaculares os efeitos causados na linguagem, no estilo literário e nos assuntos (2005, p.282).” McLuhan (2005, p. 238) enfatiza que o jornal, desde o início, tendeu para uma forma participante, em mosaico – e não para a forma livresca. O fato mais importante para a estruturação das informações em “massa de tópicos descontínuos e desconexos”, foi o uso do telégrafo para a recepção das notícias. A relação direta entre a forma de diagramação do veículo com a era tecnológica vigente é exemplificada pela diferença estrutural de jornal literário (era mecânica) para um jornal telegráfico (era da eletricidade). Enquanto no primeiro, temos colunas representando um ponto de vista, no segundo “são expostos recortes desconexos num campo unificado por uma data.” O autor afirma que esta tecnologia libertou a imprensa provinciana marginal da dependência da grande imprensa metropolitana, descentralizando o poder de comunicação. Tratava-se, então, de um meio que abolia a noção de distância espacial por permitir a troca instantânea de mensagens. Este poder de aceleração dos processos foi, para McLuhan, a causa do enfraquecimento do sistema de jornalismo então vigente, orientado pelas opiniões editoriais, um reflexo da dinâmica natural do livro. No seu lugar, presenciamos o aumento do volume de notícias e a consagração da estrutura mosáiquica. É necessário declarar, de vez, que o ‘interesse humano’ é um termo técnico que designa o que é que acontece quando muitas páginas de um livro ou os múltiplos itens informacionais são dispostos em mosaico numa página. O livro é uma forma provada e confessional que induz ao “ponto de vista”. O jornal é uma forma confessional de grupo que induz à participação comunitária.. (....) é a exposição comunitária diária de múltiplos itens de justaposição que confere ao jornal a sua complexa dimensão de interesse humano. (p.231) Holtzman reconhece no telégrafo um catalisador do desenvolvimento das mídias mosáiquicas (expressão de McLuhan), ou seja, aquelas que apresentam a mensagem de forma descontínua. Para o autor, (...) a primeira página do jornal é um ícone das notícias feitas de muitos momentos e eventos do dia anterior em todo um país e mesmo no mundo. (...) O jornal moderno, enformado pelo telégrafo, pressagiou as qualidades da era digital. (HOLTZMAN 1997, apud SANTAELLA, 2008, p.96) Santaella (2007, p. 82-83) relembra que o jornal impresso foi também percussor na criação de sintaxes híbridas, unindo palavra, foto e diagramação para a criação de uma espacialidade informacional. A hibridização de meios, códigos e sistemas sígnicos desenvolveu-se especialmente com o cinema e com a TV, dadas as características audiovisuais destes meios.
  • 17. 17    Como relembra Castells (1999, p. 358), foi a TV que inaugurou uma modalidade de comunicação totalmente nova, “caracterizada pela sedução, estimulação sensorial da realidade e fácil comunicabilidade, na linha do menor esforço psicológico”. Esta última característica tem sido transformada após o advento de tecnologias que permitem maior controle do usuário sobre o sistema comunicativo, a exemplo do videocassete e os aparelhos de DVD, e mais, recentemente, dos games, conforme defende Steven Jhonson, em Surpreendente! - A televisão e o videogame nos tornam mais inteligentes (2005). (...) somos uma nação de viciados em reallity shows e maníacos por Nintendo. Perdida nesse relato, encontra-se a tendência mais interessante de todas: a de que a cultura popular tem se tornado cada vez mais complexa durante as últimas décadas, exercitando nossas mentes de forma mais poderosa. (2005, p.11) De qualquer forma, a televisão representou o fim da predominância de um sistema de comunicação formatado pelo sistema tipográfico de Gutenberg e pela ordem do alfabeto fonético. (MCLUHAN, 2005; POSTMAN; 1985). Mais que isso, a TV reestruturou todos os outros meios de comunicação que a antecederam. O rádio perdeu sua centralidade, mas ganhou em penetrabilidade e flexibilidade, adaptando modalidades e temas ao ritmo da vida cotidiana das pessoas. Filmes foram adaptados para atender às audiências televisivas. Jornais e revistas especializaram-se no aprofundamento de conteúdos ou enfoque de sua audiência. Os livros continuaram sendo os livros, embora o desejo inconsciente atrás de muitos deles fosse tornar-se roteiro de TV. (CASTELLS, 1999, p. 355-6) Com a introdução da TV, na década de 1960, e do acirramento da concorrência entre os jornais, grandes periódicos se engajaram em processos de reformas editoriais e gráficas. Essas reformas incluíam mudanças na forma de cobrir os acontecimentos e de redigir as matérias, introdução do planejamento visual das páginas, edição das fotografias e antecipação do fechamento das edições. Os jornais aprimoraram a apresentação gráfica, principalmente das capas, onde os elementos editoriais fragmentavam a página, que deixaram de apresentar a monótona exposição de matérias em colunas verticais, tornando-se vitrines de conteúdos desenvolvidos no miolo (AZEVEDO, 2007). A TV potencializou a lógica da fragmentação, que se acirrou com o zapping. A mídia de massa passa a segmentar seu público. Conforme CASTELLS (1999): (...) o fato de a audiência não ser objeto passivo, mas sujeito interativo, abriu o caminho para sua diferenciação e subseqüente transformação da mídia que, de comunicação de massa, passou à segmentação, adequação ao público e
  • 18. 18    individualização, a partir do momento em que a tecnologia, empresas e instituições permitiram essas iniciativas. (CASTELLS, 1999, p. 362) Santaella (1992) propõe o termo “Cultura de Mídias” para definir um período posterior à Cultura de Massas, caracterizado por fenômenos emergentes que flexibilizaram a dinâmica de comunicação midiática, a partir da década de 1970 e mais notadamente na década de 80. Como exemplos de tecnologias promotoras destes novos processos comunicacionais, a autora cita as máquinas de fotocópias e de fax, o videocassete, os videogames, os walkmans e a tv a cabo. O que todos estes meios tinham em comum? Elas ampliavam as escolhas do público, criando a segmentação da audiência, e, consequentemente, minando a experiência massiva. Em síntese, estes meios possibilitaram a descentralização da comunicação. Santaella (2001) lembra que a prática do zapping (mudança de canais através do controle remoto) tornou-se, desde então, uma preocupação central na indústria da publicidade e dos programas de TV. Sabbah (1985, apud Castells 1990) analisou a nova situação da seguinte forma: embora a audiência continuasse quantitativamente massiva, dois pilares da comunicação de massa haviam sido abalados - a simultaneidade e a uniformidade da mensagem recebida. Desta forma, a cultura de mídias deixou de ser mídia de massa “no sentido tradicional do envio de um número limitado de mensagens a uma audiência homogênea de massa”. Como vimos, este período é marcado pela convivência de mídias, pela hibridização de linguagens, e pela ampliação das ações do receptor da mensagem. Para Santaella, os processos de recepção surgidos por estas tecnologias segmentadoras, prepararam a sensibilidade dos usuários para as formas alineares e participativas da cultura digital. Ao citar esses processos comunicativos considerados constitutivos de uma cultura das mídias, a autora afirma: Foram eles que nos arrancaram da inércia da recepção de mensagens impostas de fora e nos treinaram para a busca da informação e do entretenimento que desejamos encontrar. Por isso mesmo, foram esses meios e os processos de recepção que eles engendram que prepararam a sensibilidade dos usuários para a chegada dos meios digitais cuja marca principal está na busca dispersa, alinear, fragmentada, mas certamente uma busca individualizada da mensagem e da informação. (SANTAELLA, 2003,p. 15-16).
  • 19. 19    CULTURA DE MASSA CULTURA DE MÍDIAS TIPO DE CULTURA Tecnologias segmentadoras: Tecnologias massivas: jornal impresso, fotocopiadoras, videoclipes, TV a tv, radio, telégrafo cabo, videocassete, jogos eletrônicos, TECNOLOGIAS walkman, etc Agentes são expostos aos mesmos Algumas tecnologias permitem hipertextos, simultaneamente, via um número reduzido de fontes que os usuários do sistema midiático institucionalizadas de produção e tenha uma experiência difusão de informação. As mídias não de comunicação mais segmentada PRAGMÁTICA DA permitem interações de mão-dupla, COMUNICAÇÃO criando a dicotomia emissor-receptor, e individualizada, devido à prevalecendo a pluralidade dos diversidade de escolha de canais. destinatários e a prática transmissionista de mensagens. O contexto de produção Prevalece a lógica emissão-recepção. é separado do contexto de recepção de mensagens. A memória individual também é passível de registro pela popularização das novas tecnologias, A memória social é objetivada, mas como gravadores de videocassete. CARACTERÍSTICA DA compartilhada por letrados e MEMÓRIA analfabetos Construção da memória individual. Escolha e registro individualizado da informação. Disjunção tempo/espaço e PERCEPÇÃO Fragmentação simultaneidade não-espacial DO TEMPO Escolha/Seletividade / Experiências VALORES Simultaneidade e uniformidade invidualizadas LINGUAGEM Cultura do audiovisual Sintaxes híbridas
  • 20. 20    2.3 Cibercultura – Convergência de mídias Para Levy (1999, p.17), um novo meio de comunicação surgiu a partir da interconexão mundial de computadores – o ciberespaço. O conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento desta rede, é chamado de cibercultura.2 O avanço tecnológico desestabilizador do sistema então vigente é o processo de digitalização, segundo o qual todas as fontes de informação são passíveis de codificação em dados binários (0 e 1), armazenamento e visualização em dispositivos informáticos. Este processo possibilitou o fenômeno da convergência de todas as mídias anteriores em um único dispositivo, uma vez que dissociou a informação de um suporte específico: papel, película, fita magnética, etc. (SANTAELLA, p. 83- 84). Uma das vantagens da codificação digital, é a manutenção da integridade das informações quando copiadas e transmitidas, infinitamente. Além disso, em seu estado numérico, as informações podem se manipuladas, e produzidas, automaticamente, em grande escala e rapidez. (LEVY, 1999, p. 52-3). O pixel é a expressão visual, materializada na tela, de um cálculo efetuado pelo computador, conforme as instruções de um programa. Se alguma coisa pré- existe ao pixel e à imagem é o programa, isto é, linguagem e números, e não mais o real. Eis porque a imagem numérica não representa mais o mundo real, ela o simula. (COUCHOT, 1993, p.42) Santaella lembra, no entanto, que o ciberespaço se apropria de todas as linguagens pré- existentes e deste hibridismo emerge uma ordem simbólica específica que “afeta nossa constituição como sujeitos culturais e os laços sociais que estabelecemos.” (p.125). Esta nova linguagem estrutura a visão de mundo do homem pós-moderno: um sujeito múltiplo disseminado, descentrado e com uma identidade instável. A autora afirma que o advento das comunidades virtuais e da inteligência coletiva são as principais conseqüências da cibercultura. Embora as comunidades virtuais não sejam uma particularidade desta (STONE, apud SANTAELLA, 2003), a World Wide Web, as potencializa. Por comunidades virtuais, entende-se grupos de pessoas conectadas globalmente na base de interesses e afinidades, em lugar de conexões acidentais ou geográficas. Para Levy (1999, p.129), estas comunidades ampliam as formas de debate público e as possibilidades de interação social, incluindo as presenciais. Ele afirma também que o objetivo último de toda comunidade virtual é desfrutar de uma inteligência coletiva. Estes dois fatores – comunidades virtuais e inteligência coletiva - somados à interconexão dos computadores constituem os três princípios básicos da cibercultura. “A                                                              2 Para maiores informações das origens históricas da cibercultura, consultar Cibercultura, de Pierre Levy. 1999
  • 21. 21    interconexão condiciona a comunidade virtual, que é uma inteligência coletiva em potencial.” (Ibid, p. 134). Levy pondera que o processo de virtualização do mundo teve início com a escrita, que permitiu a telecomunicação, a telepresença e a comunicação assíncrona. A novidade, segundo o autor, está na possibilidade de compartilhamento de uma memória comum por determinado grupo, em tempo real, independente da localização geográfica, horários ou número de participantes (1999, p. 43) 2.3.1 O hipertexto O termo hipertexto foi criado por Theodore Nelson para representar a ideia de uma escrita e de uma leitura não linear em um sistema de informática. Porém, de acordo com Lévy (1993, p. 25), o hipertexto pode ser uma metáfora válida para todos os âmbitos da realidade onde significações e interpretações estejam presentes. O autor identificou seis princípios do hipertexto, enquanto modelo teórico: I. Principio de metamorfose o A rede hipertextual possui uma configuração dinâmica. II. Princípio de heterogeneidade o Os nós e as conexões de uma rede hipertextual são de natureza heterogênea: analógica, digital, multimodais, etc III. Princípio de multiplicidade e de encaixe das escalas o O hipertexto possui uma estrutura fractal, ou seja, a análise de cada um de seus nós pode revelar uma rede análoga em escala. IV. Princípio de exterioridade o A modificação da rede depende de um agente exterior indeterminado. V. Princípio de topologia o A forma da rede é determinada pelas associações entre os nós. VI. Princípio de mobilidade dos centros o A rede possui diversos centros móveis, trazendo ao redor de si diversas ramificações. Todos estes princípios se aplicam à forma como o ser humano cria, mentalmente, redes de significados por associação de informações. Não por acaso, este foi o modelo proposto pelo
  • 22. 22    cientista Vannevar Bush (1945) para solucionar o já crescente problema de armazenamento e recuperação de documentos. Em seu ensaio visionário, “As We May Think”, Bush idealiza um aparato tecnológico constituído por uma rede hipertextual de informações em diversos formatos, chamado Memex. Nossa principal dificuldade em encontrar as informações de que precisamos estão relacionadas à superficialidade dos sistemas de indexação adotados. A informação é normalmente indexada ou em ordem alfabética ou em ordem numérica. Mas a mente humana não funciona dessa forma. Ela não opera por ordenamento alfabético ou numérico. Ela opera por associação. Quando ela apreende um item, ela salta imediatamente para o próximo que lhe é sugerido por associação de idéias, em função de algum processo complexo de elaboração de "trilhas" que é executado pelo seu cérebro. (Bush, 1945, p.) A aliança da metáfora de rede com o suporte informático, deu origem a um tipo de interface que “retoma e transforma antigas interfaces da escrita.” (Levy, 1993, p. 34). Uma interface é constituída por uma série de dispositivos lógicos, classificatórios e espaciais que determinam o tipo de relação do leitor com a informação. Por exemplo, os elementos de interface desenvolvidos a partir da técnica de impressão de Gutenberg, tais como páginas de títulos, cabeçalhos, numeração regular, sumários, notas e referências cruzadas possibilitaram o acesso não linear às informações, a segmentação do saber em módulos, a conexão a outras referências bibliográficas, etc. Além destes elementos visuais, Levy considera determinantes para a experiência cognitiva: a natureza do suporte da informação (papiro, papel, argila, pergaminho, etc), a forma como este se apresenta (organização do livro em códex ou em rolos, por exemplo) e a portabilidade dos suportes (favorecendo ou não a mobilidade). A partir dos exemplos de Levy (1993, p.56-57) concluímos que o termo hipertexto – ou texto em rede – é um mecanismo de estruturação de informações que flexibiliza o acesso aos documentos de um dado sistema. Os nós (elementos de informação), os conectores (elementos de orientação) e a estrutura não-linear caracterizam um documento hipertextual, a exemplo das bibliotecas, notas de rodapé, índices, etc. O suporte digital em rede possibilitou: a navegação instantânea em hipertextos (e a ampliação da escala), a associação de vários formatos de informação (imagem, texto, áudio, vídeo) e a mistura de fusão entre leitura e escrita (na medida em que os documentos digitais na web podem ser editáveis por seus leitores). Dentre os problemas do uso do hipertexto como interface da cibercultura, o autor pontua a perda da noção de totalidade (não há totalidade no ciberespaço). A interface digital da tela dos computadores oferece uma visão parcial do conteúdo, levando ao aumento da dispersão
  • 23. 23    da atenção, e conseqüente necessidade de elementos de orientação para melhor acesso aos documentos. Por sua capacidade de tornar os hipertextos “explicitamente disponíveis, diretamente visíveis e manipuláveis à vontade”, Levy considera “os esquemas, mapas ou diagramas interativos as interfaces mais importantes das tecnologias intelectuais de suporte informático.” O jornal encontra-se todo em open Field, já quase inteiramente desdobrado. A interface informática, por outro lado, nos coloca diante de um pacote terrivelmente redobrado, com pouquíssima superfície que seja diretamente acessível em um mesmo instante. A manipulação deve então substituir o sobrevôo. (LEVY, P. 36) 2.3.2 Elementos originais da cibercultura – bancos de dados, imagens de síntese e programas Além da peculiaridade da codificação digital, sistema fundamental de gravação e transmissão de informações na cibercultura, Levy (1999, p. 62) aponta dois conceitos originais em relação às mídias já estudadas: a informação em fluxo e o mundo virtual. Ambos são considerados dispositivos informacionais, pois qualificam a estrutura da mensagem. O espaço de fluxos diz respeito aos dados armazenados em bancos digitais, passíveis de atualização a qualquer momento (tempo real), e recuperáveis graças a sistemas especialistas e a programas de simulação. Se comparada à oralidade primária, quando não se dispunha de técnicas de armazenamento exterior ao corpo, e à sociedade histórica, fundada sobre a escrita, LEVY conclui que o saber informatizado afasta-se tanto da memória (o saber de cor), que o conceito de verdade (no sentido de exatidão) perde sua importância em função de outros valores como a operacionalidade e a velocidade. (Ibid, p.119). Desta forma, critérios de pertinência local e temporal substituem os de universalidade e objetividade, instaurados pelo pensamento científico. Se a função do pensamento teórico é a de explicar ou esclarecer um fenômeno, cabe aos simuladores dizer “como”. (Ibid, p.121) Por analogia com o tempo circular da oralidade primária e o tempo linear das sociedades históricas, poderíamos falar de uma espécie de implosão cronológica, de um tempo pontual instaurado pelas redes de informática. (LEVY 1999, p. 115)
  • 24. 24    O segundo conceito original da cibercultura é o mundo virtual, formado por imagens de síntese, também chamadas de infografias3, imagens de terceira geração (PLAZA, 1993). Uma imagem é classificada desta forma se for obtida por processos de síntese numérica digital e, portanto, por ter um caráter originalmente virtual4, não mantendo nenhuma relação física com algo pré- existente. O resultado da digitalização de uma fotografia (imagem analógica) não é, portanto, uma imagem de síntese, mas, uma imagem digital. Toda imagem de síntese é também uma imagem digital, mas nem toda imagem digital é uma imagem de síntese. (PARENTE, 1993, p. 284). Este método original de produção de imagens, “subverte os conceitos de cópia, de original e de reprodutibilidade” (PLAZA, 1993, p. 284). Quéau (1993, p.93), por sua vez, chama nossa atenção o fato de que estas imagens são essencialmente linguagens com potencial para a visualização, e que nisto reside seu poder: “em sua capacidade de interação com o espectador e na possibilidade de geração em tempo real”. Flusser (2007) propõe um estudo das formas de codificação da informação em duas categorias: linha e superfície. O registro linear foi propiciado pela tecnologia da escrita, como já foi dito também por Levy (1999). Os códigos de superfície, por sua vez, propiciam um tipo de experiência diferente entre sujeito e informação, e caracterizam o modelo predominante de nossa época (Ibid, p.102). São imagens de todos os tipos, analógicas ou digitais, dinâmicas ou estáticas e também as cores, por seu poder de transmitir mensagens. O filósofo destaca ainda a natureza numérica das imagens de síntese que propiciou um novo modo de produção imagético. Sobre este fenômeno, Flusser adverte: “temos que aprender a renunciar as explicações causais em favor do cálculo de probabilidades...” O mundo virtual pode ser considerado, então, como a quarta dimensão da imagem (PARENTE, 1993), um espaço contínuo, com o propósito de favorecer a exploração de simuladores ou modelos por usuários. Este tipo de conhecimento por simulação digital de um sistema modelado (planilhas, simuladores, games, etc) favorece uma forma de conhecimento distinta do “conhecimento teórico, da experiência prática e do acúmulo de uma tradição oral” (LEVY, p.122). Enquanto a escrita é uma tecnologia intelectual que expande a memória de curto prazo, a informática de simulação e visualização expande a imaginação e a intuição (Ibid, p.126). Trata-se de um conhecimento de cunho operatório, onde a interpretação (requisito da escrita) dá lugar à exploração.                                                              3 Não confundir com o termo infografia (gráfico informativos), usado para definir uma representação diagramática de dados. (Cairo, 2008; 21). 4 Segundo LEVY, "(...) o virtual não se opõe ao real, mas sim ao atual. Contrariamente ao possível, estático e já constituído, o virtual é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que chama um processo de resolução: a atualização." (1996, p.16)
  • 25. 25    Sobre a infra-estrutura técnica do virtual, Levy destaca os programas (em inglês, software) que são listas de instruções codificadas destinadas a fazer com que os processadores cumpram determinadas tarefas. O ciberespaço está repleto de programas com as mais diversas funcionalidades. Os programas aplicativos permitem ao computador prestar serviços específicos aos usuários, como editores de textos, planilhas, calculadoras, envio de e- mails, navegadores web, buscas em bancos de dados e blogs5. Por meio de “knowbots”, ou “agentes inteligentes” os usuários podem delegar tarefas para os computadores, substituindo a interação por manipulação direta por interação com assistentes automatizados. (SANTAELLA, 2003, p.109). Este paradigma emergente tem sido chamado de gerenciamento indireto (COSTA, 1999) e parece ser uma tendência de interface. Por fim, é importante lembrar que a compatibilidade entre softwares e hardwares6 na rede depende da adoção de padrões como os estabelecidos e regulamentos pela W3C7. Esta interconexão, como vimos, é um dos princípios básicos da cibercultura. É ela quem torna possível uma civilização de telepresença generalizada. 2.3.3 Cibercultura 2.0 Santaella (2009) e Lemos (2005) defendem que o advento de um conjunto de processos e de tecnologias inauguraram uma nova fase de desenvolvimento da cibercultura, marcada pela computação móvel e pervasiva associada aos sistemas de localização geográfica (GIS). Esta combinação deu origem às mídias locativas digitais, em que conteúdos são agregados a um lugar específico, “servindo para funções de monitoramento, vigilância, mapeamento, geoprocessamento, localização, anotação ou jogos.” (LEMOS, 2008). Mídia Locativa. Tecnologias e serviços baseados em localização cujos sistemas infocomunicacionais são atentos e reagem ao contexto. (...) Dimensão atual da cibercultura constituindo a era do “ciberespaço vazando para o mundo real” (Russel, 1999), a era da “internet das coisas”. (Manifesto sobre Mídia Locativa, Lemos, 2009, online)                                                              5 Blog: Abreviação de “web blog” (registro de informações na web), o termo inicialmente se referia a uma plataforma tecnológica que permitia atualização fácil e rápida de conteúdo na web. Cada vez mais, passou a se referir a uma forma de publicação de origem alternativa, em resposta a informações que circulam em outros blogs ou nas mídias comerciais. (Jenkins; 2008, 330) 6 Software: conjunto de instruções em lingaugem de máquina que controlam e determinam o funcionamento do computador e de seus periféricos. Hardware: qualquer componente físico de um computador. (LEVY, 199, 259) 7 O Consórcio World Wide Web (W3C) é um consórcio internacional no qual organizações filiadas, uma equipe em tempo integral e o público trabalham juntos para desenvolver padrões para a web. A missão do órgão é conduzir a World Wide Web para que atinja todo seu potencial, desenvolvendo protocolos e diretrizes que garantam seu crescimento de longo prazo. Acessível em: http://www.w3c.br/sobre/
  • 26. 26    Novas práticas sociais têm emergido deste cenário em que o indivíduo tem acesso à rede por meio de dispositivos sem fio, e onde intervenções virtuais podem ressignificar a percepção de determinado espaço geográfico, como no caso da realidade aumentada. As principais diferenças entre mídias locativas digitais e análogicas estão dispostas no quadro 6. Santaella aponta que nesta segunda fase da cibercultura, a dicotomia real/virtual deixa de fazer sentido. O que está em jogo é a emergência de espaços interticiais. Os espaços intersticiais referem-se às bordas entre espaços físicos e digitais, compondo espaços conectados, nos quais se rompe a distinção tradicional entre espaços físicos, de um lado, e digitais, de outro. Assim, um espaço intersticial ou híbrido ocorre quando não mais se precisa “sair” do espaço físico para entrar em contato com ambientes digitais. (Santaella, 2008, p.21) MÍDIA LOCATIVA DIGITAL MÍDIA LOCATIVA ANALÓGICA Informação massiva genérica sem Personalização da informação, identificação feedback ou processamento. do usuário. Mídia “smart”. Dados digitais e bancos de dados com Dados primários estáticos. informações de contexto local. Emissão por redes sem fio e captação em dispositivos Estática, “vista ao acaso”. móveis. Pervasiva e sensitiva. Processamento e customização da informação (controle, monitoramento, personalização). Não processa informação. Dados variáveis e modificáveis em tempo real. Dados estáveis. Quadro 6 - Comparação entre mídias locativas digitais e analógicas – Lemos (2008)
  • 27. 27    Lemos (2008) prefere o termo “territórios informacionais” para definir estas “áreas de controle do fluxo informacional digital em uma zona de intersecção entre o ciberespaço e o espaço urbano”. “O ciberespaço é, ao mesmo tempo, lócus de territorialização (mapeamento, controle, máquinas de busca, agentes, vigilância) mas também de reterritorialização (blogs, chats, P2P, tecnologias móveis)” (LEMOS, 2006, p. 15). Se antes as trocas informacionais eram originadas em meios massivos, com a cibercultura a interação entre pessoas passa, também, a ser efetuada pela internet fixa, mas limitada a lugares com estrutura de fios de eletricidade (escritório, lares, escolas). Na fase emergente, a troca de informações emerge de objetos que emitem localmente informações, processadas através de artefatos móveis conectados à rede mundial de computadores. Os próprios artefatos comunicam-se automaticamente entre si, realizando o que tem sido chamado de “internet das coisas”, internet 3.0 e Web 3.0. Dentre as principais tecnologias relacionadas a este feito, destacam-se: “dispositivos móveis (telefones celulares, smartphones, GPS), redes telemáticas sem fio (Wi-Fi, Wi-Max, Bluetooth, GPS) e sensores (RFID, principalmente)” (Lemos, 2009, p. 623). Estes artefatos permitem que informações locais sejam armazenadas em bases de dados remotos, e recuperadas quando o usuário estiver em uma posição geográfica específica. Em 2008, o jornal New York Times e o Google fecharam uma parceira para possibilitar a indexação de notícias no Google Earth, inaugurando a prática do geo-jornalismo online. Desta forma, os leitores do jornal podem navegar pelas notícias de uma forma completamente nova: geograficamente. Outra prática emergente e em ascensão, é o jornalismo “hiperlocal” que une colaboração de usuários e cobertura comunitária, como o Bairros.com8, do Jornal O Globo.                                                              8 http://oglobo.globo.com/rio/bairros/
  • 28. 28    CIBERCULTURA TIPO DE CULTURA Primeira Fase Segunda Fase Computadores móveis Computador desktop (fixo) + (digitalização da informação) Redes sem fio + + Telecomunicações (rede) Sistemas GIS (tecnologia de mapeamento geográfico) TECNOLOGIAS Convergência de mídias Advento das mídias locativas digitais Internet das pessoas Convergência de mídias Internet das coisas Agentes compartilham hipertextos próximos, mesmo estando geograficamente dispostos. Forma de socialização: comunidades virtuais/redes sociais PRAGMÁTICA DA COMUNICAÇÃO Exploração da realidade móvel aumentada Exploração da realidade virtual no espaço urbano Desterritorialização Hibridação do espaço físico com o ciberespaço Ciberespaço CARACTERÍSTICA A memória social é objetivada, mas em constante transformação, construída e desconstruída DA MEMÓRIA coletivamente, intermediada por computadores em rede TEMPO REAL PERCEPÇÃO
  • 29. 29    DO TEMPO Declínio do estatuto de verdade e da crítica (uso de simuladores e modelos operacionais) Valorização da imediatez e da mudança Pertinência local das informações (diminui a pressão pelo universalismo) Simultaneidade e descentralização Multiplicidade de escolhas / exploração Autoria e co-autoria / negociação Fragmentação, dispersão, alinearidade Cultura de acesso e não de posse Identidade instável Interação e iteração Imaginação VALORES Registros em bancos de dados Reterritorializações (territórios informacionais): Novas formas de apropriação do urbano Desterritorialização Importância do Contexto (hiperlocal) Acesso por redes fixas Mobilidade Apropriação do ciberespaço Conectividade LINGUAGEM Hipertextual / hibridização / Interação
  • 30. 30    III. ESTUDO EMPÍRICO O referencial teórico aqui estudado nos permitiu compreender melhor que caminhos seguir no trabalho de campo, pois algumas características do jornalismo impresso que julgávamos ser decorrentes do advento da internet são devidas a tecnologias mais remotas, como o telégrafo, por exemplo. Em decorrência do exposto, foram então discriminadas seis categorias de análise das interfaces impressa e online de O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, Estado de Minas e O Globo, e apenas online para os jornais G1 e New York Times. Por interface, adotamos a definição de Levy: “Uma série de dispositivos lógicos, classificatórios e espaciais que determinam o tipo de relação do ser humano com a informação” (1993, p. 34) Categorias de análise de interface Posicionamento da marca: público, história, marca (símbolo, slogan e nome) endereço na web. Observar a correlação entre o posicionamento impresso e online e se a forma de acesso online é intuitiva, como o nome do domínio, por exemplo. Verificar se há uma identidade corporativa entre as duas presenças ou se a imagem da marca é fragmentada. Estrutura do jornal - Cadernos e suplementos: (nomes e número de cadernos e suplementos). Observa se as versões online mantêm a mesma categorização que os impressos e se surgiram novas categorias como advento da web. - Primeira capa - As capas de jornais impressos sofreram alguma mudança estrutural e simbólica que possa ser atribuída à cibercultura? (Para jornais em que foi possível analisar edições anteriores à web, comparar antes e depois.) Observar também: o Variedade de assuntos por página o Tamanho dos textos (informação por texto + informação por imagens) Elementos de hipertextualidade: elementos que quebram a sequencialidade/linearidade do texto ampliando as informações relativas ao assunto.
  • 31. 31    Códigos de superfície: (cores, gráficos, ilustrações, fotografias, infográficos, etc) Alguma transformação pode ser notada nos jornais em relação ao uso de recursos imagéticos? Por infográficos, adotamos a definição de Cairo (2008: 21), para o qual infografia é uma “representação diagramática de dados”; bem como sua proposta de classificação (p.29), em infográficos estetizantes (predomínio de ilustrações informativas) e analíticos (visualização de dados; gráficos estatísticos). Interação com o leitor: Observar se há opções para o leitor interagir com o Jornal e com outros leitores e a presença do Jornal em mídias sociais. Convergência de mídias (tv/rádio/revistas/web etc) O fenômeno da convergência de mídias é notada? Por quais indicadores? Presença online extra site – Observar se há formas de o conteúdo do jornal ser acessado por outros meios além do site e do jornal impresso Formas opcionais de visualização e filtro do conteúdo - Observar se o jornal online oferece outras formas de visualização de seu conteúdo: como simulação da versão impressa (flip page) ou acesso por filtros prévios ou livres (ferramenta de busca) Publicidade – Observar os tipos de anúncios em cada meio, a quantidade e o espaço dedicado à publicidade. A seguir, serão apresentadas as respostas a estas perguntas para cada um dos jornais analisados. Para fins didáticos, cada categoria será analisada primeiro para a versão impressa e, logo depois, para a versão online. No capitulo 4, será feita uma análise crítica dos resultados aqui apresentados, uma vez que nossa intenção não é comparar os jornais entre si, mas encontrar padrões de comportamento e tendências em suas práticas mais emergentes que nos mostrem qual o estágio de apropriação da web por este segmento.
  • 32. 32    3.1. Jornal Estado de Minas Nos jornais do período de 1985 a 2001 não foram aplicadas os critérios as categorias de analise definidas no item três (estudo empírico). Essas categorias só se aplicam aos jornais analisados em 2009 por estarem inseridos no contexto da web 2.0. Em 2008 o jornal Estado de Minas comemorou 80 anos de existência. Publicado pela primeira vez no dia 7 de março de 1928, esse periódico, considerado um dos mais importantes jornais mineiros, faz parte dos Diários Associados, um poderoso grupo de comunicação, criado por Francisco de Assis Chateaubriand em 1924. Ao longo dos anos, o EM foi, diversas vezes, premiado internacionalmente pelo seu design gráfico e até hoje é referência nessa área. Nessa pesquisa analisamos exemplares do jornal do período que vai de 1985 até 2009. Iniciamos a analise a partir de 1985 para observar o impresso antes do advento da Internet. A análise de edições de 1988 teve como objetivo observar o início da utilização de imagens em policromia em algumas páginas do jornal, contudo, tirando este fato, a estrutura diagramática desse período é muito similar à de 1985. As análises se referem aos anos das reformas ocorridas no Estado de Minas. Em 1996 houve uma reforma gráfica (que normalmente ocorre ao mesmo tempo em que a reforma editorial), contudo a reforma editorial ocorreu apenas em 1998, portanto levantamos dados sobre esses dois períodos. Em 2001 houve outra reforma gráfica e editorial. E a última foi em 2004. Como o projeto gráfico de 2004 está vigente até hoje, optamos por incluir na pesquisas as edições de 2009, ano de publicação deste artigo. Com a finalidade de estudar todos os cadernos publicados em cada período, decidimos analisar edições de todos os dias da semana, com exceção de 1985 e 1988, quando o jornal não era publicado nas segundas. Dessa forma procuramos entender como a estrutura diagramática do jornal foi se transformando com o objetivo de adequar a leitura a uma nova dinâmica. As datas das edições analisadas são: 1985 – 26/11/85 – 27/11/85 – 28/11/85 – 29/11/85 – 30/11/85 – 01/11/85 1988 – 20/03/88 – 22/03/88 – 23/03/88 – 24/03/88 – 25/03/88 – 26/03/88 1996 – 07/03/96 – 08/03/96 – 09/03/96 – 10/03/96 – 11/03/88 – 12/03/88 – 13/03/88 1998 – 31/05/98 – 01/06/98 – 02/06/98 – 03/06/98 – 04/06/88 – 05/06/88 – 06/06/88 2001 - 07/03/01 – 08/03/01 – 09/03/88 – 10/03/88 – 11/03/88 – 12/03/88 – 13/03/08 2009 – 27/10/09 – 28/10/09 – 29/10/09 – 30/10/09 – 31/10/09 – 01/11/09 – 02/11/09 2009 (edições complementares de domingo) – 31/05/09 – 14/06/09 – 21/06/09 – 05/07/09 – 19/07/09 – 20/07/09 – 26/07/09 – 23/08/09 – 13/09/09
  • 33. 33    O Estado de Minas em 1985 Os cadernos existentes na época eram: Turismo, (figura 01) 2º Seção, Agropecuário (complemento), Dinheiro Vivo, Feminino, Fim de Semana, Classificados especiais, Veículos e Pequenos anúncios. Figura 1 - Caderno De Turismo Em 1985 Na capa do jornal havia algumas notas completas: nesse caso, toda a notícia se encontrava na capa, não havia indicação para o miolo. Contudo a maior parte delas contava com indicações para a página onde se encontra a matéria completa. Os elementos gráficos na capa se restringiam às fotografias (figura 2). Figura 2 - Capa 1985 Os textos da capa eram extensos e organizado em seis colunas. No geral, havia uma hierarquização das notícias. Para destacar alguns elementos na página, eram utilizados alguns títulos em itálico, quadros informativos, linhas e tipografia em tamanhos variados. Neste período, o jornal ainda não era impresso em policromia.
  • 34. 34    O uso de fotos e recursos gráficos não era tão freqüente quanto no jornal atual, porém em cadernos como “fim de semana” e “feminino” (figura 3) havia uma preocupação maior com o uso de imagens e outros recursos. A maior parte desses elementos eram ilustrações. Havia também algumas charges, que ocupavam um espaço ainda tímido na página. Na época já existia um infográfico sobre previsão do tempo (figura 4). Figura 4 Figura 3 - Caderno Feminino – 1985 O espaço para diálogo com o leitor era reduzido, a seção ‘Cartas à redação’ ocupava apenas uma coluna (figura 5). Figura 5 - Cartas à Redação (em destaque) A interação com outros meios de comunicação era grande. Cinema, TV, teatro e música eram assuntos recorrentes na publicação e também havia muita publicidade sobre esses meios. Havia
  • 35. 35    uma seção chamada “telemania” com novidades sobre o universo televiso, além de comentários feitos por um especialista. Às vezes eram publicadas cartas de leitores, que opinavam sobre um programa de TV. Essa interação era voltada principalmente para a divulgação de filmes e programação das principais emissoras, também havia dicas sobre peças de teatro em cartaz. O Estado de Minas de 1988 Em 1988 o jornal usa, pela primeira vez, imagens em policromia na capa do impresso e na capa de alguns cadernos (Figura 6). O miolo continuava monocromático. Os cadernos eram os mesmos de 1985, contudo o estilo tipográfico de alguns títulos foi alterado. A capa continuava apresentando uma predominância textual com poucos recursos gráficos. Os anúncios publicitários eram frequentes, alguns ocupando a página inteira. Os mais recorrentes eram sobre o Governo de Minas Gerais, no caderno de política, eletrodomésticos e eletrônicos e comunicados. Figura 6 - Imagem policromia – Caderno De Esportes (20/03/1988)
  • 36. 36    O Estado de Minas de 1996 Foi a partir da queda da “Lei de reserva de mercado para Informática” em 1992, que o Estado de Minas começou a investir em páginas visualmente mais atrativas. Foi nessa época também que as editorias de arte, infografia e ilustração foram criadas no EM. Com a chegada da internet e de tecnologias gráficas, alguns pontos, como informações visuais e interatividade ganharam importância e projeção. Em 1996 podemos perceber várias mudanças no Estado de Minas. No dia 07 de março de 1996, foi implementada uma reforma gráfica, feita pelo designer cubano Mario Garcia. A reforma começou em novembro e 1995, atingindo, primeiramente, o caderno “Informática” e “Telecomunicações” para depois ser implantada no restante do jornal. Nessa época, a organização das editorias do jornal foi modificada, existia o caderno principal, que era dividido em várias seções, como: Economia, Esportes, Exterior, Indicadores e dólar, Nacional, Opinião, Policia e Política, Local, Ciência e Tecnologia e Consumidor. Além disso, havia vários outros cadernos e suplementos. Eram eles: Especial, Esportes (Figura 7) Espetáculo, Gerais, Pequenos anúncios, Turismo, Gabarito, Gurilândia, Feminino, Veículos, Final de semana, Informática, Agropecuário. As cores eram utilizadas em alguns títulos com o objetivo de destacar e evidenciar determinados conteúdos. Figura 7 - Capa de caderno em 1996 A capa (figura 8) deste período apresenta elementos de alinearidade como índice e chamadas com indicação da página da matéria. Notamos aí a introdução da indicação do site do Estado de
  • 37. 37    Minas, que aparece bem timidamente no final da última coluna, no rodapé da página (marcação 1). Figura 8 - Capa de 1996 Nessa época, os recursos gráficos utilizados nas páginas do impresso ganharam mais espaço, como forma de atrair o leitor e facilitar a absorção do conteúdo. A hierarquização dos elementos torna-se mais evidente, recursos como tabelas, cores, títulos de retrancas (Figura 9) foram introduzidos com o objetivo de hierarquizar o texto e facilitar a leitura. O tamanho da fonte do titulo e do subtítulo na página também reflete a hierarquização. Notamos claramente a presença de notas, matérias e reportagens, mas os textos se tornaram mais enxutos, já que havia mais elementos gráficos como ilustrações. Nesse momento, a internet já estava em fase de crescimento, e o processo de informatização das redações já havia começado. As imagens passaram a ser usadas mais freqüentemente em todo jornal e o espaço ocupado por elas também passa a ser maior. Havia diversos elementos gráficos que destacavam o texto como linhas e espaçamentos maiores. Havia também ilustrações, quadros de informações, além de alguns infográficos (figura 10).
  • 38. 38    Figura 9 Figura 10 - Infográfico A interatividade com o leitor também aumenta nesse período. O jornal passa a dedicar mais espaço para a seção Cartas à Redação. Foi criado o Tell Service Cidadão, que permite a interação do leitor através de pesquisas de opinião, além disso, o Tell Service também é utilizado como um serviço de apoio à sociedade, disponibilizando informações sobre saúde, educação, lazer, entre outros. Por último, através do Tell Service, o EM divulga informações, que por questão de horário, não foram publicadas na edição do jornal do dia anterior, chamado de Jornal Interativo (figura 11). Também há a seção fale com o editor, espaço para que o leitor tire dúvidas e dê sugestões. O número do telefone comercial de vários departamentos e funcionários do EM também foram incluídos ao lado do título de algumas seções e cadernos,
  • 39. 39    como economia e esportes. Esses novos recursos têm como objetivo suprir uma necessidade de interação maior com o leitor que a internet já começava a possibilitar. Figura 11 - Tell Service O diálogo com outros tipos de mídia englobava agora, além das mídias tradicionais, como cinema e TV, a Internet. Inclusive o Estado de Minas inaugurou um provedor de acesso à internet, chamado de Net Service, (figura 12) que posteriormente passou a se chamar Uai. Figura 12 - Net Service A reforma editorial de 1998 Em 1998 houve ume reforma editorial no Estado de Minas. Normalmente a reforma editorial acontece simultaneamente à reforma gráfica, porém esse caso foi uma exceção. Essa reforma consistiu em um processo no qual as diretrizes editoriais foram revistas. As seções dentro do primeiro caderno eram: Exterior, Nacional, Opinião, Política, Ultimas, Ciência e Tecnologia, Economia, Esportes e Indicadores. Os outros cadernos eram: Classificados, Economia, Espetáculo, Esportes, Feminino, Final de semana, Gerais, Guia de negócios, TV, Veículos, Informática, França 98, Campus, Agropecuário, Onde Morar, Turismo, Ecológico, Gabarito, Viver BH e Pensar.
  • 40. 40    A utilização de recursos gráficos passa a ser mais frequente. Algumas matérias de destaque, seja pela sua importância ou pelo interesse que ela poderia despertar no público, recebiam um espaço maior e um tratamento gráfico mais complexo. Havia vários elementos gráficos como linhas coloridas que separavam textos, cores aplicadas de forma a destacar o texto e fontes estilizadas. A hierarquização dos elementos da página era evidente através de contraste entre tipos de corpos maiores e menores, imagens em destaque e títulos de retrancas. Assim como em 1996, o uso do bigode era freqüente (figura 13). Figura 13 A interação com outras mídias continuava existindo, especialmente com a TV, através de anúncios, além da sessão Telemania. A internet também era um tema recorrente no jornal, embora em menor escala que os dias atuais, O Estado de Minas, nessa época, dedicava muita atenção para a seção Cartas à edição (marcação 01), que ocupava um espaço maior na página e ficava dentro de seção de Opinião (figura 14).
  • 41. 41    Figura 14 A reforma de 2001 No período de 04 a 07 de março de 2001 houve a implantação de mais uma reforma gráfica, feita por Chico Amaral em 2000. Em relação ao planejamento gráfico podemos perceber a continuidade da tendência que o impresso começou a seguir nos anos 90. A organização das editorias do jornal continuou a mesma, contudo o caderno principal agora era chamado oficialmente de Primeiro caderno. As seções disponíveis no período analisado são: Economia, Esportes, Gerais, Indicadores, Internacional, Nacional, Opinião e Politica. Os cadernos e suplementos eram: Agropecuário, Classificados, EM Cultura, EM 74, Veículos, Turismo, Informática, Viver BH, Gurilândia, Pensar, Economia, Feminino e Masculino, Negócios, TV, Veículos e D+. Havia uma preocupação crescente com a organização visual das páginas, com a finalidade de facilitar a absorção do conteúdo pelo leitor e de tornar a publicação mais agradável de ser lida e mais atrativa. As páginas do jornal se tornaram mais leves, os elementos gráficos e as imagens ocupavam um espaço maior (Figura 15). As infografias também ganharam mais espaço (figura 16).
  • 42. 42    Figura 15 Figura 16 - Infografias A interação com a internet foi incorporada no impresso (figura 17). A internet estava começando a atrair cada vez mais a atenção dos leitores, a velocidade e rumos de sua evolução estava levando a internet a tomar a forma que ela tem hoje. Outra característica que ganhou mais importância foi a possibilidade de interação com os leitores. Os e-mails dos editores passaram a ser publicados junto com os telefones de contato.
  • 43. 43    Figura 17 - Publicidade do Uai no impresso Jornal em 2009 A última reforma gráfica foi implantada em 2004. Até então, o projeto gráfico continua o mesmo, mas alterações foram implementadas ao longo dos anos até 2009 com o objetivo de tornar o jornal mais contemporâneo. 3.1.1 Posicionamento da marca – Impresso e online O Estado de Minas tem uma relação de apoio com o provedor UAI de internet (é criador do Uai), portanto há uma referência a esse portal na capa do jornal (figura 18). O Estado de Minas possui uma tiragem de 104.365 exemplares distribuídos em diversos estados brasileiros. Em Minas Gerais o jornal distribuiu 1932 exemplares do impresso (dados do mês de dezembro de 2009). Por fazer parte do grupo Diários Associados, o Estado de Minas, não possui distribuição significativa fora de Minas Gerais, já que nos outros estados o grupo conta com outros impressos. Figura 18 - Logo do Uai
  • 44. 44    A primeira presença do EM na internet foi em novembro de 1995, quando foi criado um site para a seção de informática do jornal Estado de Minas. Em janeiro de 1996 esse site foi reformulado e passou a hospedar todo o conteúdo do jornal impresso. No início de 1996 o Estado de Minas criou o ‘Net Service’, um provedor de acesso a Internet. O EM foi o primeiro jornal do Brasil a oferecer esse tipo de serviço. No final de 1996 o nome foi trocado para ‘Uai’(figura 19). No dia 18 de novembro de 2009 o site do Uai foi reformulado por uma empresa terceirizada, e apresentou um novo layout, além de novas ferramentas. Figura 19 - Logo do Portal Uai Para o Estado de Minas, atualmente, existem dois sites que podem ser acessados, que possuem domínios diferentes. Um deles é o www.em.com.br, e o outro é o http://estadodeminas.ideavalley.com.br/autenticacao/. Os dois sites apenas reproduzem o conteúdo publicado na edição impressa. Não há um jornalista que se dedica exclusivamente à produção de conteúdo online. O logotipo do Estado de Minas, nos dois sites utiliza a mesma tipografia do impresso, contudo há uma inversão de cores (figura 20); No impresso o nome do jornal está em azul e o fundo é branco. No em.com.br o logo é branco e o fundo azul. Figura 20 3.1.2. Estrutura do Jornal - Impresso 3.1.2.1 Cadernos A divisão dos cadernos ficou mais organizada a partir do projeto gráfico de 1996 com a criação do caderno principal, chamado de Primeiro Caderno desde 2001, com várias seções como: Ciência, Economia, Nacional, Internacional, Opinião, Política. Os outros cadernos e suplementos de 2009 são: Bem viver, Especiais, EM cultura, Masculino e Feminino, Gerais,
  • 45. 45    TV, Esportes, Turismo, Veículos, Imóveis, Informática, Ragga Drops, Divirta-se, Pensar, Gurilândia, Trabalho, Agropecuário, Direito e Justiça e Classificados. 3.1.2.2 Primeira Página Na capa, as chamadas para os cadernos da edição utilizam uma fonte com o mesmo estilo e cor do nome do caderno referente (figura 21). Essas chamadas podem vir tanto na margem esquerda da capa, como também no topo ou na margem direita, algumas vezes elas ocupam mais de um desses espaços (figura 22). Figura 21 - Chamadas com o padrão de cores do Caderno referente. Figura 22 Na capa também encontramos índice em uma parte das edições (figura 23), endereço do site do Estado de Minas na Internet, telefones de contato, e diversos elementos gráficos.
  • 46. 46    Figura 23 - Índice na capa 3.1.3 Estrutura do Jornal – Online O Portal Uai (figura 24) conta com vários recursos, como notícias de outros meios dos Diários Associados e conteúdo exclusivo. O site é atualizado diariamente por uma equipe de jornalistas, que trabalha em turnos. Esses jornalistas também são responsáveis pela criação de conteúdo exclusivo para o Uai. Alguns desses jornalistas são encarregados dos sites associados ao Uai, como o Divirta-se, o Vrum e o Lugar certo. O Uai também oferece acesso rápido aos sites dos veículos dos Diários Associados, em Minas Gerais (rádio Guarani FM, Aqui, Ragga e TV Alterosa), redes sociais exclusivas, links para acompanhar o Uai em outras mídias sociais, (figura 25), classificados, um sistema de oferta e procura de empregos, um guia de utilidades, enquetes, entre outros. Um dos recursos adicionados na última reforma, e que foi destacado pela própria equipe do Uai, é a possibilidade de o usuário comentar matérias dentro do site do Uai. Além disso, também é possível compartilhar matérias através de mídias sociais. Como o Uai faz parte dos Diários Associados, parte do conteúdo dos outros veículos associados também é publicada nesse portal. Figura 24 - Portal Uai
  • 47. 47    Figura 25 - Mídias Sociais Dentro do portal Uai existem duas seções, o canal de esportes, chamado de Super Esportes; e o canal Dzaí, que funciona como uma rede social. O Super Esportes é atualizado diariamente a partir do conteúdo do próprio Estado de Minas impresso, isso ocorre na parte da manhã, por volta das 8 horas. Ao longo do dia, à medida que novos fatos vão ocorrendo, jornalistas do Uai produzem conteúdo exclusivo para o Super Esportes. Várias são as formas de o consumidor de conteúdos interagir com as informações, com a equipe ou com outros consumidores, entre elas estão; blogs, salas de bate-papo, podcast e-mail dos jornalistas e o próprio Dzaí. O Dzaí (figura 26) é o canal que funciona como uma rede social. É um site onde os internautas podem postar vídeos, imagens, áudio, criar blogs, podcast e comunidades, é um site colaborativo, ou seja, no caso de um acontecimento especial, os internautas são convocados a participar da produção de conteúdo através de matérias hospedadas no site do Uai. Além disso, o conteúdo produzido pelo internauta pode ser publicado no Uai, tanto dentro de uma matéria, exercendo o papel de complemento, como na própria página inicial do site. O Dzaí conta com colaboradores, chamados de “blogueiros parceiros”, que produzem conteúdo regularmente, e constantemente recebem um espaço no box do Dzaí (figura 27), na página inicial do Uai. O conteúdo produzido por internautas só é censurado se for considerado ofensivo a algum grupo social. A única forma de edição que esse material recebe é referente a pequenas expressões que podem confundir o internauta. (por exemplo, a utilização de palavras como “aconteceu ontem” são substituídas por expressões como “ocorreu na quarta-feira, dia do mês”)
  • 48. 48    figura 26 - Site Do ‘Dzaí’ Figura 27 - “Box” do ‘Dzaí’ na página principal do Uai O Uai muitas vezes funciona como uma ‘vitrine’ para a próxima edição do Estado de Minas impresso, revelando assuntos e matérias que serão abordados no dia seguinte. O site www.em.com.br tem o conteúdo praticamente igual ao jornal impresso, faltando apenas o recurso de infografias. O conteúdo é apresentado em um grid fixo (figura 28).
  • 49. 49    Figura 28 - Grid do Em.com.br No menu superior da página principal há um link para a central de assinantes do Estado de Minas. Nela encontramos ofertas especiais, alguns serviços oferecidos para os assinantes e um campo onde podemos postar reclamação caso alguma edição do jornal não tenha sido entregue. O site do Estado de Minas possui links para o conteúdo do Uai e para alguns serviços que o portal oferece, como Classificados.
  • 50. 50    3.1.4 Elementos de hipertextualidade - Impresso Além das chamadas de capa, existem chamadas em algumas matérias para complementos, referentes ao mesmo assunto, hospedados no site do Uai (figura 29). Figura 29 3.1.5 Elementos de hipertextualidade – Online No site, há hiperlinks com o nome de todos os cadernos, seções e complementos do impresso (figura 30). Contudo, como o Estado de Minas impresso não publica todos os suplementos e seções em todas as edições, alguns links não são atualizados diariamente, esses links só serão atualizados quando o EM publicar novamente um conteúdo dentro dessa editoria. As seções e suplementos também estão organizadas de forma alfabética. O em.com.br utiliza uma barra superior com alguns recursos do provedor Uai (figuras 31 e 32). Figura 30 - Página Principal Figura 31 - Barra de ferramentas do Uai
  • 51. 51    Figura 32 - Barra de ferramentas do Estado de Minas On Line Dentro da página de uma seção ou suplemento existem links que levam a outras notícias similares, e todas elas também são publicadas na versão impressa. 3.1.6 Códigos da Superfície – Fotografias, Ilustrações e Infografias – Impresso A maior parte do jornal é impressa em policromia, variando em torno de 47 páginas coloridas e 63 em preto e branco. As cores são usadas para organizar o conteúdo e identificar os cadernos. Os nomes dos cadernos vêm em boxes coloridos e a palavra vem em letras vazadas de acordo com as cores de cada caderno. Além disso, alguns cabeçalhos de cadernos vêm acompanhados de ícones (figura 33), que ajudam o leitor a identificar a editoria. Figura 33
  • 52. 52    No miolo do jornal, (figura 34). São usados recursos imagéticos na capa, como, por exemplo, uma foto que ocupa um grande espaço na página, acompanhada de um título em corpo grande, e que muitas vezes utiliza mais de duas cores diferentes e uma fonte estilizada que faça referência ao tema tratado na matéria (figura 35). O texto também interage com a imagem (figura 36). São também utilizados outros recursos para atrair a atenção do leitor como, por exemplo, boxes coloridos (figura 37). Figura 34 Figura 35
  • 53. 53    Figura 36 Figura 37 As infografias atuais são complexas e bem trabalhadas (figura 38). A evolução das ferramentas de ilustração gráfica permite que as infografias sejam mais detalhadas. Em alguns exemplos podemos perceber que a ilustração se destaca na página, em relação ao texto.
  • 54. 54    Figura 38 3.1.7 Códigos da Superfície – Fotografias, Ilustrações e Infografias - Online O em.com.br, utiliza um padrão de cores muito simples. O fundo é cinza, o cabeçalho e a maior parte dos detalhes é o azul utilizado pelo EM. O vermelho é utilizado em títulos e legendas de fotos. As cores dos cadernos do impresso não são mantidas no online. Os recursos imagéticos utilizados no online não têm tanta evidência quanto no impresso. Nas matérias, encontramos, normalmente, uma das imagens utilizadas na mesma matéria em sua versão impressa. Na primeira página do jornal online também há uma imagem, que normalmente é a mesma utilizada na versão impressa da mesma matéria. Contudo não foram encontradas infografias na versão online. 3.1.8 Interação com o leitor - Impresso Em relação ao diálogo com o leitor, na capa há o endereço do jornal na Internet, telefone de contato para assinaturas (0800 para várias localidades). A seção Cartas à redação ocupa um espaço um pouco maior que meia página e se localiza no caderno Opinião, que normalmente ocupa duas páginas. No caderno Opinião há vários telefones para diversos departamentos do jornal. Em cada editoria ou caderno do jornal podemos encontrar o nome da equipe responsável pela sessão em questão, além do seu e-mail e do telefone de seu departamento (esses e-mails foram disponibilizados a partir de 2001). 3.1.9 Interação com o leitor – Online O recurso de RSS está disponível no site do EM e no Uai. Com ele podemos ser atualizados toda vez que o site publicar uma notícia sobre qualquer um dos vários temas que o usuário escolher. Além disso, o EM disponibiliza um breve tutorial (figura 39) sobre RSS, inclusive indicando
  • 55. 55    agregadores que são necessários para o uso desse recurso. Não existe espaço para o leitor deixar uma comentário sobre a matéria no site. Figura 39 - RSS O Portal UAI possui um Twitter (http://Twitter.com/portaluai) onde são divulgadas chamadas do Portal UAI escritas especificamente para o Twitter (atendendo ao limite de 140 caracteres do serviço). As #hashtags³ (nota rodapé), um dos recursos básicos de postagem no Twitter, são utilizadas na redação. Através do Twitter também é feita a interação com os usuários, convidando para chats, deixar opiniões e enviar perguntas para entrevistados (figura 40). Figura 40 – Interação com usuários através do Twitter O Portal UAI possui uma seção específica para Blogs, onde jornalistas, músicos e outros especialistas convidados mantém páginas sobre temas variados (viagens, economia, futebol, música, cotidiano etc). O UAI possui uma comunidade oficial no Orkut (http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=96121773&refresh=1) e no Facebook (http://www.facebook.com/people/Portal-Uai/100000307414191), porém o número de usuários e as interações em ambos são muito pequenos
  • 56. 56    3.1.10 Convergência de mídias – Impresso A interação com outras mídias é grande. Um exemplo disso, que também serve como exemplo de interatividade com o leitor, é o Painel do leitor (figuras 41 e 42) e que funciona da seguinte forma: O leitor acessa o site “paineldoleitor.uai.com.br” e avalia a edição impressa do dia, dando notas e sugestões, o resultado é publicado diariamente na sessão Opinião, do Primeiro Caderno. Figura 41 Figura 42 – Anúncio do Painel do Leitor no impresso 3.1.11 Convergência de mídias – Online A convergência de mídias ainda não é muito explorada dentro do www.em.com.br. Contudo, dentro do site do Uai podemos encontrar vários links referente a outros meios do Grupo Diários Associados, como emissoras de TV e rádio.
  • 57. 57    O Portal UAI possui também uma rede própria, o DZAI (http://www.dzai.com.br/), com conteúdo multimídia enviado somente por usuários. Para divulgação de vídeos, utiliza-se um player próprio com vídeos da TV Alterosa (figura 43). Figura 43 – Player da TV Alterosa 3.1.12 Presença Online extra site O Estado de Minas possui serviços de RSS em seu site, o conteúdo desse serviço pode ser acessado tanto através de leitores de RSS, quanto por mídias móveis. Na rede social Orkut, o EM conta com duas comunidades oficiais e várias não oficiais. 3.1.13 Formas opcionais de visualização e filtro do conteúdo No Estado de Minas digital, o usuário pode visualizar a edição mais recente do impresso. Para acessar essa versão, é necessário um login e uma senha fornecidos para assinantes da versão digitalizada do impresso. Na página vemos um “leitor manuseando uma página de jornal impresso na tela de um laptop”, mostrando para o leitor a semelhança entre a edição impressa e a digital. O conteúdo desse site se limita a versões digitalizadas do Estado de Minas impresso e sua própria organização é feita de maneira a aproximar o site do formato impresso.
  • 58. 58    Os links presentes ao longo dessas páginas podem ser divididos em duas categorias: os primeiros são de acesso, ou seja, ferramentas que facilitam a leitura, como busca, zoom, mudança de páginas (figura 44, item 1). Os outros são links referentes ao conteúdo do jornal, como nome dos cadernos e das seções (figura 44, item 2). Figura 44 É possível mudar a página clicando no link com desenho de setas no topo da página. Quando fazemos isso, as páginas passam com um efeito de flip, simulando o movimento que ocorre quando manuseamos a página de um impresso. Todas essas ferramentas exemplificam a transição que está ocorrendo das mídias impressas para a mídia digital. O conteúdo é organizado de forma que simule a experiência de ler um jornal impresso. Os links são reduzidos ao máximo, para que o usuário se sinta “em controle” da informação. 3.1.14 Publicidade – Impresso A maior parte dos anunciantes do impresso são de grandes lojas de eletrodomésticos. Bancos e publicidade estatais também são recorrentes. Outro tipo de publicidade muito comum é do próprio Estado de Minas. Podemos encontrar anúncios publicitários menores do que meia página e também outros ocupando páginas inteiras e até duas páginas. 3.1.15 Publicidade – Online Na página principal do em.com.br, a espaço para a publicidade se resume a dois boxes. Os anunciantes mais recorrentes são construtoras e o próprio Estado de Minas.
  • 59. 59    3.2 Jornal Folha de São Paulo 3.2.1 Posicionamento da marca – Impresso e Online Fundada em 1921, a Folha de São Paulo é o jornal de maior circulação no Brasil9. A Folha sempre foi um Jornal pioneiro no país: em 1967, foi o primeiro a utilizar impressão offset em cores; em 1980, foi o primeiro jornal no Brasil a informatizar sua redação e, nessa época, começou também a investir em infográficos; foi o primeiro jornal no Brasil a criar, em 1989, a função de "ombudsman", profissional contratado para receber, investigar e encaminhar as queixas dos leitores; realizar a crítica interna do jornal e, aos domingos, produzir uma coluna de comentários críticos sobre os meios de comunicação, na qual a Folha é o maior alvo. O Grupo Folha é formado por várias mídias, incluindo jornais, editoras, gráficas e provedor de acesso à internet. O diferencial do jornal são os produtos e suplementos que o acompanham, como a Revista da Folha e o caderno Folhateen. Em 1995, a Folha lançou o "CD-ROM Folha", com o texto integral das edições do jornal do ano anterior. No mesmo ano, foi lançado o "Folha Online", cujo primeiro serviço oferecido foi o "Folha Web", uma sinopse diária das reportagens. Em 1996, o Grupo Folha lançou o Universo Online (UOL), primeiro serviço online de grande porte no país. O site permitia consultas ao banco de dados da jornal nos últimos três anos. A Folha foi o primeiro10 jornal em tempo real em língua portuguesa, com uma equipe de reportagem própria para o conteúdo online. Desde sua criação, há 80 anos, a Folha de São Paulo passou por 5 grandes reformas, a última delas em 2006. Nessa reforma, o periódico procurou focar em aspectos da vida moderna: a falta de tempo dos leitores, a internet e a rapidez na difusão das notícias. Seu novo formato pode ser lido em "duas velocidades": 5 minutos (pelo ‘leitor que folheia’) ou 50 minutos (pelo ‘leitor profundo’)11. Para esta pesquisa, foram analisadas as seguintes edições da Folha de São Paulo impressa: 03/05/09, 10/05/09, 24/05/09, 31/5/09, 7/6/09, 21/6/09, 5/7/09/09, 12/7/09, 9/7/09, 2/8/09 e 14/9/09, todos de domingo, por ser a edição mais completa da semana.                                                              9 Segundo dados da Folha: A Folha é hoje o jornal brasileiro de maior tiragem e circulação. Os números auditados pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação) são: Circulação Paga - Junho/2009: Domingos: 343.542 exemplares. Dias úteis: 289.381 exemplares. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/conheca/circulacao.shtml, consultado em 11/09/2009 10 De acordo com a Redação da Folha: “É o primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa. Com uma equipe de reportagem própria, tem por objetivo a criação, produção e desenvolvimento de conteúdo jornalístico on-line, além de serviços com destaques para áreas de interatividade.” Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/conheca/folha_online.shtml, consultado em 11/09/2009 11 Texto de Marcelo Beraba, disponível em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=383VOZ001, consultado em 11/09/2009
  • 60. 60    O Jornal impresso circula com o slogan "Um jornal a serviço do Brasil" e utiliza a seguinte marca: Figura 45a A análise do site da Folha foi realizada no dia 11 de setembro de 2009. O Site do jornal utiliza o slogan "Primeiro jornal em tempo real e em língua portuguesa" e a marca: Figura 45b O nome do jornal passa a ser Folha Online ao invés de Folha de São Paulo, e seu endereço é www.folha.com.br 3.2.2 Estrutura do Jornal - Impresso 3.2.2.1 Cadernos A edição impressa circula com 7 cadernos diários divididos em 80 páginas: Folha Brasil, Ciência, Cotidiano, Dinheiro, Esporte, Ilustrada e Folha Mundo. Os suplementos são publicados ao longo da semana: Folha Informática, Equilíbrio, Turismo, Folhinha, Folhateen, Mais!, Revista da Folha, Veículos, Construção, Empregos, Negócios, Imóveis, Guia e Moda. 3.2.2.2 Primeira Página No cabeçalho da página da capa, há a marca do Jornal, endereço do site, data da publicação, hora em que a edição foi fechada e informações editoriais. Sempre há 2 ou mais imagens de tamanho médio ilustrando as notícias ou reportagens em destaque; a chamada principal é escrita com uma fonte de tamanho maior (figura 46). As capas utilizam boxes coloridos enfatizando e delimitando algumas chamadas, aleatoriamente (figura 47, item 1); as cores não correspondem à cor do respectivo caderno interno. Um recurso utilizado é a interação da imagem com o texto (figura 47, item 2). Em torno de 1/5 do espaço da capa é destinado para publicidade. As chamadas da capa englobam basicamente um destaque de cada caderno, algumas se restringindo somente à chamada e outras incluindo também um texto. Na capa também há a previsão do tempo do dia, com um pequeno resumo, e o número da página indicando a previsão completa nas páginas internas (figura 47, item 3).
  • 61. 61    Figura 46 Figura 47 3.2.3 Estrutura do Jornal - Online 3.2.3.1 Seções O site é diagramado em três colunas, sendo a da direita destinada à busca e publicidade. O Grid é fixo, variando somente no tamanho vertical das colunas (figura 48).
  • 62. 62    Figura 48 - Grid do Jornal Online A divisão do menu superior do site abrange grandes categorias: Notícias, Especiais, Serviço, Galeria, Colunas, Erramos, Fale Conosco, Atendimento ao Assinante, Grupo Folha e Assine Folha. O submenu Notícias contém os links com o mesmo nome dos editoriais do impresso: Ambiente, Bichos, Brasil, Ciência e Saúde, Comida, Cotidiano, Dinheiro, Educação, Equilíbrio, Esporte, Ilustrada, Informática, Mundo e Turismo, além da seção exclusiva do jornal Online Em
  • 63. 63    cima da hora. O caderno impresso "Guia" passa a se chamar Guia da Folha Online no site. Na versão impressa, o caderno oferece a programação cultural de eventos na cidade, enquanto na versão digital oferece uma busca com várias opções de filtros: por local, evento, preço, somente de São Paulo. Os cadernos especiais têm uma versão online, normalmente uma página com um apanhado de todas as notícias sobre determinado assunto, além de vídeos e imagens. Para identificar a página, o diferencial é um banner no topo com uma imagem relacionada ao assunto (figura 49). Alguns especiais têm hotsites, páginas tematizadas com um tratamento apurado visualmente (figura 50). Figura 49 Figura 50 3.2.3.2 Primeira Página Nas colunas da esquerda e do meio do site, as notícias estão divididas por assunto de acordo com as editorias. Na área visível do browser, sem necessitar da rolagem do mouse, há a seção Em cima da hora, onde chamadas das últimas notícias publicadas atualizam-se em intervalos de
  • 64. 64    segundos (figura 51, item 1). Abaixo, estão as chamadas das notícias mais importantes do dia ou que receberam maior destaque (figura 51, item 2); no começo do dia, algumas dessas chamadas são as mesmas do jornal impresso, porém ao longo do dia são substituídas por novidades (notícias produzidas exclusivamente para a versão online). As imagens aparecem em poucos casos: em um box com uma chamada e uma fotografia, que é rotacionada automaticamente (figura 51, item 3), e thumbnails que ilustram chamadas aleatórias ao longo da página inicial. O box "multimídia" oferece vídeos, podcasts e enquete, utilizando ícones de som e tv para identificar o conteúdo (figura 51, item 4). Os links dos editoriais levam para páginas internas que seguem a mesma disposição de elementos da página inicial: uma imagem destacada, em tamanho maior, e alguns thumbnails em outras notícias (figura 51, item 5). Figura 51 3.2.4 Elementos de hipertextualidade - Impresso É utilizado um recurso parecido com o hiperlink: após uma notícia, são listadas outras notícias parecidas no mesmo jornal, contendo uma pequena chamada e o número da página em que a matéria se encontra (figuras 52 e 53).
  • 65. 65    O leitor é guiado pela página por elementos como chamadas, olhos, intertítulos e títulos de retranca. Nas chamadas, a indicação das páginas correspondentes às matérias ou reportagens é feita pelo número da página e letra correspondente ao caderno. Figura 52 Figura 53 3.2.5 Elementos de hipertextualidade - Online A página interna das notícias possui um grid padrão para todas as editorias. No começo do texto, é informada a hora em que foi realizada a última atualização da notícia (figura 54, item 1); Intercalando o corpo do texto, são linkadas outras matérias que se relacionam com a atual (figura 54, item 2); no decorrer do texto da notícia, são incorporados links no próprio texto de outras notícias que já foram publicadas no jornal ao qual o texto se refere (figura 55). No final da notícia, são oferecidas opções de compartilhamento em redes sociais (figura 54, item 3), envio de matérias por e-mail e postagem de comentários na própria página da notícia (somente em algumas seções, como Política e Economia. Na de variedades, por exemplo, não é possível comentar) (figura 54, item 5). Após as opções de compartilhamento, há links para “Leia mais” (com outras matérias sobre o tema), link para ler outras notícias do mesmo caderno, link para especiais e links para publicações sobre o assunto da PubliFolha (editora do Grupo Folha) (figura 54, item 4).
  • 66. 66    Figura 54 Figura 55
  • 67. 67    3.2.6. Códigos da Superfície – Pictogramas e ícones, Diagramas, Fotografias e Infográficos - Impresso As cores são usadas para diferenciar títulos, subtítulos, chamadas e nome dos cadernos e, juntamente com o tamanho das fontes e as imagens, hierarquizam o espaço da página (figura 56). No Caderno Classificados, especificamente, as cores são usadas em um recurso gráfico em analogia às abas de websites (figura 57). Figura 56 – Página hierarquizada por imagens, boxes, cores e fontes Figura 57 Ao longo da notícia, as cores destacam citações e trechos do texto; boxes e elementos tipográficos adquirem a função de imagem (figura 58 e figura 59). As capitulares, quando usadas, são da mesma cor do caderno a qual pertencem (figura 60).
  • 68. 68    Figuras 58 e 59 – Elemento tipográfico adquire a função de imagem Figura 60 A Folha utiliza ícones para indicar principalmente conteúdos disponíveis na versão online (figura 61). Figura 61 – Ícones na Folha impressa As fotografias são muito valorizadas: são sempre coloridas, interagindo com o texto (figura 62) e se tornando um elemento tão importante quanto ele. No caderno Mais!, cuja proposta é mais livre em termos de linguagem gráfica, as fotografias ocupam até meia página e, em alguns casos, a página inteira (figura 63); são contornadas por áreas brancas de respiro, técnica que aumenta a visibilidade da imagem (figura 64). Ilustrações e charges também interagem com o texto (figura 65).
  • 69. 69    Figura 62 Figura 63
  • 70. 70    Figura 64 Figura 65 – Ilustração interagindo com o texto Os Infográficos sempre são ilustrados, contextualizando a imagem com o assunto (figura 66). Os infográficos com um nível de complexidade maior são utilizados quando é necessária uma
  • 71. 71    explicação esquematizada ou mais detalhada, principalmente para as matérias de capa. Nas edições analisadas, todas de domingo, as matérias de capa que traziam um apanhado semanal de um evento importante possuiam infográficos (figura 67). Figura 66 Figura 67 – Infográfico em matéria de Capa 3.2.7. Códigos da Superfície – Pictogramas e ícones, Diagramas, Fotografias e Infográficos – Online A hierarquia visual se dá através do tamanho da fonte, principalmente; a cor é utilizada somente nos títulos das seções, que correspondem à cor dos cadernos impressos e utilizam a mesma
  • 72. 72    tipografia do título (figura 68). Os títulos das notícias têm a mesma cor padrão dos links do site (azul). Figura 68 - Título do caderno impresso e online são correspondentes São utilizados ícones para o conteúdo multimídia, indicando podcasts, áudio e vídeo. (figura 69) Figura 69 – Ícones para conteúdo multimídia da Folha Online As fotografias incorporadas nas matérias ocupam um espaço de destaque menor do que no jornal impresso (figura 70). Porém, há uma seção específica para fotos no site, chamada “Galeria” (figura 71). Figura 70 – Fotografia incorporada em matéria
  • 73. 73    Figura 71 – Galeria de imagens Os infográficos não possuem uma seção específica no site; são encontrados através das matérias que os contém. Alguns são animados, porém nenhum deles é interativo (figura 72). Figura72
  • 74. 74    3.2.8. Interação com o Leitor - Impresso A comunicação com o Leitor é feita pela seção "Painel do Leitor", onde há algumas cartas de leitores enviadas por correio, e-mail ou fax; também há um link para mais opiniões online (figura 73). Figura 73 – Painel do Leitor 3.2.9. Interação com o Leitor - Online A interação com o leitor proporciona um conteúdo dinâmico ao site, podendo ser instantânea, o que não é possível no impresso. Na Home do site, há uma sessão com notícias mais lidas e mais enviadas, que variam de acordo com a visitação dos usuários. Há enquetes em que pode-se votar e ver o resultado parcial na hora, diferente do jornal impresso, onde normalmente é necessário esperar a próxima edição para checar o resultado. No link "Serviço", o leitor pode enviar sua notícia (“Envie sua notícia”), que será publicada após revisão do editor do site; reclamar no canal de defesa do consumidor (“A cidade é sua”); corrigir dados das notícias (“Comunicar erros”); reclamar no “Atendimento ao assinante”; receber notícias do mercado financeiro assinando especificamente o Folhanews e acessar outros sites do Grupo Folha. A Folha de São Paulo possui um Twitter (http://Twitter.com/FolhadeSP), onde uma função automática publica as últimas notícias do site. As chamadas não são adaptadas e, por isso, frequentemente não atendem ao requisito de no máximo 140 caracteres do Twitter (figura 74); um dos recursos básicos de interação no Twitter, as hashtags (nota de rodapé/ glossário), não são utilizadas. O jornal não interage com seus seguidores respondendo à dúvidas, por exemplo.
  • 75. 75    Figura 74 - Twitter da Folha de São Paulo A Folha de SP possui uma seção específica para Blogs, onde jornalistas convidados mantém páginas sobre temas variados (viagens, economia, futebol, música, cotidiano etc). O Jornal não divulga comunidades do Orkut ou Facebook no site oficial, porém há comunidades nessas redes, não-oficiais, feitas por usuários. 3.2.10. Convergência de mídias - Impresso O jornal impresso apresenta interações com a internet: Em algumas notícias, há ícones (figura 75) que representam um conteúdo disponível no site do jornal, podendo ser uma informação complementar, a continuação de determinada matéria ou outro recurso multimídia como vídeo ou animação. Para acessar esse conteúdo online, especificado na edição impressa, não é necessário ser assinante do jornal. Na seção Folha Corrida, há o item "Hits da web", representado pelo ícone de um mouse, indicando conteúdos que foram destaque na Internet (figura 76).
  • 76. 76    Figura 75 – Indicação de material complementar à notícia Figura 76 – Seção “Hits da Web” 3.2.11. Convergência de Mídias - Online A interação com o jornal impresso se dá através de notas em algumas notícias, como "Leia a matéria na íntegra na Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas" (figura 77). No site, também estão disponíveis na íntegra algumas matérias que saíram no jornal impresso sem necessidade de ser assinante para visualizar. Figura 77
  • 77. 77    O Jornal oferece opções de interagir com as notícias através das redes sociais Twitter, Facebook, Delicious, Myspace, Google e Digg (figura 78) Figura 78 Para divulgação de vídeos, utilizam o player da TV Uol (Parceiro do site) (figura 79). Figura 79 – Player da UOL no site da Folha de SP 3.2.12. Presença Online Extra Site O jornal possui a opção de assinar o serviço de RSS, assim o leitor não precisa entrar no site para ter acesso às notícias (figura 80). A Folha possui versão para celular, podendo ser acessada por celulares e smartphones através do endereço wap.folha.com.br. Também há a opção de enviar notícias por mensagem de texto, sendo cobrada a taxa de envio da mensagem. Figura 80 – Visualização por RSS
  • 78. 78    3.2.13. Formas opcionais de visualização e filtro do conteúdo É possível filtrar notícias por Mais lidas, Mais comentadas e Mais enviadas. A ferramenta de busca do site separa o conteúdo entre a Folha Online e a Folha de S. Paulo (figura 81); quem busca pela Folha Online, encontra um conteúdo que só pode ser acessado por assinantes do jornal (seja da versão impressa, digital ou assinantes do portal UOL). Figura 81 A versão digital do jornal impresso pode ser acessada pela Home do site, na opção "acesse a edição de hoje online". O leitor pode escolher entre a versão digital (que utiliza um Plugin para visualização com animações e interações) ou então a versão “somente texto” (figura 82). O conteúdo do jornal impresso é restrito a assinantes da Folha impressa, online ou do Portal Uol. Até o dia 11/09/09, essa versão digital era uma reprodução apenas do texto da edição impressa, sem a diagramação do impresso (figura 83). A partir do dia 12/09/09, a Folha substituiu essa forma de visualização por outra: passou a disponibilizar uma versão igual à impressa, acrescida de opções de busca, impressão, adição de notas a uma página, além de ser possível favoritar matérias e implementar o efeito de "flip" ao virar uma página do Jornal (figura 84). Figura 82 – Versão “Somente Texto” do Jornal impresso
  • 79. 79    Figura 83 – Interface antiga de visualização do Jornal Impresso Figura 84 – Visualização da versão digital do Jornal atualmente 3.2.14 Publicidade - Impresso A publicidade é muito explorada, ocupando páginas duplas, espaços entre notícias e por vezes interferindo graficamente em uma notícia. O conteúdo publicitário não é relacionado com os assuntos da página, mas são estrategicamente inseridos em cadernos cujo leitor seja o público-
  • 80. 80    alvo do anunciante em questão; nota-se uma grande publicidade de eletrodomésticos, imóveis e eletrônicos, no geral. (figura 85) Figura 85 3.2.15 Publicidade - Online Além do próprio Grupo Folha, que utiliza uma grande parte do espaço publicitário do site, também há a publicidade direcionada por palavras-chave, assim o conteúdo é modificado dependendo do histórico do usuário que navega no site. Os anúncios são mesclados com o conteúdo jornalístico, utilizando uma hierarquia parecida com a das notícias (como cores iguais). Os banners também utilizam animações e ações invasivas, como popups que surgem na tela. São anunciados principalmente produtos eletrônicos, livros e serviços de telefonia. 3.3. Jornal Estado de São Paulo 3.3.1 Posicionamento da marca A história do jornal Estado de São Paulo se iniciou em janeiro de 1875, ainda sob o nome de “A Província de São Paulo”. Dez anos após sua fundação, passou a ser comandado por Júlio Mesquita, o primeiro editor da família que controla o jornal até hoje. Em 1889, com a proclamação da república, passou a se chamar “O Estado de São Paulo” e, desde então, tem tomado grande importância no cenário político nacional, se posicionando em todos os grandes momentos da história do país. Em 1966 o jornal criou sua versão vespertina, denominada Jornal da Tarde, que representou um grande impacto no jornalismo brasileiro em termos gráficos e editorial. Em 1993 o jornal passa por sua mais profunda reforma gráfica, na qual adota o logotipo
  • 81. 81    atual, em azul, além de aumentar significativamente o uso de cores em suas páginas. No ano 2000 o Estado de São Paulo começa a investir na internet, criando o portal Estadao.com.br, que em três anos se torna liderança em sites de jornalismo no Brasil. Em 2004 o jornal adota o formato utilizado hoje com uso de cores e grande variedade de cadernos. Por fim, em 2007, o portal Estadão também se reforma, se aproximando do projeto do próprio jornal impresso, ampliando o conteúdo disponível e se tornando mais dinâmico. Segundo maior jornal paulista, o Estado de São Paulo usa, desde 1993, a logomarca atual (figura 86), na cor azul. O nome do jornal, no entanto, é o mesmo desde 1889, e também é conhecido como “Estadão”. Por essa razão, o portal do Estado de São Paulo na internet, criado no ano 2000, utiliza, mesmo que em cores diferentes, essa alcunha (figura 87). Figura 86 Figura 87 A seguir, analisaremos 12 edições do jornal, veiculadas no período entre 21 de junho e 23 de agosto de 2009, sendo dez delas veiculadas em domingos, nos dias 21 e 28 de junho, 5, 12,19 e 26 de julho, 2, 9, 16 e 23 de agosto, uma edição de segunda-feira e outra de sexta-feira, nos dias 3 de agosto e 26 de junho, além do portal estadao.com.br, acompanhado diariamente no período de 7 de outubro a 5 de dezembro do mesmo ano, com o intuito de comparar os dois veículos em busca de indicadores da influência digital no formato dos periódicos atuais.
  • 82. 82    3.3.2 Estrutura do jornal - impresso 3.3.2.1 Cadernos Hoje, o Estado de São Paulo conta com 6 cadernos: Primeiro caderno se subdivide em Opinião, Nacional, Internacional, Vida; Economia; Cidades; Esportes; Caderno 2 e Link, além de outros 7 suplementos (Paladar, Agrícola, Aliás, Autos, Casa, Feminino, TV e Lazer, Viagem e Aventura e PontoEdu). Do ponto de vista editorial, os textos do Estado de São Paulo se caracterizam por analisar os fatos, aprofundando no assunto tratado. Já a disposição gráfica dessas informações é feita sob um padrão rígido, seguindo o modelo (figura 88). Figura 88 3.3.2.2 Primeira Página Nas capas principais do jornal (Figuras 89 e 90), predominam chamadas que não ultrapassam um parágrafo, e uma grande ilustração para um dos destaques principais. A grade de seis colunas é fixa em todas as páginas do jornal. A organização gráfica dessas capas, no entanto, não segue estritamente uma mesma ordem.
  • 83. 83    Figura 89 Figura 90 3.3.3 Estrutura do jornal online 3.3.3.1 Seções A estrutura do portal do Estadão, principalmente no que se refere aos cadernos e suplementos, é similar ao que é feito no jornal impresso, já que os mesmos se repetem nas seções do site, com o mesmo tipo de conteúdo, mesmas cores padrão e logotipo de cada seção. O acréscimo, em termos de conteúdo se faz nas seções “Link” e “Blog”. Voltados para a divulgação de conteúdo digital, ambos dialogam com as várias mídias presentes na internet. Em “Link”, o portal Estadão.com.br amplia o conteúdo do caderno de mesmo nome da versão impressa, publicado às segundas-feiras. Enquanto o caderno impresso se dedica à publicação de notícias sobre tecnologia e o mundo digital, a seção online correspondente se desdobra em notícias, vídeos, áudios, blogs e matérias especiais, além do conteúdo proveniente do impresso. Além disso, apresenta perfis do jornal em diversas redes sociais: Limão, Orkut, Youtube, FaceBook, Flickr, Twitter, MySpace e Del.icio.us (Figura 91, item 1). O uso dessas redes, no entanto, com exceção do Flickr e Youtube, não trazem conteúdo extra, servindo apenas para divulgação, através de chamadas, de materiais publicados no portal.
  • 84. 84    1 Figura 91 O desdobramento de uma seção, mesmo que não faça uso de outras mídias, é outra característica do portal do Estadão. Mesmo que correspondentes a um caderno da versão impressa do jornal, cada seção possui sub-seções como forma de categorizar o conteúdo e facilitar a navegação. A seção “Nacional”, por exemplo, possui as sub- seções “Política”, “Questões Sociais”, “Amazônia” e “Eleições” (figuras 92 e 93). Figura 92 Figura 93 A seção “Blog” apresenta uma variedade de endereços onde se encontram informações, comentários, textos e outros conteúdos sobre diversos temas. É uma seleção de blogs feita pela Redação e escritos por jornalistas (figura 94).
  • 85. 85    Figura 94 3.3.3.2 Primeira Página Já a apresentação das notícias no site se difere do jornal impresso. Tanto a página principal quanto as seções internas apresentam uma profusão de chamadas, todas com fotos e textos de até duas linhas, além de uma grande imagem para o destaque principal. Nas páginas das matérias em si é rara a utilização de imagens, geralmente apresentando um texto objetivo. (figura 95) Figura 95
  • 86. 86    3.3.4 Elementos de hipertextualidade - Impresso Os elementos hipertextuais encontrados no impresso, além das chamadas de capa, com a indicação das páginas correspondentes às matérias ou reportagens, é utilizado um recurso parecido com o hiperlink. Pequenos ícones com referência ao site do jornal na internet aparecem após uma matéria (figura 96). Figura 96 3.3.5 Elementos de hipertextualidade - Online Já o portal Estadao.com.br utiliza de tags como recurso para reordenar a busca por conteúdos. Ao final de cada texto, uma lista com as tags relativas à matéria lida é apresentada, podendo o leitor, a partir dali, realizar uma busca de conteúdos ligada aos termos presentes. Nas capas de cada seção, as tags aparecem em uma “nuvem”, recurso da cibercultura, em que as tags mais buscadas aparecem com mais destaque do que as demais (figura 97). Além das tags, vários links são encontrados na página principal e nas capas de cada seção. Títulos, chamadas e inclusive versais acima das chamadas para matérias levam a páginas com matérias a respeito, ou ao texto completo da notícia referida. Figura 97
  • 87. 87    3.3.6 Códigos de superfície - Pictogramas e ícones, Diagramas, Fotografias e Infográficos - Impresso A maior parte das informações gráficas contidas no jornal se apresentam sob a forma de fotografias, sendo estas presentes em quase todas as páginas do jornal. Em menor quantidade, as infografias apresentadas são de cunho estetizante, o que significa que são predominantemente figurativas. Imagens (figura 98 e 99), ilustrações e elementos gráficos são recursos utilizados para explicar os dados apresentados. Durante o período pesquisado, foi constatada uma média de duas infografias por edição, sendo o caderno de economia o que teve maior número encontrado, havendo infografia em todas as edições analisadas, e o de política o que obteve menor registro do elemento, com apenas duas infografias ao longo das edições analisadas. Figura 98 Figura 99 Além desses recursos, o uso da cor tem grande importância no Estado de São Paulo. Cada caderno é representado por uma cor (figura 100, item 2 e figura 101, item 1) que é
  • 88. 88    utilizada no nome do caderno, na capa de cada um e ao longo do mesmo, em cabeçalhos de matérias, notas, gráficos ou entrevistas. As versais das matérias também são destacadas por cor, no caso, vermelho (figura 100, itens 3 e 4 e figura 101, item 2). Todas as páginas do jornal utilizam cores, o que reforça também o amplo uso de fotografias que intercalam com os textos do jornal, geralmente extensos (figura 100, item 5). 2 4 3 5 1 Figura 100 – Fotografia, infografia e publicidade 1 2 Figura 101 Em cada caderno do jornal, outro elemento gráfico se destaca: as capas internas mostram o nome do caderno, cada um com uma cor respectiva. (figura 102). Além disso, a capa de cada caderno apresenta, além de chamadas no topo da página, seguindo
  • 89. 89    o mesmo padrão de tamanho da capa principal, uma matéria completa sobe o assunto de destaque. Figura 102 3.3.7 Códigos de superfície - Pictogramas e ícones, Diagramas, Fotografias e Infográficos - Online No site, grande parte dos elementos gráficos faz constante referência ao jornal impresso. Mesmo com um formato de texto diferente, com matérias curtas e mais objetivas, as cores predominantes seguem o mesmo padrão da versão impressa do Estado de São Paulo, tanto em relação às versais em vermelho quanto ao uso do azul da logomarca utilizada em vários elementos como nas abas de cada seção (Figura 103).
  • 90. 90    Figura 103 O portal estadao.com.br faz, como o jornal impresso, amplo uso de fotografias, e usa uma cor específica para cada seção (as mesmas dos cadernos impressos (Figura 104). Figura 104 Alguns ícones são utilizados no site para identificar o tipo de conteúdo, podendo ser vídeo, fotografia ou texto (figura 105). Esses ícones aparecem junto ao link para o conteúdo especificado, sempre na cor vermelha. Figura 105
  • 91. 91    3.3.8. Interação com o leitor - Impresso A versão impressa é bastante limitada quanto à participação do leitor. A interatividade com o Estado de São Paulo está na Seção de Cartas, que traz comentários de leitores enviados via e-mail ou correio, com resposta da redação. Tem também uma coluna no caderno Cidades chamada SP reclama, onde reivindicações da população da cidade são publicadas. 3.3.9. Interação com o leitor - Online O site do Estadão busca sempre uma interatividade maior com o leitor. Ferramentas como espaço para comentários, a possibilidade de avaliar a matéria, em uma escala de 0 a 5, o uso de tags e a possibilidade de se enviar fotos para a redação são as principais formas utilizadas para aprimorar a experiência de quem visita o portal. Um dos recursos utilizados com maior freqüência é o Foto-Repórter. Em matérias de grande relevância jornalística, a redação do Estadão abre espaço para o envio de fotografias de leitores sobre o tema, que são dispostas em uma galeria. As fotografias poderão ser publicadas também no jornal impresso ou comercializadas para a Agência Estado, sendo, nesses casos, o autor da foto remunerado. O Estado de São Paulo também faz amplo uso de redes sociais para interagir com seus leitores, o que será tratado em outro tópico. (figura 106) Figura 106 – tags e cometários
  • 92. 92    3.3.10 Convergência de mídias - Impresso Existe um diálogo constante entre os dois veículos. O Estadão impresso traz, ao final de algumas matérias, a logomarca do portal Estadao.com.br com um breve texto, chamando o leitor a participar do site. Além disso, a marca do portal aparece em outras páginas do jornal, como nas capas dos cadernos. 3.3.11 Convergência de mídias - Online Já a versão digital possui um forte diálogo com o jornal impresso. Além das cores e de elementos gráficos, como ícones em vermelho, as marcas e cores dos cadernos, o Estadao.com.br traz o recurso de visualização do jornal impresso em reprodução digital. No site, todos os dias, à meia noite, são publicadas chamadas para as notícias que sairão no jornal impresso do dia seguinte, com links que levam o leitor à versão digital da matéria que será publicada. O portal busca em redes sociais, recursos hipertextuais e interatividade com o leitor, uma maior convergência, apresentando, inclusive, conteúdos em áudio e vídeo. Há, inclusive, um canal de vídeos no site chamado TV Estadão, com matérias sobre assuntos variados. 3.3.12. Presença online extra site O Estadão se faz presente em redes sociais que vão além do website do jornal. É possível acompanhar a produção jornalística através de RSS e do Twitter. 3.3.13 Formas opcionais de visualização do conteúdo e filtros de conteúdo O Estadão Digital, acessível somente para assinantes, disponibiliza a partir de um link no cabeçalho do Estadao.com.br arquivos digitais das páginas impressas, em uma reprodução fiel do jornal na internet. Por fim, é possível também acompanhar as notícias do Estadão através de um aplicativo para o Desktop do usuário, no qual chamadas para as notícias no site são dispostas na área de trabalho do computador do leitor (figura 107, item 3), e através do celular, com versões do site adaptadas a telas menores, e também através de alertas em mensagens de texto, obtidas através de uma assinatura mensal (figura 107, item 4).
  • 93. 93    Figura 107 3.3.14 Publicidade - Impresso O Estado de São Paulo mantém vários anúncios em suas páginas. De origens variadas, a publicidade no jornal chega a ocupar, em algumas páginas, mais espaço do que o próprio texto, inclusive, apresentando alguns anúncios de página inteira. Os principais anunciantes registrados no jornal impresso foram uma loja de eletrodomésticos e uma marca de carros. (figura 108) Figura 108 – capa com anúncio de marca de carros 3.3.15 Publicidade - Online O portal do Estadão dedica um espaço fixo, ao lado direito da página, para anúncios publicitários. Tanto nas capas quanto nas páginas internas, sempre há uma publicidade, geralmente animada, na página visitada. Ao entrar na página principal, um pop-up também aparece com um anúncio. O principal anunciante registrado durante a pesquisa foi a Sky. Há também uma parceria com a Zap Móveis, que resulta na incorporação de
  • 94. 94    uma barra de buscas da empresa na página principal do portal. Por essa barra o usuário pode pesquisar imóveis no banco de dados da Zap. 3.4 Jornal O Globo 3.4.1 Posicionamento da marca – Impresso e Online Em 1925, o jornalista Irineu Marinho, então proprietário do jornal A Noite, fundava o jornal “O Globo”. Era o início de uma trajetória vertiginosa, responsável pela atual Organizações Globo, detentora do maior conglomerado de mídias do Brasil. Com a morte de Irineu, 23 dias após a publicação da primeira edição do jornal, seu filho Roberto Marinho assume os negócios e dá continuidade ao O Globo. Inicialmente com apenas oito páginas em preto em branco, o jornal evoluiu ao longo de sua existência de acordo com as inovações da época. O uso de imagens se iniciou em 1936, com as primeiras radiofotos. A primeira fotografia colorida, no entanto, só veio a surgir e 1979, sendo o primeiro jornal do Brasil a utilizar o recurso. O jornal O Globo só veio a tomar a forma atual, no entanto, em 1995, quando passou pela sua mais drástica reforma gráfica. Assinado por Milton Glaser e Walter Bernard, o novo projeto trazia uma quantidade bem maior de cores, graças aos novos computadores que passaram a ganhar espaço nas redações, e o logotipo do jornal passou a ser o que é utilizado até hoje. (figura 109) Figura 109 – Logotipo O Globo A análise apresentada se baseia nesse projeto atual, que pouco se difere do proposto em 1995. Para o estudo, foram utilizadas 12 edições de domingo de O Globo, nos dias 21 e 28 de junho, 5, 12, 19 e 26 de julho e 2 de agosto, além de duas edições de sábado, dos dias 20 de junho e 18 de julho, além da edição do dia 3 de agosto, segunda-feira. Já a análise do site do Jornal O Globo foi realizada no dia 18/10/09. O Site do O Globo mostra notícias online dos Jornais O Globo, Extra e Diário de São Paulo. A Marca utilizada é a mesma do impresso: (110)
  • 95. 95    Figura 110 3.4.2 Estrutura do Jornal - Impresso 3.4.2.1 Cadernos O jornal O Globo é distribuído nacionalmente, e não tem sua tiragem divulgada. As edições de domingo, as mais completas, possuem 80 páginas, que se dividem nos cadernos Opinião, País, Rio, Cidades, Economia, Mundo, Ciência, Esportes, Cultura, Educação, Saúde, Tecnologia e Viagem. As capas dos cadernos não se diferenciam pelo conteúdo, não possuem chamadas como na capa principal do jornal, mas sim matérias com páginas internas. Há, porém, um logotipo para cada editoria, que se assemelham entre si e aparecem com cor na primeira página de cada editoria e em preto e branco no restante. (figura 111) Figura 111 – logotipo editorias 3.4.2.2 Primeira Página A primeira página do jornal é constituída por alguns elementos que, por padrão, se repetem em suas edições. Uma coluna vertical à esquerda e uma linha horizontal na parte superior da página trazem pequenas chamadas. No restante da página, aparecem outras chamadas maiores, duas manchetes, uma textual com letras grandes e uma com uma grande imagem. (figura 112)
  • 96. 96    Figura 112 - Capa de O Globo. Endereço na web aparece no topo da página O grid é de seis colunas, podendo se encontrar, em uma mesma página, matérias diagramadas em cinco colunas. O layout do jornal tem predominância textual. (figura 113) Figura 113 - Colunagem diferenciada e predominância textual 3.4.3 Estrutura do Jornal - Online 3.4.3.1 Seções O grid do jornal é formado por 4 colunas (figura 114). O conteúdo é dividido em boxes, utilizando o tamanho da fonte para hierarquizar as informações, sem fazer uso de cores ou diferenciação em relação a qual seção o conteúdo pertence.
  • 97. 97    Figura 114 O site tem uma seção específica para especiais, que são hotsites contendo material textual, animações, vídeos e som sobre um determinado tema. Alguns permitem uma interação maior com o leitor, como o caso do especial “Futebol” (figura 115), onde o leitor pode arrastar os jogadores e montar seu próprio time de futebol. Figura 115 Na opção Serviços, são encontrados serviços para o cidadão brasileiro, como cálculo de IPVA, previsão do tempo e assinatura do jornal. A opção Guia de Serviço também está incluída, mas possui a observação "Rio" (figura 116), indicando que o conteúdo é específico da cidade. No Guia de Lazer do jornal, o conteúdo do Rio de Janeiro e São Paulo recebe destaque, enquanto as demais cidades aparecem listadas abaixo (figura 117).
  • 98. 98    Figura 116 Figura 117 3.4.3.2 Primeira Página No menu superior da home do site, há links para os serviços que podem ser encontrados na versão online e os links para as seções do jornal (figura 118 - item 1). O primeiro link desse menu se chama “Capa” (figura 118 - item 2), aludindo à capa do jornal impresso. Há a opção de aumentar/diminuir a fonte da página para melhorar a legibilidade (figura 118 – item 3). São usados ícones para diferenciar notícias e indicar qual o formato da mesma, como fotografia, vídeo, aúdio, enviada pelo leitor, escrita por um blogueiro do O Globo (figura 119), além do ícone de comentário. Figura 118
  • 99. 99    Figura 119 3.4.4 Elementos de hipertextualidade - Impresso O único elemento hipertextual utilizado no jornal impresso é o link feito em alguns textos para o website oglobo.com.br. (figura 120) Figura 120 3.4.5 Elementos de hipertextualidade - Online A página de notícias apresenta a data e a hora em que a notícia foi publicada. Logo no começo do texto, há opções para votar e inserir comentários (figura 121 – item 1). No decorrer do texto, há hiperlinks que remetem a outras notícias publicadas sobre o mesmo assunto (figura 121 – item 2). Em Mais Notícias, ao lado da notícia, aparecem mais notícias sobre o mesmo tema (são buscadas por palavras-chave) (figura 121 – item 3). No final do texto, há opção para compartilhar o conteúdo da notícia em redes sociais (figura 121 – item 4) e visualizar os comentários de outros leitores (figura 121 – item 5). Na coluna da direita, há mais uma opção de interação, uma enquete para votação e uma pergunta solicitando a opinião do leitor (figura 121 – item 6).
  • 100. 100    Figura 121 As matérias que têm chamadas na capa podem ser acessadas sem cadastro. Já as matérias dos cadernos internos exigem um cadastro (gratuito) no site (figura 122). Figura 122
  • 101. 101    3.4.6 Códigos da Superfície - Pictogramas e ícones, Diagramas, Fotografias e Infográficos - Impresso O jornal se destaca no uso de novos recursos gráficos pelo uso de infografias. Considerando a amostragem utilizada nessa pesquisa, podemos observar em torno de 7 a 10 infografias por edição. Com tipos e utilidades variadas, as infografias são sempre coloridas e, na maioria das vezes, ilustradas. O predomínio de infográficos analíticos é notório, mesmo que, em algumas ocasiões, mescle os tipos de informação. (figura 123 e 124) Figura 123 - Infográfico Figura 124 – Infográfico mescla dados estatísticos, analíticos, ilustração e fotografia A cor principal utilizada pelo O Globo, por ser a cor da marca do jornal, que aparece na capa do mesmo, é o azul. Nas páginas internas, no entanto, não há predominância de uma cor específica. Em referência a seu formato original, em preto e branco, O Globo mantém uma grande
  • 102. 102    quantidade de textos em suas páginas, configurando uma aparência acinzentada ao jornal. Nos cabeçalhos de algumas editorias, usa-se o laranja junto ao azul da marca (figura 125). As cores também são utilizadas no jornal em fotografias e ilustrações, além de anúncios publicitários, com caráter estético. Figura 125 3.4.7 Códigos da Superfície - Pictogramas e ícones, Diagramas, Fotografias e Infográficos - Online Na seção multimídia, há destaque para as últimas fotos, vídeos e áudios publicados no site (figura 126). O Globo não possui um menu específico para infográficos; é possível acessá-los através das notícias que os contém (figura 127). Há infográficos animados (figura 128), porém nenhum em que se possa interagir com o conteúdo, acrescentando dados ou realizando simulações. Figura 126
  • 103. 103    Figura 127 Figura 128 O site utiliza, como cor principal, o mesmo azul utilizado na versão impressa. As cores das chamadas e dos links também são azuis (figura 129, item 1). Quando há um conteúdo para ser destacado, ele é representado pelo laranja (figura 129, item 2).
  • 104. 104    Figura 129 Os cadernos Esportes (figura 130) e Tecnologia (figura 131) ganham cores diferentes e um destaque maior na parte gráfica. Figura 130 – Caderno Esportes Figura 131 – Caderno Tecnologia
  • 105. 105    3.4.8 Interação com o Leitor - Impresso A parte destinada à opinião do leitor no jornal impresso segue o padrão de outras publicações. Cartas e e-mails são dispostos em uma página específica, intitulada Cartas dos Leitores, em que não há um diálogo efetivo, limitando-se a respostas de algumas das mensagens. 3.4.9 Interação com o Leitor - Online Na página inicial, além das últimas notícias publicadas pela redação do jornal, há espaço para notícias enviadas pelos leitores e para aquelas que foram mais votadas/mais visualizadas. Na seção Eu-Repórter (figura 132), o conteúdo é todo enviado pelos leitores. Para enviar, deve ser realizado um cadastro no site do O Globo (gratuito) e, após o envio dos dados escolhidos (fotos, textos ou vídeos), o conteúdo é submetido à equipe do site para aprovação prévia e posterior publicação no site (ou no jornal impresso, como é salientado das regras para envio de material). É possível para as outras pessoas interagirem comentando e compartilhando o conteúdo em redes sociais (figura 133), votando nas matérias lidas, enviando por email ou mesmo comprando os direitos de reprodução do texto e imagem. É possível, também, enviar correções do texto, que são avaliadas pela redação, que pode alterar o conteúdo. Figura 132 Figura 133 Na seção "Blogs", o jornal reúne blogs separados por assunto (figura 134). Não é informado qual critério é utilizado para a escolha os blogueiros e nem há informações sobre quem são. No Blog "Bairros.com", especificamente, é exibido o conteúdo enviado pelos leitores somente da cidade do Rio de Janeiro.
  • 106. 106    Figura 134 3.4.10 Convergência de mídias - Impresso Quanto aos aspectos relativos à convergência do jornal O Globo com diferentes mídias, ressalta- se a tentativa de expandir o conteúdo do jornal através do site. O jornal impresso faz recorrentes menções ao online, com textos que incitam o leitor a freqüentar o endereço eletrônico como maneira de compreender melhor o assunto tratado na matéria ou opinar sobre o tema proposto (figura 135). Figura 135 – Chamada para o site de O Globo Outra forma encontrada pelo jornal para integrar outras mídias consiste no envio de notícias por celular. A iniciativa de trabalhar as mídias móveis, por mais que escassas no Brasil, é experimentada por O Globo através do envio de até seis mensagens com as principais notícias do dia, além da manchete do dia seguinte, enviada assim que a edição é fechada. O serviço é oferecido por pequenas chamadas próximas a essas notícias. (figura 136)
  • 107. 107    Figura 136 – Notícias enviadas por SMS 3.4.11 Convergência de mídias - Online A difusão convergente das notícias no site do Globo ocorre, basicamente, a partir de vídeos e do Podcast, com boletins em áudio das notícias veiculadas no site. Os vídeos são produzidos pela redação do jornal e veiculados através do player do site Globo.com (figura 137) Figura 137 - Player da Globo O periódico também integra seu conteúdo com o Twitter. Além de permitir que o leitor siga o perfil do jornal no microblog, os leitores podem enviar tweets com a hashtag #narua e os textos irão aparecer na seção específica do O Globo online (figura 138).
  • 108. 108    Figura 138 Algumas reportagens são publicadas somente no Jornal Impresso; elas aparecem no jornal online acompanhadas de notas com "Leia a íntegra da matéria na Edição de sexta-feira do jornal O Globo" (figura 139). Figura 139 3.4.12 Presença online extra-site O Jornal O Globo possui vários perfis no Twitter, direcionados para assuntos específicos (Mundo, Cultura, Saúde, Esporte, etc - http://oglobo.globo.com/globoTwitter/), além de um perfil geral do Jornal (http://Twitter.com/jornaloglobo). No perfil, são divulgadas principalmente as chamadas do Jornal (escritas especificamente para o Twitter, respeitando o limite de 140 caracteres). Além disso, o perfil também “retuita” notícias de seus seguidores (figura 140) e convida o leitor para participar e interagir com o jornal (figura 141). Figura 140 – RT de notícia enviada por leitor
  • 109. 109    Figura 141 – Convite para interação A seção Blogs do Jornal possui colunistas que tratam de assuntos variados (futebol, música, cotidiano, economia, opinião, etc). Não há nenhuma comunidade oficial no Orkut divulgada no site, porém há um aplicativo (http://www.orkut.com.br/Main#AppInfo?appId=81280780673). Ao adicionar o aplicativo ao perfil, o usuário exibe para os amigos os comentários que ele fez nos blogs e matérias do site do O Globo, além de ler notícias do Eu-Repórter (figura 142). Figura 142 - Aplicativo do Orkut Além disso, na página de notícias, é possível compartilhar o conteúdo em várias redes sociais (figura 143). Figura 143
  • 110. 110    3.4.13 Formas opcionais de visualização e filtro de conteúdo A versão digital do jornal impresso pode ser acessada pela Home do site, na opção "Edição digital". O endereço é modificado para http://www.oglobodigital.com.br. O conteúdo é disponível para assinantes do jornal impresso para acessar somente o online. A versão digital é igual à impressa, acrescida de opções de busca, impressão, adicionar notas a uma página e favoritar matérias, além de implementar o efeito de "flip" ao virar uma página do Jornal (figura 144). O jornal oferece também opções para acompanhar o conteúdo por RSS, Mobile, Widgets, Kindle, Newsletter. Esses veículos, no entanto, são experiências recentes do Globo, e recebem diversas reclamações de usuários quanto a atrasos na publicação e conteúdo incompleto. Figura 144 3.4.14 Publicidade - Impresso Como a maioria dos jornais em circulação no Brasil, um dos fatores que mais chama atenção em O Globo é a grande quantidade de anúncios publicitários presentes. A dificuldade dos jornais em se pagarem sem o espaço comercial fica clara quando se encontram publicidades ocupando 70% a 80% de algumas páginas. (figura 145)
  • 111. 111    Figura 145 3.4.15 Publicidade - Online A publicidade é direcionada por palavras-chave, gerando conteúdo dependendo do histórico do usuário. Os anúncios são mesclados com o conteúdo jornalístico, utilizando uma hierarquia parecida com a das notícias (como cores iguais). Os banners também utilizam animações e ações invasivas, como popups que surgem na tela (figura 146). São anunciados principalmente imóveis, produtos eletrônicos, serviços bancários e de telefonia. Figura 146 – Pop up publicitário
  • 112. 112    3.5 Jornal New York Times 3.5.1 Posicionamento da marca Inspirado na tradição, credibilidade do The New York Times impresso - um dos maiores jornais impressos do mundo - o site nytimes.com pode ser considerado pioneiro por diversas razões. Inovação no conteúdo, no formato, a integração com novas ferramentas da rede como Twitter, FaceBook, Youtube, além de ser um dos sites de jornalismo mais acessados no mundo. Importada do jornal impresso, fundado em 1857, a marca The New York Times se tornou símbolo de qualidade jornalística nos Estados Unidos e no mundo, e seu tradicional logotipo (figura 147) foi apropriado ao site, abrindo mão, somente, do slogan, All that fits to print (tudo o que cabe no papel). Figura 147 - Logo do The New York Times A marca se tornou, hoje, tão forte, que tanto o logotipo como os estilos de fontes utilizadas, quantidade de cores, além do rigor editorial se tornaram características marcantes do produto oferecido. O New York Times sempre optou por um visual sóbrio, com uma grande predominância do preto e branco, utilizando de cores apenas nas fotos. 3.5.2 Estrutura do jornal 3.5.2.1 Seções As seções principais do portal do NYT são: World, U.S., Politics, N.Y., Business, Technology, Sports, Science, Health, Opinion, Arts, Style e Travel, cada uma com algumas respectivas subdivisões. Há também um espaço de serviços, com aplicativos, itens à venda e recursos como alertas de notícias via email e venda de ingressos para cinema e teatro. Todas essas opções, além de informações institucionais e sobre a versão impressa, podem ser acessadas em uma barra lateral presente na primeira página. Além das seções principais, outros espaços, com menos destaque na barra lateral, também podem ser acessados. Blogs, palavras cruzadas, classificados,
  • 113. 113    podcasts, vídeos, conteúdo multimídia, obituário, previsão do tempo, são algumas das opções presentes. Já nas páginas internas, uma versão reduzida da barra de seções, com apenas as 12 principais e os classificados, passa a integrar a página na parte superior 3.5.2.2 Primeira página A primeira página do site do nytimes.com é composta por uma grande quantidade de elementos, principalmente textuais, sobre assuntos variados. Os espaços são definidos, com grandes destaques do dia na parte superior esquerda, com o destaque maior, com imagem, para a manchete, artigos em destaques na parte superior direita, destaques de menor relevância abaixo da parte de destaques principais, logo abaixo uma matéria em vídeo e, na parte inferior da página, links para os destaques de cada seção separadamente, com apenas o título de cada matéria. Há também um quadro com o ranking de notícias mais populares entre os leitores. A hierarquização dos itens é feita priorizando as matérias principais na parte superior, com imagens, enquanto outras informações ficam abaixo, sem destaque, em pequenas chamadas (figuras 148 e 149). Figura 148 Figura 149
  • 114. 114    3.5.3 Elementos de hipertextualidade Além das barras, lateral e superior, do site, que são links para as seções do nytimes.com, outros itens hipertextuais são encontrados em textos na cor azul. Títulos e chamadas, na respectiva cor, além das imagens, são links para as devidas matérias. 3.5.4 Códigos de superfície - Pictogramas e ícones, Diagramas, Fotografias e Infográficos O nytimes.com faz uso de cores em ícones, a partir do preto, azul e vermelho. O azul se refere aos elementos hipertextuais. Já a cor vermelha é menos utilizada, normalmente em elementos temporais como o horário em que a navegação acontece e há quanto tempo determinada notícia foi postada. O restante do texto é preto, com créditos e legendas em cinza, sendo predominante nas páginas internas. O uso mais consistente de cores, no entanto, é feito nas fotografias e infografias. Um dos maiores diferenciais do site do The New York Times reside em sua seção multimídia, onde se encontra todo o conteúdo referente a imagens, vídeos e infográficos. O conteúdo de fotos é dividido em slideshows, que agrupam galerias de imagens de diferentes assuntos (figura 150). As chamadas para esse conteúdo sempre vêm acompanhadas por um ícone de uma máquina fotográfica (figura 151). Figura 150
  • 115. 115    Figura 151 Já os denominados interactive features, categoria criada pelo portal onde se encaixam os infográficos, possui uma seta como ícone (figura 152). O conteúdo interativo, no entanto, é bem mais amplo do que apenas infografias. Áudios e vídeos de correspondentes e leitores, fóruns de discussão sobre um assunto determinado, todo um vasto conteúdo interativo ampliam a noção multimídia do site aumentando assim a interação do leitor com o portal. Figura 152 - Infografia com imagens, sons e dados sobre o Haiti
  • 116. 116    Figura 153 - Infografia com textos subdivididos em um glossário Os infográficos abrangem todas as categorias, variando em forma e conteúdo. Desde mapas com links para imagens e artigos de texto sobre um assunto até jogos interativos (figura 154), o site inova pela variedade e qualidade de seus infográficos. É possível, por exemplo, assistir a uma série de vídeos feitos sobre um assunto específico, separados em uma galeria própria, na ordem em que escolher, criando uma linha de tempo personalizada. Figura 154 - Infográfico permite leitor jogar e testar seus reflexos na direção, com informações sobre acidentes nas estradas americanas
  • 117. 117    3.5.5 Interação com o leitor De forma a ampliar a interatividade com o leitor, o NYT12 aposta na quantidade de ferramentas próprias da cibercultura, sendo a principal delas o TimesPeople. Com essa ferramenta, usuários cadastrados gratuitamente criam uma rede social para, dentro dela, recomendar matérias e artigos do NYT. A partir dessas recomendações, o jornal é capaz de ranquear seu material de acordo com a opinião de seus leitores. A ferramenta também pode ser utilizada a partir de um aplicativo para o FaceBook e através do Twitter. Figura 155 - TimesPeople: rede social em torno das notícias do NYT Figura 156 - Usuários podem recomendar e comentar as notícias Em cada matéria, também, é possível realizar uma série de ações que envolvem o compartilhamento da notícia. Apresentados em uma caixa na lateral do texto, as ferramentas possibilitam recomendar a notícia no TimesPeople, twittar, comentar, enviar por email, imprimir em diferentes formatos, e compartilhar a notícia nas redes sociais LinkedIn, Digg, FaceBook, Mixx, MySpace, Buzz e em blogs (figura 157).                                                              12 Abreviatura da palavra New York Times
  • 118. 118    Figura 157 - Formas de compartilhamento de uma notícia do NYT No Twitter, há um perfil principal do veículo (Twitter.com/nytimes) (figura 158), que traz como slogan Where the conversation begins (Onde começa a conversação) e possui mais de 2.317 milhões de seguidores. Nele, as principais notícias são divulgadas e comentadas. Além desse perfil, cada editoria, além de repórteres, comentaristas e correspondentes do jornal possuem uma conta na rede social, formando um núcleo de grande presença na web. O mesmo ocorre com o FaceBook. Há também um canal do veículo no YouTube. Figura 158 - Perfil do The New York Times no Twitter Já um projeto pioneiro realizado pelo The New York Times no campo da participação interativa dos leitores com a produção de notícias em si, é o projeto The Local, executado em conjunto pelo jornal e pela Escola Graduação em Jornalismo da City University of New York. O projeto,
  • 119. 119    que envolve comunidades das regiões de Maplewood, Millburn, South Orange, Fort Greene e Clinton Hill, consiste em blogs, hospedados no site nytimes.com, onde são publicados textos e notícias sobre as respectivas comunidades, muitos deles escritos pelos próprios moradores, em um processo que pode ser denominado de jornalismo colaborativo. Há, inclusive, um espaço nos blogs onde moradores dos locais podem fazer reclamações e sugestões de melhoria na região, sugerir pautas ou mesmo escrever artigos para o projeto (figura 159). Figura 159 – Report a problem Figura 160 – The Local
  • 120. 120    Figura 161 - Blogs do The Local trazem notícias de pequenas comunidades em New York 3.5.6 Convergência de mídias A grande ferramenta do nytimes.com em relação às mídias convergentes é a seção multimídia. Nela, todo o conteúdo de imagens, áudios e vídeos é utilizado para contemplar diversos aspectos de um mesmo assunto. Galerias de imagens ou vídeos, infográficos com comentários em texto áudio e vídeo, feitos por especialistas sobre o determinado assunto, são alguns recursos utilizados. O New York Times possui também um canal no YouTube, com matérias em vídeo sobre variados temas. Há aplicativos mobile que permitem acesso ao conteúdo do site em aparelhos celulares. Existe, também, uma versão para Kindle do NYT, mas essa traz apenas o conteúdo do jornal impresso, e não chega a ser mencionado no portal. 3.5.7 Presença online extra site O portal do The New York Times está presente no Twitter, YouTube, LinkedIn, Digg, FaceBook, Mixx, MySpace, Buzz, além de poder ser acessado em celulares e, em sua versão impressa, no Kindle. 3.5.8 Formas opcionais de visualização e filtro do conteúdo O nytimes.com permite que o leitor filtre o conteúdo do site de diversas formas. Além da ferramenta global de busca por palavras, o portal elenca suas notícias de acordo com a popularidade. É possível selecionar as matérias em uma lista com as que mais foram enviadas por e-mail, as mais publicadas em blogs ou as mais pesquisadas, em um formato padrão encontrado na primeira vez que se acessa o site. Após um registro gratuito, é possível personalizar essa lista, com as seções e assuntos preferidas do portal (figura 162).
  • 121. 121    Figura 162 - Lista dos mais populares em blogs, emails e buscas Figura 163 - A lista pode ser personalizada, adicionando seções e formas de visualização Há também um programa disponível para instalação no computador que apresenta uma outra formatação (figura 164). Sem precisar se manter conectado à internet, o TimesReader 2.0 permite navegar pelas notícias do dia, atualizadas com freqüência determinada pelo usuário, e estocada por até uma semana. Alguns conteúdos são restritos a assinantes, requerendo o pagamento de uma taxa para o acesso completo.
  • 122. 122    Figura 164 - Programa TimesReader 2.0 Com o pagamento de uma taxa periódica é possível, também, acessar uma versão digitalizada do impresso diário do NYT. O nytimes.com possui também uma ferramenta chamada TimesSkimmer, através da qual é possível alterar a disposição gráfica das notícias segundo categorias e tópicos estabelecidos, dentro de padrões gráficos personalizáveis. As categorias se definem nas seções do próprio site, enquanto os tópicos se dividem em assuntos escolhidos pela redação. Entre as possibilidades gráficas, é possível segmentar a visualização em uma lista com somente chamadas em texto ou com imagens, com fundo claro ou escuro, ou até mesmo em uma lista em que as matérias mais relevantes aparecem em tamanho de texto maiores (figura 165). É possível também listar os blogs feitos pela redação do jornal. Figura 165 - TimesSkimmer
  • 123. 123    3.5.9 Publicidade Além de um vasto uso dos espaços publicitários do site para divulgação de ferramentas do próprio NYT, o portal oferece um cardápio personalizado de publicidade. Os anúncios são distribuídos segundo a proximidade do produto vendido com o assunto da página em que é publicado. Um anúncio de um filme que será lançado, por exemplo, pode ser encontrado nas páginas que tratam de cinema, artes ou de algum assunto pertinente ao enredo do filme. O espaço dedicado a esses anúncios, no entanto, é pequeno, sendo o único local fixo para propagandas as laterais da logo do portal (figura 166). Figura 166 - Anúncios juntos à logotipo do jornal 3.6 Portal de notícias G1 3.6.1 Posicionamento da marca Fundada em 1965 a Rede Globo de Televisão é, hoje, uma das maiores empresas de comunicação do mundo, e a maior cadeia da América Latina. A globo.com é a empresa da Rede Globo responsável pela criação dos produtos voltados para internet. A globo.com desenvolveu todos os portais da emissora, inclusive o G1, que foi criado em 2006. O logo do G1 utiliza o mesmo vermelho que serve como padrão no site (figura 167) Figura 167
  • 124. 124    3.6.2 Estrutura do jornal 3.6.2.1 Primeira Página O portal de notícias G1 é planejado de acordo com algumas tendências existentes na Web. Na parte superior do site encontramos links de navegação geral e uma ferramenta de busca. O primeiro link é para a globo.com e os quatro seguintes são das editorias noticias, esportes, entretenimento e vídeos e ainda há mais três para a central de relacionamento, para a página de assinaturas e para um índice, com todos os sites produzidos pela globo.com. O site é organizado em três colunas (figura 168), a primeira com um menu, onde encontramos as seguintes opções: Editorias, G1 Especiais, Serviços, TV Globo, Globo News, Outras Mídias, Classificados, além de link para o índice com todos os sites da globo.com (esse link leva à mesma página com o índice citado no menu superior).
  • 125. 125    Figura 168 Uma característica importante desse site é o fato de existirem múltiplas formas ou caminhos para se chegar a uma mesma página. Por exemplo, existem pelo site, vários links que levam à seção de RSS, para o guia cultural entre outros. Essa estratégia pode estar relacionada com a questão da acessibilidade, por exemplo, um internauta que acabou de ler uma matéria, e deseja
  • 126. 126    assinar o RSS ligado àquela editoria, vai encontrar essa opção na mesma página da notícia, sem precisar voltar a página principal, para depois procurar o link ligado à pagina de RSS. A segunda coluna (subdividida em duas outras) é dedicada às noticias do site, Além disso, ela também é dividida na horizontal, ou seja, são pequenos quadros organizados de uma forma que mesmo com a rolagem da tela o usuário visualiza várias notícias ao mesmo tempo. Na segunda coluna existe um recurso que chama a atenção por sua simplicidade e praticidade. É uma janela com duas abas, ‘mais lidas’ e ‘plantão’. Com essa aba o internauta consegue visualizar as cinco notícias mais lidas dentro de toda a rede globo.com. Na aba Plantão pode-se acessar as últimas notícias. Essas notícias são atualizadas à medida que são produzidas, isso significa que elas podem ser atualizadas até de minuto em minuto. Além disso, existe um link para assinar o RSS referente aos plantões e um link para a página com todas as notícias de plantão. No final da segunda coluna, existem três divisões que não seguem o padrão de subdivisão em duas colunas. A primeira é a seção Em foco, a segunda se chama direto das editorias, e a terceira conta com seis links: RSS, Newsletter, guia cultural, previsão do tempo, trânsito e mapas. Contudo apenas 3 são exibidas de cada vez, e as opções variam ao longo do dia. A terceira coluna conta com uma diversidade muito grande de conteúdo. Primeiramente são exibido três destaques de algum noticiário televisivo, como o Jornal Hoje ou Jornal Nacional, e também um link para o globo.com/vídeos (Figura 169 item 5). Uma outra característica importante do G1 é referente ao conteúdo publicado no site. Por ser uma divisão da Rede Globo, grande parte do conteúdo do G1 vem de outras mídias ou outros sites, inclusive vários links levam para páginas que não são do G1, mas de outros canais da Globo. Ainda na terceira coluna, temos um box do Globo Shopping, com ofertas especiais e uma ferramenta de busca, Arquivo G1, Blogs e Colunas, Previsão do tempo, Guia cultural e Assina já.
  • 127. 127    Figura 169
  • 128. 128    3.6.3 Elementos de hipertextualidade Ao acessar a página referente a uma notícia, percebemos que a primeira coluna da página principal permanece a mesma (figura 170 item 1) já que essa coluna é referente à navegação local que se refere a notícias, reportagens, especiais e outros sites da globo.com. No topo da página há links para receber noticias por celular e RSS (figura 170 item 2) (em todos os dois há possibilidade de assinar uma editoria específica ou todo o conteúdo). A terceira coluna é modificada dentro dessa página. Primeiramente encontramos uma publicidade, depois um box com dicas sobre o novo acordo ortográfico da língua portuguesa (figura 170 item 3). Por último, existem dois boxes nessa coluna, um para o plantão e outro para a primeira página (figura 170 item 4) No topo da coluna, depois do titulo e subtítulo, encontramos a opção de aumentar e reduzir o tamanho da fonte do corpo da matéria (figura 170 item 5). A foto ocupa um espaço que pode ser discreto, dependendo da foto, ou maior, se houver necessário. Contudo, o usuário pode clicar nela e visualizar a imagem em um tamanho maior. No corpo da matéria há um menu com o titulo Saiba mais (figura 170 item 6), onde o leitor pode acessar outras matérias sobre o mesmo assunto. No final da matéria há outro link que leva a uma página com mais notícias sobre a mesma editoria e uma barra com várias opções de compartilhamento (figura 170 item 7). Após essas opções, há um último menu, com o histórico referente à matéria ou com um histórico de matérias relacionadas (figura 170 item 8).
  • 129. 129    Figura 170 Os especiais são tópicos que podem contem várias matérias, funciona quase como uma editoria, contudo com algumas diferenças. Cada um dos especiais possui sua própria página que é atualizada de acordo com a produção de novo material. Essas páginas, muitas vezes, possuem cores e elementos próprios, de acordo com o tema. Um exemplo muito interessante é o especial sobre a Amazônia, que conta com diversos recursos, além das matérias propriamente ditas. O
  • 130. 130    recurso que mais chama a atenção é um mapa interativo da Amazônia (figura 171 item 1), aonde são exibidos pontos de queimadas, desmatamentos e grupos de noticias. O mapa é atualizado diariamente com dados do Instituto nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), o mapa conta também com zoom. Nesse mapa também podemos vizualizar vídeos produzidos pela Rede Globo, que tratam sobre o assunto (figura 172). Outro recurso é o Amazônia.vc (figura 171 item 2), um aplicativo que quando instalado no Orkut, permite que o internauta proteste contra cada uma das queimadas ou desmatamentos exibidos no mapa. Existe ainda um ranking (figura 171 item 3), com os internautas que mais realizaram protestos até hoje e dois contadores, um que mostra quantas pessoas já instalaram o aplicativo no Orkut e quantos protestos já foram realizados ao todo. No site também podemos encontrar blogs de especialistas no assunto, um plantão sobre a Amazônia e uma seção chamada de Amazônia 360 graus(figura 171 item 4), onde podemos visualizar panorâmicas da Amazônia. Esse especial ainda conta com um microblog no Twitter (figura 171 item 5) e uma versão em inglês.
  • 131. 131    Figura 171
  • 132. 132    3.6.4 Códigos da Superfície – Pictogramas e ícones, Diagramas, Fotografias e Infográficos As cores são utilizadas de uma forma que ajuda o leitor a se situar dentro do site. Isso é muito importante nesse caso, como o G1 faz parte da globo.com e publica regulamente conteúdo de outros sites da mesma empresa, as core servem para mostrar ao internauta para qual site da globo.com ele foi encaminhado após clicar em um link e serve também para criar identidade do produto. As páginas com conteúdo produzido pelo G1 utiliza a cor vermelha como padrão, já o globo esporte.com utiliza o verde, o laranja fica para notícias de entretenimento e o azul para a seção de vídeos. Alguns especiais produzidos pelo G1, como um especial sobre Amazônia, produzido em conjunto com o Fantástico, possuem cores próprias que variam de acordo com o tema, nesse caso a cor escolhida foi verde. O link para a seção de infografias se encontra na primeira coluna da primeira página. A página de infográficos (Figura 172) é similar à página de matérias, com a primeira e terceira coluna com as mesmas características. A segunda coluna, de conteúdo, mostra os infográficos mais recentes, abaixo disso há um link para o ‘making of’ dos infográficos e para infográficos mais antigos. Alguns dos infográficos utilizam o Google maps como recurso. (Figura 172)
  • 133. 133    O G1 produz infográficos dos três tipos, que são: estetizantes, analíticos e de segunda geração. Contudo os de segunda geração são mais raros. A página especifica de cada infografia é muito similar às páginas de noticia, no que diz respeito às opções de compartilhamento e indicação para matérias relacionadas. 3.6.5 Interação com o leitor Outra editoria muito interessante, localizada na primeira coluna da primeira página, é o Vc no G1. Como o próprio nome diz, essa editoria é dedicada ao jornalismo participativo. Quando acessamos essa página, percebemos que a primeira coluna continua a mesma, porém a terceira coluna é diferente, (figura 173 item 1) ela possui dois boxes, o primeiro serve como publicidade para o Vc no G1 com um link para o envio de material no final, o segundo Box é uma chamada, aonde o G1 incentiva os leitores a participarem de determinados temas. Podemos encontrar, na página do Vc no G1, várias matérias produzidas pelos leitores. Todo tipo de mídia é valida, foto, textos e vídeos. Há um menu com abas, similar ao da primeira página (Figura 173 item 2), contudo com os títulos ‘mais lidas’ e ‘melhores matérias’ nas abas.
  • 134. 134    Figura 173
  • 135. 135    Espaço em que o usuário pode preencher campos com seus dados e enviar uma mensagem ao G1. O site do G1 disponibiliza diversos serviços para seus leitores, na primeira coluna da primeira página. A foto abaixo mostra o menu de serviços. Cada um dos serviços possui sua própria página. (figura 174) Figura 174 Como o próprio nome já diz, esse guia mostra as principais atrações culturais do Rio de Janeiro e São Paulo. O usuário pode visualizar as atrações através de um sistema de buscas. (figura 175) Figura 175
  • 136. 136    A página de downloads oferece possibilidade de baixar arquivos gratuitamente. A maioria é entretenimento, como papéis de parede, proteções de tela, jogos e aplicativos. Contudo alguns downloads como O sistema operacional do Google (Google OS) também esta disponível. (figura 176) Figura 176 Além de mostrar as condições de trânsito em São Paulo e Rio de janeiro, essa página oferece mais duas abas, chamadas ‘localizar endereço’ e ‘traçar rota’, que funcionam de maneira similar ao Google Maps. (figura 177) Figura 177
  • 137. 137    3.6.6 Convergência de mídias Por fazer parte da maior emissora de televisão do Brasil, que também é referência em outras áreas do jornalismo, como rádio, jornais impressos e revistas, o G1 oferece ao leitor diversos links que levam a outros meios. O menu que contém essas opções se localiza na primeira coluna do site. O internauta também pode acessar vários vídeos da Rede Globo pelo portal Globo vídeos (figura 178) Figura 178 3.6.7 Presença online extra site O G1 conta com dezesseis perfis no Twitter, cada um deles corresponde a uma editoria. Contudo nem todas as editorias do site estão presentes no Twitter (o site conta com 23 editorias) (figura 179).
  • 138. 138    Figura 179 No Orkut o número de comunidades é superior a 10, contando comunidades oficiais, comunidades de funcionários e de leitores do Portal. (figura 180). Figura 180 Na página do G1, o leitor pode assinar uma grande variedade de recursos extra sites. Como, por exemplo, um pacote de notícias no seu celular, que envia o conteúdo via SMS. Na página ainda
  • 139. 139    existe um breve tutorial sobre WAP, e uma explicação sobre como acessar o portal WAP do globo.com. (figura 181) Figura 181 Recurso muito interessante e curioso. Nessa página existem dois códigos HTML livres, que o internauta pode incluir em sua página (figura 182). Dessa forma ele terá o plantão do G1 exibido em seu site. O Newsletter é um sistema de envio de notícia via e-mail (figura 183). Figura 182
  • 140. 140    Figura 183 Página do Really Simple Syndication do G1. Permite que o usuário acesse o conteúdo do G1 (ou de outras fontes que utilizem o mesmo recurso) sem acessar a página do G1 propriamente dita. (figura 184) Figura 184 3.6.8 Formas opcionais de visualização e filtro do conteúdo No portal do G1 podemos encontrar ferramentas de busca e um plantão geral e outros para cada uma das principais editorias. Na página principal há um box, com duas abas, uma chamada de ‘mais lida’ e a outra o plantão. Além disso, o G1 possui um arquivo de suas notícias antigas. (figura 185)
  • 141. 141    Figura 185 3.6.9 Publicidade Na página principal há dois espaços destinados a publicidade, sendo que um é visível no primeiro scroll. Na primeira página também existe um espaço dedicado ao globo shopping, aonde são apresentadas algumas ofertas. Na página de noticias também há dois espaços para publicidade, um no inicio da terceira coluna e outro no final da matéria. Na página de especiais há apenas um espaço para publicidade. Os anunciantes mais frequentes são: Companhias de seguro, bancos, TV por assinatura, mega sena e a própria Globo.
  • 142. 142    IV PRÁTICAS ESTABELECIDAS E TENDÊNCIAS NO JORNALISMO IMPRESSO E ONLINE Este capítulo descreve as práticas estabelecidas e emergentes no jornalismo impresso e online a partir da análise das respostas encontradas para as questões levantadas no Capítulo 2. Para facilitar a identificação de padrões de comportamento, foram explicitados os wireframes13das primeiras páginas dos impressos e de suas correspondentes digitais – as homes dos sites -, bem como algumas telas internas, de acordo com a necessidade do estudo (Ver imagens em maiores dimensões no Anexo I). Analisando a figura 191, podemos perceber que o espaço informacional nas homes é proporcionalmente maior que os das capas dos jornais impressos, devido ao uso de barras de rolagem. À exceção do Jornal O Estado de Minas, nota-se este padrão de dimensão entre todos os jornais estudados. A despeito de possuírem esta vantagem, os jornais online apresentam uma maior densidade de informações em suas homes. Há também um maior número de imagens (destaque em ciano, com os quadros cortados em x) que nas capas dos impressos. Neste quesito, o G1, jornal nativo da web, sem correspondente na mídia impressa, foge à regra, com uma estrutura menos densa que os demais. Embora não seja possível ver o corpo do texto pelo wireframe, no Cap.3, foram mostradas imagens que comprovam esta afirmação. Nota-se também o privilégio do texto escrito sobre o uso de imagens na home do The New York Times. A estrutura mosáiquica acentua-se, portanto, na web, bem como a quantidade de anúncios publicitários na primeira página do jornal online, a home (destaques em vermelho). Se na mídia impressa prevalecem anunciantes dos segmentos imobiliário, automobilístico e de alta tecnologia, nos correspondentes online destacam-se também a oferta de livros, CDs e DVDs. O posicionamento dos anúncios concentra-se na base da estrutura nos impressos e pulveriza-se nos online, concentrando-se em seu canto direito superior, antes que haja necessidade de rolagem da página.                                                              13  Wireframes são formas de visualização da estrutura gráfica de um layout, sem o tratamento gráfico que o diferencia o produto enquanto uma marca específica. No caso dos layouts de sites, os wireframes também exibem os elementos funcionais de navegação e de interação.
  • 143. 143    Fig. 186 – Comparativo dos wireframes das primeira-páginas com as homes dos sites dos jornais Estado de Minas, Folha de São Paulo/ Folha Online, O Globo, O Estado de São Paulo/Estadão.com.br, The New York Times e G1 Embora pela home já seja possível verificar a preocupação de alguns jornais em abrir canais de interação14 com o leitor (destaques em rosa), é nas páginas internas que este comportamento torna-se evidente (figura. 187). O Gráfico 1 mostra os canais de interação mais utilizados pelos jornais. Entre estes, destacam-se os blogs dos próprios jornais, (administrados por seus colunistas), seguido pelo microblog Twitter.                                                              14 Nesta pesquisa, não fazemos distinção entre os tipos de interações propiciadas pela mídia, se homem- homem ou homem-máquina.
  • 144. 144    Fig. 187 – Comparativo dos wireframes das primeira-páginas com as homes dos sites dos jornais Estado de Minas, Folha de São Paulo/ Folha Online, O Globo, O Estado de São Paulo/Estadão.com.br, The New York Times e G1 No Gráfico 2, temos o detalhamento de como estes jornais estão utilizando estas e outras redes sociais como canais de interação com seu público e como estratégia de presença online extra site, uma tendência da web 2.0. O uso da rede social Facebook, a maior do mundo, começa a despontar como uma tendência também no Brasil (presente em O Estado de Minas), onde o Orkut é ainda muito popular. Segundo dados de fevereiro deste ano da empresa Alexa, que classifica os principais sites do mundo a partir do volume de tráfego, no Brasil15, o Orkut só perde para o Google.com em número de acessos. Em 16º lugar está o Facebook e em 18º o Twitter. Na classificação global16, a rede Orkut não aparece dentre os 20 primeiros colocados. Google.com mantém a liderança, seguido pelo Facebook, Yahoo.com e Youtube.com. Sobre o uso do Twitter, nota-se a popularidade muito superior do G1 em relação aos demais jornais brasileiros estudados. (Gráfico 3). Para efeitos apenas de curiosidade, temos no Gráfico 4, a comparação da popularidade dos jornais brasileiros com o número de seguidores do The New York Times. O Gráfico 5 mostra que o principal uso do Twitter tem sido na divulgação das chamadas dos jornais e na interação com seu público.                                                              15 http://www.alexa.com/topsites/countries/BR 16 http://www.alexa.com/topsites/global
  • 145. 145    Gráfico 1 – Principais redes sociais utilizadas pelos jornais Estado de Minas, O Globo, O Estado de São Paulo/Estadão.com.br, Folha de São Paulo/ Folha Online, G1 e The New York Gráfico 2 – Uso de redes sociais por jornal - Estado de Minas, O Globo, O Estado de São Paulo/Estadão.com.br, Folha de São Paulo/ Folha Online, G1 e The New York Times
  • 146. 146    Gráfico 3 – Popularidade no Twitter - O Globo, O Estado de São Paulo/Estadão.com.br, Folha de São Paulo/ Folha Online, G1 Gráfico 4 – Popularidade no Twitter - O Globo, O Estado de São Paulo/Estadão.com.br, Folha de São Paulo/ Folha Online, G1 e The New York Times
  • 147. 147    Gráfico 5 – Uso do Twitter pelos Jornais - O Globo, O Estado de São Paulo/Estadão.com.br, Folha de São Paulo/ Folha Online, G1 e The New York Times Um comportamento observado nos sites diz respeito ao destaque dado às formas de interação com o leitor (comentários, recomendação, envio para redes sociais, etc) e de facilidades para que este tenha algum controle sobre a visualização e acesso ao conteúdo (impressão, aumento de fonte, assinatura por RSS). Além do uso de ícones, algumas funcionalidades são agrupadas em uma mesma região, o que facilita a identificação dos pontos de interatividade. O Gráfico 6 mostra que o leitor de livros da Amazon, o Kindle, começa a despertar o interesse dos jornais brasileiros17, neste caso, preconizado por O Globo. Os comentários deixados pelos assinantes deste jornal, no site da Amazon, revelam entusiasmo pela comodidade de acessar o Jornal antes mesmo que a versão impressa seja entregue e por ser a única forma de acesso para quem está viajando ou mora fora dos grandes centros urbanos do País. Alguns relataram estar lendo mais páginas do Jornal na nova mídia, o que acreditamos ser uma conjunção de dois fatores: a portabilidade do aparelho aliada à tecnologia utilizada em seu display, que não emite luz, evitando a fadiga visual provocada por telas de LCD. De qualquer sorte, é uma incrível sensação de liberdade de poder ler meu jornal diário onde eu quiser. Não substitui a leitura no jornal, mas funciona nesses momentos de total ausência de acesso à informação. Sem dúvida, esse é o prenúncio de que outros veículos seguirão esse moderno                                                              17 Na finalização desta pesquisa, já havia cinco outros jornais brasileiros disponibilizando sua assinatura para o Kindle, são eles: Zero Hora, A Notícia, Pioneiro, Diário Catarinense e Jornal de Santa Catarina.
  • 148. 148    e funcional formato.( Depoimento do Assinante A, de O Globo, versão para o Kindle). Estou lendo bem mais por meio do equipamento. Há pouco tempo, como moro no interior do Brasil, eu lia o jornal o Globo apenas no final da tarde, as vezes noite. Hoje, com o Kindle, logo cedo tenho a jornal em minhas mãos. (Depoimento do Assinante B, de O Globo, versão para o Kindle). Gráfico 6 – Formas de acesso ao conteúdo do Jornal, além do site Enquanto a disponibilização do conteúdo para o Kindle pode ser apontada como uma prática emergente, nota-se outras prática já estabelecidas como: a oferta do conteúdo em versão que simula a experiência de folhear os cadernos impressos, a assinatura do conteúdo por email e por RSS, a formatação em arquivo de áudio (podcasts) versões para celulares, PDAs e smarphones, como o Blackberry e o IPhone. Em formas alternativas de acesso ao conteúdo no próprio site, a maior tendência é a de agrupamento (clusterização) das notícias em categorias que refletem um registro dos
  • 149. 149    comportamentos dos usuários dos sites: as mais populares, as mais recomendadas, as mais comentadas e as mais enviadas por e-mail, só para citar algumas das possibilidades encontradas. Um tipo de cluster que não relacionado ao comportamento de usuário, e que se apresenta como forma de filtro do conteúdo, é definido pelo critério “tempo de publicação”. Logo, o usuário pode escolher navegar pelo conteúdo pelo filtro “as mais recentes”. Esta prática é potencializada ao máximo no The New York Times, na sessão Times People, onde o conteúdo do site é todo reestruturado segundo os critérios de recomendações dos usuários do site. É importante enfatizar em este modo de editoria popular, bottom-up, foi preconizado pelo site Digg.com, um agregador de notícias e de outros conteúdos, onde a relevância das postagens, e o conseqüente destaque destas na home, são definidos pelos votos da comunidade. Esta tendência no jornalismo é genuinamente uma prática nativa na cibercultura. You won’t find editors at Digg — we’re here to provide a place where people can collectively determine the value of content and we’re changing the way people consume information online. (Digg .com) No quesito “Convergência de Mídias”, nota-se que a grande tendência é a produção de aplicativos para telefones celulares e outras mídias móveis, como vemos no The New York Times e em O Estadão.com. O uso de vídeos mostrou-se muito evidenciado em O Globo.com e no G1, provavelmente, por pertencerem às Organizações Globo e terem acesso ao acervo audiovisual da Rede Globo de Televisão. O G1 destaca-se também por ter criado editorias que são indicadores claros de cibercultura: “Blogs e Colunas”, “Vídeos” (caráter multimídia) e “Vc no G1” – a editoria alimentada por conteúdo gerado pelos leitores do Jornal. Esta mesma prática é compartilhada por O Globo, na editoria “Eu Repórter” e pelo The New York Times. O uso de infográficos analíticos de segunda geração, por sua vez, ainda não é uma prática do jornalismo brasileiro. Embora o G1 tenha uma editoria só de infográficos, estes são meramente narrativos, não possuindo funcionalidades de simuladores de situações e manipulação de bancos de dados, como tem sido explorado pelo The New York Times. Para sintetizar, concluímos que as práticas emergentes no jornalismo online são: produção de aplicativos para mídias móveis; registro e estudo do comportamentos dos usuários para tomada de decisões quanto às melhorias de experiências de navegação e de interação oferecidas pelo Jornal; ampliação da presença online extra-site, em especial, em Redes Sociais; reconhecimento da inteligência coletiva (contar com o usuário para corrigir erros do Jornal, por exemplo, e incentivo ao jornalismo colaborativo);
  • 150. 150    oferta de diversas formas de acesso ao conteúdo do jornal no próprio site: busca geral, navegação por clusters derivados do comportamento dos usuários ou propostos pelo próprio jornal; disponibilização do conteúdo em diversas mídias: impressa, email, celulares, leitores de livros, etc. Como tendência mais proeminente, acreditamos que uma vez popularizados o leitores de livros com telas próprias para leitura, como o Kindle, não haverá justificativa para continuar a impressão dos Jornais em papel. Portanto, acreditamos que o computador pessoal (do tipo desktop, especialmente) não é, como muitos já polemizaram, uma ameaça ao modelo jornal impresso. A resposta está em outro hardware: um artefato que alie a portabilidade e mobilidade do suporte celulose com a conectividade, comodidade e usabilidade do suporte digital. Como esta pesquisa atesta, as questões de interface (um dos componentes do software) encontram-se bem resolvidas, com práticas já estabelecidas, em quinze anos de jornalismo online. Finalmente, consideramos importante salientar que embora o jornal O Estado de Minas tenha se mostrado alienado à maioria das tendências citadas, na semana do fechamento desta pesquisa, uma nova versão do Portal Uai foi lançada, em conformidade com as práticas emergentes e estabelecidas aqui descritas. O mesmo ocorreu com o A Folha Online e O Estadão, o que confirma nossas percepções, uma vez que o Jornal O Globo, que demonstrou maior número de práticas estabelecidas e emergentes no jornalismo online, manteve-se inalterado, assim como o G1 e o The New York Times.
  • 151. 151    V CONCLUSÃO “A televisão oferece seus produtos para serem consumidos. A Internet atende a uma demanda para ser utilizada.” (Dominique Wolton, sociólogo francês, no VII Encontro Internacional de Televisão) Esta pesquisa foi finalizada num momento em que os veículos impressos e suas versões online - ainda muito dependentes um do outro - estão em ajustes constantes com o objetivo de facilitar a relação do texto com o leitor e ampliar a leitura. Novo projeto gráfico editorial, melhoramentos na navegação e nas formas de acesso ao conteúdo, e acréscimos de mecanismos de interação foram ações promovidas por alguns dos Jornais, por nós analisados, durante a pesquisa. Estas mudanças ocorreram no sentido já previsto neste estudo, tendo as práticas do The New York Times como referência, o que reitera a posição do jornal americano como radar das tendências em práticas de jornalismo online. Instantaneidade e utilidade são os conceitos perseguidos pelos jornais na cibercultura. "Ser mais legível, interessante e útil se tornou um imperativo" num ambiente marcado pela oferta cada vez maior e caótica de informações. Este depoimento de Otávio Frias Filho, diretor de Redação de Folha de S. Paulo, em 28 de fevereiro de 2010, resume o processo pelo qual a maioria dos jornais impressos está vivendo no sentido de repensar a forma de produção, estruturação e apresentação das notícias. A interface atual, seja no ambiente impresso ou online, está em processo de experimentação. A leitura hipertextual, reforçada pelo ambiente online, possibilitou uma experiência de leitura que não se ajusta mais à linearidade textual imposta pela mídia impressa por longos anos. A “possibilidade de exame rápido do conteúdo, de acesso não linear e seletivo do texto, de segmentação do saber em módulos, de conexão múltipla (...)” (Levy, 1993, 34) é o que estimula as mudanças. No sentido de amenizar o caráter essencialmente transmissionista da mídia impressa (THOMPSON, 2002), o jornal busca uma convergência com sua versão online através do que definimos nesta pesquisa como “elementos de hipertextualidade”, direcionando o leitor para o ambiente web, seja para complementar informações, seja para provocá-lo a interagir com o veículo. Da mesma forma, o jornal online estimula o leitor a buscar informações mais completas no impresso, enquanto este está nas bancas, e no arquivo digital, quando este está fragmentado nos bancos de dados e é atualizado (no sentido levyriano de potencializar-se) de acordo com as relações com as novas notícias. Fica claro na análise dos jornais Estado de Minas, Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e O Globo e suas versões online que há uma forte relação de complementação e interdependência entre os dois veículos. O indicador mais forte desta época de transição de cultura do impresso
  • 152. 152    para cibercultura é a disponibilização da versão digitalizada do jornal impresso em formato “flip” - simulação da experiência de passar as páginas do jornal impresso. Esse recurso ameniza a perda de totalidade do material, característica da leitura hipertextual, segundo Levy (1993) e mostra que a forma de leitura do impresso ainda é paradigma nesse momento de transição. Outro exemplo é a coexistência de editorias clássicas com novas, no joranl online, tais como “Eu Repórter”, “Times People” e “Vc no G1” (jornalismo colaborativo) e “Vídeos’, “Infográficos’ e “Mobile”. Por outro lado, uma das maiores tendências verificadas nesta pesquisa é o crescimento do uso de celulares como mídia, tanto no Brasil como no resto do mundo. Isto aponta a necessidade de se conhecer as especificidades das experiências propiciadas por diferentes tipos de artefatos digitais. Se para o computador pessoal, temos a conectividade e a interatividade como possibilidades inerentes à mídia, com os telefones celulares, ganha-se também em mobilidadade e maior pervasividade, mas perde-se em dimensões de interface. Os celulares são a segunda forma de acesso mais comum à internet no Brasil18 (66%), seguidos por smartphones 3G ( 21%). Segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), das 175,6 milhões de linhas móveis no Brasil, 82,55% são contas pré-pagas, mas as operadoras começam a oferecer pacotes de acesso à internet nestes planos, confirmando a tendência de crescimento desta mídia. Estes dados confirmam o movimento dos jornais em disponibilizarem parte de seu conteúdo para esta mídia. Em sua recente reforma, o jornal O Estadão.com, destacou no alto de todas as telas do site as opções de acesso ao seu conteúdo: “Receba O Estado em: Casa, Edição digital, RSS, Twitter, Celular”. Este comportamento é emblemático e resume as principais práticas estabelecidas no ciberjornalismo: a convergência de mídias (impresso/celular/desktop), o uso de redes sociais, a presença online extra-site e a simulação da tatilidade do impresso por meio de versões “flip” do jornal. Quanto às práticas mais emergentes, destacamos três consideradas de maior relevância: a substituição do suporte papel/celulose pelo papel digital19, a gestão da participação do público como diferencial competitivo e o jornalismo hiperlocal. O principal indicador da primeira tendência é a oferta de assinatura dos jornais brasileiros para o leitor de livros Kindle, e os depoimentos dos assinantes no site da Amazon.com. Acreditamos que a grande virada de substituição do suporte à base de celulose para o digital, deverá ocorrer                                                              18 Dados do Relatório da Akamai Technologies, no terceiro trimestre de 2009. Disponível em http://www.avellareduarte.com.br/projeto/conceituacao/conceituacao1/conceituacao14_internetBrasil200 9.htm 19 Maiores detalhes da tecnologia na Wikipedia. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Papel_eletr%C3%B4nico
  • 153. 153    quando este e outros aparelhos similares se popularizarem, acrescentando o importante atributo ergonômico “conforto visual”, à já indispensável tríade interatividade/ portabilidade/conectividade. A segunda prática emergente tem como indicador a organização do conteúdo segundo o comportamento dos usuários (compartilhamento, comentários, classificação de relevância de conteúdo). Este deverá ser cada vez mais um fator crítico de diferenciação das experiências em jornalismo online. Em outras palavras, o uso da inteligência coletiva e a gestão das comunidades virtuais será cada vez mais um fator competitivo para os Jornais, como já vem sendo percebido em outros setores produtivos. A terceira prática emergente, o jornalismo hiperlocal presente no The New York Times (The Local) e pelo Bairros.com (vinculado à Globo.com) é uma inovação no sentido de disponibilizar conteúdo de interesse específico para uma dada comunidade, utilizando as tecnologias próprias da cibercultura para sua produção, disseminação e compartilhamento. Dito de outra forma, é a expressão do fenômeno da Cauda Longa, onde a rede mundial de computadores torna operacionalmente factível e economicamente viável modelos de negócios focados em nichos de mercado, antes sacrificados pelas tecnologias de massa, como a televisão. Os resultados desta pesquisa apontam para a necessidade de aprofundamento no estudo das práticas emergentes por nós identificadas. Este seria o desdobramento natural deste trabalho. Também, gostaríamos de testar a validade de nossas proposições em uma segunda gama de jornais brasileiros e de outras nacionalidades. Do ponto de vista da educação, confirma-se a necessidade de investimento na formação de profissionais de jornalismo e de design, preparando-os para entender o novo contexto instaurado pelas tecnologias digitais e de telecomunicações, discutidas nos capítulos 1 e 2. Os desafios colocados pela economia contemporânea exigem dos novos profissionais a capacidade de criação de novos modelos de comunicação e de negócios, o que significa orientar as grades curriculares destes cursos para que estas demandas sejam supridas de forma criativa e sustentável a longo prazo.
  • 154. 154    BIBLIOFRAFIA ANDERSON, Chris. HYPERLINK "http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=4444&tipo=2&isb n=8535221832" t "_blank" A Cauda Longa: Do mercado de massa para o mercado de nicho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. AZEVEDO, D. A reinvenção de um jornal: o design gráfico nas capas do Correio Braziliense. Dissertação de Mestrado, ESDI/UERJ, Rio de Janeiro, 2007. CAIRO, A Infografía 2.0: visualización interactiva de información en prensa.Madrid, Alamut, 2008. CASTELLS, M. A galáxia da internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. CASTELLS, M. A sociedade em rede. A era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo, Paz e Terra, v1,1999. COSTA, M. T. Uma Arquitetura Baseada em Agentes para Suporte ao Ensino à Distância. 1999. Tese (Doutorado) – Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC., 1999. Disponível em: < http://www.eps.ufsc.br/teses99/thiry/ >. Acesso em: maio de 2003. COUCHOT, E. Da representação à simulação: evolução das técnicas e das artes da figuração. In: Imagem máquina: a era das tecnologias do virtual. Org. André Parente. Rio de Janeiro, Editora 34, 1993. p.37-48. DE PABLOS, José Manuel. Infoperiodismo: el periodista como creador de infografia. Madrid: Editorial Sintesis, 1999. ELER, D. Museus na Web – mapeamento, potencialidades e tendências.Dissertação de Mestrado, 2008 FLUSSER, V. (Org.) ; CARDOSO DENIS, R. (Org.) . O mundo codificado: Por uma filosofia do design e da comunicação. 1. ed. São Paulo: Cosac Naify, 2007. v. 1. 224 p. JENKINS, H. A Cultura da Convergência. Trad. Susana Alexandria. SP: Aleph, 2008. JOHNSON, Steven. Surpreendente! – A televisão e o videogame nos tornam mais inteligentes. Ed. Campus, São Paulo, 2005 HOWE, Jeff “The Rise of Crowdsourcing”, Acessado em março2009. Disponível em <www.wired.com/wired/archive/14.06/crowds.html> LEMOS, A. Cibercultura, São Paulo: Ed.34, 1999. LEMOS, A. Cibercultura e mobilidade. In: LEÃO, L. (organizadora), Derivas: cartografias do ciberespaço, São Paulo: Annablume; Senac, 2004. LEMOS, A Mídias Locativas e Territórios Informacionais. In Santaella, L., Arantes, P. (ed), Estéticas Tecnológicas. Novos Modos de Sentir., São Paulo: EDUC., pp. 207-230, 2008 LEMOS, André - Manifesto sobre as Mídias Locativas: 404nOtF0und ANO 9, VOL 1, N. 71, Maio - Junho/2009, http://www.andrelemos.info/404nOtF0und/404_71.htm Acessado em 23/10/09 LEMOS, A. Ciberespaço e tecnologias móveis: Processos de Territorialização e
  • 155. 155    Desterritorialização na Cibercultura. In: Compós, 2006. Disponível em: <http://www.compos.org.br/data/biblioteca_762.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2009. SANTAELLA, Lucia . A ecologia pluralista das mídias locativas. Revista FAMECOS, v. 37, p. 20-24, 2008. LÉVY, P. As tecnologias da inteligência. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993. LÉVY, P. Cibercultura. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1999. LÉVY, P. Inteligência coletiva. Rio de Janeiro: Loyola, 1998. LÉVY, P. O que é virtual? Tradução Paulo Neves. São Paulo: Ed. 34, 1996. MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Cultrix, 2005. PLAZA, Julio. As imagens de terceira geração, tecno-poéticas. In: PARENTE, André (Org.). Imagem-máquina: a era das tecnologias do virtual. Tradução Rogério Luz et alii. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993. P. 72-88 POSTMAN, Neil. Amusing ourselves to death: public discourse in the age of show business. USA: Penguin Books, 1985. PRIMO, Alex. Interação mediada por computador: comunicação, cibercultura, cognição. Porto Alegre: Sulina, 2007. QUÉAU, Philippe. O tempo do virtual In: PARENTE, André (org.). Imagem Máquina: A era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993. 304 p. , 91-99p. SALAVERRÍA, R. Convergencia de medios. Disponível em: HYPERLINK "http://chasqui.comunica.org/content/view/190/64/" t "_blank" http://chasqui.comunica.org/content/view/190/64/ Acessado em 18 de junho de 2007 SANTAELLA, L..As linguagens como antídotos ao midiacentrismo. In: Revista Matrizes, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da USP. 2007. SANTAELLA, Lucia..As linguagens como antídotos ao midiacentrismo. In: Revista Matrizes, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da USP. 2007 THOMPSON, John. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.