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Imagens de Guerra Estratégias Políticas no Contexto Mediático: O conceito de Morte Iminente. Eliana Neves FLUC 2010
Introdução: A Opinião Pública e a Informação Estratégica <ul><li>Século XVIII </li></ul><ul><ul><ul><li>Nova cultura polít...
Três Concepções de Opinião Pública <ul><li>1. Opinião pública enquanto opinião veiculada pelos media; </li></ul><ul><li>2....
O Jogo Político - Mediático <ul><li>A corrida aos meios de comunicação por parte das forças políticas é um dos grandes fac...
O Fotojornalismo de Guerra <ul><li>Fotografia: Ideia da imagem real (século XIX). </li></ul><ul><ul><ul><li>Os avanços téc...
Fotojornalismo de Guerra <ul><li>Guerra: Tema Privilegiado </li></ul><ul><li>Primeira cobertura: Guerra da Crimeia (1854/1...
<ul><li>Segunda Cobertura: Guerra da Secessão </li></ul><ul><ul><ul><li>Primeira ocasião da história em que os &quot;fotoj...
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O Conceito de Morte Iminente <ul><li>1993: Guerra da Somália </li></ul><ul><ul><li>Quando surgiram imagens de um soldado a...
<ul><li>Guerra do Iraque: </li></ul><ul><ul><li>Na intervenção americana ao Iraque, a proibição feita pela administração d...
<ul><li>Morte Iminente: “Entendimento sinedóquico  memorável para uma variedade de acontecimentos públicos complexos” ( Ba...
O Afeganistão sobre o Prisma da Morte Iminente <ul><li>1990: Emergência dos talibãs </li></ul><ul><ul><li>Execução violent...
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Conclusões <ul><li>A evolução das novas tecnologias, conferiu às imagens veiculadas pelos meios de comunicação um importan...
<ul><li>A polémica ligação entre os Estados Unidos e a Aliança do Norte foi claramente retratada em fotografias de morte i...
<ul><li>Corrida pela imagem perfeita para a consolidação dos objectivos estratégicos; </li></ul><ul><li>Despreza-se cada v...
Bibliografia <ul><li>Obras </li></ul><ul><ul><li>GIROUX Henry A. Para além do espectáculo do terrorismo: A Incerteza Globa...
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  1. 1. Imagens de Guerra Estratégias Políticas no Contexto Mediático: O conceito de Morte Iminente. Eliana Neves FLUC 2010
  2. 2. Introdução: A Opinião Pública e a Informação Estratégica <ul><li>Século XVIII </li></ul><ul><ul><ul><li>Nova cultura política que “transfere o centro de autoridade da vontade exclusiva do rei, que decide sem apelo e em segredo, para o julgamento de uma entidade que não se encarna em nenhuma instituição, que debate publicamente e que é mais soberana que o soberano” (Roger Chartier) </li></ul></ul></ul><ul><li>Opinião “Publicada” </li></ul><ul><ul><ul><li>Tendência de opinião sobre um assunto de interesse colectivo que consegue afirmar-se durante um determinado período de tempo como opinião dominante na esfera pública, mais precisamente no espaço mediático, constituindo-se numa importante força de acção política, independentemente da sua coincidência com um sentimento generalizado ou maioritário da população”. (Telmo Gonçalves). </li></ul></ul></ul><ul><li>Conceito Original de Opinião Pública </li></ul><ul><li>Conceito Actual de Opinião Pública </li></ul>
  3. 3. Três Concepções de Opinião Pública <ul><li>1. Opinião pública enquanto opinião veiculada pelos media; </li></ul><ul><li>2. Opinião pública enquanto “sentimento generalizado”; </li></ul><ul><li>3. Opinião pública enquanto instrumento de retórica pertinente no exercício do discurso político. </li></ul>
  4. 4. O Jogo Político - Mediático <ul><li>A corrida aos meios de comunicação por parte das forças políticas é um dos grandes factores de mudança no conceito tradicional de opinião pública. </li></ul><ul><li>Exemplos possíveis </li></ul><ul><ul><ul><ul><li>Pseudo – Acontecimentos </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>Agendamento </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>Sondagens </li></ul></ul></ul></ul>
  5. 5. O Fotojornalismo de Guerra <ul><li>Fotografia: Ideia da imagem real (século XIX). </li></ul><ul><ul><ul><li>Os avanços técnicos atribuíam à fotografia o papel principal na documentação da verdade </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Começam-se a dar os primeiros passos em direcção ao fotojornalismo, surgindo logo em seguida a ideia de fotojornalismo de guerra. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>À guerra era conferida uma certa “atenção artística” (Jorge Pedro Sousa). </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>O envolvimento das grandes potências nos conflitos, formava aos poucos um público forte para a reportagem ilustrada. </li></ul></ul></ul>
  6. 6. Fotojornalismo de Guerra <ul><li>Guerra: Tema Privilegiado </li></ul><ul><li>Primeira cobertura: Guerra da Crimeia (1854/1855) </li></ul><ul><ul><ul><li>Roger Fenton convidado por Thomas Agnew </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>As imagens centravam-se soldados e oficiais, muitas vezes em pose, ou então em meros campos de batalha limpos de cadáveres. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Espécie de censura prévia ao fotojornalismo </li></ul></ul></ul>
  7. 7. <ul><li>Segunda Cobertura: Guerra da Secessão </li></ul><ul><ul><ul><li>Primeira ocasião da história em que os &quot;fotojornalistas&quot; correram verdadeiramente perigo de morte; </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Nesta Guerra, os fotojornalistas tiveram do seu lado a curiosidade de um público muito mais exigente; </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Leitores queriam ser também observadores visuais, através do realismo inerente à lente de uma câmara. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Factor tempo: foto revelada tinha de se tornar imediatamente foto publicada. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Actualidade enquanto critério de noticiabilidade fulcral. </li></ul></ul></ul>
  8. 8. <ul><li>Perda da dimensão heróica da guerra </li></ul><ul><li>Valorização do real; doutrina do instante. </li></ul><ul><li>Procura de sensações. </li></ul>
  9. 9. O Conceito de Morte Iminente <ul><li>1993: Guerra da Somália </li></ul><ul><ul><li>Quando surgiram imagens de um soldado americano a ser arrastado pelas ruas de Mogadíscio, considerou-se ter existido uma mudança de política por parte das autoridades. </li></ul></ul><ul><ul><li>O impacto das imagens foi invocado em larga escala como incentivo para o retirar das tropas americanas na Somália. </li></ul></ul>
  10. 10. <ul><li>Guerra do Iraque: </li></ul><ul><ul><li>Na intervenção americana ao Iraque, a proibição feita pela administração de Bush de mostrar os caixões dos militares mortos, foi justificada com base no facto dessa exibição denotar alguma insensibilidade para com as famílias dos soldados. </li></ul></ul><ul><ul><li>Esta posição revelou-se contrária à opinião pública, contudo, a postura da administração manteve-se. </li></ul></ul>
  11. 11. <ul><li>Morte Iminente: “Entendimento sinedóquico memorável para uma variedade de acontecimentos públicos complexos” ( Barbie Zeller ). </li></ul><ul><ul><ul><li>Enquadramento icónico e iminente. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Aparece frequentemente nas noticias, reaparecendo depois no âmbito de retrospectivas, edições de aniversário, discutida em artigos, colunas de provedor e fóruns públicos. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Veículo controverso para a transmissão de informação: identificação subjectiva. </li></ul></ul></ul>
  12. 12. O Afeganistão sobre o Prisma da Morte Iminente <ul><li>1990: Emergência dos talibãs </li></ul><ul><ul><li>Execução violenta de cidadãos inocentes, em locais públicos, por todo o país. </li></ul></ul><ul><ul><li>As notícias americanas procuravam divulgar essas execuções </li></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>Fotografias de cidadãos afegãos pendurados em gruas e postes de sinalização, praças públicas transformadas em fórum para a exibição pública de espancamentos, mutilações, enforcamentos e mortes a tiro. </li></ul></ul></ul></ul>
  13. 13. <ul><li>1996: Assassínio de Najibullah </li></ul><ul><ul><ul><li>Os registos do corpo desfigurado do antigo presidente reforçaram a intensidade do debate acerca do papel dos Estados Unidos enquanto protector dos que pediam asilo. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>As imagens deste género, relatos inequívocos de mortes provocadas pelos talibãs, foram continuamente divulgadas até meados de 2001, altura em que as tropas americanas invadem o Afeganistão. </li></ul></ul></ul>
  14. 14. <ul><li>Guerra do Afeganistão </li></ul><ul><ul><ul><li>Terreno propício à obtenção de imagens de morte iminente. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Três tipos diferentes: </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>1. Supostas mortes e paisagens devastadas; </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>2. Circunstâncias concretas; </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>3. Imagens meramente simbólicas </li></ul></ul></ul></ul>
  15. 15. <ul><li>Novembro de 2001: Polémica associação à Aliança do Norte. </li></ul><ul><ul><ul><li>Assassinatos, por parte das forças da Aliança do Norte, aos soldados talibãs feridos que procuravam render-se. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Perseguição também a árabes, paquistaneses e tchetchenos. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Protestos por parte do Comité Internacional da Cruz Vermelha, de outros governos e dos media internacionais (devido às acções dos soldados da Aliança do Norte e da falta de resposta por parte dos EUA). </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Opção pela imagem da morte iminente ao invés da divulgação dos homicídios cometidos por talibãs. </li></ul></ul></ul>
  16. 16. <ul><ul><ul><li>Embora estes se assemelhassem àqueles cujos registos haviam sido publicados em 1991, divulgaram-se desta feita versões comedidas de morte iminente, na medida em que a sua exibição não foi feita em vários momentos, nem tiveram lugar em muitas capas de jornais. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Eram assim classificadas por também focarem o momento da morte iminente, bem como a emoção e o medo a ela associados. Tendiam muitas vezes a estar mal classificadas, legendadas e contextualizadas. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Os diferentes tratamentos fotográficos evidenciavam “mentalidades estratégicas invertidas” (Barbie Zeller). </li></ul></ul></ul>
  17. 17. O Caso Daniel Pearl <ul><li>Daniel Pearl : Jornalista do Wall Street Journal raptado a 23 de Janeiro de 2002. </li></ul><ul><li>Deixou de ser conhecido o seu paradeiro até 27 de Janeiro, altura em que alguns jornais, receberam um e-mail com quatro fotografias de Pearl , inclusive uma que o retratava com uma arma apontada à cabeça, bem como outra que o mostrava a segurar um exemplar do jornal paquistanês Dawn. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>O e-mail seguinte, continha uma fotografia adicional que o mostrava algemado e estipulava a sua execução no caso de não serem satisfeitas as exigências dos raptores: </li></ul><ul><ul><ul><li>A libertação dos combatentes talibãs do Afeganistão, a pedido do Movimento Nacional para a Restauração da Soberania Paquistanesa </li></ul></ul></ul>
  19. 19. <ul><ul><ul><li>Um terceiro e-mail, enviado a 31 de Janeiro, adiava a execução por um dia. A 1 de Fevereiro, a CNN e a Fox News receberam a notícia da morte do repórter. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>História de um homem à beira da morte. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Quem esperava noticias do seu desfecho, observava com apreensão o rumo dado à cobertura dos acontecimentos </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>Publicação de um artigo de Andrew Duffy para o Ottowa Citizen a 1 de Fevereiro de 2002: “Família, amigos e colegas do jornalista americano Daniel Pearl esperam ansiosamente notícias da sua sorte hoje, quando expira o prazo dado pelos raptores no Paquistão para a sua execução”. </li></ul></ul></ul></ul>
  20. 20. <ul><li>Em Maio de 2002 surge um vídeo da execução do jornalista. </li></ul><ul><li>Quando o jornal Boston Phoenix, em Junho, divulgou as imagens do vídeo foi acusado da prática de sensacionalismo, evidenciando falta de bom senso e de sensibilidade para com a família de Pearl. </li></ul><ul><li>A cobertura noticiosa da publicação feita pelo Boston Phoenix foi curiosamente ilustrada com as imagens do repórter ainda em cativeiro. </li></ul>
  21. 21. Em suma… <ul><li>As fotografias de Daniel Pearl traduzem um momento típico de morte evidente. </li></ul><ul><li>Exaustivamente difundidas em variados jornais, as imagens do repórter capturado ao invés da exibição da execução em si, tornaram-se emblemáticas no contexto da guerra do Afeganistão, tendo continuado a ilustrar a história mesmo depois da sua morte. </li></ul>
  22. 22. <ul><li>A visualização do assassínio de um jornalista pelo lado inimigo, em tudo encaixava na guerra ao terror levada a cabo pelos Estados Unidos. </li></ul><ul><li>A concentração no destino de Daniel Pearl manteve o público americano envolvido, atento e vulnerável a objectivos estratégicos. </li></ul>
  23. 23. Conclusões <ul><li>A evolução das novas tecnologias, conferiu às imagens veiculadas pelos meios de comunicação um importante papel no jogo político – estratégico. </li></ul><ul><li>A cobertura mediática de guerra ocorre mediante um consenso de interesses. </li></ul><ul><li>Quando a manutenção de guerra não se coaduna com os objectivos estratégicos, começam a ouvir-se as primeiras teorias que apontam a desigualdade na utilização das imagens de morte. </li></ul>
  24. 24. <ul><li>A polémica ligação entre os Estados Unidos e a Aliança do Norte foi claramente retratada em fotografias de morte iminente de talibãs. </li></ul><ul><li>As imagens veiculadas apenas realçavam estas preocupações, agravadas pelo rapto e assassínio de jornalista Daniel Pearl. </li></ul><ul><li>O caso Pearl veio legitimar a guerra ao terror que há muito se procurava travar. </li></ul>
  25. 25. <ul><li>Corrida pela imagem perfeita para a consolidação dos objectivos estratégicos; </li></ul><ul><li>Despreza-se cada vez mais a imagem concreta, reveladora de uma realidade à qual tentamos escapar. </li></ul><ul><li>As palavras associadas à divulgação dos acontecimentos ilustrados, apenas valem pelo perigo da descontextualização. </li></ul>
  26. 26. Bibliografia <ul><li>Obras </li></ul><ul><ul><li>GIROUX Henry A. Para além do espectáculo do terrorismo: A Incerteza Global e o desafio dos novos media. Edições Pedago , 2006. </li></ul></ul><ul><ul><li>RIEFFEL Rémy . Sociologia dos Media, Colecção Comunicação, Porto Editora, volume 3, 2003. </li></ul></ul><ul><ul><li>RODRIGUES Luís Nuno e Fernando Martins ( ed ). História e Relações Internacionais: temas e debates (Actas do Ciclo de Conferências) Lisboa, Edições Colibri – CIDEHUS-EU, 2004. </li></ul></ul><ul><li>  Revistas   </li></ul><ul><ul><li>Comunicação e Cultura, “Mediatização da Dor”, volume 5, 2008. </li></ul></ul><ul><li>Artigos </li></ul><ul><ul><li>Andrew Duffy, “Kidnappers’ Deadline Expires for U.S. Reporter”, Ottowa Citizen, 1 Fev ., 2002, A11. </li></ul></ul><ul><ul><li>Barbie Zeller , “Morte em tempo de Guerra. Fotografias e a outra guerra do Afeganistão”, Comunicação e Cultura, nº 5, 2008, pp. 21-54. </li></ul></ul><ul><li>Sites </li></ul><ul><ul><li>Http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=257608100 (consultado a 30/05/2010). </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><li>Http://www . bocc.ubi.pt/.../ sousa - jorge - pedro -historia_fotojorn1.html (consultado a 30/05/2010). </li></ul></ul>
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