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FINALIDADE
PROTÉTICA
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INTRODUÇÃO
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FIGURA 3.3A
A forma de resistência do preparo deve impedir a movi-
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• FIGURAS 3.3Da 3.3F
Dente preparado com coroa curta e inclinação acentuada
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PREPAROS OE DENTES COM FINALIDADE P R O I E I I C A
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1. PRESERVAÇÃO DO ORGAO PULPAR
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PORCfcLANA
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FIGURA 3.10
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P R Ó T E S E F I X A
6- PREPARO SUBCENCIVAL
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As ligas dc Ni-Cr usadas nas coroas metalocerâ-
micas...
PR O T £ S Ê F I X A
7 - ACABAMENTO
Como o término cervical obtido com as brocas
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M E P U O S DE D E I I E S COM F I N A L I D A D E P RO I É I I C *
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SEM CINTA METÁLI...
P R Ó T E S E F I X A
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Vistas vestibular (A) e palatina (B) do 27 com indicação para coroa motalocer...
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FIGURAS 3.27Ae 3.2/B
Vistas vest*uáar...
PRÓTESE FIXA
5 - PREPARO SUBCENCIVAI E ACABAMENTO
Para a realização desses procedimentos, os princí-
pios e brocas descrit...
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• FIGURA 3.3IA
Os domes 17 o 14 lotam preparados
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Pegoraro capitulo 3

  1. 1. C A P Í T U L O I 3 PREPAROS DE D E N T E S COM FINALIDADE PROTÉTICA L U I Z F E R N A N D O PECORARO
  2. 2. PBEMROS CE D E I T E I COM F l RI L l D » D Ê PROTETlC* INTRODUÇÃO O sucesso do tratamento com prótese fixa é determi- nado através de três critérios: longevidade da prótese, saúde pulpar e genital dos dentes envolvidos e salisfa- <,;ào do paciente. Para alcançar esses objelivos. o cirurgiáo-denlisla deve saber executar Iodas as fases do tratamento, lais como exame, diagnóstico, planejamento e cimenliçâo da prúlese. Todas as fases principais e intermediaria» *io importantes e uma depende da outra. De nada adianlj o dcnle cslar preparado eorrelamenle se as outras fases são negligenciadas. I como uma corrente extrcniainentc re- sistente • a ruptura de um dos elos leva á sua destruição. Assim é o preparo de um dente com finalidade pro- tética. Como a prótese pode apresentar longevidade sa- tisfatória se o dente preparado não apresenta condições mecânicas de manlê-la em posição, se o desgaste foi exagerado e alterou a biologia bulpar. se o término cervi- cal foi levado muito subgengi vai mente quebrando a lio- meoslasia da área e se a estética foi prejudicada devido a um dcvgailc inadequado? Portanlu. o preparo dental não dev e ser iniciado sem que o protUtiuruI Njiha quando indicá-lo e como execili-lo. bus- cando preencher os três princípios fundamentai* para u»n*'- guu preparos correios: mecânicos, biológicos e estéticos. I - PRINCÍPIOS MECÂNICOS Os seguintes princípios serão comentados: • Retenção. * Resistência ou estabilidade. • Rigidez estrutural. * Integridade marginal. RETENÇÃO O preparo deve apresentar cenas característica* que impeçam o deslocamento axial da restauração quando ubmctida is forças de i n ç i o . A retenção depende basicamente do contato exis- tente entre as superfícies internas da restauração c as externas do dente preparado. Isto é denominado retenção friccionai. Quanto mais paralelas as paredes axiais do dente preparado, maior será a retenção friccionai da restauração. A principio pode parecer que os preparos deveriam apresentar sempre paredes axiais paralelas, para não se corra o risco de a prótese desloear-sc do denle prepa- rado durante a função masligalúna pelas forças de iraçio exercidas por alimentos pegajosos. Porém, o aumento exagerado da retenção friccionai irá dificul- tar a cimentaçáo da restauração pela resistência ao es- coamento do cimento, impedindo o seu assentamento final e. consequentemente, causando o desajuste oclu- sal e cervical da restauração. Tanto a retenção friccionai da restauração quanto a açáo do agente cimentante. isoladamente, não são capa- zes de manter a restauração em posição. A açáo Conjunta desses dois fatores será responsável pela retenção mecâni- ca da restauração, através da interposição da película de Cimento nas irregularidades existentes entre as paredes do preparo e a superfície interna da restauração. Para isso é importante que. além do cimento e técnica de cimenlaçâo correios, as paredes do preparo apiesenlein inclinações capazes de suprir as necessida- des de retenção e de escoamento do cimento, como comentado anteriormente, e que podem variar de acordo com as dimensões da coroa. Assim, quanto maior a coroa clinica de um dente preparado, maior a superfície de conlalo c maior a retenção final. Desta forma, quando se têm dentes longos, como ocorre após tratamento pcrtodonlal. pode-se aumentar a inclinação das paredes para uma convergência oclusal de mais de 10". Por outro lado. coroas curtas devem apresentar pa- redes com inclinação próxima ao paralelismo c recebe- rem meios adicionais de retenção para possibilitar um aumento nas superfícies de contato. como confecção de sulcos nas paredes axiais (Figs. 3.1 A a 3.1 Dl. A presença de sulcos também é importante em preparos excessivamente cónicos, portanto sem um plano de inserção definido, para limitar a inserção e remoção da coroa em uma única direção e. assim, i i,lu/ ii a possibUidade de deslocamento. A determinação de um plano de inserção único dos dentes pilares de uma prótese fixa é essencial para
  3. 3. PIO J IA • f IGURAS 3 IAE ) IB lA)Vista vestferiar dlmca e(B) no modelo doa o****» preparados. Aores. para aumenta» a f»t«oçfto da prótese. eanponanie n a J C a FIGURAS 3.IBa 3.1 D (C)Vtsiasocluaaldomodetode uaoa no a (D), do caso concluído. *ua retcncio. Para iiio. a po* icio c ínclinacio do. dente» no arco devem MX. inicialmente. anab>ada> em modelo de aludo, paia que o pcoTiuioa •) possa controlar melhor a qualidade dc de.f a.K das face* dentária* COM O oèfctlto de preservai a .ande palpar, sem. porem, perder «caiaeKrúiKaidvieltfiKJoííWéCica. "X A picaenaejo c a manulcncio da vitalidade pulpar devem «rmpie icr o ofcjclivo principal dc qualquer dente pieparado. At v«»». iuo nio é poulvcl devido ao grau de Ínclinacio dos denic*. Porem, cise ittco tempte seca diminuído com a anal k H prév ia no —'tília át • • i à i I 11 lllll l l i l i i r j i i f i i Apos o prepaio do, dentei, l i / - uma molda*cm com aleinalo < avalia-** o paralelismo caire O. de«lei preparados no modelo dv poso. Pan U M . delimita-ve com grafite a juneao da. paredes axiau com a itengival de lodoi o» dente, pi, I) opciadoi deve visualizai ioda a marca de grafilc em todo, o, dente. pieparadoa com apenas um do> olho. e a uma dislin- cia aproximada de ÍOcm. Se i.io nio ocorrer, exiiicm área» rcicntivai no preparo < Fifi. • .' A arca do preparo e >ua levlura ••pcrficiai tio as- pecto, lambem importantes na Kicacno. quanio mai- or a área preparada, maior será a retcncio No* dente* que .e apreentam cariados ou rolauradot. as caixas proveniente, da i ela uracáo também SÊÊÍmm capaci- dade' ictcntiva ao preparo. A*»im. meios adicionais de letciw» V.UV1- cdiialcU*. pui.". ,«ill.io.. m . sio importante» paia compensai I. .. .• tipo de defici- êaeia cxiilcafc ao denlc a ser preparado Em reboto á tentara saperfkial lem qn* *e consi- derar que a capacidade de ade.au do. cimento, denia- i i . " depende basicamente do eonialo deite, com a. microrrclcncoc, existente, na> .upeitkici do dente pieparado e da prólcic. Como a maioria dos mater iai. de moldagem apre-
  4. 4. P R E P A R O S OE D E N T E S C O U F I N A L I D A D E P A O I É T I C A • F I G U R A 3 . 2 A Vista oclusal mostrando áreas retentivas nas faces distai do pré-molar e disto-vestibular do molar ai F I G U R A 3.2B Vista oclusal dos dentes preparados no modelo de estudo após correçâo do paralelismo, demonstrado pela visualiza- ção de toda linha demarcada com grafite na regâocervicaí. senta boa qualidade de reprodução de detalhes, o aca- bamento superficial do dente preparado deve ser reali- zado com o objetivo de torná-lo mais nítido e com uma textura superficial regularizada. Não há necessi- dade de a superfície estar altamente polida para conse- guir-se uma prótese bem adaptada e com retenção adequada. Aliás, o polimento pode até contribuir para diminuir a capacidade de retenção da prótese. 2 RESISTÊNCIA OU ESTABILIDADE A forma de resistência ou estabilidade conferida ao pre- paro previne o deslocamento da restauração quando subme- tida às forças oblíquas, que podem provocar a rotação da restauração. Por isso. é impoitante que se saiba quais são as áreas do dente preparado da superfície interna da restaura- ção que podem impedir este tipo de movimento. Quando da incidência de uma força lateral na res- tauração, como ocorre durante o nca ma.stigar.orjo ou quando há parafunção. a restauração tende a girar em torno de um fulcro, cujo raio forma um arco tangente nas paredes opostas do preparo, deixando o cimento sujeito às forças de cisalhamento. que podem causar sua ruptura e. consequentemente, iniciar o processo de des- locamento da prótese. A área do preparo envolvida por esta linha tangente ê denominado de área de resistência ao deslocamento (Figs. 3.3A a 3.3C). Existem vários fatores diretamente relacionados com a forma de resistência do preparo: - Magnitude e direção da força. Forças de grande intensidade e direcionadas lateralmente, como ocorre nos pacientes que apresentam bruxismo. podem cau- sar o deslocamento da prótese; - Relação altura/largura do preparo. Quanto mai or a altura das paredes, maior será a área de resistência do preparo que irá impedir o deslocamento da prótese quando submetida às forças laterais. Por outro lado. se a largura for maior que a altura, maior será o raio de rotação e. portanto, as paredes do preparo não ofere ceráo uma forma de resistência adequada. Assim, é importante que a altura do preparo seja pelo menos igual àsua largura. Quando isto não for possível. uinu nos casos dc tk-.Ho u . m wuroas uirlas, d . u ^ c confeccionar sulcos, canaletas ou caixas para criarem- se novas áreas de resistência ao deslocamento; - Integridade do dente preparado. Coroas ínte gras, seja em estruturas dentárias ou em núcleos metá licos. resistem melhor à açáo das forças laterais do que aquelas parcialmente restauradas ou destruídas. Portanto, nos casos de coroas curtas, a forma de resistência pode ser melhorada pela diminuição da in- clinação das paredes laterais e/ou confecção de canale- tas axiais. Do mesmo modo. nos dentes que se apre- sentam cariados ou restaurados, as próprias caixas das faces oclusais ou proximais podem atuar como ele- mentos de estabilização, contrapondo-se à açáo das forças laterais. (Figs. 3.3D a 3.3F) J* RIGIOEZ ESTRUTURAL O preparo deve ser executado de tal forma que a restauração apresente espessura suficiente de metal (para as coroas totais metálicas), metal e porcelana (para as coroas metalocerarnicas) e de porcelana (para as coroas de porcelana pura), para resistir às forças mastigatórias e não comprometera estética e o tecido periodontal. Para isso. o desgaste deverá ser feito sele-
  5. 5. P R Ó IL S 6 T IX A FIGURA 3.3A A forma de resistência do preparo deve impedir a movi- mentação da coroa quando esta é submetida à ação de (orças laterais (F) que tendem a movimentá-la em torno do fulcro s. A ação do cimento interposto entre as su- perfícies do dente e coroa do lado oposto, auxiliada pelo paralelismo das paredes no terço médio-cervical. evitarão a movimentação da coroa. f 16 ! !A FIO í Í B • FIGURAS 3.3Be 3.3C Para impedir o deslocamento da coroa, a largura do dente preparado tem que ser no mínimo igual à sua altura. Estas figuras mostram o dente preparado com altura menor que o da figura 3.3A. Entretanto, como a largura é semelhante á altura e a inclinação das paredes oferece forira cie resistência, o coroa e impedida de rr.ovirr.enlar-se ccir.c ir.ostra o figura 3.3C.
  6. 6. • FIGURAS 3.3Da 3.3F Dente preparado com coroa curta e inclinação acentuada das paredes. A ausência da área de resistência não impedirá a rotação da coroa quando submetida às (orças laterais. D/E) Nesses casos, a presença de canaletas compensará as deficiências do preparo minimizando a tendêrvcia. de. rotação da coroa (F).
  7. 7. PREPAROS OE DENTES COM FINALIDADE P R O I E I I C A tivamente de acordo com as necessidades estética e funcional da restauração (Figs. 3.4A e 3.4B), como será discutido posteriormente. 5 4' INTEGRIDADE MARGINAL O obj clivo básico de toda restauração cimentada é estar bem adaptada e com uma linha mínima de ci- mento, para que a prótese possa permanecer em fun- ção o maior tempo possível, num ambiente biológico desfavorável que é a boca. Mesmo com as melhores técnicas e materiais usados na confecção de uma prótese, sempre haverá algum desajuste entre as margens da restauração e o término cervical do dente preparado. Esse desajuste será preen- chido com cintentos que apresentam diferentes graus de degradação marginal. Com o passar do tempo, cria- se um espaço entre o dente e a restauração que vai permitir, cada vez mais, retenção de placa, recidiva de cárie e, consequentemente, perda do trabalho. O cirurgião-dentista deve ter em mente que a maior porcentagem de fracassos das próteses fixas deve-se á presença da cárie, que só se instala na presença da placa bacteriana. O desajuste marginal desempenha um pa- pel fundamental neste processo, bem como na instala- ção da doença periodontal (Figs. .V5A e 3.5B). Margens inadequadas facilitam a instalação do processo patológico do tecido gengiva! que. por sua vez, irá impedir a obtenção de próteses bem adapta- das. Assim, o controle da linha de cimento exposta ao meio bucal e a higiene do paciente são fatores que aumentam a expectativa de longevidade da prótese. FIGURA 3.4A Porcelana (raturada na região médio-cervical da face vesti- bular do canino causada, provavelmente, pela flexão da estrutura metálica muita fina nessa região. • FIGURA 3.4B Reparo realizado em resina composta. FIGURA 3.5A Vista vestibular dos dentes 10,11,21 com coroas metalo- plásticas. A falta de adaptação, ausência de contato proxi- mal e perfil de emergência inadequado, causaram inflama- ção do tecido gengiva). FIGURA 3.5B Vista vestibular após cirurgia periodontal, mostrando a netração da sonda na interface dente/coroa.
  8. 8. P R Ó T E S E F I X A II - P R I N C Í P I O S B I O L Ó G I C O S 1. PRESERVAÇÃO DO ORGAO PULPAR A literatura tem mostrado que os elementos dentá- rios restaurados com coroas totais podem sofrer danos pulpares. pois aproximadamente I a 2 milhões de tú- bulos dentinános (30 a 40.000 túbulos por mm2 de dentinal sâo expostos quando um dente posterior é preparado. O potencial de irritação pulpar com esse tipo de preparo depende de vários fatores: calor gerado durante a técnica de preparo, qualidade das brocas e turbina de alta rotação, quantidade de dentina rema- nescente, permeabilidade dentinária. procedimentos de moldagem, reação exotérmica dos materiais emprega- dos, principalmente as resinas, quando da confecção das coroas provisórias e grau de infiltração marginal. Assim, o profissional deve ter sempre a preocupa- ção de preservara vitalidade do órgão pulpar e. nesse sentido, uma técnica de preparo que possibilite des- gastes seletivos das faces dos dentes, em função das necessidades estética e funcional da prótese planejada, tem um papel imprescindível. Com o objetivo de "evitar" esse tipo de preocupa- ção, muitos cirurgiões-dentistas que se intitulam prote- sistas ou reabilitadores orais, adotam como procedi- mento padrão, prévio à confecção de qualquer prótese, o tratamento endodòntico. preferindo a opção de tra- balhar em dentes despolpados. Com isso. seus desajus- tes não são sensíveis, sua anestesia não é necessária, seu jato de ar não é danoso. Seus dentes pilares são recons- truídos com núcleos metálicos fundidos, sem levar em consideração o custo desse sob retratamento (endo * núcleo); o cirurgião-dentista ignora que quase 100% dos dentes que se fraturam no sentido do longo eixo. provocando a perda do próprio dente e da prótese, têm núcleos metálicos. Em outras palavras, o paciente paga um preço muito maior por um trabalho ruim. do ponto de vista biológico. Em reabilitação oral. aproximada- mente 50% dos dentes envolvidos têm tratamento en- dodòntico e o máximo de esforço deve ser despendido para manter saudáveis os outros 50%. O desgaste excessivo está diretamente relacionado á retenção e saúde pulpar. pois além de diminuir a área preparada prejudicando a retenção da prótese e a pró- pria resistência do remanescente dentário, nos dentes anteriores, principalmente, pode trazer danos irreversí- veis à polpa, como inflamação, sensibilidade, etc. Por outro lado. o desgaste insuficiente está direta- mente relacionado ao sobrecontorno da prótese e. con- sequentemente, aos problemas que isso pode causar em termos de estética e prejuízo para o periodonto. 2,PRESERVAÇÃO DA SAÚDE PERIODONTAL Um dos objetivos principais de qualquer trata- mento com prótese fixa é a preservação da saúde pe- riodontal. Vários são os fatores diretamente relaciona- dos a esse objetivo: higiene oral. forma, contorno e localização da margem cervical do preparo. A melhor localização do término cervical é aquela em que o profissional pode controlar todos os proce- dimentos clínicos e o paciente tem condições efetivas para higienização. Assim é vital, para a homeostasia da área. que o preparo estenda-se o mínimo dentro do sulco gengival, exclusivamente por razões estéticas e suficiente apenas para esconder a cinta metálica da coroa metalocerãmica ou metaloplástica. sem alterar significantemente a biologia do tecido gengival. Alter- nativas como coroas metalo cerâmicas sem colar metá- lico ou de porcelana pura devem também ser levadas em consideração. De uma maneira genérica, a extensão cervical dos dentes preparados pode variar de 2mm aquém da gen- giva marginal livre até Imm no interior do sulco, embora existam autores que recomendem extensões diferentes destas. Do ponto de vista periodontal. o término cervical deve localizar-se 2mm distante do nível gengival. pois o tecido gengival estaria em permanente contato com o próprio dente, sem a alteração de contorno que ocorre mesmo com uma prótese com forma e contor- no correios, preservando assim a saúde do tecido gen- gival. É lógico, porém, que a localização do término neste nível só é possível se não ocorrer comprometi- mento da retenção e estabilidade da prótese e não pode também ser utilizada nos casos em que a estética seja um fator a considerar, devido á presença da cinta metálica presente na face vestibular das coroas metal o- plásticas ou metalo cera mie as. Mesmo os pacientes que apresentam linha de sorriso baixa, ou seja, nunca mostram o terço cervical de seus dentes, devem ser consultados sobre a possibilidade de ter o término cervical aquém do nível gengival. Em dentes tratados periodontalmente. o término cer- vical localizado supragengivalmente pode deixar uma quantidade razoável de dentina e eemento expostos, que podem ser facilmente desgastados pela ação da escova, além de sensibilidade às trocas térmicas e desconforto para o paciente. Por outro lado. a extensão subgengival do preparo em dentes longos pode causar comprometi- mento do órgão pulpar e enfraquecimento do remanes- cente preparado. Assim, o profissional deve fazer uma análise prévia no modelo de estudo e a fase de encera- mento diagnóstico é importante para decidir nesses caso:
  9. 9. P R E P A R O S DE D E H I L S C O M F I N A L I D A D E P f i O T E T I C A qual deve ser a melhor localização do término. Os pacientes que pertencem ao grupo de risco à carie não devem ter o término cervical colocado aquém do nível gengival. Embora nao existam com- provações definitivas que o suko gengival seja auto- imune ao processo carioso, nesses pacientes o término cervical deve ser estendido subgengivaimente, pois é na área cervical dos dentes onde a placa se deposita com maior intensidade e, consequentemente, a insta lação da cárie pode ocorrer com maior facilidade. Este também é o motivo pela nao indicação do término cervical ao nível gengival. Às razoes mais frequentes para a colocação intra- sulcular do término gengival são: 1) razões estéticas, com o objetivo de mascarar a cinta metálica de coro- as metalocerãmicas ou metaloplásticas; 2) restaura- ções de amálgama ou resina composta cujas paredes gengivais já se encontram nesse nível; 3) presença de cáries que se estendem para dentro do sulco gengi- val; 4) presença de fraturas que terminam subgengi- valmente: 5) razões mecânicas, aplicadas geralmente aos dentes curtas, para obter-se maior área de dente preparado e, conseqiientemente, maior retenção e es- tabilidade, evitando se a necessidade de procedimen- to cirúrgico periodontal de aumento da coroa clíni- ca; 6) colocação do término cervical em área de rela- tiva imunidade ã cárie, como se acredita ser a região correspondente ao suko gengival. Assim, quando se indicar o término cervical no interior do sulco gengival, o profissional deve estar consciente que, quanto mais profunda for sua locali- zação, mais difíceis serão os procedimentos de molda- gem, adaptação, higienização, etc. c consequente- mente, mais facilmente ocorrerá a instalação do pro- cesso inflamatório nesta área. Se a extensão subgengi- val for excessiva, provocará danos mais sérios em fun- ção do desrespeito às distancias biológicas do perio- donto (Figs. 3.6A a 3.6C). A O preparo subgengival dentro dos níveis con- vencionais de 0.5 a I.Omm não traz problemas para o tecido gengival desde que a adaptação, forma, contorno e polimento da restauração estejam satis- fatórios e o paciente consiga higienizar corretamen- te essa área.
  10. 10. P R O T É S É F I X A III - E S T É T I C A À estética depende, basicamente, da saúde perio- dontal, forma, contorno e cor da prótese. Para atingir esses objetivos, há que se preservar o estado de saúde do periodonto, confeccionar restaurações com forma, contorno e cor correios, fatores esses que estão direta- mente relacionadas com a quantidade de desgaste da estrutura dentária. Se o desgaste é insuficiente para uma coroa metalocerarnica, a porcelana apresentará espessura insuficiente para esconder a estrutura metá- lica, o que pode levar o técnico a compensar essa deficiência aumentando o contorno da restauração (Figs. 3.7Ae3.7B). • FIGURA 3.7 A Prótese fixa anterior com alterações de fornia, contorno e cor ti FIGURA 3.7B Relação incorrcta entre o contato do pòntico com o tecido gengvai IV - T I P O S D E T É R M I N O C E R V I C A L O término cervical das preparos pode apresentar diferentes configurações de acordo com o material a ser empregado para a confecção da coroa. 1- O M B R O O U D E G R A U E um tipo de término em que a parede axial do preparo forma um ângulo de aproximadamente 90° com a parede cervical (Fig.3.8). Está indicado nos preparas para coroas de porcela- na pura (jaqueta) com l,0 a l,2mm de espessura uni- forme e contra-indicado nos preparas para coroas com estrutura metálica. O degrau proporciona espes- sura suficiente á porcelana para resistir aas esforços mastigatórios, reduzindo a passibilidade de fratura. Embora proporcione uma linha nítida e definida, exi- ge maior desgaste dentário e resulta num tipo de jun- ção em degrau entre as paredes aviais e cervical, difi- cultando o escoamento do cimento e acentuando o desajuste oclusal e cervical com maior espessura de cimento exposto ao meio oral (Fig. 3.9). 2 * O M B R O O U D E G R A U BISELADO E um tipo de término em que ocorre formação de ângulo de aproximadamente 90° entre a parede axial e a cervical, com blselamento da aresta cavo-superficial (Fig. 3.10) Esse tipo de término cervical está indicado para as coroas metalocerâmicas com ligas áureas, nas suas fa- ces vestibular e metade vestíbulo-próxima is. Como o término em ombro, resulta também em desgaste acentuado da estrutura dentária para permitir espaço adequado para colocação da estrutura metálica e da porcelana. O bisel deverá apresentar inclinação mínima de 45°, o que irá permitir um melhor sela- mento marginal e escoamento do cimento que o pro- porcionado pelo término anteriormente comentado. O degrau ou ombro biselado proporciona um colar de reforço que reduz as alterações dimensionais pro- vocadas durante a queima da porcelana e, consequen- temente, o desajuste marginal (Fig. 3.11). Como este tipo de término tem também a (unção de acomodar, sem sobrecontomo, o metal e a porcela- na nas coroas metalocerâmicas, toma-se claro que este deverá ser realizado exclusivamente nas faces em que a estética toma-se indispensável, ou seja, nas faces vesti- bular e metade das proximais (Fig. 3.12).
  11. 11. PREPAROS K DENTES Í o i: FINALIDADE PROTETICA PORCfcLANA • FIGURA 3.8 Término em degrau. FIGURA 3.10 Término em degrau biselado. FIGURA 3.9 Área de resistência ao escoamento do cimento. (OLRi>: REFORÇO FIGURA 3.11 Colar de reforço em metal. Dllik I FIGURA 3.12 Preparo para metalocerâmica - término cervical dade de desgaste. quanti-
  12. 12. P R Ó T E S E F I X A É um tipo de término em que a junção entre a parede axial e gengival é feita por um segmento de círculo, que deverá apresentar espessura suficiente para acomodar metal e faceta estética (Fig. 3.13). É considerado pela maioria dos autores como sendo o tipo de término cervical ideal, porque permite espes- sura adequada para facetas estéticas de porcelana ou resina, com seus respectivos suportes metálicos, facili- tando a adaptação da peça fundida e o escoamento do cimento. Está indicado para confecção de coroas metalo- cerâmicas com ligas básicas (não áureas) por apre- sentarem maior resistência e dureza que as ligas á base de ouro. Assim, as infra-estruturas podem ser mais finas, sem sofrer alterações por contraçáo du- rante a cocção da porcelana. É indicado também para coroas metaloplásticas. independente do tipo de liga utilizada e para as coroas MOD. quando indicada a proteção de cúspides por vestibular ou lingual. Como o anterior, o término em chanfrado deverá ser realizado apenas nas faces envolvidas esteticamen- te, pois não se justifica maior desgaste exclusivamente para colocação de metal. É um tipo de término em que a junção entre a parede axial e a gengiva é feita por um segmento de círculo de pequena dimensão (aproximadamente a metade do chanfrado), devendo apresentar espessura suficiente para acomodar o metal (Fig. 3.14). Também como o anterior, por apresentar a mesma configuração, facilita a adaptação da peça fundida e o escoamento do cimento, permitindo uma visualização nítida da linha de acabamento e preservação da estru- tura dentária. Está indicado para coroa total metálica e como térmi- no cervical nas faces lingual e linguo-proximal. das coro- as metaloplásticas e metalocerámicas, independente da liga a ser utilizada; está indicado ainda como término cervical das coroas parciais dos tipos V4 e4 /s . Dentes que sofrem tratamento periodontal ou reces- são gengival. resultando em aumento acentuado da co- roa clínica, podem receber também este tipo de término cervical visando maior conservação da estrutura dentária e do próprio órgão pulpar: nestas situações a estética fica parcialmente prejudicada, pois não se consegue limitar a cinta metálica da coroa metaloplástica ou metaloccrâmi- ca ao nível subgengival. devido ao pouco desgaste. Outros fatores podem modificar a configuração do METAL pnRl Kl N . MliTAL RESINA F I G U R A 3.13 Término em chanfrado • F I G U R A 3.14 Término em chunfereie
  13. 13. FINALIDADE M O 1 E 1 I C ' término cervical, como a presença de cáries ou restau- rações subgengivais. Assim, uma coroa melaloplástica que deveria apresentar término em chanfrado por ves- tibular e metade vestíbulo-proximal. na presença de restauração ou cárie subgengival. poderá obter somen- te neste local um término em degrau biselado, para evitar aprofundamento subgengival que seria o térmi- no convencional para esse tipo de coroa. conhecimento do diâmetro ou parte ativa das brocas utilizadas é primordial para o controle da quantidade de dente desgastado, em função do preparo realizado. V I - T É C N I C A D E P R E P A R O PARA C O R O A M E T A L O C E R À M I C A ( T É C N I C A DA SILHUETA) V - S I M P L I C I D A D E D A T É C N I C A D E PREPARO Um dos objetivo básicos de qualquer técnica de preparo com finalidade protética deve ser a simplifica- ção dos procedimentos. Isto significa racionalização da sequência de preparo e das brocas utilizadas. A técnica preconizada pelo Departamento de Pró- tese da Faculdade de Odontologia de Bauru da Uni- versidade de São Paulo procura cumprir esses objeti- vos e tem caráter eminentemente didático. ou seja, orientar o aluno a preparar dentes com finalidade pro- fética, de forma a preencher satisfatoriamente os prin- cípios envolvidos. Uma vez compreendidos e assimila- dos, esses princípios podem ser conseguidos por adaptações dessa técnica ou mesmo pelo uso de ou- tras, sem influir significativamente no resultado final: o dente adequadamente preparado para receber uma prótese. Esta técnica, denominada Técnica da Silhue- ta, permite ao operador uma noção real da quantida- de do dente desgastado, pois executa-se inicialmente o preparo da metade do dente, preservando-se a outra metade para avaliação. Essa técnica também parte do princípio de que o FIGURAS 3 .1 5 Ae 3 15 B Vistas vestibular (A) e palatina (B) do I 3 que irá receber A " PARA DENTES ANTERIORES O preparo para coroa met alo cerâmica utilizando metais básicos (ligas de Ni-Cr) apresenta as mesmas características do preparo para coroa metaloplástica. tanto em relação á quantidade de desgaste quanto ao tipo de término cervical empregado. A execução da técnica é realizada por meio de uma sequência de procedimentos padronizados que serão descritos a seguir: 1 } SULCO MARGINAL CERVICAL A função básica de iniciar o preparo pela confec- ção deste sulco é estabelecer, já no início do mesmo, o término cervical. Com a broca esférica 1014, o sulco é realizado nas faces vestibular e lingual até chegar próximo ao conta- to do dente vizinho. Na ausência de contato próxi- ma), o sulco também deverá estender-se para as faces proximais. A profundidade do sulco de • 0.7mm (metade do dianteiro da broca) é conseguida introduzindo a broca a 45° em relação à superfície a ser desgastada (Figs. 3.1SAa3.1SD). para coroa metaloceràmica
  14. 14. " O T I I I • IX» Sc o limite cervical do preparo for estender-se subgengival mente, o sulco marginal deve ser confecci- onado ao nível da margem gengival. Por outro lado. se a margem cervical do preparo apresentar indicação de término aquém do nível gengival. o sulco marginal deve ser localizado supragengivabnente e no nível de- sejado. 2) SULCOS OE ORENTACÃO: NAS FACES VESTIBULAR. INCISAL E UNCUO-CERVICAL As coroas metalocerâmicas necessitam de 1 5rum de desgaste nas faces vestibular e metade das proxí- mais e 2mm na incisai, para acomodar o metal e por- celana dentro do contorno anatómico normal que o dente apresentava. Assim, a melhor maneira para controlar a quanti- dade dc desgaste, em função das necessidades estéticas e mecânicas do preparo, é através da confecção de sulcos de orientação, que inicialmente, deverão ser realizados em uma das metades do dente. Inicialmente, com a broca 3216 ou 22IS. em aha rotação, faz-se dois sulcos na face vestibular corres- pondentes ao diâmetro da broca |l2mm|, um no meto e outro próximo á face proximal. Os sulcos de- vem ser realizados seguindo os planos inclinados dev sas faces, um correspondente ao terço médio-cervical e o outro, ao terço médio-incisal. Assim, evitam-se desgastes desnecessárias ou insuficientes que passam por em risco a integridade do órgão pulpar e. ao mes- mo tempo, proporciona o desgaste ideal para acomo- dar o metal e porcelana. Os sulcas ficam delimitados na área marginal cervical pelo desgaste prévio realiza- do com a broca esférica. Os sulcos incisais, lambem em número de dois. seguem a mesma direção dm wMíbubres e são feitos com a mesma broca, inclinada aproximadamente a 45: em relação ao longo eixo do dente c dirigida para a face lingual nos dentes superiores e para vesti- bular no preparo de dentes ántcro-inferiores. Sua pro- fundidade deve ficar por volta de 2.0mm. o que cor- responde a uma vez e meia o diâmetro da broca. Esse desgaste possibilita a obtenção de resultados estéticos satisfatórias para a porcelana, permitindo a transluci- de/ característica do esmalte nesse local Na região linguo-cervical, as sulcos deverão apre- sentar profundidade de * O.ómm. o que corresponde à metade do diâmetro da broca e permite espessura suficiente para o metal.(Figs. 3.I6A a 3.I6E) Os sulcos vestibulares e linguais devem ser orienta- dos, tomando-se o cuidado de verificar previamente em um modelo de estudo a relação de inclinação dos dentes envolvidos na prótese para que esses sulcos te- nham uma relação de paralelismo. Para a confecção destes em dentes com coroas curtas, pode-se utilizara broca nD 2215.
  15. 15. PR O TÊ S Ê F l X A - UNIÃO D O S S U L C O S D E ORIENTAÇÃO Com a broca 3216 ou 2215, faz-se a união das sulcos das laces vestibular, incisai e lingual, mantendo-se a relação de paralelismo previamente obtida. Nesta fase acentua-se o desgaste de l,3mm até a metade das laces proximais, por serem também consideradas importantes na estética Após esses desgastes, a metade do dente está pre- parada, o que permite fazer uma avaliação dos proce- dimentos realizadas até o momento, pois a outra me- tade está intacta. Toma-se, desta maneira, muito fácil ao operador controlar os requisitos mecânicos, bioló- gicos e estéticos que requerem um preparo com finali- dade protética (Figs, 3.17Ae 3.17B). 4- DkSGASJts P R O X I M A I S Com o dente vizinho protegido por matriz de aço, procedesse à eliminação da convexidade natural desta área com a broca 3203 )FÍg. 3.18). A proteção do dente vizinho é importante porque existem traba- lhos na literatura que mostram que 75% dos dentes contíguos aas preparados sofrem algum dano, como desgaste inadvertido do esmalte ou das restaurações existentes. A finalidade deste passo é criar espaço para a realização do desgaste definitivo com a broca 3216. Os desgastes proximais devem terminar no ní- vel gengival e deixar as paredes proximais paralelas entre si. Hsse desgaste deve ser realizado até que se tenha distancia mínima de Imm entre o término cervical do dente preparado e o dente vizinho. Esse espaço é indispensável para passibilitar acomodação da papila interproximal e, se houver dois retentores a serem unidos, o espaço ideal deve ser até maior, de 1,5 a 2,0mm, o que possibilita espaço para a papila e acesso aos meios convencionais de higienizaçào como a agulha passafio. FIG 3 . R A • FIGURAS 3,17A e 3.I7B Vistas vestibular e proximal da metade do dente preparado F I G U R A 3.18 3roca utilizada no desgaste da (ace proximal
  16. 16. P R E P A R O S DE D E N T E S C O M F I N A L I D A D E M O 1 E 1 IC A D E S G A S T E LINCUAL Com a broca diamantada em forma de pêra n 31 IS. procede-se ao desgaste desta face. seguindo-se a anatomia da área (Fig. 3.19A). A região lingual correspondente ao terço médio-inci- sai deve ser desgastada no mínimo em 0.6mm para aco- modar apenas o metal nas coroas de dentes anteriores que apresentam um sobrepasse verlical muito acentuado. Evita-se. assim, deixara região incisai muito tina esujeita à fratura. Para os casos com sobrepasse verlical normal, essa região também pode ser coberta com porcelana e, para Uso. deve ter um desgaste de 1.3mm. O restante das faces proximais deve apresentar um desgaste de 0.6mm. pois nessas áreas a coroa metaloceràmica deverá apresen- tar-se somente em metal, estendendo-se para incisai (poste próxima!! para dar sustentação á porcelana. Desgaste da (ace palatina mostrando a posição da broca 3118. O desgaste do cervical é realizado com brocas 3215 ou 2214. com o objetivo básico de formar o término cervical em chanfrete (0.6mm), suficiente para a resistência do metal (Fig. 3.19B) Devido à dificuldade ou impossibilidade de con- fecção de sulcos de orientação nas faces linguais dos dentes anteriores, utiliza-se como elemento de refe- rência a metade íntegra do dente, a oclusão com os antagonistas e, numa etapa posterior, a espessura da face lingual das coroas provisórias. Após a realização dos desgastes, avalia-se o espaço conseguido consultando-se os movimentos de laterali- dade, latero-protrusão e protrusão executados pelo pa- ciente. O desgaste da metade íntegra é realizado era segui- da, repetindo-se todos os passos citados anteriormente (Fig. 3.19C). FIGURA 3.I9B Término cervical em chanferete. Observar a posição da broca: metade no dente, metade no sulco gengival.
  17. 17. P R Ó T E S E F I X A 6- PREPARO SUBCENCIVAL Para se obter um término cervical do preparo no interior do sulco gengival. nítido e num nível compa- tível com a fisiologia do sulco gengival. o primeiro pomo que deve ser muilo bem entendido é que a obtenção do término em chafrado faz-se usando ape- nas a metade da ponta ativa da boca. Assim, o posicionamento correio da broca para estender o término do preparo dentro do sulco gengi- val deve ser feito deixando metade de seu diâmetro em contato com o dente e a outra metade fora do dente e. consequentemente, cm contato com o epité- lio sulcular. Procedimentos frequentemente aconse- lhados de colocação de fios retratores gengivais nos términos cervicais, previamente ã extensão subgengi- val. são mais danosos que a própria ação da broca, por sua ação mecânica de pressão e pela presença de ele- mentos químicos, responsáveis pela retração gengival. o que comumente resulta em recessão gengival e ex- posição precoce da cinta metálica que se pretendia esconder dentro do sulco. Não se deve encostar a blo- ca nas paredes axiais para a execução desse procedi- mento. pc4s corre-se o nsco de obter-se ura término irregular, semelhante á forma de toda a extremidade da broca, visto que a quantidade desgastada nas faces vestibular e metade das proximais correspondeu ao diâmetro da broca (Fig. 3.20A e 3.20B). Fica fácil entender agora a importância da reali- zação do sulco cervical marginal, utilizando a meta- de do diâmetro (t 0.7mmí da broca esférica, pois. além de ter delineada a forma do chanfrado, tam- bém auxilia no posicionamento correio da broca 3216 ou 2215 para preparo subgengival. A profundidade do término cervical deve ser de 0.5 a l,0mm. suficiente para esconder a cinta me- tálica da coroa metaloceràmica. A área interproxi- mal constitui-se no aspecto mais critico desta fase. razão pela qual cuidados adicionais devem ser ob- servados com a extensão do término dentro do sul- co gengival. Busca-se, nesta etapa, realizar uma pequena in- clinação {2 a 5"> das paredes em direção incisai, a partir do término cervical, que pode ser aumentada )5 a 10°) a partir do cervical, principalmente se o dente apresentar coroa clinica longa. (Figs. 3.2IA c 3.21 B) FIG32IA Posicionamento correio da broca para o preparo subgengival. F I G U R A 3 20B Vista palatina do dente pmparado. -FIGURAS 3.21 A e 3.2IB (A) Inebriação das paredes vestfcutar. palaUna e (B) próximas
  18. 18. » 11 P 11 O S Dí S l l l i ! C 11 F i 11 | i D * D E M l l i l i C t As ligas dc Ni-Cr usadas nas coroas metalocerâ- micas apresentam características tísicas que possibi- litam a obtenção de margens cervicais finas (de 0,1 a OJmm). sem prejuízo de adaptação decorrente do processo de cocção da porcelana. Por esta razão, o término cervical colocado a O.Smm dentro do sulco é capa/ de esconder a cinta metálica, princi- palmente se o tecido gegival for constituído de mucosa ceratinizada. Gengiva fina pode exigir ex- tensão cervical maior dentro do sulco para masca- rar a translucidez da cinta metálica. As ligas dc ouro cerâmico, por outro lado, exigem maiores espessuras (0J a 0.5mmt para não sofrer de- formações decorrentes da coação da porcelana Asam. nos preparos para coroa metaloceràmica em liga de oura a estrutura dentária deve sofrer maior desgaste nessa região para acomodar o metal e a porcelana. Outra diferença em relação ao preparo para me- taloceràmica com ligas de Ni-Cr está no término cervical, que deve ser em degrau biselado para con- figurar maior resistência à estrutura metálica. Como consequência, torna-se necessário maior aprofundamento gengival (0.7 a I.Omm), notada- mente nas dentes de relevante importância estética, para mascarar o bisel metálico. Para a obtenção do término em degrau biselado nas faces vestibular e metade das proximais. utiliza- se a broca n° 3069 de ponta reta para a confecção do degrau, que é levado 0.5mm dentro do sulco (Fig. 3.22A1 e ò brocaem forma de chama, n; 1112 para o bisela mento do degrau (Fig. 3.22B). O restante do preparo continua em chanferete (Fig. 3.22C). FIGURA 3.22A FIGURA 3.22B Término em degrau Termino em degrau biselado FIGURA 3.22C Tómimo em chanferete.
  19. 19. PR O T £ S Ê F I X A 7 - ACABAMENTO Como o término cervical obtido com as brocas diamantadas 3216 ou 2215 é um chanfrado longo (Fig. 3.23A), torna-se necessário aumentar um pouco mais a quantidade de desgaste na região cer- vical das faces estéticas, vestibular e metade das proximais, para acomodar o metal e a porcelana e não haver sobrecontornos. Para isso, utiliza-se para este desgaste a broca diamantada tronco-cônica com extremidade arre- dondada (4138), totalmente apoiada na parede axi- al, acentuando o desgaste nessa região (Fig. 3.23B). A regularização do preparo deve ser feita com as mesmas brocas anteriormente usadas, em baixa rota- ção, arredondando-se todas as arestas formadas e eli- minando áreas de esmalte sem suporte ou irregulari- dades que possam ter permanecido na região do tér- mino cervical. Recomenda-se também a utilização de brocas de aço muitilaminadas em baixa rotação, para definir melhor o término cervical, facilitando a adap- tação da coroa provisória, moldagem e demais passas subsequentes. Verifica-se com sonda exploradora se esses objetivos foram atingidos. (Figs. 3.24A e 3.24B) FIGURA 3.23A Posicionamento correto da broca para obtenção do chan- frado. FIGURA 3.23B Aumento do desgaste cervical FIGURA 3.24B Preparo concluído ^fOtfôc alentada
  20. 20. M E P U O S DE D E I I E S COM F I N A L I D A D E P RO I É I I C * B * PREPARO PARA COROA METALOCERÀMICA SEM CINTA METÁLICA NAS FACES VESTIBULAR E METADE DAS PROXIMAIS [COLARLESS) A única diferença desle preparo para o descrito antcriomicnle está no termi IH» cervical das faces ves- • F I G U R A 3 . 2 5 A Vista vestibular das coroas metaloplásticas no tibular e metade das proximais que deve ser em om- bro realizado com a broca 3069, em substituição ao chanfrado. Este tipo de preparo está indicado para elementos isolados ou próteses fixas pequenas, quan- do o tecido gengival é muito fino e permite a transpa- rência da cinta metálica (Figs. 3.25A a 3.25D). F I G U R A 3 . 2 5 B Vista vestibular dos dentes preparados com término cervical em degrau nas faces vestibular e metade das proximais. • F I G U R A 3 . 2 5 C • F I G U R A 3 . 2 5 D Vista cervical das coroas metalocerâmicas mostrando o Vista vestibular das coroas cimentadas término em porcelana e metal. C " PREPARO PARA COROA METALOCERÀMICA PARA DENTES POSTERIORES: 1 - SULCO MARGINAL CERVICAL-VESTISULAR E LINCIW. O desgaste marginal ê feito seguindo os mesmos procedimentos descritos anteriormente no preparo para dente anterior (Figs. 3.26A a 3.26D). 2- SULCOS DE ORIENTAÇÃO: VESTIBULAR, OCLUSAL E UNCUAL Para os dentes superiores, a profundidade dos sulcos vestibulares deve ser de l,2mm (diâmetro da broca) em função da estética. Os sulcos da face pala- tina, no terço médio cervical, devem ter um desgaste de ± 0,6mm e, na região médio oclusal, uma espes-
  21. 21. P R Ó T E S E F I X A i FIGURAS 3.26Aa 3.26B Vistas vestibular (A) e palatina (B) do 27 com indicação para coroa motalocerâmica HG 3.2ÉC • FIGURAS 3 26C e 3.26D Vistas vestibular (C) e palatina (D), mostrando o sulco marginal. sura de ± I5mm. por Iralar-se de área funcional das cúspides de contenção cénlrica. Na face oclusal. os sulcos devem ser feitos acompanhando os planas in- clinados das cúspides • com uma profundidade aproximada de l.5mm. Se os denies apresentarem coroa clinica curta, o desgaste oclusal poderá ser re- duzido para I.Omm. Nesses casos, a superfície oclu- sal da coroa deverá ser metálica. Nos dentes inferiores os sulcos da face vestibular devem ser realizados aprofundando-se o diâmetro da broca, para se obter o desgaste de 1,2mm. Esta quan- tidade de desgaste é necessária para proporcionar es- paço para os materiais metálico e estético, pois se o desgasle for insuficiente haverá pouca espessura de porcelana, alterando a estética I suas propriedades físi- cas. Na região mcdw-odusal esta quantidade de desgaste também é necessária, para proporcionar resistência á coroa metaloceràmica. pois essa região faz parte da área funcional da cúspide de contenção cénlrica e. conse- quentemente, parlicipa aúamenle do eido mastigaló- rio. Os sulcos da face lingual deverão também ser reali- zados acompanhando a sua inclinação e com profundi- dade correspondeule à metade do diâmetro da broca, ou seja. ± 0.6mm (Figs. 3.27A e 3.27B).
  22. 22. I I H * • U I 1)1 U I H I I I I U N I I I K * U U * U I f l t l l l « : G 127A - G i FIGURAS 3.27Ae 3.2/B Vistas vest*uáar (A)e palatata (8) moscando os suKosde «tentação. O desgaste proximal c l e i t o .-CL u n i d o o s mesmos prÍUCÍpÍOS C b t U O dcSCTÍIOS IH) p r e p a r o j n l c r i o f . 4 - UNIÃO OOS SULCOS OE ORCNTACAO A i.i dos >ulcos deve M I f e h a c o m a * b r o c a s 3216 o u 2215. Apus a u n i ã o dos s u l c o s tem-se a me- tade do Ucntc pieparado. o que permite uma avaliação da quantidade da área desgastada em ielação á metade tnlcgra. Se necessário, as concçòes deverão ser realiza- das antes de proceder-se ao desgaste da outra metade (Figs. 3.28A e • J . Compare como dente antagó- nico para certifícai-se de que existe espaço sulicieute para o metal ou metal e porcelana. Em seguida, prepara-sea metade integra, repetin- do todos os passos citados anteriormente (Fig. 3.2o ). • FIGURAS 3.28Ae 328B Vistas vesicular (A) e proxanai da metade do dente preparado. FIGURA 3.29 Confecção dos sulcos de «tentação na metade Integra.
  23. 23. PRÓTESE FIXA 5 - PREPARO SUBCENCIVAI E ACABAMENTO Para a realização desses procedimentos, os princí- pios e brocas descritos no preparo anterior são os mesmos. É indispensável que as faces axiais apresentem incli- nações adequadas para propiciar ao preparo característi- cas de retenção e estabilidade. Para Uso. a inclinação do terço cervical (primeira inclinação) deve ficar entre 2 a 5" para determinar uma área de retenção friccionai para a prótese e inclinação de 5 a 10° nos terços médio e oclusal (segunda inclinação!, com o objetivo de facilitar os procedimentos de colocação, remoção e adaptação das coroas provisórias e definitivas. Uma inclinação exagerada nessas áreas poderá comprometer a estabili- dade da coroa, pois serão eliminadas áreas importantes de neutralização das forças obliquas que incidem du- rante o ato mastigatório (Figs. 3.30A a 3.30C). IFIGURA3.30A Primeira e segunda inclinação das faces axiais. • FIGURA 3.30B Preparo concluído. FIGURA 3.30C Prótese cimentada VII - PREPARO PARA COROA TOTAL METÁLICA A coroa total metálica é indicada onde o fator esté- tico não precisa ser considerado ( 2 o s e 3 U s molares). A única diferença deste tipo de preparo para o de coroa metaloceràmica está na quantidade de desgaste que é realizado na face vestibular, visto que esta será recoberta somente com metal. Assim, o desgaste na face vestibular deve apresentar i 0.6mm. ou seja. me- tade do diâmetro da broca 3216 ou 2215. A quantidade de desgaste das faces oclusais e áreas funcionais das cúspides de contenção cêntrica (médio- oclusal da face vestibular dos dentes inferiores e médio- oclusal da face palatina dos superiores) deve ser de i 1.2mm. ou seja, correspondente ao diâmetro da broca. Esse maior desgaste é importante para dar rigidez á es- trutura metálica e resistir á ação das forças mastigatórias que incidem nessas faces da coroa. Todo o término cervical apresentará configuração uniforme em chanferete. que pode ser determinado pelas brocas citadas anteriormente (Figs. 3.3IA a 3.3 I O .
  24. 24. M E M Í O S DE D E I T E S C O V M d t 1 i D ' D E M D T E T l C * • FIGURA 3.3IA Os domes 17 o 14 lotam preparados para receber coroa ** total metâbca o restauração parcial tipo . respectivamente. FIGURA 3.3 IB Vista oclusal do preparo para coroa total metálica FIGURA 3.3 IC Prótese cimentada com Panavia Ex. VIII - BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 1 HOlTtNO. MA.: BRUNETTL R.F.: Manual de Piãtete Fia SJo Paulo. 1J Samos. 19*6 2. C1W1IE.G.J.PINAULT. A.: EaktHa •famer, M >.,.a /•....»*<,*....'•, QuMcsKncc. 1994. 3. JANSON.W. ECOLS r;.- preparos de drmes com limdidadepritelha: f.nkadasihueta Bauru Faculdade Jc Odontologia dc Bauru. I986. 4. JOHNSTONJ.F.: PHILUPS. R.W.: DYKEMA. R.W.: A priOese de uinias e pontesna prática atitai São Paulo MI.. ncu. I964. 5. KUWATA M.: Thciiiyaiidpracticetiirteranumuliilii-sl.uih tims Chicago: guinlcswncc. I9S0. í> I.USlHi. IM„: A latiaialcoihcpt ofiromi preparalimi i n * xed and ea-aikl.d yuinlcsscnccInt. I97f<: I l:4l. 7. McLKAN. J.W.: tmrtrimtwmdmto/dental < <ramUs.CU cago Ouinlc*«cncc. 1979. h ROSI MHIJUi. M M LCOLS- Tratamentoperiadamale I»"* •'.ii pira castaaan,uda> Rio dc Jancini Vuntcsav;c. 1992. SA[TU. T.: Prifxms OO*MÍ 4#* M J U M k | j w MBÉriaK Uolópcatede odusàO São Paula. QuHoncncc. I9K9. SHILLWBURG. H.T.; HOBO. S. WHITSETT. L.D.: Fundamemos de prótese lixa São Paulo. E d Santo*. 19X3. ( SHILLINBURG. H.T.: JACOBI. R.; BRACKETT. S.: Fun.lanvni.is dos prepar.is deuiarta Ru dc Juncro. Oui> icwnce. I9K0. ^ IYLMAN. S.D.: Theary andpractice ofcrown anl fixed 2 ' partialprosthoaontics- 6' cd. St. Loui*. Monby. 1970. Y AMAMOTO. M.: Metal ivrami.s Chicago. Quinlcsscn- • cc 1995. WEISS. RA: New design poramclas: Utjliztnglltc proper- lios of nickd-dffomiumsureraUoys. ÍJent. ttin North Am. I977;2:1W. WISfc. M.D.: Failurc inlhe rotmd dtnàium Mana&mau and ireatment QUÚIICSKIKC. 1995.

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