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  • 1. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Morte, acontecimento e redes sociais: das raízes da cultura à Amy Winehouse Ronaldo Henn 1Resumo: O artigo propõe reflexão sobre a morte como acontecimento jornalístico que agoratransita para um fluxo em rede por conta das redes sociais. Parte-se de postulados sobre a mortena constituição da cultura formulados na perspectiva sistêmica de Edgar Morin e na semióticada cultura de Ivan Bystrina e na sua configuração como acontecimento fulcral. Sua migraçãopara o jornalismo e redes sociais é analisada através das postagens no twitter relativas à morteda cantora inglesa Amy Winehause. Entende-se que a ferramenta atualiza a noção de jornalismocomo conversação contemporânea da sociedade proposta pela Escola de Munique no séculopassado. As postagens passam a compor a narrativa jornalística do acontecimento alterando suaprópria dinâmica desconstruindo e reiterando sentidos sobre a morte.Palavras-chave: acontecimento; redes sociais; internet; webjornalismo; morte 1. Introdução A partir de várias perspectivas teóricas (MORIN: 1986, QUERÉ: 2005, DE-LEUZE: 1998, FOCAULT: 1984) o acontecimento é compreendido como uma singula-ridade. Seja porque ele inaugura todo um processo de sentido (encarnando o própriosentido, que sempre escapa, como quer Deleuze, 1998) ou mesmo porque com sua e-mergência mundos constituem-se, o que une estas perspectivas é a ideia de que o irrom-per do acontecimento produz a ruptura de uma continuidade. Ao mesmo tempo ele pos-sui a força propulsora da semiose (HENN, 2010) que se engendra nos complexos pro-cessos de representação e interpretação em que sua pujança de sentido vai se acomo-dando. Desta forma, o acontecimento desdobra-se na tensão fulcral entre o singular e o1 Professor pesquisador do Programa de Pós Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos, RS.Pesquisa produção de acontecimento no âmbito da rede a partir de temas como xenofobia e homofobia. Éautor de Pauta e Notícia (Canoas: Ulbra, 1996) e Os Fluxos da Notícia (São Leopoldo: Unisinos, 2002)
  • 2. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::geral, aquilo que não é e o devir, a qualidade em toda sua positividade e a legislação, amais radical atualidade e a história: o acontecimento participa da ativação da memória.Entende-se que vida e morte estariam no ápice desta tensão acontecimental. Morin (1986) enfatiza que só há leis gerais no universo porque ele é singular, oque implica que sua origem e sua originalidade constituem determinações. São leis quedependem não só das características singulares do universo, mas também da naturezadestas interações e das condições em que se operam. Nessa concepção, toda a lei depen-de, num determinado sentido, da eventualidade, do acontecimento: “o encontro é aleató-rio, o efeito é necessário” (MORIN, 1986, p. 77). Como desdobramento do processo,funda-se a ordem mais complexa conhecida, a ordem biológica. E há nisso um posicio-namento epistemológico profundo que implica na própria processualidade do conheci-mento: Este universo nascente nasce como acontecimento, e gera-se em cascatas de acontecimentos. O acontecimento, triplamente excomun- gado pela ciência clássica (por ser simultaneamente singular, aleató- rio e concreto), torna a entrar pela porta cósmica, visto que o mundo nasce como acontecimento. Não é o nascimento que é acontecimento, é o acontecimento que é nascimento, no sentido em que, concebido no seu sentido mais forte, é acidente, ruptura, catástrofe... A partir daqui, podemos conceber que o devir cósmico seja cascatas de acon- tecimentos, acidentes, rupturas, morfogêneses. E este caráter repercu- te-se em todas as coisas organizadas, astros, átomo, ser vivo, que tem na sua origem e no seu fim, algo de eventual. Mais ainda, dos subso- los da microfísica até às enormes abóbadas do cosmo, todo o elemen- to pode aparcer-nos, doravante, também, como acontecimento. Donde a necessidade do princípio de complexidade que, em vez de excluir o acontecimento, o inclui e nos leva a olhar os acontecimentos da nossa escala terrestre, viva e humana, aos quais uma ciência antieventual nos torna cegos. (MORIN, 1986: 94) 2. Raízes do acontecimento Se entendermos a origem do universo como uma singularidade máxima que con-centra a mais intensa das caoticidades e suas potencialidades negoentrópicas, o tempodesencadeia-se no e pelo acontecimento: o tempo de devir que é absolutamente comple-xo e sincrético. Os múltiplos planos de organização do universo e sua complexa diver-sidade age no ser vivo: “todo o ser humano traz consigo o tempo do acontecimen-to/acidente/catástrofe (o nascimento e a morte), o tempo da desintegração (a senilidadeque, via morte, conduz à decomposição), o tempo da reiteração (a repetição cotidiana e
  • 3. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::sazonal dos ciclos e ritmos e atividades), o tempo da estabilização” (MORIN, 1986: 86).A morte é o acontecimento que une o irreversível e o tempo complexo (MORIN, 1970),complexidade que atinge contornos de grande sofisticação na medida em que o humanosemiotiza-se. As capacidades semióticas desenvolvidas pela espécie humana intensificaram acomplexidade do mundo biofísico. Provavelmente a partir da consciência da morte, damorte como acontecimento, que toda a trama constitutiva das linguagens e da culturapassa a se desenvolver. Morin (1975) lembra que os túmulos mais antigos que conhe-cemos são os neanderthaleses que indiciam algo muito distinto do que a simples prote-ção para a decomposição: o morto está numa posição fetal com os ossos pintados e umasérie de utensílios fazendo-lhe companhia. Essas descobertas apontam não só para airrupção da morte na vida humana mas também para modificações antropológicas quepermitiram e provocaram essa irrupção (MORIN, 1975: 94). A morte não é só reconhecida como fato, como a reconhecem os demais animais,nem só ressentida como perda, mas também é concebida como a transformação de umestado em outro: ela transforma-se em acontecimento em torno do qual a cultura consti-tui-se. “Tudo no indica que a consciência da morte que emerge no sapiens é constituídapela interação de uma mente objetiva que reconhece a mortalidade e de uma consciênciasubjetiva que afirma se não a imortalidade pelo menos a transmortalidade” (MORIN,1975: 95). Os ritos de morte tomada agora como acontecimento fazem frente ao terrorprovocado pela ideia do nada: nasce a projeção do duplo e com ele a própria natureza dosigno, ou seja, algo que ocupa o lugar de uma outra coisa. Esta realidade da sociedade humana aponta para boa parte de coisas que estão paraalgo distinto e requerem interpretação, quer dizer, de signos que possibilitam a interpre-tação. “Onde faltam os signos, nós imaginamos o nada e, onde parece haver o nada, noapressamos em colocar um signo de ordem” sentenciava sabiamente Harry Pross (1980:14). “Isso serve tanto para a socialização da criança como para a da humanidade”. Oprincípio de organização através do qual as linguagens articulam-se passa a impor umaespécie de coação na medida em que as ordens e os consequentes focos de poder advêmda resposta humana à ameaça do nada. Através dos signos reconhecemos como se com-portam entre si distâncias, os intervalos e as classes sociais em que nos movemos.
  • 4. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Nobert Elias (1998) entende que a vida dos primeiros homens teria sido insuportá-vel caso eles não desenvolvessem a capacidade de compensar seu desconhecimento comfantasias cuja carga afetiva refletia a insegurança de sua situação, a incerteza do seuacervo de conhecimento (BAITELLO JÚNIOR, 1997) . Eles estavam envolvidos de-mais para encarar acontecimentos da natureza como observadores distanciados. Trata-se daquilo que Ivan Bystrina (1995) chama de segunda realidade. A primeira realidade é a realidade bio-física, que coloca para o ser humano umaséire de exigências em termos de sobrevivência. Gera um déficit, um stress terrível. Asprórpiras exigências de permanência da espécie humana exigiram formas novas desocialização, de proteção e com o cérebro maior, consiguimos processar e criar novasinformações, novos códigos. O ser humano despreende-se da primeira realidade criandoa segunda realidade como desdobramento inevitável. Nesta realidde eminentementehumana, noológica, simbólica, completamente sígnica, o homem tenta superar no mito,na magia nos ritos, certas determinações terríveis da primeira ralidade. sobretudo àmorte (BYSTRINA, 1995). Na medida em que a segunda realidade possui um caráter sígnico, ela se ordenacomo linguagem e obedece a certos princípios e regras. Desta forma, a cultura possuiseus códigos e funciona de acordo com eles. Códigos esses que vão reger nossaspráticas comunicativas e culturais até hoje. É nesse sentido que postulamos aqui a idéia de morte como acontecimento, tantopelo seu assombramento, quanto pela dinâmica inaugural de práticas semióticas quedesencadeiam os processos culturais. A cultura vai ser um sistema muito bemorganizado, de caráter simbólico, mas que necessita de condições bio-físicas paraexistir. A cultura vai fazer um investimento simbólico nas línguas naturais, criandosignificados múltiplos ao ponto de amalgamá-las. E a cultura passa a gerar diversascoisas como mitologias, narrativas que dão conta dessas mitologias, regras decomportamento ou conduta social, ideologias, religiões, práticas políticas e tambémpráticas de lazer. A cultura tem o poder de se diverssificar porque ela é um sistema aberto, mesmocom todo o seu rigor de organização interna. Sociedades diferentes vão se constituindo,tribos, nações, e com elas a cultura vai sofrendo variações, especificidades, mesmo
  • 5. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::mantendo certos matizes básicos. Porque ela é multirelacional e inesgotável. Se acultura fica presa a códigos muitos rígidos, ela se torna fóssil, pode morrer. Tambémpode se constituir como intrumento de domínio. A cultura nasce percebendo polos assimétricos, mas nasce também inconformadacom eles. Vida e morte constituem a oposição mais inexorável (BYSTRINA, 1995).Como a espécie humana não consegue resolver essas assimetrias na natureza, nasestruturas da ralidade, ela desenvolve ações simbólicas. A morte vira vida eterna, otrovão vira Deus, a tempestade purificação. O homem, diferentemente dos outrosanimais, espera a morte, sabe a morte que vai acontecer com ele e os semelhantes.Sabendo, ele espera e na medida em que espera, pauta-se para ela. Conhecendo suaforça limitada, vê-se impotente diante da natureza pelo fato de ser sempre derrotadopela morte (BAITELLO JÚNIOR, 1997). 2. Morte como acontecimento jornalístico em rede Incrustrada na própria constituição da cultura é quase natural que a morteconverta-se em acontecimento jornalístico altamente valorizado. Seja como resultado detragédias, de crimes aterradores ou envolvendo personalidade pública, a morte sempreencontra espaço nas coberturas jornalísticas e ganha, via de regra, muito destaque. Hádiversas ênfases no noticiário de morte que vai do impacto, suas consequências e a umaexumação pública e excessiva. Quando o protagonista da morte faz parte do mundos dosespetáculos, essa ênfase agiganta-se produzindo uma espécie de mitologia às avessas emque o personagem aos mesmo tempo é colocado em patamar que o distingue doshumanos e no limbo das desconstruções mais sórdidas. A morte da cantora inglesa Amy Winehouse no dia 23 de julho de 2011 foiprocessada pelo jornalismo com todas essas ênfases. Com vida atribulada por conta deexcessos, sua performance pública já fazia a festa dos tablóides britânicos. Encontradamorta aos 27 anos, idade em que muitos ídolos da música pop partiram “fora docombinado”, um mixto de consternação e dissecação emergiu deste acontecimentofulcral. Só que a notícia de sua morte ingressou nesse novo processo de semioseinstalado pelas redes sociais: a participação coletiva na construção de sentidosencontrou agora uma materialidade exuberante.
  • 6. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: As redes sociais não só introduziram ao longo dos anos 2000 novas formas de so-ciabilidade como também de produção e circulação de informação. Em convergênciacom plataformas móveis, como celulares, smartphones e tablets, essas redes protagoni-zaram nos últimos anos a formatação de acontecimentos como os protestos da oposiçãonas eleições do Irã em 20092 e a recente renúncia do ditador Ben Ali da Tunísia em2010 (RECUERO e ZAGO, 2011). As eleições do presidente dos Estados Unidos Ba-rack Obama em 2008 teve também uma presença significativa da web. No Brasil, após aconfirmação da vitória da presidente Dilma Rousseff no pleito de 2010, manifestaçõesanti nordestinos proliferaram-se pelo twitter acompanhadas de reações de intensidademaior. Uma estudante de direito em São Paulo, que postou mensagem xenófoba agres-siva gerou forte repúdio e acabou demitida de estágio que cumpria em importante escri-tório de advocacia3. Em maio de 2011, um protesto na forma de churrasco no bairroHigienópolis de São Paulo, contra manifestações preconceituosas de moradores contrá-rios a instalação da estação de metrô, foi todo organizado pela rede4. Com as redes sociais processo de produção e circulação de notícia hoje está dis-seminado. A notícia não precisa necessariamente freqüentar o ambiente chancelado olugar institucional da notícia. E o jornalismo em base de dados possibilita a apuração deinformações sem a mediação do jornalismo convencional. E são nessas operações quese percebem as mudanças mais profundas. O jornalismo tradicional se vê compelido a se apropriar destas plataformas e fer-ramentas, seja num processo de convergência, seja no do estabelecimento de novos pa-drões. Mas tem que lidar com essa forte dose de imprevisibilidade. O jornalismo, tradi-cionalmente vinculado ao presente, mas ainda atrelado ao tempo do evento, do processoprodutivo e do receptor (FRANCISCATO, 2005) vive agora uma espécie de exaspera-ção da instantaneidade e da proliferação simultânea do acontecimento em rede. As redescomunicacionais digitais móveis de acesso translocal, como os telefones celulares, os2 Matéria do New York Times reproduzida na UOL em 16 de junho informava que “no Twitter, as repor-tagens e links para fotos de uma marcha pacífica em massa por Teerã na segunda-feira (15), juntamentecom relatos de combates nas ruas e vítimas por todo o país, se tornaram o assunto mais popular no serviçoem todo o mundo, segundo as estatísticas publicadas pelo Twitter”http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2009/06/16/ult34u223320.jhtm3 Conforme notícia publicada em O Globo em 01/11/2011 http://glo.bo/9uCfSa4 Conforme IG em 11/05/2011 http://bit.ly/mxC5Ob
  • 7. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::wireless computers e as conexões sem fio adensam a vivência do “tempo real” pelo jor-nalismo (COSTA, 2003) a partir de espaços híbridos. Se por um lado, há todo um fluxo libertário, anárquico, colaborativo, numa novapossibilidade de jornalismo, há, por outro problemas sérios como o da credibilidade dainformação, precisão, proliferação de boatos. Mas o fenômeno mais perceptível é o darepercussão da informação, que se dá de forma estonteante. A construção da opiniãopública, grande trunfo de uma imprensa de ideais modernos e iluministas, saiu total-mente do controle. Esta é a cena de uma crise que está gerando muitas questões queestão sendo investigadas. Os casos recentes de acontecimentos que emergem da web revelam desdobramen-tos de semiose5 que atendem à outra lógica de produção de informação jornalística apartir da própria instituição do acontecimento. As rotinas de produção tradicionais exi-biam nexo ordenado entre pauta, apuração, relação com fontes, redação, edição e dia-gramação. Essas instâncias interpretantes seguiam trajetória de cunho linear na qual arelação signo (notícia) e objeto (acontecimento) desdobrava-se ao longo da cadeia pro-dutiva e culminava no deadline imposto. Havia, neste contexto, um predomínio da refe-rencialidade que migrava, via operações produtivas, ora para as lógicas simbólicas deconvenção dos códigos jornalísticos, ora para as lógicas icônicas de sedução, sobretudopelas imagens. Com relação ao acontecimento em rede, em primeiro lugar, já se tem um aconte-cimento de natureza essencialmente sígnica, logo já articulado nas tramas simbólicas doque Peirce (2002) chama de terceridade. Isso porque é a partir de sua construção no am-biente da rede que o acontecimento se institui. É na web que o acontecimento se produzindependente do fato de ele poder se referir a uma realidade exterior. Os episódios só setransformam em acontecimento por conta desta mediação. Em segundo, as lógicas de5 Semiose está sendo empregada aqui no sentido oferecido pela Teoria Geral dos Signos de C. S. Peirce(2002). Em primeiro lugar, o signo é pensado de forma triádica e só existe enquanto tal a partir de umprocesso relacional das três dimensões envolvidas: signo, objeto e interpretante. Em segundo, se o inter-pretante é um novo signo acionado neste processo, e sua geração configura-se como potencialmente infi-nita, seu funcionamento já traz embutida a própria semiose que, em outros termos, significa a ação dosigno. Em terceiro, o signo só existe por conta de uma determinação, a do seu objeto, cuja natureza nãoprecisa ser necessariamente alguma "coisa" constituída no mundo, mas algo da ordem do imaginado oudo conceito. E toda a seqüência de interpretantes vai, de alguma forma, dar conta destes objetos originá-rios.
  • 8. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::produção se alteram na medida em que é a própria rede, em um primeiro momento, queabastece os jornalistas de informação sobre que relatar. E o próprio relato amplia-se emcadeia interpretante rizomática, hipertextual e miltimidiática trazendo complexidademaior a relação signo/objeto. O twitter está entre as ferramentas mais populares de redes sociais. Sua principalcaracterística é a de funcionar como um microblog que comporta postagem de mensa-gens que contenham no máximo 140 caracteres. Pessoas físicas e jurídicas, nos seusmais diferentes matizes, constroem perfis que se vinculam entre si através de uma sis-temática de seguidos e seguidores. A partir da pergunta “What is happening?” (o queestá acontecendo?), as mensagens tanto podem se referir a relatos prosaicos do cotidia-no das pessoas como à difusão e comentário de acontecimentos jornalísticos. Com usodo sustenido (#) é possível criar uma hashtag que aponta para uma página comum. Nocaso em análise, a #amiwinehouse passou a ser usada pela maioria dos perfis que sereferiram ao acontecimento. Os termos ou hashtag são constantemente classificadosnum ranking chamado treend topics em que aparecem os dez assuntos mais comentadosno momento. A ferramenta sofisticou-se e hoje é possível ter uma lista só com os tweetsbrasileiros e já há classificações regionais para cidades como Rio de Janeiro e São Pau-lo. Esta dinâmica estabelece uma conversação coletiva que é ao mesmo tempo dialó-gica e narcísica, na medida em que há um capital social envolvido nas postagens, comobem propõe Raquel Recuero e Gabriela Zagos (2011). As autoras lembram que o capitalsocial, como forma de capital, é produto de investimento dos indivíduos em suas redes eda construção de valor nesses espaços e transforma-se no twitter em ingrediente funda-mental da sua constituição já que ele é capaz de gerar valores na sua apropriação. Estarvinculado a um determinado assunto de forma pública revela implicações simbólicas nosentido da visibilidade proposital desse vínculo. A configuração do twitter atualiza postulado que a chamada Escola de Muniquenas teorias de jornalismo alemã havia compreendido na essência do jornalismo na déca-da de 1960, conforme sistematizou Hanno Beth (1987). Os autores dessa escola (HansBraun, Otto B. Roegele e Heinz Starkula) incluem em seu campo de trabalho na pers-pectiva do jornalismo como ciência “a forma mais ampla de contato humano a qual me-
  • 9. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::diante a fala, a audição e a compreensão se efetua o encontro e a influência recíproca, atroca constante de agendas e o intercâmbio de conteúdos espirituais” (BETH, 1987).Por conta disso, entendiam o jornalismo como a conversação contemporânea da socie-dade e defendiam que o termo “periodismo’ (zeitung) não só designa um meio técnicomas um fenômeno primogênito da comunicação social. As redes sociais contemporâ-neas parecem levar esse postulado a consequências bem mais intensas. 4. Semioses do acontecimento Amy Winehouse “Minha mãe falou assim quando eu acordei: A morte da #amywinehouse já ta notwitter? Eu tinha acabado de acordar e nem sabia”. O post, pertencente ao perfil@fco_lrds_cotia do twitter, aponta para esse outro modo do acontecimento pelas redessociais. Ao mesmo tempo em que intensifica de forma instantânea e contínua uma con-versação coletiva sobre o que aconteceu, também permite que se vislumbrem níveis deafetação dos mais diversos. Assim que saíram as primeiras notas nos portais noticiosossobre o corpo morto de uma mulher aparentando 27 anos encontrado no endereço deAmy Winehouse, no começo da tarde de sábado, horário de Brasília, uma profusão deposts pipocaram e rapidamente a hashtag referente ao acontecimento passou a liderar ostreends topics. Selecionou-se um conjunto de postagens com essa hashtag, publicadas por perfisbrasileiros, para que se percebam alguns sentidos que o acontecimento “morte de umacelebridade atormentada” foi constituindo ao longo da tarde do dia 23 de julho de 2011.As mensagens desencadeiam três movimentos jornalísticos. O primeiro deles é a refe-rência a ou o comentário da notícia que estabelecem vínculos dos sujeitos com o acon-tecimento, vínculos esses de múltiplas ordens, tais como morais, comportamentais, deafetos ou de mera observação dos ambientes da cultura em geral. Também faz partedesse movimento o próprio ato de noticiar. Postar referência à notícia imediatamente aoseu surgimento é quase como um furo: o perfil portador de uma novidade bombásticaque logo é replicada. O segundo movimento é o da referência a links que trouxeram algum material no-ticioso ou audiovisual sobre o acontecimento. Em pouco menos de duas horas das pri-meiras notícias, o portal G1 já publicava matéria reunindo o que chamava de especialis-
  • 10. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::tas que analisavam “a morte precoce de Ami Winehouse”. Através de programas queproduzem encurtamentos da URLs, é possível fazer referências aos links de forma eco-nômica, sem que se ultrapassem os caracteres máximos permitidos. Dessa forma, a ma-téria do G1 apareceu difundida em vários posts através de links comohttp://glo.bo/pPMdp2. Originalmente o link era http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/07/especialistas-comentam-morte-precoce-de-amy-winehouse.html. Já o terceiro movimento pertence às próprias organizações jornalísticas que se uti-lizam da estratégia dos hashtags para divulgarem seus materiais. Nesse aspecto, os veí-culos das organizações globos mostraram-se intensamente efetivos na utilização desserecurso com remissão a várias inserções, do jornal O Globo ao programa Fantástico. Um dos perfis que se manifestou já no começo era um fake6 da própria cantoracom o perfil @MinhasAtitudes. Os posts criavam um efeito metafísico: uma análiserapidamente póstuma do seu próprio comportamento , como no MinhasAtitudes AmyWinehouse “Se uma pessoa tem tendência para o vício, passa de um veneno para o ou-tro.” - #AmyWinehouse 23 Jul ou no MinhasAtitudes Amy Winehouse Existe uma luzno céu acima de nós que apenas quem ama a consegue ver. #AmyWinehouse 23 Jul. Dada as circunstâncias da morte, uma provável overdose de drogas e álcool, proli-ferou-se um discurso condenatório, de ordem moral. Alguns reforçavam o talento mascriticavam o comportamento. Outros ignoravam suas qualidades artísticas. Destacam-se,entre eles, o do escritor de telenovelas Walcyr Carrasco: WalcyrCarrasco Walcyr Carrasco Mesmo sendo contra o uso, porém, reconheço que a droga leva a superar fronteiras artisticas, como #Janis Joplin e #AmyWinehouse 23 Jul marciomarques Marcio marques #amywinehouse- pra quem acha que maconha e alcool nao fazem mal, eles sao portas de entrada do vicio. o final pode ser igual ao da Amy 23 Jul anagoelzer anagoelzer RT @talanotalaveira: Ao inves de ficar falando da mor- te #AmyWinehouse vamos falar de quem celebra a vida e nao provoca o seu fim6 Fakes são perfis sem identidade comprovada ou que simulam personalidades conhecidas. Bastante po-pulares no twitter, esses perfis também interagem na construção dos acontecimentos trazendo problemati-zações importantes nesse tipo de abordagem.
  • 11. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Como o acontecimento veio na sequência de outro acontecimento, esse de caráterbrutal, o atentado de extrema direita que matou mais de 70 pessoas na Noruega, algu-mas relações entre eles foram estabelecidas. Destacam-se duas, uma de caráter crítico eoutra condescendente. saulosales Saulo Sales E ainda tem gente achando que a morte de #AmyWinehouse é maior que a tragédia da Noruega. #Fail gondimricardo Ricardo Gondim #amywinehouse destruiu a si um dia depois que um norue- guês matou 92. Ela, autodestrutiva, implodiu-se; ele, assassino, quis explodir o mundo 23 Jul O humor, a ironia e sarcasmo logo compareceram no conjunto de postagens. Sãoposts que de certa forma desconstroem o peso da inevitabilidade num processo de car-navalização, no sentido de Bakhtin (1993). CadeMeuUisque Cadê o meu uísque? O lado ruim de morrer não é a morte, mas ter que largar o u- ísque e os cigarros. #AmyWinehouse 23 Jul erica_leobas Erica Leobas RT @rafa_couto: #AmyWinehouse "do pó viestes, pelo pó passastes, ao pó voltarás." 23 Jul rafaelmalenotti rafaelmalenotti Vai ser uma tremedeira só! RT @FilhoDoOCriador: E na Cracolândia está sendo programado um minuto sem fumar em homenagem a #AmyWinehouse 23 Jul HomerFail Homer Simpsons Deus, vamos fazer um trato ? vc leva todas as integrantes da "banda" Restart, o justin bieber e o LS , e só nos Devol- ve #AmyWinehouse e o MJ 23 Jul. Fellipe_cap Verified Account ✔ #amywinehouse chegou ao céu, foi barrada com 2kg de ma- conha Outra linha de manifestação diz respeito aos fãs declarados7 ou mesmo àquelesque são críticos ao julgamento moral de muitos comentários. Nesses posts, há uma pro-7 A pesquisadora Adriana Amaral (2010) vem investigando a constituição e articulação das comunidadesde fãs nas redes sociais. Entre outras perspectivas instigantes, identificou que os perfis online em redes derelacionamento têm se mostrado eficientes no sentido de constituição de um banco de dados de consumo,de memória musical, de organização social em torno da música, de crítica e classificação de gêneros, de
  • 12. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::jeção do ídolo como alguém inconformado que necessitava transgredir. A mensagemque lembra letra de Cazuza, cantor/compositor brasileiro morto em 1990, em perfil atri-buído a Leo da banda Inimigos da HP, faz uma síntese dessa perspectiva: leoinimigosdahp Leo - Inimigos da HP "Meus heróis morreram de overdose, meus inimigos estão no poder. Ideologia, eu quero uma pra viver!" (Cazuza) Vá com Deus#AmyWinehouse #fb 23 Jul Até mesmo o jogador do Milan Alexandre Pato entrou nesta linha, assim como oescritor de telenovelas Agnaldo Silva e o jornalista Tiago Leifert, entre outros: AlexandrePaato Alexandre Pato #9 Surpreso com a morte do ícone musical dessa década, de longe a melhor artista dos últimos 10 anos. #amywinehouse 23 Jul Aguinaldinho Aguinaldo Silva #amywinehouse estar nos TTs não é nada, você esta na memoria de todos nós e na historia da musica mundial. Tiago_Leifert Tiago Leifert Perder a Amy Winehouse é como perder Mamonas Assassi- nas de novo ! #amywinehouse 23 Jul 23 Jul lellid léli duarte ☺ Todo mundo sente peninha dos muito pobres ou filhinhos de papai que se drogam, agora, pq é a #AmyWinehouse, um íco- ne, todos julgam. 23 Jul ebitelo Euclides Bitelo Estaremos nós condenados a um mundo de sertanejos, gos- pels e sertanejos gospels? Eles são comportados, mas chatos pra caralho! #amywinehouse 23 Jul O comportamento da mídia, assim como das próprias manifestações nas redes so-ciais são alvos de críticas. Percebe-se uma postura ambígua na medida em que quemcritica vale-se das mesmas estratégias dos demais, o que amplia o sentido de conversa-ção, ao mesmo tempo dialogada e narcísica. leotody Leo Rapini Hienas do twitter celebram a morte da #amywinehouse rindo e fzendo piada. Elas são conhecidas por caçar e se alimentar de suas presas vivas. 23 Julconstituição de reputação de conhecimento sobre o assunto, quando aliados aos sistemas de recomenda-ções musicais.
  • 13. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: galvao_matheus Matheus Galvão Nem esperam o corpo esfriar e já começam a querer lucrar com isso... Assustador... #AmyWinehouse 23 Jul deputadokennedy Kennedy Nunes A Globo News não sabe mais o que falar da #amywinehouse. Até o Eca Camargo teve que vir p estúdio rsrs 23 Jul A mídia institucionalizada comparece de várias formas: faz referência aos seusmateriais, reproduz trechos das canções das cantoras, convida a interação com a propos-ta de enquetes como “qual a sua canção preferida” e outros procedimentos. OTEMPOonline O TEMPO online Causa da morte de Amy Winehouse ainda é desconheci- da.http://owl.li/5LNG6 #amywinehouse 23 Jul BlogdoNoblat Blog do Noblat RT @JornalOGlobo: #amywinehouse: consternações de uma morte anunciada showdavida Fantástico O Canal F especial mostra como será a cobertura da morte da cantora #amywinehouse. E essa maldição dos 27 anos? As- sista:tinyurl.com/3awll3o 23 Jul saulosales Saulo Sales Veja no @papelpop como as celebridades reagiram no Twit- ter ao saber da morte de #amywinehouse http://bit.ly/qps4zA. 23 Jul JPCURITIBA JOVEM PAN CURITIBA #AmyWinehouse "Nós apenas dizemos adeus com palavras / Eu morro umas cem vezes" (Back to Black) criativaonline Revista Criativa Qual sua música preferi- da? #tributo #amywinehouse:http://ow.ly/5LKtL 23 Jul canalglobonews Globo News A última aparição pública de #amywinehouse foi em show de afilhada artística. Confira as imagens - glo.bo/nc6MbU #globonews ultimosegundo Último Segundo #AmyWinehouse era "superamável" e querida no bairro, di- zem vizinhos ao @iG http://ig.com/8qp 23 Jul JHoje Jornal Hoje Vc pode ter outras informações sobre a morte da canto- ra #Amywinehouse no @JNTVGloboBrasil ou na Globo News:g1.globo.com/globo-news/ 23 Jul JornalOGlobo Jornal O Globo Polícia inglesa já investiga morte de #amywinehouse. Veja a fotogaleria: http://migre.me/5kFDC
  • 14. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: 23 Ju quemacontece QUEM Acontece Veja vídeo de última aparição pública da canto- ra #AmyWinehouse: t.co/hU5tfdM 23 Jul No âmbito mais tradicionalmente midiático, o lado da cantora ligado à moda, namedida que seu estilo de vestir, de maquiar e de formatar os cabelos transformaram-seem referência, logo foi explorado de forma imediata à sua morte, como nos seguintesposts: iG iG Os famosos que adoravam se vestir co- mo #AmyWinehousehttp://ig.com/8qd iG iG No @igmoda: Para Costanza Pascola- to @constanzOFICIAL, #AmyWinehouse era um retrato da moda do século 21http://ig.com/8ql 23 Jul criativaonline Revista Criativa Pin-up e lady like, #amywinehouse é ícone de estilo. Que make e cabelo inconfundíveis, não é mes- mo? http://ow.ly/5LLcH 23 Jul Por fim, um senso de contexto emerge entre os twiteiros a partir do que se con-vencionou chamar de “síndrome dos 27 anos”, já que grandes nomes da música pop nãoconseguiram ultrapassar essa idade, a maioria por conta de problemas com drogas. cacildanc Cacilda N.C. 4 de outubro de 1970: O Blues perde sua áspera voz branca: Morre aos 27 anos Janes Jo- plin http://bit.ly/pZg1pU @HojenaHistoria #amywinehouse 23 Jul hojenahistoria Hoje na História JB 8 de abril de 1994 – Aos 27 anos, Kurt Cobain é encontrado morto: t.co/8B0gAQC via @HojenaHistoria #amywinehouse 23 Jul 5. Considerações finais A trama de sentidos que emerge do acontecimento em rede revela textura comple-xa tanto na sua constituição quanto na proporção que sua proliferação alcança. Os valo-res que circulam entre os tweets desdobram-se entre a consternação, condenação moral,idolatria, carnavalização, divulgação, entretenimento e protagonismo enunciativo. Sãovalores que se expressam em qualquer conversação instituída nos espaços públicos con-
  • 15. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::vencionais mas que, na medida em que são vinculados a um espaço virtual de grandevisibilidade e com poder de propagação tão intenso, transformam-se em elementosconstitutivos do próprio acontecimento na sua transição para acontecimento público ejornalístico. Eles passam a compor a narrativa jornalística desse acontecimento alteran-do sua própria dinâmica, narrativa essa de caráter transmidiático característico dessestempos de convergência (JEKINS, 2009). A consciência da morte que deflagrou os primórdios das formulações culturais en-contra nesse cenário uma profícua diversidade complexificando ainda mais a própriacultura exatamente em um dos seus potentes textos contemporâneos, no sentido deLotman (1999): os acontecimentos jornalísticos. Um texto da cultura que na especifici-dade da morte desencadeia semioses sempre perturbadoras por nos confrontar com ele-mentos profundamente atávicos, conforme já desenhava Freud (2001) na sua teoria daspulsões. Em rede, a morte de uma celebridade convertida em acontecimento desconstróiesta consciência na mesma medida em que a fortalece. ReferênciasAMARAL, Adriana. Redes sociais de música: segmentação, apropriações e práticas de consu-mo, in ComCiência, Revista Eletrônica de Jornalismo Científico. 2010. http://bit.ly/rq4PTT,acessado em 30/01/2011BAITELLO JUNIOR, Norval, O animal que parou os relógios. São Paulo: Annablume, 1997BAKHTIN, Mikhail, A cultura popular na Idade Média e no Renascimento. São Pau-lo/Brasília, Hucitec, 1993.BETH, Hanno e PROSS, Harry. Introducción a la ciencia de la comunicación. Barcelona:Editorial Anthropos, 1987BYTRINA, Ivan, Soluções simbólicas para a assimetria dos códigos culturais. São Paulo: Cen-tro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia, 1995. http://bit.ly/oHYppw, acessadoem 30/07/2011.COSTA, Luciano Martins. Vem aí a nuvem da imprensa móvel in Observatório da Imprensa,2003. HTTP/observatório.ultimosegundo.ig.com.bt/artigos/sai260820031.html, acessado em20/07/2011.DELEUZE, Giles. A Lógica do sentido. São Paulo: Perspectiva, 1998.ELIAS, Norbert, Sobre o tempo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor: 1998
  • 16. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 9º. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (Rio de Janeiro, ECO- Universidade Federal do Rio de Janeiro), novembro de 2011::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::FOUCAULT, Michel. O que é o Iluminismo. In: ESCOBAR, Carlos Henrique (org.). MichelFoucault (1926- 1984) - o Dossiê – últimas entrevistas. Rio de Janeiro: Livraria Taurus Edito-ra, 1984FRANCISCATO, Carlos Eduardo. A fabricação do presente: como o jornalismo reformuloua experiência do tempo nas sociedades ocidentais. São Cristóvão (SE): EditoraUFS/Fundação Oviedo Teixeira, 2005FREUD, Sigmund. O mal estar da civilização, in Obras psicológicas completas de SigmundFreud. CD-Rom. São Paulo: Imago, 2000.HENN, Ronaldo. O acontecimento na sua dimensão semiótica, in BENETTI, Márica e FON-SECA, Virgínia (org.) Jornalismo e Acontecimento, mapeamentos críticos. Florianópolis:Insular, 2010.JENKINS, Henry. Cultura da convergencia. São Paulo: Aleph, 2009.LOTMAN, Yuri, Cultura y explosión, Lo previsible en los processos de cambio social. Bar-celona: Gedisa Editorial, 1999.MORIN, Edgar, O Método, Vol. 1, a Natureza da Natureza. Lisboa: Publicações Euro-pa/América, 1998.MORIN, Edgar, O Paradigma Perdido, a Natureza Humana. Lisboa: Publicações Euro-pa/América, 1975.MORIN, Edgar, O homem e a morte. Lisboa: Publicações Europa/América, 1970.QUÉRÉ, Louis. Entre facto e sentido: a dualidade do acontecimento. Trajectos, Revista deComunicação, Cultura e Educação, n. 6, 2005. P. 59-76.PEIRCE, Charles Sanders. The Collected Papers of Charles Sanders Peirce. Past Masters,CD-ROM. EUA, InteLex Corporation, 2002.PROSS, Harry, A violência dos símbolos sociais. Barcelona: Paidós, 1980.RECUERO, Raquel e ZAGO, Gabriela. A economia do retweet: Redes, Difusão de Informaçõese Capital Social no Twitter, in XX Compós, Porto Alegre: UFRGS, 2011. Disponível emhttp://www.compos.org.br/. Acesso em 12/05/2011

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