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  • 1. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012 EXTENSÕES DO PARADIGMA JDBD NO JORNALISMO CONTEMPORÂNEO: modos de narrar, formatos e visualização para conteúdos1 Suzana Barbosa2 Vitor Torres3 Resumo: Neste artigo, retomamos formulações anteriores acerca do Paradigma JDBD no jornalismo contemporâneo para refletir sobre sua preponderância crescente, apontando extensões para o modelo. Uma das mais visíveis e sobre a qual nos centramos é o que se vem chamando Jornalismo Guiado por Dados, considerada aqui como uma das vertentes do JDBD, pois está no escopo de abrangência do seu conceito. A partir do referencial teórico e do mapeamento de exemplos empíricos, inferimos que as novas extensões do JDBD materializam, principalmente, modos de narrar, de compor as peças informativas, de formatos variados para os conteúdos, bem como para apresentação das informações jornalísticas. Assim, é possível indicar a conformação de hipernarrativas ou narrativas interativas dinâmicas, de cariz complexo, também afinadas com o que se denomina estética base de dados. Palavras-Chave: Jornalismo. Paradigma Jornalismo Digital em Base de Dados. Hipernarrativa. 1. Paradigma JDBD em expansão contínua Como um modelo teórico formulado para o melhor entendimento sobre o papel dasbases de dados no jornalismo contemporâneo, o Paradigma JDBD – Jornalismo Digital emBase de Dados, (BARBOSA, 2007; 2008; 2009; 2011) expande-se em sucessivasapropriações, cada vez mais demarcando distinções para os cibermeios operando segundo alógica multiplataforma. No contexto atual, a consolidação das bases de dados comoestruturantes da atividade jornalística e como agentes singulares no processo de convergênciade meios nos permite afirmar a sua preponderância, ao tempo em que verificamos extensõespara o modelo. Uma das mais visíveis é o que se vem chamando Data Driven Journalism ou JornalismoGuiado por Dados (BRIGS, 2010; BRADSHAW, ROHUMAA, 2011; ROGERS, 2011). O1 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Estudos do Jornalismo, do XXI Encontro da Compós, naUniversidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, de 12 a 15 de junho de 2012.2 Professora/pesquisadora adjunta no Departamento de Comunicação e no PósCOM, Facom/UniversidadeFederal da Bahia. Doutora. Grupo de Pesquisa: GJOL. Coordena o Laboratório de Jornalismo Convergente (PPPnº 0060, FAPESB/CNPq). <suzana.barbosa@gmail.com>.3 Mestrando no PósCOM, Facom/Universidade Federal da Bahia. Graduado em Publicidade e Propaganda.Grupo de Pesquisa: GJOL. Integra o Laboratório de Jornalismo Convergente. <vitortorres.mid@gmail.com>. www.compos.org.br 1
  • 2. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012termo enfatiza, especialmente, a existência de informações públicas de países, governos,entidades de diversos perfis tornadas cada vez mais acessíveis e diversificadas, ao tempo emque permitem seu uso, exploração e publicação a partir de formatos variados e ferramentas devisualização específicas utilizadas para sua apresentação. Gera o que estudiosos classificamcomo o fenômeno do “big data” ou “a revolução industrial do dado”, conforme indicamBradshaw e Rohumaa (2011, p.48). O episódio da divulgação dos 250.000 telegramas confidenciais de governos,principalmente dos Estados Unidos, por parte da organização Wikileaks em novembro de2010, em parceria com o The New York Times, The Guardian, El País, Le Monde e a revistaDer Spiegel – conhecido como cablegate – talvez seja o exemplo mais emblemático da forçados dados. É também referencial por ter levado as organizações jornalísticas a buscaremrecursos e parâmetros que melhor pudessem estruturar as suas narrativas, os diferentesformatos de conteúdos (desde textos, a documentos em pdf, vídeogalerias, galerias de foto,infográficos interativos, mapas gerados a partir de mashups4, slideshows, uma base de dadosnavegável com os telegramas, cuja interface para acesso se apresenta como mapa interativo,etc), maneiras de envolver a participação dos usuários, além do uso de técnicas devisualização para apresentação das informações contidas nos cables5. Aqui, entendemos o Jornalismo Guiado por Dados6 como uma das vertentes abarcadaspelo Paradigma JDBD, conferindo sua extensibilidade, uma vez que está no escopo deabrangência do seu conceito, sintetizado como sendo: o modelo que tem as bases de dadoscomo definidoras da estrutura e da organização, bem como da composição e da apresentaçãodos conteúdos de natureza jornalística, de acordo com funcionalidades e categorias4 Consiste na operação de combinar conteúdos de duas ou mais fontes para gerar um novo.5 Ver em: <www.nytimes.com/interactive/world/war-logs.html>, <www.guardian.co.uk/world/the-us-embassy-cables >, <www.elpais.com/documentossecretos/>, <www.lemonde.fr/documents-wikileaks/>,<www.spiegel.de/international/world/0,1518,731441,00.html>. Mais sobre o cablegate e seus desdobramentos,em:< http://apublica.org/2011/09/wikileaks-a-contagem-final-do-cablegate/>.6 De certa maneira, ele recupera e amplia a noção que se firmou na década de 80 como Reportagem Assistidapor Computador (RAC), e que teve no National Institute for Computer-Assisted Reporting (NICAR,<www.ire.org/nicar/>), criado em 1989, o principal irradiador de suas técnicas para dar suporte às reportagensinvestigativas, muitas delas ganhadoras de diversos Prêmios Pulitzer. No Brasil, a Associação Brasileira deJornalismo Investigativo (Abraji, <www.abraji.org.br/>), criada em 2002, já treinou mais de 4 mil jornalistas emcursos e oficinas sobre uso da RAC. www.compos.org.br 2
  • 3. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012específicas, que também vão permitir a criação, a manutenção, a atualização, adisponibilização, a publicação e a circulação de cibermeios dinâmicos em multiplataformas. Entre as mais de 20 funcionalidades sistematizadas (ibidem, 2007; 2008; 2009), citamosas mais pertinentes para a discussão que aqui se estabelece: 1) Integrar os processos deapuração, composição, documentação e edição dos conteúdos; 2) Orientar e apoiar o processode apuração, coleta, e contextualização dos conteúdos; 3) Regular o sistema de categorizaçãoe qualificação das distintas fontes jornalísticas, indicando a relevância das mesmas; 4)Habilitar o uso de metadados para análise de informações e extração de conhecimento, pormeio de técnicas estatísticas ou métodos de visualização e exploração como o data mining7.Também assegurando a aplicação da técnica do tagging8; e 5) Garantir a flexibilidadecombinatória e o relacionamento entre os conteúdos. Quanto às categorias expressivas do modelo, temos a da Dinamicidade como aquela quepermite às demais adquirir representatividade. É a partir dela que se demarca um novo padrãopara os cibermeios, em contraposição aos anteriores sites estáticos. São elas: - Automatização. Inerente ao uso de bases de dados nos processos dearmazenamento, estruturação, organização e apresentação das informações. Permite agilidadenos processos de apuração, formatação de conteúdos a partir do que está armazenado noarquivo, e também as chamadas estatísticas dinâmicas ou Sistemas de Recomendação deNotícias (SRN), entre outros. Há 3 tipos de automatização: parcial, procedimental (nívelintermediário) e total; - Flexibilidade: Relacionada à facilidade de recuperação dos conteúdos para acontextualização, a própria flexibilidade combinatória entre distintos tipos de conteúdos, oque é fundamental no contexto da produção jornalística em redações integradas e no âmbitodo jornalismo móvel; - Inter-relacionamento/Hiperlinkagem: Permite incorporar materiais distintos queestejam disponíveis na base de dados do cibermeio, bem como nas de outras fontes cominformações abertas para oferecer análise e contextualização. Por outro lado, agrega7 Mineração de dados ou exploração de dados. Conjunto de operações de diversos tipos que se pode realizarpara explorar relações, tendências e projeções em conjuntos de dados de grandes dimensões (COLLE, 2002,p.255). As ferramentas de data mining se baseiam no conhecimento acumulado que está invisível nas bases dedados.8 Descritor usado como metadado e agregado ao conteúdo do texto de uma notícia, de uma reportagem, ou aqualquer outro formato, como vídeo, infografia interativa, slideshow, mapa, etc. Nos conteúdos de Elpais.com,pode-se perceber a presença das taggs que descrevem a notícia, o que afeta diretamente a classificação dainformação, facilitando a sua recuperação. Essa é uma das mudanças implementadas recentemente com a novaplataforma de gestão de conteúdos do cibermeio espanhol. Em: <http://blogs.elpais.com/el-cambio-por-dentro/2012/02/el-cambio-por-dentro.html>. Acesso em: 11/02/2012. www.compos.org.br 3
  • 4. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012elementos da hipernarrativa ou da narrativa interativa às peças jornalísticas, assegurando, emparalelo, tematizações novas para os conteúdos; - Densidade informativa: Delimitada, assim como a próxima categoria, a partir daconcepção de Resolução Semântica (FIDALGO, 2003, 2004, 2007b), considerada imanenteao jornalismo digital (MIELNICZUK, BARBOSA, DALMASO, FIGUEIREDO, 2010). Adensidade informativa é assegurada por uma oferta abrangente e diversificada de conteúdos(tanto quanto aos gêneros jornalísticos, como aos modos de narrar e aos formatos) e derecursos associados à cobertura jornalística dos acontecimentos, de acordo com o tratamento,processamento e publicação dos mesmos no âmbito de cada cibermeio; - Diversidade temática: Novas tematizações podem ser trabalhadas para assegurartambém maior densidade informativa e vice-versa. Com a incorporação crescente das basesde dados para a estruturação do material jornalístico, para a construção das peçasinformativas e para a apresentação dos conteúdos, também maiores serão as possibilidadespara novas tematizações. Significa dizer, que ultrapassem o eixo temático mais comumutilizado para organizar os conteúdos, quais sejam: política, economia, esportes, cultura(FONTCUBERTA, 2006, p.72), além de ciência, saúde, tecnologia. Assim, as novaseditorias/seções denominadas “Data” ou “Dados” presentes em alguns cibermeios (LosAngeles Times, The Texas Tribune, Guardian, The New York Times, Gazeta do Povo) sãoexemplos atuais ilustrativos de novas tematizações que estão diretamente relacionadas com aforça dos dados no jornalismo; - Visualização: Diz respeito aos modos diferenciados para se representar informaçõesjornalísticas, a partir da sua estruturação em base de dados. Aqui são intrínsecas as noções demetadados ou metainformações, as técnicas de data mining, do tagging entre outras que jávêm sendo utilizadas. Entre as ferramentas de visualização mais empregadas estão aManyEyes, desenvolvida pela IBM, a Your.FlowingData, para coletar dados através doTwitter, a Visual.ly e a ferramenta Treemaps, aplicada para analisar extensa quantidade dedados, que gera o padrão de visualização conhecido como Squarified (retângulos alongados9). - Convergência: Esta categoria foi agregada às demais a partir do entendimento deque as bases de dados são agentes centrais no processo de convergência jornalística(BARBOSA, 2008, 2009), conformando plataformas de gestão de conteúdos que dão suporteàs redações integradas, segundo a lógica do jornalismo convergente, multimídia,multiplataforma, que também requer habilidades múltiplas dos profissionais para os modosde narrar, para uso da hipertextualidade, da multimidialidade, da memória, da interatividadenas peças jornalísticas, sobre os formatos e as maneiras de apresentar os conteúdos.2. Modos de narrar: a hipernarrativa em base de dados Em The Language of New Media (2001), Lev Manovich assinala que como uma novaforma cultural do contemporâneo, as bases de dados vão possibilitar redefinir a concepção de9 Ver aplicação no Newsmap.jp e em <http://news.bbc.co.uk/2/hi/8562801.stm>. Sobre a técnica:<www.cs.umd.edu/hcil/treemap/>. www.compos.org.br 4
  • 5. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012narrativa. Para ele, a hipernarrativa (numa analogia ao hipertexto) é aquela que resulta dasoma de múltiplas trajetórias efetuadas através das bases de dados. Num nível material,sustenta o autor, a narrativa é apenas um conjunto de links, pois os elementos em sipermanecem armazenados em uma base de dados (MANOVICH, 2001, p.231). Parademonstrar a pertinência da sua formulação, ele aplica a teoria semiológica que prevê asdimensões sintagmática (relações se dão de maneira explícita) e paradigmática (relaçõesocorrem de maneira implícita) para compreender os relacionamentos entre os elementos deum sistema. Assim, segundo Manovich (2001, p.231), a base de dados que até então cumpria umpapel implícito, adquire existência material (paradigma), enquanto a narrativa, de explícita,passa à condição de desmaterialidade (sintagma). O paradigma, portanto, é privilegiado sobreo sintagma. A narrativa se torna virtualizada e a base de dados passa a existir materialmente.Esta é a hipernarrativa presente nos objetos e produtos da nova mídia, já que são produzidos apartir de base de dados e, neles, traços da narrativa tradicional também estão presentes,resultando em muitos híbridos. Por outra parte, na leitura, interação ou exploração dessesprodutos (entre eles um cibermeio), o usuário atua como um performador de ações para levara narrativa adiante. Pois, se ele não se movimenta, seja clicando sobre os links e escolhendo oque lerá ou verá em seguida, a narrativa para. Complementando, Ellen Lupton (2010, p. 93),pesquisadora do design, afirma que, como estrutura definidora da informação em nossotempo, as bases de dados são não lineares, permitindo que um sistema de elementos sejaarranjado em incontáveis sequências. E reforça: as bases de dados são a estrutura por trás quedá sustentação a jornais, revistas, jogos eletrônicos, catálogos, etc, gêneros que criam umespaço de informação. Outros investigadores também têm acolhido a concepção de Manovich como partidapara propor novos entendimentos acerca da narrativa em seus campos de estudo, bem comonovas denominações. Entre eles, alguns são da área do cinema (KINDER, 2002: “narrativainterativa em base de dados”; CAMERON, 2008: “narrativa modular”; SIMONS, 2008:“narrativa complexa”), enquanto outros são pesquisadores das artes na nova mídia, a exemplode Christiane Paul (2007) e Victoria Vesna (2007), que vão trabalhar na perspectiva de umaestética base de dados: termo usado para descrever os princípios estéticos aplicados naimponente lógica das bases de dados para qualquer tipo de informação, filtrando coleções e www.compos.org.br 5
  • 6. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012visualizando os dados (PAUL, 2007, p. 95). A estética base de dados está, assim, mais focadanas operações do “front end” (parte visível, interface) do que nas do “back end”, ou seja, docontenedor dos dados e da sua estrutura. No campo do jornalismo, também encontramos investigadores que empregam aconcepção de narrativa interativa ou hipernarrativa desenvolvida por Manovich (2001) parapensá-la em relação à composição de narrativas jornalísticas. Para Machado (2006), por exemplo, a narrativa, em vez de uma sucessão de ações,configura-se cada vez mais como uma viagem através do espaço constituído pelos conjuntosestruturados de itens organizados na forma base de dados e torna-se um conjunto contínuo deações narrativas e explorações (2006, p. 50). Ele argumenta que, ao contrário da narrativamoderna, na qual o ouvinte, o leitor ou o telespectador acompanha a narração sem interferirna lógica interna das ações, o fluxo dos novos modelos de narrativa, mais do que incorporar,vai depender diretamente da intervenção do usuário. Já Ribas (2005, p.06), propõe a seguintedefinição para essa narrativa: estrutura que incorpora os elementos da narrativa tradicionalem associação aos elementos, características e princípios do meio digital, para desempenharas funções de: 1) organizar e tornar facilmente acessíveis os dados na tela, tornando-se, destamaneira, a mediadora entre o computador, o usuário, o produtor; e 2) criar ambientesdiferenciados para as relações entre os dados, permitindo experiências distintas epossibilitando a identificação de diferentes tipos de produtos e de estratégiascomunicacionais. Mielniczuk (2008), por sua vez, destaca que numa plataforma de gestão de conteúdosjornalísticos estruturada em base de dados, o hipertexto funciona conforme a lógica de umsistema dinâmico, o que implica diretamente em mudanças para as narrativas jornalísticas.Principalmente, quanto ao uso dos links, os quais ganham movimento/animação fazendo comque as “lexias10 hipertextuais tornem-se muito mais ‘fluidas’ (a troca de uma lexia para aoutra já não depende mais de uma ação, de um clique). No transcorrer da narrativa, as lexiaspodem ir fluindo de uma para a seguinte e assim por diante. Poderíamos pensar que, nessescasos, os links seriam invisíveis” (ibidem, 2008, p. 173).10 Na teoria do hipertexto, é a unidade mínima da narrativa, ao passo que, na narratologia, o texto é a unidademínima da narrativa. www.compos.org.br 6
  • 7. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012 Ramos (2011), tomando como parâmetro o Paradigma JDBD e considerando-o comoum texto da cultura – segundo o referencial da escola de semiótica russa, por meio dosautores Iuri M. Lotman e Irene Machado – compreende que as bases de dados dominamhierarquicamente a criação e a manipulação de conteúdos diversos, estando no centro dacriação jornalística: “(...) é a partir daí que geram-se linguagens, modelizadas pelos formatos,nos quais pode-se ter experiências narrativas, pois a priori, em estado puro, não há narrativasnas bases de dados” (ibidem, 2011, p. 11). Para a autora, uma base de dados pode admitir anarração, mas não há nada na lógica do meio que fomente a criação de uma história.Conforme afirma, uma narrativa como uma navegação em bases de dados seria o que HenryJenkins (2008, p. 158) chama de narrativa transmidiática, “justamente como umapossibilidade de múltiplas combinações em diversas bases de dados, ou, como diz o autor, emdiversas mídias” (RAMOS, 2011, p. 12).3. Sobre o mapeamento de exemplos empíricos Para compor nosso quadro de exemplos, partimos do mapeamento de diferentes formatosde conteúdos jornalísticos, publicados e distribuídos em sites de cibermeios do mainstream,organizações independentes, cibermeios originalmente nascidos na web, além de sites deuniversidades ou grupos de pesquisa. Todo o material pesquisado, totalizando 48 sitesanalisados, está intrinsecamente ligado ao escopo de definição do Paradigma JDBD. Estemapeamento permitiu criar uma tipologia para melhor ordenar e distinguir os diversosmodelos encontrados. Assim, foi possível visualizar quatro tipologias: Mashups, Data/Dados, Sistemas deRecomendação de Notícias (SRN) e Fontes. As diferenças que caracterizam cada tipologiaserão explicitadas no subitem a seguir. Feito isso, cruzamos nossas descobertas às categoriasexpressivas do Paradigma JDBD, o que nos permite corroborar as proposições trabalhadasneste artigo quanto à existência de novos modos de narrar, de uma diversidade de novosformatos para conteúdos jornalísticos, e de novas maneiras para apresentá-los.3.1 Tipologia Neste tópico detalhamos as especificidades que caracterizam cada uma das quatrotipologias sistematizadas a partir do mapeamento. São elas que guiam a análise realizada,exposta a partir do subitem 3.2. Assim, temos: www.compos.org.br 7
  • 8. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012 a) Mashups: Consiste na produção de conteúdos, de formatos distintos, a partir da combinação de variadas fontes públicas de dados. Com isso, os novos conteúdos gerados podem ganhar apresentações também diversificadas, afinadas assim com a estética base de dados. Exemplos de formatos criados através de mashups são infografias interativas e newsgames; b) Data/Dados: Nova denominação para editorias/seções em alguns cibermeios nas quais são apresentados conteúdos produzidos a partir de dados disponibilizados pelos governos de países, estados, cidades, entre outros. Exemplos são: as editorias Data, no Guardian11; Data Desk, no Los Angeles Times; e Dados, na Gazeta do Povo (Paraná); c) Sistemas de Recomendação de Notícias (SRN) ou estatísticas dinâmicas: Permitem visualizar – a partir do emprego de variadas técnicas de visualização da informação – o que é mais popular na cobertura informativa de um site jornalístico ou cibermeio no real time em que acessamos (BARBOSA, 2011, p.08). Aparecem sob as seguintes denominações: “Most popular”, “Notícias mais lidas”, “Mais comentadas”, “Mais compartilhadas”, “Mais enviadas”, “Mais vistas”; d) Fontes: Sites mantidos por governos de países, estados, cidades, além daqueles de organizações independentes que distribuem dados referentes à administração pública, por exemplo.3.2 Análise aplicada3.2.1 Mashups São muitos os exemplos que formatam a tipologia Mashups, encontrados em cibermeiosbrasileiros e estrangeiros, independentemente do tamanho da organização por trás do produtonoticioso, assim como em sites não jornalísticos. Detivemo-nos em dois exemplos que foramselecionados por conta da composição do conteúdo ofertado e das diferenças de visualização. O primeiro deles, “SOPA Opera - Where Do Your Members of Congress Stand on SOPAand PIPA?”, desenvolvido pela ProPublica12, é uma infografia interativa, permanentemente11 <www.guardian.co.uk/data>; <http://datadesk.latimes.com/> e <www.gazetadopovo.com.br/dados/>.12 Organização independente dos EUA, especializada em jornalismo investigativo: Ver em:<http://projects.propublica.org/sopa/>. Acesso em: 13/02/2012. www.compos.org.br 8
  • 9. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012atualizada, revelando o caráter dinâmico. Funciona como uma base de dados sobre osmembros do congresso dos EUA, e permite conhecer seus posicionamentos políticos frenteao projeto de lei que visa alterar regras sobre compartilhamento de conteúdos na web, o StopOnline Piracy Act (SOPA). Nela, o leitor/usuário pode filtrar as possibilidades de acesso paranavegar, interagir, envolver-se com o conteúdo. Através de opções de divisão por estado,idade ou sexo, de selecionar somente políticos do Partido Republicano, do Democratas ou osIndependentes, interage-se com o conteúdo e modela-se o consumo da informação. Os dadosempregados são de fontes originárias de iniciativas open-data independentes e do própriogoverno estadunidense: OpenSecrets (Center for Responsive Politics13); OpenCongress14;GovTrack.us15; Library of Congress THOMAS16, e do jornal The New York Times (New YorkTimes Congress API17). O segundo exemplo da categoria Mashups é o especial da BBC.co.uk, “Seven BillionPeople”18, que usa mecânica de jogos como uma das técnicas para compor e apresentar odiversificado conteúdo. O tema é a população de pessoas na Terra, que em 30 de outubro de2011 atingiu a marca expressiva de sete bilhões de indivíduos. Numa interface de infográficointerativo, o leitor/usuário é convidado a disponibilizar a data de nascimento, nome do paísem que nasceu e o seu sexo. Feito isso, lhe são apresentados dados comparados – que é o quedefine a mecânica de jogo utilizada – entre o leitor e outros habitantes da Terra. Além desseformato, são disponibilizadas ao leitor/usuário informações complementares em textos e emvídeos sobre o tema, como, por exemplo, o que tem sido feito em diferentes regiões doplaneta para o controle populacional. Para a realização do especial, dados de diferentesinstituições foram cruzados, combinados. Todos aqueles referentes à população, por exemplo,estão baseados em estimativas da UN Population Division19 e, todos os cálculos, fornecidospelo UN Population Fund20. Os dados restantes são de outras seções da ONU, como GlobalFootprint Network21 e International Telecommunication Union22.13 <www.opensecrets.org/>.14 <www.opencongress.org/>.15 <www.govtrack.us/>.16 <http://thomas.loc.gov/home/thomas.php>.17 <http://developer.nytimes.com/docs/congress_api>.18 <www.bbc.co.uk/news/world-15391515 >. Acesso em: 13/02/2012.19 <www.un.org/esa/population/>.20 <www.unfpa.org/public/>.21 <www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/>.22 <www.itu.int/en/Pages/default.aspx>. www.compos.org.br 9
  • 10. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012 Outra consideração que se faz aqui a respeito dos Mashups é que por meio delestambém é possível conformar conteúdos como um newsgame. O termo nomeia mesmo umformato novo, que se apropria de dinâmicas de jogos para atrair a atenção do leitor/usuárioenquanto este interage com o conteúdo noticioso, apreendendo mais sobre a realidade domundo a partir da cobertura jornalística sobre determinado assunto 23. Um newsgame éformatado a partir da combinação entre informações jornalísticas, linguagens de programaçãoe base de dados. Os dois exemplos estão em consonância com as categorias do Paradigma JDBD, pois:refletem a dinamicidade presente em cibermeios cujas informações estão estruturadas embases de dados; possuem flexibilidade, porque facilitam a recuperação dos conteúdos paracontextualização; também possuem a característica da densidade informativa, pois, à medidaque novas informações são apuradas, os conteúdos são atualizados, assegurando o uso defontes diversas; assim como estão marcados pela diversidade temática. Ambos tambémapresentam modos diferenciados para se visualizar informações jornalísticas. O especial daBBC.co.uk empregou a técnica Visual.ly, gratuita, enquanto a ProPublica usou ferramentaprópria para a interface em mosaico, formada por fotos de cada congressista. A variedade deformatos (texto, foto, infografia, slide shows, mapas, etc) para os conteúdos revela, ainda, aconvergência. Outra propriedade do JDBD presente é a de inter-relacionamento/hiperlinkagem. Ela aparece com maior intensidade no exemplo daProPublica: a interface de imagens em mosaico é toda clicável, guiando o leitor/usuário paranovos conteúdos e possibilitando assim maior aprofundamento e contextualização no tema.3.2.2. Data/Dados Pelo que se observa, a incorporação das novas editorias/seções denominadasData/Dados compondo o menu informativo dos cibermeios é crescente. Nelas, sedisponibiliza uma diversidade de dados, geralmente relacionados à região onde a organizaçãojornalística a qual pertence o cibermeio está localizada, assim como modelos diferenciados devisualização para esses dados. Este tipo de ação reforça o Jornalismo Digital em Base deDados como paradigma, e possibilita o surgimento de novos modos de narrar e de formatos23 Sobre o assunto, ver Bogost, Ferrari e Schweizer (2010), que investigam os games em intersecção com ojornalismo. www.compos.org.br 10
  • 11. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012para conteúdos noticiosos. A Tabela 1 (a seguir) descreve seis exponenciais exemplos deeditorias Data/Dados encontradas em cibermeios. Tabela 1 Editorias/Seções Data/DadosCibermeio Editoria/Seção País Descrição Primeiro cibermeio brasieliro a apresentar uma seção Gazeta do Dados Brasil Dados. Reúne informações sobre a adminstração pública Povo do estado do Paraná, além de dados organizados e produzidos pela própria equipe. Grande diversidade de dados organizados pela equipe de Guardian Data Store. Facts are UK database journalism do cibermeio. Além dos dados, Sacred desenvolvem aplicativos e compartilham sob uma licença de livre utilização. Data Desk. Criada numa parceira entre jornalistas do LA Times eLos Angeles Maps, Databases, EUA desenvolvedores web, agrega dados sobre a cidade de Times Analysis and Visualization Los Angeles e produz mapas, infográficos, etc. Tools & Data. Organização especializada em jornalismo investigativo eProPublica ProPublicas News EUA em reportagens guiadas por computador. Nesta seção, Applications, Graphics, oferece conteúdos e APIs formatadas através de dados Databases, and Tools reunidos em fontes abertas. Forte variedade de dados organizados pela equipe de The New Linked Open Data EUA database journalism. Além dos dados, desenvolvemYork Times aplicativos e compartilham sob uma licença de livre utilização. De acordo com o site é a seção que mais atrai leitores. O The Texas The Data EUA foco principal é o desenvolvimento de aplicativos. Tribune FONTE – Elaboração própria Em tais editorias, os dados estão disponíveis para qualquer usuário criar e desenvolvernovas aplicações a partir deles. Outra vantagem é que, com a proliferação destas aplicações –chamadas APIs – o público tem diversificadas orientações para ler e contextualizardeterminados assuntos. Os seis exemplos aqui citados estão de acordo com as categorias doJDBD e são, em essência, representativos também do desenvolvimento do ciberjornalismonessas duas décadas.3.2.3 Sistemas de Recomendação de Notícias Um Sistema de Recomendação de Notícias (SRN) é formatado por algoritmos elinguagens de programação que selecionam itens de uma determinada base de dados epersonalizam o modo como uma informação específica será visualizada no momento em que www.compos.org.br 11
  • 12. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012se acessa o site (horário e região, por exemplo, são características definidoras depersonalização de alguns SRN). No jornalismo, este tipo de conteúdo confere dinamicidadeaos cibermeios, ao tempo em que também é caracterizado por um alto nível deautomatização. A indicação para as notícias “Most popular”, “Lo más visto”, “Mais lidas”,“Mais comentadas”, “Mais compartilhadas”, etc, está amplamente presente em cibermeiosnacionais e estrangeiros. As possibilidades de hierarquização da informação em um SRNvariam de acordo com as técnicas utilizadas. Contudo, a presença de uma base de dados éindispensável para o seu funcionamento, o que faz com que elas sejam parte definidora dosSistemas de Recomendação de Notícias - outro formato para os conteúdos jornalísticosmaterializados pelo Paradigma JDBD no jornalismo contemporâneo. Em “La Nube de Noticias”, SRN do cibermeio argentino LaNación.com.ar, um dosexemplos que integram o mapeamento feito para este trabalho, emprega-se a ferramenta devisualização Treemaps24. Por meio dela, pode-se: ver como a informação noticiosa éhierarquizada; ver os conteúdos mais lidos ou aqueles que receberam mais comentários dopúblico; além da possibilidade de se consultar o arquivo dos conteúdos publicados no dia emque se está pesquisando ou de conteúdos postados há sete dias ou há um mês. O SRN doLaNación.com.ar permite, ainda, ler material específico de determinada editoria ou combinaruma hierarquização entre todas as seções do cibermeio, refletindo, assim, o quão dinâmico,flexível, planamente hiperlinkado e automatizado é. Também possui vasta densidadeinformativa, diversidade temática e conteúdos em multimídia.3.2.4. Fontes No Jornalismo Guiado por Dados (BRIGS, 2010; BRADSHAW, ROHUMAA, 2011;ROGERS, 2011), o jornalista deve saber pesquisar em vastas coleções de dados, interpretá-los e reorganizá-los para produzir um conteúdo noticioso. A habilidade para aplicar e lidarcom técnicas como o data-mining ou mineração de dados no processo de apuração (COLLE,24 No Guardian.co.uk, em “Zeitgeist” (“espírito do tempo”), essa ferramenta também é empregada:<www.guardian.co.uk/zeitgeist>. Acesso em: 13/02/2012. www.compos.org.br 12
  • 13. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 20122002; FIDALGO, 2007a), constitui-se como uma capacidade a mais a ser incorporada peloprofissional. Cada vez mais essencial, tendo em vista a realidade das rotinas produtivas, vemcrescendo em importância concomitantemente à vasta adesão de governos em todo mundo àtendência de disponibilizar dados referentes à administração pública sob licenças abertas,assim como a expansão de projetos não governamentais que compartilham do mesmo idealde criar iniciativas open-data. A abertura de projetos de compartilhamento de dados, como o recém-lançado pelogoverno brasileiro “Data.gov.br”, é cada vez maior no mundo inteiro. No Brasil, porém,vive-se ainda um “apagão de dados”25, o que se constitui um entrave para a expansão doJornalismo de Dados no país. Porém, com a Lei de Acesso à Informação - sancionada pelapresidente Dilma Rousseff em novembro de 2011 - essa realidade tende a ser alterada,permitindo ampliar a disponibilização de dados referentes às distintas esferas do poderpúblico no país. A lei entrará em vigor após transcorridos 180 dias. A tabela 2 (a seguir)mostra algumas das iniciativas open-data encontradas em nosso mapeamento.25 Entre 28 e 30/08/2011, uma série de reportagens publicadas pelo O Globo, abordou o problema e indiciou asdificuldades para se apurar informações sobre ações e programas de governos. Além de não se encontrar dadosatualizados sobre determinados setores dos mais diversos órgãos, ministérios e secretarias, também se verificouque as bases de dados mantidas pelo governo federal não se se comunicam com as dos governos estaduais emunicipais. In: “A falta de informação como notícia”. Por Dentro de O Globo, p.2. 30 de agosto de 2011. www.compos.org.br 13
  • 14. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012 Tabela 2 Iniciativas open-data Iniciativas open-data País de Descrição Origem Berlin Open Data Dados relacionados à administração pública daten.berlin.de/ Alemanh da cidade de Berlim. Trata-se de um projeto de dados abertos e legíveis por humanos e a máquinas. Tem como objetivo incentivar o acesso Data.gov.au Austrália público e a reutilização de dados do governo sob licenças abertas. Portal Brasileiro de Dados Abertos Sistema de informação que agrega dados da Brasil administração pública brasileira. Data.gov.br Portal que organiza o Catálogo de Informação Datos.gob.es Espanha Pública da Administração do Estado. Reúne aplicativos e dados referentes à Data.gov EUA administração pública do país. Também há espaço para troca de informações entre usuários do sistema. Data.gov.kr Coréia do Dados públicos sobre a administração do país. Sul Data.gov.uk Dados publicados sob uma licença aberta Opening up government UK sobre a administração de bens públicos do país. Datosperu.org Disponibiliza dados relacionados àDirectorio de Empresas, Marcas registradas, Peru administração pública e de registro de Normas Legales y Teléfonos en Perú empresas privadas do Peru. Esta iniciativa do governo queniano oferece Kenia open Data Quênia dados relacionados à administração pública. opendata.go.ke/ Visa impulsionar a inovação e oportunidades Open Data Canadá para a população do país. Disponibiliza dados data.gc.ca abertos para pesquisas. Catálogo de dados publicados pelos Paris Data França departamentos públicos de Paris sob uma licença livre. Não é um projeto do governo. Portal U Alemanh Projeto com informações do meio ambiente, a da Universidade de Toronto. FONTE – Elaboração própria www.compos.org.br 14
  • 15. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 20124. Considerações finais Com este artigo, o objetivo foi indicar extensibilidades do Paradigma JDBD nojornalismo contemporâneo, dando a conhecer os novos modos de narrar, os novos formatospara os conteúdos, assim como as distintas possibilidades para a visualização dasinformações. Inferimos, ainda, que se trata de novas convenções26 (MURRAY, 2012) queestão se fixando, porque mais afinadas com os aprimoramentos técnicos e com a melhorcompreensão acerca das propriedades específicas do jornalismo digital nessas duas décadasde desenvolvimento. ReferênciasBARBOSA, Suzana. Jornalismo em ambientes dinâmicos: perspectivas, tendências e desafios para a criação deconteúdos em tempos de convergência. In: Actas del III Congreso Internacional de Ciberperiodismo y Web 2.0.Bilbao, Espanha: Universidad del País Vasco, 2011.______. Modelo JDBD e o ciberjornalismo de quarta geração. In: FLORES VIVAR, J.M.; RAMÍREZ, F.E.(Eds.). Periodismo Web 2.0. Madrid: Editorial Fragua (Colección Biblioteca de Ciencias de la Comunicación),2009. p.271-283._____. Modelo Jornalismo Digital em Base de Dados (JDBD) em Interação com a Convergência Jornalística.In: Textual & Visual Media. Revista de la Sociedad Española de Periodística. Madrid. V.1.2008. p. 87-106.______. Jornalismo Digital em Base de Dados (JDBD) - Um paradigma para produtos jornalísticos digitaisdinâmicos. 2007. (Tese de Doutorado). PósCOM/UFBA. Disponível em:<http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/tese_suzana_barbosa.pdf>.BOGOST, I.; FERRARI, S.; SCHWEIZER, B. Newsgames: Journalism at Play. Cambridge, MA: MIT Press,2010.BRADSHAW, Paul; ROHUMAA, Liisa. The Online Journalism Handbook. Skills to survive in the digitalage. Harlow, England: Pearson, 2011.BRIGGS, Mark. Journalism Next: A Practical Guide to Digital Reporting and Publishing. Washington, DC:CQPress, 2010.CAMERON, Alan. Modular narratives in contemporary cinema. Houndmills, Basingstoke: PalgraveMacmillan, 2008. Disponível em:<www.scribd.com/mobile/documents/68799494/download?secret_password=p5hh2cbq7xj494e5rwg>. Acessoem: 04/02/2012.26 Segundo a autora, convenções rotinizam e ritualizam interações repetidas, provendo um modo familiar deendereçar situações novas ou de receber informações novas. Tratam-se, assim, dos formatos de mídia que sãopartilhados por artefatos digitais criados pelo homem. www.compos.org.br 15
  • 16. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012COLLE, Raymond. Explotar la información noticiosa. Data mining aplicado a la documentaciónperiodística. Madrid: Departamento de Biblioteconomia y Documentación, Universidad Complutense deMadrid, 2002.FIDALGO, António. Data Mining e um novo jornalismo de investigação. In: BARBOSA, Suzana (Org.).Jornalismo digital de terceira geração. Coleção Estudos em Comunicação. Covilhã: LabcomBooks, 2007a. p.143-156._____. A resolução semântica no jornalismo online. In: BARBOSA, Suzana (Org.). Jornalismo digital deterceira geração. Coleção Estudos em Comunicação. Covilhã, PT: LabcomBooks, 2007b. p. 93-102. _____. Do poliedro à esfera: os campos de classificação. A resolução semântica no jornalismo online. In: Anaisdo II Encontro Nacional da SBPJor. Salvador-BA/Brasil, 2004.______. Sintaxe e semântica das notícias on-line. Para um jornalismo assente em base de dados. In: Lemos,André et al. (Orgs.). Mídia.Br. Livro da Compós, Porto Alegre: Meridional, 2003. p. 180-192.FONTCUBERTA, Mar de. “El temario periodístico”. In: FONTCUBERTA, M. de; BORRAT, H. Periódicos:Sistemas Complejos, Narradores en Interación. Buenos Aires: La Crujía. p. 55-87.JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo:Aleph,, 2008.KINDER, Marsha. Hot spots, avatars, and narrative fields forever: Bunuel’s legacy for new digital media andinteractive database narrative. In: Film Quarterly 55, no. 4. 2002. p. 2–15. Disponível em:<http://interactive.usc.edu/membersmedia/akratky/W7_Hotspots_Forever.pdf>. Acesso em: 04/02/2012.MACHADO, Elias. O Jornalismo Digital em Base de Dados. Florianópolis: Calandra, 2006.LUPTON, Ellen. Thinking with type: a critical guide for designers, writers, editors, & students. New York:Princeton Architectural Press, 2010. (Second, revised and expanded edition).MANOVICH, Lev. The language of new media. Cambridge, MA: MIT Press, 2001.MIELNICZUK, L.; BARBOSA, S.; DALMASO, S.C; FIGUEIREDO, D.R. Estudos iniciais sobre a concepçãode Resolução Semântica no jornalismo digital. In: Anais 19º Encontro Anual. N. 19, v.1, junho de 2010. Rio deJaneiro: Editora PUC-Rio, 2010.MIELNICZUK, Luciana. O estudo da narratividade no ciberjornalismo. In: DÍAZ NOCI, Javier: PALACIOS,Marcos. Metodologia para o estudo dos cibermeios. Estudo da arte & perspectivas. Salvador: EDUFBA,2008. p. 161-175.MURRAY, Janet H. Inventing the Medium: Principles of Interaction Design as a Cultural Practice.Cambridge, MA: MIT Press, 2012.______. Hamlet no Holodeck. O futuro da narrativa no ciberespaço. São Paulo: Itaú Cultural/Unesp, 2003.PAUL, Christiane. "The Database as System and Cultural Form: Anatomies of Cultural Narratives. In: VESNA,Victoria. (Ed.). Database Aesthetics. Art in the Age of Information Overflow. [Eletronic Mediations,vol.20.]. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2007. p. 95-109.RAMOS, Daniela O. Jornalismo Digital em Base de Dados (JDBD) como um texto da cultura. In: Anais 20ºEncontro Anual. N. 20, v. 1, junho de 2011. Porto Alegre: UFRGS, 2011. www.compos.org.br 16
  • 17. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012RIBAS, Beatriz. A Narrativa Webjornalística - um estudo sobre modelos de composição no ciberespaço.(Dissertação de Mestrado). PósCOM/UFBA, 2005. Disponível em:<http://grupojol.files.wordpress.com/2011/04/2005_ribas_dissertacao.pdf>. Acesso em: 05/02/2012.ROGERS, Simon. Facts are Sacred. The Power of Data. (Guardian Shorts). [E-Book]. London: GuardianBooks, 2011.SIMON, Jan. Complex narratives. In: New Review of Film and Television Studies, 6: 2. 2008. p.111-126.Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1080/17400300802098263>. Acesso em: 04/02/2012.VESNA, Victoria. “Seeing the World in a Grain of Sand: The Database Aesthetics of Everything”. In: VESNA,Victoria. (Ed.). Database Aesthetics. Art in the Age of Information Overflow. [Eletronic Mediations,vol.20.]. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2007. p. 03-38. www.compos.org.br 17