Tecnologia da Informação e Comunicação na Educação
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Tecnologia da Informação e Comunicação na Educação

on

  • 4,671 views

Disciplina Comunicação e Tecnologias em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores

Disciplina Comunicação e Tecnologias em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores

Statistics

Views

Total Views
4,671
Views on SlideShare
4,564
Embed Views
107

Actions

Likes
1
Downloads
47
Comments
0

2 Embeds 107

http://rogeriocostaribeiro.blogspot.com 95
http://rogeriocostaribeiro.blogspot.com.br 12

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

Tecnologia da Informação e Comunicação na Educação Tecnologia da Informação e Comunicação na Educação Document Transcript

  • A Tecnologia de Informação e Comunicação na Educação Rogério da Costa Ribeiro O presente estudo é parte de uma atividade mais ampla que inclui discussãosobre o tema e leitura do livro “Educação e Comunicação: O ideal de inclusão pelastecnologias de informação: otimismo exacerbado e lucidez pedagógica” da autora SuelyGalli Soares, especificamente do Capitulo III intitulado Internet e inclusão: otimismosexacerbados e lucidez pedagógica, na disciplina Comunicação e Tecnologia emSupervisão Pedagógica e Formação de Formadores do curso de pós-graduação emSupervisão Pedagógica e Formação de Formadores com acesso ao Mestrado Europeuem Ciências da Educação. O objetivo desse artigo é desencadear a reflexão sobretecnologia e inclusão como eixo das análises sobre sociedade, educação, sobretudo aformação de professores para responder a demanda por inclusão digital. A autora explica que a globalização, promovida pelo crescimento dacomunicação eletrônica e das empresas transnacionais, afeta a interação dos estadosnacionais tornando-os constituintes do mundo global, rompendo os limites dasfronteiras geográficas no âmbito econômico e, cultural dos povos. Neste contexto há dese considerar a relação globalização e comunicação global em que a internet, ferramentaprojetada pelas empresas transnacionais em parceria com as ‘forças armadas, expande-se gradativamente aos diversos setores da sociedade e da produção humana. O avanço e o uso da internet afetam a estrutura de desenvolvimento dastelecomunicações, a qual na Europa para Bernatzk (2001) está estruturada em doismodelos: um idealista, que abarca toda a sociedade e outro estratégico, que se restringea determinados usuários específicos. Dentre estes modelos, Galli Soares (2006 p.100),apoiada também nas análises de Mansell (2001), foca-se no modelo idealista chamando-o de otimismo exacerbado. A autora pontua que “os aspectos positivos das tecnologiasmerecem reconhecimento, no entanto, afirmações sobre facilidades e democratizaçõesdos benefícios extensivos a todas as pessoas são dados que devem ser questionados(...)”. Ressalta que as TIC’s proporcionam inúmeros benefícios e possibilidades àsociedade, mas é necessário primar pela lucidez pedagógica. No nosso entendimento, e como pesquisador interessado no ensino eaprendizagem por meio das tecnologias, este estudo se propõe identificar e apresentarsubsídios para uma reflexão crítica sobre a relevância da EaD, como modalidadesignificativa e de qualidade, superando o estigma de educação de segunda linha e/oupaliativa e provisória como já foi e, por vezes, ainda tem sido taxada no cenário
  • educacional brasileiro. Esta perspectiva tem seus fundamentos basilares acompanhadose orientados pela supervisão pedagógica contextualizada nesta modalidade de ensino. Essa lucidez a que a autora se refere está interligada ao fazer educativopermeado pelo diálogo constante e democrático com as TIC’s, desencadeando o acessode um maior número de pessoas ao mundo do saber, mediante as novas possibilidadesmetodológicas que viabilizam e proporcionam o desenvolvimento de habilidades ecompetências, dotando o sujeito de empreendedorismo, estimulando sua capacidade deempreender, de se atualizar e se adaptar às necessidades do mundo socialcontemporâneo, competitivo em constantes mudanças. Dentre essas questões destacamos a necessidade de se conhecer a legislação queorienta essa modalidade do ensino em nosso país. A autora traz para nossa reflexão dados sobre como a gestão nacional do sistemade ensino brasileiro tem se ocupado com discussões e projetos de modernização dosprocessos administrativos e pedagógicos ainda que modestas dozes. O governobrasileiro tem incentivado a criação e difusão de projetos em EAD, tendo em vista ademocratização do acesso ao conhecimento e ampliação da formação escolar dosbrasileiros, por meio das ações do MEC, em todos os níveis de ensino, inclusive naeducação superior. Neste nível de ensino, há de se considerar a base legal fornecida pela Portaria n°2.253, de 18 de outubro de 2001 que possibilita a oferta de Disciplinas na modalidadeEAD em Cursos Reconhecidos nas Instituições de Ensino Superior, com base no art. 81da Lei n° 9.394/1996 e no art. 1° do Decreto n° 2.494, de 10 de fevereiro de 1998.Amparado legalmente, o currículo de cada curso superior pode oferecer até 20% de suacarga horária por meio de disciplinas não-presenciais em curso presencial. No entanto, somente as Instituições de Ensino Superior nomeadas Universidadeou Centro Universitário em seu credenciamento pelo MEC podem optar pela oferta dedisciplinas em seus cursos na modalidade EAD, em parte ou no todo da disciplina, comas devidas reformulações pedagógicas de seu projeto de curso. Entretanto, a modalidade à distância não está restrita ao uso da mediação pelocomputador via internet, mas, prevê-se a utilização também de outros ferramentaiscomo vídeos e materiais impresso. A opção pela modalidade a distância requer cautela ediscernimento, sobretudo pedagógico, na adoção de um determinado ferramental. Aadoção desmedida pelas tecnologias virtuais como solução à demanda educacional pode
  • geral um agravamento do referido problema social, uma vez que seu acesso e domíniodo ferramental não fazem parte do cotidiano de todo cidadão brasileiro. Contudo, a utilização das TIC’s pode, na concepção de Galli Soares (2006p.103), “[...] instalar uma nova fonte de autonomia pela prática da pesquisa, por parte dodocente e do acadêmico, em posse do acesso ao ferramental, conhecimento sobre seufuncionamento e suas aplicações facilitadoras da produção dos saberes”. Nessa produção de saberes sobre as quais a autora nos remete, inclui o uso dasTIC’s de acesso democratizado e de qualidade aos meios tecnológicos utilizados, bemcomo a adoção de linguagem e comunicação apropriada ao projeto educacionaldesenvolvido, viabilizando a implementação da interdisciplinaridade. Isto requerconfiabilidade no ferramental, por parte do educador que exerce a docência efamiliaridade com o ferramental por parte do educando. Este contexto de ensinoaprendizagem processado nas TIC’s exige uma mudança substancial na posturaprofissional do docente, mudança que se efetiva no manuseio do ferramental,exercitando o desejo de conhecer a tecnologia utilizada, suas interfaces, bem como,aprimoramento da metodologia de trabalho acadêmico e construção de uma nova formade identificação com o abjeto científico da área de pesquisa. Vale pontuar que algumas universidades brasileiras tem investido no âmbito daEAD. Dentre as quais destacamos que no Estado de São Paulo Brasil, a UNICAMP(Universidade Estadual de Campinas) realiza diversas pesquisas e ações educativas pormeio de novos ambientes educacionais com teor acadêmico e social, pautado na leituracrítica dos desafios didático-pedagógicos. Igualmente a PUC-Campinas (PontifíciaUniversidade Católica de Campinas), PUC-São Paulo e USP (Universidade de SãoPaulo) realizam diversas ações em prol da formação de professores, mediadas pelasTIC’s, devido sua flexibilização de acesso e dinamização do tempo e espaço de estudodos docentes em exercício de docência. Desta forma, a cultura de formação deprofessores, ensino e pesquisa, próprios do fazer institucional das universidades, estãoagregados ao compromisso pela disseminação e uso responsável da TIC’s. Tais iniciativas promovem mudanças e desenvolvem novos paradigmas quesinalizam as transformações presentes e em curso no meio educacional e de professores. A mudança de paradigma latente nos professores e na formação continuadanecessária para que esta se efetive em posturas frente às novas perspectivas almejadaspelos recursos e ambientes educacionais se constituem em desafios à prática pedagógicapautada no uso das TIC’s.
  • Em épocas não muito remota, o professor necessitava dominar o referencialteórico contido em enciclopédias e bibliotecas para ser bem sucedido ao ministrar suasaulas e referendar o estudo, pesquisa e produção de conhecimento por parte do aluno. Neste contexto, faz-se mister pontuar que antes somente o professor tinha acessoaos clássicos e livros basilares do exercício acadêmico. Atualmente, com o acervocomplexo proporcionado pelos ambientes informatizados e comunicacionaishipermediáticos, flexíveis e voláteis, do ciberespaço possibilitam que o aluno tenhatanto acesso quanto o professor. Esta mudança de eixo no meio acadêmico põe emcheque a prática docente e exige um redirecionamento, ou seja, o professor precisa sedebruçar em seu tempo de estudo com pesquisa de fontes confiáveis e sites afins comsua área de conhecimento, disciplina e nível de ensino para indicá-las como estudocomplementares aos seus alunos. Entretanto, tal necessidade pertencente ao âmbito da formação continuada doeducador tem sido inebriada com paliativos de eficácia questionável, como o conhecidohorário de trabalho pedagógico coletivo (HTPC), que frequentemente é questionado oseu teor transformador, apesar de estar inserido na jornada semanal do educador. Tem-se discutido amplamente a questão da profissionalização da docência, aqual no sentido anglo-saxônico designa a transformação de um ofício em uma profissão,enquanto esta no sentido clássico francês designa a transformação de uma práxisdesinteressada e ocasional em um ofício, munido de reconhecimento e de formaçãoespecífica. Esta questão da ocasionalidade, emaranhada às vísceras de uma parcela daeducação brasileira, agrava-se ao darmo-nos conta de que se coloca em risco aqualidade e compromisso docente pela busca de complementação de renda através dadocência. Este dado está interligado a outros de âmbito trabalhista, econômico e socialdo povo brasileiro. Contudo, a profissionalização do professor é complexa e polêmica, uma vez quetoca no âmago da especificidade do processo educacional que tange habilidades ecompetências profissional que transpassa o limiar da técnica e outras competênciasmensuráveis, próprias de outras atividades. Este turvo horizonte requer ações contextualizadas no âmbito da formação dosprofissionais da educação. Segundo Galli Soares:
  • Tornam-se, assim, urgentes ações capazes de contextualizar a realidade da formação do professor, das condições de trabalho na escola, das políticas do MEC em nome da formação continuada, da emergência das tecnologias de informação e comunicação no meio educacional, do descompasso entre o desenvolvimento científico e tecnológico da sociedade atual e a prática de ensino predominante na escola e finalmente o paradigma de ensino e aprendizagem a partir do advento das tecnologias. (GALLI SOARES, 2006 p. 108-109) Semelhantemente a outros segmentos produtivos que buscam qualificar-se emrelação a seus processos, a formação continuada frente à profissionalizaçãocorrespondente à necessidade de qualificação da educação e suas relações. Faz-se necessário indagar se é aceitável que a educação, diferentemente deoutras áreas, fique à deriva desta realidade emergente ou se urge que seja reduzido odistanciamento entre a formação dos profissionais da educação e as exigências dasociedade em seu auge de desenvolvimento tecnológico. Frente a esta questão nodal nosdefrontamos com a constatação de Castanho (2000), ou seja, segundo a autora emeducação se vive a chamada transição de paradigmas, despontando um paradigmaconectado à forma como se concebe a construção do conhecimento na estruturacognitiva do aluno. Nesta mesma linha de raciocínio, Galli Soares (2006 p.109) explicita que “oparadigma educacional emergente da sociedade informatizada [...] poderá elevar oconceito de educação e da qualidade da relação ensino e aprendizagem” [...]. Desta forma, este novo olhar pautado no uso das TIC’s de forma responsável eemancipatória aproxima a educação dos multimeios informatizados e comunicacionaisde modo didático, pedagógico, com uma visão ampla e crítica, amparado pelos ideais decidadania. Esta visão educativa almeja para todos o direito de usufruto dos benefíciosdas TIC’s na práxis e formação do professor, descortinando a emancipação social. Essa emancipação no entanto está intimamente ligada aos sistemas decomunicação, seus veículos e conteúdos que correspondem a objetivos da meracomunicação muitas vezes tomados equivocadamente por interesses de ensino eaprendizagem. Os sistemas de comunicação são o processamento multimídico que veicula dediferentes maneiras a informação, por meio de diversos ferramentais, ocasionandomudanças no âmbito da comunicação e organização social. Segundo Galli Soares: Os sistemas de comunicação [...] tornou a sociedade mais inteligente e veloz nos processos que eliminam o dispêndio de tempo e a locomoção no ir e vir [...] modificando as perspectivas de comunicação e organização das pessoas de qualquer idade [...]. (GALLI SOARES, 2006 p.110)
  • A Velocidade e fluxo de informações que são veiculadas pelos sistemas decomunicação, mais precisamente no âmbito virtual da internet, possuem dois aspectosque coexistem simultaneamente, um positivo e outro negativo. O aspecto positivoconsiste nos avanços tecnológicos criados pelo ser humano, culminando naressignificação da relação do mesmo com o âmbito temporal e espacial da convivênciasocial. O aspecto negativo consiste na vulnerabilidade em que se enquadra o serhumano, ou seja, acelera-se de tal forma os processos que se gera uma ansiedade socialpela “imediaticidade das coisas”, deixando uma lacuna no processo de transformação dofluxo contínuo de informações em conhecimento. Nesse contexto inserimos as aprendizagens proporcionadas ou esvaziadas nessamodalidade a distancia, objeto de nosso estudo e interesse como pesquisador. As ações realizadas à distância tem se tornado comum na atual sociedade,munida pela TIC, com a possibilidade de interagir no âmbito global em diversos escalase alcances, descortinando a transformação acelerada do meio social devido o intenso eveloz fluxo das informações veiculadas na rede internet. Ao indagar a ação à distância nos vem à memória o processo ensino eaprendizagem incorporados pela prática da educação à distância. Processo que eramediado pela comunicação radiofônica, cadernos instrucionais via correio e as tele-aulas via televisão. Em ambos os casos o educando assume a responsabilidade derealizar um determinado processo de aprendizagem, mediado pelo instrumento deensino disponibilizado, que no término de cada etapa tem de apresentar um determinadoretorno (atividades realizadas) ao órgão responsável pelas orientações, o qual indicará asetapas seguintes. Neste contexto, trata-se de um sujeito que realiza uma determinada ação distanteou não geograficamente, mas, que por algum motivo tenha optado em realizar tal açãofora do âmbito visual ou da presença física do orientador ou responsável pelasinstruções fornecidas. Já a partir do desenvolvimento das TIC’s na rede internet as ações à distânciaobtiveram novas perspectivas. Em suma, a interação deste sujeito com o seu orientador,com os demais colegas inseridos no mesmo processo e com o próprio conteúdo,mediado por ferramentais inovadores no âmbito educacional, mostrou-se capazes deressignificar e ampliar a visão social sobre a EAD. O usuário (educando) está distante
  • do órgão emissor da informação, mas, o gestor da comunicação emitida (educador) e ousuário (educando) podem estar presente ou próximos, ultrapassando os ditames doschamados horários comerciais. O que se observa, no entanto, são as novas exigênciasdessa nova forma de comunicação. A comunicação para ser eficiente e eficaz exige que o indivíduo desenvolvainúmeras habilidades e competências, dentre as quais se insere a questão do letramentoe letramento digital. Esta questão do letramento surgiu em resposta à atual condição dasociedade, cuja capacidade leitora requer que se extrapole para além dos limites do textoescrito, interligando o texto visual dos meios de comunicação no contexto do mundomoderno. Segundo a autora desse estudo o letramento consiste na “apropriação da leituraescrita e literaturas, denotando uma experiência em práticas sociais [...] ampliando odomínio da linguagem, leitura e compreensão da alfabetização e domínio da línguapátria no contexto das TIC’s, ou seja, trata-se do “domínio de leitura de hipertextos nasrelações com o mundo virtual” (GALLI SOARES, 2006 p. 91). Este conceito pode serampliado se o relacionarmos ao contexto de alfabetização crítica de Paulo Freire, cujaleitura do mundo precede a leitura da palavra e a apropriação dos fenômenos imbricadasnas relações sociais. Este estado de letramento se mostra necessário, principalmente no uso doferramental disponibilizado pela informática e telecomunicações, agregado na redeinternet. Entende-se neste contexto por ferramental tecnológico as inúmeraspossibilidades de interação própria do contexto das TIC’s inseridas no processo deconstrução de aprendizagens que culminam na elaboração do conhecimento. Segundo aspesquisas de Galli Soares: A informação só produz conhecimento quando trabalhada, ou seja refletida num dado contexto de interesse e necessidade do saber. Pois, somente a partir da elaboração cognitiva é que ocorre a construção de novos saberes, causados pela informação, tramitados na rede. (GALLI SOARES, 2006 p. 123) Este processo torna-se dinâmico pela interatividade e conectividade gerada pelohipertexto, o qual apresenta várias possibilidades para o trânsito ou navegação do leitornuma experiência agregada de informações que oportuniza a interpretação com aampliação do exercício de realizar relações e formas. Tais possibilidades podem indicarnovas sínteses, oportunizando a ampliação da pesquisa e a elaboração de conhecimento.
  • Entretanto, sob o ponto de vista pedagógico, a criação do link, seu contudo elocalização, necessita de uma criteriosa avaliação e planejamento estratégico para que seconstitua em dinamização e interatividade do texto com seu objetivo cognitivo, ou seja,não se desvie o objeto de estudo com distrações que geram no leitor a sensação deinutilidade. O link tem uma função de complementaridade e ampliação da informação,uma possibilidade a critério do leitor em optar qual percurso quer realizar. Assim: Esses aspectos, tomados pela visão da aproximação do conhecimento, sintetizam o caráter pedagógico das tecnologias de informação e comunicação na internet e produtos da medida em que potencializa auto-aprendizagem e opera a construção interativa do conhecimento. (GALLI SOARES, 2006 p.124) Este novo panorama educacional que descortina um outro olhar pedagógicoconstrutor desvela a existência de um currículo oculto, ou seja, há um currículo tecidomultidisciplinarmente e pautado em questões sociais, políticas e epistemológicas. Desta forma, o ciberespaço , lugar em que a EAD se circunscreve é compostopor tecnologia e pela atuação da ação humana. Segundo Galli Soares, “é um sistema quepossui, como o sistema educacional, um currículo que se mostra na vitrine virtual, e seoculta na comunicação e produto dela” (GALLI SOARES, 2006 p.128). Os objetivosque lhe deram origem ou que a conduzem nem sempre estão claros explícitos. Há que se considerar no entanto, o quanto as tecnologias de informação ecomunicação dinamizaram as rotinas sociais. Para a autora, as TIC’s disceminadas pelos diversos setores da sociedademodificou o padrão das relações no âmbito urbano e virtual, tornando mais dinâmico eveloz os processos interligados ao fator tempo e espaço contidos no movimento delocomoção no ir e vir hodierno. Os multimeios, já ampliados pelos sistemas de telefoniae fax, influem na mudança organizacional e comunicacional de toda e qualquer idade,transgredindo o limiar de cunho profissional e social. Neste contexto, redefine-se as concepções de lugar situacional, limites antesimpostos pelo avanço da idade e situação de solidão. Há de se considerar que nestemilênio surge o fenômeno sociológico ocasionado pela busca de supressão da solidão eisolamento comum às pessoas de mais idade por meio da utilização de softwares e sitesde relacionamento ou comunicação por meio de e-mail na internet. Esta novapossibilidade rompe os limites impostos pelo meio físico e estabelece uma nova culturasocial e comunicacional.
  • Para alguns pesquisadores como Moran, segundo Galli Soares (2006 p.110), estamudança comunicacional se explica pelo “processamento multimídico”, com o qualsurge inúmeras maneiras de se veicular a informação. Desta forma, emerge o paradigma educacional do siberespaço que requer umnovo perfil de profissional da comunicação na web, capaz de incorporar amultiplicidade das áreas implicadas no processo de criação e gestão da comunicação.Esta nova demanda profissional necessita ser tratada sob o ponto da sociabilidade queagrega profissionais das áreas da Pedagogia, Artes Plásticas, Arquitetura Tecnológica,Análise de Sistemas e Telecomunicações e outros para compor o corpo multidisciplinarcapaz de atender as necessidades emergentes. Entretanto, este aparato técnico profissional e tecnológico não é suficiente. Faz-se necessário refletir sobre o conteúdo que dá sustentabilidade a este todo, ou seja, noâmbito educacional requer a explicitação do conceito de projeto que estabelece osfundamentos basilares das ações, decisões e expectativas postas. Esta definição do conteúdo de um dado site deve se dar pautada em estudos eplanejamento da equipe que efetivará as ações previstas ou explicitadas no projeto. Istorequer clareza sobre os objetivos e sua aplicação, bem como da metodologia adotada, doferramental didático pedagógico e da avaliação a ser implantada. Tendo em vista o que se propõe a fazer e onde se pretende chegar, é viável autilização de um roteiro pormenorizado da metodologia comunicacional adotada, preveros possíveis resultados e sinalizar os elementos para a efetivação que contemple a suaeficácia. Tendo em vista o horizonte educacional promissor da EaD, no que tange a suaexpansão pelo território brasileiro, é preciso assegurar a dimensão qualitativa da mesmae não somente quantitativa. Desta forma, o uso das TIC’s é um dos elementos que seconstitui em questão nodal do processo organizacional da gestão administrativa e demodo peculiar da supervisão pedagógica, a qual possibilita que se desenvolva um olharespecífico sobre o curso como um todo e o gerenciamento dos elementos pedagógicospróprios desta modalidade educacional. A partir das TIC’s a relação ensino aprendizagem são intrinsecamente afetadas.Segundo Galli Soares (2006 p.103) “o modelo de ensino pautado nas tecnologias deinformação e comunicação altera a relação ensino e aprendizagem podendo instalar umanova fonte de autonomia pela prática da pesquisa” [...].
  • Esta nova perspectiva que está sendo cunhada no meio educacional envolvetanto o educador docente e o educando, quanto o educador responsável pela supervisãopedagógica deste processo educativo. Este profissional que, no âmbito da EducaçãoBásica pública da maioria dos Estados Brasileiro, está sediado no órgão central dasSecretarias de Educação desraigado da unidade escolar onde o processo ensinoaprendizagem se concretiza, ele tem sua função e atuação também questionada peloadvento das alterações emergentes do dinamismo do ciberespaço. Já no âmbito da Educação Superior, em geral, a supervisão pedagógica de umdado curso se dá pelo colegiado do mesmo, formado por docentes e pelo coordenadorde curso. Entretanto, no âmbito da EAD esta dimensão da supervisão pedagógica é maisampla devido à multiplicidade de profissionais de outras áreas que são agregados àequipe de trabalho. Desta forma, o ciberespaço lugar em que a EAD se circunscreve, é composto portecnologia e pela atuação da ação humana. Segundo Galli Soares (2006 p.128), “ociberespaço é um sistema que possui, como o sistema educacional, um currículo que semostra na vitrine virtual, e se oculta na comunicação e produto dela”. Entretanto osobjetivos que lhe deram origem ou que a conduzem nem sempre estão claros eexplícitos. Neste contexto, a supervisão pedagógica realizada por profissionais da educaçãomunidos de conhecimento e discernimento pedagógico se faz indispensável para que ouso das TIC’s no âmbito educacional não se torne fim em si mesmo, mas seja tratadocomo ferramental que tem o seu devido valor e não deixa a escola em descompasso coma sociedade, mas possibilita também uma análise critica da escola democrática comosegue: Se antes a luta era por uma escola democrática e de qualidade para todos, uma vez que a educação não estava a contento da população advinda do sistema público de ensino, agora temos uma escola em descompasso com os ritmos da sociedade da informação e comunicação que regem a sociedade moderna. (GALLI SOARES, 2006 p. 116) Repensar a educação brasileira, a partir do uso das TIC’s, nas práticaspedagógicas nos possibilita (re)constituir uma proposta de educação mais holística eintegradora que supere a fragmentação dos saberes a partir de um planejamento e açõescolegiadas, desde a origem dos projetos à sua execução e avaliação.
  • Longe de esgotar essa discussão esse estudo pretende desencadear o debate nosentido de focalizar a formação do professor para responder as demandas por inclusãodigital numa nova perspectiva da cidadania.