Trabalho AP | Protozoários | Biologia 12º Ano
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    Trabalho AP | Protozoários | Biologia 12º Ano Trabalho AP | Protozoários | Biologia 12º Ano Document Transcript

    • Protozoários, quepatologias provocamna espécie humana?
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 Índice1. Introdução ........................................................................................................ 7 1.1. Identificação do Grupo ................................................................................ 7 1.2. Tema desenvolvido e fundamentação da sua escolha .................................. 71.3. Subtemas a abordar ................................................................................. 82. Introdução à Parasitologia ................................................................................ 93. Protozoários .................................................................................................... 10 3.1. Breve Introdução Histórica ....................................................................... 10 3.2. Alimentação, Locomoção e Reprodução .................................................... 10 3.3. Classificação por Filos tendo em conta a Locomoção (Sociedade dos Protozoologistas, 1980) ........................................................................................ 12 3.4. Tipos de Protozoários ................................................................................ 14 3.4.1. Amibas ................................................................................................ 14 3.4.2. Esporozoários ..................................................................................... 15 3.4.3. Flagelados ........................................................................................... 164. Patologias provocadas por Protozoários ......................................................... 17 4.1. Amebíase .................................................................................................. 17 4.1.1. Epidemiologia ..................................................................................... 18 4.1.2. Sintomatologia e Diagnóstico .............................................................. 19 4.1.3. Transmissão ........................................................................................ 20 4.1.4. Tratamento/Cura ................................................................................ 20 4.1.5. Ciclo de Vida do Parasita ..................................................................... 21 4.2. Doença de Chagas ..................................................................................... 22 4.2.1. Epidemiologia ..................................................................................... 22 4.2.2. Sintomatologia/Diagnóstico ............................................................... 23 4.2.3. Transmissão ........................................................................................ 24 4.2.4. Tratamento/Cura ................................................................................ 25 4.2.5. Ciclo de Vida do Parasita ..................................................................... 26 4.3. Leishmaníose ............................................................................................ 26 4.3.1. Epidemiologia ..................................................................................... 27 4.3.2. Sintomatologia/Diagnóstico ............................................................... 28 4.3.3. Transmissão ........................................................................................ 29 4.3.4. Prevenção/Tratamento/Cura .............................................................. 30 4.3.5. Ciclo de Vida do Parasita ..................................................................... 30 4.4. Malária ...................................................................................................... 31 Página 2
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 4.4.1. Epidemiologia ..................................................................................... 32 4.4.2. Sintomatologia/Diagnóstico ............................................................... 34 4.4.3. Transmissão ........................................................................................ 36 4.4.4. Prevenção/Tratamento/Cura .............................................................. 36 4.4.5. Ciclo de Vida do Parasita ..................................................................... 37 4.5. Tripanossomíase Africana/Doença do Sono .............................................. 38 4.5.1. Epidemiologia ..................................................................................... 38 4.5.2. Sintomatologia/Diagnóstico ............................................................... 39 4.5.3. Prevenção/Tratamento/Cura .............................................................. 40 4.5.4. Ciclo de Vida do Parasita ..................................................................... 405. Quadro-Síntese ............................................................................................... 416. Análise do Estudo Estatístico no Âmbito Escolar ............................................. 427. Conclusão ........................................................................................................ 448. Referências Bibliográficas ............................................................................... 459. Referências Cibergráficas ................................................................................ 45Anexo 1: Inquérito Introdutório ao Tema em Âmbito EscolarAnexo 2: Base de Dados referente ao Supracitado InquéritoAnexo 3: Análise sob a forma de Gráfico da Base de Dados no Anexo 2 Página 3
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 Índice de ImagensFIG. 1- FOTOGRAFIA AO M.E. DE ONCOCHERCA VOLVULUS A EMERGIR DA ANTENA DO INSECTO.---------------------- 9FIG. 2 - PROTOZOÁRIO LEGENDADO. ADAPTADO: (AMABIS & MARTHO, 1991) ---------------------------------------11FIG. 3 -PRINCIPAIS FILOS DE PROTOZOÁRIOS. ADAPTADO: (INTERNET, ENDEREÇO Nº29)----------------------------13FIG. 4 - FOTOGRAFIA AO M.E. DE ENTAMOEBA HISTOLYTICA. ---------------------------------------------------------------------14FIG. 5 - FOTOGRAFIA AO M.E. DE PLASMODIUM PARASITANDO UM ERITRÓCITO. -------------------------------------------15FIG. 6 - FOTOGRAFIA AO M.E. DE LEISHMANIA DONOVANI EM CÉLULA DA MEDÚLA ÓSSEA. -----------------------------16FIG. 7 - MAPA DA DISTRIBUIÇÃO DA AMEBÍASE NO MUNDO. -----------------------------------------------------------------------18FIG. 8 - FOTOGRAFIA AO M.E. DE ENTAMOEBA HISTOLYTICA. ---------------------------------------------------------------------19FIG. 9 - CICLO DE VIDA DE ENTAMOEBA HISTOLYTICA. ADAPTADO: (INTERNET, ENDEREÇO Nº27) ----------------21FIG. 10 - MAPA DA DISTRIBUIÇÃO DA DOENÇA DE CHAGAS NA AMÉRICA LATINA. -----------------------------------------23FIG. 11 - FOTOGRAFIA DE TRÍATOMÍNEO (BARBEIRO), VECTOR DA DOENÇA DE CHAGAS. -------------------------------25FIG. 12 - CICLO DE VIDA DE TRÍATOMÍNEO (BARBEIRO), VECTOR DA DOENÇA DE CHAGAS. ---------------------------26FIG. 13 - MAPAS DE DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA LEISHMANIOSE CUTÂNEA E VISCERAL. --------------------------27FIG. 14 - CICLO DE VIDA DE LEISHMANIA. ------------------------------------------------------------------------------------------------30FIG. 15 - FOTOGRAFIA AO M.E. DE LEISHMANIA. --------------------------------------------------------------------------------------31FIG. 16 - MAPA DA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA MALÁRIA. --------------------------------------------------------------------33FIG. 17 - CORPO HUMANO COM REPRESENTAÇÃO DOS SINTOMAS DA MALÁRIA E RESPECTIVA LEGENDA. ---------35 Página 4
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011FIG. 18 - CICLO DE VIDA DO PARASITA DA MALÁRIA. ADAPTADO: (INTERNET, ENDEREÇO Nº31) -----------------37FIG. 19 - MAPA DA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA DOENÇA DO SONO EM ÁFRICA. ---------------------------------------38FIG. 20 - FOTOGRAFIA DA MOSCA TSÉ-TSÉ, VECTOR DA DOENÇA DO SONO EM ÁFRICA ---------------------------------39FIG. 21 - CICLO DE VIDA DO PARASITA DA DOENÇA DO SONO.-------------------------------------------------------------------40 Página 5
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 Grupo de Trabalho: João Carvalho, nº12 Rodrigo Monteiro, nº16Sebastião Barreiras, nº17 Vítor Braz, nº22 Docente: Professora Mª João Ribeiro Ano Lectivo: 2010/2011 Turma: 12ºC Página 6
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 1. Introdução 1.1. Identificação do Grupo A história deste grupo de trabalho data de há cerca de três anos, sendo que temostrabalhado juntos em várias disciplinas num ambiente de fraternidade, ajuda mútua eempreendedorismo em que as virtudes de cada um preenchem os defeitos do outro. Assimsendo, esta foi uma das principais razões que nos levou a juntar uma vez mais estes 4elementos na esperança de manter as notas excepcionais de anos anteriores ao nível dostrabalhos de grupo visto que nos conhecemos bastante bem e sabemos com o que podemoscontar. 1.2. Tema desenvolvido e fundamentação da sua escolha A escolha do tema a desenvolver foi um processo bastante complicado e que seprolongou por duas semanas, sendo muitas das propostas apresentadas, rejeitadas pela Sra.Professora, por, na sua opinião serem do âmbito da química e da geologia. Elaborámos uma lista da qual constavam mais de 10 temas propostos por todos oselementos do grupo de trabalho, de entre os quais decidimos optar pelo tema: Protozoários:Que patologias provocam na espécie Humana? Este tema foi o único que obteve o aval consensual de todos os elementos do gruposendo que os outros eram causadores de alguma discórdia por parte do grupo e da professorasendo que é do agrado de todos o facto de ser um tema invulgar e pouco falado no contextocientífico e assim conseguirmos mais margem de manobra para trabalhar. A escolha deste tema deriva de trata-se de um tema que não é do conhecimento dasociedade em geral e com este trabalho esperemos que se torne mais conhecido no contextoescolar e quiçá a nível regional. Página 7
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 1.3. Subtemas a abordar Com este trabalho queremos elucidar alguns conceitos relacionados com estes seresProtistas e dar a conhecer algumas doenças por si provocadas no Homem bem comorespectivos métodos de prevenção, tratamento e possíveis curas. Inicialmente, iremos fazer uma breve introdução à parasitologia e posteriormenteexplicar o que são os protozoários, em que grupo de seres se enquadram, o seu tipo dealimentação e em seguida, passaremos a especificar as doenças por eles provocadas. Página 8
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 20112. Introdução à Parasitologia Basicamente, existem parasitas unicelulares – Protozoários – que consistem numa célulaeucariótica contendo organitos semelhantes aos encontrados nos eucarióticos superiores eparasitas compostos por mais de uma célula, com elevada diferenciação tecidular, designadospor Metazoários. Dentro destes dois grandes grupos incluem-se milhares de parasitas, dosquais apenas uma parte é causadora de doença na espécie humana (TAVIRA, 1975). Muitas parasitoses apresentam uma distribuição geográfica específica, na maioria dasvezes condicionada pelo habitat requerido pelo vector de transmissão do parasita. A facilidadede deslocação das pessoas a grandes distância tornou menos raro o aparecimento de,praticamente, qualquer tipo de doença parasitária em regiões em que normalmente não seriade prever o seu aparecimento. É, assim, relativamente frequente na Europa o aparecimento deparasitoses, cuja transmissão clássica está confinada a países tropicais, como, por exemplo, amalária (TAVIRA, 1975). Algumas patologias causadas por protozoários, classicamente prevalentes no país, comoa Toxoplasmose e a infecção por Cryptosporidium, viram o número de casos aumentar nosúltimos anos em função do aparecimento de um maior contingente de doentes imuno-deprimidos (Transplantados ou infectados pelo vírus HIV) (TAVIRA,1975). Fig. 1- Fotografia ao M.E. de Oncocherca volvulus a emergir da antena do insecto. Adaptado: (Internet, Endereço Nº1) Os parasitas são causa importante de doenças em humanos e animais, quer em paísesdesenvolvidos, quer em países mais pobres. A luta contra as parasitoses (doenças provocadaspor parasitas) tem tido um sucesso variável. Enquanto as zonas geográficas onde foramimplementadas medidas sanitárias, tais como, o tratamento de águas e dejectos, e campanhasde higiene pessoal, atingiram algum controlo, sobre as parasitoses intestinais (por ingestão deparasitas), o mesmo não se pode dizer, por exemplo, de doenças como a malária, que têmgrande mortalidade (TAVIRA, 1975). Página 9
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 20113. Protozoários 3.1. Breve Introdução Histórica Os Protozoários foram classificados por Goldfuss em 1818 como um filo, Filo Protozoapertencente ao Reino Animal. Goldfuss descreveu os protozoários como sendomicroorganismos unicelulares heterotróficos, semelhantes a animais, o antigo Reino Protozoa(do grego Proto que em português significa primeiro) e (Zoa ou zoo que em português significaanimal ou animais) portanto o termo protozoário "em português" significa literalmente "osprimeiros animais". Com a nova classificação dos protozoários (Sociedade da Protozoologia,1980) os antigos Subfilos: Subfilo Plasmodroma e o Subfilo Ciliophora, passaram a ser osactuais Filos dos protozoários que agora estão classificados dentro do Reino Protista (Internet,Endereço Nº2). A classificação dos protozoários é feita com base nas estruturas de locomoção queapresentam e devido a muitas semelhanças com as algas unicelulares que antigamenteestavam classificadas em "Divisões da Botânica" mas que actualmente também passaram aser divisões de algas unicelulares incluídas no Reino Protista junto aos Filos dos protozoários(Internet, Endereço Nº2). Mantemos o uso dos termos "Filos para protozoários" e "Divisões para algas unicelulares"da mesma forma como estavam classificados antes, na botânica e na zoologia (Internet,Endereço Nº2). Evidências obtidas com microscopia electrónica, estudos do ciclo de vida, genética,bioquímica e biologia molecular mostraram que este grupo abrangia pelo menos sete Filos (noentanto, 3 deles apresentam pouca relevância), segundo a Sociedade dos Protozoologistasque, em 1980, publicou uma nova classificação para os protozoários (Internet, Endereço Nº2) 3.2. Alimentação, Locomoção e Reprodução Protozoários são microorganismos cuja classificação (Sociedade dos Protozoologistas,1980) é feita com base nas estruturas de locomoção que apresentam e devido a isso foramagrupados no Reino Protista junto às algas unicelulares de acordo com suas semelhanças maisevidentes (Internet, Endereço Nº3). Página 10
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 Todos são seres eucariontes ou seja, possuem núcleo celular organizado, a maioria sãoheterotróficos embora alguns sejam autótróficos que produzem clorofila e com ela fazem afotossíntese e assim conseguem produzir os seus próprios alimentos. A digestão é intracelular,por meio de vacúolos digestivos, sendo que o alimento é ingerido ou entra na célula por meiode uma cavidade, designada por citóstoma (Internet, Endereço Nº3). A locomoção desses microorganismos no meio aquático é feita através do batimento decílios os (Ciliados) ou batimento de flagelos nos (Flagelados) que são estruturas maisadaptadas para a natação; outros protozoários os (Rizópodos) rastejam com movimentoamebóide (um tipo de locomoção onde os microorganismos vão mudando a forma do seucorpo pela emissão de pseudópodes portanto). Outros protozoários não possuem organeloslocomotores nem vacúolos contrácteis. São os chamados (Esporozoários), microorganismosparasitas que se disseminam pelo ambiente através da produção de muitos esporos que sãolevados pela água, pelo ar ou são levados através de animais vectores (moscas, mosquitos,carrapatos etc.) que se contaminam com esses protozoários patogénicos, ficam doentes etransmitem essas doenças para outros animais. A classificação dos protozoários depende doseu tipo de locomoção e isto será aprofundado mais à frente (Internet, Endereço Nº3). A maioria dos protozoários são de vida livre e aquática podendo ser encontrados na águadoce, salobra ou água salgada, levam vida livre também em lugares húmidos rastejando pelosolo ou sobre matéria orgânica em decomposição no entanto algumas espécies levam vidaparasitária nos organismos de diversos hospedeiros e assim passam a maior parte da vidaparasitando diversas espécies de seres vivos e dessa forma causam-lhes muitas doenças(Internet, Endereço Nº3). Fig. 2 - Protozoário Legendado. Adaptado: (AMABIS & MARTHO, 1991) Página 11
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 A reprodução dos protozoários geralmente é assexuada, acontecendo por divisão múltiplaonde o microorganismo apenas se divide em cópias dele mesmo. Alguns também apresentamreprodução sexuada havendo nítida troca de material genético entre um microorganismo eoutro (Internet, Endereço Nº3). 3.3. Classificação por Filos tendo em conta a Locomoção (Sociedade dos Protozoologistas, 1980) Os protozoários estão, tradicionalmente, divididos em 7 Filos, no entanto, 3 deles, têmpouca relevância e, por isso, vamos mencionar apenas os 4 mais representativos (Internet,Endereço Nº5): Sarcodina (sarcodíneos):Locomovem-se através de pseudópodes.Exemplo: amibas Mastigophora (mastigóforos):Locomovem-se através de flagelos. Também conhecidos como flagelados.Exemplo: tripanossoma Ciliophora (ciliados):Locomovem-se através de cílios.Exemplo: paramécia Sporozoa (esporozoários):Não possuem estruturas de locomoção.Exemplo: plasmódio. Página 12
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011Fig. 3 -Principais Filos de Protozoários. Adaptado: (Internet, Endereço Nº29) Tabela I – Classificação dos Protozoários Adaptado: (Internet, Endereço Nº5) Página 13
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 3.4. Tipos de Protozoários 3.4.1. Amibas As amibas possuem, como característica principal, a locomoção por meio depseudópodes. Possuem um único núcleo, multiplicam-se por divisão binária e a maioria produzquistos muito resistentes. Incluem-se neste grupo inúmeros organismos, dos quais, apenasuma pequena parte é parasita do Homem (TAVIRA, 1975). Das seis espécies de amibas que parasitam o Homem (Entamoeba histolytica, Entamoebahartmanni, Endolimax nana, Iodamoeba butschlii e Dientamoeba fragilis), apenas a primeiracausa doença importante (TAVIRA, 1975). Embora, por vezes, incriminadas em casos particulares de doença humana, outrasamibas que parasitam o Homem devem a sua importância microbiológica ao facto de sepoderem confundir com a E. histolytica (TAVIRA, 1975). 3.4.1.1. Entamoeba histolytica Entamoeba histolytica é a espécie causadora de amebíase, doença intestinal grave,designada também por disenteria amebiana, que tem como complicação frequente o abcessoamebiano no fígado. No seu ciclo de vida passa por duas formas. A amiba apresenta-se sob aforma de trofozoíto, que é uma forma móvel, por emissão de pseudópodes. Estes trofozoítospodem encontrar-se nas fezes dos doentes e nas lesões não-intestinais (TAVIRA, 1975). Fig. 4 - Fotografia ao M.E. de Entamoeba histolytica. Adaptado: (Internet, Endereço Nº6) Página 14
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 3.4.2. Esporozoários 3.4.2.1. Cryptosporidium O Cryptosporidium é um esporozoário que provoca diarreia crónica em indivíduosimunocomprometidos. A diarreia é aquosa e abundante, podendo levar a perda de fluidos enutrientes (TAVIRA, 1975). Do género Cryptosporidium conhecem-se seis espécies: C. muris e C. parvum, (parasitasde mamíferos), C. baileyi e C. leagridis (parasitas de aves), C. crotali (parasita de ofídios) e C.nasorum (parasitas de peixes) (TAVIRA, 1975). A infecção faz-se por via fecal-oral, por ingestão de cistos de origem animal ou humana,que contaminam alimentos ou água. Estes cistos chegam ao intestino delgado e desenquistam(os cistos rompem), libertando os esporozoítos que posteriormente formam trofozoítos. Ostrofozoítos aderem à mucosa intestinal, mas não a invadem (TAVIRA, 1975). 3.4.2.2. Plasmodium Os protozoários do género Plasmodium são parasitas intracelulares que afectamparticularmente os eritrócios e são transmitidos por vectores específicos de cada doença.Os organismos do género Plasmodium reproduzem-se assexuadamente nas células do fígado etambém dos eritrócitos. No caso da malária, doença provocada por estes organismos (queiremos focar mais à frente), formam-se microorganismos productores de gâmetas, como fasepreparatória para o ciclo sexuado, que ocorre no mosquito Anopheles (TAVIRA, 1975;LUMSDEN & McMILLAN, 2002). Fig. 5 - Fotografia ao M.E. de Plasmodium parasitando um eritrócito. Adaptado: (Internet, Endereço Nº7) Página 15
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 3.4.3. Flagelados 3.4.3.1. Trypanossoma Os Tripanossomas são protozoários tecidulares flagelados que têm como reservatóriosanimais (domésticos ou selvagens) e que são transmitidos ao Homem por vectores artrópodes(TAVIRA, 1975). O género Tripanossoma inclui duas espécies patogénicas para o Homem, que são oTrypanossoma cruzi, que causa a Tripanosomose Americana (mais conhecida como doença deChagas) e o Trypanossoma brucei, agente da Tripanosomose Humana Africana ou Doença doSono (TAVIRA, 1975). 3.4.3.2. Leishmania Leishmania é uma género de protozoários da ordem Trypanosomatida, que inclui oparasita causador da Leishmaníose (Internet, Endereço Nº8). As várias espécies de Leishmania são transmitidas por insectos da Família Psycodidae(sandflies), que inclui os géneros Phlebotomus (responsável pela transmissão no Velho Mundo)e Lutzomyia (responsáveis pela transmissão no Novo Mundo). O protozoário aparece dentrodos fagolisossomas dos macrófagos do hospedeiro. Aí, multiplica-se no seu intestino e passaàs glândulas salivares (Internet, Endereço Nº8). Uma vez que o Hospedeiro fica infectado, ficará infectado toda a vida. Este torna-seincapaz de fazer refeições completas pela multiplicação dos protozoários no seu interior(provoca-lhe problemas como oclusões do lúmen intestinal) (Internet, Endereço Nº8). Os hospedeiros vertebrados são animais silvestres (roedores, raposas) e animaisdomésticos, especialmente cães, que servem de reservatório principal de transmissão aoHomem (Internet, Endereço Nº8). Fig. 6 - Fotografia ao M.E. de Leishmania donovani em célula da medúla óssea. Adaptado: (Internet, Endereço Nº9) Página 16
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 20114. Patologias provocadas por Protozoários Doenças causadas por protozoários parasitas envolvem, basicamente, dois locais deparasitismo: o sangue e o tubo digestivo. No entanto, a pele, o coração, os órgãos do sistemagenital e do sistema linfático também costituem locais em que os parasitas se podem instalar.Essas doenças envolvem, no seu ciclo, hospedeiros, isto é, organismos vivos em que osparasitas se desenvolvem. Caso o agente parasitário utilize dois hospedeiros para completar oseu ciclo de vida, considera-se como hospedeiro definitivo o local no qual o parasita sereproduz assexuadamente (Internet, Endereço Nº10). Nos próximos pontos, iremos abordar as doenças mais frequentemente causadas porprotozoários na espécie humana, ordenadas por ordem alfabética. 4.1. Amebíase A Amebíase é uma forma de disenteria, provocada pela amiba Entamoeba histolytica.É uma amiba típica, com movimentos por extensão de pseudópodes e capacidade fagocítica,que evoluiu para viver como parasita humano. A entamoeba tem duas formas, o trofozoítoactivo e o quisto infeccioso (Internet, Endereço Nº11). A forma de quisto pode ser encontrada quer no homem quer na Natureza. Cada quisto dáorigem a 8 trofozoítos com nucléolo proeminente a que se chama cariossoma. Estadiferenciação ocorre no intestino delgado do Homem e os trofozoítos invadem a mucosa docólon, formando úlceras que podem destruir grandes extensões da mucosa (TAVIRA, 1975). Ao penetrar na parede intestinal, a amebíose entra na circulação e pode ser transportadaaté ao fígado, o que ocorre frequentemente (TAVIRA, 1975). A Entamoeba histolytica alimenta-se de bolo alimentar, bactérias intestinais, líquidosintracelulares das células que destrói e por vezes também fagocita eritrócitos. Tem proteínasmembranares capazes de formar poros nas membranas das células humanas, destruindo-aspor choque osmótico, e adesinas que lhe permitem fixar-se às células da mucosa de modo anão ser arrastada pela diarréia. Além disso produz enzimas proteases de cisteína, quedegradam o meio extracelular humano, permitindo-lhe invadir outros órgãos (TAVIRA, 1975). Há muitas estirpes, a maioria praticamente inócua, mas algumas altamente virulentas, ea infecção geralmente não leva à imunidade (Internet, Endereço Nº11). Página 17
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 4.1.1. Epidemiologia Segundo a OMS, há 50 milhões de novas infecções por ano e 70.000 mortes. A Amebíaseé mais prevalente nos países tropicais mas também ocorre nas zonas temperadas e mesmofrias (Internet, Endereço Nº11). Na África, Ásia tropical e América latina, mais de dois terços da população terá estesparasitas intestinais, apesar da maioria das infecções ser practicamente assintomática(Internet, Endereço Nº11). A falta de condições de higiene adequadas é a responsável por sua disseminação. Ainfecção pela Entamoeba histolytica é bastante disseminada, com uma estimativa deprevalência mundial da ordem de 10% da população e é a terceira maior causa parasitária demortes em todo o planeta (Internet, Endereço Nº11). A Entamoeba histolytica pode permanecer no organismo sem causar nenhum sintoma. Ainfecção assintomática é mais encontrada em países, como Estados Unidos, Canadá e paísesda Europa. As formas graves de amebíase têm sido registadas com mais frequência naAmérica do Sul, na Índia, no Egito e no México (Internet, Endereço Nº11). Fig. 7 - Mapa da Distribuição da Amebíase no Mundo. Adaptado: (Internet, Endereço Nº12) Página 18
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 4.1.2. Sintomatologia e Diagnóstico A E. hystolitica pode causar sintomas em cerca de 10% dos casos e, mesmoassintomática, deve ser tratada devido ao seu potencial de invasão (Internet, Endereço Nº13). A amebíase é capaz de promover doença intestinal, como colite, disenteria e ameboma, etambém extra-intestinal, como abscesso hepático, abscesso cerebral, lesões cutâneas,patologia pleuropulmonar, entre outros. No entanto, estes últimos são bastante raros(Internet, Endereço Nº13). A sintomatologia da amebíase intestinal inicia-se após duas semanas de infecção, comdor abdominal tipo cólica associada com diarréia, disenteria. Apenas 30% dos pacientesapresentam febre. A colite amebiana afecta especialmente crianças entre um e cinco anos deidade (Internet, Endereço Nº13). Sinais e sintomas mais graves, progressão mais rápida e acometimento extra-intestinalsão mais frequentes em crianças pequenas, desnutridos, usuários de corticóides, eimunossuprimidos de maneira geral (Internet, Endereço Nº13). Em alguns raros casos, observa-se diarréia crónica que pode ser confundida com outradoença inflamatória intestinal, alternada com períodos de constipação. O quadro pode seracompanhado de náuseas, vómitos e dor abdominal (Internet, Endereço Nº13). A hepatomegalia pode ocorrer na doença amebiana intestinal, sem a presençaconcomitante de abscesso hepático. Este, porém, quando surge, denota quase invariavelmentedoença grave. Um sinal importante que pode sugerir o diagnóstico de abscesso hepático é umestado febril, principalmente em crianças. Além, disso, dores abdominais e dor à palpação dofígado também são consideráveis. Situações em que há sinais de peritonite devem chamar aatenção do médico para ruptura da colecção amebiana hepática. Infiltração de base pulmonardireita proveniente do fígado é uma manifestação rara, mas pode surgir com derrame ou outrapatologia pleuropulmonar (Internet, Endereço Nº13). Fig. 8 - Fotografia ao M.E. de Entamoeba histolytica. Adaptado: (Internet, Endereço Nº14) Página 19
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 No hemograma, podemos encontrar leucocitose leve e algum grau de anemia. Os níveisde enzimas hepáticas encontram-se, geralmente, elevados, particularmente a fosfatasealcalina (Internet, Endereço Nº13). O diagnóstico confirmatório baseia-se no exame de fezes, sendo colhidas três amostraspara o exame. Em casos de fezes formadas, utiliza-se a pesquisa de cistos a fresco ou atravésde coloração pelo lugol ou pelos métodos de Hoffman, Pons e Janer, ou de Faust. Se as fezesforem diarréicas, deve-se realizar pesquisa de trofozoítos a fresco ou pela coloração com lugol(Internet, Endereço Nº13). Pode também, utilizar-se a retossigmoidoscopia, para a visualização de úlcerasintestinais e colecta de material para posterior análise histopatológica (Internet, EndereçoNº13). Pode, ainda, fazer-se o diagnóstico através de reações sorológicas, com pesquisa deanticorpos Ig específicos, mas estes serão positivos mesmo naqueles pacientes portadores doparasita e assintomáticos (Internet, Endereço Nº13). 4.1.3. Transmissão A transmissão pode ser directa ou indirecta, sendo a primeira a responsável quase pelatotalidade dos casos. A forma directa dá-se através da ingestão de água e alimentoscontaminados pelos cistos do parasita ou por contacto fecal-oral direto. A forma indireta ocorrepor intermédio de vectores como moscas e baratas (Internet, Endereço Nº13). Mais recentemente, a amebíase transmitida por via anal-oral tornou-se frequente,sobretudo em populações homossexuais (TAVIRA, 1975). 4.1.4. Tratamento/Cura O tratamento da amebíase deve ser feito tanto em pacientes com sintomas como paraaqueles completamente assintomáticos (Internet, Endereço Nº13). Para as formas assintomáticas, pode-se fazer uso do iodoquinol ou teclozan. Comoalternativas, temos a paromomicina e o furoato de diloxanida (Internet, Endereço Nº13). Para os pacientes com a forma intestinal da amebíase, o metronidazol é, em geral, adroga de escolha (Internet, Endereço Nº13). Página 20
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 Deve ser dado na dose de 30 a 50 mg/kg/dia, em três tomadas, durante dez dias.Alternativas ao metronidazol incluem o secnidazol e o tinidazol. O metronidazol é uma drogabastante segura, com poucos efeitos colaterais e quando presentes geralmente são de poucaimportância como gosto metálico, náusea e desconforto abdominal (Internet, Endereço Nº13). As formas extra-intestinais são tratadas basicamente com os mesmos esquemas dedrogas amebicidas da forma intestinal, porém em doses maiores. O metronidazol deve serutilizado na dose de 50 mg/kg/dia (Internet, Endereço Nº13). O controlo de cura é feito com exames de fezes seriados, a partir da primeira semanaapós o tratamento e repetidos semanalmente até a sua cura (Internet, Endereço Nº13). 4.1.5. Ciclo de Vida do Parasita Fig. 9 - Ciclo de Vida de Entamoeba histolytica. Adaptado: (Internet, Endereço Nº27) Página 21
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 4.2. Doença de Chagas A doença de Chagas, também chamada tripanossomíase, é uma infecção causada peloprotozoário flagelado Trypanossoma cruzi, e transmitida por insectos, conhecidos comobarbeiros. Trypanosoma cruzi é um membro do mesmo género do agente infeccioso africanoda doença do sono e da mesma ordem que o agente infeccioso da leishmaniose, mas as suasmanifestações clínicas, distribuição geográfica, ciclo de vida e de insectos vetores são bastantediferentes (Internet, Endereço Nº15). Se não tratada, a doença crónica é muitas vezes fatal. Os tratamentos medicamentososatuais para o tratamento desta doença são pouco satisfatórios, com os medicamentos comsignificativo efeito colateral, muitas vezes, ineficazes, em especial na fase crónica da doença.Pacientes em estado grave são muitas vezes encaminhados ao transplante cardíaco, porémnão há cura para a doença (Internet, Endereço Nº15). 4.2.1. Epidemiologia Estima-se que existam até 18 milhões de pessoas com esta doença, entre os 100 milhõesque constituem a população de risco, distribuída por 18 países americanos. Dos infectados,cerca de 20 000 morrem a cada ano (Internet, Endereço Nº15). A doença de Chagas crónica é um problema epidemiológico apenas em alguns países daAmérica Latina, mas a migração crescente de populações aumentou o risco de transmissão portransfusão de sangue até mesmo nos EUA, e têm surgido casos da doença em animaisselvagens até à Carolina do Norte (Internet, Endereço Nº15). Distribuída pelas Américas desde os EUA até a Argentina, atinge principalmente aspopulações rurais pobres. As casas pobres, com reboco defeituoso e sem forro, são habitatpara o insecto barbeiro, que dorme de dia nas fendas das paredes e sai à noite para sugar osangue da pessoas que dormem, geralmente no rosto ou onde a pele é mais fina. Os casos nosEUA de origem endémica (e não em imigrantes) são raríssimos, devido ao maior afastamentodas casas dos animais e do menor número de locais dentro das casas onde os insectos possamreproduzir-se (Internet, Endereço Nº15). Página 22
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 Fig. 10 - Mapa da Distribuição da Doença de Chagas na América Latina. Adaptado: (Internet, Endereço Nº16) 4.2.2. Sintomatologia/Diagnóstico A doença tem uma fase aguda, de curta duração, que em alguns doentes progride parauma fase crónica (Internet, Endereço Nº15). A fase aguda é geralmente assintomática, e tem uma incubação de uma semana a ummês após a picada. No local da picada pode desenvolver-se uma lesão volumosa, o chagoma,pele vermelha e inchada. Se a picada for perto do olho é frequente a conjuntivite com edemada pálpebra. Outros sintomas possíveis são febre, linfadenopatia, anorexia,hepatoesplenomegalia, miocardites brandas e mais raramente também meningoencefalite(Internet, Endereço Nº15). Entre 20 a 60% dos casos agudos transformam-se, em 2 a 3 meses, em portadores comparasitas sanguíneos continuamente, curando-se os restantes. No entanto, em todos os casosparam os sintomas após cerca de dois meses. Muitos mas não todos os portadores do parasitadesenvolvem sintomas devido à doença crónica (Internet, Endereço Nº15). O caso crónico permanece assintomático durante dez a vinte anos. No entanto nesteperíodo de bem-estar geral, o parasita está a reproduzir-se continuamente em baixosnúmeros, causando danos irreversíveis em órgãos como o sistema nervoso e o coração. O Página 23
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011fígado também é afectado mas como é capaz de regeneração, os problemas são raros. Oresultado é apenas aparente após uma ou duas décadas de progressão, com aparecimentogradual de demência (3% dos casos iniciais), cardiomiopatia (em 30% dos casos), ou dilataçãodo trato digestivo (megaesófago ou megacólon (6%), devido à destruição da inervação e dascélulas musculares destes órgãos, responsável pelo seu tónus muscular. No cérebro háfrequentemente formação de granulomas. Neste estágio a doença é frequentemente fatal,mesmo com tratamento, geralmente devido à cardiomiopatia (insuficiência cardíaca). Noentanto o tratamento pode aumentar a esperança e qualidade de vida (ver mais abaixo secçãosobre tratamento/cura) (Internet, Endereço Nº15). Há ainda pouco frequentemente casos de morte súbita, quer em doentes agudos quer emcrónicos, devido à destruição pelo parasita do sistema condutor dos batimentos no coração oudanos cerebrais em áreas críticas. O diagnóstico pode ser feito: Utilizando o Microscópio, para procurar o parasita no sangue do paciente, o que é possível apenas na fase aguda após cerca de 2 semanas depois da picada. Detectam-se mais de 60% dos casos nesta fase. Pelo Xenodiagnóstico, onde o paciente é intencionalmente picado por barbeiros não contaminados e, quatro semanas depois, o seu intestino é examinado em busca de parasitas. Detecção do DNA do parasita por PCR (reação em cadeia da polimerase). Detecção de anticorpos específicos contra o parasita no sangue. É útil nos casos crónicos mas a distinção entre estes e as curas é difícil (Internet, Endereço Nº15). 4.2.3. Transmissão O barbeiro infecta-se ao sugar o sangue de um organismo infectado. No intestino dovector, o tripomastigoto transforma-se em epimastigoto que então se reproduz (Internet,Endereço Nº15). O tripomastigoto não se reproduz. O homem por sua vez, é afectado pelas fezes ouurina contaminadas do Triatomíneo (barbeiro) pois enquanto suga o sangue defeca nessemesmo local. A infestação também pode ser por transfusão de sangue ou transplante de órgãos, oupor via placentária. Página 24
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 O coito é uma forma de transmissão nunca comprovada na espécie humana. No entanto,já foram encontrados tripomastigotas em menstruação de mulheres com chagas (Internet,Endereço Nº15). Fig. 11 - Fotografia de Tríatomíneo (Barbeiro), vector da doença de Chagas. Adaptado: (Internet, Endereço Nº17) 4.2.4. Tratamento/Cura Na fase inicial aguda, a administração de fármacos como nifurtimox, alopurinol eBenzonidazol curam completamente ou diminuem a probabilidade de cronicidade em mais de80% dos casos (Internet, Endereço Nº15). A fase crónica é incurável, já que os danos em órgãos como o coração e o sistemanervoso são irreversíveis. Tratamento paliativo pode ser usado (Internet, Endereço Nº15). Segundo a DNDi, o mal de Chagas, juntamente com a doença do sono e a leishmaniose,está entre as doenças "extremamente negligenciadas", basicamente em razão da extremapobreza dos pacientes - que, assim, estão fora do mercado da indústria farmacêutica(Internet, Endereço Nº15). Página 25
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 4.2.5. Ciclo de Vida do Parasita Fig. 12 - Ciclo de Vida de Tríatomíneo (Barbeiro), vector da doença de Chagas. Adaptado: (Internet, Endereço Nº28) 4.3. Leishmaníose A leishmaníose é uma doença parasitária, casada por protozoátios da famíliaTrypanossomatidae, do género leishmania e que é transmitida ao Homem pela picada deinsectos hematófagos da família Psychodidae dos géneros Phlebotomus, nos continentesEuropeu, Asiático e Africano, e Lutzomyia no continente Americano (TAVIRA, 1975). A leishmaniose é uma doença crónica, de manifestação cutânea ou visceral. O calazar(leishmaniose visceral) e a úlcera de Bauru (leishmaniose tegumentar americana) sãoexemplos de formas da doença (Internet, Endereço Nº18). Existem atualmente 6 espécies de Leishmania responsáveis pela doença humana, e maisde 200 espécies de flebotomíneos implicados em sua transmissão. Trata-se de uma doençaque acompanha o Homem desde tempos remotos e que tem apresentado, nos últimos 20anos, um aumento do número de casos e ampliação de sua ocorrência geográfica (Internet,Endereço Nº18). Página 26
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 4.3.1. Epidemiologia A Leishmaniose visceral é considerada atualmente uma doença emergente ereemergente, tanto em áreas rurais como urbanas. Segundo a Organização Mundial de Saúde(OMS), em 1990 existiam 12 milhões de casos, sendo que surgem 400 mil novos casos porano (Internet, Endereço Nº18). Atualmente a OMS vem chamando a atenção para o aumento do número de casos de co-infecção HIV/Leishmaniose visceral, especialmente no sul da Europa. Tal incidência se deve aouso de drogas e compartilhamento de agulhas e seringas. Esse tipo de transmissão tem seestendido para os países nórdicos (Internet, Endereço Nº18). A Leishmania possui larga distribuição em áreas tropicais e subtropicais, estendendo-sedesde a América Central e do Sul até os países mediterrâneos, África, Ásia central, Índia eChina. A leishmaniose é considerada a segunda principal doença causada por protozoários nomundo, perdendo em incidência apenas para a Malária. No homem a leishmaniose visceralacomete principalmente crianças e indivíduos imunossuprimidos, sendo caracterizadaclinicamente por febre oscilante de longa duração, debilidade geral, emagrecimento,pancitopenia, hepato-esplenomegalia, hipergamaglobulinemia e hipoalbuminemia, podendoprogredir para um quadro crónico ou para a morte, caso não haja tratamento adequado(Internet, Endereço Nº18). Fig. 13 - Mapas de Distribuição Geográfica da Leishmaniose Cutânea e Visceral. Adaptado: (Internet, Endereço Nº19) Página 27
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 4.3.2. Sintomatologia/Diagnóstico Uma infecção por leishmanias pode seguir dois rumos: Na maioria dos casos o sistemaimunitário reage eficazmente pela produção de uma resposta citotóxica que destrói osmacrófagos portadores de leishmanias. Nestes casos a infecção é controlada e os sintomasleves ou inexistentes, curando-se o doente ou desenvolvendo apenas manifestações cutâneas(Internet, Endereço Nº18). No entanto, se o sistema imunitário escolher antes uma resposta (humoral) comprodução de anticorpos, não será eficaz a destruir as leishmanias que se escondem no interiordos macrófagos, fora do alcance dos anticorpos. Nestes casos a infecção (apenas L. donovanise irá desenvolver em leishmaniose visceral), dará origem a uma doença grave, ou no casodas espécies menos virulentas, manifestações mucocutâneas mais agressivas e crónicas(Internet, Endereço Nº18). Um indivíduo imunodeprimido não reage com nenhuma resposta imunitária eficaz, eestes, especialmente os doentes com SIDA, desenvolvem progressões muito mais perigosas erápidas com qualquer dos patogénios. Em Portugal, Espanha, Itália e França este grupo temultimamente formado uma percentagem grande dos doentes com formas de leishmaniosegraves (Internet, Endereço Nº18). A leishmaniose visceral, também conhecida por kala-azar ou febre dumdum, tem umperíodo de incubação de vários meses a vários anos. As leishmanias danificam os órgãos ricosem macrófagos, como o baço, o fígado, e a medula óssea. Caracteriza-se, na minoria de indivíduos que desenvolvem sintomas, por início de febre,tremores violentos, diarreia, suores, mal estar, fadiga, hepatoesplenomegália, anemia,leucopenia e por vezes manifestações cutâneas como úlceras e zonas de pele escura(denominado kala azar, "doença preta" em hindi), em adultos principalmente. Se não fortratada, é mortal num período curto ou após danos crónicos durante alguns anos,especialmente em doentes com SIDA (Internet, Endereço Nº18). A leishmaniose cutânea tem uma incubação de algumas semanas a alguns meses, após oque surgem sintomas como pápulas ulcerantes extremamente irritantes nas zonas picadaspelo mosquito, que progridem para crostas com líquido seroso. Há também escurecimento porhiperpigmentação da pele, com resolução das lesões em alguns meses com formação decicatrizes. A leishmaniose mucocutânea é semelhante mas com maiores e mais profundaslesões, que se estendem às mucosas da boca, nariz ou genitais (Internet, Endereço Nº18). Página 28
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 O diagnóstico é pela observação directa microscópica dos parasitas em amostras de linfa,sanguíneas ou de biópsias de baço, após cultura ou por detecção do seu DNA ou através detestes imunológicos, como a Reação de Montenegro (É uma reação de hipersensibilidaderetardada de acordo com a classificação de GEL & COOMBS) (ELSEVIER, 2005; Internet,Endereço Nº19) 4.3.3. Transmissão Os flebotomíneos são cruciais na transmissão da leishmaniose visceral, que ocorrequando os insectos se alimentam sobre homens ou animais infectados. A seguir, o crescimentodos flagelados no tubo digestivo do vector torna-se suficiente para assegurar a sua inoculaçãoem hospedeiros susceptíveis (Internet, Endereço Nº19). Se, pouco depois de infectar-se, o flebotomíneo volta a alimentar-se com sangue, ocrescimento dos flagelados pode ser inibido. Mas se a segunda refeição for feita com sucos deplantas (ou, nas condições de laboratório, com passas ou soluções açucaradas), as formaspromastigotas multiplicar-se-ão abundantemente no tubo digestivo do insecto. Quando eleingere novamente sangue, poderá regurgitar com o sangue aspirado grumos de leishmanias(promastigotas infectantes) que cresciam no esófago e no proventrículo (estrutura do sistemadigestivo de aves e insectos (Internet, Endereço Nº19). Em vista do tempo requerido para o crescimento abundante dos flagelados e da vidacurta dos insetos adultos (cerca de duas semanas ou pouco mais), é necessário que oflebotomíneo se infecte muito cedo, talvez por ocasião de suas primeiras refeições sanguíneas,para que possa efetuar a transmissão do calazar (Internet, Endereço Nº19). A proporção de insectos encontrados com infecção natural é sempre muito baixa.Assim, a transmissão fica na dependência de existir, nos focos americanos, uma densidadegrande dos insectos Lutzomyia longipalpis, facto que se constata nas áreas de leishmaniosevisceral, mesmo no interior das casas, sempre que haja um surto epidémico (Internet,Endereço Nº19). Outro mecanismo de transmissão possível, entre os animais, é a transmissão directa,sem flebotomíneos. Em certas áreas endémicas, observou-se a pequena densidade de insectosvectores, raros casos humanos mas grande incidência do calazar canino. Como osflebotomíneos aí mostravam poucas tendências em picar os cães, supôs-se que a propagaçãopudesse ter lugar por contacto sexual, tanto mais que em diversas pesquisas pôde-secomprovar o parasitismo da glande e da uretra dos cães por leishmanias (Internet, EndereçoNº19). Página 29
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 Algum tempo depois do tratamento, uma forma secundária da doença pode começar,chamada leishmaniose dérmica pós-kala-azar ou LDPK. Esta doença não é a leishmaniosecutânea, mas uma doença causada por outro protozoário do género Leishmania que tambémafecta a pele (Internet, Endereço Nº19). 4.3.4. Prevenção/Tratamento/Cura O tratamento é feito por administração de compostos de pentamidina, marbofloxacinoanfotericina ou miltefosina. A prevenção faz-se por redes ou repelentes de insectos, pelaconstrução de moradias humanas a distância superior a 500 metros da mata silvestre e pelaerradicação dos Phlebotomus/Lutzomyia (Internet, Endereço Nº18). Entre as moléculas mais utilizadas no tratamento da leishmaniose canina estão osantimoniais e o alopurinol (Internet, Endereço Nº18). 4.3.5. Ciclo de Vida do Parasita Fig. 14 - Ciclo de vida de Leishmania. Adaptado: (Internet, Endereço Nº30) Página 30
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 Fig. 15 - Fotografia ao M.E. de Leishmania. Adaptado: (Internet, Endereço Nº20) 4.4. Malária A malária ou paludismo é uma doença infecciosa aguda causada por protozoáriosparasitas do género Plasmodium, transmitidos pela picada do mosquito Anopheles (Internet,Endereço Nº21). A malária mata 3 milhões de pessoas por ano, uma taxa só comparável à da SIDA, eafeta mais de 500 milhões de pessoas todos os anos. É a principal parasitose tropical e umadas mais frequentes causas de morte em crianças nesses países: (mata um milhão de criançascom menos de 5 anos a cada ano). Segundo a OMS, a malária mata uma criança africana acada 30 segundos, e muitas crianças que sobrevivem a casos severos sofrem danos cerebraisgraves e têm dificuldades de aprendizagem (Internet, Endereço Nº21). A designação paludismo surgiu no século XIX, formada a partir do latim. Malária é termode origem italiana que se internacionalizou e que surge em obras em português na mesmaaltura (Internet, Endereço Nº21). A infecção humana começa quando um mosquito Anopheles fêmea inocula esporozoítosdos plasmódios a partir da sua glândula salivar durante a hematofagia. Essas formas sãotransportadas pela corrente sanguínea até ao fígado, onde invadem as células do parênquimahepático e começam o período de reprodução assexuada (Internet, Endereço Nº21). Mediante esse processo de amplificação (conhecido como esquizogonia ou merogoniaintra-hepática ou pré-eritrocitária), um único esporozoíto produz vários merozoítos-filhos(Internet, Endereço Nº21). Nas infecções por Plasmodium vivax, uma parcela das formas intra-hepáticas não sedivide de imediato, permanecendo latente, na forma de hipnozóitos, por um período variável Página 31
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011de 3 semanas a 1 ano ou mais antes que a reprodução comece, e são a causa das recidivasdas infecções (Internet, Endereço Nº21). Mais tarde a célula rompe-se, libertando merozóitos móveis na corrente sanguínea erapidamente os merozóitos invadem os eritrócitos e se transformam em trofozoítos. A fixaçãoé mediada através de um receptor específico da superfície do eritrócito (Internet, EndereçoNº21). No fim do ciclo evolutivo intra-eritrocitário, o parasita consumiu quase toda ahemoglobina e cresceu a ponto de ocupar a maior parte do eritrócito. Agora denomina-seesquizonte. Ocorrem múltiplas divisões celulares (esquizógonia ou merogónia), e o eritrócitorompe-se para libertar 6 a 30 merozoítos-filhos, cada um potencialmente capaz de invadir umnovo eritrócito e repetir o ciclo (Internet, Endereço Nº21). A doença em seres-humanos é causada pelos efeitos directos da invasão e destruiçãoeritrocitárias pelo parasita assexuado e pela reacção do hospedeiro. Depois de uma série deciclos assexuados (P. falciparum) ou imediatamente após a libertação do fígado (P. vivax),alguns dos parasitas desenvolvem-se em formas sexuadas de vida longa, morfológicamentedistintas, responsáveis por transmitir a malária (Internet, Endereço Nº21). Após serem ingeridos durante a picada de um mosquito Anopheles fêmea para alimentar-se de sangue, os gametócitos masculinos e femininos formam um zigoto no intestino médio doinsecto (Internet, Endereço Nº21). Esse zigoto penetra e enquista-se na parede intestinal do mosquito. O oocisto resultantemultiplica-se por divisão assexuada, até se romper e libertar grande quantidade deesporozoítos móveis, que em seguida migram pela hemolinfa até a glândula salivar domosquito, onde aguardam a inoculação noutro ser humano na segunda picada (Internet,Endereço Nº21). 4.4.1. Epidemiologia É uma das doenças mais importantes para a humanidade, devido ao seu impacto ecustos, e constitui um fardo extremamente pesado para as populações dos países atingidos,principalmente em África, incomparável aos custos sociais de qualquer doença ocidental(Internet, Endereço Nº22). A malária existe potencialmente em todas as regiões onde existem humanos e mosquitosAnopheles em quantidade suficiente, o que inclui todas as regiões tropicais de todos oscontinentes e muitas regiões subtropicais (Internet, Endereço Nº22). Página 32
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 Hoje em dia, a África é particularmente atingida, estando poupadas apenas o norte e aÁfrica do Sul, ou seja, a incidência é maior na África Central e Subssariana. Na América existeem toda a região central (México e países semi-tropicais) e norte da América do Sul, incluindomais de metade do território do Brasil (todo o Nordeste e Amazónia) e ainda nas Caraíbas(Internet, Endereço Nº22). Na Ásia está presente em todo o subcontinente indiano, Médio Oriente, Irão, Ásia central,Sudeste asiático, Indonésia, Filipinas e sul da China. A malária já existiu mas foi erradicada noséculo XX da região mediterrânea, incluindo Sul da Europa: Portugal, Espanha, Itália, sul daFrança e Grécia; e no Sul e Oeste dos EUA. Ao todo, vivem quase 3 bilhões de pessoas emregiões endémicas (ou seja, metade da humanidade) em mais de 100 países (Internet,Endereço Nº22). Há, todos os anos, 300 a 500 milhões de casos da malária, dos quais mais de 90% naÁfrica, a maioria com resolução satisfatória, mas resultando em enfraquecimento e perda dedias de trabalho significativos. Ela mata, contudo, cerca de 2 milhões de pessoas em cada ano,cerca de um milhão das quais são crianças com menos de 5 anos (Internet, Endereço Nº22). Na Europa e, mais especificamente, em Portugal, os casos são muito menos graves,havendo apenas alguns milhares. A grande maioria dos casos, e provavelmente a suatotalidade, são importados de pessoas que visitaram países tropicais (Internet, EndereçoNº22). Fig. 16 - Mapa da Distribuição Geográfica da Malária. Adaptado: (Internet, Endereço Nº22) Página 33
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 4.4.2. Sintomatologia/Diagnóstico A malária causada pelo protozoário Plasmodium falciparum caracteriza-se inicialmentepor sintomas inespecíficos, como dores de cabeça, fadiga, febre e náuseas. Estes sintomaspodem durar vários dias (Internet, Endereço Nº22). Mais tarde, caracterizam-se por acessos periódicos de calafrios e febre intensos quecoincidem com a destruição maciça de hemácias e com a descarga de substânciasimunogénicas tóxicas na corrente sanguínea ao fim de cada ciclo reprodutivo doparasita(Internet, Endereço Nº22). Estas crises parocísticas, mais frequentes ao cair da tarde, iniciam-se com subida datemperatura até 39-40 °C. São seguidas de palidez da pele e tremores violentos durante cercade 15 minutos a uma hora. Depois cessam os tremores e seguem-se duas a seis horas defebre a 41 °C, terminando em vermelhidão da pele e suores abundantes. O doente sente-seperfeitamente bem depois, até à crise seguinte, dois a três dias depois (Internet, EndereçoNº22). Se a infecção for de Plasmodium falciparum, denominada malária maligna, pode haversintomas adicionais mais graves como: choque circulatório, síncopes (desmaios), convulsões,delírios e crises vaso-oclusivas. A morte pode ocorrer a cada crise de malária maligna. Podetambém ocorrer a chamada malária cerebral: a oclusão de vasos sanguíneos no cérebro peloseritrócitos infectados causa défices mentais e coma, seguidos de morte (ou défice mentalirreversível) (Internet, Endereço Nº22). Danos renais e hepáticos graves ocorrem pelas mesmas razões. As formas causadaspelas outras espécies ("benignas") são geralmente apenas debilitantes, ocorrendo raramente amorte (Internet, Endereço Nº22). Os intervalos entre as crises paroxísticas são diferentes consoante a espécie. Para asespécies de P. falciparum, P. ovale e P. vivax, o ciclo da invasão de hemácias por umageração, multiplicação interna na célula, hemólise (rompimento da hemácia) e invasão pelanova geração de mais hemácias dura 48 horas (Internet, Endereço Nº22). Normalmente há acessos de febre violenta e tremores no 1° dia e, passadas 48 horas, jáno 3° dia, novo acesso, sendo classificada de malária ternária. A detecção precoce de maláriaquaternária, em que o novo acesso de febre ocorre no 4ª dia, é importante porque este tipopode não ser devido a P. falciparum, sendo, portanto, menos perigoso (Internet, EndereçoNº22). Página 34
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 Se não for diagnosticada e tratada, a malária maligna causada pelo P. falciparum podeevoluir rapidamente, resultando em morte. A malária "benigna" das outras espécies poderesultar em debilitação crónica, mas mais raramente em morte (Internet, Endereço Nº22). O diagnóstico da infecção malárica só é possível pela demonstração do parasita, ou deantígénios relacionados, no sangue periférico do paciente, através dos métodos diagnósticos: Gota espessa - Mesmo após o avanço de técnicas diagnósticas, este exame continua a ser um método simples, eficaz, de baixo custo e fácil realização. A sua técnica baseia-se na visualização do parasita através de microscopia óptica, após coloração com corante vital (azul de metileno), permitindo a diferenciação específica dos parasitas a partir da análise da sua morfologia, e pelos estágios de desenvolvimento do parasita encontrados no sangue periférico (Internet, Endereço Nº22). Esfregaço delgado - Possui baixa sensibilidade (estima-se que, a gota espessa é cerca de 30 vezes mais eficiente que o esfregaço delgado na detecção da infecção malárica). Porém, o esfregaço delgado é o único método que permite, com facilidade e segurança, a diferenciação específica dos parasitas, a partir da análise da sua morfologia e das alterações provocadas no eritrócito infectado (Internet, Endereço Nº22). Testes rápidos para detecção de componentes antigênicos de plasmódio - Testes imunocromatográficos representam novos métodos de diagnóstico rápido de malária. Realizados em fitas de nitrocelulose contendo anticorpo monoclonal contra antigénios específicos do parasita. Apresentam sensibilidade superior a 95% quando comparado à gota espessa (Internet, Endereço Nº22). Fig. 17 - Corpo Humano com Representação dos Sintomas da Malária e respectiva legenda. Adaptado: (Internet, Endereço Nº23) Página 35
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 4.4.3. Transmissão A malária é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos do género Anopheles. Atransmissão geralmente ocorre em regiões rurais e semi-rurais, mas pode ocorrer em áreasurbanas, principalmente em periferias (Internet, Endereço Nº22). Em cidades situadas em locais cuja altitude seja superior a 1500 metros, no entanto, orisco de aquisição de malária é pequeno. Os mosquitos têm maior actividade durante o períododa noite, do crepúsculo ao amanhecer. Contaminam-se ao picar os portadores da doença,tornando-se o principal vector de transmissão desta para outras pessoas. O risco maior deaquisição de malária é no interior das habitações, embora a transmissão também possaocorrer ao ar livre (Internet, Endereço Nº22). O mosquito da malária atinge números suficientes de indivíduos para a transmissão dadoença em regiões onde as temperaturas médias sejam cerca de 20-30 °C, e humidade alta.Só os mosquitos fêmeas picam o homem e se alimentam do seu sangue. Os machos vivem deseivas de plantas (Internet, Endereço Nº22). 4.4.4. Prevenção/Tratamento/CuraAinda não há uma vacina eficaz contra a malária, havendo apenas estudos de alcance reduzido(Internet, Endereço Nº22).A melhor medida de prevenção, até o momento, é a erradicação do mosquito Anopheles quetransmite o parasita Plasmodium, que causa a doença. Ultimamente, o uso de insecticidaspotentes mas tóxicos, proibidos no ocidente, tem aumentado porque os riscos da malária sãomuito superiores aos do insecticida (Internet, Endereço Nº22).O uso de redes contra mosquitos é eficaz na protecção durante o sono, quando ocorre agrande maioria das infecções. Os cremes repelentes de insectos também são eficazes, masmais caros que as redes. A roupa deve cobrir a pele nua o mais completamente possível dedia. O mosquito não tem tanta tendência para picar o rosto ou as mãos, onde os vasossanguíneos são menos acessíveis, enquanto as pernas, os braços ou o pescoço possuem vasossanguíneos mais acessíveis. A drenagem de pântanos e outras águas paradas é uma medidade saúde pública eficaz (Internet, Endereço Nº22).Em 2010, investigadores israelitas desenvolveram um açúcar tóxico, baptizado como attractivetoxic sugar bait (ATSB), para eliminar o mosquito transmissor da malária. Os testes realizadosnuma região semi-árida do Mali demonstraram a eficácia na redução de mosquitos de ambosos sexos em até 90% (Internet, Endereço Nº22). Página 36
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011O tratamento farmacológico da malária baseia-se na susceptibilidade do parasita aos radicaislivres e substâncias oxidantes, morrendo em concentrações destes agentes inferiores àsmortais para as células humanas. Os fármacos usados aumentam essas concentrações(Internet, Endereço Nº22).A quinina (ou o seu isómero quinidina), um medicamento antigamente extraído da casca daCinchona, é ainda usada no seu tratamento. No entanto, a maioria dos parasitas já éresistente às suas acções (Internet, Endereço Nº22).A quinina foi já suplantada por drogas sintéticas mais eficientes, como quinacrina, cloroquina,e primaquina. É frequente serem usados cocktails (misturas) de vários destes fármacos, poishá parasitas resistentes a qualquer um deles por si só. A resistência torna a cura difícil e cara(Internet, Endereço Nº22).Ultimamente a artemisinina, extraída de uma planta chinesa, tem dado resultadosencorajadores. Produz radicais livres em contacto com ferro, que existe especialmente nahemoglobina no interior das hemácias, onde se localiza o parasita. É extremamente eficaz emdestruí-lo, causando efeitos adversos mínimos. No entanto, as quantidades produzidas hojesão insuficientes. No futuro, a cultura da planta artemisina na África poderá reduzirsubstancialmente os custos. É o único fármaco antimalárico para o qual ainda não existemcasos descritos de resistência (Internet, Endereço Nº22). 4.4.5. Ciclo de Vida do Parasita Fig. 18 - Ciclo de Vida do Parasita da Malária. Adaptado: (Internet, Endereço Nº31) Página 37
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 4.5. Tripanossomíase Africana/Doença do Sono A doença do sono ou tripanossomíase africana é uma doença frequentemente fatalcausada pelo parasita unicelular Trypanosoma brucei (Internet, Endereço Nº24). Há duas formas: uma na África Ocidental, incluindo Angola e Guiné-Bissau, causada pelasubespécie T. brucei gambiense, que assume forma crónica, e outra na África Oriental,incluindo Moçambique, causada pelo T. brucei rhodesiense, forma aguda. Ambos os parasitassão transmitidos pela picada da mosca tsé-tsé (moscas do género Glossina que são o seuvector de transmissão) (Internet, Endereço Nº24). 4.5.1. Epidemiologia A doença do Sono ocorre apenas em África, nas zonas onde existe o seu vector, a moscatsé-tsé. Não existe na África do Sul nem a norte do deserto Saara. A subespécie gambienseexiste apenas a oeste do vale do grande rift africano, nas florestas tropicais, sendo umproblema grave em países como o Congo, Camarões e Norte de Angola. A transmissão éprincipalmente de humano para humano, com menor importância dos reservatórios animais.As moscas transmissoras são as Glossina palpalis, que se concentram junto aos rios, lagos epoços (Internet, Endereço Nº24). A subespécie rodesiense existe a leste do grande rift, principalmente na região dosgrandes lagos, nas savanas: Tanzânia, Quénia, Uganda e Norte de Moçambique. Os antílopes,gazelas e animais domésticos são reservatórios importantes do parasita. Esta subespécie étransmitida pelas moscas Glossina morsitans (Internet, Endereço Nº24). Fig. 19 - Mapa da distribuição geográfica da Doença do Sono em África. Adaptado: (Internet, Endereço Nº25) Página 38
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 4.5.2. Sintomatologia/Diagnóstico Os sintomas iniciais e recorrentes são a febre, tremores, dores musculares e articulares,linfadenopatia (gânglios linfáticos aumentados), mal estar, perda de peso, anemia etrombocitopenia (redução do número de plaquetas no sangue) (Internet, Endereço Nº24). Na infecção por T. rodesiense pode haver danos cardíacos com insuficiência desse órgão.Há frequentemente hiperactividade na fase aguda (Internet, Endereço Nº24). Mais tarde surgem sintomas neurológicos e meningoencefalite com retardação mental.Na infecção por T. gambiense a invasão do cérebro é geralmente após seis meses deprogressão, enquanto o T. rodesiense pode invadi-lo após algumas semanas apenas. Sintomastípicos deste processo são as convulsões epilépticas, sonolência e apatia progredindo para ocoma. A morte segue-se entre seis meses a seis anos após a infecção para o T. gambiense, equase sempre antes de seis meses para o T. rodesiense. O Trypanosoma brucei é um dosparentes do Trypanosoma cruzi (causador da Doença de chagas) (Internet, Endereço Nº24). O diagnóstico é geralmente pela detecção microscópica dos parasitas no sangue oulíquido cefalo-raquidiano. Também se utiliza a inoculação do sangue em animais de laboratórioou a detecção do seu DNA pela PCR (Internet, Endereço Nº24). Fig. 20 - Fotografia da Mosca tsé-tsé, vector da Doença do Sono em África Adaptado: (Internet, Endereço Nº26) Página 39
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011 4.5.3. Prevenção/Tratamento/Cura As Glossina, ao contrário de quase todos os outros insectos que picam humanos, sãomais activas de dia, logo dormir com redes apesar de aconselhado, não protege tanto comoprotege contra malária, cujo mosquito é noturno (Internet, Endereço Nº24). É necessário usar roupas que cobrem a maioria da pele e sprays repelentes de insectos.O uso de aparelhos eléctricos luminosos que atraem e matam as moscas é útil. A destruiçãodas populações de moscas é eficaz para a erradicação da doença (Internet, Endereço Nº24). Na fase aguda, o tratamento com pentamidina é eficaz contra T. gambiense, e asuramina contra T. rhodesiense. No entanto a resistência é crescente a estes fármacos. Nafase cerebral, já poderá haver danos irreversíveis. É necessário usar o tóxico melarsoprol, quemata sem ajuda do parasita 1-10% dos doentes, ou no caso do T. gambiense, a eflornitina(Internet, Endereço Nº24). 4.5.4. Ciclo de Vida do Parasita Fig. 21 - Ciclo de Vida do Parasita da Doença do Sono. Adaptado: (AMABIS & MARTHO, 1991) Página 40
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 20115. Quadro-Síntese Doença Parasita Síntomas Transmissão Dores Entamoeba Água e alimentos Amebíase abdominais, histolytica contaminados diarreia, náuseas Ulcerações naso- Mosquito Leishmaniose Leishmania buco-faringo- Phlebotomos laringeana Doença de Tripanossoma Cardiomegalia, “Barbeiro” Chagas cruzi hipertensão Letargia, Tripanossoma sonolência, atacaDoença do Sono Mosca Tsé-Tsé gambiensi o sistema nervoso central, anemia Acessos de febre, Malária Plasmodium Anopheles calafrios, anemia Página 41
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 20116. Análise do Estudo Estatístico no Âmbito Escolar Nos passados meses de Janeiro e Fevereiro de 2011 o grupo dirigiu um estudo estatísticono âmbito escolar [através de um inquérito (Anexo I)], com o propósito de avaliarconhecimentos básicos dos alunos de diversas turmas e anos do ensino secundário sobre otema “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?”, tendo inquirido um totalde 100 alunos de 31 turmas. O inquérito dirigia-se a alunos dos dois sexos, já que uma dasvertentes estatísticas a ser tratada seria a disparidade de conhecimentos entre SexoMasculino/Sexo Feminino. As vertentes que pretendíamos estudar eram as seguintes: Diferença de resultados entre os sexos; Homogeniedade entre turmas do mesmo curso/da mesma área de ensino; Diferenças dos resultados entre alunos das turmas de cursos da área Cíentifica e alunos de outras àreas curriculares; Influência das aulas de Biologia no conhecimento do assunto; Aprendizagem gradual da Biologia e comparação entre as turmas do 10º ano de Biologia/Geologia, as turmas de 11º ano e as turmas que já não frequentam essa disciplina por estarem no 12º ano, mas que, possivelmente frequentam Biologia de 12º ano, como discilpina opcional. Posteriormente à correcção dos inquéritos elaborámos uma folha de cálculo [Anexo II]com os resultados dos mesmos, bem como a respectiva análise objectiva, sob a forma damédia das classificações obtidas. A partir dessa base de dados elaborámos vários gráficosrepresentativos das médias calculadas anteriormente [Anexo III], os quais foram alvo danossa reflexão e dos quais deduzimos as conclusões que seguem: Com uma média Global de 65,5% podemos tomar os resultados como satisfatórios e considerar que os alunos estão relativamente informados sobre o tema; Com uma disparidade de cerca de 20% (73% contra 53%) entre os alunos das turmas de ciências e os restantes, podemos concluir que estes se encontram muito mais informados sobre o tema, talvez fruto das aulas de Biologia que frequentam; Os alunos do 12º ano registam as melhores classificações; No universo dos inquiridos do sexo Masculino e Feminino, que frequentam cursos Científicos, verifica-se que há uma melhoria global dos resultados à medida que avançamos no ano de escolaridade, ou seja os alunos do 12º ano, demonstram mais uma vez ser os mais informados sobre o tema ao passo que os do 10º ano sabem menos; Página 42
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 2011No universo dos inquiridos de ambos os sexos que frequentam cursos não-cientificos,podemos verificar que há uma baixa gradual dos resultados com o avançar do ano deescolaridade, o que nos permite induzir que os alunos vão esquecendo a matéria queaprenderam no ensino básico, piorando assim os seus conhecimentos sobre Biologia,dado que não frequentam a disciplina;Entre alunos das mesmas turmas os resultados foram semelhantes;Finalmente é razoavel concluir que os inquiridos do sexo feminino sabem mais sobre otema do que os do sexo Masculino, o que se reflectiu numa pequena disparidade de 2%nas classificações médias globais. No entanto, se atendermos apenas às classificaçõesdos alunos que frequentam cursos cíentificos, esse fosso acentua-se ligeiramente para os2,3%. Página 43
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 20117. Conclusão Os protozoários são parasitas unicelulares, constituidos por apenas uma célulaeucariótica. Apesar desta sua aparente simplicidade, estes seres são causadores de umapercentagem bastante significativa das doenças mundiais, sendo que as parasitoses porprotozoários, tem pelo menos uma doença entre as cinco com maior incidência ao nível globale com maior mortalidade (Malária - 2,7 milhão de mortes por ano, 2.800 crianças por dia). Sócom estes dados, conseguimos depreender a importância do estudo destes seres para aevolução do sector da saúde e da biologia em geral. Devido ao facto de muitas parasitoses estarem, inicialmente, confinadas a um localrestrito do globo, onde são endémicas, poderiam em principio ser controladas para que nãochegassem ao ponto de serem doenças à escala global, no entanto, com as viagensintercontinentais que são feitas actualmente, os vectores destas doenças ou mesmo ospróprios protozoários, “viajam” também para outros locais, contribuindo assim para aexpansão da doença à escala global. Esperamos ter transparecido que os parasitas são uma causa muito importante dedoenças em humanos em países desenvolvidos e em países mais pobres e a luta contra asparasitoses, que tem vindo a ser travada a nivel global é bastante importante para a suacontenção, pelo que é importante que a comunidade se mantenha informada. Enquanto nalgumas zonas geográficas foi atingido um certo nivel de controlo sobre asparasitoses intestinais quer pela implementação de medidas sanitárias, tais como, otratamento de águas e dejectos, e campanhas de higiene pessoal, quer pela maior informaçãoque os habitantes possuem, o mesmo não se pode dizer, de doenças como a malária, quecontinuam a ter grande taxa mortalidade, sobretudo em países tropicais de 3º mundo mastambém em países bastante desenvolvidos. Com este trabalho, pensamos que conseguimos demonstrar a importância que estasdoenças representam na actualidade, até no contexto nacional, o que consideramos serimportante já que, para além de o número de casos destas doenças ser crescente no nossopaís e a nível mundial, o número de imuno-deprimidos, como portadores de SIDA, porexemplo, tem vindo a aumentar, promovendo assim a disseminação destas parasitoses. Esperemos que, ao deixarmos esta informação ao serviço da comunidade, estejamos acontribuir para uma maior prevenção contra este tipo de patologias de forma a queconsigamos ter uma qualidade de vida crescente, o que no fundo, é o objectivo de todos nós. Página 44
    • “Protozoários, que patologias provocam na espécie humana?” Março 20118. Referências Bibliográficas AMABIS, J. & MARTHO, G. (1991). Curso Básico de Biologia. Volume 2 – Os seres vivos. pp 50-68 BARNES, R. & RUPPERT, E. (1956). Zoologia dos Invertebrados. pp 9-66 ELSEVIER, E. (2005) in MARR, J. & BERGER, S. Human parasitic Diseases. pp 162-281 LUMSDEN, W.H.R & McMILLAN, A. (2002), in FERREIRA, Wanda & DE SOUSA, João Carlos (2002). Microbiologia. Lidel Editora. Volume 2. pp 1039-1081 MARGULIS, L. & SAGAN, D. (1986). As origens do sexo. pp 112-123 TAVIRA, Luís Távora, (1975), in DA FONSECA, Ramiro (coord.). Livro da Saúde e da Doença. Terra Viva Editora. pp 407-4559. Referências Cibergráficas 1. Http://pt.wikipedia.org/wiki/Parasitologia (21/02/11) 2. Http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/protozoarios.htm (21/02/11) 3. Http://pt.wikipedia.org/wiki/Protozo%C3%A1rio (11/10/10) 4. Http://www.dbi.ufla.br/Ledson/LBMP/Protoz23.htm (21/02/11) 5. Http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/reino-protista/reino-protista-1.php (21/02/2011) 6. Http://geocities.ws/mundodosinvertebrados/amebas.html (28/02/2011) 7. Http://arstechnica.com/science/news/2006/01/2288.ars (10/03/2011) 8. Http://pt.wikipedia.org/wiki/Leishmania (10/03/2011) 9. Http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Leishmania_donovani_01.png (10/03/2011) Página 45
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