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Materialidades da comunicação e participação política na internet: potências e limitações
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Materialidades da comunicação e participação política na internet: potências e limitações

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Artigo apresentado na ABCiber 2010 (UFRJ).

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  • 1. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 1 Materialidades da comunicação e participação política na internet: potências e limitações1 Rodrigo Carreiro2 UFBA (Universidade Federal da Bahia) Resumo Diante da discussão acerca das possibilidades democráticas da internet, o presente artigo visa contribuir para o debate ao abordar a questão da perspectiva das materialidades da comunicação (GUMBRECHT & PFEIFFER, 1994). Tal linha teórica trata o suporte material do meio e suas características como determinantes de processos midiáticos, inclusive a utilização que se faz da internet em busca de novos ideais democráticos, engajamento cívico e participação política. Para tanto, analisamos tópicos de argumentação das possibilidades democráticas da internet, dimensionando-os com posicionamentos quanto à materialidade da internet e da forma como essa pode influenciar a participação política em rede, seja em nível potencial ou limitador. Palavras-chave: materialidades; comunicação; democracia; internet 1.0 – Introdução O surgimento de novas tecnologias da informação e comunicação sempre esteve relacionado à transformação de práticas sociais. No caso da política e da democracia, novos meios de comunicação suscitam debates em torno do acesso à informação, fator intimamente ligado à possibilidade de participação e engajamento político dos cidadãos. Isso ocorreu, e ainda ocorre, em relação à internet, mesmo que o contexto político mundial aponte para a consolidação da democracia representativa ao redor do globo. Inegavelmente, a rede mundial de computadores trouxe consigo novos elementos que injetaram uma certa “novidade” no campo das ações políticas, mobilização, acesso à informação política e transparência do Estado (COLEMAN; BLUMLER, 2009). A partir disso, a lógica legitimadora de participação civil na esfera política ganha outro dispositivo, encontrando na internet novas possibilidades técnicas de acesso à informação e acionamento ideológico. A esperança defendida por muitos foi de que a internet suprisse algumas deficiências do Estado democrático participativo, que sofre do hiato existente entre a esfera 1 Artigo científico apresentado ao eixo temático “Políticas, Governança e Regulação da Internet”, do IV Simpósio Nacional da ABCiber. 2 Especialista em convergência midiática e mestrando do PPGCCC (Facom-UFBA). Membro do Grupo de Pesquisa Comunicação, Internet e Democracia.
  • 2. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 2 política (interesses dos representantes do Estado e do próprio Estado) e a esfera pública (anseios e necessidades da população) (GOMES, 2005a). Argumentos demonstram que por um lado a internet é o local das novas disposições políticas e ambiente propício para democracia mais horizontal (LEMOS, 2009; LÉVY, 1999; CANAVILHAS, 2009; RHEINGOLD, 2002), enquanto que outra linha acadêmica entende que a internet não altera a força democrática do cidadão (KEETER et al, 2002; ZUKIN et al, 2006; ESTER & VINKEN, 2003). A fim de contribuir para o debate, o presente artigo apresenta a discussão do tema sob a luz das materialidades da comunicação, programa de pesquisa formulado inicialmente por Gumbrecht & Pfeiffer (1994) e que entende o suporte material dos meios como determinante dos processos midiáticos. Partindo do pressuposto de que as tecnologias “permitem” práticas sócio-culturais próprias, analisamos as potências e limitações da internet em direção à democracia sob a perspectiva da materialidade da internet. Discutiremos como essa materialidade pode influenciar no engajamento cívico ou participação política, seja no âmbito potencial ou limitador. 2.0 – Engajamento cívico e participação política na internet A discussão em torno das potencialidades e limitações da democracia face às utilizações da internet surgiu no hiato de dois aspectos que falharam. Primeiro, no “cardápio restrito” (GOMES, 2005b) de ferramentas oferecidas pelo Estado para aproximação entre população e Estado, seja no âmbito de participação política local, regional ou nacional; e segundo, na falha do jornalismo em ser uma alternativa fiscalizadora as ações desse mesmo Estado. “O papel democrático primário dos meios e agentes da comunicação de massa é funcionar como cão de guarda a vigiar o Estado, em defesa do interesse público ou do domínio da cidadania” (GOMES, 2005a, p. 215). A internet, portanto, teria o desafio de agregar, em uma rede global de inteligência (LÉVY, 1999), todos os cidadãos interessados em se aproximar das decisões políticas, seja através de discussões públicas, promovendo mobilizações, propondo ações afirmativas, dentre outras situações. Então, diversas iniciativas tentaram dar poder ao cidadão no sentido de se aproximar das decisões políticas (FLEW; WILSON, 2010) – ou então o próprio Estado dispôs algumas ferramentas para promover accountability e orçamentos participativos (SAMPAIO, 2010a), só para ficar em dois exemplos. A partir disso, a lógica legitimadora de participação civil na esfera política ganha outro dispositivo, encontrando na internet novas possibilidades
  • 3. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 3 técnicas de acesso à informação e acionamento ideológico. De qualquer modo, é perigoso falar em “crise” na democracia: Como aponta Gomes (2005b, 2007), nunca houve tantos países no mundo que adotassem o regime democrático, as teorias sobre democracia avançaram em décadas o que foi preciso séculos no passado e, finalmente, a idéia de democracia nunca esteve em tão alta conta. A “crise”, segundo o autor, está, como apontado acima, nas práticas, instituições e valores da política contemporânea que se afastam da democracia desejável (Gomes, 2005b, p. 58). (SAMPAIO, 2010b). Como os valores políticos, refletidos em seus representantes, sofrem de certo desgaste, Vitale (2007) expõe duas situações limites que apontam para o enfraquecimento da representação política. Primeiro, existe um déficit na prestação pública de contas, o que “borraria” o entendimento da população das ações do Estado. Segundo, os representantes do povo não conseguem se alinhar a interesses em comum que justifiquem suas decisões. É dentro dessas falhas, portanto, que se devem criar novas iniciativas, dispositivos e ferramentas democráticas capazes de ampliar o elo entre políticos e população para camadas mais efetivas de ação. Lévy (1999) e toda uma tradição de cibercultura vêm defendendo que o ciberespaço não deve servir apenas como repositório de atividades comerciais ou de entretenimento. Deve também dar base para formação do que ele chama de “inteligência coletiva”, um processo social que resulta da conversação e distribuição do conhecimento em escala global, ligada em rede, resultando em “enriquecimento” mútuo. 3.0 – As materialidades da comunicação Antes de tentar se aprofundar na teoria em questão, é preciso ter noção que sua aplicabilidade em qualquer processo comunicacional depende do contexto social e histórico em que está sendo produzido. A internet, a qual, em parte, estudaremos nas páginas seguintes, é fruto de um contexto democrático próprio, uma vez que suas concepções globais de acesso e exploração são reflexos diretos das democracias contemporâneas, da abertura de mercados, globalização e rápida evolução das tecnologias da informação e comunicação. Por outro lado, essa mesma internet também tem o poder de nos fazer repensar concepções sobre práticas tradicionais, como a democracia, por exemplo, e buscar objetivos reconfigurados. A partir dessa relação dialogante, podemos observar que as tecnologias “permitem” práticas sócio-culturais próprias, na medida em que “o significado da tecnologia na comunicação não está na sua funcionalidade” (TANG, 2006, p. 2). É a relação dessa funcionalidade com o uso material que o homem faz que vai produzir resultados e
  • 4. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 4 representações de mundo. Então, a partir da criação de uma nova tecnologia, vemos nosso “mundo” se modificar pela reutilização de antigas técnicas – que, em certo nível, são repensadas – e apropriação de novas, essa já “moldadas” pela articulação das anteriores (DUARTE, 2007). Por ser um processo multifacetado e que desperta interpretações em vários níveis da comunicação, as materialidades podem servir como um amplo quadro de análise desses fenômenos. Em linhas gerais, praticamente qualquer campo pode ser pensado sobre a ótica das materialidades. Como observa Felinto (2001), o que importa “é a busca por um novo modo de encarar os objetos culturais” (p. 10), por isso que é possível projetar suas bases de análise em direção à internet, o ciberespaço e as relações que se estabelecem nesse ambiente. No entanto, é preciso ter cautela ao abordar as materialidades na comunicação. O campo das teorias da comunicação tem tradição consolidada em diversos aspectos e caminho tortuoso em outros, o que nos leva, portanto, a tratar a teoria em questão sem tentativas de estabelecer definições e aplicações definitivas. Enfatizamos que a escolha por um novo caminho teórico nesse artigo é na tentativa de problematizar o assunto em questão e ampliar os horizontes relacionados à mediação das novas tecnologias da informação e comunicação, política e o usuário. Então, além do nível da interpretação, existe um nível “inalcançável”, que serve como ponto de partida para o processo comunicacional: as materialidades (FELINTO, 2001). A gênese do programa de pesquisas está nos estudos literários, conduzidos pelo professor Gumbrecht e que têm referência de outros campos e autores da comunicação, como Marshall McLuhan e Walter Benjamin. “Materialidade da Comunicação (MdC) é um programa de pesquisa, que pretende indagar sobre as condições, o lugar, o suporte e as modalidades de produção de sentido, que, por si, são isentos de sentido” (HANKE, 2005, p. 2). Portanto, falar em materialidades é ter a noção de que todo ato de comunicação pressupõe um suporte material para se formar. Pela teoria das materialidades devemos reconhecer o papel dos artefatos e dos atores na comunicação. É, portanto contra a imaterialidade da comunicação que essa teoria surge. Para Gumbrecht, o sentido não deve se sobrepor ao suporte e à materialidade. Isso, no entanto, não significa que seja impossível uma interpretação do processo comunicacional (LEMOS, 2010, p. 6). Mcluhan (1962) e seus estudos sobre comunicação também seguem linha parecida. Para o autor, se o “meio é a mensagem”, então o meio é também definidor de parâmetros limitadores e potencializadores da informação. O meio vai além da simples transmissão de mensagem, pois ele permite (ou força) a transformação do ambiente midiático já formado.
  • 5. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 5 Mais do que isso, “constrói espaço e tempo e desenvolve sociabilidade específica entre pessoas como também entre pessoas e os objetos mediados” (TANG, 2006, p.9). Isso é perceptível nas relações diárias que estabelecemos, desde a forma como vemos televisão, passando pelo modo como lidamos com correspondências (virtuais ou não), até na maneira como procuramos garantir nossos direitos civis. Então, o sentido perderia importância para a concepção material do meio? Para Gumbrecht (2004) isso não é o mais importante, e sim a noção de que a produção de sentido só se concretiza a partir do diálogo entre formas materiais. Felinto (2001) exemplifica essa lógica recorrendo à primeira instância da teoria, isto é, os estudos literários. Esses têm papel fundamental para formação do pensamento das materialidades, visto que a teoria carrega a ideia de repensar o texto para além do próprio sentido, levando em consideração experiências de leituras particulares, contexto histórico e a forma como a pessoa tem acesso ao conteúdo. A ideia do “não-hermenêutico” de Gumbrecht é, antes de qualquer coisa, provocadora. Não tem um sentido substitutivo nem muito menos vem para criticar profundamente a hermenêutica. Essa também é a intenção do presente artigo, que permanece com suas bases fincadas naquilo que Hanke (2005) chama de dicotomia entre “uma materialidade, uma presença de coisas e situações num nível de „realidade‟ fora da interpretação, e, de outro lado, as respectivas interpretações” (p. 2). Essa imbricada relação leva ao entendimento de que não só o agente humano é reflexo do contexto social, mas também as tecnologias que são produzidas. Pode-se dizer, portanto, que “cada prática de armazenamento e transmissão de informação tem uma história material que diz tanto dos produtos e usos das tecnologias quanto da noção de sujeito” (DUARTE, 2007, p. 48). Há uma espécie de mediação mútua, que muito tem, em sua concepção primeira, dos elementos de sua própria materialidade. Essa noção parece bastante interessante para entender como as pessoas podem se apropriar da internet para fins democráticos, buscar garantias cidadãs, lutar por direitos cívicos e se engajar em causas de bem comum. No caso da rede mundial de computadores e das novas tecnologias da informação e comunicação, o estudo das materialidades lida com o “não palpável” e com o fluxo de bits “invisíveis”. São os bancos de dados e suas especificações, códigos e processos; interfaces acessíveis ou não; conexão banda larga ou lenta; habilidade técnica etc. Todos fatores no âmbito da materialidade específica da internet e que vão determinar o uso que será feito dela. 4.0 – Materialidades da internet e democracia: potências e limitações
  • 6. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 6 No campo da comunicação, estudos sobre internet e democracia trilham diversos caminhos, como já apontado na primeira parte desse artigo. A intenção dessa parte é pensar a participação política e os potenciais democráticos da internet através da teoria das materialidades da comunicação, buscando entender como a materialidade da internet pode influenciar no engajamento cívico, seja no nível potencial ou limitador. O objetivo é que possamos contribuir para um debate que aproxime as áreas de comunicação política e cibercultura. Para fins de sistematização, iremos adotar uma categorização de potenciais democráticos da internet que foi resumida e discutida por Gomes (2005b). Como lembra o autor, “sem pretender, com isso, uma síntese das sínteses, mas apenas produzir um sumário do debate” (p. 66), nossa abordagem enumera sete blocos temáticos e faz a respectiva discussão. Além disso, essa categorização segue argumentos de vantagens democráticas da internet apresentada por outros autores (LÉVY, 1999; SAMPAIO, 2010; COLEMAN & BLUMLER, 2009; BIMBER, 2001; SILVA, 2009): a) Superação dos limites de tempo e espaço para a participação política. De uma maneira geral, vivemos atualmente em um espaço de fluxos (dinheiro, informação, tecnologia etc.), e é esse espaço que irá se refletir nas relações sociais e na produção de conteúdo na internet (CASTELLS, 1999). Se temos cada vez mais informação circulando em rede, temos também inúmeras ferramentas que contribuem para isso, inclusive em busca de efeitos democráticos. Tratamos de fluxos de conteúdos cada vez mais robustos, super vias do conhecimento global em constante colaboração e, como afirma Lévy (1999), ambientes interligados por nós. Esses são formados também por dados, que seriam, na visão de Manovich (2001), condicionadores de relações sociais e de como entendemos nós mesmos. Talvez não tão determinantes, mas que implicam ações diretas, como novas formas de acessar informação política, por exemplo, e como agir diante de uma nova possibilidade de engajamento cívico. Com dados e tecnologia de acesso disponíveis, as pessoas têm a potencialidade de engendrar estratégias cognitivas diferentes, levar à frente ações mais efetivas de democracia e moldar realidades sociológicas, ideológicas e imaginárias da sociedade contemporânea. A característica desterritorializante da internet põe o cidadão num jogo político mais complexo ainda, pois qualquer cidadão pode se comunicar com pessoas de qualquer lugar do mundo. Isso não acontecia com as mídias de massa. As mídias de funções pós-massivas (LEMOS, 2007), como a internet, permitem uma conexão global sem obstáculos e,
  • 7. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 7 principalmente, sem intermediários. Daí que emergem iniciativas que visam uma junção global de esforços na defesa de causas genéricas da população mundial, como meio ambiente. Ongs e entidades do gênero continuam sua atuação “offline”, mas utilizam da materialidade desterritorializante da internet para angariar mais seguidores e lutadores da mesma causa. Além disso, a mesma característica propicia disseminação de cada vez mais informação pública, o que gera a criação de novas iniciativas por parte da esfera civil no sentido de cobrança de atitudes políticas e acompanhamento a partir dessa publicação. b) Extensão e qualidade do estoque de informações on-line. Algumas características materiais da internet podem ser importantes para pensar o engajamento cívico do ponto de vista da quantidade de informação disponível. É possível, por exemplo, acessar uma infinidade de informações das mais variadas fontes existentes, fato esse que contribui para o que alguns autores apontam como o grande problema da falta de participação política: a pouca informação. Antes da internet, obviamente, era possível ler em bibliotecas, informar- se com vizinhos e amigos, ver televisão etc. A partir disso, criaria uma “camada” de informação que subsidiaria argumentos e pensamentos em direção a processos democráticos, desde participação em reuniões de bairro, passando por discussões políticas em âmbito local, até o engajamento em causas maiores. A supressão do espaço tratado no tópico anterior faz da internet um meio em que praticamente não há limite para tal. A estocagem pode ser feita de várias formas e é justamente nesse ponto que reside um importante ponto a ser discutido. A informação na internet não tem “cara”, não se apresenta de forma igual para todos, pois é possível disponibilizá-la e acessá-la por inúmeras plataformas. Manovich (2001) trata essa característica como a que dá base de sustentação das novas mídias. A transcodificação transforma a mídia em dado de computador, em códigos baseados em “zeros” e “uns”. Mesmo considerando que textos digitalizados ainda são sentenças gramaticais, continua o autor, isso tudo está transcodificado em linguagem de programação computacional. Resgatando Mcluhan (1962) e sua já clássica frase, “o conteúdo do meio também é um meio”, Strate (2008) exemplifica como o meio se reconfigura: o meio do discurso se tornou o conteúdo da escrita, o meio da leitura se tornou a impressão, o meio da impressão se tornou o conteúdo do hipertexto. É justamente esse hipertexto um dos qualificadores da internet como meio que pode servir de base para iniciativas democráticas. No entanto, essa relação dialogante de hipertextos na internet não garante qualidade da informação política, por exemplo. Gomes (2005b) questiona: “Como pode o cidadão comum distinguir num volume
  • 8. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 8 absurdo de informação política entre aquela confiável, veraz e relevante e aquela errônea, distorcida e falsa?” (p. 70). A resposta talvez esteja no que Gumbrecht (2004) chame de “produção de presença”, isto é, “aquilo que é palpável, concreto, evidente, e tem um impacto corporal” (HANKE, 2005, p. 4). A extensão da estocagem de informação é justamente isso: apesar de estar acessível de forma “invisível”, é algo perfeitamente à disposição do uso por parte das pessoas. No entanto, para “digestão” dessa informação é preciso traduzir conteúdo em efeitos de significado, prática que, no âmbito da comunicação política, só ocorre se o cidadão tiver alto nível de educação e renda (KEETER et al, 2002; ZUKIN et al, 2006). c) Comodidade, conforto, conveniência e custo. Com a internet e sua característica de conexão de pessoas em rede, o espaço físico da política se “transporta”, em parte, para o espaço de bits. Já há eleição via internet3 e proposição de emendas a projetos de lei, essa última uma prática até comum no Brasil atualmente4 . É importante entender que a internet dá essa potencialidade aos cidadãos. A comodidade, conforto, conveniência e custo atuam em duas vias. Primeiro, na clara potência de liberação do pólo de emissão da informação, isto é, na possibilidade que o meio internet propicia de forma intrínseca. Mesmo que criada com determinado propósito, o meio se tornou outro quando foi apropriado pelo público, “revirado” e “remixado”. Segundo, a potencialidade também facilita iniciativas de participação no modelo up-down, pois a mesma lógica se repete para o poder público: é mais fácil disponibilizar contas públicas (accountability), mais cômodo e barato. A internet modifica o sentido final do conteúdo público, que seria o que Gumbrecht & Pfeiffer (1994) trata como produção de sentido através (a priori) do elemento material disponível. Exemplo claro disso é o recente vazamento de informações militares da Guerra do Afeganistão, mais de 90 mil documentos que, se estivessem fisicamente dispostos a qualquer cidadão do mundo, dificilmente atrairia tanta atenção. Transformados em bits e organizados em base de dados acessíveis globalmente, esses documentos se reconfiguram, tornam-se passíveis de múltiplas utilizações. E são informações que podem perfeitamente servir para fomentar manifestações públicas, mobilização popular e engajamento contra a guerra. Além disso, como veremos no tópico “e”, o acesso global à informação pública questiona forças de pressão e poder. 3 Países como Suíça e Estônia já realizaram eleições on-line, com votação feita via computador pessoal: http://tek.sapo.pt/noticias/internet/suica_efectua_primeira_votacao_via_internet_c_878449.html; http://www.dnt.adv.br/noticias/direito-eleitoral/estonia-um-pais-onde-ate-a-votacao-nacional-e-online/. 4 Sites do Governo Federal disponibilizam ferramentas que permitem discussões sobre leis a serem aprovadas, além de realização de audiências públicas on-line, como no: http://www.edemocracia.camara.gov.br.
  • 9. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 9 d) Facilidade e extensão de acesso. Basicamente, parece claro a noção de que é preciso traduzir códigos técnicos e de linguagem para que se possa consumir uma mensagem midiática. O alcance do acesso a determinada tecnologia pode depender de diversos aspectos e quando se fala de internet um dos temas mais comentados é a exclusão digital, principalmente em países subdesenvolvidos. Porém, no contexto do presente artigo, a dificuldade de acesso tem dois níveis. O primeiro é o mais óbvio, que é verdadeiramente o alcance da internet, genericamente falando, na dimensão de disponibilização do acesso primeiro da rede mundial de computadores. O segundo se refere ao nível em que o cidadão já está conectado e navegando “perfeitamente”, porém encontra dificuldade no acesso à informação política, gastos públicos, grupos de ativistas etc. Esse acesso à informação, já tratado em parte aqui, pode se transformar em atitudes políticas mais direcionadas. A literatura de materialidades da comunicação fala em “afford”, na perspectiva de que as tecnologias “permitem” certas práticas sociais, isto é, a funcionalidade per se não existe (TANG, 2006), o que existe é a utilização dessa funcionalidade para produzir resultados e representações de mundo. Por isso que é necessário obter a habilidade de quebra de códigos técnicos e de linguagem, a verdadeira “transdução” do meio. Voltando ao exemplo do Wikileaks, qual o propósito de ter documentos secretos revelados se não houver habilidade em traduzir isso em atitudes efetivas? Para a imprensa parece mais fácil, pois já há certa tradição nisso, mas para o público em geral5 pode haver constrangimento técnico. De qualquer forma, a oportunidade de acesso que a internet proporciona não é compartilhada por outros meios de comunicação, principalmente se formos pensar em termos de transparência e abertura (GOMES, 2005b). e) Sem filtros nem controle. Ainda que um “novo mundo” de possibilidades comunicacionais se abra no simples conectar da internet, há de se relativizar sua força comunitária global. Steinberg (2004) tem uma visão cautelosa quanto a isso. Embora admita que o poder de circulação da informação esteja mais diluído, o autor acredita que novas formas de poder surjam ou simplesmente se transportem para o “mundo on-line”. Ele busca na materialidade da internet subsídios para afirmar que a própria lógica de funcionamento técnico da internet gera sistemas de controle. Obviamente que não são sistemas semelhantes aos da transmissão em massa, como a TV, que concentra poder na produção e distribuição, não no consumo. Para internet, sobretudo no atual cenário, a possibilidade é de vetores de 5 Talvez para heavy users e nativos digitais haja mais facilidade.
  • 10. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 10 produção, transmissão e consumo mais horizontais, mas que acabam tendo limitações em sua própria concepção tecnológica. Steinberg (2004) explica que os sistemas de controle de fluxos e a própria arquitetura da rede de redes limita, de certo modo, a circulação de conteúdo. Seja nos endereçamentos de protocolo ou nas conexões estabelecidas por roteadores globais, há sempre algum tipo de poder concebido. Ora, conexões não se formam sozinhas. Elas precisam de “impulso”. Mesmo que se perceba práticas bem descentralizadas, a comunicação na rede ainda mantém centros de pressão e poder. A materialidade específica da internet não trouxe a ideia de comunicação global ou o estabelecimento do mito da biblioteca de Alexandria. Por outro lado, é possível identificar algumas práticas políticas e comunicacionais bem direcionadas e com propósito marcante, sem filtros nem controles. É o caso dos smart mobs (RHEINGOLD, 2002), que problematizam a questão dos movimentos sociais e, principalmente, questionam a emissão de poder desses movimentos. Eles se caracterizam por organizar-se em torno de uma rede complexa de atores sociais, em que uma das características principais é reunião de identidades culturais distintas sem organização central ou hierárquica. Além disso, há um resultado efetivo de ações em espaços públicos, de forma física. Esse é um exemplo em que podemos compreender o caráter potencial da rede em reunir pessoas (o que parece óbvio), ou seja, a materialidade da internet atua de forma quase que natural em conectar destinos diferentes, locus de individualidades que, juntas, formam uma coletividade6 . Porém, essa materialidade em si não garante nenhuma atitude política mais organizada. A materialidade nesse sentido atua em outra dimensão, isto é, ela não determina prática sócio-política, mas sim permite e condiciona em certo alcance. f) Interatividade e interação. Vimos na primeira parte desse artigo como se estrutura a democracia deliberativa, calcada prioritariamente no debate público de idéias. A perspectiva democrática da internet que mais salta aos olhos, portanto, diz respeito à possibilidade de interação entre pessoas – que teria como uma das utilizações possíveis a discussão de temas relacionados à política. E mais: também cria canais de comunicação entre Estado e população, para que o primeiro informe o que está fazendo e também tenha acesso ao que o segundo reivindica. Se a informação é unilateral e advinda do centro do poder apenas, então “falta a esta democracia qualquer sentido de soberania popular que se supere o mero e episódico exercício eleitoral” (GOMES, 2005b, p. 68). 6 O filósofo Pierre Lévy discute a inteligência coletiva em termos de processo social que resulta da conversação e distribuição do conhecimento em escala global, ligada em rede, resultando em “enriquecimento” mútuo.
  • 11. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 11 É perceptível nas atuais apropriações da internet que os usuários não têm postura passiva, como em parte possuem diante da televisão. Web 2.0, mídias locativas, ciberativismo, wikis, são todas ações típicas do atual momento da rede mundial de computadores. Basicamente, tudo isso pode ser usado a favor de um maior engajamento cívico e participação política, pois estamos diante de um meio ainda novo, um working progress global, que não nos permite “acostumar” com elementos estabelecidos. A acoplagem humano-tecnologia é reconfigurada a todo momento, mas mantemos uma característica importante: colaboração. Tal como os primitivos que não conseguem ver um filme e não participar7 (MCLUHAN, 1962), o usuário da internet é parte dela, assim como ela já se tornou parte dele. Obviamente que essa visão tem contrapontos e, no caso do objeto do presente artigo, também apresenta opositores. Sampaio (2010b) lembra que alguns debates poderiam se formar à margem de decisões efetivas e “polarizados por posições extremas e acabariam se tornando trocas de insultos (flames). A competição seria provocativa” (p. 40). Essa não é uma regra, mas pode se tornar uma prática recorrente em ambientes políticos que são repositórios de paixões partidárias, como redes sociais e sites de partidos. Mas se pensarmos em outros dispositivos da web 2.0, constataremos exemplos mais palpáveis em que a criação de uma rede de contatos pode gerar debates mais aprofundados8 . Andrade (2007) chama atenção para o caráter de conexão global de pessoas e instituições. Esse aspecto vem ganhando mais forma com a introdução de novos dispositivos móveis de comunicação, novas ferramentas de geolocalização e redes sociais, que estariam deslocando o centro de atenção do objeto para as pessoas. A materialidade da internet, no sentido da democracia, muda o paradigma de consumo do objeto (televisão, rádio, jornal) para consumo do objeto com outro cidadão. 7 McLuhan (1962), ao analisar o consumo de um filme por uma tribo primitiva, explica que a diferença de percepção de tempo e espaço deles não permitia que "consumissem" um filme da forma que sociedades iniciadas na arte faziam. Para os integrantes da tribo, não havia código social formado sobre como assistir a filmes, além do fato daquela tecnologia ser estranha a seus hábitos. Portanto, a atitude imediata foi a de participação e imitação do que era visto na tela, isto é, a percepção e tradução da tecnologia foi a da colaboração. Com a internet, esse parece ser também um caminho para seu próprio entendimento: desde sua criação, sua lógica remetia à cooperação e ligação em rede, mesmo que para fins completamente diferentes dos de hoje. 8 Iniciativa de engajamento cívico na internet, o Cidade Democrática (www.cidadedemocratica.com.br) se constitui num exemplo de formação de rede social em torno de discussões sobre problemas locais. É possível criar perfil, estar em contato com outros cidadãos e cooperar em debates sobre determinada cidade, propor propostas e apontar problemas. Órgãos das prefeituras e demais entidades políticas também fazem parte da rede. Além desse, o Adote um Vereador (www.adoteumvereador.net) também cria uma rede de cidadãos, só que de blogs que fiscalizam as ações de vereadores da cidade de São Paulo.
  • 12. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 12 g) Oportunidade para vozes minoritárias ou excluídas. Sem barreiras espaciais e físicas, qualquer grupo social marginalizado pode ganhar “terreno” nos bits da internet, saindo do gueto para o mundo. Essa perspectiva libertária é uma das bandeiras mais claras da e- democracia, pois é a partir da ultrapassagem da barreira do desconhecimento que ONGs, grupos, ativistas e pessoas que estavam à margem da hegemonia comunicacional de massa podem passar a ser vistas. Assim, Mcluhan (1962) afirma que o meio é a mensagem porque o usuário é o conteúdo. E o próprio cidadão é portador da sua mensagem na internet. Se não há projeção material num meio físico, cada pessoa pode ter seu quinhão cibernético, local de discussões das mais variadas. O engajamento toma forma a partir de cada usuário, como dito antes, a partir da conexão de individualidades projetadas em ações políticas em busca de uma causa em comum. Esses espaços podem não ser latifúndios comparados à grandes conglomerados de comunicação, mas estão disponíveis para acesso global. Se a internet sozinha não modifica cultura política de participação (GOMES, 2005b; SAMPAIO, 2010; BIMBER, 2001), pelo menos acrescenta mais uma camada de possibilidades informativas e propicia que movimentos sociais se manifestem. O Movimento Zapatista talvez tenha sido umas das primeiras ações efetivas de manifestação política utilizando a internet como meio de mobilização e disseminação de informação, assim como hoje podemos ver movimento de garantia de direitos homessexuais9 se articulando ou até movimentos em busca do fim da corrupção eleitoral10 . 5.0 – Considerações finais Em linhas gerais, as materialidades da comunicação podem ser usadas para estudos dos mais variados – inclusive contribuir para a discussão da internet como modificadora de processos democráticos. Diante de linhas de pesquisas antagônicas, jogamos luz sobre o assunto a partir dessa perspectiva mais voltada para a cibercultura, embora não haja intenção em estabelecer resultados definitivos. Isso significa que o presente artigo é mais um esforço no sentido de entender como a internet potencializa ou enfraquece iniciativas democráticas, exemplificadas no engajamento cívico. Mesmo que haja um hiato entre anseios da população e práticas políticas, a internet não conseguiu se tornar o meio que vai modificar essa situação. Antes vinculada aos meios de 9 http://www.naohomofobia.com.br 10 http://www.mcce.org.br/
  • 13. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 13 comunicação de massa, essa ideia passa a ser vinculada também à internet, pois, como vimos, ela apresenta algumas características que possibilitam mais comodidade de acesso, hiperligação de pessoas e instituições públicas, liberdade de expressão, superação dos limites de tempo e espaço e acesso global à informação. Esse último fator é particularmente importante para entender como uma característica material de determinada tecnologia pode ser determinante para mudança de práticas sociais. Ao promover acesso mais fácil, cômodo e “universal” à informação, a internet pode ser um passo importante para mudança da cultura de iniciativas e interesse político. Um dos pontos primordiais para participação ou engajamento político é a obtenção de informação (KEETER et al, 2002), para que ela possa ser processada, digerida e transformada em atitudes políticas. Uma vez que essa informação está à disposição como nunca antes esteve, pelo menos a primeira etapa do processo já pode ser realizada. Naturalmente, esse parece ser um processo lento. Mesmo que cada vez mais tenhamos pessoas acessando a internet e participando dela, é preciso ainda criar a cultura política necessária para que esses cidadãos transformem informação em atitudes e práticas em direção a novas garantias democráticas. 6.0 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BORGES, Jussara; JAMBEIRO, Othon. Comunicação, digital literacy e participação política: inter-relações, reciprocidades e determinações. In: III Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política. PUC-SP, São Paulo, SP. 2009. BIMBER, Bruce. Information and Political Engagement in America: The Search for Effects of Information Technology at the Individual Level. In: Political Research Quarterly, Vol. 54, No. 1. 2001. CANAVILHAS, João. A Comunicação Política na Era da Internet. Disponível em: http://www.bocc.uff.br/pag/canavilhas-joao-comunicacao-politica-na-era-da-internet.pdf. 2009. Acesso em: 23/07/2010. CASTELLS, Manuel. A Era da Informação: economia, sociedade e cultura. vol. 3, São Paulo: Paz e terra, 1999. COLEMAN, Stephen; BLUMLER, Jay G. The Internet and Democratic Citizenship: theory, practice and Policy. Cambridge University Press, Cambridge, UK. 2009. DUARTE, Fernanda da Costa P. A materialidade dos dispositivos na construção de experiências em net artes. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007.
  • 14. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 14 ESTER, Peter; VINKEN, Henk. Debating Civil Society: On the Fear for Civic Decline and Hope for the Internet Alternative. In: International Sociology, Vol 18(4): 659–680. London, Thousand Oaks, CA and New Dheli. 2003. FELINTO, Erick. „Materialidades da Comunicação‟: Por um Novo Lugar da Matéria na Teoria da Comunicação. In: Ciberlegenda, número 5. 2001. FLEW, Terry; WILSON, Jason. Journalism as social networking: The Australian youdecide project and the 2007 federal election. In: Journalism 11(2) 131–147, 2010. FREWER, Lynn; ROWE, Gene. A Typology of Public Engagement Mechanisms. In: Science Technology Human Values, vol. 30, 251. 2005. GOMES, Wilson. A democracia digital e o problema da participação civil na decisão política. In: revista Fronteiras – estudos midiáticos. VII(3), Unisinos. 2005a. GOMES, Wilson. Internet e participação política em sociedades democráticas. In: Revista FAMECOS, Porto Alegre, nº 27. agosto 2005b. GUMBRECHT, H.U.; PFEIFFER, L.K. Materialities of Communication. Stanford: Stanford University Press, 1994. GUMBRECHT, H.U. Production of Presence: What meaning cannot convey. Stanford University Press, California, 2004. HANKE, Michael Manfred. Materialidade Da Comunicação – Um Conceito Para A Ciência Da Comunicação? In: V Encontro dos Núcleos de Pesquisa (INTERCOM). 2005. KEETER, S., ZUKIN, C., ANDOLINA, M., and JENKINS, K. The Civic and Political Health of a Nation: A Generational Portrait”. CIRCLE and The Pew Charitable Trusts. Disponível em: http://www.civicyouth.org/research/products/youth_index.htm. 2002. Acesso em 25/07/2010. LEMOS, André. Cidade e Mobilidade. Telefones Celulares, funções pós-massivas e territórios informacionais. In: Matrizes, Revista do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação.USP, ano 1, n.1, São Paulo, 2007. LEMOS, André. Nova esfera Conversacional. In: Dimas A. Künsch, D.A, da Silveira, S.A., et al. Esfera pública, redes e jornalismo. Rio de Janeiro, Ed. E-Papers, 2009. LEMOS, André. Você está aqui! Mídia Locativa e teorias “Materialidades da Comunicação” e “Ator-Rede”. In: XIX Encontro da Compós, UFRJ, Rio de Janeiro. 2010. LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999. MAIA, Rousiley. Democracia e a internet como esfera pública virtual: aproximando as condições do discurso e da deliberação. In: Congresso Internacional "Internet, Democracia e Bens públicos" - FAFICH/UFMG, 2001.
  • 15. IV Simpósio Nacional ABCiber - Dias 01, 02 e 03 de Novembro de 2010 - ECO/UFRJ 15 MANOVICH, Lev. The Language of New Media.Cambridge: MIT Press, 2001. MCLUHAN, Marshall. The Gutemberg Galaxy: the making of typographic man. University of Toronto Press, Canadá, 1962. RHEINGOLD, H. Smart mobs: The next social revolution. Cambridge, Mass.: Perseus, 2002. SAMPAIO, Rafael. Participação e Deliberação na Internet: um estudo de caso do Orçamento Participativo Digital de Belo Horizonte. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. 2010a. SAMPAIO, Rafael. Participação política e os potenciais democráticos da internet. In: Revista Debates, Porto Alegre, v.4, n.1, p. 29-53, jan.-jun. 2010b. SILVA, Sivaldo P. Democracia online: pressupostos teóricos e inovações estruturais na comunicação do Estado contemporâneo. In: III Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política. PUC-SP, São Paulo, SP. 2009. STEINBERG, Gustavo. Política em Pedaços ou Política em Bits. Editora UNB, Brasília-DF. 2004. STRATE, Lance. Studying Media As Media: Mcluhan And The Media Ecology Approach. In: Media Tropes e Journal, Vol I, 2008. SWANSON, David L. The Homologous Evolution of Political Communication and Civic Engagement: Good News, Bad News, and No News. In: Political Communication, 17:409– 414, 2000. TANG, Shih-che. "Theorizing Materiality in Communication" In: Annual Meeting of the International Communication Association, Dresden International Congress Centre, Dresden, Germany. 2006. VIDAL, José Adolfo. Activismo e novas Tecnologias de Infor mação e Comunicação (TICs). In: 4º Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, 4º SOPCOM, Comissão Editorial da Universidade de Aveiro, Aveiro, Portugal, 2005. VITALE, Denise. Representação política e participação: reflexões sobre o déficit democrático. In: Rev. Katál. Florianópolis v. 10 n. 2 p. 143-153 jul./dez. 2007. ZUKIN, C., KEETER, S., ANDOLINA, M., JENKINS, K., DELLI CARPINI, M.X. A New Engagement? Political Participation, Civic Life, and the Changing American Citizen. Oxford University Press, EUA, 2006.

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