Terapias Complementares
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Terapias Complementares Terapias Complementares Document Transcript

  • Disciplina: Terapias ComplementaresProfessor: Rodrigo AbreuAula 01 TERAPIA COMPLEMENTARA terapia Complementar ou alternativa é uma terapêutica que foge da racionalidade domodelo médico dominante da medicina especializada, tecnológica e mercantilizada, nomomento em que adota uma postura holística e naturalística diante da saúde e da doença(QUEIROZ,2000).Segundo GERBER (1997), o homem holístico é composto por mente, corpo e espírito, que é asoma de um largo espectro de sistemas de energias interativas. Esses sistemas podem serafetados por nossas emoções, fatores nutricionais, fatores estressantes, de naturezapuramente física, como a exaustão por excesso de trabalho ou sono insuficiente que causamdesequilíbrios físicos e emocionais, podendo a pessoa se tornar vulnerável à doença, entreoutros fatores que podem afetar estes sistemas de energia.A adoção de modelos mecanicistas e reducionistas na formação dos profissionais da área dasaúde e a ênfase nas especializações, fizeram com que se perdesse de vista a totalidade do serhumano.O profissional é levado a crer que somente os dados objetivos, obtidos através de exames, têmvalor, e quanto mais sofisticados eles forem, melhor; com essa visão, o profissional esquece deolhar para o paciente e consequentemente perguntar o que ele está sentindo.  O enfermeiro, também influenciado, fortemente, pelo modelo biomédico e pela tecnologia, desde a sua formação, está esquecendo de assumir uma postura coerente com a natureza humanística da profissão.É necessário libertar-se dos dogmas da modernidade, ser flexível na prática, e sobretudo, terempatia com as novas e complexas necessidades das pessoas sob os seus cuidados, não sepreocuparem apenas com o estado físico do indivíduo, mas com o seu todo, é que se percebeuma profunda identificação das terapias complementares, com a visão holística de cuidado aoser humano.As terapias complementares têm como um dos seu objetivos serem utilizadas visando umatendimento integral, promovendo a saúde do indivíduo assistido e não a doença como nomodelo biomédico. Diante disso, em 2006 o Ministério da Saúde implementou a PolíticaNacional de Práticas Integrativas Complementares no Sistema Único de Saúde (SUS).
  • Evolução das Terapias ComplementaresO modelo biomédico é embasado na visão médica tradicional, que foi criada durante toda ahistória da medicina ocidental baseada no positivismo e no método cartesiano. Este modelo secaracteriza fundamentalmente, por considerar apenas fatores biológicos como etiologia dasdoenças, fato que por sua vez, faz com que os tratamentos fiquem limitados apenas àmedicina.A crença popular de que a utilização de plantas para tratar doenças obtinha resultadossatisfatórios, aos poucos foi sendo substituída pelo uso de remédios industrializados, queatraíam as pessoas com a promessa de cura rápida e total.A partir dos anos 80 e 90 do século passado, frente as várias mudanças engendradas pelomomento político, econômico e também da saúde, algumas práticas populares, dentre elas, ouso terapêutico das plantas medicinais, começaram a ser resgatadas no meio científico, não nosentido de se contraporem às alopáticas, mas de atuarem como complementares às práticasde saúde vigentes.A construção da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS iniciou-sea partir do atendimento das diretrizes e recomendações de várias Conferências Nacionais deSaúde e às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).  O Brasil adotou em função das medicinas alternativas, uma legislação pioneira avançada, apesar do processo atual de degradação de sua rede pública.Para garantir a integralidade da atenção à saúde, o Ministério da Saúde em 2006,implementou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC)no SUS.PORTARIA Nº 971, DE 3 DE MAIO DE 2006Art. 1º Aprovar, na forma do Anexo a esta Portaria, a Política Nacional de Práticas Integrativase Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde.Parágrafo único. Esta Política, de caráter nacional, recomenda a adoção pelas Secretarias deSaúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da implantação e implementação dasações e serviços relativos às Práticas Integrativas e Complementares.Art. 2º Definir que os órgãos e entidades do Ministério da Saúde, cujas ações se relacionemcom o tema da Política ora aprovada, devam promover a elaboração ou a readequação de seus
  • planos, programas, projetos e atividades, na conformidade das diretrizes e responsabilidadesnela estabelecidas.Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.Inserção do EnfermeiroA enfermagem visa o atendimento integral do indivíduo e as terapias complementares vêm aoencontro deste discurso, modificando a visão que o profissional tem sobre o indivíduo, vendo-o como um ser total e não compartimentalizado.Essa prática dá ao enfermeiro uma outra ótica sobre o processo saúde doença e,consequentemente, favorece um cuidado mais qualificado e humanizado, indo além da formaconvencional do cuidar, observando o ser humano em suas múltiplas dimensões física, mental,emocional e espiritual e em relação ao seu meio ambiente, com uma nova visão do sersaudável, novas formas de prevenção, de avaliação e cura da pessoa.O Conselho Federal de Enfermagem/BR (COFEn), através do Parecer Normativo n.º 004/95,reconheceu que as terapias alternativas (Acupuntura, Iridologia, Fitoterapia, Reflexologia,Quiropraxia, Massoterapia, dentre outras), são práticas oriundas, em sua maioria, deculturas orientais, não estando vinculados a qualquer categoria profissional.RESOLUÇÃO COFEN-197/1997RESOLVE:Art. 1º - Estabelecer e reconhecer as Terapias Alternativas como especialidade e/ouqualificação do profissional de Enfermagem.Art. 2º - Para receber a titulação prevista no artigo anterior, o profissional de Enfermagemdeverá ter concluído e sido aprovado em curso reconhecido por instituição de ensino ouentidade congênere, com uma carga horária mínima de 360 horas.Art. 3º - A presente Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se asdisposições em contrário.Rio de Janeiro, 19 de março de 1997.
  • Resolução COFEN nº. 326/2008Regulamenta no Sistema Cofen/Conselhos Regionais a atividade de acupuntura e dispõesobre o registro da especialidade.RESOLVE:Art. 1º - Autorizar o Enfermeiro a usar autonomamente a Acupuntura em suas condutasprofissionais, após a comprovação da sua formação técnica específica, perante o COFEN.Art. 2º - Somente serão aceitos para fins de registro de especialista em Acupuntura noCOFEN, os títulos emitidos por cursos de pós-graduação lato sensu oferecidos porinstituições de ensino ou outras especialmente credenciadas para atuarem nesse níveleducacional e que atendam ao disposto na legislação vigente e comprovar carga horáriamínima de 1.200 horas, com duração mínima de 02 (dois) anos, sendo 1/3 (um terço) deatividades teóricas.Art. 3º - O COFEN anotará no prontuário do Enfermeiro, a qualidade de habilitado à práticada Acupuntura, conforme as regras ditadas na Resolução COFEN nº 261/2001, no quecouber.As terapias complementares e o currículo básico de enfermagemApesar dos currículos de enfermagem estarem preparando enfermeiros para atuar, tanto noâmbito hospitalar, como na comunidade, PATRÍCIO (1993) refere que são poucos os cursos queincluem visões inovadoras com relação ao processo saúde enfermidade, não escapando daabordagem feita pelo modelo biomédico convencional, adotado desde longa data pelaenfermagem brasileira.A inclusão de uma disciplina sobre terapias complementares nos currículos de enfermagem édefendida por PATRÍCIO; SAUPE (1992), pois mostraria aos futuros profissionais um outrocampo de trabalho, como terapeuta natural, além de enriquecer o currículo de enfermagemcom novas abordagens sobre a concepção saúde doença, ao entrar em contato com outrosparadigmas e outras formas de prevenir e curar.TAVARES (1998) acredita que o profissional, sem uma visão holística, terá dificuldades nahabilidade para resolver problemas que surgem no dia a dia, como por exemplo, a dor, que éreduzida a um sintoma e tratada pela sua negação com analgésicos, sem que seja buscado,primeiro, o seu significado.
  • A maioria das práticas complementares dá ênfase ao tratamento da pessoa doente e nãopropriamente à doença. Para as práticas, o corpo consiste num sistema indivisível de partesinter-relacionadas e os preceitos que lhe dão sustentação são frutos da observação e dapercepção do homem, da natureza que o cerca.Essa concepção holística está muito mais próxima da moderna abordagem sistêmica do que omodelo cartesiano, sobre o qual a medicina ocidental tem se apoiado nos últimos séculos.